20/11/2009 - 19:05h Cartaz de filme é retirado do metrô de Paris por mostrar fumante

da Efe, em Paris – Folha online

A proibição de mostrar o consumo de tabaco em peças publicitárias no metrô de Paris motivou a retirada de um cartaz do filme “Gainsbourg (vie héroïque)”, sobre a vida do cantor Serge Gainsbourg.

No cartaz do filme de Joann Sfar, o ator Eric Elmosnino aparece soltando fumaça pela boca.

A simples citação ao ato de fumar foi suficiente para que o cartaz fosse considerado uma incitação ao consumo de tabaco pelos administradores do metrô, que temem receber uma multa de até 100 mil euros.

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O ator Eric Elmosnino vive Serge Gainsbourg no cinema; cartaz foi proibido por trazer alusão ao cigarro


“Isso porque nos preocupamos em fazer com que não aparecesse nenhum cigarro no cartaz”, afirma o produtor do filme, Marc du Pontavice, para quem a proibição da publicidade no metrô, onde 600 cartazes seriam colocados a partir de dezembro, provocará um “grande prejuízo”.

O produtor disse considerar a medida “ridícula, ainda mais levando em conta que o cartaz será permitido nos ônibus urbanos da cidade”.

Já em 2009, um dos cartazes que anunciavam uma exposição sobre o cineasta Jacques Tati teve que mudar para aparecer no metrô parisiense. O cachimbo fumado por seu personagem Monsieur Hulot foi substituído por um cata-vento.

O cartaz do filme “Coco antes de Chanel”, sobre Coco Chanel, também foi retirado porque sua protagonista, Audrey Tautou, segurava um cigarro.

28/09/2009 - 14:51h Uso do narguilé equivale a consumo de até 100 cigarros

Natália Fernandjes
Narguilé
Muito popular entre os jovens, o narguilé será a responsável pelo aumento do número de dependentes de nicotina nos próximos anos


Da Redação Repórter Diário

Considerado por muitos como sendo algo inofensivo, o narguilé protagoniza uma séria discussão: segundo pesquisa do Inca (Instituto do Câncer) o instrumento se tornou a forma mais frequente de consumo de tabaco entre os jovens, depois do cigarro. Além disso, a jarra de vidro contendo uma mangueira com uma pipeta na ponta será a responsável pelo aumento do número de dependentes de nicotina nos próximos anos, segundo o coordenador do ambulatório de combate ao tabagismo da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Adriano César Guazzelli.

Conforme explica o especialista, o narguilé é um inalador de tabaco queimado como o charuto, o cachimbo e o cigarro, por isso, causa dependência tanto quanto estes produtos. “A fumaça mais suave permite com que as pessoas inalem uma quantidade maior de toxinas sem perceber”, destaca.

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a fumaça gerada pelo instrumento contém inúmeras toxinas que podem causar câncer de pulmão e doenças cardíacas, por exemplo. Em uma sessão de cerca de uma hora do produto a quantidade de fumaça inalada corresponde a mesma de quem fuma 100 cigarros comuns. “Mesmo que o consumo seja ocasional, a intensidade desse consumo é muito superior do que a do cigarro comum”, indica Guazelli.

Para o administrador Jeferson Martinez, a diversão deve ser utilizada com precaução. “Acho que deve fazer mal sim, principalmente por não ter um filtro como o cigarro”, exemplifica. Martinez diz ter conhecido o narguilé há cerca de três anos e gostado da novidade, no entanto, acredita que utilizar o produto uma vez por mês é ideal para evitar problemas com a saúde.

Estatísticas
O cachimbo d’água, tradicional em países do Oriente Médio, aos poucos ganhou força no Brasil. Pesquisa do Inca sobre o tabagismo entre os jovens indica que 6% dos universitários fizeram uso de outros produtos de tabaco nos últimos 30 dias, destes, os mais consumidos são os cigarros de Bali (50%) e o narguilé (20%).

Um estudo britânico vai além ao constatar que as pessoas que fumam narguilé podem sofrer com os altos níveis de monóxido de carbono (CO). Os pesquisadores acreditam que uma sessão do produto (dez miligramas de tabaco durante 30 minutos) resulta em níveis de monóxido de carbono quatro ou cinco vezes mais altos do que um cigarro comum. (Colaborou Natália Fernandjes)

21/08/2009 - 10:51h Lei antifumo é inconstitucional, diz AGU

Órgão recomenda que Supremo Tribunal Federal suspenda legislação paulista, pois tema seria da alçada federal

 

Fernanda Aranda e Renato Machado – O Estado SP

 


