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	<title>Blog do Favre &#187; grávidas</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>A nova onda feminista</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 19:19:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ele já foi chamado de movimento das “mal-amadas” e associado a mulheres homossexuais. Recebeu mais ataques do que elogios, mas foi o motor de conquistas inegáveis para as mulheres. Gostem ou não, o feminismo, termo usado pela primeira vez nos anos 30 do século 19, continua a todo vapor
Edma Cristina de Góis Revista do Correio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Ele já foi chamado de movimento das “mal-amadas” e associado a mulheres homossexuais. Recebeu mais ataques do que elogios, mas foi o motor de conquistas inegáveis para as mulheres. Gostem ou não, o feminismo, termo usado pela primeira vez nos anos 30 do século 19, continua a todo vapor</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Edma Cristina de Góis Revista do Correio Braziliense</strong></p>
<p><font size="1"><em>Monique Renne/CB/D.A Press<br />
</em></font><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2201.jpg" border="1" /><br />
<font size="1"><em> Mãe solteira e independente, Eliane acredita que sua maior conquista foi a autonomia</em></font></p>
<p>Eliane Maria de Carvalho, 38 anos, é solteira, tem um filho de 12 anos, trabalha dois expedientes e faz faculdade de administração à noite. Diariamente, caminha três quadras até sua casa para almoçar com o filho Leonardo. Ele já não precisa da mãe para ir à escola e desde os 8 anos fica sozinho em casa quando ela sai para trabalhar. Mesmo sem se declarar feminista, Eliane acumula em sua trajetória conquistas e desafios desse movimento: o direito à educação, a inserção no mercado de trabalho, a opção pela maternidade solteira e a autonomia, uma vez que é a chefe de um lar. “Eu fugi da linhagem da minha família, na qual as mulheres ficavam casadas ou, quando separadas, voltavam para a casa dos pais. Sou feliz porque sou dona da minha vida e tomo minhas próprias decisões”, explica.</p>
<p>Como Eliane, a maioria das mulheres, pelo menos as ocidentais, vive uma realidade que hoje só é possível graças a feministas que, na contramão do preconceito de suas épocas, arregaçaram as mangas por um ideal coletivo. Estigmatizado e, na maior parte das vezes, mal interpretado, o movimento se reconfigurou mais uma vez na primeira década do século 21. Hoje, ele é marcado como um movimento mais plural, bem diferente daquele da época em que Betty Friedan lançou A mística feminina (1963), que retratou a realidade das mulheres americanas, brancas e de classe média — período conhecido como a segunda onda do feminismo e que permaneceu no imaginário mundial graças ao ato em praça pública da queima de sutiãs.</p>
<p>A complexidade do feminismo hoje deve-se à conciliação de bandeiras de lutas de muitas mulheres: brancas, negras, de classe média e baixa, indígenas, homossexuais, heterossexuais etc. Nesse contexto, estão temas como o direito à educação de qualidade, ainda um entrave sobretudo para as mulheres negras, e a violência doméstica. Além disso, é preciso levar as conquistas adquiridas no mercado de trabalho para dentro de casa. Nesse ponto, houve pouco avanço e algumas correntes acusam o próprio movimento de sobrecarregar as mulheres e de ser preconceituoso com aquelas que optam por serem donas-de-casa ou priorizam a maternidade.</p>
<p>Feministas e pesquisadoras de gênero de diversas áreas — história, sociologia e literatura — afirmam que nunca houve nem há um movimento feminista homogêneo. O movimento de mulheres, no Brasil e no mundo, é marcado pelas diferentes vozes. Na prática, elas desejam transformar a realidade do espaço público e privado marcado por um modelo sexista. “Toda mulher é um pouco feminista, mesmo quem não assume”, afirma a pedagoga Marta de Paula, 48, uma das nove mulheres com quem a Revista do Correio conversou sobre o assunto.</p>
<p><font size="4"><strong>Por que se luta hoje</strong></font></p>
<p>*Pelo combate a todas as formas de discriminação no mercado de trabalho, no sistema educacional, na saúde, na representação política etc.)<br />
*Pela aceitação da pluralidade de mulheres (negras, indígenas, jovens, idosas, lésbicas, mulheres do campo, da floresta etc.)<br />
*Pela discussão sobre os direitos sexuais e reprodutivos, incluindo a descriminalização do aborto, a ética nas pesquisas científicas e o acesso ao atendimento para garantir a saúde da mulher.<br />
*Pelo combate à violência contra as mulheres.<br />
*Pela reorganização dos papéis dentro de casa, de modo a evitar a sobrecarga de trabalho.<br />
*Para que a mídia não reproduza padrões sexistas, como a exploração do corpo feminino.</p>
<p><font size="4"><strong>O que já foi conquistado</strong></font></p>
<p><u>Voto</u><br />
Em 1932, as mulheres passam a ter direito ao voto no Brasil.<font class="texto"><u>Trabalho fora de casa</u><br />
Nos anos 1950, as mulheres vivem a dicotomia do trabalho em casa e fora. Ainda assim são poucas as que conseguem se lançar no mercado de trabalho e conciliar as duas jornadas. A partir dos anos 1970, percebe-se maior participação delas no mercado de trabalho.<br />
As diferenças salariais, no entanto, perduram até hoje.</font></p>
<p><u>Representação política</u><br />
30% das candidaturas a cargos eletivos devem ser de mulheres desde 1990.</p>
<p><u>Costumes e sexualidade</u><br />
O Brasil também participou da revolução sexual e de comportamento dos anos 1960. Um dos símbolos nacionais dessa fase foi a atriz Leila Diniz, cuja imagem dela, grávida na praia, marcou época.</p>
<p><u>Serviços de saúde</u><br />
No Brasil, os primeiros programas de atendimento à saúde da mulher são dos anos 1980.</p>
<p><u>Combate à violência</u><br />
As primeiras manifestações são dos anos 1970. Na década seguinte são criados serviços de atendimento à mulher vítima de violência. Também é fundada a primeira delegacia da mulher. No primeiro governo Lula, é criada uma secretaria especial para as mulheres e, em 2006, é promulgada a Lei Maria da Penha.</p>
<p><strong>Sem conceitos</strong></p>
<p>O movimento feminista é dividido por etapas de acordo com a inclusão de novas bandeiras ou pelo reforço de alguns desafios. Sobre esse assunto, não há consenso entre especialistas. Alguns acreditam que haja apenas duas fases: a primeira onda, no início do século passado, com a luta pelo acesso à educação como principal slogan, e a segunda onda, marcada pelo lançamento da obra A mística feminina, da norte-americana Betty Friedan, uma das mais importantes feministas do século 20.<br />
No entanto, há quem defina a terceira onda feminista no Brasil como sendo a fase de luta das mulheres contra a ditadura e pela redemocratização. A quarta seria a fase atual, em que se discutem temas como violência contra a mulher, democratização da vivência da sexualidade, a laicidade do Estado e a igualdade racial.</p>
<table width="120" align="right" border="0" cellpadding="1" cellspacing="1">
<tr>
<td><em><font class="credito" size="1">War Production/Reprodução</font></em></td>
</tr>
<tr>
<td class="imagem"><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2205.jpg" border="1" /></td>
</tr>
<tr>
<td>&nbsp;</td>
</tr>
</table>
<p><font class="legenda"> </font></p>
<p><strong>NA GUERRA</strong></p>
