15/10/2009 - 11:04h ”Brasil crescerá 5% nos próximos anos”, disse Jim O’Neill, chefe de pesquisa econômica global do Goldman Sachs e famoso mundialmente por ter criado a expressão Bric. Para ele “O presidente Lula é o melhor, o mais bem-sucedido gestor político de um grande país nessa década”

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Cartaz para uma das conferências de O’Neill, sobre os BRIC

Para O’Neill, que cunhou a expressão Bric, País terá bom desempenho se controlar inflação e estimular investimentos

Fernando Dantas – O Estado SP

O Brasil pode crescer a um ritmo de 5% por muito anos, mas, para isso, é necessário que o próximo governo mantenha a inflação sob controle e estimule os investimentos. A visão é de Jim O’Neill, chefe de pesquisa econômica global do Goldman Sachs e famoso mundialmente por ter criado a expressão Bric – o grupo de grandes países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China, que estudos do Goldman Sachs previram que vai superar em PIB o G-7 (sete principais países ricos) antes de 2030.

“Dependendo do que acontecer nas eleições, é possível que o Brasil possa crescer mais do que 5% por vários anos”, disse O”Neill ontem numa entrevista à imprensa em São Paulo, parte de uma visita ao País, na qual esteve com cerca de 600 clientes do Goldman Sachs.

Entusiasta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, O”Neill declarou que “dá para argumentar que o presidente Lula é o melhor, o mais bem-sucedido gestor político de um grande país nessa década”. Para ele, o principal fator do sucesso atual do Brasil, e que deveria ser mantido pelo próximo governo, é “a inflação baixa e controlada, que está criando toda uma nova geração de cidadãos que podem planejar no médio e longo prazo seu consumo e investimento”.

O”Neill acrescentou que “a coisa mais importante nas eleições, seja lá quem for (eleito presidente) é que não se mude isso”. Ele mostrou preocupação pelo fato de que, na sua última visita ao Brasil, tenha tido a impressão de que o Banco Central não era “muito popular”.

“Espero que essa não seja ainda a visão que prevalece no País; se vocês olharem a força dos indicadores (econômicos) do Brasil, não parece que o Banco Central esteja freando o crescimento”, afirmou.

Para o economista, o Brasil deveria se satisfazer numa primeira fase com um crescimento em torno de 5%, que não provocasse inflação ou desequilíbrios externos graves, para só depois tentar acelerar para 7%. Sobre o real valorizado, disse que há grandes países exportadores que conseguem conviver com isso, e não há solução fácil.

Em relação ao investimento, O”Neill citou um indicador de “ambiente para o crescimento” do Goldman, no qual três das fraquezas do Brasil, na comparação com a média de outros Brics e emergentes, são o baixo nível de investimento em relação ao PIB, o grande tamanho do Estado em relação ao PIB e a pouca abertura da economia.

Ele deu ênfase à questão do investimento, mencionando que um dos fatores que explicam o melhor desempenho econômico da China em relação à Índia é que o primeiro país encoraja mais o investimento estrangeiro na produção. O”Neill mencionou que, em suas frequentes viagens pelas mais diversas partes do mundo, ele tem se encontrado com muitas empresas e investidores querendo entrar no Brasil pela primeira vez. “Acho muito importante que o atual governo e os próximos encorajem isso.”

Quanto ao PIB global, ele apontou que a projeção do Goldman Sachs, de crescimento de 4,1% em 2010, está acima do consenso de mercado. E o maior risco de erro da previsão, frisou, é que o mundo cresça ainda mais, já que há uma série de indicadores de retomada, como o salto de 84% nas vendas de carros na China em um ano, a aceleração do crescimento das exportações coreanas, chinesas e japonesas, ou a cifra estonteante de 30 milhões de novas linhas de celulares por mês da China e da Índia. “Quando as pessoas dizem que não há descolamento (dos emergentes), penso que eles devem morar num país diferente do meu”, ironizou O”Neill.

