24/08/2009 - 18:03h Lygia Eluf





- Luis Favre





Suíça radicada no Brasil, Mira Schendel (1919-1988), artista que “reinventou a arte a partir da língua”, ganha retrospectiva no MoMA, individuais em Londres e SP e vira tema de três novos livros

Obra sem título da série “Objetos Gráficos” (1967), de Mira Schendel, que está na mostra do MoMA
SILAS MARTÍ – FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL
Uma frase solta, inconclusa, resume o retorno. Num dos quadros que abrem sua megarretrospectiva no Museu de Arte Moderna de Nova York, Mira Schendel escreveu discreta: “Agora que estou de volta”.
Era uma alusão ao retorno de Aquiles da batalha que travou. Mas, exposta na primeira sala da mostra que o MoMA abre no dia 5 de abril, serve de prelúdio à volta de uma artista que morreu sem atingir o reconhecimento internacional que está prestes a ganhar. Embora tenha participado de nove edições da Bienal de São Paulo, sendo eleita até parte da “santíssima trindade” da arte brasileira, Schendel nunca foi tão valorizada pelo mercado.
Além de “Tangled Alphabets”, mostra que reúne 200 obras para refazer os passos da artista e do argentino León Ferrari, em Nova York, a galeria Millan abre, na próxima quarta, em São Paulo, individual com 20 de suas monotipias, as gravuras que fazia em papel japonês. Em maio, a galeria Stephen Friedman, de Londres, também abre espaço para uma individual da artista.
No embalo das exposições, o mercado editorial se prepara para lançar farto material sobre o legado da artista que passou a vida tentando “imortalizar o fugidio” e “congelar o instante”, como dizia em seus diários.
Nascida na Suíça, em 1919, Schendel se mudou para o Brasil quando já tinha 30 anos, formada em Zurique e numa escola preparatória da Itália.
Orgias de letras
Nômade, falava mal quase todas as línguas que usava para se expressar, as mesmas que apareciam em seus desenhos-poemas -chegou a fazer cerca de 5.000 deles para amigos e conhecidos, passando ao largo do mercado, que a valorizou só depois da morte, em 1988.
Se em vida suas monotipias eram distribuídas ao acaso, vendidas às vezes por US$ 100, ela hoje é uma das artistas mais disputadas da cena brasileira, com trabalhos arrematados por mais de US$ 1 milhão.
“Só nos últimos anos conseguimos pôr a obra da Mira nas melhores coleções do mundo”, diz André Millan, 48, galerista que cuida do espólio da artista.
Depois da explosão conceitual e das formas geométricas dos concretos paulistas e cariocas, Schendel foi uma das primeiras no país a injetar forte carga subjetiva em suas obras, deixando ver suas obsessões na folha transparente de papel.
“Ela reinventa a arte, com base na língua”, resume Luis Pérez-Oramas, 48, curador da mostra no MoMA, em entrevista à Folha. “É a língua não como instrumento, mas como encarnação material da voz.”
Suas “pequenas orgias de letras flutuando no espaço”, como descreve Pérez-Oramas, tentam refletir o turbilhão de ideias que estudou à exaustão.
“A vida imediata é só minha, incomunicável, sem significado ou propósito; o mundo dos símbolos é antivida, vazio de emoção e de sofrimento”, escreveu Schendel. “Se pudesse juntar os dois, teria a riqueza da experiência com a permanência relativa do símbolo.”
Tentando mostrar esses dois lados, Schendel recorria às folhas transparentes, criando uma espécie de porta de entrada para os próprios pensamentos, já que a palavra tinha de mostrar “o maior número de faces para ser ela mesma”.
Talvez por essa obsessão, as obras também vão perdendo o peso da tinta e ganhando a leveza dos vazios, de palavras e letras soltas. Depois das naturezas-mortas dos anos 50, ela partiu para as monotipias, obras em acrílico e instalações.
No MoMA, Pérez-Oramas separa as pinturas mais tradicionais das instalações que vêm depois, como “Trenzinho”, uma série de folhas penduradas em sucessão, as “Droguinhas”, retalhos trançados de papel japonês, e “Ondas Paradas de Probabilidade”, rede de fios translúcidos juntos de uma citação da Bíblia.
