19/11/2009 - 11:23h Falta de renda para alimento cai no Brasil, diz consultoria

Mercado Aberto

MARIA CRISTINA FRIAS – cristina.frias@uol.com.br

O número de famílias com algum grau de insegurança alimentar no Brasil e nos Estados Unidos caminha em sentido contrário, segundo análise da consultoria MB Associados. A estimativa da MB é que 25,68% das famílias brasileiras estavam nessa condição em 2008, uma redução ante o índice de 35,28% registrado pelo IBGE em 2004.
Nos Estados Unidos, 14,6% das famílias sentiram insegurança alimentar em 2008, mais que em 2004, quando o problema atingiu 11,95% dos domicílios, segundo a Usda (Departamento de Agricultura dos EUA).
Insegurança alimentar se caracteriza pela falta de condições de suprir as necessidades de alimentação familiar.
Para Sergio Vale, economista-chefe da MB, a crise e o desemprego motivaram a piora na situação alimentar dos Estados Unidos. No Brasil, o aumento do salário mínimo e o Bolsa Família puxaram a melhora do resultado, diz.

Leia a integra da coluna Mercado Aberto, no caderno Dinheiro da Folha SP

16/11/2009 - 11:42h “Brasil o que melhor conseguiu combater a fome” ajudará savana africana em projetos agrícolas

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De Roma – VALOR

A indústria brasileira de equipamentos agrícolas poderá se beneficiar de uma iniciativa de Brasília de ajudar países africanos a cultivarem as Savanas, que são parecidas com o Cerrado brasileiro, acredita a Embrapa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu ontem a iniciativa com líderes africanos, na FAO, em Roma. Lula quer reunir ministros de Agricultura do continente em Brasília, em abril, para examinar mecanismos de financiamento a serem levados à reunião de cúpula do G-20 em junho, no Canadá.

Atualmente, só 10% das Savanas estão cultivadas. A Embrapa já identificou 35 projetos de cooperação em 16 países e entraria com US$ 12,8 milhões.

Um projeto que começou a tomar corpo neste mês é para ajudar na exploração de 3 milhões de hectares em Moçambique, em cooperação com o Japão, que já ajudou por sua vez na exploração do Cerrado brasileiro.

Os japoneses entrarão com o dinheiro, cerca de US$ 300 milhões em dez anos; o Brasil, com a tecnologia; e os africanos, com a terra. A ideia é produzir soja, milho, arroz e outras commodities.

O presidente da Embrapa, Pedro Arraes, afastou a ideia de que se estaria estimulando a criação de concorrentes para o agronegócio brasileiro. “Tenho certeza de que a demanda vai aumentar globalmente muito. E, se não houver soja suficiente, os usuários partem para outro produto.”

A fome atinge 1,2 bilhão de pessoas. Nesse cenário, o Brasil é visto como um sucesso. A ONG ActionAid diz ter avaliado vários países e concluido que foi o Brasil o que melhor conseguiu combater a fome. (AM)

16/10/2009 - 13:37h Relatório de ActionAid elogia Brasil: “Fome Zero, do presidente Lula , reduziu a desnutrição infantil em 73 por cento e a mortalidade infantil em 45 por cento no Brasil”, constata a entidade

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SILVIA ALOISI – REUTERS – AGENCIA ESTADO

ROMA – O grupo ativista ActionAid divulgou relatório nesta quinta-feira em que elogia o Brasil e a China pelos esforços feitos para combater a fome nesses países.

O documento cita o programa Fome Zero, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que reduziu a desnutrição infantil em 73 por cento e a mortalidade infantil em 45 por cento no Brasil. A China reduziu o número de pessoas que passam fome em 58 milhões ao longo de dez anos.

Contrastando com isso, outros 30 milhões de pessoas se somaram às fileiras dos que passam fome na Índia desde meados dos anos 1990, apesar do aumento da renda per capita nesse país, e 47 por cento das crianças com menos de 6 anos de idade estão abaixo do peso.

O documento aponta ainda que a maioria dos países ricos vem descumprindo suas promessas de aumentar a ajuda alimentar e agrícola dada aos países pobres, diz um relatório do grupo ativista ActionAid divulgado na sexta.

Divulgado no Dia Mundial da Alimentação, o relatório também afirma que as promessas recentes do Grupo dos Oito de gastar 20 bilhões de dólares nos próximos três anos para ajudar os países pobres a se alimentarem não estão sendo cumpridas e que não foi fixado nenhum cronograma claro para as ações.

O número de pessoas que passam fome no mundo ultrapassou 1 bilhão este ano –105 milhões mais que em 2008–, e o ActionAid redigiu uma tabela mostrando até que ponto os países ricos vêm cumprindo suas promessas de aumentar a ajuda.

A tabela mede a ajuda dada para a agricultura e a segurança alimentar entre 2005 e 2007, comparando-a com um chamado lançado pela ONU por 30 bilhões de dólares anuais adicionais até 2012.

De acordo com o documento, com a exceção dos três maiores doadores –Luxemburgo, Suécia e Noruega–, a maioria dos países ricos não cumpre nem sequer metade do que é esperado deles para atingirem o alvo fixado para 2012.

Os resultados piores são da Grécia, Portugal, Itália, Estados Unidos e Nova Zelândia.

O relatório também lança um olhar crítico sobre as promessas do G8 feitas numa cúpula na Itália em julho.

A cúpula do G20 realizada em setembro resultou num pedido ao Banco Mundial para que fosse criado um fundo para aumentar os investimentos agrícolas nos países pobres. Mas não foi fixado um prazo ou cronograma para a criação.

O embaixador dos EUA junto às agências alimentares da ONU disse à Reuters em Roma esta semana que Washington vai depositar nesse fundo os 3,5 bilhões de dólares que prometeu como parte da iniciativa do G8, mas que a forma exata que o valor irá tomar ainda não foi determinada.

17/07/2009 - 11:59h Bolsa-Família é exemplo para acabar com a fome no mundo, segundo a ONU

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ONU mira o Brasil no combate à fome

Organização quer criar condições para que famintos saiam da pobreza e mira no exemplo do Bolsa Família

Jamil Chade, GENEBRA – O Estado SP

A Organização das Nações Unidas (ONU) quer acabar com o assistencialismo no combate à fome e promover uma mudança radical na estratégia para alimentar milhões de pessoas. A ONU ainda tem mirado em projetos brasileiros – como o Bolsa Família – como exemplo para seus futuros programas.

O objetivo é não apenas entregar alimentos importados às populações na África, Ásia ou América Latina, mas também criar condições para que as pessoas possam começar a produzir e incentivar a produção local. “O tempo da ajuda alimentar está acabando. Temos de desenvolver novos programas”, disse Staffan De Mistura, o número 2 do Programa Mundial de Alimentação da ONU.

A falta de programas claros acaba criando situações paradoxais. Em um país, a produção agrícola aumentou em 300%, enquanto no mesmo período a fome aumentou em 38%, exemplifica.

Na semana passada, o G-8 (grupo das oito maiores economias) anunciou US$ 20 bilhões para acabar com a fome no mundo, promessa já feita em outras ocasiões e nunca cumprida. Mesmo assim, a ONU deposita todas suas fichas nessa promessa, enquanto tenta desenvolver projetos para garantir que esses recursos tenham um impacto real. A ONU tem a responsabilidade de alimentar em 2009 cerca de 103 milhões de pessoas, principalmente na África. Mas até a semana passada só tinha 25% do valor necessário para garantir que os alimentos cheguem aos mais vulneráveis. “Precisamos de US$ 5,4 bilhões.”

A ONU quer apostar em pelo menos parte do modelo brasileiro no uso desse US$ 20 bilhões. “Estamos usando a experiência no Brasil como um exemplo”, disse Mistura. Segundo ele, programas como o Bolsa Família têm “efeitos multiplicadores” e vão na linha que a ONU quer adotar. A ideia é criar redes de ajuda social para permitir que os famintos possam não apenas ter alimentos, mas uma saída da pobreza.

Uma das ideias é alimentar 20 milhões de crianças em escolas. Outro projeto que já está sendo viabilizado é o de garantir alimentos vinculados com a criação de trabalho.

Outra iniciativa já em andamento é o uso de US$ 1 bilhão para comprar alimentos nos próprios países onde há fome. Dessa forma, o mercado local fica aquecido e a produção local ganha um incentivo. Grande parte dos US$ 20 bilhões do G-8 serão usados para o desenvolvimento agrícola.

Até pouco tempo, grande parte dos recursos era usada para comprar alimentos produzidos por ricos fazendeiros americanos e distribuir na África. Os mais beneficiados eram os fazendeiros, que tinham venda garantida.

04/06/2009 - 16:11h Chicken a la carte

“Chicken a la carte” foi considerada a curta metragem mais popular no Festival em Berlim em Fevereiro de 2006. Eleonora R.

29/05/2009 - 11:16h França propõe taxar operações financeiras. Para o Ministro Patrus Ananias “O momento é delicado. Temos de ter cuidado para não penalizarmos a atividade produtiva.”

França propõe taxar operações financeiras

Proposta prevê cobrar 0,005% sobre transações internacionais para obter um fundo de até US$ 60 bilhões destinado a combater a fome

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Andrei Netto, PARIS – O Estado SP

O governo da França apresentou ontem, em Paris, uma proposta de taxação das transações financeiras internacionais em 0,005% com o objetivo de obter fundos contra a pobreza, a fome e as doenças em países em desenvolvimento.

Pelo projeto, defendido no Fórum de Investimentos Inovadores para o Desenvolvimento, a alíquota resultaria na arrecadação de um montante estimado entre US$ 30 bilhões e US$ 60 bilhões por ano, que seria revertido para organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU).

O projeto foi apresentado no primeiro dia do fórum, que contou com a participação de organizações não-governamentais (ONGs), instituições internacionais e quase 40 ministros de Estado de todo o mundo.

O evento, realizado na sede da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), é patrocinado pelo Grupo Piloto sobre a Taxação Solidária para Financiar o Desenvolvimento, do qual o Brasil participa.

Pelo proposta, defendida pelo ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, transações “em geral – monetárias e financeiras – seriam taxadas em todos os países que aderirem ao projeto.

O Reino Unido já demonstrou, segundo fontes do governo francês, a sua insatisfação. A rejeição, contudo, não desanimou Kouchner.

“Essa taxa de 0,005% incidiria sobre cada transação. Todo mundo dirá agora que não é possível, que é complicado. Mas um dia não poderemos mais ganhar dinheiro nos aproveitando da globalização e das finanças sem dar um porcentual pequeno para o desenvolvimento”, disse.

De acordo com Alain Joyandet, secretário de Estado para a Cooperação do governo francês, o objetivo do Palácio do Eliseu é avançar nas discussões sobre o tema e apresentar uma proposta concreta “nos próximos meses”.

A criação da taxa foi a principal proposta do fórum. Membro do grupo, o Brasil foi representado pelo ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias. No início da noite, antes de embarcar para Brasília, Ananias avaliou o projeto francês.

“É uma proposta que precisa ser discutida. As decisões serão debatidas pelos governos de cada país, já que exigiriam adequações tributárias e alterações nas legislações”, comentou. “Como cidadão, e não como ministro, eu vejo com simpatia medidas legais que beneficiem o desenvolvimento, desde que estabelecidas em clima de diálogo com o mundo empresarial.”

O ministro também ponderou que a criação de um novo imposto em um contexto de crise econômica internacional precisa ser visto com atenção. “O momento é delicado. Temos de ter cuidado para não penalizarmos a atividade produtiva.”

Pela manhã, na abertura do evento, Ananias apresentou um balanço dos programas sociais do governo brasileiro ao Grupo Piloto, fundado em 2005 pela França, Brasil, Chile, Espanha e ONU para combater a miséria e a fome. O ministro assegurou que em 2009 a União investirá R$ 33 bilhões no Bolsa-Família e no Benefício de Prestação Continuada e argumentou: “Trilhões de dólares apareceram de repente no contexto desta crise. É preciso agora que também surjam recursos para implementar programas com a perspectiva da superação da fome, da desnutrição e da pobreza extrema em todo o mundo”.

31/01/2009 - 10:31h ”Estamos no Bolsa-Família 2.0”

Economista defende efeito do benefício contra desigualdade e diz que seu aumento pode compensar contração do crédito

 

Wilson Tosta – O Estado SP

 

 

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O economista Marcelo Néri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirma que a expansão do Bolsa-Família anunciada esta semana pelo governo federal poderá ajudar no combate à crise econômica entre os mais pobres. Para ele, ao expandir a distribuição de dinheiro em setores em que é mais alta a propensão para gastá-lo, a iniciativa, além de combater a pobreza, estimulará a economia, compensando em parte a redução do crédito. “Essa é uma medida adequada”, diz ele, por e-mail, de Washington. Néri destaca o efeito “direto e potente” do programa sobre a redução da desigualdade no País, mas reconhece que, nas pesquisas sobre o Bolsa-Família, a hipótese de que gere acomodação nos beneficiários não foi afastada.

Expandir o Bolsa-Família é uma escolha correta?

