13/10/2009 - 09:37h Construindo uma biografia “de realizador”

Serra gastará em publicidade em 2010, mais que o dobro do que Alckmin gastou em 2006 quando foi candidato a presidente. Aumento é de 158% nos gastos de propaganda, segundo o jornal Folha de São Paulo. Em contrapartida, investimento em combate as enchentes terá redução drástica. A biografia se constrói com propaganda. Nisto, José Serra é um verdadeiro “realizador” (ver Serra e Kassab cortam verbas importantes para a população e investem pesado em publicidade)

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Cresce gasto com publicidade em Minas e SP

Serra e Aécio aumentam em 158% e 21%, respectivamente, verba de divulgação institucional em 2010 em comparação com 2006

SP prevê gasto de R$ 120 mi em publicidade, enquanto Minas destina R$ 40 mi; os tucanos são pré-candidatos do partido à Presidência


PAULO PEIXOTO E BRENO COSTA DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE


Os governos tucanos de Minas Gerais e de São Paulo pretendem aumentar em 21% e 158%, respectivamente, os gastos com publicidade governamental no ano eleitoral de 2010, comparado com 2006.
Naquele ano, quando José Serra se elegeu governador paulista, o Orçamento de São Paulo foi elaborado pelo seu antecessor, o tucano Geraldo Alckmin, que concorreu à Presidência. Aécio Neves era o governador de Minas e foi reeleito. Agora os dois são pré-candidatos do PSDB à Presidência.
A previsão de gastos para 2010, no caso do governo de São Paulo, ultrapassa a evolução real do Orçamento do Estado desde 2006. Nesse período de quatro anos, o valor total do Orçamento paulista cresceu 26,9%. Já a evolução do Orçamento de Minas foi de 25,1%.
Considerando o valor dos Orçamentos de SP (R$ 125,5 bilhões) e de Minas (R$ 41,1 bilhões) para o próximo ano, a proporção dos gastos com publicidade previstos por Serra e Aécio é exatamente igual: 0,1%.
As comparações com 2006 feitas pela Folha contemplam os valores reais da propaganda institucional de cada governo, corrigidos pelo IGP-DI. Estão fora desse cálculo publicidade específica, como campanhas na área de saúde ou de segurança.
Serra prevê gastar no próximo ano R$ 119,9 milhões em publicidade institucional, enquanto Aécio prevê gastos de R$ 40,4 milhões, conforme as propostas orçamentárias que os governos enviaram no mês passado aos seus respectivos Legislativos estaduais.
A lei estabelece como limite para gastos com publicidade em ano eleitoral a média da verba gasta nos três anos anteriores. O texto da legislação eleitoral (lei 9.504/1997) não deixa claro se o cálculo da média inclui apenas as despesas com publicidade institucional, ou todos os gastos na rubrica “comunicação social”.
No caso de São Paulo, chama a atenção o fato de Serra ter elevado os valores da publicidade na sua gestão em comparação com os gastos orçados por Alckmin para o ano eleitoral de 2006 (R$ 46,5 milhões, valor também atualizado).
O peso da publicidade no Orçamento paulista mais do que dobrou em relação àquele ano e também em relação a 2007 -primeiro ano da gestão Serra, mas com Orçamento elaborado pelo governo antecessor.
Na disputa pela indicação do PSDB para a candidatura presidencial, fala-se nos bastidores sobre a possibilidade de haver uma chapa “puro-sangue” com Serra e Aécio. Ambos negam.
Aécio já anunciou que deixará o governo até o começo de abril, sendo ou não o escolhido para ser o candidato ao Planalto. Se o escolhido for Serra, ele deve tentar o Senado.
Serra disputa a reeleição somente se não for escolhido candidato a presidente.

08/10/2009 - 13:16h PMDB-MG: Rompimento com Aécio indica tendência a aliança com PT mineiro

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César Felício, de Belo Horizonte – VALOR

Os 8 deputados estaduais do PMDB mineiro constituíram ontem oficialmente um bloco de oposição ao governador Aécio Neves (PSDB) com os 11 deputados do PT e do PCdoB. O bloco não necessariamente irá diminuir a facilidade com que Aécio faz transitar suas propostas na Assembleia Legislativa, já que o governador permanece com uma base de apoio de 58 dos 77 deputados estaduais, mas fortalece a corrente pemedebista que defende a aliança com os petistas na eleição do próximo ano.

