14/10/2009 - 08:22h “Gestão” Kassab: Quem ia de fretado vai de carro. Trânsito agora está pior

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Projeções feitas pela Prefeitura ficaram abaixo no Metrô e CPTM e média de trânsito aumentou

Eduardo Reina – O Estado SP e Jornal da Tarde

eduardo.reina@grupoestado.com.br

A Secretaria Municipal dos Transportes errou na projeção que fez sobre o crescimento na demanda de passageiros nas estações da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), após a restrição de ônibus fretados numa área de 70 km² da capital. Os números projetados ficaram abaixo do que foi registrado pelas companhias.

Embora a Prefeitura negue que mais carros tenham ido para a rua após a restrição, os índices de congestionamento apontam mais engarrafamentos. O mês de setembro teve média de 71,3 km de lentidão nos dias úteis, segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). No mesmo período de 2008, a média foi 65 km. Já agosto foi atípico, por causa do adiamento no início das aulas com a gripe suína – o que contribuiu para haver menos trânsito. A CET, porém, registrou média de 63,9 km de engarrafamento, ante 69 km no mesmo mês de 2008.

“Quem deixou o fretado passou a andar de carro. O resultado a gente vê todos os dias: são engarrafamentos cada vez mais insuportáveis”, critica o deputado estadual Orlando Morando (PSDB), da Comissão de Transporte da Assembleia Legislativa.

Vanessa Giedre de Andrade Cheachiri, vendedora de software, é o típico exemplo de usuário de fretado que migrou para o automóvel após a restrição. “Não valia mais a pena usar fretado. Pagava mensalmente o ônibus e tinha de gastar também com o metrô”, reclama ela, que utilizou os fretados por cinco anos para ir de casa, em São Bernardo do Campo, até a Avenida Paulista, onde trabalha.

Além do gasto, segundo Vanessa, o tempo de viagem na volta aumentou. “Eram duas linhas da empresa que eu usava que vinham da Paulista para o ABC. Uma delas foi cancelada porque os passageiros optaram por usar o carro, em vez de fretado e metrô. Juntaram as pessoas num ônibus só e a linha ficou mais extensa.”

Com relação à entrada de passageiros no metrô, a Prefeitura estimava que a Estação Parada Inglesa da Linha 1-Azul fosse receber 7 mil passageiros a mais nos dias úteis. Mas, segundo o Metrô, antes do dia 27 de julho, data em que passou a vigorar a restrição, a média de entrada de passageiros na Parada Inglesa era de 15.953 pessoas, ante 15.931 após a restrição, diminuição de 0,14%. Também houve queda na Estação Brás da Linha 3-Vermelha (0,9% ou menos 114 passageiros, em relação aos 12.694 do mês anterior).

Segundo o Metrô, o período medido leva em consideração variáveis como o prolongamento das férias escolares de meio de ano. “Por conta disso, não é possível atribuir à restrição de circulação dos fretados a redução na entrada de passageiros”, informou.

De acordo com a Associação das Micro, Pequenas e Médias Empresas de Fretamento do Estado (Assofresp), desde o início da restrição aos fretados o número de ônibus que faziam as linhas da zona leste da capital para as avenidas Faria Lima, Luís Carlos Berrini e Paulista foi reduzido em 50%, por falta de passageiros.

PROJEÇÃO

Nem onde houve aumento a projeção da Prefeitura foi correta

Na Estação Imigrantes registrou-se incremento de 23,73% (3 mil passageiros), enquanto o estudo municipal apontava que haveria mais 7 mil

Na mesma linha, na Estação Sumaré, a Prefeitura apontava que haveria aumento de 3.500 usuários por dia, quando na realidade se ganhou 2.331

CPTM: E o erro se repete com os trens da CPTM. A secretaria municipal previa crescimento de 500 passageiros na Estação Barra Funda, quando o registro foi mais que o dobro, de 1.017 pessoas em média por dia

Nas estações Morumbi, Berrini, Cidade Jardim, Hebraica-Rebouças e Pinheiros, na Marginal do Pinheiros, entraram a mais com a restrição 1.076 passageiros por dia. O estudo da Secretaria dos Transportes previa 1.200

26/09/2009 - 12:45h Um jeito ioiô de administrar


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Nos últimos dois meses, o prefeito Gilberto Kassab mudou de opinião em relação a pelo menos três medidas polêmicas: a restrição aos fretados, o corte na merenda das crianças que freqüentam creches e a redução dos gastos com varrição e coleta de lixo



Por Henrique Skujis – VEJA

Voltar atrás em uma decisão nem sempre é sinal de fraqueza. Pode ser uma atitude nobre, de quem reconhece um erro. Ou uma manobra estratégica — ao perceber que a determinação não foi bem recebida, recua-se para evitar danos ainda maiores. A mudança de planos pode ser movida também por uma eventual, e muitas vezes bem-vinda, negociação entre as partes envolvidas. No caso do prefeito Gilberto Kassab, que durante a semana, pela terceira vez em menos de dois meses, deu a mão à palmatória e desfez o que estava feito, parece haver um misto de tudo isso.

Na última quarta-feira, após uma enxurrada de críticas, Kassab desistiu de cortar 20% dos custos com a varrição das ruas e 10% dos com a coleta de lixo. A prefeitura gasta 27,5 milhões de reais por mês com a limpeza da cidade e a medida seria responsável por uma economia de 3 milhões de reais. Se­­gundo o secretário de Serviços, Ale­xandre de Moraes, o ajuste, anunciado em meados de agosto, seria necessário por causa da crise econômica mundial, que teria causado queda na arrecadação. Em nota oficial, a administração municipal explica que a reviravolta deu-se após um “diálogo mantido entre as partes” — no caso, a prefeitura e as sete companhias contratadas para o trabalho. É óbvio, no entanto, que a repercussão negativa pesou. Duas empresas haviam demitido quase 600 garis e divulgado que não teriam como manter a qualidade de seus serviços. A cidade sofreria as conseqüências. E sofreu. No dia 8, um temporal inundou a capital e trouxe à tona todo o lixo deixado para trás. “A cena de sacos boiando durante uma chuva é cruel para um prefeito”, afirma o cientista político Marco Antonio Teixeira, da Faculdade Getúlio Vargas (FGV). Ao anunciar o recuo, Kassab culpou as chuvas fora de época — “Temos de ter sensibilidade para este fato” — e falou em recuperação na arrecadação.

Há duas semanas, a mudança de rumo se deu em um terreno tão ou mais pantanoso. A Secretaria de Educação definiu o corte de cinco para quatro refeições diárias nas 292 creches municipais. O motivo do regime forçado seria a diminuição da permanência das crianças sob os cuidados da prefeitura, de doze para dez horas. “Faz tão mal à saúde comer demais como comer de menos”, justificou Kassab, à época. Quatro dias antes de a ideia entrar em vigor, ele deu novamente o braço a torcer. A despeito da redução da carga horária, as 60 000 crianças de 1 a 6 anos atendidas nas creches voltaram a ter café da manhã, lanche, almoço, lanche da tarde e jantar. “Em uma cidade na qual as crianças vão às creches principalmente por causa da merenda, foi um erro político”, diz Teixeira. Na última quinta-feira, a colunista Dora Kramer, do jornal O Estado de S. Paulo, fez uma análise bastante apropriada dos casos. Para ela, o governador José Serra teria determinado os sucessivos recuos. “Serra não assume a candidatura, mas não dá um passo, nem permite que os aliados façam quaisquer gestos que, na visão dele, possam render prejuízos eleitorais”, escreveu.

Lixo acumulado na Rua 25 de Março: empresas demitiram funcionários e pressionaram governo

A postura ioiô de Kassab está em grande parte ligada às medidas adotadas pelo secretário faz-tudo Alexandre de Moraes, que, além de ser titular de Serviços e cuidar da pasta de Trans­portes, é o presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e da SPTrans. Quando ele deu início à restrição que tiraria cerca de 1 400 fretados de uma área de 70 quilômetros quadrados do centro expandido entre 5 e 21 horas, no final de julho, mostrava-se irredutível. Empresários do setor e usuários protestaram com veemência. Um dia depois, os ônibus foram autorizados a trafegar e encostar nas avenidas Doutor Chucri Zaidan e Luís Carlos Berrini. O consentimento teria sido necessário por causa da acanhada largura das ruas perpendiculares às avenidas e pela falta de metrô na região. Algo que um planejamento mais adequado teria evitado, lógico. De acordo com Oded Grajew, coordenador do Movimento Nossa São Paulo, negociações são elogiáveis, mostram humildade e tendem a revelar uma gestão democrática. “Mas recuos como esses podem indicar falta de um diálogo maior com a sociedade e com as partes envolvidas.” Para a prefeitura, não há recuo, não há falta de diálogo, não há lapsos administrativos e muito menos interesses políticos, como aventa a oposição. Segundo setores de oposição, os cortes no orçamento — que no final das contas nem ocorreram — teriam como objetivo engordar os cofres públicos no próximo ano eleitoral. “Com os bolsos cheios, ele conseguiria inaugurar mais obras em 2010”, acredita o vereador José Américo (PT), que sabe do que fala, pois no âmbito federal o governo de seu partido está agindo exatamente assim.

A gritaria em torno das medidas tomadas por Kassab deve continuar. Mesmo após a manutenção da verba destinada à varrição, as cinco empresas que prestam o serviço não haviam anunciado, até quinta-feira passada, a recontratação dos funcionários demitidos. Apesar das alegações de que o orçamento estava curto por causa da crise, em agosto o prefeito propôs uma reforma administrativa que pretende elevar os salários dos 27 secretários municipais de 5 300 para 21 500 reais e dos 31 subprefeitos de 6 700 para 18 500 reais. Se aprovados pela Câmara Municipal, os reajustes custarão em torno de 800 000 reais por mês aos cofres públicos.

18/09/2009 - 10:20h “Gestão” Kassab: transporte público cada vez pior


Usuário reclama que espera mais por ônibus

Entrevistados pelo Ibope também apontam maior superlotação

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Renato Machado – O Estado SP

Os usuários de transporte coletivo na cidade de São Paulo acham que os ônibus estão demorando mais para passar e estão mais lotados. Segundo dados preliminares de uma pesquisa do Ibope encomendada pelo Movimento Nossa São Paulo, 44% dos entrevistados afirmam que aumentou o tempo de espera no último ano, ante 42% que acham que está igual. Para apenas 11% diminuiu e outros 3% não souberam responder.

Situação parecida foi constatada em relação à lotação. Os dados mostram que 50% apontaram aumento na lotação, ante 43% que acham que não houve mudança. Somente 4% afirmaram que diminuiu e outros 2% não souberam responder. A pesquisa Ibope foi feita entre 28 de agosto e o dia 1º deste mês. Foram ouvidas 805 pessoas.

“Os ônibus sempre foram lotados. Mas eles estão demorando mais e, por isso, a gente se mete no primeiro que passa”, diz o auxiliar administrativo Marcelo de Oliveira Calixto, de 27 anos. Por volta de 7h50, ele pega o ônibus na Avenida Francisco Morato, no Jardim Canner, e segue até a Paulista.

Os especialistas ressaltam que a pesquisa reflete a percepção do usuário e não exatamente a situação, já que não é baseada em estatísticas operacionais. “Mas é um importante termômetro da situação”, diz o superintendente da Associação Nacional de Transporte Público, Marcos Pimentel Bicalho. “Um dos fatores que prejudicam os ônibus cada vez mais é o congestionamento. Os ônibus são os que mais sofrem, porque tem uma rota fixa e não podem fugir das filas. Mas também temos de analisar se a frota diminuiu.”

Segundo dados do site da São Paulo Transportes (SPTrans), houve redução na frota cadastrada que serve o transporte público. Os números de agosto (os mais recentes) apontam que há 14.868 veículos. No mesmo mês do ano passado, eram 14.982. Por outro lado, a média mensal de passageiros transportados até agosto foi de 235,3 milhões ante 231,2 milhões do período anterior.

A SPTrans afirma que não registrou aumento no tempo de espera nos ônibus e as partidas continuam com o mesmo intervalo. “Além disso, o acompanhamento feito aponta aumento de 3,5% na velocidade nos corredores no pico da manhã.” A empresa diz que os dados no site referem-se à frota cadastrada e não à frota circulante, sendo que a última não diminuiu porque “cada linha tem um número definido de veículos”. A SPTrans diz que os novos ônibus têm capacidade maior de transporte e, por isso, aumentou a quantidade de passageiros transportados por veículos.

