20/08/2009 - 09:23h Marina deixa PT e diz que pode ajudar na revisão programática do PV

A ex-ministra confirmou que a possibilidade da disputa à Presidência da República está sendo discutida.

O líder do PV na Câmara, deputado Sarney Filho (MA), afirmou que há conversas com outras legendas, como P-Sol e PSC, sobre uma eventual aliança na campanha, para aumentar o tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão

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Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

A senadora Marina Silva (PT-AC), ex-ministra do Meio Ambiente do governo Luiz Inácio Lula da Silva por mais de cinco anos, confirmou ontem sua saída do PT, depois de 30 anos de filiação. Com a decisão, Marina avança nas negociações para se filiar ao Partido Verde (PV) e disputar a Presidência da República em 2010. Uma eventual candidatura da senadora ao Palácio do Planalto pode causar prejuízos tanto à estratégia eleitoral governista quanto à da oposição.

Marina deixa o PT sem receber de Lula um gesto no sentido de tentar demovê-la da decisão. No PV, a adesão da ex-ministra e sua candidatura a presidente são consideradas certas. Ontem, ela anunciou apenas a saída do PT, mas admitiu sentir-se “livre” para discutir o convite do PV para participar de uma “revisão programática”, com atualização do programa e do estatuto. O objetivo é apresentar ao país um modelo de desenvolvimento baseado na “sustentabilidade ambiental, social e econômica”.

Em carta ao presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), Marina lista algumas “conquistas” de sua gestão no Ministério do Meio Ambiente – a queda do desmatamento da Amazônia, a estruturação e fortalecimento do sistema de licenciamento ambiental e a criação de 24 milhões de hectares de unidades de conservação federal – e diz que “faltaram condições políticas para avançar no campo da visão estratégica”. Em entrevista, afirmou que o meio ambiente “não deveria ser algo periférico, onde você faz uma militância quase que à margem do processo decisório do governo”.

Ao comentar a decisão de Marina, Berzoini descartou a possibilidade de o partido reivindicar, na Justiça Eleitoral, o seu mandato no Senado. Segundo ele, a ação “não faria sentido”, já que a ex-ministra “não agiu em detrimento do PT”, nem “em postura dissonante” da legenda.

Decisão tomada em 2007 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), posteriormente confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), deu aos partidos o direito de preservar a vaga de político que, eleito pela sigla, pedir desfiliação sem justa causa. O partido tem 30 dias, depois do pedido de desfiliação, para pedir à Justiça Eleitoral a decretação da perda do mandato.

Na carta ao dirigente petista, a senadora criticou os “equívocos da concepção do desenvolvimento centrada no crescimento material a qualquer custo” e disse ter desistido de lutar pela questão ambiental dentro do PT. “É o momento não mais de continuar fazendo o embate para convencer o partido político do qual fiz parte por quase 30 anos, mas sim o do encontro com os diferentes setores da sociedade dispostos a se assumir, inteira e claramente, como agentes da luta por um Brasil justo e sustentável, a fazer prosperar a mudança de valores e paradigmas que sinalizará um novo padrão de desenvolvimento para o país.”

Na entrevista, a ex-ministra confirmou que a possibilidade da disputa à Presidência da República está sendo discutida. Uma eventual candidatura de Marina a presidente é considerada prejudicial ao desempenho eleitoral da ministra Dilma Rousseff (chefe da Casa Civil), porque, em tese, ela terá votos no eleitorado petista. O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), também pré-candidato a presidente, afirmou que Marina “implode” a candidatura de Dilma.

Por outro lado, tucanos admitem que o governador José Serra (SP), possível candidato do PSDB, teria problemas no Rio de Janeiro, onde o PV é aliado dos tucanos. O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), até ontem pré-candidato a governador com apoio do PSDB, reconheceu a dificuldade com a mudança de cenário. “Minha situação é uma variável não resolvida dessa história”, afirmou.

Na primeira pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República em que seu nome foi incluído – realizada pelo instituto Datafolha e divulgada no último domingo -, Marina aparece com 3%. É pouco, mas ela lembra que começou com 3% da preferência do eleitorado do Acre na primeira campanha para o Senado. “É um desafio programático e não pragmático”, diz ela sobre sua mudança de partido, decisão que – afirma – não está subordinada à possibilidade de se candidatar a presidente.

O líder do PV na Câmara, deputado Sarney Filho (MA), afirmou que há conversas com outras legendas, como P-Sol e PSC, sobre uma eventual aliança na campanha, para aumentar o tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão. Mas, assim como Gabeira, o líder analisou que o partido terá de utilizar “instrumentos diferentes dos tradicionais” para difundir a candidatura, como as ferramentas disponíveis na internet (blogs, twitter etc.). “A blogosfera pode ser um meio de superar a falta de espaço na televisão”, afirmou o deputado.

Na entrevista, Marina criticou avaliações segundo as quais seu discurso, numa campanha eleitoral, seria monotemático, restrito à questão ambiental. “Só aqueles que ainda não entenderam que falar de desenvolvimento sustentável é dar resposta a todos os setores da sociedade é que acham que sustentabilidade é algo monotemático. O argumento mostra fragilidade de quem não compreende o conceito.”

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), disse que, se for candidata, a senadora “tira votos de todos os candidatos, inclusive da oposição”. Considerou uma escolha pessoal “difícil” votar em Dilma ou Marina, por considerar ambas “excelentes”. Mas declarou apoio à ministra, pré-candidata do seu partido.

O senador Paulo Paim (PT-RS) lamentou a decisão tomada pela ex-ministra. Citando outros ex-petistas que podem disputar a Presidência – Heloísa Helena (P-Sol) e Cristovam Buarque (PDT) -, disse que isso “divide as forças que estariam aglutinadas na Frente Popular e democrática, liderada pelo PT”.

12/08/2009 - 11:29h Gabeira acerta com PSDB candidatura no Rio

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2010: Deputado, que pretende ter dois palanques presidenciais discute hoje cenário sucessório com Marina

Ana Paula Grabois, do Rio – VALOR

Fenômeno nas eleições municipais no ano passado, neste momento a opção do deputado federal Fernando Gabeira (PV) é sair como candidato a governador do Estado do Rio em 2010 apoiado pelo PSDB. Na semana passada, Gabeira conversou com o governador de São Paulo, José Serra, e com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo, dois entusiastas da candidatura do deputado ao governo do Estado do Rio no ano que vem.

Nas eleições de 2008, aliado ao PSDB, PPS e DEM, Gabeira perdeu por apenas 55,7 mil votos do atual prefeito, Eduardo Paes (PMDB). Na época, recebeu forte apoio financeiro dos tucanos, que tinha como representante na chapa o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha. O PSDB deu R$ 1 milhão à campanha de Gabeira a prefeito.

“Eles querem que a gente saia com candidatura ao governo”, disse. A opção pelo Senado foi deixada para trás, diz. “A situação lá está muito complicada. Precisaria entrar para mudar e teria que ter pelo menos dez senadores”, afirmou, sem esperanças de renovação na Casa em 2010.

Um dos desafios de sua candidatura será conjugar no primeiro turno a eventual candidatura da senadora Marina Silva pelo PV com a candidatura tucana à Presidência. “Não sei como será, mas gostaria de contar com o apoio do PSDB”, disse o deputado do PV ao Valor. Uma das possibilidades é Gabeira subir no palanque dos dois candidatos presidenciais. Para Serra, Gabeira seria o palanque ideal no Estado para fazer frente ao apoio que Cabral (PMDB), pré-candidato à reeleição, dará à virtual candidata do PT, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. “Essa é a opção, ter dois palanques”, diz o vereador Alfredo Sirkis (PV-RJ). Hoje Gabeira se reúne com Marina para tratar do assunto.

A pré-candidatura Gabeira deve complicar o quadro eleitoral para o governador Sérgio Cabral. Em pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) realizada entre 23 e 27 de julho com 2 mil eleitores no Estado, Cabral apareceu com 28% das intenções de voto, seguido por Gabeira, com 21%. O ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PR) obteve 17%, enquanto o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), tinha 9%. Cabral luta para ter menos concorrentes e tenta tirar da disputa Lindberg Farias, do PT.

Aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador do Rio tem tentado convencer Dilma a tirar Lindberg da corrida ao governo estadual. Uma das alternativas para Lindberg seria concorrer ao Senado .

No PV do Rio, existem ainda diferenças com o DEM, especialmente com o ex-prefeito da capital, Cesar Maia, que tem declarado apoio a Gabeira. A avaliação de políticos do PV é de que a eventual aliança com o ex-prefeito, que deve concorrer ao Senado, vai contra o discurso de renovação de Gabeira. Em 2008, Maia fechou com Gabeira no segundo turno, após a derrota da deputada federal Solange Amaral (DEM).

06/08/2009 - 09:53h Assédio de Serra faz PV buscar Marina

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Com um pé no governo Lula e outro na administração tucana, partido teme deflagração de racha em 2010

Para dirigente da legenda, lançamento de nome para a Presidência vai registrar a marca do partido; Marina ainda analisa troca de sigla

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA SP

Uma investida do governador José Serra (PSDB) pesou para a opção do PV pela candidatura própria à Presidência no ano que vem. Com potencial de abalo sobre a campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), a ideia de candidatura da senadora Marina Silva (PT-AC) à sucessão presidencial teve também origem no flerte de tucanos e democratas com o PV.
Dividido, com uma cadeira no ministério do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outra no governo Serra, o PV teme a deflagração de um racha. Daí, a opção pela candidatura.
Presidente do PV do Rio e um dos articuladores do acordo pelo qual Marina deixaria o PT para concorrer à Presidência, o vereador Alfredo Sirkis admite que, além do interesse de registrar a marca do partido na disputa, o risco de implosão foi levado em conta.
“Uma coisa é administrar divergências por 15 dias [no segundo turno]. Outra é um ano de pancadaria”, reconheceu.
Serra -que tem o secretário municipal Eduardo Jorge entre os principais aliados- intensificou a ofensiva sobre o PV neste ano, ao acomodar o partido na Secretaria de Ação Social. Ele insiste para que Fernando Gabeira seja seu candidato ao governo do Rio.
Dizendo não ter “tanta certeza de que a candidatura dela seja ruim para Serra”, Gabeira se reúne hoje com Marina.
Ontem, Marina afirmou que está avaliando a proposta do PV, mas que não irá prolongar o período de análise. Em São Paulo, ela criticou ministérios que impuseram dificuldades a ações ambientais durante sua gestão no Meio Ambiente. Ela ressaltou que leva em consideração o fato de nenhum partido ver a questão como estratégica -inclusive o PT.

09/02/2009 - 12:22h Cabral aposta em aliança com PT no Rio

Marisa Cauduro/Valor

Cabral: “O presidente tem demonstrado enorme respeito pelo partido. Ele dá dignidade ao PMDB. Por isso apoio a Dilma”

 

Heloisa Magalhães e Ana Paula Grabois, do Rio – VALOR

Aliado político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador do Rio, Sérgio Cabral, (PMDB) pretende se candidatar à reeleição em 2010 e aposta em dobradinha com o PT. “O presidente resumiu essa história num papo informal. Ele disse assim: o Rio vive um momento extraordinário e que não será resolvido em quatro anos. E é o primeiro a me estimular a continuar aqui”, disse o governador, em entrevista ao Valor.

No ano passado, Cabral ganhou evidência no PMDB e seu nome chegou a ser cotado para ser vice na chapa do PT ou até mesmo do PSDB à Presidência da República, mas agora ele defende que o vice da virtual candidata petista à Presidência, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, seja um político do Norte ou do Nordeste do seu partido. “Defendo que o PMDB, que tem cinco ministérios que não são triviais – Saúde, Minas e Energia, Agricultura, Integração e Comunicações – apoie Dilma. O presidente Lula tem mostrado enorme manifestação de respeito ao partido, não é aquela coisa fisiológica, atrasada, é de discutir políticas públicas. O Lula dá dignidade ao partido. A integração com o PT na Câmara foi extraordinária; no Senado, houve um ruído, mas com o Sarney (José Sarney, recém-eleito presidente do Senado), deve voltar.”

O governador do Rio descarta que o PT do Rio lance um nome para o governo do Estado em 2010. Mas um dos nomes mais cotados dentro do partido é o de Lindberg Farias, prefeito reeleito de Nova Iguaçu, município da pobre Baixada Fluminense. AoValor, Lindberg, ex-líder estudantil dos caras-pintadas, disse: “Sou pré-candidato ao governo do Rio. Não existe melhor nome para o vice da Dilma do que o governador Cabral, não há outro nome de peso no PMDB”. Para Cabral, entretanto, Lindberg já teria desistido do projeto e deve tentar uma vaga no Senado. “Não acredito que o PT tenha um candidato para o Rio. Acredito que o PT vá marchar conosco na reeleição”. Cabral avalia que o PT, além de Lindberg, tem outros dois pré-candidatos ao Senado, a secretária de Ação Social do Estado, Benedita da Silva, e o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos.

Com pouca capacidade financeira de investimento, Cabral tem recebido generoso apoio federal. As obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Estado – urbanização de favelas, saneamento na Baixada Fluminense e construção do arco rodoviário metropolitano – somam R$ 3,6 bilhões em investimentos, mas o Estado vai financiar apenas cerca de 20%. O restante vem do governo federal, que também tem apoiado Cabral em iniciativas diversas, como os projetos em favelas do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci).

Cabral deve usar o capital político de Lula na campanha, mas diz que vai explorar ações nas áreas de Educação, Saúde e Segurança, além do que chama de “mudança de atitude” na gestão, após dois governos do casal Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, ambos do PMDB.

Mas o governador tem que trabalhar a imagem. Seu candidato, Eduardo Paes, foi o vencedor mas enfrentou disputa acirrada contra Fernando Gabeira (PV), na eleição da capital, em 2008. A diferença foi apenas de 55 mil votos num total de 3,6 milhões eleitores que compareceram às urnas. Entretanto, Cabral frisa que, por princípio, não faz propaganda. Avalia que a população vai aos poucos identificar as ações de seu governo.