<p>O cartaz Rose the Riveter acima, com a inscrição “We can do it”, virou um dos símbolos do movimento feminista nos Estados Unidos. Durante a 2ª Guerra Mundial, a publicidade foi usada para convocar as mulheres a trabalharem em fábricas, porque muitos homens estavam no front de combate. Elas acataram o pedido e muitas foram trabalhar nas fábricas dos aviões B-29. Foram esses aviões que soltaram as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki. É por essa razão que parte do movimento feminista vê o cartaz de modo negativo e não o reconhece como referência à luta das mulheres.</p>
<p><strong>AUTONOMIA, A GRANDE CONQUISTA</strong></p>
<p>Quando a assessora administrativa Eliane Maria de Carvalho, 38 anos, terminou o segundo grau, começou logo a trabalhar. Tentou vestibular na época, mas como não foi aprovada acabou adiando o sonho de se formar. Depois veio a gravidez inesperada e a mudança radical da vida. A família não recebeu bem a notícia, mas apoiou a decisão de Eliane de ter o filho mesmo sem o apoio do pai. Leonardo nasceu quando ela tinha 26 anos. Há cinco anos em Brasília e há dois estudando administração, Eliane faz um balanço positivo de suas conquistas. A maior delas, sua autonomia.</p>
<p>A independência de Eliane tornou-se real graças à soma de educação e trabalho. As primeiras defensoras dos direitos da mulher no Brasil apostavam na educação como corredor de acesso para a emancipação feminina e a melhoria de status. A justificativa era óbvia: com formação superior, as mulheres poderiam ter uma profissão e conquistar sua independência. A educação superior virou realidade para as mulheres brasileiras com a lei da reforma educacional de 1879, embora a primeira legislação em relação à educação feminina date de 1827. Com isso, elas reivindicavam o direito ao voto, o que foi debatido e negado pelo Congresso Constituinte de 1891.</p>
<p>Mais de um século depois, a presença das mulheres no mercado de trabalho, nos mais diversos cargos, nas universidades e nas esferas de poderes, dão a impressão de que tudo foi ganho, logo o feminismo perderia sua razão de existir. A historiadora Céli Pinto, autora de Uma história do feminismo no Brasil, rebate essa tese. “O movimento mudou com o tempo. No Brasil, a onda do feminismo dos anos 1960 chega com atraso devido à ditadura militar, no entanto as lutas feministas florescem junto com a campanha pela redemocratização”, explica. Por essa razão, os movimentos de mulheres brasileiras surgem próximos às Comunidades Eclesiais de Base (CEB) e aos movimentos populares.</p>
<p><strong>O feminismo no Brasil e no mundo</strong></p>
<p><u>1832 </u><br />
Nísia Floresta publica Direitos das mulheres e Injustiça dos homens</p>
<p><u>1873 </u><br />
O jornal O sexo feminino é lançado. No mesmo ano, surge o Jornal das Senhoras, primeira publicação editada exclusivamente por mulheres no Brasil, por Joana Paula M. Noronha</p>
<p><u>1915 a 1932 </u><br />
A luta pelo sufrágio universal mobiliza as mulheres no país e no mundo</p>
<p><u>1921 </u><br />
É fundada a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino</p>
<p><u>1929 </u><br />
Criada a Aliança Nacional de Mulheres</p>
<p><u>1948 </u><br />
Surge a Federação de Mulheres do Brasil</p>
<p><u>1949 </u><br />
Simone de Beauvoir publica O Segundo Sexo, influência para gerações de feministas.</p>
<p><u>1963 </u><br />
Betty Friedan publica<br />
A mística feminina, marco do feminismo de segunda onda</p>
<p><u>1969 </u><br />
Helieth Saffioti publica<br />
A mulher na sociedade de classes</p>
<p><u>1972 </u><br />
Aparecem no Brasil os primeiros grupos da segunda onda feminista</p>
<p><u>1975 </u><br />
É declarado pela ONU o Ano Internacional da Mulher e a Década da Mulher. É realizada a I Conferência Mundial sobre a Mulher (México)</p>
<p><u>1975 </u><br />
Terezinha Zerbini cria o Movimento Feminino pela Anistia</p>
<p><u>1976 </u><br />
O assassinato de Ângela Diniz por Doca Street coloca a questão da violência contra as mulheres na agenda política brasileira</p>
<p><u>1979 </u><br />
Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres</p>
<p><u>1980 </u><br />
Criação dos serviços de atendimento às mulheres vítimas de violência no Brasil</p>
<p><u>1983 </u><br />
Instituído o PAISM, Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher</p>
<p><u>1984 </u><br />
Criação do Conselho Nacional de Direitos da Mulher (CNDM)</p>
<p><u>1985 </u><br />
É realizada a III Conferência Mundial sobre a Mulher (Nairóbi)</p>
<p><u>1995 </u><br />
IV Conferência Mundial sobre a Mulher (Beijin)</p>
<p><u>1985 </u><br />
É fundada a I Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM), em São Paulo</p>
<p><u>1990 </u><br />
É realizado o I Encontro Nacional de Mulheres Negras, no Rio de Janeiro</p>
<p><u>1994 </u><br />
Aprovada a primeira lei de cotas. Ela estabelece que 20% de candidaturas nas listas partidárias para as eleições de 1996 devem ser ocupadas por mulheres. Esse número é ampliado para 30%<br />
em 1997</p>
<p><u>1994 </u><br />
É realizada em Belém a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher. No mesmo ano, foi criado o movimento Ciranda da Articulação da Mulher Brasileira</p>
<p><u>2006 </u><br />
Criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, primeiro órgão institucional com a missão de articular políticas públicas para as mulheres, vinculada à Presidência da República. No mesmo ano, é promulgada a Lei Maria da Penha para coibir a violência doméstica contra as mulheres no país</p>
<table width="120" align="right" border="0" cellpadding="1" cellspacing="1">
<tr>
<td><em><font class="credito" size="1">Monique Renne/CB/D.A Press</font></em></td>
</tr>
<tr>
<td class="imagem"><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2202.jpg" border="1" /></td>
</tr>
<tr>
<td><font class="legenda"><font size="1"><em>Marcela Addario não largou o emprego, mas não quer cargos de chefia para se dedicar à maternidade: decisão difícil</em></font><br />
</font></td>
</tr>
</table>
<p><font class="legenda"><br />
</font></p>
<p><strong>TODA MULHER É MEIO FEMINISTA</strong></p>
<p>A feminista Camile Paglia costuma causar polêmica e suscitar reações inflamadas quando sugere, como fez recentemente no Brasil, que o feminismo pode ter pavimentado o caminho que tornou o sexo feminino sujeito a um regime estressante de tripla jornada e negação da maternidade. Alguns a classificam como pós-feminista, outros como uma dissidente cujo pensamento pode comprometer a imagem de um movimento que trouxe conquistas importantes. “Não há equívoco no feminismo. A opção pela maternidade é que é uma novidade, porque ser mãe era função. Nesse momento, as mulheres optam por serem ou não mães, essa é a diferença”, esclarece a historiadora Céli Pinto, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).</p>
<p>A diferença, na prática, vai um pouco mais além. Mesmo longe dos movimentos organizados, algumas mulheres exercem um papel transgressor, embora não pareça. Tão naturalmente como Leila Diniz exibiu seu barrigão de grávida na praia em 1971, a economista Marcela Addario, 37 anos, contrariou sua vocação de executiva, abrindo mão de cargos de chefia no emprego para exercer a maternidade de forma mais plena — o que nos dias de hoje não deixa de ter um viés revolucionário, ainda que ele esteja circunscrito às quatro paredes de um lar.</p>
