07/10/2009 - 10:00h PSDB quer tomar mandato de Chalita. Tucanos não toleram declarações feitas por Chalita

Jornal da Tarde (JT)

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Chalita se arma para manter mandato, que PSDB quer tomar

Clarissa Oliveira – O Estado SP

O vereador Gabriel Chalita (PSB-SP) vai investir no argumento de que o PSDB abandonou princípios programáticos, na tentativa de manter o mandato que exerce há apenas dez meses. O plano começou a ser traçado após consulta ao departamento jurídico do PSB, em resposta à notícia de que seu ex-partido pedirá na Justiça sua cadeira na Câmara Municipal.

A posição da direção tucana de cobrar a aplicação da regra da fidelidade partidária foi tomada anteontem, em reunião para avaliar a ida de Chalita para o PSB. “A decisão de sair do partido já era suficiente para pedirmos seu mandato e a situação foi agravada pelas declarações dele à imprensa”, disse o presidente do PSDB no município, José Henrique Reis Lobo.

Ao migrar para o PSB de olho na disputa para o Senado, Chalita criticou o PSDB e o governador de São Paulo, José Serra. Ontem, em nota, o vereador reagiu à decisão da cúpula tucana: “Antes tentavam me impor o silêncio. Agora querem também o mandato.” Ele afirmou que o PSDB contraria “posições históricas de Franco Montoro e Mário Covas” e não poupou Serra, que “não dá aos professores o devido valor”.

06/10/2009 - 09:40h Tucanos querem o mandato de Chalita. A “civilização do amor” não é com eles

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PSDB decide pedir mandato de Chalita

CATIA SEABRA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A Executiva do PSDB de São Paulo decidiu na noite de ontem, por unanimidade, requerer o mandato do vereador Gabriel Chalita à Justiça Eleitoral. Recém-filiado ao PSB, Chalita fez ataques ao governador José Serra para justificar sua saída do partido.
Apesar de afirmar que entrará na Justiça com base no argumento jurídico de que o mandato pertence ao PSDB, o presidente municipal do partido, José Henrique Lobo, admitiu que as declarações do vereador pesaram. “Ele deixou o partido de maneira deselegante e descortês e investiu pesadamente contra Serra.”
Lobo disse esperar que Chalita não adote um “discurso tão destrambelhado quanto o do seu novo líder Ciro Gomes”. “Se antes eu podia ter algum constrangimento, diante dos ataques dirigidos a Serra e ao PSDB, não o tenho mais.”
Embora a administração Serra se esforce para limitar a decisão à esfera partidária, o vice-governador, Alberto Goldman, foi um dos defensores da ideia de recuperação do mandato. “Eticamente, Chalita deveria devolver o mandato”, afirmou.
Procurado ontem pela Folha, Chalita não havia ligado de volta até o fechamento desta edição.

04/10/2009 - 13:02h ”Alckmin só não saiu porque é bem mais conservador do que eu”

http://blog.cancaonova.com/eto/files/2009/03/glcn002145039337.jpgChalita diz que sua votação lhe deu autonomia para buscar caminho próprio

Quando deixou a Secretaria de Educação, em 2006, Gabriel Chalita prometeu a si mesmo que não se envolveria mais com política. Queria se dedicar unicamente à vida literária, que já rendeu 46 livros em seus 40 anos. Mudou de ideia dois anos depois: o mentor tucano Geraldo Alckmin estava enfraquecido no embate com Gilberto Kassab pela Prefeitura de São Paulo e bem que poderia contar com o jovem boa pinta e promissora liderança católica no palanque.

Se não deu resultado para Alckmin, Chalita foi eleito vereador, o mais votado do Brasil. Agora, o escritor, filósofo, educador, doutor em direito, cantor, etc. está envolvido na política até o topo da cabeleira bem penteada. E protagonizou uma dança de cadeiras que mobilizou a política paulista.

Na terça-feira, ele assinou a filiação ao PSB, aplaudido por boa parte da cúpula do PT de São Paulo, Ciro Gomes, Luiza Erundina, Marcelinho Carioca, Claudinei Quirino, padre Júlio Lancellotti e outras personalidades, políticas ou quase. Preparou um discurso, o que quase nunca faz, em que citou Santo Agostinho, Kant, Bento XVI, Clarice Lispector, Aristóteles… “Minha expressiva votação me deu autonomia para buscar um caminho próprio. Eu sair do PSDB não enfraquece o Alckmin, porque quem vota em mim vota nele”, disse antes da aula de filosofia que daria na Casa do Saber.

Ao longo da semana, Chalita deixou claro que entre as principais motivações para sua decisão está mesmo a profunda divergência com o governador José Serra. Tanto que, quando recebeu Cid Gomes, governador do Ceará, na quarta-feira, confessou a mágoa com os serristas e disparou, como se fizesse uma grande revelação: “O Serra não gosta de professor.” Ao que ouviu de Cid: “Nem de nordestino.” Riram, congratularam-se pela gracinha, empolgaram-se com a chance de Chalita ser senador ou, quem sabe, governador de São Paulo. E Cid recebeu das mãos enormes do novo correligionário uma cópia autografada de seu mais recente livro.

No gabinete 710 da Câmara, a plaquinha ainda dizia “Gabriel Chalita – PSDB”. Mas o desligamento da legenda começou há dois meses, quando ele passou a consultar seus eleitores sobre uma mudança. Transição consumada, os 15 assessores do vereador tiveram de se virar em torno de sua agenda (aulas na PUC e no Mackenzie, palestras para professores e empresas em todo o Brasil – essa é sua principal fonte de renda -, missas e celebrações religiosas, programa de rádio e de TV em emissoras ligadas à Igreja e e-mails de fãs professoras e carolas). Enquanto isso, Chalita tratou de convocar a equipe do publicitário Lula Vieira, responsável pela campanha de Fernando Gabeira à Prefeitura do Rio no ano passado, para dar início à sua própria. “Não sei se estou pronto para ser senador. Mas tenho obsessão pelo projeto de escola em tempo integral e é nisso que vou trabalhar.”

Sua atuação na Câmara até aqui é definida por colegas como “discreta”, como a de quem “está claramente de passagem pela Casa”. Ele preside a Comissão de Direitos Humanos e é membro da Comissão de Constituição e Justiça e justifica as críticas dizendo que, de fato, não se apresenta frequentemente à tribuna. “Só vou se tenho algo a dizer. Mas nunca faltei às votações ou às comissões, que é onde está o real poder do Legislativo.”