A Advocacia-Geral da União (AGU), órgão que defende e representa a União principalmente em ações no Supremo Tribunal Federal (STF), emitiu parecer anteontem que considera a lei antifumo paulista inconstitucional. O documento, assinado por José Antonio Dias Toffoli, enfatiza que a competência de legislar sobre o uso do cigarro em ambientes fechados é do governo federal e não de Estados ou municípios. O caso ainda não tem data para ser julgado. Ainda que o parecer seja específico sobre a lei paulista, abre precedente para outros questionamentos. O Estado do Rio, por exemplo, aprovou norma semelhante à de São Paulo. Minas e as cidades de Manaus e Belém também querem abolir o cigarro de locais fechados e coletivos.
Apesar de o posicionamento não ser definitivo, levantamento feito pelo Estado mostra que nos últimos casos polêmicos julgados pelo STF tem prevalecido o entendimento da AGU. Foi assim no questionamento das cotas para estudantes negros em universidades, na avaliação sobre as pesquisas com células-tronco e na disputa sobre a área indígena Raposa Serra do Sol (mais informações nesta página). O jurista especializado em Direito Constitucional Luiz Tarcísio Ferreira Teixeira destaca a relevância. “Não significa que o parecer será seguido, mas é o primeiro questionamento sério a respeito da constitucionalidade da lei antifumo”, afirmou.

Segundo a Secretaria-Geral de Contencioso, ligada à AGU, a inconstitucionalidade da lei antifumo reside no fato de que “o Estado invadiu competência da União”. “Embora a competência para legislar sobre saúde seja concorrente, compete à União editar normas gerais e aos Estados, competência complementar ou suplementar.”

O professor de Direito Constitucional João Antonio Wiegerinck refuta a tese de que a competência é exclusiva da União. “Trata-se de uma questão de saúde pública e, portanto, São Paulo tem competência sim para legislar. Além do mais, o Brasil é um país muito grande e cada Estado tem o direito de trabalhar políticas públicas, respeitando suas especificidades.”

A AGU se manifestou após consulta feita pelo ministro do Supremo Celso de Mello. Ele é relator de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade movida pela Confederação Nacional do Turismo. “Estamos satisfeitos com essa manifestação, mas vamos esperar o entendimento do STF. Há muita pressão de São Paulo por essa lei”, afirmou Marcus Vinicius Rosa, diretor jurídico da Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo (Abresi), que patrocina a Adin.

Apesar de a Advocacia-Geral representar a União, não existe uma posição oficial do governo federal sobre a lei antifumo. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, até já elaborou um projeto de lei semelhante ao que vigora em São Paulo, que pleiteia a proibição do uso do cigarro em qualquer local, público ou privado, de uso coletivo. Ainda é necessária votação no Congresso, mas a medida foi elaborada com o auxílio de outro órgão federal, o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Por meio de nota, o governo do Estado defendeu a legalidade da lei. Afirmou que o Brasil é signatário da Convenção da Organização Mundial de Saúde (OMS), que “é mais recente e restritiva do que a lei federal”. “A Lei 13.541 dá pleno cumprimento ao tratado que determina que: ‘cada Parte adotará medidas eficazes de proteção contra a exposição à fumaça do tabaco em locais fechados’.”

POLÊMICAS

Casos em que prevaleceu o parecer da Advocacia-Geral

Célula-tronco: O STF manteve toda a Lei de Biossegurança, incluindo o artigo 5.º, que prevê a liberação da pesquisa com células-tronco, conforme queria a AGU. Isso contrariou até a Procuradoria-Geral da República (que representa o governo federal)

Raposa Serra do Sol: Corte manteve a demarcação contínua da reserva indígena em Roraima

Cotas para negros nas faculdades: STF negou liminar do DEM para suspender o sistema na UnB; AGU defende as cotas

Outros casos que serão julgados pelo STF

Aborto de anencéfalo: AGU defendeu o aborto em casos de fetos formados sem o cérebro. O documento encaminhado ao STF argumenta que o aborto nesses casos estaria respaldado pelos princípios da dignidade da pessoa, do direito à saúde, da liberdade e da autonomia da vontade.

Anistia: Defende a tese de que a Lei da Anistia,de 1979, beneficiou os militares acusados de tortura na ditadura. Por isso, não poderiam ser punidos em processos abertos pelo MP

Lei seca: AGU encaminhou parecer em defesa a lei que tornou mais rígidas as regras para dirigir após consumir álcool . O processo aguarda parecer da Procuradoria-Geral da República para voltar a tramitar no STF

União homoafetiva: AGU defende a união estável entre pessoas do mesmo sexo. Segundo o parecer enviado ao STF, reconhecimento dos direitos civis de casais homossexuais protege diversos valores constitucionais, como a dignidade da pessoa humana, a privacidade e a intimidade

A lei antifumo paulista é inconstitucional?

Debate:

 


NÃO:
João Antônio Wiegerinck *

Ao examinar a constitucionalidade ou não das normas ou atos emanados do Estado, é necessário observar o assunto em pauta e a forma como o assunto é tratado no trâmite entre o interesse de legislar e a publicação da norma em si.

O assunto ou objeto da norma sob exame é o ato de fumar, e é preciso abordar o tema com a coragem de ser desagradável aos que estão vinculados ao produto. Não é simpático, mas é verdadeiro afirmar que o fumar causa dependência e prejudica a saúde de quem fuma ativa e passivamente. Essas afirmações estão provadas, não são especulações.