“Se o P-SOL ou o PSTU forem na porta de uma escola fazer discurso dizendo que o salário do professor é ruim, as condições das escolas são precárias, vai ter gente aplaudindo. Mas os professores também vão ver na bolsa deles o laptop com acesso à internet (disponibilizado pelo governo do Estado) e lembrar que há 12 anos não tinham reajuste tiveram no ano passado, no retrasado e terão este ano. Quando chegar em casa vão pensar no que ouviram e avaliar”, diz .

Na conversa com o Valor informou que nos próximos três meses 12 mil salas da rede estadual terão ar-condicionado e 16 mil computadores portáteis, de um total de 60 mil, começam a ser entregues na próxima semana. As salas de aula terão sistema de autofalante para os professores. Na saúde, cita a implantação das Unidades de Pronto-Atendimento (Upas), espalhadas pelo Estado, que funcionam 24 horas. Foram ponto alto da campanha do prefeito Eduardo Paes.

Na política de Segurança, a mais controversa do seu governo, Cabral defende a manutenção do enfrentamento em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas e pela milícia. Ao mesmo tempo, vai adotar o policiamento comunitário e ações de integração propostas pelo Pronasci. “A minha tese sempre foi que há dois tipos de violência nessas comunidades. A do traficante e do miliciano dominando, ditando as regras. A outra é a ausência do Estado em saúde, educação, tratamento sanitário, cultura e lazer. Nós estamos agindo nas duas frentes”, disse.

Na avaliação da equipe de Cabral, o Rio irá sofrer menos com a crise econômica internacional. Joaquim Levy, secretário de Fazenda admite cortes no Orçamento, de R$ 46 bilhões, que haverá queda na arrecadação do ICMS e redução das transferências dos royalties do petróleo de R$ 1,5 bilhão. Mas argumenta que o Rio sofrerá menos porque a participação na economia fluminense, da indústria de transformação, segmento atualmente mais afetado pela crise, é menor do que em outros Estados como São Paulo e Minas.

Julio Bueno, secretário de Desenvolvimento, destaca os efeitos positivos da exploração do petróleo na camada do pré-sal. Reconhece que o processo de perfuração é de longo prazo mas diz que antes disso começarão os investimentos de fornecedores de equipamentos e serviços. Bueno garante que os investimentos privados previstos no Estado estão mantidos mas não descarta que a crise pode adiar novos projetos.

08/12/2008 - 12:30h Rio: “Finanças da prefeitura obrigarão a um decretão de ajuste fiscal”

 

Leo Pinheiro / Valor

Eduardo Paes sobre sua futura administração: “Não será um governo, no primeiro ano, de grandes obras”

Do Rio – VALOR


Valor: O prefeito Cesar Maia acha que o 2º turno da disputa entre o senhor e o deputado federal Fernando Gabeira (PV) foi no campo maísta, de seus ex-aliados, e que isso o cacifa para 2010. Como o senhor vê esse raciocínio?

Eduardo Paes: Já dizia minha avó que pretensão e água benta cada um serve quanto quer. Ele é político, tem três mandatos de prefeito, dois de deputado federal e todo o direito de pretender o que quiser. O que eu vi muito no 2º turno foi uma candidatura claramente posicionada contra o Cesar Maia, que era a minha, e outra que, apesar de ter o apoio (do prefeito), o escondia. Então, eu não diria que era do campo maísta. Os dois candidatos, na verdade, negavam a possibilidade de parceria com ele.

Valor: Pelo que já levantou como o senhor encontrará a Prefeitura?

Paes: Muito mal. São dados nos quais nos aprofundamos, mas vamos receber a prefeitura muito mal, a capacidade de investimento praticamente zerada, um orçamento superestimado, transformado em peça de ficção. Não tivemos acesso ao caixa, mas sabemos que existe um déficit operacional.

Valor: Então, o primeiro ano da gestão do senhor será um período de ajustes, de aperto?

Paes: Está cada vez mais claro que teremos que tomar medidas para conter despesas e, de alguma forma, aumentar receitas. Já nos primeiros dias de governo, devemos ter um decretão de ajuste fiscal-orçamentário para que possamos governar com tranqüilidade, sem que isso signifique, necessariamente, prejuízo aos serviços públicos. Ao contrário. Agora, vamos ter que priorizá-los, mas não será um governo, no primeiro ano, de grandes obras.

Valor: O senhor está trabalhando com expectativa de quebra de receita em decorrência da crise?

Paes: A prefeitura usa os mesmos parâmetros do governo federal para a definição do seu orçamento: inflação, taxa de crescimento etc. O orçamento já havia sido enviado à Câmara e não foram feitos ajustes. São R$ 12 bilhões, mas com uma grande margem de remanejamento. Vamos trabalhar para aumentar a receita sem aumentar a carga tributária.

Valor: O senhor vai reduzir pessoal?

Paes: Cargos em comissão. A prefeitura não tem uma máquina inchada. O Cesar (Maia) não perdeu completamente o controle disso. Agora, a gente quer trabalhar com metas de desempenho, queremos mandar o orçamento de 2009 já com metas, e vamos introduzir elementos de meritocracia.

Valor: Como harmonizar esse discurso de ênfase na gestão com o caráter político da administração pública? O senhor está formando uma equipe com pessoas de vários partidos…

Paes: Se você olhar, sem preconceito, a composição do meu governo, verá que é essencialmente técnico, embora tenha política. Acabei de designar uma técnica para a Fazenda, eleitora, inclusive, do meu adversário (a economista Eduarda La Rocque). Na Casa Civil coloquei um deputado federal (Pedro Paulo) que também é do PSDB, mas da minha cotíssima pessoal, não é negociação política. Então, nas funções essenciais, temos quadros essencialmente técnicos. E em algumas áreas, há quadros políticos, como é o caso da competente deputada federal Jandira Feghali (PSDB), na Cultura. Você tem quadros políticos sim, mas na gestão, todos são essencialmente técnicos. Acho até que exagerei no técnico.

Valor: Sua eleição fortalece a candidatura própria do PMDB para a Presidência em 2010?

Paes: Em primeiro lugar, o grande vitorioso aqui foi o governador Sérgio Cabral. Ele saiu fortalecido como personagem político do PMDB nacional.

Valor: O senhor acha que ele é um potencial candidato à Presidência?

Paes: Não estou dizendo isso. Nem acho que deva ser. O projeto dele, na minha opinião, é ser candidato à reeleição. Depois, se fizer um bom governo, pode pensar em tudo que quiser. Mas acho que ele sai fortalecido nessa coisa interna do PMDB nacional. E que o partido se fortalece, a partir de vitórias como a do Rio. O encaminhamento que imaginamos é uma aliança com o presidente, com o PT.

Valor: O senhor acha então que o partido não deve ter candidato próprio?

Paes: O ideal é que a gente permaneça em um projeto político único. É uma aliança de muito sucesso. Mas isso o tempo dirá, não quero me aventurar muito na política nacional.

Valor: O nome que neste momento o PT está colocando…

Paes: É a candidata do presidente Lula, do Sérgio Cabral e do Eduardo Paes, (a ministra) Dilma Rousseff. Nós vamos defender dentro do PMDB.

Valor: Nessas obras do PAC ela é fundamental para o Rio…

Paes: Não é por isso. Acho que o presidente pautou o nome dela para sua sucessão e acho que é um quadro muito competente.

Valor: O 2º turno da eleição do Rio não foi um lado apoiado pelo governador e outro, que votou no Gabeira, reagindo ao Cabral?

Paes: Não, acho que foi uma adesão ao Gabeira. Acho que ele foi muito competente em transmitir essa coisa da negação da política, embora seja político desde o tempo que eu não tinha título de eleitor. Eu faço o contrário, faço questão de dizer que sou político e que acredito no poder de transformação da política. Comecei na política aos 22 anos sem ser filho de político. Optei pela política.

Valor: Na sua visão, o que deve ser feito para resgatar a confiança da população nos políticos?

Paes: Acho que é trabalhar direito e prestar o serviço. Ao mesmo tempo, isso (o discurso da rejeição) é coisa até certo ponto festiva. Se você for pedir para a pessoa organizar seu raciocínio, sobre a razão pela qual está pensando daquela maneira, ela não consegue concatenar. Mas, enfim, houve essa coisa aí… pelo jeito, não chegou a ser uma onda. Perdeu! Foi difícil, porque o Gabeira, além de ser uma pessoa que eu adoro e respeito, faz o tipo frágil. E brigar com uma pessoa que faz o tipo frágil é duro! Eu gosto de uma boa briga política.

Valor: O Lula que o diga…

Paes: Não tenho nenhum tipo de restrição aos embates que travei na política. Há horas que se adjetiva demais. Foi a correção de rumo que fiz na campanha em relação à agressão ao filho do Lula. Agora, os mensaleiros, tirando a adjetivação, está tudo comprovado no relatório que escrevi.

(HM e CS)

10/11/2008 - 18:10h Rio: Zona Sul, curral

Fernando Gabeira (PV) votou na zona sul do Rio de Janeiro
Gabeira votou na zona sul, onde obteve 70% dos votos


O que o Rio precisa é de um movimento a favor das idéias divergentes

OCTAVIO GUEDES – O GLOBO

A definição é clara: curral eleitoral era um lugar nas cidades onde se mantinham eleitores do campo incomunicáveis até a hora da votação. Dali, guiados pelo chefe político, eles saíam levando a cédula já preenchida para depositar na urna. O resultado não trazia surpresa: o candidato abençoado recebia quase a unanimidade dos votos.

Se existe uma região na cidade do Rio que se aproxima desta descrição, ela se chama Zona Sul.

Quem afirma isso são os números objetivos dos mapas eleitorais. Foi ali que um dos candidatos a prefeito obteve 70% dos votos contra 30% do adversário.

Ou seja, de cada dez pessoas, sete seguiram a mesma orientação política. Em nenhuma outra parte da capital essa mesmice bovina ocorreu em tamanha proporção.

Nos currais, os eleitores tinham hospedagem, alimentação e recreação.

Uma agenda tão movimentada que não havia brecha para se discutir política. O objetivo era este mesmo: ficavam todos incomunicáveis.
O que isso tem a ver com a Zona Sul? Tudo.

O eleitor incomunicável é aquele que se encerra em si mesmo, não é afável, nem sociável quando o assunto é escolha eleitoral. Ele não quer ouvir. Está sempre aberto ao monólogo. Ele vê a eleição como uma disputa entre o bem e o mal; as luzes e as trevas, o progresso e o atraso. Não tem meio-termo, nem argumentos. Está decidido e ponto.

Quem pensa o contrário está errado.

Surge, então, o discurso mais perverso: a batalha eleitoral deve ser travada em outras bandas, sempre acima da linha do equador: na Zona Oeste e no subúrbio. Como se fosse necessária uma cruzada para levar esclarecimento a eleitores que, por puro preconceito, são considerados mais suscetíveis ao abuso do poder econômico, à corrupção e ao jogo sujo da política. Gente com pouca capacidade de reflexão, capaz de se impressionar com panfletos apócrifos de apelo moralista.

Este artigo, acreditem, não é contra a Zona Sul.

Mas a favor da diversidade do pensamento político que, nas últimas eleições, se expressou, principalmente, nas urnas da Zona Oeste (onde um candidato teve 57% dos votos e o outro, 42%) e do subúrbio (onde a divisão do bolo eleitoral ficou em 54% contra 45%). Nessas regiões, o equilíbrio eleitoral, muito distante da diferença de 70% x 30% da Zona Sul, prova que ali houve o debate, o confronto de idéias, o contraditório. Pode-se até não gostar do resultado, mas não dá para negar que a democracia foi exercida em sua plenitude.

E quando isso ocorre, não existem eleitores melhores ou piores. Existem escolhas, que devem ser respeitadas. O sambista Mauro Diniz tem uma tese que ajuda muito a explicar o Brasil: “Crioulo com fome é um país em guerra.” E são justamente esses eleitores com fome de saúde, transporte e educação os que votam com mais consciência. Não porque são melhores, mas por instinto de sobrevivência. Para eles, uma promessa não cumprida significa um filho numa escola que não ensina, um posto de saúde fechado na hora em que mais se precisa ou um transporte que, de tanto atraso, ameaça seu emprego. Durante quatro anos ele vai testar no seu dia-a-dia todas as promessas que ouviu. Mas, curiosamente, no discurso das milícias ideológicas e das passeatas que hoje clamam por revisão do resultado eleitoral esses eleitores são justamente os acusados de se deixarem levar pelo lado negro da política.

E mais: até quando o cidadão escolhe um candidato que oferece serviços públicos em seu centro social, ele está fazendo política. Seu voto é um recado claro do eleitor ao Estado ausente.

Se olharmos pelas lentes de Robin Hood, podemos radicalizar: os centros socais dos ricos são a escola particular, o plano de saúde e seu carro.
Afinal, somos todos crioulos com fome de bons serviços públicos. E cada um busca as alternativas a seu alcance para compensar o vazio do Estado. Se a saída pode ser o contracheque, por que não pode o voto? O que o Rio precisa é de um movimento a favor do respeito à idéia divergente. O resto é puro preconceito. Ou paixão política. Ou curral eleitoral mesmo!

OCTAVIO GUEDES é jornalista

03/11/2008 - 18:02h Mistificação

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Em entrevista publicada hoje no Correio Braziliense, Gilberto Kassab voltou a criticar a campanha de Marta Suplicy. Os argumentos da crítica merecem uma reflexão política e põe luz sobre um aspecto muito escamoteado no debate político hoje.

Segundo Kassab: “A adversária perdeu tempo em não fazer campanha. Dizer que eu sou da turma do Pitta não é fazer campanha e não sei porque usaram isso se tentaram em 2004 e já não havia dado certo. Porque essas coisas não funcionam quando não são verdade. Fazer campanha é comparar o que ela fez com o que eu fiz para ver quem fez mais e melhor. Comparar as propostas dela com as minhas, é isso que o eleitor quer saber. Na medida em que ela ficou preocupada com outras questões, ela deixou de fazer campanha. Foi uma campanha errática, totalmente equivocada.”

