19/10/2009 - 10:20h Dilma vai intensificar campanha no Sudeste

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Eleições: PT está dividido sobre presença da ministra ao lado de Lula no horário gratuito do partido na TV

Paulo de Tarso Lyra, de Brasília – VALOR

A campanha a presidente da República da chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, inicia uma nova etapa nesta semana . Vencida a fase das articulações políticas com os partidos aliados – ela se reúne amanhã com o PP e na quarta-feira com o PMDB -, o PT prepara-se para retomar a agenda de rua da candidata, interrompida após a descoberta do câncer no sistema linfático. As prioridades serão viagens ao Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo – os dois últimos governados pelo PSDB.

O comando de campanha confia na força da transferência de votos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste e no êxito da recente viagem da ministra junto com o presidente para visitar as obras de transposição do Rio São Francisco. Por isto, a região – que conta com outro grande colégio eleitoral, a Bahia – estará de fora desta etapa da campanha planejada pela equipe da candidata.

Dilma vai retomar o contato com os movimentos sociais, empresários e segmentos religiosos. No começo do ano, ela chegou a se reunir com alguns setores da sociedade, convocados pelos diretórios estaduais do PT, principalmente o paulista. Mas o diagnóstico da doença e a necessidade de tratamento médico forçou a interrupção da agenda política e administrativa da chefe da Casa Civil.

O período coincidiu com a estagnação de Dilma nas pesquisas de intenção de voto, o que obrigou o PT a rever as estimativas eleitorais. No início de 2009, a expectativa no partido era de que a candidata chegasse ao fim do ano com 30% de intenção de voto nas pesquisas. Agora, o PT trabalha com a possibilidade de que ela chegue aos 20% em junho do ano que vem, quando começa oficialmente a campanha.

Alguns personagens serão fundamentais nesta nova etapa da campanha. O secretário pessoal do presidente da República, Gilberto Carvalho, retomou os contatos de Dilma com a Igreja Católica, mas outros grupos religiosos também serão procurados, embora já tenham tido reuniões sucessivas com a ministra há poucas semanas, em São Paulo.

Presente nos encontros da ministra com os partidos, o deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) será fundamental no diálogo com os empresários, embora Dilma tenha um bom trânsito nesta área, fortalecido pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e pelo pré-sal. Outro que está em alta no staff político da campanha é o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, que cuida da articulação de Dilma com prefeitos de diversas legendas da base aliada – em novembro, ela tem um encontro marcado com os prefeitos e vice-prefeitos do PT, previsto para acontecer em Guarulhos (SP).

O PT quer mostrar que Dilma tem habilidade política compatível com sua capacidade administrativa. Sua atuação à frente da Casa Civil – incluindo o PAC, o programa Minha Casa Minha Vida e o pré-sal – será utilizada à exaustão na campanha. Resta agora consolidar o papel de articuladora que começou a exercer nas conversas com os partidos aliados.

De acordo com um dos principais interlocutores de Dilma, essas conversas foram além do esperado. A chefe da Casa Civil encontrou-se com o PR, o PRB, o PCdoB, o PDT – todos indicando que devem apoiar a candidata em 2010. Espera-se que, na quarta-feira, seja selada a aliança formal e a composição da chapa oficial com o PMDB.

No grupo dos grandes aliados federais, só não foram procurados o PSB – que mantém a intenção de lançar a candidatura do deputado federal Ciro Gomes (CE) a presidente – e o PTB. A bancada parlamentar petebista quer apoiar Dilma, mas o presidente da legenda, Roberto Jefferson, defende o nome do pré-candidato do PSDB, o governador José Serra (SP). A tendência, na avaliação de petistas, é que o PTB não apoie ninguém formalmente.

A única divergência interna no PT é se Dilma será ou não a “grande estrela” do programa partidário, previsto para ir ao ar no fim deste ano. Articuladores próximos da ministra consideram fundamental a repetição da estratégia adotada pelo PSB em relação a Ciro Gomes. Outros aconselham prudência. “Estamos bem, não devemos arrumar complicações jurídicas para o nosso lado”, ponderou um líder petista.

15/10/2009 - 12:42h Dilma monta ”núcleo político” da candidatura

Palocci, Gilberto Carvalho e Franklin Martins integram grupo, que já vem se reunindo com Lula e a ministra

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Dilma e Lula


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Lula e Franklin Martins

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Lula e Palocci

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Fernando Pimentel, Ricardo berzoini e o marketeiro João Santana

Vera Rosa, BRASÍLIA – O Estado SP

Sob a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, montou um núcleo político para coordenar sua campanha ao Palácio do Planalto. Integrado pelo deputado Antonio Palocci (PT-SP), que chefiou a equipe do programa de governo de Lula, em 2002, o grupo já se reuniu três vezes com o presidente e com Dilma, nos últimos dois meses, com o objetivo de traçar estratégias para a corrida de 2010.

Além de Palocci, fazem parte do time o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, o ministro Franklin Martins (Comunicação Social), o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e o marqueteiro João Santana.

No último jantar, há cerca de um mês, Lula falou sobre dificuldades enfrentadas em suas campanhas para atrair apoios além das “fronteiras da esquerda”. Foi dessas conversas reservadas que saiu a ideia de Dilma comandar reuniões com os partidos aliados e apresentar-se como candidata disposta a fazer acordos políticos, e não apenas como “gerentona” do governo.

Santana, por sua vez, tem orientado a ministra a vestir o figurino da simpatia. Dona de temperamento explosivo, Dilma ficou conhecida na Casa Civil por distribuir broncas. “Sou uma mulher dura, cercada por homens meigos”, diz ela, toda vez que é lembrada de sua “fama”. O marqueteiro deixou Dilma sorridente e pediu a ela que usasse cores mais vivas.

Nos bastidores, porém, é Palocci que ocupa papel de destaque nessa fase de aquecimento da maratona eleitoral, por vezes trocando “figurinha” com o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu. Não foi à toa que Palocci compareceu ao jantar na casa de Dilma com dirigentes e parlamentares do PDT, no último dia 6, e com os aliados do PR, na noite de terça-feira. Visto com uma espécie de curinga por Lula, o ex-ministro da Fazenda tanto pode ser candidato do PT ao governo paulista como coordenador da campanha de Dilma.