<p>Depois de morar quase uma década na Alemanha, ocupando cargos executivos na área financeira da empresa em que trabalhava, voltou ao Brasil, casou-se pela segunda vez e teve um filho, Matheus, hoje com 1 ano. Ela acredita que fez suas escolhas na hora certa, vivendo intensamente a profissão e agora priorizando a maternidade. “Fiz tudo o que quis na minha carreira e ainda desejo voltar a ter cargo de chefia, mas hoje o mais importante é meu papel de mãe. Foi uma decisão muito difícil e demorada”, afirma.</p>
<p>Embora consciente de suas escolhas, Marcela admite que, mesmo abrindo mão das responsabilidades de executiva, há uma sobrecarga ao se dividir entre o trabalho atual e as obrigações de casa. “A mulher só consegue conciliar o público e o privado se tiver uma estrutura de apoio, porque em casa continua tudo igual, por mais que os maridos de hoje ajudem mais do que os de antigamente.”</p>
<p>É exatamente por isso que as feministas recusam-se a aceitar a idéia de um novo feminismo, pois acreditam que o acúmulo de funções das mulheres que decidem ser mães e continuam trabalhando é uma bandeira renovada quando se trata de inserção no mercado de trabalho e das idéias de igualdade. “O termo pós-feminismo é um equívoco porque muitos temas não foram superados no Brasil. Além disso, não há igualdade de posições”, comenta a socióloga Fernanda Bittencourt, da Secretaria Especial das Mulheres.</p>
<table width="120" align="right" border="0" cellpadding="1" cellspacing="1">
<tr>
<td><font size="1"><em><font class="credito">Monique Renne/CB/D.A Press</font></em></font></td>
</tr>
<tr>
<td class="imagem"><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2501.jpg" border="1" /></td>
</tr>
<tr>
<td><font class="legenda"><em><font size="1">Marta fez curso superior e pós-graduação, realidade distante para negras, mas ainda luta contra o racismo  e a tripla jornada</font></em><br />
</font></td>
</tr>
</table>
<p><font class="legenda"><br />
</font></p>
<p><strong>A COR DO PLURALISMO</strong></p>
<p>Marta de Paula, 48 anos, acorda às 6h, passa o dia inteiro no trabalho e, à noite, cuida da casa, faz o almoço do dia seguinte e ainda dá atenção às filhas e ao marido. A rotina de dedicação ao lar de certa forma a aproxima das donas-de-casa retratadas no livro A mística feminina, escrito por Betty Friedan há 45 anos e que se tornou uma espécie de bíblia do movimento feminista. Naquela época, a publicação causou comoção, pois refletiu as insatisfações das mulheres com aquela vidinha aparentemente feliz. Mas a semelhança de Marta e de outras mulheres desse tempo com as do livro pára por aí. “Era um problema no singular, da mulher branca e de classe média. Nesses mais de 40 anos, o feminismo vê o plural”, define a socióloga Fernanda Bittencourt, da Secretaria Especial das Mulheres.</p>
<p>Nesse sentido, Marta encarna os novos rumos do movimento, que procura incluir os diferentes tipos de mulheres e suas reivindicações. O combate ao racismo é um exemplo. Desde os anos 1980, as negras se associaram para reivindicar suas lutas, pois não se sentiam representadas nem no movimento feminista nem no movimento negro. Hoje, elas combatem a violência doméstica e batalham pelo acesso ao serviço de saúde, uma vez que há doenças específicas dos negros que precisam ser tratadas com garantias do Estado. Apesar de haver um programa nacional para atender a população negra, muitos gestores de municípios e cidades não o incorporaram. “Há um racismo institucional, por isso em muitas cidades o programa só existe no papel”, alerta Eliana Maria Custódio, coordenadora-executiva do Geledés — Instituto da Mulher Negra, criado há 20 anos no Brasil.</p>
<p>Marta de Paula lembra: “Já fui discriminada na faculdade por conta da minha cor”. Da família de seis irmãos, apenas Marta e uma irmã conseguiram entrar na universidade. Ela se formou pedagoga e cursou pós-graduação em secretariado executivo. Mas ainda é exceção. Por isso, a educação permanece como um dos principais temas para os movimentos de mulheres negras no país.</p>
<p>De acordo com Eliana Custódio, a educação é um fator fundamental para a mobilidade social e a inserção no mercado de trabalho. “A maior parte dos alunos do ensino médio e fundamental públicos é de negros e sabemos sobre a qualidade desse ensino”, diz. A feminista acrescenta que, mesmo com acesso à educação, a mulher negra sofre preconceito de raça no mercado de trabalho, o que faz com que as demandas dessas mulheres sejam um pouco diferentes das mulheres brancas.</p>
<table width="120" align="right" border="0" cellpadding="1" cellspacing="1">
<tr>
<td>&nbsp;</td>
</tr>
<tr>
<td class="imagem"><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2203.jpg" border="1" /></td>
</tr>
<tr>
<td><font class="legenda"><em><font size="1">Maura descende de uma linhagem de mulheres autônomas e conseguiu conciliar emprego e maternidade</font></em><br />
</font></td>
</tr>
</table>
<p><font class="legenda"> </font></p>
<p><strong>NOVAS MULHERES, NOVOS TEMAS </strong></p>
<p>A avó, viúva aos 21 anos, foi tentar a vida no Rio de Janeiro com os dois filhos a tiracolo. Casou-se de novo quando e com quem quis. A mãe entrou na faculdade de direito depois dos 40 anos. A empresária Maura Alvim, 46, casou-se aos 22, foi mãe aos 24, hoje tem duas filhas, de 19 e 22, que moram em São Paulo. A relação aberta com as filhas é resultado das experiências das mulheres que a antecederam. “Me beneficiei porque minha mãe era antenada. Vim de uma família de mulheres especiais”, avalia.</p>
<p>A empresária conta que sempre trabalhou, mas optou por fazer intervalos para ser mãe. Na vida pública, ela acredita que a mulher ainda é colocada à prova. Para Maura, a violência contra a mulher é o tema mais importante dessa geração. “O homem jovem já percebeu os direitos das mulheres e quanto mais escolarizado, mais respeita a parceira”, compara.</p>
<p>“Ser alheio a essa discussão é dito como politicamente incorreto hoje”, afirma uma das coordenadoras do Católicas pelo Direito de Decidir, Regina Jurkewicz. Depois da promulgação da Lei Maria da Penha, ela acredita que o desafio das mulheres é pelo cumprimento da legislação. Além da questão da violência, Regina aponta outras bandeiras de luta, como a discussão em torno da laicidade do Estado, do avanço das tecnologias reprodutivas e da democracia na prática da sexualidade.</p>
<p><strong>“O espartilho mental”</strong><br />
A socióloga Fernanda Bittencourt, da Secretaria Especial das Mulheres, aponta o racismo e a diversidade sexual como alguns dos temas mais debatidos. Mas, além deles, são importantes a violência contra a mulher, não só física, e os direitos reprodutivos. “Em outros países, a discussão sobre o aborto foi garantida. O Brasil não superou isso.”</p>
<p>A pesquisadora de gênero na literatura Lélia Almeida lembra que as reivindicações das mulheres são crescentes porque elas inserem novas bandeiras de luta com o passar dos anos. Enquanto a ética nas pesquisas científicas é um tema relativamente novo, a sexualidade é um assunto que não saiu do cardápio feminista. “Muito pouco mudou em relação aos direitos reprodutivos. Continuamos vivendo um ‘espartilho mental’, um manual de como ser legitimado pelos diversos saberes”, afirma.</p>