“Quando fui vereador, deputado estadual, federal, a imprensa me acompanhava. Não tinha muita visibilidade na opinião pública, mas as pessoas conversam entre si e sabem o que é verdade. O PT perdeu tempo com uma campanha equivocada. Eu sou eu. Minha única missão é ser um bom prefeito. Eu não consigo enxergar nada além de ser bom prefeito. Não consigo. Porque, se eu for um bom prefeito, tenho um rumo na minha vida. Se eu não for, tenho outro rumo. O bom prefeito é o caminho do respeito, da credibilidade, da estima que as pessoas vão ter por mim. Se eu for um mau prefeito, vai ser um caminho contrário a todos esses adjetivos. Se daqui a quatro anos estiver na mesma posição, e eu gosto da vida pública, gosto do que faço, evidentemente vou ter oportunidade de começar outras missões com o mesmo respeito.” (Correio Braziliense 3/11/2008).

Vou deixar de lado a apresentação inverídica feita por Kassab. Marta defendeu propostas e o balanço de sua gestão. Foi a primeira e a única candidata a apresentar uma plataforma de governo com metas e proposta orçamentária. Kassab atacou Marta e defendeu seu balanço. A situação geral favoreceu a reeleição dos atuais prefeitos.

Mas, na afirmação de Kassab tem mais. Perceba-se que para Kassab é um erro insistir na trajetória partidária e política do adversário. O adequado é comparar administração e o resumo: “ser um bom prefeito” é o supra-sumo do lugar comum.

Mas para que servem então os partidos, os programas, os militantes e as idéias?

Esta abordagem me relembrou um artigo escrito recentemente por Idelber Avilar (A Onda Verde e a substituição da política pela moral) abordando as eleições municipais de Rio de Janeiro e a campanha de Gabeira.

Para Idelber: “Os partidos políticos estão tão estraçalhados no Rio de Janeiro que foi possível que um candidato apresentasse como virtude ética o plano de costurar o segundo turno e depois governar sem conversar com os partidos (entendendo-se aqui suas lideranças, candidatos a prefeito no primeiro turno, vereadores eleitos etc.). A proposta não era inédita, mas a compreensão dela como superioridade moral o era. Gabeira se propôs a conversar “com o eleitorado” dos outros candidatos diretamente, sem mediação.”

O comum denominador de Kassab e Gabeira, além de serem ambos candidatos apoiados por José Serra, é de fornecer um discurso que procura expressar a vontade dos cidadãos por fora e acima dos partidos. Trata-se da “ética”, no caso uma ética da mentira, para cavalgar no sentimento reacionário da classe média, escamoteando do público que ele está sendo objeto de uma manipulação partidária.

Não se trata de invenção ou novidade brasileira, mas de uma longa tradição reacionária da direita e, na Europa, da direita mais extrema. Nos dias de hoje é o discurso e a postura típica de Berlusconi, por exemplo.

O sistema da democracia parlamentar, da representação dos cidadãos nas instituições do poder público, por médio de partidos políticos, comportou inúmeros “inconvenientes”. Um deles é a “lentidão” do trabalho legislativo com suas negociações e barganhas, as vezes com negociatas escusas. A política, os partidos e até o sistema de representação democrática aparecem, para certos setores sociais, como expressão de impotência e de divisão, onde deveria prevalecer o interesse comum e a união.

Os “escândalos” políticos e a procura da ética acima dos interesses sociais, servem de para-vento a ação política dos fariseus e encontram eco na aspiração pequeno-burguesa ao reconhecimento “individual”, oposto ao coletivo. Ele percebe sua situação como fruto legitimo de seu esforço e trabalho, não como produto dos interesses sociais em disputa na sociedade e seus desdobramentos em conquistas econômicas e sociais.

Este sentimento é que é explorado e manipulado por aqueles que procuram esconder seus interesses e seus objetivos políticos por trás do “mantra” reacionário e udenista que a mídia estimula como expressão do progresso.

O escândalo chamado de “mensalão” foi instrumentalizado para atiçar esse movimento político nas classes médias, procurando encaminhá-lo contra o governo Lula, além do próprio PT. Um esquema irregular de financiamento partidário utilizado por todos os partidos políticos no Brasil e no mundo, no vácuo de uma legislação que não assume plenamente a função dos partidos como decorrentes do orçamento nacional, foi utilizado para tentar questionar a validade da existência de um único partido: o PT. De golpe, os outros como que ganharam uma certa “virgindade”, à condição de ficarem fantasiados e pouco visíveis.

O passo atual é erigir em “novidade” velhas raposas e pseudos vestais mídiaticos e travestir-los de renovação da política acima dos partidarismos, pois os partidos “todos se valem”. Eis a “moda” que traduz o sentimento de certos setores das classes médias e que procuram nos apresentar como avanço. Ela será o porta-estandarte do centro-direita na sua tentativa de reconquistar o governo em 2010.

31/10/2008 - 13:41h Eleições municipais

Agrupei as três notas que escrevi sobre as eleições municipais, para facilitar a leitura e agrupá-las no arquivo.

27/10/2008 – 09:42h

Ir além da aritmética eleitoral (I)

Concluídas as eleições municipais corresponde avaliar a situação política e as novas relações de força que emergiram do escrutínio.

Com a mesma ênfase com que pretendia que as eleições municipais eram essencialmente locais e não tinham qualquer relação com o plano federal, os jornais hoje procuram projetar os resultados em sentido inverso, procurando destacar uma suposta derrota eleitoral do governo e uma vitória da oposição.

Essencialmente os resultados das eleições municipais de 2008 (os números, tanto de votos, como de prefeituras) repetem o mapa das eleições de 2004, mas amplificando a votação e as conquistas dos partidos da base do governo, em detrimento dos partidos da oposição (DEM-PSDB-PPS).

Sem desprezar as vitórias obtidas pela oposição, sua força simbólica e seus desdobramentos políticos, a aritmética eleitoral mostra uma diminuição de sua influência e dos municípios por ela governados, particularmente nas cidades acima de 200 mil habitantes e nas capitais.

As eleições municipais confirmaram o quase desaparecimento do DEM-PFL das prefeituras. Perdeu Rio de Janeiro, onde contrariando a tendência que favoreceu a continuidade, Cesar Maia não fez seu sucessor. Afastou o “carlismo” de um retorno com ACM Neto em Salvador e ganhou sobrevida com a vitória de Kassab, porem estreitamente limitada as decisões de José Serra. O PPS virou pó e o PSDB conseguiu manter sua força, diminuída de muitas prefeituras, em cidades já governadas por eles. No plano nacional, a oposição e a mídia não podem sustentar na aritmética eleitoral uma vitória, de fato inexistente, ou uma derrota de Lula e do governo federal. O PT foi o segundo partido mais votado no país e passou a governar 566 prefeituras, 143 a mais que em 2004 . O PMDB, por sua vez, cresceu 54% em termos eleitorais em relação a 2004 (Fonte jornal VALOR).

Mas entre a aritmética eleitoral e a política, as percepções e suas repercussões nos partidos, não existe automaticamente equivalência ou identidade. Por isso não é suficiente constatar os ganhos e perdas, requer-se ir além e aprofundar a analise política sobre as projeções dos resultados eleitorais.

Vou tentar aportar minha opinião em várias notas sobre diversos elementos destas eleições, sem a pretensão de aportar respostas a uma série de problemas revelados nesta campanha. Em outras notas tratarei especificamente das eleições em São Paulo.

Se no plano geral do cômputo municipal, os partidos da base do governo federal obtiveram as maiores vitórias, um analise pormenorizado mostra que destes partidos, é o PMDB quem mais se fortalece e o crescimento dos municípios conquistados pelo PT não compensa este fato, diminuído assim o peso do partido do presidente, na disputa política no campo da base aliada.

A diminuição do voto e dos municípios controlados pela oposição, não deve ocultar a importância política da vitória de Serra na cidade de São Paulo. Não só por ter conseguido a reeleição de Kassab, mas por ter obtido este resultado derrotando ao mesmo tempo seu principal adversário no PSDB, o ex-governador Alckmin e impedido assim o crescimento em São Paulo de seu rival Aécio Neves. A vitória de Serra é por isso uma vitória política muito significativa, reforçada mais ainda pela derrota de Marta e do PT, por uma margem grande e significativa.

Ao mesmo tempo, os limites desta vitória inegável de José Serra é que ela não conseguiu se projetar fora do Estado, na vitória de Gabeira no Rio, candidato do Serra e maior esperança deste segundo turno, após Kassab, para a oposição e a mídia. A vitória do candidato de Aécio em BH também constituí um limitador da vitória do paulista e de suas pretensões para 2010.

O PT deverá proceder a uma avaliação aprofundada sobre sua situação. Ele não pode limitar sua avaliação dos resultados a constatar o simples crescimento em prefeituras e em votos obtido pela legenda, ou no crescimento dos partidos da base do governo. Em primeiro lugar porque o PMDB é um aliado muito dividido nos diferentes Estados (em São Paulo está na oposição). Em segundo lugar, porque o PT, como partido, não conseguiu resolver o divorcio com uma parte significativa do eleitorado, particularmente da região sudoeste e sul e nestas regiões, de seu afastamento de contingentes significativos de eleitores da classe média urbanizada. Isto é particularmente válido nas capitais, como em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre.

27/10/2008 – 14:52h

Ir além da aritmética eleitoral (II)

Quando os dirigentes do PT, os senadores Mercadante e Suplicy, os deputados federais e estaduais de São Paulo e os vereadores do partido, foram a Brasília pedir para Marta ser novamente candidata à prefeitura, as pesquisas e as analises eleitorais indicavam uma vitória quase certa para o ex-governador Geraldo Alckmin. Mesmo assim era impossível para Marta recusar esta convocatória unânime do seu partido, na medida em que só ela podia assegurar um resultado eleitoral expressivo em São Paulo.

O curso dos acontecimentos mudaram em parte esta analise, tirando Alckmin do segundo turno, mas não o favoritismo do centro-direita que acabou vitorioso na cidade.

A vitória de Serra se reveste de uma força maior, pois conseguiu ao mesmo tempo eliminar seu adversário tucano e derrotar a candidata petista com uma avalanche de votos.

Esta vitória de Kassab e Serra na cidade de São Paulo foi contundente. Ela só tem equivalente na vitória de Pitta e Maluf em 1996. O paralelo não é só numérico, mas político e social.

A estrutura econômica, social, política e midiática que tem como eixo e expressão partidária o tucanato, conseguiu uma importante vitória, preservando assim seu projeto de recuperar o poder, perdido para Lula e o PT em 2002.

A decadência do malufismo foi substituída pela emergência e consolidação do PSDB na cidade. A evolução do PSDB para o centro-direita permitiu que ele incorporasse as bases de sustentação social e política do malufismo, o conservadorismo e o anti-petismo.

Esta substituição foi facilitada pela ação militante da mídia, que no passado foi reticente ao malufismo e que hoje faz corpo e alma com o tucanato contra o PT.

Mas este processo que hoje manifesta com força sua consolidação, só foi possivel pela incapacidade do PT em conquistar a hegemonia na cidade a partir da vitória de Marta em 2000. Evidentemente que intervém nesta dificuldade a sadia recusa do PT a virar um partido do conservadorismo e do status quo, mas também sua dificuldade a superar suas limitações programáticas e administrativas, em favor de uma visão mais moderna da esquerda e da luta contra a desigualdade social.

A hegemonia da direita em São Paulo tem uma longa tradição e história. As vitórias eleitorais da esquerda foram exceção, só duas, e diretamente ligadas à conjunturas eleitorais (divisão da direita e modo de escrutínio que permitiu a eleição de Erundina em 1988; experiência Pitta e declínio do malufismo, combinado com apoio eleitoral do centro-esquerda tucano em favor da Marta em 2000). A divisão também se fez presente nesta eleição, mas com carateristicas diferentes, é suas conseqüencias podiam ter pesado no resultado do pleito se tivessem servido para ampliar a base social de apoio da candidata petista o que não foi conseguido pela campanha e pela candidata.

Romper esta hegemonia exige muito mais que uma vitória eleitoral como foi a de 2000, requer a consolidação de um governo com ampla base de sustentação social e política, além de uma disputa de valores com muito peso numa cidade conservadora como São Paulo.

Ter governado São Paulo na difícil situação econômica e financeira deixada por Pitta na cidade, e de FHC no país, permitiu que o PT consolidasse seu cacife eleitoral no patamar de 40%, mas não permitiu ir além. Ele fincou firme sua força e sua inserção na periferia e entre os mais pobres, porém não conseguiu mudar suas relações com setores médios arrastados pelos conservadorismo para um anti-petismo reacionário.

A incapacidade do PT aqui mencionada, combinou-se com as conseqüências dos erros cometidos por quadros e dirigentes do PT com relação as questões de financiamento irregular dos partidos, amplamente explorados pela mídia e a direita nos últimos anos contra o PT.

Um fator importante em São Paulo é o peso do poder da mídia aqui, diferente do resto do Brasil. Esse peso está a serviço do PSDB contra o PT e quando os demo-tucanos ficam inaudíveis a mídia os substitui como partido de oposição, visando a desestabilizar o governo federal. Mas este peso é maior em São Paulo porque o discurso de direita encontra respaldo no conservadorismo das classes médias que são diretamente influenciadas pela mídia em um processo no qual um alimenta o outro dialeticamente.

Penso que é a partir de esta reflexão que deverá ser elaborado um balanço específico do processo eleitoral, de seus erros e acertos. Evidentemente isto inclui o papel da política eleitoral, do marketing, dos dirigentes e da candidata.

Neste aspecto reproduzo como conclusão desta nota um parágrafo de um e-mail que recebi hoje de um jornalista conhecido que prefere ficar no anonimato: “Oi Luis, poucas certezas foram tão repetidas ontem à noite na TV quanto o encolhimento político da Marta. Blá-blá-Blá, não vou perder tempo. Bem, essa mesma turma disse que Marta estava morta ao perder a reeleição em 2004. E depois quando não foi escolhida candidata ao governo em 2006. E ainda quando disse o famoso ‘relaxa e goza’ no ano passado. É estranho que tantos analistas tão inteligentes, tão isentos, tão preocupados com a correção de suas previsões errem tanto. Talvez seja o fato de que 40% dos paulistanos não estão nem aí para o que eles dizem. Quem consegue a confiança de 2,5 milhões de paulistanos apenas com a sua militância…”

30/10/2008 – 12:34h

Ir além da aritmética eleitoral (III)

No começo do segundo turno da eleição municipal em São Paulo, em ato que contou com a participação de 11 ministros, Marta lançou um manifesto “Compromisso com São Paulo”.