Na prática, o destino de Palocci está atrelado ao do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), ex-ministro da Integração. O Planalto quer desidratar a candidatura de Ciro à Presidência – tanto que deflagrou ofensiva a fim de garantir o apoio de vários partidos a Dilma – e tenta empurrá-lo para a sucessão do governador José Serra (PSDB).

O cenário dos sonhos de Lula é uma disputa plebiscitária entre Dilma e Serra, para comparar os oito anos de governo do PT com o mesmo período da gestão do PSDB de Fernando Henrique. No xadrez montado pelo presidente, Ciro concorre a governador de São Paulo, com o apoio do PT, e sai do caminho de Dilma. Se esse jogo for confirmado, Palocci não entrará na corrida ao Bandeirantes e poderá coordenar a campanha de Dilma.

Absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da acusação de violar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, em 2006, o deputado também tem o nome citado para ocupar a Casa Civil, quando Dilma deixar o governo para assumir a candidatura. Lula, porém, tem dúvidas sobre quem deve ser o substituto da ministra.

19/09/2009 - 12:31h Chalita disse que vai sair do PSDB

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PSDB reage, mas não dá a Chalita vaga no Senado

Prestes a se filiar ao PSB, vereador é alvo de investidas dos tucanos para que fique

 

Clarissa Oliveira e Julia Duailibi -O Estado SP

 


Prestes a deixar o PSDB, o vereador paulistano Gabriel Chalita foi alvo de investidas do partido para que fique na legenda. Os tucanos, no entanto, não ofereceram ao parlamentar a garantia de concorrer ao Senado pela sigla na eleição de 2010. Em almoço com o presidente municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo, Chalita afirmou que se sente atraído com a possibilidade de concorrer ao Senado pelo PSB. “Não tem como o partido dar essa garantia. Há outros nomes que querem disputar a vaga”, declarou Lobo, após o encontro.

Padrinho político do vereador, o ex-governador Geraldo Alckmin procurou investir na tese de que a transferência para o PSB ainda não é certa. “Fiz um apelo para que ele fique no PSDB”, disse o tucano.

Ontem, Chalita se reuniu em São Paulo com dirigentes do PT paulista a fim de colocar na mesa as alternativas para uma composição em 2010. No encontro, o vereador disse que está decidido a romper com o PSDB. Apesar de se sentir pressionado a permanecer no partido, Chalita não mantém boa relação com aliados de Serra. Disse aos petistas que vai conversar com corregilionários no final de semana, mas que poderá entregar sua carta de desfiliação até terça-feira.

A cúpula do PT avalia que, no PSB, Chalita reforça o palanque da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, no maior colégio eleitoral do País. Ontem, houve reações no PT. Parlamentares ligados à ex-prefeita Marta Suplicy, que queriam vê-la em uma das vagas para o Senado, demonstraram apreensão com as conversas com o tucano.

Mas a preocupação maior é com o senador Aloizio Mercadante (SP). Se os planos da cúpula do PT derem certo, Chalita e Mercadante farão dobradinha na disputa para o Senado. Campeão de votos para a Câmara Municipal em 2008, Chalita tiraria do petista a chance de ter como companheiro de chapa um nome com menos exposição. Mercadante se limitou a negar que tivesse discutido com colegas de partido a possível ida de Chalita para o PSB. Mas, segundo petistas, o senador tomou conhecimento das negociações durante uma reunião ocorrida recentemente em Brasília.

Depois de um dia de reuniões, Chalita foi o anfitrião de uma festa de aniversário para dom Odilo Scherer em sua casa. Entre os convidados, petistas, como o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, e o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza, dividiam espaço com tucanos como Alckmin, e com peemedebistas, como o presidente da Câmara, Michel Temer.

29/07/2009 - 11:37h Os curingas do Palácio

Colunista

Rosângela Bittar – VALOR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um plano, engendrou a estratégia, bolou a sucessão de procedimentos, colocou tudo em execução sob seu próprio comando e a percepção geral é que atingiu com muita antecedência seus objetivos. A ordem, não explicitada, por desnecessário, está clara: governo e PT, obedeçam, ou saiam de cena. Como ele tem uma popularidade amazônica, instrumentos à mão e ninguém produziu alternativa melhor, os súditos renderam-se às decisões do líder.

A candidata à sucessão presidencial é Dilma Rousseff, portanto uma certeza é que ficará vago o cargo de chefe da Casa Civil da Presidência da República. Também sairá o ministro do Gabinete de Relações Institucionais. E não propriamente dentro da Presidência, mas o cargo político mais importante do governo, sairá o ministro da Justiça. Lula prestará atenção a estes postos, em que se desempenham funções imprescindíveis à formação de uma boa retaguarda, para que possa dedicar-se integralmente à campanha, e o restante do governo seguirá funcionando rotineiramente.

O presidente explicou ao Ministério que precisava lançar a candidatura de Dilma antecipadamente por duas razões. Uma, para ter tempo de colar a candidata às políticas de governo e a si próprio; outra, para reduzir a vantagem inicial do adversário José Serra (PSDB) , com mais de 40% em todas as pesquisas.

A avaliação do presidente é que o objetivo já foi alcançado, e não há nada que exija, no momento, novas antecipações ou açodamento de nenhuma espécie..

Assim, seria cedo, por exemplo, para nomear diretores de campanha, como seus auxiliares pressionam e querem fazer crer que existem; é cedo para definir o novo comando da Casa Civil, que vai controlar o governo enquanto o presidente Lula viaja em campanha Brasil afora; é cedo para definir já o substituto do ministro de relações institucionais que deixará o cargo para integrar-se ao Tribunal de Contas da União; é cedo para a ministra Dilma deixar o governo.

Lula decidiu que ela deve sair no último minuto do último dia de março, limite final para a desincompatibilização. Acredita o presidente que o maior trunfo da candidata é ser a gerente do governo. Sair por aí ao léu, sem estar mais ligada às funções de governo, não lhe renderá os pontos que ganharia na gerência do Executivo, perdendo também o bônus do lançamento antecipado da candidatura.