<p>Regina Jurkewicz acredita que houve avanços, inclusive a institucionalização das lutas feministas. Um exemplo disso é a criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, no primeiro governo Lula. “É um reconhecimento de que não se trata de questões sobre as mulheres, mas de políticas públicas para todo o país”, explica Regina. Outra vitória foi a Lei Maria da Penha (11.340/06), que alterou o Código Penal, coibindo a violência doméstica e familiar contra a mulher. Os agressores podem ser presos em flagrante ou ter a prisão preventiva decretada (detenção por três anos).</p>
<p>Apesar do reconhecimento unânime sobre a ação do governo na defesa de direitos das mulheres, Lélia Almeida, que coordena o projeto Mulheres da Paz, lançado semana passada pelo Ministério da Justiça, alerta que o movimento feminista pode perder com essa aproximação com o Estado caso deixe tudo por conta do governo. “Ganhou-se por um lado e se perdeu por outro. O movimento feminista sempre brigou por sua autonomia.”</p>
<p><strong><em>Produção: Bianca Assunção \\ Cabelo e Maquiagem: Rose Paz, do Espaço Rose Paz, com produtos Mary Key</em></strong></p>
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		<title>Transporte gratuito para gestante fica disponível só depois do parto</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/12/transporte-gratuito-para-gestante-fica-disponivel-so-depois-do-parto/</link>
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		<pubDate>Mon, 01 Dec 2008 10:09:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Matéria do jornal Diário de S. Paulo de sexta-feira (28) revela que o transporte gratuito prometido para gestantes da capital que participam do Programa Mãe Paulistana durante a gravidez só tem chegado depois do parto. O benefício deveria estar disponível no início da gestação, para que as mulheres pudessem ir até as Unidades Básicas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <img src="http://www.kassab25.com.br/files/imagecache/tratamento-noticia/page/mae_paulistana.jpg" alt="http://www.kassab25.com.br/files/imagecache/tratamento-noticia/page/mae_paulistana.jpg" align="left" />Matéria do jornal <strong>Diário de S. Paulo</strong> de sexta-feira (28) revela que o transporte gratuito prometido para gestantes da capital que participam do Programa Mãe Paulistana durante a gravidez só tem chegado depois do parto. O benefício deveria estar disponível no início da gestação, para que as mulheres pudessem ir até as Unidades Básicas de Saúde (UBS) para realizar as consultas e exames durante toda a gravidez. Mas, na prática, não é o que vem ocorrendo para muitas mulheres.</p>
<p>O Mãe Paulistana nada mais é do que o programa Nascer Bem, implantado na gestão Marta Suplicy e que teve o nome mudado na atual administração. Trata-se de uma rede de atenção às gestantes, que prevê transporte gratuito e atenção no pré-natal e puerpério.</p>
<p>O programa foi usado na campanha eleitoral como sendo uma das marcas do prefeito Gilberto Kassab. Mas no final do segundo turno, um jornal revelou que figurantes teriam sido usadas para falar sobre o Mãe Paulistana nos programas de rádio e TV do candidato do DEM.</p>
<p>O Diário entrevistou mães e gestantes que relatam problemas que enfrentam para usarem o benefício. “Entrei com o pedido do Bilhete Único do programa quando estava grávida de um mês e quinze dias, mas até agora não recebi nem o cartão”, contou ao jornal a recepcionista Ângela Maria de Araújo, de 27 anos, mãe de Agatha, de dois meses. Para chegar até a UBS Paulo VI, na Zona Oeste, onde fez todo o acompanhamento durante a gravidez, Ângela precisava tomar dois ônibus.</p>
<p>“Vim aqui os nove meses da minha gravidez. E tenho vindo agora, que minha filha nasceu, para fazer o acompanhamento com o pediatra”, diz. Na última quinta, quando levou a filha ao médico na UBS, Ângela consultou mais uma vez se o benefício estava disponível. “Só disseram que ainda não estava”, conforma-se. (Fonte Boletim bancada PT).</p>
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		<title>Rotina de agressões</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Nov 2008 17:12:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As emergências das unidades de saúde do DF receberam 371 mulheres vítimas de violência este ano. No domingo, Claudilene Costa nem pôde buscar ajuda. Morreu esfaqueada. Segundo a polícia, pelo parceiro
Lúcio Costi Especial para o Correio Braziliense e Érica Montenegro da equipe do Correio


Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press





Francisca chora a morte da irmã. Casal brigava com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>As emergências das unidades de saúde do DF receberam 371 mulheres vítimas de violência este ano. No domingo, Claudilene Costa nem pôde buscar ajuda. Morreu esfaqueada. Segundo a polícia, pelo parceiro</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Lúcio Costi Especial para o Correio Braziliense e Érica Montenegro da equipe do Correio</strong></p>
<table width="120" align="right" border="0" cellpadding="1" cellspacing="1">
<tr>
<td><font class="credito">Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press</font></td>
</tr>
<tr>
<td class="imagem"><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081111/fotos/pri-1111-2501.jpg" border="1" /></td>
</tr>
<tr>
<td><font class="legenda">Francisca chora a morte da irmã. Casal brigava com freqüência<br />
</font></td>
</tr>
</table>
<p><font class="legenda"> </font><font class="texto">O cotidiano de brigas do lavador de carros Valmir Vanieli Silva de Souza, 26 anos, e da empregada doméstica Claudilene Costa Campos, 31, foi encerrado de maneira trágica no último domingo. Esfaqueada, Claudilene – ou Milene, como era chamada carinhosamente pelas irmãs, morreu na casa que os dois dividiam havia cinco meses. Valmir negou o crime, mas foi preso em flagrante por conta das circunstâncias em que a morte ocorreu.</font></p>
<p><font class="texto">A violência de gênero que pode ter provocado a morte de Claudilene leva mais de uma moradora do DF por dias às unidades de saúde da cidade. Só este ano, 371 mulheres espancadas, esfaqueadas ou violentadas foram atendidas nas emergências dos postos de saúde e hospitais brasilienes. No caso de violência física, elas repetem o perfil da doméstica: todas tinham relacionamento com o agressor. “Quem bate é o namorado, o marido, o companheiro. Eles se sentem donos delas”, afirma Laurez Vilela, chefe do Núcleo de Estudos e Programas para os Acidentes e Violências da Secretaria de Saúde.</font></p>
<p><font class="texto">Segundo relato de familiares de Claudilene, as brigas entre o casal eram comuns. O próprio Valmir teria dito várias vezes aos vizinhos: “Nos amamos muito, mas quando a gente bebe acaba brigando”. A irmã da vítima, Francisca Conceição Santos, contou que várias discussões dos dois evoluíram para agressões físicas. Num desses episódios, Francisca precisou levar a irmã ao hospital. “Ele deu um soco nela e o nariz sangrou”, relatou. Em outra ocasião, foi Claudilene quem atacou Valmir. “A faca pegou de raspão.”</font></p>
<p><font class="texto">As vítimas só costumam procurar as unidades de saúde quando a violência já atingiu um nível crítico. Buscam auxílio quando a situação muda de patamar. “Elas chegam bastante machucadas, com um braço quebrado, um trauma na cabeça ou até mesmo depois de ter levado um tiro ou uma facada. Sabemos que a violência acontece em um crescendo. Por isso acreditamos que não é a primeira ofensa que leva a vítima ao hospital”, comenta Laurez Vilela. Para ela, a demora em procurar ajuda faz com que o agressor aumente a força e a constância das surras.</font></p>