O que se pode dizer é que não existe programa de transferência de renda no Brasil mais bem focalizado que o Bolsa-Família e seus antecessores. Por exemplo, cada real gasto no Bolsa-Família tem 2,5 vezes mais chances de chegar ao pobre que cada real gasto com o reajuste do salário mínimo na Previdência. Além disso, agora o mundo está keynesiano, no sentido de que a falta de demanda agregada é o que tem de ser combatido. Essa opção implica não só combater a pobreza, mas destinar recursos para onde a propensão de gastar o dinheiro é mais alta. Ainda tem um bônus, você injeta moeda onde ela é mais escassa, gerando um efeito lubrificador na demanda, que compensa em parte o efeito da contração de crédito.

Foi correto o critério adotado, aumentar em R$ 17 o teto de renda per capita dos possíveis beneficiários?

Você está incluindo os mais pobres que não estavam no programa. Esses R$ 17 reais a mais levam os valores do critério muito próximos da nossa linha de miséria calculada pela FGV há anos (exceto que a nossa varia pelo custo de vida entre regiões R$ 142 em São Paulo, mas R$ 134 na média no Brasil). Logo, eu não poderia ser contra esse número cabalístico.

Não seria mais correto investir o dinheiro em ajudar quem já está no programa a não precisar mais dele?

O menor custo hoje para aliviar totalmente a pobreza no Brasil é de R$ 21,3 bilhões no ano. Isso é quanto custaria para completar a renda de cada brasileiro até a linha de R$ 134 reais/mês. Agora, transferências de renda têm forte efeito no curto prazo, é preciso de ações estruturais que aumentem a capacidade dos pobres gerarem sua própria renda a prazo mais longo. Mas talvez o que se queira agora seja um efeito de curto prazo em época de crise.

O Bolsa-Família não pode estimular a acomodação?

O programa pode levar à acomodação. Alguns estudos anteriores rejeitaram esse efeito no Brasil e no México. Nos nossos últimos estudos, estamos achando efeitos desse tipo. Ainda é prematuro afirmar, mas nós não conseguimos rejeitar a hipótese de que que há efeito-preguiça derivado do Bolsa-Família. Nossos resultados quantitativos estão em linha com relatos que escuto da população mais sofrida. Por exemplo, “se eu conseguir um emprego formal, eu sou excluído do programa, então eu não busco emprego formal”. Isso preocupa e precisamos de desenho mais arrojado para combater essa e outras limitações.

Quais são os efeitos do Bolsa-Família na redução da desigualdade?

No que tange a redução da desigualdade de renda o efeito é direto e potente. Cerca de 40% da inédita queda da desigualdade ocorrida a partir de 2001 se dá pelo efeito Bolsa-Família. Há impactos positivos sobre os beneficiários do programa, como aumento da matrícula de 3 pontos de porcentagem e na frequência escolar. Agora a extensão recente das condicionalidades educacionais até a faixa de 17 anos é promissora, pois só 74,5% destes estão na escola.

Se o programa tem resultados benéficos, a que atribuir as reações contrárias, a grita contra ele e contra sua ampliação?

Há uma grita interna, mas de natureza diferente daquela que houve contra os programas Fome Zero ou Primeiro Emprego, do qual participei desde a primeira hora. Esses programas caíram pois eram mal desenhados. Já o Bolsa-Familia foi criticado por alguns desde seu nascimento, mas hoje ainda não só se expande no Brasil, como em outras partes, inclusive nações desenvolvidas, vide o programa em Nova York. O programa nasceu forte e vai evoluindo ao longo do tempo. Estamos já no Bolsa-Família 2.0.

11/12/2008 - 15:29h World Bank’s ‘Wrong Advice’ Left Silos Empty in Poor Countries

By Alison Fitzgerald and Helen Murphy


 

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Dec. 10 (Bloomberg) — Inside and out, the rusted towers of El Salvador’s biggest grain silo show how the World Bank helped push developing countries into the global food crisis.Inside, the silo, which once held thousands of tons of beans and cereals, is now empty. It was abandoned in 1991, after the bank told Salvadoran leaders to privatize grain storage, import staples such as corn and rice, and export crops including cocoa, coffee and palm oil.

Outside, where Rosa Maria Chavez’s food stand is propped against a tower wall, price increases for basic grains this year whittled business down to 16 customers a day from 80.

“It’s a monument to the mess we are in now,” says Chavez, 63.

About 40 million people joined the ranks of the undernourished this year, bringing the estimate of the world’s hungry to 963 million of its 6.8 billion people, the Rome-based United Nations Food and Agriculture Organization said yesterday. The growth didn’t come just from natural causes. A manmade recipe for famine included corrupt governments and companies that profited on misery. Another ingredient: The World Bank’s free- market policies, which over almost three decades brought poor nations like El Salvador into global grain markets, where prices surged.

“The World Bank made one basic blunder, which is to think that markets would solve problems of such severe circumstances,” said Jeffrey Sachs, director of the Earth Institute at Columbia University and a special adviser to UN Secretary-General Ban Ki- moon. “But history has shown you need to help people to get above the survival threshold before the markets can start functioning.”


‘The Washington Consensus’

Created in 1944, the Washington-based World Bank Group spent much of its first 35 years dispensing low-interest loans, grants and development advice to poor countries with an eye toward promoting self-reliance. In 1980, the bank’s executives began attaching conditions to loans that required “structural adjustments” in the recipients’ national economies. The mandates were designed to have poor countries cut import tariffs, reduce government’s role in enterprises such as agriculture and promote cultivation of export crops to attract foreign currency.

The philosophy, which came to be known as “The Washington Consensus,” was based in part on assumptions that importing basic grains would be inexpensive and that farmers in developing nations could earn more producing exports. Food prices had fallen for years and few economists thought that would change, said Mark Cackler, manager of the bank’s Agriculture and Rural Development Department in Washington.


Exporter to Importer

In 2007 and the first half of 2008, an index of more than 60 food commodity prices compiled by the FAO rose 82 percent. While costs have since eased, they were 20 percent higher on Nov. 1 than at the end of 2006.

The increases hit hard in countries such as El Salvador, which had adopted the principles of the Washington Consensus in return for loans. El Salvador’s Central Reserve Bank said the total amount of the lending was “not available.” The Agriculture Ministry did provide this measure of their effects: The country was a net exporter of rice 20 years ago; now it imports 75 to 80 percent of what it consumes.

The World Bank has “given consistently wrong advice,” said Jose Ramos-Horta, the president of East Timor in Asia and the 1996 Nobel Peace Prize winner.

“It is their advice — that buying externally is cheaper than producing — that has resulted in this,” he said.

‘More Than Underinvestment’

Current and former World Bank officials say small countries hurt their own agriculture industries by suppressing prices, taxing farms, inflating exchange rates and favoring urban development. They reject the assertion that structural adjustment loans hurt developing nations’ self-sufficiency.

“The premise that this crisis was caused by these policies is something that we don’t agree with,” said World Bank spokeswoman Geetanjali Chopra. “This crisis was caused by much more than underinvestment in agriculture.”

Still, in nations such as Honduras and Ghana, imports of basic grains climbed after governments eliminated agricultural subsidies, sold off grain stores or decreased tariffs to get World Bank loans in the 1990s, according to data from the UN’s FAO.

In Honduras, 23,000 rice farmers went out of business, and employment from rice fell to 11,200 people from 150,000 after the government trimmed import duties, according to the human rights group Oxfam International. Honduran farms now supply 17 percent of the domestic demand for rice, down from 90 percent before the tariffs changed.


McNamara’s Shift

In Ghana, the World Bank required a tariff reduction on rice to 20 percent from 100 percent. Imports tripled, said Raj Patel, a scholar at the Center for African Studies at the University of California at Berkeley.

The free-market policies were a sharp turn from the bank’s earlier efforts — led by former bank President Robert McNamara – - to develop poor countries’ domestic agriculture and self- reliance, said Uma Lele, a World Bank economist from 1971 to 1991 and 1995 to 2005.

McNamara, who oversaw the escalation of the U.S. war in Vietnam as defense secretary under presidents John F. Kennedy and Lyndon Johnson before joining the bank in 1968, shifted his views. He introduced the structural adjustment concept in 1979, in a speech in Manila urging rich nations to open their markets to imports from poor countries.

“Developing countries will need to carry out structural adjustments favoring their export sector,” he said in the speech. McNamara, 92, declined to comment for this story.

Free Market Principles

World Bank officials were frustrated that their investment in agriculture through the 1970s wasn’t paying off, especially in Africa, said Pierre Landell-Mills, a bank economist at the time.

“There were state marketing organizations that were a complete nightmare of mismanagement and corruption,” said Landell-Mills, 69, now a principal at the Policy Practice, a public policy consulting group in Brighton, England, in a June interview. “There were unsustainable subsidies.”
The “preferred solution,” he said, was to dismantle the marketing boards, shrink governments and remove barriers to entrepreneurship.

McNamara in 1980 approved the first three structural adjustment loans. By 1985, they made up more than 25 percent of the World Bank’s total lending, according to Kyle Peters, its country services director.

Free-market principles were on the rise in the U.S. and the U.K., the bank’s major funders. Margaret Thatcher had become British prime minister in 1979 with promises of privatizing state-owned enterprises. Ronald Reagan was elected U.S. president in 1980, pledging to cut taxes and government programs.


New Ideas, New Staff

Reagan appointed Alden “Tom” Clausen, a former chief executive officer of Bank America Corp., to succeed McNamara in 1981. The new bank president was convinced “that you could fight poverty better and more efficiently and more quickly if you get the policies of a country right,”

Clausen said in an interview.

“I loved structural adjustment loans, and I made a lot of them,” he said.

As the bank’s philosophy evolved, so did its staff. Clausen hired Anne Krueger, an economist known for her advocacy of “getting prices right” by removing government controls, as vice president for economics and research in 1982. She “reshuffled the central economics staff,” wrote Devesh Kapur, in the bank’s official history, “The World Bank: Its First Half Century.”

“Of course the direction of research had changed,” Krueger, 74, said in an interview on Aug. 25. She acknowledged that some economists left because they didn’t agree with the bank’s focus. “Research moved away from big planning models with unreasonable incentives and swung toward things that were much more conducive to agriculture.”

‘Dysfunctional Systems’

Krueger led a five-volume study that concluded developing countries were hurting their own agriculture with tax and exchange rate policies. She said the bank’s free-trade principles boosted output and growth.

“These were largely dysfunctional systems,” she said. “It made sense to reduce tariffs so that countries could produce the goods that they were most efficient at.”

After leaving the bank in 1986, Krueger became first deputy managing director of the International Monetary Fund, which makes loans to help countries correct balance of payment problems and promotes economic policies.

As structural adjustment loans grew, the portion of the World Bank’s lending devoted to agriculture fell, to about 8 percent in 2000 from 30 percent in 1980. Last year, farm-related loans made up 12 percent of the bank’s $24.7 billion portfolio.


‘A Human Face’

“One of the reasons we have problems today is because of the cuts in agriculture,” said Montague Yudelman, 86, who was director of the World Bank’s agriculture department under McNamara. “If they’d made a continuously high level of investment, we’d have been in much better shape.”
By the late 1980s critics began saying the bank, along with the IMF, was fostering poverty and dependence. UNICEF, the United Nations Children’s Fund, in 1987 published a two-volume study titled, “Adjustment With a Human Face.” It concluded that some of the bank’s programs led to increases in malnutrition and disease in poor nations and urged new strategies to protect the most vulnerable people.

In 1995, just 30 days into his tenure as bank president, James Wolfensohn promised changes.

During a meeting with representatives of 12 non-profit organizations, Wolfensohn heard their argument that 15 years of adjustment lending had wiped out small farmers in countries from Africa, Latin America and Asia, damaging their ability to feed people. Some called for the bank to be disbanded.

‘A Different Way’

“What I’m looking for is a different way of doing business in the future,” Wolfensohn, a former Australian Olympic fencer and New York banker, told them. Wolfensohn, 75, who left the World Bank in 2005, declined to be interviewed for this story.

The bank’s commitment to free-market principles didn’t waver.

In 2000, as a condition for a $6.8 million agriculture loan in East Timor, the bank demanded that publicly funded agricultural service centers be privatized and rejected money for a public grain silo and slaughterhouse, according to Tim Anderson, a political economy lecturer at the University of Sydney. He has written several papers on East Timor’s development.

It also turned down proposals for the government to provide research and advice to farmers and to supply seeds and fertilizer because, “such public sector involvement has not proved successful elsewhere,” according to a World Bank mission report that year.


Small Farms Ignored

At the time, there was already evidence that private entrepreneurs weren’t serving so-called smallholders, who the bank says make up 60 percent of the world’s 2.5 billion farm households.

A 1998 study by Michael L. Morris, then a senior economist and project coordinator with the International Maize and Wheat Improvement Center in El Batan, Mexico, found that private seed companies in Africa focused on supplying large commercial operations and “often ignored small-scale, subsistence-oriented farmers located in remote areas.” Morris, 53, is now the World Bank’s lead agriculture economist for the Africa region.

In its 2008 World Development Report, the bank acknowledged that limiting governments’ participation in agriculture had hurt small farmers — citing Morris’s 10-year-old study as part of the evidence.