A figura pouco confrontadora o transformou quase que num “mascote” dos vereadores. Ele é bem tratado e não esconde que gosta de afagos. Sofre a oposição do vereador Claudio Fonseca (PPS), presidente do sindicato dos professores há 22 anos, que ataca sua gestão na pasta da Educação. E deve passar a ser alvo também de José Police Neto, líder do PSDB na Casa: “A quem serve essa mudança? A que interesses políticos está atendendo?”

Peão ou não dos jogos políticos entre PSDB e PT, sua escolha fez barulho. Chalita garante que a decisão não renderá um novo livro, por ter sido um processo difícil, pouco inspirador. Mas, segundo ele, outros tucanos seguiram seus passos em cidades do interior de São Paulo. Alckmin não queria sua saída, diz. “Só não saiu também porque é bem mais conservador do que eu.”

O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), disse: “Sua decisão parece já estar tomada. Tenha coragem.” E o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que oficializou sua filiação ao PSB na quarta-feira, teria lhe telefonado várias vezes para pedir opinião. Skaf, como o próprio Chalita, flertou bastante com outros partidos.

A escolha seria, então, ideológica ou pragmática? “O PSDB e o PSB não são tão diferentes. O socialismo é um só. A questão é que o PSDB fez alianças mais à direita”, tergiversa. Por falar em direita, o vereador se coloca na ala menos conservadora da Igreja. É contra o aborto, mas não contra a mulher que aborta. Garante que não mistura religião com política, mas sempre fala do movimento carismático Canção Nova e de seus projetos religiosos em conversas com outros políticos.

Indagado se quer ser presidente um dia, Chalita hesita, mas admite. “Seria uma honra. Mas, como ministro da Educação de governo em que eu acredite, já estaria feliz.” Está dado o recado.

30/09/2009 - 18:29h “Serra destruiu a escola de tempo integral em São Paulo. Eu não consigo entender como um governador faz isso com as crianças”, disse Gabriel Chalita

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30/09/2009 - 09:16h Chalita acusa governo estadual de ter descontinuado seus projetos na área de educação

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Ciro Gomes sobre Chalita: “Conheço o ramo. Ele pode desestabilizar esse conservadorismo de 16 anos”


PSB filia Gabriel Chalita em ato anti-Serra


Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

Numa reunião que contou com a presença de petistas, a filiação do vereador paulistano Gabriel Chalita, ex-PSDB, ao PSB, transformou-se ontem em um ato contra o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). As críticas foram puxadas pelo seu mais novo integrante e tiveram como principal alvo a gestão da educação no Estado, que entre 2002 e 2006 teve à frente o próprio Chalita. O pré-candidato a presidente da legenda, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), reforçou os ataques, com discurso de candidato a presidente em 2010.

“Durante minha gestão, não tivemos uma greve no magistério. A evasão foi a mais baixa da história. E o currículo foi incrementado com a participação dos professores. Aí está uma diferença básica. Eu respeito os professores. Não coloco neles a culpa pelos eventuais fracassos. Culpados são os maus gestores por destruírem políticas públicas, por não terem a humildade de dar continuidade ao que dá certo. Pelo personalismo hediondo tão mesquinho daqueles que pouco entendem de ética”, disse Chalita em longo discurso.

Depois, afirmou que um dos motivos por que deixou o partido foi a falta de espaço para debater a educação. “A minha lamentação no PSDB é que eu faço um projeto nacional, e no meu partido essas teses não eram nem discutidas. Queria, por exemplo, convencer que a escola em tempo integral é um bom caminho e eu não tinha esse espaço”

Criticou ainda que os métodos do governador paulista na política. “Basta fazer qualquer movimento de saída partidária que vem uma quantidade de blogs te destruindo com coisas que a gente não sabe de onde vem. Tem gente que diz que é o Serra quem faz. Na política, a gente deveria parar de usar o subsolo. Serra não é um político que admiro.”

Filiado por quase 20 anos ao PSDB, foi o vereador mais votado em São Paulo em 2008, com 102 mil votos. Entretanto, por pertencer ao grupo político do ex-governador e atual secretário de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, não encontrou espaço no partido para postular o Senado. Aceitou, então, a ida ao PSB sob essa condição. Foi recebido com fogos e escola de samba em um amplo e lotado auditório no Sindicato dos Eletricitários, no bairro da Liberdade, centro da capital paulista.

A assessoria da Secretaria da Educação disse ontem que as críticas de Chalita são infundadas, na medida em que não houve descontinuidade de projetos da gestão anterior e que há políticas de valorização e incentivo ao professor sendo tocadas pelo atual secretário, o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza.

Antes do discurso de Chalita, Ciro fez um discurso com nuances de candidato a presidente, que passou pela política e economia nacional e internacional. Sobre Chalita, disse que o novo correligionário é o símbolo do que o país precisa na política: “Um jovem que resolveu botar a mão na massa” e que “sem dúvida tem grande futuro na política de São Paulo e do Brasil”. “Conheço o ramo. Ele pode desestabilizar esse conservadorismo de 16 anos, que é razoavelmente bem avaliado mas pelo qual ninguém morre de amores”, disse Ciro, que chegou a mencionar Chalita como possível candidato do PSB ao governo do Estado.

Mas foi nos ataques a Serra, seu provável adversário em 2010, que Ciro, foi mais incisivo. “Ou o senhor José Serra é a volta da turma do presidente Fernando Henrique ou não é. Ele foi ou não foi ministro do FHC em dois mandatos, que tiveram o definhamento consistente da massa salarial em relação ao PIB, do crédito, o desfinanciamento dos investimentos em serviços públicos”, disse, afirmando em seguida que o país corre risco com a candidatura Serra. Em relação a si, disse: “Batam no mensageiro mas por favor prestem atenção na mensagem”.

Ciro reafirmou sua intenção de se candidatar a presidente, embora o partido pretenda definir isso no início do ano. Há a possibilidade de que ele transfira seu domicílio eleitoral para São Paulo, deixando em aberto a possibilidade de disputar o governo paulista. Uma reunião que ocorreria ontem e foi adiada para a manhã de hoje entre dirigentes do PSB deve debater essa transferência. Enquanto a decisão final não ocorre, Ciro se coloca como candidato e o PSB se movimenta para filiar o maior número possível de pré-candidatos com visibilidade a cargos proporcionais . Isso ocorre principalmente em São Paulo, onde pretende montar palanque para enfrentar o PSDB.