<p><font class="texto">Nos hospitais e postos de saúde, as vítimas não costumam se referir às agressões como violência. Preferem dizer que os machucados foram resultado de um desentendimento com o companheiro. “Muitas vêm de um histórico de violência familiar e até acham a agressão natural”, acrescenta Vilela.</font></p>
<p><font class="texto">De acordo com as informações da Secretaria de Saúde, a faixa etária mais propensa à violência é a de mulheres entre 24 e 29 anos. “São as que têm relacionamento estável. Quanto mais formalizada a relação, mais eles se sentem donos”, completa Laurez Vilela.</font></p>
<p><font class="texto">A delegada titular da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), Sandra Gomes Melo, reforça a importância de as vítimas procurarem auxílio assim que o companheiro começa a apresentar os primeiros sinais de comportamento violento. “As denúncias de agressões e ameaças podem inibir os crimes passionais contra a mulher. Servem para pedirmos medidas de proteção para elas”, afirma Sandra. A delegada-chefe da Deam afirma que a investigação é sempre difícil pois envolve segredos familiares. “São crimes que acontecem entre quatro paredes e muitas vezes envolvem psicopatia. Eles só batem em quem sentem que exercem poder, como mulher e filhos.”</font></p>
<p><font class="texto">Na percepção da antropóloga Rita Segato, da organização não-governamental Ações em Gênero, Desenvolvimento e Cidania (Agende), a intensidade da violência contra a mulher tem aumentado. “O homem desconta na mulher as violências estruturais que sofre. A crise não é porque elas se libertaram ou liberaram, mas porque eles identificam nelas o único território que ainda possuem” , comenta.</font></p>
<p><font class="texto"><strong>16 DIAS DE ATIVISMO</strong><br />
<em>A organização não-governamental Agende (Ações em Gênero, Desenvolvimento e Cidadania) vai lançar no dia 17, a partir das 10h, no Plenário da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, a campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. O tema deste ano é: “Há momentos em que sua atitude faz a diferença. Lei Maria da Penha. Comprometa-se”. </em></font></p>
<p><center><font class="texto"><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081111/fotos/pri-1111-violencia2.jpg" /></font></center></p>
<table width="100%">
<tr>
<td><!-- <font class="chapeu"></font><br />
&#8211;>   <font class="titulo">Arma do crime sumiu</font><br />
<!--<br /-->Claudilene estava em Brasília havia seis meses e, nos últimos cinco, vivia com Valmir em um quarto e sala de Taguatinga. O casal brigava muito. As discussões aconteciam aos finais de semana, quando ele queria deixá-la em casa para sair com amigos. Claudilene não se importava com as farras dele, apenas queria acompanhá-lo. “Ela queria sair com ele para as festas”, contou a irmã Francisca.<font class="texto">Pelo que conta Francisca, o caso dos dois foi amor à primeira vista. No dia em que chegou à capital, Claudilene foi recepcionada com festa pelos familiares. Foram todos beber para comemorar. “Ela viu o Valmir no bar e pediu que eu fosse falar com ele. ‘Minha irmã quer falar com você’, eu disse a ele, que respondeu: ‘Diga para ela vir até mim’”, contou. Os dois passaram a se encontrar e, um mês depois, estavam morando juntos na QNG 31. Eles se preparavam para deixar Brasília em breve. Se mudariam para Fortaleza, terra natal de Valmir.</font><font class="texto">No dia do crime, Francisca visitou a irmã pela manhã. Claudilene estava na casa de uma amiga, fazendo uma escova no cabelo, enquanto Valmir preparava o almoço. Francisca conta que a irmã estava feliz e o cunhado, satisfeito. Claudilene morreu por volta das 20h. A suspeita recaiu sobre Valmir porque antes de o Serviço de Atendimento de Urgência (Samu) chegar, ele lavou um tapete e uma bolsa onde foram encontrados vestígios de sangue pelos peritos.</font><font class="texto">A faca que a feriu também não foi encontrada. Os parentes dela acrescentam que, em vez de chamar o socorro, ele correu para avisá-los. Quando chegaram, ela estava viva, mas inconsciente. Quando a ambulância do Samu apareceu, Valmir fez questão de ir junto, acompanhando Claudilene. E, na hora em que foi informado sobre a morte dela, desabou em prantos. “Acho que ele gostava dela. Dizia para todos mundo que a amava, mas que brigavam muito”, afirma Francisca. O inquérito será concluído pela 17° Delegacia de Polícia. Valmir está desde a manhã de ontem encarcerado no Departamento de Polícia Especializada. </font></p>
<p><font size="5"><strong>O número</strong></font></p>
<p><strong><font size="4">Não se cale<br />
180<br />
é o número da central telefônica que funciona em todo o país para denunciar violência doméstica </font></strong></p>
<p><strong><font class="chapeu">Memória</font><br />
<font class="titulo">Intolerância que se repete</font></strong></p>
<p><font class="texto"><strong>2008</strong></font></p>
<p><font class="texto"></p>
<li>2 de novembro<br />
Deoraci de Souza Oliveira, 28, foi morta junto com o ex-marido, Paulo Pereira de Souza, 24, com quem queria reatar o relacionamento. O então companheiro dela, João Benedito Moreira de Carvalho, encontrou os dois na casa de Paulo e os matou a facadas.</li>
<li>29 de outubro<br />
Erika Matos Ribeiro, 14, morreu baleada em Planaltina. Renato Souza Ramos, 19, foi preso e confessou o crime. A polícia suspeita de motivação passional, mas ele nega.</li>
<li>4 de agosto<br />
Karen Guedes, 18, grávida de dois meses, foi morta com um tiro no pescoço na saída de uma festa em Samambaia. O autor seria o namorado dela, conhecido como André.</li>
<li>26 de junho<br />
O cabo do Corpo de Bombeiros Glauber Evaristo Melo, 41, matou a ex-namorada Josiene Pimentel, 35, com um tiro na cabeça. Josiene já havia dito que não queria mais namorar Glauber.</li>
<li>8 de março<br />
O vendedor de frutas Humberto Alves de Olveira, 35, foi encontrado morto na Estrutural. Ele estava a caminho de uma feira e levou um tiro na nuca. A polícia suspeita de crime passional.</li>
<li>8 de janeiro<br />
Uma adolescente foi encontrada morta em Planaltina depois que moradores próximos à Chácara Bom Jesus, na DF-128, ouviram tiros. Uma discussão com o namorado seria o motivo da morte.<strong>2007</strong></li>
<li>21 de julho<br />
Insatisfeito com a separação, o churrasqueiro Manoel Dias, 53, esfaqueou a esposa, a empregada doméstica Antônia de Sene Rocha, 53. O crime ocorreu na casa do casal, em Santa Maria.</li>
<li>29 de junho<br />
Transtornada pelo fato de o marido a rejeitar, a dona-de-casa Cláudia Pereira da Silva, 22, esfaqueou o companheiro, Jorge Augusto Teixeira da Rocha, 22, em São Sebastião.</li>
<li>25 de maio<br />
Cego de paixão, o vigia Sebastião Ferreira, 30, tirou a vida da companheira, Marivone de Oliveira, 40, a golpes de porrete, num núcleo rural próximo a Sobradinho. Ele matou a mulher para tentar ficar com a filha dela. Foi preso.</li>
<p></font></td>
</tr>
</table>
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		<title>Violência em casa, drama de 29% das brasileiras</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Nov 2008 11:13:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ OMS revela ainda que, em áreas rurais, índice de mulheres que já foram agredidas por parceiros chega a 37%

Tatiana Farah &#8211; O Globo
SÃO PAULO. Planaltina (DF), quinta-feira passada. Érika, de 14 anos, é morta a tiros, na rua.
