15/09/2008 - 14:57h 102 Km de corredores construídos na gestão Marta


PAINEL DO LEITOR 

Dados em debate

 

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“A Folha (13/9) afirmou que Marta Suplicy inflou números no debate da TV Bandeirantes, ao dizer que construiu 100 Km de corredores de ônibus. Segundo o jornal, Marta construiu apenas cerca de 50 km e reformou os já existentes.

marta_corredores1.jpgDe acordo com dados da Secretaria Municipal de Transportes, Marta construiu 67 km de novos corredores de ônibus. Dos 39 km existentes quando assumiu o governo, reformou 35 km, como foi o caso do velho e deteriorado corredor 9 de Julho, que foi demolido e reconstruído, ganhando nova estrutura de funcionamento, novas pistas, calçadas, canteiros e pontos de ônibus.

marta_corredores.jpgTalvez a Folha não considere essa intervenção uma construção. Mas é. Os 67 km de novos corredores e os 35 km reestruturados e reformados totalizam 102 km de corredores construídos na gestão Marta.”
MÁRIO MOYSÉS , assessoria de imprensa da campanha de Marta Suplicy (SP)

12/09/2008 - 11:38h A edição do debate

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/abre12092008.jpg

Tem o debate, e os que tiveram tempo e paciência para assistir na sua totalidade, talvez obtiveram algum esclarecimento sobre os temas em confronto. Duvido, mas talvez sim.

Depois vem a edição dos jornais, hoje. Certo com menos audiência, eles podem aportar com informações, as questões abordadas pelos candidatos.

Lamentavelmente não é o caso. Na melhor, eles reproduzem o que consideram as frases de efeito ou mais importantes dos candidatos e pouco é aprofundado.

Vou dar um exemplo, na Folha SP é reproduzido assim o confronto sobre impostos e dívidas patrocinado pelo ataque de Alckmin a Marta:

“O tucano também direcionou sua pergunta a Marta. Bateu na tecla de que ela criou taxas na prefeitura (2001-2004) e, mesmo assim, “deixou um rombo de R$ 1,8 bilhão”.
A petista contestou os números, lembrando que ações que questionavam suas contas foram arquivadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal). A ex-prefeita, no entanto, responde a ação movida pelo Ministério Público Estadual.
No bate-boca, Alckmin ainda acusou Marta de não ter pago “a conta de energia”, apesar de ter criado a taxa de iluminação. “É a má gestão completa.” Na verdade, o que veio à tona nos últimos dias é que uma dívida da taxa do lixo de um dos apartamentos da ex-prefeita, que é alugado, estava pendente de pagamento.”

Percebe-se que a (ou o) jornalista “registra” a acusação “deixou um rombo de R$ 1,8 bilhão”. O jornalista não contesta os números de Alckmin, ele só registra… para depois questionar a validade da resposta de Marta, acrescentando que ela “responde a ação do MPE”. A inverídica cifra de Alckmin, contestada pelos dados do TCM, das resoluções aprovando as contas de Marta e pelo julgamento que arquivou no STF o questionamento das contas, é dada como dado e a replica de Marta como objeto de dúvida.

O jornalista faz mais e com pretexto de “corrigir” nova afirmação inverídica de Alckmin, reproduz o factöide que Kassab levou para a capa da Folha, sem sequer dizer que essa taxa de 2003 nunca reclamada, já foi quitada.

No mesmo artigo, a seguir, o embate sobre a saúde, entre Marta e Kassab é apresentado assim:

Kassab, que está em empate técnico com Alckmin, com 18%, foi questionado na área de saúde tanto por Marta quanto pelo tucano. A petista afirmou que o prefeito tenta vender a idéia de “ilha da fantasia” no setor.
O tucano disse que o pior problema de São Paulo é a saúde. “Infelizmente, a sua gestão, Marta, não foi aprovada, por isso você não foi reeleita, foi muito mal na saúde. E hoje ela é o carro-chefe da nossa administração”, respondeu Kassab.”

Curioso, o jornalista “esqueceu” que o “carro-chefe” tem, segundo o próprio Kassab, a aprovação só de 30%, contra 70% que desaprovam. A “correção” aqui parece querer sonegar essa informação que Kassab deu ontem aos tele-espectadores da Band.

Na sua intervenção sobre transporte, Geraldo Alckmin fez uma radiografia da situação da administração Kassab que foi uma verdadeira ata de acusação, até com o drama real dos passageiros (o jornal destacou a frase “A responsabilidade da prefeitura é ônibus. São 9 milhões de viagens por dia. Sistema ineficiente, passagem cara, ônibus lotado, de Alckmin”). No artigo “sumiu” o diagnóstico sobre o transporte e ficou assim:

“Em disputa acirrada pelo segundo lugar, Kassab e Alckmin pouco se enfrentaram durante todo o debate, mas isso não impediu uma “surpresa” no final. Em suas considerações finais, quando já passava da meia-noite, o prefeito atacou Alckmin na área da educação. “O ex-governador Geraldo Alckmin esteve 12 anos à frente do governo do Estado, sendo seis como governador. A educação não foi bem no seu governo, basta conversar com professores do Estado e da prefeitura.”
Irritado, Alckmin rebateu o prefeito em entrevistas, após o debate, dizendo que Kassab “mentiu” e não teve “coragem” de atacá-lo durante o programa. Numa das poucas críticas indiretas ao prefeito que fez no debate, Alckmin fez menção ao déficit de vagas em creches da prefeitura.”

Aqui o artigo não nos esclarece como deveria. Poderia, por exemplo, dizer que os resultados das avaliações sobre a educação estadual, onde a média das notas da rede no ensino médio é de 1,41 na escala de 0 a 10, sustentavam a critica de Kassab. Podia também dizer que não só Alckmin, mais vários dos concorrentes fizeram clara referência ao déficit de 110 mil vagas em creches, déficit da gestão Kassab.

Como se vê, prolixo quando fala de taxa de lixo de um flat de aluguel de Marta, ou de dívidas, a edição do debate feita pela Folha é menos informativa em questões de outra envergadura. Isto também é assim, por exemplo, sobre a questão de impostos.

No ataque de Alckmin a Marta o candidato tucano acusou a petista de aumentar impostos e se apresentou em apóstolo da redução tributária. Nenhuma menção é feita pelo jornal que José Serra anunciou faz dois dias que reveria essas situações criadas pelo seu predecessor. Pior, nenhuma palavra sobre o fato que o maior aumento da carga tributária foi obra do tucano FHC, que a fez crescer de 27% do PIB a 36% em 8 anos.

Se o debate foi pobre na Band ontem -o formato só pode produzir debates assim-, a edição dos jornais nada fez para aportar as informações aos seus leitores. O exemplo aqui é a Folha, mas os outros não foram melhores.