27/08/2009 - 14:51h Leitora questiona dados da prefeitura sobre fretados

Bom dia. A prefeitura canta aos quatro ventos melhoras no trânsito de São Paulo. Os jornais falam em 4%, mas isso é irreal.

Nenhuma pesquisa ou reportagem foi feita sobre as linhas de fretado que foram extintas. A minha será a partir de 31/08/09.

Assim é claro que o trânsito melhora aparentemente, porque pelas mudanças de horário e itinerário ficou difícil pegar o fretado, e quem ficou nele sofre agora com a queda dos usuários e cancelamento das linhas. Só a minha associação cancelou 20 linhas. E as outras? Isso não é melhora no trânsito, isso é burrice e arbitrariedade, seguida por vereadores hipócritas.

Atenciosamente

 

Cláudia

27/08/2009 - 10:08h Só 30% de quem usa fretado segue viagem sobre trilhos

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Previsão era de que 70% procurasse metrô ou trem; secretário Moraes nega que carro seja o principal meio

Renato Machado – O Estado SP

Menos da metade dos usuários de ônibus fretados passou a utilizar metrô ou trens da Companhia Paulista de Metropolitanos (CPTM), diferentemente do que havia previsto a Secretaria Municipal dos Transportes (SMT) antes de implementar restrições ao serviço. Dos 40 mil passageiros, calculava-se que 27,7 mil (69,2%) começariam a usar o transporte sobre trilhos, seja como único meio ou como complemento ao ônibus fretado, que desde 27 de julho não pode entrar em uma área de 70 km². No entanto, o próprio secretário Alexandre de Moraes admitiu ontem que somente 12 mil pessoas (30%) passaram para esses meios.

“Nossos cálculos são de que 12 mil, no máximo 13 mil pessoas passaram a utilizar o Metrô e a CPTM. É um aumento insignificante na rede e por isso não provocou impacto”, disse Moraes, respondendo a uma questão do deputado Orlando Morando (PSDB) sobre se houve superlotação no sistema, durante audiência na Assembleia Legislativa, para a qual foi convocado para prestar esclarecimentos.

O secretário, no entanto, negou que o restante dos passageiros tenha migrado para os carros, um dos efeitos colaterais previstos por especialistas e anunciados por muitos usuários de fretados. “Essas pessoas passaram a utilizar o transporte coletivo urbano e muitas passaram a andar a pé, após descerem nos bolsões, uma vez que alguns estão perto dos centros empresariais”, disse.

A SMT previa que 25,5 mil usuários de fretados passariam a utilizar metrô e 2,2 mil, trens da CPTM. Além disso, 5,5 mil usariam o transporte coletivo urbano e outras 4,8 mil pessoas iriam transitar a pé na área de proibição. Moraes não informou quantos usuários de fretados efetivamente passaram a utilizar os automóveis, a andar a pé e a usar o transporte coletivo urbano. O secretário só reconheceu que o fluxo nas 11 linhas urbanas criadas após a restrição foi “aquém do esperado”.

Segundo a SMT, uma das provas de que os usuários não migraram para os carros é que houve queda na lentidão no primeiro mês da restrição. A secretaria promete divulgar um balanço dos índices, mas Moraes adianta que houve redução de 11% nos congestionamentos em relação ao mesmo período de 2008.

“Os índices voltaram ao patamar de 2005.” Este ano, no entanto, está sendo atípico, pois a preocupação com a gripe suína levou o poder público a estender as férias escolares, período em que o fluxo de veículos é tradicionalmente menor. Reportagem do Estado mostrou que, na semana passada – a primeira após o fim das férias -, houve redução de 4,4% em relação à média diária de agosto de 2008.

APREENSÃO

Moraes também informou ontem que somente em dois dias desta semana – segunda e terça-feira – foram apreendidos 18 ônibus clandestinos que trafegavam na cidade. “Nós constatamos que seis deles eram da mesma empresa”, afirmou o secretário na audiência.

O evento na Assembleia Legislativa começou com um bate-boca entre Moraes e o deputado Orlando Morando. O parlamentar afirmou que a restrição havia sido um “estrago” para a maioria dos cidadãos e por diversas vezes disse que não houve planejamento. O secretário rebateu, afirmando que Morando não sabia nada de transporte. A discussão se prolongou com acusações mútuas de que um estava sendo desrespeitado pelo outro, até ser interrompida pelo presidente da sessão.

21/08/2009 - 09:52h Secretário descarta liberação de fretados na Paulista e na Faria Lima

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Mônica Cardoso e Diego Zanchetta – O Estado SP

Os passageiros que ainda mantinham a esperança da liberação das Avenidas Faria Lima e Paulista para a circulação dos ônibus fretados terão de se acostumar a utilizar o transporte público para chegar ao trabalho. O secretário municipal dos Transportes, Alexandre de Moraes, descartou a possibilidade de excluir da restrição essas vias da zona sul. “Eventualmente, poderemos fazer alguns aperfeiçoamentos na lei. Mas as vias liberadas são as mesmas já regulamentadas pela portaria. A aprovação na Câmara Municipal mostrou que a ampla maioria dos vereadores considera a regulamentação adequada.” O projeto foi aprovado anteontem pelos vereadores sem grandes alterações no texto enviado pelo Executivo.

A decisão do secretário acaba com as expectativas da bancada do PSDB, aliada do prefeito Gilberto Kassab (DEM). O líder da bancada tucana, vereador Carlos Alberto Bezerra Jr., havia afirmado a existência de um compromisso político para que a Avenida Faria Lima fosse liberada, como ocorreu com a Luís Carlos Berrini.

Bezerra vai entrar hoje com um ofício na Secretaria Municipal de Transportes solicitando um estudo técnico sobre o trânsito de fretados na Faria Lima. “Estou surpreso com a fala do secretário, porque liguei para ele antes da votação e assumimos o compromisso de estudar as flexibilizações”, afirmou. “De qualquer forma, temos de levar em consideração que o secretário falava que não haveria pontos de embarque e desembarque na Berrini, e depois mudou de ideia”, acrescentou Bezerra.

Se depender de Kassab, as alterações também serão mínimas e pontuais. “Apenas faremos mudanças que sejam necessárias com portarias e decretos. A Prefeitura está preparada para criar o maior conforto para todos dentro da nova lei.”

20/08/2009 - 09:43h Restrição aos fretados é aprovada pelos vereadores. PT votou contra


Projeto proposto pelo Executivo e em vigor por portaria desde dia 27 passa na Câmara sem grandes mudanças

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Diego Zanchetta e Felipe Grandin – O Estado SP

Quase dois meses de discussão e de protestos de empresários na frente da Câmara Municipal não alteraram o poder do secretário municipal dos Transportes, Alexandre de Moraes, de decidir por onde os ônibus fretados vão poder circular em São Paulo. Com 39 votos favoráveis e 13 contrários, o projeto que prevê a implementação da restrição, em vigor por portaria desde o dia 27, foi aprovado sem alterações significativas em relação ao texto enviado pelo Executivo. As exceções de circulação dentro de 70 quilômetros quadrados do centro expandido, como a localização de pontos de embarque e de desembarque, terão de ser decididas pelo secretário.

Nem uma última tentativa de alteração, proposta às 22 horas pelo vereador Jamil Murad (PCdoB) e com apoio da bancada do PT para anular as multas já aplicadas aos donos de fretados, conseguiu adesão – a emenda teve 29 votos contrários e 13 favoráveis. A proposta da bancada do PSDB, de flexibilizar a circulação desses veículos na Avenida Faria Lima, como já ocorreu com a Luís Carlos Berrini, terá de ser regulamentada pelo secretário. A única mudança ratificada, que já foi até mesmo adotada pela Secretaria Municipal dos Transportes desde segunda-feira foi a autorização anual para os fretamentos de turismo circularem na área de restrição.

“Existe um compromisso político de que a alteração proposta para a Faria Lima seja cumprida”, afirmou o líder da bancada tucana, vereador Carlos Alberto Bezerra Jr. “Também teremos um conselho para acompanhar a regulamentação da lei, com três usuários, três empresários e seis integrantes do Executivo”, acrescentou o tucano.

Na prática, porém, esse conselho criado pela lei não terá poder de veto. “É um grupo consultivo”, afirmou o líder de governo, José Police Neto (PSDB). A alteração na Faria Lima também não foi confirmada pelo secretário e terá de ser estudada pelos técnicos da empresa São Paulo Transporte S.A. (SPTrans).

PRÓXIMO PASSO

A lei segue agora para a sanção do prefeito Gilberto Kassab (DEM), que deu ontem mais uma demonstração de força dentro do Legislativo. Desde o seu segundo ano de governo, em 2007, Kassab tem mantido uma média de apoio junto a 40 dos 55 parlamentares. A liberação das emendas para obras em redutos eleitorais dos vereadores é hoje o que mantém consolidada a base de sustentação. Somente neste ano já foram liberados R$ 48 milhões para as emendas, incluindo a bancada do PT. Até dezembro, o prefeito tentará votar a revisão do Plano Diretor, cuja mudança poderá rever os estoques imobiliários em 12 distritos da capital já saturados para novos empreendimentos pela lei de 2002.

O QUE DIZ A PORTARIA

Definição: Transporte coletivo privado é todo veículo com capacidade de lotação superior a 9 pessoas e que não presta serviço público de transporte coletivo

Quem pode transitar na Zona de Máxima Restrição de Fretamento (ZMRF): Das 5 às 21 horas, de segunda a sexta, apenas fretados cadastrados nos órgãos competentes, que obtenham “Autorização Especial de Trânsito”. Dessa forma, podem circular os veículos de fretamento que realizem o transporte não rotineiro de passageiros, voltados ao atendimento das seguintes finalidades: turismo, seminários, religião, hospedagem, cultura, esporte e lazer.

Pelo projeto na Câmara, ficou definido que esses terão autorização anual. A Prefeitura ainda autorizou os fretados que façam viagens sem paradas, diretamente para garagens preestabelecidas – o que beneficia as empresas.

Outras regulamentações: os ônibus de fretamento deverão ter no máximo 15 anos de fabricação; para micro-ônibus e veículos mistos (vans), o limite é de 10 anos; os veículos deverão estar adequados às regras de acessibilidade; e os coletivos passam a estar submetidos ao programa de inspeção veicular municipal

19/08/2009 - 10:55h Kassab nos fretados: de recuo em recuo, até a “vitoria”

Medida demagógica e factóide improvisado, a intervenção de Kassab nos fretados, foi rejeitada pela maioria da população, segundo pesquisa Datafolha e criticada pela maioria da mídia e dos especialistas.

Não tendo atingido seu objetivo demagógico, Kassab recua pouco a pouco, mas procurando salvar a pose. Primeiro recuo na Berrini, depois na Radial Leste, parece que assim será na Fária Lima e agora nos fretados turísticos.

Kassab está com pressa em aprovar seu projeto de lei, modificado, para contentar o judiciário que parece estar aguardando para se pronunciar. Para sair do atoladeiro também. O assunto aranhou sua imagem em parte do seu eleitorado.

Hoje, e quarta-feira, o debate continua na Câmara Municipal.

Tudo indica que Kassab sairá mal parado deste processo, ainda mais com os recordes de congestionamento, o caos no trânsito e a falta de investimento para valer no transporte público.

Vamos continuar lembrando aqui: em 5 anos Kassab não construiu um único corredor de ônibus. LF

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Fretados turísticos ganham licença anual

Substitutivo que permite autorização diferenciada será votado hoje

Diego Zanchetta e Felipe Grandin – O Estado SP

Um projeto substitutivo que regulamenta o transporte de ônibus fretados em São Paulo deve ser votado hoje na Câmara Municipal com uma mudança já permitida pela gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM): as autorizações para veículos de turismo circularem dentro da área de restrição serão anuais, como queriam os empresários do setor. Pelo texto original enviado ao Legislativo, os pedidos de circulação dentro da Zona Máxima de Restrição à Circulação dos Fretados (ZMRF) teriam de ir para o Departamento de Transporte Público (DTP) toda vez que um fretamento de turismo fosse transitar no centro expandido. O dono do fretado informaria o trajeto que seria realizado e não teria possibilidade de desviar o roteiro.