Em relação à economia brasileira, ele disse que a capacidade do País de superar a crise era o teste que faltava para mostrar que merecia de fato fazer parte dos Brics. Para ele, a boa reação do Brasil à crise foi “um prêmio para a boa gestão macroeconômica do Banco Central e do governo Lula e, possivelmente, do governo anterior”. Quanto ao mercado acionário brasileiro, disse que ainda pode subir muito, embora esteja menos atraente do que estava no início da retomada de alta.

O”Neill recordou-se de como, há dois anos, quando esteve no Brasil, ele tinha que justificar o tempo todo o “B” dos Brics. Agora, disse, “há um grau maior de confiança entre os brasileiros – certamente dos homens de negócio – sobre o Brasil do que em qualquer outro momento anterior em que eu tenha vindo aqui”.

Ele fez uma menção bem-humorada ao brasileiro Paulo Leme, economista do Goldman para mercados emergentes, que tem projeções de crescimento para o Brasil que muitas vezes O”Neill considera excessivamente pessimistas (e com quem fez uma aposta sobre o assunto, de um jantar “em qualquer restaurante do mundo”): “Digo ao Paulo que precisa ser mais animado em relação ao seu país”.

24/06/2009 - 12:08h “O Brasil, mesmo em um mundo em declínio, terá expansão mais forte”

”Parou de piorar. Mas a crise não acabou”

Principal executivo do banco de investimentos americano diz que Brasil é um dos países em que a recuperação já começou

 

Leandro Modé – O Estado SP

 


http://johnbatchelorshow.com/images/lloyd_blankfein.jpgPela primeira vez em seus 140 anos de história, o banco de investimentos americano Goldman Sachs realizou no Brasil a reunião anual do Conselho de Administração. O encontro, realizado durante o último fim de semana em São Paulo, é prova real do aumento da importância dos países emergentes na economia global. “O Brasil, mesmo em um mundo em declínio, terá expansão mais forte. Por isso, em termos relativos, vamos crescer mais aqui”, diz o presidente-executivo e do Conselho de Administração do banco, Lloyd Blankfein, de 54 anos. Blankfein também falou sobre temas como aperto da regulação, causas da crise e futuro dos bancos de investimento – que muitos acreditavam estar fadados ao fracasso, depois da quebra do Lehman Brothers e da absorção do Bear Stearns e do Merrill Lynch por outras instituições.

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou o que classificou de “maior reforma do sistema financeiro desde os anos 30″. O sr. acredita que mais regulação pode evitar crises como a atual?

Se há um acidente de avião, qual a primeira coisa que se faz? Os reguladores tentam entender o que houve e, a partir daí, implementam mudanças. Alteram, por exemplo, a maneira de fabricar as aeronaves. É por isso que é tão seguro viajar de avião. Mas isso significa que não haverá acidentes de avião nunca mais? É claro que não. Há determinadas situações, circunstâncias… É o mesmo aqui (no mercado financeiro). A ideia é fazermos o sistema melhorar e ser mais seguro, mas a perfeição está além da nossa capacidade.

O sr. vê risco de regulação excessiva?

Sempre há um ‘trade-off’ (troca) entre segurança e agilidade. Se você faz as coisas muito seguras, pode-se perder inovação. A experiência recente foi muito mais guiada pela falta de segurança do que pela falta de inovação. É um pêndulo. Claramente, estamos levando-o em direção à segurança. Se for bem feito, não perderemos em termos de inovação. Mas, se fizermos de maneira pobre, pode haver perda. O plano apresentado é muito sensível a esse assunto. Isso não quer dizer que será bem executado, até porque ainda não sabemos como será executado. De qualquer forma, o ponto de virada parece muito bom.

O que essas mudanças significam para o seu negócio?

Haverá alterações para todos os negócios, não apenas para o nosso. Haverá um regulador sistêmico, maior necessidade de transparência, mais regras afetando alavancagem, liquidez e a segurança dos produtos. Mas, francamente, tudo isso está no foco porque a experiência recente nos fez mais sensíveis a esses temas. Vivemos um momento que assustou a todos. Daqui para frente, seremos mais líquidos, menos alavancados, mais focados em tocar nosso negócio de forma mais prudente. Haverá mais transparência porque nossos clientes e as pessoas que nos financiam estão mais desconfiadas. Temos de responder a todos os nossos medos e preocupações – e os do público. A regulação está no topo.

