24/11/2009 - 15:13h Gilberto Dimenstein e a reescritura da história II

Deixei passar na minha nota anterior (Ver Gilberto Dimenstein e a reescritura da história), mas vale a pena voltar, à famosa questão da conjuntura internacional. Dimenstein evoca como parte da “sorte” de Lula o crescimento da economia mundial, com exceção dos últimos 12 meses. Os tucanos sempre argumentaram que FHC teve que enfrentar duas grandes crises econômicas mundiais e que Lula teve sorte porque o mundo tinha um grande crescimento.

A verdade é que Brasil enfrentou durante o governo FHC duas crises econômicas, verdadeiros “tsunamis”, porque junto com a Rússia, a Tailândia e o México, a sua fragilidade era tamanha que faziam do Brasil a “bola da vez” das crises financeiras.

A aplicação de uma boa parte do receituário do FMI, de ancora cambial populista, de déficit fiscais crescentes, de dívida galopante e de descontrole orçamentário (isto último o FMI não receitava), faziam do Brasil o “elo fraco” do sistema mundial. Por isso uma crise ou mesmo uma “marolinha” em algum recôndito lugar do planeta provocava uma corrida atingindo o Brasil.

O crescimento do PIB brasileiro na época de FHC esteve sempre abaixo do crescimento da economia mundial no mesmo período. “No período 1995-2004, o Brasil deverá apresentar crescimento médio de 2,2% (uma vez confirmada a taxa de 3,5% em 2004) contra 3,7% da economia global e 4,9% do grupo de mercados emergentes”, constatava em 2004, o jornal onde Dimenstein trabalha (Folha de S. Paulo, São Paulo, 27.jun.2004, Caderno Dinheiro). No período 1995-2002, cerca de 2,6 milhões de vagas de emprego foram fechadas, constatou também a Folha.

A ancora cambial populista, o cambio fixo a 1 real=1 dólar, sustentado em juros estratosféricos e dívida pública em espiral ascendente, levaram a esse impacto das crises. A política de FHC era insustentável e o mercado mundial sabia disto, por isso fugia com seus capitais para um lugar mais seguro.

Um dos criadores do Plano Real, Pérsio Arida, constatava, amargo: “Parte do aumento da dívida pública decorreu das altas taxas de juros necessárias para sustentar o câmbio fixo. Mas nosso desempenho fiscal no período de câmbio fixo foi longe do ideal e agravou o problema”, diz Arida.

“Adotamos uma política cambial determinadora de um custo muito caro. Eu defendia já em primórdios de 1995 a implantação de uma banda larga de câmbio e os limites dessa banda (superior e inferior) deveriam ir-se abrindo aceleradamente a ponto de atingir a plena flutuação em 1998, ano de eleição. O Brasil veio adotar o câmbio flutuante não por vontade própria, mas por circunstância.” (Valor, São Paulo, 30.jun.2004, p. F5).

“Só arrumamos as contas públicas em 1999, embora essa tenha sido a primeira promessa feita ao colocarmos o Plano Real na rua”, comenta Gustavo Franco (Folha de S. Paulo, São Paulo, 27.jun.2004, p. B7). Arrumamos, em termos, o mais apropriado seria dizer começamos a tentar arrumar.

“O Plano Real terminou brilhantemente sua tarefa em 1996, quando a inflação dentro do ano atingiu 9,6%”, observa Antonio Delfim Neto, economista, deputado federal (”O real”. Valor, São Paulo, 06.jul.2004, p. A2). “Depois foi uma sucessão de erros. Em 1997, quando os países sensatos deixaram flutuar sua taxa de câmbio para poder reduzir a taxa de juros e manter o crescimento, insistimos no caminho contrário. A desculpa do medo da volta da inflação é, no mínimo, patética. No primeiro mandato, com o câmbio supervalorizado graças ao uso abusivo de altíssimas taxas de juros, o governo FHC foi muito descuidado com a política fiscal. A carga tributária bruta e a dívida interna líquida aumentaram. No segundo mandato, as coisas melhoraram um pouco devido à intervenção do FMI na formulação da política econômica. O acordo de 1998 exigiu superávits primários e vários aperfeiçoamentos na administração. Talvez a maior contribuição do FMI tenha sido a inspiração para a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal”, conclui Delfim Neto. (citado por Newton Freitas, em PLANO REAL, DÍVIDA PÚBLICA E CARGA TRIBUTÁRIA).