“The expectation was that removing the state would free the market for private actors to take over these functions — reducing their costs, improving their quality, and eliminating their regressive bias. Too often, that didn’t happen,” the bank said in the report.

No ‘Evil Force’

In 2000, Wolfensohn defended the bank to critics. During a meeting at Prague Castle that year, he told an invited crowd of 300 activists, bankers and government officials: “You should not regard us as a black and evil force. Maybe we’ve gotten things wrong. I’m sure we have in many cases.”
The next year, several non-profit groups that had worked with the bank to study its loan conditions released a report saying that the policies “have undermined the viability of small farms, weakened food security and damaged the natural environment.”

In response to the criticism from the Structural Adjustment Participatory Review International Network, the bank issued its own analysis that listed successes as well as missteps. It concluded that the required changes in agriculture were too much, too soon.


Lessons Learned

“The lessons for future policies are that agricultural adjustments are complex and require a sequence of modest steps,” the bank said in the report.
In August 2004, James Adams, the World Bank’s head of operations policy, declared the end of structural adjustments.

“We have abandoned the prescriptive character of the old policy,” Adams said in a statement. At the same time, he said, the underpinnings of the Washington Consensus “remain important themes of economic policy.”

The next year, the bank demanded that Niger privatize its irrigation systems, according to a 2007 report by Eurodad, a Brussels-based coalition of 56 non-profit groups. The requirement “has seriously damaging effects on poor farmers’ access to a precious and scarce resource,” said the report, based on an analysis of the bank’s databases. In all, the group found economic policy conditions were attached to 71 percent of loans and grants.
The World Bank in May pledged $1.2 billion for a Global Food Response Program that’s designed to speed money to the neediest countries without the usual red tape. As of last month the Bank approved $364 million for 25 countries and $541 million more is designated for 10 others.

Trade Talks Stalled

Current Bank President Robert Zoellick, a former U.S. trade representative, has promised to double agriculture spending while touting free trade as a solution to rising food prices. Zoellick, 55, declined to be interviewed.

Poor countries remained skeptical of open markets during the latest round of World Trade talks in Geneva, in July. They insisted that they be allowed to raise tariffs to protect domestic agriculture, stalling the negotiations.

El Salvador, meanwhile, has invested about $240 million in agriculture since 2004. It now gives farmers a $30 bag of the seed of their choice and a $30 sack of fertilizer.

“The World Bank had a very short-term vision; it couldn’t have been more wrong,” said Mario Salaverria, El Salvador’s agriculture minister, as he inspected corn in Sonsonate province, about 50 kilometers (31 miles) west of San Salvador.

His country must regain self-sufficiency, he said. “We can stop using our cars because of price increases, but we can’t stop eating.”

30/11/2008 - 19:54h Es la hora de la política

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EL PAÍS

Por Luiz Inácio Lula da Silva

Escribo estas notas en Roma, horas antes de partir para Washington, donde el día 15 de noviembre voy a participar en la reunión de líderes mundiales, mientras la comunidad internacional está evaluando aún los daños provocados por la más grave crisis financiera desde 1929.
Las respuestas a los desafíos actuales no pueden provenir de los especialistas, que durante tres décadas han aplicado las recetas que nos han llevado al actual colapso de la economía mundial. Lo que necesitamos son otros consejos, provenientes de hombres y mujeres con acusada sensibilidad social, preocupados por la producción, por el empleo y por un orden global más equilibrado y democrático. Como dije en mi reciente discurso ante la Asamblea General de la ONU, ha llegado la hora de la política.

El pensamiento neoconservador y recetas como las del Consenso de Washington consagraron la autorregulación de los mercados, la hegemonía del capital especulativo y la práctica inutilidad del Estado. El predominio de semejantes ideas encubría en realidad una actividad especulativa sin precedentes, que provocó una separación prácticamente total entre las esferas productiva y financiera. La economía global se transformó poco a poco en un enorme casino.
La crisis financiera ha obligado a los fundamentalistas del liberalismo a rendirse a la evidencia de su propio fracaso y a implorar la acción del Estado para evitar un posible agravamiento. De repente, la intervención estatal dejó de ser abominable y pasó a ser indispensable para los defensores de la tesis falaz –y durante mucho tiempo, poco cuestionada– de que el mercado es virtuoso por definición y capaz de regularse a sí mismo.

El electorado de Estados Unidos –epicentro de la crisis– se ha manifestado a favor del cambio en las recientes elecciones. El capital político de Barack Obama refleja el apoyo popular a una propuesta de variación de rumbo que sea dictado esencialmente por la política, y no por los mercados. Representa también la condena de una práctica y de un discurso que en los últimos tiempos fueron dominantes, hasta el extremo de impedir que las adecuadas medidas correctoras pudieran ser tomadas por los Gobiernos de los países involucrados, a pesar de las múltiples señales de descontrol del sistema financiero. Esperemos que el nuevo equipo gubernamental sepa escuchar el mensaje de las urnas.

La cuenta que hemos de pagar a causa del descontrol especulativo es muy elevada, y los trabajos de reconstrucción serán arduos. La participación de los líderes políticos en esta tarea resultará crucial. Nuestra actuación ha de estar a la altura de la gravedad de las circunstancias y de la magnitud del desafío que supone edificar un nuevo orden financiero internacional. Tal arquitectura ha de ser capaz de evitar que vuelvan a producirse los desmanes que nos han conducido hasta aquí, y cuyo impacto en la economía real amenaza el empleo, el poder adquisitivo, los ahorros y el sueño de una casa propia y de una jubilación tranquila para centenares de millones de personas en todo el mundo.

El cambio del sistema financiero internacional exige una coordinación de los sistemas reguladores nacionales, y pasa necesariamente por el aumento de la participación de los países en desarrollo en los procesos decisorios de gobierno global y en instituciones como el FMI y el Banco Mundial. Estos dos organismos deben ser reformados (o refundados) como parte de un profundo cambio de los mecanismos de gobierno del sistema económico-financiero internacional, que durante mucho tiempo se ha dedicado a velar por un orden mundial asimétrico. De esta manera se imponían recetas de austeridad, de impacto social negativo, a los países en desarrollo, que no eran seguidas por los países desarrollados en situaciones semejantes. Ya no podrá ser posible que ciudadanos, países e instituciones internacionales tengan que obedecer leyes y reglas, mientras que el sistema financiero está mal regulado o, lo que es peor, no está regulado en absoluto.

En Brasil ya dábamos antes de la crisis, y seguimos dándosela ahora, una atención prioritaria a la promoción del desarrollo con vistas a la disminución de las desigualdades sociales y regionales, basado en la responsabilidad fiscal y en bases económicas sólidas, que ponen a nuestro país en condiciones de atravesar la actual turbulencia sin comprometer la evolución económica positiva de los últimos años. En casi seis años de gestión se han creado más de diez millones de empleos estables y, sólo entre enero y septiembre de este año, dos millones noventa y siete mil. A lo largo de ese periodo, veinte millones de personas han logrado superar el umbral de la pobreza absoluta. Nuestra vitalidad económica se sustenta también en una fuerte política de inclusión social por medio de inversiones estatales en educación y en salud, así como mediante programas de redistribución de la renta como el Fome Zero (Hambre Cero), liderado por la Bolsa Família, que atiende actualmente a once millones de familias, el equivalente a cuarenta y cuatro millones de personas.

A escala regional, la democratización de los países latinoamericanos abre espacios para la ampliación del diálogo político y para la concreción de proyectos conjuntos en materia de integración económica y de infraestructuras. América del Sur no quiere soluciones aisladas para la crisis. Quiere más integración. La visión política común que orienta tales opciones ha ofrecido resultados concretos a los agentes económicos y a los ciudadanos en lo que se refiere al aumento significativo, a lo largo de las últimas décadas, del intercambio comercial, de la construcción de cadenas productivas que atañen a países vecinos y de la ampliación de las infraestructuras viarias y energéticas, por citar algunos ejemplos. En este sentido, nos sirven de estímulo los éxitos del proyecto de integración europea, una obra de construcción de la paz de las más duraderas y de mayor alcance social. La historia ofrece múltiples ejemplos de liderazgo y de osadía políticos capaces de inspirarnos para esa tarea de reconstrucción a la que tenemos que enfrentarnos sin demora. Con la voluntad política y una racional generosidad por parte de los líderes políticos mundiales, podremos llegar a la conclusión de la Ronda de Doha, un paso importante en las medidas anticrisis que han de ser adoptadas.

Con todo, lo fundamental es llevar adelante, como en otros momentos históricos, un cambio radical de la arquitectura financiera del mundo. Nos es necesaria una previsibilidad económica para reconstruir la economía mundial sobre nuevas bases, de manera que el mundo de las finanzas esté al servicio de la producción agrícola, industrial, científico-tecnológica y cultural, y no al contrario, como hasta ahora ha venido ocurriendo. Los países en desarrollo, como Brasil, están dispuestos y en condiciones de asumir sus responsabilidades en este esfuerzo colectivo.

Luiz Inácio Lula da Silva es presidente de Brasil

10/11/2008 - 18:10h Rio: Zona Sul, curral

Fernando Gabeira (PV) votou na zona sul do Rio de Janeiro
Gabeira votou na zona sul, onde obteve 70% dos votos


O que o Rio precisa é de um movimento a favor das idéias divergentes

OCTAVIO GUEDES – O GLOBO

A definição é clara: curral eleitoral era um lugar nas cidades onde se mantinham eleitores do campo incomunicáveis até a hora da votação. Dali, guiados pelo chefe político, eles saíam levando a cédula já preenchida para depositar na urna. O resultado não trazia surpresa: o candidato abençoado recebia quase a unanimidade dos votos.

Se existe uma região na cidade do Rio que se aproxima desta descrição, ela se chama Zona Sul.

Quem afirma isso são os números objetivos dos mapas eleitorais. Foi ali que um dos candidatos a prefeito obteve 70% dos votos contra 30% do adversário.

Ou seja, de cada dez pessoas, sete seguiram a mesma orientação política. Em nenhuma outra parte da capital essa mesmice bovina ocorreu em tamanha proporção.

Nos currais, os eleitores tinham hospedagem, alimentação e recreação.

Uma agenda tão movimentada que não havia brecha para se discutir política. O objetivo era este mesmo: ficavam todos incomunicáveis.
O que isso tem a ver com a Zona Sul? Tudo.

O eleitor incomunicável é aquele que se encerra em si mesmo, não é afável, nem sociável quando o assunto é escolha eleitoral. Ele não quer ouvir. Está sempre aberto ao monólogo. Ele vê a eleição como uma disputa entre o bem e o mal; as luzes e as trevas, o progresso e o atraso. Não tem meio-termo, nem argumentos. Está decidido e ponto.

Quem pensa o contrário está errado.

Surge, então, o discurso mais perverso: a batalha eleitoral deve ser travada em outras bandas, sempre acima da linha do equador: na Zona Oeste e no subúrbio. Como se fosse necessária uma cruzada para levar esclarecimento a eleitores que, por puro preconceito, são considerados mais suscetíveis ao abuso do poder econômico, à corrupção e ao jogo sujo da política. Gente com pouca capacidade de reflexão, capaz de se impressionar com panfletos apócrifos de apelo moralista.

Este artigo, acreditem, não é contra a Zona Sul.

Mas a favor da diversidade do pensamento político que, nas últimas eleições, se expressou, principalmente, nas urnas da Zona Oeste (onde um candidato teve 57% dos votos e o outro, 42%) e do subúrbio (onde a divisão do bolo eleitoral ficou em 54% contra 45%). Nessas regiões, o equilíbrio eleitoral, muito distante da diferença de 70% x 30% da Zona Sul, prova que ali houve o debate, o confronto de idéias, o contraditório. Pode-se até não gostar do resultado, mas não dá para negar que a democracia foi exercida em sua plenitude.

E quando isso ocorre, não existem eleitores melhores ou piores. Existem escolhas, que devem ser respeitadas. O sambista Mauro Diniz tem uma tese que ajuda muito a explicar o Brasil: “Crioulo com fome é um país em guerra.” E são justamente esses eleitores com fome de saúde, transporte e educação os que votam com mais consciência. Não porque são melhores, mas por instinto de sobrevivência. Para eles, uma promessa não cumprida significa um filho numa escola que não ensina, um posto de saúde fechado na hora em que mais se precisa ou um transporte que, de tanto atraso, ameaça seu emprego. Durante quatro anos ele vai testar no seu dia-a-dia todas as promessas que ouviu. Mas, curiosamente, no discurso das milícias ideológicas e das passeatas que hoje clamam por revisão do resultado eleitoral esses eleitores são justamente os acusados de se deixarem levar pelo lado negro da política.

E mais: até quando o cidadão escolhe um candidato que oferece serviços públicos em seu centro social, ele está fazendo política. Seu voto é um recado claro do eleitor ao Estado ausente.

Se olharmos pelas lentes de Robin Hood, podemos radicalizar: os centros socais dos ricos são a escola particular, o plano de saúde e seu carro.
Afinal, somos todos crioulos com fome de bons serviços públicos. E cada um busca as alternativas a seu alcance para compensar o vazio do Estado. Se a saída pode ser o contracheque, por que não pode o voto? O que o Rio precisa é de um movimento a favor do respeito à idéia divergente. O resto é puro preconceito. Ou paixão política. Ou curral eleitoral mesmo!