“Estamos sinalizando a disposição de marchar juntos nas eleições de 2010. Aqui poderá ser a ‘avant première’ da decisão nacional do PMDB”, afirmou o deputado pemedebista Sávio Souza Cruz. Antes da formalização do bloco, os deputados do PMDB estiveram com os dois pré-candidatos ao governo estadual do PT, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias. Mas ainda não estiveram com o pré-candidato do próprio partido, o ministro das Comunicações, Hélio Costa. “Estaremos com ele brevemente. Falta apenas acertar a agenda”, justificou o líder da bancada, Vanderlei Miranda.

Os deputados do PMDB na Assembleia Legislativa estão alinhados com a candidatura à presidência regional da sigla de Adalclever Lopes, um dos integrantes da bancada. Hélio Costa apoia a candidatura do deputado federal Antonio Andrade, que não descarta a possibilidade de uma composição em 2010 com o PSDB de Aécio, caso o PT não aceite se aliar em torno de uma chapa encabeçada pelo pemedebista.

Os próprios petistas tomam o cuidado para que o novo bloco não seja visto por Hélio Costa como uma manobra contra a sua possível candidatura. “Estive na semana passada com Hélio Costa. Ele não quer rolo compressor, quer um diálogo, em que como critério para a escolha de candidato seja cruzada a intenção de votos na pesquisa com sondagens qualitativas e avaliação de possibilidade de crescimento e rejeição”, afirmou o deputado estadual Durval Ângelo, mais próximo a Pimentel.

A oposição a Aécio que o novo bloco fará está longe de ser radical. Ontem mesmo, pela manhã, os deputados petistas e do PCdoB estiveram com o vice-governador Antonio Junho Anastasia, que está exercendo o governo na ausência de Aécio, em viagem ao exterior, e que é o mais provável candidato governista à sucessão estadual em 2010. Segundo os petistas, a bancada pediu informações sobre um empréstimo que o governo mineiro está pleiteando junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento e discutiram a tramitação do Orçamento. Mas os deputados do bloco afirmaram que não haverá novos movimentos isolados. ” Este bloco agora enfraquece qualquer iniciativa individual ou isolada. As negociações serão feitas em conjunto”, afirmou Ângelo.

30/06/2009 - 09:28h Substituição tributária de Serra dificulta combate a crise

“A substituição tributária não é uma medida contracíclica contra a crise.”

Amir Khair, especialista em contas públicas

 

Mantega culpa Estados por repasse limitado aos preços

Segundo ministro, mudança tributária imposta por governadores reduziu o caixa das empresas

Edna Simão, Renato Andrade e Raquel Landim – O Estado SP

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, jogou sobre o governo de São Paulo e de outros Estados a responsabilidade pelos problemas no repasse aos consumidores da isenção do imposto incidente na produção de geladeiras, fogões e máquinas de lavar, a chamada linha branca.

Durante o anúncio do novo pacote de medidas para estimular a economia, o ministro afirmou que o efeito da desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos últimos três meses sobre esses produtos foi limitado, porque alguns governadores promoveram, ao mesmo tempo, uma substituição tributária, transferindo para a indústria a responsabilidade pelo recolhimento do ICMS , antes mesmo da venda do produto no varejo.

A decisão dos governadores, na avaliação do ministro, reduziu o capital de giro das empresas, impedindo uma queda mais brusca dos preços. Segundo levantamento do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), apresentado por Mantega, nos meses de abril e maio, o preço médio do fogão recuou 0,7%, o do refrigerador caiu 5% e o da máquina de lavar 6,4%. “Há espaço para uma redução maior dos preços”, afirmou o ministro.

O governo federal reduziu o IPI em 5 pontos porcentuais para fogões e em 10 pontos porcentuais para refrigeradores e máquinas de lavar.

As vendas de produtos de linha branca cresceram consideravelmente após o estímulo. Somente de geladeiras, a expansão das vendas foi de 26% em maio na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Com a renovação da isenção do IPI até o fim de outubro, Mantega vai convocar os governadores para discutir a questão. “Foi feito em São Paulo e em outros Estados. Vou conversar com os governadores que de certa forma se aproveitaram”, disse. Ele frisou que “não tem nada contra a substituição tributária” e acrescentou que o momento é que foi “errado”.

Fabíola Xavier, diretora do IDV, que representa varejistas como Casas Bahia, Magazine Luiza e Carrefour, confirmou que a substituição tributária impediu o repasse integral da redução do IPI para os preços pagos pelo consumidor nas lojas. “Temos a mesma opinião do ministro. Deixamos de pagar imposto para o governo federal para pagar para o estadual”, disse. Ela afirmou que o varejo é a favor da substituição tributária, porque combate a sonegação, mas o problema é que as medidas foram “simultâneas”. O setor pediu ao governo paulista a revisão das margens de lucro utilizadas para o cálculo.