Anteontem, a reitora da USP, Suely Vilela, foi umas das que assinaram a ficha de filiação. Primeira mulher a assumir a reitoria da universidade, assumiu o cargo em novembro de 2005, durante a gestão Alckmin. Foi no governo Serra, porém, que enfrentou crises que desgastaram sua relação com o atual governador, como a ocupação da reitoria e greve de professores. Em conversa ontem com o Valor, disse que até deixar o cargo, em novembro, irá contribuir com plataformas educacionais para o partido. A decisão sobre uma possível candidatura ocorrerá depois. Afirmou se filiar ao PSB por acreditar nos ideais de “justiça, igualdade e participação” da sigla e que “a universidade é apartidária”. Sobre sua relação com o governador, disse que “Relação entre universidade e governo é sempre cordial”.


“É o maior fato político e eleitoral”, diz petista

“É o maior fato político e eleitoral do semestre. Muda a realidade em São Paulo e contribui para alterar a realidade nacional. Com Chalita entre nós, podemos apresentar a São Paulo algo para darmos um salto a frente.” As palavras foram ditas ontem pelo líder do PT na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza, na cerimônia de filiação do ex-tucano Gabriel Chalita ao PSB, um dos principais partidos da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Vaccarezza era mais um dos petistas presentes e entusiasmados com a adesão do ex-secretário da Educação do então governador Geraldo Alckmin (PSDB) à base aliada federal. Ao seu lado na mesa estava o presidente do PT paulista, Edinho Silva, que postou no twitter, ao deixar o ato: “Saindo do ato de filiação do Chalita ao PSB, muito representativo e com muita força política. O projeto do governo Luiz Inácio Lula da Silva ganha mais força social.” Outros dois vereadores petistas compareceram: José Américo e João Antonio.

Antes do ato, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) comemorava, também pelo twitter: “Daqui a pouco o vereador de SP Gabriel Chalita deixa o PSDB e se filia ao PSB passando a apoiar o governo Lula e seu projeto de nação.”

Essa aproximação contraria o histórico da relação do PT com o vereador paulistano. Enquanto esteve no PSDB, Chalita era um dos alvos preferidos dos petistas paulistas.

Em 23 de setembro de 2008, o líder da bancada do PT, Roberto Felício, protocolou nos Ministérios Público Estadual e Federal pedido de investigação sobre possível irregularidade na evolução do patrimônio de Chalita. Em março de 2006, a bancada petista protocolou um pedido de “CPI do Chalita”. Queria verificar a cessão de uma fazenda de 87 hectares para a rede de Comunicação Canção Nova, onde o então secretário de Educação de Alckmin tem um programa.

Em outubro de 2005, a Comissão de Finanças e Orçamento da Assembleia, liderada pelo PT, aprovou a convocação de Chalita para prestar esclarecimentos sobre a existência de 200 vans e micro-ônibus destinados ao transporte escolar que estariam paradas no pátio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. (CJ)

Comentário LF

Não sei se Vaccarezza exagera quando afirma que a filiação de Chalita “É o maior fato político e eleitoral do semestre”, é possível que seja exagerado mesmo.

A Folha, ao que parece, está convencida que a afirmação do líder do PT é um exagero. Por isso dedica ao fato um espaço reduzido.

A cobertura da Folha se resume hoje a ecoar crítica de Alckmin a Chalita, no Painel, e a uma foto legendada delatando Ciro por fumo em lugar proibido.

Ciro_fuma

Painel

RENATA LO PRETE – painel@uol.com.br

Alckmin sobre Chalita

No dia em que seu ex-pupilo Gabriel Chalita se filiou ao PSB e subiu o tom dos ataques a José Serra, Geraldo Alckmin resolveu romper o silêncio sobre o assunto. “Ele deveria ter continuado no PSDB. Respeito sua decisão, mas não concordo com suas críticas”, afirma o ex-governador, atual secretário do Desenvolvimento e líder isolado nas pesquisas sobre a sucessão no Palácio dos Bandeirantes.
“Primeiro, porque o Serra sempre foi nosso aliado e sabe que pode contar comigo”, diz Alckmin. “Segundo, porque o povo aprova e quer a continuidade do governo do PSDB em São Paulo. Assim como, mostram as pesquisas, quer uma nova Presidência tucana.”

Claque.
Os petistas Cândido Vacarezza, Edinho Silva, José Américo e João Antonio prestigiaram a filiação de Chalita. Depois, os dois últimos levaram o neoaliado almoçar.

30/09/2009 - 08:22h “Não é um político que admiro. Vi adversários sofrerem. Política de subsolo é uma coisa muito feia”, Chalita sobre Serra

vereador Gabriel Chalita (2º/d) filia-se ao PSB em cerimônia que contou com a presença do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE)(e) e da deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) (d) no Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, nesta terça-feira (29), na capital.
Ciro aposta em Chalita para desgastar tucanos

PSB cogita lançar vereador, que deixou PSDB, como plano B na disputa pelo governo paulista

Julia Duailibi – O Estado SP

Com o objetivo de aumentar o cacife na negociação eleitoral, o PSB passou a trabalhar o nome do vereador Gabriel Chalita como plano B na disputa pelo governo paulista. A viabilidade da candidatura, no entanto, depende ainda de três fatores: que o nome tucano na corrida não seja o do ex-governador Geraldo Alckmin, de quem Chalita foi secretário da Educação; que continue o atual cenário em que os petistas não têm um candidato natural à sucessão e, por fim, que o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) não entre na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.

Ontem, a cúpula do PT estadual prestigiou a filiação de Chalita, ex-PSDB, ao novo partido. A articulação foi considerada estratégica para a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), e contou com a ajuda de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula.