A mudança foi anunciada pelo líder de governo, José Police Neto (PSDB), que passou a manhã de ontem reunido com técnicos da Secretaria Municipal de Transportes. No site da secretaria, as autorizações anuais já são permitidas desde segunda-feira. Empresários e representantes de empresas de fretamento comemoraram a decisão. “Essa medida vai dar mais rapidez ao serviço, porque da forma que estava poderia tornar inviável os trabalhos eventuais dos fretados que também fazem turismo. O transporte perdia versatilidade, porque se os turistas que estão em São Paulo quisessem sair do roteiro de um museu para passar em um restaurante não poderíamos sair do trecho pré autorizado”, afirmou Jorge Miguel dos Santos, diretor executivo do Transfretur (sindicato estadual dos fretados).

Hoje, mesmo que os vereadores proponham por emenda que a Avenida Faria Lima, por exemplo, seja excluída da restrição, isso só poderá ser feito por meio de uma portaria do secretário municipal dos Transportes, Alexandre de Moraes. “Aqui (na Câmara) não vão ser indicadas quais vias poderão ser liberadas. Isso deve ser decidido entre o Executivo e uma comissão de vereadores que será prevista no projeto substitutivo para acompanhar a regulamentação da lei”, adiantou o líder de governo.

O PT e parte da bancada do PSDB ainda tentam alterar o artigo que prevê a regulamentação das exceções. “Queremos que não seja por portaria, até porque decidir um assunto tão importante dessa forma autoritária é ilegal. Nossa intenção é a de que somente um decreto do prefeito faça essas regulamentações, que devem ser sugeridas por uma comissão do Legislativo”, disse o líder do PT, vereador João Antonio. O líder do PSDB, Carlos Bezerra Jr., também quer discutir com o governo a regulamentação de pontos de embarque e de desembarque na Faria Lima, como já ocorre na Avenida Luís Carlos Berrini. “Estamos construindo um acordo político com o governo para que a Faria Lima se transforme numa exceção.”

SERVIDORES

O acordo entre os líderes de bancada para hoje inclui a segunda votação do projeto do Executivo que eleva para R$ 22.111,00 o teto salarial dos servidores municipais, hoje fixado no salário do prefeito, de R$ 12 mil. Na próxima semana, como contrapartida, 22 projetos de parlamentares pendentes de segunda votação vão a plenário.

18/08/2009 - 10:28h 52% dos paulistanos são contra restrição aos fretados, aponta Datafolha. Câmara propõe liberar fretado na Faria Lima

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Proposta é do PSDB e de partidos de oposição -PT e PC do B-, que somam 26 dos 28 votos necessários para aprovar as mudanças

Para os vereadores, a avenida se enquadra na exceção adotada pela prefeitura na Berrini, pois ambas não têm metrô

EVANDRO SPINELLI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A Câmara vai flexibilizar as restrições aos ônibus fretados impostas pela gestão Gilberto Kassab (DEM). Uma das propostas que devem ser incluídas no acordo para aprovação do projeto na Casa é a liberação do tráfego desses veículos na av. Brigadeiro Faria Lima.

A proposta foi encampada pelo PSDB e pelos partidos de oposição -PT e PC do B- que, juntos, chegam a 26 votos. São necessários 28 para aprovar as mudanças.

O resultado da pesquisa Datafolha que mostra que a maioria da população é contra a restrição (leia texto nesta página) deve facilitar o trabalho de atrair vereadores de outras legendas para a ideia de flexibilizar as regras. Discute-se ainda a criação de uma comissão para julgar as exceções e a redução do horário da restrição, hoje das 5h às 21h.

As novas regras para os fretados entraram em vigor em 27 de julho. Após protestos de usuários, que chegaram a fechar a marginal Pinheiros, a prefeitura recuou e liberou o tráfego dos ônibus pela av. Luiz Carlos Berrini sob o argumento de que lá não há metrô. Como a Faria Lima também não tem metrô, tucanos e oposição pedem equiparação.

Hoje será fechado o acordo para a votação do projeto. O governo apresentará sua proposta no início da tarde. A votação está marcada para amanhã. Mas, se houver acordo com todas as bancadas, o tema pode até ir a plenário hoje.

O projeto foi aprovado na semana passada em primeiro turno com votação simbólica. Embora não tenha havido votação nominal, os vereadores do PT pediram para registrar o voto contrário da bancada.

O governo tem pressa em aprovar o projeto porque teme uma eventual decisão judicial contra as restrições. Um recurso do Transfretur (sindicato das empresas de fretamento) que está para ser julgado no Tribunal de Justiça aponta que a medida só poderia ter sido definida por lei, e não por portaria do secretário dos Transportes, como ocorreu.

52% dos paulistanos são contra restrição, aponta Datafolha

DA REPORTAGEM LOCAL

A restrição à circulação de ônibus fretados em parte do centro expandido de São Paulo é rejeitada pela maioria dos moradores da cidade.
De acordo com pesquisa do instituto Datafolha feita na semana passada, 52% dos paulistanos são contra a medida da gestão Gilberto Kassab (DEM). Outros 27% disseram ser a favor da restrição, 13% se declararam indiferentes e 9% não souberam responder.
A restrição foi imposta pela prefeitura com o argumento de que isso melhoraria o trânsito na cidade. Para a maioria da população, no entanto, isso não aconteceu.
Segundo o Datafolha, 57% dos paulistanos acreditam que o trânsito continuou igual após o início da restrição. Para 15%, os congestionamentos até pioraram e 14% disseram que houve melhora -14% não souberam avaliar.
Essa é a segunda restrição de circulação imposta pela gestão Kassab. No ano passado, também a partir do mês de julho, a prefeitura limitou o acesso de caminhões a uma parte do centro expandido.
Na ocasião, no entanto, a medida teve a aprovação da maioria da população: pesquisa Datafolha feita no início de julho de 2008 apontou que 54% dos paulistanos eram favoráveis à restrição dos caminhões, 33% eram contra e 9% se disseram indiferentes.

Aprovação a Kassab
A restrição à circulação de ônibus fretados em São Paulo não afetou a popularidade de Kassab. Aprovam a gestão 48% dos paulistanos. O percentual era de 46% na pesquisa anterior, de maio, e de 45% no levantamento de março.
A popularidade do prefeito, no entanto, segue menor que no período eleitoral, quando ele chegou a ter 61% de ótimo e bom (outubro de 2008).
Disseram reprovar a gestão Kassab 17% dos paulistanos com mais de 16 anos ouvidos pelo Datafolha. Em maio eram 19%. Em março, 23%.
O novo levantamento foi realizado entre os dias 11 e 13 de agosto. A pesquisa tem margem de erro de três pontos percentuais na capital, onde foram ouvidas 1.092 pessoas. Em todo o Estado, o Datafolha entrevistou 2.052 pessoas (incluindo as 1.092 da capital), com margem de erro de dois pontos.

16/08/2009 - 12:20h A luta pela regulamentação do transporte fretado continua

Audiência pública realizada no dia 08/08 – centenas de pessoas compareceram
 

Blog do vereador Donato

Nesta última quarta-feira (12/08) na reunião da Comissão de Constituição e Justiça foi aprovado o parecer de legalidade dado pelo relator Gabriel Chalita (PSDB) ao Projeto de Lei 512/09, de autoria do Executivo, enviado a Câmara Municipal de São Paulo no último dia 05/08.

O PL dispõe a respeito da atividade de fretamento na cidade de São Paulo. Por 7 votos a 2, a comissão aprovou também o parecer pela legalidade dado pelo relator João Antonio (PT) (veja abaixo) ao PDL nº 44/2009 de autoria do Vereador Antonio Donato (PT), que cancela os efeitos da portaria 058/09, da Secretaria Municipal de Transportes, que impõe restrições ao serviço de transporte por veículos fretados no âmbito do Município. O texto da SMT vigora no Município de SP desde 27/07.

Para o Vereador Donato, a portaria é ilegal, pois a matéria que ela disciplina, o artigo 47 da Lei 14933/09 (”Lei do Clima”), é de natureza geral, sendo mais indicado para trazer obrigações a particulares o decreto regulamentador e não a portaria.

Os fretados deverão ser regulamentados por lei, conforme determinado na lei do Clima, portanto não tem sentido atropelar o debate como faz esta portaria que além de ilegal, prejudica o trânsito e o clima de nossa cidade. Sábado, 15/08, haverá nova audiência pública para debater o tema, 8h, no Plenário da Câmara.

No mesmo dia durante a sessão plenária também foi aprovado em 1º discussão o Projeto do Executivo, a bancada do PT votou contrário ao PL. No entendimento da bancada do PT, o texto apresentado pelo governo mantém o caráter restritivo da portaria, e remete a este mesmo instrumento (outra portaria) a futura normatização do sistema de fretamentos, o que é ilegal.
Agora precisamos aguardar a 2º votação do Projeto, e a intenção dos vereadores do PT é construir junto as outras bancadas partidárias um projeto substitutivo que contemple os interesses da Capital e de todas as pessoas que utilizam esse transporte.

Lembramos que no próximo dia 15/08 ás 8h na Câmara Municipal de São Paulo, no 1º andar – Plenário Primeiro de Maio, haverá a 2º Audiência Pública para discussão do PL, a reunião é aberta à população e será muito importante a participação de todos.

13/08/2009 - 13:55h Fretados: só a bancada do PT, com 11 vereadores, votou contra o projeto

Câmara aprova na 1ª votação, mas debate Faria Lima

 

Diego Zanchetta e Silvia Amorim – O Estado SP

 


A bancada do PSDB, a maior da Câmara Municipal, com 13 vereadores, vai propor em um projeto substitutivo que a Avenida Faria Lima, assim como a Luís Carlos Berrini, seja excluída da ZMRF. O projeto do Executivo que define a proibição aos fretados em 70 quilômetros quadrados do centro expandido da capital paulista foi aprovado ontem em primeira votação, sem mudanças. Só a bancada do PT, com 11 vereadores, votou contra o projeto.

Apesar da oposição isolada dos petistas, a votação final do projeto deve opor agora vereadores ligados às viações de ônibus, favoráveis à restrição, e parlamentares governistas que defendem a flexibilização das regras. Os tucanos devem propor um substitutivo na subcomissão criada para discutir o assunto. O embate deve ser com líderes do “centrão”, que vão defender o projeto do governo.

Ontem, o Tribunal de Justiça adiou a análise de um recurso contra a restrição do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento e para Turismo (Transfretur). Enquanto isso, a Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa aprovou a convocação do secretário de Transportes, Alexandre de Moraes, para prestar esclarecimentos sobre a portaria restritiva, no dia 20.

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Rotas alternativas criam paradas ilegais em ruas pequenas

Grande parte dos ônibus se acumula nas vias em volta da área de restrição

 


Precisando chegar aos pontos de embarque e desembarque de centros como as Avenidas Paulista e Brigadeiro Faria Lima, os ônibus fretados criaram as próprias rotas alternativas para fugir dos 70 km² da ZMRF. Grande parte deles acabou caindo nas vias que contornam a área de proibição, como a Marginal do Pinheiros, do Tietê e a Avenida dos Bandeirantes. Outros, no entanto, preferiram fugir dos congestionamentos dos grandes corredores atravessando bairros predominantemente residenciais e causando transtornos aos moradores.

Além disso, já que não podem circular na Faria Lima, os fretados procuraram o local mais próximo dessa via para trafegar e ali criaram um ponto informal de desembarque, no meio da rua. A reportagem flagrou fretados parando no meio da Deputado Lacerda Franco. Esses veículos saem da região da Paulista e descem para Pinheiros principalmente pela Rua Cardeal Arcoverde, onde viram para pegar a Lacerda Franco. Em aproximadamente 30 minutos que a reportagem permaneceu no local, 11 ônibus pararam para desembarque. Um deles foi mais longe e parou no corredor de ônibus da Cardeal, prejudicando o transporte urbano.

ALTERNATIVAS

A reportagem do Estado realizou levantamento com os cinco principais sindicatos e associações de empresários de fretados sobre mudanças nas rotas dos veículos. As vias do entorno da ZMRF foram apontadas como principais caminhos, principalmente a Avenida dos Bandeirantes para quem vem do sul e Avenida do Estado para quem chega pelo lado leste.