Lourival Kiçula, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Eletroeletrônicos (Eletros), afirmou que o repasse do IPI foi feito integralmente pela indústria e que o problema ocorreu depois.

Por meio de uma nota, a secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo informou que o prazo para o pagamento do imposto pode chegar a 90 dias e que o objetivo foi neutralizar eventual impacto no fluxo de caixa das empresas. O governo estadual argumenta ainda que a medida foi discutida com as entidades de classe.

A Receita Estadual de Minas Gerais também informou que o efeito da substituição tributária é “neutro” para o repasse do IPI ao consumidor. O órgão disse que o IPI faz parte da base de cálculo do ICMS, logo se o primeiro é reduzido, o segundo é “automaticamente” alterado.

Para Amir Khair, especialista em contas públicas, o problema é exclusivamente de “capital de giro”. Ele disse que, ao antecipar a arrecadação do imposto, o Estado se apodera de um capital que estaria disponível para o varejo. Khair ressalta que as pequenas varejistas operam com margens apertadas. “A substituição tributária não é uma medida contracíclica contra a crise.”

16/06/2009 - 08:50h Patrus e Pimentel rejeitam chapa em MG sem o PT na cabeça

2010: Adversários internos no PT, ambos refutam negociação com Hélio Costa, do PMDB

Alex de Jesus/O Tempo/Folha Imagem – 28/6/2008

Pimentel e Patrus: os dois pré-candidatos petistas defendem candidatura própria do partido ao governo de Minas

 

César Felício, de Jeceaba (MG) – VALOR

Pré-candidatos a governador de Minas Gerais pelo PT, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel adotaram o mesmo discurso ao defenderem a candidatura própria do partido em Minas Gerais. A alternativa a um nome próprio é o apoio ao candidato virtual do PMDB, o ministro das Comunicações, Hélio Costa.

“Sou um ator político, um militante, não um analista do cenário. Me dedico a fazer as coisas acontecerem. Estou empenhado em viabilizar a minha candidatura dentro do PT. A primeira etapa é garantir a unidade dentro do PT, depois dentro do campo das forças progressistas e depois dentro de um universo de uma aliança mais ampla”, afirmou Patrus Ananias, ao ser indagado sobre uma aliança com PMDB, durante evento promovido pela empreiteira Odebrecht e pela siderúrgica Vallourec & Sumitomo em Jeceaba, cidade a 120 km de Belo Horizonte.

“Há os que querem uma aliança a qualquer custo. Eu digo que a discussão da aliança deve ser feita a seu devido tempo”, disse Fernando Pimentel, em entrevista por telefone. Pimentel negou que haja pressão da direção nacional do partido para que o PT coloque em segundo plano as eleições para os governos estaduais, em detrimento da candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e da eleição para o Senado. “Tudo o que existe é uma determinação para que a discussão das candidaturas estaduais seja feita após a escolha da nova direção do PT. Apenas isso”, afirmou.

Em recente reunião do diretório nacional, o PT mandou suspender todos os processos de escolha interna de candidatos a governador que estavam em curso neste ano. A decisão afetou com mais força Minas Gerais e o Rio Grande do Sul, onde há disputa pela vaga.

Primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, o ministro das Comunicações já fez afirmações públicas de que só deverá ser candidato a governador em um contexto de aliança ampla, mas não é categórico em dizer que a coligação será com o PT. Mantém o diálogo com o governador mineiro Aécio Neves (PSDB), de cuja candidatura presidencial duvida, e com a ala do PT defensora da candidatura de Patrus Ananias.

Isto tem feito com que Patrus avance posições dentro do próprio PT nacional. Bastante próximo a Pimentel, o ex-ministro e ex-presidente nacional do partido, José Dirceu, encontrou-se com Patrus na posse do novo presidente salvadorenho, Mauricio Funes, em San Salvador. Ficaram de ter um novo encontro em breve. “Ele percebeu que o entendimento do PT com o PMDB em Minas está muito mais próximo do que se imagina”, disse o ministro. Pimentel têm procurado diminuir a distância com o PMDB, conversando com deputados estaduais do partido. Também deve encontrar-se com Dirceu, dentro de alguns dias, em Belo Horizonte ou São Paulo.