Relendo esse manifesto percebo agora que ele não ocupou nenhum lugar na campanha e que provavelmente ele tenha chegado tarde demais. O manifesto, que reproduzo novamente aqui embaixo, deveria ter ocupado um lugar central no momento em que Marta aparecia com crescimento nas pesquisas no primeiro turno, enquanto o noticiário estava ocupado pela disputa brava entre Alckmin e Kassab.

Esse manifesto poderia ter balizado uma série de iniciativas em direção à sociedade civil e também em direção à setores das classes médias. O conjunto teria ampliado a base de apoio e o diálogo da candidata do PT, com provável desdobramento na queda da taxa de “rejeição”. As referências nesse documento à Carta ao povo brasileiro do então candidato Lula põe em evidência, na minha opinião, o erro de “timing” no lançamento deste manifesto e o lugar marginal que acabou ocupando esta orientação na própria campanha.

Esse erro político ma parece importante, porque a orientação do manifesto teria dado substância à linha de conquistar a maioria, intervindo assim na crise dos adversários. Ao contrário me parece que ficamos simplesmente aguardando que o eleitorado decidisse qual dos dois passaria para o segundo turno, sem apresentar uma alternativa aos eleitores de ambos e à franja de eleitores indecisos.

A questão da “rejeição” ao PT ou a seus candidatos não será resolvida com iniciativas só de marketing e sim por iniciativas políticas que rompam o “isolamento” (utilizo “isolamento” em relação a um percentual maior de eleitores, que a nossa base eleitoral de 30-40% que está longe de ser pouca coisa ou isolada).

Outro elemento crítico foram as conseqüências políticas do comercial que foi transformado pela mídia e nossos adversários em instrumento de paralisia e crise. O erro reconhecido por João Santana, de não ter detectado nenhuma carga particular nos grupos “qualis” e de não ter previsto o significado que a mídia colaria no mesmo, provém de uma subestimação do papel da mídia paulista como força política organizada em favor da direita. Basta pensar qual teria sido a opinião da própria candidata, se tivesse sido consultada antes, para perceber que as “qualis” não podem ter a palavra final quando as decisões incumbem à política.

Pensar que a mídia, tendo permanentemente feito campanha sobre a vida privada da Marta, não sairia em defesa de Kassab, é atribuir a ela “princípios éticos ou deontológicos”, que evidentemente ela não tem. Como duvido que alguém na campanha tenha esta ilusão, penso que o questionamento válido -ninguém sabe qual é a trajetória de Kassab-, levou à perguntas que serviram de pretexto para uma campanha anti-Marta. O erro é grave, paralisou a agenda da candidata durante vários dias e mesmo se não teve maior conseqüência no plano eleitoral, reforçou os argumentos contra o PT no curso final do pleito.

O conteúdo da famosa “rejeição” ao PT deve ser avaliado corretamente, recusando a manipulação da mídia. Esta manipulação se apóia no termo rejeição e sua ambigüidade. A pergunta que os institutos fazem é: “em quem o senhor (a) não votaria de jeito nenhum?”. Alguns institutos a formulam perguntando sobre o nome de cada candidato: “votaria, poderia votar, não votaria de jeito nenhum” seguido de cada nome; ou apresentando a tabela inteira com os nomes dos candidatos.

Nenhuma pergunta sobre a motivação é feita. O Datafolha não formulou esta questão no segundo turno, pois é pouco relevante na medida em que só tem dois candidatos e a “rejeição” é mais ou menos equivalente à decisão do voto (está determinado em votar em fulano).

A mídia e seus articulistas, anos a fio construíram em parte essa “rejeição” e, em relação a “rejeição” dos principais líderes do PT, forneceram e fornecem em permanência seus desejos, como conteúdo desta rejeição. Sem nenhuma base em pesquisas, anos a fio atribuíram à falta de diploma de Lula sua rejeição, ou ao fato de ser operário. Não que estes argumentos não existissem, mas eles eram reiterados e propagados com o intuito de serem transformados em barreira intransponível. Agindo assim a mídia procura destruir os dirigentes do PT, pois ela sabe que eles não se improvisam do dia para a noite. Se o fato dele ser operário, falar português com erros e não ter diploma motivou as três derrotas seguidas de Lula (1989-1994-1998), logicamente o PT deveria trocar de líder ou transformá-lo em alguém  ‘diplomado” (as duas coisas aconteceram, em 1999 alguns petistas começaram a organizar outro candidato e Eduardo Suplicy aconselhou Lula a fazer um curso nos Estados-Unidos).

Como Marta é “rejeitada” por ser mulher ou arrogante, divorciada de “senador querido”, casada com argentino, defender os gay’s, ser do PT, ser rica, ou defender os pobres…

Luis Favre

A seguir o documento Compromisso com São Paulo que foi publicado aqui no blog com o título “A palavra de Marta”

A palavra de Marta

 Compromisso com São Paulo

Quero agradecer de todo o coração a cada um dos mais de dois milhões de paulistanos que me deram sua confiança no primeiro turno destas eleições. E de tudo vou fazer para estar à altura deste apoio firme e caloroso.

Tenho certeza de que cada um desses votos vai se confirmar no próximo dia 26. Mas peço ainda um pouco mais a todos vocês: vamos trabalhar juntos, com garra e vitalidade, para que novos votos venham se somar aos nossos, no caminho para a vitória.

Nesses poucos dias que faltam para o momento decisivo, quero me comprometer com a população de São Paulo de que continuarei a fazer uma campanha sem ataques pessoais. Meu propósito é apresentar e debater propostas capazes de melhorar a vida de nosso povo.

Minha agenda vem desde o meu primeiro mandato. Com as coisas boas que fizemos na educação, nos transportes, na habitação, na saúde, na cultura e em nossas demais áreas de atuação. Até mesmo nossos tropeços, que reconheço com humildade, nos deram ensinamentos.

Depois da desastrosa experiência que atormentou São Paulo, ao longo da gestão de Celso Pitta, entendi que, para enfrentar o imenso desafio de reconstruir São Paulo, era necessária a união de todas as forças vivas da cidade. O apoio que recebi de Mário Covas e do PSDB, no segundo turno das eleições municipais de 2000, me fez ver que a união era possível e que poderíamos realizar um governo de reconstrução com a participação de todos. Isso só não se concretizou, na dimensão pretendida, por atropelos do processo das eleições presidenciais que se avizinhavam.

Mas em 2002, em sua Carta ao Povo Brasileiro, o então candidato Lula convocou o espírito da parceria e do consenso, assumindo compromissos que respondiam com clareza à vontade de união e mudança. Espírito e compromissos que dariam, em seguida, a marca de sua ação governamental. De que foi exemplo maior, desde logo, a criação do Conselho Econômico e Social, reunindo representantes de todos os setores sociais – para começarem juntos, sob a presidência de Lula, a construção de um novo caminho nacional.

Por esse caminho, o Brasil reencontrou o rumo do crescimento, da superação da dependência do FMI, da diminuição da pobreza, da geração de emprego e renda, da promoção da ascensão social e da ampliação de oportunidades educacionais para jovens de baixa renda. O avanço foi possível – e sensível – porque a disposição do presidente, no combate à desigualdade, se firmou na convergência do esforço de todos.

Não estou na disputa política para dividir. Mas, sim, para unir e construir. Não virão de mim apelos ao ódio, à destruição ou à rejeição de adversários. O que farei será mostrar com firmeza, ao povo de São Paulo, a alternativa que represento para a cidade. Seu voto indicará o destino que se deseja. E vou me empenhar para que tal destino coincida com o caminho que o presidente Lula traçou para o país.

Como primeiro passo no sentido da união de São Paulo, assumo aqui o compromisso de, se eleita, constituir um Conselho da Cidade. Um conselho de representantes de todos os segmentos da população. Das entidades representativas da sociedade civil, dos empresários e dos sindicalistas, do comércio e da universidade, das igrejas, da cultura, do esporte e dos usuários dos serviços públicos. Com um só objetivo: realizar uma cruzada – e canalizar o esforço de todos, a fim de enfrentar as questões mais cruciais do município, a começar pelo transporte coletivo.

Tenho apoio do presidente Lula para, na articulação das três instâncias de governo, construir 228 km de corredores de ônibus e 47 km de metrô, nos próximos quatro anos. Para, assim, dar um salto de qualidade na vida paulistana, superando um problema crítico que vem prejudicando fortemente a economia urbana e a saúde da cidade e do cidadão. E assim como, para combater a segregação dos mais carentes, o metrô deve chegar a mais lugares da periferia, me comprometo a não criar qualquer pedágio urbano, que atingiria em cheio os menos privilegiados, sem resolver o problema do trânsito, como já ficou demonstrado em grandes cidades do mundo.

Quero também assumir uma nova atitude na questão tributária. Os níveis recordes de arrecadação da prefeitura permitem um amplo programa de incentivos à produção e ao empreendedorismo, tão forte em nossa capital, com desoneração dos impostos municipais e desburocratização dos procedimentos. E reafirmar meu compromisso de isentar os profissionais liberais autônomos do pagamento do ISS.

Com a união de todos os setores sociais, poderemos projetar São Paulo na era digital. Segmentos empresariais da área de informática já manifestaram interesse em participar do programa de acesso gratuito à internet banda larga em nossa cidade. O governo federal assinou convênio para equipar, com esse fim, 800 escolas municipais. E pretendo combinar esta ação com investimento em qualificação profissional no espaço dos CEUs, que, com a construção de mais 20 unidades, irão configurar a Rede-CEU.

Uma outra ofensiva do governo de união por São Paulo deverá se desenvolver no campo da saúde, diante da realidade da falta de médicos e de atendimento em especialidades. Venho propondo a criação de 31 policlínicas na cidade, uma em cada subprefeitura. E quero agora incorporar, ao desenho dessa rede, a proposta de criação de centros de atendimento aos idosos, apresentada pelo candidato Geraldo Alckmin.

Para finalizar, quero dizer que, para governar São Paulo e superar a crise que estamos vivendo, será fundamental a mobilização de nossas melhores energias. A coragem de ousar e inovar, combinando planejamento e imaginação. Generosidade e rigor.

São Paulo precisa crescer. Mas crescer com inclusão social. Crescer em benefício de todos. E é para isso que a todos convoco, no sentido da construção de um governo de união por São Paulo. Um governo voltado para construir uma cidade melhor, mais forte e mais justa.

27/10/2008 - 09:42h Ir além da aritmética eleitoral (I)

Concluídas as eleições municipais corresponde avaliar a situação política e as novas relações de força que emergiram do escrutínio.

Com a mesma ênfase com que pretendia que as eleições municipais eram essencialmente locais e não tinham qualquer relação com o plano federal, os jornais hoje procuram projetar os resultados em sentido inverso, procurando destacar uma suposta derrota eleitoral do governo e uma vitória da oposição.

Essencialmente os resultados das eleições municipais de 2008 (os números, tanto de votos, como de prefeituras) repetem o mapa das eleições de 2004, mas amplificando a votação e as conquistas dos partidos da base do governo, em detrimento dos partidos da oposição (DEM-PSDB-PPS).

Sem desprezar as vitórias obtidas pela oposição, sua força simbólica e seus desdobramentos políticos, a aritmética eleitoral mostra uma diminuição de sua influência e dos municípios por ela governados, particularmente nas cidades acima de 200 mil habitantes e nas capitais.

As eleições municipais confirmaram o quase desaparecimento do DEM-PFL das prefeituras. Perdeu Rio de Janeiro, onde contrariando a tendência que favoreceu a continuidade, Cesar Maia não fez seu sucessor. Afastou o “carlismo” de um retorno com ACM Neto em Salvador e ganhou sobrevida com a vitória de Kassab, porem estreitamente limitada as decisões de José Serra. O PPS virou pó e o PSDB conseguiu manter sua força, diminuída de muitas prefeituras, em cidades já governadas por eles. No plano nacional, a oposição e a mídia não podem sustentar na aritmética eleitoral uma vitória, de fato inexistente, ou uma derrota de Lula e do governo federal. O PT foi o segundo partido mais votado no país e passou a governar 566 prefeituras, 143 a mais que em 2004 . O PMDB, por sua vez, cresceu 54% em termos eleitorais em relação a 2004 (Fonte jornal VALOR).

Mas entre a aritmética eleitoral e a política, as percepções e suas repercussões nos partidos, não existe automaticamente equivalência ou identidade. Por isso não é suficiente constatar os ganhos e perdas, requer-se ir além e aprofundar a analise política sobre as projeções dos resultados eleitorais.

Vou tentar aportar minha opinião em várias notas sobre diversos elementos destas eleições, sem a pretensão de aportar respostas a uma série de problemas revelados nesta campanha. Em outras notas tratarei especificamente das eleições em São Paulo.

Se no plano geral do cômputo municipal, os partidos da base do governo federal obtiveram as maiores vitórias, um analise pormenorizado mostra que destes partidos, é o PMDB quem mais se fortalece e o crescimento dos municípios conquistados pelo PT não compensa este fato, diminuído assim o peso do partido do presidente, na disputa política no campo da base aliada.

A diminuição do voto e dos municípios controlados pela oposição, não deve ocultar a importância política da vitória de Serra na cidade de São Paulo. Não só por ter conseguido a reeleição de Kassab, mas por ter obtido este resultado derrotando ao mesmo tempo seu principal adversário no PSDB, o ex-governador Alckmin e impedido assim o crescimento em São Paulo de seu rival Aécio Neves. A vitória de Serra é por isso uma vitória política muito significativa, reforçada mais ainda pela derrota de Marta e do PT, por uma margem grande e significativa.

Ao mesmo tempo, os limites desta vitória inegável de José Serra é que ela não conseguiu se projetar fora do Estado, na vitória de Gabeira no Rio, candidato do Serra e maior esperança deste segundo turno, após Kassab, para a oposição e a mídia. A vitória do candidato de Aécio em BH também constituí um limitador da vitória do paulista e de suas pretensões para 2010.