Os ônibus que fazem a linha zona leste-Paulista, por exemplo, seguiam pela Radial Leste, passavam pelo Ipiranga até caírem na Consolação e Avenida Paulista. Agora, os veículos têm de pegar a Avenida do Estado antes de entrar na ZMRF e contornar a área até a Marginal do Tietê. Depois seguem até a ponte de acesso à Avenida Sumaré, onde entram para o ponto de embarque e desembarque na estação do metrô. “O caminho pelas Marginais é mais demorado e depois o trânsito fica grande na Sumaré. Mas é a opção que temos para atender os clientes que trabalham na Paulista”, diz o diretor da Assofresp, Geraldo Maia.

O acesso pela Avenida Sumaré, no entanto, é o que mais tem provocado reclamações de moradores. Em média, 150 ônibus fretados utilizam por período esse ponto de embarque e desembarque. “Nossas ruas não têm estrutura para receber esses ônibus. O bairro, predominantemente residencial, virou a sucursal da rodoviária”, diz a aposentada Ana Maria Ferreira, da Rua Capote Valente.

Os moradores da Capote Valente e da Rua Anália de Noronha fizeram até abaixo-assinado para o prefeito Gilberto Kassab (DEM). “Os fretados estacionam até em praças, esperando os passageiros chegarem do metrô no fim do dia”, disse a arquiteta Lucila Lacreta, presidente da Associação Amigos do Jardim das Bandeiras, que pediu à CET para que reestude a circulação de ônibus na região.

O uso de vias pequenas por fretados atingiu outras regiões da cidade. No ponto da Rebouças (Rua Ofélia), os taxistas contam que precisam deixar o local nos horários de pico. No entanto, o impacto maior acontece quando esses fretados precisam fazer um “looping” para retornar à Marginal do Pinheiros, passando pela Rua Ibiapinópolis e depois pela Rebouças. O volume de fretados prejudica os moradores e também a saída do Shopping Eldorado. A direção do Eldorado já se reuniu com a Subprefeitura de Pinheiros e a CET, pedindo modificações no tráfego da região.

Outras rotas alternativas passam pela Pompeia, Perdizes e Alto da Lapa. A Avenida Pompeia acabou ainda mais congestionada pela manhã. No caminho até a Vila Madalena, as viações cortam ruas residenciais do Alto de Pinheiros. “E vamos continuar procurando rotas alternativas todos os dias”, disse a diretora da Viação Romavan, Rosenilce do Espírito Santo. A empresa não usa o ponto próximo do metrô Sumaré por causa da demora no desembarque.

No caminho até a Ponte da Cidade Universitária, os ônibus da Viação Santa Cruz vindos de Campinas também cortam o Alto de Pinheiros. Moradores do bairro também já apresentaram reclamações a associações locais.

A CET afirma, em nota, que monitora as novas rotas e também o desempenho das vias utilizadas. “O sistema de fretados ainda está se adaptando às novas regras, adequando seus trajetos para atender às necessidades de clientes e das restrições de circulação”. RENATO MACHADO e VITOR HUGO BRANDALISE

13/08/2009 - 13:39h Radial Leste recebe mais fretados que a Paulista

Entre as 3 mais visadas, ligação Leste-Oeste teve tráfego liberado

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Diego Zanchetta e Renato Machado – O Estado SP

Documentos enviados pela Secretaria Municipal dos Transportes ao Ministério Público Estadual (MPE) mostram que duas das três vias da capital com maior circulação de ônibus fretados no horário de pico da tarde não fazem parte da restrição, em vigor desde o dia 27 de julho. Com base na representação de duas usuárias do transporte, a Promotoria de Habitação e Urbanismo abriu procedimento para investigar a implementação da portaria do secretário Alexandre de Moraes.

Na terça-feira, estudos e documentos que serviram como base para a adoção da portaria, segundo o governo, foram enviados à promotora Cláudia Beré. No pico da tarde, a via que mais recebia os ônibus fretados antes do início das restrições era a Avenida Tiradentes, com 256 desses veículos entre 16h30 e 19h30. Essa via está dentro da chamada Zona de Máxima Restrição de Fretamento (ZMRF) e a regra não foi flexibilizada.

Por outro lado, as duas vias que aparecem na sequência continuam a permitir a circulação dos fretados. A Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini está dentro da ZMRF, mas teve a circulação permitida após protestos de usuários terem fechado a Marginal do Pinheiros. A Secretaria Municipal dos Transportes (SMT) afirmou na ocasião que a razão para a liberação foi a pouca oferta de transporte coletivo urbano na região.

A Berrini recebe no pico da tarde 253 ônibus fretados, o que corresponde a 2,8% de todo o volume de veículos no período. Há 432 ônibus urbanos que circulam na área ao longo dessas três horas. A outra via entre as três com maior volume desses veículos é a Radial Leste, com 251 ônibus fretados no período, o que corresponde a 0,8% do total de veículos – a via sempre esteve fora da restrição.

Outras vias tidas como “intocadas” pela SMT, como as Avenidas Paulista e Brigadeiro Faria Lima, apresentam índices menores de circulação de fretados. A Paulista recebe 138 veículos no pico da tarde (0,9% do total de veículos), e a Faria Lima, 150 (1,2%). Especialistas, no entanto, ressaltam que as quantidades devem ser confrontadas com as extensões das vias, pois um determinado número de fretados pode provocar impactos diferentes nas vias.

Um dos estudos mostra que a restrição foi adotada a partir de um levantamento – apresentado aos empresários do setor em reunião no dia 8 – que apontou 227 itinerários usados por 15 empresas municipais e intermunicipais. No ano passado, também houve três reuniões para discutir a restrição entre representantes do governo e sindicatos que representam o transporte. Entre janeiro deste ano e a adoção da portaria, em 27 de julho, foram mais 12 encontros entre as partes.

O levantamento também indica que, das 32 mil pessoas que entram nos 70 quilômetros quadrados do perímetro de restrição por meio de ônibus fretados, 43,75%, ou 14 mil, descem em apenas três avenidas: Berrini (6 mil), Paulista (4 mil) e Faria Lima (4 mil). Um monitoramento feito pela CET em 2 de julho, em 18 pontos da cidade onde os fretados param para pegar passageiros, indicou que na Radial Leste, no cruzamento com a Rua Itapura, passaram em um único dia 268 ônibus. O segundo posto com maior movimentação desses veículos foi o cruzamento do Complexo Viário Maria Maluf com a Rua Vergueiro, por onde passaram 108 fretados. O ponto ao lado do Aeroporto de Congonhas, na esquina da Avenida Washington Luís com a Rua Feliz de Souza, ficou em terceiro, com 98 ônibus.

O poder aquisitivo mais alto dos usuários de fretados, que seria um indicativo de que parte das pessoas substituiria o transporte coletivo pelo carro, não encontra respaldo nos estudos enviados ao MP. Segundo levantamento da SPTrans com usuários de 15 empresas de fretamento, 64% das mais de 130 mil pessoas que usam o fretado na capital têm remuneração mensal inferior a R$ 3.500.

PAULISTA

Um estudo específico dos técnicos da SPTrans – e enviado ao MP – sobre o uso de fretados na Avenida Paulista indica que a liberação das vias paralelas poderia ajudar a organizar o serviço, sem a necessidade de uma proibição total. Os técnicos sugerem a proibição da circulação na Paulista nos horários de pico, mas a liberação total na São Carlos do Pinhal e Cincinato Braga. Somente a Alameda Santos passaria por uma pequena restrição, dividindo a circulação desses veículos por determinados horários durante o pico.

13/08/2009 - 13:03h Fumante, passageiro de ônibus fretado e corintiano: “Minha vida virou um inferno”

Letícia Moreira/Folha Imagem
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Marcelo é fumante, passageiro de fretado e corintiano

Fumante, passageiro de ônibus fretado e corintiano, Marcelo, 27, conta que tudo mudou em sua vida nas últimas semanas; “só falta agora eu pegar gripe suína”, diz

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O analista de sistemas Marcelo Taboada não acredita muito em inferno astral, mas nas últimas semanas viu a vida virar de pernas para o ar. Fumante, passageiro de ônibus fretado, e de quebra corintiano, diz que anda comendo o pão que o diabo amassou.
O calvário começou em 27 de julho passado, quando a prefeitura paulistana proibiu a circulação dos coletivos em boa parte do centro expandido. Poucos dias depois, em 7 de agosto, entrou em vigor a lei antifumo, que o obriga, em todo lugar que vai, a fumar na calçada.
E nesse intervalo, o Corinthians está há cinco jogos seguidos sem ganhar, perdendo do Palmeiras, do Náutico, do Flamengo… Bom, mas disso ele não quer mais falar.
“Está mudando tudo na minha vida. Não posso mais fumar, não posso andar de fretado, não posso dirigir depois de beber um copinho e ainda por cima o Corinthians perdendo. Só falta agora pegar a gripe suína”, desabafa enquanto espera o fretado na estação Sumaré, depois daquele arranca-cabelo no metrô no pico das 18h.

Implicância
Rodeado de não fumantes implicantes que faziam cara de quem havia acabado de bater um prato de jiló, Marcelo, o corintiano sofredor, diz, fumando o último cigarro antes de subir no ônibus fretado, que tem agora de pagar R$ 100 a mais pelos bilhetes de metrô, além dos R$ 365 da condução particular.
Antes, o ônibus fretado que o leva a Jundiaí, onde mora, parava na alameda Jaú, a poucas quadras do prédio comercial em que trabalha na avenida Paulista. Agora, tem de andar até uma estação para tomar o metrô e descer no novo ponto de embarque que, depois da proibição da prefeitura, passou a ser no bolsão da Sumaré.
A mudança de rotina obriga Marcelo a perder horas de sono -tem de acordar mais cedo, para não chegar atrasado ao serviço, e o faz chegar ao menos meia hora mais tarde em casa depois do dia de trabalho.
“Ah, coitado”, ria a professora Amélia Albuquerque, colega de outro ônibus fretado que ouvia a conversa, mas não fuma nem é torcedora do Timão.

Fumódromo

Outra coisa que deixa o corintiano Marcelo, 27, fumante desde os 15 anos, ainda mais sofredor é a nova lei antifumo. Antes da proibição, acendia os cigarros durante o expediente num fumódromo improvisado numa área coberta da empresa.
Agora, tem de atravessar a calçada par fumar do outro lado da rua. Mas o que o faz perder mesmo a paciência é ter de pagar a conta no bar para sair para fumar e não poder levar o copo de cerveja para fora.
“Para boate já não vou mais. Vai ter de sair para fumar, entrar e pagar de novo, não saio mais de casa. Só vou a barzinho que tenha uma área ao ar livre para fumantes”, reclama.
No novo ponto de fretado da região da avenida Sumaré, ele se queixa ainda da falta de estrutura. Quando chegar o verão, diz, vai ser pior (porque ali alaga), e, como por lá não tem abrigo, vai chover no molhado.
Depois de tanto sofrimento, o corintiano diz que o último medo que lhe resta é a gripe suína. No trabalho, espalharam bombas de álcool em gel para desinfecção e ele é obrigado a lavar as mãos de tempos em tempos. O receio é maior ainda porque passou a andar de metrô lotado, que não tomava antes de ir para casa.

Gripe suína
Como não há limite para o pior, o analista de crédito Emerson André Medeiros Vieira, outro usuário de ônibus fretado, já até deixou de fumar, mas, na semana em que passou a andar de metrô para ir ao novo ponto de parada, adoeceu de gripe -justamente o medo de Marcelo, o corintiano sofredor.
“Nesse curto espaço de tempo fui afastado do serviço por sete dias em virtude de uma forte gripe. Atribuo o contágio à exposição à massa do transporte público. Seria esse o melhor momento para restrição aos ônibus fretados?”, diz.
O corintiano Marcelo e o gripado Emerson não a conhecem, mas a história deles se repete na gestora de internet Aline Cristina Luna. Aos 21 anos, fumante há três, ela diz que a restrição aos fretados “ferrou” com a sua vida.
“Acordo uma hora mais cedo, chego 40 minutos atrasada todo dia no trabalho e ainda tenho de sair meia hora antes do fim do expediente para pegar o metrô, que está muito mais cheio, e não perder o ônibus”, afirma Aline, que de uma semana para cá não pode mais fumar na cobertura aonde ia antes.
“Como fumante, fiquei “pê” da vida com essa lei. Vou deixar de ir aos bares onde não tenha espaço aberto para fumar. Daqui a pouco vão proibir até…” Ah, isso não dá para publicar.