Luis Favre

07/09/2008 - 12:03h Ombudsman da Folha se esforça, se esforça…

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ombudsman/images/ombudsman22102000.jpgDo trololó…

Em 12 de agosto, a Folha publicou no alto da página B6 que o governador José Serra afirmara que os dados do governo federal sobre investimentos do PAC no Estado de São Paulo eram “trololó”.

Em minha crítica à Redação, escrevi: “O jornal tem a obrigação de tentar apurar de maneira independente e avalizada se o governador está certo em sua denúncia e publicar com destaque o resultado da apuração que fizer”.

Nem isso foi feito nem os dados e informações que o governo federal passou ao jornal sobre o assunto foram publicados. O jornal errou. O leitor foi informado só da acusação do governador; não teve acesso à defesa do governo federal. (Folha SP - coluna do Ombudsman)

15/06/2008 - 10:35h Ombudsman: discutindo o rabo presso

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A questão do apartidarismo

CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA

ombudsman@uol.com.br


Para o jornal, ser visto como imparcial por todos é impossível; o pior é que não basta ser: tem de parecer ser

NESTA semana, o ombudsman recebeu 42 mensagens de leitores que se queixavam de falta de apartidarismo da Folha. Destas, 37 diziam que o jornal foi a favor do PSDB em diversos episódios e cinco achavam que ele favoreceu o PT.
É muito para quem tem de responder a todas pessoal e individualmente. Mas não chegam a 20% do total endereçado ao ombudsman e são menos de 10% da correspondência enviada ao jornal e nem 0,01% do total de leitores.
Claro que não é o critério estatístico que determina a representatividade de um grupo de leitores. Os que se dirigem ao jornal, mesmo poucos, são significativos e importantes.
Mesmo o contingente que se manifesta por motivação ideológica ou partidária é representativo e deve ser levado em conta pelo ombudsman, que tem de representar todos os leitores, inclusive aqueles que não se dirigem a ele.
O apartidarismo é um dos pilares do Projeto Folha desde 1984 e continua sendo, segundo manifestação da Secretaria de Redação a mim esta semana.
Ele foi elevado a essa condição dentro de uma lógica de mercado, não ética nem política: o público leitor é composto por pessoas que têm diversas visões de mundo e o jornal não pode abrir mão de nenhum desses grupos.
Eduardo Guimarães, um dos mais incisivos críticos da mídia, com quem tenho intensas diferenças de opinião mas por quem tenho respeito intelectual, diz que um jornal que resolvesse alienar uma parcela dos leitores que vota num partido com o desempenho eleitoral que tem tido o PT no Brasil estaria dando um tiro no pé.
É verdade. Por que a Folha o faria? Uma hipótese é que estaria apostando que num futuro governo federal tucano, ela teria tantas vantagens que compensaria o prejuízo da alienação de leitores atual.
Aí, entra-se no território das crenças porque é impossível comprovar essa teoria. Eu não acredito nessa possibilidade. Se acreditasse, não teria aceitado o convite para ocupar este cargo e, se um dia vier a crer nela, eu o deixarei.
Três episódios recentes concentraram os ataques contra a Folha por parte de quem a julga tucana: o caso Alstom, a crise gaúcha e a reportagem sobre doações partidárias.
No caso Alstom, o jornal “saiu atrasado”, como admite a Secretaria de Redação. Depois do atraso, continuou tímido por semanas. Despertou depois que o concorrente tomou a iniciativa, mas permaneceu mal. Levou um mês para se manifestar em editorial.
Na sexta, afinal, produziu uma reportagem convincente com informações exclusivas e apontou com clareza a ligação dos envolvidos com os governos do PSDB em São Paulo.
Na crise gaúcha, o jornal também fez cobertura modesta até esta semana, quando afinal -na terça e na sexta- o assunto foi para a capa.
O pior caso, para mim, é o das doações partidárias, reportagem publicada com destaque no dia 26 de maio. Dediquei um terço da coluna de 1º de junho ao tema: a reportagem tratava de forma claramente desigual doações legais feitas a PSDB e PT por empresas que depois ganharam contratos dos governos federal e dos Estados de São Paulo e Minas Gerais.
Embora o valor dos contratos em relação às doações fosse muito maior no caso do PSDB, toda a ênfase foi dada aos do PT.
Pedi que a Secretaria de Redação explicasse o critério e sua resposta não me convenceu: no caso do PT, os pagamentos pelo governo já foram feitos e no do PSDB, eles ainda não foram realizados.Teria sido melhor, a meu ver, reconhecer um erro de avaliação.
Ser apartidário num ambiente de divisão política acirrada é muito difícil. Ser visto como imparcial por todos é impossível. O pior é que não basta ser: é preciso parecer ser. Nestes três casos, a Folha muitas vezes não pareceu ser.

06/06/2008 - 09:27h Até que em fim. Grupo Folha põe Alstom e PSDB no seu lugar

 

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FOLHA DE SÃO PAULO

 

EDITORIAL JORNAL AGORA SP (grupo Folha)

Suspeitas no Metrô

Uma investigação internacional sobre corrupção grossa no Metrô está deixando os tucanos paulistas de orelha em pé. Na ponta supostamente pagadora da propina está a Alstom, gigante multinacional que fabrica material de transporte. Na outra estariam autoridades brasileiras.

As investigações começaram na França e na Suíça e abrangem o período de 1995 a 2003. Correspondem aos governos de Mário Covas, que morreu em 2001, e de Geraldo Alckmin.

Uma das informações que vazaram da investigação, publicada pelo jornal americano “The Wall Street Journal”, é a de que a Alstom teria molhado a mão de autoridades estaduais com US$ 6,8 milhões para obter contratos de US$ 45 milhões com o Metrô.

A papelada produzida por promotores estrangeiros chegou ao Brasil, no Ministério da Justiça. Já se sabe que um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo teve relações bastante amigáveis com as causas da Alstom.

Mas a largura do propinoduto, bem como o número e a filiação dos beneficiários, parece ser maior. Fala-se em US$ 13,5 milhões enviados a empresas de fachada para corromper autoridades brasileiras nas áreas de atuação da multinacional.

Não faz sentido, diante de tamanho cheiro de falcatrua, que o governador José Serra e o ex-governador Alckmin atribuam tudo a uma jogada política da oposição. Age mal a bancada dos deputados governistas na Assembléia Legislativa, ao enterrar qualquer tipo de apuração sobre o escândalo. É preciso que a verdade venha à tona, doa a quem doer, com direito a CPI e tudo o mais.

FOLHA DE SÃO PAULO

Editoriais

Fatos e suspeitas

Revelações em torno do caso Alstom exigem investigação rigorosa, que o PSDB bloqueia com arrogância e impavidez

É O KIT dos petistas em atuação. Assim reagiu o governador de São Paulo, José Serra, diante das reações que o caso Alstom começa a provocar no ambiente político. Não que seu partido, o PSDB, seja contrário a investigar as suspeitas de irregularidade nos contratos da multinacional francesa com o Metrô e a Eletropaulo.