Confrontado o assunto às normas que dele tratam, verificamos que a Lei Maior, nossa Constituição, empresta aos Estados Membros e ao Distrito Federal competência legislativa para regulamentar assuntos vinculados à saúde pública, e não parece razoável retirar o consumo de tabaco dessa seara. Assim, o Estado de São Paulo tem competência para complementar o que está previsto na lei federal sobre o mau costume de fumar em locais públicos.

Aqueles que defendem o direito de alguns em consumir produto nocivo à saúde com base na ausência de leis estaduais em outras unidades da federação, ou seja, na isonomia, ou ainda, no direito ao pleno emprego na indústria do turismo e do entretenimento, como bares, parques e restaurantes, precisam perceber que o foco é a literal contaminação do viciado e de terceiros presentes ao ato de fumar. Quando confrontado o direito ao pleno emprego com o direito à saúde, prevalece a saúde por bom senso, lógica pura e interpretação sistemática das normas. Sem saúde, não se pode exercer eficientemente um emprego ou trabalho.

O Estado de São Paulo tem preocupações bem fundamentadas para dar um tratamento mais rigoroso ao consumo de tabaco. O gigantismo da metrópole faz com que o número de afetados negativamente seja muito superior a qualquer outra localidade do Brasil. O que se entende, portanto, é que a lei estadual em nada confronta as normas gerais da lei federal, senão apenas a complementa de acordo com as necessidades regionais e locais, distintas das demais em nosso imenso território nacional.

As lições trazidas de outros países nos quais a saúde pública frente ao fumo também é tratada com a devida importância mostram que fumar causando danos a terceiros é, além de ilegal, ato inconstitucional. O artigo 196 da Constituição diz que todos temos direito à saúde – e para compreender o significado da palavra liberdade também é preciso compreender o que significa respeito ao próximo.

* Advogado e professor de Direito Constitucional da Universidade Presbiteriana Mackenzie

SIM:
Luiz Tarcísio Teixeira Ferreira *

Recente parecer da Advocacia Geral da União, na Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) movida pela Confederação Nacional do Turismo, no Supremo Tribunal Federal (STF), manifesta o entendimento pela inconstitucionalidade da lei paulista antifumo, com o qual temos de concordar. É que a competência da União para legislar sobre o assunto não pode ser sobrepassada, nem antagonizada, por Estados nem por municípios.

Os atos de comercializar cigarros e de fumar são legalmente aceitos pela lei nacional e só uma lei federal poderia proibi-los.

Visando a proteger a saúde dos não fumantes, o Congresso Nacional já editou lei federal que obriga bares, restaurantes e estabelecimentos congêneres a adotar os chamados “fumódromos”. Isso para que a liberdade do fumante não prejudique a saúde do não fumante. Assim, protege-se o direito à saúde e, ao mesmo tempo, garante-se o direito de liberdade do fumante.

Contrariando a lei nacional sobre o assunto, a legislação paulista proíbe a existência dos tais “fumódromos”. Essas leis com sentidos antagônicos não podem coexistir; uma delas merece ser eliminada para que se garanta o princípio da segurança jurídica. Afinal, a qual delas os comerciantes devem obediência? Adotam eles os “fumódromos” – obrigatórios pela lei federal -, ou os eliminam conforme previsto na lei paulista?

Nesse embate, a legislação de São Paulo parece claramente inconstitucional. Primeiramente, porque contraria a norma geral da União, o que não poderia fazê-lo. Depois, porque o direito à saúde do não fumante não pode ser um pretexto para eliminar-se o direito de liberdade da minoria fumante. Ambos devem coexistir porque gozam da mesma proteção constitucional.

Ao Estado não cabe preferir um ao outro, mas compatibilizá-los. A obrigatoriedade dos “fumódromos”, com todas as exigências técnicas da lei nacional, seria um meio de compatibilizar ambos os direitos. Ao proibir os “fumódromos”, a lei paulista pretendeu algo para o qual não tem competência, ou seja, transformar o ato de fumar em atividade proibida, quando ela é permitida pela lei nacional. Nenhum valor, nem mesmo a proteção à saúde, pode ser posto acima ou contra a Constituição. Lei que a fira ou ofenda os direitos de liberdade nela consagrados padece do mais grave vício que uma norma pode conter, o da sua inconstitucionalidade.

O parecer da AGU é o primeiro passo no reconhecimento da inconstitucionalidade da lei antifumo, que certamente terá curta duração. Assim espera a comunidade jurídica em nome do respeito devido à Constituição Federal.

* Advogado constitucionalista, especialista em Direito de Estado e professor de Direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo

02/08/2009 - 10:46h Cortina de fumaça

Ecoando discurso de um fumante inveterado, seu personagem em “Restos”, monólogo de Neil LaBute que estreia em São Paulo dia 20, ator

Antonio Fagundes, 60, que vai estrelar o monólogo “Restos’, sob direção de Márcio Aurélio; ator encarna fumante que, durante velório, relembra a relação com sua mulher, vítima de câncer

Rafael Hupsel/Folha Imagem
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Antonio Fagundes critica a Lei Antifumo e diz que vai “peitar” a medida e acender cigarro em cena

 

LUCAS NEVES – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Se todo ator incorpora traços dos tipos que interpreta, parece que Antonio Fagundes, 60, escolheu o que levar de seu personagem em “Restos”, de Neil LaBute, antes da estreia no dia 20, em São Paulo, no teatro Faap: o ataque à patrulha antitabagista.