10/08/2009 - 14:22h Fretados: categoria critica projeto e secretário é vaiado em audiência pública

A portaria 58/09, da Secretaria Municipal de Transportes, que tenta regular a atividade dos fretados na cidade de São Paulo, não prejudicou apenas o transporte de passageiros que usavam este meio de deslocamento. A medida afetou uma cadeia de negócios que passa pelos setores de turismo, transporte escolar, cinema e publicidade, entre outros. Além da queixa geral sobre o horário de restrição de circulação (5 às 21 horas), outro alvo de reclamação foi a burocracia.

Durante a audiência pública que discutiu o projeto de lei 512/09 do Executivo, enviado à Câmara Municipal na última quinta-feira, representantes de empresas de vans que alugam veículos para produções cinematográficas contaram que não estão conseguindo trabalhar porque a portaria impede a circulação dos carros. A audiência foi convocada pela Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa, presidida pelo vereador Ítalo Cardoso.

“Nossas vans transportam artistas e equipes de apoio que fazem filmes, além do pessoal de publicidade. Não tem saído autorizações para nós trabalharmos porque a prefeitura trata as nossas vans como se fossem os ônibus fretados”, queixou-se Vladimir Lopes de Melo, da associação das locadoras de vans. “Queremos diferenciar o ônibus de turismo do de fretamento, porque do jeito que está não conseguimos trabalhar”, completou Marcos Roberto de Oliveira, das micro e pequenas empresas de transporte turístico.

Presente à reunião, o secretário de Transportes, Alexandre de Moraes, não conseguiu explicar o projeto do Executivo para regulamentar a atividade (e que praticamente repete o teor da portaria). Mal começou a falar, foi interrompido, vaiado e duramente criticado pela platéia durante as duas horas e meia de duração da reunião. “Essa bagunça aqui mostra a necessidade de regulamentação do fretamento”, reagiu Moraes, irritando ainda mais a platéia. “O secretário não entende nada de transporte. O senhor já andou de ônibus?”, indagou José Antônio, do setor de vans executivas. “A lei neste país só vale para você, de colarinho branco. Quero trabalhar, mas a prefeitura não deixa eu cadastrar meus quatro ônibus”, disse uma mulher que se identificou como Raí, dirigindo-se ao secretário.

A audiência aconteceu sábado à noite, no auditório Elis Regina, do Anhembi. Apesar do dia e horário, cerca de 300 pessoas compareceram à reunião. Ao final, o secretário saiu pelos fundos, para evitar o público. Sobrou para o líder do prefeito Kassab na Câmara, vereador José Police Neto (PSDB), que teve que ouvir muita reclamação.

“Foi muito boa a reunião. Ficou claro que existe uma desigualdade no tratamento dado pela prefeitura ao setor”, afirmou Ítalo Cardoso. Em nome da Bancada do PT, o líder João Antônio disse ao público que acompanhou o encontro que “vamos lutar para aprovar uma lei que atenda à complexidade destes serviços. A portaria em vigor é muito restritiva, praticamente engessa a atividade, e não atende a diversidade dos fretados”.

Quatorze vereadores compareceram à audiência. Além de Ítalo Cardoso e João Antônio, que são membros da CCJ, da Bancada do PT estiveram na reunião Alfredinho, Donato, Chico Macena, Juliana Cardoso e Senival Moura. Na reunião ordinária da próxima quarta-feira, a CCJ vai dar seu parecer sobre a legalidade ou não do projeto. O relator é o vereador Gabriel Chalita (PSDB).


Fonte Boletim da bancada do PT na Câmara Municipal

07/08/2009 - 13:21h Restrição aos fretados afeta até 300 mil usuários em São Paulo

Aline Bosio – Repórter Diário

Natália Fernandjes

Celso Gutierre, da Cati Rose, afirma que empresa já sofre com restrição

A restrição imposta pela prefeitura de São Paulo que impede a circulação de ônibus fretados em uma área de 70km quadrados da cidade tem causado brigas judiciais, prejuízos para as empresas responsáveis por este tipo de transporte e transtornos para cerca de 300 mil passageiros. De acordo com a secretaria de Transporte da capital, cerca de 48 mil viagens eram feitas diariamente somente nesta área de restrição.

Segundo o Transfrtur (Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento para Turismo da região metropolitana de São Paulo), estima-se que o serviço transporte mais de 600 mil pessoas por dia na Grande São Paulo, movimentando anualmente R$ 3,2 bilhões. A modalidade de transporte gera cerca de 20 mil postos de trabalho diretos no Estado e mais 50 mil indiretos.

“Se esta restrição continuar como está, pelo menos 50% dos fretados deixarão de circular pelas ruas de São Paulo e poderão quebrar, o que significa cerca de 11 mil desempregos diretos em um prazo de 90 dias e perda de até metade dos passageiros”, acredita o diretor da Assofresp (Associação das Micros, Pequenas e Medias Empresas de Fretamento e Turismo do Estado de São Paulo), Geraldo da Silva Maia Filho.

Maia explica que um fretado substitui pelo menos 20 automóveis que estariam nas ruas, pois muitas pessoas preferem utilizar os ônibus por serem mais confortáveis e por poderem embarcar e desembarcar próximos de suas residências e trabalhos. “Além dos passageiros terem de se adaptar às mudanças dos locais de embarque e desembarque, eles estão tendo de gastar pelo menos R$ 110 a mais por mês com as baldeações”, lamenta o diretor da Assofresp.

O diretor administrativo e financeiro da Cati Rose, Celso Ghelardino Gutierre, empresa responsável pelo transporte de cerca de 12 mil pessoas por dia, sendo pelo menos 400 do ABC, já começou a sentir os efeitos negativos da restrição. Umas das linhas com destino a São Paulo já teve de ser fechada e outras duas devem ter o mesmo fim. “A restrição pode até refletir em uma melhora do trânsito em um primeiro momento, mas com o tempo os usuários deixarão de usar o fretado e voltarão a ir trabalhar com seus carros, contribuindo para a piora do trânsito”, salienta.

Maia e Gutierre acreditam que a falta de estudos sobre os reais impactos que seriam causados pela interrupção dos serviços foi um erro por parte da prefeitura de São Paulo. “Se houvesse fiscalização ou algum tipo de regulamentação limitando o número de paradas para embarque e desembarque nas principais vias, certamente todas as empresas iriam seguir as normas e não seria necessária uma atitude drástica como esta”, completa o diretor da Assofresp.

O deputado estadual Orlando Morando, membro da Comissão de Transportes, também é contra a restrição, pois avalia que o fretado contribui para a redução do trânsito na cidade de São Paulo. “Acredito que a decisão foi errada, principalmente porque não houve um estudo sobre o tema, além de que a ação não está surtindo o efeito esperado”, defende.

Para tentar entender os motivos pelos quais a prefeitura tomou esta decisão, o deputado apresentou um requerimento para convocar o secretário Municipal de Transportes de São Paulo, Alexandre de Moraes, para dar explicações. “Se ele não nos convencer, poderemos encaminhar um pedido para o Ministério Público liberar a circulação dos fretados”, completa o deputado.

Entenda a restrição
Desde o último dia 27 de julho os ônibus fretados que atuam na cidade de São Paulo precisam respeitar a ZMRF (Zona Máxima de Restrição à Circulação de Fretados) de 70 km quadrados, onde não podem circular entre 5h e 21h dos dias úteis. Avenidas como Ricardo Jafet, Bandeirantes, Paulista, Nações Unidas e Avenida Sumaré, que eram algumas das principais vias percorridas pelos fretados não poderão mais integrar os itinerários destes ônibus.

Para que os usuários dos fretados possam chegar ao destino final, a prefeitura criou pontos de embarque e desembarque para que, a partir destes locais, os passageiros possam utilizar o transporte público convencional (ônibus e metrô) para irem ao local desejado. Sete linhas especiais de ônibus foram criadas para comportar a nova demanda.

A fiscalização da nova norma está sendo feita por 67 fiscais da SPTrans, 70 fiscais do Departamento do Transporte Público e 346 agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego. Transporte escolar, de turismo, de passeios religiosos, de hóspedes de hotéis e destinados às atividades de cultura e lazer podem ficar fora da restrição. Entretanto, é preciso fazer um cadastro junto à prefeitura para conseguir a permissão.

Sindicato tenta liberação dos ônibus na Justiça
No último dia 31 o Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu uma liminar permitindo a volta dos fretados que havia sido proposta pelo Transfretur (Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento para Turismo da região metropolitana de São Paulo), mas horas depois a permissão foi cassadoa.

Na ocasião, a juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti, da 9ª Vara da Fazenda Pública alegou que havia vício formal na restrição, “pois foram veiculadas mediante portaria, ato administrativo, que não pode inovar no ordenamento jurídico, não pode substituir a lei”.

A advogada Renata Nowill Mariano defende a decisão da juíza e lamenta o fato da liminar ter sido cassada tão rapidamente. “Só uma lei tem o poder de restringir este tipo de atividade. Creio que a liminar pode ter sido cassada muito mais por uma questão econômica e política do que pela preocupação de melhorar o trânsito”, diz. “Acredito que com o tempo esta portaria que limita a circulação dos ônibus fretados será revogada e outras soluções serão encontradas para o assunto”, completa a advogada, que afirma que a falta de debate e estudos é um dos principais fatores pelo qual os usuários, donos de empresas e a população em geral estão insatisfeitos com a medida.

Em nota divulgada pelo Transfretur, o advogado do sindicato, Marcos Augusto Perez, declarou que notícia da cassação da liminar concedida em favor das empresas e usuários dos serviços de fretamento, menos de duas horas após sua concessão, causou surpresa e preocupação.

“Rever decisões liminares é prática comum nos tribunais. Entretanto, cassar decisões fundamentadas, em detrimento do direito de milhares de pessoas, poucos minutos após sua divulgação, e anunciá-las mediante nota, sem revelar seu inteiro conteúdo, desrespeita a advocacia, os juízes de primeira instância, as partes judicantes e os cidadãos”, declarou Perez no documento. Na última segunda-feira (03/08) o sindicato entrou com de agravo contra decisão do TJ que derrubou liminar que restabelecia a livre circulação de fretados em São Paulo.

Usuária muda rotina e reclama de novas regras
Talita Moreira Marques da Costa, moradora de São Bernardo, começou a utilizar ônibus fretado no início deste ano, mas já pensa em mudar o meio de locomoção até o trabalho, localizado na Vila Olímpia, em São Paulo. O motivo é a alteração que seu dia-a-dia sofreu após a implantação da Zona Máxima de Restrição à Circulação de Fretados.

“Sou usuária de fretado por ser um meio de transporte seguro, confortável onde tenho a certeza que tenho um lugar para sentar e chegarei descansada ao trabalho e no retorno para minha casa”, explica Talita. O sossego, entretanto, acabou. O tempo de caminhada entre o local que embarque e desembarque aumentou, assim como as horas que demoro para chegar até em casa.

“Antes pegava o fretado às 18h e chegava em casa às 19h30. Atualmente, com essa restrição, pego o fretado às 19h e chego em casa às 21h. Simplesmente um absurdo. Todos os dias chego muito cansada e nervosa com tudo isso. Estou tomando remédio para conseguir lidar com esses problemas, pois chego cansada ao trabalho, chego cansada em casa e não rendo nada”, desabafa.

Talita já pensou em ir trabalhar de outras maneiras, mas a qualidade do transporte público a limita. “Infelizmente nosso sistema público de transporte é precário. Caso eu tivesse que utilizar esses meios, teria de acordar às 4h da manhã e pegar quatro transportes até o meu trabalho. Já não estou rendendo como deveria no trabalho, imagine pegando quatro transportes”, diz a moradora de São Bernardo.

A jovem acredita que uma solução para evitar que os ônibus fretados atrapalhem o trânsito é a regulamentação dos pontos de parada, mas de maneira diferente de como foi feita. Ela afirma ainda que a restrição não condiz com a necessidade da população, além e ter piorado o trânsito nas proximidades dos bolsões e a qualidade de vida dos usuários de fretados. “Espero que tudo se resolva o mais rápido possível. Estou cada vez mais descrente nos políticos que governam a cidade de São Paulo”, finaliza.