03/06/2009 - 13:31h Empresários veem em Aécio um ‘quase-Lula’

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Vocação conciliadora divide empresariado2010: Empresários elogiam Aécio pela aversão a conflitos mas temem hesitação face a medidas impopulares

Filipe Araújo/AE – 19/3/2007

Aécio Neves em palestra a empresários: setores empresariais prejudicados por medidas do governo de São Paulo- por exemplo, a indústria do cigarro – apostam nas alternativas mais consensuais propostas pelo governador mineiro

 

César Felício e Yan Boechat, de Belo Horizonte e São Paulo – VALOR

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), reúne as principais virtudes políticas encontradas no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem ser de esquerda. Esta é a visão captada junto ao empresariado mineiro e paulista sobre o presidenciável tucano, que concorre dentro do partido em situação de desvantagem em relação ao governador paulista José Serra.

E virtude política, nesta situação, significa capacidade de agregação, ânimo conciliador e disposição em cumprir acordos, segundo definiu um dirigente de uma empresa do setor metalúrgico, ao comparar Aécio a Lula. Para este alto executivo, Lula só não se tornou o presidente ideal, dada a sua capacidade de conseguir consensos, por não acreditar em reformas limitadoras do tamanho do Estado. “Lula no fundo continua preso a crenças arraigadas na esquerda. O Aécio é um Lula do nosso lado”, afirmou. A visão não é uníssona. No meio empresarial a vocação de Aécio à conciliação ora é louvada ora é temida como indicativo de que um governo, sob o seu comando, hesitaria em tomar medidas impopulares.

Ao longo do último mês, o Valor ouviu 13 presidentes de empresas ou dirigentes de classe, sete em Minas Gerais e seis em São Paulo, sobre a sucessão presidencial em 2010 e a impressão pessoal sobre os potenciais candidatos. Apenas um, o presidente da Souza Cruz, Dante Letti, aceitou ser identificado. “Aécio Neves tem um discurso empolgante, que mostra ser capaz de ajustar esta base que temos hoje, que é boa, e de somar novas ideias. Seu discurso não é desagregador, ele reúne características de um conciliador. Além disso Aécio fez um bom trabalho na profissionalização da máquina pública”, afirmou.

Letti referiu-se ao programa de “choque de gestão”, o estabelecimento de metas de desempenho no funcionalismo público, marca do primeiro mandato de Aécio, em um ação governamental que contou com a assessoria do Instituto Nacional de Desenvolvimento Gerencial (INDG), um instituto de consultoria empresarial, liderado pelo engenheiro Vicente Falconi e que tem o empresário Jorge Gerdau Johannpeter como presidente do Conselho de Administração. Pioneiro na contratação do INDG para consultoria, Aécio foi seguido por outros administradores, até mesmo do PT, como o governador da Bahia, Jaques Wagner.

A indústria do cigarro tem um histórico de contenciosos com o principal adversário de Aécio no PSDB, o governador de São Paulo, José Serra. Quando ministro da Saúde, Serra proibiu a publicidade de cigarro, sem aceitar discutir o tema com o setor empresarial. No governo paulista, sancionou recentemente uma legislação que restringe drasticamente o fumo em ambientes públicos. Exatamente nesta questão os empresários direta ou indiretamente atingidos testaram a diferença entre os dois governadores tucanos.

Empresários do ramo de restaurantes reuniram-se com integrantes do governo mineiro para saber como Aécio se posicionaria diante do tema. Ouviram que o governador não tinha interesse em adotar uma legislação restritiva como a paulista. E que iria procurar agir em sintonia com o que o governo federal dispusesse sobre o assunto. Caso se visse obrigado a fazer uma lei, não o faria sem ouvir setor. Os empresários saíram do encontro satisfeitos.

Segundo um dos articuladores desta reunião, o principal motivo de alívio é que eles já haviam obtido do governo federal sinais de que as gestões do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, para que a União adotasse o rigor paulista seriam barradas na Casa Civil, comandada pela ministra Dilma Rousseff, a presidenciável petista.

Este empresário dono de restaurantes, obviamente, considera Aécio agregador, conciliador e cumpridor de acordos. A avaliação, contudo, existe mesmo entre empresários com pouca relação com o poder estadual, como a incorporação imobiliária. “Aécio é conhecido nos meios empresariais por ser um político que cumpre fielmente os acordos estabelecidos”, disse o presidente de uma empresa atuante na construção civil.

A proximidade de Aécio com o meio empresarial não se sustenta apenas em situações de conjuntura. Conta com raízes remotas, ligadas a situações familiares do governador mineiro. Aécio foi enteado de Gilberto Faria, ex-proprietário do Banco Bandeirantes, posteriormente absorvido pelo Unibanco. Sua irmã Andréa casou-se com Luiz Marcio Pereira, diretor do Sebrae mineiro.