Dimenstein afirma que a história reparará a injustiça com FHC.

Depende de quem for escrever-la.

LF

24/11/2009 - 13:35h Gilberto Dimenstein e a reescritura da história

Segundo Dimenstein, “FHC é padrinho de Lula”.

O Lula, segundo Dimenstein, “pegou a inflação baixa” (inverídico: a meta de inflação do BC em 2002 era de 3,5% e a inflação foi de 12,5%).

Ainda segundo Dimenstein, Lula pegou “um país em rota de crescimento” (inverídico o PIB só entrou em rota de crescimento em 2004. 2002 foi 1,9% e 2003 0,5%, ou pelo novo método de calculo 2,7% e 1,1%. Passando em 2004 a 5,7%*).

“As bases do Bolsa-família em andamento” acrescenta o jornalista da Folha, Comparando três programas desconexos (a Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e o Vale Gás) e de pouca abrangência, com o Bolsa-família -batizado de Bolsa-esmola pelos tucanos- que atingem 44 milhões de brasileiras e brasileiros.

Por último, vejam só “As finanças públicas tinham passado por medidas importantes como a lei de responsabilidade fiscal.”, certo. Aqui é o silêncio do jornalista é que grita sua parcialidade. Lula herdou o maior socorro jamais fornecido pelo FMI a um país em crise, com reembolsos pesados, uma dívida externa gigantesca (a dívida pública passou, de 30,2% do PIB, em 1994, para 55,9% do PIB, em 2002. A dívida interna aumentou de 30% para 60% do PIB**). Um país sem Reservas nenhuma e com balança comercial por anos deficitária. Juros estratosféricos (A média da taxa de juros real foi de 21,4%, no período de 1997 a 1999; de 15,8%, no período de 2000 a 2002**) e carga tributária escorchante (Em 1994, a carga tributária era de 28,6% do PIB; em 2002 ela estava 35,8%)**.

Finalmente, não sei o que é pior, se é essa reescritura da história, ou o insulto da afirmação que os que não pensam como Dimenstein, seriamos “desequilibrados”. Ou seja, a maioria dos brasileiros não estariam sendo equilibrados na rejeição à era FHC. Quanta pretensão e arrogância! Quanto desprezo pelo julgamento político da população.

Para Dimenstein Lula é hábil, sortudo, esperto. Sua inteligência, vejam vocês, é essencialmente ter continuado FHC. O “Farol de Alexandria” -dixit PHA- é a luz que balizou o caminho do barbudo.

Lula “é o cara” para o Brasil e o mundo. Mas o herói da história de Dimenstein, é FHC.

É o que ele chama de “equilíbrio”.

LF

A seguir a “Pensata” de Gilberto Dimenstein

“Leio análises falando que um dos pontos vulneráveis de José Serra –e teria aparecido na mais recente pesquisa mostrando a subida de Dilma Roussef– é Fernando Henrique Cardoso, com alta taxa de rejeição. Por isso, o ex-presidente seria escondido na campanha. A verdade é que, por outros motivos, FHC é o grande padrinho de Lula –qualquer pessoa com um mínimo de equilíbrio terá de concordar com isso.

Em essência, o governo Lula é a continuidade da gestão anterior –e aí está um dos pontos mais inteligentes do presidente. Ele pegou a inflação baixa, um país na rota do crescimento, as bases de seu mais importante programa social em andamento (o Bolsa Família). As finanças públicas tinham passado por medidas importantes como a lei de responsabilidade fiscal.

Lula soube aprimorar o que recebeu. Radicalizou a política social, manteve as bases econômicas. Para completar, além da sorte com a descoberta do pré-sal, passou por uma época de crescimento mundial –com exceção dos últimos 12 meses. Não herdasse o que herdou, teria muito menos condições de angariar um prestígio tão grande.

É tolice não reconhecer a habilidade de Lula e seu extraordinário pragmatismo. Mas é tolo não reconhecer que FHC é seu grande padrinho, cuja alta taxa rejeição faz parte daquelas injustiças –mas será reparada pela história.”

