05/11/2009 - 15:01h A turba da Uniban

CONTARDO CALLIGARIS – FOLHA SP


As turbas têm um ponto em comum: detestam a ideia de que a mulher tenha desejo próprio

NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.
O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.
A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: “Pu-ta, pu-ta, pu-ta”.
Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um “justo” protesto contra a “inadequação” da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.
Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre “vendido”) de duas maneiras fundamentais: “veados” e “filhos da puta”.
Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, “veados” e “filhos da puta” são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.
Cuidado: “veado”, nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos “veados”, por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser “usados” por seus ofensores. “Veado”, nesse insulto, está mais para “bichinha”, “mulherzinha” ou, simplesmente, “mulher”.
Quanto a “filho da puta”, é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. “Puta”, nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.
Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.
O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de “querer”? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.
A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.
Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de “Zorba, o Grego”, com redação obrigatória no fim?
Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.

ccalligari@uol.com.br

30/10/2009 - 12:44h Aluna é vítima de assédio em massa

Ela foi acuada em universidade em São Paulo por um grupo de estudantes por causa do vestido que usava


Ana Bizzotto – O Estado SP

Uma estudante do 1º ano de Turismo do período noturno do câmpus ABC da Universidade Bandeirantes de São Paulo (Uniban), em São Bernardo do Campo, foi xingada e acuada por um grupo expressivo de estudantes no prédio onde estuda por causa do comprimento do vestido que usava. O fato ocorreu no dia 22 e ganhou repercussão nesta semana pelo YouTube, onde foram publicados vídeos que registraram o episódio. O conteúdo foi retirado a pedido da universidade.

Segundo as cenas e os depoimentos de presentes, o tumulto começou quando a aluna subia por uma rampa até o terceiro andar e os alunos começaram a gritar. Ela ficou trancada em uma sala e, com a ajuda de um professor e colegas, chamou a polícia, que a escoltou até a saída da universidade. A estudante, de 20 anos, pediu para que seu nome não fosse divulgado.

“Costumo usar vestidos curtos e calças apertadas, assim como outras meninas. Naquele dia, tinha pegado ônibus, andado na rua e ninguém disse nada”, contou a estudante. “Eles estavam possuídos, fiquei com muito medo”, relatou.

A Uniban, em nota, disse que instaurou sindicância. “Alunos, professores, seguranças e também a aluna estão sendo ouvidos individualmente”, informou. A universidade “pretende aplicar medidas disciplinares aos causadores do tumulto, conforme o regimento interno”.

O comandante da 2ª Companhia do 6º Batalhão da PM, capitão Cotta, informou que a polícia foi chamada porque a estudante “estava sendo impedida de sair da sala”. Quando os policiais chegaram, a aluna já estava com um jaleco branco que tampava a roupa que usava. “Ela não quis registrar boletim de ocorrência nem ir à delegacia, só queria ser acompanhada até sua casa. A Uniban também não solicitou ocorrência.”

“Ela veio com um vestidinho rosa da pesada, daqueles que se usa com calça legging, só que sem a calça”, disse o estudante de Matemática Pedro Adair, de 23 anos. “Os três andares da faculdade subiram atrás dela. O pessoal parecia estar no tempo das cavernas, só faltou arrastá-la pelos cabelos”, completou Pedro, que considera que o episódio foi uma “brincadeira que passou dos limites”.

Uma estudante de Pedagogia que se identificou como Simone estava no prédio na hora. “Eles ficaram gritando “puta” para ela. Fui lá ver também e até tomei spray de pimenta que a polícia jogou”, contou.

VIOLÊNCIA DE GÊNERO

Especialistas ouvidos pela reportagem disseram que, se tivesse ficado nua, a estudante poderia ter cometido crime de atentado ao pudor. “Mas nada justifica a reação exagerada. Isso retrata violência de gênero, culpar a mulher pela agressão”, afirma a coordenadora executiva da ONG Rede Mulher de Educação, Vera Vieira.

De acordo com Charles Martins, assessor de educação da ONG Plan Brasil, que estuda a violência nas escolas do país, “ainda que a estudante tenha quebrado padrões de conduta, não pode ser aceitável a agressão como resposta”.

O episódio motivou a criação de fóruns na internet. Entre comentários, pessoas dizem que a aluna foi vítima de intolerância.

Alunos relataram ainda que no início do ano uma outra confusão aconteceu no mesmo câmpus. Uma aluna teria sido agredida por não ter aceitado participar de um protesto contra a mudança nas avaliação da universidade.

”Linchamento” da estudante reflete problemas sociais

Fernanda Aranda – O Estado SP

O “linchamento moral” sofrido pela estudante da Uniban reflete dois problemas sociais, avaliam especialistas. O primeiro é o machismo que justifica a agressão contra a mulher por uma suposta falha. O outro é a invasão da violência nas instituições de ensino.

“O episódio pode mostrar a bagagem que estes alunos trazem da fase escolar”, acredita Charles Martins, assessor de educação da Plan, entidade internacional que trabalha contra violência nas escolas. “Toda forma de violência tem histórico e o nosso mostra que a quebra de valores começa na escola.”

A coordenadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Eloísa de Lasis, também afirma que o caso da Uniban não pode ser encarado de forma isolada. “Enxergar e debater o ocorrido como um sintoma social pode nos ajudar a entender como um espaço de ensino se torna um espaço de violência”, conclui.

”Fiquei muito assustada, chorei, entrei em desespero”

Entrevista – Estudante, de 20 anos, do 1.º ano do curso de Turismo da Uniban

Afra Balazina – O Estado SP

O que aconteceu?

Eu estava com um vestido curto, que já havia usado outras vezes na aula. Sempre recebi elogios, nunca nada ofensivo. Quando estava na rampa e vi o pessoal assobiando e elogiando, fiquei com vergonha. Depois, quando fui ao banheiro, começou o tumulto. Cada vez chegava mais gente. Ameaçaram invadir a sala, chutaram a porta, quebraram a maçaneta. Tentaram passar a mão em mim, tiraram fotos e ficaram gritando que iam me pegar.

Como você se sentiu?

Fiquei muito assustada, chorei, entrei em desespero. Eles estavam possuídos. Fui ofendida por gente que nem me conhece e por meninas que moram perto de mim.

O que você pretende fazer agora?

Não estou indo à aula por medo, mas quero voltar – e de cabeça erguida. Quero ouvir o que a faculdade tem a dizer, porque eles não pensaram em nos proteger. Dependendo do que eles disserem, eu vou processá-los, sim.

14/10/2009 - 16:09h Exemplo de luta contra a pobreza, de crescimento da classe média e de ascensão como potência. Brasil continua terrivelmente desigual

“Mencione o Brasil e vem a adulação”, abre o “Christian Science Monitor”. “Sua luta contra a pobreza, sua crescente classe média, sua ascensão como potência são estudadas como modelos.” Mas, reage o texto de dois correspondentes:
“Em uma área o país está muito atrás: desigualdade de renda. Num novo estudo, o Brasil está no fim da lista de 18 países da região, no pagamento a mulheres e minorias pelo mesmo trabalho de um homem branco”. Fonte Toda Mídia, de Nelson de Sá – Folha SP.

(Photograph)
Employees assemble computers at Positivo Computers, Brazil’s largest computer producer, in Curitiba on September 25. Men earn 30 percent more than women of the same age and education level in Brazil.
Cesar Ferrari/Reuters

Latin America’s worst wage gap for women and minorities? Powerhouse Brazil.

Men earn 30 percent more than women in Brazil, according to a new report from the Inter-American Development Bank. That gap is almost zero in Guatemala and Bolivia.

By Andrew Downie | Correspondent of The Christian Science Monitor
and Sara Miller Llana | Staff writer of The Christian Science Monitor

São Paulo, Brazil; and Mexico City – Mention Brazil today and adulation follows. Its fight against poverty, its growing middle class, and its emergence as an economic powerhouse are all being studied as models to be applied elsewhere. (Read our three-part “Brazil Rising” series for more.)

In one area, however, the country is far behind its peers: income equality. In a new study by the Inter-American Development Bank (IADB), released Monday, Brazil sits at the bottom of a list of 18 regional countries when it comes to how much women and minorities are paid for the same job a white man does.

Men earn 30 percent more than women of the same age and education level in Brazil. In Bolivia and Guatemala, that gap is essentially zero. Compared to Mexico, the other economic engine of the region, Brazil also stands out: Men in Mexico earn just 7 percent more than their female peers. The same gaping divide appears in Brazil when comparing wages for whites and minorities – a blow to a nation where half the population considers itself black or mixed race and prizes itself on being “color blind.”

“Brazil is regarded in gender and ethnic terms as a very equalizing country. Everywhere there is inclusion. This is what Brazilians like to think about themselves,” says Hugo Ñopo , an IADB economist and lead author of the study. “What the statistics show is that there are important gaps…. We think of it as an invisible wall.”

Women: majority of workers in Latin America

With trade liberalization, economic growth, and urbanization, women throughout Latin America have joined the workforce in droves in recent decades, today comprising about 52 percent of all workers. But fair income distribution has not caught up. In the 18 nations studied, men earn on average 17 percent more than women, when accounting for age and educational attainment levels. In most countries, the gap is biggest among those with the least education. Women’s participation in the informal sector, such as domestic work that typically is underpaid and without benefits, drives down their earning power.

But in Brazil, the gap is so high, Mr. Ñopo says, because women are absent from the highest levels of corporate hierarchies. According to Leila Linhares Barsted, executive coordinator of Cepia, a Rio woman’s rights group, gender gaps have closed over the decades and women now comprise 40 percent of the nation´s workforce – an all-time high, she says. Brazil has good social policies in place, giving women 120 days of maternity leave. That’s more than in the US.

But wage inequality looms large. “In spite of government campaigns for equality, there is a still a sector that discriminates, salary wise, against women,” Ms. Barsted says.

While old-fashioned discrimination is to blame in part for unequal wage distribution, there are other forces at play, says Ñopo. The study revealed the same gender income gaps for those who are self-employed – data that surprised the researchers and goes against long-held views that the employer is always to blame. “It’s the other way around. Self-employment is very attractive for females who have to take care of household responsibilities,” Ñopo says. “Having flexibility is invaluable for them. But the result is this flexibility that they look for in the labor market comes at a price.”

Brazil also at bottom for racial disparity

After Brazil, Uruguay and Nicaragua are the worst for wage inequality between genders. In Uruguay men earn 26 percent more than women and in Nicaragua, 20 percent more.

For minorities, Brazil is also is ranked at the bottom of the list at 30 percent disparity (followed by Guatemala at 24 percent and Paraguay at 22 percent).

The indigenous, who comprise about 10 percent of Latin America´s population, have made strides in countries such as Bolivia and Ecuador, reasserting their rights to resources and political inclusion. But in the seven countries where data was collected for the IADB study, ethnic and racial minorities earn 28 percent less than their white counterparts.

Mario Theodoro, a director at the government-sponsored research institute Ipea and author of a book on racial inequality in Brazil, says that Brazil’s emergence on the world scene has not included everybody.

“What we have shown is that in spite of the growth, in spite of a more diversified economy, in spite of more jobs and higher paying jobs, the difference between blacks and whites remain,” says Mr. Theodoro. “The classic economic instruments are not sufficient to resolve problems of racism that are historical and cultural. We need to use different methods.”

The government defends Brazil’s record. Edson Santos, the Special Secretary for Policies Promoting Racial Equality, says that President Luiz Inácio Lula da Silva has made it a point to address inequality.

“The gaps are high but they are being reduced over time, especially since Lula took power,” Mr. Santos says, adding that under Lula the income of the poor has risen by 10 percent while the income of the rich has risen 2 percent.

Ivanir dos Santos, the executive secretary of the Center for the Articulation of Marginalized Peoples, says that the country´s legacy of slavery has taken a toll and that affirmative action programs, such as those developed in the US, are crucial to promote real change. An optional quota for blacks in federal universities, for example, is a step forward but does not go far enough. The government needs to take more mandatory measures, Mr. Dos Santos says.

Compounding the problem, he says, is that Brazil’s Congress and the media are dominated by white men and blacks tend not to be in politics in Brazil, in large part because they are poor and uneducated. There is neither an influential lobby nor a thriving black middle class.

“Brazil is growing but the difference between blacks and whites remains the same,” says dos Santos. “More concrete measures are needed.”

20/09/2009 - 16:29h Freud 70 anos: Mistérios que vêm da masculinidade

Psicanalista não previu que mudanças na sociedade deslocariam a figura feminina de lugar e criariam uma nova relação entre os gêneros

Especialistas refletem sobre a obra do pai da psicanálise

Maria Rita Kehl – O Estado SP

Não se sabe que motivos levaram o escritor Grégoire Bouiller a encerrar por e-mail a relação amorosa com a artista plástica Sophie Calle. De fato, o protocolo contemporâneo da gestão dos afetos não recomenda o método e nem a mídia, considerada impessoal e burocrática demais diante das razões do coração. Os visitantes da exposição Cuide de Você (Prennez Soin de Vous), que ocupou o Sesc Pompeia entre 10/7 e 7/9 tiveram acesso a uma cópia da carta de rompimento, mas não às razões pelas quais o autor preferiu o e-mail a uma conversa pessoal. Quem sabe ele tivesse tentado romper a relação antes, pessoalmente, sem sucesso? Ou temesse por parte de Sophie uma cena melodramática e constrangedora, no limite do decoro tão caro aos parisienses?