Para a polícia, crime passional. Uma semana antes, em Salvador (BA), Drielle, de 18, grávida, é feita [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>OMS revela ainda que, em áreas rurais, índice de mulheres que já foram agredidas por parceiros chega a 37%</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://contasabertas.uol.com.br/noticias/imagens/violencia%20mulher3%20copy.jpg" alt="http://contasabertas.uol.com.br/noticias/imagens/violencia%20mulher3%20copy.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Tatiana Farah &#8211; O Globo</strong></p>
<p>SÃO PAULO. Planaltina (DF), quinta-feira passada. Érika, de 14 anos, é morta a tiros, na rua.<br />
Para a polícia, crime passional. Uma semana antes, em Salvador (BA), Drielle, de 18, grávida, é feita refém pelo ex-marido. São Paulo, dia 22 passado, Orlando mata a ex-namorada, Monique, de 15, e deixa o corpo num porta-malas. Em Sorocaba (SP), Camila, de 16, é morta com um tiro na cabeça pelo ex-namorado.</p>
<p>São alguns casos que apareceram no noticiário desde a morte de Eloá Pimentel, de 15 anos, que passou 101 horas sob a mira do revólver do ex-namorado Lindemberg Alves, de 22.</p>
<p>Segundo o último relatório da Organização Mundial de Saúde, 29% das brasileiras sofrem ou já sofreram violência física ou sexual de parceiros ao longo da vida.</p>
<p>Nas regiões rurais, o índice sobe para 37%. A última pesquisa realizada em hospitais de São Paulo e Pernambuco indica que, entre grávidas, as agressões físicas, sexuais e psicológicas ultrapassam 30%.</p>
<p>— A tropa de elite das polícias está apta para negociar com traficantes, seqüestradores, mas não para trabalhar uma questão emocional. Porque não é uma negociação de troca, é uma negociação de poder. No caso de Eloá, Lindemberg só queria uma coisa: que ela se submetesse a ele — diz Aparecida Gonçalves, subsecretária de Enfrentamento da Violência contra a Mulher da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, ligada à presidência.</p>
<p><font size="5"><strong>Maridos, noivos e namorados são os agressores</strong></font><br />
<strong>Socióloga transforma em livro pesquisa de dez anos de crimes</strong></p>
<p>SÃO PAULO. De cada dez mulheres assassinadas em São Paulo por pessoas conhecidas, sete foram mortas por parceiros ou ex-parceiros como maridos, noivos e namorados.</p>
<p>Os dados tomam por base todos os boletins policiais de 1998, que registraram 285 homicídios de mulheres na cidade, e fazem parte da pesquisa de uma década de crimes contra mulheres feita pela socióloga Eva Blay.</p>
<p>O trabalho está no livro lançado recentemente “Assassinato de mulheres e direitos humanos”.</p>
<p>Eva analisou 600 boletins de ocorrência e casos de jornais, além de cem processos judiciais da última década para traçar um retrato da violência de gênero. Para ela, o que o que move esses atos é o ódio.</p>
<p>— Ódio e vingança. Os homens se preparam para dominar e matar as mulheres— diz a socióloga, coordenadora científica do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero (Nemge) e professora aposentada da USP.</p>
<p>Ele critica a falta de punição dos criminosos: — A maioria deixa suas marcas na vítima. Em 50% dos casos, o indivíduo foge. Em 30% dos casos, os processos foram arquivados.</p>
<p>A delegada coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher do estado de São Paulo, Marcia Salgado, reforça o que dizem os estudos da OMS sobre a violência conjugal: depois dos primeiros tapas, ataques mais violentos virão.</p>
<p>— Dificilmente o homem vai matar de cara. Ele ofende, xinga, quebra o prato de comida.</p>
<p>Depois, vai bater para não deixar marca. E isso vai piorando.</p>
<p>Na cabeça desse homem, ele está educando a mulher dele — explica a delegada.</p>
<p>“As pessoas estão criando coragem para denunciar” Segundo a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, ligada à Presidência da República, o número de denúncias de cárcere privado no país feitas ao “Ligue 180” dobrou: de 70 registros, em 2007, para 134 de janeiro a setembro deste ano. Para a pesquisadora Lilia Schraiber, do Departamento de Medicina Preventiva da USP, as pessoas estão criando coragem para denunciar.</p>
<p>Lilia defende pesquisas que observam também os homens agressores. Os maridos hoje são alvo de projetos das próprias entidades de mulheres, que oferecem psicoterapia: — A violência conjugal é uma relação entre dois sujeitos e temos de entendê-los.</p>
<p>Numa pesquisa, um homem identificado como Vênus contou: “Quando ela estava grávida do meu filho, também bati, mas não na barriga. Bati nela grávida dos dois, mas, na barriga, só grávida da menina”.</p>
<p>Segundo Lilia, a taxa de agressão a mulheres grávidas fica em torno de 20% a 30% e pode chegar a 60% em casos de violência psicológica.</p>
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		<title>Da boca para dentro</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/09/da-boca-para-dentro/</link>
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		<pubDate>Sun, 21 Sep 2008 17:30:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Novas pesquisas relacionam boa saúde oral à prevenção de várias doenças
Antônio Marinho* &#8211; O GLOBO
Imagine despejar todos os dias a maior parte de seu lixo no manancial de um rio. Com o tempo, lagos e fontes que recebem seu fluxo serão poluídos e podem morrer. É mais ou menos isso que ocorre ao negligenciarmos a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://cogitare.forumenfermagem.org/wp-content/uploads/2008/06/dentist.gif" alt="A imagem “http://cogitare.forumenfermagem.org/wp-content/uploads/2008/06/dentist.gif” contém erros e não pode ser exibida." /></div>
<p><img src="http://oglobo.globo.com/fotos/2008/06/30/30_CHB_viv_sorriso.jpg" alt="http://oglobo.globo.com/fotos/2008/06/30/30_CHB_viv_sorriso.jpg" align="left" /></p>
<p><font size="4"><strong>Novas pesquisas relacionam boa saúde oral à prevenção de várias doenças</strong></font></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Antônio Marinho* &#8211; O GLOBO</strong></p>
<p>Imagine despejar todos os dias a maior parte de seu lixo no manancial de um rio. Com o tempo, lagos e fontes que recebem seu fluxo serão poluídos e podem morrer. É mais ou menos isso que ocorre ao negligenciarmos a higiene bucal. O acúmulo de bactérias em estruturas que envolvem os dentes causa inflamações e aumenta o risco de infecções em todo o corpo. Agora, novos estudos confirmam que cuidar da saúde oral protege contra infarto e derrame. Há quem afirme que a prevenção vai além. Pessoas que escovam mal os dentes e raramente visitam o dentista correm maior risco de cânceres, demência e até de parto prematuro.<br />
O problema começa com o acúmulo de bactérias ao redor dos dentes, formando placas que atacam as gengivas e outras estruturas.<br />
Aos poucos, os germes invadem tecidos e produzem substâncias tóxicas que inflamam as gengivas (gengivite), e alguns chegam à corrente sangüínea. Daí pegam carona para o coração e outros órgãos. Em casos graves (periodontites), os tecidos de suporte são afetados — com destruição de colágeno e de ligamentos — , responsáveis por manter os dentes nos ossos. De 7% a 15% da população mundial sofrem desse mal.</p>
<p>— Mais pesquisas sugerem associação entre infecções orais e doenças sistêmicas — diz a dentista americana Sally Cram.<br />
Um exemplo é o estudo da Universidade de Bristol, de Howard Jenkinson. Na reunião da Sociedade Geral de Microbiologia, ele disse que centenas de cepas de bactérias vivem na boca e algumas entram no sangue. Isso pode causar problema cardíaco, mesmo em saudáveis. Elas produzem agrupamento de plaquetas, formando escudo contra o sistema imunológico e antibióticos.<br />
