18/11/2009 - 13:26h O esvaziamento tecnológico do Estado

TENDÊNCIAS/DEBATES

ÁLVARO RODRIGUES DOS SANTOS


Órgãos públicos que antes eram verdadeiras escolas de engenharia hoje são meras estruturas burocráticas sem consistência técnica


OS NOVOS e positivos patamares do crescimento nacional encontram o poder público planejador, contratante e fiscalizador abalado por fenômenos estruturais recentes que muito o fragilizaram tecnológica e gerencialmente para o cumprimento dessas essenciais atribuições.
O processo de privatização de empresas públicas nas áreas de energia, telecomunicações, transporte e infraestrutura em geral, sobretudo nos anos 1990, trouxe a dissolução de equipes técnicas de altíssima capacitação e experiência constituídas nessas empresas ao longo de décadas.
Esse processo levou também a uma temerária fragilização tecnológica de toda uma cadeia empresarial privada mobilizada por contratação das estatais e implicada na produção de estudos e projetos, na implantação dos empreendimentos e no fornecimento de insumos gerais, equipamentos e componentes.
Não se está aqui colocando o processo de privatizações em questão, mas focando uma decorrência que, provavelmente, não foi devidamente considerada.
Essas equipes técnicas, formadas no âmbito da implantação de empreendimentos da mais alta complexidade tecnológica nas décadas de 1950, 1960 e 1970, contando com o entusiasmado e estratégico apoio de instituições públicas de pesquisa tecnológica do país, foram responsáveis pelo desenvolvimento de uma engenharia nacional aplicada às características econômicas, sociais e fisiográficas próprias de nosso país, guindando-a ao nível da melhor engenharia do Primeiro Mundo.
De outra parte, as várias empresas privadas brasileiras de consultoria, projetos e serviços em engenharia que se formaram a partir das demandas das empresas públicas constituíram suas próprias equipes técnicas, respondendo induzidamente ao mesmo patamar de qualidade.
Do ponto de vista da capacitação tecnológica da administração pública contratante, cumpre lembrar que, nos órgãos da administração direta, o processo de enfraquecimento tecnológico -no caso, dentro de uma outra, mas também perversa lógica- começou ainda nos anos 1950.
De sua decorrência, órgãos públicos que, no passado, constituíram-se em verdadeiras escolas da engenharia nacional, hoje não são mais que meras estruturas burocráticas contratantes sem nenhuma consistência técnica.
Ao analisar o processo de esvaziamento tecnológico da administração pública direta e indireta, é fundamental considerar o especial e estratégico papel do poder público contratante e fiscalizador como indutor da qualidade das empresas contratadas e mobilizador da empresa nacional fornecedora de projetos, serviços e insumos.
Sem a devida competência sequer para as indispensáveis interlocuções tecnológicas entre contratante e contratados e para a posterior fiscalização técnica dos serviços, a administração pública perde progressiva e rapidamente competência em planejar, priorizar e decidir sobre a implantação de empreendimentos e serviços públicos essenciais ao seu desenvolvimento técnico e econômico.
Bom lembrar que cabe ao Estado contratante a missão de fixar, já nos termos licitatórios, as linhas e concepções tecnológicas básicas que mais interessarão ao país no que se refere ao aproveitamento máximo de suas vantagens comparativas e de sua estrutura empresarial.
Perde-se a autonomia dessa decisão quando se perde a competência técnica para defini-la.
Essas responsabilidades estratégicas e próprias do Estado não são, como ingênua e irresponsavelmente podem pensar alguns, transferíveis para o setor privado contratado.
A área privada é compreensivelmente administrada sob outra lógica, em que soam estranhas as funções públicas de verificação, exigência e defesa permanente dos interesses maiores da sociedade.
As consequências negativas desse fenômeno são graves e podem ser facilmente imaginadas nos âmbitos social e econômico -ou até no âmbito estratégico da segurança nacional (perda de “intelligentsia”).
Que ao menos os recentes acidentes em obras de engenharia possam servir para que governo e empresa, assim como a engenharia nacional, por meio de suas entidades, discutam e reflitam sobre essas questões. Sem partidarismos, com a disposição que a defesa desse estratégico patrimônio tecnológico tão nobremente construído exige.


ÁLVARO RODRIGUES DOS SANTOS , geólogo, é consultor em geologia de engenharia, geotecnia e meio ambiente. Foi diretor de Planejamento e Gestão do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e diretor da Divisão de Geologia. É autor, entre outras obras, de “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”.

29/04/2009 - 09:52h Nos trilhos

Após 11 anos, Kassab desiste do Fura-Fila

Obra lançada por Pitta como corredor exclusivo para ônibus dará lugar a um metrô leve, de superfície, a ser operado pelo Metrô

Dos 33 km previstos da ligação entre o centro e a zona leste, faltam 22,3 km; obra passará da prefeitura para o governo do Estado

Diego Padgurschi/Folha Imagem
 

Trecho do Expresso Tiradentes no Ipiranga, zona sul de SP

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO e EVANDRO SPINELLI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Após 11 anos, cerca de R$ 950 milhões investidos e só um terço dos 33 km previstos entregues, o antigo Fura-Fila, hoje Expresso Tiradentes, deixará de ser um corredor exclusivo para ônibus e dará lugar a um metrô leve (tipo de metrô de superfície), operado pelo Metrô, nos 22,3 km que faltam.
A obra passará, assim, das mãos da Prefeitura de São Paulo para as do governo estadual.
O metrô leve (VLT, Veículo Leve sobre Trilhos) será construído no trecho a partir da Vila Prudente, bairro da zona leste.
A mudança da concepção do projeto, que ligará o centro à Cidade Tiradentes, no extremo leste, enterra a ideia do Fura-Fila como corredor exclusivo de ônibus, como foi gestado no governo Celso Pitta (1997-2000), do qual o hoje prefeito Gilberto Kassab (DEM) era secretário de Planejamento.
As alterações foram anunciadas ontem por Kassab e pelo governador José Serra (PSDB).
Serra e o prefeito relacionaram uma lista do que consideram vantagens do metrô leve sobre o corredor de ônibus.
Uma das principais, segundo eles, é que com o mesmo valor da tarifa do metrô o passageiro poderá tomar o VLT em Cidade Tiradentes e chegar ao centro em 50 minutos, contra duas horas no corredor. Hoje, essa viagem chega a três horas e meia.
Serra disse que os corredores não funcionam de forma adequada pois cruzam com outras vias, o que torna os ônibus mais lentos. Até Cidade Tiradentes, pelo projeto antigo, o Fura-Fila cruzaria mais de 25 semáforos.
Já o metrô leve circulará em vias elevadas, com paradas a cada quilômetro e uma estação de integração ônibus-metrô-veículo leve na Vila Prudente.
Serra afirmou que, quando assumiu o cargo de prefeito, em 2005, “herdou” o Fura-Fila.
Sua antecessora, Marta Suplicy, não havia concluído as obras. A gestão petista (2001-2004) chegou a rebatizar o projeto: chamava-o de Paulistão.
“Havia [a ideia] apenas de concluir aquele maldito Fura-Fila. O grande problema dos corredores de ônibus é que não são corredores, são “vagadores’”, afirmou o governador.
Segundo convênio a ser assinado por Serra e Kassab, Estado e prefeitura vão dividir os custos, estimados em R$ 2,3 bilhões. O prefeito vai repassar para o novo Expresso Tiradentes o R$ 1 bilhão que prometeu investir no Metrô durante este mandato, que acaba em 2012.
Já a verba (entre R$ 400 milhões e R$ 600 milhões) que seria destinada ao Expresso Tiradentes será investida no corredor Celso Garcia e em outro corredor, possivelmente na zona sul da cidade, segundo o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes.
A previsão é que o primeiro trecho do novo Expresso Tiradentes, entre Vila Prudente e São Mateus, de 12,8 km, fique pronto até o final de 2010.
O trecho seguinte, até Cidade Tiradentes, terminará, afirmou o prefeito, em 2012, último ano de sua gestão em São Paulo.
A adoção do novo modelo vai resultar também no abandono do projeto de construção do ramal Oratório da linha 2 do Metrô, de 2,1 km, que, segundo Serra, teria um traçado igual ao do Expresso Tiradentes.

Projeto nasceu errado, dizem especialistas

DA REPORTAGEM LOCAL

Especialistas em transporte divergem sobre o anúncio da mudança de planos para o Expresso Tiradentes, o antigo Fura-Fila, mas são unânimes em criticar o modelo criado no governo Celso Pitta (1997-2000).
“Foi um negócio [o Fura-Fila] que o Duda Mendonça lançou na propaganda eleitoral: “É o super-homem? É um avião? Não, é o Fura-Fila”. Depois, meio que levaram isso a sério, e fizeram uma coisa toda improvisada”, disse o professor de engenharia de transportes da USP, Jaime Waisman.
“Depois, viram que a coisa não parava em pé. Depois, nas outras gestões, não tinham como recuar”, afirmou.
Tanto o professor da USP quanto os outros entrevistados falaram de forma genérica por não conhecer o novo projeto, de um metrô leve.
Nessa condição, Waisman diz ver no anúncio de um trem de superfície um caminho correto. “Eu lhe diria, mesmo sem conhecer o projeto, que a região suporta esse “upgrade”. O sentido é positivo”, disse.
Já o consultor de engenharia de tráfego e transportes Horácio Augusto Figueira diz ver com preocupação esse anúncio repentino.
“A sensação que me dá é que não teve planejamento adequado para a demanda ou não sabiam o que fazer com o resto do Fura-Fila. Parece um quebra-galho”, disse. “O problema é saber se a linha verde terá capacidade para receber outra linha engatando nela.”
Luiz Célio Bottura, consultor de engenharia urbana e transportes, diz acreditar que a mudança “dá na mesma coisa”.
“O importante é ter um sistema de transporte naquele corredor. É claro que o bom seria uma política de uso de solo concomitante que permitisse que as pessoas não saíssem de Cidade Tiradentes e viessem trabalhar na zona sul ou no centro. Mas São Paulo não sabe fazer.”

29/04/2009 - 09:25h Agora, Fura-Fila vai ganhar trilhos

Trecho entre Vila Prudente e Cid. Tiradentes terá integração e tarifa de metrô, com veículos elétricos sobre pneus

Eduardo Reina – O Estado SP

O Expresso Tiradentes, ex-Fura-Fila, ganhará nova roupagem, a de metrô de superfície com pneus (VLP) – que correm dentro de trilhos -, e será movido a energia elétrica, em via elevada. Também terá verba do Estado, que passará a administrar o ramal de 22,3 quilômetros, entre a Vila Prudente e Cidade Tiradentes, com a contribuição de R$ 1 bilhão do Município, prometida pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) inicialmente para o sistema metroviário tradicional.

A mudança foi anunciada ontem pelo governador José Serra (PSDB) e pelo prefeito. A nova linha, de R$ 2,3 bilhões, será construída em duas etapas. A primeira tem previsão de entrega para 2010. Ligará a Vila Prudente a São Mateus. Já a etapa entre São Mateus e Cidade Tiradentes deverá entrar em operação em 2012. Haverá uma interligação entre o Expresso e o metrô, na Vila Prudente, na futura estação da Linha 2-Verde.

O traçado final do que está sendo chamado de Metrô Leve Expresso Tiradentes não está definido. Deverá ser apresentado pela Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos em maio, quando será assinado o convênio entre Município e Estado. “Será feita uma grande festa em Cidade Tiradentes para anunciar o projeto”, prevê Kassab. O governador disse que a proposta ajudará a reduzir os congestionamentos e facilitará o transporte de passageiros da zona leste ao centro.

De acordo com a Secretaria Municipal de Transportes, o custo do projeto inicial do Expresso ficava entre R$ 400 milhões e R$ 600 milhões. Já o metrô leve custará R$ 2,3 bilhões, enquanto o metrô por subsolo no mesmo trecho custaria de R$ 1,7 bilhão a R$ 4 bilhões, sem contar desapropriações.

Segundo Kassab, a modificação foi decidida para otimizar a aplicação de recursos públicos. Entre Vila Prudente e Oratório, a linha do metrô e o Expresso seriam coincidentes por 2,1 quilômetros e custariam juntos R$ 3 bilhões. A instalação do ramal Oratório da Companhia do Metropolitano implicaria grandes desapropriações na Avenida Luiz Inácio de Anhaia Melo, que também perderia 8 metros de largura até São Mateus.

“Para se ter uma ideia, o Metrô de Ipiranga a Vila Prudente custa R$ 2 bilhões. Por R$ 2,3 bilhões, vamos fazer 22,3 km de Metrô Leve. É um projeto econômico. Combina esforços da Prefeitura e do Estado e é muito importante para a zona leste”, justifica Serra. Também é considerada a possibilidade de entrega das obras em tempo menor, previsões menores de gastos com manutenção e consumo de energia elétrica.

FRASES

José Serra
Governador

“O metrô leve não vai precisar passar por cruzamentos, será por via elevada”

Gilberto Kassab
Prefeito

“Será feita uma grande festa em Cidade Tiradentes para anunciar oficialmente o projeto”


NÚMEROS

R$ 2,3 bilhões
custará o ramal, que terá 22,3 km e será administrado pelo Estado. O Município arcará com R$ 1 bi; e a primeira fase das obras deverá ser entregue em março de 2010

29/04/2009 - 08:57h O retorno do Pitta: Kassab e Serra poem trilhos rumo a 2012, com parada em 2010

http://campanhanoar.folha.blog.uol.com.br/images/03inpittablog.jpg

O “Fura-Fila” volta a ocupar o lugar previsto quando foi lançado por Celso Pitta: servir de marketing eleitoral para 2012.

Ontem mesmo, enquanto José Serra e Gilberto Kassab “vendiam” sua nova versão moderna “sobre trilhos”, o JT e o Estadão informavam que após 5 anos a dupla “modernista” não tinha construído um único corredor de ônibus exclusivo e utilizado apenas 40% das verbas previstas por eles mesmos, para os corredores. (ver “Gestão” Kassab: o abandono do transporte público)

A ideia comum a Pitta e Kassab é a do produto vitrine, não resolve os problemas e nem melhora para valer a falta de investimento no transporte público, mas permite que a TV mostre a obra com comentários dos eventuais beneficiados pelo trajeto. Um pouco como a linha 5 do metrô. Nada contra a linha 5 e nada contra concluir e melhorar se possivel o mostrengo de Pitta. Nada pior que obra abandonada ou parada.

O Estadão de hoje tem razão “agora o fura-fila vai ganhar trilhos” disse a sua manchete do caderno Metrópole. Diferente da Folha, que proclama “após 11 anos, Kassab desiste do Fura-Fila”.