OCTAVIO GUEDES é jornalista

25/08/2008 - 19:37h Gordos famintos

gordos hambrientos

Civilización & Barbarie de Cristina Civale

Cuando investigaba uno de los capítulos de mi libro sobre el abuso infantil, me topé con una contradicción flagrante que sucedía en el East Harlem, en plena New York, el barrio habitado por latinos y negros.

Allí el 60 por ciento de la población infantil sufría de obesidad pero esa misma población también padecía hambre. El mismo fenómeno se reproduce en otras megalópolis, desde San Pablo a Nápoles, desde Nueva Delhi a Tijuana. Las franjas más pobres de la población sólo pueden consumir, mayoritariamente, comida chatarra y aún así hasta cierto día del mes. Luego del 20, cuando se acaba el efectivo, empieza el hambre. Así se van formando las nuevas generaciones en el reparto de la comida: generaciones pobladas de gordos hambrientos.

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Acaba de publicarse en España a través de Ediciones del Lince, Obesos y famélicos: El impacto de la globalización en el sistema alimentario mundial (Stuffed and Starved: the Hidden Battle for the World Food System), una obra que ya araña los primeros puestos en el ranking del New York Times.

Su autor es el inglés Raj Patel, tiene 36 años y vive en San Francisco.

Con una pluma desaforada y una tenacidad de militante, este graduado en Matemáticas, Filosofía, Política y Economía por Oxford y doctor en Sociología del Desarrollo por la prestigiosa Universidad de Cornell, narra con ímpetu y datos bien concretos (más de 100 páginas están dedicadas a las fuentes en las que basa sus afirmaciones) por qué sucede esta aberración en nuestra aldea global. No se queda en la descripción del fenómeno, también aporta las soluciones para que la comida alcance para todos, la buena comida, la que evita tanto la obesidad como el hambre, muchas veces habitantes de un mismo cuerpo.

Aquí la introducción de Stuffed and starved.

Una contradicción muy gorda

La humanidad produce actualmente más alimentos que en toda su historia, y sin embargo una cifra superior al diez por ciento de la población padece hambre. El hambre de esos 800 millones de personas ocurre al mismo tiempo que otro récord histórico: mil millones de seres humanos sufren hoy en día sobrepeso.

El hambre y el sobrepeso globales son síntomas de un mismo problema. Es más, el camino que podría conducirnos a erradicar el hambre del mundo serviría de paso para prevenir las epidemias globales de diabetes y afecciones cardíacas, y para hacer frente a un montón de males medioambientales y sociales. Los obesos y los famélicos están vinculados entre sí por las cadenas de producción que llevan los alimentos desde el campo hasta nuestra mesa. Guiadas por su obsesión por los beneficios, las grandes corporaciones que nos venden comida delimitan y constriñen nuestra forma de comer y nuestra manera de pensar sobre la comida. En los puntos de venta de la comida rápida es donde con mayor claridad se ven las actuales limitaciones, pues allí apenas podemos elegir entre el McNugget y el McMuffin. Pero aun cuando creemos encontrarnos lejos del ámbito de Ronald McDonald también hay limitaciones ocultas y sistémicas.

Incluso cuando queremos comprar algo sano, algo que nos mantenga alejados del médico, estamos atrapados por el propio sistema que ha creado las “Fast Food Nations” [Países de Comida Rápida, en alusión al libro homónimo de Eric Schlosser].

Intente, por ejemplo, comprar manzanas. En los supermercados de Norteamérica y de Europa, las elecciones están restringidas a media docena de variedades: Fuji, Braeburn, Granny Smith, Golden Delicious y quizá un par más. ¿Por qué éstas? Porque son atractivas: nos gusta su piel lustrada e inmaculada, y tienen un sabor que, para la mayoría del público, es inobjetable; pero también porque soportan ser transportadas a través de largas distancias y su piel no se daña si son sacudidas en el trayecto desde el huerto hasta la góndola; además, toleran las técnicas de lustrado y los compuestos que permiten el transporte y que las mantienen atractivas en los estantes, son fáciles de cosechar y responden bien a los pesticidas y a la producción industrial. Éstas son las razones por las cuales nunca encontraremos manzanas Calville Blanc, Black Oxford, Zabergau Reinette, Kandil Sinap o las antiguas y venerables Rambo en los estantes. No somos nosotros los que elegimos por nuestra cuenta porque, ni siquiera en el súper, no elaboramos nuestro menú a partir de lo que nosotros elegimos, o de la estación o el país en que nos encontramos, ni por la amplísima variedad de manzanas existente, ni por la amplísima gama de alimentos y sabores existentes, sino sometiéndonos al poder de las empresas de la alimentación.

Los intereses de las empresas que producen alimentos tienen ramificaciones que van mucho más allá de lo que nos ofrecen los estantes del súper. Son esos intereses lo que huele a podrido en el corazón mismo del sistema alimentario actual. Demostrar que la habilidad sistémica de unos pocos afecta a la salud de la mayoría requiere una investigación global que implica viajar desde los “desiertos verdes” de Brasil hasta la arquitectura de la ciudad contemporánea, y moverse a través de la historia desde la época de los primeros cultivos hasta la batalla de Seattle. Es una pesquisa que descubre las verdaderas causas de las hambrunas en Asia y en África, por qué hay una epidemia mundial de suicidios entre los agricultores, por qué ya no sabemos qué contiene nuestra comida, por qué en Estados Unidos los afroamericanos presentan mayor tendencia al sobrepeso que los norteamericanos blancos, por qué hay vaqueros en el sur de Los Ángeles y cómo el movimiento social más grande del mundo está descubriendo maneras, a mayor o menor escala, de que pensemos y vivamos de un modo distinto respecto a la comida.

La forma de comer alternativa a como lo hacemos actualmente promete solucionar el tema del hambre y las enfermedades relacionadas con la dieta mediante una manera de nutrirnos y de cultivar alimentos ecológicamente sostenible y socialmente justa.

Entender qué problemas plantea el modo en que se cultivan los alimentos y cómo se ingieren también ofrece la clave para una mayor libertad y un camino para recuperar el placer de comer. Tan urgente es la tarea como enorme el premio.

En todos los países, las contradicciones entre la obesidad, el hambre, la pobreza y la riqueza se están agudizando cada vez más. Por ejemplo, la India ha destruido millones de toneladas de cereales permitiendo que se pudran en silos mientras que la calidad de los alimentos que comen los indios pobres es la peor desde la independencia, en 1947. En el año 1992, en los mismos pueblos y aldeas donde la malnutrición había comenzado a atacar a las familias más pobres, el gobierno indio permitió que se colaran en su sistema económico, hasta entonces muy protegido, los fabricantes de refrescos extranjeros y multinacionales de la alimentación. En el plazo de una década, la India ha logrado la mayor concentración de diabéticos del mundo: personas -muy a menudo niños- cuyos cuerpos se han quebrado bajo el peso del consumo excesivo de alimentos inadecuados.

La India no es el único país que padece estos contrastes. Son globales, y están presentes incluso en el país más rico del mundo. En 2005, en Estados Unidos 35,1 millones de personas no sabían si iban a poder pagarse la siguiente comida. Y esto coincide con el momento en que hay en Estados Unidos más comida que nunca en su historia, y también mayor número de personas aquejadas por dolencias relacionadas con la alimentación.

Resulta fácil acostumbrarse a esta contradicción; su versión cotidiana sólo provoca una desazón pasajera cuando, de camino a los supermercados llenos de comida a reventar, nos cruzamos con carteles que nos hablan de gente “hambrienta” y “sin techo”. Hay excusas morales que sirven para calmar a una conciencia atormentada: los pobres tienen hambre porque son perezosos, o los ricos son gordos porque comen alimentos que engordan. Esta clase de sabiduría popular es muy antigua. De alguna forma, todas las culturas han comprendido que nuestros cuerpos son libros contables donde queda registrado el catálogo de nuestros vicios privados. Sin embargo, las frases inculpatorias no nos sirven para comprender las razones por las cuales hemos llegado a una situación inédita en la que hambre, abundancia y obesidad son más compatibles que en toda nuestra historia.

La condena moral sólo funcionaría si los afectados hubiesen podido hacer las cosas de forma diferente, si hubiesen tenido opciones. La prevalencia del hambre y de la obesidad afecta a la gente con demasiada regularidad y en demasiados lugares distintos como para que sean consecuencia de algún defecto personal. En parte, nuestro juicio yerra de forma tan notable debido a que todavía interpretamos los cuerpos a la manera antiintroducción gua, sin darnos cuenta de que los tiempos han cambiado. Aunque en algún momento fuese cierta, la suposición de que tener sobrepeso es ser rico ya no es válida: la obesidad no puede explicarse exclusivamente como la maldición de la opulencia individual. Hay rasgos sistémicos que marcan la diferencia. Por ejemplo en México, un país en desarrollo con unos ingresos medios de 6.000 dólares anuales, hay más adolescentes gordos que nunca, aunque el número de mexicanos pobres aumenta. La riqueza individual no explica por qué los hijos de algunas familias son más obesos que otros: el factor crucial no son los ingresos, sino la proximidad con la frontera de Estados Unidos. Cuanto más cerca viva una familia mexicana de sus vecinos del norte y de sus hábitos de comida procesada rica en grasas y en azúcar, más sobrepeso sufrirán los niños de esa familia. Que la geografía tenga tanta importancia desmiente la idea de que la elección personal es la clave para prevenir la obesidad o, del mismo modo, prevenir el hambre. Y sirve para retomar el lamento de Porfirio Díaz, el dictador de México a finales del siglo XIX: “¡Pobre México! Tan lejos de Dios y tan cerca de Estados Unidos”.

Uno de los efectos perversos del modo en que nos llega la comida a la mesa consiste en que ahora existe la posibilidad de que padezcan obesidad personas que carecen de los medios necesarios para comprarse alimentos. Los niños que se crían mal nutridos en las favelas de São Paulo, por ejemplo, sufren mayor riesgo de obesidad cuando llegan a adultos. Sus cuerpos, afectados por la pobreza de la niñez, metabolizan y almacenan mal los alimentos, por lo que presentan mayor riesgo de retener como grasa la comida de mala calidad a la que tienen acceso. A lo largo y ancho del planeta, los pobres no pueden permitirse comer bien, y esto es cierto incluso en el país más rico del mundo: en Estados Unidos son los niños quienes sufren las consecuencias. Un equipo de investigación indicó recientemente que, si persisten los actuales modelos de consumo, los niños norteamericanos de hoy vivirán cinco años menos, debido a las enfermedades relacionadas con la dieta a las que estarán expuestas en el transcurso de sus vidas.

En cuanto consumidores, se nos incita a pensar que un sistema económico basado en la elección individual nos salvará de los males comunes del hambre y la obesidad. Sin embargo, es precisamente la “libertad de elección” la que ha incubado estos males. Aquellos que pueden dirigirse al súper se quedan pasmados ante la posibilidad de escoger entre cincuenta marcas de cereales azucarados, media docena de tipos de leche que sabe a tiza, estantes de panes tan saturados de productos químicos que nunca se pudrirán y estantes repletos de productos cuyo ingrediente principal es el azúcar. Por ejemplo, los niños británicos tienen la posibilidad de escoger entre veintiocho marcas de cereales para el desayuno cuyo marketing está dirigido directamente a ellos. El contenido de azúcar de veintisiete de éstos excede las recomendaciones del gobierno. Nueve cereales para niños tienen un contenido de azúcar del 40 por ciento. Así pues, no es para nada sorprendente que en Reino Unido el 8,5 por ciento de los niños de seis años y más de uno de cada diez chicos de quince años sean obesos. Y los niveles están aumentando. El ejemplo de los cereales para el desayuno es un signo de un rasgo sistémico más amplio: las corporaciones que producen alimentos tienen todos los incentivos para vender comida sometida a un procesamiento que la hace más rentable, aunque menos nutritiva. Por cierto, esto también explica por qué hay a la venta muchas más variedades de cereales para el desayuno que de manzanas.

Nuestras opciones tienen límites naturales. Por ejemplo, la gente está dispuesta a comer un número limitado de frutas, hortalizas y animales disponibles en la naturaleza. Pero incluso en este caso, un poco de publicidad nos puede persuadir a expandir el alcance de nuestras opciones. Pensemos en el kiwi, que hace mucho era conocido como la grosella china: para adecuarse a los prejuicios de la guerra fría la empresa de Nueva Zelanda que lo lanzó al mercado a finales de los años cincuenta le cambió el nombre. Era un sabor con el que nadie se había criado, aunque ahora parece que siempre haya existido. Y mientras agregan lentamente nuevos alimentos naturales a nuestros menús, la industria alimentaria suma todos los años decenas de miles de nuevos productos a los expositores, algunos de los cuales se convierten en elementos indispensables hasta tal punto que, después de una generación, no se puede pensar en vivir sin ellos. Esto es un signo de cuán limitada puede ser nuestra imaginación gastronómica, y también de que no estamos totalmente seguros de cómo, de dónde o por qué ciertos alimentos llegan a nuestra mesa.

