21/03/2009 - 12:52h ”Lula é meu exemplo”, diz Funes

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Foto Folha SP

Salvadorenho prefere estilo de brasileiro ao de Chávez

João Paulo Charleaux – O Estado SP

O presidente eleito de El Salvador, Mauricio Funes, disse ontem, em São Paulo, que fará um governo de esquerda mais próximo ao do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, do que ao do venezuelano, Hugo Chávez. A declaração foi feita após um encontro com Lula, na primeira viagem de Funes depois das eleições salvadorenhas, realizadas no domingo.

“Eu disse durante a campanha e reitero agora que me sinto mais próximo do governo brasileiro”, disse Funes quando questionado pelo Estado sobre que modelo de esquerda seu governo seguiria.

Funes venceu as eleições como candidato do ex-grupo guerrilheiro Frente Farabundo Martí de Liberação Nacional (FMLN) e disse que veio ao Brasil “agradecer a Lula pelo acompanhamento do processo eleitoral salvadorenho”. Ele viajou para o Brasil na companhia da mulher e futura primeira-dama, a brasileira Vanda Pignato. A campanha da FMLN foi chefiada pelo publicitário João Santana, que fez a campanha de reeleição de Lula, em 2006.

“Lula mostrou que é possível fazer um governo de esquerda sem que isso signifique um salto no vazio”, disse Funes. “O Brasil mostrou que é possível um governo de esquerda trazer estabilidade macroeconômica e governabilidade democrática.”

A posse de Funes ocorrerá em 1º de junho, mas ele já trabalha para levar a El Salvador programas sociais brasileiros como o Bolsa-Família. Outra área de interesse é a produção de etanol. O Brasil detém a tecnologia de produção e El Salvador, plantações de cana-de-açúcar geograficamente próximas do mercado americano.

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Ricardo Stuckert/Reuters

Salvadorenho diz que Obama prometeu “guinada”

Eleito presidente no domingo, Mauricio Funes, casado com paulistana, compara-se a Lula após encontro com brasileiro em São Paulo

FLÁVIA MARREIRO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente eleito de El Salvador, Mauricio Funes, disse ontem ter recebido de Barack Obama a promessa de que seu governo nos EUA significará uma “guinada” na relação de Washington com a América Latina e com a América Central em particular. Luiz Inácio Lula da Silva foi a ponte na conversa com o americano, segundo contou o salvadorenho momentos depois de se reunir com o presidente brasileiro em São Paulo.

“Primeiro ele [Obama] me disse que tinha conversado com Lula sobre minha liderança e sobre o que poderia representar a minha vitória para El Salvador e para América Central. Isso de alguma maneira abre possibilidades de construir relações mais estreitas com o governo dos EUA”, afirmou Funes, da FMLN (Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional), de esquerda.

“Ele disse que sua Presidência poderia representar uma guinada na visão que os EUA têm da América Latina.”

Funes, casado com a militante petista Vanda Pignato, 46, disse que sua visita ao Brasil -a primeira ao exterior desde a vitória- combinou motivos pessoais com a intenção de agradecer a Lula pelo “acompanhamento” feito pelo brasileiro da eleição salvadorenha.

O casal levou ao encontro com o presidente brasileiro em São Paulo o filho, Gabriel, de 17 meses, que passou o último mês de campanha no Brasil. A reunião, da qual participou o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, durou cerca de uma hora.

Como na campanha, dirigida pelo marqueteiro João Santana, ligado ao PT, Funes comparou-se a Lula e afirmou que seu programa se inspirou no do brasileiro. Disse que tanto ele quanto Lula sofreram com a “campanha de medo” da direita e, como o brasileiro, ele representa a “esquerda responsável”, que não afugenta investidores. Negou que a ajuda do PT tenha sido financeira.

“Vou fazer um governo de esquerda responsável: reduzir a pobreza e fazer a crescer a economia”, prometeu.

O salvadorenho representa a aposta moderada da FMLN, ex-guerrilha convertida em partido no acordo de paz de 1992, que encerrou 12 anos de guerra civil (1980-1992), que deixou 75 mil mortos. Há analistas que sustentam, porém, que a visão considerada pragmática não é um consenso na legenda e que isso pode trazer problemas para o futuro governo, que ainda terá de negociar com centristas para ter maioria no Legislativo.
Aos jornalistas, Funes fez questão de desautorizar um deputado da FMLN -não citou o nome- que dissera que o futuro governo buscará renegociar a dívida externa do país. “Pagaremos as dívidas com o juros conforme foram negociados.”