Ao eleger-se governador, em 2002, Aécio abriu a administração estadual para o empresariado de uma maneira que seus antecessores jamais haviam ousado. Aécio chamou consultores empresariais para, sob a coordenação do então secretário de Planejamento, o hoje vice-governador Antonio Anastasia, implantarem as metas de desempenho na máquina pública.

E nomeou para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico uma sequência de executivos ligados à Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg): Wilson Brumer, o atual prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), e Sérgio Barroso, que está atualmente no comando da Pasta. Coube principalmente a Brumer, executivo que reestruturou a siderúrgica Acesita depois da privatização, atrair para o Estado investidores receosos depois do histórico de conflitos que marcou o governo de Itamar Franco.

Seu atual secretário da Agricultura, Gilman Viana, foi vice-presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e presidente da federação da agricultura mineira. Sua secretária de Turismo, Erica Drummond, é a controladora da rede de hotéis Ouro Minas.

Aécio montou um grupo de quinze presidentes de empresas com quem se reúne a cada bimestre, no Palácio das Mangabeiras, para avaliações de conjuntura. Também cultiva relações com acadêmicos e executivos do meio financeiro vinculados à “Casa das Garças”, um centro de estudos no Rio de Janeiro onde se encontram os ex-colaboradores da equipe econômica do governo Fernando Henrique Cardoso que montou e geriu o Plano Real.

Como governador, estruturou uma parceria público-privada (PPP) na área da telefonia móvel, o “Minas Comunica”, que expandiu serviços da Oi, Claro e Vivo para 412 municípios do Estado.

Na área da educação, enquanto os governos tucanos em São Paulo expandiam as escolas de ensino técnico, conhecidas como Fatecs, o governo mineiro criou um programa de parceria. Lançou em 2007 o Programa de Ensino Profissionalizante (PEP), por meio do qual credenciou 34 instituições privadas que ofereceram vagas a 36 mil alunos.

O governador mineiro tenta implantar outras parcerias com o setor privado em áreas polêmicas, como a da segurança pública. Neste ano, um consórcio formado cinco empresas ganhou a licitação para uma parceria público privado na área da segurança pública.

O grupo construirá e administrará por 27 anos um complexo penal para 3 mil detentos. Receberá para tal o equivalente a R$ 74 a diária por vaga, o que resulta em um ganho de aproximadamente R$ 81 milhões por ano. O governo aguarda apenas a formação de uma sociedade de propósito específico para a assinatura do contrato.

A relação com o empresariado foi construída sem que Aécio diminuísse a estrutura do Estado, que em Minas Gerais é proporcionalmente maior do que em São Paulo. A péssima repercussão política das privatizações feitas pelo antecessor tucano Eduardo Azeredo (PSDB), cujos efeitos foram atenuados no governo de Itamar Franco, transformaram privatizações e concessões em um anátema na política local muito mais forte do que no contexto paulista. E desde muito antes de Juscelino Kubitschek o Estado mineiro é visto como indutor de desenvolvimento. Até os anos 70, o governo estadual ainda era dono de hotéis e matadouros. E até 1987 era sócio da montadora de automóveis Fiat.

O governo mineiro conta com um banco de desenvolvimento, o BDMG, que deve conceder em empréstimos este ano R$ 1,3 bilhão, valor semelhante ao previsto para a agência de fomento criada em São Paulo para substituir o banco estadual Nossa Caixa, vendido por Serra para o Banco do Brasil.

A terceira maior empresa mineira em faturamento é a Cemig (depois de Fiat e Usiminas), geradora e distribuidora de energia de capital misto, controlada pelo governo do Estado. Desde que Aécio assumiu o governo, a Cemig entrou em uma fase de expansão que incomoda concorrentes e alguns investidores do mercado, receosos do peso político nas decisões estratégicas. No governo Aécio, a Cemig passou a participar do capital da Light no Rio de Janeiro, disputou o controle da CPFL em São Paulo e recentemente começou a negociar sua participação na CEB, a estatal brasiliense de energia. A Cemig conta com a subsidiária Gasmig, distribuidora de gás natural.

O governo mineiro controla ainda a Copasa, responsável pelo tratamento de água e esgotos, mas atenta a outros interesses: no ano passado, quando o Estado não conseguiu encontrar interessados para explorar as fontes de água mineral de Caxambu e Cambuquira, a Copasa assumiu a incumbência, e hoje disputa espaço neste mercado.

O Estado, em Minas, também é o controlador da Codemig, empresa que arrenda jazidas para mineradoras, aufere royalties e aplica os recursos nos mais diversos programas. De rodovias a parques balneários. Este ano, a previsão é de R$ 1 bilhão em investimentos. Saem da Codemig, por exemplo, os recursos para Aécio construir o centro administrativo do Estado, na periferia de Belo Horizonte.