*Arte Folha
PIB_Brasil

** Os dados são do artigo PLANO REAL, DÍVIDA PÚBLICA E CARGA TRIBUTÁRIA

26/03/2009 - 22:34h Justiça condena dona da Daslu a 94 anos de prisão

A prisão de Eliana Tranchesi é um espetáculo?

por Gilberto Dimenstein – FOLHA Online

está ocorrendo uma satisfação popular com a prisão da empresária Eliana Tranchesi, dona da Daslu. Natural: numa sociedade com tanta impunidade, especialmente para os poderosos, ver um milionário dormir na cadeia soa como se, enfim, se fizesse justiça.

Ainda mais porque vivemos numa sociedade desigual e a Daslu é uma das traduções do extremo da desigualdade.

Não tenho nada contra que se tire até o último centavo de quem fraudou e deve dinheiro ao poder público. O que não entendo, porém, como se prende alguém que está em meio a um tratamento de câncer, não oferece risco à sociedade e, até agora, não deu sinais de que pretendia fugir do país afinal, estava pagando suas multas.

O que pode argumentar é que, se não fosse pobre, Eliana não chamaria tanta atenção é verdade. Mas a minha sensação é de que se trata de um espetáculo midiático.

Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

Defesa de dona da Daslu já pediu habeas corpus e reconsideração de sentença

YGOR SALLES da Folha Online

A advogada Joyce Roysen, que representa Eliana Tranchesi, dona da Daslu, informou que já entrou com pedido de habeas corpus no TRF (Tribunal Regional Federal) para a revogação da prisão preventiva da empresária, condenada a 94,5 anos de prisão por crimes financeiros.

Além disso, Roysen pediu também uma reconsideração da sentença para a juíza Maria Isabel do Prado, da 2ª Vara da Justiça Federal, em Guarulhos (Grande SP). Desde que foi presa, a empresária está em uma penitenciária feminina na zona norte de São Paulo, ao lado do antigo complexo do Carandiru.

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O pedido de habeas corpus é analisado pelo desembargador Luis Stefanini. “Se não for concedido, o que acho improvável, iremos ao STJ [Superior Tribuna de Justiça] ou até o STF [Supremo Tribuna Federal]“, disse Roysen em entrevista coletiva dada na tarde desta quinta-feira.

Segundo ela, a prisão realizada hoje é “injusta, ilegal e desumana”. Para a advogada, é injusta porque pessoas que cometeram crimes muito mais violentos tiveram penas menores –ela citou, por exemplo, Suzane von Richthofen (matou os pais) e Champinha (matou a jovem Liana Friendebach), que pegaram, respectivamente, 39 e 47 anos de prisão.

Já a ilegalidade seria por tratar-se de uma sentença provisória, da qual ainda cabe recurso, e desumana devido ao fato de Tranchesi estar sob tratamento quimioterápico devido a um câncer de pulmão.

Sobre isso, ela confirmou que junto ao pedido de habeas corpus foi entregue laudo médico que aponta que a empresária já sofre com a metástase do câncer pulmonar e que demanda “cuidados médicos diários”.

Sobre a sentença proferida, Roysen afirmou ainda que houve uma “análise tendenciosa” e que uma “pena justa” em caso de condenação definitiva pelos crimes citados (formação de quadrilha, falsidade ideológica e descaminho) não passaria de quatro anos.

Ao explicar a “possibilidade” da Daslu ter cometido novamente o crimes de descaminho (importação irregular com sonegação fiscal) denunciados na primeira fase da operação Narciso (através do aeroporto de Cumbica, em São Paulo), a advogado afirmou tratar-se de “um caso totalmente diferente”.

O Ministério Público Federal e a juíza destacaram que mesmo após a denúncia, a Daslu continuou a importar ilegalmente pelo porto de Itajaí, em Santa Catarina.

Segundo a advogada, neste segundo caso, a Daslu contratou uma nova “trading”, a Columbia, com a qual já importou R$ 78 milhões desde 2007. “Nessas importações a Daslu pagou R$ 58 milhões em impostos”, disse a advogada.

08/02/2008 - 00:05h Maquiagem


Queda de homícidios em São Paulo ou dados maquiados?