Quanto mais abstrata a obra, mais presente parece estar a artista. “Há uma clara consciência da arte como corpo”, diz Pérez-Oramas. “É um encontro de corpos, uma forma de romper com a hierarquia, talvez uma metáfora para a voz impossível de Deus.”





Jean-Michel Folon (Uccle, Bélgica, 1 de março de 1934 – Mônaco, 20 de outubro de 2005) foi um artista belga, ilustrador,pintor e escultor.
Nasceu em Bruxelas, na Bélgica, em 1934, onde segue os seus estudos de arquitectura. Em 1955, instala-se nos arredores de Paris, num pavilhão de jardinagem e durante um período de cinco anos, desenha de manhã à noite. No ano 1985, vai viver para próximo do Mediterrâneo e desenvolve a sua actividade num grande atelier do porto do Mónaco, rodeado por inúmeros artistas. “Na luz e na paz que convém ao meu trabalho”, afirma. Em 1969, na Galeria Lefebre, em Nova Iorque, ocorre a sua primeira exposição de aguarelas. Em 1970, expõe em Tóquio, em Milão (na Galeria “Il Milione”) e participa na XXV Bienal de Veneza.
Mais tarde, em 1973, participou da XXV Bienal de São Paulo, onde lhe foi atribuído o Grande Prémio de Pintura.
Ao longo dos anos, o trabalho de Folon diversifica-se pela aquarela, ilustração de livros, serigrafia, gravura, mosaicos, vitrais, cenários e filmes, que confirmam a heterogeneidade da sua arte. Fez, também, a concepção de diversos anúncios, na sua grande maiorioria para causas humanitárias.
Em finais da década de 80, começa a esculpir, primeiro em madeira, depois em barro e em gesso, até enveredar pelos bronzes ou pelos mármores, no enatnto, não deixa de pintar. A sua obra já esteve exposta em museus como o Museu de Artes Decorativas em Paris, o Castello Sforzesco em Milão e o Museu de Arte Moderna em Bruxelas, o Boymans-van-Beuningen em Roterdão, o Instituto de Arte Contemporânea em Londres, o Museu Picasso d’Antibes, o Museu Correr em Veneza, o Museu de Belas Artes em Buenos Aires, o Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque, “La Pedrera” em Barcelona, o Museu Bunkamura em Tóquio, o Museu Olímpico em Lausanne, o Museu Morandi em Bolonha, a Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, entre outros que lhe dedicaram diversas exposições ao longo de várias décadas.
Quase ao virar do século, é criada a “FUNDAÇÃO FOLON”, no local onde passou a sua infância, perto de Bruxelas, onde é apresentado o essencial da sua obra, tendo sido inaugurada em Outubro de 2000.
Desde essa data, é possível descobrir neste local as obras que o Jean-Michel preservou “para as ver juntas, um dia, num mesmo lugar”. Faleceu em 2005 vítima de doença prolongada. Em resposta à última pergunta do “questionário de Proust” para a revista Express, “como você gostaria de morrer?”, Folon respondeu: “Voando”. Fonte Wikipedia


Artista, aos 95 anos, abre hoje mostra individual com pinturas e esculturas realizadas em 2008
Camila Molina – O Estado SP
Cada dia é um dia diverso – todos bem sabemos – e na exposição que Tomie Ohtake inaugura hoje na Galeria Nara Roesler cada uma de suas recentíssimas pinturas comprova essa verdade simples. “A vida tem muitos acontecimentos, alegres e tristes. A vida mesmo transforma a forma e a cada dia há uma cor diferente. Mas o sentimento vem do mesmo lugar”, afirma, à sua maneira essencial, a artista, que brinca ser a mostra uma espécie de “diário de Tomie Ohtake” já que as obras, realizadas em 2008, são diferentes entre si assim como simplesmente são os dias. É curioso ver a heterogeneidade do conjunto – desta vez, nenhuma das telas tem o simbólico grande círculo solitário que se fazia presente nas obras de sua última individual na galeria. Tomie Ohtake, que acaba de completar 95 anos, em novembro, recusa a idéia de manter uma forma como se fosse a de mais uma fase em sua trajetória. “São totalmente livres”, diz, sobre seus novos trabalhos. Se mais uma vez é possível fazer uma metáfora de referência à sua origem japonesa, novamente a mostra de Tomie vem como se fosse uma onda da gravura ukiyo-e de Hokusai para nos mostrar que sua obra não está estagnada, se renova e surpreende mais uma vez o espectador.