Na apresentação dos “trilhos” para 2012, José Serra exclamou que os corredores são “vagadores”, em referência inconsciente ao fato de nenhum ter andado nos 5 anos em que comandam São Paulo.

Com o genial argumento que quando não tem farol o transporte é mais rápido, pretendesse justificar ao mesmo tempo não ter feito nenhum corredor de ônibus até agora e os trilhos para 2012. Pena que ninguém na sala perguntou que sendo tão verdadeira está afirmação, como o governador explica que em 14 anos de governos tucanos tão pouco metrô tenha sido construído?

Mas ninguém perguntou, sequer, se a sua exclamação implicava se, fora o fura-fila, nenhum corredor seria feito? Ou se todas as outras regiões teriam corredores elevados sobre trilhos?

Os corredores elevados e sobre trilhos encarecem a obra, em relação a todos os outros corredores necessários na cidade, por isso é uma manipulação comparar seu custo ao do metrô e não ao dos outros corredores, que sendo exclusivos e planejados, significam um ganho importante de tempo para os passageiros.

O engraçado de toda esta história é que o Estado vai repassar à prefeitura R$1 bi para o projeto, o equivalente ao suposto R$1 bi que a prefeitura passou ao Estado para o metrô. Será que vão nos fazer de novo a foto do cheque entre os dois, um devolvendo ao outro o cheque anterior, agora para a campanha de 2010? Ou tudo sera dedicado a campanha de 2012?

“É o super-homem? é um avião? Não é o fura-fila na nova versão.

Luis Favre

16/03/2009 - 10:24h Descaso de Kassab com transporte público penaliza a cidade

Prefeitura congela 26% da verba para transporte

Gestão Kassab culpa crise e diz que medida deve durar 90 dias; só 31,2% de R$ 1,2 bi orçados estão disponíveis para os investimentos e o custeio

 

http://revistaepocasp.globo.com/Revista/Epoca/SP/foto/0,,14507138,00.jpghttp://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/12/onibus_lotados3.jpg

Felipe Grandin, JORNAL DA TARDE e O Estado SP

 


As principais obras da Prefeitura de São Paulo na área de transportes estão com recursos congelados, incluindo a verba para o metrô, uma das principais promessas de campanha do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Apenas 31% do orçamento de R$ 1,2 bilhão da Secretaria Municipal de Transportes (SMT) para este ano se encontra disponível para investimento e custeio. O restante está congelado (R$ 325,4 milhões) ou comprometido com o pagamento de subsídios a ônibus e lotações (R$ 523,9 milhões) – que permitem a manutenção da atual tarifa em R$ 2,30. As informações constam de levantamento feito no Sistema de Execução Orçamentária pela liderança do PT na Câmara Municipal. A Prefeitura diz que o congelamento é “cautelar” e está previsto para durar 90 dias, “até que o cenário econômico fique mais claro”.

O prefeito se comprometeu, por exemplo, a investir R$ 1 bilhão no Metrô em 2008 e mais R$ 1 bilhão até o fim do mandato, em 2012, mas há dificuldades à vista. No ano passado, foram repassados R$ 473 milhões. Este ano, dos R$ 218 milhões previstos, metade está congelada. Em janeiro, ao anunciar a contenção de gastos, motivada pela crise financeira, Kassab afirmou que a verba para o metrô não seria atingida. Outro compromisso eleitoral ameaçado são os R$ 300 milhões para o Rodoanel até 2012. Estão previstos R$ 65,4 milhões este ano, mas só metade está disponível.

Nos cortes, foram mais afetados os corredores de ônibus. A Prefeitura congelou 63% dos R$ 124 milhões previstos no orçamento de 2009, aprovado pela Câmara. Anunciada como prioridade pelo governo municipal, a construção de corredores tem andado a passos lentos. O único previsto para 2008 ainda não foi aberto, na Avenida Celso Garcia.

Pior situação é a do corredor Expresso Tiradentes, o antigo Fura-Fila. Foram contingenciados 84,5% dos R$ 133 milhões previstos. E o restante pode nem ser usado, por causa do atraso nas licitações. A Prefeitura anunciou na semana passada que vai refazer os projetos das duas partes que ainda faltam ser construídas.

“O congelamento mostra que o transporte passou a ser área secundária para o governo”, diz o economista Odilon Guedes, do Movimento Nossa São Paulo. “E o prefeito não vai cumprir o que prometeu.”

Apesar de acreditarem que a medida é necessária, por causa da crise econômica, especialistas do setor afirmam que os corredores são essenciais para melhorar a fluidez do trânsito. “Atendem maior número de pessoas”, afirma o consultor de trânsito Luiz Célio Bottura. “O contingenciamento está sendo feito por todos os governos municipais. Agora, é evidente que esses projetos deveriam ser feitos porque são importantes”, completa o professor de Engenharia de Transportes da USP Jaime Waisman. Para ele, o Fura-Fila é a prioridade. “As obras estão em andamento e atendem uma região carente em transportes.”

Para o urbanista Nabil Bonduki, ex-vereador pelo PT, a Prefeitura deveria priorizar projetos próprios. “É contrassenso. Se não fizer os corredores, ninguém fará. Mas se não der verba para metrô e Rodoanel, as obras continuam.”

PREFEITURA

Em nota oficial, a Secretaria Municipal dos Transportes destacou que o congelamento de verbas não afetará os trechos 4 e 5 do Expresso Tiradentes nem a instalação de corredores de ônibus, porque “os recursos orçamentários poderão ser liberados à medida da necessidade” e o congelamento de verbas “não implica reprogramação ou priorização de algumas obras em detrimento de outras”.

Nos dois primeiros meses deste ano, a pasta empenhou R$ 9,2 milhões no Expresso Tiradentes, principalmente no trecho 3. Também foram empenhados R$ 12 milhões em corredores e terminais, incluindo obras do Terminal Campo Limpo, recapeamento de sete corredores e projetos básicos de outros dois.

2008: gasto ficou abaixo do orçado

Felipe Grandin – O Estado SP


Mesmo sem crise, os projetos de corredores e terminais de ônibus, o Fura-Fila e o metrô não receberam a verba prevista no orçamento do ano passado. Dos R$ 59,8 milhões reservados para a instalação e manutenção de corredores e terminais, por exemplo, só R$ 20,1 milhões (33,6%) foram empenhados – prometidos para gasto. O Expresso Tiradentes recebeu empenho de R$ 74,1 milhões, pouco mais da metade (51,7%) dos R$ 143,2 milhões que estavam previstos. As informações estão disponíveis no site da Secretaria Municipal de Planejamento.

“É um problema crônico: há anos não gastam o que está previsto em transporte coletivo”, afirma o engenheiro e consultor de trânsito Horácio Figueira. “É um crime contra a cidade. Parece que a Prefeitura não quer que as pessoas andem de ônibus.”

Já o urbanista João Valente Filho afirma que é normal haver gasto menor em ano de eleição. O motivo é que a Lei Eleitoral determina que os investimentos públicos sejam contratados até junho. “E é preciso ter reserva para ser usada no caso de um imprevisto, como uma grande enchente.”

12/03/2009 - 11:59h Kassab adia de novo conclusão do Expresso Tiradentes

Fura-Fila terá nova licitação

Prefeitura irá relançar concorrência para construir 21 km do corredor de ônibus

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Clique na imagem do JT para ampliar

Vitor Sorano, JT

vitor.sorano@grupoestado.com.br

Após a suspensão das licitações para a construção da maior parte do corredor de ônibus Expresso Tiradentes, o antigo Fura-Fila, a Prefeitura de São Paulo afirma estar refazendo os projetos. Ontem, a administração Gilberto Kassab (DEM) novamente falou em terminar a obra até o “final da gestão”, em 2012. Em 2006, o democrata também havia previsto a conclusão até o fim de seu primeiro mandato, em 2008. O projeto já está em seu 11º ano e quarto prefeito.

“Retiramos as licitações dos trechos 4 e 5 para refazer o projeto e para diminuir ainda mais o número de interferências”, disse ontem o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes. As interferências são locais, excetuados os pontos, onde o ônibus tem de parar, como semáforos, por exemplo. A ideia de Kassab é que não haja tais interrupções. “Nos próximos dias vamos apresentar o novo projeto para o prefeito, para voltar a lançar o edital de licitação, e pretendemos até o final da gestão completar os dois trechos”, afirmou Moraes.

Os trechos 4 e 5 ficam na zona leste. O primeiro tem 12 km, sairá da região do viaduto da avenida Salim Farah Maluf e irá até o Terminal São Mateus. Em outubro do ano passado, a licitação dele foi suspensa pela própria São Paulo Transportes (SPTrans), responsável pelo Expresso. À época, a empresa dava como motivo uma reavaliação de “quesitos de ordem técnica” em função da construção de piscinões na região da Avenida Professor Luis Inácio de Anhaia Melo.

Já a licitação do trecho 5, com 9 km, que ligará o Terminal São Mateus ao Terminal Cidade Tiradentes, está suspensa desde setembro de 2008. Nesse caso, a determinação foi do Tribunal de Contas do Município (TCM). Uma empresa interessada na contratação fez uma representação junto ao órgão. A SPTrans foi chamada a prestar esclarecimentos, mas até ontem o tribunal ainda analisava o caso .

Ontem, a Prefeitura entregou com atraso o trecho 3, que começa a operar comercialmente hoje. Com 2,8 km, ele estava previsto para ficar pronto em maio do ano passado. Entretanto, em março de 2008, uma estrutura de cerca de 800 toneladas da obra tombou lentamente até encostar no Viaduto Grande São Paulo. “Houve uma falha e a empresa responsável foi multada em R$ 300 mil”, disse o secretário de Transportes. Além da Estação Dianópolis, no trecho 3, Kassab inaugurou ontem a Estação Alberto Lion, do trecho 2.

Moraes retomou ainda a promessa de construção do corredor na Avenida Celso Garcia, na zona leste. O projeto, juntamente com um outro corredor na zona sul, está sendo finalizado, segundo ele. A previsão é lançar a licitação para o projeto executivo até junho.

Trecho do Fura-Fila que liga a zona sul à zona leste começa a funcionar hoje

DA REPORTAGEM LOCAL FOLHA SP

Começa a funcionar hoje o trecho de 2,8 quilômetros do corredor de ônibus Expresso Tiradentes (ex-Fura-Fila) que vai do Ipiranga (zona sul) ao terminal Vila Prudente (leste). Por ele deverão passar 10 mil pessoas por dia, segundo estimativa da prefeitura.
Com a inauguração do novo trecho, o corredor passa a ter 10,8 km, com três terminais onde o Fura-Fila se integra com a malha de ônibus: Mercado (centro), Sacomã (sul) e Vila Prudente (leste). Este último será integrado futuramente à linha 2-verde do metrô. A ampliação do corredor até Cidade Tiradentes (leste) tem conclusão prevista para 2012.
Também começam a funcionar hoje a estação do Fura-Fila Alberto Lion (Ipiranga) e a parada Divinópolis, na avenida Luiz Inácio de Anhaia Melo.
A estimativa da prefeitura é reduzir o tempo de viagem da Vila Prudente ao centro em 30 minutos -fora do trajeto expresso, a viagem leva 45 minutos. Os ônibus terão intervalos de partida de sete minutos.
O trecho custou R$ 145 milhões e foi inaugurado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) com mais de um ano de atraso.
Kassab passou a afirmar desde a campanha eleitoral que só faria corredores “como devem ser feitos” -ou seja: “sem interferências [semáforos e cruzamentos], segregados [dos carros] e com pontos de ultrapassagem [entre os ônibus]“.
O trecho que começa a funcionar hoje, no entanto, é cortado por cruzamentos e semáforos nos cerca de 400 m não elevados até o terminal Vila Prudente (a maior parte não é sequer faixa exclusiva).
A continuação de 21 km até Cidade Tiradentes terá 25 semáforos (um a cada 840 m).

01/01/2009 - 15:15h Cinismo ou arrobo de sinceridade?

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“Trânsito não é prioridade”, afirma Kassab em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo

A afirmação de Kassab é uma confissão da sua incompetência e um insulto lançado na cara dos paulistanos, de todos os eleitores.

“Trânsito não é prioridade”, afirma sem pudor o prefeito, corroborando o que tenho mostrado aqui durante estes anos e que para alguns parecia excessivo.

Pois bem, fora este insólito reconhecimento, as declarações de Kassab aos jornais de hoje mostram um método: repetir uma inverdade muitas vezes até virar o seu contrário. O pior é que temos que reconhecer que o método funciona em São Paulo com razoável êxito.

Os usuários do transporte público sabem que o setor não foi prioridade do governo demo-tucano pois o vivenciam diariamente. Nenhum corredor novo, trajetos cada vez mais longos, nenhuma fiscalização, CET sucateada, nenhum investimento em semáforos inteligentes etc. Mas a cidade comporta um número grande de pessoas que não utilizam o transporte público e para eles Kassab pretendeu que o setor era uma prioridade, repetindo, como repete agora, realizações inexistentes. Quem usa sabe, quem não usa acreditou em Kassab. Os problemas do trânsito são decorrentes diretos das fraquezas do transporte público. E trânsito e transporte público nunca foram prioridade para os demo-tucanos.

Para que o método funcione plenamente são necessários dois requisitos a mais, estreitamente ligados entre si. Uma mídia favorável e uma oposição sem voz. Os jornais cumprem sua parte sonegando aos vereadores da oposição qualquer espaço nas suas páginas e enviesando ou reduzindo permanentemente a cobertura sobre os fatos (sem falar em matérias abertamente favoráveis e campanhas interesseiras).

Vou dar um exemplo do método de Kassab. Na entrevista ao Estadão o prefeito declara: “É fundamental o investimento em corredores, como deve ser feito, não como as administrações anteriores falavam. Corredor mesmo é você não ter interferência, não ter cruzamento. Nos pontos de parada, ter áreas para ultrapassagem, como é o Expresso Tiradentes, como é o Celso Garcia, como é o projeto para a zona sul.”

O que vemos? Kassab fala de corredores e diz que é fundamental; depois ataca as “administrações anteriores” e acrescenta um descritivo citando dois corredores. O primeiro é o Fura-Fila planejado na gestão anterior, de Celso Pitta, e do qual só existem 8 Km já tendo engolido somas fabulosas (projeto tipicamente marqueteiro e condenado por todos os especialistas de transporte por faraônico, caro e não prioritário) e um corredor que é só um projeto, o Celso Garcia, que em 4 anos nem saiu do papel. O total é completado com o mantra inverídico de aporte de R$1 bilhão no metrô (a cifra é bem menor, como já foi noticiado pelos jornais).O leitor desinformado pensa que Kassab construiu dois bons corredores. A verdade é que prometeu 5, não fez nenhum e só completou uma pequena parte do fura-fila, isto em 4 anos!