Esta forte presença do Estado mineiro na economia faz com que alguns empresários pouco simpáticos à tese do Estado mínimo se entusiasmem com o governador mineiro. ” Existe um PSDB de um liberalismo assassino. E há um PSDB diferente, com sensibilidade e visão de destino, que preza a infraestrutura nacional. Aécio Neves está no segundo grupo”, diz um executivo de Minas Gerais.

O poder concedido por Aécio a auxiliares, sobretudo para o hoje vice-governador, faz o mineiro ganhar pontos no setor empresarial. Nos dois mandatos de Aécio, Anastasia tornou-se o virtual gerente do governo. “Aécio sabe delegar autoridade e cercar-se de auxiliares competentes. Não avoca imperialmente tudo para si”, comenta um executivo da siderurgia.

“Aécio Neves sempre soube separar as coisas. Não nomeia amigos como assessores e nem se torna amigo destes. Isto garantiu a impessoalidade do governo”, comentou um empresário que colabora com a administração do mineiro.

Mas Aécio não colhe apenas elogios na seara empresarial. Dois comandantes de empresas, um do ramo siderúrgico e outro da telefonia, demonstraram dúvidas sobre a disposição do governador mineiro de arcar com custos políticos de medidas impopulares. Na visão destes empresários, o perfil conciliador de Aécio faria com que o governador procurasse sempre as saídas políticas mais simples, ao contrário do que Serra e a ministra Dilma Rousseff tendem a fazer.

“Não contem com Aécio para tomar medidas impopulares, mas necessárias, na Presidência. Ele definitivamente não faria isso. Empurraria os problemas para frente, um pouco como o atual presidente o faz”, afirma o presidente de uma empresa do setor siderúrgico.

Aécio ainda é visto com resistências no setor têxtil. Um investidor em Minas afirmou que só conhecia a ação do governo estadual em manobras para elevar a arrecadação. Queixa-se de que falta a Aécio uma visão própria de desenvolvimento, virtude que não faltaria a seus concorrentes no PSDB e no PT. “Nunca existiu política industrial em Minas. O que sempre existiu foi propaganda”, afirmou.

No segmento sucroalcooleiro, Aécio Neves ganhou respeito pelos incentivos dados a novas usinas, sobretudo na região do Triângulo e do Alto Paranaíba, mas sua recusa em seguir o exemplo de São Paulo e não reduzir o ICMS desagradou um empresário do setor, que se disse considerar traído após investir no Estado.

No setor empresarial, Aécio ainda enfrenta ceticismo em relação à sua real disposição de concorrer à Presidência. Boa parte dos entrevistados considera provável a existência de um acordo em favor do governador paulista. “É nítida a falta de sustentação política no Aécio para esta pretensão”, comentou um empresário do setor de energia.

12/01/2009 - 10:22h Publicidade

O jornal O Globo dá destaque hoje às previsões orçamentárias para gastos com publicidade do governo federal. Segundo o jornal em 2008 foram gastos R$ 240,6 milhões com comunicação social, que incluem a propaganda institucional e de utilidade pública da Presidência da República e de todos os ministérios. O Globo informa que esses gastos serão aumentados em 2009.

Para o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), -citado pelo jornal- “o aumento de 35% nas verbas de publicidade oficial tem dois objetivos: maquiar os efeitos da recessão mundial no país e fortalecer a pré-candidatura da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

Em artigo publicado hoje na Folha de São Paulo, Fernando Rodrigues, articulista do jornal informa que “De janeiro a novembro de 2008, o governo de São Paulo (Serra) gastou R$ 110,3 milhões em propaganda. No mesmo período, o governo mineiro (Aécio) torrou R$ 34,7 milhões.
(…)
Além dos R$ 110,3 milhões investidos pelo governo Serra, a Sabesp (empresa de saneamento paulista) gastou outros R$ 28,3 milhões no ano passado com publicidade, até novembro -quase igualando-se ao governo de Minas Gerais inteiro.
A estatal serrista parece ter planos expansionistas de fazer inveja a Solano López. Os comerciais da Sabesp foram vistos em 2008 também em Salvador, Manaus e Teresina, entre outras capitais. Como se sabe, há (sic) imenso interesse público no Norte e no Nordeste a respeito do número de ligações de esgoto realizadas em São Paulo.”

O senador do DEM poderia ser convidado a comentar e o jornal O Globo poderia aprofundar sua reportagem sobre a publicidade dos governos, comparando incluso sua pertinência e isenção em relação as futuras disputas eleitorais.

