30/10/2009 - 19:58h A casa da luz vermelha

Okubo
© Foto de Kazuo Okubo. Série Paisagem Obtusa – O colecionador de paisagens.


O fotógrafo brasiliense Kazuo Okubo inaugura no dia 03 de novembro, a Galeria A Casa da Luz Vermelha, a primeira especializada em fotografia de arte na Capital Federal. O espaço, com 130 m2, tem caráter nacional, pois seu acervo será comercializado via Internet em todo o país. A galeria está localizada num lugar privilegiado, no setor de clubes esportivos Sul, no Clube da Associação dos Servidores do Banco Central (ASBAC), onde também funciona o estúdio de Okubo. Em São Paulo, a galeria será representada com exclusividade pela arquiteta Rosely Nakagawa, maior especialista no Brasil em fotos de arte,consultora técnica e curadora do acervo permanente da Casa da Luz Vermelha.O acervo permanente da galeria contará com grandes nomes da fotografia brasileira, entre eles, Anderson Schneider, André Dusek, Bento Viana, Camilo Righini, Carlos Moreira, Cristiano Mascaro, Dorival Moreira, João Paulo Barbosa, Kazuo Okubo, Olivier Boëls, Patrick Grosner, Ricardo Labastier, Thomaz Farkas,Tiago Santana e Walter Firmo. No dia da inauguração, a galeria vai inaugurar a exposição “O Colecionador de Paisagens”, com 29 fotos do próprio Kazuo Okubo, com curadoria de Ralph Gehre. A mostra traz 29 fotos em tamanhos diferentes de até 1m X 1,50m. As fotos, com tiragem limitada até 10 cópias e impressas em papel de fibra de algodão, são o resultado de um exaustivo exercício de fotografia realizado em quatro capitais européias – Amsterdã, Praga, Paris e Roma. O Colecionador de Paisagens. Exposição fotográfica de Kazuo Okubo. De: 04 de novembro a 12 de dezembro de 2009. Local: A Casa da Luz Vermelha. Visitação: Segunda a sexta-feira das 10h às 20h. Sábado das 10h às 18h. Endereço: SCES Trecho 02 Conjunto 31 – ASBAC. Telefone: 3878 9100.

Fonte Images & Visions

19/10/2009 - 17:53h ”Pintamos como um único artista”

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ENCONTROS com o ESTADÃO: Às vésperas de inaugurar mostra na Faap, a dupla os gemeos conta como funciona a arte de juntar dois talentos em um só

Sona Racy – O Estado SP

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Eles já foram idênticos. Hoje, Gustavo e Otávio Pandolfo estão com visual diferente e não são mais chamados de grafieteiros. Otávio, de cabeça raspada, e Gustavo, com barba e cabelo compridos, formam a consagrada dupla de artistas plásticos osgemeos. Foi exatamente desta forma, com as duas palavras juntas em minúsculo, que eles se autobatizaram desde pequenos, quando já pintavam as paredes e muros da casa onde moravam no bairro do Cambuci, em São Paulo.

Embora muita coisa tenha mudado de lá para cá, o processo de criação da dupla é o mesmo. “Criamos juntos e executamos juntos, como se fôssemos a mesma pessoa. Nada de um questionar o que o outro faz”, conta Gustavo. Conflito é coisa impénsável para a dupla: “Eu sou a terapia dele e ele, a minha”, brinca Otávio. No caminho inverso da maior parte dos artistas, a primeira galeria a representá-los era de fora do Brasil – a Deitch Projects, de Nova York. Dentro do País, os dois mantêm exclusividade com a Fortes Vilaça.

Vai longe o tempo dos meninos que sonhavam em ser bombeiros e que precisavam sair à noite para pintar os muros da cidade. Hoje eles são convidados para expor em museus do mundo todo – ano passado fizeram um painel gigante na Tate Modern, de Londres. No momento, estão totalmente envolvidos com a exposição Vertigem, que abre sábado na Faap. Nela há um painel com mosaicos de 38 metros feito especialmente para a mostra – além de esculturas inéditas. E foi no meio desta montagem de 60 obras, que envolveu ajuda de mais de 10 profissionais, que a dupla conversou com a coluna.

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Como foi para vocês a transição da rua, de uma arte urbana, para dentro das galerias?
Gustavo: Foi muito natural. Não percebemos o que estava acontecendo. É claro que já existia uma vontade ocupar um espaço fechado, de criar um ambiente tridimensional. Porque na rua não podíamos fazer isso. Porque lá está tudo pronto. Já no ambiente fechado podemos colocar uma escultura, mexer com som, luz. Além de lidarmos com todos os sentidos. E o mais bacana de tudo isso foi que aconteceu sem pretensão. Não tínhamos a noção dessa grandeza.

Então vocês já tinham vontade de fazer esculturas?
Gustavo: Sim. A gente não trabalhava nessa direção ainda, mas já queríamos fazer. Construir. Quando fomos para galerias, isso se tornou possível. É incrível. As pessoas mexem na obra, entram no teu universo. Isso é o mais legal. Transformar. Para nós, fazer uma mostra não é simplesmente colocar uma tela em um espaço expositivo. Não conseguimos fazer isso. Mexemos no espaço inteiro.

Vocês podem dar um exemplo? Otávio: Nunca deixamos uma parede em branco. G: Fizemos um trabalho no CCBB do Rio, onde não havia mosaicos – no estilo em que estamos realizando nessa mostra da Faap. Eram só telas, mas pintamos a parede de rosa. Nunca conseguimos deixar algo só branco.

E como começaram a se envolver com a cultura do grafiti? G: Começamos nos inserindo na cultura hip-hop. Íamos para o Largo São Bento dançar break, por exemplo. Passávamos o tempo na rua. Porque o Cambuci é um bairro assim, em que as pessoas ficam na porta de casa batendo papo, as crianças jogando bola na rua.

Como era o relacionamento na rua, difícil? O: O relacionamento a era bom. O difícil foi, durante uma fase, a bandeira do grafite. Mostrar que essa manifestação é uma coisa legal para a cidade, que deveria ser feita de dia e não somente à noite.

Mas vocês ainda saem à rua para grafitar, ou os trabalhos de rua são na maioria das vezes encomenda?
O: Saímos para pintar na rua, às vezes, mas só por diversão.

O sucesso de vocês começou antes da Street Art entrar na moda. Vocês tiveram um padrinho que ajudou no começo da carreira? O: Acho que não. Foi fruto da nossa insistência em querer pintar sempre. Não pensávamos em viver de arte e ganhar dinheiro com isso, no começo.

Já trabalharam em outras coisas? G: Sim. Em funilaria, banco, em fábrica de picles, locadora. Trabalhávamos para ajudar em casa porque nossos pais eram separados e tínhamos que ajudar a nossa mãe.

E como é pintar a quatro mãos? O: Quando pintamos é como se fossemos uma pessoa. É tudo junto. Sempre foi e será assim.

Mas vocês não brigam?
O: Nunca. A gente não tem conflitos pintando. Um complementa o outro.

Vocês fazem terapia?
O: Eu sou a terapia dele e ele, a minha.

Mesmo com sucesso e sendo reconhecidos vocês conseguem manter a autonomia do trabalho que fazem?
G: Temos a total liberdade. Foi algo que conquistamos devagar. Hoje, se alguém quiser nosso trabalho é isso aí (aponta para as obras) que tem para comprar. Não foi fácil conquistar essa autonomia, especialmente no Brasil.

E vocês vendem tudo que produzem? Em quantos museus já têm obras? G:Não vendemos tudo. Fazemos acervo próprio. Mas em NY nossa galeria vende muito. O último que fizemos foi umtrabalho um grande para o Museu Nacional de Tokyo.

Qual é o melhor mercado para arte? G: O americano. Mas o do Brasil é bom também. Aqui tem muita gente que acompanha o nosso trabalho desde sempre e há muitos colecionadores.

E a crítica? Incomoda? G: Nós é que somos nossos críticos de arte. Não ligamos para o que escrevem da gente, mas para o que cada um de nós fala sobre o trabalho.

E a pichação? O: Não falamos de pichação porque é outro mundo. Não discriminamos porque faz parte da cidade, mas não falamos disso porque não tem nada a ver com o que fazemos.

E o que vocês discriminam? G: Sinceramente? Nada. O: Quem destrói a Amazônia, ou que está aí poluindo os rios.

E o spray de grafite não é nocivo para a camada de ozônio? O: Não tem mais CFC no spray que usamos. É especial para grafite.

Como nascem as criações? G: Não nascem, já existem. Só colocamos para fora. É como se fosse um filme que está na cabeça, ao qual foi dado um “pause”. As pinturas já existem lá dentro e estão em movimento. O: Nascem outras coisas, o trabalho, o relacionamento.

Quais são os projetos futuros? G: Temos um trabalho com o Plasticiens Volants, grupo francês que mescla teatro e arte cênica, num esquema ligado ao Ano da França no Brasil, para o fim do ano. Depois, vamos participar da Art Basel Miami. Além disso, temos exposições programadas em outras cidades como Milão, e também em Portugal.

DORIS BICUDO e MARILIA NEUSTEIN

06/08/2009 - 16:24h Belo Horizonte expõe a fotografia francesa desde sua origem

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© Foto de Brassaï. Lovers in a small cafe near the Place d´Italie, 1932.

 

O Palácio das Artes em Belo Horizonte apresenta do dia 7 de agosto a 7 de setembro, a exposição de fotografias 100 X França, na Galeria Genesco Murta. Com curadoria de Sophie Schmit (historiadora de arte, jornalista e curadora independente), a mostra leva aos visitantes um pouco da história da fotografia francesa, desde sua origem (1839) até os dias atuais. A exposição também faz uma homenagem a uma das primeiras repórteres fotográficas, a francesa Janine Niépce (1921-2007). As 100 imagens escolhidas integram o acervo de três das mais ricas coleções públicas de fotografias existentes no mundo: da Biblioteca Nacional da França, do Museu d’Orsay e do Centro Pompidou, em Paris. Cada uma das imagens é apresentada com um texto que conta a respectiva história da fotografia e do seu autor, da França, dos franceses e de Paris. Participam também o Ministério da Cultura, a Escola Nacional de Belas Artes de Paris, a Fundação Jacques Henri Lartigue, o Estate Brassaï, colecionadores particulares, fotógrafos, artistas ou os seus detentores de direitos autorais. A exposição 100 X França coloca lado a lado obras de gênios como Nicéphore Niépce, Louis-Adolphe Humbert de Molard, Gustave Le Gray, Charles Nègre, Eugène Cuvelier, os irmãos Bisson, Félix Nadar e Eugène Atget. Dos fotógrafos menos conhecidos, há produções de Édouard Baldus, Charles Marville, Auguste Collard e também cópias de amadores anônimos ou célebres como Jacques Henri Lartigue ou o conde Robert de Montesquiou. Exposição 100 X França. Período: 7 de agosto a 7 de setembro de 2009. Horário: segunda: 18h às 21h / terça a sábado: 9h30 às 21h / domingo: 16h às 21h. Local: Galeria Genesco Murta – Palácio das Artes. Avenida Afonso Pena, 1537, Centro. Entrada gratuita. Informações: (31)3236-7400. Fonte Images & Visions

20/03/2009 - 20:47h De flores e corpos

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Mito de la revolución homosexual de los años setenta y ochenta en los Estados Unidos, Robert Mapplethorpe fue un fotógrafo de estudio que buscaba la belleza que emana o que se puede descubrir en los cuerpos animados e inanimados.

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Patti Smith

Controlaba con extrema precisión las composiciones, las proporciones, los equilibrios, los enfoques, el blanco y negro, las sombras y la luz así como las posturas de los cuerpos, las actitudes, las texturas de las pieles y todo aquello que debía entrar en la fotografía pero también todo lo que debía quedar fuera de ella.

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Autorretrato 1
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Autorretrato 2

A 20 años de su muerte, la institución española Es Baluard la rinde homenaje con una retrospectiva formada por obras realizadas entre 1975 y 1989. En ellas se representan los principales temas trabajados por el artista: autorretratos, desnudos masculinos y femeninos, retratos de personajes célebres (Andy Warhol, Louise Bourgeois, Patti Smith, Grace Jones, etc.), fotografías de flores, de estatuas y escenas de sexo.