Com o controle do tempo, o presidente arma opções à sua retaguarda. Para a Casa Civil, namora três nomes da equipe interna: O chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, o ministro da Comunicação, Franklin Martins, e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

O ex-ministro Antonio Palocci saiu da lista de alternativas para a Casa Civil e para as Relações Institucionais, pelo menos por enquanto, porque as análises apontam que, mesmo se for inocentado do crime de quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, o ex-ministro levaria para perto do presidente da República um problema, recolocando o governo no alvo dos ataques de adversários.

Lula, que vetou a possibilidade de Gilberto Carvalho disputar a presidência do PT, atribuiu-lhe novas tarefas e responsabilidades, e tanto pode ir para a Casa Civil como ficar onde está com as atribuições acumuladas. Gilberto delega a César Alvarez, alto funcionário da Presidência, a responsabilidade de cuidar da agenda presidencial, enquanto desempenha as novas funções de articulação com o Congresso, atuação com prefeitos e governadores, missões especiais junto ao empresariado.

Com Franklin Martins o presidente experimenta o mesmo sistema: as tarefas de Comunicação têm ficado com seus assessores enquanto o ministro tem sido chamado cada vez mais a fazer avaliações políticas, trabalhar as relações do governo com a opinião pública e a assumir atividades de confiança que lhe possibilitam fazer coordenações dentro do governo. Seus pronunciamentos em reuniões de coordenação política e ministeriais são bem recebidos pelo presidente e seus ministros. Pode ser transferido oficialmente a outro cargo.

Um terceiro curinga para a Casa Civil é o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que poderá, também, se lhe for determinado, continuar no Planejamento e não se candidatar a deputado em 2010. Como Carvalho e Franklin, que para ficar na retaguarda do presidente teriam altos funcionários técnicos para tocar a máquina, Paulo Bernardo contaria, no comando do PAC, o principal programa sob a coordenação da Casa civil, a atual responsável, Miriam Belchior, e o braço direito de Dilma, Erenice Guerra. Ambas sabem mais do programa que a titular.

A reorganização está sendo preparada para a Presidência. Com os Ministérios não há preocupação. O ministro da Justiça vai sair em janeiro, e há, sim, a possibilidade de ser feito um convite ao deputado José Eduardo Cardozo para o cargo. O deputado não tem interesse na reeleição para a Câmara, angariou a confiança e simpatia da ministra Dilma e poderá se afastar da disputa pela presidência do PT, deixando o caminho livre para a eleição de quem Lula quer ver no cargo, José Eduardo Dutra. Seria também, um ministeriável do governo Dilma, se vier a ser eleita.

Mas é só. Nos demais Ministérios o presidente pretende trabalhar com os secretários executivos. Na última reunião ministerial avisou a todos que não está disposto a abrir um processo de montagem de governo nos últimos nove meses de mandato. Isto significa que aproveitará Secretários Executivos, técnicos, soluções internas. De um deles, inclusive, o presidente não toma conhecimento. Saiu Mangabeira Unger, Lula recebeu uma lista de três nomes para seu lugar mas não demonstra o menor interesse por nenhum deles. O presidente quer fazer pouco movimento interno para fazer muito barulho externo. Porque não perdeu um mínimo de confiança na eleição da sua candidata e, ao contrário, acha que vai bater José Serra de “chicote”.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail rosangela.bittar@valor.com.br

08/05/2009 - 11:55h PT ratifica apoio a Dilma, pressiona por Carvalho e negocia palanques estaduais

Ruy Baron/Valor – 15/9/2005

Gilberto Carvalho: chefe de gabinete é o único nome de consenso para comandar partido, mas Lula resiste a cedê-lo

 

Paulo de Tarso Lyra, de Brasília – VALOR

estrela_sobe.jpgO Diretório Nacional do PT reúne-se hoje e amanhã em Brasília para discutir a sucessão de 2010 e a eleição interna para a presidência da legenda em novembro deste ano, que terá 1,35 milhão de filiados aptos a votar. O encontro vai ratificar o apoio à candidatura da chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, e espera avançar na escolha do chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, como candidato de consenso para presidir o partido pelos próximos dois anos. O problema é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não quer ceder tão facilmente seu assessor pessoal.

Segundo apurou o Valor, três razões reforçam a resistência de Lula: a primeira, oficial, é que Carvalho exerce um papel importante no governo, filtrando conversas e visitantes e falando em nome do presidente, autorização concedidas a poucos na administração federal. A segunda, já expressada pelo próprio Lula a Carvalho, é que ele é “por demais cordato, cavalheiro”, o que poderia torná-lo presa fácil da máquina partidária. O terceiro, uma vingança pelo fato de o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, ter sido presidente interino em 2006 e, quando houve a eleição interna de 2007, ter sido massacrado por diversas correntes petistas.

Nenhuma das razões significa que Carvalho não possa tornar-se o presidente da legenda, como sonha a maioria do partido. Mas significa que muito há por se desenrolar daqui até novembro. “O jogo ainda está verde”, resumiu um dos mais próximos colaboradores do presidente Lula. Mas o PT está cada vez mais angustiado com a demora.

“Se o Carvalho lançar-se candidato, ele terá 70% de apoio assegurado. Não que não tenhamos outros nomes qualificados para o cargo. Mas sem ele, haverá disputa interna e o partido perderá um tempo enorme posteriormente reconstruindo alianças internas”, justificou o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel.

Uma pessoa próxima do presidente Lula lembra que este é o mesmo discurso de 2006, quando Garcia foi obrigado a assumir interinamente a presidência da legenda. Na época, o atual presidente do partido, Ricardo Berzoini (SP), foi obrigado a licenciar-se por “escândalo dos aloprados”, a montagem e compra de um suposto dossiê contra a candidatura de tucanos em São Paulo. Lula cedeu Garcia, que era seu assessor especial para assuntos internacionais – cargo que voltou a ocupar posteriormente -, para presidir o PT.

“Foi um presidente excepcional, que liderou o partido em um momento complicado”, recorda um ministro. “Ele não apenas consolidou a vitória de Lula como costurou uma aliança com o PMDB, viabilizando a eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara, embrião da entrada do PMDB no governo”.