Não, de jeito nenhum. Serra prontificou-se a cooperar com as investigações, “se mais informações aparecerem, porque até hoje não apareceram”.

Num raro exemplo de convergência na cúpula peessedebista, o ex-governador Geraldo Alckmin acompanhou os trilhos da argumentação de seu notório rival. “Você tem suspeitas. Qual é o fato? Eu acho que nós vivemos um período em que se quer confundir a opinião pública.”

Confunde-se a opinião pública, é certo. A confusão começa quando Alckmin dissocia “fatos” de “suspeitas”. Há vários fatos. E são esses fatos que despertam suspeitas a respeito das tão propaladas qualidades gerenciais e éticas do tucanato paulista.

Em maio deste ano, um órgão de imprensa insuspeito de petismo, “The Wall Street Journal”, publicou a notícia de que a Alstom gastou US$ 6,8 milhões em propinas para ganhar licitação com o Metrô de São Paulo.

Cerca de R$ 13 milhões foram repassados pela Alstom, segundo dados do Ministério Público da Suíça (tampouco um órgão conhecido por ter petistas infiltrados em seus gabinetes), a empresas de fachada, de modo a azeitar as engrenagens do sistema.

Uma das empresas, segundo as autoridades suíças, pertence a um colaborador próximo de Robson Marinho. Este foi coordenador da campanha eleitoral de Mário Covas e chefe da Casa Civil de 1995 a 1997, em seu primeiro mandato. Marinho é hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.

O conselheiro admite ter tido suas despesas pagas pela Alstom quando viajou à França para assistir aos jogos da Copa do Mundo de 1998. Foi também, no âmbito do TCE, o único defensor da prorrogação, por dez anos, de um contrato do Metrô com a empresa, previsto para durar três anos apenas.

Eis alguns fatos suficientes para justificar a mais rigorosa investigação. O governador José Serra declarou seu interesse em empreendê-la. Terá provavelmente esquecido de avisar seu líder na Assembléia Legislativa, o deputado Barros Munhoz. A sólida base tucana rejeita a criação de uma CPI para o caso.

Sem dúvida, é o “kit PSDB” que está operando, com especial eficiência, numa Assembléia Legislativa desfibrada por longos anos de governismo. É também o “kit PSDB” que, com impavidez a toda prova, se vende para a opinião pública como exemplo de modernidade gerencial.

30/05/2008 - 14:15h Caso Alstom

Blog de Nassif

O Estadão dá uma matéria detalhada sobre os meandros do ciclo de dinheiro no caso Alston. Ainda tem muito para caminhar, mas há ingredientes para ser um escândalo de proporções enormes. Clique aqui. São 34 milhões de francos franceses que circularam pela alta esfera.

Já a Folha dá uma suite sobre o pagamento de R$ 120,00 da Internet de um dos filhos do Lula com cartão corporativo. A matéria, relevante, diz que a quantia foi ressarcida.

enviada por Luis Nassif

26/05/2008 - 13:59h Doação ao PSDB dá às empresas retorno 26 vezes maior do que doação ao PT

O jornalista Luiz Antonio Magalhães fez as contas e pegou a Folha em flagrante sem-vergonhice. Como já apontei aqui no blog a parcialidade da Folha SP tem lado, não é gratuita e a tendência esta cada vez mais acentuada. Sob pretexto de apurar as contas das doações de campanha dos partidos e sem denunciar qualquer irregularidade de quem quer que seja, a Folha insinua… mas veja só o que Luiz Antonio viu

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Entrelinhas

Mídia & Política

Dois pesos, duas medidas

Mais uma colaboração deste blog para a série “Como a grande imprensa manipula o noticiário”:A Folha de S. Paulo desta segunda-feira publicou na primeira página a chamada a seguir:A cada R$ 1 doado ao PT, empresas recebem R$ 54Pois bem, o leitor vai lá para dentro do jornal e lê a matéria, publicada na página A4 com os seguintes título e linha-fina (grifos em vermelho do blog):

Governo paga a empresas 54 vezes o que doaram ao PT

Só das 20 maiores contribuintes, partido recebeu R$ 8,7 milhões no ano passado

No segundo mandato de Lula, empresas receberam R$ 473 milhões do governo federal; PT foi o partido que mais obteve contribuições

Mas eis que o distraído leitor vira a página e se depara com a seguinte preciosidade (grifos em vermelho novamente deste blog):

Doadoras do PSDB obtêm contratos de R$ 3,4 bilhões

Andrade Gutierrez e Odebrecht ganharam licitações em Minas Gerais e São Paulo

Construtoras doaram ao todo R$ 2,4 milhões ao partido nacional em 2007; empresas dizem que doação foi feita de acordo com a lei

Ora, para chegar nos tais R$ 54 que as empresas doadoras do PT receberam a cada R$ 1 doados ao partido, a Folha dividiu o total recebido (R$ 473 mi) pelo total doado (R$ 8,7 mi). No caso do PSDB, a mesma divisão mostra que a cada R$ 1 doado aos tucanos, as empresas receberam exatos R$ 1416. Mas o jornal paulistano achou que os cinquenta e quatro contos do PT merecem mais destaque do que os R$ 1416 do PSDB. Uma manchete justa talvez fosse “Doação ao PSDB dá às empresas retorno 26 vezes maior do que doação ao PT

Assunto para Carlos Eduardo Lins da Silva, o novo e competente ombudsman da Folha.

Postado por Luiz Antonio Magalhães

19/05/2008 - 10:14h Ponte da Marta: ombudsman da Folha começou mal

Reunião com o ombudsman

Escrito por Eduardo Guimarães

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Ver também A memória da Folha sobre a ponte da Marta

A semana começa assaz interessante, por assim dizer. Como relatei na semana que passou, nesta terça-feira tenho uma reunião com Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da Folha de São Paulo, na sede do jornal, às 15:20 hs da tarde.

O anúncio dessa reunião gerou umas boas dezenas de comentários, contendo “perguntas” que deixarei com o jornalista em questão quando me reunir com ele. Algumas delas, dentre todas as que vocês fizeram, predominaram: afinal, o que é que ele quer comigo? Por que, dentre tantos críticos da Folha, sobretudo blogueiros, fui chamado? E para que fui chamado?

Lins da Silva havia me feito um convite para assistirmos juntos a uma edição do programa Roda Viva veiculada pela TV Cultura pouco antes de ele ser convidado pela Folha para ser seu ombudsman. Naquele programa foi entrevistado o chanceler Celso Amorim. Eu critiquei a condução do programa por Lins da Silva, pois ele não interviu severamente quando os jornalistas do PIG ali presentes mal deixavam o entrevistado exercer seu direito de expressão, sobretudo na condição de entrevistado do programa. O ombudsman diz que não foi assim e quer debater o assunto.

