14/01/2009 - 17:45h Dicionário da ABL encerra dúvidas do Acordo

Lançada na segunda-feira com correções, nova edição traz grafia definitiva de palavras, diz a Academia Brasileira de Letras

As principais indefinições que o dicionário esclarece são em relação ao uso do hífen, em prefixos não especificados no Acordo

LUISA ALCANTARA E SILVA FÁBIO TAKAHASHI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Re-editar ou reeditar? Coabitar ou co-habitar? As principais dúvidas que o texto do Acordo Ortográfico, em vigor desde o dia 1º, haviam deixado, foram esclarecidas pela publicação da segunda edição do dicionário da ABL (Academia Brasileira de Letras), que começou a ser distribuído ontem nas livrarias.
O “Dicionário Escolar da Língua Portuguesa”, editado pela Companhia Editora Nacional, tem 1.311 páginas e cerca de 33 mil verbetes.
“O que está no dicionário vai ser adotado pelo Volp ["Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa"], diz Evanildo Bechara, membro da ABL e da comissão de língua portuguesa do Ministério da Educação que trata do Acordo.
Volp é o documento que registra a grafia oficial das palavras. A nova versão, com cerca de 370 mil palavras da língua portuguesa, será publicada até o início de março.
As principais dúvidas que o dicionário esclarece são em relação ao uso do hífen. De acordo com Bechara, o Acordo não tratava dos prefixos “re-”, “pre-” e “pro-” por “esquecimento”.
Palavras com esses prefixos, segundo o novo dicionário, devem ser grafadas sem hífen, como reeditar e preencher -e não re-editar e pre-encher, como interpretaram alguns estudiosos no Acordo Ortográfico.
Embora o Acordo tenha sido assinado por todos os países lusófonos -menos Timor Leste, que deve assiná-lo brevemente-, a ABL afirma que as palavras que geraram dúvidas não foram discutidas com as outras nações. Mas estão valendo no Brasil assim mesmo.
“O Acordo diz que duas vogais têm que estar separadas por hífen, mas se esqueceu do [prefixo] “re”. Teria que estar separado, mas isso se choca com a tradição lexicográfica, tanto em dicionários brasileiros como em portugueses”, diz Bechara. “Se o Acordo quisesse contrariar essa tradição, teria sido explícito, o que não ocorreu. Logo, a conclusão é a de que houve um esquecimento”, afirma Bechara.
A tradição é um dos princípios do Acordo, segundo a ABL. O quarto e último princípio geral afirma que o Acordo deve: “Preservar a tradição ortográfica refletida nos formulários e vocabulários oficiais anteriores, quando das omissões do texto do Acordo”. “O texto do Acordo é curto, não ia abranger as mais de 300 mil palavras que há no Volp”, afirma Bechara.
Outra dúvida que o dicionário esclarece é a grafia da palavra “abrupto”. O dicionário diz: “Ab-rupto é preferível que abrupto” -ou seja, as duas formas são consideradas corretas, mas o ideal é usar a hifenizada.
Para Bechara, “ab-rupto não deve causar estranhamento”. Segundo ele, as escolas devem priorizar a forma com hífen.
Outro ponto questionável do Acordo que o dicionário esclarece é o caso da acentuação em palavras como destróier. “O Acordo diz que paroxítonas com ditongos abertos, como “ei” e “oi”, perdem o acento. É uma regra específica, mas esqueceu que tem paroxítonas com esses ditongos que terminam em “r”, que são obrigatoriamente acentuadas. Como destróier. Essa regra se choca com a regra específica, mas, entre a regra específica e a geral, ficamos com a geral.”
Mas há um ponto que causa confusão: co-herdeiro ficou grafada como coerdeiro, embora no Acordo a indicação fosse co-herdeiro.