©Raj Patel y Libros del Lince
Publicado por Cristina Civale

04/07/2008 - 11:10h ‘Temos que soltar foguetes e sair cantando’

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O Brasil conseguiu reduzir quase à metade os principais índices que medem o impacto da pobreza sobre a saúde das crianças. A desnutrição infantil crônica diminuiu 46% nos últimos dez anos, de acordo com a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), divulgada ontem pelo Ministério da Saúde em Brasília. Na Região Nordeste, a redução chegou a 74%. No mesmo período, a taxa de mortalidade infantil caiu 43,5% no país. A desnutrição infantil aguda, que pode levar à morte, caiu 13% e foi considerada erradicada pelo professor Carlos Augusto Monteiro, da USP, autor do estudo. (O espetacular declínio da desnutrição)

Tem razão o Ministro da Saúde em afirmar que “temos que soltar foguetes e sair cantando”.

A questão da fome, a determinação do presidente Lula em fazer do combate a fome uma questão central da política do governo e a combinação do Bolsa-família com o aumento do emprego e do salário mínimo, estão conseguindo resultados espetaculares. Se acrescentarmos os esforços do PAC em obras de saneamento básico, temos o panorama completo de uma política eficiente com resultados a vista de todos.

É uma vitória do Brasil e motivo de orgulho para todo o povo brasileiro.

Reduzir a desigualdade social é a meta essencial que deve nortear as políticas públicas no pais.

O êxito obtido não é fruto exclusivo do governo Lula, mas indiscutívelmente a luta contra a fome e a desigualdade social é a razão de ser do PT que é assim identificado pela maioria do povo brasileiro.

Crescimento econômico com redução das desigualdades e distribuição de renda. Eis em resumo os objetivos do PT.

Os resultados obtidos mostram que as forças coligadas em torno do PT e do presidente Lula estão no rumo certo. Mesmo com dificuldades, com erros e com insuficiências, o balanço é amplamente positivo. No combate a desnutrição e mortalidade infantil é espetacular.

Parabéns presidente, parabéns Brasil!

Luis Favre

04/07/2008 - 09:49h Desnutrição infantil cai 46% no pais e 74% no Nordeste

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‘A desnutrição aguda sumiu’

Na forma crônica, mal caiu 46% no Brasil e 74% no Nordeste, em dez anos

Bernardo Mello Franco e Evandro Éboli – O Globo

A imagem “http://oglobo.globo.com/jornal/oglobo/foto/capa__i.jpg” contém erros e não pode ser exibida. BRASÍLIA

Estudo divulgado ontem pelo Ministério da Saúde mostra que o país conseguiu reduzir quase à metade, em dez anos, os principais índices que medem o impacto da pobreza sobre a saúde das crianças. A desnutrição infantil crônica, calculada a partir do percentual de crianças que deixaram de crescer por falta de alimentação adequada, era 46% menor em 2006 do que na edição anterior da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), realizada em 1996. Na Região Nordeste, a redução chegou a 74%.

No mesmo período, a taxa de mortalidade infantil caiu 43,5% no país.

Segundo o estudo, a parcela de crianças de até 5 anos que sofrem de desnutrição crônica caiu de 13% para 7%. O índice leva em conta o déficit de altura em relação à idade. Entre as crianças nordestinas, a taxa de desnutrição diminuiu de 22% para 5,7%. O número de crianças com excesso de peso variou pouco, e ficou em 6,6%.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que o resultado deve ser comemorado, e atribuiu parte da evolução aos programas de transferência de renda do governo federal, como o Bolsa Família: — A desnutrição se reduziu drasticamente.

É evidente que há um impacto das políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e da ampliação do emprego e da renda média. O que a pesquisa mostra é que o padrão alimentar melhorou, o consumo de alimentos foi ampliado.

A taxa de desnutrição infantil aguda, que pode levar à morte, caiu 13% no mesmo período. Na pesquisa anterior, 2,3% das crianças apresentavam déficit de peso em relação à altura.

Em 2006, o índice baixou para 2%. Para Carlos Augusto Monteiro, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP e um dos autores do estudo, já se pode dizer que o país conseguiu eliminar a calamidade: — Esse problema no Brasil já era pequeno. A PNDS mostra que ele sumiu.

Hoje, a relação peso/altura das crianças brasileiras é a mesma da dos Estados Unidos e de outros países.

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Mortalidade infantil também cai muito

A mortalidade infantil registrou outra queda expressiva, de 39 por mil nascidos vivos para 22 por mil nascidos vivos. Nesse ritmo, os pesquisadores estimam que o país conseguirá atingir a Meta do Milênio para superar o problema até 2012, três anos antes do prazo fixado pelas Nações Unidas.

Os especialistas atribuem o avanço ao uso do soro caseiro, ao aumento do aleitamento materno e às melhoras na alimentação e no saneamento.

A pesquisa registrou a insatisfação das mães com a falta de dinheiro para comprar comida: 37,5% afirmaram não ter acesso a alimentação em quantidade e qualidade suficiente para suas famílias. No Nordeste, esse número salta para 54,6%. O estudo mostra que 4,7% dos domicílios passaram por alguma situação de fome, classificada como insegurança alimentar grave, nos três meses anteriores à pesquisa.

No Norte, essa taxa é de 13,3%.

Após cruzar dados do estudo, Monteiro apresentou números, não incluídos no relatório final, que mostram que a queda da desnutrição infantil estaria ligada ao aumento da escolaridade das mães (24,6%), à elevação do poder aquisitivo das famílias (22,5%), à melhora nos programas de assistência à saúde (10,4%) e à expansão da rede de saneamento (5,8%). Ele disse não ter encontrado uma justificativa única para 36,7% dos casos, mas afirmou que, entre esses fatores, está a redução da taxa de natalidade. Segundo o professor da USP, não é possível medir o impacto dos programas de transferência de renda, que influem em mais de uma variável da evolução.

Realizada pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e financiada pelo governo federal, a PNDS ouviu 15 mil mulheres em idade fértil, entre 15 e 49 mil anos, e pesquisou a situação de saúde de 5 mil crianças de até 5 anos.

25/06/2008 - 09:53h Lula critica ‘vento frio da xenofobia’ na Europa

Para presidente, política restritiva à imigração vem do medo de países ricos de perderem ’status quo’

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Soraya Aggege – O Globo

SÃO PAULO. Diante de uma platéia formada pelos pesos-pesados dos setores financeiro e empresarial brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou os países europeus de “xenofobia”, pelas políticas restritivas à imigração aprovadas na semana passada. Segundo Lula, o preconceito contra a imigração é causado pelo medo que os ricos têm de perder o “status quo” com o avanço das regiões emergentes.
Para ele, em vez de ficar com medo, os países ricos deveriam ajudar os pobres a se desenvolverem.

— O vento frio da xenofobia sopra outra vez sua falsa resposta para os desafios da economia e da sociedade. Hoje, como ontem, o desemprego, a fome e a instabilidade financeira reclamam maior coordenação entre as nações e maior solidariedade entre os povos — discursou o presidente no evento sobre responsabilidade social das empresas e os direitos humanos.

A UE decidiu, na semana passada, que imigrantes ilegais podem ser detidos por até 18 meses e impedidos de retornarem ao bloco por até cinco anos. Lula se disse perplexo com o atual estágio das relações humanas entre países, 60 anos após a assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

— Qual é o grande problema que nós temos no mundo desenvolvido hoje? É o preconceito contra a imigração. E o que é o preconceito contra a imigração? É o medo de perder seu status quo, é o medo de perder o emprego, é o medo de ter alguém ocupando o seu espaço. Isso hoje é um problema extremamente sério em toda a Europa e só há uma solução para isso: Não é proibindo os pobres de irem à Europa, é ajudando a desenvolver os países pobres.

Lula afirma que Brasil evoluiu em direitos humanos Para o presidente, o Brasil evoluiu em relação aos direitos humanos nos últimos 20 anos.
Segundo Lula, “contra os tambores do medo e da intolerância”, é preciso ainda “convocar o século XXI a defender o artigo 13oda declaração, que diz: todo ser humano tem o direito de circular e escolher livremente a sua residência no interior de um Estado”.

Par ticiparam do evento com o presidente, Roberto Setubal (Itaú); Roger Agnelli (Vale); Abílio Diniz (Grupo Pão de Açúcar); Antonio Carlos Valente (Telefônica), Fábio Barbosa (ABN-Amro), Hélio Duarte (HSBC), Hector Nuñes (Wal-Mart), entre outros.

01/06/2008 - 10:23h Os ricos estão mais famintos

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Amartya Sem * – O Estado de São Paulo

A crise dos alimentos que está ameaçando as vidas de milhões de pessoas vai abrandar-se ou se agravará com o passar do tempo? A resposta é: ambas as coisas. A alta recente dos preços dos alimentos foi causada em grande parte por problemas temporários, como seca na Austrália, na Ucrânia e em outros países. Embora a necessidade de vultosas operações de ajuda seja algo da maior urgência, a crise profunda dos dias de hoje deve chegar ao fim.

Entretanto, subjacente a essa crise se encontra um problema fundamental que só poderá intensificar-se, a não ser que nos conscientizemos dele e procuremos solucioná-lo.

É a história de dois povos. Segundo uma versão da história, um país onde os pobres são muito numerosos registra repentinamente uma expansão econômica, mas apenas a metade da população participa dessa nova prosperidade. Os que se beneficiam com ela gastam grande parte da renda recém-adquirida em alimentos e, se a oferta não aumentar com bastante rapidez, os preços poderão disparar. O restante dos pobres agora enfrenta uma alta dos preços dos alimentos, mas não da renda, e começa a morrer de fome. Tragédias como esta ocorrem repetidamente no mundo.

O exemplo mais devastador é a fome no Bengala, em 1943, nos últimos dias do governo britânico na Índia. Os pobres que viviam em centros urbanos experimentaram um aumento acelerado da renda, principalmente em Calcutá, onde os enormes gastos com a guerra contra o Japão provocaram uma explosão que quadruplicou os preços dos alimentos. Os pobres que moravam na zona rural experimentaram esses aumentos vertiginosos dos preços com um aumento mínimo da renda.

Uma equivocada política do governo acentuou essa divisão. As autoridades britânicas tentaram evitar o descontentamento urbano durante a guerra, e o governo passou a adquirir alimentos nas aldeias e a vendê-los nas cidades, a preços altamente subsidiados, numa medida que contribuiu para uma alta ainda maior dos alimentos na zona rural.

Nas aldeias, as pessoas que ganhavam remunerações mínimas começaram a morrer de fome. Na carestia que se seguiu, assim como na esteira dela, morreram de 2 milhões a 3 milhões de pessoas.

Neste momento, discute-se intensamente, como não poderia deixar de ser, a divisão entre a população afluente e a não afluente na economia global, mas os pobres do mundo também estão divididos entre os que registram uma elevada expansão e os que não se beneficiam dela. O rápido crescimento econômico em países como China, Índia e Vietnã tende a aumentar acentuadamente a demanda de alimentos. Evidentemente, isto é excelente em si, e se esses países conseguirem reduzir a desigualdade da divisão interna do crescimento, mesmo os que não são beneficiados comerão muito melhor.

Mas esse crescimento também pressiona os mercados globais de alimentos – às vezes mediante o aumento das importações, outras vezes, por meio de restrições ou proibições das exportações, como ocorreu recentemente em países como Índia, China, Vietnã e Argentina. Os mais particularmente afetados foram os pobres, principalmente na África.

Há também uma versão da história dos dois povos que tem a ver com a alta tecnologia. Produtos agrícolas como milho e soja podem ser usados para produzir o etanol utilizado como combustível automotivo. Portanto, os estômagos dos famintos também precisam competir com os tanques de combustível.

Nesse caso, também influi uma equivocada política governamental. Em 2005, o Congresso americano começou a exigir que se aumentasse o uso do etanol nos veículos. Prevendo um subsídio para a utilização desse produto, a lei criou um florescente mercado de milho nos EUA, mas ao mesmo tempo fez com que recursos agrícolas fossem desviados dos alimentos para a produção do combustível, o que torna ainda mais difícil a concorrência para os estômagos famintos.

O uso do etanol pouco contribui para evitar o aquecimento global e a deterioração ambiental, e, se os políticos americanos permitissem, deveriam ser implementadas com urgência reformas muito claras na política. O uso do etanol poderia ser restringido, em vez de ser incentivado e subsidiado.

O problema global dos alimentos não é provocado por uma tendência de queda da produção mundial, ou da produção de alimentos per capita (o que tem sido muitas vezes afirmado sem muitas evidências). Ele é o resultado da aceleração da demanda. Entretanto, um problema induzido pela demanda também exige a rápida expansão da produção de alimentos, o que pode ser feito mediante uma maior cooperação global.

Embora se deva atribuir ao crescimento populacional apenas uma modesta parcela da crescente demanda de alimentos, ele pode contribuir para o aquecimento global, e, no longo prazo, as mudanças climáticas podem ameaçar a agricultura. Felizmente, o crescimento populacional já está diminuindo, e existem provas esmagadoras de que o aumento do número de mulheres capacitadas para exercer funções de responsabilidade (bem como a ampliação da educação para as jovens) poderá rapidamente reduzi-lo ainda mais.