O fato é que a ex-namorada conseguiu reverter a humilhação provocada pelo pé na bunda eletrônico de Grégoire convocando, a seu favor, uma fervorosa adesão feminista, pós-moderna, multidisciplinar e internacional. As 107 mulheres a quem Sophie enviou a carta de Grégoire a pretexto de consultá-las sobre como respondê-la foram unânimes em condenar a falta de etiqueta, de sensibilidade e, por que não? – de macheza por parte do rapaz. É possível agrupar as objeções das amigas de Calle em duas categorias principais: as críticas ao estilo supostamente literário de Bouiller e os diagnósticos de coloração psicanalítica à personalidade do rapaz. A carta de Grégoire foi considerada kitsch, maneirista, antiquada, estereotipada, brega, convencional – observações que teriam ferido de morte o escritor se a carta fosse uma peça literária. Já sua personalidade, foi diagnosticada por mulheres de diversas profissões como egoísta, infantil, narcisista, insegura, dissimulada e despreparada para o amor. Grégoire foi condenado, com base no código de ética pós-feminista, por um delito moderno tipicamente masculino: o de não estar à altura da imensa capacidade de amar das mulheres.

É provável que elas tenham razão. Não é difícil perceber o cabotinismo do rapaz, que tenta se passar por uma vítima de sua própria infidelidade. O que me interessa, entretanto, é observar que as fraquezas de caráter de que Grégoire é acusado são, sem tirar nem pôr, idênticas às características atribuídas por Freud às próprias mulheres, desde seu texto Introdução ao Narcisismo, de 1914. Infantilidade, narcisismo, egoísmo, frieza de sentimentos e uma habilidade para a dissimulação desenvolvida a partir de seu complexo de castração, compõem a estilística da feminilidade, segundo a observação freudiana. Em vários outros textos, entre os quais O Eu e o Id (de 1923), A Sexualidade Feminina (1931) e A Feminilidade (1933), Freud confirma suas observações anteriores. A repressão sexual à qual as moças eram submetidas desde a infância, o desconhecimento da vagina, o sentimento de humilhação devido à inferioridade de seu minúsculo órgão sexual em comparação com o falo masculino, tudo contribuiria para tornar as mulheres frígidas no sexo e arredias no amor. Do homem, uma mulher só desejaria duas coisas: que a colocasse em um pedestal de modo a confirmar seu valor como objeto privilegiado do desejo dele; e que lhe propiciasse a única e verdadeira experiência de plenitude a que a mulher teria direito: não o êxtase do sexo, mas o da maternidade. A feminilidade seria uma espécie de preço pago pela mulher ao homem, visando à obtenção do falo-filho. “A mulher freudiana é aquela que diz “obrigada” ao homem”, escreveu Colette Soler.

O homem freudiano seria o narciso ferido, sempre inseguro de seu valor; eterno amante dedicado a conquistar o amor da virgem inexperiente a quem caberia, depois do casamento, reconhecer a virilidade dele. A mulher representava o objeto misterioso que, embora dependente material e juridicamente do parceiro, jamais lhe revelaria o segredo de seu desejo e de seu gozo. O homem freudiano ocupa a posição do amante e a mulher, a do objeto idolatrado. Mas para que a estratégia funcione, é essencial que a moça conserve uma aura de mistério e de estudada indiferença. Nisso consiste a mascarada da feminilidade, cuja função é ocultar a verdade do desejo e da castração femininos.

Onde se encontram, hoje, as “verdadeiras” mulheres freudianas? Teremos nós, gerações pós-feministas, esquecido os artifícios e artimanhas que nos faziam tão atraentes quanto inacessíveis à fantasia masculina? Hoje, não nos parece que os homens é que andam arredios, ao passo que as mulheres do século 21 se comportam como guerreiras assediadoras da gélida fortaleza masculina? “O que faço para sustentar meu desejo por esta que se entregou a mim desde o primeiro momento?” perguntam os rapazes de hoje que, por angústia e vingança, transformam suas amadas em grandes mães assexuadas.

A linha divisória entre homens e mulheres, pelo visto, perdeu sua antiga fixidez, trazendo mobilidade e liberdade para ambas as partes. Se o falo não é um pênis e sim um significante, seu manejo está franqueado a homens e mulheres. Só que, ao insistir em sustentar a equação pênis=falo, os homens acabam por se colocar em uma posição muito mais frágil do que as mulheres. Estas recém-descobriram, por conta da própria psicanálise, que o órgão masculino só possui o valor fálico que elas lhe conferirem.

Freud estaria enganado em suas observações a respeito das diferenças entre os sexos, das quais faço aqui uma proposital caricatura? Não creio. O que ele não poderia prever é que as transformações da cultura, para as quais a psicanálise desempenhou no século 20 um papel central, fariam por deslocar as mulheres de seus lugares tradicionais até exigir a construção de outra feminilidade ou, ainda mais: de outra relação dialética entre homens e mulheres.

Não é impossível então, que na medida em que as mulheres se livraram de algumas restrições sexuais e existenciais impostas pela moral vitoriana, a linha demarcatória entre a masculinidade e a feminilidade tenha se deslocado – forçando os homens, por enquanto, a jogar na defensiva. Freud já havia percebido a existência de um hiato na complementariedade imaginária entre homens e mulheres, a ponto de perguntar à sua amiga Marie Bonaparte: mas afinal, o que quer uma mulher? Pergunta que repercutiu em todas as gerações de psicanalistas, sobretudo homens. Ora: é claro que ninguém pode saber o que deseja uma mulher. O desejo é, por definição, inconsciente. Um homem também desconhece o próprio desejo.

Quanto ao suposto mistério do querer feminino, que se manifesta por intermédio de fantasias triviais e de pequenas reivindicações dirigidas ao outro – bem, nesse caso qualquer mulher pós-freudiana poderia responder: eu quero o mesmo que você, seu bobo. Você só não percebe porque não quer saber que sou sua semelhante, sua rival, sua irmã.

E, nesse caso, a diferença sexual continua um mistério – para os homens e para as mulheres.


* Maria Rita Kehl, psicanalista, é autora de O Tempo e o Cão (Boitempo), entre outros livros

29/08/2009 - 22:30h Quando gritar não é suficiente

De crime contra os costumes, o estupro passou a crime contra a dignidade sexual

 

Mônica Manir e Bruna Rodrigues, O Estado de S. Paulo

 

SÃO PAULO - ”Será justo, então, o réu Fernando Cortez, primário, trabalhador, sofrer pena enorme e ter a vida estragada por causa de um fato sem consequências, oriundo de uma falsa virgem? Afinal de contas, esta vítima, amorosa com outros rapazes, vai continuar a sê-lo. Com Cortez, assediou-o até se entregar. E o que em retribuição lhe fez Cortez? Uma cortesia…”A gentileza de Fernando Cortez indignou a jurista Silvia Pimentel. Tanto que, ao lado das pesquisadoras Valéria Pandjiarjian e Ana Lúcia Schritzmeyer, ela decidiu escanear outras cortesias do gênero pelas cinco regiões do Brasil. Diante de 50 decisões de tribunais de Justiça, as três compilaram tudo em livro e confirmaram o seguinte: o crime de estupro era o único do mundo em que a vítima é acusada e considerada culpada da violência praticada contra ela.Isso foi em 1997. Silvia diz hoje ter vontade de fazer outra pesquisa, mas é bem possível que a essência do problema dispense atualização. Por sua experiência como vice-presidente do Cedaw, Comitê para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres, organismo da ONU, o estupro continua entre o crime e a cortesia pelos hemisférios afora. Aqui, a lei nº 12.015, do último 7 de agosto, tenta apertar o cinto em torno da violência sexual, acomodando o atentado violento ao pudor sob a premissa do estupro no Código Penal. De crimes autônomos, tornaram-se um só. É por causa dessa mudança que o médico Roger Abdelmassih foi acusado de 56 estupros contra pacientes, e não de 53 atentados ao pudor e 3 estupros.

Uma das criadoras do Conselho Estadual da Condição Feminina, do Estado de São Paulo, fundadora do Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem), professora de filosofia do direito da PUC-SP, Silvia se diz uma aprendiz contumaz. A lição mais recente veio da última reunião do Cedaw, em Nova York, da qual é recém-chegada. Ali confirmou que o estupro ainda é estratégia poderosíssima em conflitos armados: “O inimigo acaba com a autoestima da outra parte, as mulheres estupradas perdem a autoestima, seus maridos também, seus pais idem”. No âmbito doméstico, ele continua abafado pelas conivências familiares. No meio jurídico, se não for por cortesia, por vezes vigora pelo padrão. “In dubio pro stereotypo”, diz Silvia, em frase de sua autoria, que ela aos poucos destrincha na entrevista a seguir.

http://www.estadao.com.br/imagens/p1x1/nojardim222.jpgA lei 12.015 é uma conquista das mulheres na medida em que suprime o atentado violento ao pudor e o inclui no artigo que trata do estupro?

É uma conquista, em primeiro lugar, porque os crimes sexuais deixaram de ser crimes contra os costumes. Até este mês, estupro, atentado violento ao pudor, posse sexual mediante fraude e assédio estavam sob essa rubrica no Código Penal. A minha hipótese é a de que isso acontecia porque o estupro, em especial, é visto como um ato disfuncional da sociedade ofensivo aos seus bons costumes. Daí a veemência e repúdio ao delito em si, havendo o uso de expressões contundentes e desqualificadoras em relação ao estuprador. Contudo, ainda se expressa desrespeito também à parte ofendida, levantando dúvidas quanto às suas declarações e à sua própria moralidade.

O fato de unificar a expressão ‘atentado violento ao pudor’ com o estupro fará diferença quanto ao tratamento da vítima?

Acho que essa unificação responde de imediato a uma crítica quanto à linguagem. No ideário popular, a violência sexual máxima é o estupro. E ele designa mais do que a conjunção carnal com a penetração vaginal. Entendemos também como estupro a penetração anal, por exemplo. Ofende tanto quanto. Nos Estados Unidos, ambos são rape. Na Inglaterra, também.

Por que fazemos diferença aqui?

O direito brasileiro definia assim porque está ligado de uma maneira muito forte à ideologia patriarcal. A legislação penal que vigorou entre nós nos primeiros anos do Brasil foram as ordenações filipinas, e essas expressões todas derivam delas. A ideia de pudor, por exemplo, está intimamente ligada a recato, honestidade, virgindade, defloramento. Antes, cabia ao marido pedir a anulação do casamento caso sua mulher tivesse sido deflorada por outro homem. A questão da virgindade era o ponto alto. O estupro, visto apenas como penetração vaginal, é aquele que de fato compromete essa noção familiar porque a vítima pode perder a virgindade e ainda correr o risco de ficar grávida. Mas a nossa sociedade se transforma, e o direito existe para acompanhá-la. Hoje a palavra “estupro” designa mais do que designava. No artigo 213 da mesma lei, por exemplo, estupro significava “constranger a mulher”. Agora é “constranger alguém”, pode ser de ambos os sexos.

Nesse mesmo artigo, estende-se também como estupro ‘praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso’. De que ato libidinoso se trata aqui?

Se você quer saber se eu acho essa linguagem boa, eu vou dizer que não. Não acho. Primeiro, precisamos ler duas ou três vezes para entender quem é esse “ele”. Depois, “ato libidinoso” é muito amplo. No direito, muitas vezes existe indeterminação numa norma legal. Onde está a definição de ato libidinoso? Não está. Já deve existir uma definição por parte dos penalistas para isso, mas não é uma definição legal. Por não estar definida, paira certa vaguedad. Não gosto de traduzir para o português essa vagueza, é estranho demais. Os juristas argentinos, aliás, há muito tempo trabalham bem com esse conceito. De qualquer forma, a linguagem jurídica tem sempre de ser muito comunicativa.

Alguns homens já dizem que um beijo roubado pode torná-lo um criminoso…

Um beijo roubado não vai torná-lo criminoso da noite para o dia, isso não deve ser encarado como estupro. Agora, não podemos nos esquecer do assédio sexual. Nesse sentido, meu projeto vai mais no sentido educativo do que o atual, propondo políticas internas nas empresas para uma atenção maior para o tema. Acho mais rico que trabalhem a questão do que punam. A ideia que temos é de que assédio sexual não é crime, mas é. Para caracterizar assédio sexual ele precisa ser de um superior, e muitos chefes têm esse tipo de procedimento. Eles se valem da relação de poder que têm no ambiente para obter isto ou aquilo em troca de benesses. Não é nada fácil comprovar um assédio sexual. É mais fácil comprovar o estupro, que deixa evidências para o IML.

Antes da lei, podia-se somar as penas de estupro com a de atentado ao pudor. Ou seja, chegaríamos a 20 anos de reclusão máxima, e não a 10. A pena foi, de certa forma, atenuada. Seria uma falha da unificação?

Em termos de Direito Penal, não me preocupo tanto com a quantidade da pena, e sim com uma tipificação clara, com uma penalização razoável e uma punição efetiva. E não estou dizendo, com isso, que os colegas que criticaram esse ponto estejam juridicamente incorretos. Ocorre que, muitas vezes, quando se estabelecia a soma das penas de estupro e atentado violento ao pudor, a pena ficava tão imensa que descaracterizava até o crime.

A senhora mencionou, no início da entrevista, que se levantam dúvidas quanto às declarações da parte ofendida. Isso ainda acontece com frequência?