“Há uma pretensão para que eu saia para o Senado. Quanto ao governo, eles falam, mas não é esse meu projeto”, disse Chalita. Ciro, que afirma desejar disputar a Presidência, sustentou que Chalita é melhor do que ele para a missão em São Paulo. “Tenho mais experiência que ele, mas ele tem muito mais intimidade, rotina em São Paulo. Representa mais o novo do que eu. Seria a única contribuição que legitimaria um passo como esse. Não seria eu fazendo de conta, com um marqueteiro, que tenho intimidade porque nasci em Pindamonhangaba.” Segundo Ciro, a candidatura de Chalita “pode causar uma desestabilização” eleitoral, prejudicando o PSDB, que há 16 anos governa o Estado.

Antes de decidir entrar no PSB, Chalita se encontrou com o governador mineiro, Aécio Neves, em Belo Horizonte. O Estado apurou que o presidenciável encorajou a ida do parlamentar para a legenda, mesmo ciente de que teria algum reflexo eleitoral para o PSDB paulista.

Após a filiação de Chalita, Ciro elogiou o PDT, dizendo ter “carinho” e “afeição” pela legenda do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, cotado para assumir a vice numa chapa encabeçada pelo PSB. Afirmou que não estará na corrida contra Dilma, mas sim contra Serra. “Não vou contra Dilma em nenhuma hipótese. Nós somos parceiros.”

CRÍTICAS

Chalita voltou a criticar o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Disse que ele “não é um político que admira” e alegou ter sofrido retaliação e censura quando estava no partido. “Vi adversários sofrerem. Política de subsolo é uma coisa muito feia.” O vereador afirmou que no PSDB “quem dá as cartas” é Serra e que foi censurado por elogiar o ministro da Educação, Fernando Haddad, e ter se encontrado com Gilberto Carvalho. Serra evitou comentar as críticas. “Não vou falar disso. Não tem a menor importância.”COLABOROU SILVIA AMORIM

29/09/2009 - 17:34h Com discurso afinado ao de Ciro, Chalita se filia ao PSB

Em entrevista após evento, os dois condenaram quem faz política ‘pelo subsolo’, em referência a Serra

Carolina Freitas, da Agência Estado

José Luis da Conceição/AE – Ciro Gomes e Gabriel Chalita durante evento de filiação

SÃO PAULO – A filiação do vereador de São Paulo Gabriel Chalita ao PSB, nesta terça-feira, 29, teve ares de lançamento da candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB) à presidência da República em 2010.

Chalita deixou na semana passada o PSDB, disparando críticas ao governador do Estado, o tucano José Serra, que também pretende concorrer ao Planalto no ano que vem. O PSB preparou um evento para 400 pessoas, com direito a fogos de artifício e bateria de escola de samba para receber o novo filiado.

Ao lado de Chalita, Ciro foi ovacionado durante toda a cerimônia com o refrão “Brasil para frente, Ciro Presidente”. Um painel com as cores do partido, amarelo e vermelho, ocupava toda a parede, atrás do palco, com imagens do ex-governador Miguel Arraes, do governador de Pernambuco Eduardo Campos, Ciro Gomes e Chalita.

Marcaram presença na cerimônia de filiação líderes do PT. Apesar de trabalhar por uma candidatura própria, o PSB compõe a base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já o PSDB, legenda de Chalita até a semana passada, faz oposição a Lula.

Chalita e Ciro mostraram um discurso afinado durante a cerimônia, especialmente nas críticas. Em entrevista após o evento, os dois condenaram quem faz política “pelo subsolo”, em referência ao comportamento de José Serra.

Chalita reclamou da política educacional do governo de São Paulo e levantou suspeita sobre a atuação de Serra nos bastidores.

“Basta fazer qualquer movimento de saída partidária, que vem uma quantidade de blogs te destruindo com coisas que a gente não sabe de onde vem”, alfinetou. “Tem gente que diz que é o Serra quem faz. Eu não gostaria de acreditar nisso”, completou o vereador. “Na política, a gente deveria parar de usar o subsolo. Serra não é um político que admiro.”

Troca de elogios

A ida de Chalita ao PSB tem por objetivo a disputa ao Senado Federal nas eleições de 2010. Contudo, líderes do PSB deixaram antever a possibilidade de lançar o ex-tucano ao cargo de governador de São Paulo.

Chalita disse preferir o Senado, mas Ciro elogiou a possibilidade do novo correligionário concorrer ao Palácio dos Bandeirantes. O deputado federal chegou a dizer que Chalita seria um candidato a governador melhor do que ele próprio. “Tenho mais experiência que ele, mas ele tem mais intimidade com São Paulo e representa muito mais o novo do que eu.”

Chalita retribuiu o elogio ao seu companheiro de partido: “Meu candidato (para a Presidência) é Ciro Gomes”, afirmou.

***


Na filiação ao PSB, Chalita critica gestão Serra na educação e elogia Ciro

TATHIANA BARBAR da Folha Online

O vereador Gabriel Chalita se filiou hoje ao PSB em um evento que reuniu mais de 500 pessoas em São Paulo e sinalizou que sua plataforma na campanha eleitoral de 2010 será a educação.

Ele elogiou os professores e criticou a gestão do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), na educação. Chalita deixou o PSDB com críticas ao grupo ligado a Serra.

“Nenhuma obra supera a da educação. Eu respeito os professores. Não coloco a culpa neles pelos fracassos na sala de aula e sim nos maus gestores”, disse Chalita ao criticar a gestão Serra na educação.

Chalita aproveitou para afagar o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), desafeto político de Serra. Ciro e Serra são pré-candidatos à Presidência.

“O PSDB foi minha casa por mais de 20 anos e foi lá que conheci Ciro Gomes, um homem correto e corajoso…”, afirmou o vereador.

Em resposta, Ciro se disse fã de Chalita. “É um privilégio trabalhar ao seu lado. Sou seu fã à distância, de longa data.”

O senador Renato Casagrande (PSB-ES) disse que Chalita era corajoso por mudar de partido. “Para nós é uma grande alegria [sua filiação]. Você é referência na educação, na ética, na tolerância com a diversidade da sociedade.”

Chalita, por sua vez, agradeceu ao PSB pelo espaço que o partido deu a ele. O vereador deve tentar uma vaga no Senado em 2010.

Serra minimizou as críticas de Chalita. “Nem sei se [a opinião] vale ou não vale [para o Chalita]. Não estou nem aí”, disse o tucano ontem ao ser questionado se a opinião de não responder a baixarias valeria para o vereador.