Veio a eleição interna do partido no ano seguinte e Garcia foi boicotado publicamente por diversas correntes, alegando que ele era atrelado ao governo e que o partido precisava de um nome mais independente. Na cabeça de Lula, o cenário pode se repetir. “Naquela época o problema também não era do presidente, mas ele acabou ajudando. Tornou-se um problema dele quando Garcia foi queimado internamente. Lula quer que o PT queime um pouco a cabeça em busca de soluções”, repetiu um ministro.

Internamente, a cada dia que passa, o PT se convence cada vez mais de que Carvalho é o melhor candidato. “Só precisamos convencer o Lula”, enfatiza o líder do partido na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Internamente, eles até fazem uma analogia com a candidatura Dilma.

Pleiteada por diversos nomes, num leque que passa pelos ministros Tarso Genro (Justiça), Fernando Haddad (Educação) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), a vaga de pré-candidato do PT foi entregue a Dilma por uma decisão pessoal do presidente. E o partido calou-se. Há seis meses, ela nem sequer era um nome viável, muitos alegavam que Dilma não tinha vida partidária. Hoje, aparece como um nome consensual, que paira sobre todas as tendências.

Da mesma maneira, Lula, na visão dos petistas, poderia se convencer de que não há alternativas a Carvalho e ceder de uma vez o auxiliar. O ex-governador do Acre Jorge Viana entende as razões do presidente Lula. Segundo ele, quem foi do Executivo sabe a importância de algumas peças na estrutura de governo. Mas, lembra que, apesar da eleição interna ser em novembro, o futuro presidente do PT só assumirá o cargo no início do ano que vem. “Não podemos ficar até o fim do ano discutindo outros nomes. Precisamos unir forças para construir e consolidar a candidatura Dilma”, declarou.

Um petista que conhece bem o presidente Lula intui que todos os caminhos levarão a Carvalho. Mas acredita que o feeling político do presidente Lula fará com que ele só libere seu auxiliar mais para frente. “A eleição será em novembro, as regras gerais serão divulgadas apenas em agosto. Por que Lula se anteciparia lançando o Carvalho agora”? questionou.

Fontes do governo e do PT citam pelo menos outros oito nomes que estão na agenda da sucessão petista, mas há restrições a todos, entre eles Luiz Dulci, Fernando Pimentel, José Eduardo Dutra, José Eduardo Cardozo, Marta Suplicy, Ideli Salvatti, José Fillipi Júnior, nome pouco conhecido da legenda, ex-tesoureiro do partido.

O futuro presidente terá a tarefa de consolidar as alianças estaduais, com a maior parte dos aliado mas, principalmente, com o PMDB, considerado parceiro preferencial. Em pelo menos quatro estados, esta parceria está praticamente descartada: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Pernambuco. Nos demais, apesar de algumas rixas sérias – como Bahia, Rio de Janeiro, Pará e Maranhão – a atual direção petista acha viável a dobradinha, desde que as conversas sejam bem conduzidas.

27/03/2009 - 14:46h PT pressiona Lula a liberar Carvalho

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Raymundo Costa, de Brasília – VALOR

A menos que o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, seja o candidato à presidência do PT, o partido se divide e passará por uma dura disputa, até novembro, que pode até afetar a relação da sigla com a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

Esse é o recado que a tendência Construindo um Novo Brasil (CNB) – ex-Campo Majoritário – enviou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à própria Dilma. A ministra, aliás, jantou com a executiva nacional do PT na noite de terça-feira, em sua casa, em Brasília. Lula não quer liberar Carvalho.

Na avaliação do CNB, o chefe de gabinete de Lula é hoje o único nome capaz de unir as demais tendências. “A Mensagem”, corrente liderada pelo ministro Tarso Genro, pode compor, se o nome for Carvalho. O mesmo poderia ocorrer com a Articulação de Esquerda de Pedro Pomar, que, em princípio, terá candidato próprio ao cargo.

Além do presidente Ricardo Berzoini (SP), 75% da Comissão Executiva Nacional deve ser renovada em novembro – o estatuto do PT limita a dois os mandatos de seus dirigentes. O prazo para o registro das chapas e da tese está próximo: julho de 2009. A eleição é em novembro. Em março de 2010 um congresso discutirá e aprovará a tese.

Em síntese, o recado enviado Palácio do Planalto diz o seguinte: se não for Gilberto Carvalho o candidato, não haverá unanimidade – ou algo próximo disso, o que só pode ser proporcionado com a candidatura do chefe de gabinete de Lula.

Neste caso, o partido se envolverá numa grande disputa, que vai deixar o PT fragilizado para enfrentar a conjuntura do ano que vem, em particular na relação com Dilma, diferente da relação que foi com o Lula.

A relação do PT com Dilma é diferente da relação do PT com o Lula, segundo avaliações do CNB e, na realidade, é consensual no partido. A lógica por trás da candidatura amplamente majoritária é “quanto mais unido o PT estiver, mais força o partido terá junto a Dilma”.

“Nós entraríamos, assim, em 2010, com uma unidade muito grande para interferir e ajudar a Dilma, inclusive na relação com os aliados”, analisou ao Valor um integrante do CNB.

As opções ao nome de Gilberto Carvalho, no CNB, são o ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral), o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, que presidiu o PT na crise dos “aloprados”, em 2006, e o ex-governador do Acre Jorge Viana.

Nenhum dos três, segundo avaliações internas, estaria em condições de impedir uma grande divisão em relação às eleições de novembro. Outro nome que pode surgir é o do atual secretário-geral José Eduardo Cardozo. Integrantes do CNB também raciocinam com a hipótese de que Lula pode viabilizar o nome do ex-senador e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra.

O presidente da República, até agora, se esquivou das investidas do CNB. Reservadamente, já teria confidenciado a interlocutores que Carvalho ficará no cargo para fazer a transição do atual para o futuro governo de Dilma, caso a ministra seja eleita.

PT e Palácio do Planalto, na prática, já disputam poder num futuro e hipotético governo Dilma. O PT majoritário, por exemplo, defende a volta do ex-ministro Antonio Palocci ao governo, se o Supremo Tribunal Federal recusar a abertura de processo contra o deputado, acusado da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

Para esses petistas, Palocci deveria ocupar o lugar da ministra Dilma, caso o julgamento do Supremo demore e mesmo que ele não saia candidato ao governo de São Paulo, como deseja Lula. Seria o PT no governo Dilma. A volta de Palocci ao governo, se ele se sair bem no STF, também é defendida por Carvalho.