Existem pesquisas, como a minha, que mostram que a palavra da mulher, especialmente a da mulher adulta, não é levada a sério. Muitos ainda dizem que ela quis ser estuprada ou se insinuou além da conta. Com as crianças, há uma boa vontade por parte dos operadores do direito. Ainda assim, se a boa vontade fosse tão grande, não teríamos uma prostituição de menores do tamanho da que existe no nosso país. Essa prostituição significa estupro reiterado pelos homens que mantêm relações sexuais com menores.

Em relação aos demais poderes, o Judiciário ainda é o mais resistente a essas reivindicações de gênero?

O Judiciário tem sido tradicionalmente apontado como poder conservador. Ao mesmo tempo, é ele, principalmente por meio das suas instâncias primeiras, que está trazendo luz a uma série de temas polêmicos. Um exemplo é a união civil homoafetiva. Esse projeto de lei, apresentado por Marta Suplicy há tantos anos, não consegue ser aprovado no Legislativo. Ao mesmo tempo, em nove Estados brasileiros e no Distrito Federal, temos decisões judiciais reconhecendo a união, de fato, de um par homossexual como aspecto de relação familiar.

Vem também da desconfiança quanto ao Judiciário a dificuldade de denunciar?

Existe essa dificuldade em todas as regiões do mundo, dos países mais modernos aos menos desenvolvidos. A violência sexual é algo muito íntimo, muito privado. Não raro a mulher evita contar sobre essa violência até mesmo para o marido. Ela se envergonha. Por quê? Porque está no inconsciente que, quando o estupro acontece, a mulher deu causa. Vou dar um exemplo. Uma aluna minha foi estuprada na Praça da Sé por volta das 18h30 num dia da semana. No seguinte, ela foi à faculdade. Estava mal, com a cabeça encostada na parede. No final da aula, ela e uma colega vieram até mim. A colega disse que ela queria contar do estupro. A menina estava tão chocada que nem retirou a calça jeans para ir ao banheiro desde a noite anterior. Ainda assim, não quis denunciar o caso na delegacia da mulher nem contar para os pais. O máximo que consegui foi orientá-la na parte médica. Pois a menina tinha um namorado. Três meses depois o menino terminou o relacionamento. Ela disse que ele passou a olhá-la de forma diferente depois que soube do estupro. Ela estava se sentindo culpada de alguma maneira. Ou seja: gritou, mas não gritou o suficiente. Impediu, mas não como devia.

O estupro é um crime que envolve muita reincidência?

Li muito a respeito, e em diferentes perspectivas, mas existe pouco estudo e conhecimento a respeito da reincidência. Agora, é fato que essas relações sexuais se dão muitas vezes com pessoas das próprias relações, como amigos e parentes. Isso torna a situação ainda mais difícil porque implica estabilidade de um relacionamento social que transcende o relacionamento com aquele tio ou aquele pai. A família inteira se envolve. É altamente provável que as mães saibam quando os pais reiteradamente têm relações com suas filhas. Dizer que não sabiam? Você acredita nisso? Eu, desde que tenho filho, tenho sonho leve. A gente fica atenta. Até porque isso se dá na própria casa, que em geral não é do tamanho de um Palácio de Versailles. Para manter o status quo, há interesses os mais óbvios, como os econômicos e financeiros, até dependência emocional e psicológica. Conheço casos de mães que praticamente negociavam a filha de 2 anos com o marido/amante/namorado para não perder o parceiro.

A senhora acha que a mudança da lei pode provocar protestos em torno do estigma de ser chamado de estuprador? Quem praticava atentados violentos ao pudor não recebia essa denominação…

Eu acho que a notícia de que alguém teria praticado mais de 50 atos hoje categorizados como estupros determina uma decisão diferente. Pode-se, pelo menos, mudar essa naturalização da violência sexual. Ser chamado de estuprador é, sim, muito forte, tanto que, quando o acusado chega à prisão, ele recebe uma sanção dos próprios presidiários no sentido do que os presos entendem por estupro. Veja o disparate, o nonsense da situação. Esses mesmos homens que estupram um estuprador que vai para a cadeia talvez tenham tido relações nunca sabidas com as próprias filhas. Onde está a lógica? O pai que tem relações incestuosas entende que tem o direito de fazê-lo. As meninas seriam suas coisinhas. Por que os homens têm essa compreensão e, na cadeia, se julgam no dever ético de punir o estuprador? Acham que os outros estupradores estariam colocando em risco suas próprias filhas e mulher, que são propriedade deles. Se o outro estupra minha propriedade (filhas e mulher), ele está invadindo/usurpando a propriedade alheia.

Pode ser que o agressor ache que não estuprou.

Em 1996 estive no Peru, onde um jovem sociólogo havia entrevistado presos estupradores. Dali saiu um livro. Enfim, seus entrevistados eram presos condenados por estupro, todos na cadeia. O autor dizia que o mais chocante para ele foi olhar nos olhos desses homens e perceber que eles não tinham a mínima noção da ofensa que faziam. Diziam: “Mas eu nunca machuquei a minha filha”. Alguns não machucam mesmo, isso se dá pela sedução. Freud veio mostrar que existe o complexo de Édipo e o complexo de Electra. Nossa condição humana, o instinto do seres humanos, nos leva à atração. Agora, somos seres humanos, não somos animais irracionais. Devemos articular as nossas ações, que são razão e não-razão. Daí a importância de vivermos numa sociedade que tenha claro, como valor social e jurídico, o não-incesto. Qual é a primeira ação tipificada como crime na sociedade? O incesto. As pessoas têm que se organizar internamente, saber que uma sociedade civilizada repudia não só o incesto, mas qualquer violência sexual contra as mulheres, sejam elas pequenininhas, adolescentes, mulheres maduras ou idosas.

São muitos os casos de violência sexual contra mulheres idosas?

Em dados numéricos, não. Mas existe sim. Algumas pesquisas mostram que o estuprador compulsivo violenta a primeira mulher que aparece. Claro que as bonitas estão mais vulneráveis, e as crianças mais ainda, isso em todas as sociedades. Na ONU, venho falando muito nesse tema e vejo que minhas palavras causam mal-estar porque as pessoas não querem dar nome às coisas. A primeira coisa que devemos fazer quando descobrimos um problema é nomeá-lo.

A violência sexual permeia todas as camadas sociais?

Várias colegas minhas da área de psicologia e alguns de pesquisas dizem que é provável que os dados mostrando alta incidência de estupro nas camadas menos favorecidas têm relação com a menor intimidade delas. Nas camadas sociais mais altas, as questões vão para os divãs dos psicólogos e psiquiatras. Muitas mulheres de classe média alta podem não ter contado o que viveram aos maridos, mas certamente o fizeram aos seus terapeutas. O importante é lembrar que a divisão entre o mundo privado e o público sempre existiu, mas essa divisão foi questionada em termos históricos pelas mulheres feministas. Elas perceberam que o historicamente privado não pode continuar a sê-lo porque as maiores violências que acontecem contra as mulheres se dão dentro de casa. E em todas as camadas sociais.

Uma maior educação pode diminuir a incidência desse crime?

Não existe nenhuma pesquisa sobre isso. Na minha percepção, a educação precisa ter um papel nisso tudo, que é o de contribuir para o domínio sobre os próprios instintos.

Há dados a respeito de violência sexual praticada por médicos?

Eu desconheço. Talvez procurando no Conselho Federal de Medicina… O que posso dizer é que nunca vi ninguém fazer intervenção cirúrgica sem ter um assistente. Mas muitas pessoas não querem perder o emprego. Ao mesmo tempo, a mulher dizer que um médico tentou uma violência sexual contra ela é muito difícil. O parceiro sempre pode ter dúvida. Não é que o cara seja louco, mas isso está consoante com a maneira de se interpretar o fenômeno que mencionamos anteriormente. Além de se sentir culpada por causa do marido, ela se percebe muito coitada, fica fragilizada, machucada no âmago.

O estupro é a forma mais intensa de submissão?

Sim, é a forma mais intensa de submissão, uma arma muito usada na guerra, inclusive. O inimigo acaba com a autoestima da outra parte. As mulheres estupradas perdem a autoestima, seus maridos também, seus pais idem. Veja você o caso congolês. Há um filme chamado Rape in Congo, que foi passado para nós na última reunião da ONU. É uma grita geral porque os homens estão sendo estuprados. É óbvio que estou de acordo com que a gente grite por eles, mas por que não gritam igualmente pelas mulheres estupradas? Lembra-se das comfort women, famosas na 2ª Guerra Mundial? Justificou o ódio de uma grande região da Ásia em relação aos japoneses, que tomavam as meninas dos povos conquistados e as levavam aos locais onde estavam os guerreiros para que servissem de prostitutas. Têm sido feitos livros e pesquisas para que essas mulheres contem suas histórias.

Além do Congo, que outro caso recente de violência sexual foi ouvido pela ONU?

Foi um caso que envolve liberianos num campo de refugiados no Arizona (EUA). Uma menina liberiana de 9 anos foi estuprada por liberianos. Quando a família soube do fato, pôs a menina pra fora de casa. A Libéria tem uma presidente mulher. Ela se manifestou publicamente fazendo o seguinte: passou uma mensagem à família da menina dizendo que ela não poderia ter feito isso, mas passou outra ao governo do Estado americano no sentido de que deem a esses rapazes estupradores a possibilidade de se reinserirem culturalmente na sociedade. Como recebemos a Libéria exatamente agora, levantei o tema. Foi lembrado pela delegação deles que deveríamos considerar que o país ficou 14 anos em guerra civil e que ambas as facções ou grupos que brigavam entre si, partidos políticos que sejam, estupravam as mulheres da outra facção. O que estou verificando pouco a pouco é que o estupro em conflitos armados é um dos problemas mais universais e um dos que mais precisam ser trabalhados.

E como o Comitê Cedaw lida com esses casos?

Bom, nós lidamos diretamente com todos os países que ratificaram a Comissão da Mulher. Eles são obrigados a nos entregar relatórios de cumprimento dos 16 artigos de substância sobre os direitos femininos, dizendo o que fizeram e o que deixaram de fazer e apontando os obstáculos. Nós analisamos esses relatórios e encaminhamos perguntas a eles. Depois chamamos os representantes desses países e mantemos um dia inteiro de diálogo construtivo. Nesse trabalho na ONU, aprendi muito escutando grupos de ONGs que trouxeram mulheres violentadas. Vi que o curative rape ainda vigora em algumas regiões do mundo, em diferentes versões. Numa delas, meninas que chegam à puberdade e ainda não definiram sua sexualidade são violentadas para que optem pela heterossexualidade. Já em alguns grupos étnicos do Laos, as meninas são disponibilizadas para o estupro coletivo e até agradecem por isso. Se não forem estupradas, não viverão além de 35 anos. Acho que nenhuma sobrou para contar história diferente. Já na região da Mauritânia as meninas, quando fazem 9 anos, são amarradas a uma cadeira durante o dia. Em volta são colocados 18 litros de leite, uma quantidade enorme de cereais, isto e aquilo, para que engordem até 120, 130 quilos. Quando atingem esse peso, estariam no ponto para serem dadas aos seus esposos. Qual é a crença? Quanto maior forem, maior será o tamanho do lugar que ocuparão no coração do marido. O que cada vez mais aprendo dessas situações horrorosas a que as mulheres são submetidas é que há sempre uma justificativa comum: a sublimação é boa para a sociedade.

25/08/2009 - 21:19h Lilith, la louve junkie

Il peut sembler paradoxal de revendiquer la fellation comme une forme de libération féminine. Et pourtant. Lilith suçait. C’est, à en croire Primo Levi, la première femme de la Création. Elle faisait l’amour avec sa bouche. Jusqu’au jour où… Ève est arrivée.

Lilith-KenyonCox

Il existe, dans la tradition judéo-chrétienne, deux histoires très différentes de la création. Dans la première, Dieu aurait créé la femme et l’homme égaux. Lilith sortait de la même argile qu’Adam. Mais comme Dieu n’avait pas assez d’argile, il mit le sexe de Lilith sur son visage, son utérus occupant la place du cerveau. Lilith – symbole du plaisir sexuel absolu – jouissait donc par la bouche. Quand elle s’est enfuie, par refus de soumission à l’homme, Dieu créa Ève, pâle ersatz d’Adam, pour lui obéir fidèlement. Tandis qu’Ève inaugurait l’ère de la femme au foyer, Lilith, elle, est restée libre, stérile, affamée de désir, tenaillée par une faim permanente. C’est la femme des premiers âges.

Lilith-DanteGabrielRossetti

«On dit qu’elle aime la semence des hommes», explique Primo Levi. «Toute la semence qui échappe à la seule destination admise – la matrice conjugale – elle s’en empare: toute celle que chaque homme a gaspillé dans sa vie, en rêve ou par vice»… Lilith, la louve junkie, recueille le sperme du monde avec l’appétit d’une démone. Comme les succubes, elle vient la nuit visiter les hommes pour les sucer dans leur sommeil. Vampire nocturne, Lilith incarne la puissance du désir porté à son incandescence: elle fait l’amour avec sa langue, avec l’orifice sacré de la parole, transformant l’acte sexuel passif en acte de création. Car en elle, le sperme ne donne pas naissance à des enfants de chair et d’os. Il féconde son cerveau et non pas son ventre.