Gilberto Dimenstein, editor da Folha de São Paulo e cronista na CBN, não é um jornalista simpático ao PT, por isso ganha relevância a denúncia de maquiagem dos dados com homícidios feitas nos governos Alckmin e Serra.
Disse Dimenstein:

“A Folha informou que cerca de 17% das mortes violentas registradas pelo Instituto Médico Legal de São Paulo em 2005 foram classificadas
como indeterminadas, ou seja, não podiam engrossar a estatística dos homicídios.
O que provoca suspeita é o fato de que essa percentagem de mortes não definidas do IML já ter sido bem mais baixa, no final da década de 1990, quando se inicia a acentuada queda dos homicídios. Não estão computando os assassinatos para que fiquem na condição de mortes indeterminadas? Se isso estiver mesmo ocorrendo, afetaria o índice geral? É um problema do IML ou da policia que não investiga?”

Dimenstein foi investigar esses gravíssimos fatos e obteve… silêncio.

“Conversei com técnicos da Secretaria da Segurança em busca de explicações, mas não consegui desfazer as suspeitas. Imaginei que obteria respostas rápidas e até simples sobre desvios metodológicos, mas não foi o que aconteceu. Não confirmaram o erro, mas não se sentiram em condições de negar. Pedi uma palavra oficial sobre os dados, sem resultado.”

Nas palavras de Dimenstein, se confirmada a maquiagem “estaremos diante de uma das maiores empulhações oficiais dos últimos tempos.”
Resumindo: a medida que os dados oficiais sobre homicídios no Estado de São Paulo iam caindo, paralelamente iam subindo os dados de mortes indeterminadas A suspeita é que a PM era incentivada a prencher o dado do jeito a favorecer a aparente queda, em benefício da propaganda tucana no Estado.
Como Dimenstein não obteve resposta, a coisa ficará por aí. Nem a mídia insistirá no esclarecimento, nem CPI alguma investigará a eventual “empulhação”. LF

26/01/2008 - 11:01h Diálogos e Pérolas


SP entre o amor e o caos, na visão de quatro colunistas – FOLHA

SE A ELITE de São Paulo é cafona, conforme insiste a colunista da Folha Danuza Leão, que mora no Rio, o ex-ministro Delfim Netto, também colunista, é esperançoso: “Ela aprende, ela aprende”. Se Gilberto Dimenstein, que mora na Vila Madalena, torce para que apareça um prefeito com coragem suficiente para implantar o pedágio urbano, como forma de resolver o problema do trânsito, a moradora do Itaim Bibi Barbara Gancia lembra que em Londres ou Nova York, dotadas de ótimos sistemas de transporte público, a maioria das pessoas prefere ir de metrô. Os quatro falaram das aflições da metrópole, como a violência, a escola ruim, o trânsito neurótico, mas teceram uma lista de elogios à cidade que completou ontem 454 anos. (LAURA CAPRIGLIONE)

(mais…)

30/12/2007 - 14:49h Vou sentir saudades de 2007?

“Neste ano senti, como nunca, a combinação de prosperidade com democracia; senti uma sensação de vitória coletiva


A PERGUNTA DO TÍTULO É minha preocupação neste fim de ano, porque tenho 51 anos de idade, o que significa dizer que já vivi meio século. Nesse tempo, vivi basicamente duas fases na história do Brasil: 1) durante o regime militar, a prosperidade econômica com falta de liberdade; 2) depois da derrocada dos militares, o baixo crescimento econômico, exceto durante um ou outro surto passageiro decorrente de algum artificialismo, com expansão dos direitos civis.
Em poucas palavras, pertenço a uma geração de frustrados. Quando havia mais dinheiro, padecíamos com menos democracia -e, quando reconquistamos a democracia, sofremos com o agravamento da pobreza, traduzida na violência dos grandes centros urbanos.
Imaginei que, com o fim da ditadura, fôssemos ter uma sensação de segurança. A barbárie da tortura estaria extinta. Sou obrigado a reconhecer, lembrando-me dos tempos em que se andava na rua despreocupado, que a violência de hoje é muito mais disseminada do que nos tempos da ditadura militar. Naquela época, pelo menos, sabia-se a quem combater para diminuir a barbárie.
No ano de 2007, em particular, senti, como nunca, a combinação de prosperidade com democracia, graças a pelo menos três anos consecutivos de estabilidade política e econômica. Pela primeira vez, senti uma sensação de vitória coletiva.”

Assim começa o artigo do jornalista Gilberto Dimenstein, que em poucas palavras destrói o que durante três anos fora apregoado pela oposição demo-tucana contra o governo Lula, muitas vezes com o concurso ativo da mídia, na qual Gilberto Dimenstein escreve.