Primeira-dama petista

Funes assumirá em 1º de junho um país de economia dolarizada, dependente da economia dos EUA. Segundo ele, seria um “suicídio” não buscar boas relações com Washington tendo 2 milhões de salvadorenhos vivendo lá. Comemorou ter recebido ontem um telefonema da secretária de Estado, Hillary Clinton, para conversar sobre cooperação.

A futura primeira-dama, a advogada paulistana Vanda Pignato, afirmou que assumirá a Secretaria de Bem-Estar Social no novo governo, que, sob Funes, virará ministério. Ela e o marido disseram que o principal projeto, de inclusão para mulheres, foi inspirado em um semelhante no Brasil.

Vanda voltou a dizer que renunciará aos cargos que acumulava: o de diretora de um centro ligado à embaixada brasileira e o de representante do PT na América Central. “Mas seguirei petista.”

17/03/2009 - 09:14h Eleito por ex-guerrilha, salvadorenho acena aos EUA

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Mauricio Funes chega à Presidência do país centro-americano após décadas de governos conservadores e prega “reconciliação nacional”

DA REDAÇÃO FOLHA SP

O presidente eleito de El Salvador, Mauricio Funes, da ex-guerrilha de esquerda FMLN (Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional), prometeu ontem fazer um governo de reconciliação nacional e de estreitos laços com os EUA, um dia após pôr fim nas urnas a duas décadas de gestão conservadora no país.
“Desejo uma política exterior independente. Quero a integração centro-americana e o fortalecimento da relação com os EUA”, disse Funes a milhares de apoiadores no discurso de vitória, anteontem à noite.
Pouco antes, a Arena (Aliança Republicana Nacionalista), no poder desde 1989, admitira a derrota -51,27% dos votos para Funes contra 48,73% do engenheiro e ex-chefe de polícia Rodrigo Ávila.
Foi uma vitória histórica da ex-guerrilha FMLN, convertida em partido político em 1992, com o acordo de paz que encerrou 12 anos de guerra civil na qual lutou contra o governo, apoiado militarmente por Washington. Cerca de 75 mil pessoas morreram no conflito no país centro-americano.
Funes citou o bispo da Teologia da Libertação Oscar Romero, ícone da resistência na guerra civil, morto a tiros por paramilitares em 1980 enquanto rezava uma missa. “Monsenhor Romero disse que a igreja tinha uma opção preferencial pelos pobres. Isso eu farei: favorecer os pobres e os excluídos.”
Tanto no discurso quanto nas primeiras entrevistas como presidente eleito, o jornalista Funes, 49, seguiu a cartilha de pragmatismo da campanha. “Este não é um tempo de vingança. É de entendimento.”
O Departamento de Estado parabenizou Funes pela vitória e reiterou que Barack Obama cooperará com o novo governo, que toma posse em 1º de junho. A campanha governista havia inflado temores de que seu triunfo atrapalharia as cruciais relações com a Casa Branca -em 2004, essa foi a mensagem da gestão Bush.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que conhece o salvadorenho há anos, também telefonou para felicitá-lo. Funes é próximo do PT e casado com a advogada paulistana Vanda Pignato. Sua campanha foi dirigida por João Santana, marqueteiro petista.

Desafios
Funes assumirá um país com mais da metade da população abaixo da linha de pobreza e, como os vizinhos de América Central, profundamente dependente da economia americana, hoje em crise.
Cerca de 18% do PIB do país vem de remessas enviadas pelos mais de 2 milhões de salvadorenhos que vivem nos EUA. Também enfrentará a maior taxa de homicídios do continente -63 para cada cem mil habitantes- e quadrilhas ligadas aos cartéis mexicanos.
No front político, o presidente eleito também terá de fazer alianças. A FMLN elegeu a maior bancada da Assembleia Legislativa, em janeiro, duas cadeiras a mais que a direita. Para maioria qualificada, porém, terá de fazer acordos com partidos de centro, como o Democrata Cristão.