06/08/2009 - 09:23h Vereadores já articulam fim de zona de restrição a fretados

Proposta, com medidas descartadas por Kassab, tem apoio até de governistas

http://www.folhanoroeste.com.br/userfiles/image/fretado4.jpg

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Vereadores de São Paulo, incluindo governistas, já se articulam para tentar flexibilizar a restrição a ônibus fretados adotada pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM). Na subcomissão de fretamento, um projeto substitutivo prevê até a extinção da zona de restrição.
A proposta deve se sobrepor ao projeto de lei enviado ontem à Câmara pela prefeitura, em substituição à portaria de 27 de julho. O substitutivo visa, dizem vereadores, regulamentar o setor e preservar pontos positivos da medida, como o veto ao “pinga-pinga” -pega ou deixa usuários em vários trechos.
A proposta encontra concordância mesmo na base governista, que admite não apenas suspender alguns dos principais pontos do projeto de Kassab como adotar medidas já descartadas por sua gestão -como pontos nas proximidades da avenida Paulista.
A ideia é substituir a zona de restrição por pontos de embarque e desembarque como os da avenida Luiz Carlos Berrini.
Na oposição, tem força a revogação da portaria. O PT quer votar até a semana que vem a suspensão da restrição. O argumento é que a regulação só pode ser feita por lei ou decreto -não por portaria.
Ontem, manifestantes a favor dos fretados paralisaram por uma hora duas pistas em frente à Câmara.

05/08/2009 - 13:41h Projeto de fretados vai à Câmara e oposição quer vetar regras

Vereadores que são contra as propostas da Prefeitura vão tentar derrubar as regras já em vigor em São Paulo

 

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

 


SÃO PAULO - O projeto do Executivo que vai reproduzir a portaria com a restrição aos ônibus fretados deve chegar nesta quarta-feira, 5, à Câmara, mas na quarta o tema já expôs uma divisão nas bancadas. Mesmo dentro da base governista alguns líderes defendem a flexibilização das regras. Já a oposição tentará votar amanhã um decreto legislativo, apresentado na semana passada pelo vereador Antonio Donato (PT), que determina a suspensão dos efeitos da portaria em vigor.

A polêmica sobre os fretados também servirá de pretexto para integrantes do bloco político chamado “centrão” cobrarem cargos e novos favores do Executivo em redutos eleitorais, segundo apurou a reportagem. A discussão será a principal dentro do Legislativo pelo menos nos próximos dois meses, avaliam as lideranças.A maior parte dos parlamentares governistas ainda não quis tornar pública a insatisfação com as restrições. Nas reuniões de bancadas que ocorreram ontem, porém, não havia consenso sobre o tema. O governo garantiu às bancadas que o texto não vai chegar com modificações em relação à portaria do fim de julho.

“A Câmara agora vai ouvir o setor”, afirmou Carlos Apolinário (DEM). Mas o líder de governo, José Police Neto (PSDB), chegou a endurecer o discurso contra os empresários e donos de fretados. “Ficar sem regras é que não vai ocorrer, com certeza”, argumentou. Já a liderança do PT promete apresentar um projeto que prevê a volta de ônibus executivos com tarifas especiais. “Temos de valorizar o transporte coletivo.”

Turismo

Sem divulgar para os interessados, a Prefeitura flexibilizou na sexta-feira as regras para as vans que prestam serviços de turismo na capital. Como os demais fretados, elas deveriam fornecer com cinco dias de antecedência todo o itinerário. O formato revoltou empresários e motoristas do setor, que afirmavam estar perdendo trabalho. Agora é preciso somente notificar os pontos de partida e chegada. Sem saber da mudança, motoristas de vans realizaram anteontem um protesto que parou a Marginal do Tietê.

05/08/2009 - 12:22h Federação critica secretário por acusar fretados

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DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA SP

A Fresp (federação das empresas de fretamento do Estado de São Paulo) divulgou nota ontem repudiando a declaração do secretário municipal dos Transportes, Alexandre de Moraes, de que há indícios de lavagem de dinheiro entre as empresas de fretamento.
Moraes deu a declaração na última segunda-feira, no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, ao defender as medidas de restrição ao trânsito de ônibus fretados em uma área de cerca de 70 km2 do centro expandido de São Paulo, que está em vigor desde o último dia 27.
Depois do programa, questionado pela Folha, o secretário admitiu não ter provas da suposta lavagem de dinheiro. Disse apenas que a secretaria e a polícia estão atentas ao assunto.
“Trata-se de tentativa de desviar o foco do debate público acerca da circulação de fretados na cidade, no qual já é consenso a falta de planejamento das ações da administração municipal”, diz nota da federação.
Para a entidade, caso existisse investigação sobre o assunto, seria sigilosa e o secretário não poderia vazar a informação para a empresa. “Quem deve explicações à Justiça, e é alvo de investigação pelo Ministério Público, é o secretário, não os empresários do setor de fretamento”, diz a nota.

04/08/2009 - 09:43h Fretados: factóide de espírito de porco

Clique na imagem do JT para ampliar

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04/08/2009 - 09:10h Trânsito não é caótico, diz Moraes

Em entrevista ao ‘Roda Viva’, secretário diz que medidas adotadas pela Prefeitura funcionam

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Naiana Oscar, Jornal da Tarde

naiana.oscar@grupoestado.com.br

Os índices de congestionamento que já alcançaram os 295 quilômetros de extensão e a velocidade média de 25 km/h nas principais vias da cidade não são suficientes para fazer o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, considerar o trânsito paulistano caótico. “Eu não disse que o trânsito é caótico. É um trânsito difícil, como tudo na cidade de São Paulo. Tudo é difícil”, afirmou ontem, em entrevista ao programa Roda Vida, da TV Cultura.

Segundo o secretário, a restrição aos caminhões, em vigor desde o ano passado, e a proibição de ônibus fretados numa área de 70 quilômetros quadrados, implantada há uma semana, fizeram os índices de congestionamento voltarem ao patamar de três anos atrás. “Tivemos melhorias em todos os dias depois das medidas”, afirmou. Mas foi no último mês de junho que a capital registrou a maior lentidão da história, chegando quase aos 300 quilômetros.

Questionado se a próxima restrição seria aos carros, Moraes disse que a Prefeitura não descarta a possibilidade de ampliar o rodízio municipal de veículos, em vigor hoje das 7h às 10h e das 17h às 20h, com a proibição de dois finais de placa por dia. “Essa não é uma hipótese que tenhamos excluído, mas também não está em avaliação no momento.” Sobre pedágio urbano, ele foi enfático em repetir o que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) já havia dito durante as eleições: que essa medida “não é passível de ser instalada enquanto o transporte público não atender toda população.”

O próprio secretário não se sente motivado a trocar o conforto do transporte individual pelo coletivo. “Eu deixaria meu carro em casa se tivéssemos bons corredores, metrô, linhas rápidas. E esse é o desafio. Quando há esse oferecimento as pessoas vão. Hoje seria uma hipocrisia minha dizer que não ando de carro oficial.” Ele não disse quando foi a última vez que se deslocou usando o transporte público, mas garantiu que já andou na época da faculdade.

Ontem, o secretário voltou a afirmar que é contra o serviço de mototáxi em São Paulo e admitiu que a Prefeitura tem dificuldades para fiscalizar os motociclistas. Segundo ele, a fiscalização só será eficaz com a instalação de chips nos veículos mas não informou quando isso será possível. A CET estuda a instalação de sensores nos radares para detectar e autuar motos que circulam entre carros.

04/08/2009 - 08:38h Setor de fretados quer regras para turismo e alterações nas paradas

Protesto de vans para Marginal do Tietê

Renato Machado e Diego Zanchetta – O Estado SP

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Um protesto com motoristas de 60 vans atrapalhou o trânsito de São Paulo na manhã de ontem, principalmente na Marginal do Tietê, que chegou a ter 22 km de lentidão – a via tem 24 km de extensão. Indiretamente atingido pela portaria que restringiu a circulação dos ônibus fretados, o grupo saiu da Praça Heróis da FEB, na zona norte, trafegando em comboio e com velocidade reduzida por duas horas até a Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, na zona sul, deixando atrás um rastro de congestionamento. À noite, uma manifestação de ônibus contra a legislação bloqueou a faixa central da Avenida Dr. Arnaldo por alguns minutos.

Pela manhã, os manifestantes eram todos motoristas ou empresários que trabalham com turismo na cidade de São Paulo. Eles reclamam que a restrição aos fretados atrapalhou indiretamente os passeios realizados pelas vans, mesmo que essas tenham direito à autorização especial para circular dentro da chamada Zona de Máxima Restrição de Fretamento (ZMRF) – área de 70 km² onde os fretados estão proibidos.

Para conseguir a autorização especial, os veículos precisam solicitar com cinco dias de antecedência e informar o endereço de partida, o de chegada e todo o itinerário. Mas os motoristas pedem uma legislação específica de turismo e a liberação de vias famosas. “Se um grupo que paga, e caro, pelo meu serviço, pedir para conhecer a Paulista, vou precisar mandar eles descerem e ir a pé”, diz o motorista Rivanaldo de Lima.

Em reunião à tarde com o secretário de Transportes, Alexandre de Moraes, o setor de fretados também solicitou mais agilidade na concessão de autorizações especiais, a instalação de abrigos nos pontos, a construção de uma paralela na Avenida Ricardo Jafet (Estação Imigrantes do Metrô), novos pontos de embarque e a liberação de vias na região central.

O Transfretur, principal sindicato do setor de fretados, anunciou ontem que vai recorrer da decisão da Justiça, que manteve a restrição. Na sexta-feira, pouco mais de duas horas após o sindicato conseguir uma liminar contra a portaria da Prefeitura, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), desembargador Roberto Antonio Vallim Bellocchi, cassou a liminar. “Todos gostaríamos que a Justiça fosse ágil, mas recebemos com surpresa essa rapidez”, diz o advogado do Transfretur, Marcos Perez.

“Acho que foi uma pena o fato de a liminar ter sido cassada (contra a restrição). Seria um tempo a mais para aperfeiçoar a lei”, argumentou a promotora de Habitação e Urbanismo, Cláudia Beré. “Sou favorável à regulamentação, mas não sou contra os fretados.” Essa polêmica, porém, deverá ser a última da promotora – que também questionou alterações no Plano Diretor pelo governo. Em 30 dias, Beré passará a cuidar de causas ligadas aos idosos na Promotoria de Direitos Humanos.

03/08/2009 - 21:49h Valter Caldana: O trânsito julgado

Para urbanista, descentralização beneficiaria metrópoles

Ivan Marsiglia - O Estado de S. Paulo-Aliás

Ernesto Rodrigues/AE

A maior metrópole brasileira abandonou a discussão sobre transporte para se limitar ao trânsito. É preciso construir cidades, não ruas. O alargamento da Marginal do Rio Tietê, em São Paulo, é um paliativo que não durará dois anos. E uma boa parceria público-privada teria evitado a guerra dos ônibus fretados. Essas são algumas das opiniões do especialista em planejamento urbano Valter Caldana, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.Esse paulista de 47 anos, nascido em Ribeirão Preto, adotou São Paulo há quatro décadas e viu-a transformar-se. Para pior. “Desde 1972, a cidade trocou o desenho urbano pelo desenho viário”, alerta o professor com doutorado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).Na entrevista a seguir, Caldana diz que a solução – além da necessidade urgente de metrô e corredores de ônibus – passa pela descentralização politico-administrativa e econômica da cidade.

Essa semana o prefeito Gilberto Kassab vetou a circulação de ônibus fretados por uma área de 70 km² ao redor da Sé, no centro de São Paulo. Na sexta-feira, uma juíza paulista autorizou a volta dos veículos, mas o TJ manteve a restrição. Por que essa medida causou tanta polêmica?