O PT deverá proceder a uma avaliação aprofundada sobre sua situação. Ele não pode limitar sua avaliação dos resultados a constatar o simples crescimento em prefeituras e em votos obtido pela legenda, ou no crescimento dos partidos da base do governo. Em primeiro lugar porque o PMDB é um aliado muito dividido nos diferentes Estados (em São Paulo está na oposição). Em segundo lugar, porque o PT, como partido, não conseguiu resolver o divorcio com uma parte significativa do eleitorado, particularmente da região sudoeste e sul e nestas regiões, de seu afastamento de contingentes significativos de eleitores da classe média urbanizada. Isto é particularmente válido nas capitais, como em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre.

Luis Favre

24/10/2008 - 10:19h “Pragmatismo despolitiza as campanhas”

 Heloisa Magalhães, do Rio – VALOR

 Renato Lessa: “O PT tem teto em SPaulo.
Só ganhou com o apoio de Covas”
. Nelson Perez/Valor


“A política está sendo varrida . Existe uma cultura há anos no Brasil repetindo a idéia de que o bom candidato é aquele que responde a problemas práticos. Esquerda e direita acabaram. O eleitor pensa nas questões práticas, escola do filho, transporte e esgoto”, diz o cientista político Renato Lessa.

Ele critica o cenário que levou ao que atribuiu a um certo “enfado” com relação aos políticos e critica a “tendência crescente do eleitor pragmático, aquele que vota com foco na administração o que, na sua avaliação, vem se repetido à exaustão em todos os níveis do Executivo.

O professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) diz que neste universo do voto racional, “outra coisa terrível é a idéia de que esse eleitor vota no candidato que é amigo do prefeito, governador e do presidente”. diz. E frisa que há tendência de um corte deste processo com a provável vitória de Gilberto Kassab, em São Paulo, e a disputa acirrada no Rio e Belo Horizonte, mostrando o questionamento do eleitor à força do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos governadores Sérgio Cabral e Aécio Neves

Em conversa com o Valor, o professor falou do perfil do eleitor que cresceu mas pouco se politizou depois do golpe de 1964.

Abaixo os principais trechos da entrevista:

Valor: As prefeituras hoje com mais recursos financeiros permitindo maiores realizações estão influenciando a reeleição? O eleitor está cada vez mais deixando a política de lado?

Renato Lessa: Primeiro, acho que se trata de uma hipótese com tinturas mitológicas, que por todo o Brasil os prefeitos que tiveram mais dinheiro foram bem avaliados e o eleitor votou neles. Não acredito que as coisas funcionam desse jeito. Política é mais complicada. E também não acredito que exista um eleitor médio. Tenho colegas que acreditam nessas ficções estatísticas. Eu acredito em eleitores reais. E os casos são diferentes. A mesma motivação que podem levar os eleitores de Salvador (João Henrique, PMDB) a reeleger um prefeito não são necessariamente as mesmas motivações que levam os paulistas a reeleger o (Gilberto) Kassab (DEM), embora em ambos os casos você tenha um prefeito bem avaliado. Há fatores locais que não podem deixar de ser levados em conta porque as eleições não são coordenadas nacionalmente.

Valor: Mas o senhor concorda que os eleitores estão partindo para o voto mais pragmático?

Lessa: A hipótese do eleitor pragmático está posta. Merece algum tipo de atenção. Pode também estar decantando na cabeça do eleitor a maneira correta de votar diante de um certo enfado com relação a questões de política. Há décadas vem sendo repetido que política é uma coisa ruim, horrorosa, que só interessa a gente corrupta e que tem relações escusas. Então política é tudo aquilo de que devemos nos afastar e a gestão é tudo aquilo que devemos apreciar.

Valor: Mas ao mesmo tempo o número de candidatos a cada eleição só cresce…

Lessa: No Brasil, dois em cada três brasileiros votam. É um eleitorado imenso. São 138 milhões de eleitores para 183 milhões de habitantes. Na última, foram 350 mil candidatos a vereador, 17 mil a 18 mil para prefeito. O tamanho disso não é brincadeira de dois em dois anos temos uma multidão incalculável que se mobiliza e vai às urnas. Esse eleitorado teve dois piques de crescimento na fabricação de um eleitor mas despolitizado. Depois do golpe de 64, foram dois momentos de expansão forte. O eleitorado disparou mais de 180%. É uma coisa extraordinária que é um caso de crescimento eleitoral sem política. Foi a única ditadura do mundo com aumento exponencial do eleitorado.

Valor: Por que cresceu tanto?

Lessa: A população cresceu mas entre as razões estão o aumento da alfabetização e da urbanização. E aumentou nesse eleitorado o número imenso de eleitores desqualificados em termos educacionais, com os analfabetos funcionais que entraram nisso. Outro espasmo se deu depois da Nova República.

Valor: E a redemocratização de 1988?

Lessa: Se pegarmos a Carta de 1998 duas grandes novidades institucionais vamos ver uma mudança de papeis. Uma é do Ministério Público e do Judiciário. O MP deixou de de ter as funções tradicionais do promotor, acusador e passou a defensor da cidadania. E a partir daí toda uma difusão de uma ideologia, uma mentalidade, um imaginário de que os brasileiros são portadores de direitos.

Valor: Foi a busca dos cidadãos em fazer prevalecer seus direitos que diferenciou as instituições?

Lessa: Os direitos dos brasileiros não são expressos através dos partidos. E não é apenas porque o Legislativo está asfixiado e insulado pelas medidas provisórias do Executivo. O eleitor hoje vai buscar os direitos no Judiciário. O Congresso hoje é um conjunto de pessoas eleitas que ficam à disposição do presidente para fazer maiorias, para compor maiorias de governo, muito distante da população aqui em baixo. E a população está aprendendo, cada vez, a mobilizar o Judiciário e o sistema de Justiça para defender suas causas.

Valor: O senhor fala em um eleitor focado em questões práticas. A candidatura Gabeira, no Rio, se enquadra neste perfil?

Lessa: O Gabeira nessa eleição no Rio está tentando animar a questão da grande política. O Rio é uma cidade global, uma das maiores metrópoles do mundo, não pode ser pensada como um problema local tem a ver com o pais e o mundo. A candidatura dele é teste interessante para ver se há espaço na cidade do Rio para quem se apresenta de uma maneira mais politizada no sentido mais amplo. Diz que vai pensar a cidade, as milícias ilegais, o meio ambiente. Contrapõe o estilo completamente asséptico sem política, do gestor, do prefeitinho da Barra (função que foi ocupada pelo opositor a Gaberia, Eduardo Paes, do PMDB, no início da trajetória política) contra a idéia que uma cidade dessa complexidade tem que ter estadista.

Valor: Em São Paulo não está sendo posto em questão a capacidade de Lula tranferir voto?

Lessa: O que está acontecendo em São Paulo é o que sempre aconteceu. Não está acontecendo nada novo. O PT em São Paulo tem o que a Marta (Suplicy) tem. Não é que Kassab é o administrador bem sucedido e admirado. É que o PT tem teto eleitoral. A Marta só ganhou quando disputou com o (Paulo) Maluf. Só ganhou quando Mario Covas desembarcou do consultório médico, quando estava proibido de sair, e foi fazer campanha para ela, colocou o PSDB ao seu lado. Marta com Covas ganhou do Maluf, mas sozinha não ganhou do (José) Serra e não ganha do Kassab. É questão do tamanho eleitoral que o PT tem em São Paulo. É imenso mas é menor do que a metade. Pode até existir transferência de voto em tese, mas em São Paulo o que está acontecendo é a repetição de um padrão eleitoral que está consolidado.

Valor: E para presidente da República, transfere?

Lessa: Depende muito, é totalmente circunstancial. Depende de quem é a pessoa e de quem é o inimigo. Não há uma teoria geral. Mario Covas transferiu para Marta porque o inimigo era o Maluf. (Leonel Brizola) transferiu voto no Rio para Lula quando o inimigo era (Fernando) Collor. Se o candidato que disputasse contra Lula fosse Mario Covas ou Ulysses Guimarães dava para transferir aquela quantidade toda de votos? Não sei, a ver. É muito circunstancial.

Valor: O que sai dessa eleição agora já permite projetar a tendência do quadro partidário para 2010?

Lessa: Tendência para 2010 é complicado mas força é algo a considerar. É força partidária para disputar eleições que virão. Três grandes partidos PT, PSDB e PMDB. Pegando a distribuição de votos nas cidades com mais de 200 mil votos no primeiro turno esses três partidos são os campeões. Mais abaixo vem o DEM. Nas 80 cidades maiores, o DEM teve desempenho quase de pequeno partido, ficou lá em baixo. Perdeu as lideranças e o palanque. O partido foi comido no interior pelo PT que entrou nos grotões e o PSDB se consolida como o principal partido de oposição. Mesmo com a vitória do Kassab, em São Paulo, ninguém vai acreditar que será uma vitória do DEM. Os três maiores partidos com escala nacional são o PMDB, PSDB e PT tem base e densidade eleitoral. O Lula não sai enfraquecido. Há uma teoria que com uma derrota da Marta elimina a Dilma (Rousseff). Eu não entendi essa dialética.

01/10/2008 - 10:09h Rio: Eduardo Paes (PMDB) mantém a liderança, Crivella (PRB) e Gabeira (PV) disputam vaga no segundo turno.

Paes tem 33%, Crivella, 21%, e Gabeira, 19% dos VOTOS VÁLIDOS

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Eduardo Paes (PMDB) (acima) lidera no Datafolha, Crivella e Gabeira (embaixo) disputam o segundo lugar
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DATAFOLHA

Eduardo Paes (PMDB) lidera a disputa pela prefeitura do Rio de Janeiro, com 29% das intenções de voto, a cinco dias das eleições municipais. Ele mantém o mesmo índice do último levantamento, em 25 e 26 de setembro.

O adversário de Paes no segundo turno está indefinido: Marcelo Crivella (PRB) oscilou um ponto em relação à pesquisa anterior e agora tem 19%, enquanto Gabeira (PV), que já havia subido quatro pontos percentuais há quatro dias, oscilou mais dois pontos para cima e agora tem 17%.

Jandira Feghali (PCdoB) passou de 13% para 12% das intenções de voto.

Sem alterações significativas nas taxas de intenção de voto encontram-se os demais candidatos, com pouca probabilidade de continuar na disputa. Solange (DEM) obteve 5% das citações; Molon (PT), 4%; Chico Alencar (PSOL), 2%; e Paulo Ramos (PDT), 1%. Eduardo Serra (PCB), Filipe Pereira (PSC) e Vinícius Cordeiro (PTdoB) não alcançaram a taxa mínima.

Afirmam agora que votarão em branco ou anularão 7% dos eleitores, e ainda não souberam posicionar-se 4%.

Considerando-se apenas os votos válidos, Paes tem 33% das intenções de voto.Crivella aparece com 21%, empatado com Fernando Gabeira, que tem 19%.

A seguir, vêm Jandira, 13%, Solange, 5%, Molon, 4%, Chico Alencar, 3%, e Paulo Ramos, 1%.

No cálculo por votos válidos não estão incluídos os brancos, nulos e as abstenções. É com base nos votos válidos que a Justiça Eleitoral divulga os resultados oficiais da eleição. Para o cálculo desses votos, o Datafolha exclui da amostra, além dos votos brancos e nulos, os eleitores que se declaram indecisos.

O Datafolha ouviu 1311 eleitores cariocas de 16 anos ou mais, nos dias 29 e 30 de setembro de 2008. A margem de erro máxima, para o total da amostra, é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Eleitores de Paes e Crivella são os que mais cientes do número a ser digitado

A cinco dias da votação popular para o próximo prefeito, a taxa de conhecimento do número do candidato atinge 48%, quase a mesma observada na semana passada (45%).

Mostram-se mais cientes do número correto os eleitores de Paes (57%, ante 53% há quatro dias) e de Crivella (53%, sete pontos percentuais acima do verificado antes, 48%), em comparação aos eleitores de Gabeira (41%) e Jandira (38%).

78% estão totalmente decididos quanto ao voto

Enquanto 70% dos eleitores diziam-se totalmente decididos quanto à sua escolha há quatro dias, hoje essa parcela soma 78%.

Do eleitorado de Eduardo Paes, 82% votariam estão certos de seu voto. Entre os eleitores de Gabeira, 79% estão totalmente decididos a votar no candidato. Para a mesma projeção, 81% dos que dizem votar em Crivella estão totalmente decididos em relação ao seu voto.

Na pesquisa espontânea, quando não é apresentado aos eleitores o cartão com o nome dos candidatos, Paes também continua liderando, acima do obtido na última pesquisa: de 16%, ele atinge agora 20%.

Crivella, que aparecia sozinho em segundo lugar até semana passada, mantém 12%, e empata tecnicamente com Gabeira, que sobe de 10% para 13%.

Jandira Feghali tem 7%. Em relação aos demais candidatos, não são observadas mudanças significativas: Molon e Solange ficam com 2%, e Chico com 1% das menções espontâneas. Os demais não alcançam 1%, cada. Nesta situação, 8% reafirmam intenção de votar branco ou nulo e um terço (30%) revela-se indeciso.

Paes venceria adversários se segundo turno fosse hoje

Considerada a hipótese de segundo turno entre Paes e Crivella, amplia a vantagem do primeiro em relação ao segundo: há quatro dias, 53% escolheriam o primeiro e 32% o segundo, taxas que chegam agora, respectivamente, a 58% de opção pelo candidato do PMDB, ante 29% do candidato do PRB. Declaram voto em branco ou nulo 12%, enquanto 2% não souberam opinar.

Pela primeira vez, o Datafolha testou a hipótese de o segundo turno ocorrer entre Paes e Gabeira. Neste caso, Paes seria eleito, com 53%, contra 33% do candidato do PV. Outros 11% anulariam ou votariam em branco, 2% estariam indecisos.

Na terceira situação possível apresentada aos entrevistados, 51% escolheriam Paes e 37% optariam por Jandira, isto é, Paes também seria eleito. Assim como ocorre com Crivella, Paes aumenta a vantagem sobre a candidata do PCdoB, que tiveram 48% e 41% das menções na semana passada. Mostram-se sem candidato 12%, sendo 2% de indecisos e 10% os que afirmam que votariam branco ou nulo.

Por último, na quarta vez em que é testada a hipótese de disputa entre Crivella e Jandira, novamente Jandira aparece com vantagem: ela seria eleita com 50% dos votos, contra 36% do adversário.