Ao sair do PSDB, Chalita fez críticas a Serra. “Na condição de vereador mais votado do Brasil, eu queria pelo menos ter sido respeitado pelo partido. Eu não fazia parte da Executiva nem do Diretório. Nunca me reuni com o governador Serra. Fui tratado de uma forma preconceituosa no PSDB.”

28/09/2009 - 09:54h Líder nas pesquisas para o governo, Alckmin isola-se no PSDB

Caio Guatelli / Folha Imagem
Foto Destaque
Alckmin com Serra e Aloysio: ambos são secretários estaduais, mas é o da Casa Civil que tem poder de liberar emendas e construir a base de apoio no partido

Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

A isolada liderança de Geraldo Alckmin (PSDB) para a sucessão do governo paulista em 2010 não tem sido suficiente para que seu nome tenha a unanimidade de seu partido, muito menos de seus principais aliados, DEM e PMDB. Há uma crescente mobilização para viabilizar a candidatura do seu correligionário, o secretário-chefe da Casa Civil de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, distante de Alckmin quase 50 pontos nas pesquisas.

O cenário lembra o de 2008, quando os tucanos se dividiram entre a candidatura à reeleição do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e a de Alckmin. Um ano depois, quem apoiou Kassab está com Aloysio. Já o grupo de Alckmin comporta dissidências.

Em razão disso, há no partido a certeza de que só o governador José Serra (PSDB) pode arbitrar o embate interno entre seus dois secretários e impedir a realização de prévias ou de uma convenção, se avaliar que isso pode atrapalhar sua campanha a presidente da República. A prioridade, por ora, é consolidar seu nome para a disputa ao Planalto, em uma composição com o governador mineiro, Aécio Neves (PSDB). Isso deve ser feito até janeiro. Depois, focará no cenário estadual até o final de março, prazo final para Alckmin e Aloysio se desincompatibilizarem de seus cargos.

Não havendo definição, o processo pode se estender até a convenção, em junho. O embate, porém, é dado como certo. “Vai ter disputa interna. Não há nenhum problema em passarmos por isso”, afirma o líder do governo na Assembleia, Vaz de Lima (PSDB), historicamente ligado a Aloysio.

Até que a disputa seja explícita, o trabalho é nos bastidores, onde Aloysio tem liderança absoluta. Seus apoiadores apostam na força da máquina do governo paulista – da qual Aloysio é o gerente – e na rejeição a Alckmin, no partido e entre os aliados, para construir sua candidatura.

Cálculos do PSDB mostram que na Câmara Municipal de São Paulo, dos 12 vereadores, apenas um tem apoio declarado a Alckmin: seu ex-secretário de Assistência Social, Floriano Pesaro. O ex-governador tinha outro vereador ao seu lado, seu também ex-secretário de Educação Gabriel Chalita que, sem espaço no partido, assina amanhã sua ficha de filiação ao PSB para concorrer ao Senado. Na Assembleia Legislativa, dos 23 deputados, o cálculo é de que 21 estão com Aloysio. A bancada federal se divide, mas ainda assim a preferência é por Aloysio: 9 x 7.

O que explica esse quadro é, primeiro, o relacionamento político-financeiro que Aloysio tem construído com as bases estaduais. É ele o principal responsável pela liberação das emendas parlamentares e pelos convênios assinados entre o Estado e os municípios. Só nos dois primeiros anos do governo, foram liberados cerca de R$ 210 milhões diretamente para prefeitos e R$ 227 milhões para deputados estaduais, ambas dentro de uma rubrica orçamentária específica da Casa Civil, denominada Unidade de Apoio aos Municípios. Na gestão anterior, do próprio Alckmin, os valores dessa rubrica eram, segundo o governo, “muito menores”. Cotas orçamentárias para deputados estaduais, hoje em R$ 3 milhões, nem existiam.

Outro fator é o crescente isolamento político-partidário de Alckmin, dentro e fora do PSDB. Sua atuação nos três últimos processos eleitorais levaram a isso. Em 2004, tentou impor seu polêmico secretário de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, como candidato a prefeito, uma figura sem qualquer ligação histórica com o partido.

Dois anos depois, o PSDB sangrou na disputa entre Serra e Alckmin para a candidatura à Presidência. O atual governador ia melhor nas pesquisas, mas Alckmin e seu grupo disseminavam a tese do “candidato natural”, uma vez que Serra teria de deixar a prefeitura ao passo que Alckmin estava em seu último ano no governo do Estado.

Mas são das eleições de 2008 que ainda restam as grandes feridas. Parte dos tucanos apoiava Kassab, já que se tratava da manutenção da aliança em que fora eleito em 2004, como vice de Serra. Outra parte, o grupo de Alckmin, se apoiava na liderança nas pesquisas para impor sua candidatura. Ao final, o ex-governador não chegou ao segundo turno.

Muitos dos tucanos que ficaram com Kassab foram chamados de traidores e chegaram a sofrer ameaças de expulsão. Fundador do partido, o secretário paulistano de Esportes e deputado federal licenciado Walter Feldman é um deles. Cauteloso, não se posiciona na disputa mas diz que ela é bem-vinda. “O partido só se fortalecerá na luta interna. O que prejudica o PSDB é ter medo disso. Será uma boa disputa entre os dois.”

A formação de uma forte corrente favorável a convenção ou às prévias não é único revés que Alckmin enfrenta. Ele assiste ainda à defecção de antigos aliados. Um exemplo é Tião Farias, muito ligado a Mário Covas e um dos poucos vereadores que em 2008 foram de Alckmin. Lotado na Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos, está com Aloysio. Outros dois alckmistas de carteirinha também desembarcaram, o atual vereador Carlos Bezerra Júnior e o deputado estadual Marcos Zerbini. Procurados, Farias e Bezerra não responderam ao pedido de entrevista. Zerbini disse que “não queria comentar o assunto”.

O ex-secretário municipal das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, que ajudou Alckmin nos conflitos internos em 2008, está fechado com Serra. Será uma espécie de assessor político especial do governador. O presidente do PSDB paulistano, José Henrique dos Reis Lobo, ligado a Alckmin e importante ponte entre ele e Serra, enfrenta desprestígio com a base municipal. Tem o diretório, mas não o diálogo com a Câmara e a prefeitura.