A maioria dos auxiliares de Lula no Palácio do Planalto, no entanto, é contrária à volta de Palocci ao ministério, por causa do potencial que dispõe de contaminar a candidatura de Dilma a presidente da República. Esse grupo acha que ele nem deveria ser candidato em São Paulo.

Outro argumento do CNB em defesa de uma chapa de unidade à presidência do PT é que isso, se for alcançado, passa um comando para as seções estaduais do partido, que também estão conflagradas. Internamente ou em relação aos aliados do atual governo Lula da Silva.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, não é certo que Tarso Genro seja candidato sem disputa interna: o prefeito de São Leopoldo Ar Vanazzi e o deputado Pepe Vargas estão na disputa. Há inclusive setores que defende uma aliança com o atual prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, que é do PMDB, o adversário tradicional dos petistas no Sul.

Em Minas Gerais, está em curso uma disputa, que pode ser vital para a candidatura Dilma, entre o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e o ex-prefeito da capital, Belo Horizonte, Fernando Pimentel.

O ideal que o PT persegue em Minas é ter candidato próprio ao governo numa aliança com o ministro das Comunicações, Hélio Costa, que é do PMDB e está em primeiro lugar nas pesquisas, e o vice-presidente José Alencar (PR). Esse seria o palanque perfeito para Dilma, mas, por enquanto, difícil de viabilizar.

Em São Paulo, se Palocci não for candidato, a disputa aponta para o ministro da Educação, Fernando Haddad, contra o prefeito de Osasco, Emídio de Souza.

No Rio de Janeiro o imperativo petista é o apoio à reeleição do governador Sérgio Cabral, tendo no mesmo palanque o senador Francisco Dornelles (PP) e o PDT do ministro Carlos Lupi. Mas a candidatura de Lindberg Farias, ex-presidente da UNE e prefeito reeleito de Nova Iguaçu, tem potencial para entusiasmar o partido.

29/10/2008 - 09:20h “A direita tem um enraizamento muito forte na cidade”, diz Gilberto Carvalho em entrevista ao Valor

“Kassab teve a competência de exibir bem os repasses de Lula”, diz Carvalho

César Felício, VALOR

Para Gilberto Carvalho, chefe de gabinete pessoal de Lula,
Marta mantém-se forte:
“Politicamente, passei a admirá-la mais”

Foto Lula Marques/Folha Imagem
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Chefe de gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho sempre foi um dos dirigentes petistas mais próximos do presidente. Este mês, afastou-se de Brasília por dez dias para participar da reta final da campanha de Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo, no segundo turno. O gesto foi interpretado por aliados e adversários da ex-ministra como um sinal de que Carvalho está escalado pelo próprio presidente para concorrer à presidência nacional do PT em novembro do próximo ano, assumindo assim a coordenação das alianças do partido para 2010. E, pela sua identificação com Lula, entraria na disputa com uma gama de apoios muito maior do que a corrente do antigo Campo Majoritário, desde 2005 denominado “Construindo um Novo Brasil”.

Carvalho não afasta a possibilidade de concorrer, mas frisa em entrevista por telefone ao Valorque as articulações pelo seu nome não partem do Palácio do Planalto. O chefe de gabinete pessoal de Lula lembra que transita dentro do partido uma proposta para que o mandato da atual Executiva nacional, chefiada pelo deputado Ricardo Berzoini (SP), seja prorrogado até 2011.

Natural de Londrina, Carvalho foi seminarista na juventude e teve no Paraná a sua única experiência eleitoral, ao concorrer sem sucesso à Câmara dos Deputados em 1986. Do time de primeiro escalão escolhido pelo presidente da República em 2003, para gravitar em torno de seu gabinete, Carvalho é o único que se mantém no Planalto.

A seguir, a entrevista ao Valor:

Valor: O senhor é citado por diversas alas do PT como um nome que poderia ser quase consensual para assumir a presidência do partido em 2009. Pode haver, pela 1ª vez, uma escolha sem disputa?

Gilberto Carvalho: Fui consultado por um grupo de deputados sobre a possibilidade de ser candidato. Tenho um compromisso com o presidente da República até o final de 2010. Esta história de presidir o partido surgiu agora e eu teria que deixar o governo, o que não está na minha perspectiva. Preciso falar com aquele rapaz que me paga o salário. Preciso levar o assunto ao presidente. Não vou postular a vaga, não é meu projeto. Agora, sou um filho do PT e não posso me furtar a contribuir com o partido.

Valor: Mas o nome do senhor seria uma forma de evitar disputas?


Carvalho:
Seria arrogância de minha parte colocar que só aceitaria ser candidato se unisse o partido, isto é muito pretensioso. No PT nunca existiu unanimidade, o que é uma virtude do partido.

Valor: Alguns colocam que a adesão a seu nome decorre de o senhor ser o dirigente mais identificado com o presidente. Confere?

Carvalho: Ser próximo do presidente, como de fato sou, não é uma condição importante para ser presidente do PT, não credencia só por si. Pelo contrário: o eleito, quem quer que seja, tem que exercer uma autonomia em relação ao governo para representar o pensamento médio dentro do partido. E neste sentido entra às vezes em contradição com o presidente da República. O PT tem que ser a consciência crítica do governo. Presidir o PT neste sentido é honra enorme e dificuldade extraordinária.

Valor: Como o senhor avalia a derrota da candidata Marta Suplicy em São Paulo?

Carvalho: Atendi a uma demanda da coordenação de campanha da Marta no segundo turno, em um quadro que já era de muita dificuldade, em função do resultado no primeiro turno. Tirei dez dias de férias e o presidente assentiu, mas ninguém esperava que com minha vinda o quadro se revertesse. Todos tínhamos exata consciência da gravidade. O Kassab construiu este resultado com muita antecedência ao processo eleitoral. Deslocaram para ele a estrutura de marketing do José Serra e trabalharam bem os elementos que davam a ele rejeição alta, procurando melhorar a sua avaliação de governo. Ainda por cima houve uma onda de reeleição dos atuais prefeitos em todo o País. Ironicamente, o governo federal ajudou na eleição de Kassab.