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Su obra y su vida eran un mismo manifiesto y esta fusión y la serena y perturbadora belleza que emanan sus fotografías lo convierten en uno de los precursores de la fotografía artística contemporánea.

Todas las fotografías reproducidas pertenecen a la Robert Mapplethorpe Foundation ©. O texto é de Cristina Civale, do blog Civilización & Barbarie

18/03/2009 - 07:38h Kassab gastou mais em publicidade que em obra antienchente

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São Paulo (SP) Resgate a populares ilhados na Avenida do Estado, os bombeiros utilizaram a Rua Almirante Pestana para executar o resgate. Estas pessoas estavam ilhadas e se refugiaram sobre um muro e mesmo assim a água estava acima da linha da cintura. O Casal se chama Carlos Alberto Martins e Lilian Cancian e o filho Cristian Martins.17/03/2009. Foto: Léo Barrilari/FotoRepórter/AE – fonte O Estado SP.

Até 15 de março, a prefeitura pagou R$ 19,3 milhões em propaganda e R$ 17 milhões em prevenção a enchentes

Já foram empenhados R$ 120,1 milhões para obras de combate a inundações neste ano; 35,5% do previsto no Orçamento

EVANDRO SPINELLI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A prefeitura gastou mais neste ano com publicidade do que com prevenção a enchentes.

Só para propaganda da gestão Kassab estão previstos R$ 32,2 milhões para o ano. Já foram gastos e pagos, entre janeiro e 15 de março, R$ 19,3 milhões, 59,96% do total. Os dados da execução orçamentária estão disponíveis no site da Secretaria de Planejamento.
Os números não consideram as despesas com impressão do “Diário Oficial” e a verba de propaganda da Câmara.

Já em prevenção a cheias foram gastos R$ 17 milhões, 5,02% do total para o ano. O valor se refere ao que foi pago. A administração já empenhou R$ 120,1 milhões para obras anti-inundações. O empenho é feito na contratação do serviço.

O Orçamento prevê R$ 338,5 milhões para obras de combate às enchentes neste ano. Até agora, a prefeitura empenhou 35,51% desse total. De publicidade, já foram empenhados 93,67% do total previsto. A prefeitura diz que a comparação entre as duas áreas é indevida.

Como precaução para uma possível queda de receita por causa da crise global, a gestão Gilberto Kassab (DEM) congelou R$ 5,5 milhões do Orçamento para 2009, 20% do total, até o final deste mês, quando a situação será reavaliada.

As obras contra enchentes não foram poupadas do congelamento. As que já estavam em andamento não pararam, mas a velocidade foi reduzida. As que ainda não tinham começado foram adiadas para depois de março e não está descartado que sejam canceladas. Já a verba de publicidade não sofreu alterações significativas.

Para o líder do PT na Câmara, João Antonio, Kassab prefere investir em propaganda a combater enchentes. “A publicidade foi o elemento principal na eleição do Kassab. A não ser o Cidade Limpa, tudo o que o Kassab fez foi factóide.”

João Antonio aponta que a prefeitura também peca pela falta de manutenção de bueiros e galerias. “Estamos vendo que pontos que nunca alagaram agora estão alagando. Não dá para culpar o aquecimento.”

outro lado

Prefeitura nega priorizar propaganda e diz que obras antienchentes são mais lentas

DA REPORTAGEM LOCAL

A Prefeitura de São Paulo afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que parte dos gastos com publicidade deste ano foi usada justamente na prevenção de enchentes.
De acordo com a prefeitura, as campanhas publicitárias destinadas a alertar os moradores sobre as formas de prevenir enchentes consumiram R$ 5,5 milhões em 2009.
Também foram gastos R$ 4,7 milhões em campanhas de prevenção à dengue, R$ 2,7 milhões para informar sobre o envio das notificações de IPTU e R$ 3,4 milhões para divulgar a Nota Fiscal Eletrônica.
Para a prefeitura, a comparação entre gastos com publicidade e com obras antienchente é indevida porque são áreas com características diferentes.
O governo alega que, enquanto as despesas com publicidade são planejadas anualmente de acordo com as possibilidades orçamentárias, os investimentos em combate a enchentes são cumulativos e que foram gastos R$ 334 milhões de 2005 a 2008 nesta área.
Além disso, informou a prefeitura, parte dos gastos com publicidade podem ser referentes a pagamentos de serviços prestados no ano passado com vencimentos neste ano. Como as obras de combate às enchentes são mais lentas, por isso haveria essa distorção. O governo nega que dê prioridade aos gastos com propaganda.
A prefeitura confirma que já pagou R$ 19,3 milhões neste ano referentes a despesas com publicidade. Outros R$ 3 milhões foram gastos pela Câmara Municipal, ou 21,12% do total previsto para o órgão.

12/03/2009 - 17:02h Na mira

Suíça radicada no Brasil, Mira Schendel (1919-1988), artista que “reinventou a arte a partir da língua”, ganha retrospectiva no MoMA, individuais em Londres e SP e vira tema de três novos livros

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Obra sem título da série “Objetos Gráficos” (1967), de Mira Schendel, que está na mostra do MoMA

 

  SILAS MARTÍ – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Uma frase solta, inconclusa, resume o retorno. Num dos quadros que abrem sua megarretrospectiva no Museu de Arte Moderna de Nova York, Mira Schendel escreveu discreta: “Agora que estou de volta”.
Era uma alusão ao retorno de Aquiles da batalha que travou. Mas, exposta na primeira sala da mostra que o MoMA abre no dia 5 de abril, serve de prelúdio à volta de uma artista que morreu sem atingir o reconhecimento internacional que está prestes a ganhar. Embora tenha participado de nove edições da Bienal de São Paulo, sendo eleita até parte da “santíssima trindade” da arte brasileira, Schendel nunca foi tão valorizada pelo mercado.
Além de “Tangled Alphabets”, mostra que reúne 200 obras para refazer os passos da artista e do argentino León Ferrari, em Nova York, a galeria Millan abre, na próxima quarta, em São Paulo, individual com 20 de suas monotipias, as gravuras que fazia em papel japonês. Em maio, a galeria Stephen Friedman, de Londres, também abre espaço para uma individual da artista.
No embalo das exposições, o mercado editorial se prepara para lançar farto material sobre o legado da artista que passou a vida tentando “imortalizar o fugidio” e “congelar o instante”, como dizia em seus diários.
Nascida na Suíça, em 1919, Schendel se mudou para o Brasil quando já tinha 30 anos, formada em Zurique e numa escola preparatória da Itália.

Orgias de letras

Nômade, falava mal quase todas as línguas que usava para se expressar, as mesmas que apareciam em seus desenhos-poemas -chegou a fazer cerca de 5.000 deles para amigos e conhecidos, passando ao largo do mercado, que a valorizou só depois da morte, em 1988.
Se em vida suas monotipias eram distribuídas ao acaso, vendidas às vezes por US$ 100, ela hoje é uma das artistas mais disputadas da cena brasileira, com trabalhos arrematados por mais de US$ 1 milhão.
“Só nos últimos anos conseguimos pôr a obra da Mira nas melhores coleções do mundo”, diz André Millan, 48, galerista que cuida do espólio da artista.
Depois da explosão conceitual e das formas geométricas dos concretos paulistas e cariocas, Schendel foi uma das primeiras no país a injetar forte carga subjetiva em suas obras, deixando ver suas obsessões na folha transparente de papel.
“Ela reinventa a arte, com base na língua”, resume Luis Pérez-Oramas, 48, curador da mostra no MoMA, em entrevista à Folha. “É a língua não como instrumento, mas como encarnação material da voz.”
Suas “pequenas orgias de letras flutuando no espaço”, como descreve Pérez-Oramas, tentam refletir o turbilhão de ideias que estudou à exaustão.
“A vida imediata é só minha, incomunicável, sem significado ou propósito; o mundo dos símbolos é antivida, vazio de emoção e de sofrimento”, escreveu Schendel. “Se pudesse juntar os dois, teria a riqueza da experiência com a permanência relativa do símbolo.”
Tentando mostrar esses dois lados, Schendel recorria às folhas transparentes, criando uma espécie de porta de entrada para os próprios pensamentos, já que a palavra tinha de mostrar “o maior número de faces para ser ela mesma”.
Talvez por essa obsessão, as obras também vão perdendo o peso da tinta e ganhando a leveza dos vazios, de palavras e letras soltas. Depois das naturezas-mortas dos anos 50, ela partiu para as monotipias, obras em acrílico e instalações.
No MoMA, Pérez-Oramas separa as pinturas mais tradicionais das instalações que vêm depois, como “Trenzinho”, uma série de folhas penduradas em sucessão, as “Droguinhas”, retalhos trançados de papel japonês, e “Ondas Paradas de Probabilidade”, rede de fios translúcidos juntos de uma citação da Bíblia.
Quanto mais abstrata a obra, mais presente parece estar a artista. “Há uma clara consciência da arte como corpo”, diz Pérez-Oramas. “É um encontro de corpos, uma forma de romper com a hierarquia, talvez uma metáfora para a voz impossível de Deus.”

27/02/2009 - 09:54h Kassab vai manter lago poluído

Gabriela Gasparin do Agora

Sob descontentamento dos frequentadores do parque da Aclimação, a prefeitura voltará a encher o lago da área verde amanhã sem a retirada do lodo e lixo acumulados no fundo do ex-lago. O material, além de malcheiroso, transmite doenças à população.

O lago esvaziou na segunda-feira após o vertedouro (equipamento que controla o nível de água do lago) ter a base rompida durante um temporal. Animais morreram.

O Prefeito Gilberto Kassab (DEM) disse que o motivo da tragédia não foi falta de manutenção, mas a pressão que a água da chuva provocou no equipamento.

O reparo da base do vertedouro deve ser finalizado hoje pela empresa contratada emergencialmente por cerca de R$ 160 mil. Será feito o encaixe de um tubo de concreto na base rompida e o lago voltará a ser enchido.

Kassab disse anteontem que não haverá a necessidade de retirar o lodo antes de encher. Segundo o prefeito, o material será removido com o lago já cheio, quando será colocado um novo vertedouro e as galerias da região serão revistas. A previsão do prefeito é que essa etapa esteja concluída em até 10 meses por causa da licitação. Kassab disse que a obra já estava prevista antes da tragédia e estava orçada em R$ 20 milhões.

Descontentamento
A ideia de colocar água sobre o lamaçal que restou do que era um lago, entretanto, não agradou nem um pouco os frequentadores do parque.

Indignada, a população quer que o material seja retirado antes de encher o lago de novo. Além de peixes mortos que provocarão mal cheiro, há pneus, bacias, entulho, pedaços de madeiras e garrafas no lodo.

A Assuapa (Associação dos Usuários e Amigos do Parque Aclimação) fará um movimento amanhã exigindo a retirada do lodo antes de o lago encher. “Aconteceu uma tragédia, a prefeitura não tem que ficar fazendo licitação para a retirada do lodo”, disse o diretor da entidade, Roberto Casseb. A associação pretende montar um conselho para a recuperação do lago.

Ontem pela manhã, a sujeira do lago seco prendia a atenção visitantes do parque, que paravam para assistir à cena. “Eu queria saber como que essa sujeira entrou aqui. Podia aproveitar que o lago secou para tirar a lama”, disse a atendente Solange Guimarães, 28 anos, que visitava o parque na tarde de ontem.

O lodo do parque pode transmitir doenças, como hepatite e leptospirose, às pessoas, segundo o infectologista Paulo Olzon. O zootecnista da Unesp (Universidade do Estadual Paulista) disse que, apesar de não fazer mal aos peixes, é correto retirar o lodo do fundo do local onde havia o lago.