Por que tudo isso aconteceu?

Havia muito capital no mundo, muito dinheiro em circulação. Não houve problemas por muito tempo e as pessoas ficaram complacentes e se alavancaram. As taxas de juros ficaram baixas no mundo por muito tempo. Um monte de capital foi acumulado por meio de ‘pools’, como fundos de investimento, fundos hedge (os mais arriscados do mercado), fundos de private equity (participação em empresas), etc. Esse capital foi investido ao redor do mundo. Quando as coisas ocorrem facilmente, as pessoas dão como certo (os retornos) e se tornam complacentes. Com isso, o mundo ficou menos disciplinado. Algumas práticas negligentes deram resultado durante um período e, quando aconteceu (a crise), tudo se deu muito rápida e violentamente. Muitas instituições não estavam preparadas. Por isso, não reagiram suficientemente rápido aos problemas e não protegeram os clientes.

Alguns críticos culpam os bancos centrais, em especial Alan Greenspan, ex-presidente do Fed (o BC dos EUA).

Não estou em posição de culpar ninguém. Olhando em retrospectiva, vejo muitas práticas que deveriam ser diferentes. Estou certo de que, com o benefício do tempo, Alan Greenspan teria feito as coisas de forma diferente, bem como os reguladores e o Congresso. Não acho justo avaliar as coisas depois que já aconteceram. Não se pode esquecer que tínhamos pressões deflacionistas há alguns anos. Acho que o ponto mais importante é: que lições aprenderemos para o futuro? Quais as verdadeiras lições a aprender e quais as falsas? Temos de estar seguros de que aprenderemos com as boas lições, não com as más.

O sr. acredita que as pessoas estão aprendendo as boas lições? Já há quem diga que a recente alta das bolsas, sobretudo em mercados emergentes, é uma bolha.

É possível, mas acho que bolhas só são identificadas depois que estouram. Quando Greenspan fez o discurso em que falava da exuberância irracional dos mercados, o Índice Dow Jones (o mais tradicional da Bolsa de Nova York) estava abaixo de 6.000 pontos. Não era um nível em que se identificava exuberância. Em uma onda de alta, é possível ver isso com mais clareza, mas, honestamente, não sei se é uma bolha ou não. Quando se olham os fundamentos do mundo, a situação de países emergentes como o Brasil, pode ser real. Pode ser cedo demais? Pode, mas pode estar certo também. Estou calmo porque as pessoas estão questionando se é ou não exuberância irracional. Alguns acham que sim, outros, não. Esse é o bom mercado. Quando todos vão para a mesma direção, fico com medo.

Qual a percepção do Goldman Sachs para a economia mundial e, em especial, para o Brasil?

Nas economias desenvolvidas, a situação estava tão ruim que uma recuperação era inevitável. A economia real está indo na direção correta, mas devagar. O melhor que se pode afirmar, neste momento, é que a taxa de declínio desacelerou e não que já chegamos ao final (da crise). O que já vemos é o fim da deterioração. Quando se acredita que parou de piorar, é possível projetar o ponto de virada. Acreditamos que esse ponto se dará no fim deste ano. A economia real está atrás do mercado porque os valores dos ativos estavam tão baixos que uma alta das cotações era inevitável. Isso porque, no início do ano, um dos cenários para 2009 era de uma total catástrofe. Esse está fora da mesa hoje. A economia real vai se recuperar lentamente. Provavelmente sentiremos os efeitos dessa virada no início do ano que vem. Os mercados normalmente antecipam esses movimentos. Com relação aos emergentes, tudo o que acontecer nos mercados desenvolvidos será potencializado. Ou seja, mesmo um um mercado ruim, os Brics sentirão menos. Quando houver a recuperação, esses países vão senti-la mais fortemente. Na nossa opinião, o Brasil já está se recuperando. O crescimento no ano poderá ser negativo – talvez 1% – por causa do primeiro trimestre muito ruim. Mas veremos crescimento positivo no País na segunda metade do ano.