Valor: Por que?

Carvalho: Porque o presidente não discriminou São Paulo, repassou muitos recursos e o Kassab teve competência de exibir bem a aplicação destes recursos. O cidadão em todo Brasil não vota por ideologia, vota pelas motivações de seu dia a dia. Mas no caso paulistana houve uma união de forças políticas em torno do prefeito. Eu sempre lembro que em 2006 o Lula perdeu em São Paulo para o Alckmin no primeiro e no segundo turno. A direita tem um enraizamento muito forte na cidade.

Valor: A rejeição à Marta e ao PT não colaborou para o resultado?

Carvalho: Esta rejeição foi construída há muitos anos, e trabalhada agora com habilidade pelos adversários e alguns erros nossos. A imagem negativa da Marta é trabalhada desde a separação dela de Eduardo Suplicy, em 2001. Quando chegou agora eles não precisaram abordar este tema nem subliminarmente, porque não era mais necessário. Mas não deixaram de realizar uma campanha negativa muito agressiva, com os comerciais no rádio sobre a “Dona Marta em Paris”. A campanha deles para aumentar a rejeição de Marta foi muito dura. Por todos estes fatores eu acho que a Marta teve um desempenho muito bom. Politicamente, passei a admirá-la mais.

Valor: O senhor não acha que ela sai enfraquecida no PT, em função das sucessivas derrotas?


Carvalho:
Não. Cada eleição tem uma circunstância. Derrotas sucessivas não acontecem pela mesma razão. A Marta sai bastante forte no PT pela campanha que fez e vamos ver agora qual será o cenário para 2010. É bastante prematuro procurar imaginar qual será o papel que Marta jogará. Mas construir um quadro político e eleitoral não é fácil. Precisamos preservar o patrimônio que já temos.

Valor: É preciso pensar duas vezes antes de lançar nome novo em disputa majoritária?

Carvalho: Sem dúvida alguma. Duas vezes e mais duas. A construção de uma liderança eleitoral é difícil, é complexa.

Valor: O PT sofreu derrota surpreendente em Santo André, depois de ter quase vencido no primeiro turno. Como se explica este resultado?

Carvalho: Por um lado, houve fadiga de material. Com uma interrupção, o PT está no poder na cidade desde 1988. Do outro, evidentemente, as prévias que foram disputadas no ano passado, pelo seu grau de dureza, deixaram marcas. O secretariado do prefeito João Avamileno entregou os cargos. O partido se unificou depois, mas muitos foram para São Bernardo do Campo, trabalhar na eleição de Luiz Marinho. Figuras centrais para o partido na cidade, como Miriam Belchior, ficaram em Brasília. Além disso, o adversário Aidan Ravin (PTB) foi competente em conseguir apoio do governo de São Paulo, por meio do deputado estadual Campos Machado, e deu uma arrancada extraordinária na campanha, passando do terceiro lugar nas pesquisas para a vitória no segundo turno. Agora, é verdade que o Vanderlei Siraque praticamente ganhou no primeiro turno e a derrota deve-se, portanto, a acontecimentos da própria campanha e não a razões de fundo. Esta derrota em Santo André é um aprendizado que precisamos fazer.

15/10/2008 - 08:46h PT mostrará tudo de Kassab, diz Carvalho

http://www.videversus.com.br/imagens/GilbertoCarvalho.jpg“Contra nós vale tudo; quando ousamos levantar uma pergunta, se faz esse escarcéu”, afirma chefe-de-gabinete de Lula

Carvalho diz que Marta já teve separação explorada à saciedade e que PT quer que eleitor conheça candidatos em todas as suas dimensões

RANIER BRAGON – FOLHA SP

EM SÃO PAULO

Mais novo reforço da campanha de Marta Suplicy (PT), o chefe-de-gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, disse à Folha que o PT continuará a mostrar a história do prefeito Gilberto Kassab “em todas as suas dimensões, pessoais e políticas”.
Já despachando no comitê de Marta, Carvalho afirma ter considerado “absurda” a repercussão na imprensa sobre o comercial do PT e questiona a declaração de Kassab (DEM) insinuando ligação de Marta com o mensalão, já que ela trabalhou com a mulher de Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT), Mônica Valente.
“Isso é que é preconceito.” Carvalho confirmou a última participação de Lula na campanha de Marta -uma reunião com movimentos sociais na Casa de Portugal (centro), no sábado.

FOLHA – O comercial com indagações sobre a vida privada de Gilberto Kassab foi um deslize?
GILBERTO CARVALHO – Eu não chego a achar que é um deslize não. Na verdade, acho que houve um superdimensionamento na interpretação. Nós sabemos muito bem o que que é a devassa da vida privada. Nada a ver com o que aconteceu com o Kassab, ninguém fez nenhuma acusação a ele. É muito pior a atitude que o Kassab teve no debate, em que ele acusa a Marta falando da Mônica Valente. Quem é Mônica Valente? É uma cidadã contra a qual não há uma única acusação, salvo o fato de ser esposa do Delúbio [Soares]. Isso é que é preconceito. Verbal, nem é da propaganda, é dita pelo candidato. Acho estranho que a imprensa não ter registrado isso. Contra nós vale tudo. E quando ousamos levantar uma pergunta, que é uma pergunta natural, se faz esse escarcéu.

FOLHA – Há exagero então?
CARVALHO – Absoluto, absurdo. Absurdo. Tanto que as pessoas com quem tenho conversado, do povo, nem sequer se dão conta de que tem alguma a ver com o Kassab.

FOLHA – Mas não há uma alusão a homossexualismo?
CARVALHO – Eu não conversei com o João Santana [marqueteiro da campanha] sobre isso. Não tenho como te dizer. Primeiro, li na imprensa. Chegando aqui fui ver o comercial. E fiquei assustado com a interpretação que se deu na imprensa, fiquei meio que impressionado. Quando se bisbilhotou a vida da Marta do jeito que se fez, nunca vi a indignação que se viu hoje, inclusive em seu jornal. Mas, no que depender da coordenação da campanha, hoje que estou me inteirando, esse assunto é página virada. O comercial tinha sido programado para ter dois dias de duração. Teve. Hoje [ontem] entraram outros. Agora, nós vamos sim continuar na campanha convidando a população a conhecer melhor os dois candidatos. Em todas as suas dimensões, pessoais e políticas. Entendemos que quando você entra na vida pública sua vida fica exposta, evidente, é muito difícil a distinção entre o privado e o público. Eu trabalho ao lado de uma pessoa cuja vida é devassada diariamente, que é o presidente Lula.