Em cena, dirigido por Márcio Aurélio (”Agreste”), ele encarna um fumante inveterado que repassa -com suspiros saudosistas e certa birra dos modos contemporâneos- as fases de sua relação com a mulher cujo corpo está sendo velado.

Ela morreu de câncer, ele está na fila. Pouco importa. “Guardem seus panfletos ou qualquer outra merda sobre o assunto, ok? A vida é minha, pelo menos o que resta dela”, diz à plateia.

O texto de LaBute é farto em rubricas que pedem um cigarro à mão. Mas a Lei Antifumo que entra vigor na sexta no Estado de São Paulo impede que atores fumem em cena sem autorização judicial. É aí que Fagundes toma emprestado o tom incisivo do personagem:
“Vou peitar isso e fumar. Temos um problema de censura. É um precedente grave se a gente não fala nada. Fiquei surpreso que os fumantes tenham ficado quietos. O brasileiro está muito quieto para tudo. Espero que os fumantes não votem nas pessoas que aprovaram essa lei. É engraçado, porque parece que o [governador José] Serra é ex-fumante. Não tem coisa pior do que ex”.

Para Fagundes, “começa assim; amanhã, vão dizer que não pode beijar na boca porque passa gripe suína; depois, não pode mostrar assassinato [em cena], porque é contra a lei. As pessoas ainda não perceberam, a liberdade não se perde de uma vez. Os puritanos proibiram o teatro na Inglaterra por décadas pois achavam que era satânico. Caminhamos para isso”.

Sem patrocínio para a montagem de “Restos”, o ator também tece críticas ao debate sobre a reforma da Lei Rouanet, que concede às empresas que investem em produções artísticas isenção de parte do Imposto de Renda devido.

“As pessoas que redigem a lei deveriam entender o mecanismo de produção de teatro, saber quanto custa manter um espetáculo em cartaz, anunciar num jornal. Não tem ninguém nessas comissões que já tenha feito teatro? [Quando se fala em mudar a lei] Dá a impressão de que é um movimento rancoroso, do tipo “só estes caras que não precisam [por serem famosos] recebem dinheiro”. É claro que precisam!”

Por conta das restrições previstas na Rouanet aos gastos com divulgação, os espetáculos estreiam, segundo Fagundes, com “morte anunciada”. “Você fica em cartaz por pouco tempo. Ou seja, se antes se falava em espetáculos de elite, agora são peças para a elite da elite, porque não são só para quem pode pagar, mas para quem corre para pagar”, observa.

Seu Zé e Dona Maria

Ao longo dos 43 anos de carreira teatral, transitou com desenvoltura entre a dramaturgia engajada do Teatro de Arena, musicais da Broadway, montagens de clássicos (como “Macbeth” e “Gata em Teto de Zinco Quente”) e empreitadas de risco, como “Carmem com Filtro”, estreia de Gerald Thomas na cena paulistana. Sempre com uma piscada de olhos para “seu Zé e dona Maria” -como se refere ao espectador pouco familiarizado com teatro.

“Estamos acostumados a ensinar filosofia a quem não sabe ler. Parte-se do princípio de que quem foi lá [ao teatro] sabe tudo”, afirma. “Defendo a tradição teatral para um público que não a conhece. Sempre pensei assim: só vou fazer experiência na minha vida quando tiver feito o resto todo. No Brasil, parte-se para a inovação antes de se ter experiência.”

Daí seu descontentamento com o abandono “da cortina, da sala convencional”. “Criaram-se espaços que não são teatros. Você pode inovar sem deixar de dar ao público conforto. Já cansei de sentar em cima de prego. Não acho interessante. A gente não tem mais maquiagem, grandes figurinos, cenários, efeitos. O próprio texto deixou de ter surpresas.”

Não é o caso de “Restos”, dotado de uma reviravolta que, nos momentos finais, atira no colo do público um segredo oculto pela cortina de fumaça.