16/03/2009 - 14:13h Victoria histórica de la ex guerrilla izquierdista en El Salvador

“Hoy hemos firmado un nuevo acuerdo de paz”, proclama Mauricio Funes, líder del FMLN nada más confirmarse su triunfo

PABLO ORDAZ | San Salvador – EL PAÍS

Celebraciones en la calle de seguidores del FMLN

Celebraciones en la calle de seguidores del FMLN.- AFP

La antigua guerrilla salvadoreña logró anoche un triunfo histórico. Por primera vez desde que hace dos décadas dejara las armas y firmara los acuerdos de paz que pusieron fin a la contienda civil, el Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN) conquistó la presidencia de la república de El Salvador. Nada más confirmarse su ajustada victoria -el 51,27% de los votos frente al 48,73% que obtuvo la derecha-, su candidato, el periodista Mauricio Funes, compareció ante la opinión pública escoltado por los viejos comandantes guerrilleros. Con la voz rota por el cansancio y la emoción, Funes dijo: “Esta noche debe tener el mismo sentimiento de esperanza y reconciliación que hizo posible los acuerdos de paz. Hoy hemos firmado un nuevo acuerdo de paz, de reconciliación del país consigo mismo. Por esta razón, invito desde este momento a las diferentes fuerzas sociales y políticas a que construyamos juntos el futuro. No me cabe ninguna duda que este día ha triunfado la ciudadanía que creyó en la esperanza y venció el miedo”.

Funes vestía de chaqueta oscura y camisa blanca sin corbata. Ellos, los viejos comandantes guerrilleros, sus antiguas guayaberas rojas. El FMLN no sólo consiguió anoche derrotar por primera vez a la derechista Alianza Republicana Nacionalista (Arena), sino también a su propia obstinación inmovilista. Aunque con sus más y sus menos, la vieja guardia de la guerrilla aceptó presentar como candidato a un hombre joven, moderado, cuyo discurso está lleno de la palabra diálogo y de mensajes a la reconciliación nacional. Y ha sido ese hombre el que los ha llevado a la victoria. Durante toda la campaña, la derecha dura que ha venido gobernando este país desde que cesaron los tiros no ha hecho otra cosa que acusar al FMLN de querer vender El Salvador a Hugo Chávez y al comunismo internacional. Pero el discurso de Funes -ya sabiéndose presidente- ni siquiera tuvo un guiño con el presidente de Venezuela. Muy al contrario. La mirada cómplice estuvo dirigida a Estados Unidos, un país donde viven y trabajan más de dos millones y medio de salvadoreños. “Deseo”, dijo el flamante ganador, “una política exterior independiente. Quiero la integración centroamericana y el fortalecimiento de la relación con Estados Unidos”.

Funes, consciente del momento histórico que estaba protagonizando, empezó su discurso diciendo: “Esta es la noche más feliz de mi vida. Y quiero que sea también la noche de la más grande esperanza de El Salvador”. Pero utilizó sus tablas como antiguo corresponsal de la CNN para hacer un discurso equilibrado, con las gotas justas de emoción, aplicándose desde el primer momento la loción de jefe de Estado. De ahí que tuviera unas palabras de homenaje para las Fuerzas Armadas de El Salvador, por su comportamiento durante la jornada electoral. Fue curioso observar el gesto serio de los viejos comandantes, que escuchaban a su joven y mediático líder hablando del Ejército -sus viejos enemigos- y de Dios. También encontró un hueco en su discurso para evocar unas palabras del arzobispo Óscar Arnulfo Romero, asesinado a tiros en 1980, en el altar de la catedral de San Salvador, un día después de pedir a los soldados que dejaran de matar. “Monseñor Romero”, recordó Mauricio Funes, “dijo que la Iglesia tenía una opción preferencial con los pobres. Eso haré yo. Favorecer a los pobres y a los excluidos”.

El discurso de Mauricio Funes no fue más que el histórico colofón de una jornada larga, donde la sensación de cambio estaba en todas las bocas. Sin embargo, la dureza de la campaña electoral le imprimió también al día una dosis de cierto riesgo que se hizo más patente una hora después de cerrar los colegios electorales. A las 5.53 de la tarde, las cámaras de televisión ya retransmitían en directo el recuento de algunas mesas electorales, en San Salvador, en San Miguel… Eran sólo unas mesas, pero la alegría que se respiraba alrededor de ellas, la contundencia con que las papeletas del FMNL iban saliendo una tras otra, los aplausos, la manera con la que el presidente alzaba cada papeleta para recibir la ovación de la gente arremolinada alrededor de la caja de cartón, los gritos -cada vez más contundentes- de “el pueblo, unido, jamás será vencido” iban confirmando la sensación, nada científica, de que el cambio se estaba produciendo en El Salvador.

