15/06/2008 - 18:45h A voz rouca das ruas

Rosana de Oliveira do jornal ZERO HORA de POA

gaucho.gif“A interatividade proporcionada pela comunicação moderna já indicava alto índice de aprovação ao vice-governador Paulo Feijó, por ter gravado e divulgado uma conversa que teve no dia 26 de maio com o então chefe da Casa Civil, Cézar Busatto. Eram torpedos, mensagens, cartas, palpites em programas de rádio e TV, mas faltava a pesquisa com base científica e amostra representativa do universo de eleitores gaúchos. Não falta mais: a sondagem encomendada pelo Grupo RBS à Fato está dissecada nas páginas 4 e 5 desta edição (ver aqui no Blog). Poucas vezes se viram resultados tão arrasadores para um governo.

Ela mostra que 61,8% dos eleitores aprovam a atitude de Feijó de gravar a conversa, ato definido por Busatto como covarde, traiçoeiro, revelador de falta de caráter. É quase o mesmo percentual (59,6%) dos que consideram legítimas a gravação e a divulgação da conversa. Bem maior é o índice dos que definem as declarações de Busatto como muito comprometedoras para o ex-secretário e para o governo: 75,5%.

Somente um terço dos entrevistados compartilha a tese corrente no Palácio Piratini de que a motivação de Feijó é “forçar Yeda a sair para assumir como governador em seu lugar”. O percentual de 44,7% dos que sugerem a Feijó deixar o cargo para fazer oposição a Yeda fora do governo comporta duas leituras: uma, de que ele está sendo desleal ao atacar o governo do qual participa; outra, de que deve se afastar para não ser contaminado pela impopularidade.

Passados 18 meses desde a posse, 62,2% desaprovam o governo de Yeda. Em uma pergunta sobre a atuação da governadora em relação ao escândalo do Detran tem-se uma medida mais precisa do desgaste provocado pela crise: 16,4% disseram que é boa ou ótima e 43,1% que é ruim ou péssima.”

14/06/2008 - 19:45h Gaúchos rejeitam a lei do silencio demo-tucana, diz pesquisa

http://www.joelui-virtual.mus.br/gaucho.gif“Um vice precisa cooperar, precisa ser leal”, foi nesses termos que Kassab condenou a atitude do vice de Yeda Crusius, Paulo Feijó, que gravou uma conversa com o chefe da Casa Cívil do governo gaúcho, César Busatto, falando de corrupção no governo tucano e procurando “comprar” o silêncio de Feijó. O vice-governador de Rio Grande do Sul, Paulo Feijó, é do mesmo partido que Kassab, mas aparentemente não compartilha da idéia da omertà, na qual precisaria cooperar e ser leal com corrupção.

O DEM parece pensar como Kassab e quer expulsar ou sancionar o vice-governador Feijó. O PSDB, como hábito, disse que a “culpa é do PT” e vergonhosamente soltou nota de apoio ao governo tucano de Rio Grande do Sul.

A população de Rio Grande do Sul não parece concordar com a filosofia demo-tucana, nem com a “lealdade” que defende Kassab.

Vejam o que pensa de tudo isto o povo gaúcho, segundo pesquisa feita pela RBS afiliada a Globo com o instituto Fato:

61,8% aprovam o fato de o vice Feijó ter gravado e divulgado a conversa que levou à demissão o chefe da Casa Civil Cezar Busatto. Só 23,9% desaprovam o gesto;


59,6% acham que a atitude de Feijó foi legítima e que ele fez o que deveria fazer. Apenas 33,3% tacham o procedimento do vice de “antiético”;


75,5% consideraram “muito graves” os comentários feitos por Cezar Busatto no diálogo gravado. Acham que o teor da conversa compromete Busatto e o governo Yeda Crusius. Escassos 6,5% dos entrevistados acharam que o conteúdo da gravação não é grave;


62,2% dos gaúchos ouvidos desaprovam a gestão tucana de Yeda Crusius, iniciada em janeiro de 2006. Aprovam a gestão da governadora 23,9%;


16,4% acham que a ação de Yeda diante da crise que rói as entranhas de sua administração é ótima (3%) ou boa (13,4%). Para 36,8% dos entrevistados, a forma como a governadora vem lidando com a crise é regular. Para 20,7% é ruim. E para 22,4% é péssima;


44,7% dos entrevistados acham que Paulo Feijó deveria deixar o cargo de vice-governador para fazer oposição a Yeda fora do governo. Outros 31,7% avaliam que ele deve se manter no cargo mesmo fazendo oposição à governadora. Outros 10,1% dizem que ele só deve ficar no cargo se parar de fustigar a titular do governo.