24/05/2009 - 11:00h Governo Serra vai estimular “dedo-duro” na lei antifumo

Clientes poderão enviar até fotos para denunciar desrespeito à legislação

MÁRCIO PINHO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O governo José Serra (PSDB) incentivará que usuários de bares e restaurantes que presenciarem alguém fumando atuem como “dedos-duros” do estabelecimento a partir de 7 de agosto, quando passa a vigorar a proibição ao fumo em locais públicos e fechados no Estado.
Diversas ferramentas poderão ser usadas na denúncia, como a apresentação de testemunhas e o uso de máquinas fotográficas e até do celular. Fotos e vídeos serão um indicativo para a fiscalização visitar o estabelecimento -por si só, não garantem multa à casa.
As imagens poderão ser mandadas pela internet com um e-mail informando o local que está transgredindo a lei (possivelmente ao site do Procon). Os detalhes estão sendo fechados em uma instrução a ser concluída em breve.
Outra opção de denúncia será uma queixa formal por meio de uma ficha “padrão” na qual o usuário dará os dados do estabelecimento e poderá relatar se presenciou alguém fumando com a anuência do proprietário ou a falta de placas indicando a proibição ao fumo.
De acordo com o secretário de Justiça, Luiz Antonio Marrey, “serão admitidos todos os meios de prova lícitos em direito”. O objetivo do Estado é oferecer um conjunto de ferramentas para que o usuário possa reivindicar um ambiente livre do tabaco da forma que lhe parecer mais conveniente.
“É importante que as pessoas defendam os seus direitos e exijam que ninguém fume em locais fechados”, afirma.
O secretário admite que a possibilidade de enviar e-mails ou fotos estimularão denúncias. Isso porque a outra opção de – o preenchimento da ficha indicando as irregularidades- precisará ser assinada pelo denunciante, o que implicará que ele compareça pessoalmente.
“As reclamações informatizadas darão um indicativo para a fiscalização”, diz Marrey. A multa ao estabelecimento será de R$ 792,50, na primeira notificação. Após seguidas autuações, será fechado por 30 dias.
Os flagrantes prometem causar tanta polêmica quanto a lei. Para Anis Kfouri Junior, presidente da Comissão de Fiscalização da Qualidade do Serviço Público da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil), as fotos podem causar confusão.
“Imagine se a pessoa estiver em um local público e não quiser que ninguém mais saiba disso. Não vai gostar de ser fotografada e pode ter sua privacidade invadida”, diz Junior.
Crítico da lei antifumo, o advogado discorda da ideia do governo de que as pessoas ajudem a fiscalizar. “O fiscal da lei teria que ser o próprio Estado. Permitir esse tipo de denúncia gera uma insegurança jurídica grande. Se alguém quiser prejudicar determinado bar manda alguém ir lá fumar e fotografa.”
Na última quinta, a Folha visitou bares da rua Bela Cintra, região central, e encontrou opiniões diversas.
“Vou fotografar onde houver fumante. Fumaça na balada incomoda bastante”, disse a advogada Marisa Sant’Ana. Rose Hono, tradutora e fumante, disse que não gostaria de ser fotografada e que considera essa possibilidade uma hipocrisia. “Se tirarmos foto de lixo jogado na rua, não acontece nada”, diz.

10/04/2009 - 15:06h FUMANDO ESPERO

Sarita Montiel canta “Fumando espero” no filme “El Último Cuple”

 

FUMANDO ESPERO
(Garzo-Villadomat)

Fumar es un placer
Genial, sensual.

Fumando espero
Al hombre quien yo quiero,
Tras los cristales
De alegres ventanales.

Y mientras fumo,
Mi vida no consumo
Porque flotando el humo
Me suelo adormecer…

Tendida en la chaise longue
Fumar y amar…

Ver a mi amante, solícito y galante,
Sentir sus labios
Besar con besos sabios,
Y el devaneo
Sentir con más deseos
Cuando sus ojos veo,
Sedientos de placer

Por eso estando mi bien
Es mi fumar un edén.

Dame, el humo de tu boca.
Anda, que así me vuelvo loca.

Corre que quiero enloquecer
De placer,
Sintiendo ese calor
Del humo embriagador
Que acaba por prender
La llama ardiente del amor.

Ignacio Corsini (gravado em 1929)


A versão completa vale uma leitura

Música: Juan Viladomat Masanas (o Juan Viladomat i Massanes)
Letra: Félix Garzo

Fumar es un placer
genial, sensual.
Fumando espero
al hombre a quien yo quiero,
tras los cristales
de alegres ventanales.
Mientras fumo,
mi vida no consumo
porque flotando el humo
me suelo adormecer…
Tendida en la chaisse longue
soñar y amar…
Ver a mi amante
solícito y galante,
sentir sus labios
besar con besos sabios,
y el devaneo
sentir con más deseos
cuando sus ojos veo,
sedientos de pasión.
Por eso estando mi bien
es mi fumar un edén.

Dame el humo de tu boca.
Anda, que así me vuelvo loca.
Corre que quiero enloquecer
de placer,
sintiendo ese calor
del humo embriagador
que acaba por prender
la llama ardiente del amor.

Mi egipcio es especial,
qué olor, señor.
Tras la batalla
en que el amor estalla,
un cigarrillo
es siempre un descansillo
y aunque parece
que el cuerpo languidece,
tras el cigarro crece
su fuerza, su vigor.
La hora de inquietud
con él, no es cruel,
sus espirales son sueños celestiales,
y forman nubes
que así a la gloria suben
y envuelta en ella,
su chispa es una estrella
que luce, clara y bella
con rápido fulgor.