<strong><br />
Sem tratamento, risco de parto prematuro aumenta</strong></p>
<p>Maurizio Tonetti, chefe da Divisão de Periodontologia da Universidade de Connecticut, investigou se um tratamento para anular a produção de bactérias e toxinas da boca seria benéfico em pacientes com aterosclerose.<br />
Os resultados foram animadores. Em artigo na revista “New England Journal of Medicine”, ele mostrou que indivíduos submetidos por seis meses a intenso tratamento de doença das gengivas não apenas se livraram desse mal, mas melhoraram a função do endotélio (a camada interna dos vasos).<br />
E pesquisa na Grã-Bretanha, com 366 gestantes, publicada no “Journal of Periodontology”, indicou que o tratamento de infecção de tecidos da gengiva reduziu o índice de nascimentos prematuros em 84%. Segundo os autores, essa doença eleva a produção de prostaglandina, substância que pode induzir ao parto. As grávidas que receberam cuidados dentários antes da 35ª semana tiveram menor chance de dar à luz antes da hora. Em outro trabalho, na revista “The Lancet Oncology”, autores associaram doenças das gengivas a maior chance de tumores de pulmão, fígado, rim e pâncreas, além de Alzheimer.<br />
Porém não souberam explicar essa relação.</p>
<p>— Dados apontam risco adicional de até 2,8 para infarto em pessoas com periodontites.</p>
<p>Já encontraram traços de bactérias das gengivas em placa ateromatosa retirada em cirurgias. A forte resposta imune estimulada por periodontites parece ser o principal mecanismo na relação com doenças sistêmicas, como diabetes, artrite, a doença pulmonar obstrutiva crônica, úlceras, pneumonias, além de indução a parto prematuro e problema cardiovascular — diz Luciano Oliveira, doutorando em periodontia pela Uerj e membro da Sociedade Brasileira de Diabetes.<br />
Mau hálito, retração e sangramento gengival podem ser os primeiros sinais, explica a dentista Cristiane Vivacqua. Ela diz que pessoas com gengivas doentes são duas vezes mais susceptíveis a queixas cardíacas.</p>
<p>— Doença periodontal pode piorar males cardíacos já existentes. Às vezes é necessária a profilaxia antes de tratamentos dentários, como uso de antibióticos. Isso é avaliado pelo dentista e médico — alerta.<br />
Já a dentista Flávia Rabello de Mattos, especialista em implantes, lembra que diabetes, síndrome de Down, doença de Crohn e Aids favorecem a periodontite: — Habitualmente, doença da gengiva não causa dor, até que dentes se afrouxem ao mastigar ou se forme abcesso. Em fumantes, sinais iniciais são mascarados e eles só percebem o problema quando a perda óssea é grave. Sem tratamento, a perda óssea poderá ser de 1mm/ano.</p>
<p>* Com ‘The Washington Post’ e agências de notícias Existem cerca de 700 cepas de diferentes bactérias (como estafilococo e estreptococo) em uma boca saudável, metade ainda não classificada. Em agosto foi descoberta uma nova espécie, Prevotella histicola, que pode estar relacionada a cáries e doenças da gengiva. Se as bactérias entrarem na corrente sangüínea, podem causar problemas cardíacos e até derrame, mesmo que a pessoa esteja em boa forma física.</p>
<p>Há cerca de cem milhões de bactérias em cada mililítro de saliva. Vírus, fungos e protozoários também vivem na boca. Segundo cientistas, microorganismos procedentes de gengivas infectadas interagem com as plaquetas (elas participam do processo de coagulação, evitando hemorragias) provocando a inflamação das artérias, levando a seu estreitamento.</p>
<p>As bactérias também se unem aos depósitos de gorduras presentes nas artérias, o que pode facilitar a formação de coágulos. Outra explicação é que, ao se movimentar pelo corpo por meio do sangue, a bactéria estimula o sistema imunológico, causando inflamações que entopem as artérias.</p>
<p>Estudos americanos dizem que doenças das gengivas e outras infecções na boca estão associadas à maior incidência de câncer de pulmão, de sangue e de rim, além de pancreatites.<br />
<font size="5"><strong><br />
Exame da saliva ajuda a prevenir perda de dentes</strong></font></p>
<p><strong><br />
Alteração no fluido pode ser sinal de doença, mas dentistas ignoram avaliação</strong></p>
<p>Prestar atenção na saliva ajuda a melhorar a qualidade de vida já que o fluido pode revelar alterações no organismo. No entanto, estudo coordenado pela dentista Denise Falcão, do Departamento de Odontologia da Universidade de Brasília (UnB), diz que apenas 7% dos dentistas costumam fazer o exame, que é simples. E pelo menos 69% dos profissionais entrevistados disseram não ter assistido à aula sobre saliva em cursos de especialização e/ou mestrado.<br />
A saliva desempenha funções no equilíbrio da orofaringe. A falta desse fluido torna o pH bucal ácido e favorece a cárie.<br />
Além disso, a saliva contém uma substância que estimula a cicatrização da mucosa bucal e do esôfago. Portanto, sua deficiência predispõe a esofagites e aftas.</p>
<p>— Em outro estudo na UnB, vimos que a pessoa com saliva viscosa tem mais chances de sofrer mau hálito. Verificamos que portadores de doença periodontal costumam apresentar pH alcalino e saliva viscosa — disse Denise. — Não há como estabelecer relação de causa/efeito, mas as alterações dos padrões da saliva são indicadores de riscos para doenças.<br />
Ela cita, por exemplo, a doença autoimune síndrome de Sjögren, que se caracteriza pela redução de saliva e lágrimas, entre outros sintomas. Geralmente é diagnosticada após anos, o que compromete muito a saúde. Entretanto, se o exame da saliva fosse feito rotineiramente, a doença seria detectada precocemente.</p>
<p>— Outro exemplo é que a saliva muito fluida e/ou a falta de saliva pode ser uma das causas de ardência bucal, situação muito comum principalmente nas mulheres na pós-menopausa, e isso costuma causa depressão. Mudança na coloração pode indicar descamação excessiva da mucosa, inflamações e infecções — alerta Denise.<br />
Até mesmo o sono é ruim quando há pouca saliva. Isso porque a pessoa tende a se levantar com freqüência para beber água.<br />
Outros problemas são a maior chance de ter aftas e outras lesões em mucosa da boca; menor fixação de restaurações dentárias, alteração de paladar e até dificuldade para falar. Segundo Denise, o teste — mostra a quantidade, a cor, a viscosidade e o pH — dura 30 minutos e deve ser feito uma vez ao ano, ou a critério do dentista. A coleta e a seqüência de avaliação deverá ser repetida em um outro dia e no mesmo horário para verificar a média dos valores.</p>
<p>— Carregada de imunoglobulinas ou anticorpos, a saliva tem participação decisiva em algumas doenças — diz o dentista Luciano Oliveira. — Embora seja um bom método auxiliar de diagnóstico, é pouco difundido em consultórios.<br />
A dentista Flávia Rabello afirma que o aumento da produção de saliva, quando necessário, poderá ser conseguido com técnicas para estimulação e uso de medicamentos.<br />
Há ainda a possibilidade de receitar substitutos desse fluido.<br />
Outro estudo na UnB investiga a possibilidade de usar células-tronco na regeneração de tecidos com infecções bacterianas.<br />
E cientistas do King’s College, de Londres, tentam produzir dentes a partir de células-tronco e realizaram pesquisas em camundongos. As células seriam programadas para se transformar em dentes e depois transplantadas para a mandíbula.</p>
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		<title>Comportamento de alto risco</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Sep 2008 20:03:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Pesquisa revela que Brasil têm alta taxa de doenças sexualmente transmissíveis


Evandro Éboli &#8211; O Globo
Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde em seis capitais brasileiras revela que 42% das 3.303 gestantes examinadas, entre 2004 a 2007, eram portadoras de pelo menos uma doença sexualmente transmissível (DST). A contaminação por HPV, um tipo de lesão genital, foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><br />
Pesquisa revela que Brasil têm alta taxa de doenças sexualmente transmissíveis</strong></p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/09/comportamento-de-alto-risco/7400/" rel="attachment wp-att-7400" title="dst-conhecerparaseproteger.gif"></a></p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/09/comportamento-de-alto-risco/7400/" rel="attachment wp-att-7400" title="dst-conhecerparaseproteger.gif"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/09/dst-conhecerparaseproteger.gif" alt="dst-conhecerparaseproteger.gif" /></a></div>
<p style="background-color: #ffff99">Evandro Éboli &#8211; O Globo</p>
<p>Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde em seis capitais brasileiras revela que 42% das 3.303 gestantes examinadas, entre 2004 a 2007, eram portadoras de pelo menos uma doença sexualmente transmissível (DST). A contaminação por HPV, um tipo de lesão genital, foi a que teve maior registro. Segundo o Ministério da Saúde, esta doença não causa riscos para o bebê se a mulher não apresentar verrugas e lesão. Mas, do total de grávidas examinadas, 13,5% adquiriram doenças mais graves como gonorréia, clamídia e sífilis, que podem provocar morte do feto, má-formação óssea, cegueira e levar ao parto prematuro. Esses dados são os que mais preocupam autoridades do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids do governo.</p>
<p>— São dados que chamam a atenção porque são doenças que causam mais danos ao binômio mãe-bebê. São problemas que têm diagnóstico, tratamento e cura, mesmo adquiridos na gravidez — disse o coordenador da unidade de DST do Programa DST-Aids do Ministério da Saúde, Valdir Pinto.<br />
Segundo o coordenador, são doenças cujo tratamento está disponível na rede pública de saúde e os medicamentos usados são de custo muito baixo, com preços que variam de R$ 0,39 a R$ 5.<br />
Pinto destaca ainda que quase metade das grávidas pesquisadas (49,2%) nunca usa preservativo com parceiro fixo. Para o coordenador, a camisinha deve ser usada sempre, independentemente de se ter parceiro fixo ou eventual.</p>
<p>— Não se pode garantir que o parceiro fixo não transmite doença. É um tema delicado para ser abordado, mas o governo não pode impor. Os homens e mulheres é que devem decidir se vão adotar métodos seguros. É o livre-arbítrio.<br />
A pesquisa também ouviu 2.814 homens trabalhadores de pequenas indústrias, grupo que apresentou o menor índice de ocorrência de doenças sexualmente transmissíveis: apenas 5,2%. Quase a totalidade desses entrevistados (95,5%) respondeu que faz sexo apenas com mulheres. Apenas 1,5% afirmou ter relações homossexuais.</p>
<p><strong>Mulheres se protegem mais que os homens</strong></p>
<p>O terceiro grupo abordado na pesquisa foi o de homens e mulheres atendidos em serviços de saúde especializados em DSTs. Dos 3.210 pesquisados, 51% apresentaram algum tipo de infecção. A mais comum foi o HPV, doença diagnosticada em 32,6%. O HPV é uma lesão conhecida como crista de galo e aparece em forma de uma verruga no colo do útero, e também no pênis e no ânus. A sua transmissão pode ocorrer também por sexo oral ou por contaminação por meio de toalha, roupa íntima, vaso sanitário ou banheira, por exemplo.<br />
Em relação ao comportamento sexual dos brasileiros, as mulheres aparecem como mais cuidadosas: 47,3% delas responderam usar sempre camisinha com parceiros eventuais; 35% dos homens afirmaram usar preservativo.<br />
Esse estudo é considerado o de maior porte realizado pelo governo federal nessa área da saúde. A pesquisa conclui ainda que a chance de desenvolver as doenças sexuais é maior em pessoas com menos de 20 anos.<br />
Os jovens e adolescentes formam o grupo que menos se relaciona com parceiros fixos, uma das razões de estarem vulneráveis às DSTs. Outros fatores que contribuem para o aumento do risco são o não uso do preservativo, coito anal e as drogas injetáveis.<br />
A pesquisa foi realizada em Manaus, Fortaleza, Goiânia, no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Valdir afirmou que as regiões escolhidas apresentam características socioeconômicas e demográficas diferentes.</p>
<p>— Mas os resultados demonstraram que não há diferença de percentuais das doenças.<br />
O índice de grávidas infectadas por essa doença sexual em regiões como Norte e Nordeste é igual ao do Sudeste — disse o coordenador do programa.</p>
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		<title>Governo federal vai aprovar licença-maternidade de 6 meses, diz Mantega</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Aug 2008 12:40:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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da Agência Brasil e da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu aprovar a extensão da licença-maternidade para seis meses, segundo informou hoje o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista a emissoras de rádio do estúdio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), no programa &#8220;Bom Dia, Ministro&#8221;.
&#8220;O presidente já decidiu que vai [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://farm1.static.flickr.com/178/407383036_5a3ae40a50.jpg?v=0" alt="http://farm1.static.flickr.com/178/407383036_5a3ae40a50.jpg?v=0" /></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>da Agência Brasil e da Folha Online</strong></p>
<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu aprovar a extensão da licença-maternidade para seis meses, segundo informou hoje o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista a emissoras de rádio do estúdio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), no programa &#8220;Bom Dia, Ministro&#8221;.</p>
<p>&#8220;O presidente já decidiu que vai aprovar, não vai vetar esse projeto de modo que esse benefício seja estendido a todas as mulheres brasileiras.&#8221;</p>
<p>Mantega disse que teve de mostrar ao presidente &#8220;quanto custa o negócio&#8221;. Ele disse que é fácil aprovar uma lei que traz um benefício, mas a Fazenda tem de dizer quanto vai custar isso para a União.</p>
<p>&#8220;O custo disso é de R$ 800 milhões por ano. E eu sou obrigado, como ministro da Fazenda, a dizer ao presidente: &#8216;Olha vai custar isso e portanto temos que ter verba no nosso orçamento para viabilizar&#8217;&#8221;.</p>
<p>O projeto aprovado pelo Congresso prevê licença de 180 dias, mas os últimos 60 serão opcionais &#8211;a empresa pode, ou não, incluí-los nos período de afastamento da gestante. O pagamento também é feito pelas empresas, mas elas poderão abater do Imposto de Renda o salário bruto dos dois meses extras da licença.</p>
<p>Pela proposta, as empresas que aderirem à ampliação da licença-maternidade vão receber incentivos fiscais e o título de &#8220;Empresa Cidadã&#8221;. A medida vale tanto para a iniciativa privada como também para o setor público federal, estadual e municipal. A medida deverá entrar em vigor apenas em 2010.</p>
<p>As mudanças demorarão a ser efetivadas porque não haverá tempo para incluir as alterações, que informam sobre isenção e incentivos, na previsão de renúncia fiscal de 2009.</p>
<p>Atualmente, 93 municípios e 11 Estados, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, já permitem que as mães desfrutem de seis meses de licença.</p>
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