O problema maior é elaborar políticas eficientes para tratar das conseqüências de uma expansão extremamente assimétrica da economia global. Há uma crucial necessidade de reformas nacionais no âmbito da economia em muitos países que apresentam um lento crescimento, mas há também uma grande necessidade de uma maior cooperação e assistência globais. A primeira tarefa consiste em compreender a natureza do problema.

*Amartya Sem, que leciona economia e filosofia em Harvard, recebeu o Prêmio Nobel de Economia em 1998. Mais recentemente, escreveu “Identity and Violence: The Ilusion of Destiny”. Ele escreveu este artigo para o ‘The New York Times’

25/05/2008 - 10:06h “Le monde peut-il nourrir le monde ? Sans doute pas !” : rencontre avec Edgard Pisani

Entretien

LE MONDE BOUGE – Ancien ministre de de Gaulle, chargé de la Nouvelle-Calédonie sous Mitterrand, ce spécialiste de la faim dans le monde nous prévient : si les uns ne changent pas très vite leur logique de profit et les autres leur mode de vie, la Terre comptera bientôt deux ou trois milliards d’affamés.

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Photo : Léa Crespi pour Télérama

Rappelez-vous. C’était en janvier 2007 : les Mexicains descendaient dans la rue pour manifester contre l’augmentation du prix de la tortilla, la galette de maïs. A l’époque, beaucoup avaient souri. Depuis, les émeutes de la faim se sont répandues comme une traînée de poudre : au Cameroun, au Maroc, au Yémen, au Sénégal, en Indonésie, au Bangladesh, aux Philippines, en Haïti… Blé (+ 130 % depuis 2006), riz (+ 170 %), maïs (+ 140 %) : les produits agricoles de base flambent et le monde découvre avec surprise que la fin de la faim n’est pas pour demain. Que la famine menace plus d’un milliard d’êtres. Edgard Pisani est de ceux qui préviennent depuis des années de l’imminence de la crise. Ancien ministre de l’Agriculture, de l’Equipement sous de Gaulle, puis chargé de la Nouvelle-Calédonie sous Mitterrand, ce grand serviteur de l’Etat a souvent eu une longueur d’avance. A 90 ans, le regard bleu plus acéré que jamais et la voix grave, il dit toute sa révolte. Celle d’un vieux sage lucide, à l’espérance chevillée au corps.

(mais…)

10/05/2008 - 19:49h La croisade du Brésil pour l’éthanol, par Jean-Pierre Langellier

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Le Monde

Le Brésil est parti en croisade. Avec, en première ligne, son président, Luiz Inacio Lula da Silva. Et, flottant au vent, la bannière fièrement levée d’une nouvelle grande cause nationale : l’éthanol. Chaque jour ou presque, Lula monte au front. Il défend avec ardeur son biocarburant favori, dont la production, en hausse spectaculaire, représente depuis trente ans un axe majeur de la politique énergétique du Brésil.

lula3.jpgCette croisade est d’abord une contre-attaque. La crise alimentaire a poussé le Brésil, second producteur mondial d’éthanol (à base de canne à sucre), vers le banc des accusés, au côté des Etats-Unis, premier producteur d’agrocarburant (à base de maïs). La fabrication d’éthanol, affirment ses contempteurs, entraîne une réduction des surfaces allouées aux cultures vivrières et contribue ainsi, au moins partiellement, à la hausse des produits agricoles.

Dominique Strauss-Kahn, directeur général du FMI, estime que les biocombustibles posent un “vrai problème moral”. L’ex-rapporteur de l’ONU pour le droit à l’alimentation Jean Ziegler, un rien outrancier, les tient pour responsables d’un possible “crime contre l’humanité”. Nicolas Sarkozy fustige le “dumping fiscal sans précédent” pratiqué par le Brésil et les Etats-Unis pour stimuler l’essor “de certains biocarburants”.

Ces reproches en cascade ont pris de court le Brésil. Hier encore, le monde, et notamment l’Europe, le félicitait pour avoir fait oeuvre de pionnier en choisissant de développer massivement une source d’énergie “propre” qui rejette cinq fois moins de gaz à effet de serre que le pétrole. Aujourd’hui, on met en doute la justesse écologique et éthique de ce choix. Pire, on ferait presque du Brésil un “affameur”.

Résolu à contrer ce qu’il tient pour une campagne de désinformation, le Brésil se pose en victime collatérale des griefs, selon lui légitimes, adressés aux Etats-Unis. Il distingue, jusqu’à les opposer, le “bon” éthanol – le sien – du “mauvais” – l’américain. Le premier est le seul moins coûteux à fabriquer que l’essence. Un hectare de canne produit plus du double d’éthanol qu’un hectare de maïs. La culture et la transformation du maïs consomment sept fois plus d’énergie que celles de la canne.

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Surtout, la canne, à l’inverse du maïs, n’est pas un aliment noble. Sa transformation ne prive pas l’humanité d’une nourriture potentielle. Le Brésil se targue d’avoir fait progresser, en parallèle, les céréales et la canne, qui occupe 12 % des surfaces cultivées. “Nous remplissons sans problème les estomacs et les réservoirs des voitures”, résume Lula. La culture de la canne s’étend, pour l’essentiel, sur des pâturages abandonnés. Conclusion du président brésilien : accuser l’éthanol de menacer la sécurité alimentaire est “un mensonge éhonté”.

Face au “bombardement” contre son pays, Lula riposte en invoquant les arguments admis du plus grand nombre. Si les prix flambent, c’est, au-delà des aléas climatiques et parfois à cause d’eux, parce que la consommation s’emballe et que la demande rattrape ou dépasse l’offre : “Il y a davantage de gens qui mangent trois fois par jour. Les Chinois mangent, les Indiens mangent, les Brésiliens mangent, et les gens vivent plus longtemps.” C’est aussi parce que la hausse du prix du pétrole renchérit le transport des denrées et le coût des engrais. C’est encore parce que la crise immobilière et financière incite les spéculateurs à placer leurs fonds sur un marché agricole prometteur.

Mais le Brésil va plus loin. Il condamne le protectionnisme des pays riches, et ses deux outils privilégiés : les subventions agricoles, qui protègent les fermiers et satisfont les consommateurs locaux, mais découragent les producteurs des pays pauvres ; les droits de douane qui pèsent sur les produits venus du Sud. L’éthanol est concerné au premier chef puisque l’Europe lui impose une taxe de 60 %. Le Brésil, qui lui vend tout de même déjà 30 % de l’éthanol qu’elle consomme, dénonce “cette taxe absurde” et négocie avec l’UE à ce sujet depuis octobre 2007. En vain jusqu’à présent. Prompt à blâmer le “lobby pétrolier”, il reproche aussi aux Etats-Unis de ne pas lui acheter son éthanol.

LE PROTECTIONNISME DES PAYS RICHES

L’Europe intéresse au plus haut point le Brésil depuis qu’elle a décidé que les biocarburants, éthanol et biodiesel, devraient, en 2020, composer 10 % – contre 2 % aujourd’hui – du liquide englouti par ses véhicules. Cela représentera un marché annuel d’environ 20 milliards de litres dont le Brésil, premier exportateur mondial, espère recueillir une bonne part. Dans ce domaine comme dans d’autres, le Brésil pense avoir rendez-vous avec l’Histoire. “Tout le monde sait, observe Lula, que notre pays sera un concurrent imbattable, car nous avons la terre, l’eau, les connaissances, la technologie et trente ans d’expérience.” Cette confiance en l’avenir lui autorise quelques accents glorieux : “Le Brésil n’est plus un figurant. C’est un artiste de premier plan”, ou l’incite à l’ironie à l’adresse de ceux qui critiquent l’éthanol : “Bientôt, on va dire que la viande de nos zébus n’est pas bonne et que le café du Brésil est de mauvaise qualité.”

L’éthanol n’a pourtant pas que des vertus. La canne à sucre est gourmande en eau. Sa culture, rentable, conduit les paysans à en délaisser d’autres. Comme toute monoculture, elle use les sols. Elle intensifie la spéculation et la concentration foncière. Les Brésiliens répondent que la canne, culture semi-permanente, cohabite en partie avec des produits alimentaires : soja, arachide ou haricots. Ils rappellent que l’éthanol a enrichi les campagnes, créé un million d’emplois et freiné l’exode rural.

Les pétroliers européens et américains font, eux-mêmes, le pari de l’éthanol brésilien. BP vient d’annoncer de gros investissements. A l’inverse, la première compagnie sucrière brésilienne, Cosan, a racheté la filiale locale du distributeur de carburant Esso. Elle contrôlera ainsi toute la chaîne de l’éthanol, de la plantation jusqu’à l’automobiliste. Quelque 90 % des voitures neuves mises en vente au Brésil fonctionnent à l’éthanol ou à l’essence, mais pour la première fois, en avril, le premier a été plus consommé que la seconde. Le Brésil attend que d’autres grands pays émergents, comme la Chine ou l’Inde, imitent ses choix énergétiques. Ce jour-là, sans doute encore lointain, l’éthanol sera une “commodity” cotée en Bourse sur un marché global, dont le Brésil espère bien être le leader incontesté.

Courriel : langellier@lemonde.fr
Jean-Pierre Langellier

05/05/2008 - 10:30h Fome, etanol e mentiras

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Correio braziliense – João Tenório – Senador (PSDB/AL), presidente da Subcomissão de Biocombustíveis do Senado Federal

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/77/Jo%C3%A3o_Ten%C3%B3rio.JPG/240px-Jo%C3%A3o_Ten%C3%B3rio.JPGJá era mais do que tempo. Os países desenvolvidos, que durante séculos acumularam riquezas à custa da exploração predatória de suas colônias e que hoje abusam de subsídios agrícolas para proteger o próprio mercado, parecem finalmente despertar para uma das maiores tragédias do planeta: a fome. Uma tragédia que atinge hoje 854 milhões de pessoas e mata uma criança a cada cinco segundos, pelos cálculos das Nações Unidas.

O fantasma do desequilíbrio ambiental — que traça cenário de seca e miséria para o final do século — foi o primeiro a assombrar as grandes potências. Agora, é a explosão no preço das commodities agrícolas que parece tornar cada vez mais remota a meta de reduzir a fome no mundo pela metade até 2015 — um dos objetivos do milênio pactuado por 191 países oito anos atrás.

Se é um avanço o fato de a escassez de alimentos ser foco das atenções dos principais organismos e centros de decisão política e econômica, jogar a culpa do problema no avanço dos biocombustíveis é não querer colocar o dedo na ferida: a injusta distribuição de renda e riqueza e o absoluto descaso com as nações mais pobres. Autoridades internacionais que vêm atacando os biocombustíveis também minimizam o fato de que o petróleo, com o barril beirando os US$ 120, tem sobrecarregado cada vez mais o custo final dos alimentos.

O preço da comida subiu porque, além de condições climáticas desfavoráveis e do encarecimento significativo do frete e dos fertilizantes, o consumo de países emergentes, como China e Índia, aumentou. O que é positivo. Equilibrar demanda e oferta — com políticas públicas que garantam melhor uso da terra e incentivos à agricultura familiar, por exemplo — é desafio de cada governo. Mas também deve ser compromisso do mercado internacional, hoje distorcido por políticas protecionistas injustificáveis. É preciso questionar, ainda, até que ponto as nações mais ricas e os organismos financeiros internacionais têm se empenhado na tarefa de reduzir a pobreza mundial.

Mais do que falta de alimentos, o nó da questão nos países mais pobres é a total falta de condições econômicas para o acesso a esses alimentos. Vale lembrar que, pelos dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o mundo produz comida para alimentar 12 bilhões de pessoas, o dobro da população do planeta.

O crescimento econômico que tanto festejamos no Brasil certamente tem pressionado a demanda — e os preços. Precisamos, sim, assegurar uma política agrícola mais eficaz, garantir o equilíbrio fiscal e econômico, menores impostos e taxas de juros. Mas os biocombustíveis, no nosso caso, só somam. Temos terras agricultáveis de sobra — para alimento e energia. O álcool produzido a partir da cana não ocupa mais que 3,5 milhões dos 400 milhões de hectares de terras agricultáveis e tende a avançar em áreas de pastagens degradadas — cerca de 60 milhões de hectares. Mesmo com o avanço invejável na produção de etanol, nossa safra de grãos bateu novo recorde em 2007: 133 milhões de toneladas. Este ano, a previsão é de uma safra de 139,3 milhões de toneladas.

O álcool de cana é, sem dúvida, a alternativa hoje mais viável — do ponto de vista tecnológico e econômico — aos combustíveis fósseis. E a liderança brasileira na produção de etanol assusta os europeus, aferrados à própria política protecionista. Por isso mesmo, a disseminação de mitos absurdos, como a potencial ameaça à Amazônia. A floresta é totalmente inadequada para o cultivo da cana, que, avançando sobre áreas de pastagens, também não corre o risco de empurrar outras culturas para a região.

Esclarecer a comunidade internacional e vencer as resistências do mercado europeu é um desafio enorme, que exige postura firme por parte do governo brasileiro. É nossa única chance de transformar o etanol em commodity mundial e afirmar nossa liderança no novo cenário energético.