27/02/2009 - 09:42h 4 anos mais tarde…

Ontem formulei aqui algumas perguntas sobre os problemas de manutenção do lago do Parque da Aclimação. O lago seco do engenheiro Kassab

“Em 2005, o então prefeito José Serra soltou um decreto autorizando as empresas privadas a “assumirem” a manutenção dos lagos dos parques municipais. Os quatro parques visados pelo decreto eram: Ibirapuera, Aclimação, Carmo e Cidade de Toronto. As empresas deveriam, segundo o decreto de Serra, cuidar de poluição da água, erosão ribeirinha, vegetação local, assoreamento dos lagos, fauna aquática, avaliação de qualidade da água e campanhas que estimulem a participação da população na conservação dos lagos. Em troca fariam a publicidade nos locais.

Que fim recebeu o decreto? Quais empresas assumiram “cuidar” do lago?

Segundo a Folha de São Paulo da época “Um relatório com a atual condição desses lagos e as medidas de manutenção e recuperação necessárias em cada um deles deve ser publicado pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) em 120 dias.” (Folha SP 10/8/2005).

O relatório foi feito? Quais foram suas conclusões?”

Segundo o jornal O Estado SP a prefeitura produziu um relatório em 2006 identificando os problemas. Aparentemente a lista é a mesma que figurava no decreto de Serra em 2005. Segundo o Estado SP nenhuma empresa assumiu cuidar do lago e o jornal não consegue saber se a prefeitura cuidou do que seu próprio diagnostico considerava problemas à resolver.

Como para evitar que estes e outros elementos provantes do desfuncionamento da administração demo-tucana veiam a luz do dia, Kassab quer encher o lago rapidamente sem proceder a remoção do lodo contaminado, nem a limpeza da sujeira acumulada e isto contrariando opinião de técnicos ouvidos pela imprensa.

Kassab está preocupado com o cheiro de podre que emana do lago seco. Para esconder o cheiro, quer pressa para pôr água encima.

O acidente deveria servir para passar a limpo o tratamento dado pela prefeitura durante estes 4 anos, questão de pelo menos alguma coisa ficar limpa depois do ocorrido, já que aparentemente o lago continuará com o lodo contaminado e o fundo sujo. LF

Prefeitura identificou problemas na área em 2006

Vitor Sorano – O Estado SP

Um relatório da Prefeitura de São Paulo divulgado em 2006 apontava a necessidade de cinco “intervenções” no Lago da Aclimação – que se esvaziou na segunda-feira. Dentre elas estava a promoção de “mecanismos de manutenção do volume de água”. A Secretaria do Verde e Meio Ambiente não informou quando e como esses serviços foram realizados nem quanto foi gasto.

O Relatório Preliminar do Estado dos Lagos dos Parques Municipais de São Paulo – no qual constam as intervenções necessárias – foi elaborado pela atual gestão para subsidiar convênios com entidades públicas e privadas. O objetivo do prefeito Kassab (DEM) era passar a responsabilidade por cuidar dos lagos de parques públicos a terceiros. Nenhuma parceria, porém, foi fechada para o caso da Aclimação.

Além da manutenção do volume de água, o relatório ainda cita a necessidade de recomposição da flora à beira do lago. “Em áreas ao redor ocorre ausência da vegetação, provocando erosão”, diz o documento. Também são previstos o diagnóstico da profundidade do lago e das características do lodo ao fundo.

As obras de melhoria no lago são feitas há cerca de um ano, segundo a Prefeitura. A primeira e a segunda etapas – que incluem a despoluição do Córrego Pedra Azul e a retomada da circulação de água – já foram concluídas. A terceira etapa, que entrará em fase de licitação, prevê a retirada do lodo e a construção de um novo vertedouro. Após a licitação, a obra deve ser concluída até o fim do ano. Dessa forma, a capacidade vai aumentar de 70 milhões para 110 milhões de litros.

27/02/2009 - 09:12h Lodo contaminado de lago vaza para as ruas da Aclimação

Lama e peixes mortos vieram de bueiros; prefeito admite que sujeira pode até fazer mal

Marcela Spinosa e Mônica Cardoso – O Estado SP

Pelo menos três ruas vizinhas do Parque da Aclimação, na região central de São Paulo, amanheceram ontem com lama e peixes mortos. A sujeira subiu pelos bueiros, por onde passa a galeria de água pluvial. A tubulação sai do vertedouro, que rompeu segunda-feira e sugou, em menos de uma hora, a água do lago. Sem a “tampa”, a sujeira escoou pela estrutura, com a chuva de anteontem. Segundo a Prefeitura, o refluxo da água pelo bueiro pode ter sido causado pela própria galeria, que não suportaria o volume de água.

Os moradores receiam pegar algum tipo de doença se entrarem em contato com o lodo, uma vez que o lago recebeu esgoto até 2007, quando foram fechadas 42 ligações clandestinas. O prefeito Gilberto Kassab admitiu que o material está contaminado. Para o professor de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo, Paulo Ozon, é preciso evitar o contato. “As pessoas que entraram em contato com o lodo podem desenvolver leptospirose e salmonelose (doenças causadas por bactérias). Elas devem procurar o médico e fazer uso de antibióticos.”

Os sintomas da leptospirose incluem febre alta, dor de cabeça forte, calafrio, dor muscular, vômito, olhos e pele amarelada, dor abdominal, diarreia e erupções na pele. Os sintomas mais comuns da salmonelose são diarreia, febre, cãibras estomacais, náusea, vômitos e dores de cabeça.

Apesar de estarem acostumados com enchentes, os moradores das Ruas Oscar Guanabarino, Maracaí e Albina Barbosa nunca imaginaram que veriam as vias com lodo. “Jorrava pelo bueiro. Parecia um poço de petróleo de tão escura que a água estava”, afirmou a aposentada Neide Moraes Fera, de 63 anos. Ela disse que a chuva durou cerca de 20 minutos, mas foi suficiente para deixar marcas de quase 1 metro de altura nas paredes. E pelo menos 17 rachaduras abriram no asfalto da Albina Barbosa, por onde passa a tubulação.

OBRA

Para evitar que o lodo do lago da Aclimação caia no vertedouro, a empresa Épura, responsável pelo conserto da estrutura, cercou ontem com pedaços de madeira o buraco por onde a água do lago escoa. A reconstrução da parte danificada deve começar hoje. No interior da estrutura será colocado um tubo de concreto, que pesa 2.300 quilos.

23/02/2009 - 16:30h A arte na crise

Análise/Artes plásticas

Crise exige mudança no mercado

É mais uma vez hora de os artistas terem outros empregos convencionais;

o segredo é fazer deles uma fonte de energia

HOLLAND COTTER DO “NEW YORK TIMES’  - FOLHA SP

N o ano passado, a revista norte-americana “Artforum” possuía a espessura de uma lista telefônica, com edições de cerca de 500 páginas, a maioria das quais com anúncios de galerias. A edição atual tem pouco mais de 200 páginas. Muitos anúncios desapareceram.
Com sua reputação duradoura de transações pouco claras e valores inchados, o mercado de arte contemporânea é um organismo vulnerável, tradicionalmente atingido dura e precocemente por qualquer mal-estar econômico. É o que está acontecendo agora. As vendas desaparecem no ar. Carreiras estão minguando. Aluguéis em Chelsea estão sem pagar. O boom que havia deixou de existir.
A diminuição não foi quantitativa, de maneira alguma. Nunca antes houve tanto produto. Nunca antes o mundo americano das artes funcionou com tanta eficiência como indústria de marketing no modelo corporativo, dotada de todos os serviços necessários.
Todos os anos, escolas de arte em todo o país produzem milhares de formandos preparados para o sucesso, gente a quem caberá fornecer produtos desejáveis para as galerias e casas de leilões. Eles contam com o respaldo de hostes de especialistas em relações públicas (também conhecidos como críticos, curadores, editores, publishers e teóricos de carreira), que fornecem informações atualizadas e pontuais sobre o que significa “desejável”.
Muitos desses especialistas fazem parte, direta ou indiretamente, da folha de pagamentos dessa indústria, que é controlada por outro conjunto de profissionais: os marchands, corretores, assessores, financistas, advogados e (figuras cruciais nesta era de feiras de arte) planejadores de eventos, que representam a divisão de marketing e vendas da indústria.
São essas as pessoas que vasculham as escolas de arte, identificam talentos novos, orientam carreiras e, por meio de algum cálculo inescrutável, determinam o que vai vender -e por qual valor.
Não que esses departamentos sejam separados de qualquer maneira: as divisórias éticas não fazem o estilo dessa indústria. Apesar da profissionalização da década passada, o mundo da arte ainda gosta de enxergar-se como um grande e único barco do amor. Noite após noite, críticos e colecionadores consomem jantares pagos por marchands que estão promovendo artistas, ou museus que estão promovendo exposições, com todos juntos à mesa, bajulando uns aos outros, trocando ideias e farpas, pesando as vibrações.
E onde está a arte em tudo isso? Proliferando, mas enfraquecida. A “qualidade”, definida primariamente como habilidade formal, está em voga outra vez, como parte integral de um revival conservador -alguns diriam regressivo- da pintura e do desenho. E ela nos vem dando uma enxurrada de desenhos bem feitos, esculturas engenhosas, fotografias meticulosas e espetáculos cuidadosamente encenados, cada um baseado nos mesmos elementos fundamentais: uma ideia única, embutida no trabalho e exposta na declaração de um artista, e um visual ou estilo feito para captar a atenção tanto quanto o refrão numa canção de rock.
As ideias não variam muito. Durante algum tempo, ouvimos muito sobre o radicalismo da beleza; mais recentemente, sobre a política subversiva da ambiguidade estetizada. Seja o que for, é tudo alimento para o mercado. A tendência chegou a um nadir na véspera da eleição presidencial, quando, com fanfarra triunfalista, o New Museum, em Nova York, expôs uma pintura de Michelle Obama feita por Elizabeth Peyton e a acrescentou à retrospectiva da artista. O intuito promocional da exposição era evidente. E a grande declaração política? Que o establishment das artes votara no partido Democrata.

Expectativas
Os estudantes que ingressaram na escola de arte alguns anos atrás provavelmente terão que sair dela com expectativas drasticamente modificadas. Eles terão que se considerar com sorte se tiverem as facilidades profissionais hoje vistas como algo garantido e certo: a exposição solo numa fase precoce da carreira, as vendas iniciais, a possibilidade de poder viver de sua arte.
Hoje nos EUA é mais uma vez hora de artistas terem outros empregos convencionais para sobreviver, e tudo bem. Os artistas sempre tiveram esses empregos (Van Gogh foi pregador; Pollock, assistente de garçom) e os terão novamente. O segredo é fazer deles uma fonte de energia, e não algo que cansa e exaure.
Ao mesmo tempo, os artistas também poderão tomar conta da fábrica e tornar deles a indústria da arte. Coletiva e individualmente, poderão customizar os equipamentos, alterar os modos de distribuição, ajustar ritmos de produção de modo a permitir crescimento orgânico e mudanças de rumo e objetivo. Poderão fantasiar e se concentrar. Poderão fazer nada por algum tempo, ou fazer alguma coisa e fazê-la errada, poderão fracassar em paz e recomeçar.

Escolas
As escolas de arte também poderão mudar. A meta atual dos programas de ensino prático parece ser estreitar o talento até aguçá-lo para que possa penetrar agressivamente na arena competitiva. Mas, com os mercados incertos, possivelmente inexistentes, por que não afrouxar esse modo?
Por que não fazer do treinamento em ateliês uma experiência interdisciplinar, que se entrecruze com sociologia, antropologia, psicologia, filosofia, poesia e teologia? Por que não embutir em seu programa de estudos um semestre de estudos e trabalho que tire os estudantes totalmente do mundo das artes e os insira em lugares como hospitais, escolas e prisões, às vezes em ambientes extremos -ou seja, na vida real?
Mudanças como essas exigiriam novas maneiras de pensar e escrever sobre a arte, de modo que os críticos teriam que voltar à escola, faltar a algumas festas e mergulhar nos livros e na internet. A discussão sobre a “crise na crítica” percorre o mundo da arte periodicamente, sugerindo uma nostalgia pelos criadores de gosto à moda antiga, como policiais do trânsito.
Mas, se existe uma crise, não é uma crise de poder; é uma crise de conhecimento. Para dizê-lo em palavras simples, não sabemos o suficiente sobre o passado ou sobre quaisquer outras culturas exceto a nossa.
O século 21 quase certamente verá mudanças modificadoras de consciência no acesso digital ao conhecimento e na moldagem da cultura visual. O que os artistas farão com isso?
Será que a indústria da arte vai continuar a agarrar-se ao status analógico tradicional da arte, insistir que o objeto material, comprável é a única forma de arte verdadeiramente legítima, que é o que fez realmente o revival da pintura? Ou os artistas -e os professores e críticos- vão nadar para uma terra que ainda é difícil de localizar nos mapas e fazer dela seu lar e seu local de trabalho?