No DEM de Kassab, o discurso é de que o apoio é total a quem Serra indicar, embora seja nítido o desconforto com a hipótese de que Alckmin seja esse nome. Um sinal disso é a colocação de Kassab como nome viável ao governo do Estado. O DEM também baseia-se em pesquisas internas que dão viabilidade eleitoral a Kassab no Estado e no crítico cenário nacional que o partido prevê enfrentar em 2010, após oito anos de oposição ao popular presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A opção do PSDB pela candidatura Aloysio deixaria uma porta aberta a Kassab caso o secretário tucano se mostre pouco viável até abril, prazo da desincompatibilização.

Mais próximo aliado de Kassab em Brasília, o deputado federal Guilherme Campos (DEM-SP), ex-vice prefeito de Campinas e coordenador da bancada paulista federal do DEM, diz que o projeto da legenda é fazer Serra presidente e apoiar quem este indicar à sucessão. Afirma ainda que liderança em pesquisa, a um ano das eleições, é irrelevante. “A pesquisa nessa fase pré-eleitoral é um cenário que mede antes o nível de conhecimento do que de viabilidade eleitoral. Não dá para comparar a exposição e a presença na mídia que o Alckmin tem com a do Aloysio. É só pegar o exemplo de 2008, com o Kassab. Alckmin liderava e perdeu. Kassab decolou”, afirma.

O PMDB do ex-governador Orestes Quércia também está fechado com Aloysio, que foi homem forte nas duas últimas gestões do partido no Estado. Além disso, há resquícios de 2008. Na campanha, Alckmin, ao criticar a aliança de Kassab com Quércia, disse que o ex-governador “quebrou o Estado”.

Em meio às dificuldades, os alckmistas adotaram a seguinte premissa: esquecer os conflitos de 2008, pois eleição para presidente e governador tem nuances diferentes da de prefeito e o foco agora deve ser construir o melhor cenário no Estado para que Serra seja eleito presidente.

“O objetivo é ganhar a presidência e criar cenários para que isso se dê da forma mais favorável possível. Não se pode pensar 2010 com a cabeça de 2008″, diz o deputado federal Edson Aparecido (SP), fiel a Alckmin. Para ele, não se pode querer “turbinar cenários que hoje não existem”. “As questões que fazem parte de um processo eleitoral para presidente e governador são absolutamente distintas”, diz.

O também deputado federal Silvio Torres (SP), do mesmo grupo político, aposta no governador José Serra para unir o partido. “Os problemas são perfeitamente superáveis a partir do momento em que Serra conduzir esse processo. Não vamos nos perder em malquerências do passado. O projeto Serra presidente passa por candidaturas fortes nos Estados. É essa visão amadurecida que precisamos ter”, afirma.

A prioridade de fazer Serra presidente é uníssona entre os dois grupos. A diferença é que os defensores de Aloysio acham que seus 2% nas pesquisas podem ser alavancados com certa facilidade. O partido tem a máquina, a aliança tem a quase totalidade dos 645 municípios paulistas e os investimentos em 2010 serão grandes. Por outro lado, se o crescimento nas pesquisas demorar a acontecer, o PSDB corre o risco de enfrentar uma dura eleição no Estado que comanda desde 1995, colocando em risco o projeto principal de voltar ao governo federal. “As atenções não podem estar voltadas para a candidatura a governador, mas sim para presidente. Uma disputa em Sao Paulo dispersaria os esforços”, afirma o secretário-geral do PSDB paulista, Cesar Gontijo.

Serra aguarda a definição do cenário até o início de 2009. Precisa, primeiro, compor com Aécio, pois avalia que sem São Paulo e Minas unidos em uma candidatura tucana – trata-se dos dois maiores colégios eleitorais do país – fica difícil se contrapor ao favoritismo petista no Norte e Nordeste. Quer partir de uma base de 70% em seu Estado. Para atingir esse índice precisa de um candidato forte.

“Para Alckmin ter chance precisa se aproximar desses setores que têm reclamações contra ele, caso contrário corremos o risco de DEM e PMDB até fazerem um candidato. Isso pode ser evitado”, diz o secretário municipal de Participação e Parceria, Ricardo Montoro (PSDB). Assim como outros tucanos próximos a Kassab, ele também acha que só a pesquisa não será suficiente para dar amálgama à candidatura Alckmin. “Não se iluda com Ibope. Ibope é nível de conhecimento, não é voto definido. Quem acha diferente disso não entende de política.”

Procurado por meio de sua assessoria, Alckmin não foi localizado pela reportagem. Em público, tem emitido sinais de composição. Por exemplo, costuma comparecer a eventos em que Kassab está e já conversou com Quércia. Mas ainda que prevaleça seu nome, terá que ceder. O desenho atual, caso isso ocorra, é de que Kassab indique o candidato a vice – possivelmente o secretário estadual de Trabalho, Afif Domingos – e que, para ajudar na campanha de Quércia ao Senado, o PSDB lance apenas um nome ao cargo. Por outro lado, pode avaliar que sua situação no partido está muito difícil e aceitar sair para o Senado ou procurar outra legenda para se candidatar, como fez Chalita ao ir para o PSB. Teria até a próxima semana para fazê-lo.

28/09/2009 - 08:58h PSDB acusa Chalita de oportunismo político

Vereador disse que lhe foi negado espaço no partido

Julia Duailibi – O Estado SP


Vereador mais votado em 2008, Chalita vai para o PSB


Tucanos reagiram às críticas feitas pelo vereador paulistano Gabriel Chalita ao PSDB, partido no qual militou por mais de 20 anos e do qual anunciou a desfiliação na semana passada. Amanhã Chalita ingressa formalmente no PSB, aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no governo federal, para disputar o Senado em 2010.

O presidente municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo, afirmou que as declarações de Chalita mostram que “o ruído provocado pela sua saída do PSDB talvez tenha colocado fora de controle a sua pretensão e vaidade”. O secretário estadual da Educação, Paulo Renato Souza, também questionou as afirmações do vereador. “De repente, ele se deu conta de que as coisas não são como ele pensou. Estranho. Soa mais como oportunismo político”, disse.

Em entrevista ao Estado, publicada no fim de semana, o vereador criticou a gestão da educação em São Paulo, alegando que a atual administração passa a imagem de que os professores são “vagabundos”. Disse também que não tinha espaço no partido por ser aliado do ex-governador Geraldo Alckmin, a quem teceu elogios.