Voilà pourquoi Lilith fait peur: elle fait l’amour d’une façon mystique, recevant le phallus comme une hostie, à genoux devant le fétiche qu’elle embrasse, éblouie par la grâce… il y a quelque chose de scandaleux dans ce plaisir contre-nature. Car Lilith parvient, en adorant le sexe viril, à renverser les rôles: c’est l’homme qui s’abandonne entre ses lèvres, et non pas la femme qui se soumet. C’est la femme qui prend le contrôle et l’homme devient sa nourriture. Spirituelle bien sûr. Mais il n’empêche, c’est ambigu: pour beaucoup d’hommes, la fellation reste une menace associée au «con denté».

Pour eux, la seule manière de surmonter cette angoisse de castration consiste à faire de Lilith un «trou» où décharger toute cette agressivité revancharde. Les résumés des vidéos X illustrent bien cet état d’esprit. «Pour la première fois de sa vie, une belle blonde se fait remplir de sperme par tous les trous. Cette salope complètement déchainée s’étranglera en avalant le sperme d’une dizaine de queues» (Puissance X2). «Ils la forcent à les sucer pour la transformer très vite en vide-couilles. Son corps et sa bouche servent de serpillère pour éponger le foutre» (Gang-bang et sodo pour une salope). Résumés révélateurs: «Sous la loupe grossissante de la pornographie, explique Claude Guillon, auteur du livre Le Siège de l’âme, la femme doit être soumise, humiliée et satisfaite de l’être, mais cela ne suffit pas. Le voyeur-violeur postule que la salope aime l’abjection qu’il lui impose: ce postulat lui est d’un certain secours émotionnel pour surmonter la honte de ses faiblesses

Et pourtant, même réduite a silence, la fellatrice peut rester sublime: ne se souciant ni d’orgueil, ni de morale, elle dépasse le vieux problème de la violence et du sacrifice. C’est la mutante idéale du roman d’Alina Reyes qui lui consacre – sous le titre éclatant Lilith – sa plume la plus fiévreuse et haletante. Lilith est un roman de science fiction apocalyptique: une femme du futur retourne à l’état primitif. Elle devient “mangeuse” d’homme, notre nouvelle mère. Lilith réincarnée, pour qu’enfin nous puissions sucer sans nous avilir.

Histoire raisonnée de la fellation, Thierry Leguay, (éd Le Cercle). Lilith, Alina Reyes (éd robert Laffont). Lilith, Primo Levi, (éd Liana Levi). Le siège de l’âme, Claude Guillon, (éd Zulma).

 

Fonte Les 400 culs

25/08/2009 - 20:46h Ao feminino

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Dora Maar, Portrait d’une femme, Paris, c. 1935

Mulheres a olhar para mulheres
(P2, 21.08.2008)

Bem vistas as coisas, discutir o sexo da fotografia é mais ou menos como discutir o sexo dos anjos. De exclusivamente feminino só mesmo o género da palavra, porque, enquanto processo
técnico, o suporte fotográfico é insensível ao sexo de quem regista ou de quem cria. À partida, a fotografia apresenta-se como campo neutro, pronta para ser manipulada, disponível para ser
consequência de variáveis como o gosto, a sensibilidade, a formação e também… o género.

Para abrir o ensaio do catálogo que acompanha a exposição Au féminin, Women Photographing women 1849-2009 (Centro Cultural Calouste Gulbenkian, Paris, até29 de Setembro), o comissário Jorge Calado escolheu uma citação da fotógrafa americana Imogen Cunningham (1883-1976) que clarifica, à partida, a fronteira entre estes dois momentos: “A fotografia
não tem sexo”, no sentido em que, na sua génese, ela está apenas ao serviço da luz, como uma folha em branco. Apesar da sua neutralidade de género, a fotografia (ou produção fotográfica que se tornou mais visível) esteve durante muito tempo nas mãos de homens. Não que as mulheres estivessem ausentes do universo da fotografia. Muito pelo contrário, elas sempre fizeram parte dela, não só como tema e sujeito, mas também como criadoras, comissárias e teóricas (como Susan Sontag e Gisèle Freund, que assinaram alguns dos mais importantes ensaios do século passado).

O certo é que a sociedade machista em que se moveu a imagem fotográfica ao longo dos últimos dois séculos fez com que apenas nas últimas duas ou três décadas se considerasse criticamente o contributo das mulheres para a fotografia. Com Au fémininJorge Calado pretende contribuir para o “equilíbrio de géneros, numa arte geralmente limitada ao masculino”.

Nas palavras do comissário, é a primeira vez que se concebe uma exposição em que a mulher é ao mesmo tempo objecto e sujeito, autor e tema em sentido lato (não confinada à nudez ou ao retrato). Através de um total de 140 imagens de mais de 100 autoras, Calado tenta mostrar “a diversidade da condição feminina em toda a sua riqueza e subtileza”.

Há imagens de várias fotógrafas portuguesas, entre trabalhos que vão desde 1849 até aos nossos dias. Julia Margaret Cameron, Lee Miller, Dorothea Lange, Diane Arbus e Sarah Moon são só alguns exemplos da constelação de autoras fundamentais. Uma amostra do trabalho fotográfico sobre a condição feminina no Portugal dos anos 40 de Maria Lamas (1893-1983) é uma das escolhas mais notadas e surpreendentes, já que é a primeira vez que se apresenta este lado da sua obra contextualizado numa grande exposição.

Fonte Arte Photographica

24/08/2009 - 15:16h Três em cada dez mulheres já foram agredidas pelo parceiro

É o que aponta pesquisa da USP de Ribeirão com mulheres atendidas nos postos

Médica considera alto o índice e diz que mulheres e profissionais de saúde têm muita dificuldade de falar sobre o assunto

Edson Silva/Folha Imagem
M., faxineira que foi agredida pelo parceiro durante oito anos

VERIDIANA RIBEIRO
DA FOLHA RIBEIRÃO

“Ele bebia, chegava em casa muito agressivo e começava a me xingar. Falava que eu não trabalhava fora nada, que estava indo atrás de homem. E aí, ele começava a me bater.”
A história da faxineira M., de Ribeirão Preto, que durante oito anos apanhou do ex-marido até conseguir mantê-lo longe de sua casa com ajuda da Justiça, é semelhante à de outras mulheres atendidas em postos de saúde ligados ao SUS (Sistema Único de Saúde) na cidade.
De acordo com uma pesquisa realizada na USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão, três em cada dez mulheres atendidas nos consultórios da rede municipal já foram agredidas por seus parceiros pelo menos uma vez na vida.
Para realizar o estudo, coordenado pela professora Elisabeth Meloni Vieira, do Departamento de Medicina Social da FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto), os pesquisadores entrevistaram 504 mulheres consultadas no ano passado por clínicos gerais e ginecologistas nas cinco distritais de saúde.
Do total de mulheres, 34,5% afirmaram que já tinham sido agredidas de forma física ou psicológica pelo menos menos uma vez na vida.
A agressão física foi citada por 31,2% das pacientes. Nos últimos 12 meses, o total de entrevistadas que admitiram ter sido agredidas fisicamente por seus parceiros chegou a 18,2%.
“Isso [o número de mulheres agredidas] é muita coisa. A violência cometida contra a mulher pelo parceiro não é visível. E isso acontece porque as mulheres têm dificuldade de falar sobre isso e porque os profissionais da saúde também têm”, afirmou Vieira.
O objetivo do estudo, que será entregue à Secretaria da Saúde de Ribeirão, é nortear políticas públicas de combate à violência contra a mulher e de apoio à paciente que é agredida em casa.
Além disso, segundo Vieira, a pesquisa apresenta propostas que vão auxiliar o município a preparar melhor os profissionais de saúde que lidam com mulheres também para que todos os casos de violência sejam denunciados à polícia.
“Existem dados na literatura que indicam que o profissional costuma não perguntar sobre agressão quando não existem sinais de violência aparente [hematomas ou ferimentos]. E, muitas vezes, essa é a única oportunidade que a mulher tem para falar sobre o que está acontecendo com ela”, afirmou a médica.
Todos os resultados do estudo serão apresentados hoje, a partir das 8h, em um seminário sobre a violência contra a mulher voltado aos profissionais da saúde da rede básica do município. O evento será realizado no anfiteatro 2 da EERP (Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto), no campus da USP. A participação é gratuita.
Segundo a médica, já foi comprovado cientificamente que mulheres vítimas de violência procuram mais o serviço de saúde. Elas tendem a apresentar mais queixas de dores muscular e pélvica, sintomas de depressão, tentativas de suicídio, entre outros problemas.

24/06/2009 - 19:00h Arte: os desnudos são femininos, os artistas quase todos homens. Discriminação?

Na França, como nos Estados-Unidos as mulheres não encontram espaço nos museus ou exposições, salvo tirando a roupa. Quase nunca como artistas. Mas a proporção de mulheres nas escolas de belas-Artes na França, por exemplo, é majoritária. Uma exposição no Centro Pompidou trata do assunto. O debate apenas está começando. É no Brasil?

L’art est-il macho?

Rue 89

Quelle place pour les femmes dans le monde de l’art ? Petite, si l’on en croit leur sous-représentation dans les musées. Au Centre Pompidou, une expo propose une histoire de l’art 100% féminine. Mais ce séparatisme des sexes ne pose-il pas lui aussi problème ?

« Faut-il que les femmes soient nues pour entrer au Metropolitan Museum? Moins de 5% des artistes de la section d’art moderne sont des femmes, mais 85% des nus sont féminins » : placardé en 1989 dans les rues de New York par le groupe d’activistes féministes les Guerrilla Girls, ce constat ironique fait désormais partie de la collection du musée d’Art moderne et, aujourd’hui, de son nouvel accrochage sous le titre Elles@centrepompidou. Une exposition 100% féminine : un geste fort mais assurément problématique.

Sous-représentée en dépit de l’irruption massive qu’elles ont fait sur la scène de l’art tout au long du XXe siècle, plus souvent célébrées comme muses, modèles ou sources d’inspiration que comme créatrices, la grande majorité des artistes femmes est encore aujourd’hui dans l’ombre des hommes. En virant les mecs de l’exposition, en laissant les femmes entre elles, le Centre Pompidou relance donc le débat et espère peut-être inverser cette tendance générale des musées, voire du monde culturel tout entier, cet espace social qui ne fait pas ici figure d’« exception » et où la domination masculine semble encore largement de mise.

Où sont les femmes ?

Elles, et « elles seules » : l’exposition gynécée du Centre Pompidou a au moins le premier mérite de mettre les pieds dans le plat autour d’une question longtemps tenue à l’écart du champ de l’art en France. En l’espace de quelques mois, on a d’ailleurs vu se multiplier expositions et tables rondes sur le sujet (« Les Formes féminines » à la Friche de la Belle de mai de Marseille, « Cris et chuchotements » au Centre Wallonie-Bruxelles à Paris, ou encore la parution de la revue arty-féministe Pétunia).

Aujourd’hui, ce sont les statistiques qui remontent comme un constat implacable de la sous-représentation des femmes artistes en France : alors que depuis le tournant des années 2000, on constate que 60% des artistes diplômés des écoles des beaux-arts en France sont des filles, leur proportion dans les collections publiques reste largement dérisoire, avec une moyenne de 15% (à l’exception du Frac Lorraine dont la directrice Béatrice Josse mène depuis 1993 une action en faveur des artistes femmes). Rappelons qu’en 2004, on ne comptait que 5% d’œuvres signées par des femmes exposées aux deux étages muséaux du Centre Pompidou. Soit le même chiffre qu’avant la Révolution française aux Salons de l’Académie !

Evidemment, on peut contrebalancer cet inquiétant bilan en dressant une liste d’artistes femmes, en invoquant les figures très établies de Tatiana Trouvé, Sophie Calle, Annette Messager, Louise Bourgeois, Delphine Coindet, Ulla von Brandenburg ou Sophie Ristelhueber, qui ont bénéficié dans les deux années écoulées d’expositions majeures dans les institutions françaises.

Mais d’autres statistiques montrent un second visage de la condition artistique féminine contemporaine : si on compte en 2007 79% d’artistes hommes dans les collections des Fonds régionaux d’art contemporain, soit un score légèrement au-dessus de la moyenne nationale, en revanche « elles » ne représentent que 11,5 % des œuvres acquises : lorsque l’Etat s’intéresse à un artiste homme, il lui achète en moyenne 14 œuvres, contre 7 pour une artiste femme.

Situation d’autant plus étonnante que de nombreuses femmes sont aujourd’hui à la tête de musées, centres d’art, revues ou galeries : mais cette montée en masse d’un personnel féminin n’a presque aucune incidence sur la représentation d’artistes femmes. On se souvient d’ailleurs de l’exposition « Dionysiac » au même Centre Pompidou en 2005, où la commissaire Christine Macel avait écarté les artistes femmes d’une réflexion sur le corps dionysiaque et en était restée à un phallocentrisme confondant.

La solidarité féminine serait-elle donc un leurre ? Ou cette sous-représentation ferait-elle à ce point partie de notre inconscient collectif ? Eric Fassin, sociologue et spécialiste des questions de genre, commente :

« On approche toujours l’œuvre un peu différemment lorsqu’on sait qu’il s’agit d’une femme. Autrement dit, le sexe de l’art n’est pas seulement inscrit dans sa production mais aussi dans sa réception. »

Un jugement confirmé par l’artiste Lili Reynaud Dewar :

« Le fait d’être une femme ne fait pas de moi une victime, il ne m’inscrit pas automatiquement dans la catégorie “dominé”. Par contre, je sais que les réflexes d’appréciation des œuvres d’art sont parfois adossés à un concept soi-disant neutre (masculin, hétéro, blanc) et qu’ils s’inscrivent dans une histoire largement masculine. »

Des quotas ou des happenings ?