Suas novas telas estão repletas de elementos, algumas com menos, outras, com mais. As cores também são bem diversas – há azuis, vermelhos, tons terrosos, tantos outros -, mas há uma força que parece unir todos os trabalhos, a linha (branca) que se faz, como define o curador Agnaldo Farias, a grande protagonista das histórias do diário de Tomie. Porque ela até mesmo aparece na exposição em sua forma tridimensional, em esculturas feitas com aço tubular que convivem, pela primeira vez na trajetória da artista, com suas pinturas dentro de uma mesma exposição. As “esculturas lineares” parecem brotar do teto, saem das paredes, florescem do chão. E tudo convive no mesmo espaço naturalmente formando, afinal, um movimento contínuo entre todas as obras.
Tomie conta que como este é o ano de comemoração do centenário da imigração japonesa no Brasil, ela – uma das mais reverenciadas artistas no cenário brasileiro, que chegou ao País na década de 1930, aos 22 anos – foi convidada a realizar seis obras públicas (entre elas, em São Paulo, Santos e Guarulhos), além de tantos outros projetos. “A escala pública é diferente”, diz Tomie, que mesmo assim não parou de criar, com agilidade, pelos vários tentáculos dos gêneros artísticos (mas, de alguma maneira, o pensamento escultórico marcou presença nos dias da artista). Para ela, a escala não é problema, como define – ir do terreno do monumental para o mais íntimo faz parte de sua desenvoltura artística -, e, sendo assim, criou, nesses últimos tempos intensos, as obras públicas, as esculturas lineares menores e pinturas – que vemos agora – e ainda, conta, um grande conjunto de gravuras, que será exibido em outra ocasião.
Dentro desse campo de “elogio da linha”, como define Agnaldo Farias, as pinturas e esculturas não entram em confronto na atual exposição. “Na escultura, naturalmente, a forma é mais rígida, mas essa, para mim, é sempre só linha, é livre”, reforça mais uma vez Tomie, que não reconhece em seu gesto de criação nem mesmo o toque oriental a que poderíamos fatalmente reduzir sua obra por sua origem japonesa. A artista, nascida em Kyoto e que só tardiamente começou a se dedicar à arte, aos 39 anos, já caminhou por tantas vertentes – da figuração à abstração – mantendo sempre independência e liberdade. “A presença das duas modalidades expressivas freqüentadas por Tomie Ohtake reforça a propriedade de seus gestos e, indo além, até porque sua poética não se resume a um jogo com a linha, demonstra a amplitude de sua poética, o modo como ela opera a relação entre cor, plano e linha engendrando situações tão diversas”, afirma o curador em texto que acompanha a exposição.
“Eu só queria pintar”, diz a artista – e para ela, a linha, tão em questão, se tornou um válido elemento para “brincar” no campo do jogo entre o que está visível e o invisível, entre “o ter e não ter”: o traço faz ora e outra uma forma aparecer, se justapor, se diluir, sempre em movimento para os olhos (por isso, há até muitas transparências nas pinturas). A linha pode até parecer frágil, mas na verdade é ela que define formas “claras e concisas, limpas ou beirando o emaranhado, demonstrando a persistente plasticidade do espaço, sua infinita maleabilidade” dentro de um campo cromático sempre potente e especial. “A cor tem de fazer, ela não aparece”, afirma Tomie. O diário, por assim dizer, da artista não revela apenas que um dia é diferente do outro, mas que o sentimento motriz de sua criação se mantém o mesmo – e, por isso, o curador até afirma ser essa uma mostra que ganha “a força de um balanço” dos caminhos tomados por Tomie nas últimas décadas.