Os leitores poderão assim julgar melhor se é verdadeira a afirmação feita ao Globo que “um dos focos da estratégia de comunicação do governo (federal) é melhorar a imagem do Brasil no exterior, com o objetivo de atrair novos investimentos.” ou se a publicidade da Sabesp no nordeste serve para melhorar o tratamento do esgosto naquela regiões sabidamente mais carentes em matéria de saneamento.

O que sim me parece evidente é que a publicidade de todos estes entes federativos, injetando dinheiro na mídia em época de crise, contribuem a combater a retração econômica e a preservar o emprego de jornalistas e publicitários, assim como o lucro das empresas do setor. LF

PS Paulo Henrique Amorim, no seu site Conversa Afiada trata também deste assunto:

Serrágio usa dinheiro do contribuinte de SP para dar água ao Acre

Serrágio usa dinheiro do contribuinte de SP para dar água ao Acre

O Conversa Afiada recebeu pelo menos 30 e-mails de leitores (leia abaixo) que se queixam de comerciais de televisão da Sabesp, empresa pública de São Paulo, em estados em que a Sabesp não distribui água: Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Maranhão, Pará e Acre.

Veja trechos de alguns deles:

“Aqui no Acre, que nem praia tem, a mais perto fica em outro país, ta passando propaganda que o Governo de São Paulo” – Raphael Bezerra, referindo-se à atuação da Sabesp no litoral..

“Aqui em Vitória, ES, horário nobre, virada do ano, propaganda da SABESP, diz o leitor Alex Gonçalves. “Aqui, no interior do Ceará, estou sendo bombardeado com propagandas do Serra (PSDB) via governo de São Paulo” – Chico Mendes

“As propagandas do governo paulista estão sendo exibidas com freqüência aqui em Recife. Eu nem sabia o que era Sabesp. O Serra não só começou a fazer campanha, como está fazendo de maneira bastante questionável” – Sérgio S.

“Também assisti propaganda da Sabesp aqui em Salvador. A companhia de água da Bahia se chama Embasa” – Gabriel Borges.

“É claro que estamos entendendo que ele [Serra] tá gastando dinheiro do paulistano para fazer campanha, mas pode esquecer que mineiro não vota nele” – Chico Morais.

“Vi propaganda da Sabesp aqui no Rio Grande do Sul – confesso que estranhei – o que é que o povo gaúcho tem que ver com isto? Deve estar gastando o dinheiro da venda da Nossa Caixa” – Antônio Valadão.

Em tempo: e a Justiça Eleitoral, faz o que ?
Em tempo 2: O presidente eleito José Serrágio foi o único governador que discursou na posse de um prefeito. E disse que São Paulo é uma “referência” para o resto do Brasil. “Referência” para se referir a que ? A usar o dinheiro do contribuinte de São Paulo para fazer propaganda eleitoral no Acre ? No mesmo memorável discurso ele acusa os administradores que não zelam pelo equilíbrio fiscal: não há incompatibilidade entre ser popular e manter o equilíbrio fiscal. Claro, a Sabesp distribuir água no Acre e garantir o equilíbrio fiscal de São Paulo. Esses tucanos de São Paulo dizem qualquer coisa, porque o PiG os tornou inimputáveis.

Leia também:

De olho em 2010, Serra dobra verba publicitária e faz propaganda Brasil afora
Publicado: 30/12/08 – 19h07

O governador José Serra resolveu dobrar o orçamento para publicidade em 2009, ano que antecede a eleição presidencial. Reportagem publicada hoje pelo site Brasil de Fato indica que o governo tucano terá R$ 313 milhões de verba publicitária a disposição no próximo ano, contra R$ 166 milhões que destinou a essa área no orçamento de 2008, pontua o texto, assinado por Eduardo Sales de Lima.

A disposição de Serra em gastar dinheiro do contribuinte de olho na sucessão presidencial também aparece em reportagem publicada hoje pela Folha. A matéria, de Cátia Seabra, mostra que o tucano vai congelar R$ 2 bilhões do orçamento total do Estado, de R$ 118 bilhões. Serra acha que a crise financeira fará a arrecadação estadual cair. Porém, os cortes deverão se concentrar nos recursos para manutenção da máquina pública (custeio), sem atingir os investimentos que deverão alavancar seu caminho ao Planalto.

Por conta da proximidade das eleição presidencial, o governador recomendou aos secretários prioridade às obras. Reivindicações salariais de servidores, por exemplo, dificilmente serão atendidas, frisa a reportagem – leia o texto, se você for assinante da Folha.