Eleitores rejeitam mais Crivella e Solange

Como observado desde o início das pesquisas de intenção de voto no Rio de Janeiro este ano, Crivella é o candidato mais rejeitado: 38% dos eleitores cariocas não votariam nele de jeito nenhum, taxa que mantém-se estável em relação à semana passada.

Solange permanece como o segundo nome mais rejeitado desde agosto, agora por 26% dos eleitores, um ponto abaixo do obtido na pesquisa anterior (27%).

Compõem um terceiro grupo de candidatos que não seriam escolhidos pelos eleitores Gabeira (rejeitado por 24%), Jandira (19%), Paes (18%). Considerando-se esses resultados, Paes tem uma vantagem em relação a seu principais adversários na disputa.

Seguem-se, com 16% cada, Molon e Filipe Pereira; com 15% (cada), Paulo Ramos e Vinícius Cordeiro; com 14% (cada), Chico Alencar e Antonio Carlos; e, por último, Eduardo Serra com 13%.

Afirmam que votariam em qualquer um e não rejeitam nenhum 7%, 4% rejeitam todos e não votariam em nenhum, outros 5% não souberam posicionar-se.

Avaliação de maia continua regular
Eleitores atribuem nota 4,9 ao prefeito

Prestes a completar sete anos e nove meses à frente da prefeitura do Rio de Janeiro, Cesar Maia é aprovado, com avaliação ótima ou boa, por 23% dos eleitores cariocas, taxa que foi de 22% há quatro dias, em 26 de setembro, e que mostra-se estável, considerando a margem de erro, desde o início de julho, quando atingiu 26% de aprovação, a partir do que oscilou para baixo ou para cima.

Já, a parcela dos que o avaliam como regular (39%) mantém-se praticamente a mesma desde 17 e 18 de setembro, quando apresentou crescimento em relação ao início do mês (32% em levantamento dos dias 04 e 05).

Por outro lado, considerando o decorrer do mês de setembro, diminui seis pontos percentuais a taxa de reprovação ao prefeito do DEM: de 40% no início do mês para 36% semana passada, taxa que se mantém no atual levantamento.

Na presente pesquisa, Maia alcança 4,8 de nota média, atribuída pelos eleitores dentro de uma escala de zero a dez, aproximando-se um pouco mais do 5,1 obtido em 03 e 04 de julho.

São Paulo, 30 de setembro de 2008. Instituto Datafolha

27/09/2008 - 11:40h Rio: Paes lidera com 29%; Gabeira sobe e embola disputa pelo 2º turno

http://www.alerj.rj.gov.br/fotos/futmulher_epaes_fv_24_09_07_new.jpg
Eduardo Paes (PMDB) (acima) lidera no Datafolha, Crivella e Gabeira (embaixo esq. e direita respect.) disputam o segundo lugar
http://oglobo.globo.com/fotos/2008/03/21/21_MHG_teste2monta.jpg

Candidato do PV foi de 11% para 15%; Crivella (PRB) se mantém com 18% e Jandira (PC do B) permanece com 13%

Cesar Maia, que encerra dois mandatos na Prefeitura do Rio, é reprovado por 36% dos entrevistados; governo tem a aprovação de 22%

FOLHA SP DA SUCURSAL DO RIO

A nove dias da eleição, pesquisa Datafolha mostra que Eduardo Paes (PMDB) ampliou a liderança pela Prefeitura do Rio, com 11 pontos à frente, e retrata um acirramento na disputa pelo segundo lugar, com Fernando Gabeira (PV) tendo crescido quatro pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.

Paes foi de 26% para 29%, Marcelo Crivella (PRB) manteve 18%, Gabeira subiu de 11% para 15%, e Jandira Feghali (PC do B) permaneceu com 13%. A margem de erro é de três pontos, para mais ou para menos.

“A distância entre Crivella e Jandira está no limite do empate técnico. Podemos dizer que ele está na frente dela. Mas entre Crivella e Gabeira há, de fato, empate. A clara ascensão de Gabeira é o destaque desta pesquisa”, disse Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha.

O peemedebista oscilou três pontos positivamente, tendo os maiores índices de apoio entre os que têm mais de 60 anos (36%), entre os que têm até ensino fundamental (33%) e entre os que ganham até dois salários mínimos (33%).

O candidato do PRB tem penetração nas mesmas fatias de eleitorado de Paes, atingindo 27% dos votos entre os eleitores com ensino fundamental e 25% dos eleitores que ganham até dois salários mínimos.

Gabeira é mais forte entre os jovens, faixa em que obtém 20%, entre os que têm ensino superior (26%) e entre os que recebem mais de dez salários mínimos (32%).

Jandira mantém percentuais entre 11% e 14% nas diversas faixas de renda e escolaridade.

O crescimento de Gabeira se deve principalmente à sua performance entre os mais ricos e escolarizados. Gabeira saltou 12 pontos (de 20% para 32%) entre os que ganham mais de R$ 4.150, faixa em que Paes perdeu nove pontos (foi de 30% para 21%). Crivella oscilou positivamente de 7% para 9%.

Entre os eleitores com nível universitário, o candidato do PV tinha 18% e pulou para 26%. O peemedebista tinha 25% e foi para 22%. O postulante do PRB permaneceu com 7%.

Os demais candidatos continuam distantes. Alessandro Molon (PT) foi de 4% para 5%. Solange Amaral (DEM), apoiada pelo prefeito Cesar Maia, está numa linha descendente: no início do mês tinha 7%, passou para 5% em meados de setembro e hoje tem 4%. Chico Alencar (PSOL) permanece com 3%. Os outros não superam 1%.

Cesar Maia, que encerra dois mandatos à frente da prefeitura, é aprovado por 22% dos eleitores e reprovado por 36% deles. Mesmo entre os que avaliam sua administração como ótima ou boa, Paes lidera com 36%, Crivella tem 16%, Gabeira, 12%, e Solange, 11%.

O Datafolha não fez simulações de segundo turno envolvendo Gabeira. Paes bateria Crivella por 57% a 30%, e Jandira, por 48% a 41%. A candidata comunista venceria o rival do PRB por 52% a 34%, no caso de confronto direto entre eles.

Cresceu de 30% para 35% o número de entrevistados que dizem que Paes está se saindo melhor no horário gratuito.

A avaliação de Gabeira também subiu, passando de 7% para 13% os que dizem que ele tem o melhor programa. Já a de Crivella caiu quatro pontos, passando de 16% para 12%.

O Datafolha ouviu 1.184 pessoas ontem e anteontem. Recebeu o registro RPE 35/2008.

22/09/2008 - 14:28h Rio: Paes sobe quatro pontos e aumenta vantagem sobre Crivella, aponta pesquisa

Eduardo Paes (PMDB) assume a liderança no Rio. Marcelo Crivella (PRB) em segundo
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colaboração para a Folha Online, no Rio

A 9ª pesquisa de intenção de votos feita pelo IBPS (Instituto Brasileiro de Pesquisa Social) na cidade do Rio de Janeiro aponta ampliação da vantagem do candidato a prefeito Eduardo Paes (PMDB) sobre o segundo colocado Marcelo Crivella (PRB). Paes tem 29% da preferência do eleitorado, quatro pontos percentuais a mais que na consulta anterior. Já Crivella soma 17%, dois pontos a menos do que tinha no levantamento divulgado dia 5 de setembro.

Jandira Feghali (PC do B) aparece com 11% das intenções de voto e Fernando Gabeira (PV), com 9% das preferências. Solange Amaral (DEM) caiu um ponto, para 4%; Alessandro Molon (PT) ficou estável em 4%. Chico Alencar (PSOL) perdeu dois pontos e agora tem 2%. Paulo Ramos (PDT) manteve o índice de 1% das preferências.

Votos nulos e brancos somam 7%. Os candidatos Felipe Pereira (PSC), Antonio Carlos (PCO), Eduardo Serra (PCB) e Vinícius Cordeiro (PT do B) não atingiram individualmente 1% das citações.

O instituto mediu ainda a rejeição dos candidatos. Crivella aparece em primeiro lugar, com 29%; seguido de Solange Amaral, com 11%; Gabeira, com 9%; Jandira Feghali, com 5%; Alessandro Molon, com 4%; Eduardo Paes, com 5%; Chico Alencar, com 2%; Paulo Ramos, com 2%; Felipe Pereira, com 2%; e Antonio Carlos, Eduardo Serra e Vinícius Cordeiro, com 1%.

Segundo turno

Na projeção de segundo turno entre Paes e Crivella, o peemedebista teria 55% contra 23% do adversário. Entre Paes e Jandira, segundo o IBPS, o primeiro teria 48%, contra 31% da candidata.

Em outro cenário de segundo turno, Jandira venceria Crivella por 48% a 28%. Já Gabeira teria 40% contra 35% de Crivella. Este último resultado mostra uma inversão de tendência, com a vitória de Gabeira pela primeira vez na série histórica.

Na aferição de voto espontâneo, 46% dos entrevistados responderam que ainda não têm candidato a prefeito para as próximas eleições. Entre os candidatos citados espontaneamente aparecem: Eduardo Paes (18%), Crivella (10%), Jandira (6%), Gabeira (7%), Chico Alencar (2%), Solange Amaral 2%, Alessandro Molon 2%, Paulo Ramos (1%).

Governantes

A 9ª pesquisa do IBPS mostra que o presidente Lula é aprovado (soma dos conceitos “muito bom”e “bom”) por 51% dos cariocas, considerado “regular” por 35% e reprovado (soma dos conceitos “ruim” e “muito ruim”) por 13%.

O governador Sérgio Cabral é aprovado por 31% dos cariocas, considerado “regular” por 44% e reprovado por 21%. O prefeito Cesar Maia é aprovado por 24% dos cariocas, considerado “regular” por 33% e reprovado por 40%.

Do total de entrevistados, 46% disseram que votariam em um candidato apoiado por Lula, outros 20% são indiferentes a esse apoio, enquanto 32% não votariam nesse candidato. Já 37% votariam em um candidato apoiado pelo governador, outros 21% são indiferentes, enquanto 38% não votariam nesse candidato. Há ainda 23% dos entrevistados que votariam em um candidato apoiado pelo prefeito, outros 17% são indiferentes a esse apoio, enquanto 55% não votariam nesse candidato.

Pesquisa

O IBPS ouviu 2.512 eleitores entre os dias 15 e 18 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para cima ou para baixo. A pesquisa foi registrada na 228ª Zona Eleitoral, sob o número 031/2008.

19/09/2008 - 09:29h DATAFOLHA RIO: disputa acirrada pelo 2º lugar

No Datafolha, Paes lidera com 26%; já Crivella, Jandira e Gabeira estão embolados

Cláudia Lamego e Fábio Vasconcelos – O Globo

A18 dias da eleição, embolou a disputa pela prefeitura do Rio, mas pelo segundo lugar.
Pesquisa Datafolha encomendada pela Rede Globo e pela “Folha de S.Paulo” mostra que o candidato do PMDB, Eduardo Paes, subiu um ponto mas consolidou-se na liderança, com 26% das intenções de voto.

Em segundo lugar aparece Marcelo Crivella (PRB), que tinha 21% e caiu para 18%. O senador, porém, está tecnicamente empatado com Jandira Feghali (PCdoB), que foi de 12% para 13%. O candidato do PV, Fernando Gabeira, vem logo atrás, já que subiu três pontos e hoje tem 11%. Com este resultado, ele fica tecnicamente empatado com Jandira, porque a pesquisa tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Em quinto lugar, Solange Amaral (DEM), candidata do prefeito Cesar Maia, caiu dois pontos e agora tem apenas 5%. Em seguida, surge Alessandro Molon (PT), que subiu um ponto, passando para 4%. Chico Alencar (PSOL) foi de 4% para 3% e Paulo Ramos passou de 1% para 2%.

Em branco e nulos somam 11%, e 6% dos eleitores disseram que não sabem em quem vão votar ou não opinaram. Filipe Pereira (PSC) e Eduardo Serra (PCB) atingem 1%, cada. Já Antonio Carlos (PCO) e Vinicius Cordeiro não pontuaram. Gabeira comemorou a divulgação dos números, dizendo que agora aparece para o eleitorado como candidato viável para ir ao segundo turno. Ele disse acreditar que quem o considerava bom candidato, mas estava indeciso, agora vai mudar.
— Estou crescendo, e isso é bom para que as pessoas acreditem que posso chegar ao segundo turno. Acredito que vou crescer ainda entre os indecisos. A disputa vai ser muito emocionante, voto a voto — disse Gabeira. O candidato disse que estava perdendo eleitores para o chamado voto útil contra o senador Crivella. Gabeira afirma que pode conseguir votos de outros adversários também.

— Preciso fazer com que o voto útil não seja contra mim. Vou continuar trabalhando por mais eleitores.

Crivella tem a mais alta rejeição: 34%

Eduardo Paes, que pela primeira vez lidera fora da margem de erro, também comemorou o resultado: — Vejo com muita alegria, mas com humildade, porque tem muito trabalho pela frente. Pelo que leio nos jornais, existe equilíbrio das intenções de voto em todas as classes sociais.Acho que isso é muito bom. Com os dados, Jandira disse estar convencida de que vai disputar o segundo turno.

— Essa possibilidade vem se reafirmando a cada pesquisa. Temos um número de indecisos enorme na pesquisa espontânea do Rio. Além disso, tenho sentido o carinho das ruas. Procurado, Crivella não quis comentar a pesquisa. Nas simulações de segundo turno, Eduardo Paes ganha dos dois principais adversários. Com Crivella, o placar ficaria em 53% a 32% para o peemedebista. Se fosse contra Jandira, ele venceria por 48% a 37%. Se a disputa fosse entre Jandira e Crivella, a candidata ganharia por 47% a 36%.

Crivella é o candidato mais rejeitado, com 34% de eleitores que não votariam nele de jeito nenhum. Solange e Gabeira vêm em seguida, com índices de 26% e 22%, respectivamente. Molon tem 18% de rejeição e Paes, 15%. Filipe Pereira é rejeitado por 14%; Chico Alencar por 13%; Vinicius Cordeiro e Paulo Ramos com 12%, cada, Eduardo Serra com 10% e, com a menor taxa de rejeição, Antonio Carlos (6%). (O site do Datafolha não tinha ontem à noite o índice de rejeição de Jandira). O Datafolha entrevistou 930 eleitores entre os dias 17 e 18 de setembro. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Rio sob o número RPE 32/2008.