Serviço
Tomie Ohtake. Galeria Nara Roesler. Avenida Europa, 655, 3063-2344. 10 h/19 h (sáb. 11 h/15 h; fecha dom.). Grátis. Até 31/1. Abertura hoje, 20 h, para convidados
Ministérios do Turismo e da Cultura investem para melhorar estrutura e divulgação das instituições
Clarissa Thomé – O Estado de São Paulo
Sete museus de Estados que são candidatos a sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014 vão receber, neste ano, R$ 2 milhões dos Ministérios do Turismo e da Cultura para sua reestruturação. A idéia é transformar esses museus em atrações para turistas estrangeiros que virão ao País e ampliar a visitação nacional.
O programa de qualificação de museus para o turismo – que tem como mote “Museu – Descubra um na sua próxima viagem” – prevê o treinamento de profissionais de turismo e dos funcionários das instituições, melhoria nos espaços de exposição, aquisição de equipamentos e mobília, divulgação dos museus, panfletos e identificação trilíngüe de obras (português, espanhol e inglês) além de desenvolvimento de roteiros turísticos em que esses museus estejam inseridos.
Serão beneficiados os museus de Arte Sacra da Universidade Federal da Bahia (UFBA), na Bahia, a Casa das Artes do Divino, em Goiás, o Museu da Inconfidência, em Minas Gerais, o Museu Emílio Goeldi, no Pará, o Museu do Homem do Nordeste, em Pernambuco, o Museu Nacional de Belas Artes, no Estado do Rio, e o Museu Oceanográfico, no Rio Grande do Sul.
DIVERSIFICAÇÃO
“No mundo todo há uma potencialização do museu como atrativo turístico. Infelizmente, isso ainda não acontece no Brasil como gostaríamos. Esse programa é uma primeira iniciativa no sentido de aproximar os museus brasileiro do turismo, melhorar o receptivo desses museus, diversificar os roteiros turísticos. Sol e praia não podem ser as únicas atrações”, disse o ministro do Turismo, Luiz Barretto. Um dos objetivos do programa é ampliar o número de visitas aos museus.
O ministro interino da Cultura, Juca Ferreira, que toma posse na quinta-feira, em substituição a Gilberto Gil, lembrou que as instituições já estão recebendo investimentos para o reforço da segurança, antes mesmo do programa de qualificação. “A segurança dos museus não depende deste programa. Já estamos fazendo investimentos, até mesmo atraindo a iniciativa privada, com incentivos da Lei Rouanet. Temos como meta dotar rapidamente nossos museus de estrutura de segurança que nos permita superar a vulnerabilidade que a gente tem hoje”, disse. Ele citou como exemplo o Museu Nacional de Belas Artes, um dos contemplados pela parceria entre os ministérios, e que já recebeu equipamentos de segurança.
OS MUSEUS
Museu de Arte Sacra: Aberto em 1958, há no acervo esculturas de madeira e barro e coleção de marfim dos séculos 17 e 18, além de prataria, móveis e pinturas. Salvador (BA). Site: www.mas.ufba.br
Museu da Inconfidência: Criado em 1938, tem documentos relativos à Inconfidência Mineira, como o volume original com a sentença de Tiradentes. Ouro Preto (MG). Site: www.museudainconfidencia.iphan.gov.br
Museu Emilio Goeldi: Fundado em 1866, tem importante acervo etnográfico e arqueológico, além de coleções de estudos de botânica, zoologia e geologia. Belém (PA). Site: www.museu-goeldi.br
Museu do Homem do Nordeste: Criado em 1979, surgiu a partir das idéias de Gilberto Freyre, que defendia um Museu de Etnografia sertaneja. Reúne acervos oriundos dos museus de Antropologia, de Arte Popular e do Açúcar. Recife (PE). Site: www.fundaj.gov.br
Museu Nacional de Belas Artes: Criado em 1937, teve origem nas obras trazidas de Portugal por d. João VI, em 1808. São pinturas, gravuras, esculturas de Auguste Rodin, Pablo Picasso, Joan Miró e muitos outros. Rio de Janeiro (RJ). Site: www.mnba.gov.br
Museu Oceanográfico: Fundado em 1953, mantém exposição sobre o oceano, com maquetes e aquários. A coleção de moluscos tem 51 mil lotes. Rio Grande (RS). Site: www.museu.furg.br/museu_oceanografico.html
Casa das Artes do Divino: Não há informações sobre o museu no Sistema Brasileiro de Museus. Pirenópolis (GO)
Texto: Eugênio Martins Júnior / Fotos: Leandro Amaral e Reprodução

Escritora, jornalista, ativista política, apaixonada pelas artes e pela vida, Patrícia Galvão foi, sem dúvida, uma das personalidades mais importantes da história santista e —por que não dizer?— brasileira do século passado.