Kassab diz que é inadmissível as gestões anteriores não terem investido no metrô. Inadmissível é ter participado da administração Pitta e destruído as finanças da prefeitura, escamotear a responsabilidade dos 14 anos de poder demo-tucano no pouco metrô existente e confessar que o transporte público -do qual Kassab é responsavel- os ônibus e corredores, não são prioridade.

Inverdade também quando fala do número de vagas em creche criadas nos últimos 4 anos, inverdade registrada na própria entrevista ao afirmar na mesma frase “Fizemos 60 mil vagas. A gente recebe na cidade inteira os cumprimentos. São mães beijando, cumprimentando. Quase dobramos o número de vagas. Ninguém questiona se a gente vai zerar. Fizemos 48 mil vagas em creche.” 48 mil ou 60 mil?

Nenhuma das cifras é verdadeira. Quem tem criança e não tem vaga em creche sabe do que estamos falando. Os que se interessam no assunto e conhecem os dados de 110 mil crianças aguardando vaga e a realidade do trabalho realizado por Kassab, também. Mais e os outros?

Outro exemplo na mesma entrevista, as especialidades medicas. Segundo Kassab este problema não existe. Textual!

O entrevistador disse que “o Conselho Regional de Medicina mostrou que muitos pacientes voltam às AMAs com o mesmo problema, sinal de que eles não têm acesso a especialistas”, o que é de conhecimento de todos e só durante a campanha eleitoral Kassab criou algumas AMAs especialidades, muito poucas e abaixo do prometido. Pois bem, vejam sua resposta:

“Temos as AMAs voltadas para especialistas, o Estado tem as AMEs (Ambulatório Médico de Especialidades) e trabalhamos em conjunto. Não existe esse problema. O que existe na saúde e na educação é a necessidade permanente de melhorar e aperfeiçoar.”

Cinismo? Sim, mas um método: repetir uma inverdade até virar realidade. Para todos aqueles que utilizam o sistema privado de saúde e que não passam perto do sistema público, não aguardam meses para marcar uma consulta, o método funciona. Novamente, graças ao fato que a voz da oposição é afastada dos jornais (quase nunca os jornais entrevistam vereador da oposição para fazer o contraponto as propostas ou afirmações do governo demo-tucano).

Em janeiro de 2004 Marta Suplicy formulou um desejo, no discurso de transmissão do cargo para os demo-tucanos, para que tivessem o dobro dos seus acertos e a metade dos seus próprios erros. Nos primeiros 4 anos demo-tucanos foi o contrário o que aconteceu. Hoje iniciam um novo mandato de mais 4 anos que espero permita que realizem pelo menos o que prometeram para os 4 que passaram.

Luis Favre

Leiam embaixo o artigo do Estadão e a entrevista de Gilberto Kassab

01/01/2009 - 15:06h Trânsito não é prioridade para Kassab

Viviane Kulczynski e Bruno Tavares – O Estado SP

O engenheiro Gilberto Kassab (DEM), de 48 anos, toma posse hoje, em cerimônia a partir das 15 horas, como o primeiro prefeito reeleito de São Paulo. Após 33 meses no cargo – em abril de 2006, como vice de José Serra (PSDB), assumiu o posto com a saída do titular, que disputou e assumiu o governo do Estado -, Kassab agora tem a bênção de 3.790.558 milhões de votos (60,7% dos válidos) recebidos no 2ª turno.Eleito pela coligação São Paulo no Rumo Certo (com PR, PMDB, PRP, PV e PSC), bateu a candidata do PT, Marta Suplicy (39,3% dos votos) e segue no comando da cidade de maior orçamento do País (R$ 27,5 bilhões). Com o desafio de apresentar à sociedade um político além da Lei Cidade Limpa, terá de correr contra o tempo para realizar as novas promessas e concluir as antigas.

Como o Estado revelou na edição de ontem, a gestão deixa um passivo equivalente a R$ 5 bilhões. A maioria dos projetos e obras inacabados se concentra nas áreas de transportes, habitação e revitalização do centro. Mas os desafios atingem todas as áreas.

CARROS-CHEFE

Diante do quadro, Kassab promete empenhar forças em duas frentes que ele aponta como as grandes marcas do mandato anterior: saúde e educação. “Temos 5 milhões de pessoas que dependem do ensino público em São Paulo e 7 milhões de pessoas que dependem da saúde pública”, afirmou em entrevista ao Estado, na sexta-feira passada (leia na página C3). “Nunca se fez tanto em saúde e educação, que é o carro-chefe da nossa administração, a nossa marca.”

Mas e o trânsito, prefeito? “Você não quer que eu repita os erros de administrações anteriores, pensar no curto prazo, me preocupar em colocar nome em placa e não fazer a lição de casa, não é?” Os paulistanos, que viram em 2008 índices de congestionamentos serem batidos sucessivamente (o caos: 266 km de lentidão, às 19h30 do dia 9 de maio), terão de esperar. O tema não é prioridade.

Kassab prefere apostar em planos de longo prazo e cita sempre os investimentos em parceria com o Estado na ampliação do Metrô. “Na nossa gestão, (o investimento foi de) R$ 1 bilhão.” E deposita esperanças no Rodoanel, outra obra tocada pelo Estado, para desafogar as Marginais e liberar os caminhos pela cidade. “A grande transformação é daqui a um ano, quando tivermos a conclusão do trecho sul. Aí vamos ter uma reanálise do trânsito na cidade.”

Alguma grande mudança no horizonte? Definitivamente, não. “São oito anos de uma mesma gestão. É o mesmo governo, a mesma filosofia. A cidade renovou o mandato (assumido em 2005 por Serra). Não tem por que mudar”, diz Kassab, que promete ficar no cargo até o fim do mandato. “Chance zero”, falou, sobre uma possível candidatura ao governo do Estado, em 2010. Ano, aliás, em que ele gostaria de ver Serra eleito presidente. “Ele é a pessoa mais bem preparada hoje na vida pública para se tornar presidente”, enfatizou.

Após seis anos sem férias, o prefeito deve descansar em fevereiro. Mas não revela onde.

”Se receita cair, social não sofrerá cortes”
Gilberto Kassab: prefeito de São Paulo

Bruno Tavares e Viviane Kulczynski O Estado SP

O senhor termina o primeiro mandato com alguma frustração que esses próximos quatro anos vão lhe permitir resolver?

Quem tem o cargo de prefeito de São Paulo sempre tem a frustração de não ter solucionado todos os problemas na dimensão que gostaria. Essa é a frustração de qualquer um que esteja na vida pública. Você quer resolver todos os problemas na área de ensino, na saúde. Mas, por outro lado, é muito gratificante observar que nós avançamos mais do que qualquer gestão anterior. Nunca se fez tanto em saúde e educação, que é o carro-chefe da nossa administração, a nossa marca. Eu diria que a frustração foi não ter avançado mais. E a frustração é que nos motiva a continuar realizando. Fizemos bastante, foi uma gestão muito qualificada e nos dá muita motivação para continuar.

No primeiro mandato, o sr. sempre fez questão de se colocar como o vice do Serra…

Isso vai continuar, é a mesma administração, não muda nada. Acho que hoje ninguém tem dúvida. São oito anos de uma gestão.

Mas agora o eleito é o senhor.

Num primeiro momento, o Serra foi eleito. Ao assumir, meu papel era dar sequência a todos os compromissos, à gestão e mostrar para a cidade que o Serra acertou ao deixar na Prefeitura alguém com os mesmos compromissos. Agora, o que mudou? A cidade conheceu (meu trabalho), o vice-prefeito se tornou prefeito e achou que ele era o melhor para dar sequência. É o mesmo governo, a mesma filosofia. A cidade renovou o mandato. Não tem por que mudar, tanto é que eu não mudei a equipe. Não vão mudar as prioridades, os objetivos.

Na educação, ainda há o déficit de vagas em creches. Como resolver?

Fizemos 60 mil vagas. A gente recebe na cidade inteira os cumprimentos. São mães beijando, cumprimentando. Quase dobramos o número de vagas. Ninguém questiona se a gente vai zerar. Fizemos 48 mil vagas em creche. Isso nos permite afirmar que vamos zerar e as pessoas acreditarem. Já fizemos tanto sem ser a prioridade absoluta. A prioridade era escola de lata, salários. Agora é creche.

Na saúde, a prioridade são as AMAs, que o sr. faz sempre questão de enaltecer…

115 AMAs (Assistência Médica Ambulatorial), é um número extraordinário.

Mas elas ainda têm pendências, uma delas jurídica.

Esse questionamento jurídico não é só em relação à cidade de São Paulo. Acontece no governo do Estado, em outros Estados. O Supremo tem sido muito cuidadoso. Você vai fechar as AMAs, que estão atendendo 1 milhão de pessoas por mês? Fechar os hospitais de parceria, que funcionam com menos recursos e melhor? Demos um exemplo com a valorização do funcionalismo. As parcerias não vieram substituir, vieram complementar. Na medida em que elas complementaram, valorizamos o servidor para trabalhar em condições de igualdade. Então, não tem aquela disputa, aquele ciúmes, aquele medo.

E a questão de especialidade, o Conselho Regional de Medicina mostrou que muitos pacientes voltam às AMAs com o mesmo problema, sinal de que eles não têm acesso a especialistas.

Temos as AMAs voltadas para especialistas, o Estado tem as AMEs (Ambulatório Médico de Especialidades) e trabalhamos em conjunto. Não existe esse problema. O que existe na saúde e na educação é a necessidade permanente de melhorar e aperfeiçoar.

O sr. diz que a marca do governo é saúde e educação. Mas e o transporte, o trânsito? Não são prioridade?

Não. As prioridades são saúde e educação. Em transporte público, procuramos fazer a tarifa mais baixa possível porque são 4 milhões de pessoas que utilizam e é a mais baixa do Brasil. Vamos ficar três anos sem aumentá-la. Apesar disso, não deixamos de fazer o que deve ser feito, que é investimento em transporte público de qualidade.

Mas quais os planos para trânsito e transporte público?

Todos nós pagamos pela omissão de administrações anteriores. A falta de investimento em transporte público. É impressionante e inadmissível aceitar que nunca na cidade houve investimento da Prefeitura no Metrô. Na nossa gestão, (o investimento foi de) R$ 1 bilhão. Isso é uma demonstração da nossa falta de preocupação em colocar nome em placa. Não sou governador e nem secretário de Estado e nem serei mais prefeito quando as obras ficarem prontas. Mas, infelizmente, isso não foi feito nas últimas décadas. É fundamental o investimento em corredores, como deve ser feito, não como as administrações anteriores falavam. Corredor mesmo é você não ter interferência, não ter cruzamento. Nos pontos de parada, ter áreas para ultrapassagem, como é o Expresso Tiradentes, como é o Celso Garcia, como é o projeto para a zona sul. E investimento em Metrô e trem. Isso é transporte de qualidade. Você não pode é dizer que vai estimular com pedágio, com taxas, o uso de transporte público, se você não cria o transporte público de qualidade. É um direito da pessoa ter carro. Você tem de criar o transporte público de qualidade para que ela deixe o carro em casa, porque o tempo de viagem do transporte público vai ser 10 vezes menor. Eu sempre fui de metrô para o centro. Essa é a política que tem de ser implantada e nós implantamos na nossa gestão, só que ela é de longo prazo. O prefeito não pode ter a preocupação de colocar nome em placa. Com R$ 1 bilhão eu poderia ter feito dez pontes. É o que meus antecessores faziam. Eu não fiz.

Como o sr. mesmo diz, são medidas de longo prazo. Até lá, o que vai ser feito para o trânsito?

Você não quer que eu repita os erros de administrações anteriores, pensar no curto prazo, me preocupar em colocar nome em placa e não fazer a lição de casa.

Não existe nada que possa ser feito, como a restrições a caminhões?

Não, porque a grande transformação é daqui a um ano, quando tivermos a conclusão do trecho sul do Rodoanel. Aí vamos ter uma reanálise do trânsito na cidade, porque vamos ter toda a circulação de caminhões com direção principalmente à Baixada Santista, o Porto de Santos, sem entrar na cidade de São Paulo. O trecho sul é o mais importante, porque chega à Anchieta/Imigrantes. Ele ficará pronto já em 2010.

O sr. não pensa em nenhuma medida de engenharia de trânsito?

Medida de engenharia é manter as transformações, continuar as pequenas obras, naqueles pontos críticos e fazer a gestão do trânsito. Investir em tecnologia. Estamos recuperando nossa rede de semáforos que estava totalmente velha. Ela era mecânica, agora será totalmente eletrônica. Os nossos semáforos inteligentes… Nenhum deles era inteligente, eram todos burros.

A promessa de não reajustar a tarifa de ônibus, hoje em R$ 2,30, foi feita antes da crise econômica. Os subsídios não podem impactar os cofres da Prefeitura?

Como a Prefeitura está numa boa saúde financeira, fizemos uma opção pelo social. E o que é o social? Transporte público, saúde e educação. Hoje São Paulo tem a tarifa mais barata do Brasil. É muito positivo fazer com que 4 milhões de usuários tenham a tarifa mais barata do Brasil. Aqui está R$ 2,30 por três horas. Vamos poder, mesmo com a crise, manter a tarifa. Ela ficará três anos sem reajuste e só será reajustada em 2010.

Mesmo com os R$ 2 bilhões a menos no orçamento não haverá prejuízo ao tesouro?

Isso já está definido no orçamento. Não vamos cortar no social. Se tiver redução, vai ser em outras áreas. Qual é o desafio? Você não pode errar nas receitas. Quanto vamos arrecadar em 2008? Cerca de R$ 24 bilhões. Se você partir disso, já se define 31% para educação. Para saúde, mais uma vez não vou gastar só 15%. Na educação, a lei obriga 31%. Na saúde, 15%. Neste ano, fechei com 19%. Então, saúde, educação e transportes são três áreas em que não vou mexer. Qual o maior desafio? Tentar não mexer em nada do resto. Se cair a receita, temos de ir atrás de novas receitas. Operações urbanas, por exemplo…

Impostos?

Impostos não. Não vamos aumentar a carga tributária. Operações urbanas podem ser a saída.

Quando veremos aquela região da Luz revitalizada?

Estamos numa fase final. Estamos encaminhando para a Câmara o projeto de concessão urbanística para agilizar a primeira fase. Já temos 27 grandes empresas habilitadas ao incentivo.

Será possível entregar aquela área nesta gestão?

Tenho essa meta. É uma meta.