06/09/2008 - 17:25h Datafolha: Paes assume a liderança na disputa no Rio

Eduardo Paes (PMDB) assume a liderança no Rio. Marcelo Crivella (PRB) em segundo
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A disputa municipal no Rio parece se encaminhar para o duelo Paes Vs. Crivella. Eduardo Paes, que quase não tinha força eleitoral quando era secretário geral do PSDB, consegue após romper com os tucanos e entrar na base de apoio de Lula e do governador Sergio Cabral, despontar como favorito. A evolução de Eduardo Paes é bem-vinda e seu favoritismo hoje traduz a dupla avaliação positiva de Lula e Cabral na cidade de Rio de Janeiro e a pessima avaliação da gestão Cesar Maia (DEM). Interessante também é de constatar que o candidato Gabeira, apoiado por José Serra, Aécio e o PSDB amarga um quarto lugar, junto com a candidata demo e o candidato do PSOL, todos de oposição ao governo federal. A insistência do PT em apresentar um candidato pouco conhecido não teve eco no eleitorado. Jandira, do PCdoB, em terceiro lugar parece ter perdido força e não parece ser alternativa aos dois lideres da disputa. LF

RJ-TV; O Globo Online

RIO – O candidato Eduardo Paes (PMDB) assumiu a liderança da disputa pela prefeitura do Rio de Janeiro. Segundo pesquisa divulgada neste sábado pelo instituto Datafolha, Paes cresceu oito pontos percentuais e agora aparece com 25% das intenções de voto. Marcelo Crivella (PRB), que liderava a disputa até a pesquisa de agosto, subiu um ponto percentual e agora tem 21% das intenções de voto. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Jandira Feghali (PCdoB), caiu três pontos percentuais e aparece na terceira colocação com 12% das intenções de voto. Em seguida aparecem Fernando Gabeira (PV), com 8%, Solange Amaral (DEM), com 7%, Chico Alencar (PSOL), com 4%, e Alessandro Molon (PT), com 3%.

Paulo Ramos (PDT) e Filipe Pereira (PSC) tiveram 1% das intenções de voto, cada um. Vinicius Cordeiro (PTdoB), Eduardo Serra (PCB) e Antônio Carlos (PCO) não atingiram 1% das intenções de voto. Votos brancos e nulos somam 12%. Não sabem ou não opinaram, 6%.

Paes e Jandira venceriam Crivella no segundo turno

O Datafolha também fez duas simulações de segundo turno. Em ambas, Crivella seria derrotado. Num possível confronto com Paes, ele teria 35% contra 50% do peemedebista. Contra Jandira, Crivella teria 37% contra 48% das intenções de voto da candidata do PCdoB.

O Datafolha ouviu 944 eleitores entre quinta e sexta-feira. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) sob o número 27/2008.

05/09/2008 - 13:55h Rio: Paes ultrapassa Crivella e assume a liderança no Rio

Pesquisa IBPS

Eduardo Paes (PMDB) assume a liderança no Rio. Marcelo Crivella (PRB) em segundo
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O Globo Online

RIO – Pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisas Sociais (IBPS), divulgada nesta sexta-feira, mostra uma mudança de cenário na disputa pela Prefeitura do Rio. Na oitava consulta de intenção de votos feita pelo instituto, Eduardo Paes (PMDB/PTB/PP/PSL) passou a frente de Marcelo Crivella (PRB/PR/PSDC/PRTB). Paes, que em agosto tinha 16% da intenção de votos, agora aparece com 25%. Já o senador, que antes tinha 20%, obteve 19% este mês.

Jandira Feghali (PCdoB/PTN/PHS/PSB) ocupa o terceiro lugar, com 12% da preferência do eleitorado, seguida por Fernando Gabeira (PV/PSDB/PPS), com 8%. Solange Amaral (DEM/PTC/PMN) tem 5% da intenção de voto, Chico Alencar (PSOL/PSTU) e Alessandro Molon (PT) têm 4%; e Paulo Ramos tem 1%. Votos brancos e nulos somam 9%. Os candidatos Filipe Pereira (PSC), Antônio Carlos (PCO), Eduardo Serra (PCB) e Vinicius Cordeiro (PTdoB) não atingiram 1%.

Marcelo Crivella é o candidato com maior índice de rejeição, com 32%, seguido por Solange, com 15%; Gabeira, com 11%; Jandira, com 8%; Molon, com 7%, Paes, com 6%; e Chico Alencar, Paulo Ramos e Felipe Pereira, com 4%.

Em um possível segundo turno entre Jandira e Crivella, a candidata venceria com 46%, contra 32%. Crivella venceria, com 39%, o candidato Fernando Gabeira 36%. Já Eduardo Paes venceria Crivella, com 53% contra 28%. Paes também derrotaria Jandira, com 47%, contra 34%.

A pesquisa, registrada na 228ª ZE, sob o número 025/2008, ouviu 1.100 entrevistados, por telefone, entre os dias 2 e 4 de setembro. A margem de erro é de 3%, para mais ou para menos.

28/08/2008 - 11:15h Sobra PT e falta PSDB na TV em Salvador

Alan Marques/Folha Imagem – 30/7/2008
Serra: governador de São Paulo gravou imagens para as campanhas de Curitiba, Porto Alegre e Teresina

Raquel Salgado – VALOR

Depois de usar a imagem do governador Jaques Wagner (PT) apoiando sua candidatura na convenção do PSDB e de frisar que tem a simpatia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato tucano à Prefeitura de Salvador, Antonio Imbassahy, duas vezes prefeito, dificultou uma possível participação do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), no horário eleitoral. Por ora, a coordenação da campanha não pensa em usar sua imagem.

Além de São Paulo, Serra só apareceu, até agora, no programa do deputado Fernando Gabeira, candidato da coligação PV-PSDB-PPS à Prefeitura do Rio. Serra, assim como o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), já gravaram para a campanha à reeleição do prefeito Beto Richa, em Curitiba, assim como para a campanha de Nelson Marchezan Júnior, candidato do PSDB em Porto Alegre. Serra também gravou para a campanha tucana em Teresina.

Sua situação poderá se complicar. “Além de não ter hoje um mandato como os outros candidatos, não pode contar com um apoio muito militante do PSDB”, diz Paulo Fábio Dantas Neto, diretor do Centro de Recursos Humanos da Universidade Federal da Bahia (UFBA) que estuda há anos a política baiana. No segundo turno, contudo, Imbassahy se fortalece, pois é pouco rejeitado pela população e se apresenta ao eleitorado como uma boa segunda opção.

Na avaliação de Dantas Neto, não é apenas a aproximação de Imbassahy com Wagner e Lula que impede a participação de Serra no pleito soteropolitano. Mesmo sendo muito próximo de um tucano de destaque na política local e nacional, o deputado federal Jutahy Magalhães Junior, Serra precisa ser pragmático e pensar em um palanque competitivo na Bahia em 2010. “A solução mais provável é que o PSDB marche com o Democratas, o que limita os movimentos de Serra neste ano”, diz. Há ainda a aproximação de ACM Neto com Serra e Aécio, que o vêem como um aliado promissor.

Serra, por sua vez, não é grande angariador de votos em Salvador. Na eleição presidencial de 2002 obteve apenas 4,6% dos votos válidos no º turno e 10,6% na segunda etapa.

Depois de evitar maiores comparações com seu falecido avô, o deputado federal e candidato do Democratas, Antonio Carlos Magalhães Neto, resolveu resgatar não só a imagem do senador ACM, mas também reforçar sua campanha com a presença de outros carlistas: a do hoje senador, César Borges, e a do ex-governador da Bahia, Paulo Souto.

“Veja o que o Democratas e o PR já fizeram por Salvador”, diz o narrador do programa de ACM Neto. Uma seqüência de imagens de ruas, avenidas, parques, além de uma maternidade e de jornais anunciando a vinda da Ford para o Estado são apresentadas seguidas por frases que lembram muito uma antiga campanha de Paulo Maluf. A cada obra, um coro diz: “Foi ACM que fez”, “Foi Paulo Souto que fez”, “Foi César Borges que fez”.

Imbassahy e ACM Neto disputam faixas parecidas do eleitorado. O tucano já foi um dos quadros do antigo PFL e foi graças ao apoio carlista que chegou à prefeitura da capital em 1992. Apesar de seguir bem colocado nas pesquisas, Imbassahy caiu de 27% para 18% na última pesquisa Ibope por encomenda da Rede Bahia, da família Magalhães.

O candidato do PT, o deputado federal Walter Pinheiro, após ter arrancado no Ibope, chegando a 13% das intenções de voto (antes tinha 6%), vai ter, já no 1º turno, uma grande ajuda de Wagner. Depois de afirmar que permaneceria eqüidistante no º turno, pois três dos cinco candidatos são da base aliada de seu governo, Wagner decidiu gravar participações no programa de Pinheiro.

O atual prefeito, João Henrique Carneiro (PMDB) tem usado a parceria com Lula e com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Com a desvantagem de ter sua administração atacada por todos os candidatos, o peemedebista partiu para o confronto. O alvo preferido é Imbassahy que, segundo ele, teve oito anos de mandato e não fez nem metade do que João fez em menos de quatro. O prefeito, que tem 15% das intenções de votos, preocupa-se também com a evolução de Pinheiro. Ambos se apresentam como próximos a Lula e Wagner e opositores ao modo carlista de se fazer política. (Colaboraram Ana Paula Grabois, do Rio; Marli Lima, de Curitiba; Sérgio Bueno, do Rio Grande do Sul, e Cesar Felício, de São Paulo)

23/08/2008 - 14:51h Crivella, Jandira e Paes estão empatados no Rio, diz Datafolha

da Folha Online

A disputa pela Prefeitura do Rio está embolada entre Marcelo Crivella (PRB), Eduardo Paes (PMDB) e Jandira Feghalli (PC do B). Crivella tem 20% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha divulgada hoje no “RJTV”, da TV Globo –pesquisa completa será publicada na edição deste domingo da Folha.

Paes tem 17% das preferências. E Jandira aparece com 15%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, os três estão tecnicamente empatados.

Também há empate técnico entre Fernando Gabeira (PV) e Solange Amaral (DEM): ele aparece com 8% e ela com 7%. Chico Alencar (PSOL) e Alessandro Molon (PT) aparecem com 4%, cada um.

A pesquisa foi realizada na quinta e sexta-feira com 928 eleitores. E foi registada no TRE (Tribunal regional Eleitoral) sob o número RPE 22/2008.

Num eventual segundo turno, Crivella perderia tanto para Jandira quanto para Paes. Contra Jandira, ele perderia de 35% a 47%. Contra Paes, ele teria 33% contra 47% do peemedebista.

O material completo da pesquisa está na edição da Folha deste domingo, que está nas bancas na tarde deste sábado.

19/07/2008 - 18:47h Pesquisa Ibope aponta Crivella na frente no Rio

A imagem “http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2005/imagens/obispo41_1.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
Crivella em primeiro e Jandira em segundo lugar no IBOPE

CARLOS MARCHI – Agencia Estado

SÃO PAULO – O deputado Marcelo Crivella (PRB) lidera a corrida eleitoral para a Prefeitura do Rio de Janeiro, com 23% das preferências, mas com a maior rejeição entre os candidatos, de acordo com pesquisa Ibope contratada pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela TV Globo. No segundo turno, ele aparece em empate técnico nas simulações contra Jandira Feghali (PC do B) – os dois estão com 33% -, e contra Eduardo Paes (PMDB), no limite da margem de erro, quando ficou à frente por 35% a 29%.

Na simulação de primeiro turno, depois de Crivella aparece uma fieira de candidatos com porcentuais próximos, mostrando que a preferência do eleitorado, no momento, está bem embolada: Jandira Feghali, com 14%, deputado Fernando Gabeira (PV) e Eduardo Paes, ambos com 8%, Solange Amaral (DEM), com 5%, deputado Chico Alencar (PSOL), com 4%, e deputado Alexandre Molon (PT), com 3%. Sobe a 32%, ainda, o universo de indecisos – que anulam, votam em branco ou não sabem.

Na pesquisa espontânea (em que os eleitores devem mencionar um candidato sem nenhuma sugestão do entrevistador), Crivella foi citado como candidato preferido por 11%. Atrás vêm Gabeira e Jandira, ambos com 5%, e Eduardo Paes, com 4%. Há uma soma de 69% de pesquisados, no entanto, que anunciaram voto nulo, em branco ou dizem não saber.

Para tornar o cenário ainda mais impreciso, não é apenas Crivella que tem alta rejeição. Nada menos que 20% informaram que não dariam seu voto a Gabeira. Solange, por sua vez, foi rechaçada por 16%. Dos que apareceram com melhor performance, Jandira teve 13% de rejeição e Eduardo Paes, 12%.

Registro da pesquisa

A pesquisa Ibope contratada pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela TV Globo foi a campo entre 15 e 17 de julho e entrevistou 805 eleitores cariocas, com intervalo de confiança estimado em 95% e margem de erro de 3 pontos porcentuais. A pesquisa está registrada na 228.ª Zona Eleitoral do Rio de Janeiro sob o nº 016/2008.