A Prefeitura tem uma enorme dificuldade de fiscalização, dado o tamanho da cidade. E, na medida em que não consegue fazê-la, acaba sendo mais cômodo proibir tudo. O que houve foi um flagrante equívoco sobre o que se poderia fazer com uma parceria público-privada nos transportes da cidade. A ideia era tirar das ruas 1.300 fretados numa frota de 6 milhões de veículos. Faz tanta diferença? Claro que muitos desses ônibus param fora de lugar, passam por vias onde não cabem e atravancam o trânsito. Algo tinha de ser feito. Mas por que não chamar os responsáveis pelas empresas e discutir um redesenho do percurso antes de optar pela proibição generalizada? Faltou diálogo.

Há muito tempo não se viam tantos protestos contra uma medida na área dos transportes como ocorreu por parte dos usuários após a proibição dos fretados. Por quê?

Na verdade, há uma enorme mobilização por transporte por parte das camadas populares. Vira e mexe ocorrem protestos, quebra-quebras, ônibus incendiados, sobretudo nas origens das linhas, nas zonas periféricas – o que gera repercussão relativamente pequena entre as classes médias urbanas. Agora, elas foram afetadas.

Por que a questão sensibiliza menos a classe média?

A classe média formadora de opinião em geral possui carro e está mais preocupada com o trânsito do que com o transporte. Há uma sutil diferença. Quando a prefeita Marta Suplicy construiu corredores de ônibus em avenidas das regiões nobres, a crítica que se fez foi que eles “prejudicavam o trânsito”. Corredores pioram o trânsito, mas melhoram o transporte.

O que significou esse enfoque da mobilidade urbana pelo viés do trânsito, e não do transporte?

São Paulo nos últimos 37 anos trocou o desenho urbano pelo desenho viário. Construiu ruas sem construir cidade. Desde 1972 temos um modelo de intervenção que prioriza o trânsito e o transporte individual. Isso está relacionado com o modelo de desenvolvimento nacional, baseado no binômio construção civil/indústria automobilística. E se transformou no elemento gerador de toda a expansão urbana em São Paulo.

O que poderia ter sido feito?

Em todas as grandes cidades do mundo, faz-se antes o desenho do sistema de transporte e depois cuida-se do trânsito decorrente. Por que Curitiba tornou-se na década de 90 uma cidade aprazível, das mais interessantes do País? Porque houve uma reformulação do sistema de transporte urbano na capital do Paraná na década de 70. Ele foi inteiramente redesenhado na primeira gestão de Jaime Lerner, que ainda era prefeito nomeado. Corredores de ônibus confortáveis foram feitos, diminuíram a necessidade de automóvel e acabaram por dar mais fluidez até para quem opta pelo carro.

Em 1999 o senhor concedeu uma entrevista apontando problemas na expansão das pistas da Marginal do Rio Tietê, que está sendo posta em prática hoje. É outro projeto que privilegia o trânsito em lugar do transporte?

Sim. Mais uma vez o poder público faz a opção por uma solução viária, constrói ruas em vez de construir cidade. E o maior problema é que está se fazendo uma obra enorme que terá resultados por um período muito curto. Você vai alargar a marginal e aumentar o fluxo, vão entrar novos carros e, em menos de dois anos, teremos o fluxo lento novamente. É um paliativo.

O que teria sido melhor?

Fui um dos autores da proposta de criação de uma agência para o desenvolvimento urbanístico das marginais – com paisagismo e ocupação daquele espaço pelos cidadãos. O projeto Pomar foi uma das ideias que surgiu dessas reuniões. Só que a opção, agora, foi privilegiar o deslocamento de veículos.

Ao primeiro sinal da crise financeira, os governos federal e estadual correram em socorro da indústria automobilística nacional. Imaginar que as pessoas deixarão de comprar carros não é utopia?

De fato, seria tolo esperar por isso. No longo prazo, teremos que enfrentar o problema do modelo econômico: o Brasil não pode continuar tão dependente da indústria automobilística. Mas isso não será revisto em um ano. Agora podemos diminuir o número de viagens e o tempo que esses automóveis ficam na rua, por exemplo.

De que maneira?

Com um programa efetivo de descentralização da cidade. É preciso promover o desenvolvimento econômico ao longo do tecido urbano de forma mais homogênea. São Paulo ainda é, por incrível que pareça, uma metrópole de altíssima concentração de atividades. Os mapas deixam claro: você tem o emprego concentrado no “entre rios” e no eixo sudoeste e há alta concentração de moradia e habitação em volta disso. São Paulo é uma cidade polinucleada por vocação, nasce de uma série de grupamentos urbanos que se juntaram – o nome técnico é conurbação -, mas tem um modelo político-administrativo centralizado. Isso favorece a concentração econômica e faz com que a Prefeitura não consiga ter capilaridade para resolver os problemas do dia a dia da cidade.

Essa semana o governo federal anunciou um projeto para regularizar a profissão de mototaxista. O que acha da ideia?

De forma geral, o governo tratou apenas de regulamentar o que já é uma prática comum em determinadas regiões da cidade, tentando dar um pouco mais de segurança ao usuário. Em minha opinião, diferentemente do motoboy – figura que já se tornou indispensável -, o mototáxi não deve prosperar no centro. Andar de moto ainda é considerado perigoso.

Por que o motoboy tornou-se indispensável em São Paulo?

Tudo isso se deve ao desenho viário em vez de urbano que a cidade adotou. Veja que as mesmas pessoas que se queixam da presença dos motoboys nas ruas não abrem mão de seus serviços: no trabalho, na entrega de documentos, na hora de pedir comida em casa. São Paulo adotou um modelo rodoviarista, abriu milhares de ruas e avenidas sem o menor cuidado com seus entornos. Bairros como Vila Leopoldina têm recebido enormes investimentos, erguem-se prédios atrás de prédios sem nenhum metro de área pública entre eles. Quando falo de desenho público, não se trata de algo conceitual, imaterial, mas da possibilidade de se dormir meia hora a mais, de chegar mais cedo em casa, ter tempo e lugar para passear com o filho ou sair com a namorada.

Como deveria ser o desenho das ruas e avenidas?

Pegue a Avenida 23 de Maio, do Anhangabaú até o aeroporto de Congonhas. É um exemplo de via bem implantada na cidade. Bonita, bem servida de viadutos, tem o leito rebaixado, com os bairros mais altos ao redor… Mesmo sob trânsito carregado você se sente mais confortável nela do que na Radial Leste ou na Avenida Roberto Marinho. Essas últimas não passam de asfalto margeado por pequenas calçadas. Não têm mobiliário urbano, vegetação ou serviços. O Elevado Costa e Silva, o Parque Dom Pedro e a Baixada do Glicério são símbolos desse pensamento viário e não urbanístico – que privilegia o deslocamento e não a apropriação da cidade pelas pessoas.

O metrô de São Paulo tem a mesma idade do da cidade do México, duas grandes metrópoles de países com PIBs semelhantes. Mas os mexicanos contam com 200 km de linhas, enquanto os paulistanos não têm mais que 60 km. O metrô seria a solução definitiva?

O metrô não é a solução definitiva, mas a mais durável. Em qualquer comparação em termos de retorno por real investido entre o metrô e essa ampliação das marginais ele leva vantagem. Com mecanismos de eficiência e sincronia de trens, o metrô pode ampliar sua capacidade várias vezes em um mesmo traçado. E o que temos em São Paulo é uma exceção à regra de tudo o que falei: ele manteve a tradição mais saudável do urbanismo brasileiro de construir o equipamento com cidade no seu entorno. Particularmente na Linha Norte-Sul, que recebeu mais investimentos que a Leste-Oeste, por onde ele passou houve processos de reurbanização.

E enquanto o metrô não vem? Fazemos corredores de ônibus?

Há corredores e corredores de ônibus. O que aconteceu nos últimos que foram feitos, como o da Avenida Rebouças? De novo, a tendência foi tratá-los como um leito de rua, como faixa exclusiva. Corredor de ônibus só funciona se tiver controle de fluxo, monitoramento de frequência, segurança e pontualidade, a exemplo do que ocorre no metrô.

Alguns especialistas em trânsito afirmam que não basta melhorar o transporte público: é preciso também restringir o uso do automóvel. O senhor concorda?

Não. Você cria um modelo econômico que oferece ao cidadão a possibilidade de comprar um carro em 80 vezes de R$ 399 e depois vai dizer a ele que não pode tirar o carro da garagem? Acho isso uma afronta à cidadania. Assim como a ideia de pedagiar as marginais. Precisamos construir uma cidade que dependa menos do carro. E não incomodar ainda mais o cidadão que já é suficientemente incomodado.

E qual seria a primeira obra para a solução definitiva do problema do transporte nas grandes cidades?

É uma obra que custa muito em termos políticos e nada em termos de dinheiro: fazer a efetiva descentralização administrativa da cidade. Quando trocaram as administrações regionais pelas subprefeituras, houve esperança de que finalmente estávamos no bom caminho. Só que a coisa andou um quarteirão e parou. As subprefeituras têm hoje mais atribuições e alguma liberdade de atuação, mas só serão efetivas no momento em que houver descentralização orçamentária e política. Ou seja, quando as subprefeituras forem de fato o que nome diz, com autonomia e conselhos de representantes dos bairros para a definição de prioridades. Tudo isso já está previsto em lei, no Estatuto da Cidade, na Lei Orgânica e no Plano Diretor, só que nunca foi implementado. As grandes avenidas, o metrô, o sistema de saúde e as redes em geral permaneceriam centralizadas – mas a gestão na ponta seria local. Assim, as intervenções físicas que geram o redesenho da cidade passariam a ser de menor porte e muito mais baratas. É um processo integrado, e que não pode ser pensado só com asfalto.

01/08/2009 - 10:57h Fretados: guerra nas ruas e nos tribunais

Fotos Diário de São Paulo

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AGORA SP

 

As empresas de fretamento comemoraram ontem uma liminar da 9ª Vara da Fazenda Pública contra a restrição imposta pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) ao setor. Mas a festa durou pouco: às 21h de ontem, o presidente do TJ (Tribunal de Justiça), Roberto Vallim Bellocchi, derrubou a liminar e a restrição aos ônibus fretados vai continuar.

No final da tarde, a juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti havia permitido a circulação de uma parte dos ônibus de fretamento na região restrita (que engloba boa parte do centro da capital). Mas o presidente do TJ anulou, a pedido da prefeitura, a decisão.

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Polícia joga gás pimenta para dispersar manifestantes

A decisão da juíza valia para as 4.900 empresas de todo o Estado associadas aos sete sindicatos que entraram com a ação. As demais empresas, geralmente contratadas diretamente pelos usuários, seguiriam proibidas de circular.

A prefeitura estima que cerca de mil veículos transitam diariamente na área de cerca de 70 km2 de circulação restrita. Foram afetadas pela restrição cerca de 40 mil pessoas.

A Associação dos Executivos da Baixada Santista já havia pedido a suspensão da medida, mas a Justiça rejeitou o pedido nesta semana. O Ministério Público investiga se há ilegalidade na restrição.

Enquanto na Justiça a disputa acontecia, nas ruas da cidade quem usa o serviço protestava. Pelo menos quatro importantes avenidas da cidade foram bloqueadas em atos contra a restrição (leia texto nesta página). Na av. Dr. Ricardo Jafet (zona sul), a polícia usou até gás pimenta.

Sem democracia
A juíza entendeu que a restrição só poderia ser feita por lei, não por portaria da Secretaria dos Transportes, como fez a gestão Kassab. Dessa forma, a prefeitura “afastou o debate democrático sobre tema tão relevante para a população”, escreveu a juíza.

A magistrada disse, em sua decisão, que as medidas adotadas pelo poder público para regulamentar a atividade não podem restringir a liberdade e as atividades do indivíduo.

Ela registrou também que a prefeitura não fez um planejamento prévio dos locais adequados para circulação, embarque e desembarque. Isso, diz a juíza, “ocasionou inúmeros transtornos não só aos usuários dos fretados, mas também à população, que foi afetada pela ineficiência do poder público”.

O presidente do Tribunal de Justiça, no entanto, entendeu que o assunto pode ser discutido quando for analisado o mérito da ação, o que não tem data para acontecer.

Uma lei aprovada na Câmara Municipal já previa que a prefeitura tem até a semana que vem para encaminhar um projeto de lei regulamentando o setor de fretamento.

Parte dos cerca de mil fretados havia obtido autorização especial por se enquadrar nas exceções previstas.

01/08/2009 - 09:42h A Prefeitura de São Paulo acerta ao restringir a circulação dos ônibus fretados?