Insinuou que o governador José Serra e aliados estariam por trás de críticas a sua formação intelectual. “De repente, começou a surgir coisa de todos os lados. Escritor de autoajuda, fez biografia da Vanusa. De uma hora para outra. Começaram a tratar meus programas de educação de forma vulgar. Não sei se foi ele que fez, mas foi uma coincidência”, declarou.

Lobo, secretário estadual de Relações Institucionais e até então um dos principais defensores de Chalita no partido, afirmou que a fala do vereador revela ressentimentos pessoais. “Ele saiu do partido dizendo que apenas procurava um espaço e uma tribuna para expor suas ideias. Sua fala revela, no entanto, que fez por fortes ressentimentos pessoais”, disse. “Além disso, ao fazer uma enorme futrica envolvendo os nomes de Serra e Alckmin, pode dar razão aos que acreditam que a elegância e a sobriedade, que pareciam características suas, tenham sido apenas uma farsa que não lhe convém mais representar.”

CONTRAPONTO

Paulo Renato afirmou não ser verdade que o Estado parou programas implementados por Chalita, quando secretário de Alckmin. “O Escola da Família e o Escola de Tempo Integral foram mantidos. Mas queremos ter a certeza de que funcionam.” O secretário questionou o retrocesso de certos indicadores entre 2002 e 2006, período em que Chalita foi secretário. “Alguns indicadores tiveram desaceleração no período. Houve alta na taxa de absenteísmo dos professores. Não é uma crítica a Chalita. Mas buscamos programas que achamos mais efetivos na busca de qualidade. Cada governo tem uma prioridade.”

Questionado sobre o mestrado internacional para professores, defendido pelo vereador, Paulo Renato disse que o programa continua. “Mas qual o impacto num conjunto de 230 mil professores? Buscamos mecanismos efetivos. Não queremos programas charmosos.”

26/09/2009 - 11:03h ‘Acho muito feio tentar destruir pessoas’

”Serra tem outra forma de fazer política”

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Vereador sugere que governador está por trás de críticas à sua gestão na Educação: ‘Acho muito feio tentar destruir pessoas’

Julia Duailibi – O Estado SP


Por que o sr. saiu do PSDB?

Olha, converso com lideranças do PSDB há algum tempo e tenho tentado encontrar espaço. Sinto que não tenho esse espaço. Tive uma votação significativa para vereador. Nunca fui chamado pelo diretório. As maiores bandeiras que defendo na educação, a escola de tempo integral e a abertura de escola no fim de semana, o conceito de pertencimento, isso se esvaziou em São Paulo. Não é uma crítica. Mas é um olhar que o PSDB tem.

Por que não teve espaço?

Algumas pessoas dizem que, naquele momento eleitoral que eu apoiei o Alckmin (na campanha de 2008), aquilo fez com que um grupo mais ligado ao Serra me olhasse como alguém mais carimbado, alguém que não pertencia ao grupo dele. Entendo que você, num partido, possa ter simpatia por uma ou outra pessoa. O que eu não entendo é você não aproveitar algumas pessoas que têm algo para contribuir. Tenho espaço de povo, de prefeitos do interior, mas não da cúpula do PSDB.

Por que acha que há resistência ao sr. do grupo ligado a Serra?

Eu não sou convidado para absolutamente nada. Tentei conversar com algumas pessoas ligadas a ele, dizendo que gostaria de somar no projeto. Sei que há muitas pessoas que o defendem na mídia e percebo os blogs que saem, o que falam. O presidente (municipal do PSDB) disse que não vai pedir meu mandato. Minha votação ajudou o partido e nunca faltei na Câmara, mas os recados que ouço são que, se alguém for pedir o mandato, é porque é um desejo do Serra.

Essa resistência viria de sua relação próxima com Alckmin ou de uma falta de afinidade pessoal?

Acho que é uma coisa pela relação com o Alckmin. Veja que o Alckmin tem 50% da intenção de voto e houve, aparentemente, um aceno de que seria o candidato a governador e logo depois um desmentido. Então eu sinto, digo por mim, que as pessoas ligadas a ele têm muito pouco espaço neste PSDB. A minha saída do PSDB não vai fazer com que pare de admirá-lo. Ele pediu para eu refletir mais. Não é a questão do cargo que vou disputar. A questão é, dentro de uma agremiação partidária, você não ter voz alguma. Não tenho estômago para isso.

Alckmin deveria sair do PSDB?

Acho que nossas histórias são diferentes. As raízes dele são muito profundas. Eu fui vereador, depois saí da política. Fiz carreira acadêmica e fui dirigir escola. Ele é um político 24 horas por dia. É incapaz de fazer qualquer artimanha ou planos no subsolo. Não tem essa postura. É incapaz de destruir a biografia de qualquer pessoa.

O sr. está falando do Serra?

O Serra tem outra forma de fazer política. Quando apoiei Alckmin à prefeitura, criou-se uma visão de que era contra o Serra. Não era contra ele. Mas aconteceu uma coisa estranha. Nunca tinha recebido críticas pela minha carreira acadêmica e intelectual na mídia. Pelo contrário. Era o rapaz do doutorado, do mestrado. De repente, começou a surgir coisa de todos os lados. Escritor de autoajuda, fez biografia da Vanusa. De uma hora para outra. Começaram a tratar meus programas de educação de forma vulgar. Não sei se foi ele que fez, mas foi uma coincidência. Você pode discordar politicamente, no campo das ideias. Mas acho muito feio tentar destruir pessoas na política.

O sr. se tornou crítico da gestão atual na área da Educação?

O ponto fundamental da minha visão foi ter respeito profundo pelos educadores. O erro foi muita crise na relação com professores. Vendeu-se a imagem de que professores não gostam de trabalhar, faltam demais. São inadequados, vagabundos.

O sr. acha que o eleitor vai entender deixar um partido às vésperas da eleição? Não é traição?

Acho que, quando a gente é sincero, o eleitor compreende.

O que acha da ministra Dilma?

Tive a melhor das impressões. Ela é criticada mais pelas qualidades que pelos defeitos. Nunca se falou da Dilma em nenhum escândalo de corrupção. Só que ela é brava e exigente.

O sr. daria palanque a ela?

Não sei se é ela que o PSB vai apoiar. A tendência está para o Ciro Gomes. Outra pessoa que quando criticam dizem: é destemperado. Mas ninguém disse que não é bom gestor.