Quels moyens pour remédier à ces chiffres alarmants mais constants ? Et la parité est-elle un concept applicable au champ artistique ? Si certain(e)s refusent d’emblée cette option, et en appellent à la responsabilité du commissaire d’exposition pour garantir une représentation sinon équilibrée des deux sexes, d’autres n’hésitent pas à revendiquer la parité en art comme en politique et dans les entreprises, soulignant que ce n’est peut-être pas seulement le champ de l’art qui serait encore macho, mais la société française dans son ensemble.

C’est justement l’option militante qu’a choisie le collectif français La Barbe, inspiré des activistes des années 1960-1970 : avec leur nom en forme de ras-le-bol (la barbe ! ), ce gang des postiches intervient au Sénat ou à la Bourse, et a manifesté tout récemment au Grand Palais le jour d’ouverture de l’exposition « La Force de l’art » (où l’on ne comptait que 7 femmes pour 42 artistes).

Autre stratégie, adoptée par la grande manifestation « WACK ! l’art et la révolution féministe » organisée en 2007 au musée national des Beaux-Arts féminins (NMWA) de Washington, le seul musée au monde consacré uniquement au travail des artistes femmes : à mi-chemin du politique et de l’esthétique, il s’agit de mettre le travail des artistes femmes en relation avec les mouvements d’émancipation des minorités.

Car à trop vouloir écarter l’art des problématiques sociales ou culturelles, à trop nier les conditions d’apparition d’une œuvre et l’inscription de son auteur dans un faisceau social, bref à trop considérer que l’art serait au-dessus de la mêlée, on en revient inconsciemment à se laisser dicter la loi du « masculin neutre », pour reprendre une expression du sociologue Pierre Bourdieu dans « La Domination masculine ».

Mais pour l’historienne Yolanda Roméro, plutôt que de « chercher à accroître la visibilité des pratiques artistiques des femmes -une entreprise autrefois nécessaire et à laquelle le mouvement a consacré jusqu’à présent une grande partie de ses efforts-, il s’agit maintenant de transformer l’institution artistique, en s’appuyant sur les nouveaux paramètres nés du dépassement des rapports de domination traditionnellement admis ».

L’art féminin : une notion douteuse ?

Retour donc au musée. Et à l’exposition Elles@centrepompidou : refusant un parcours trop linéaire d’un XXe siècle au féminin, Beaubourg a fait le choix d’une lecture thématique (« le corps slogan », « immatérielles », « eccentric abstraction », « architecture et féminisme ? »). Avec l’intention, selon la co-commissaire Camille Morineau, « de “dé-lisser” le genre, de “démonter” le préjugé d’un art féminin ».

Les « pionnières » (les peintres Sonia Delaunay ou Suzanne Valadon, la photographe américaine Diane Arbus) côtoient les adeptes d’une abstraction sexuellement indifférenciée, les militantes des années 70 jouxtent la condition autrement féministe des artistes de la nouvelle génération. Une manière d’en découdre avec le féminin dans l’art, hésitant entre affichage et effacement. Mais une façon aussi d’exposer cette évidence qu’une histoire de l’art du XXe siècle s’écrit au féminin.

Phénomène intéressant, on remarque ainsi comment les femmes ont su dès les années 1960-1970 explorer des pratiques vierges, encore peu marquées du sceau masculin, comme la photographie, la performance ou la vidéo. Quand d’autres aujourd’hui, telles Anita Molinero ou Morgane Tschiember, infiltrent au contraire le domaine réservé d’une certaine « sculpture virile », qui n’hésite pas à se coltiner un corps à corps musclé avec des matériaux aussi connotés que le béton, le plastique ou les carrosseries de voitures.

Reste pourtant que cet accrochage réfléchi du Centre Pompidou est problématique à bien des égards. Avec son sponsor tout trouvé (Yves Rocher) et malgré des apparences trompeuses, l’exposition Elles@centrepompidou ne déroge pas à la règle : ici comme ailleurs dans le champ de l’art, les artistes femmes sont assignées à une place précaire, périphérique et ponctuelle. Pourquoi, par exemple, se féliciter « d’écrire une histoire de l’art du XXe siècle avec “elles” seules » ? Pourquoi vouloir isoler les femmes quand ce sont leurs pairs masculins qui ont imposé leur lecture de l’histoire de l’art ? Est-il judicieux pour un musée du XXIe siècle d’imposer l’identité sexuelle comme un thème ?

La critique d’art Emilie Renard commentait récemment :

« Aujourd’hui, dédier les collections d’un musée aux femmes, c’est prôner un séparatisme des sexes qui n’a plus cours. »

En effet, le choix douteux que représente la seule identité sexuelle apparaît aujourd’hui comme une proposition datée, presque anachronique. Faut-il rappeler combien les « gender studies » ont permis de différencier le « sexe » (biologique) et le « genre » (culturellement construit) ? Et que déjà en 1995, l’exposition « Féminin/masculin, le sexe de l’art », qui se déroula précisément au Centre Pompidou, explorait l’hypothèse d’un « érotisme non-phallocentriste, ouvrant sur une autre donne artistique » ?

Ce que la philosophe Monique Wittig dans « La Pensée straight » caractérise encore de la sorte :

« Le genre est employé au singulier car en effet il n’y a pas deux genres, il n’y en a qu’un : le féminin. Le masculin n’étant pas un genre. Car le masculin n’est pas le masculin mais le général. »

Sous d’autres formes, la lutte des classes continue.

Exposition Elles@centrepompidouCentre Pompidou, 75 004 Paris – jusqu’au 24 mai 2010.

Photos : « ssMay 07 002 » et « Princess Die » (p22earl/Flickr).

10/06/2009 - 16:16h China tem primeiro festival do orgulho gay

http://3.bp.blogspot.com/_68EAEGLzs4M/SJ23AnoBr0I/AAAAAAAAAfk/usfsVts_QME/s320/ChineseGays.jpghttp://file.asianlife.com/magazinearticle/old/1849133cc6e7db98.51220446.jpg

BBC – Portal O Globo

A comunidade homossexual de Xangai comemora nesta semana o primeiro festival do orgulho gay já realizado na China.

A iniciativa foi organizada por um grupo de jovens homossexuais estrangeiros que moram na metrópole chinesa.

Os organizadores do festival, no entanto, decidiram não fazer um desfile pelas ruas da cidade para não desagradar o partido comunista.

Paradas coloridas ao ar livre fazem parte dos eventos de orgulho gay celebrados em outras partes do mundo, como em Berlim, San Francisco e São Paulo.

O governo, porém, demonstrou simpatia com a iniciativa publicando uma matéria de capa e um editorial no jornal estatal China Daily.

A atitude das autoridades é um raro sinal de reconhecimento da comunidade gay.

Até 2001, o homossexualismo era considerado “doença mental” pelo governo e a prática de relações com alguém do mesmo sexo era um ato criminoso até 1997. Ainda hoje o tema é tabu na sociedade, principalmente nas áreas rurais.

Por causa da forte pressão sobre filhos homens decorrente da política de controle de natalidade – segundo a qual as famílias só podemter apenas um descendente – muitos chineses homossexuais acabam optando por manter um casamento heterossexual de fachada.

Festival

O festival pioneiro, batizado de Shanghai Pride (Orgulho de Xangai em tradução livre), teve inicio no último domingo 7 e vai até o próximo fim-de-semana, encerrando no dia 14.

As comemorações com temática gay incluem a exibição de filmes, peças de teatro, exposições de arte e painéis de debate.

A principal atração é uma festa que durará o dia todo no sábado e deverá atrair mais de duas mil pessoas, segundo estimativas dos organizadores.

A americana Tiffany Lemay, que participou da montagem do evento, disse ao jornal China Daily que a ideia de realizar uma parada ao ar livre foi descartada depois que os organizadores buscaram aconselhamento legal.

“Esperamos chamar atenção para questões pertinentes à homossexualidade, aumentar a visibilidade da comunidade gay ajudar as pessoas a sair do armário e aumentar o contato entre os heterossexuais e homossexuais”, explicou Lemay.

O jornal estatal afirmou no editorial que o festival é de “profunda significância” e “exibe o progresso social do país”.

Segundo estimativas oficiais, há entre 5 e 10 milhões de homossexuais vivendo na China.

No entanto, a população homossexual seria maior de acordo com Zhang Beichuan, acadêmico especializado no assunto ouvido pelo jornal.

Zhang afirmou que atualmente existem 30 milhões de homossexuais na China – 20 milhões de homens e 10 milhões de lésbicas.

01/06/2009 - 17:59h Ciclo de debates gays em SP

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A APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo) prepara para junho uma intensa programação de debates, seminários, oficinas e fóruns para discutir questões relevantes à comunidade LGBT.

Em sua 7ª edição, o Ciclo de Debates, que este ano traz como tema “Construindo Políticas para LGBT”, acontece entre os dias 3 e 19 de junho e promete reunir palestrantes de renome, como Marta Suplicy e o ministro dos Direitos Humanos Paulo Vannuchi. Todos os eventos são gratuitos e abertos ao público em geral.

Entre os assuntos que serão abordados no Ciclo estão os direitos de LGBT nas esferas estadual, federal e internacional, o sistema judicial, a situação dos LGBT na periferia, a família, a religião e o mercado de trabalho. Além de Marta Suplicy e do ministro Paulo Vannuchi, foram convidados o juiz federal Roger Raupp Rios, a desembargadora Maria Berenice Dias, as psicólogas Graciela Haydée Barbero e Elizabeth Zambrano, a assistente social Maria Lúcia Martinelli, e Berenice Bento e Regina Facchini, dois nomes importantes da militância nacional.

O 7º Ciclo de Debates é uma realização da APOGLBT em parceria com a Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual (Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo), Conselho Regional de Serviço Social (CRESS-SP), Conselho Regional de Psicologia (CRP-SP), Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) Santo Amaro, Grupo Encontro Liberdade Expressão Sexo Seguro (ELES), Ministério Público Federal (MPF), Txai Consultoria, entidade ecumênica KOINONIA, Associação Brasileira de Turismo Para Gays, Lésbicas e Simpatizantes (Abrat GLS) e revista e site A Capa.

Confira abaixo a programação completa. Para mais informações acesse o site da APOGLBT.

03 de junho (quarta-feira), às 19h
Abertura Oficial do 7º Ciclo de Debates
Debate “Construindo o sistema paulista de proteção aos direitos da população LGBT: desafios e perspectivas”
Local: Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo (Páteo do Colégio, nº 184 – metrô Sé)

04 de junho (quinta-feira), das 8h30 às 17h30
Seminário “Intervenção profissional do assistente social e conquistas de direitos LGBT”
Local: Sindicato dos Químicos (Rua Tamandaré, nº 348 – metrô São Joaquim)

06 de junho (sábado), das 13h30 às 20h30
Seminário “Sexualidade e gênero: diálogo entre a psicologia e a realidade LGBT nos 10 anos da Resolução CFP 01/99″
Local: Conselho Regional de Psicologia (Rua Arruda Alvim, nº 89 – metrô Clínicas)

08 de junho (segunda-feira), às 18h30
Debate “Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais na periferia: na luta pela cidadania plena”
Local: Centro de Cidadania da Mulher de Santo Amaro (Rua Mário Lopes Leão, nº 240 – em frente à Praça Floriano Peixoto, metrô Largo Treze)

09 de junho (terça-feira), das 9h30 às 17h30
Oficina “Direito à não discriminação e acesso à justiça”
Local: Auditório da Procuradoria Regional da República da Terceira Região (Av. Brigadeiro Luiz Antônio, nº 2020 – metrô Brigadeiro)

10 de junho (quarta-feira), às 19h
Debate “Os direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais e os três poderes”
Local: Salão Nobre da Câmara Municipal (Viaduto Jacareí, nº 100, 8º andar – metrô Anhangabaú)

12 de junho (sexta-feira), às 10h e às 19h
Workshop “O Produto GLS: especificidades e cuidados que a empresa deve ter na formatação e comercialização de um produto ou serviço GLS”
Fórum “Uma nova postura: quais as estratégias de marketing e como os destinos turísticos estão se preparando para captar o turista GLS”
Mesa de Imprensa
Roda de conversa “Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais nas empresas: reconhecimento, valorização e desafios”
Local: Hotel Panamericano (Rua Augusta, nº 778 – metrô Consolação)

15 de junho (segunda-feira), às 19h
Cineclube “Liberdade de gênero”
Exibição do filme “XXY” (Lucía Puenzo, Argentina, 2007), seguida de debate
Local: Conselho Regional de Psicologia (Rua Arruda Alvim, nº 89 – metrô Clínicas)

17 de junho (quarta-feira), às 19h
Debate “Os sistemas internacionais de proteção aos direitos humanos em defesa dos cidadãos LGBT”
Local: Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo (Páteo do Colégio, nº 184 – metrô Sé)

18 de junho (quinta-feira), às 19h
Debate “As religiões na luta contra a homofobia: perspectivas de mobilização”
Local: Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo (Páteo do Colégio, nº 184 – metrô Sé)

19 de junho (sexta-feira), às 19h
Debate “As vivências familiares de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais: famílias de origem e lares ”
Local: Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo (Páteo do Colégio, nº 184 – metrô Sé)