TENDÊNCIAS/DEBATES – FOLHA SP

NÃO

Alvo errado

HORÁCIO AUGUSTO FIGUEIRA

O SISTEMA de ônibus possui uma natureza que o qualifica como meio essencial aos deslocamentos urbanos. A essência da função de transporte exercida pelos ônibus dentro do sistema urbano pode ser comprovada facilmente, raciocinando por absurdo, numa situação de uma cidade hipotética onde só existisse um meio de transporte.
Na situação extrema de uma grande cidade em que só circulassem automóveis, seria necessária a existência de uma malha cerrada de vias expressas, trevos e espaços para estacionamento que impediriam a própria existência da cidade.
Como escreveu Arthur C. Clarke no livro “Perfil do Futuro”, de 1962: “(…) os veículos -exceto os de utilidade pública- não podem por muito tempo ser permitidos em áreas urbanas. Se os carros particulares continuarem a trafegar no interior das cidades, teremos de colocar todos os edifícios sobre pilotis, a fim de que toda a área do terreno seja usada para avenidas e parques de estacionamento, e mesmo isso não resolverá o problema”.
No entanto, pode-se imaginar uma cidade em que só existam ônibus. Sendo um sistema de média capacidade e de trajetos flexíveis, é possível encontrar um arranjo para os desejos de viagens dos usuários em termos de origem-destino e de conforto em que o sistema urbano não será fundamentalmente diferente do que se conhece e se aceita como sendo uma cidade, sem contar as consideráveis facilidades de adaptação às transformações intraurbanas e à expansão de áreas periféricas.
Para transportar 35 pessoas viajando sentadas numa faixa de tráfego, um ônibus convencional ocupa 15 metros. Por sua vez, para transportar as mesmas pessoas em carros, são necessários 25 automóveis (ocupação média de 1,4 pessoa/automóvel e 6 metros/automóvel) e cerca de 150 metros -ou seja, forma-se uma fila de uma quadra e meia.
Os usuários do transporte individual impõem à sociedade os maiores dispêndios em energia, investimentos para obras de sistemas viários com eficiência duvidosa, custos dos congestionamentos, poluição do meio ambiente, acidentes de trânsito, doenças respiratórias etc.
É preciso criar urgentemente o conceito de “engenharia de transporte de pessoas”, incluindo o pedestre, e não só o de “engenharia de tráfego de veículos individuais”.
Para corroborar esses conceitos, consolidados no meio técnico, e ter números sobre a demanda real de veículos e pessoas, realizei para o setor de fretamento uma pesquisa técnica independente nas avenidas Paulista, Engenheiro Luiz Carlos Berrini e Brigadeiro Faria Lima, no horário das 15h às 20h, em dias úteis, durante o mês de junho deste ano.
Para o cálculo do volume de tráfego de veículos, é necessário conhecer a composição do tráfego e, para os veículos de dimensões maiores, usa-se um fator de equivalência em UCP (unidade de carro de passeio).
Em termos de engenharia de tráfego, a pesquisa mostrou que o volume de veículos que está causando a maior ocupação das vias pesquisadas e com menor eficiência é o de automóveis/ utilitários, táxis e motos, com 87,6% de participação do total em UCP e transportando, em contrapartida, apenas 48,6% das pessoas.
Por sua vez, o transporte coletivo como um todo (SPTrans, EMTU, escolar, fretado etc.) representa apenas 11,8% da ocupação total do viário em UCP e transporta 50,9% das pessoas. No caso específico dos ônibus fretados, eles representam apenas 2,6% do tráfego em UCP, mas transportam 17,5% das pessoas nas seções e horários pesquisados.
É importante observar que, no caso dos automóveis e táxis, 70% deles circulam somente com o condutor. O congestionamento em São Paulo não é, com certeza, causado pelo transporte coletivo e muito menos devido ao fretamento. É causado, isto sim, pelo transporte individual, que ocupa cerca de dez vezes mais espaço no sistema viário.
Se cada ônibus fretado eliminado gerar no mínimo três novas viagens de automóveis, o resultado em termos de tráfego em UCP será o aumento da fila de congestionamentos.


HORÁCIO AUGUSTO FIGUEIRA , 57, mestre em engenharia de transportes pela USP, é consultor independente em engenharia de tráfego e de transportes e vice-presidente da Associação Brasileira de Pedestres.

horah2001@ig.com.br

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.brTENDÊNCIAS/DEBATES

SIM

O desafio de regular o espaço público

IRINEU GNECCO FILHO

SÃO PAULO é uma cidade de 11 milhões de habitantes que diariamente saem de suas casas, usufruindo do direito de ir e vir, a bordo de uma frota circulante de aproximadamente 3,5 milhões de veículos.
Todo esse movimento não se dá de forma distribuída no espaço e, muito menos no tempo. A grande maioria sai com destino ao trabalho ou à escola logo cedo e faz o caminho inverso no final da tarde ou começo da noite. Imensos contingentes se dirigem a alguns poucos pontos nevrálgicos.
O desafio de fazer com que as vias comportem toda essa massa em movimento é comum aos gestores das grandes metrópoles. Cabe ao poder municipal mediar conflitos de interesse em relação ao uso do espaço público viário, e a prefeitura sabe que só há um caminho: organizar o trânsito e investir no transporte público.
Ao andar por Londres ou Tóquio, ninguém verá caminhões trafegando pelas ruas centrais e muito menos ônibus que não pertencem ao sistema público de transporte parando de ponto em ponto. É necessário estabelecer horários, rotas e tipos de veículo para evitar que todos se aglomerem nos locais mais procurados na hora que for mais conveniente.
Foi assim, inicialmente, com os proprietários de carros particulares, por ocasião da adoção do rodízio de placas. Foi assim, no ano passado, com os caminhões, que foram obrigados a se programarem para entrar na área de restrição só no período noturno. Ambas as medidas trouxeram ganhos incontestáveis para a fluidez do trânsito e para os níveis de poluição.
Estudos realizados pela Secretaria Municipal de Transportes mostraram que um grande número de veículos fretados trafegava no mesmo horário em vias importantes da cidade, parando em vários lugares e dificultando a passagem dos demais veículos, especialmente dos coletivos da rede municipal. Ficou clara a necessidade de regulamentar esse tipo de atividade de modo a coibir os excessos.
A regulamentação foi feita e a expectativa era obter um ganho de 11% na fluidez do trânsito dentro da área de restrição. Os primeiros resultados superaram as projeções.
No primeiro dia, mesmo com a chuva e as dificuldades naturais de uma nova rotina, o ganho em termos de fluidez, no pico da manhã dos fretados (7h às 8h30), foi de 11,5%. No pico da tarde, a diferença cresceu para 13%. Na terça-feira, os números foram ainda melhores, sendo registrada queda na lentidão de 25% pela manhã e de 26% pela tarde.
Porém, os resultados que mais interessam à prefeitura são os obtidos na velocidade dos coletivos públicos. Nos quatro primeiros dias da restrição, a velocidade dos ônibus municipais que circulam na Radial Leste, no horário da manhã, em direção ao parque Dom Pedro, aumentou, em média, 7,5%. No período da tarde, no sentido oposto, o ganho foi de 5,1%.
No corredor da avenida 23 de Maio, os coletivos da rede municipal rodaram, em média, 3,6% mais rápido pela manhã. À tarde, os ônibus para o centro desenvolveram velocidade 13,5% superior à média dos últimos dois meses.
Apesar de ser um período curto para uma avaliação definitiva, os índices apontam uma clara tendência de sucesso da regulamentação. E mostram, sobretudo, como é possível, com mudanças que atingem uma parcela mínima das pessoas que circulam por São Paulo, obter ganhos que representam uma melhora na qualidade de vida de todos.
Só esses dados já justificam a adoção das novas medidas, mas elas trarão outros avanços, que virão ao longo do tempo. Um deles é a renovação da frota, que proporcionará mais conforto e segurança para os passageiros. Mas o mais importante é a queda nos níveis de poluição aérea da cidade. A redução dos congestionamentos, o combustível mais limpo que os veículos fretados serão obrigados a utilizar e a inspeção veicular à qual terão de se submeter garantirão uma menor emissão de poluentes no ar, que será sentida por todos.
Por todos esses motivos, só posso reafirmar minha convicção de que a nova regulamentação do transporte fretado de passageiros é uma decisão acertada e dizer que estou profundamente satisfeito por fazer parte de uma administração municipal que teve a coragem de enfrentar o problema de forma aberta e democrática e aplicar a solução melhor para toda a população de São Paulo.


IRINEU GNECCO FILHO é diretor de Planejamento e Segurança da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo.

01/08/2009 - 09:02h Quem tem medo dos fretados?

OPINIÃO


FERNANDO SERAPIÃO ESPECIAL PARA A FOLHA

O CONCEITO de densidade urbana relaciona área e quantidade de habitantes. Em tese, quanto mais densa for uma cidade, menor é o custo de sua infraestrutura. A mobilidade é a chave da questão: municípios mais densos necessitam de menor rede de transporte.
Apesar da aparência contrária, em média, São Paulo é uma cidade pouco adensada (e muito extensa). Tal modelo -resultado de ações políticas e econômicas equivocadas de décadas e décadas- é ineficiente e caminha para o inviável.
A atual aceleração da construção de novas linhas é louvável, mas sejamos realistas: não há arrecadação suficiente para construir o sonhado metrô para toda a cidade. Se não podemos recomeçar do zero, então, qual é a alternativa?
Na cartola do técnico não existem propostas mirabolantes: a solução recai sobre um sistema integrado, que inclui trens, metrôs e, sobretudo, ônibus; que possui baixo custo de implantação, flexibilidade e largo alcance. Por isso, deveríamos apostar nos corredores de ônibus -de desenho civilizado, com canteiros arborizados, paradas confortáveis etc.
No dia 10 de julho, o “New York Times” publicou uma reportagem (reproduzida pela Folha) que louvou o sistema de ônibus de Bogotá, na Colômbia.
Contudo, Enrique Peñalosa -ex-prefeito da cidade e o responsável por implantar o sistema de corredores de Bogotá- diz que seu modelo foi Curitiba.
Com a solução longe do horizonte, cada cidadão resolve o problema à sua maneira. Uns caminham, outros vão de bicicleta e motocicletas. Há o táxi e aí vem o mototáxi. Mas a coqueluche é o transporte individual: enquanto, no período entre 2000 e 2009, o aumento populacional esteve na casa dos 5%, a frota de veículos da cidade aumentou cerca de 18%.
Claro que a malha de ruas e avenidas não cresceu na mesma proporção. Ela está saturada e também não há verba para novas vias e desapropriações.
Partiu da iniciativa privada outra alternativa: os ônibus fretados, tal como as lotações, surgiram da incapacidade do poder público em oferecer soluções que prestem um serviço público de transporte com conforto, segurança e qualidade.
A prefeitura acertou ao procurar disciplinar o fluxo de ônibus fretados em parte do centro expandido: com a tendência de crescimento, mais dia ou menos dia a situação ficaria insustentável. Contudo, após uma semana com novas regras, fica evidente que a municipalidade errou ao improvisar soluções que testam o sistema tendo o cidadão como cobaia.
Como muitos dos usuários de fretados fugiram do atual sistema de transporte público, não é um erro forçá-los a voltar? Os números parecem que não são confiáveis, mas vamos arriscar um cálculo simples.
Fala-se em cerca de mil veículos fretados que circulavam na área recém-proibida. A volta de 10% dos usuários de fretados para o veículo particular -estamos falando de 4.000 carros- significará um aumento de um quarto da área física nas vias públicas dentro da área proibida que os ônibus ocupavam.
Fora da zona restrita, a área dobraria. Vale a pena?
A municipalidade, ao invés de coibir, deveria estimular este tipo de solução, construindo, por exemplo, terminais adequados e vias de circulação restrita. Ao que tudo indica, os fretados, se fossem bem equacionados, poderiam diminuir o número de automóveis em circulação -e é disso que a cidade precisa. Afinal de contas, mesmo não sendo ideais, eles são um transporte de massa, viável e realista, que atende ao bem comum. Quem é mesmo que se interessa pelo contrário?


FERNANDO SERAPIÃO é arquiteto, urbanista e editor-executivo da revista “Projeto Design”