Como se vio después, ese cambio no fue resultado de una victoria aplastante, sino de una pugna ajustada. Y había un peligro. Igual que la derecha había acusado sin pruebas a la izquierda de querer vender el país a Chávez, también la izquierda del FMLN había hecho correr la voz de que, si perdían, sólo sería producto de un pucherazo. Así que un hipotético vuelco electoral a favor de Arena hubiese provocado una situación difícil, casi con toda seguridad violenta. Por eso, cuando Mauricio Funes se adelantó unos minutos a la última comparecencia del Tribunal Superior Electoral y dijo las palabras mágicas -”soy ya y sin lugar a dudas en el presidente electo de todos los salvadoreños”- una sensación de alivio recorrió el país. Sobre todo cuando el candidato de la derecha, Rodrigo Ávila, aceptó democráticamente la derrota.

Los ciudadanos -los de izquierdas y los de derechas- demostraron una vez más estar a la altura de las circunstancias. Durante un mes, los políticos les ofrecieron una campaña sucia y violenta. Y ellos, los salvadoreños, les devolvieron ayer civismo y paz. Supieron convertir el 15 de marzo de 2009 en un día histórico. El eco de los tiros quedó definitivamente a resguardo de los libros de historia.

‘Maras’ y remesas

Violencia. El Salvador tiene la tasa más alta de muertes violentas de Latinoamérica debido, sobre todo, a la acción de las maras o pandillas, aunque en 2008 se registraron 3.179 homicidios, lo que supone un descenso respecto a los 3.928 de 2006.-

Pobreza. Afecta al 37% de la población. El 11% se encuentra en la extrema pobreza. La tasa de analfabetismo en 2005 era del 18,9%.-

Crecimiento. El producto interior bruto (PIB) creció un 3,2% en 2008, y la inflación, un 5,5%. Las principales exportaciones son las manufacturas y el café, aunque su saldo comercial es deficitario en 5.200 millones de dólares (unos 4.022 millones de euros).-

Dependencia de EE UU. El país norteamericano es su principal socio comercial y el receptor de más inmigrantes salvadoreños, más de 2,5 millones. Las remesas que éstos envían se han convertido en la segunda fuente de ingresos para el país (17% del PIB) después de los servicios (60%). En 2001 se fijó un tipo de cambio inalterable del colón con el dólar.

15/03/2009 - 13:43h Salvadorenho copia Lula em campanha

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Candidato da ex-guerrilha FMLN, Mauricio Funes contratou marqueteiro petista e testa mensagem de moderação nas urnas hoje

Direita governista usou Chávez contra esquerda; à diferença de 2004, EUA ficaram neutros na disputa, a mais acirrada desde 1992