Na gestão passada, a Câmara foi muito favorável aos projetos do Executivo. A renovação foi pequena, mas de que forma o sr. pretende trazer os vereadores para o lado do governo?

Acho que não vai mudar. Vai continuar uma relação o mais transparente possível, em cima de políticas públicas. A maioria dos vereadores foi reeleita. A Câmara tem sua independência. Como no orçamento, eles não precisavam ter reduzido. Eles não questionaram o mérito, fizeram um corte linear porque acharam que não vai ter receita. Podiam ter contingenciado, mas não muda nada.

O sr. tem um favorito para a presidência da mesa diretora?

Mais uma vez não vamos interferir. A ideia é não ter nenhuma interferência, deixar a condução entre eles, seja o partido da base aliada, seja o líder do governo. Não tem da nossa parte nenhuma orientação, como não teve nas outras vezes.

Quais investimentos estão sujeitos a corte se a arrecadação de fato diminuir no próximo ano?

Não serão no campo social. E, se não serão no campo social, se você elencar tudo aquilo que não é social, vai definir daí qual é o volume de receita que deixará de entrar para cortar o equivalente.

A manutenção da cidade não será prejudicada?

Não, aí são serviços.

Quais pastas ainda estão sujeitas a mudanças?

Não teve alteração. Quando ganhei a eleição, disse que não haveria. O que tem são alterações rotineiras. A Prefeitura, com essa dimensão, muda muito mesmo, são muitos secretários, muitos colaboradores. O que aconteceu desde o segundo turno até agora, e durante o ano, são mudanças naturais, rotineiras.

E as novas secretarias ou as que ganharam status de secretaria?

O secretário ganhou status, não foi criada nenhuma estrutura. Secretaria de Segurança: nós crescemos, integramos com as ações do Estado, do governo federal. Tanto que o governo federal usa a cidade como exemplo de integração de ações do poder público municipal com o governo federal. Apenas mudamos o nome. Em vez de coordenador é secretário. A Secretaria de Desenvolvimento Urbano: só retiramos parte da estrutura de política urbana da Secretaria de Planejamento para uma outra estrutura. E o Miguel, que já está lá, que é diretor de Planejamento Urbano, passou a ter o status de secretário. O Controle Urbano é só o Contru que vai ficar especificamente isolado, porque o Contru não tem vinculação com Habitação, tem relação com a cidade inteira. Criamos cargos em Habitação e Meio Ambiente porque há 40 novos parques.

Vários dos seus desafios são temas metropolitanos. O sr. pensa em ajudar a criar uma autoridade metropolitana?

Isso é papel do governador. Acho que o prefeito de São Paulo sendo a favor ajuda. Mas isso tem de ser coordenado pelo governo do Estado.

E em que moldes?

Criando agências metropolitanas de serviços, específicas. O transporte público, por exemplo, tem de ser pensado sob a ótica metropolitana. Não tem sentido o Metrô e os trens da CPTM não integrarem todas as cidades. Até porque, com isso, as pessoas não vêm de carro para São Paulo.

E sob o aspecto tarifário?

As tarifas são mais caras em outras cidades. Precisaria ver a planilha de custos delas.

Quais são, por parte do Executivo, as linhas mestras da revisão do Plano Diretor?

Aproximar o emprego da moradia. Não tem nenhum sentido você ter 4,5 milhões de moradias na zona leste e o investimento em empregos não ter se concentrado nessa região. E por isso essas duas áreas de incentivos que foram criadas, na zona leste e na Nova Luz, que é vizinha da zona leste. São regiões fundamentais e dotadas de infraestrutura de transportes. Por isso as pessoas podem chegar à Nova Luz de Metrô, de trem. Planejar uma cidade com 11,5 milhões de habitantes é antes de mais nada levar emprego para as regiões próximas de onde as pessoas moram.

E de que forma o sr. pretende viabilizar isso?

Induzindo o estabelecimento de polos e indústrias em regiões específicas próximo dessas áreas.

Na primeira gestão, o sr. teve como marca pessoal e mais forte o Projeto Cidade Limpa…

Não é mais forte. Mais forte é saúde e educação. Onde eu ando, 90% das pessoas agradecem pela saúde e educação. Essa é a marca do governo.

E qual será o Cidade Limpa dessa gestão, com mesma envergadura?

O Cidade Limpa é um modelo. É mais do que o combate à poluição visual, é um combate à poluição em seus múltiplos aspectos. Como começamos pelo combate à poluição visual, que é o mais fácil, ficou com essa marca mais forte. Mas o Cidade Limpa também é a construção de moradias para transferir as pessoas das áreas de mananciais e despoluir as represas; é a atuação do Psiu no combate à poluição sonora; é a inspeção veicular. O Cidade Limpa é uma força de expressão. E não é a marca. Nossa marca, nossa prioridade, continua sendo saúde e educação. Temos 5 milhões de pessoas que dependem do ensino público em São Paulo e 7 milhões de pessoas que dependem da saúde pública. Se prioridade de um governo não é estar ao lado dessas pessoas, então não sei o que é prioridade

Quais suas pretensões políticas ao final deste mandato, já que não pode ser reeleito?

Tenho um único objetivo: sair ao fim deste mandato…

Cumprindo-o inteiro?

Cumprindo inteiro. Sair da mesma maneira que estou saindo neste primeiro, o que está sendo muito gratificante. As pessoas contentes com a administração, 63% na última pesquisa entendendo que a administração é ótima ou boa, 80% aprovando.

E se o seu nome aparecesse para o governo do Estado?

Não vou ser candidato. Vou cumprir o mandato até o fim. Chance zero.

CIDADE LIMPA: “Não é a marca. Nossa marca, nossa prioridade, continua sendo saúde e educação”

OITO ANOS: “É o mesmo governo, a mesma filosofia. A cidade renovou o mandato. Não tem por que mudar”

PLANO DIRETOR: “Meta é aproximar emprego da moradia, estabelecendo polos e indústrias em regiões específicas”

31/12/2008 - 11:51h Prefeitura demo-tucana SP: Um primeiro mandato bem medíocre

Os jornais de São Paulo fazem hoje, último dia do ano, um balanço da gestão demo-tucana da prefeitura.

Um primeiro e comum denominador da abordagem feita tanto pela Folha, como pelo Estadão, é a ausência de qualquer opinião de representantes da oposição municipal sobre esse balanço. O que rarissimamente acontece quando os mesmos jornais tratam da política federal, onde permanentemente o questionamento da oposição tem espaço garantido (o que é normal em democracia), no plano municipal (ou estadual) a oposição raramente é ouvida ou aparece. É bom lembrar que nem sempre foi assim. Quando a administração municipal tinha Marta como prefeita a democracia aparecia com força nas páginas dos mesmos jornais e vereadores do PSDB tinham seu espaço garantido.

O leitor julgara após ler ambos os jornais e seus respectivos balanços, mas o trabalho feito pelo Estadão me parece focado nas questões de peso e com destaque para as necessidades prioritárias da população, muitas delas esquecidas ou relegadas ao segundo plano pela gestão demo-tucana. Já o balanço da Folha, com estatísticas sobre tudo, parece inventário de cartório, justificando a afirmação de Kassab de uma “analise simplista”.

A discussão não é em que medida uma promessa da campanha de quatro anos atrás foi ou não realizada. As vezes o fato de não estar no comando dificulta a definição de certas propostas que depois, já no governo, o político percebe como irrealizável ou pouco importante. Outras vezes, o choque de interesses e as pressões, além de questões legais ou financeiras, introduzem mudanças de rumo nas propostas e isto não é ruim em si, nem contrário ao mandato recebido das urnas.

A listagem estatística de promessas não cumpridas acaba também ocultando o essencial e longe de facilitar um julgamento político da administração demo-tucana, servem como uma vasta floresta que impede de ver a árvore. Para qualquer cidadão é evidente que não tem o mesmo significado não ter cumprido com a criação do “disque-trânsito” (o que contribui, sem dúvida, para os problemas do trânsito na cidade) e não ter construído nenhum corredor, abandonando os avanços na área de transporte público que com muita luta Marta Suplicy tinha conseguido a frente da prefeitura.

Ter concluído a eliminação das escolas de lata no município, dando prosseguimento ao trabalho feito por Marta, é positivo, mesmo que seja só ter concluído o que tinha sido iniciado pelo governo precedente. É bom lembrar que o programa Leva-leite, por exemplo, foi criado por Paulo Maluf, continuado e melhorado depois por Marta e Kassab, é isto é bom.Ter conseguido em 2008 entregar a tempo os uniformes e o material escolar é importante também, mas mais importante para um balanço sério da atual gestão é o crescimento da falta de vagas em creches, o que é significativo do descaso dos demo-tucanos com os problemas da mulher trabalhadora e da criança.

A Folha destaca que o Cidade Limpa e as AMAs não faziam parte das promessas e foram das mais importantes marcas da atual administração. Esqueceu o jornal que os CEUs tampouco faziam parte das promessas demo-tucanas (eles eram e, aparentemente, continuam estando contra pois Kassab já anunciou que não dará continuidade ao projeto). Mas Kassab acabou tendo que construir vários é isto é positivo. Penso incluso que é positivo, mesmo se o custo dos CEUs de Kassab foram bem superiores ao preço previsto e ao preço dos CEUs construídos por Marta; e mesmo se ainda falta entregar 11 dos 25 prometidos.

A mediocridade do governo demo-tucano, pior na época em que Serra era prefeito, não decorre só da não realização das promessas ou do cumprimento apenas parcial de algumas. A sua mediocridade é decorrente da falta de eixo na prioridade central para a cidade, qual é reduzir o abismo que separa os mais ricos dos mais pobres nas questões chaves de educação, saúde, transporte e habitação.

Contando com um orçamento de R$10 bilhões a mais por ano, é inaceitável que Kassab faça menos CEUs que Marta; que não tenha feito um único corredor exclusivo para ônibus, que tenha criado a mesma quantidade de vagas em creche que na gestão precedente, fazendo o déficit crescer atingindo 110 mil crianças sem creche. Que não tenha expandido mais o Programa Saúde da Família e que tenha acordado em meio da campanha eleitoral para a necessidade de especialidades no setor da saúde.

A mediocridade demo-tucana se resume, paradoxalmente, ao que eles mais reivindicam com orgulho de pavão: Todos os anos sobrou dinheiro no banco. Ou seja uma incapacidade a utilizar todos os recursos existentes para cumprir com a função essencial do Estado, redistribuir os recursos para compensar a desigualdade social com mais e melhores escolas, transporte e saúde para os que mais dependem do poder municipal.

Luis Favre

Leia embaixo os artigos dos jornais Folha e Estadão sobre o balanço do governo demo-tucano na cidade de São Paulo

31/12/2008 - 11:31h Balanço do governo demo-tucano da cidade de São Paulo feito pela Folha e o Estadão

O Estado SP

Kassab deixa obras de R$ 5 bi sem concluir

70% dos projetos adiados são em transportes, habitação e urbanismo

 

Diego Zanchetta, Eduardo Reina e Rodrigo Brancatelli – O Estado SP

 


Após quase três anos à frente da gestão iniciada em 2005 por José Serra (PSDB), o prefeito Gilberto Kassab (DEM), de 48 anos, assume amanhã a Prefeitura de São Paulo com o desafio de apresentar à sociedade um político além da Lei Cidade Limpa. Mas terá de cumprir primeiramente um passivo: as obras prometidas por sua gestão e inacabadas totalizam mais de R$ 5 bilhões. Esse déficit está 70% concentrado em transportes, habitação e revitalização do centro.

No entanto, os desafios atingem todas as áreas. Para as obras não faltam verbas no orçamento e algumas ainda contam com parcerias com Estado, União, iniciativa privada e ONGs – no caso dos programas para monitoramento eletrônico da cidade, construção de creches e eliminação de cortiços.

Logo no fim do primeiro mês do segundo mandato, por exemplo, o prefeito tem a missão de entregar 11 Centros Educacionais Unificados (CEUs) prontos para o início das aulas, cada um ao custo de R$ 20 milhões. Nos canteiros de obras, quase 4 mil funcionários se revezam em plantões até aos domingos para a conclusão “da parte pedagógica” das unidades, como vem dizendo o titular da Educação, Alexandre Schneider. O prefeito sabe que alunos à espera de vagas em escolas inacabadas serão um prato cheio para a oposição.

Para o cientista político Marco Antonio Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), para se consolidar como líder político emergente no cenário nacional, Kassab terá de cumprir a agenda prometida na campanha. “Durante as eleições, a discussão no campo ideológico deu lugar ao debate sobre o gestor que pode fazer mais com menos recursos. E o Kassab fez muitas promessas, como a entrega dos CEUs no começo de 2009. Todo mundo no início do ano estará atento.”

Na área de Transportes, as cobranças começam em janeiro. Kassab prometeu concluir em dezembro o ramal do Expresso Tiradentes (antigo Fura-Fila) até a Vila Prudente, na zona leste. O prazo da promessa foi postergado, após um acidente com uma estrutura suspensa sobre a Avenida do Estado. Já a conclusão do corredor da Celso Garcia nem prazo possui. Os dois corredores têm custos estimados em R$ 1,5 bilhão e estão atrasados.

Outros projetos da pasta comandada pelo ex-promotor Alexandre de Moraes, definidos pela atual gestão desde 2006, seguem sem sair do papel, como a redução do número de linhas de ônibus em áreas centrais, a ampliação da Avenida dos Bandeirantes e o prolongamento da Avenida Roberto Marinho até a Rodovia dos Imigrantes. A instalação e a manutenção de semáforos inteligentes na maior parte da cidade, prometida por Serra na campanha ao governo municipal de 2004, ainda precisa ser concluída – o projeto está orçado em R$ 162 milhões.

Área com avanços propagados na campanha, como a criação das 110 Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs), a Saúde ainda obriga pacientes a esperarem meses por uma consulta com ginecologistas e ortopedistas, nas unidades de pronto-atendimento e nos hospitais municipais. A ampliação de leitos no Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos desafios para 2009, de acordo com o titular da pasta, Januário Montone. “Em muitas regiões da cidade nós temos mais usuários do SUS do que o número de habitantes”, afirmou o secretário, que estuda enviar à Câmara um projeto que autoriza a administração a pedir leitos na periferia como contrapartida de hospitais particulares que abrirem novas unidades na região da Avenida Paulista.

Para os planos de reurbanização de favelas e remoções de famílias de regiões de mananciais, Kassab terá R$ 1,2 bilhão em recursos municipais, estaduais e federais. Entre os projetos prometidos para 2008 na área de Habitação, que ficaram para 2009, está a remoção de 18 favelas das Marginais do Pinheiros e do Tietê – apenas uma foi removida, a da Ilha Verde, sobre a Ponte Anhangüera, na zona oeste. O processo de regularização de 108 áreas de ocupação da capital, onde moram 23 mil famílias, também teve início em janeiro de 2008 e precisa ser concluído.