Contudo, como vocês viram no convite que ele me fez e que reproduzi aqui, ele me convidou assinando-se como ombudsman da Folha e para uma reunião na sede do jornal. Ora, é óbvio que aí tem. Sobretudo devido ao fato de que o convidado (eu) é justamente quem tomou a iniciativa de fazer uma representação ao Ministério Público Federal em nome da ONG Movimento dos Sem Mídia, na qual se pede investigação para o que acredito ter sido promoção de alarmismo na questão da febre amarela, uma questão sobejamente conhecida.

São muitos os que têm questionado a Folha e seu novo ombudsman. A virtual demissão do ex-ombudsman Mário Magalhães, que a Folha diz que não demitiu, mas que, a rigor, empurrou para a demissão ao, sob justificativa implausível, retalhar seu trabalho eliminando a publicação de sua crítica interna diária na internet, bem como as primeiras declarações de Lins da Silva, como a de que os blogs não têm importância e de que a mídia perdeu influência, mas não credibilidade, tornarão o debate interessante.

Nesse aspecto, vale a pena ler o que o ombudsman escreveu em sua última coluna dominical, publicada na Folha deste domingo, 18 de maio, e que versa sobre a incoerência do veículo por ocasião da inauguração da “Ponte Estaiada”, sobre o rio Pinheiros, em São Paulo, pelo prefeito Gilberto Kassab e pelo governador José Serra. A opinião da Folha mudou radicalmente sobre a obra licitada em 2005 pela prefeita Marta Suplicy, quando, então, foi duramente criticada pelo jornal, mas agora a obra foi coberta de termos edificantes por quem antes a criticava, tendo tais criticas sumido, obviamente devido ao fato de que a administração paulistana deu à ponte o nome do fundador da Folha.

Lins da Silva abordou o assunto em sua última coluna pública. Vejam:

Folha de São Paulo, domingo, 18 de maio de 2008

por Carlos Eduardo Lins da Silva - ombudsman

A memória da ponte

O ombudsman recebeu 23 questionamentos sobre a cobertura da inauguração da ponte Octavio Frias de Oliveira no domingo passado.

Todas para saber por que o jornal, que três anos antes havia publicado editorial para condenar a obra, agora a noticiava sem nenhuma crítica à construção.

Nas mensagens, era possível perceber motivações diversas. Havia desde pessoas claramente sinceras no seu desejo de esclarecer o que lhes parecia uma contradição até indisfarçáveis articulações de cunho político-partidário.A Folha teria se poupado desse desgaste previsível se tivesse publicado na página que registrou a solenidade uma simples retranca para lembrar sua posição sobre a obra no passado e agora.Instada pelo ombudsman, a Secretaria de Redação enviou a seguinte nota: ‘A Folha considerou e considera que a obra, dispendiosa, não é prioritária. Essa era a opinião pessoal do próprio sr. Octavio Frias de Oliveira. Hoje, a ponte é uma realidade. Foi completada, aliás, num período em que as finanças da prefeitura melhoraram. Essas considerações não têm relação com o fato de, agora, o poder público homenagear o sr. Frias batizando a ponte com seu nome. Seria descabido que a Folha ou a família Frias rejeitassem uma homenagem a seu líder’.Parece-me uma explicação justificável. Deveria ter constado do noticiário de domingo. Assim como também poderia ter sido lembrado pela reportagem que a ex-prefeita Marta Suplicy, responsável pelo início do projeto, não foi convidada para a inauguração.“Antes dessas considerações, na primeira parte da coluna de domingo 18 de maio o ombudsman fez a primeira crítica óbvia e inevitável à Folha desde que assumiu. Foi na questão do tratamento que o jornal tem dado ao vazamento de dados da Casa Civil contendo informações sobre os gastos pessoais da família Fernando Henrique Cardoso quando este ocupava o Palácio da Alvorada.

Confiram:

Jornal não é corte de Justiça


Ao se arvorar na condição de tribunal, a Folha incorre em risco de cometer injustiças, confundir o público e perturbar o andamento da JustiçaIMPRENSA não é tribunal. Quando um veículo de comunicação se arvora nessa condição incorre em risco de cometer injustiças sérias, confundir o público e perturbar o andamento da Justiça.
A Folha trilhou este perigoso caminho ao longo da semana ao designar José Aparecido Nunes Pires como “vazador” ou “responsável pelo vazamento” do dossiê sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, antes mesmo de ele ter sido indiciado pelo crime de violação de sigilo funcional.
O ‘Manual da Redação’ deste jornal é claríssimo, no verbete ‘acusações criminais’ (página 155), ao determinar: ‘Até que seja condenada em definitivo pela Justiça, a pessoa deve ser tratada como suspeita, acusada, ré ou condenada em determinada instância. Esse procedimento visa evitar prejulgamentos e preservar a imagem de personagens do noticiário’.
Essa resolução tem sido quase sempre estritamente cumprida desde a primeira edição do ‘Manual’, há quase 25 anos. No passado, nem réus confessos de homicídio foram chamados de assassinos pelo jornal antes do seu julgamento. Desobedecê-la agora é um precedente temerário.
Ao longo da semana, registrei muitas vezes na crítica interna à Redação meu desassossego com o assunto. Requisitei formalmente à Secretaria de Redação que explicasse as razões do procedimento.
A resposta foi que o jornal ‘tem certeza’ de sua apuração. Para mim, essa justificativa não é aceitável. Decisões sobre culpabilidade de acusados de crimes não se tomam com base em “certezas” de indivíduos.
O comportamento do jornal é particularmente incompreensível por ser concomitante com sua posição editorial exemplar no caso da prisão dos acusados pela morte da menina Isabella.
Em 9 de maio, a Folha definiu assim o que chamou de ‘humilhação’ a que foram expostos o pai e a madrasta da garota: ‘punição cruel e indelével, impingida antes e a despeito do pronunciamento da única fonte legítima para atribuir culpa neste caso, o Tribunal do Júri.’
Se o jornal acusa a Justiça de prejulgamento do casal, o que deve fazer em relação à sua própria atitude de resolver, porque tem ‘certeza’ de sua apuração, que José Aparecido Nunes Pires é culpado antes do indiciamento?
Uma tentativa para compreender essa evidente contradição poderia ser supor que haja diferença qualitativa de tratamento para acusados de crimes ‘violentos’ e acusados de crimes ‘políticos’.
Não creio que essa distinção seja cabível. Ao contrário até: crimes cometidos por motivação política deveriam ser tratados de maneira ainda mais cuidadosa pelo jornalismo, devido aos danos institucionais que podem resultar deles e da maneira como a sociedade lida com eles.
As relações entre jornalistas e agentes do Ministério Público e da Polícia Federal em casos que envolvem política são extraordinariamente complexas e freqüentemente deletérias. Vazamentos seletivos de informações têm sido feitos por motivações diversas: da busca da notoriedade à promoção de ideologias, partidos ou grupos corporativos com a conseqüência, às vezes, de vidas e reputações arrasadas injustamente.