Fonte A Capa

28/05/2009 - 21:04h Mulheres sem fronteiras

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Xulia Arandas, Burkas

© Xulia Arandas
Mulheres sem fronteiras
Sérgio C. Andrade
(P2, Público, 24.05.2009)
Não terá sido ao acaso que a direcção dos Encontros da Imagem de Braga escolheu um mosteiro para cenário da principal exposição da edição deste ano da iniciativa, que decorre até final de Maio. O tema e as motivações da exposição colectiva Fronteiras do Género vão bem com a atmosfera de um antigo lugar de clausura. Esta dimensão e o seu oposto, de protesto (às vezes, pelo lado da ironia) e mesmo de combate social e político, compõem as imagens mais impressivas do conjunto de trabalhos das 22 mulheres fotógrafas, portuguesas e estrangeiras, que formam este núcleo dos Encontros.
Entramos na sala do milenar Mosteiro de Tibães, nos arredores de Braga, e somos recebidos por cinco produções das Guerrilla Girls, um colectivo feminista americano radical, que questiona desde o olhar de Hollywood sobre a mulher – um dos cartazes é um simulacro de poster de um filme intitulado The Birth of Feminism, protagonizado por Pamela Anderson, Halle Berry e Catherina Zeta-Jones e realizado por… Oliver Stone – até à sua representação no mundo das artes plásticas – outro cartaz pergunta por que é que a mulher tem de se despir para entrar na iconografia dos museus; outro ainda regista a evolução da percentagem de mulheres artistas na Bienal de Veneza, desde a primeira edição em 1895 (2,4 por cento) até cem anos depois (9 por cento)…
A mulher aprisionada surge logo a seguir, na série Burkas, de Xulia Aranda, que a figura enredada na sua própria condição feminina. O tema das burkas e da submissão da mulher ao estereótipo e à condição social de subalternidade nas sociedades dominadas pelo islão surge mais à frente, nos trabalhos de Susana Mendes da Silva e de Shirin Neshat.
Há, depois, a mulher-mãe nas diferentes poses que ela pode assumir perante a maternidade: desde a revolta e a violência sobre si própria no vídeo e na série de fotografias de Júlia Galán (que nestas retoma uma cena forte do filme de Tsai Ming-Liang O Sabor da Melancia) às poses das mães pós-parto nos trabalhos de Juliana Stein, que ora se apresentam como “documento”, ora como “monumento”, como escreve o crítico de arte brasileiro Artur Freitas, no texto do catálogo.
Solidão e fragilidade
Da figuração (e também desconstrução) do glamour, da moda, da publicidade e da mulher objecto sexual – “Odeio ser gorda, come-me por favor”, grita Ana-Perez Quiroga, no serviço de porcelana em que “serve” o seu corpo nu à mesa da refeição – falam as imagens de Ana Laura Aláez (o vídeo Make-up sequences), Mariana Nuñez, Cláudia Huidobro e Sophie Carlier. Até que em três instalações inesperadas – Point de vue, de Anna Malagrida, Terre annoncée, de Aurore de Sousa; e La mémoire: un voyageur du temps, de Marie-Elsa Niels – o feminino ganha também a dimensão da poesia, do sonho, da solidão, da fragilidade, da delicadeza. Respectivamente: um tríptico de janelas embaciadas pela humidade faz transparecer um exterior insondável; as mãos de uma mulher tornam-se véus para uma visão religiosa; pequenos cubos de gelo encerram flores e frutos entre o nascimento e a morte…
E há, ainda, EU, de Celeste Cerqueira, uma instalação de placas caneladas que representam os contornos dos países da União Europeia e sobre as quais é projectado um vídeo, numa montagem em que “a dinâmica social do sujeito/cidadão se encontra enredada por vezes nas ilusões vendáveis do poder político”, descreve a autora.
Para além de Fronteiras do Género, os Encontros da Imagem apresentam outros Olhares femininos em diferentes museus e galerias de Braga.
(a programação completa dos Encontros está aqui)

19/05/2009 - 16:55h Mulheres se unem contra a violência

Fabiana, agredida pelo pai quando adolescente, fez da brutalidade uma ajuda para outras mulheres. Ela se formou no curso de promotoras legais populares, voltado para despertar a consciência dos direitos femininos.

respeito
Informar para transformar

Com a ideia de tirar do papel direitos garantidos em lei, curso oferecido pelo Ministério Público ensina mulheres a reconhecer situações de violência e a acionar os mecanismos de proteção previstos

Erika Klingl – Correio Braziliense

Gustavo Moreno/CB/D.A Press
“Passei a ajudar mulheres que passaram o que eu passei. Oriento, indico onde devem ir porque muitas nem sabem que se trata de agressão”
Fabiana, 33 anos, moradora do Park Way

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
Leila Rebouças: “Queria fazer algo para contribuir com o fim da violência e não sabia como”

É incrível o que a informação pode fazer. O saber é capaz de tirar uma mulher da situação de violência doméstica. Também dá chance de defesa a crianças e cria, aparentemente do nada, grandes líderes comunitárias. Em quatro anos, 200 mulheres de todo o Distrito Federal puderam passar pela transformação gerada pelo conhecimento dos direitos legais garantidos a elas na Constituição, na Lei Maria da Penha e em tantos outros artigos que são belos no papel, mas ainda mais bonitos quando aplicados na realidade.

A fonte da mudança é o curso Promotoras Legais Populares, organizado desde 2005 pelo Núcleo de Gênero Pró-Mulher, do Ministério Público do DF, Universidade de Brasília (UnB) e Centro Dandara. O Correio foi atrás de algumas das mulheres que fizeram o curso para descobrir o que aconteceu com cada uma após saberem o que a legislação brasileira reserva para elas.

As histórias são de superação e de autoconhecimento. Como a da secretária e moradora da Vila Planalto Leila Regina Rebouças, de 44 anos. Leila fez parte do terceiro ano da turma quando tinha sido contratada pela organização não governamental Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea). Foram dois os motivadores: “Queria fazer algo para contribuir com o fim da violência e não sabia como”, afirma. O segundo motivo vem no fim da conversa, em um momento de desabafo. “Vi minha filha sendo vítima de violência com apenas 14 anos”, conta.

A menina estudava no Centro de Ensino Fundamental 02, na 107 Sul, e foi ameaçada por três garotas na internet. Há dois anos e meio, as estudantes teriam juntado um grupo de 20 adolescentes para espancar a filha dela na porta da escola. Ela só não apanhou porque faltou à aula naquele dia. A família deu queixa e o caso foi parar na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) da Asa Norte.

Leila se lembra da história e ressalta que, após o curso, fala com a filha sempre sobre os direitos e as defesas que as mulheres têm. “A violência tem inúmeras faces e intensidades. Ela ocorre muito perto da gente”, comenta. Após um ano de formação, Leila se sente segura para ajudar. “Virei atuante dos direitos humanos. Atuo no ônibus, na fila, no hospital, em vários locais. Todo dia tem alguém que sofre.”

Capacitação
É justamente essa a síntese do projeto. Transformar a realidade de violência e criar forças descentralizadas na defesa do direito. “A gente debate e capacita cada uma nos direitos. A informação dá poder”, resume a promotora Laís Cerqueira, do Pró-Mulher. “O projeto possibilita às participantes, todas mulheres, que reconheçam as situações de violência, os seus direitos e os mecanismos jurídicos de proteção da mulher.”

De acordo com Ângela Pires, da ONG Centro Dandara de Promotoras Legais, a primeira etapa é de capacitação das participantes em noções de direito e cidadania. Os encontros são realizados aos sábados no Núcleo de Prática Jurídica da Faculdade de Direito da UnB, localizado em Ceilândia. O curso dura um ano e começa sempre no mês de fevereiro. “O diálogo é o principal instrumento para a construção do aprendizado, assim como o respeito às diferentes opiniões, à liberdade de expressão e à solidariedade”, explica.

Ainda segundo Ângela, a produção do conhecimento se dá por meio de oficinas e é tratada dentro do contexto social das participantes, de forma que elas possam, a partir de suas vivências, refletir a sua inserção e o seu papel na sociedade. A ideia do projeto é conscientizar e engajar as participantes na luta pela construção de relações mais igualitárias entre homens e mulheres.

Dona Magnólia Maria José Gomes, 67 anos, que o diga. Cozinheira aposentada de Ceilândia, ela participou da primeira turma de Promotoras Legais Populares formadas no DF, em 2005. Gostou tanto do curso que, antes de orientar as mulheres da rua ou da igreja que frequenta toda semana, resolveu passar esse conhecimento para sua família. Maria do Carmo Gomes da Silva, 45 anos, filha de Magnólia, se formou no curso no ano seguinte. Hoje, Maria do Carmo segue os passos da mãe e orienta as mulheres de Águas Lindas sobre os seus direitos. E mais uma geração da família pretende se tornar promotora legal popular. A neta de Magnólia, Carla Coralina Gomes, começou a fazer o curso no ano passado e só não conseguiu terminar porque engravidou. Mas ela promete que em breve termina o curso.

“Para a vida toda”

O nome dela não pode ser divulgado. Para a reportagem, pede para ser chamada de Fabiana. Não é preciso mais do que cinco minutos para entender o cuidado. Com 33 anos, moradora do Park Way, ela convive com medo do preconceito e da incompreensão. A história de Fabiana começou no auge da adolescência. O pai bebia muito e, constantemente, batia nela e agredia verbalmente a mãe. “Não precisava de motivo. Era como se ele acordasse um dia e pensasse ‘hoje é dia dela’”, lembra. Foram anos de violência. Na juventude, contraiu o vírus da Aids, com o qual convive há 12 anos. “Tomo o coquetel há nove anos e estou bem.”

Há dois anos, Fabiana fez o curso das Promotoras Legais Populares. Na época, já fazia parte da rede nacional de pessoas que vivem com HIV/Aids, um movimento que luta pelos direitos dos portadores e dos doentes. “O efeito da formação não pode ser medido em mim. Foi uma transformação enorme e para a vida toda”, conta. A primeira mudança foi a descoberta das diversas formas de violência com a qual convivia. “Não foram poucas as ocasiões em que eu fui humilhada, agredida, vítima e nem sabia”, avalia.

Agora, o trabalho dela é ajudar outras mulheres que estão de olhos fechados para os direitos. “Passei a ajudar mulheres que passaram o que eu passei. Oriento, indico onde devem ir porque muitas nem sabem que se trata de agressão.” Foi o curso que deu a ela força para perdoar o pai após passar cinco anos sem lhe dirigir a palavra. “Não temos uma relação, mas falo com ele educadamente. Pergunto se ele está bem e fico atenta à saúde dele.” (EK)

para saber mais
Origem no feminismo

O projeto das Promotoras Legais Populares surgiu há mais de 15 anos no Brasil como uma ideia trazida por duas organizações feministas de São Paulo e do Rio Grande do Sul no encontro do Comitê Latino-Americano de Defesa dos Direitos da Mulher em 1992. A formação das mulheres para lutar contra a violência já era uma prática em alguns países da América Latina, como Peru, Argentina e Chile.

No fim daquele ano, as duas entidades (União de Mulheres de São Paulo e Grupo Thêmis do Rio Grande do Sul) organizaram o primeiro Encontro Nacional de Entidades Populares Contra a Violência, que lançou a campanha A Impunidade é Cúmplice da Violência. A proposta era a mesma de hoje: criar nas mulheres uma consciência a respeito de seus direitos, com a transformação delas em sujeitos de direito; desenvolver uma consciência crítica a respeito da legislação existente e dos mecanismos disponíveis para aplicá-la de maneira a combater o sexismo e o elitismo e criar condições para que as participantes possam orientar outras mulheres em defesa de seus direitos.

No início, o curso durava pouco mais de um mês. Hoje, é anual e abrange a organização do Estado, da Justiça, introdução ao estudo do direito, o conhecimento das normas e políticas de direitos humanos, o sistema de proteção internacional, direitos constitucionais, direitos reprodutivos, aborto e saúde, direito de família, trabalho, previdenciário, penal e discriminação racial. (EK)

10/05/2009 - 18:52h Dilma para poucos

Ana Dubeux – Correio Braziliense

anadubeux.df@diariosassociados.com.br|

Há muitas formas de se enfrentar um diagnóstico de câncer. Normalmente, as pessoas escolhem uma e seguem em frente. Algumas se deprimem, outras lutam bravamente. A ministra Dilma Rousseff fez obviamente a segunda opção. Mas, no caso específico dela, o périplo a seguir já começou mais longo, antes do momento em que decidiu tornar pública sua condição de paciente de câncer. As consequências dessa declaração, que variam das imensas manifestações de apoio e solidariedade às mais imbecis tentativas de espetacularizar o caso, não foram exatamente as maiores preocupação da ministra. Ainda que muitos tenham certeza de que seu maior ato de coragem foi ali, diante das câmeras e microfones, ao lado de médicos e assessores.

Antes de ser obrigada (para não se tornar vítima de especulações criminosas) a transformar sua doença num boletim médico, Dilma precisou olhar-se no espelho e reconhecer na mulher, que está no auge da carreira política e em ótima forma física, uma paciente de câncer. E isso inclui encarar o estigma cruel da doença. Precisou também contar para a mãe, Dilma, e para a filha, Paula. Exatamente este foi o momento mais delicado de todo o processo, como ela disse a mim e ao repórter Daniel Pereira na última sexta-feira, quando nos recebeu para a entrevista que você lê hoje aqui no Correio. Por mais que a olhemos como a pré-candidata à Presidência da República agora vitimada por um linfoma, com tudo o que isso representa, Dilma se vê como Dilma, com tudo o que ela é.