FLÁVIA MARREIRO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Hugo Chávez é a arma da direita e Luiz Inácio Lula da Silva -e o marqueteiro petista João Santana- são o norte da esquerda na eleição presidencial de El Salvador que acontece hoje, a mais disputada em 17 anos e a primeira na qual um candidato da ex-guerrilha FMLN (Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional) tem chances de ganhar.
A julgar pela campanha da governista Arena (Aliança Republicana Nacionalista, direita), no poder desde 1989, trata-se de um referendo na Venezuela. O candidato Rodrigo Ávila, 44, espalhou o bolivariano em outdoors e spots de TV que conclamam os salvadorenhos a salvar o país de Chávez e das “garras do comunismo”.
É um ataque potente contra a FMLN -convertida em partido político no acordo de paz de 1992, que pôs fim à sangrenta guerra civil (1980-1992) do país centro-americano-, numa eleição em que a ex-guerrilha se mostrou mais disposta do que nunca a mostrar imagem de esquerda pragmática.
A frente escolheu Mauricio Funes, 49, popular jornalista de TV, para representá-la. Funes -que lidera as pesquisas por pequena margem- não lutou na guerra civil e ainda mantinha relação próxima com Lula.
“O socialismo do século 21 não é para El Salvador”, disse Funes à Folha. “Considero Lula e seu estilo de governar meu referencial mais próximo.
Quando fui escolhido candidato, não vacilei. Convenci o partido a contratar João Santana, que conheço há anos”, continuou ele, casado com a brasileira e petista Vanda Pignato, funcionária da Embaixada do Brasil em San Salvador.
O marqueteiro lulista encheu a TV com crianças e trabalhadores correndo balançando a bandeira salvadorenha em clipes bem filmados com jingles com variações de “a esperança vencerá o medo”, o slogan “Mudança Segura” e imagens de Lula e Barack Obama, recente adepto do mantra.
Funes lançou até, há três dias, uma Carta à Nação, nos moldes da Carta ao Povo Brasileiro do petista em 2002. Prometeu segurança jurídica aos investidores, negou que vá fazer nacionalizações e disse que não quer rever o Cafta, o acordo de livre comércio dos EUA com a América Central.
Apesar da íntima ligação de Funes com o Brasil, a campanha governista acusa a Venezuela de ingerência. “Lula virou valor agregado. Não havia espaço para criticar”, diz o economista e analista político Roberto Rubio Fabián, do local Funde (Fundação Nacional para o Desenvolvimento).
Questionado sobre o uso da imagem de Chávez, Rodrigo Ávila, engenheiro e ex-diretor da polícia, não titubeou: “A verdade é dura. Foi Chávez quem disse que queria incluir El Salvador na Pátria Grande Bolivariana”. O candidato prometeu construir a “nova direita”.
Para Rubio, Funes não foi suficientemente claro ao marcar distância do venezuelano, sob risco de criar arestas na ala radical da FMLN. “O problema é que ele precisava de um discurso moderado para o eleitorado e um outro tom para dentro.”

Fator EUA e votação
Os governistas não puderam contar com o apoio explícito da Casa Branca como em 2004, na eleição de Antonio Saca. À época, na tradição da Guerra Fria, o Departamento de Estado do governo Bush disse que uma vitória da esquerda atrapalharia as relações com Washington.
Estavam à frente da ofensiva americana pró-Arena Otto Reich e Roger Noriega, que antes trabalharam no governo Reagan (1981-1989), quando os EUA deram assessoria antiguerrilha ao Exército salvadorenho e apoio encoberto aos esquadrões da morte. Um terço da população salvadorenha vive nos EUA, e 18% do PIB vem de remessas dos imigrantes. Os americanos são os principais consumidores das exportações do país, onde quase metade da população vive abaixo da linha de pobreza. O dólar é usado como moeda local desde 2001.
Desta vez, 46 congressistas republicanos dos EUA até que tentaram. O grupo enviou carta a Barack Obama e a Hillary Clinton alertando para “os riscos” de uma vitória da FMLN. Mas o Departamento de Estado disse que trabalhará bem com quem ganhar.
A votação de hoje em El Salvador deve acontecer num clima tenso, dadas as denúncias de tentativa de fraude feitas pela esquerda e as idiossincrasias do sistema eleitoral -o país, um pouco maior que Sergipe, tem 4,2 milhões de eleitores.
A autoridade eleitoral é formada por indicados dos partidos, com maioria da direita. O registro eleitoral é por ordem alfabética, o que obriga eleitores a se deslocarem -e o transporte de eleitores não é crime. Observadores europeus apontaram uso da máquina do Estado e da mídia em favor de Ávila.
Rubio Fabián teme uma guerra de impugnações de urnas na apuração. “Se Funes perder por poucos votos, será difícil para a FMLN aceitar.”


Folha Online
Leia a entrevista com Funes (Ávila não atendeu aos pedidos da Folha)
www.folha.com.br/090729

15/03/2009 - 13:26h El miedo vota en El Salvador

La ex guerrilla izquierdista tiene por primera vez opciones para ganar la presidencia en un país que acude hoy a las urnas tras una campaña feroz

Vendedores callejeros atacan un coche en San Salvador
Vendedores callejeros atacan un coche en San Salvador.

PABLO ORDAZ – San Salvador – El País

En este país hubo una guerra. Duró una década y acabó hace dos. Los herederos de los dos bandos -la derecha que representa el partido Arena y los ex guerrilleros del FMLN (Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional)- se vuelven a enfrentar hoy en las urnas, como lo vienen haciendo, pacíficamente, desde que acabó la contienda civil. Sólo hay una diferencia. La de hoy es la primera ocasión en que el candidato de la izquierda tiene opciones de convertirse en presidente. Y ese miedo ha llevado a la derecha a desatar una campaña feroz en la que no ha dudado en utilizar su poderosa plataforma mediática, toda la maquinaria del Estado y el lenguaje de la guerra fría para hacer llegar hasta el último rincón de El Salvador un mensaje único, apocalíptico: “Si los comunistas ganan, venderán el país a Hugo Chávez”.