Vão-se os anéis, ficam os dedos. Como vocês puderam perceber, para “absolver” a Folha da vergonhosa incoerência na questão da ponte Estaiada, o ombudsman faz ao jornal algumas críticas que podem ser melhor relativizadas. O objetivo é aparentar “isenção” que o credencie a decretar a “plausibilidade” de a Folha criticar duramente a obra ontem e endossá-la hoje.

A contradição é escandalosa. Ontem, a Folha descia o pau na obra; hoje, comparece em peso para prestigiá-la. Não faltou só a Folha esclarecer que antes criticava a obra, faltou também ser coerente com o que o ombudsman diz continuar sendo sua opinião, ou seja, dizer, na reportagem que tratou da inauguração, que a obra é “cara e desnecessária”. O momento da inauguração teria sido perfeito para denunciar não só o que o jornal diz que é desnecessário e caro, mas a ultrapassagem expressiva do custo previsto do projeto.

Acompanhei intensamente o trabalho dos três ombudsman anteriores a Lins da Silva. Com o antepenúltimo, Bernardo Ajzemberg, a relação foi além. Em 2002, ele me indicou, junto com mais dois leitores da Folha, para representar o leitorado do jornal nas sabatinas dos presidenciáveis Lula, Serra, Garotinho e Ciro Gomes no teatro Folha. Com Marcelo Beraba, o penúltimo, apesar de não ter estabelecido um contato mais estreito pude me aprofundar bem em seu trabalho. E com Mário Magalhães o contato foi ainda mais superficial, mas todos lhe acompanhamos o trabalho com grande atenção e admiração.

Não adianta muito fazer questionamentos sobre a Folha ao ombudsman. Ele já os recebe às pencas diariamente e sempre poderá usar a estratégia de dizer que enviou a questão à redação e reproduzir alguma sua resposta lacônica. Acho que a concentração de meu esforço deverá se dar na atuação do próprio ombudsman. As contradições de Lins da Silva continuam e pretendo explorá-las.

Aliás, gravarei a entrevista com o ombudsman pondo um gravador entre nós desde o momento em que adentrar sua sala.

Cidadania.com de Eduardo Guimarães

18/05/2008 - 10:11h A memória da Folha sobre a ponte da Marta

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“A memória da ponte O ombudsman recebeu 23 questionamentos sobre a cobertura da inauguração da ponte Octavio Frias de Oliveira no domingo passado.
Todas para saber por que o jornal, que três anos antes havia publicado editorial para condenar a obra, agora a noticiava sem nenhuma crítica à construção.
Nas mensagens, era possível perceber motivações diversas. Havia desde pessoas claramente sinceras no seu desejo de esclarecer o que lhes parecia uma contradição até indisfarçáveis articulações de cunho político-partidário.
A Folha teria se poupado desse desgaste previsível se tivesse publicado na página que registrou a solenidade uma simples retranca para lembrar sua posição sobre a obra no passado e agora.
Instada pelo ombudsman, a Secretaria de Redação enviou a seguinte nota: “A Folha considerou e considera que a obra, dispendiosa, não é prioritária. Essa era a opinião pessoal do próprio sr. Octavio Frias de Oliveira. Hoje, a ponte é uma realidade. Foi completada, aliás, num período em que as finanças da prefeitura melhoraram. Essas considerações não têm relação com o fato de, agora, o poder público homenagear o sr. Frias batizando a ponte com seu nome. Seria descabido que a Folha ou a família Frias rejeitassem uma homenagem a seu líder”.
Parece-me uma explicação justificável. Deveria ter constado do noticiário de domingo. Assim como também poderia ter sido lembrado pela reportagem que a ex-prefeita Marta Suplicy, responsável pelo início do projeto, não foi convidada para a inauguração.” (ombudsman - Folha de SP, hoje).

Algumas ponderações rápidas.

O ombudsman distingue entre os questionamentos que recebeu, os “sinceros” até os “indisfarçáveis”. Estes últimos, por serem político-partidários, seriam menos “sinceros”?

A Secretaria de Redação respondeu ao Ombudsman que “considerou e considera a obra dispendiosa”. Ou seja era dispendiosa quando custava R$147 milhões com Marta, e é dispendiosa agora que custou R$270 milhões com Kassab. Convenhamos que ela não é igualmente dispendiosa, quando dobra de preço. Porem, isto não esclarece porque a Folha sonegou esta verdade factual: com Kassab a ponte custou o dobro.

Sibilina, a Secretaria de Redação da Folha diz:(a ponte) “Foi completada, aliás, num período em que as finanças da prefeitura melhoraram”. A Ponte foi projetada como parte da Operação Urbana financiada pelos títulos criados por Marta, os CEPAC, para não usar dinheiro das “finanças da prefeitura”. Esse dinheiro arrecadado pela venda dos títulos, por lei, só podia ser usado na região para melhoras de infra-estrutura e urbanismo, o que além da ponte incluía a construção de 8.500 moradias para substituir as favelas na região. Ou seja a situação das “finanças da prefeitura” não justifica nada, menos ainda o preço pago por Kassab.

A Ponte leva o nome do fundador da Folha, que segundo a nota acima era contra esse projeto. Como ele faleceu e não tenho motivos para desconfiar que está afirmação da Secretaria de redação não seja verídica, Octavio Frias, lá no céu, deve considerar uma ofensa de ter o nome associado a uma obra inútil, dispendiosa e desnecessária. Mas o que seguramente deve te-lo deixado arrepiado e que o seu jornal tenha sonegado todas essas informações aos seus leitores, só para agradar José Serra e Gilberto Kassab.

Luis Favre

15/05/2008 - 17:58h Folha: uma triste semana para a imparcialidade jornalística

capa_ponte_folha.jpgDomingo 11 de maio a edição da Folha desmanchava-se em elogios da ponte estaiada que Marta Suplicy, com tenacidade, começou a construir como parte da operação urbana financiadas pelos Cepac’s e concebida para desafogar o trânsito nas marginais em direção ao sul, abrindo caminho para, no outro lado, permitir a junção com a Imigrantes, desafogando Av. Bandeirantes. Projeto que incluía a construção de 8.500 moradias populares, erradicando as favelas do entorno da Av. Roberto Marinho. O entusiasmo foi tanto que a Folha deixou de informar que licitada ao custo de R$147 milhões na gestão anterior, ela acabou custando o dobro na gestão Serra-Kassab. Foi passado sob silêncio os ataques proferidos por Serra e Kassab contra o projeto, hoje saudado pela Folha e os tucanos como novo cartão postal de São Paulo. Nada foi dito sobre a obra paralisada inicialmente pelos demo-tucanos e a multa que o município teve que pagar pela suspensão injustificada. Nem uma palavra, em fim, sobre o fato da atual Ministra e ex-prefeita não ser convidada a inauguração do que ela ajudou a fazer pelo bem da cidade e Last but not least, nenhuma foto de Serra e Kassab em companhia do ex-prefeito Paulo Maluf, ele sim convidado a festa.