Tradução de Clara Allain TRECHO

Apesar da profissionalização da década passada, o mundo da arte ainda gosta de enxergar-se como um grande e único barco do amor. Noite após noite, críticos e colecionadores consomem jantares pagos por marchands que estão promovendo artistas, ou museus que estão promovendo exposições, com todos juntos à mesa, bajulando uns aos outros, trocando ideias e farpas, pesando as vibrações. E onde está a arte em tudo isso?

18/02/2009 - 15:55h Images & Visons

São Paulo recebe exposição que traz novas abordagens do nu artístico

 

 

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© Foto de Mitch Epstein. From The City. Nova York, 1997.

O corpo nu e sua representação na arte moderna e contemporânea é o tema da mostra “Nus”, que está sendo exibida em duas galerias de São Paulo. A Galeria Fortes Vilaça e a Galeria Bergamin expõem obras de 57 artistas, em linguagens que vão da fotografia à escultura, retrabalham o tema da representação do corpo humano, presente na arte desde os primórdios de sua história. Alguns trabalhos de fotógrafos participam da mostra, como o de Mario Testino , que retratou Fernanda Lima inteiramente nua, no Rio de Janeiro, em 2004, imagem que está sendo mostrada na Galeria Fortes Vilaça. Já na galeria Bergamin , o brasileiro Vik Muniz exibe uma versão contemporânea de um quadro impressionista de Paul Gauguin. Até 04 de abril de 2009. Galeria Fortes Vilaça: rua Fradique Coutinho, 1.500, Pinheiros, tel. (11) 3032-7066 – Galeria Bergamin: rua Rio Preto, 63, Cerqueira César, tel. (11) 3062-2333.

13/02/2009 - 17:41h Fotógrafo norte-americano vence o World Press Photo 2009. Brasileiros são premiados

Blog Imagens&Visions

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© Foto de Anthony Suau. Policial faz uma inspeção em uma casa de Cleveland, após os proprietários serem despejados. EUA.
2008.
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© Foto de Luiz Vasconcelos. Indígena tenta conter um batalhão de policiais em uma disputa por terras. Brasil.
2008.

 

Saiu o resultado do World Press Photo 2009, uma das mais importantes e prestigiadas premiações de fotografia do mundo. O fotógrafo norte-americano Anthony Suau foi o grande vencedor com a imagem que mostra um policial fazendo uma inspeção em uma casa de Cleveland, após os proprietários serem despejados, a foto faz parte de uma reportagem publicada em março de 2008 pela revista Time. O fotógrafo brasileiro Luiz Vasconcelos ficou em primeiro lugar na categoria General News com a imagem de uma indígena que tenta conter um batalhão de policiais em uma disputa por terras. A foto premiada foi publicada originalmente no jornal A Crítica, de Manaus (AM). Além de Vasconcelos, outros dois brasileiros foram reconhecidos pelo prêmio. Eraldo Perez, da agência Associated Press, recebeu menção honrosa na categoria “Cotidiano” por uma foto que mostra pessoas em volta do corpo de Thiago Franklino Lima, na favela do Coque, no Recife. Já André Vieira, da “Focus Photo und Presse Agentur”, ficou em terceiro lugar na categoria “Artes e Entretenimento” por um registro do estilista angolano Xhunos, feita em Luanda. Desde 1955, a missão da fundação holandesa que organiza o concurso é encorajar o fotojornalismo. A competição recebeu este ano o número recorde de 5019 candidatos, de mais de 125 países – 12,5% a mais que o ano passado. Veja a galeria de fotos premiadas no World Press 2009

13/02/2009 - 16:15h Índia está na moda

Empieza a estarlo, al menos, en el arte contemporáneo.

Ayer se inauguró ARCO, la ya tradicional feria de arte contemporáneo de Madrid, que tiene este año como país invitado precisamente a la India.

En el apartado llamado inconfundiblemente Panorama India un centenar de artistas de ese país exhibe por primera vez en Europa parte de su obra a través de 13 galerías curadas por Bose Krishnamashari.

Si hace unos años, fue tiempo de China, los comienzos de este nuevo siglo parecen conjugarse con las obras que proceden de Bombay y Nueva Delhi.

Así lo expresa Subodh Gupta (Khagaul, Bihar, 1964), artista estrella de ARCO 09, en una entrevista con la periodista española Fietta Jarke: “En los últimos cinco años ha aumentado la actividad del arte contemporáneo en la India, y en los últimos dos años parece haberse disparado hacia el exterior. Después del auge del arte chino, los ojos están ahora en India. Están pasando muchas cosas. Han surgido artistas muy interesantes, especialmente en Delhi y Bombay, también en Bangalore y Baroda, la llamada Escuela de Baroda. Es un país enorme, aunque no se ha empezado a cultivar el arte al estilo occidental hasta hace poco tiempo. En comparación con Europa y América, somos muy pocos, apenas un centenar. Y por eso nos conocemos casi todos. En ese sentido, India aún tiene que ir muy lejos (…) Suceden cosas muy extremas en la India y muchos de los artistas las reflejan en sus obras. En lo político también hay mucha tensión con lo que sucede en Pakistán, en el golfo Pérsico o en Oriente Próximo.

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Very hungry god (2006), Subodh Gupta

Yo no hago arte político, aunque subconscientemente tampoco puedo evitarlo. Se filtra en mi obra y en la de muchos otros artistas indios. Estamos conectados a las noticias y a Internet todo el tiempo. Toda la elección de Obama se vivió con tanta o más intensidad y entusiasmo en India y en otros países que en EE UU. Hasta mi hijo pequeño se alegró. ¿Qué está pasando? Así es que debo decir que existe mucho interés en el mundo por el momento presente en el mundo. Es una época para trabajar duro y no quedarse atrás”.

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Perspectivas de Booth B20, Instalación

Más sobre ARCO 09 aquí.

Cruzando de modalidad expresiva, otro síntoma de India y su apogeo en el arte contemporáneo es la película Slumdog Millionaire dirigida por Danny Boyle -el mismo director de Transpoiting- que narra la historia de un chico indú que creció en la calle y que a golpe de puro conocimiento empírico contesta las complicadas preguntas de un programa de tevé para convertirse en millonario y lo consigue cuando nunca nadie antes lo había conseguido.

La peli, nominada al Oscar como mejor película, es de realización independiente y generó gran revuelo en India. Artistas de aquél país se quejan porque consideran que Boyle pinta la pobreza con la frivolidad del color local de un extranjero; otros consideran que es una gran ayuda para desnudar que en India no sólo hay vacas sagradas, spas Oshas, playas exóticas tipo Goa y madres Teresas ayudando a los desvalidos.

Aquí el trailer:

Civilización & Barbarie

18/01/2009 - 16:43h Genaro de Carvalho

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Jardins, Genaro de Carvalho

 

 

 

 


Painel Festas Regionais. Pintura mural a tempera. Genaro de Carvalho. Salvador, 1950. Hotel da Bahia.

 


A Martiniquenha. França, óleo s/ tela.Dec. 50. Genaro. Roberto Alban Galeria de Arte.

 

 

Nuzinho do gato preto. Téc. mista s/tecido, 1969.
Genaro. Cat. Renot 2003.


Sem título. Desenho, dec. 1950.Genaro. Catálogo de exposição Galeria Quirino, 1965

 

 

 

 

 

Jardim abstrato. OBJETO

 

 

Série Mulatas. Óleo s/ tela. Dec. 1970.

 

A Francesa de Bruges – Nicole. Óleo sobre tela. França, dec. 1950. Genaro.
Roberto Alban Galeria de Arte.

13/12/2008 - 13:28h Presa no vazio

Artistas de diversas áreas criticam a prisão da jovem Caroline Pivetta da Mota, que pichou o pavilhão da Bienal de São Paulo

Choque – 26.out.08/Folha Imagem

Caroline Sustos, 24, presa durante invasão de pichadores na abertura da Bienal

LUCAS NEVES e SILAS MARTÍ – FOLHA SP

Embora tenha fechado as portas há uma semana, continua sem desfecho a 28ª Bienal de São Paulo. Caroline Pivetta da Mota, 24, presa em flagrante quando participou da invasão dos pichadores ao pavilhão do Ibirapuera, no dia de abertura da mostra, completava ontem 49 dias encarcerada.
Uma decisão da Justiça [após o fechamento desta edição] poderia soltar a pichadora, conhecida como Caroline Sustos, mas, mesmo que ela venha a responder em liberdade, o episódio já desencadeou uma onda de debates e ações de protesto que abalou o meio artístico.
O diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa chegou a classificar o caso como “coisa de AI-5″. A maioria dos artistas, críticos e curadores ouvidos pela Folha também critica a Fundação Bienal e os curadores Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen pelo que classifica de silêncio, omissão e a perda de uma oportunidade para um debate mais amplo sobre o caso.
Dirigentes de instituições culturais e representantes do poder público também se manifestaram sobre o fato. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, vê exagero na prisão. O governador José Serra diz que não pode intervir.
Está marcada para amanhã em São Paulo uma reunião de artistas para discutir a natureza da ação dos pichadores. Também circula na internet um abaixo-assinado a favor da liberdade de Mota. Até o início da tarde de ontem, reunia 233 nomes. Entre eles, os dos artistas Laura Lima, Renata Lucas, Angelo Venosa, Carlito Carvalhosa e Thiago Rocha Pitta; e os dos curadores Luiz Camillo Osorio, Cauê Alves, Marcelo Rezende e Lisette Lagnado.
Mota, que fez aniversário ontem dentro de uma cela, participou de “ataques” coordenados à galeria Choque Cultural, em Pinheiros, e ao Centro Universitário Belas Artes. Enquadrada no artigo 62 da Lei do Meio Ambiente, por destruição de patrimônio cultural, pode pegar até três anos de prisão.

“É uma tática terrorista”, diz Ivo Mesquita

DA REPORTAGEM LOCAL

O curador da 28ª Bienal Ivo Mesquita rebate as acusações de silêncio e omissão, dizendo que já se manifestou sobre o ocorrido, mas reafirma que não cabe à curadoria realizar qualquer intervenção a favor da pichadora.
“A curadoria não pode fazer nada, nem deve fazer nada”, diz Mesquita. “A curadoria é um serviço terceirizado, que a Bienal contrata apenas para fazer um projeto.”
Mesquita classifica a ação dos pichadores como “arrastão”. “Uma coisa é grafiteiro, pichação; outra coisa é uma tática terrorista de arrastão, 40 a 50 pessoas, com um histórico nada bom, que invadem lugares como a Belas Artes e a Choque Cultural e destroem obras de arte.”
Sobre uma possível intervenção a favor do relaxamento da prisão de Caroline Pivetta da Mota, Mesquita concorda com boa parte dos artistas e curadores ao dizer que “a pena é pesada”, mas descarta a possibilidade de tomar qualquer tipo de ação. “Eu não sei o que a curadoria tem a ver com isso.”
Procurada pela reportagem, que ligou diversas vezes para seu telefone celular e deixou recados a dois de seus assistentes, que afirmaram que ela estava ciente dos pedidos de entrevista, Ana Paula Cohen não se manifestou.
O presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Manoel Francisco Pires da Costa, que concordou em dar entrevista por e-mail, ignorou boa parte das questões enviadas pela reportagem, limitando-se a uma resposta de um parágrafo, em que voltou a lamentar “profundamente” o ocorrido, “bem como a situação por que passa a jovem”.
“No entanto, nosso corpo jurídico está à disposição da advogada da jovem para contato”, diz Pires da Costa. “Entendo que, se de fato trata-se de ré primária, o caso poderia ter tratamento diferenciado”, afirma.
Pires da Costa também ressaltou, no entanto, que “não há como intervir diretamente”. “A jovem cometeu crime contra o patrimônio público tombado e em flagrante delito.” (LN e SM)

08/12/2008 - 15:15h O diário livre de Tomie Ohtake

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Artista, aos 95 anos, abre hoje mostra individual com pinturas e esculturas realizadas em 2008

Camila Molina – O Estado SP

Cada dia é um dia diverso – todos bem sabemos – e na exposição que Tomie Ohtake inaugura hoje na Galeria Nara Roesler cada uma de suas recentíssimas pinturas comprova essa verdade simples. “A vida tem muitos acontecimentos, alegres e tristes. A vida mesmo transforma a forma e a cada dia há uma cor diferente. Mas o sentimento vem do mesmo lugar”, afirma, à sua maneira essencial, a artista, que brinca ser a mostra uma espécie de “diário de Tomie Ohtake” já que as obras, realizadas em 2008, são diferentes entre si assim como simplesmente são os dias. É curioso ver a heterogeneidade do conjunto – desta vez, nenhuma das telas tem o simbólico grande círculo solitário que se fazia presente nas obras de sua última individual na galeria. Tomie Ohtake, que acaba de completar 95 anos, em novembro, recusa a idéia de manter uma forma como se fosse a de mais uma fase em sua trajetória. “São totalmente livres”, diz, sobre seus novos trabalhos. Se mais uma vez é possível fazer uma metáfora de referência à sua origem japonesa, novamente a mostra de Tomie vem como se fosse uma onda da gravura ukiyo-e de Hokusai para nos mostrar que sua obra não está estagnada, se renova e surpreende mais uma vez o espectador.