URBANISMO

A tão propagada revitalização da região chamada Nova Luz e do centro – totalizando R$ 1 bilhão – segue com as principais intervenções atrasadas, como as desapropriações necessárias para a instalação de 76 indústrias. Quem passa por Alameda Helvétia e Rua dos Gusmões, por exemplo, se depara com a mesma cena do início da década: ruas ocupadas por viciados em crack, prédios abandonados e poucos comércios, que fecham antes das 18 horas.

Do outro lado do centro, no Parque D. Pedro II, as demolições do Edifício São Vito e do Viaduto Diário Popular, prometidas para o fim de 2006, ficaram nos discursos. Segundo dados oficiais do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), entre janeiro de 2005 e fevereiro deste ano a atual gestão usou só US$ 4 milhões dos US$ 100 milhões que estavam à disposição para a Prefeitura aplicar na revitalização do centro. “Nunca se teve clareza do que realmente vai ser feito na Nova Luz. As empresas não sabem quais as vantagens de ir para o centro, ninguém na verdade sabe”, critica Lucila Lacreta, coordenadora do Movimento Defenda SP.

O QUE FALTOU

TRANSPORTES

Concluir os corredores Celso Garcia e Expresso Tiradentes

A velocidade média nos oito corredores exclusivos de ônibus caiu de 18km/h em 2003 para 12 km/h em outubro de 2008, ao contrário do que se pretendia

A reestruturação do transporte coletivo, com redução no número de linhas e construção de novos terminais, uma promessa feita em 2006 pelo ex-secretário de Transportes Frederico Bussinger

Obras de requalificação e ampliação das pistas da Avenida dos Bandeirantes

Prolongamento da Avenida Roberto Marinho até a Rodovia dos Imigrantes

Novas ciclovias ao longo das linhas do Metrô

Programa de revitalização semafórica, com a implementação dos semáforos inteligentes nos bairros da periferia

SEGURANÇA

Instalação de câmeras no centro expandido – faltam 8 mil aparelhos dos 12 mil prometidos pelo governo

URBANISMO

Conclusão do Projeto Nova Luz – faltam intervenções no centro não cumpridas nos últimos três anos, como o remodelamento do Largo do Paiçandu, a instalação de empresas na região conhecida como Cracolândia, a construção de prédios para moradias de famílias de baixa renda e de garagens subterrâneas

Reforma da Praça Roosevelt

Novo centro de exposições em Pirituba

Revitalização do Parque D. Pedro II, com as demolições do Viaduto Diário Popular e dos Edifícios São Vito e Mercúrio

Implementação de rua-modelo, nos moldes da reforma da Oscar Freire. Das mais de 60 vias da capital que se candidataram ao programa, apenas 9 tiveram as obras concluídas

Licitação do mobiliário urbano para empresas assumirem a administração de abrigos de ônibus e lixeiras (o processo de concessão foi paralisado em fevereiro de 2007)

Reforma do Planetário do Carmo

SAÚDE

Melhorar a espera de até oito meses por ortopedistas e ginecologistas nas unidades municipais de saúde

Ampliar o número de leitos disponíveis para atendimento pelo Sistema Único de Saúde

Aumentar as ações de atendimento à saúde mental, instalando Caps (Centro de Apoio Psicossocial) Adulto, Infantil e especializado para dependentes de álcool e drogas nas periferias das zonas leste e sul

Aperfeiçoar o modelo de organizações sociais (OSs), entidades privadas que administram unidades municipais de saúde, melhorando os contratos de gestão

EDUCAÇÃO

2009 começa com 66 turnos da fome (meta de Kassab, apresentada em 2007, era acabar com o turno até o final de 2008, mas isso deve ocorrer no ano de 2010, conforme a Prefeitura)

Meta era criar 500 novas creches com as PPPs, mas as inaugurações que estavam previstas para 2008 não saíram do papel após o Tribunal de Contas do Município questionar o modelo, prometido para sair do papel em 2009

11 Centros Educacionais Unificados (CEUs) precisam ficar prontos até o início de fevereiro, uma das principais promessas da última campanha

HABITAÇÃO

Conclusão da regularização de 108 áreas de ocupação, incluindo melhorias nas regiões das Represas Billings e de Guarapiranga

Remoção de 18 favelas localizadas nas Marginais do Pinheiros e do Tietê

Intensificar o Programa de Recuperação de Cortiços, com maior foco em reformas no centro

LIMPEZA PÚBLICA

Encontrar novos aterros para o depósito diário de 17 mil toneladas de lixo na região da Grande São Paulo. Contrato foi refeito em 2008 e postergado o prazo para conclusão dos aterros para os próximos anos

Ampliar em 30 mil os pontos de iluminação existentes em bairros da periferia

AMBIENTE

Implementar a inspeção veicular para toda a frota de 6 milhões de veículos licenciados na capital

Fazer a reforma da orla da Guarapiranga, um projeto de R$ 43 milhões que prevê a construção de parque linear, praia e área para pesca, além da despoluição de 30 córregos afluentes do manancial

FOLHA SP

Kassab não cumpriu metade das promessas

87 dos 161 compromissos de campanha não foram realizados; Kassab cumpriu 28 promessas integralmente e 46 parcialmente

Prefeito de SP, que encerra hoje o primeiro mandato, afirma que houve avanços extraordinários na atual administração

Rubens Cavallari – 27.out.2008/ Folha Imagem

Prefeito Kassab no Jardim Paulistano, bairro onde mora

EVANDRO SPINELLI E CONRADO CORSALETTE – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

José Serra (PSDB) fez 161 promessas na eleição de 2004.
Está documentado em seu programa de governo. Elegeu-se prefeito. Gilberto Kassab (DEM) conclui hoje o mandato herdado após a renúncia do tucano em 2006 para ser candidato a governador do Estado.
Após um ano e três meses de Serra e dois anos e nove meses de Kassab, 87 promessas não foram cumpridas -54,04% do total. Só 28 (17,4%) foram integralmente cumpridas. Outras 46 (28,57%), parcialmente.
A lista das promessas foi entregue à assessoria do prefeito no dia 5 de dezembro com pedido para que fosse contestada a avaliação item por item. Não houve resposta.
Anteontem, em balanço que fez da gestão, ele relacionou uma série de itens positivos da administração, mas não se referiu às promessas da campanha.
O programa de governo da chapa Serra-Kassab tinha 84 páginas. Na introdução, dizia-se que bons projetos para a cidade não faltam. “O que tem faltado (…) é capacidade de selecioná-los e tirá-los do papel.” Entre as propostas listadas, a criação de um “Disque-Trânsito 24 horas” recebeu muitos elogios de técnicos. A idéia era criar um serviço com orientações sobre vias congestionadas e dicas de alternativas.
O projeto, porém, não foi implantado. O sistema existente, por meio de painéis eletrônicos, dá informações inúteis ao motorista como o percentual de vias com lentidão. Sobre o trânsito, aliás, das 12 promessas, 6 não foram cumpridas.
Outra promessa importante não cumprida foi a de “acabar” com o déficit de vagas em creches. Segundo a prefeitura, foram criadas 42 mil vagas, mas ainda faltam 80 mil. Kassab repete o compromisso agora. Na saúde, foram dez promessas, quatro cumpridas e seis totalmente descumpridas. Um exemplo é o plano de erguer “hospitais de bairro” (de pequeno porte, com 50 leitos, associadas a um hospital de referência). Não foi feito nenhum, embora tenham sido concluídos os dois hospitais de médio porte anunciados -M’Boi Mirim e Cidade Tiradentes.
Se descumpriu mais da metade das promessas da eleição, Kassab fez realizações que não constavam do programa. O Cidade Limpa, as AMAs (unidades de saúde intermediária entre posto e hospital, sem leitos) e as “viradas” cultural e esportiva são os melhores exemplos. Para o prefeito, uma coisa compensa a outra pois, para ele, o importante são “os avanços extraordinários” da gestão.

Discurso e prática
Outras duas promessas-chave usadas à exaustão na eleição de 2004 ficaram no meio do caminho. A primeira: entregar 32 km do Fura-Fila (que se arrasta desde Pitta, há dez anos). A segunda: renegociar os contratos bilionários de limpeza urbana.
No primeiro caso, houve algum avanço com a entrega de 8 km, mas a realidade ficou bem longe da promessa. A meta refeita por Kassab é entregar o que resta (mais 24 km) nos próximos quatro anos. No caso dos contratos do lixo, sobre os quais Serra jogou suspeitas de corrupção na campanha de 2004, houve redução de 17,31% nos valores.
Mas às custas do atraso nos investimentos previstos contratualmente das duas concessionárias que fazem os serviços de coleta no município (em coleta de lixo porta a porta em favelas, coleta seletiva e construção de aterros, entre outros). Para cientistas políticos, na prática, não há relação entre a retórica da eleição e a realidade administrativa. “Programa de governo é, antes de tudo, uma peça de campanha e, portanto, peça retórica”, diz Fernando Azevedo, professor da Universidade Federal de São Carlos.
Carlos Melo, professor do Ibmec-SP, tem a mesma opinião. “Qual é o custo de não cumprir? Qual é a penalidade? O eleitor se lembra das promessas feitas? Há um mecanismo legal que o obrigue a cumprir?” Para ele, sem punições os políticos se sentem desobrigados de fazer o que prometeram. “A culpa não está exatamente nos políticos, mas na sociedade, que não cobra as promessas, não acompanha seu cumprimento e não estabelece sanções”, afirma.


Colaborou ALENCAR IZIDORO, da Reportagem Local

 

 

Para prefeito, análise é simplista; “os avanços são extraordinários”

DA REPORTAGEM LOCAL

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) rejeita a afirmação de que ele descumpriu mais de metade do programa de governo campanha de 2004. Para Kassab, o importante é registrar “os avanços extraordinários” de sua gestão.

(ALENCAR IZIDORO)

FOLHA – Levantamento da Folha mostra que 54% das promessas do Serra em 2004 não foram cumpridas, desde o Disque-Trânsito até o fim do déficit de creches. Por quê?
GILBERTO KASSAB -
O importante é registrar que tivemos avanços extraordinários. O que temos na cidade hoje de bons serviços e que não tínhamos. É muito simples fazer a afirmação de que promessas não foram cumpridas. Seria simplificar demais algo tão sério que é a administração de uma cidade de 11 milhões de habitantes.

FOLHA – Simples em que sentido?
KASSAB –
Tem que fazer a leitura dos compromissos e a análise da execução do Orçamento e das transformações que aconteceram na cidade. O que precisa ser feito é a análise correta do ponto de vista operacional da execução desses compromissos. Vamos fazer a análise do número de crianças que tinham vagas em creche e quantas foram criadas e quantas continuam sendo criadas. Estamos avançando.

FOLHA – Por exemplo: a promessa de criar um Disque-Trânsito. Ele não foi criado. Que leitura pode ser feita?
KASSAB –
A leitura correta, adequada, é a necessária transformação do sistema de comunicação do cidadão com o poder público. Hoje os serviços estão melhores, mais integrados. O telefone 156 atende um número muito maior de pessoas, inclusive vinculadas ao trânsito. Precisa ser feita a análise pelo enfoque macro para mostrar que existem mais serviços à disposição do paulistano.

29/12/2008 - 12:17h Gestão Kassab: no transporte público 4 anos quase perdidos

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O jornal Agora, do grupo Folha, faz um balanço da gestão Kassab na questão do transporte público. A manchete: “Corredor é desafio de Kassab nos transportes”.

Qual é o diagnostico após 4 anos de gestão demo-tucana?

Segundo pesquisa publicada na semana passada, a gestão Serra-Kassab do transporte municipal foi responsável pela queda de 20 pontos na aprovação do usuário do sistema. De 61% de aprovação em 2004 a 40% hoje, qual é a explicação de tamanho desastre?

Uma parte da explicação, recolhida na manchete do Agora, é a queda de 11% na avaliação dos coletivos que trafegam nos corredores exclusivos em apenas um ano.

Para todos os especialistas em transporte, os corredores são a resposta adequada aos problemas do transito e do transporte público na cidade, conjuntamente com a extensão da rede do metrô. Acontece que em 4 anos nenhum corredor novo foi construído, apenas 8 km do ex-fura-fila foram concluídos (transportando um número muito pequeno de passageiros).

Já em relação aos corredores existentes eles perderam a fluidez que tinham quando implantados na gestão Marta Suplicy por falta de fiscalização, expansão da frota de veículos particulares e falta de planejamento.

O jornal Agora diz que a prefeitura promete criar faixas exclusivas, uma repetição do que fora prometido 4 anos atrás e que não foi cumprido.

Paradoxalmente, o jornal escreve que “Comparando os cenários do transporte público de 2004 e 2008, houve avanços significativos.”

Resta a convencer os usuários que aprovavam a 60% o sistema em 2004, e o desaprovam na mesma proporção hoje.

Se acrescentarmos que as empresas recebem hoje subsídios gigantescos e a prefeitura conta com um orçamento anual de R$10 bilhões a mais que em 2004, os avanços insignificantes ficam menores ainda, como constatam consternados os usuários do transporte público da cidade.

Como considerar um avanço “significativo” nesse contexto, a conclusão de apenas 8 km do fura-fila? É bom lembrar, como disse o próprio jornal, que a totalidade dos seus 31,8 km de extensão deviam ser entregue este mês, pelas promessas da prefeitura. Agora a promessa é para o próximo mandato, como ficaram para o próximo mandato os 5 corredores novos não realizados (convém ter presente que em 4 anos, a gestão Marta Suplicy construiu mais de 100 Km de corredores, com finanças bem menores que as atuais)

Como se vê, só com muita e “significativa” boa vontade podemos falar de “avanços”! LF

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Pesquisa Associação Nacional de Transporte Público (ATTP)

16/11/2008 - 09:48h Atrasos em obras não se devem à falta de verbas: é incompetência mesmo!