Coube a este blog mostrar incluso, que esta reportagem ditirâmbica contrastava violentamente com editorial da própria Folha de três anos atrás, atacando o projeto, sua necessidade e seu financiamento.

Dois dias depois, na terça-feira passada, Gilberto Kassab ganhou destaque na Folha de São Paulo atacando Marta Suplicy. A jornalista da Folha detectou no ataque de Kassab, um jogo eleitoreiro para isolar Alckmin e polarizar com a provável candidata do PT. Deixou, porém, de questionar Kassab sobre o conteúdo desses ataques, que ganharam amplo destaque na edição do jornal.

“Que prioridade é essa que deixava existir na cidade de São Paulo salas de lata, escolas de lata? Que prioridade é essa que dava aumento ao professor em forma de gratificação, e não transferia para o aposentado?”, perguntou Kassab, referindo-se a antecessores. “É muito importante que todos relembrem como estava a CET no início da nossa gestão.” acrescentou o prefeito. (folha 13/5/2008).

A Folha não questionou as afirmações de Kassab e nem fez um quadro para informar os dados sobre os quais o prefeito falara.

Coincidentemente, no mesmo dia, a Folha, em outra matéria sobre a CET, forneceria um dado: o número de “marronzinhos” da CET diminuiu durante a gestão Kassab, enquanto o número de carros cresceu em 1 milhão. (ver aqui no blog A maior obra demo-tucana: 266 Km de congestionamento sexta-feira). Ou seja o questionamento aos propósitos de Kassab não exigiam muita pesquisa, estavam na própria Folha.

No dia 13 de maio, dia em que as páginas da Folha reproduziam generosamente os ataques de Kassab, a ex-Secretária de Educação da administração Marta Suplicy, Cida Perez, enviou uma carta respondendo cada um dos pontos levantados por Kassab. Até hoje a carta não foi publicada.

Nela, Cida Perez, destacava que as escolas de latas tinham sido construídas na gestão Pitta com a participação do próprio Kassab como Secretário de Planejamento. Que essas escolas começaram a ser removidas e eliminadas na gestão Marta Suplicy. A carta, não publicada até hoje, mostrava também as inverdades proferidas em relação aos salários dos professores e aposentados. Nem a carta foi publicada, nem esses dados foram informados aos leitores da Folha.

Na sua edição de hoje, precisamente na questão da educação, as palavras de Kassab “que prioridade é essa?“, encontram uma resposta nos resultados do Idesp reproduzidos com claridade na manchete do jornal O Estado de São Paulo:

De 0 a 10, ensino médio de SP tira 1,4

Só 2 colégios públicos do Estado têm índice 5 no Idesp, indicador que considera nota e adequação do aluno à série

A Folha, cumprindo com a tendência já constatada no passado pelo ombudsman da época, Mário Magalhães, e confirmada neste sucinto balanço da semana, prefiriou a manchete:

Escolas de SP terão meta de desempenho individual

Objetivo é que as instituições paulistas atinjam até 2030 um padrão semelhante ao encontrado hoje nos países desenvolvidos

Relegando para uma obscura referência no corpo do artigo o resultado do Idesp, que constitui, a bem da verdade, a nota que a gestão tucana ganhou no quesito educação ao cabo de 13 anos de gestão: 1. (ver aqui no blog Folha de SP: uma vergonha!)

Por último, chama atenção também, o silêncio dos articulistas da Folha no trato do conjunto destes fatos. Nem respostas indignadas a Kassab, nem ironias sobre a educação tucana, nem grandes proclamações éticas ou filosóficas. Nem o niilismo tradicional.
Nada.
Silêncio nas fileiras.

Luis Favre

PS - A cobertura da campanha eleitoral pelo jornal Folha de São Paulo se anuncia mal. Muita parcialidade a serviço de um lado e isto não corresponde ao compromisso com o leitor, nem a ética jornalística e configura-se numa ruptura com a história da própria Folha de São Paulo.

Os demo-tucanos podem ganhar algo com isto, mas perde a democracia e o direito a uma informação equilibrada. Perde também a Folha de São Paulo.

15/05/2008 - 10:11h Folha de SP: uma vergonha!

Embaixo da página, escondido no caderno cotidiano, na pag. 4 (página par, menos visível) e com um título enganador, a Folha de São Paulo “informa”, no meio desta nota (reproduzida embaixo), o que deveria ter um destaque de primeira importância: O ensino estadual está em frangalhos.

O jornal O Estado de São Paulo, o Jornal da Tarde e até o Agora tiveram que escancarar os números com visibilidade, tamanho o “apagão” da educação no Estado.

De 0 a 10, ensino médio de SP tira 1,4.

A Folha tinha os dados desde ontem e aqui ontem foi reproduzido o artigo online de Gilberto Dimenstein. Hoje a Folha, militante na proteção dos tucanos de São Paulo, oculta o que deveria exigir um alerta e destaque maior.

Triste espetáculo de desinformação e uma clara manifestação do rabo preso da Folha com o tucanato.

Após a história da ponte da Marta, horror três anos atrás em editorial do jornal, maravilha na inauguração com Serra, Kassab e Maluf; da parcialidade na cobertura, eis uma nova manifestação da manipulação da informação.

Como diria Boris Casoy: É uma vergonha!

Luis Favre

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Escolas de SP terão meta de desempenho individual

Objetivo é que as instituições paulistas atinjam até 2030 um padrão semelhante ao encontrado hoje nos países desenvolvidos

DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA DE SÃO PAULO

A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo criou um indicador de avaliação da qualidade das escolas para determinar metas individuais anuais para cada uma das 5.183 escolas da rede. O objetivo é que as instituições paulistas atinjam até 2030 um padrão semelhante ao encontrado nos países desenvolvidos hoje.
O Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) combina o resultado do Saresp -exame do governo estadual- e o fluxo escolar -determinado pela taxa de aprovação média em cada ciclo: 4ª e 8ª séries do fundamental e 3ª do ensino médio.
Pelo novo índice, que varia de 0 a 10, o ensino médio recebeu nota 1,41. No ensino fundamental, a 8ª série ficou com 2,54 e a 4ª série, com 3,23. A escola mais bem colocada no ensino médio é a Papa Paulo 6º, em Santo André, com 6,2. Os números refletem resultados já divulgados do Saresp.
O cumprimento da meta pela escola irá garantir o pagamento a servidores de 50% do bônus, no valor de três salários. O pagamento dos 50% restantes dependerá do cumprimento de outros critérios, ainda não definidos pela secretaria.
Para Roberto Augusto Torres Leme, vice-presidente da Udemo (entidade que reúne diretores de escolas estaduais), “não adianta só avaliar o desempenho escolar, é preciso atacar as causas do problema na educação, como a questão salarial”.
“O bônus irá beneficiar só alguns profissionais, mas não resolverá o problema da rede”, diz Carlos Ramiro de Castro, presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de SP).