Por eso estando mi bien
es mi fumar un edén…

A letra em português, sem os versos finais da versão completa acima

Fumando Espero
(J. Villadomat Masanas versão: Eugênio Paes)

Fumar é um prazer
que faz sonhar
fumando espero
aquele a quem mais quero
se ele não vem
então me desespero
enquanto eu fumo
depressa a vida passa
e a sombra da fumaça
me faz adormecer
e assim sempre a fumar, sonhar, amar
ver todo instante
aquele a quem mais quero
sentir seus lábios, beijar com desespero
seu coração bater juntinho ao meu
sentindo entre carícias meu corpo estremecer.
antes de adormecer é o fumar um prazer
dá-me, dá-me a tua boca
beija até que eu fique louca
quero assim enlouquecer de prazer
sentindo esse calor
do beijo embriagador
que acaba por prender a chama ardente desse amor!

10/04/2009 - 14:39h A necessidade de achar um inimigo

ARTIGO

http://diario.iol.pt/multimedia/oratvi/multimedia/imagem/id/8433130/235http://commentisfree.guardian.co.uk/smoking.jpg

MARCELO COELHO

COLUNISTA DA FOLHA

Entendo, até certo ponto, que proíbam o cigarro em bares e restaurantes. Mesmo com áreas divididas, os garçons terminam sofrendo as consequências do fumo passivo.

Mas impedir que alguém fume dentro de um quarto de hotel? Sem ninguém por perto?

Lembro ainda que em muitos hotéis existem andares exclusivos para quem não fuma. Nem mesmo o resquício de um cheiro de cigarro incomodaria os mais sensíveis.

Houve tempo em que os fanáticos de direita procuravam comunistas até debaixo da cama. Mas nem debaixo da cama o fumante poderá se esconder, pelo o que diz a lei recentemente aprovada pela Assembleia Legislativa de São Paulo.

Debaixo de marquises também não. Pode-se fumar em terraços, desde que não tenham cobertura. Assim, quem sabe, será mais fácil identificar o fumante de longe e fuzilá-lo com um rifle de alta precisão.

No fundo, acredito que esses exageros do antitabagismo correspondem a essa necessidade, tão comum nos EUA, e imitada aqui, de encontrar um inimigo com quem lutar.

Acabou-se a ameaça comunista, e os membros da Al Qaeda não são tantos a ponto de mobilizar uma caçada coletiva que valha a pena.

Os fumantes, entretanto, estão em todo lugar -com a vantagem de se esconderem cada vez mais. Deixam sinais de sua presença. São nocivos, malignos, suicidas. Quanto mais cercados, quanto mais restrita a sua área de atuação, mais fácil e divertido será persegui-los.

Não acho que exista sadismo da parte dos perseguidores. O mecanismo é mais complexo.

Terror

O Estado e a população impõem um regime de terror sobre alguma minoria. Identificam nessa minoria uma ameaça: são “eles” os terroristas, são “eles” que nos perseguem, são “eles” que querem nos destruir.

Dito isso, podemos perseguir, aterrorizar e destruir. “Eles” é que começaram.

O cigarro mata, claro. Quem não tem medo da morte? E eis que surge o grupo dos fumantes renitentes, que parece não ligar para isso. Os fumantes escarnecem de nosso medo da morte.

Fica fácil, dessa perspectiva, identificá-los com terroristas. A tentação para a caça às bruxas se torna muito grande. Instituir o Terror sempre foi o ato reativo de quem está aterrorizado. Tome-se cuidado, entretanto. O fogo que queima as feiticeiras também costuma exalar muita fumaça cancerígena.

04/03/2009 - 14:26h Beber todos os dias aumenta risco de câncer de pâncreas

Beber todos os dias aumenta risco de câncer de pâncreas Estudo com mais de 860 mil pessoas, o maior já realizado, mostra relação entre o consumo diário de álcool e o tumor

Um dos mais letais, o câncer pancreático representa 2% de todos os tipos de tumor no Brasil e responde por 4% das mortes por câncer

http://www.antidrogas.com.br/img_artigos/alcoolcancer.jpg

http://www.colegiosaofrancisco.com.br/alfa/cancer-de-pancreas/images/cance-de-pancreas.jpg