79,7% dos gaúchos “concordam muito” (22,2%) ou “concordam” (57,5%) com a seguinte frase: “A CPI [que investiga desvios de verbas públicas no Detran-RS] causou muito desgaste para governo e poderá causar muito mais.”

Os dados da pesquisa são reproduzidos do Blog de Josias

26/04/2008 - 09:47h O ruido provocado pelo silêncio da mídia paulista sobre o DETRAN de RS faz o Estadão reagir. Já a Folha…

Escândalo do Detran atinge secretário no RS

Integrante do primeiro escalão do governo gaúcho é flagrado com suspeito de desvio de verbas

Marcos Nagelstein

Num shopping da Capital, Ferst (E) e Ariosto tomaram chope na noite de ontem, em clima de aparente tranqüilidadeFoto: Marcos Nagelstein

Elder Ogliari - O Estado de São Paulo

Um encontro de cerca de meia hora do secretário do Planejamento do Rio Grande do Sul, Ariosto Culau, com o empresário Lair Ferst, na noite de quinta-feira, constrangeu o governo de Yeda Crusius (PSDB). Ferst foi um dos 14 presos pela Operação Rodin da Polícia Federal, em novembro do ano passado, e um dos 39 indiciados ao final do inquérito, em março deste ano, por suposta participação em um desvio de R$ 40 milhões do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

Informados de que o secretário e o empresário tomaram chope na praça de alimentação de um shopping, deputados da oposição e até aliados pediram a exoneração de Culau ainda durante a madrugada de ontem. A governadora não atendeu aos pedidos. “Ele é uma pessoa qualificada e íntegra e não está na minha linha de ação demitir um secretário porque ele tomou um chope com um amigo”, justificou Yeda.

O episódio dá mais munição à oposição na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o desvio Detran. A fraude consistia na contratação, pelo órgão, da Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia (Fatec), vinculada à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), sem licitação. A fundação terceirizava os serviços de elaboração e aplicação de testes para emissão de carteiras de motorista para empresas, entre as quais duas de familiares de Ferst. As empresas superfaturavam os serviços e repassavam parte de seus ganhos a diretores do Detran.

Desde a instalação da CPI, em fevereiro, a oposição faz de Ferst um alvo, porque ele atuou na linha de frente na campanha política de Yeda em 2006. Culau, por sua vez, comandou uma força-tarefa que estudou a situação jurídica do Detran e participou do anúncio da rescisão do contrato com a Fundação para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae), substituta da Fatec desde abril do ano passado.

A decisão colocaria o governo na ofensiva, mas o encontro com Ferst, poucas horas depois do anúncio, deu novas armas à oposição.

CASA DE YEDA

Ao explicar o episódio, Culau disse que estava esperando por amigos no shopping quando recebeu um telefonema de Ferst e aceitou tomar um chope com ele. O encontro foi flagrado pela reportagem do jornal Zero Hora. “Foi uma ingenuidade política minha”, disse.

Outro tema polêmico voltou à CPI durante a madrugada. Em depoimento à comissão, o delegado de Polícia Civil Luiz Fernando Tubino disse ter recebido a informação, da quebra de sigilos pela Polícia Federal, de que Lair Ferst teria pago R$ 400 mil do custo da casa adquirida por Yeda no final de 2006. Sem apresentar provas, sugeriu que cabe à CPI buscar as informações. A casa foi comprada por R$ 750 mil.

Na quarta-feira Yeda já havia anunciado que processaria o deputado Fabiano Pereira (PT) por ele insinuar que os dados da aquisição não fecham com a declaração de bens da governadora em 2006 .

A governadora sustenta que reuniu o dinheiro com a venda de um automóvel e dois apartamentos, além de um financiamento bancário. O depoimento de Tubino foi qualificado como “grosseira mentira” pelo porta-voz do governo gaúcho, Paulo Fona. “No momento certo a governadora vai demonstrar cabalmente como comprou a casa dela”, prometeu.