Clique na imagem para ampiar e ler o artigo do AGORA SP

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16/11/2008 - 09:36h Ônibus: Secretário diz que subvenção é “justiça social”

O subsídio ao transporte público é sim justiça social é deve ser mantido. Alexandre de Moraes, Secretário de Transporte da prefeitura está certo. Como também está certo quando afirma que os atrasos em obras não se devem a falta de verbas. É incompetência mesmo, ao que podemos acrescentar falta de planos, de planejamento e de foco. Leia a entrevista publicada pela Folha. LF

http://oglobo.globo.com/fotos/2007/12/16/16_MHG_sp_onibus3.jpg

Alexandre de Moraes da pasta dos Transportes, diz que política de subsídios a ônibus adotada pela prefeitura vai continuar

Segundo Moraes, atrasos em obras não se devem à falta de verbas; ele diz que tarifa de ônibus provavelmente será reajustada em 2010

DA REPORTAGEM LOCAL

O secretário dos Transportes, Alexandre de Moraes, defende a opção da gestão Gilberto Kassab (DEM) de elevar os subsídios sob a justificativa de garantir “justiça social” e evitar o reajuste da tarifa de ônibus. Alega que “alguém tem que pagar” pela expansão de benefícios, como as integrações do bilhete único. Apesar das críticas à falta de investimentos em corredores de ônibus, nega que os atrasos em obras tenham ligação com a alta dos subsídios.
O secretário diz que “em 2010 provavelmente haverá aumento” da tarifa de ônibus -que Kassab prometeu manter em R$ 2,30 em 2009-, mas que a “mentalidade” de subsidiar a passagem vai continuar. Leia abaixo trechos da entrevista de Moraes, que confirma sua permanência no próximo mandato de Kassab acumulando a presidência da SPTrans e da CET. (AI e RS)

FOLHA – Por que a gestão Kassab decidiu elevar tanto os subsídios?
ALEXANDRE DE MORAES
– São quatro fatores. Primeiro: aumento de passageiros. Segundo: aumento de integrações, inclusive com metrô e CPTM. A população ganha, mas alguém tem que pagar, tem que subsidiar. Outro ponto são as gratuidades: estudantes [que têm desconto de 50%], idosos. Dentro da compensação tarifária também está a renovação da frota. Aumentou a entrada de ônibus novos, aumenta [a remuneração do operador]. O contrato é assim. O poder público paga ou sobe a passagem. A primeira opção é distribuir as gratuidades entre os pagantes. A segunda opção, que é a nossa, para não aumentar a tarifa, para garantir justiça social, é subsidiar.

FOLHA – O sr. não vê distorções nas gratuidades? Os subsídios também beneficiam alunos das classes média e alta que pagam meia tarifa.
MORAES
– Não é opção da prefeitura escolher as gratuidades. Elas existem por lei. O legislador decidiu dar esse benefício ao estudante como incentivo ao estudo, não por classe social. Mas os dados mostram: mais de 90% são das classes C, D e E.

FOLHA – Havia críticas aos subsídios sob a justificativa de que beneficiam as empresas de ônibus.
MORAES
– Só por desinformação ou má-fé alguém pode falar que a elevação dos subsídios é dar dinheiro para empresas de ônibus. Esse dinheiro, seja da compensação tarifária seja do aumento da tarifa, vai para as viações e para as cooperativas da mesma forma. A remuneração é contratual pelo número de passageiros na catraca.

FOLHA – O sr. não acredita que os investimentos em infra-estrutura ficam comprometidos? No Orçamento de 2009 há mais dinheiro para subsídios do que para obras.
MORAES
– No ano que vem temos temos R$ 250 milhões em metrô, R$ 75 milhões em Rodoanel, fora R$ 606 milhões do fundo de multas para usar no trânsito e no transporte. Por que não colocar mais dinheiro no corredor Celso Garcia? Não dá para gastar mais dinheiro no ano que vem. É licitação, começo de obras. Para 2010 vai ter mais dinheiro para corredor.

FOLHA – Os corredores Celso Garcia e Berrini eram prometidos para 2008. Por que não saíram do papel?
MORAES
– Pode ter havido alguma confusão, mas não seria possível, em um ano, fazer projeto, licitar obra e construir. O Berrini é curtinho, 3 km. O Celso Garcia, 30 km. Vamos acabar no ano que vem a licitação.

FOLHA – Houve material de divulgação da própria prefeitura prometendo a obra para este ano.
MORAES
– Algum erro de comunicação. O Celso Garcia é uma obra para quatro anos, no final da gestão estará pronto. O Berrini, para dois anos. Na zona sul, vamos fazer outro corredor em dois anos, quase até Itapecerica [da Serra] para desafogar a M’Boi Mirim. Na zona noroeste terá na Vila Brasilândia.

FOLHA – O sr. não acha que a gestão Kassab investiu muito pouco em corredores de ônibus?
MORAES
– A atual gestão verificou aquilo que precisava fazer para corrigir erros dos corredores feitos [antes], como recape, que estava estourado. Foi uma opção de corrigir e planejar grandes corredores com faixa de ultrapassagem.

FOLHA – Por que as reformas pontuais em corredores prometidas para começar neste mês atrasaram?
MORAES
– Pode até ter sido erro meu, mas começar, para mim, é começar os procedimentos. Foi feito projeto básico, a licitação deve ser aberta agora para os projetos executivos e começar a obra. No caso mais importante, da Rebouças, a idéia é que esteja pronta até junho.

FOLHA – E a promessa de concluir os 32 km do Fura-Fila em 2008?
MORAES
– No trecho 3, atrasou devido ao desbalanceamento [acidente na obra], mas vamos inaugurar no fim do ano. O restante [trechos 4 e 5], por questões burocráticas ou projeto. Houve atraso, vamos fazer as adaptações e terminar na próxima gestão, nos quatro anos.

FOLHA – Por que Kassab vai investir só R$ 250 milhões no metrô em 2009, contra R$ 1 bilhão em 2008?
MORAES
– Na verdade não é redução. R$ 1 bilhão em uma gestão e R$ 1 bilhão em outra. Até colocar a casa em ordem, deu para reservar R$ 1 bilhão só no último ano. Agora vai dar para espalhar aos poucos.

FOLHA – Na disputa entre subsídios e investimentos em transporte, qual será a tendência em 2010?
MORAES
– Para nós não existe essa disputa, são coisas paralelas e complementares. Vamos completar a obra do Expresso Tiradentes, Celso Garcia, corredor da zona sul e continuar subsidiando a passagem. Até 31 de dezembro de 2009 não vai ter aumento de tarifa.

FOLHA – E em 2010?
MORAES
– Em 2010 provavelmente haverá aumento. Mas vai ser com a mentalidade de que é função do poder público subsidiar gratuidades e não onerar usuários.

13/09/2008 - 13:22h A verdade distorcida pela Folha

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A Folha SP prosseguiu hoje com a edição do debate da quinta-feira na Band. Ontem o jornal tinha reproduzido os ataques contra Marta, dos seus adversários (A edição do debate).

Hoje, na mesma linha, procura igualar Kassab com Marta em matéria de “distorções”.

A realidade é que Kassab, no mesmo estilo de Maluf, usa e abusa de inverdades flagrantes quando fala de sua gestão. A Folha procura minimizar esta verificável constatação, para propalar a idéia que tudo mundo faz igual.

Não, não é igual e vou prosseguir aqui desmontando essa falsa “isenção”, que serve de refugio a demagogia kassabista.

Primeiro, no título do artigo e no lide (ver embaixo) Marta e Kassab são igualados. No corpo do artigo a Folha mostra, falando de Kassab, que não tem dois professores por aula, como falsamente pretende e afirma o candidato demo. No artigo a Folha esclarece que 90% das AMAS são, em verdade, as UBS anteriores que foram renomeadas (ou seja das supostas 110 AMAS, 99 eram as UBS anteriores e 11 são novas).

Depois, o artigo aborda a afirmação de Marta no debate da Band, que durante sua gestão ela fez 100 km de corredores. A Folha diz: “Durante a gestão petista, de 2001 a 2004, mais de 100 kilometros de vias exclusivas para ônibus passaram por uma significativa reformulação física e estrutural. Porem, durante a administração de Marta, cerca de 50 novos quilômetros de corredores foram efetivamente criados.”

Pelos critérios que aparentemente a Folha utilizou, estaríamos perante o seguinte quadro: Marta reformou física e estruturalmente mais de 100 kilometros, dos quais 50 foram novos corredores. Kassab não fez nenhum corredor e “entregou” 10 quilômetros, dos quais 8 no fura-fila. Primeiro ponto.

Para o leitor entender o que significa o critério da Folha, o corredor da 9 de julho não faz parte dos “quilômetros” da Marta. O corredor existe, se minha memória não me engana, desde quando Mário Covas foi prefeito em 1980-82. Pelos “critérios” da Folha ele faz parte das “reformulações físicas e estruturais”.

Mesmo assim os dados da Folha estão errados. Os corredores, na gestão Marta denominados Passa-Rápido, eram 39 Km em 2001, dos quais 35 Km foram reformados “física e estruturalmente” entre 2001-2004. Novos 67 Km foram construídos no mesmo período. (Os dados são da Secretária Municipal de Transportes).

Para 2004-2008 estavam previstos mais 219 km para atingir um total de 325 km de corredores.

Hoje, na cidade de São Paulo existem 106 Km de corredores (35 km reformados “física e estruturalmente” + 67 Km novos, todos na gestão Marta + 4 anteriores), nenhum novo corredor foi construído em 4 anos de gestão demo-tucana. Kassab “reformou física e estruturalmente” 10 km, dos quais 8 Km no Fura-Fila.

A manchete e o artigo da Folha procuram evitar que esta verdade apareça como ela é: uma prova do descaso com o transporte público na gestão Kassab e uma verdadeira revolução na gestão Marta.

“Detalhe”: Marta teve a herança de Pitta, do qual Kassab foi o Secretário de Planejamento, e o equivalente a 10 Bilhões de reais a menos (em valores atualizados), que a gestão Kassab.

A suposta “objetividade” esconde esta verdade. A propaganda de Kassab, também.

Luis Favre

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Clique na imagem para ampliar e ler

10/09/2008 - 08:52h Único corredor de Kassab, Celso Garcia vai atrasar

alerta.gifO título desta nota do Estadão é do jornal. Vocês leram bem. Não é erro da imprensa, é a realidade nua e crua. Em 4 anos a administração demo-tucana ainda não conseguiu concluir o projeto executivo necessário ao lançamento da licitação de um único corredor de ônibus. Marta, com muito menos recursos construiu 100 quilômetros de corredores.

Na sabatina ao jornal O Estado de São Paulo Kassab declarou: “Eu não vou ser leviano aqui de dizer que vou fazer 200, 300 quilômetros de corredor. Vou fazer bons corredores. (…) Foram 62 quilômetros. Se ao longo da próxima gestão fizer mais dois corredores com essas características, eu terei deixado, em 6 anos de gestão, 120 quilômetros de bons corredores”.

Até agora a gestão demo-tucana realizou, ao cabo de quase 4 anos, 10 km de corredores, dos quais 8 no antigo fura-fila. Não licitou nenhum corredor, tinha anunciado que faria 5, depois fez marcha-ré e prometeu 1.

Pois bem, será ZERO.

LF

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Único corredor de Kassab, Celso Garcia vai atrasar

Naiana Oscar – O Estado de São Paulo

Previsto para ser entregue até o fim do ano, o único corredor de ônibus que deveria se construído na gestão do prefeito Gilberto Kassab deve atrasar. Ontem, quando inspecionava o corredor virtual da Avenida Celso Garcia, na zona leste, o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, informou que o projeto executivo está em fase de conclusão e que a licitação ainda não foi aberta.

A faixa exclusiva terá 27 quilômetros, entre o terminais Dom Pedro II e Itaim Paulista – no projeto inicial, terminava em São Miguel. Estão previstos alargamento e intervenções nas avenidas Celso Garcia, Gabriela Mistral, Governador Carvalho Pinto, São Miguel e Marechal Tito, além da construção de três terminais (Tiquatira, Vila Mara e Itaim Paulista). O corredor deverá atender, segundo a Prefeitura, a cerca de 500 mil pessoas nas regiões do Brás, Tatuapé, Penha, São Miguel e Itaim Paulista. O tempo de viagem de uma extremidade a outra do corredor deve ser reduzido de 2h30 para 40 minutos. A obra custará R$ 800 milhões.

Os cruzamentos serão eliminados com passagens subterrâneas ou por viadutos – os ônibus não precisariam parar em semáforos, apenas nos terminais e nos pontos. Há oito meses, foi criado de forma experimental um corredor virtual na Celso Garcia. Cones delimitam uma faixa a mais para os coletivos, permitindo ultrapassagens nos horários de pico.

04/09/2008 - 12:46h Os “flagras” mais grosseiros da sabatina de Kassab no Estadão

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METRO

KASSAB: “Nós estamos colocando R$ 1 bilhão em metrô”.

GASTO REAL: R$ 275 MILHÕES ENTREGUE AO GOVERNO ESTADUAL DOIS MESES ATRÁS.

CORREDORES

KASSAB: “Eu não vou ser leviano aqui de dizer que vou fazer 200, 300 quilômetros de corredor. Vou fazer bons corredores. (…) Foram 62 quilômetros. Se ao longo da próxima gestão fizer mais dois corredores com essas características, eu terei deixado, em 6 anos de gestão, 120 quilômetros de bons corredores”.

EM 4 ANOS A GESTÀO SERRA-KASSAB FEZ 10 QUILÔMETROS DE CORREDOR, INCLUINDO A FINALIZAÇÀO DE 8 KM DO FURA-FILA.

 

CRECHES

KASSAB: “Marta fez 15 mil vagas em creches, nós fizemos 43 mil. Assumi o compromisso de que, no futuro governo, não ficará uma única criança sem creche”.

MARTA FEZ 38.446 VAGAS EM CRECHES (24.955 nas diretas e 13.491 nas creches conveniadas). EM 4 ANOS A GESTÀO SERRA-KASSAB FEZ 37.867 VAGAS CONVENIADAS E O NÚMERO DE CRIANÇAS MATRICULADAS EM CRECHES DIRETAMENTE DA PREFEITURA É MENOR QUE NA ËPOCA DE MARTA.

O DEFICIT DE DEMANDAS DE VAGA EM CRECHE É HOJE, SEGUNDO A PREFEITURA DE 110 MIL. SÓ NO GRAJAU NASCEM MAIS DE 400 CRIANÇAS POR DIA, OU SEJA PARA CUMPRIR A PROMESSA KASSAB DEVERÁ ENTREGAR A CADA DIA,  DURANTE 4 ANOS,  TRÊS CRECHES DE 150 VAGAS  POR DIA ; SÓ NO GRAJAÚ.

 

CEU

KASSAB: “Por exemplo, os CEUs, foi um bom projeto para a cidade. Até fiz mais CEUs que ela, acho que melhores, com capacidade para mais alunos, renegociei a licitação que ela tinha feito e reduzi, em média, 25% dos valores.”