A Frente Pró-Etanol anunciada pelo presidente Lula só terá resultado se congregar todos os envolvidos com a produção de biocombustíveis — no Executivo, no Legislativo, na iniciativa privada, na área de pesquisa e meio ambiente. Divergências políticas devem ficar de lado neste momento: o etanol é estratégico; é fonte de energia limpa e renovável, capaz de gerar emprego e renda em regiões hoje absolutamente carentes, como a África. Não é só o Brasil, mas o mundo todo que vai sair ganhando.

29/04/2008 - 08:52h FT: Brasil é solução óbvia para crise

Jornal diz que tarifas de ricos dificultam exportação

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LONDRES. O Brasil é uma solução óbvia, mas esquecida, para a alta global dos preços dos alimentos, afirmou ontem o jornal inglês “Financial Times”. O diário de negócios ressaltou que o país “tem enormes reservas de área cultivável não utilizada, a maior parte usada hoje como pastagem”. O “Times”, no entanto, não deixa de lado o maior entrave à produção agrícola brasileira: “as tarifas proibitivas” de Europa e Estados Unidos.

O jornal chega a dizer que “o Brasil tem sua fatia de culpa” por não divulgar suficientemente sua capacidade de produção e fazer pouco para combater a “histeria sobre a suposta ameaça do etanol à floresta amazônica”.

Mas ressalta que o mundo desenvolvido parece “míope em relação às oportunidades que o Brasil representa”. E cita como exemplo que a adoção de uma criação de gado intensiva liberaria mais área para cultivo, mas irritaria fazendeiros ricos de Europa e EUA: “um preço que, aparentemente, não vale a pena pagar”.

22/04/2008 - 11:55h ‘Não há nada contra o etanol do Brasil’

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Produção americana de biocombustível de milho é o que causa a alta no preço dos grãos, e não o etanol de cana, diz economista

Lourival Sant’Anna – O Estado de São Paulo

Roma – O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, prometeu criar um grupo de estudos sobre a crise dos alimentos. Na ONU, a pessoa a ouvir sobre isso é o economista Abdolreza Abbassian, secretário do Grupo Intergovernamental sobre Grãos da Organização das Nações Unidas para Alimentos e Agricultura (FAO): “Quando falamos da influência dos biocombustíveis na economia dos grãos, estamos falando do milho dos Estados Unidos, não da cana-de-açúcar do Brasil”, diz Abbassian, um iraniano de 49 anos, há 17 na FAO.

“Não temos nada contra o etanol brasileiro”, garante o economista, que antes trabalhou na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e no Fundo Monetário Internacional (FMI). Entretanto, pondera, isso não quer dizer que, no futuro, não possa haver relação, ainda que indireta, entre a produção de etanol no Brasil e a redução de terras para a criação de gado e, com ela, o avanço dos pastos na Amazônia.

Em entrevista ao Estado, na sede da FAO em Roma, Abbassian reconhece que os subsídios nos EUA e na Europa inviabilizam projetos de biocombustíveis em países pobres. Mas estima que, independentemente dos subsídios, com exceção do Brasil e outros poucos que podem produzir álcool da cana, é “discutível” que países da África ou a Índia venham a ter produção comercialmente viável de biocombustíveis, como quer o presidente Lula.

A partir da revolução verde, há 30 anos, dizia-se que o mundo passou a produzir alimentos mais que suficientes para a população mundial, e o problema era de distribuição e de renda. Isso deixou de ser verdade?

Não. O problema principal, seja no Haiti ou no Egito, continua sendo o mesmo: acesso. A fome existia antes do boom de biocombustíveis e segue existindo com ele.

O fato de os asiáticos estarem comendo mais não mudou isso?

Não. A produção mais do que triplicou nesses 30 anos, acompanhando o crescimento da população e da renda e a mudança na dieta tanto na Ásia quanto no resto do mundo.

A produção de biocombustíveis pode prejudicar a de alimentos?

Pode. Os biocombustíveis introduzem uma nova demanda. Mas nossas afirmações têm sido tiradas do contexto e por isso estamos nessa confusão. Em junho, quando expusemos nossa posição sobre a influência dos biocombustíveis na economia dos grãos, não mencionamos açúcar. Quando citamos etanol, estávamos falando do derivado do milho.

Mas fomos alvo de um bombardeio do Brasil: “O que vocês têm contra o nosso etanol?”

Nada. Leiam o relatório. Não falávamos do Brasil, que tem uma história de 30 anos de produção sustentável de álcool de cana-de-açúcar. Quando falamos de grãos, estamos falando dos Estados Unidos – o maior produtor, consumidor e exportador de milho. É lógico que, quando uma demanda tão forte de grãos emerge tão depressa, terá de ter implicações. Quem disser que não, deve morar em Marte. No ano passado, 84 milhões de toneladas de milho foram destinadas ao etanol. O comércio mundial de milho é de cerca de 90 milhões de toneladas. Em quatro anos, a produção dobrou. Os fazendeiros americanos foram capazes de aumentar a produção tão rapidamente que não só houve milho suficiente para a expansão dos biocombustíveis, mas os EUA ainda exportaram mais, destinaram mais milho à ração de animais e aumentaram ligeiramente seu estoque.

Então, qual o problema?

Os EUA tiveram de reduzir sua produção de soja e de trigo na mesma proporção em que aumentaram a de milho. A partir de março do ano passado, há um gargalo de suprimento de soja. A produção de trigo dos EUA e de outros países também caiu. Resultado: os preços dos dois grãos subiram. E o milho, apesar da produção recorde nos EUA, começou a subir também. Na safra 2007-2008, os biocombustíveis foram um dos principais fatores, não o único. Houve seca também. Na próxima safra, os biocombustíveis podem ser o fator determinante, se os preços continuarem altos.

A soja brasileira pode entrar substituindo o milho para alimentar rebanhos?

O aumento da demanda do milho para o etanol (nos EUA) pressionará o preço da soja. O Brasil é um dos poucos países com potencial de crescimento da produção de praticamente qualquer coisa, e talvez aumente a produção de soja, para atender à demanda da China e dos EUA, que têm capacidade limitada de expandir o uso da terra. O que acontecerá com as terras destinadas ao pasto? Se elas se deslocarem, irão para onde? Muitos ambientalistas têm nos dito que terão de avançar na floresta. Sabemos que o desmatamento não é para plantar cana. Essa é a cadeia que torna o biocombustível responsável. O grau de influência dele é assunto para futuras pesquisas. É um fenômeno recente demais para fazermos análises estatísticas. O que não se pode dizer é que o biocombustível é irrelevante.

No Brasil se argumenta que há terras improdutivas suficientes para a expansão da produção.

É possível. Mas, com o crescimento da demanda por grãos, as terras para pasto vão encolher, o preço da terra vai subir e a fronteira agrícola subirá para o norte. Não será do dia para a noite, não há relação direta e depende de quanto crescerá a demanda por soja e biocombustível no mundo.

O governo brasileiro se defende dizendo que os subsídios e barreiras americanos e europeus prejudicam muito mais o acesso dos pobres aos alimentos do que o biocombustível, porque impede a venda de produtos agrícolas aos seus mercados, que aumentaria a renda dos países em desenvolvimento. O que o senhor acha desse argumento?

Os subsídios foram a causa dos preços baixos no passado. De repente, o mundo está tentando ver esses preços baixos com simpatia, mas é uma falácia. Eram preços artificialmente baixos, que prejudicaram os países em desenvolvimento, que não puderam aumentar sua produção por causa desse dumping. Seus preços eram sempre mais altos. Mas isso tem mudado sob a Rodada Doha (da Organização Mundial do Comércio) nos últimos dez anos. Não vamos chegar a nenhum lugar discutindo o que é pior: subsídios ou biocombustíveis. Ambos são prejudiciais.

E quanto à possibilidade de os países pobres gerarem renda produzindo biocombustíveis?

Há cerca de um ano, a FAO recebeu propostas de projetos nesse sentido. Isso nunca foi adiante porque os EUA, a União Européia e mais alguns países desenvolvidos começaram a dar enormes subsídios para seus fazendeiros produzirem grãos. Se não fosse isso, seria válido pensar em estimular a produção de grãos na África e na Índia, que fixaria o homem no campo e geraria renda. Quando começou esse boom, houve muita discussão sobre o volume de recursos necessário para criar as condições de os países pobres produzirem biocombustíveis para os EUA e a Europa. Eu mesmo tenho três pequenos projetos de sorgo na Ásia, mas o que existe são projetos-piloto para fixar agricultores aqui e ali. Nada na escala do Brasil ou dos EUA. E provavelmente continuará assim, porque os subsídios e todos os mecanismos de dedução de impostos que os EUA colocam na produção de milho tornam impossível para esses países competir. Se é a isso que o presidente Lula se refere, faz sentido. Mas há outra questão: faz sentido para os africanos e indianos destinar a sua terra e água à produção exclusiva de matéria-prima para biocombustíveis? Isso tem implicações econômicas e ambientais, e ainda está em estudos. A economia terá a palavra final, e não a emoção ou o interesse nacional.

20/04/2008 - 07:24h O cretinismo moral do FMI

VINICIUS TORRES FREIRE

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Falido, incapaz de prever crises, de um amoralismo sinistro e histórico, Fundo agora se permite dar lições de moral

FRACASSADO E incompetente como zelador da finança mundial, o FMI agora se dá ares de porteiro da moralidade, de Fundo Moralizante Internacional.
Seu diretor, Dominique Strauss-Kahn, diz que produzir biocombustíveis é um “problema moral”, pois fabricar álcool e biodiesel esfomeia ainda mais os famélicos da terra.
O FMI quer limpar sua barra com essa demagogia farisaica, assim como tem feito o Banco Mundial, seu primo-irmão. Agregou-se à campanha de alguns governos ricos, múltis produtoras de comida industrializada, ambientalistas reacionários e de barnabés da ONU contra biocombustíveis. Os ricos “comovem-se” com a fome, mas o que oferecem em ajuda para alimentar pobres equivale a cerca de um centésimo da renda que transferem para seus agricultores subsidiados e protegidos.
Inepto e balofo, o FMI cobriu-se de ridículo extremo ao praticamente falir, pois o fundo monetário do planeta não soube programar seus gastos e receitas. Como sempre, continua incapaz de perceber crises financeiras até mesmo quando estas estouram diante de suas fuças.
Pouco antes da crise da Ásia, em texto de abril de 1997, dizia que “não havia sinais de tensões e desequilíbrios” que antecedem recessões (na época, o jornal britânico “Financial Times” publicou um título sobre tal relatório que ficaria famoso: “FMI vê o mundo cor-de-rosa”).
Meses antes do estouro da crise imobiliária americana, em abril de 2007, o FMI dizia enormidades desta espécie em seu “Relatório de Estabilidade Financeira Global”: “Essas fragilidades estão circunscritas a certas áreas do mercado “subprime” (…) e provavelmente não constituem uma séria ameaça sistêmica.
Testes de estresse feitos por bancos de investimento mostram que, mesmo em cenários de queda nacional e sem precedentes históricos dos preços de imóveis, a maioria dos investidores expostos às hipotecas “subprime” por meio de derivativos não sofrerá perdas”. Capítulo 1, página 7.
Inverta-se tudo que o FMI escrevera em abril de 2007 e teremos uma descrição do que ocorreu a partir de agosto de 2007. Note-se, ainda, que o Fundo lambia botas de estudos realizados pelos próprios interessados em camuflar o rolo imobiliário, os bancos de investimento, que só não foram mais à lona nesta crise graças à mãe de todos os programas de seguro financeiro subsidiado, os empréstimos camaradas do Fed. Nem se mencione, de resto, que o Fundo sempre foi benevolente com as farras financeiras de quem o financia, os EUA, na maior parte.
Além de incompetente, o agora Fundo Moralizante Internacional sempre foi de um amoralismo sinistro, indiferente a sofrimentos, amigo de ditadores liberalizantes e adepto de golpes de Estado. Durante a crise asiática, deu as suas receitas invariáveis e, portanto, ruinosas, sem jamais se importar com “timing” e contextos socioeconômicos e políticos. Levou a Indonésia a cortar subsídios para alimentos. O preço do arroz mais que triplicou e houve protestos sangrentos, com centenas de mortos. A fome então não era um “problema moral”. Na época, o país era tiranizado por Suharto, ditador, assassino e ladrão que saqueara o país por três décadas. Mas ruim mesmo era o subsídio do arroz.


vinit@uol.com.br

20/04/2008 - 06:52h Selo do Inmetro, zoneamento, lobby. É o contra-ataque do Brasil

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O Estado de São Paulo

Para o governo, maioria das objeções se aplica ao etanol de milho americano, mas atingem por tabela o produto nacional, feito de cana

Ao fim de duas semanas ouvindo críticas generalizadas de europeus, de líderes do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial e de movimentos sociais à produção de etanol, o governo Lula admite que foi surpreendido pela escalada do ataque, mas avalia que o Brasil está apanhando por tabela no ricochete de uma condenação aos Estados Unidos.

Mapeando os cinco grupos de críticas básicas aos biocombustíveis, o governo concluiu que a maioria das objeções se aplica ao etanol de milho, genuíno produto americano.

O Planalto começou na semana passada a organizar os argumentos do seu contra-ataque. “Não estávamos preparados”, admitiu o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge.