Suas novas telas estão repletas de elementos, algumas com menos, outras, com mais. As cores também são bem diversas – há azuis, vermelhos, tons terrosos, tantos outros -, mas há uma força que parece unir todos os trabalhos, a linha (branca) que se faz, como define o curador Agnaldo Farias, a grande protagonista das histórias do diário de Tomie. Porque ela até mesmo aparece na exposição em sua forma tridimensional, em esculturas feitas com aço tubular que convivem, pela primeira vez na trajetória da artista, com suas pinturas dentro de uma mesma exposição. As “esculturas lineares” parecem brotar do teto, saem das paredes, florescem do chão. E tudo convive no mesmo espaço naturalmente formando, afinal, um movimento contínuo entre todas as obras.

Tomie conta que como este é o ano de comemoração do centenário da imigração japonesa no Brasil, ela – uma das mais reverenciadas artistas no cenário brasileiro, que chegou ao País na década de 1930, aos 22 anos – foi convidada a realizar seis obras públicas (entre elas, em São Paulo, Santos e Guarulhos), além de tantos outros projetos. “A escala pública é diferente”, diz Tomie, que mesmo assim não parou de criar, com agilidade, pelos vários tentáculos dos gêneros artísticos (mas, de alguma maneira, o pensamento escultórico marcou presença nos dias da artista). Para ela, a escala não é problema, como define – ir do terreno do monumental para o mais íntimo faz parte de sua desenvoltura artística -, e, sendo assim, criou, nesses últimos tempos intensos, as obras públicas, as esculturas lineares menores e pinturas – que vemos agora – e ainda, conta, um grande conjunto de gravuras, que será exibido em outra ocasião.

Dentro desse campo de “elogio da linha”, como define Agnaldo Farias, as pinturas e esculturas não entram em confronto na atual exposição. “Na escultura, naturalmente, a forma é mais rígida, mas essa, para mim, é sempre só linha, é livre”, reforça mais uma vez Tomie, que não reconhece em seu gesto de criação nem mesmo o toque oriental a que poderíamos fatalmente reduzir sua obra por sua origem japonesa. A artista, nascida em Kyoto e que só tardiamente começou a se dedicar à arte, aos 39 anos, já caminhou por tantas vertentes – da figuração à abstração – mantendo sempre independência e liberdade. “A presença das duas modalidades expressivas freqüentadas por Tomie Ohtake reforça a propriedade de seus gestos e, indo além, até porque sua poética não se resume a um jogo com a linha, demonstra a amplitude de sua poética, o modo como ela opera a relação entre cor, plano e linha engendrando situações tão diversas”, afirma o curador em texto que acompanha a exposição.

“Eu só queria pintar”, diz a artista – e para ela, a linha, tão em questão, se tornou um válido elemento para “brincar” no campo do jogo entre o que está visível e o invisível, entre “o ter e não ter”: o traço faz ora e outra uma forma aparecer, se justapor, se diluir, sempre em movimento para os olhos (por isso, há até muitas transparências nas pinturas). A linha pode até parecer frágil, mas na verdade é ela que define formas “claras e concisas, limpas ou beirando o emaranhado, demonstrando a persistente plasticidade do espaço, sua infinita maleabilidade” dentro de um campo cromático sempre potente e especial. “A cor tem de fazer, ela não aparece”, afirma Tomie. O diário, por assim dizer, da artista não revela apenas que um dia é diferente do outro, mas que o sentimento motriz de sua criação se mantém o mesmo – e, por isso, o curador até afirma ser essa uma mostra que ganha “a força de um balanço” dos caminhos tomados por Tomie nas últimas décadas.
Serviço
Tomie Ohtake. Galeria Nara Roesler. Avenida Europa, 655, 3063-2344. 10 h/19 h (sáb. 11 h/15 h; fecha dom.). Grátis. Até 31/1. Abertura hoje, 20 h, para convidados

26/11/2008 - 20:16h Graffiti Artists in Sao Paulo Reclaim Their Art

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São Paulo is one of the most respected hubs of graffiti in the world. The urban chaos, together with the marginalization of a large sector of the population, has transformed this art in a form of protest. Graffiti flourishes in every conceivable place of the city’s streets.

Choque Cultural art gallery in São Paulo is a gallery renowned for its street art exhibits, including graffiti. But in September the gallery was subject to an “intervention”: about 30 pixadores (graffiti artists) invaded the gallery with their paint buckets and brushes and in less than five minutes, painted graffiti over all walls and art pieces exposed. The attack was a demonstration against what they called the “domestication of street art” and was led by 24 year-old Rafael Augustaitiz, also known as Rafael Pixobomb. Ironically enough, Choque Cultural translates to “cultural shock”, since the gallery aims to change peoples’ vision about what is art, even though some say that cultural shock is not what is being exhibited in the gallery, but what these pixadores actually did.

This was not the only intervention conducted by Pixabomb and his group. In October, they invaded the art exhibit Bienal de São Paulo, one of the most respected exhibits in Latin America, and painted graffiti throughout the second floor which had been left empty. The group has also invaded the Centro Universitário Belas Artes, the fine arts school that the leader attended.

These acts conducted by Pixabomb and his group are generating a huge debate among artists and journalists. Some defend them by saying that Pixabomb is a symbol of the democratization of art, while others think that they go a bit too far.

Enviado pelo meu filho Tristan

20/11/2008 - 20:08h Paris vale uma missa

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Paris#7 (notas atrasadas)

Lee Miller, Women with Fire Masks, Downshire Hill, Londres, 1941
© Lee Miller Archives

**É possível ir a Paris sem tirar uma única fotografia? É.

**Há quem duvide da existência de uma “escola de Düsseldorf” da fotografia. As catalogações são sempre redutoras e formadoras de equívocos, mas o certo é que um grupo alargado de artistas que a frequentaram, guiados pela nova objectividade, se destacou no panorama artístico contemporâneo formando um corpo de trabalho que, apesar de muito diversificado na forma e no conteúdo, partilha a mesma filiação estética, as mesmas orientações criativas – a do arquivo e a da tipificação. E isto é capaz de ser uma “escola”. A exposição Objectivités, que junta professores e alunos da Kunstakademie de Düsseldorf, é uma das propostas mais interessantes da programação do Mois de la Photo. Foi publicado um catálogo que se reveste de particular importância para compreender a produção fotográfica actual.

**Uma rapariga fotografava outra rapariga de ar acabrunhado e cabelo colado à cara pela chuva miudinha. Cenário escolhido: uma fotografia de publicidade a um perfume francês. Aposto que ela não gostou de se ver. O ficheiro deve ter sido apagado.

**Nos 70` americanos fotografou-se com despudor, criatividade e ilusão. Já vimos muitas das imagens que foram escolhidas para a exposição sobre fotografia americana deste período, patente na Biblioteca Nacional de França. Mas o que emociona nunca cansa. E para lá da emoção do reencontro, há a emoção da descoberta pessoal, como a que fiz de Louis Faurer e Bruce Gilden.

**Garry Winogrand: I photograph to find out what something looks like when photographed.

**Parecia uma barata tonta ali para os lados da Bastilha à procura da rua Jules-Cousin. Perguntei a um farmacêutico, a um jornaleiro e a mais meia dúzia de pessoas com cara de quem fosse capaz de me apontar o dedo da direcção certa. Nada, nem um. Depois de meia hora à deriva, desisti. Ou quase: no metro espreitei o mapa outra vez. Zero. Arrisquei mais uma pergunta, a última. A mulher, que notou o sotaque estrangeirado, sorriu, sacou um guia de ruas da mala, seguiu as coordenadas e com um sotaque britânico carregado deu-me as indicações que me levariam à Galeria Vu (uma inglesa a orientar-me em Paris!). Subi à superfície outra vez, andei os quarteirões que precisava e… bati com o nariz na porta quando o programa garantia o contrário. Atrás de mim, duas italianas que vinham ao mesmo entoaram de rajada 10 palavras por segundo. Aí umas 9 deviam ser asneiras, pragas e amaldiçoamentos. À minha conta, os senhores da Vu também devem ter ficado com as orelhas a arder.

**Na Maison Européenne de la Photographie a bicha para entrar chegava à rua. Sabine Weiss apresenta um trabalho de fotojornalismo clássico que inclui uma dúzia de fotografias de Portugal dos anos 50 e 80. Parei algum tempo à frente de uma imagem da Baixa de Lisboa onde uma mulher com um cesto de flores à cabeça corre para o outro lado da estrada, talvez em direcção à Praça do Rossio, onde as rosas e os malmequeres já reinaram. MacDermott & MacGough andam fascinados pelos antigos processos fotográficos (cianotipia, papel salgado…) mas não se deixaram enredar pela armadilha arqueológica. An Experience of Amusing Chemistry é um olhar delicado, actual e criativo para as antigas maneiras de ver. No fotojornalismo, destaque também para a obra do turco Göksin Sipahioglu, mítico fundador da agência Sipa.

**Na rua Gosciny as indicações aparecem em balões de banda de desenhada e letra de brincar. Nos postes e no chão. Parece que estamos dentro dos quadradinhos a disparar mais rápido do que Lucky Luke. Pum! Morri.

**Alguém me pode explicar por que é que o Metro de Lisboa nos obriga a sacar do bilhete sempre que queremos sair de uma estação? Em Paris, e na generalidade das cidades com metro, as portas abrem-se e já está.

**Desilusão máxima: Expérimentations Photographiques en Europe des Anées 20 à Nos Jours. Não há aqui um retrato das experimentações fotográficas coisa nenhuma. O que há é um percurso metido à pressão por meia dúzia de salas onde aparecem artistas avant-garde que usaram a fotografia como suporte.

**Desilusão mínima: Gabriele Basilico, Moscou Verticale. Esta aposta na vertigem pela monumentalidade pode não resultar muito bem e pode até transformar-se na visão de um turista embriagado. Basilico deslumbrou-se até à miopia com a grandeza dos mastodontes arquitectónicos do antigo império russo ou então bebeu uns copitos de vodka a mais.

**O melhor, ao vivo e a preto e branco: Philip Jones Griffiths, Recollections.

**A surpresa, ao vivo e a cores: Reiner Riedler, Fake Holidays.

**O que não vi e gostava de ter visto: John Bulmer, Hard Sixties, l´Angleterre post-industrielle; Nathan Lerner, L`héritage du Bauhaus à Chicago; Xavier Lambours, XElles27; Werner Bischof, Images d`Après-guerre; Jackie Nickerson, Faith; Joakim Eskildsen, Voyages chez les Roms; Miguel Rio Branco, Photos Volées; Pierre Verger, L`Espagne Prémonitoire; Sarah Moon, 1-2-3-4-5; Henri Cartier-Bresson e Walker Evans, Photographier l`Amérique, 1929-1947.