CLÁUDIA COLLUCCI E RACHEL BOTELHO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O consumo diário de duas ou mais doses de bebida alcoólica aumenta em 22% o risco de desenvolver câncer de pâncreas, revela uma revisão de 14 estudos científicos que envolveram 862.664 pessoas. Entre a mulheres, o risco cresce a partir de uma dose por dia.
O trabalho, publicado ontem em jornal da Associação Americana para Pesquisa do Câncer, é o maior já feito mostrando a relação entre dieta e câncer pancreático. O tabagismo é outro importante fator de risco. Fumantes têm o triplo de chances de desenvolver o tumor.
O câncer de pâncreas, um dos mais letais, é a quarta principal causa de morte por câncer no mundo. A sobrevida média, em cinco anos, é de apenas 5%. No Brasil, ele representa 2% de todos os tipos de tumor, sendo responsável por 4% do total de mortes por câncer.
Durante o estudo, os pesquisadores identificaram 2.187 pessoas que tiveram tumor no pâncreas. Elas foram comparadas com indivíduos que não bebiam. A conclusão foi que o risco de câncer aumenta a partir do consumo diário de 30 gramas ou mais de álcool (menos de duas latas de cerveja de 350 ml ou três taças de vinho). Não foi observada diferença quanto ao tipo de bebida consumida.
Na avaliação do médico Felipe Coimbra, diretor do departamento de cirurgia abdominal do Hospital A.C. Camargo, o estudo é muito importante no sentido de reforçar o perigo do consumo crônico de álcool, que já estava relacionado a outros tumores, como o de esôfago.
“Até então, não existia uma relação tão direta do consumo de álcool ao câncer de pâncreas. Assim como as pessoas devem evitar o fumo, diminuir o álcool pode ajudar na prevenção.”
O cirurgião gastroenterologista Antonio Luiz Macedo, do hospital Albert Einstein, diz que é comum as pessoas exagerarem no consumo do álcool sob alegação de que a substância faz bem ao coração. “Muitas ultrapassam facilmente os 30 gramas diários.”
O oncologista Antonio Carlos Buzaid, diretor-geral do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, afirma que o estudo corrobora uma forte suspeita de que o álcool esteja associado ao aparecimento de câncer, mas ele avalia que o aumento do risco seja pequeno. “O risco de câncer de pâncreas é tão pequeno que, se eu aumentar em 22% uma coisa pequena, ela continua pequena.”
O problema do câncer pancreático é que 90% dos pacientes descobrem a doença em estágio avançado. “É um órgão que está no retroperitônio, atrás do intestino e do estômago e que os exames habituais podem não visualizá-lo adequadamente”, afirma Coimbra.
Outro fator limitante, diz Buzaid, é que o tumor não manifesta sintomas iniciais. “Quando dá [sinais], está avançado.”

12/02/2009 - 12:54h FHC defende a descriminação da maconha

Ex-presidente diz que política somente de repressão ”não resolve” e ”é preciso outras ações”

Felipe Werneck – O Estado de SP

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu ontem a descriminação da posse de maconha para consumo pessoal na abertura da 3ª Reunião da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia. A proposta está no documento da comissão que será apresentado aos governos da região e à Organização das Nações Unidas (ONU), cujo título é Rumo a Uma Mudança de Paradigma.

Fernando Henrique disse que o objetivo é abrir o debate para “acabar com um tabu”. “Essa história de guerra contra as drogas não resolve. É preciso ter outras ações que levem à redução da demanda”, declarou.

Para a comissão, a proposta de descriminação da maconha deve ser avaliada “sob o prisma da mais avançada ciência médica”. O grupo também propõe que o consumo de drogas seja tratado como questão de saúde pública e a redução do consumo por meio de ações de informação e prevenção. Criada pelos ex-presidentes Fernando Henrique, César Gaviria (Colômbia) e Ernesto Zedillo (México), a comissão é integrada por 17 pessoas, entre elas o escritor peruano Mario Vargas Llosa e o brasileiro Paulo Coelho.

“Fomos capazes de reduzir drasticamente o tabaco. Por que não a maconha?” Nas 12 páginas do documento apresentado ontem não há menção aos direitos humanos, muitas vezes ignorados na chamada guerra contra as drogas. Indagado por um jornalista sobre isso, Fernando Henrique reconheceu a falha. Sobre as ações tomadas em relação ao tema durante seu governo, citou a criação, em 1998, da Secretaria Nacional Antidrogas (Sead) e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que investiga lavagem de dinheiro. Fernando Henrique disse acreditar que a posição atual do governo brasileiro seja semelhante à da comissão, de que é preciso dar mais atenção à prevenção.

O ex-presidente disse que não gosta de maconha. “Tenho tranquilidade para falar porque não fumo nem cigarro. Mesmo com bebida. Meu pai era militar e só comecei a tomar vinho depois que casei.”

Ele disse que candidatos não deveriam ser punidos porque fumam maconha ou bebem cachaça. “Vamos supor que algum candidato tenha fumado maconha. Qual é o problema? E quantos tomam cachaça? Qual é o problema?”, declarou. “Quando começaram a falar do presidente Lula, eu dei meu testemunho. Conheço o Lula há muitos anos e nunca vi ele bêbado. Tomar cachaça todo trabalhador toma. É crime isso? Não. Diminui a capacidade de exercer o poder? Não.”

07/11/2008 - 11:42h Exportações do campo já somam US$ 62 bi no ano

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Mauro Zanatta – VALOR, de Brasília

Empurrado pela boa performance das vendas do complexo soja, complexo carnes, produtos florestais, açúcar, álcool e café, o agronegócio brasileiro embarcou US$ 62 bilhões ao exterior nos primeiros dez meses de 2008, um resultado 26,8% superior ao período entre janeiro e outubro de 2007. Como as importações cresceram 41,8% neste intervalo, para US$ 9,9 bilhões, o superávit comercial do setor atingiu US$ 52,1 bilhões.