MARTA FEZ 21 CEU E DEIXOU TODOS ELES FUNCIONANDO. ARRUMOU OS LOCAIS E LICITOU A CONSTRUÇÃO DE MAIS 25. KASSAB FEZ 13 CEUs NESSES LOCAIS, COM PREÇO SUPERIOR AO ESTABELECIDO NAS LICITAÇÕES, ENTRE 8% e 54%.
(VER O CEU e a verdade
)

Luis Favre

24/06/2008 - 15:58h Os medos do Estadão

A imagem “http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080624/img/capadodia.jpg” contém erros e não pode ser exibida.O Editorial do Estadão de hoje é uma peça de ficção. Um exercício de wishful thinking, de “criação ilusória de fatos que se desejaria fossem realidade”, na tradução precisa do dicionário Michaelis.

O editorial do jornal O Estado de São Paulo lança hoje um sonoro ufa, de alívio prematuro, pela escolha de Alckmin como candidato do PSDB e pelo suposto apoio de Serra a esta escolha.

“o PSDB de São Paulo chegou à melhor solução possível. E isso, especialmente, porque o governador Serra soube enfatizar a possibilidade real de restabelecer a aliança PSDB-DEM no muito provável segundo turno entre um deles e a candidata do PT. “Se a aliança não se traduziu agora numa candidatura única, tem que se traduzir, sim, numa unidade no segundo turno” – disse o governador em seu pronunciamento na Convenção.”

O editorial finge ignorar que os serristas opostos a candidatura Alckmin eram uma minoria e não tinham nenhuma possibilidade de impedir o PSDB de lançar Alckmin candidato, mesmo que quisessem.

O editorial desestima também que essa candidatura nasce marcada pela divisão tucana e sem o consenso dos caciques, consenso que sempre pautou as decisões tucanas. Pior, ela concorre diretamente com Kassab, o candidato de José Serra, da maioria dos vereadores do PSDB e dos quadros que exercem funções no aparelho municipal e estadual. Todos eles continuarão fazendo campanha por Kassab, mesmo se a formalidade da propaganda eleitoral obrigatória falará outra coisa. Mais ainda, é Kassab que ficou com os apoios do PMDB, do PR e demais aliados de Serra e dos serristas.

Vale lembrar, o que o editorial não faz, que quando Ulysses Guimarães foi candidato contra o desejo do então poderoso Quercia, o PMDB mostrou-se unido de fachada, crucificando o candidato.

Os movimentos de Serra não deixam nenhuma dúvida sobre o objetivo dele. Liquidar o perigo que Alckmin representa para suas ambições, tentando salvar na medida do possivel a face. O editorial participa desta tentativa de “limpar” a cara de Serra e faz de conta que a mão de gato não é a dele.

Segundo o Editorial : “Da forma como conduziu as facções divergentes do PSDB paulistano no complicado impasse, o “presidenciável” paulista de 2010 sem dúvida tem tudo para consolidar o apoio geral de seu partido, a começar pelo de um agradecido Geraldo Alckmin, que fez questão de repetir em seu discurso: “Sempre estive com ele (Serra) em todas as campanhas e estarei nas futuras.” Os próprios líderes da dissidência tucana kassabista poderão não se transformar em batalhadores entusiasmados da campanha de Alckmin, mas mostraram-se convencidos da necessidade de ceder posição em favor de um “objetivo maior”, qual seja, o da candidatura de Serra à Presidência, daqui a dois anos. “

É o que se denomina confundir os desejos do Estadão, com a realidade. Nem os autores acreditam no que escrevem.

Como constata o editorial da Folha, também de hoje: (O PSDB) “Sempre preferiu ostentar um consenso que já não possui e no qual não crêem nem sequer os tucanos mais ingênuos, hoje atarantados em meio a tantas rivalidades.”

A bem da verdade, é o Alckmin que precisa vender a idéia que não está sendo crucificado e que o racha acabou. O bom senso fez todos se reconciliarem e ele já se vê aspergindo de água bendita o rebanho rejuntado, incluso das ovelhas negras. Para isso serve o editorial do Estadão.

Vã ilusão!

O próximo passo será tentar transformar a candidata do PT na encarnação do mal absoluto. Para preservar a continuidade que “os paulistanos podem esperar(…) (e que) em muitos aspectos tem sido eficiente e inovador.” (dixit editorial do Estadão)

Estranha acusação para incentivar o maniqueismo. Quem asseguraria melhor a continuidade dos CEU’s por exemplo: Marta, Alckmin ou Kassab? Os três hoje são a favor do que Marta soube criar, implantar e que o PSDB com apoio de uma parte da mídia, o Estadão especialmente, atacou e prometeu parar. Hoje existe consenso em favor deles. Como também ninguém questiona agora os uniformes, o material escolar, a merenda de qualidade, a criação de vagas em creches e escolas, a revalorização dos professores e o Vai e Volta.

Mas como atribuir ao PT os resultados péssimos na educação, se a própria Secretária de Educação de Serra, do PSDB, diz que jogaram fora R$ 2 bilhões de reais (segundo o Estadão é o equivalente de todo o dinheiro da educação básica do Brasil, um ano do orçamento do FUNDEB) e que os resultados após 14 anos de tucanato no Estado são esse desastre monumental?

Como acusar a candidata do PT se o caos no trânsito, outro problema crucial, está diretamente ligado ao pouco investimento do Estado no metrô, que avançou a passos de tartaruga, segundo o próprio Estadão em concordância com idêntica avaliação de Serra. Ou o quase nulo investimento de Kassab nos corredores para os ônibus é culpa do PT que criou o Bilhete-Único, construiu terminais e mais de 110 Km de corredores?

Seria “solução de continuidade” (ainda o editorial do Estadão) o plano apresentado por Marta e o governo federal para dar um salto na implantação do metrô en vistas da copa de 2014? Neste caso até que seria bem vinda essa “solução de continuidade” perante o pouco que o governo do PSDB avançou no transporte público. O Estadão ousaria estar contra um choque de investimento no metrô como propõe Marta com apoio do governo federal? o governador Serra recusaria? Agora, se a preocupação do Estadão é com a continuidade do Bilhete-Único criado e implantado por Marta, pode ficar sossegado, o Bilhete-Único continuará e ampliará sua duração com ela na prefeitura. Ou alguém dúvida disto?

O Estadão estaria preocupado com a continuidade do que? da ética?

Como evitará que Geraldo Alckmin seja carimbado de “Geraldo Alstom”, vista a grossa propina recebida durante seu mandato e de Covas, para manipular as licitações no metrô em favor da empresa francesa? Como não constatar que, como os jornais tem mostrado nas últimas semanas, o tratamento de Alstom como empresa-camarada dos tucanos teve uma perfeita continuidade no Estado de São Paulo desde 1990 até agora? Ou impedir CPI para este caso público e claro de suborno é prova de ética?

Ou o Estadão está com medo de Marta parar obras, não pagar fornecedores como fiz José Serra, ela que deu continuidade a programas que o PT não apoiou, como o Fura-Fila de Pitta-Kassab, ou que criado por outros o PT defendeu e melhorou, como o Leva-leite de Paulo Maluf?

Lamentavelmente para a identificação ideológica do Estadão com o PSDB, nem na questão da carga tributária poderá atribuir a Marta uma fúria arrecadatoria da qual estariam desprovidos os tucanos. Os números são claros no que concerne o aumento da carga tributária no pais, no Estado e na cidade de São Paulo durante os governos do PSDB, de par com o endividamento gigantesco promovido por eles em todas as esferas, para pretender que o problema é uma invenção ideológica da esquerda. Sem falar que Marta reconheceu publicamente ter cometido alguns erros neste item.

Pela primeira vez existe a possibilidade que estas eleições em São Paulo, ao contrário do que gostaria o Estadão, possam escapar a um certo maniqueismo. De sorte que a polarização poderá explicitar as reais divergências sobre às questões de fundo. E não estou convencido que dependendo do tema, não apareçam convergências que uma visão maniqueista ignora. Para isso é necessário que a mídia contribua não só com isenção, mas participando do debate democrático, sem simplismo redutor e sem tomar partido.

Se isto acontecer, a divisão do PSDB terá contribuído, sem que seus dirigentes percebessem, para o progresso do debate político durante anos escamoteado no pais.

Mas alguns persistem na tentativa de exorcizar o real, para adequá-lo a sua visão ideológica. O editorial do Estadão é a prova.

Luis Favre

16/05/2008 - 15:35h O Transporte coletivo e o Sofrimento do Povo

“As questões maiores são a mobilidade, o sofrimento do povo com o transporte coletivo, com o trânsito, que piora gradativamente.”

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Ao contrário do que pode parecer não se tratam de palavras de algum político de oposição ao atual governo municipal (DEM-PSDB). É uma frase do ex-governador Alckmin em entrevista à Folha no dia 10/05/2008 que reconhece que é catastrófica a situação gerada pela falta de políticas de transporte da atual Prefeitura e dos 14 anos de Governo do Estado do seu PSDB.

Já o Vereador Natalini (em artigo publicado na Folha em 07/05/2008) apresenta a gestão de transporte como um sucesso, ainda que para isso tenha que apresentar como feitos, obras que ainda estão no papel: Expresso Tiradentes, Corredores Celso Garcia e Berrini, reforma de sete corredores, monitoramento dos ônibus, restrições de caminhões, linhas de metrô.

O Vereador tenta encobrir aquilo que o candidato do seu próprio Partido não nega, a situação é dramática e o povo sofre com a inércia das autoridades e a falta de planejamento.

Longe de nós querer dar lições aos tucanos. Mas a experiência e o bom senso indicam que em primeiro lugar deve estar uma opção política: priorizar ou não o transporte público em detrimento do transporte individual.

A nossa opção foi priorizar o transporte público por que consideramos que não há espaço físico para o crescimento do transporte individual e os recursos de infra-estrutura da Prefeitura devem ser direcionados para a implantação de um sistema de transporte rápido, confortável e barato. Um sistema para toda a população. Esse sistema deve ser baseado numa extensa rede metroviária que atinja a periferia da cidade. Deve ter como complemento, uma rede muito mais extensa de corredores de ônibus de grande capacidade. E por fim uma rede capilar de pequenos veículos que permitam o acesso rápido à rede de transporte.

O que une essas três partes é o Bilhete Único, que foi implantado pela gestão Marta Suplicy e que vem tendo sua utilização dificultada pela atual gestão: não pode mais ser recarregado nos ônibus e com a demora das viagens muitas vezes não permite sua utilização posterior. Por fim, a tarifa deve ser o mais barata possível – e o atual Governo já acertou sua elevação para R$ 2,50 após as eleições, é claro.

Mas o transporte é mais que isso. Temos que cuidar da CET que – apesar de nunca ter tido tantos recursos como neste Governo! – não tem rádio para seus agentes que se comunicam, muitas vezes, pelo telefone público, não tem guinchos para retirar carros quebrados da rua (no dia 9 de maio a cidade parou por conta de um caminhão quebrado), e também não tem agentes em número suficiente.

Temos que elaborar uma política de transporte de carga que diminua o conflito por espaço que ocorre nas principais avenidas entre os grandes caminhões, os automóveis e os ônibus. Essa política tem que ser construída com firmeza pela administração pública, mas também com o diálogo com os agentes econômicos.

Temos que tratar o transporte fretado (que pode ajudar muito no atendimento à classe média), de políticas de estacionamento que reduzam a utilização da via pública, de uma ordenação da atividade dos motociclistas que não seja encarecer seu trabalho, de uma ação no transporte escolar que reorganize o Vai e Volta, abandonado pela atual gestão.

Caro Vereador, o que fez a atual gestão? Qual o legado da sua administração? A Ponte Estaiada, concebida junto com a Operação Urbana Águas Espraiadas pela Prefeita Marta? O Fura-Fila, criação de Pitta que tivemos que readequar para se tornar viável? As extensões da Jacu-Pêssego, o prolongamento da Radial e o complexo Jurubatuba, todas iniciadas pelo governo passado?

O legado da atual gestão é a inércia de quem teve um recorde de arrecadação (o orçamento municipal aumentou de R$ 13 bilhões em 2004 para R$ 23 bilhões previstos em 2008), fruto do crescimento econômico e de diversas medidas como a redução dos beneficiados pela isenção no IPTU, e não se preocupou com uma questão fundamental na cidade: a circulação.

Com essa arrecadação, que o Governo Marta não dispunha, é possível investir no Metrô. Decisão que, aliás, ela já havia tomado com a destinação de recursos das Operações Urbanas Faria Lima e Vila Sônia. Temos também, que buscar recursos contínuos junto ao Governo Federal – que neste ano já destinou R$ 270 milhões para novas obras. Resta desvendar se os contratos tucanos com a Alstom para compra de novos trens não estão corrompidos.

Outros governos municipais, como os de Faria Lima e Maluf, se preocuparam com essa questão e buscaram resolvê-la com grandes obras viárias. Não foi a solução e não acompanhou o desenvolvimento da cidade. Serra e Kassab, nem isso fizeram.

Carlos Zarattini
Dep. Federal-PT e ex-secretario de Transportes da cidade de São Paulo

10/05/2008 - 15:30h Prefeito aumenta em 19% verba de publicidade

 

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Diego Zanchetta – O Estado de São Paulo

A gestão Gilberto Kassab (DEM), pré-candidato à reeleição, transferiu ontem, por meio de decreto publicado no Diário Oficial do Município, mais R$ 6 milhões de verbas destinadas a “publicações de interesse do município” e à Secretaria Municipal de Comunicação.

Agora, as verbas destinadas à publicidade do governo neste ano eleitoral somam R$ 41 milhões, crescimento de 19% em relação aos R$ 34 milhões previstos no texto original do Orçamento de 2008.

As verbas transferidas vêm de obras como o prolongamento do Expresso Tiradentes (antigo fura-fila). Ontem à noite, o Estado tentou entrar em contato com a assessoria de imprensa do prefeito para comentar o aumento, mas não obteve retorno.

Entre 2006 e 2007, Kassab já havia dobrado os gastos com publicidade – R$ 66,9 milhões, valor 117% superior ao aplicado em 2006 na área -, foi o maior salto entre todas as secretarias de Kassab. Em verbas liquidadas (pagamentos já liberados), o valor chegou a R$ 58,5 milhões, 121% de aumento em relação a 2006.

04/05/2008 - 10:50h TCU: Cimento de Kassab tem sobrepreço de 145%

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As obras realizadas pela gestão Kassab no antigo Fura-fila guardam um segredo no cimento. Por motivos misteriosos esse cimento teve um preço 145% acima do valor, segundo parecer do Tribunal de Contas da União.

O TCU é obrigado a controlar o uso do dinheiro federal e Lula, sem discriminar opositores, deu R$ 72,8 milhões para a obra da prefeitura de São Paulo. Só que junto com o dinheiro vem o controle do TCU.

Segundo a auditoria do TCU o preço do cimento é um absurdo ou como diz pudicamente o estadão de hoje, um “gasto excessivo”.