03/03/2008 - 14:50h Instituto Fernando Henrique Cardoso, uma ONG acima de qualquer suspeita

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Um inexplicável esquecimento, compartilhado por mim com toda a mídia, concerne o Instituto Fernando Henrique Cardoso. Faz vários dias que todos nos, eu e a mídia inteira, estamos tratando da relação entre Estado e ONG’s no que atinge ao financiamento. Tudo isto no bolo do relacionamento aparentemente suspeito entre Fundações e poder público ou entre ONG’s e partidos.

Ora Lupi, o Ministro, está na berlinda por ser presidente do PDT e Ministro ao mesmo tempo, ora pela existência de convênios do ministério com entidades ligadas ao próprio PDT (ele já mostrou que também dá dinheiro para entidades ligadas ao PSDB, DEM, PSB, PPS, PTB, PR, PT ou sem vínculos com partidos. Tanto faz). Ninguém quer saber do fato de ser tudo legal, se o trabalho fornecido é adequado, se alguma irregularidade detetada foi ou não prontamente saneada. Aparentemente nada importa, salvo a insinuação.

Pois bem, eu esqueci, os leitores esqueceram e a mídia idem: O Instituto Fernando Henrique Cardoso.

Neste caso não posso falar em conspiração do silêncio, como no caso das fundações ligadas ao PSDB e contratadas pelos governo Alckmin com pagamentos de quantias milionárias denunciadas pelo presidente do PT de São Paulo. Não é silêncio e sim esquecimento. Prova? Em janeiro de 2007 a coisa apareceu nos jornais com furo do repórter Daniel Bramatti, com data 17 de janeiro 2007, no Terra Magazine (ler embaixo).

No se trata de contrato sem licitação para fornecer algum trabalho para algum governo tucano. Não. Trata-se de uma pura e simples doação.

Me apresso a indicar que a doação é legal. Foram R$ 500 mil doados ao Instituto Fernando Henrique Cardoso pela empresa do Governo de São Paulo que responde pelo liquido: a SABESP.

Parece um caso de sociologia tucana caricatural: o tucano chefe dirige um Instituto, o governador tucano Geraldo Alckmin controla a SABESP, empresa pública. O tucanito que dirige a SABESP é convidado pelo tucano governador a fazer um gesto carinhoso ao tucano chefe. Nisto eles se bicam com carinho e até agem em bando.

Na época da denúncia,o jornalista da Folha, Josias de Souza, registrou no seu blog este panfleto indignado:

“Você não sabe, mas está ajudando a financiar as atividades do iFHC (Instituto Fernando Henrique Cardoso). Sorrateiramente, R$ 500 mil migraram do seu bolso para o borderô da ONG aberta pelo ex-presidente da República tucano depois de ter deixado o Palácio do Planalto.
Deve-se ao repórter Daniel Bramatti a descoberta da mamata. O tema foi repercutido na edição desta quinta (18) da Folha. A Sabesp (Cia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) repassou ao iFHC os R$ 500 mil.
O repasse foi feito com o propósito de ajudar a financiar um projeto de preservação do acervo de Fernando Henrique Cardoso. A “doação” foi feita com base na Lei Rouanet, de incentivo à cultura. Significa dizer que a Sabesp vai descontar a grana do seu Imposto de Renda. Ou seja, a generosidade é financiada por você, caro contribuinte.
A Sabesp não foi a única empresa doadora. Ao correr a sacolinha, o iFHC logrou amealhar R$ 2 milhões. O que diferencia a Sabesp dos demais doadores é a sua natureza jurídica. Trata-se de uma estatal. Como se fosse pouco, é uma estatal que, nos últimos doze anos, esteve submetida a gestões tucanas.
Para complicar, o iFHC não se dignou nem mesmo a mencionar o nome da doadora estatal na nota que levou ao ar no seu portal eletrônico. Ao privar a Sabesp da homenagem de uma citação, o instituto do ex-presidente premiou a falta de transparência.
O iFHC alega que o mimo da Sabesp foi feito dentro da lei. O que leva o signatário do blog a uma inevitável pergunta: quantos absurdos vêm sendo praticados no Brasil em nome da lei? Muitos, muitíssimos.
A Sabesp, como se sabe, deveria ter suas atenções voltadas para a melhoria da malha de saneamento básico do Estado de São Paulo. Algo muito distante das atividades desenvolvidas pelo iFHC. Por sorte, os resíduos éticos produzidos por operações do gênero não são concretos. Do contrário, não haveria esgoto que bastasse.”

A seguir, aqui embaixo, reproduzo a matéria do Terra Magazine. Se algum leitor quiser comentar algo, fique a vontade, mas não esqueçam: este blog tem moderador e não serão permitidas acusações infundadas, insultos, calúnias, injúrias etc. LF

(more…)

02/03/2008 - 10:59h Carta do vereador Antonio Donato

Painel do Leitor - Folha de São Paulo

Clóvis Rossi

O colunista Clóvis Rossi publicou meu nome em artigo intitulado “Crimes, pequenos ou grandes” (29/2). Para informação do leitor:

1) Como secretário das Subprefeituras, firmei contrato com a Finatec, de forma legal, para serviços que foram devidamente prestados;

2) Houve um questionamento do contrato pela Corregedoria da Prefeitura, que foi encaminhado ao Ministério Público. Lá estou certo de que terei o direito de defesa que me foi negado pela corregedoria;

3) A contribuição à minha campanha de R$ 4.000 do sócio-proprietário da Pro-Sistemas, Luiz Antônio Melhado, corresponde à compra de quatro convites para uma atividade de campanha e foi feita de forma legal e registrada na Justiça Eleitoral;

4) A responsabilidade pela contratação dos consultores é da Finatec, e não da prefeitura. Qual o crime, pequeno ou grande, que teria sido cometido? Não é justo, ético ou decente que alguém, apenas por meio de ilações, coloque na lama a honra de outra pessoa dando a entender que esta estaria se vendendo.

ANTONIO DONATO , vereador pelo PT (São Paulo,SP)

29/02/2008 - 14:47h Sem lícitação, governo Alckmin pagou R$417 milhões para fundações só entre 2001 e 2004 (resposta a Clóvis Rossi)

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Kassab e Alckmin contrataram fundações, mas Clóvis Rossi, da Folha, só vê PT

por José Américo*

Clovis Rossi, membro do conselho editorial da Folha de São Paulo, decidiu dar lições de moral em sua coluna publicada hoje (29/02/2008) sob o título “Crimes, pequenos ou grandes”.