**No Jeu de paume, logo de manhã, há casa cheia. Lee Miller é rainha – pelas fotografias que tirou, pelas fotografias que lhe tiraram.

**Em frente ao Centro Cultural Sueco, onde vi fotografias de Lars Tunbjörk, há um pequeno jardim onde apetece ficar muito tempo. As folhas começaram a cair e os tons de castanho parecem infinitos. O trabalho de Tunbjörk é uma imitação esforçada da crítica consumista de Martin Parr, mas não passa disso. É das heras a ganhar terreno às paredes que me vou lembrar.

14/11/2008 - 17:32h Zoom sobre o Japão

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Paris#5 (prémio)

Yao lu, New Landscape part 1 – YL01 Ancient Spring-time Fey, 2006

O prémio BMW Paris Photo deste ano (12 mil euros) foi atribuído ao chinês Yao lu, pelo trabalho New Landscape part 1 – YL01 Ancient Spring-time Fey.
Foram galardoados com menções honrosas o sueco J. H. Engström, o japonês Nobuhiro Fukumi e o norte-americano Andrew Bush. O tema proposto era Never Stand Still.

Paris#4 (o Japão e o livros)

As prateleiras dos cinco editores japoneses convidados são os espaços mais concorridos do Carrousel. Percebe-se bem porquê. Já tinha ouvido falar muito dos livros de fotografia japoneses. Mas nunca tinha sentido desta maneira e tantas vezes a intensidade que a escolha de um tipo de papel ou o desenho de um livro podem transmitir. Não é que alguma vez tivesse duvidado do que me foram segredando. O certo é que hoje pude confirmar a delícia e o privilégio que é ficar, por exemplo, com o livro de Tamotsu Fuji (Araki, luz) nas mãos, ou o de Yasumasa Morimura que ainda vou descobrir por que é que se chama Barco Negro na Mesa, assim mesmo, em português.

Não há muitos países no mundo onde as revistas e os livros joguem um papel tão importante para a fotografia. No catálogo, Mariko Takeuchi, comissário da representação nipónica, relaciona este enamoramento com a falta de um esquema de galerias ou um mercado organizado de venda de fotografia. E fala também na longa tradição japonesa nos métodos de impressão em papel que conheceu a sua época dourada durante o período Edo (1603-1867).As editoras e livrarias japonesas no Paris Photo são estas:
»»Akaaka Art Publishing
»»Little More
»»Book Shop M
»»Seigensha Art Publishing

»»Tosei-Sha

Paris#3 (notas)

Asako Narahashi, Kawaguchiko, da série half awake and half asleep in the water, 2003
© Asako Narahashi, Cortesia galeria Priska Pasquer, Colónia

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Quem anda pela cidade não sente que este é o mês em que Paris se torna o centro do mundo na fotografia. A constelação trazida pelas galerias mais destacadas e a maior armada fotográfica japonesa alguma vez vista na Europa mereciam outra visibilidade para lá dos andares subterrâneos do Louvre.*** As revistas fotográficas digitais quase não têm representação na feira. A honra do convento é salva pelo portal de fotografia berlinense Photography Now. Em contrapartida, as revistas de fotografia em papel tem uma representação de peso e parecem que não param de aparecer novos títulos.*** No espaço da Simon Finch Rare Books (Reino Unido) a distinção para o livro mais caro pertencia a Les Joux de la Poupe, com fotografias de Hans Bellmer e textos de Paul Éluard (62,500 euros); a primeira edição de The Americans, de Robert Frank, estava a seguir (15,000).*

Paris#2 (abertura)

Kim Joon, Bird Land – Swarovski, 2008
© Cortesia Keumsan Gallery, Seul

A festa de apresentação da Paris Photo aconteceu na quarta à noite no Carrousel du Louvre. Enquanto uns festejavam outros davam os últimos retoques nos trabalhos a expor (por que raio é que nestas ocasiões arranjam sempre uns “happenings” manhosos…).
O resumo em vídeo da festa está aqui

Paris#1

Keisuke Shirota, A Sense of Distace #33, 2008
© Keisuke Shirota, cortesia Base Gallery, Tóquio

Em japonês fotografia diz-se shashin – reproduzir (sha) a verdade (shin).
Do pouco que vi hoje, a verdade está longe, se é que alguma vez se conseguiu chegar perto dela.

Post de Sérgio B. Gomes

30/10/2008 - 17:04h BsAsPhoto

A expo BsAsPhoto reunindo 70 galerias de América latina abriu suas portas no Palais de Glace, em Buenos Aires.

Uma foto de Nico Hardy, Transporte público 28, não foi incluída porque a galeria que representa este fotografo a considerou muito forte. Pessoalmente não penso que ela possa chocar ninguém.

Transporte público 28

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Já a foto Crista, de Res e Constanza Piaggio, que foi finalista do prêmio Petrobrás é bem mais forte e sujeita a controvérsia, particularmente com setores da igreja, mas ela foi autorizada e figura em bom espaço dentro da mostra.

Crista
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22/10/2008 - 18:55h ”Meu trabalho é um grito contra a barbárie”

Com suas esculturas feitas de árvores incineradas, Frans Krajcberg dá seu brado contra a destruição do planeta e cujo eco chega até a sua exposição, na Oca

Maria Hirszman – O Estado de São Paulo

 


O escultor Frans Krajcberg se tornou nas últimas décadas um dos maiores embaixadores da causa ambiental no planeta, ao transformar sua expressão artística num grito de revolta contra a irracionalidade humana. Seja com as esculturas feitas a partir de árvores incineradas da Amazônia e de pigmentos naturais extraídos da ameaçada região do minério, em Minas Gerais, ou ainda de pungentes registros fotográficos de queimadas – e que agora podem ser vistos na grande exposição em cartaz na Oca, do Parque do Ibirapuera, como parte das celebrações dos 60 anos do Museu de Arte Moderna de São Paulo -, Krajcberg gostaria de despertar nas pessoas a consciência de que a exploração econômica descontrolada leva à destruição, não apenas ecológica, mas social e política.

Incansável em seus 87 anos, o artista que viu a família ser dizimada pelos nazistas na 2.ª Guerra e que não esquece o que assistiu enquanto combatia ao lado do exército russo, continua desenvolvendo uma série de projetos. Entre eles, estão a ampliação proposta pela prefeitura de Paris de seu espaço parisiense (misto de museu e local de debate) e a construção de novos museus com obras suas em várias partes do mundo, como Canadá, Holanda e EUA. Mas se vê também às voltas com problemas graves em Nova Viçosa (sul da Bahia), onde se instalou na década de 70. Em entrevista ao Estado durante a montagem de sua mostra em São Paulo ele comenta esse e outros assuntos.

É verdade que essa exposição no MAM é a sua primeira grande mostra paulistana?

Sim, é a primeira vez que São Paulo me convida para fazer uma grande exposição. Fiquei impressionado com tanta gentileza, pois vivi algumas coisas desagradáveis aqui. Devia ter feito um espaço na velha serraria aqui do Parque do Ibirapuera, mas o projeto foi vetado, e fui muito insultado. Foi a Prefeitura quem me convidou, nunca pedi um centavo, como também não pedi nada em troca pelas obras que estão no espaço de Curitiba (o Jardim Botânico da capital paranaense acolhe o Espaço Cultural Frans Krajcberg, com mais de 100 esculturas doadas pelo artista).

Como é que o sr. tem uma capacidade de produção tão grande?

São muitos anos e eu e minha equipe trabalhamos bastante. Nunca parei de fazer esculturas com material que eu trago da Amazônia. Tudo é resto de queimada. É lamentável o que está acontecendo, a destruição é total. A Mata Atlântica mais rica do planeta foi destruída em um século. A última floresta pequena de Mata Atlântica lá em Nova Viçosa é minha. Ano passado, botaram quatro vezes fogo para destruí-la. Se vou conseguir salvá-la não sei, nem se vou continuar a viver lá. Agora, veja o que acontece lá na Amazônia… Estão plantando soja transgênica para vender à China. É um crime! O mais triste é que só se fala nas queimadas das árvores. E os habitantes da floresta? O que acontece com eles?

Considera seu trabalho uma espécie de manifesto permanente contra essa irracionalidade do ser humano? Como conciliar militância e expressão artística?

Não gosto de falar do meu trabalho como algo artístico. Meu trabalho é minha revolta, meu grito contra a barbárie que o homem pratica. Precisamos fazer parar essa barbaridade. Do ponto de vista artístico, precisamos ver que a arte ainda não conseguiu abrir a porta para o século 21. Estamos diante dessa grande evolução tecnocientífica e de um vazio absoluto político.

Como é possível abrir essa porta, estabelecer uma nova relação entre arte e sociedade?

Pela primeira vez na história, as pessoas estão preocupadas com a saúde do planeta. Precisamos dar mais consciência ao povo brasileiro e mostrar o perigo que praticamos. Precisamos acordar como estão agora acordando na Europa. Tenho um espaço em Paris, em Montparnasse. É o espaço de meus encontros ecológicos. Em novembro estou lá. Paris acordou do ponto de vista ecológico e a Europa está acordando…

O sr. adotou a Bahia como porto seguro há várias décadas, em Nova Viçosa…

Cheguei em 71 à Bahia e, ultimamente só tive problemas. Queriam me matar com veneno, à minha empregada e a um amigo, há cinco meses. Me roubaram tudo e não consigo ver como vou sair disso. O pior é que a polícia está abafando e agora eles entraram na Justiça contra mim porque os mandei embora sem justa causa. Estão pedindo R$ 300 mil. Estou planejando ir embora, deixar tudo.

Parece coisa de novela…

Não sei mais o que fazer. Se eu tivesse 10, 15 anos menos iria embora. Três países – Canadá, Holanda e talvez EUA – querem fazer museus meus. Tenho esse espaço que a prefeitura de Paris quer ampliar. Estou confuso, só sei que não se pode viver sem defesa nenhuma. Nunca pensei em passar uma coisa dessas. O mais violento foi terem levado o colar da minha mãe. Era a lembrança que me restava. Ela era do Partido Comunista e foi morta pelos nazistas. Desde 1939, eu carregava esse colar. Por causa disso, chorei como uma criança. Não chorei porque me roubaram todo o dinheiro. E tem mais uma coisa que me roubaram: a medalha que ganhei das mãos de Stalin como herói de guerra. Roubaram um pedaço da minha vida.

E também faz parte da sua personalidade estar no embate, não?

Mesmo assim, participo mundialmente para tentar não destruir esse planeta. Continuo viajando, mostrando a minha obra. Nunca quis fazer um trabalho com arte, uma obra de arte. O que procurava com o meu trabalho era a possibilidade de afirmar minhas idéias. Eu não procurava fazer mercado. O que eu mais detesto no meu trabalho é vender.

Foi possível trabalhar nessa exposição com esse clima todo?

Tenho 20 vezes mais obras que isso. Mas fui obrigado a mandar toda a equipe embora porque pegaram todo o dinheiro que eu tinha e que era para acabar de construir meu museu, na Bahia. Agora parou tudo. Estou seriamente pensando em abandonar o sul da Bahia, porque continua terra de ninguém.

O sr. mencionou que a arte não entra no século 21 e uma das causas seria o vazio político. Por que isso acontece? Chegou a se engajar no Partido Comunista depois da guerra?

Meu único desejo depois da guerra era fugir do homem. Cheguei ao Brasil por acaso. Eu morava na casa do Marc Chagall e certo dia um amigo dele, que tinha uma agência de viagens, me perguntou se eu queria conhecer o Brasil. Eu estava querendo fugir da Europa e aceitei.

E como conheceu essas figuras que articulavam o movimento de arte moderna?