Em efeito, 2007 terá sido o ano no qual, aos olhos de todos, o crescimento econômico não serviu exclusivamente para os mais ricos, mas foi acompanhado da recuperação do emprego e da renda do assalariado, no qual a revalorização do salário mínimo e o Bolsa-familia, acabou reduzindo um pouco a desigualdade social. E como disse Dimenstein, a sensação é de vitória coletiva, a do povo brasileiro.

Essa vitória é inseparável da derrota infligida à oposição, pela reeleição de Lula, considerado como acabado, por muitos dos que agora temem pela sua influência no processo sucessório.

Ela também é inseparável da força do PT, objeto de todas as calúnias, de todos os ataques e de todas as tentativas de aniquilamento alimentadas por interesses muito evidentes, mesmo que utilizando erros ou desvios do próprio partido do presidente.

Como fênix renascendo, onde seus adversários viam cinzas, o único consolo para os guerreiros do apocalipse foi a derrota do governo na questão da CPMF. Vitória amarga, porém, como mostra a pesquisa Brasmarket:

“O instituto perguntou aos entrevistados qual a real motivação que levou o Congresso a extinguir a CPMF. A maioria respondeu que o fim do “imposto do cheque” se deveu ao interesse da oposição em prejudicar o presidente Lula (30,8%) e em benefício de ricos e empresários (23,4%). Para 17,9% dos entrevistados o interesse no fim do tributo foi do povo em geral e para 11% o benefício é dos mais pobres. Outros 17% não quiseram opinar.”

Dimenstein, porém, persiste em afirmar, ecoando uma recente propaganda partidária, que essa vitória é fruto do passado e da construção de consensos e não, de um antes e um depois, da chegada de Lula à presidência. Uma maneira “moderna” de nos convidar a um esqueçam o que vocês viveram durante o reino neoliberal de Collor e FHC.

Depois, fingindo ignorar o real conteúdo de um dos principais fatos políticos de finais de 2007, Dimenstein exclama: “Quem imaginava que o PT, deixando baboseiras de lado, iria regozijar-se numa bem-sucedida privatização de estradas?”.

As baboseiras são a recusa dos pedágios extorquidos pela privataria tucana, posta a nú pelo leilão das estradas federais do governo Lula. As baboseiras são rejeitar as negociatas na venda das empresas do Estado, como foi com a Vale do Rio Doce e ao contrário -como mostrado na suspensão dos leilões da Petrobras quando descoberto o potencial das resevas Tupi- se guiar pelo interesse da nação e do povo brasileiro na condução da política econômica do país.

Em verdade, a raiva contra o PT deve-se precisamente a essa capacidade dele não transformar em dogma, uma visão partidária que constitui uma construção permanente. Sem medo de corrigir erros e rumos, mas preservando sua razão de ser que é a luta pela igualdade, a liberdade e a fraternidade.

A metamorfose ambulante do Lula é a determinação a olhar a realidade como ela é e procurar o caminho de sua superação em favor dos mais necessitados. É um engajamento de vida e uma filosofia do autentico militante petista.

2007 mostrou que a caminhada vale a pena, é que o caminho se faz ao andar.

Para todos um feliz 2008. Para os petistas: sem medo de ser feliz!

Luis Favre

27/06/2007 - 14:10h Idosos sonham em navegar na internet

Coluna Gilberto Dimenstein

O maior sonho dos idosos é saber acessar a internet.
Segundo pesquisa do Datafolha, 41% demonstram vontade de estudar. Quando indagados sobre o que desejam aprender, a resposta vencedora é informática para poder navegar pela web. Apesar disso, apenas 12% dos idosos fazem algum curso e aprendem coisas novas. A maior parte deles é excluída digitalmente.

Quarenta e cinco por cento têm computador em casa, mas só uma parcela de 19% utiliza a máquina.Apesar disso, a maioria acha positivo aprender a usar o computador na terceira idade, e associa os benefícios desse aprendizado à internet, vista e utilizada principalmente como fonte de informações e conhecimento e meio de comunicação com amigos e familiares.

A pesquisa será divulgada hoje durante a apresentação do manual do Projeto que oferece inclusão digital a terceira idade.

O Datafolha ouviu 309 moradores da cidade de São Paulo, a partir dos 60 anos de idade, para conhecer seus hábitos e saber suas opiniões em relação ao uso de computadores e da internet. Leia mais aqui