Os mercados que mais contribuíram para o crescimento das exportações do agronegócio estão situados na América Latina, Ásia, Europa Oriental, Mercosul e União Européia. Os maiores compradores foram os europeus ocidentais (33%), asiáticos (24%), norte-americanos (10%) e europeus orientais (8%).

A forte elevação das vendas para China (78%) colocou o país asiático no topo do ranking de destinos nos primeiros dez meses do ano com uma fatia de 12,2% de participação. A China ultrapassou os 9% dos Países Baixos e os 8,6% dos Estados Unidos. As vendas tiveram forte aumento para Venezuela (129%), Tailândia (71%), Arábia Saudita (51%), Japão (41%) e Rússia (41%).

Em outubro, as exportações do agronegócio brasileiro totalizaram US$ 6,6 bilhões, um crescimento de 9,8% em relação a outubro de 2007. Como resultado, houve superávit de US$ 5,5 bilhões. Em soja, foram vendidos US$ 1,1 bilhão. As vendas externas de carnes cresceram 31,4%, somando US$ 1,4 bilhão. As exportações do complexo sucroalcooleiro chegaram a US$ 870 milhões, 40,5% acima de outubro do ano passado.

As vendas de fumo cresceram 56,2%, chegando a US$ 406 milhões. As exportações de café cresceram 29,7%, para US$ 524 milhões. As importações de outubro cresceram 27,5%, para US$ 1,1 bilhão. Os mais importados foram trigo e borracha natural, mas as compras de milho (- 43%) e arroz (- 55,5%) recuaram bastante na comparação com igual período do ano passado.

Nos últimos 12 meses encerrados em outubro, as exportações do agronegócio alcançaram a marca histórica de US$ 71,5 bilhões, ou 24,6% acima dos 12 meses anteriores. O superávit comercial acumulado bateu em US$ 59,8 bilhões. Nesse caso, os setores mais dinâmicos foram: carnes (+37%), produtos florestais (+11%), café (+19%), fumo (+25,5%) e lácteos (+162%).

15/09/2008 - 16:10h Brócolis pode proteger pulmão de fumantes, diz estudo

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da BBC e Folha Online

Um estudo conduzido nos Estados Unidos sugere que o brócolis pode ajudar a reduzir os danos causados nos pulmões de pacientes que sofrem de uma séria doença pulmonar geralmente associada ao fumo.

A equipe, da John Hopkins School of Medicine, em Maryland, acredita que um composto produzido pelo brócolis, o sulforafano, aumenta a atividade da proteína NRF2 –conhecida por ser um potente antioxidante e componente de defesa dos pulmões contra inflamações.

Essa ação protegeria as células dos danos causados pela doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), normalmente causada pelo fumo e que engloba um conjunto de problemas pulmonares, entre eles a bronquite crônica e o enfisema.

Segundo o estudo, essa proteína aciona vários mecanismos que removem toxinas e poluentes que podem danificar as células pulmonares.

“Aumentar a atividade do NRF2 pode levar à tratamentos úteis que previnem a evolução da DPOC”, disse Shyam Biswal, que coordenou a pesquisa.

Efeitos

O estudo foi publicado na edição desta segunda-feira da revista científica “American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine”.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores examinaram amostras de tecido dos pulmões de fumantes infectados e não-infectados pela DPOC para determinar os níveis de NRF2 nos dois grupos.

Quando comparados com fumantes que não sofriam da doença crônica, os pacientes de DPOC em estágio avançado demonstraram níveis muito menores da proteína.

Por isso, os pesquisadores acreditam que tratamentos direcionados a aumentar os níveis de NRF2 podem atenuar os efeitos do estresse oxidativo provocado pela DPOC nos pulmões.

Segundo o estudo, o sulforafano é capaz de restaurar os níveis reduzidos do NRF2 nas células expostas à fumaça do cigarro.

Tratamento

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que o mesmo composto encontrado no brócolis era capaz de reverter os danos causados pela diabetes aos vasos sangüíneos do coração.

“Pesquisas futuras devem ser direcionadas ao NRF2 como uma nova estratégia para aumentar a proteção antioxidante nos pulmões e testar sua habilidade em melhorar a função pulmonar de pacientes com DPOC”, disse Biswal.

Um porta-voz da Fundação Britânica dos Pulmões afirmou que o estudo é importante para mostrar o desequilíbrio entre oxidantes e antioxidantes nos pulmões.

“Sabemos que o brócolis contém compostos naturais, mas por enquanto os estudos foram feitos apenas em laboratórios e são necessárias mais pesquisas para descobrir se pode produzir os mesmos efeitos em humanos”, disse.

A doença pulmonar obstrutiva crônica foi considerada a quinta mais letal do Brasil, segundo dados recolhidos pelo Projeto Platino, que investigou a incidência da doença no Brasil em 2003.

Segundo os dados, a DPOC provoca cerca de 270 mil hospitalizações anualmente, e é causa crescente de morte no país.