Estudei na Alemanha com Willy Baumeister, que foi professor da Bauhaus e ganhou um prêmio da Bienal de São Paulo. Cheguei a São Paulo em 1947. Trabalhei no MAM e montei a primeira Bienal com Aldemir Martins e muitos outros. Depois trabalhei na Osirarte, pintava azulejos com Volpi, Mario Zanini, Cordeiro. Tive grande apoio dos artistas, hoje não existe mais isso.

Era uma pintura ainda figurativa? Paisagística?

Não. Eu não punha homens na minha pintura (risos). Depois fui para o Paraná. Mas não suportei ver tanto fogo. Até minha casa foi queimada, com muita obra…

O fogo o persegue, não?

O fogo me acompanha sempre. Fugi para o Rio e lá o pai do Sergio Camargo me emprestou uma casa. Convidei Franz Weissmann para vir trabalhar com esculturas lá. Ganhei o prêmio de pintura da Bienal de SP de 57 e Weissmann ganhou o de melhor escultor. Gastei todo o dinheiro numa festa no Rio e comprei passagem para ir para a França. Tive sorte. A galeria Siècle XX me contratou e fiz várias exposições, mas não podia mais pintar porque fiquei intoxicado com as tintas. Eu ainda não fazia esculturas. Vivia em Paris, fazia impressões em Ibiza e procurava pigmentos naturais em Minas Gerais. Foi em Minas que comecei a fazer esculturas.

É uma estratégia quase de guerrilha essa criação de instituições pelo mundo todo?

Esse é meu grito, que posso dar com meu trabalho. Só meu trabalho pode exprimir minha revolta contra essa barbaridade que o homem pratica contra o homem. Nunca houve um século tão bárbaro como o 20. E se continuar assim, o 21 vai chegar à barbárie mais violenta.

Serviço
Frans Krajcberg. Oca. Av. Pedro Álvares Cabral, s/n.º, portão 3, Pq. do Ibirapuera, 5083-0519. 3.ª a dom., 10/18 h. Grátis. Até 14/12

29/09/2008 - 21:01h A arte de John Currin

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por Gonçalo Loureiro do Blog Entrelinhas de Portugal

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É dele o sorriso alucinado que faz a capa da edição da Art Review (21, Abril de 2008). O mesmo sorriso que empresta às personagens das suas telas, num trabalho que podemos situar algures entre a releitura das estéticas dos Grandes Mestres da pintura e a homenagem à época dourada da pornografia – os anos 70. Corre bem a vida a John Currin, artista que é alvo de um artigo de fundo na dita revista, a propósito da sua última exposição na galeria Sadie Coles, em Londres.



John Currin, Couple in bed

Numa visita guiada ao seu atelier, somos convidados a mergulhar subitamente no seu imaginário perverso, carregado de luxúria e humor negro. Entre pincéis usados e telas inacabadas, saltam à vista as cenas de sexo explícito espalhadas pelas paredes. Envoltas num cenário facilmente associado aos lares de antepassados remotos, um olhar despreocupado sobre elas reproduz automaticamente dois efeitos distintos na percepção do espectador: deixa seduzir pela acção; dá relevância ao traço e despreza a brutalidade da cena pintada. Seja qual for o caso, o choque já não existe. Nos dias que correm, os artistas perderam a capacidade de chocar. E, enquanto eventual motor da criação, o choque deixou de fazer qualquer sentido, tendo vindo a sofrer ao longo das últimas décadas sucessivos amortecimentos. Não pela mão de Currin, obviamente, mas graças aos devaneios da cultura popular. Sejamos francos, não é aquela invasão de pénis erectos e vaginas peludas, nem tampouco as posições acrobáticas dignas de um Kamasutra do século XXII, que irá chocar alguém. Aconselha-se, portanto, um olhar atento e exigente.


O trabalho de John Currin – artista nascido no Colorado, Estados Unidos da América, e figura de proa da nova pintura americana, em conjunto com Lisa Yuskavage – é um exercício aliciante na sua génese formal, capaz de suscitar diversas interpretações: uma homenagem às estéticas envolvidas; uma (re)leitura crítica das mesmas; ou, por fim, uma paródia sem grandes interrogações, meramente retiniana, mas sempre prazenteira. E no último caso, o enfoque irá centrar-se inevitavelmente na destreza técnica do artista norte-americano. E daí nunca virá mal ao Mundo. Afinal, John Currin diverte-se com o seu trabalho e nós a olhar para ele.



Longe de tentar empreender um revisionismo estético, faz antes uma apropriação descarada de um imaginário específico – formal e espiritual – que abalará certamente algumas estruturas. É uma lufada de ar fresco. E um regresso ao triunfo da pintura é sempre bem-vindo, numa altura em que a tecnofobia volta a estar na ordem do dia.


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Veja as mais ousadas obras de John Currin no blog Entrelinhas

05/09/2008 - 17:39h O “Circuito de Fotografia” exibe o melhor da fotografia mundial contemporânea, em São Paulo

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© Fotos de Mario Cravo Neto. A Flecha em Repouso, Paulo Darzé Galeria de Arte.

 Images & Visions

Após uma bem sucedida estréia em 2007, o “IContemporâneo – Circuito de Fotografia” ganha sua segunda edição, celebrando o crescente reconhecimento da fotografia como arte. De 11 a 14 de setembro de 2008, no 9º andar do Shopping Iguatemi, a feira apresenta 15 excepcionais galerias de arte e mais de 80 artistas, entre jovens talentos e nomes consagrados no circuito nacional e internacional. Parte das galerias presentes no Circuito de Fotografia optou pela realização de exposições individuais: a Paulo Darzé Galeria de Arte exibe Mario Cravo Neto; a Galeria Millan, traz Miguel Rio Branco; a Arte 57 mostra Cláudio Edinger; e a estreante FASS inaugura sua atividade no mercado com o exuberante trabalho documental de Jean Manzon, um dos pioneiros do fotojornalismo, com obras centradas nos anos 50. Além disso, os conjuntos exibidos pelas demais galerias permitem uma visão magnífica da produção moderna e contemporânea do Brasil e do mundo representados pelos artistas: Caio Reisewitz, Rochelle Costi, Mauro Restiffe, Albano Afonso, Márcia Xavier, J.R.Duran, Claudia Jaguaribe, Cristiano Mascaro e presenças internacionais como Neil Hammon (artista selecionado na última Bienal de Veneza), Richard Galpin, Thomas Hoepker, Martin Parr, Elliot Erwitt, José Manuel Ballester, Marina Abramovic, Nicola Constantino e Michael Wesely, entre muitos outros. Thomas Hoepker, que virá a São Paulo e visitará o Circuito e Elliot Erwitt foram ambos diretores da respeitada agência Magnum, fundada em NY logo após o término da II Guerra Mundial por fotógrafos entre eles Robert Cappa e Cartier-Bresson e que acaba de completar 60 anos de tradição e excelência em fotografia. As galerias que participarão do Circuito de Fotografia ’08 são: Arte 57, H.A.P. Galeria, FASS, Galeria de Babel, Galeria Brito Cimino, Galeria Leme, Paulo Darzé Galeria de Arte, Galeria Baró Cruz, Instituto Moreira Salles, Dan Galeria, Bolsa de Arte de Porto Alegre, Casa Triângulo, Projecto/s, Galeria Bergamin e Galeria Millan.

23/08/2008 - 07:59h A arte latino-americana em alta

Freqüência de mostras desse segmento em galerias e instituições paulistanas revela uma expansão comercial dos vizinhos

A imagem “http://images.artnet.com/artwork_images_625_373421_lilliana-porter.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
Exposição de Liliana Porter nos Estados-Unidos

Maria Hirszman – O Estado de São Paulo

A arte latino-americana vem conquistando um espaço cada vez maior na cena paulistana, como indica a presença freqüente desse segmento nos eventos organizados nos espaços públicos e galerias da cidade. No intervalo de pouco mais de uma semana, quatro novas exposições de artistas da região abriram as portas. A galeria Valu Oria iniciou a programação com abertura, no dia 7, da mostra da venezuelana Mercedes Elena Gonzalez. No sábado foi a vez da galeria Baró Cruz inaugurar exposição com uma seleção de arte contemporânea do México. E a eles se juntaram a artista argentina Liliana Porter e o uruguaio Marco Maggi, que mostram sua produção recente nas galerias Brito Cimino e Nara Roesler. Se somarmos a isso outras iniciativas como Contratextos – recorte de produção colombiana, até pouco tempo em cartaz no Centro Cultural São Paulo (CCSP) – e a grande antologia de arte mexicana que a Pinacoteca do Estado vai trazer a público a partir do próximo mês, é possível ver aí mais do que uma coincidência de agendas.

O mais provável é que essa movimentação seja uma combinação de diferentes aspectos: reflexo da valorização e expansão desse mercado, sobretudo nos EUA; fruto de uma política ativa de ampliação do diálogo com os países vizinhos que vai, inclusive, além do campo das artes plásticas (caso do CCSP, por exemplo); ou resultado da internacionalização da arte brasileira (ao levar a produção nacional a feiras e eventos lá fora faz com que os marchands naturalmente ampliem seus interesses para o que está sendo produzido de bom pelos latino-americanos).

Mesmo que por enquanto haja, nas exposições comerciais, uma presença forte de nomes já bastante conhecidos internacionalmente e do agrado dos colecionadores (é o caso de Liliana Porter e Marco Maggi, ambos, aliás, radicados em Nova York), os marchands parecem convencidos de que este é um momento oportuno para fazer com o que o mercado brasileiro descubra as qualidades e afinidades com a produção dos países vizinhos. “É o momento de avançarmos mais um estágio, rompendo de vez com um certo preconceito em relação a essa produção”, afirma Oscar Cruz, um dos proprietários da galeria Baró Cruz, que tem um grande número de latinos entre os artistas que representa. Mesmo discordando de que haja resistências em relação à arte latina, Fábio Cimino concorda que o crescimento desse filão depende sobretudo do trabalho de convencimento do marchand. “Estamos abrindo o olho; faz todo sentido ter um canal de comunicação mais forte com os países que têm ótimos artistas, preços muito bons e são mais próximos culturalmente de nós”, resume Daniel Roesler.

Na Estação Pinacoteca, a mostra Era da Divergência – Arte e Cultura Visual no México, que será inaugurada dia 13 de setembro, trata-se de ser uma exposição de cunho institucional. Com obras realizadas em período que compreende os anos 1968 a 1997, a ampla mostra, com mais de uma centena de obras, é fruto de uma parceria entre a instituição brasileira e o Museu Universitário de Ciências e Arte (Muca) da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam).

O Tempo Como Tema De Criação Do Uruguaio Marco Maggi

O tempo é, segundo Marco Maggi, a questão central de seu trabalho. É exatamente a reflexão sobre a estranha relação entre as artes visuais e a dimensão temporal – e, talvez, de forma ainda mais radical, a necessidade de se contrapor à tirânica velocidade imposta pelo mundo moderno – que o levou a criar essa obra lenta, profunda e sintética à qual os paulistanos foram apresentados há seis anos, primeiro na Bienal de 2002 e logo em seguida numa das mais destacadas exposições do ano.

Levando-se em consideração o caráter sedimentar de sua obra, há na exposição na Nara Roesler, uma linha de continuidade com os trabalhos já mostrados por aqui. Há inclusive obras novas de séries já iniciadas então, como os desenhos em papel alumínio emoldurados em cartões de slide, que remetem tanto aos moderníssimos chips de computador como aos desenhos pré-colombianos. A presença incontornável da linha, do desenho ou das formas recortadas de forma automática, brotando de forma quase inconsciente, também continuam a fazer parte de seu vocabulário, mas a partir de alguns novos pressupostos e indagações.

Intrigado com o fato de as artes visuais serem a única expressão artística que não se submete a uma dimensão temporal (ouvir uma sinfonia ou ler um livro pressupõe obrigatoriamente um intervalo de tempo preciso, mesmo que variável), Maggi se contrapõe a qualquer tentativa de enquadrar o espectador em tentativas de representar visualmente a quarta dimensão ou de forçá-lo a submeter-se a imposições alheias (como ocorreria no vídeo). Sua maneira de lidar com o tempo é aberta e se reflete em todo o espaço da exposição, propondo uma desaceleração do olhar, criando possibilidades de fruição e reflexão a partir de obras que são, segundo suas próprias palavras, “quase nada”.