Fará campanha contra Alckmin?

A gente não vai virar inimigo. Podemos até estar em lados diferentes numa campanha. Mas é uma questão para o ano que vem. Teria tranquilidade no campo das ideias de discordar de quem já fui aliado. Não enxergaria como traição. Está na hora de não fazer política com o fígado. Essa política de raiva e de perseguição é coisa antiga, da época do coronelismo.

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26/09/2009 - 10:21h PSDB foi preconceituoso comigo, afirma Chalita

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Vereador mais votado do país, ex-tucano diz que nunca conseguiu ser recebido por Serra

Chalita vai se filiar na terça ao PSB, partido pelo qual Ciro Gomes busca concorrer à Presidência; plano de vereador é vaga no Senado

JOSÉ ALBERTO BOMBIG – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Vereador mais votado de São Paulo na eleição de 2008, o escritor e educador Gabriel Chalita afirma que deixou o PSDB porque estava sem espaço no partido e nem sequer conseguia conversar com o governador do Estado, José Serra. Chalita se filiará ao PSB, da base de apoio a Lula e do deputado federal e presidenciável Ciro Gomes (CE), na terça-feira. Quer concorrer ao Senado:

FOLHA – Por que o sr. saiu do PSDB?
GABRIEL CHALITA
– Na condição de vereador mais votado do Brasil, eu queria pelo menos ter sido respeitado pelo partido. Eu não fazia parte da Executiva nem do Diretório. Nunca me reuni com o governador Serra. Fui tratado de uma forma preconceituosa no PSDB. Tenho convicções e experiências de sucesso de quando fui secretário da Educação de São Paulo [2001-2006], como o programa Escola da Família.

FOLHA – E por que o PSB?
CHALITA
– O Eduardo Campos [governador de Pernambuco do PSB] é um fenômeno. Eu gosto do Márcio França [deputado federal] e tenho fascínio pela Luiza Erundina [deputada federal]. Quando ela foi prefeita de São Paulo [1989-1992], colocou na educação o Paulo Freire [educador, 1921-1997] e nunca enriqueceu na política.

FOLHA – O sr. esteve com o ex-ministro José Dirceu (PT)?
CHALITA
– Não tenho nada contra ele, mas nunca vi o José Dirceu pessoalmente na minha vida. Eu sempre tive uma boa relação com o PT. Não estou saindo para brigar com ninguém.

FOLHA – O sr. se dá bem com o Ciro?
CHALITA
– Ele era um dos meus modelos quando estava no PSDB. Gosto muito. Ciro não tem nada de desonestidade e corrupção. Ele é combativo e defende suas causas.

FOLHA – O sr. tentou avisar o Serra de que estava deixando o partido?
CHALITA
– Sim, mas todas as vezes que ele marcou comigo, ele acabou postergando. Não quero fazer parte de uma campanha sem fazer parte de um projeto. Eu sinto uma carência de projetos no PSDB. O Lula tem um projeto claro para o Brasil.

FOLHA – Qual sua relação com a ministra Dilma Rousseff?
CHALITA
– Ela é intransigente na questão moral e, como o Ciro, tem a qualidade de ouvir as pessoas. Um governante ególatra faz coisas imprevisíveis.

FOLHA – E como fica sua relação com Geraldo Alckmin?
CHALITA
– Do ponto de vista pessoal, não muda nada. Fui correto com ele, o procurei várias vezes para dizer que eu não tinha espaço no PSDB.

FOLHA – O sr. não teme que o PSDB tente retomar sua vaga na Câmara?
CHALITA
– Espero que não, eu ajudei o partido na eleição.

19/09/2009 - 12:31h Chalita disse que vai sair do PSDB

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PSDB reage, mas não dá a Chalita vaga no Senado

Prestes a se filiar ao PSB, vereador é alvo de investidas dos tucanos para que fique

 

Clarissa Oliveira e Julia Duailibi -O Estado SP

 


Prestes a deixar o PSDB, o vereador paulistano Gabriel Chalita foi alvo de investidas do partido para que fique na legenda. Os tucanos, no entanto, não ofereceram ao parlamentar a garantia de concorrer ao Senado pela sigla na eleição de 2010. Em almoço com o presidente municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo, Chalita afirmou que se sente atraído com a possibilidade de concorrer ao Senado pelo PSB. “Não tem como o partido dar essa garantia. Há outros nomes que querem disputar a vaga”, declarou Lobo, após o encontro.

Padrinho político do vereador, o ex-governador Geraldo Alckmin procurou investir na tese de que a transferência para o PSB ainda não é certa. “Fiz um apelo para que ele fique no PSDB”, disse o tucano.

Ontem, Chalita se reuniu em São Paulo com dirigentes do PT paulista a fim de colocar na mesa as alternativas para uma composição em 2010. No encontro, o vereador disse que está decidido a romper com o PSDB. Apesar de se sentir pressionado a permanecer no partido, Chalita não mantém boa relação com aliados de Serra. Disse aos petistas que vai conversar com corregilionários no final de semana, mas que poderá entregar sua carta de desfiliação até terça-feira.

A cúpula do PT avalia que, no PSB, Chalita reforça o palanque da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, no maior colégio eleitoral do País. Ontem, houve reações no PT. Parlamentares ligados à ex-prefeita Marta Suplicy, que queriam vê-la em uma das vagas para o Senado, demonstraram apreensão com as conversas com o tucano.

Mas a preocupação maior é com o senador Aloizio Mercadante (SP). Se os planos da cúpula do PT derem certo, Chalita e Mercadante farão dobradinha na disputa para o Senado. Campeão de votos para a Câmara Municipal em 2008, Chalita tiraria do petista a chance de ter como companheiro de chapa um nome com menos exposição. Mercadante se limitou a negar que tivesse discutido com colegas de partido a possível ida de Chalita para o PSB. Mas, segundo petistas, o senador tomou conhecimento das negociações durante uma reunião ocorrida recentemente em Brasília.

Depois de um dia de reuniões, Chalita foi o anfitrião de uma festa de aniversário para dom Odilo Scherer em sua casa. Entre os convidados, petistas, como o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, e o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza, dividiam espaço com tucanos como Alckmin, e com peemedebistas, como o presidente da Câmara, Michel Temer.