FOLHA – O sr. fala em dimensão pessoal e política.
CARVALHO – Claro, é natural. É natural que você saiba o que a Marta faz, com quem ela… com quem ela… Está exposta a vida da Marta. Foi importante, aparentemente, na última eleição.

FOLHA – O fato de ela ter se separado, casado de novo?
CARVALHO – Isso foi explorado à saciedade, e nós nunca nos insurgimos. Quando você entra na vida política, pública, você sabe que está sujeito a isso. A gente não apóia a exploração, mas é um pouco do ônus nosso.

05/10/2007 - 11:20h Veto a Garcia obriga Lula a apoiar Berzoini

Ricardo Berzoini

Presidente foi pressionado por deputados aliados, que temiam vitória de Tatto

Vera Rosa, BRASÍLIA

O Estado de São Paulo

Uma rebelião de deputados do PT impôs uma derrota ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi obrigado a ceder para evitar novo racha no antigo Campo Majoritário, sua corrente no partido. Insatisfeitos com a pré-candidatura do assessor da Presidência Marco Aurélio Garcia na disputa pelo comando do PT, deputados mais próximos ao Planalto bateram o pé. A estratégia funcionou: depois de muita chiadeira, conseguiram que Lula desistisse de emplacar Garcia e desse a bênção ao presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), agora candidato à reeleição.

Marco Aurelio Garcia


O “sim” de Berzoini, que alegava motivos familiares para não entrar no páreo, será assunto nos bastidores da reunião de hoje do Diretório Nacional, em São Paulo. Na outra ponta, o grupo Mensagem ao Partido, capitaneado pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, vai lançar o deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP). São candidatos, ainda, o deputado Jilmar Tatto (SP) – que desponta com força em São Paulo -, o secretário de Assuntos Internacionais do partido, Valter Pomar, e Markus Sokol, de O Trabalho.

Jilmar Tatto

Lula recebeu Berzoini no Palácio do Planalto, na terça-feira, após ser informado pelo chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, da rebelião petista. Sem passar recibo, o presidente disse que precisava manter Garcia na Assessoria de Relações Internacionais e pediu a Berzoini que concorresse a um novo mandato na eleição marcada para 2 e 16 de dezembro.

“Eu já tinha manifestado meu interesse de não competir, em função de questões pessoais. Diante de várias manifestações de parlamentares, sindicalistas, dirigentes estaduais e nacionais do PT, eu tomei a decisão de reconsiderar e pedi à minha família um pouco mais de paciência”, disse Berzoini ontem em São Paulo. Ressaltando que somente os eleitores decidirão sobre sua permanência no cargo, ele acrescentou que conversou com Garcia, antes de aceitar a candidatura.

Apesar do discurso oficial, contudo, já está tudo certo e seu nome será homologado amanhã, em reunião de sua tendência. Na quarta-feira, após acertar os ponteiros com o Planalto, 42 deputados da corrente de Lula – dos 81 que compõem a bancada – assinaram manifesto de apoio à permanência de Berzoini.

Na prática, integrantes do grupo de Lula só decidiram enfrentá-lo após perceber que, com Garcia no páreo, Tatto poderia vencer a eleição no PT. O deputado tem o aval da facção liderada pela ministra do Turismo, Marta Suplicy, e do Movimento PT, corrente do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (SP).

COLABORARAM LISANDRA PARAGUASSÚ e CLARISSA OLIVEIRA

01/10/2007 - 08:51h Candidatura de Garcia acirra as divisões na maior corrente do PT

Ricardo Galhardo

O Globo

SÃO PAULO. A pré-candidatura do assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia a presidente do PT está acirrando as divisões no antigo Campo Majoritário, maior corrente interna do partido, hoje chamada Construindo um Novo Brasil (CNB). Enquanto lideranças mais próximas ao Palácio do Planalto apóiam Garcia, setores do CNB ainda apostam no atual presidente, Ricardo Berzoini.
— As alternativas hoje são Marco Aurélio e Berzoini — disse o coordenador do CNB, Francisco Rocha.Em reunião com a bancada federal do CNB, terça-feira, em Brasília, o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, negou que a candidatura de Garcia seja patrocinada pelo Planalto. Isso foi interpretado no CNB como um recuo de Lula diante da ameaça de lideranças da corrente de despejarem votos em Jilmar Tatto, pré-candidato da aliança PT de Lutas e de Massas, Novos Rumos e Movimento PT.
A reunião com Carvalho reavivou as esperanças de que Berzoini reconsidere a decisão de não concorrer à reeleição.

—Pelo menos uns 80% do CNB preferem Berzoini. Hoje existe uma espécie de “queremismo” em favor dele no Brasil todo — diz um dirigente.