07/01/2009 - 17:52h Novas regras

PASQUALE EXPLICA

O hífen é grande vilão do (Des)Acordo Ortográfico

PASQUALE CIPRO NETO
COLUNISTA DA FOLHA

Feitas para descomplicar, as novas regras do uso do hífen acabaram criando labirintos até agora indecifráveis.
Em tese, o critério adotado é simplificador. Com boa parte dos prefixos (”auto”, “semi”, “anti” etc.) e com elementos de composição (”mega”, “multi”, “micro” etc.), emprega-se hífen basicamente em duas situações: quando o segundo elemento começa por “h” ou por letra igual à que encerra o prefixo ou elemento de composição.
Tradução: em “anti-inflamatório” e “mega-hotel”, há hífen; em “antiaéreo” e “megaempresa”, não. Nesses casos, se o segundo elemento começa por “r” ou “s”, dobram-se essas letras: “antissocial”, “megarraio”.
É claro que a questão não se limita ao visto no parágrafo anterior. A “Base XVI” (”Do hífen nas formações por prefixação, recomposição e sufixação”) do texto oficial do Acordo não é precisa o bastante para deixar claro o que ocorre, por exemplo, com o prefixo “re-”: aplica-se ao pé da letra a orientação vista acima e coloca-se hífen em “re-educar” e “re-eleger” ou se dá um “jeitinho” e se encaixa esse caso (e outros) numa interpretação particular e se preserva a grafia atual (”reeducar”, “reeleger”), mais palatáveis?
O “Vocabulário Ortográfico” (prometido para o mês que vem) deve desfazer (espera-se) esse e muitos outros nós, que não cabem neste espaço. É isso.

06/01/2009 - 15:51h Novas regras

PASQUALE EXPLICA

Os acentos diferenciais de ‘pelo’, ‘polo’ e ‘pera’ já vão tarde!

PASQUALE CIPRO NETO
COLUNISTA DA FOLHA

O Acordo passou o facão nos acentos diferenciais. Mantiveram-se só os de “pôde” e “pôr”.
O diferencial de “pôde” é de timbre (fechado, no caso) e distingue “ele pôde” de “ele pode”.
O circunflexo da forma verbal “pôr” a distingue da preposição homógrafa (átona) “por”.
Os demais acentos diferenciais foram sumariamente eliminados pelo Acordo. Deixaram de existir as seguintes grafias: “pára” (do verbo “parar”), “pêlo/s” (substantivos), “pélo”, “pélas” e “péla” (do verbo “pelar”), “pólo/s”, “pôlo/s” e “pêra” (substantivos). Esses acentos se justificavam pelos correspondentes homógrafos átonos: “para” (preposição), “pelo” (combinação de preposição e artigo), “polo” (combinação arcaica de preposição e artigo) e “pera” (preposição arcaica).
Com exceção do acento na forma verbal “para”, os demais já vão tarde. O de “para” fará falta em alguns casos. Um título como “Trânsito pesado para Recife” será ambíguo, portanto não deverá ser publicado.
Por fim, uma novidade: é opcional o acento em “forma” (sinônimo de “molde”). É isso.

20/10/2007 - 14:10h Alguns comentários sobre o blog

Minha vida está ligada com muita força a quatro países, onde tenho familia, amigos, histórias e raízes (Brasil, França, Argentina e USA)

Por isso meu blog é feito, principalmente, a partir de minhas leituras e do acompanhamento que faço desses países.

Eu sei que muitos não podem ler artigos em francês, inglês ou espanhol. Também têm outros que se queixam de não poder ler o português e que acessam o blog no Canadá, Estados Unidos, França e Argentina.

Como não posso materialmente traduzir esses artigos, quem consegue ler na língua, ótimo.

Procuro com o blog compartilhar minhas leituras e cada um tira delas o que deseja. De vez em quando gosto de comentar ou escrever sobre algum fato, mas nem sempre desejo emitir opinião. Por um lado, porque muitas vezes não tenho opinião formada ou simplesmente concordo com a opinião emitida por outros e que reproduzo aqui.

A única moderação que faço sobre eventuais comentários postados no blog é em relação a insultos, calúnias, ofensas e baixo nivel. Por sorte quase não tem aparecido esse tipo de internauta violento e preconceituoso. Todas as outras ponderações são bem-vindas, independentemente de curtas ou longas, de eu concordar ou não com elas.

Por último, meu blog, por ser este um espaço público, procura estar centrado em idéias (políticas, culturais, econômicas, comportamentais etc.) e não, evidentemente, na minha vida privada. Mesmo se compartilhar publicamente minhas idéias e minhas afinidades ideológicas e culturais é mostrar muito de mim mesmo.

A todos, qualquer que seja o idioma, mil desculpas pelos meus erros de gramática: Toda correção é bem-vinda e incentivada.

Pelas minha leituras e opiniões só quero o direito e a liberdade de publicá-las. Esse direito que reivindico, inclui o de poder errar, mudar e corrigir.

Luis Favre