Jornalistas em geral têm a pretensão de atribuir escalas de valores aos sentimentos humanos. Até corro esse risco, mas não posso me abster das minhas impressões pessoais do encontro com a ministra. Dilma ri muito, o que contraria o senso comum — ou a imagem imediata que você tem da ministra é de uma pessoa alegre e sorridente? Sim, ela é bem-humorada, muito embora não seja sempre assim e se reserve o direito de ser dura no trabalho. É uma característica pessoal dela, como deve ser de muitos outros políticos, mas se fala muito pouco ou quase nada dos humores, das barrigas e dos botox masculinos — e isso é um fato indiscutível.

Por que razão o fato de ser durona virou a característica predominante de Dilma, é pergunta a ser feita às fontes jornalísticas, que muitas vezes ajudam a forjar um todo pela parte. E então a meia-verdade passa a ser absoluta. Engraçado então que toda essa pseudoaparência se desfaça nos poucos minutos de uma conversa sobre temas da vida cotidiana, como a maternidade, por exemplo. Dilma se emociona ao falar da mãe, da filha e dos filhos que queria ter tido e não teve; endurece ao lembrar da ditadura e tortura e ri diante das incompreensões diversas a respeito de ser mulher no mundo da política ou de ser política num mundo machista, tanto faz.

A ministra, de fato, é uma pessoa envolvente. O que me impressionou nela, no entanto, não é a tranquilidade com a qual demonstra ter enfrentado um câncer publicamente, mas o fato de ser fiel ao espírito que a conduziu até aqui, mesmo diante da vulnerabilidade do momento. Ela continua a ser uma mulher sem meios-termos, como já nos conta sua biografia. Por isso, quando ela me disse que vai vencer o câncer, eu acreditei.

17/03/2009 - 08:41h El Salvador: Primeira-Dama defende igualdade de gênero

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  Folha SP
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16/03/2009 - 17:39h Uma mulher na presidência

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Rose Marie Muraro (Escritora) – Correio Braziliense

Um estudo publicado pelo Banco Mundial (Engendering Development, Oxford University Press) mostra que, nos países em que a mulher alcança perto de 50% do poder, a corrupção tende a cair drasticamente. Entre eles, o estudo analisa mais detalhadamente cinco casos: Suécia, Noruega, Dinamarca, Islândia e Finlândia.

Se consultarmos as listas das Nações Unidas sobre os índices de Desenvolvimento Humano (IDH) e de Desenvolvimento de Gênero (IDG), além dos índices da Transparência Internacional, veremos que todos se encontram entre os primeiros lugares, mostrando assim que transparência, empoderamento das mulheres e desenvolvimento humano estão intimamente ligados.

Esses países — e mais alguns outros — apresentam menor desigualdade de renda, maior grau de instrução da juventude, suporte governamental a mães e pais para cuidar das crianças pequenas sem a perda dos respectivos empregos, treinamento dos homens para as suas funções parentais antes e depois do nascimento da criança, cuidado com os mais velhos bancado pelo governo, vigiados pela sociedade civil, e assim por diante. Além disso, eles possuem economias mais integradas, pouca ou nenhuma dívida governamental, inclusive com o FMI etc.

Por outro lado, os países mais ricos do mundo — EUA, Japão e Alemanha — estão em posições bem inferiores nesses índices citados.

Por exemplo, quando, em 1977, dei um curso na Universidade de Massachusetts, EUA, as mulheres me disseram que, caso engravidassem, perderiam imediatamente os empregos, fato baseado no princípio de que as empresas têm direito de não prejudicar a sua produção. Foi somente em 1978 que as americanas conseguiram uma lei que lhes permitiu ficar três meses em casa e, depois, retornar aos empregos, mas sem receberem salário durante esse período de licença. E isso até hoje, sendo que a riqueza americana mais que duplicou.

Observe-se que mais de 80% das mulheres daquele país pertencem à categoria de empregadas mal remuneradas, que tiveram pouco ou nenhum ganho com as benesses da globalização. Assinale-se também que em nenhum desses países mais ricos do mundo as mulheres atingiram 20% da participação nos vários níveis de poder.

Comparemos esses exemplos com o resultado de outro estudo importantíssimo, do Unicef, o Relatório da Integração da Infância e da Adolescência Brasileiras (2004), que mostra que as crianças filhas de mãe com baixa ou nenhuma escolaridade têm sete vezes mais possibilidades de serem pobres, 11 vezes mais possibilidades de não frequentarem a escola (de 7 a 11 anos) e, principalmente, 23 vezes mais possibilidades de serem analfabetas, se a mãe for analfabeta.

E quais são as inferências que esses três tipos de países poderiam nos suscitar? No meu primeiro livro, A mulher na construção do mundo futuro (ed. Vozes, 1966), afirmava não ser possível um país se desenvolver se não se desenvolvesse a sua metade feminina. Isso porque, quando se educavam os homens, estes tendiam a aplicar os seus conhecimentos construindo pontes e cidades, sistemas políticos e econômicos, enquanto as mulheres passavam os seus conhecimentos para os filhos, modificando, assim, a estrutura humana da cadeia de gerações. Educar um homem era educar um indivíduo, ao passo que educar a mulher era educar a sociedade.

Hoje penso de modo um pouco diferente. Não são as sociedades que mudam; é a própria espécie que evolui quando, além de se educarem, as mulheres partilham o poder com os homens. Por exemplo: em países mais ricos em que a mulher tem pouca influência nas estruturas, a competição desenfreada do livre mercado desequilibra as economias. Segundo Paul Krugman, os 20% mais pobres aumentaram os seus rendimentos apenas em 58% durante a década de 1990; o 1% mais rico aumentou-a em 282%; e, para 0,01% do topo da pirâmide, os ganhos cresceram 599%. Excluindo os ganhos de capital, isso torna os EUA não mais uma sociedade de classes, e sim uma sociedade de castas! (The Nation, 5/1/2004.)

Se no Brasil o governo e a sociedade se empenharem numa educação para homens e mulheres, enfocando a importância da educação das meninas, com ênfase em gênero, e se os poderes decisórios abrirem mais oportunidades para as mulheres nos primeiros escalões, certamente o processo de desenvolvimento humano (logo também o econômico) se agilizará e, consequentemente, expurgará décadas de estagnação — tudo isso praticamente sem custo. É por isso que apoiamos uma mulher para a presidência: Dilma.

14/03/2009 - 17:19h La memoria femenina en la narrativa

Nélida Piñon

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Fonte: www.galicia-hoxe.com

Tengo el gusto de prestar servicios en la literatura con memoria y cuerpo de mujer. Bajo la custodia de tiempos inmemoriales, me esfuerzo por buscar, entre tantas memorias, precisamente la memoria femenina. Intento saber con qué materia, con qué tejido, ella se fue fabricando. Esa memoria que, al fin de cuentas estuvo en todas partes, en todos los tiempos, desde la creación del mundo.

Esa memoria que, habiendo compartido intensamente la invención del lenguaje, se enriqueció con el misterio peculiar de su emoción. De una emoción marcada igualmente por el perenne mutismo histórico. Y que, incluso sin hablar, prácticamente afásica, iba acumulando la realidad, sin darle tregua.

Esa memoria femenina estuvo también presente en la Biblia. Se resintió con aquel Dios hebraico, del Antiguo Testamento, que al rechazar a la mujer, como activa interlocutora, le causó intenso pesar histórico. Una tristeza que, contraria a la tesis freudiana de que la mujer padece una nostalgia fálica, se origina en el hecho de haber sido, durante tantas veces, marginada en los episodios bíblicos. Como cuando Sara, cómplice esencial de Abraham, es apartada por Dios y por el marido de la Sagrada Alianza.

Esa memoria de la mujer estuvo en Troya, donde conoció al astuto Ulises. Cuando también presintió que el regreso del héroe al hogar, a Itaca, a los brazos de Penélope, se haría en medio de la adversidad e intensas aventuras…

Esta memoria, con el pretexto del amor, se cobijó en la tienda de Julio César. Bajo la lona, el soldado romano se despojó del manto del poder y de la ambigüedad, para disfrutar por momentos de su mortalidad.

Esa memoria arcaica lloró junto a Casandra, hija de Príamo, rey de Troya, cuyas profecías, condenadas al descrédito por un Apolo enamorado y rechazado, jamás fueron acatadas. Profecías que, por su carácter trágico, aún hoy son espinas en la trayectoria femenina. ¿Cómo podemos olvidar a una Casandra que, después de sucesivos fracasos se resigna finalmente a ingresar al palacio real de Micenas, en compañía de Agamenón, a quien fuera dada como despojo de guerra, incluso sabiendo, de antemano que ambos serían ejecutados por la vengativa Clitemnestra, y su amante Egipto?

Una memoria que, cercana a los dioses y a los oráculos de una Grecia mítica, archivó las evidencias de un mundo milenario, desordenado, y que osaba, continuamente al borde del caos. Observó, perpleja, la inexorable marcha de aquellas heterodoxias incipientes, el nacimiento de la insubordinación oficial.

Se inquietó a las puertas del oráculo de Delfos, de esta misma Grecia arcaica. ¿Cómo esta memoria aceptaría la consigna “conócete a ti mismo”, inscripta a la entrada del famoso templo, si le era vedada, en su condición de mujer, cualquier manifestación pública de duda, de réplica? Allí, no obstante, en el centro irradiador de los enigmas, se enfrentaría con Pitón, la mujer pitonisa bajo el aspecto de serpiente, pero a quien Apolo, ansioso por hablar a los hombres, había encargado desvelar el futuro. La voz femenina que llevará a la humanidad el peso de sus enigmas. Y que, tentada de competir con el dios Apolo, tal vez le alterará las palabras, engendrando otras en lugar de las que él le había dictado.

En esta época todavía, oscura y fascinante, esta memoria femenina conoció a la contradictoria Artemis, por señal hermana de Apolo. En su santuario sorprendió a la ambigua diosa, educadora, bárbara, cazadora al mismo tiempo; en ese recinto inaccesible, ella educaba a las niñas que le eran entregadas, hasta devolverlas, años después a la ciudad, al gineceo, al mundo masculino. A esta altura, domesticadas, estaban listas para renunciar a la rebeldía, a la insubordinación.

Una Artemis cuya autoridad avasalladora ordenaba el corte de raíz en los cabellos de las niñas la noche de bodas. Mediante tal acto de sumisión civilizadora, las jóvenes debían presentarse feas y despreciables a los ojos de los maridos, que mientras tanto, ostentaban esa noche cabelleras espléndidas, como símbolo de poder y belleza.

Esa memoria femenina pisó igualmente el piso sagrado, frecuentó templos, se apoderó del discurso con el cual se reverenciaba a los incontables dioses. Lideró, vestida también de blanco, el cortejo de los misterios de Eleusis. Hasta ser un día, expulsada de los servicios religiosos, separada del epicentro donde posaba el espíritu de Dios.

Quebrantada con tantos retrocesos, esta memoria recorrió enseguida, todas las geografías. Fue nómada, cuando la humanidad descubría la tierra. Conoció, sobre todo, los espacios de la casa. Confinada entre las paredes de la sala, de la cocina, de la alcoba, recogía diariamente, gracias a su empeño individual, las sobras de la historia que le acudían.

Sumisa a este largo destierro social, esta memoria femenina se fue volviendo una matriz generadora de intriga narrativa. Un poderoso albergue de la metáfora, del habla oral. Y cuanto más esta memoria se encerraba en los límites de lo privado, más uso hacía de los subterfugios de lo simbólico. Como si la mujer hubiese sido concebida expresamente para ser una naturaleza simbólica. Alguien que no pudiendo participar de manera activa de un cotidiano vasto y complejo, se convertía a lo largo de la historia, en un género que requería, a efectos de su identificación, de un difícil desciframiento poético. Además, al género femenino se le atribuía en la charla doméstica, único lugar de la crisis existencial, el uso abusivo de alusiones, insinuaciones, sugerencias, medias-palabras. Así como su inhabilidad de tramar un discurso directo, contundente, razón por la cual la acusaron de evasiva, astuta, siempre lista a tergiversar. Un perfil que los griegos clásicos consagran asociando la astucia a la figura femenina, vale decir, la “métis”. Una astucia de la cual la mujer dependía para hacer frente al opresivo predominio masculino, por su carácter político.

En aquellos tiempos pretéritos no le sobraban por lo menos, los recursos del arte de memorizar, de guardar el conocimiento existente. Ella no había aprendido, como lo habían hecho los aedos homéricos, verdaderos poetas de la memoria, a preservar con riqueza de detalles la narrativa de Homero. O, con los incas que, en la distante América, celosos de una memoria que no debía desvanecerse, crearon una casta, los amautas, cuyo deber era resguardar, a través de la memoria, la realidad y la historia de aquel imperio.

Impedida, pues, de escribir, de tener acceso a la cultura normativa, le faltó a la mujer inventar la realidad que le estaba faltando. Engendrar lo que desconocía, o lo que le llegaba a medias.

Con qué placer secreto esta mujer agregó a las aventuras que le traían a la casa, y de la cuales fuera excluida, otras peripecias que anhelaba vivir. Verdaderamente un ejercicio fecundo, pero frustrante, por medio del cual fue gradualmente componiendo la urdimbre básica de su memoria interior.

Lentamente, ella acogió en su psiquis individual y colectiva la versión que tenía de lo cotidiano familiar. De un cotidiano íntimo y modesto y que transcendía la índole social que el estamento masculino le había reservado. Mientras tanto al asomarnos sobre la génesis de esta memoria, o de todas las demás memorias, fatalmente nos proyectamos a tiempos inaugurales. Vale decir, a un periodo nebuloso en que la aflicción y la inseguridad humanas engendraron dioses, leyendas y mitos, como forma de soportar el misterio denso en el cual estaban todos inmersos.