Burocracia petista teme perder cargos no partido Na semana passada, o CNB se recusou a homologar a candidatura de Garcia. Setores da corrente, especialmente na bancada federal, estão descontentes com a forma como Lula tentou impor Garcia. Além disso, reclamam de falta de espaço (cargos) e de participação nas decisões do governo. Para pressionar o Planalto, ameaçaram apoiar Tatto. Por outro lado, dirigentes do CNB vindos da burocracia partidária temem perder seus cargos já que Garcia tem dito que pretende montar a comissão executiva com nomes de expressão popular como o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopes Feijoó. A divisão do CNB em São Paulo, berço do PT, acendeu a luz amarela na direção da corrente. Enquanto o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu defende o ex-prefeito de Araraquara Edinho Silva para a presidência do diretório estadual, o atual presidente, Paulo Frateschi, e o deputado João Paulo Cunha, apóiam o deputado José Zico Prado. Na terça-feira uma comissão do CNB se reúne em Brasília e há a expectativa de que Berzoini aceite a disputa. Caso contrário, a corrente apoiará Garcia. A decisão final será no dia 7.
— O governo deve jogar pesado nos próximos dias — prevê Jilmar Tatto. Com força em São Paulo, maior colégio eleitoral petista, e com o apoio de uma corrente nacional como o Movimento PT, representado em 24 estados, a candidatura de Tatto cresceu e tem boas chances de chegar ao segundo turno do Processo de Eleições Diretas (PED). Também pesam a favor dele o apoio à tese de candidatura própria à presidência em 2010, defendida pela maioria do PT, e a proximidade com a ministra do Turismo, Marta Suplicy.
— Tenho certeza que nosso gesto em apoio ao Jilmar vai animar muita gente da bancada a vir conosco. Buscamos tirar bases de apoio do CNB e também da Mensagem ao Partido (liderada por Tarso Genro) — disse a deputada Maria do Rosário (PT-RS), líder do Movimento PT.Aliados de Tarso são obstáculo no Rio Grande do Sul A candidatura de Garcia também provoca divisões na corrente Mensagem. Na semana passada, o grupo ligado a Tarso Genro aprovou um texto no qual aceita apoiar outro nome, desde que participe da coordenação da campanha e da elaboração da plataforma. A idéia era abrir caminho para o apoio a Garcia, mas o próprio pré-candidato recusou. A simpatia da Mensagem tem afastado lideranças do CNB, principalmente os envolvidos em escândalos recentes.
Garcia ainda enfrenta obstáculos na base da Mensagem no Rio Grande do Sul, onde ele sempre foi opositor de Olívio Dutra e Raul Pont, aliados de Tarso. Os mais cotados são os deputados José Eduardo Martins Cardozo (PT-SP) e Henrique Fontana (PT-RS). Na esquerda petista Valter Pomar, pré-candidato da Articulação de Esquerda, negocia uma aliança com o PT Militante e Socialista.

— Com este quadro, é muito provável que nenhuma chapa tenha maioria absoluta e que a eleição vá para o segundo turno — disse Pomar.

Segundo o deputado estadual Rui Falcão (SP), líder do Novos Rumos, a mudança na correlação de forças provocada pelo PED surte efeito em todo o PT: — Isso é positivo. O PT precisa construir um novo campo político e uma nova direção que o preparem para 2010.

19/09/2007 - 10:12h Carta de Tarso Genro a militantes reacende crise interna do PT

Raymundo Costa

Além do problema Walfrido dos Mares Guia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está combatendo uma nova crise no PT. Sob o pretexto de avaliar o 3 Congresso Nacional do partido, o ministro Tarso Genro (Justiça) enviou uma carta aos militantes na qual faz duras críticas ao antigo comando partidário, minimiza seu papel nos avanços econômicos do primeiro mandato e diz – numa referência ao julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) – que não houve um julgamento “deste ou daquele indivíduo, tarefa que é responsabilidade da justiça penal após a instrução dos respectivos processos judiciais”.

A carta de Genro – cujo título é “Depois do Vendaval” – deixou particularmente aborrecidos os ex-ministros Antonio Palocci e José Dirceu, além do ex-presidente do PT José Genoino. Palocci acredita que o ministro da Justiça desmereceu o papel que ele exerceu no governo Lula, ao afirmar que, com a mudança de comando no PT, deu-se no segundo mandato “início à ‘transição’ em direção a um novo modelo de desenvolvimento, com maiores taxas de crescimento, emprego e distribuição de renda, superando o modelo neoliberal herdado de FHC, de baixas taxas de crescimento e sucateamento das funções públicas do Estado”.

Segundo Genro, a crise de 2005 “evidenciou a falência dos velhos paradigmas ideológicos vigentes no interior do partido, herdados da bipolarização URSS x EUA”, que se refletiam no PT “com um arcabouço conceitual e um modelo de organização de tendências, incapaz de dar conta das novas complexidades da luta social no mundo globalizado”. Este modelo, “impotente e primário, serviu apenas para consolidar relações de poder puramente contingentes para fortalecer interesses grupistas no partido, mas foi impotente para ajudar Lula a governar olhando para a frente, como o próprio presidente te o fez ao longo do primeiro mandato”. Este foi o trecho que mais deixou incomodados Dirceu e José Genoino.
A assessoria do ministro Tarso Genro confirmou ao Valor a autenticidade da carta, mas destacou que se tratava de uma correspondência particular aos militantes que não era para ser divulgada. No pé do texto, aliás, há um aviso entre parênteses: “Este texto é uma correspondência; não é permitida sua reprodução sem licença do autor”. Apesar da recomendação, a carta reabriu feridas que nunca foram inteiramente cicatrizadas no PT e voltou a radicalizar as posições em relação ao Processo de Eleição Direta (PED), em dezembro, que vai eleger o novo comando partidário.
O PT encaminhou a Lula uma lista com três nomes para presidir o partido: Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente, Luiz Dulci, ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, e o do assessor para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia. O nome do atual presidente, Ricardo Berzoini, foi omitido porque ele disse que não queria mais permanecer no cargo, por sentir-se desprestigiado pelo presidente Lula.
Ao tomar conhecimento da lista do PT, Lula se recusou a abrir mão de dois dos três auxiliares: Gilberto Carvalho e Luiz Dulci. Especificamente em relação a Carvalho explicou que ele tem novas funções desde a reforma da chefia de gabinete da Presidência, a partir da qual Cezar Alvarez passou a cuidar especificamente da agenda presidencial e liberou Carvalho para outras tarefas . Entre elas, a interlocução do presidente com o próprio PT. Dulci também prefere ficar na Secretaria Geral. Restou Marco Aurélio Garcia, que já declarou publicamente não se sentir em condições de ocupar o cargo, depois que foi filmado fazendo um gesto obsceno.

Diante do impasse, os integrantes da executiva petista, que se encontram em viagem à China, decidiram antecipar a volta ao Brasil para este fim de semana. O grupo Articulação, que foi majoritário na eleição dos delegados ao 3º Congresso Nacional do PT, vai tentar convencer Ricardo Berzoini a voltar atrás e concorrer à reeleição para a presidência do PT. Há outras três alternativas – Paulo Frateschi (SP), Marcos Maia (RS) e André Vargas (PR). Mas um nome nem sequer pode ser mencionado no grupo: Tarso Genro.