É isso que explica sua visita?

Não há correlação. Queremos ajudar as pessoas que usam nossos serviços em um ambiente de perspectiva de crescimento. Se as pessoas estão procurando financiamento, estão investindo… É isso que fazemos. Se as pessoas estão deprimidas, não acreditam no crescimento, não fazem essas coisas. O que elas querem de nós? Querem nossos conselhos, nosso ponto de vista. Claramente, nossa expansão será maior em mercados que crescem mais. E o Brasil, mesmo em um mundo em declínio, terá expansão mais forte. Por isso vamos crescer nossos negócios aqui mais em termos relativos.

O Goldman Sachs devolveu US$ 10 bilhões que pegou do governo americano no Tarp (Programa de Recuperação de Ativos Problemáticos). Não foi cedo demais?

Não. O dinheiro do governo ajudou o sistema e nos ajudou também. Sinceramente, somos gratos por isso. Uma semana antes de o governo lançar o Tarp, levantamos dinheiro no mercado e com (o megainvestidor) Warren Buffett. Ou seja, procuramos cuidar de nosso capital àquela época. Depois, conseguimos capital adicional com o regulador. Mas éramos tão líquidos que não precisamos de mais. Elementos do programa foram importantes para o sistema em geral, mas nunca quisemos que se tornasse permanente.

Os bancos, entre eles o Goldman Sachs, ganharam muito dinheiro nos últimos anos. Como manter a alta lucratividade em um ambiente bem mais desafiador?

Faremos como nos últimos 140 anos. Nosso negócio não é fazer dinheiro, mas financiar pessoas, levantar capital, investir por elas, aconselhá-las… Em diferentes momentos, esse negócio é mais ou menos lucrativo. Temos ido bem nos diferentes ciclos. Estou há 27 anos neste negócio e os clientes precisam de nós. Na verdade, não sei se a hipótese de sua pergunta está correta. Não estou dizendo que você esteja errado, mas eu não sei se está certo. Minha opinião pessoal, com segurança, é que não tenho ideia. E admito isso. Não sei, mas, com base em minha experiência, sei também que ninguém sabe.

No pior momento da crise, o modelo de bancos de investimento foi dado como morto por alguns.

Não achei que essa análise estivesse certa naquele momento e continuo achando que não está. O que é esse modelo? Ajudamos empresas a levantar capital, fazemos fusões e aquisições, levantamos financiamento no mercado de dívidas, gerenciamos seu dinheiro… Qual dessas atividades está fora de moda? Qual delas não é um bom negócio hoje?

16/09/2008 - 10:44h Crise afetará muito pouco o Brasil, diz criador da sigla Brics

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Jim O’Neill, de Goldman Sachscriador do termo BRIC

PEDRO DIAS LEITE – FOLHA SP

DE LONDRES

O Brasil deveria se preocupar menos com a crise nos EUA e em outros países desenvolvidos e mais com o crescimento da China e com os preços do petróleo e de outras commodities.

A avaliação é de Jim O’Neill, economista-chefe do Goldman Sachs e criador da expressão Bric (as iniciais de Brasil, Rússia, Índia e China).

Segundo ele, “as pessoas não deveriam exagerar” o impacto do mais recente episódio da crise econômica global, a quebra do Lehman Brothers.

O impacto da enorme turbulência será “muito pequeno” no crescimento do Brasil, que tem de ficar atento a duas barreiras: um crescimento abaixo de 7% na China e o petróleo abaixo de US$ 80. Além disso, conter os gastos governamentais. Em sua avaliação, a economia do Brasil nunca esteve tão “sólida” e “estável” nos últimos 30 anos.

Partidário da tese do “descolamento” entre as economias emergentes e as dos países desenvolvidos, O’Neill diz: “Graças a Deus que temos os Brics!”.

Segundo ele, essa é uma crise apenas do mundo rico.

PERGUNTA – Como essa nova fase da crise vai afetar o mundo?
JIM O’NEILL – A que crise você está se referindo?