Ele pretendeu enquadrar o vereador Antonio Donato, do PT, entre aqueles que praticam “pequenos crimes” pelo fato do vereador ter aceitado uma contribuição de 4 mil reais para a sua campanha eleitoral em 2004, de uma pequena empresa, que trabalhou para a FINATEC, fundação da Universidade de Brasília, em São Paulo. A empresa contribuiu com a campanha do vereador, mas estava legalmente habilitada a fazê-lo e a doação consta em sua prestação de contas na Justiça Eleitoral. Porém, como se trata de atingir o PT, não importa se a lei foi respeitada ou não. Para o jornalista, acabou prevalecendo a “alta moralidade” da suspeita, que parece ter substituído a da ética jornalística.

É a mesma “moral” que permitiu à Folha de São Paulo omitir em várias de suas matérias a informação de que a FINATEC mantinha contrato com diversos parceiros; o objetivo era sustentar a tese de que esta fundação só tinha contratos com governos do PT. Hoje (29/02/08), o jornal O Estado de São Paulo, com um certo atraso, pois o blog Leituras Favre já tinha publicado estas informações no final de semana passada, informa sobre a diversidade da atuação desta instituição. Na Folha, nem uma palavra. Silêncio total.

Para Clóvis Rossi, o que embasa a suspeita contra o PT é que “uma prefeitura como a de São Paulo, ou tem capacidade interna para criar modelos de gestão, ou é melhor fechar as portas (vale para todos os prefeitos).” Ou seja, para ele, independentemente de quem estiver à frente da prefeitura, se esta tiver que recorrer a uma fundação para criar modelos de gestão (no caso para estruturar o inovador sistema de subprefeituras, com descentralização administrativa), o melhor seria “fechar as portas”. Ignora-se assim a situação de fragilidade do serviço público, após anos de desmanche das administrações públicas, particularmente em São Paulo nas gestões anteriores à administração petista. Mas o mais curioso é que Clóvis Rossi parece ignorar o intenso processo de terceirização desenvolvido pelas gestões DEM-PSDB tanto no Governo do Estado como na Prefeitura de São Paulo. Será que ceder a terceiros a administração de hospitais públicos, como faz o governo estadual, e a prefeitura de São Paulo não exigiria uma medida drástica, do tipo “fechar as portas”, na visão peculiar do jornalista?

Mas, já que Clóvis Rossi decidiu meter a colher neste assunto, vamos estimular a sua perspicácia de guardião da moral e convidá-lo a fornecer aos seus leitores alguma explicação para o pouco interesse jornalístico demonstrado até agora em relação às fundações que trabalharam ou trabalham para outros governos que não os do PT. Como Clóvis Rossi trata de pequenos e grandes crimes, vamos falar de alguns que certamente se enquadram na categoria dos grandes.

Entre 2001 e 2004, o governador Geraldo Alckmin e o PSDB no governo estadual pagaram pouco mais de R$ 417 milhões de reais, sem licitação, para fundações (os gastos foram R$ 600 milhões no período, mas sem licitação “só” R$ 417.404.390, fonte SIGEO).

Dentre estas fundações e contratos encontramos o Instituto Sérgio Motta, a Fundação Mário Covas, a FUNDAP e a Fundação Pró-sangue/Hemocentro (aquela privatizada depois de vários escândalos). As vinculações entre estas fundações e o PSDB saltam à vista.

Dos R$ 417 milhões pagos, R$ 135 milhões foram para “serviço de elaboração de proposta estratégica para programa de governo”, “serviço de pesquisa para programa de governo” e “serviço de estudo para programa de governo”.Há de se convir que, após 10 anos no poder (hoje já são quase 16 anos), o fato de o governo estadual sob o controle tucano não contar com instrumentos próprios para estudos e pesquisas sobre “programa de governo”, seria um bom motivo para “fechar as portas”. Além do reconhecimento do fato de o PSDB não ter programa de governo, e da máquina administrativa do Estado não ter sido preparada para assumir esse trabalho, que precisou ser feito por fundações, muitas delas, ligadas ao PSDB –, tudo isso deixa claro que Clóvis Rossi têm uma indignação muito seletiva.

A administração Kassab contratou a mesma FINATEC contratada pela gestão anterior. O objeto do contrato (no valor de R$ 1,17 milhões) foi a “implementação de uma sistemática de produção e disseminação de informações na Coordenadoria do Observatório de Políticas Sociais” (talvez Clóvis Rossi nem sabia, pois a informação foi publicada pelo Estadão). Além da gestão Kassab, mais de 180 órgãos públicos e empresas privadas são ou já foram parceiros da mesma FINATEC. Se essa fundação pagou um valor excessivo para mobiliar o apartamento do reitor da UNB, isso não transforma em espúrios todos os contratos firmados com estas instituições. Só a análise de cada um deles, a natureza de seu objeto, a materialidade de sua realização e a legalidade dos mesmos, pode determinar a existência ou não de irregularidade ou de ilícito.

Não me parece que a “lógica” de Clóvis Rossi dê conta disto, nem a maneira por demais seletiva da própria cobertura da Folha.

* José Américo é jornalista, vereador e presidente do PT de São Paulo

26/02/2008 - 09:58h A Folha é guarda-chuva de Kassab?

Depois do temporal

MÁRIO MAGALHÃES - OMBUDSMAN
ombudsman@uol.com.br

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Na sexta-feira (22), a primeira página da Folha ignorou o dilúvio da véspera.

No sábado (23), o jornal cumpriu o roteiro obrigatório e burocrático desse tipo de cobertura: resumiu os danos e descreveu os apuros de algumas pessoas.

Não fez, contudo, o que a sua própria tradição recomenda: investigar os gastos/investimentos da Prefeitura de São Paulo com o combate a enchentes. A Folha cansou de produzir reportagem assim, inspirada pelo jornalismo crítico que o seu projeto editorial preconiza.

Saiu uma declaração protocolar do prefeito Kassab, mas nenhum questionamento sobre a prioridade (ou falta dela) em seu governo para a prevenção a estragos da chuva.

O “Estado” titulou na capa do caderno Metrópole de sábado: “SP retém R$ 49 mi da verba anticheias”.

No mesmo dia, o Jornal da Tarde manchetou: “R$ 49 mi deixaram de ser usados contra enchentes”.

Ontem uma garota de 14 anos morreu durante o temporal.

O leitor da Folha segue sem saber como o prefeito age.

Além disso, seria interessante conhecer como os antecessores de Kassab, como Marta e Serra, agiram. De acordo com o “Estado”, “nos últimos cinco anos, os volumes mais baixos de investimento ocorreram” no último ano da gestão da petista e no primeiro da do tucano.

Mário Magalhães é ombudsman do jornal Folha de São Paulo

Ver aqui no blog Kassab deixa de aplicar 22% do dinheiro contra enchente