Hato Hasbún coloca en el centro de la mesa un cuenco con pipas de calabaza. Acerca su silla a la de su interlocutor. Sonríe. Desde esta villa sin carteles en la puerta, disfrazada en medio de una colonia de clase alta de San Salvador, Hasbún viene intentando desde hace meses la cuadratura del círculo. Que el FMLN consiga la victoria en las urnas mediante la mezcla explosiva de un candidato a presidente de aspecto moderado -el ex periodista de la CNN Mauricio Funes- y un candidato a vicepresidente -el ex comandante de la guerrilla Salvador Sánchez Cerén- que representa a la facción más dura y más comunista de los guerrilleros salvadoreños. Según dicen las encuestas, las suyas y las del prójimo, está a punto de conseguirlo.

Hasbún -de origen palestino y miembro de la comisión política del FMLN- llama a un joven colaborador formado en la Universidad Autónoma de Madrid y le pide: “Oye, papá, dame la previsión más pesimista en el más pesimista de los escenarios posibles”. El experto bucea en su ordenador portátil y resume la respuesta: “Ganamos con una ventaja que puede oscilar entre 9,8 y 11,1 puntos de ventaja”.

La diferencia -de 17 puntos hace unos meses- se ha venido recortando semana a semana. Los analistas lo atribuyen a la influencia combinada de una campaña muy dura de la derecha, en la que el presidente venezolano, Hugo Chávez, se presenta ante la población como el futuro dueño del país, y dos errores clamorosos del candidato Funes. Los dos, para desesperación de los viejos comunistas, relacionados con el bolsillo. Valiéndose de la complicidad del fiscal general del Estado, el partido en el poder y sus numerosos medios satélites divulgaron hace unos días que Mauricio Funes había aceptado dos regalos de un conocido empresario salvadoreño: una mansión y una transferencia de dos millones de dólares a su cuenta personal en el banco HSBC. El ex periodista, cada vez más nervioso, jura y perjura que se trata sólo de préstamos, pero la facción dura de su partido, que siempre lo miró con desconfianza, no se esconde mucho a la hora de manifestar su desprecio al “típico vicio de burgués”.

Y, de paso, los dirigentes del FMLN advierten que si la ventaja llegara a reducirse hasta un porcentaje menor de ocho puntos, la poderosa maquinaria del Estado no tendría mucha dificultad en fabricar un pucherazo. Aunque sin pruebas, los ex guerrilleros están haciendo circular panfletos en los que acusan a Arena de introducir extranjeros en el país para que, provistos de documentación falsa y convenientemente sobornados, engorden las urnas a favor del partido en el poder.

-¿Usted ha matado a alguien?

-Bueno, le tengo que decir…

El candidato a la presidencia por parte de Arena, el ingeniero Rodrigo Ávila, balbucea durante varios minutos. En un país donde hasta el campesino menos preparado habla un español dulce y rico, Ávila no ha sido llamado por el camino de la oratoria. El periodista insiste.

-Pero usted admitió en una entrevista de hace unos años que sí mató…

-Bueno, yo todo lo que hice fue en defensa de mi país…

La campaña ha llegado al domingo a sangre y fuego, saltándose incluso -ante la complacencia del Tribunal Superior Electoral, en manos del partido en el poder- las jornadas de reflexión. Los candidatos -uno y otro- han aprovechado hasta el último minuto para pedir el voto y para meter el miedo ante la opción del contrario. La derecha insiste en el peligro de Chávez, cuyo rostro ha visitado más carteles y más anuncios de televisión que los de los verdaderos candidatos. Y la izquierda insiste en que, si la derecha gana por un escaso margen de votos, sólo será producto del fraude, de un fraude sostenido en el que han participado los empresarios amedrentando a sus trabajadores con huir del país y dejarlos sin trabajo en el caso de que llegue el comunismo.