“O que eu pretendo é mudar o protocolo de relação com a obra”, afirma. Apresentar a série The Ted Turner Collection – From CNN to the DNA talvez ajude a compreender melhor o que o artista pretende dizer com isso. Nesses trabalhos, ele desconstrói obras significativas da arte ocidental, subvertendo a ação da mídia que finge fazer uma revelação quando, na verdade, faz uma “cobertura” (o uso ambíguo do termo é proposital), uma edição premeditada, que mais oculta do que revela. Colocadas do avesso, sutilmente recortadas com estiletes criando delicadas paisagens abstratas e submetidas a rigorosas e estruturadoras grades geométricas, as obras clássicas de autores como Warhol, Fontana e Lygia Pape tornam-se irreconhecíveis (só é possível identificá-las porque a moldura permite ver também o avesso do quadro, a imagem original um pouco mutilada pelos recortes). No entanto, continua sendo delas que provém a matéria cromática que dá sentido a esses relevos bastante minimalistas, sedutores e incompreensíveis como o DNA. Seria uma espécie de novo analfabetismo, que precisamos reconhecer como uma característica dos novos tempos para conseguir ver além.

Marco Maggi e outros artistas na Bienal da Havana em 2003

La Habana / 2003 / Recorrido / Cabaña / Artistas

Marco Maggi

Marco Maggi

* 1957 Montevideo, Uruguay

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21/07/2008 - 12:58h Olimpíadas com arte

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Conhecido como 798, este é o bairro de Pequim que reúne o maior número de artistas, estúdios e galerias e parece praticamente imune à rígida censura do país

Cláudia Trevisan – O Estado de São Paulo


A meteórica ascensão econômica da China se replica no mundo das artes plásticas, no qual a produção contemporânea do país bate sucessivos recordes de preços no mercado internacional. O bairro que reúne o maior número de estúdios e galerias de Pequim se transforma em um dos principais pontos turísticos da cidade, depois da Grande Muralha e da Cidade Proibida.

Conhecido como 798, o distrito artístico da capital chinesa é um enorme território livre de criação – ou pelo menos mais livre que seu entorno, submetido à estrita censura chinesa. O local era um parque industrial construído nos anos 50 com ajuda de arquitetos da ex-Alemanha Oriental, que conceberam os edifícios no melhor estilo Bauhaus, simples e funcionais.

Várias fábricas identificadas por números se dedicaram durante anos à produção de equipamentos eletrônicos para as Forças Armadas. Desativadas nos anos 90, muitas delas começaram a ser ocupadas por artistas no fim da década, o que transformou a região em uma versão chinesa do SoHo nova-iorquino.

A que tinha o número 798 foi recriada como um dos primeiros locais de exposição e acabou emprestando seu nome a todo o distrito. Em suas paredes, ainda estão os slogans da Revolução Cultural (1966-1976), que pediam longa vida ao comandante Mao Tsé-tung (1893-1976), escritos em ideogramas vermelhos.

As galerias seguiram os artistas e atrás deles foram restaurantes, bares, livrarias e lojas. No ano passado, o distrito 798 recebeu 1,5 milhão de visitantes, número três vezes maior do que em 2005. Livre das amarras ideológicas do passado, a arte contemporânea chinesa floresceu a partir de meados dos anos 80, pelas mãos de artistas que nasceram ou cresceram durante a Revolução Cultural, o movimento que levou ao extremo a idéia de que a criação deveria estar submetida aos interesses da construção do socialismo.

A arte contemporânea chinesa começou a ganhar o mundo na década atual, com exibições na Europa e nos Estados Unidos e colecionadores dispostos a pagar preços cada vez mais altos por seus trabalhos.

O caso mais emblemático da ascensão meteórica dos chineses no mercado internacional é a obra Execução, de Yue Minjun, de 46 anos. Inspirado no massacre de estudantes na Praça Tiananmen, em 1989, o quadro foi pintado em 1995 e vendido em seguida por US$ 5 mil ao marchand de Hong Kong Manfred Schoeni. No ano seguinte, o investidor Trevor Simon desembolsou US$ 32 mil pela pintura, com a condição de não exibi-la em público durante dez anos em razão de seu tema ‘’sensível”. Em outubro de 2007, Execução foi arrematada por US$ 5,9 milhões em um leilão da Sotheby’’s de Londres, tornando-se a mais cara obra contemporânea chinesa vendida até então.

O recorde logo foi quebrado por Zeng Fenzhi, de 44 anos, e seu quadro Série Máscaras,1996, nº 6, vendido em maio de 2008 por US$ 9,7 milhões, o mais alto preço já pago por uma obra de arte contemporânea asiática.

A cifra foi o triplo da estimativa inicial de US$ 3,2 milhões feita pela Christie’’s, responsável pelo leilão. O quadro mostra oito jovens de braços dados, com máscaras sorridentes e os lenços vermelhos no pescoço, típicos da Revolução Cultural.

Os artistas chineses que nasceram na década de 60 tentam captar o turbilhão de mudanças no qual o país mergulhou nos últimos 30 anos e refleti-lo de diferentes maneiras em suas criações. Muitos deles sofreram influência decisiva do massacre de estudantes na Praça Tiananmen, em 1989, que enterrou as aspirações por mudanças democráticas e mais liberdade alimentadas desde o início daquela década.

O resultado foi o movimento ”Realismo Cínico”, do qual fazem parte Yue Minjun e Fang Lijun, outro artista que usa figuras carecas em suas pinturas. A escola é marcada pela ironia, o desencanto e o fim do idealismo dos primeiros anos do processo de reforma e abertura da China, iniciado por Deng Xiaoping em 1978.

A memória do passado socialista está presente nos quadros de Zhang Xiaogang, que realiza séries inspiradas na estética de fotografias de família do início do século passado, mas com a maioria dos personagens vestidos com o guarda-roupa que imperou durante o maoísmo.

”Os retratos familiares mudos de Zhang Xiaogang parecem ter capturado a verdadeira essência do drama histórico, ou mesmo trauma, da construção de uma sociedade contemporânea próspera a partir das brasas de uma revolução”, diz o catálogo da Sotheby’’s sobre sua obra.

O impacto das transformações econômicas na vida de milhares de chineses é refletido nas criações de Liu Xiaodong, pintor figurativista, autor de uma longa série sobre a construção da gigantesca hidrelétrica de Três Gargantas, que inundou um trecho de 600 km de extensão e 1,1 km de largura e forçou a realocação de pelo menos 1,4 milhão de pessoas. Xiaodong estabeleceu um novo nível de preço para a arte contemporânea chinesa em 2006, quando sua obra Pessoas Recentemente Deslocadas foi vendida por US$ 2,7 milhões.

ESTRELAS CHINESAS

AI WEIWEI
Ano de nascimento: 1959

Misto de artista e agitador cultural, Ai Weiwei já realizou trabalhos de design, arquitetura, escultura, instalações, performances e foi consultor da dupla Jacques Herzog e Pierre de Meuron, arquitetos responsáveis pelo desenho do Estádio Olímpico de Pequim, batizado de Ninho de Pássaros. Ai Weiwei é diretor do China Art Archives and Warehouse, galeria voltada para a arte conceitual e experimental

ZENG FENZHI
Ano de nascimento: 1964

Bateu o recorde de preço de arte contemporânea asiática depois que seu quadro Série Máscaras, 1996, nº 6 foi arrematado por US$ 9,7 milhões em maio deste ano. A série ”máscaras” é seu mais célebre trabalho e mostra personagens dos anos 90 usando máscaras com olhos bem abertos e expressões ensaiadas e artificiais

YUE MINJUN
Ano de nascimento: 1962

Sua marca registrada são auto-retratos sorridentes (foto acima)que aparecem em todos os seus trabalhos, sejam pinturas ou esculturas. Inspirado pelo massacre de estudantes na Praça Tinanmen, em 1989, seu quadro Execução foi vendido por US$ 5,9 milhões em outubro de 2007, o mais alto preço pago por uma obra contemporânea chinesa até então. Yue integra o movimento Realismo Cínico, que surgiu depois do massacre na Praça Tiananmen, em 1989

ZHANG XIAOGANG
Ano de nascimento: 1958

Inspirados no estilo de fotos de família do início do século passado, seus quadros mostram figuras tristes e silenciosas, que evocam com suas roupas ‘’socialistas” a memória do período maoísta que a China começou a abandonar em 1978 em favor do crescimento econômico. Zhang é um dos artistas chineses preferidos pelas galerias internacionais

FANG LIJUN
Ano de nascimento: 1963

Um dos líderes do movimento Realismo Cínico, que surgiu com o sentimento de desencanto provocado pelo massacre de estudantes na Praça Tiananmen, em 1989. Seus personagens costumam ser homens carecas, com expressões ambíguas, apresentados sobre paisagens infinitas

LIU XIAODONG
Ano de nascimento: 1963

Pintor figurativista que se destacou com uma série sobre o custo humano e ambiental da hidrelétrica de Três Gargantas, que forçou a realocação de pelo menos 1,4 milhão de pessoas. Seu quadro Pessoas Recentemente Deslocadas foi vendido por US$ 2,7 milhões em 2006 e estabeleceu um novo patamar de preço para a arte contemporânea chinesa

Melhor da produção contemporânea, fora das quadras

Durante os jogos olímpicos, estão programadas exposições, performances, instalações e arte digital

Cláudia Trevisan, Pequim


Os estrangeiros que forem a Pequim para os Jogos Olímpicos terão a chance de ver a mais completa mostra de arte contemporânea chinesa já realizada em todo o mundo. Apenas no distrito 798, 27 galerias vão realizar 103 exibições no período próximo ao das competições, que começam dia 8 e terminam dia 24 de agosto.

A mostra mais representativa foi organizada pela Ullens Center for Contemporary Art (Ucca), começou no sábado e segue até 12 de outubro. Fundada no mês de novembro de 2007, a galeria reúne a coleção de arte contemporânea chinesa que o casal belga Guy e Myriam Ullens começou a construir em meados dos anos 80 e é o maior centro de exposições do 798, com uma área de 8 m². A exibição da Ucca reúne 92 trabalhos de 60 artistas e inclui performances, instalações e arte digital.

O interesse do casal surgiu quando ninguém fora da China prestava atenção à produção artística do país. Ao longo de duas décadas, eles reuniram cerca de 1.700 obras, que representam os trabalhos de diferentes gerações de artistas, em vários momentos de suas carreiras.

Desde março, a Ucca é dirigida pelo francês Jérôme Sans, co-fundador e ex-diretor do museu de arte contemporânea Palais de Tokyo, em Paris. “As exibições têm o melhor da arte contemporânea chinesa e os visitantes podem ver os artistas de milhões de dólares, mas também os talentos emergentes”, observa Robert Bernell, dono da livraria e editora Timezone8, especializada em livros de arte e criador do site www.chinese-art.com.

O 798 é o mais badalado endereço da arte contemporânea de Pequim, mas está longe de ser o único. A pioneira nessa área foi a galeria Red Gate, fundada em 1991 pelo australiano Brian Wallace em uma antiga torre de observação que integrava a Muralha de Pequim – quase toda destruída depois da Revolução Comunista de 1949. No ano passado, a Red Gate emprestou seu prestígio ao distrito 798 e abriu uma filial no local.

Na medida em que os aluguéis começaram a subir no antigo distrito industrial, alguns artistas se mudaram para uma área a cinco quilômetros de distância, chamada Caochangdi. O primeiro endereço do local foi a China Art Archives and Warehouse, dedicada à arte experimental e conceitual.

A galeria é dirigida por Ai Wewei, um dos mais importantes artistas chineses, com talento para design, arquitetura, performances, instalações e escultura. Filho do poeta Ai Qing, enviado para o campo durante a Revolução Cultural, Ai trabalhou como consultor dos arquitetos Jacques Herzog e Pierre de Meuron na concepção do Ninho de Pássaros, o Estádio Olímpico de Pequim que sediará as principais competições dos Jogos de agosto.