06/07/2008 - 10:02h Disputa no RJ tem Crivella na liderança com 26%

Jandira tem 17%; Solange (10%), Paes (9%) e Gabeira (7%) empatam em 3º

29% rejeitam candidato do PRB, taxa 16 pontos maior do que as de Jandira e Paes, ambos com 13%, segundo levantamento do Datafolha

PLÍNIO FRAGA – FOLHA DE SÃO PAULO

Marcelo Crivella

http://diariodorio.com/wp-content/uploads/2008/02/marcelo-crivella.jpg

DA SUCURSAL DO RIO

Em meio às acusações de uso do Exército em obras de cunho supostamente eleitoreiro e apesar da morte de três jovens entregues a traficantes por militares que atuavam em seu principal projeto social, o senador Marcelo Crivella (PRB) lidera isoladamente a disputa pela Prefeitura do Rio, revela pesquisa Datafolha.
Crivella, 50, aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e presença constante em cerimônias ligadas ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no Rio, aparece com 26% das intenções de voto e, se as eleições fossem hoje, disputaria o segundo turno com a ex-deputada federal Jandira Feghali (PC do B), 50, também aliada ao governo federal, que atinge 17% no levantamento.
A pesquisa Datafolha, realizada em 3 de julho com 812 eleitores, a primeira depois da oficialização de 11 candidatos à Prefeitura do Rio, mostra ainda que três nomes estão tecnicamente empatados em terceiro lugar, em razão da margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
A deputada federal Solange Amaral (DEM), candidata do atual prefeito do Rio, Cesar Maia, atinge 10% das intenções de voto. O ex-secretário estadual de Esportes e Turismo Eduardo Paes (PMDB), apoiado na disputa pelo governador Sérgio Cabral, tem 9%, e o deputado federal Fernando Gabeira (PV), o mais votado do Estado nas eleições legislativas de 2006, registra 7% do total de entrevistados.
O deputado estadual Alessandro Molon (PT), que se recusou a apoiar Jandira Feghali como contrapartida do apoio do PC do B à petista Marta Suplicy em São Paulo, alcançou 3% dos votos, mesmo percentual do deputado federal Chico Alencar (PSOL).
A pesquisa Datafolha que aponta a liderança de Crivella foi realizada 20 dias depois da morte de três rapazes moradores do morro da Providência, entregues a traficantes de facção rival no morro da Mineira por militares participantes do projeto Cimento Social, programa de reforma de casas e reurbanização idealizado por Crivella e posto em prática por meio de acordo entre os ministérios da Defesa e das Cidades.
Entre os principais candidatos a prefeito no Rio, Crivella e Jandira, que lideram a disputa, terão os tempos mais reduzidos no horário eleitoral gratuito no rádio e na TV.
Apesar de a comunista ter ganhado o reforço do PSB, que no dia 1º desistiu de apoiar Paes para se aliar a ela, a ex-deputada deve ficar com apenas 2min35 de tempo na propaganda eleitoral na televisão e no rádio, nos dois blocos de 30 minutos cada. Crivella deve ter 2min01, divididos pelos dois blocos de noticiário.

Contraponto
A ex-deputada federal comunista é o contraponto em todos os estratos a Crivella.
O eleitorado do senador do PRB distribui-se de forma praticamente igual entre homens e mulheres, é mais forte entre os jovens e eleitores até 44 anos, entre aqueles que têm até o ensino fundamental e entre os de família com renda mensal de até dois salários mínimos.
Entre as pessoas que declararam voto em Jandira, ela é mais votada entre as mulheres, entre os eleitores de 45 a 59 anos, entre aqueles que têm ensino superior e pertencem a famílias cuja renda ultrapassa dez salários mínimos mensais.

Rejeição
Crivella é rejeitado por 29% dos eleitores, taxa 16 pontos maior do que as de Jandira e Paes, ambos com 13%. A taxa de rejeição de Solange Amaral é de 19%, e a de Gabeira, de 16%.
Faixa entre 43% e 48% dos entrevistados diz não ter nenhuma importância os apoios de Lula, Cabral e Maia como peso na escolha por um determinado candidato. Entre 23% e 28% dos eleitores disseram ser influenciados pelo apoio de um dos três mandatários na sua opção de voto.
Na pesquisa espontânea, na qual os entrevistados devem dizer em quem votariam sem que fosse apresentado a eles um cartão com o nome dos candidatos, Crivella é citado por 9%, Jandira por 4% e Solange, Gabeira e Paes por 2% cada.

14/06/2008 - 09:34h A promotoria está contra você

marta_coluna.jpgPLÍNIO FRAGA

FOLHA DE SÃO PAULO

RIO DE JANEIRO - A absurda, injustificada e temerária tentativa de censura do Ministério Público Eleitoral a esta Folha -ao propor representação contra o jornal por ter publicado entrevista com um dos pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo, entendendo que nela havia propaganda antecipada- expõe uma toada autoritária. Com um discurso supostamente moralizador, normatizador e igualitarista, setores que atuam na Justiça eleitoral estão vilipendiando valores democráticos que o país construiu a partir da queda da ditadura militar. É difícil crer que ajam irrefletida ou inocentemente.
A prosperar a ação da promotoria eleitoral contra a Folha, o seu direito de informação, leitor, será cerceado. Caberia à idiossincrasia de promotores e juízes eleitorais decidir a extensão das informações que você, leitor, receberá para corretamente avaliar candidaturas, propostas, projetos, políticas públicas. Em outras palavras, é a censura das priscas eras.
A quem interessa essa ação restritiva? A entrevista questionada pela promotoria era com a petista Marta Suplicy e saiu em 4 de junho. Em 10 de maio, a Folha havia publicado entrevista com o tucano Geraldo Alckmin, que falava abertamente de sua pré-candidatura à prefeitura. Em 15 de março, havia sido a vez de Soninha Francine, pré-candidata do PPS. Hoje, é a de Gilberto Kassab (DEM). Recentemente, foram publicadas entrevistas com pré-candidatos a prefeito do Rio, como Marcelo Crivella (PRB) e Fernando Gabeira (PV), só para citar mais alguns.
Os promotores não acharam que nenhuma dessas entrevistas era propaganda antecipada? E não podiam achar mesmo, pois não eram. O jornal cumpria seu papel no debate de idéias políticas, com a pluralidade que o sistema democrático requer e o bom jornalismo exige.

30/03/2008 - 15:27h Crivella e Jandira lideram disputa no Rio

Apoiado por Lula e Cabral, Alessandro Molon (PT) fica atrás de principais pré-candidatos, aponta pesquisa Datafolha

No cenário sem o nome do PMDB, Fernando Gabeira (PV), Solange Amaral (DEM) e Chico Alencar (PSOL) estão tecnicamente empatados

MARCELO BERABA – FOLHA DE SÃO PAULO

Lançado terça-feira à noite candidato da aliança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o governador Sérgio Cabral (PMDB) para a Prefeitura do Rio, o deputado estadual Alessandro Molon (PT) teve só 1% das intenções de voto na pesquisa feita quarta e quinta-feira pelo Datafolha. O senador Marcelo Crivella (PRB), com 20%, e a candidata do PC do B, Jandira Feghali, com 18%, lideram a pesquisa, tecnicamente empatados. A margem de erro é de 4 pontos percentuais para cima ou para baixo.
Este é o resultado de um dos quatro cenários experimentados pelo Datafolha na pesquisa que fez para a eleição carioca. Neste cenário, que não inclui Eduardo Paes (PMDB), secretário de Cabral, os deputados federais Fernando Gabeira (PV), lançado pelo PSDB e pelo PPS, Solange Amaral (DEM), apoiada pelo prefeito Cesar Maia, e Chico Alencar (PSOL) estão empatados com 9%, 9% e 8%, respectivamente.
Eduardo Paes -que deixou o PSDB com a promessa de ser o candidato de Cabral e foi rifado para facilitar a aliança do PT com o PMDB- tem 10% das intenções de votos nos dois cenários em que aparece -em um deles, com Vladimir Palmeira como possível candidato do PT e, no outro, com Alessandro Molon.
O desempenho do senador Marcelo Crivella praticamente não varia nos quatro cenários, ficando entre 19% e 20%. Jandira Feghali tem o seu pior percentual, 15%, quando o candidato do PMDB é Eduardo Paes (10%) e o do PT é Vladimir Palmeira (1%).
O melhor desempenho de Marcelo Crivella se dá entre os que têm baixa escolaridade (29%) e os mais pobres (23%). Já Jandira Feghali e Fernando Gabeira estão bem entre os que têm curso superior (25% e 21%, respectivamente) e os mais ricos (Gabeira chega a 30% entre os que ganham mais de dez salários mínimos e Jandira tem 28% entre os que ganham de 5 a 10 mínimos).

Tempo na TV
O quadro eleitoral do Rio não é definitivo. É possível que haja mudanças de candidatos e novas alianças em função do tempo gratuito na TV. O PT faz hoje uma eleição prévia para decidir que candidato lança, Alessandro Molon ou Vladimir Palmeira. A candidatura Palmeira obrigará o PT e o PMDB a rediscutirem a aliança eleitoral.
Embora com índice baixíssimo de intenção de votos (1%), o candidato escolhido pelo PT será competitivo caso seja mantida a aliança com o PMDB. Juntos, os dois partidos terão quase um terço do horário eleitoral gratuito, além dos apoios de dois fortes cabos eleitorais, Cabral e Lula.
Crivella e Jandira Feghali, cujos partidos compõem a base de apoio do governo federal e esperam que Lula seja neutro na eleição carioca, terão pouco mais de um minuto cada um caso não ampliem suas alianças.
Solange Amaral e Fernando Gabeira, ambos com 9% ou 10% em qualquer cenário prospectado, terão, respectivamente, por volta de 3 a 6 minutos de TV, o que deve dar visibilidade às suas campanhas.
O senador Marcelo Crivella tem o maior índice de rejeição entre os 13 candidatos pesquisados (28%). Depois dele seguem Solange Amaral (18%), Fernando Gabeira (16%), Coronel Jairo (PSC, 15%), Jandira Feghali (13%), Chico Alencar (11%), Eduardo Paes (10%) e Paulo Ramos (PDT, 9%). Felipe Bornier (PHS) e Vladimir Palmeira têm 7%. Marcos Aurélio Silva (PR), Carlos Lessa (PSB) e Molon registram 6% de rejeição. Foram entrevistados 644 eleitores na pesquisa.

12/03/2008 - 18:28h Samba de uma nota só, aqui em duas notas

O queridinho da imprensa

MÁRIO MAGALHÃES – Ombudsman da FOLHA DE SÃO PAULO

ombudsman@uol.com.br

Alto de página da Folha em 2 de março: “Gabeira é o nome de PV, PSDB e PPS no Rio de Janeiro”.

Outro alto, em 4 de março: “Gabeira aceita concorrer no Rio, mas impõe condições”.

Hoje, também no espaço mais destacado da página: “Gabeira promete capitalismo, se alia ao PSDB e acena ao PT”.

Sempre na edição São Paulo.

Não me lembro de o jornal ter dado recentemente alto de página para as iniciativas de outros pré-candidatos à Prefeitura do Rio, como Marcelo Crivella (PRB), Solange Amaral (DEM), Alessandro Molon (PT), Chico Alencar (PSOL), Carlos Lessa (PSB) e Jandira Feghali (PC do B).

O lançamento do deputado do PV por uma frente é mesmo um fato político importante. Mas a Folha dá a impressão de se transformar em cronista pouco crítico de um candidato em especial.

Exagero?

A reportagem de hoje não citou nenhum adversário de Gabeira. Nenhum mesmo. Contra quem ele concorrerá? Essa informação, elementar, foi omitida.

Conhecê-la é um direito dos leitores.

Quando o deputado disse que “as nossas divergências são secundárias”, sobre o PT, não seria o caso de publicar um quadro com as declarações de Gabeira à época do mensalão e de Severino Cavalcanti?

Pior: defensor da ética na política e na administração pública, Gabeira posou ao lado do ex-governador Marcello Alencar.

Era obrigação da Folha contar se o antigo governante notabilizou-se pelos bons costumes à frente do Estado do Rio de Janeiro.

Sobre Marcello Alencar e seus filhos influentes, nenhuma palavra.

Gabeira até poucas semanas atrás era colunista da Folha.

Foi repórter do jornal.

Há inegável interesse jornalístico em noticiar sua entrada na corrida pela prefeitura.

Mas opinião, legítima, deve ser manifestada nos espaços próprios, de editoriais, artigos de colunistas e textos de convidados. Não no espaço noticioso.

A reportagem de hoje não emite posição formal sobre o pré-candidato, mas o trata com uma condescendência estranha aos princípios editoriais da Folha condensados no Manual da Redação.

O jornal faria bem se começasse a tratar Gabeira com o senso crítico que dispensa a outros parlamentares e candidatos.

Para registro: no jornalismo carioca, o tom de simpatia por Gabeira é o mesmo ou ainda maior.

Serra, partidário

Afirma a reportagem “Serra admite candidaturas de Alckmin e Kassab separadas na disputa em São Paulo” (pág. A11): “Ele [Serra] se recusou a declarar o seu apoio, embora a expectativa seja de adesão à candidatura Alckmin”.

É virtualmente obrigatório ao governador, aspirante à Presidência, apoiar formalmente o candidato do seu partido à Prefeitura de São Paulo.

Se não apoiar, não tem como cobrar o PSDB unido em torno dele em possível candidatura presidencial em 2010.

Mas o texto da Folha dá a entender que essa adesão seria para valer, quando, mesmo na hipótese de apoio formal, é sabido que José Serra trabalha e trabalhará, ainda que na moita, por seu fiel aliado Gilberto Kassab.

A não ser que o cenário tenha mudado, e a Folha não tenha informado.

07/03/2008 - 09:19h DEM e PSDB em rotas divergentes em 2008

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César Maia culpa tucanos paulistas por guerra contra PFL desde 2002. Pela primeira vez ele responsabiliza José Serra por ação da polícia contra Roseana Sarney e os tucanos paulistas por divisão em São Paulo e apoio a Gabeira.

Apoio tucano a Gabeira ameaça aliança entre DEM e PSDB em 2010

Raymundo Costa – VALOR

Juntos na oposição ao governo Lula em Brasília, DEM e PSDB devem seguir caminhos separados nas principais eleições de 2008, para prefeito, e de 2010, para presidente. O apoio entusiasmado da cúpula tucana à candidatura do deputado Fernando Gabeira a prefeito do Rio, num frente com PV e PP, é apenas mais um golpe, e não o mais forte, na aliança que por oito anos (1995-2003) governou o país.

Identificado nas pesquisas de opinião como o partido “mais à direita” do espectro político, o PSDB aposta em Gabeira no Rio numa tentativa de firmar a imagem de centro-esquerda. Ao Democratas não resta outra opção a não ser tentar se constituir ele mesmo uma opção. Uma alternativa “do centro para a direita” e nesse espectro viabilizar uma candidatura presidencial, segundo diz seu presidente, Rodrigo Maia.

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