Esa amenaza, que casi todo el mundo aquí da por cierto, viene a desplomarse sobre una clase trabajadora azotada por el desempleo, la carestía de la vida, las tremendas desigualdades y una violencia en ascenso (12 homicidios al día) protagonizada por las maras o grupos de pandilleros que dominan a sus anchas los barrios ante la ineficacia de la policía. El Salvador sólo dispone de 17.000 policías mal pagados, la mitad que los vigilantes de seguridad privada, uno de los pocos negocios emergentes. Una tercera parte de la población -más de dos millones y medio de personas- vive fuera del país, fundamentalmente en EE UU, trabajando y mandando remesas de dinero que ahora empiezan a flaquear por la crisis. Todo esto hace que la campaña electoral, presentada a vida o muerte por las dos opciones, esté llevando al país a un punto de crispación muy peligroso en el caso de que se produzca un resultado ajustado.

El mejor ejemplo del tono de trinchera en el que se ha desarrollado la campaña lo representa el editorial publicado ayer (jornada de reflexión) por el periódico El Día de Hoy. Se titula “Adiós a la mayoría de empleos” y dice: “Bajo el comunismo la mayoría de profesionales de las sociedades liberales desaparecen o inclusive es perseguida (…) ¿Es esto lo que quieres, estimado lector?”.

15/03/2009 - 13:09h Esquerda tenta vitória inédita em El Salvador

Candidato de ex-grupo guerrilheiro à presidência adota tom moderado para romper hegemonia da direita

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William Booth, THE WASHINGTON POST – O Estado SP

Depois de uma guerra civil que durou 12 anos e de uma paz atualmente ameaçada pela criminalidade, a esquerda salvadorenha pode, nas eleições de hoje, concluir uma jornada notável que teve início com a luta armada e pode terminar no palácio presidencial.

O seu candidato nas eleições é Mauricio Funes, de 49 anos, ex-correspondente do canal em espanhol da CNN. Ele foi recrutado recentemente pela Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), grupo revolucionário convertido em partido político, e disputa a presidência voto a voto com Rodrigo Ávila, de 44 anos, ex-chefe da força nacional de polícia e candidato da Aliança Republicana Nacionalista (Arena), partido que venceu as quatro últimas eleições em El Salvador.

Apesar de os membros da FMLN fazerem campanha tradicionalmente vestidos de vermelho, Funes prefere uma camisa panamá branca, calças jeans da moda e óculos de grife. E mesmo num partido cuja retórica está mais próxima do estilo dos irmãos Castro, de Cuba, Funes se considera a versão local do presidente americano, Barack Obama.

A comparação é feita abertamente: Funes e a FMLN usam imagens de Obama nos seus anúncios (apesar das objeções do Departamento de Estado americano). A campanha publicitária da FMLN na televisão completa o vínculo ao empregar o slogan de Obama em inglês e espanhol: “Sí, se puede!”

BOLIVARIANOS

Se vencer hoje, Funes colocará outro Estado latino-americano na trilha da “maré rosa” que já chegou a Brasil, Chile, Venezuela, Equador, Bolívia, Uruguai e Nicarágua, onde partidos de esquerda venceram as eleições nos últimos anos. Mas a pergunta que ocupa as mentes dos eleitores, de acordo com entrevistas e pesquisas de opinião, refere-se ao tipo de esquerda que ele representa.

Será a esquerda democrática, globalizada, empresarial e moderada que se mostra amigável aos EUA, como a brasileira? Ou a esquerda populista, linha-dura e nacionalista que antagoniza os Estados Unidos, como se vê na Venezuela?

Funes disse representar a esquerda moderada, e afirmou que a Guerra Fria precisa acabar em El Salvador. “A comunidade empresarial não tem medo de nós e nós não temos medo dos empresários. Trabalharei para fortalecer nosso relacionamento com os Estados Unidos, fazendo deles nossos parceiros, e acho que juntos trabalharemos bem.”

Até 2 milhões de salvadorenhos residem nos Estados Unidos. Estima-se que as remessas de dinheiro feitas pelos salvadorenhos que moram no exterior totalizem US$ 8 bilhões anuais, o equivalente a cerca de 20% do PIB do país.

O direitista Ávila diz que Funes é um fantoche que servirá aos seus verdadeiros mestres – a linha-dura da FMLN que quere fazer de El Salvador um satélite venezuelano, sob a influência do presidente Hugo Chávez.