Uma das medidas do contra-ataque é acelerar o certificado do Inmetro ( Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) que vai assegurar ao importador que o etanol não foi produzido usando trabalho escravo ou à custa de prejuízos ao meio ambiente. Assim, são esvaziados dois dos principais problemas identificados pelos críticos dos biocombustíveis.

Em junho ou julho, deverá ficar pronto o zoneamento da produção de cana-de-açúcar, segundo informou ao Estado o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. O trabalho vai dizer onde é possível plantá-la, onde o governo quer que seja cultivada e onde será barrada a entrada dos canaviais.

A Bacia Amazônica e o Pantanal serão preservados do avanço da cana-de-açúcar, numa sinalização importante aos ambientalistas. A prioridade será o cultivo em áreas de pastagens.

Outra iniciativa é contratar uma empresa internacional de relações públicas, já que se trava uma batalha no campo das opiniões. Trabalhos de especialistas brasileiros serão divulgados em publicações e encontros internacionais, onde hoje a maioria esmagadora é contra os biocombustíveis.

O governo aposta suas fichas também na realização de uma conferência internacional sobre o tema, em novembro, em São Paulo. Ao anunciá-la, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que será uma oportunidade para discutir os prós e contras dos biocombustíveis “de forma racional”.

O entendimento é que o etanol e o biodiesel têm sofrido ataques irracionais, principalmente da Europa. Desde que a União Européia decidiu adicionar 10% de biocombustíveis até 2015, começou a pressão dos agricultores do bloco para garantir esse mercado para si. E alguns governantes viram nessa decisão uma forma de tornar mais eficiente o custoso programa europeu de subsídios ao setor agrícola.

O ponto alto dos ataques ocorreu no início deste mês, quando o relator especial das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, o suíço Jean Ziegler, classificou os biocombustíveis de “crime contra a humanidade”, pois utilizam terras que deveriam produzir comida. No Brasil, a produção de alimentos cresceu 6,8% na última safra, apesar do avanço do etanol.

Irritado, o presidente Lula chamou os críticos de “palpiteiros”. “É muito fácil ficar sentado num banco na Suíça e dar palpite aqui ou na África”. Não satisfeito, acrescentou: “O verdadeiro ‘crime contra a humanidade’ será descartar a priori os biocombustíveis e relegar os países estrangulados pela falta de alimentos e de energia à dependência e à insegurança”.

CRÍTICAS

O governo identificou, até agora, cinco grupos de críticas aos biocombustíveis: 1) que não reduzem a emissão de gases que provocam o efeito estufa; 2) que causam desmatamento; 3) que a produção envolve um consumo elevado de petróleo; 4) que é utilizado trabalho escravo e 5) que os biocombustíveis “roubam” a terra que produziria alimentos.

O governo não concorda com nenhuma dessas críticas, embora admita casos isolados de trabalho degradante na lavoura, contra a lei.

Na maior parte, as críticas se aplicam ao etanol de milho, produzido nos Estados Unidos. Mas, admitem fontes do governo, o etanol brasileiro produzido a partir da cana-de-açúcar “apanha junto”.

No mês que vem, Lula vai defender os biocombustíveis na Europa. Participará da reunião da Organização para Agricultura e Alimentação (FAO), órgão das Nações Unidas para o combate à fome, em Roma. “Vou com a disposição de fazer o debate com a seriedade que precisa ter.”

19/04/2008 - 15:44h Amorim rebate FMI por crítica a biocombustível

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Eliane Oliveira* – O Globo

BRASÍLIA e CHICAGO. Em resposta a declarações do diretorgerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, de que a produção de biocombustíveis a partir de alimentos cria um “problema moral”, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou ontem que existe uma discussão equivocada e “simplicista” sobre o impacto dessa prática nos preços dos grãos. Segundo o ministro, em vez de criticar produtos como o etanol e o biodiesel, o Fundo Monetário Internacional (FMI) deveria financiar políticas para esse tipo de energia renovável nos países africanos e latino-americanos mais pobres. As nações desenvolvidas, acrescentou Amorim, fariam sua parte abrindo seus mercados e reduzindo os subsídios.

À emissora francesa Europe 1, Strauss-Kahn disse que os biocombustíveis obtidos a partir de produtos agrícolas criaram “um verdadeiro problema moral” e que “nas revoltas da fome, o pior, infelizmente, talvez ainda esteja por vir”: — Quando se faz biocombustíveis de produtos agrícolas não usados na alimentação, tudo bem. Mas quando se faz de produtos alimentícios, representa um grave problema moral.

Chanceler responsabiliza Estados Unidos e UE Amorim rebateu: — O exemplo mais claro e nítido que existe de que esse discurso é equivocado é o Brasil.

No Brasil, a produção de etanol aumentou com a produção de alimentos — afirmou o chanceler brasileiro, após a assinatura do documento final da 30ª Conferência Regional das Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). — Se o diretor-geral do FMI e o presidente do Banco Mundial querem dar uma recomendação que realmente melhore a produção de alimentos nesses países, deveriam dizer o seguinte: olha, em vez de reduzir para US$ 14 bilhões (os subsídios) nos EUA, ou US$ 20 bilhões na Europa, reduz a zero.

Amorim defendeu o manejo responsável dessas políticas, a melhor distribuição de renda nos países pobres e responsabilizou os países que mais concedem subsídios — União Européia e Estados Unidos — pela atual situação em regiões da África e da América Latina.

— O que impediu o crescimento da produção de alimentos em países africanos, em países sul-americanos, foram os subsídios. Não foi o biocombustível.

Quer dizer, na África, que me conste, não se deixou de produzir alimentos para se passar a produzir biocombustíveis.

Não produziam alimentos e continuam sem produzir alimentos, porque os subsídios da Europa e dos Estados Unidos impedem que isso ocorra — afirmou.

Preços do arroz batem recorde na bolsa de Chicago No caso do Brasil e das nações africanas, afirmou, esses produtos podem, desde que haja manejo adequado, ser uma fonte de riqueza compatível com a produção de alimentos.

Já o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, alertou que os problemas decorrentes da elevação dos preços dos alimentos e a escassez de produtos básicos em países pobres também se devem aos altos valores que precisam ser pagos pelos fertilizantes e defensivos agrícolas.

Hoje, poucas indústrias no mundo produzem esses insumos.

— Se não houver ações imediatas para permitir que os produtores agrícolas tenham acesso a insumos, teremos problemas — disse Diouf, acrescentando que o organismo vem tentando convencer governos e instituições de crédito internacionais a colaborarem com recursos para facilitar a compra de insumos pelos agricultores.

Ontem, os contratos futuros de arroz subiram pelo quinto dia consecutivo, para o recorde US$ 24,235 por 100 libras-peso (medida usada na comercialização), na Bolsa de Mercados Futuros de Chicago (Cbot).

15/04/2008 - 03:13h A fome na demagogia neocon

VINICIUS TORRES FREIRE

Álcool vira bode expiatório da fome na demagogia de Banco Mundial e ONU, que escondem danos de subsídios de país rico

Folha de São Paulo 

UMA DAS cenas candidatas ao Oscar de demagogia repulsiva deste ano é a imagem de Roberto Zoellick segurando de braços abertos um pão e um pacote de arroz em um encontro do Banco Mundial, organização que preside.
Zoellick deu impulso ao recente carnaval midiático e hipócrita a respeito do aumento da fome devido à inflação de alimentos. O Banco Mundial e penduricalhos da ONU estão em campanha dita contra a fome, mas com ênfase no dano que os biocombustíveis fariam aos pobres.
Tão repulsivo quanto a súbita piedade de Zoellick pelos famélicos da terra é o relatório do Banco Mundial a respeito do assunto. O primeiro parágrafo do texto é sobre a inflação global. O segundo, sobre a culpa dos biocombustíveis. Não há praticamente palavra sobre subsídios agrícolas dos países ricos, que detonaram durante décadas a produção de alimentos em países pobres. Nem sobre subsídios americanos à produção do ineficiente álcool de milho. Mas há uma palavrinha sobre a devastação de florestas para a produção de álcool no Brasil.
Receita do Banco Mundial para a crise? Primeira: esmolas focadas nos mais pobres (a solução para tudo no Banco Mundial enquanto não chegar a era de ouro em que todas as “reformas” estarão completas). Segunda: redução de tarifas de importação de comida em país pobre. Só a terceira é o aumento da produção alimentos, “no médio prazo”.
Mas até a caridade do Banco Mundial é um fracasso. A fatia dos empréstimos do banco para projetos agrícolas em 2007 foi pouco mais de um terço do que era em 1980. Nos últimos anos, emprestou em média US$ 450 milhões anuais para esses programas na África. O subsídio direto para agricultores da União Européia foi de US$ 96 bilhões em 2006. Nos EUA, US$ 24 bilhões.
No mais recente relatório do International Food Policy Research Institute (IFPRI) sobre o tema, obviamente se reconhece a necessidade de medidas emergenciais. Mas as prioridades de política são outras.
Primeiro: reduzir subsídios e barreiras comerciais em país rico. Segundo: melhorar a infra-estrutura e o mercado agrícola em países pobres. Terceiro, dar condições tecnológicas para os pobres produzirem mais comida. “Um regime comercial mais aberto na agricultura beneficiaria os países em desenvolvimento em geral (embora não reduza a pobreza em certo casos)”, diz o texto.
O IFPRI é resultado da associação de 47 países, fundações privadas e órgãos da ONU, e também do Banco Mundial. Seu relatório deveria ser lido pelo demagogo neoconservador Zoellick, que foi uma espécie de ministro do Comércio de Bush. Disse certa vez que “ou o Brasil aceita a Alca ou venderá suas mercadorias para a Antártida”, evidenciando assim a fineza diplomática do bushismo e seu apreço pelo livre comércio negociado em bases razoáveis.

11/04/2008 - 03:36h Inflação alta, hipocrisia maior

VINICIUS TORRES FREIRE

Mundo rico se “alarma” com a carestia de alimentos e risco de fome, mas não menciona a sua culpa nesse cartório

ENTÃO O mundo agora se preocupa com a fome haitiana e africana. Dá vontade de rir, rir com escárnio, pois fome é um horror. Banco Mundial, FAO e outros penduricalhos burocráticos da ONU se dizem “alarmados” com a inflação mundial de alimentos, que deixará os pobres mais pobres etc. Parece que os líderes do mundo apenas se preocupam com um pouco mais de fome, com a fome extra, a “fome marginal”, digamos sarcasticamente. Já a fome regular, “normal”, tudo bem, eles dão de barato.
Cheira mal essa crise de consciência súbita. É evidente que a inflação da comida prejudica mais os mais pobres. O mau odor dessa santa onda de preocupação com os famélicos da terra vem do fato de que o mundo rico tem muita culpa nesse cartório.
Asiáticos saem da roça e consomem muito mais? Claro, isso bate na inflação. Mas, com tal estímulo de preços, por que a produção não responde à altura e mais rapidamente? Décadas de subsídios e proteção comercial para agropecuaristas de Europa e EUA deprimiram preços e por muito tempo reduziram a rentabilidade da agropecuária de parte grande do mundo pobre, quando não inviabilizaram investimentos em novas plantações ou em tecnologia para tornar as terras aráveis ou mais produtivas.
Um exemplo clichê e atual de protecionismo que prejudica a produção mais eficiente de comida é o subsídio americano ao seu caro álcool de milho. Se os EUA importassem álcool, teriam mais espaço para grãos e haveria mais renda em países pobres (embora mesmo o impacto dos biocombustíveis esteja sendo muito exagerado).
Outro fator da inflação mundial é o dólar. Os ricos americanos se esbaldaram de consumir além do que ganhavam, e os muito ricos se entupiram de dinheiro com a inflação de ativos financeiros (dessa ninguém se queixou). A bolha estourou, e os EUA passam parte da conta para o mundo, inflacionando sua economia, desvalorizando o dólar e ajudando assim também a encarecer o preço das commodities, de resto ainda vistas como proteção contra a inflação e alternativa de investimento ao papelório podre americano.
Empresas do mundo rico estão irritadinhas com a queda da margem de lucro devido à alta do preço de grãos, minérios e combustíveis. E há revolta contra o aumento de preços de produtos básicos exportados por países mais pobres. O clamor contra a inflação também é um aspecto de uma disputa global por grana, ponto.
Cereja desse bolo é a volta do malthusianismo, da idéia de que escasseiam os meios de sustentar os pobres do mundo, coro ecoado pelo ambientalismo reacionário. Mas o Brasil desenvolveu tecnologia para cultivar o cerrado, um dia considerado inviável. Na África? Neca.
Mais pontual, houve uma série de desastres climáticos em países produtores de comida. A hábil e fina diplomacia americana ainda criou tumulto duradouro no Oriente Médio, pondo em risco a produção de petróleo. E o mundo cresce muito, faz anos. Uma hora o ciclo vira e/ou vem inflação. Normal. Revoltante é a hipocrisia do “clamor” contra a carestia. Quem se alarmava quando os preços de recursos naturais desabavam, provocando também desemprego e fome no mundo pobre?

FONTE FOLHA DE SÃO PAULO 

vinit@uol.com.br