PERGUNTA – À falência do Lehman, à venda da Merrill Lynch, à situação difícil da AIG…

O’NEILL – Minha visão é: graças a Deus pelos Brics!


PERGUNTA – Por quê?

O’NEILL – Todas as pessoas que estão reagindo com um enorme medo ao que aconteceu nesse final de semana precisam se perguntar o seguinte: isso vai afetar o consumidor chinês? O fato de o Lehman não existir mais vai ter um impacto negativo nas vendas do comércio chinês? Para o mundo que está emergindo para ser a liderança do futuro, não é nada demais esse problema.
É uma enorme questão nos EUA e nos países ricos. Mas, no mundo como um todo, as pessoas não deveriam exagerar os impactos dessa crise.

PERGUNTA – O que o senhor quer dizer com isso?

O’NEILL – Eu vejo o que está acontecendo com o Lehman como mais um sintoma do fim de auge do consumo norte-americano. Se você olhar toda a informação que nós temos, inclusive do Brasil, mas particularmente da China, as vendas no varejo e os gastos dos consumidores estão se acelerando nos Brics, enquanto os EUA estão sofrendo imensamente com a turbulência econômica mundial. São sintomas, muito mais do que a causa. Desde que não haja um problema sistêmico, não acho que seja importante o que as pessoas falam.


PERGUNTA – As pessoas falam muito de “descolamento”. O senhor parece ser partidário dessa idéia.

O’NEILL – É justamente isso que acabei de falar. Estamos com um genuíno descolamento da demanda doméstica nos grandes mercados emergentes para longe dos EUA. O Brasil não precisa mais dos EUA.


PERGUNTA – O Brasil cresceu 6% no último trimestre. Essa crise não vai afetar em nada o crescimento do país, é isso o que o sr. está dizendo?

O’NEILL – Muito pouco. Se a China crescer abaixo de 7%, isso me preocuparia muito mais no Brasil do que a situação dos EUA. Porque a China tem sido o grande condutor marginal da economia no último ano. Não vamos saber se o B nos Brics é merecido até que as commodities passem por um período de correção. Acho que é bom que o Brasil esteja passando por esse teste, com a queda das commodities. E, até agora, o Brasil tem feito um grande trabalho. A política do BC é fantástica.

PERGUNTA – O senhor tem uma visão bastante rósea da economia brasileira.

O’NEILL – Sim. Tenho duas preocupações com a economia brasileira nos próximos anos. Um: como o Brasil vai lidar com a queda das commodities. O país está indo muito bem. Dois, o governo continua a gastar muito dinheiro. Se o Brasil continuar a manter o ritmo de crescimento acima dos 5%, então será necessário que o governo reduza seus gastos. Mas estou muito otimista. O Brasil é uma economia mais forte e estável do que em qualquer ponto nos últimos 30 anos.

03/02/2008 - 10:40h O Brasil é o melhor dos Brics

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Em meio à crise dos EUA, pai da sigla destaca confiança de investidores no país

O GLOBO ENTREVISTA
Jim O’Neill

O economista britânico Jim O’Neill ficou famoso por ser o criador da célebre expressão Brics — sigla que resume o crescente poder dos grandes países emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China. Chefe de Pesquisas Econômicas Globais do Goldman Sachs, O’Neill está relativamente otimista com a crise nos Estados Unidos e acredita que, para surpresa dos mercados, a economia americana poderá evitar a recessão. Ele é ainda mais otimista em relação ao Brasil. Apesar de reconhecer que o país poderá ser afetado pelo desaquecimento global no seu comércio exterior, já que é grande exportador de commodities, O’Neill garante que, em meio à crise dos EUA, o Brasil é o melhor dos Brics para investir. Em entrevista por telefone ao GLOBO, de seu escritório em Londres, ele alerta que a vitória de um candidato democrata nas eleições americanas pode aumentar o protecionismo comercial nos Estados Unidos, principalmente se o eleito para a Casa Branca for o senador Barack Obama. E critica a rigidez de fóruns multilaterais como FMI e G-7 por não incorporarem os grandes emergentes: “Os Brics respondem por 15% do PIB mundial”.

Luciana Rodrigues

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