A curiosidade é o fato não ter motivado nenhuma cobrança da mídia sobre o prefeito Kassab. O Estadão publica a notícia sem mencionar sequer a prefeitura, a Folha nem a notícia dá.

Objetividade da informação, uma ova!

09/04/2008 - 05:27h Argumentos

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Metrô e Rodoanel de São Paulo, com dinheiro do governo Lula

por Carlos Zarattini

Tenho acompanhado o debate sobre transporte no seu blog e me impressionaram muito as afirmações do leitor Sérgio. Ele desconhece as questões centrais que envolveram nossa administração no setor e faz várias afirmações errôneas.

1) No nosso primeiro orçamento de fato abrimos a rubrica para investimento no Metrô porque queríamos buscar formas criativas de levar recursos para esse meio de transporte fundamental para a cidade. Buscamos dialogar com o Governo do Estado para efetivar essa decisão através de operações urbanas que capturassem recursos da valorização imobiliária advinda das novas linhas. Tivemos pouca colaboração. Insistimos e conseguimos incluir no projeto da Linha 4 a estação Vila Sônia – que não estava prevista – e nos dispusemos a investir nela R$ 50 milhões quando a obra se iniciasse. Como todos sabem isso só aconteceu em 2004, último ano de nosso governo. Mais tarde, aprovamos no Plano Diretor Estratégico a Operação Urbana Vila Sônia que efetivaria esse recurso.

2) É bom lembrar que em 2004 nosso orçamento foi cerca de R$ 12 bilhões e agora em 2008 é de R$ 25 bi. E também, que assumimos a Prefeitura totalmente arrombada financeiramente pelo Governo Pitta.

3) Também propusemos a implantação em conjunto do Bilhete Único. O Estado recusou alegando que implantaria o Metrocard antes. Até hoje isso não aconteceu e só concordaram em implantar o BU no Metrô com Serra na Prefeitura para promovê-lo na sua candidatura ao governo estadual.

4) Dizer que os corredores são um lixo é apenas adjetivo. Na verdade, os corredores ESTÃO um lixo por falta de cuidados e manutenção da atual gestão. Aliás é só comparar a qualidade urbanística das Avenidas 9 de julho, Ibirapuera, Rebouças antes e depois dos corredores. Procurem nas fotos antigas se a memória não ajudar.

5) Quanto ao Rodoanel, o Governo Federal está investindo R$ 1 bilhão nessa obra. E investe na medida em que ela é feita, aliás só começou agora. Ou os tucanos querem que o dinheiro seja adiantado????

6) O Governo federal investiu a fundo perdido R$ 220 milhões no Fura-Fila (linha Sacomã) e vai investir mais R$ 200 para chegar até a Cidade Tiradentes (essa obra do Viaduto Gangorra).

7) Também já está vindo de Brasília R$ 270 milhões para a Linha 2 do Metrô. Isso pela primeira vez na história!!!

Os tucanos estão há 14 anos no Governo do Estado e há 4 na Prefeitura. O Metrô nesse período cresce a uma velocidade de 800 metros por ano. A menor da sua história. A cidade está enfrentando o caos por falta de pla-ne-já-men-to. Aquela palavra tão falada pelos tucanos, campeões da racionalidade…e da falta de iniciativa.

Carlos Zarattini é deputado federal do PT e ex-secretário municipal de transporte na administração Marta Suplicy

02/04/2008 - 04:50h Colagem

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Para engenheiros, erro é fácil de ser evitado (Folha)

Especialistas afirmam que fiscalização mais atenta da obra do Fura-Fila teria percebido que estrutura iria se desequilibrar (Folha)

Sindicato dos Engenheiros alerta para necessidade de fiscalização mais rígida (JB)

Kassab negou que tenha havido falha da fiscalização da prefeitura na obra (Globo)

Na semana passada, a prefeitura marcou uma nova data para a inauguração: 18 de maio. (Folha)

Pré-candidato à Prefeitura, Kassab vistoriava as obras de adequação viária de cruzamento na região central, na quarta-feira passada, quando questionou o diretor Pedro Evangelista sobre a conclusão do trecho. “Doutor Pedro, que dia que vai ficar pronto o Expresso Tiradentes? A data? 18 de Maio? 18 de Maio. Agora vou cobrar do diretor. Ele já deu a data em primeira mão”, disse.

Pessoas ligadas ao consórcio e ao Executivo admitem que nesse período pré-eleitoral há “certa pressão” para que as obras sejam entregues o mais rápido possível. (O Estado de São Paulo)

Kassab, que tenta viabilizar sua candidatura, têm a extensão do Fura-Fila como uma bandeira de campanha. O prazo para que candidatos a prefeito participem de inaugurações termina em 4 de julho. (Folha)

E o Kassab tá usando os mesmos materiais dos prédios do Sérgio Naya. Aliás, avisa pro Kassab que eu sei como desengarrafar o trânsito: carro financiado não circula. Rarará! (Folha – José Simão)

Responsável por obra no Expresso Tiradentes será punido, diz Kassab (Globo)

Edição São Paulo

Primeira Página da Folha de S.Paulo
Fac-símile da capa da edição de 2/4/2008

Capa Folha de S.Paulo - Edição São Paulo

01/04/2008 - 12:53h Quando a incompetência é grande, melhor levar na brincadeira

Brincadeira
por Tutty Vasques, Seção: Caidaço s 09:26:45.

ilustração pojucan

Vem cá:

Será que essa notícia do Fura-Fila que caiu sobre viaduto em SP não é primeiro de abril, não?

 



 

 

Link permanenteDepois da cratera do metrô…
por Tutty Vasques, Seção: Fala sério! s 09:19:45.

Entreouvido numa rodinha de abismados com a barbeiragem no cruzamento do Expresso Tiradentes com Viaduto Grande São Paulo, zona sul da cidade:

“A engenharia de tráfego de São Paulo até que é boa. A de obras públicas é que é uma porcaria.”

Cá pra nós, faz sentido!

Após acidente, SP vai adiar inauguração do Expresso Tiradentes

Trecho do ‘Fura-Fila que cedeu deveria ser entregue no dia 18 de maio; Kassab não sabe quando vai inaugurar

Felipe Grandin – Jornal da Tarde

Prefeitura terá relatório preliminar sobre queda

Patrícia Santos/AE

Prefeitura terá relatório preliminar sobre queda

SÃO PAULO – O trecho em que as obras do Expresso Tiradentes (antigo Fura-Fila) cederam, na noite de segunda-feira, 31, não será mais inaugurado no dia 18 de maio, como estava previsto no planejamento da São Paulo Transportes (SPTrans). A informação foi confirmada nesta terça-feira, 1, pelo prefeitoGilberto Kassab, durante visita ao local. O prefeito também prometeu que ainda nesta terça a SPTrans e o Consórcio Andrade Gutierrez-Carioca farão um laudo preliminar explicando as causas do deslizamento.

 

Parte da estrutura do piso por onde circularão os ônibus do Fura-Fila cedeu no final da noite de segunda-feira, 31, sobre o Viaduto Grande São Paulo. Ninguém ficou ferido e nenhum veículo foi atingido, no entanto, a Prefeitura precisou fazer interdições no local. Segundo Kassab, do ponto de vista da engenharia, “houve um pequeno escorregamento. A peça foi escorregando devargarzinho até encostar no Viaduto”. A expectativa do prefeito é de que o local seja liberado para o trânsito atér as 17 horas. Dois guindastes ajudam nos trabalhos

 

Caso o relatório que deverá ser apresentado pela SPTrans aponte responsabilidade do consórcio no deslizamento, o prefeito afirmou que punirá as empresas. No entanto, ele disse que ainda não sabe que tipos de sanções podem ser aplicadas contra o consórcio. “Normalmente se fala vamos esperar o laudo, mas quero uma resposta hoje (nesta terça)”, falou o prefeito.

 

Segundo o diretor de infra-estrutura da SPTrans, Pedro Pereira Evangelista, o deslizamento não deveria ter acontecido. “Não é nenhum método revolucionário dessa construção. Todos já estávamos acostumados com esse tipo de obra. Nunca vi um desiquilíbrio desses. Não é comum nessas obras”, diz. O trecho que deveria ser entregue no dia 18 é de 2,8 quilômetros de extensão e foram gastos R$ 93 milhões na obra.

26/03/2008 - 00:11h Governo Lula investe no Metrô de São Paulo

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A Bancada do PT fez um ato simbólico ontem, no plenário da Câmara Municipal, para registrar uma boa notícia para o transporte público de São Paulo. O Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acaba de liberar uma parcela de R$ 189 milhões para a ampliação do Metrô.

O dinheiro federal será empregado na ampliação da Linha 2 Verde (Vila Madalena-Oratório/Tatuapé), para implantar o trecho Alto do Ipiranga-Vila Prudente.

O presidente Lula está destinando no total R$ 270 milhões para a obra, conforme convênio entre a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), estatal vinculada ao Ministério das Cidades, e a Companhia do Metropolitano. O convênio (nº 610977) foi assinado em dezembro de 2007. A contrapartida do Metrô no projeto é de R$ 81 milhões.

A Bancada PT exibiu no plenário, durante o ato, um cheque simbólico do Banco do Brasil com o valor repassado pela CBTU ao Metrô.

O líder do PT, vereador Arselino Tatto, destacou a importância da ajuda do governo Lula ao transporte coletivo de São Paulo, que há meses passa por uma séria crise e que se agravou agora por falta de ação e investimento da administração municipal PSDB/DEM na melhoria do serviço.

“O PT sempre se preocupou em investir no transporte coletivo, porque é um serviço importante que beneficia toda a população, tanto para quem usa quanto quem não usa. Os tucanos e democratas, que estão no comando dos governos estadual e municipal, têm que explicar agora por que o trânsito piorou em São Paulo. O transporte coletivo, que era bem avaliado, caiu no conceito da população”, afirmou o vereador.

Tatto lembrou que esta não é a primeira vez que o governo Lula ajuda o transporte na capital paulista. O Fura-Fila, que também já se chamou Paulistão e agora é conhecido como Expresso Tiradentes, foi concluído e entrou em funcionamento em março de 2007 graças a recursos federais. Entre 2005 e 2007 foram empenhados mais de R$ 200 milhões da União para o projeto. Fonte liderança do PT na Câmara Municipal SP.

24/03/2008 - 06:53h Velocidade cai em corredores de ônibus de SP

Veículos estão mais lentos em 7 dos 9 trechos exclusivos da cidade, por onde passam 2 milhões de passageiros por dia

Governo Kassab anunciou 19 medidas para melhorar o tráfego nas faixas; especialistas considera mas intervenções tímidas

Eduardo Knapp – 18.mar.2008/Folha Imagem
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Corredor na avenida Santo Amaro, o mais lento da cidade, com média de 12,2 km/h, mas um dos dois em que o ritmo não caiu em 2008

ALENCAR IZIDORO e RICARDO SANGIOVANNI DA REPORTAGEM LOCAL FOLHA DE SÃO PAULO

A velocidade média dos ônibus caiu em sete dos nove corredores municipais do transporte coletivo de São Paulo -prejudicando a viagem de 2 milhões de passageiros diários.

Somente nos oito quilômetros de faixas exclusivas da estrada de Itapecerica e avenida João Dias, na zona sul, quem gastava 27 minutos no trajeto passou a perder 37 minutos.

A piora, agravada por fatores como invasão das pistas por táxis e carros de passeio e programação inadequada de semáforos e de pontos de parada, não se deu só na periferia.

No corredor das avenidas Rebouças/Consolação/Francisco Morato, os coletivos que trafegavam a 16 km/h, em 2006, passaram a rodar a 14,1 km/h, conforme balanço de 2007.
Um campeão da corrida de São Silvestre é mais rápido que os ônibus de qualquer um dos nove corredores exclusivos.

As velocidades médias aferidas em 2007 ficaram entre 12,2 km/h (Santo Amaro/Nove de Julho) e 17,9 km/h (Inajar de Souza/Rio Branco) -de 12% a 64% abaixo do mínimo necessário, de 20 km/h. Especialistas consideram entre 25 km/h e 30 km/h o ritmo ideal para os trechos exclusivos. No Fura-Fila, a média alcança 37 km/h.

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Os números da Secretaria Municipal dos Transportes refletem os tormentos diários vividos por passageiros como Gilberto Simões, 28, e que inclusive provocaram protestos semanas atrás na zona sul.

O segurança Simões já se acostumou a levar broncas do chefe por causa dos atrasos diários no corredor que passa pela avenida M’Boi Mirim. Fora os descontos no seu salário -que equivalem a um dia de trabalho de 20 jornadas em um mês.

Pista invadida

O engenheiro Cláudio Senna Frederico, que foi secretário dos Transportes Metropolitanos de 1995 a 2001, no governo de Mário Covas (PSDB), avalia que parte da redução da velocidade deve ter sido “resultado de pressões pela fluidez do trânsito”, com novas interferências em favor do automóvel.

Por exemplo, a reprogramação de semáforos para melhorar os acessos transversais, mas em detrimento da eficiência da pista exclusiva, e a quantidade excessiva de cruzamentos.
“Não basta ter a separação da faixa. Ter uma velocidade média abaixo de 25 km/h significa que está sendo desperdiçado um investimento”, afirma.

“O mais visível”, porém, diz ele, é a quantidade de veículos invadindo a pista exclusiva. “Começa com a ambulância, depois a polícia, depois os táxis. Cada um com sua justificativa, mas que, no conjunto, prejudicam muito e incentivam outros carros particulares a invadir.”

O consultor em transporte Horácio Augusto Figueira faz coro e defende a proibição de táxis nos corredores.

Os favoráveis à liberação desses veículos argumentam que a medida racionaliza os momentos de ociosidade da pista e que o táxi é uma opção mais racional ao carro particular.

A própria gestão Gilberto Kassab (DEM) já divulgou que até 40% do tráfego em alguns corredores analisados em 2007 era de outros veículos, e não de ônibus. Hoje a prefeitura diz nem pensar em rever a liberação das faixas tanto a táxis com passageiros (diariamente) como a carros de passeio (sábados, após as 15h, e domingos).

A fiscalização dos invasores é outra deficiência apontada por especialistas. A capital paulista tem 58 câmeras para flagrá-los -a multa é de R$ 127,69-, mas a punição é precária porque elas não identificam automaticamente se os carros são autorizados ou veículos infratores.

Mesmo com a queda de velocidade, Figueira cobra a expansão desse transporte, inclusive com faixas reversíveis nos picos. Entre as intervenções defendidas por ele, está a presença de faixas para ultrapassagem -para evitar enfileiramento nos pontos de embarque.