Serra também contará como empenho do prefeito Gilberto Kassab na tentativa de ser o sucessor de Lula. É o que diz o texto de Caio Junqueira, no Valor Econômico. O jornal mostra que a equipe de Kassab vai tomar posse com a missão de implantar projetos que ajudem a candidatura de Serra. Para isso, contará com recursos de iniciativa privada e do próprio governo estadual.

Uma das principais cartadas de Kassab, em parceria com Serra, será a revisão do Plano Diretor da cidade para ampliar as áreas nas quais o setor imobiliário poderá construir, principalmente em locais próximos às linhas do metrô – leia a íntegra do texto, se você for assinante do Valor Econômico.

Leia mais no Conversa Afiada aqui

13/11/2008 - 10:03h Maldades e bondades

CELSO MING – O Estado SP

celso_ming2.jpgA discussão da hora é se o governo deve ou não adotar políticas anticíclicas.

Trata-se de decisões de política econômica contra a paradeira da economia. A idéia é: se tudo vai bem, é melhor aplicar políticas de austeridade para equilibrar as finanças públicas. Se vai mal, é preciso gastar mais para ajudar na recuperação do sistema produtivo.

O Fundo Monetário Internacional, que sempre se bateu pelo rigor fiscal, agora recomenda o aumento das despesas públicas para ajudar a enfrentar a recessão que vem vindo braba.

Aqui essas políticas são mais conhecidas como sacos de maldades ou de bondades. O que se pede agora é que o governo despeje o conteúdo de sacos de bondades. Essas coisas estão chegando mais com propósitos eleitorais do que técnicos. O horizonte das manobras são as eleições presidenciais de 2010. E o quadro de fundo é o de que o presidente Lula não tem candidato vendável ao eleitor enquanto a oposição tem pelo menos dois nomes.

Isso posto, o governo Lula mandou que a Caixa Econômica Federal despejasse R$ 3 bilhões para reforçar o capital de giro das imobiliárias e que o Banco do Brasil (BB) enfiasse outros R$ 4 bilhões no crédito para compra de veículos.

Mas tanto o governador de São Paulo, José Serra, como o de Minas, Aécio Neves, ambos do PSDB, estão empenhados em mostrar serviço em escala nacional. As bondades de Serra prevêem R$ 4 bilhões da Nossa Caixa para financiar veículos.

E aí vai um lance especial de esperteza de Serra, que faz cumprimentos com chapéu alheio. Se o dinheiro é da Nossa Caixa, que será repassada ao BB, fica óbvio que os financiamentos acabarão sendo ativos do BB, com prazo de vencimento superior a dois anos.

O pacote de Aécio é mais modesto, de R$ 470 milhões, a serem distribuídos pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais para ajudar o setor produtivo a enfrentar a crise.

Boa pergunta consiste em saber se a paradeira das vendas da indústria automobilística é devida à falta de financiamento ou a certo esgotamento do mercado. Há boas razões para acreditar que é falta de mercado.

Em 2007, as vendas de automóveis cresceram 28% e, neste ano até outubro, 23%, avanços tão fantásticos como insustentáveis. Na maior parte desse período, os financiamentos foram feitos por mais de 36 meses. No início do ano, chegaram a ultrapassar 90 meses, o que levou o ministro Mantega a anunciar a intenção de intervir para reduzir os prazos. Isso significa que uma larga fatia do mercado parece atendida. O consumidor ainda está pagando seu carro e não pretende voltar tão cedo à concessionária.

Além disso, o estancamento do crédito ocorrido há cerca de um mês não se deveu a problemas nos bancos, como aconteceu no exterior. Apareceu com o estouro das operações com derivativos de câmbio, que lançaram dúvidas sobre a capacidade de pagamento de muitas empresas. Como o problema já está equacionado, o fluxo do crédito começa a ser restabelecido.

Dentro de algumas semanas saberemos até que ponto mais crédito à compra de veículos será suficiente para a retomada da produção. E, se for para combater a recessão que vem vindo aí, convém perguntar se o segmento a ser atendido prioritariamente é o de veículos.

Confira

Erro de foco – Vai ser difícil para o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, livrar-se da pecha de incompetente.

Há menos de um mês, praticamente chantageou o Congresso para que aprovasse o pacote de US$ 750 bilhões, mas ontem reconheceu que o pacote não está funcionando. Ele quer agora mudar o foco e passar a financiar o consumo.

O problema é que as demandas estão aumentando: é o resgate das hipotecas, o socorro à indústria de veículos, a capitalização dos bancos, a recessão fazendo estrago… E o governo Bush com sua credibilidade quase zero.