Es en este marco mitológico que surge Mnemósines, ilustre diosa del Panteón griego, a quien es concedido el don de memorizar. El poder de sembrar entre los mortales, la memoria predestinada a no olvidar nada.

No obstante diosa, su condición de mujer vincula la memoria al universo femenino. Garantiza a esta especie, inhibida de tantos derechos, la convicción de que a pesar del exilio social que sufría, disfrutaba plenamente de las prerrogativas inherentes a la memoria.

Mnemósines encarna esta época de fundación del imaginario humano. Además de retener los acontecimientos humanos, ella hereda del hermano, Cronos, el sentimiento del tiempo. Él le enseña, pues, los beneficios y los desastres derivados del imperceptible pasaje del tiempo por la vida de los mortales. A quien cabe incluso, entre tantas funciones, consignar nacimientos, muertes, el paso de las estaciones. En especial señalar los pasos de la edad, volverse la antesala de donde se aguardan las señales de la muerte.

Con tales instrucciones, la diosa viaja por los intersticios del tiempo y de la historia. Se presenta en los actos que dieron principio al mundo. Además de dominar memoria y tiempo genera ahora nueve hijas, intituladas Musas, con la virtud esencial de inspirar el camino del arte.

En medio de este cúmulo de coincidencias, una simetría casi insostenible, ella convierte a Orfeo, su nieto, poeta de los cantos órficos. Tal vez le enseñe el trato poético con las palabras, que carecen de cuidados. Estas palabras que, banales por nacimiento, lucen vestimentas diáfanas, cuando adquieren brillo, se vuelven un adorno poético que se aplica a las acciones humanas.

Texto publicado en la revista “Diógenes”, edición 201. Revista trimestral publicada bajo los auspicios del Consejo Internacional de Filosofía y Ciencias Sociales y con la ayuda de la UNESCO. Versión en Español editada en el Centro de Estudios Avanzados de la Universidad Nacional de Córdoba, con la dirección de Francisco Delich y el aporte de la Secretaría de Cultura de la Nación en la traducción de los textos.

10/03/2009 - 20:24h Bat-mulher sai do armário

Detective Comics #854, Pages 2 and 3
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A DC Comics divulgou desenhos com a personagem Bat-Mulher em ação.

 

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Referência a um personagem do período pré-crise, a mulher-morcego tem chamado atenção da mídia pela sua opção sexual. Ela é lésbica e já teve um caso com a policial René Montoya. Alguns sites e fóruns deixaram de lembrar o quanto os quadrinhos eram pouco abertos a esse tipo de abordagem há não muito tempo.Estrela Polar da Marvel demorou anos até assumir sua homossexualidade de vez nos quadrinhos e mesmo na DC Comics os gays eram sempre coadjuvantes e nunca protagonistas de uma história.Aparentemente, a DC Comics tem seguido firme nesse caminho ao retratar outros de seus personagens de etnias diferentes da norte-americana, como é o caso dos novos Besouro Azul (de etnia latina) e Eléktron (de etnia asiática). Nada mais que a obrigação de um meio que nasceu para ser um espelho de seu tempo e não reservatório de idéias conservadoras e ultrapassadas. Vale lembrar que o preconceito se estendeu não apenas a preferências sexuais, mas também de etnia, gênero e religião (que ainda hoje não foi superado, com religiões desenvolvendo seus próprios personagens pela falta de representatividade nos comics).

Blogman já foi o “Batboy”, mas caiu fora no dia de conhecer a batcaverna. Fala sério…

Fonte Melhoresdomundo.net

Una de las viñetas de la nueva entrega de Batwoman

Batwoman sale del armario

La superheroína del cómic renacerá en julio bajo su nueva condición de lesbiana

TONI GARCÍA – Barcelona – El País

Kathy Kane declaró públicamente su homosexualidad en 2006, al conocerse que fue amante de la detective Renee Montoya. La noticia provocó un alud de comentarios (a favor y en contra) y en pocos días más de medio millón de entradas en la Red se ocupaban del tema. No tendría mayor importancia si no fuera porque Kathy Kane es en realidad el álter ego de Batwoman; Renee Montoya trabajaba en la comisaría de Gotham, y todo lo anterior es cierto únicamente en las páginas de sus respectivos cómics.

El lesbianismo de la superheroína llegó a ocupar espacio en periódicos como The New York Times o Washington Post y cadenas televisivas como la NBC o la CNN, e hizo comprender a la veterana editorial DC Comics el potencial que tenía el personaje, y por qué no decirlo, su identidad sexual.

Tres años después, la editorial estadounidense se dispone a resucitar a la chica murciélago otorgándole los galones hasta ahora reservados para las estrellas de la compañía: una serie de 12 números, con presentación de lujo días pasados en el Comic Con de Nueva York (una reu-nión de fans del género que se considera la más importante del mundo después de la de San Diego) y donde la sexualidad de Kane se explotará sin tapujos, lo cual ha provocado el entusiasmo de los grupos que luchan a favor de los homosexuales y la ira de los no menos poderosos lobbies conservadores. Al mando del proyecto, el guionista Greg Rucka, que en su blog http://ruckawriter.livejournal.com desveló recientemente las cinco primeras páginas del proyecto (cuyo primer número verá la luz en julio), en el que ha trabajado casi dos años junto al dibujante JH Williams III y a Dave Stewart, que se ha ocupado de colorear las “explosivas” aventuras de Kane.

Rucka asegura al rotativo británico The Guardian que “Batwoman debería ser juzgada por sus méritos y no por si es lesbiana o pelirroja, eso sólo son elementos de su personaje”. La heroína nació en 1957 pero murió en 1979, y su resurrección (o el anuncio de la misma) coincide con la supuesta muerte de Batman, su homólogo masculino, quien en el último número de su serie regular publicado en Estados Unidos es arrojado al vacío desde un avión, sin traje ni máscara.

Naturalmente, el superhéroe resucitará cuando sea preciso, pero su “desaparición” es una ocasión magnífica para que DC (responsable también de un personaje tan icónico como Superman) otorgue a la némesis femenina de su superhéroe más popular la oportunidad de ser la primera lesbiana declarada en disponer de su propio arco argumental, acompañada del que se prevé que se convierta en uno de los lanzamientos más publicitados de la compañía en los últimos años. En palabras del propio Rucka, “entusiasmado” con el proyecto “creo que la gente se va a caer de la silla cuando lea el primer número”.

do blog Krônicas

Lesbianismo na DC comics: liberal ou reacionário?

Já que estou escrevendo sobre estereótipos e clichês, gostaria de discorrer um pouco sobre o que me parece ser uma onda de personagens femininas lésbicas ou bissexuais na DC comics e no que isso vem me incomodando.
Antes de começar, duas coisas tem de ser esclarecidas:

Primeiro, não tenho nada contra homossexuais masculinos ou femininas. Tenho amigos gays, incluindo o padrinho de minha filha, e amigas lésbicas e bissexuais.
Segundo, leio pouco histórias em quadrinhos atualmente, questões de grana e tempo. Posso estar desatualizado ou avaliando dentro de um universo muito restrito.
Dito isso, vamos lá.

A primeira personagem lésbica que saiu do armário em tempos recentes foi a policial de Gotham City Renée Montoya. Me pegou de surpresa, mas não me incomodou. Já gostava da personagem e continuei gostando. Ela nunca tinha tido namorados masculinos, logo a questão estava aberta. O drama da família que não aceitava a opção sexual dela foi bem conduzido numa história bem legal.
Daí chegamos as novas mulher-gato e batmulher que são lésbicas. A nova bat-mulher é personagem nova, sem passado. A nova mulher-gato era amiga da antiga, mas, como Montoya, sua vida sexual não fôra abordada anteriormente, logo tudo bem. Até aí, tudo legal.

Na nova série do “Sexteto Secreto”, as personagens Escândalo e Nocaute tem um namoro. Escândalo foi apresentada na série, mas Nocaute tinha um histórico de vilã e havia tido um caso com Superboy (Conner Kent), logo se revelou bissexual na série.
Na série “Renegados”, as personagens Grace e Tormenta (filha do Raio Negro) começaram a namorar. A sexualidade de Tormenta não tinha sido abordada antes, mas Grace tinha tido um caso com Roy Harper (Arsenal) e era promíscua.

Agora chegamos ao que me incomodou. Até então estava aplaudindo a DC comics por mostrar personagens interessantes com diferentes opções sexuais. Vamos lá:

Quanto às personagens: Nocaute é uma vilã e Grace era promíscua, o que numa visão conservadora é uma perversão ou falha de caráter. O fato de ambas se revelarem bissexuais não poderia trazer implicitamente um discurso de que a homossexualidade ou a bissexualidade são “coisas de quem tem um desvio de caráter” (vilania e promiscuidade) ?
Além disso, Montoya, Batmulher, Mulher-gato, Grace, Nocaute, Escândalo e Tormenta são mulheres fortes, decididas, guerreiras. A bissexualidade aí não traria implícito que tais traços são “masculinos” logo levam a uma “sexualidade masculina”? Ambos os discurso são reacionários.

Quanto ao universo DC: não tenho visto personagens masculinas se revelarem homossexuais ou bissexuais. Os homens pelo visto continuam no armário, se é que lá estão. Será que isso não quer dizer que as personagens lésbicas na verdade não estão lá em prol da diversidade e sim para agradarem aos leitores homens heterossexuais que ficam excitados com cenas de lesbianismo? As personagens ficam então reduzidas à condição de objetos sexuais. Reacionarismo novamente.
Vejam bem, não há nada de errado em ser objeto de desejo, gosto quando mulheres olham para mim com libido, ser reduzido a isso é que é o problema.

Com exceção da batmulher e da nova mulher-gato que conheço pouco, gosto de todas as personagens acima e não gostaria de vê-las reduzidas a objeto sexual ou portadoras de um discurso reacionário que elas não merecem.

10/03/2009 - 14:18h ‘Sou uma mulher dura cercada de homens meigos’, diz Dilma Rousseff

Chico de Gois – O Globo

BRASÍLIA – Em seminário de política para mulheres, a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à sucessão em 2010, defendeu maior participação da mulher na política. Dilma, que é qualificada pela oposição como uma pessoa dura, admitiu que às vezes age desta forma. Mas observou que há um preconceito, sobretudo masculino, nesta qualificação.

” Em condições de poder, a mulher deixa de ser vista como objeto frágil, e isso é imperdoável. E aí começa a história das mulheres duras “

- Em condições de poder, a mulher deixa de ser vista como objeto frágil, e isso é imperdoável. E aí começa a história das mulheres duras. É verdade. Sou uma mulher dura cercada por homens meigos – ironizou.

- Os homens mandam e desmandam, e são suaves e meigos – disse a ministra.

Dilma afirmou que é preciso que a” mulher coloque a cabeça pra fora” para disputar mais cargos políticos. Como exemplo, citou as funções de prefeitas, vereadoras, governadoras, deputadas e senadoras, sem mencionar o cargo de presidente da República.

Porém, tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva , quanto a própria ministra Dilma, já afirmaram que o Brasil está preparado para ter uma mulher na presidência.

A ministra lembrou sua trajetória política e da luta contra a ditadura. E disse que, naquela época, diante da repressão, homens e mulheres foram tratados de forma igual com base na violência.

” O pau que bate em Pedro, bate em Maria “

- Nós nos afirmarmos naquela época numa igualdade muito perversa, porque as discriminadas (mulheres) tinham tratamento indiscriminado da violência. A mesma que se abateu sobre os homens – recordou a ministra, acrescentando:

- O pau que bate em Pedro, bate em Maria.

09/03/2009 - 16:04h 75% dos brasileiros são favoráveis a cotas para mulheres na política, diz pesquisa

Marta Suplicy foi a autora do projeto que estabeleceu cotas para mulheres na política. O projeto de Marta virou lei, mas mesmo assim as mulheres continuam subrepresentadas na política. Na época em que Marta defendia o projeto poucas vozes ecoavam esta exigência, hoje apoiada por 75% da população. Valeu, Marta!

da Folha Online

Um pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres indica que 75% dos brasileiros são favoráveis a cotas para mulheres na política.

Segundo o levantamento, 86% apoiam a punição dos partidos políticos que não cumprem a atual legislação, que prevê 30% de candidaturas femininas.

A secretaria informou que, hoje, o Brasil conta com apenas 8,9% de mulheres no Congresso Nacional, cerca de 12% nas Assembleias Legislativas e 12% nas Câmaras Municipais.

De acordo com a UIP (União Interparlamentar), organização internacional com sede em Genebra, na Suíça, o Brasil ocupa a 141ª colocação em relação à presença de mulheres nos Parlamentos, num ranking de 188 países. Entre os países da América Latina, o país só fica à frente da Colômbia.

O estudo mostra ainda que a maioria dos brasileiros (83%) concorda com a ideia de que a presença de mulheres no poder melhora a política; enquanto 75% admitem que só há democracia, de fato, se elas estiverem nos espaços de poder e 73% confirmam que a população brasileira ganha com a eleição de um maior número de mulheres.

A pesquisa Ibope/Instituto Patrícia Galvão/Cultura Data foi realizada entre os dias 13 e 17 de fevereiro, com 2.002 pessoas em 142 municípios do país.