Após um período de esquecimento, sua vida e obra vêm sendo resgatadas pelas mãos de duas mulheres: a jornalista Márcia Costa e a professora Lúcia Maria Teixeira Furlani.
A dissertação de mestrado Jornalismo Cultural: A Produção de Patrícia Galvão no Jornal A Tribuna, da jornalista Márcia Costa, analisa a produção de Pagu entre 1954 e 1962, aprofundando-se na coluna Literatura, do suplemento A Tribuna, publicado sempre aos domingos, entre 1957 e 1961. Já a professora Lúcia, cujo interesse por Pagu em 20 anos de pesquisa rendeu duas obras e a criação do Centro de Estudos Pagu, na Unisanta, está prestes a lançar No Angu de Pagu – Uma Fotobiografia, pelas editoras Santa Cecília/Cosacnaify. A previsão de lançamento é para agosto.
São duas visões distintas com a sensibilidade que somente as mulheres poderiam imprimir ao pesquisar a vida agitada de Pagu. Porém, sem esquecer o rigor histórico que os temas exigem.
Em dois anos de pesquisa, a jornalista Márcia Costa compilou, em mais de 200 páginas, informações preciosas sobre a produção jornalística de Patrícia Galvão, como quando Pagu chegou a criar quatro colunas sobre cultura, entre elas a primeira do Brasil a falar sobre televisão. “A maior produção de Pagu foi mesmo como jornalista. Ela escreveu em jornais por mais de 30 anos e em todo o país sua palavra era respeitada nos meios culturais. Sua casa era freqüentada por Jorge Amado e Érico Veríssimo. Além deles, Sabato Magaldi, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles e Antunes Filho também faziam parte de seu círculo de amizade”, diz a autora da dissertação.
Outra faceta revelada no trabalho de Márcia Costa é a generosidade de Patrícia Galvão com os novos talentos. Na verdade, como lembra a autora, não era bem generosidade, “Pagu sabia reconhecer o talento dos novos escritores, foi a primeira a elogiar o trabalho de Clarice Lispector, e a bancar com seu prestigio o jovem Plínio Marcos”.

Além dessas informações, a dissertação mostra ainda que na época em que Pagu passou por A Tribuna (na foto, a jornalista é a segunda da direita para a esquerda), o jornal possuía um time de colunistas de peso, o que valoriza ainda mais seus textos como ativista cultural. Escreviam Otto Maria Carpeaux, Carlos Drummond de Andrade e Narciso de Andrade.
Para realizar seu trabalho, Márcia entrevistou 17 pessoas, entre elas o jornalista Geraldo Galvão Ferraz, filho de Pagu com o também jornalista Geraldo Ferraz; Augusto de Campos, Narciso de Andrade, Júlio Bittencourt, Gilberto Mendes, Willy Correia de Oliveira, Flavio Viegas Amoreira, Cid Marcos Vasquez e o brasilianista David K. Jackson, além de consultar o precioso acervo da professora Lúcia Maria Teixeira Furlani.
Guardiã do legado

Depositária da confiança da família de Pagu, Lúcia (na foto, Márcia à esquerda e Lúcia à direita) guarda com carinho e cuidado manuscritos produzidos há décadas pela ativista cultural modernista, além de fotos e documentos usados em No Angu de Pagu.
Em um primoroso trabalho de resgate, todas as imagens estão dispostas em ordem cronológica e são, uma a uma, seguidas por explicações rápidas, mas esclarecedoras. Estão ali, por exemplo, sua primeira foto com Oswald de Andrade, na Bahia; seu passaporte da época em que, perseguida por ser comunista, se viu obrigada ao auto-exílio; e até uma radiografia da face com um projétil alojado, fruto de uma tentativa de suicídio mal-sucedida.
“Nossa principal preocupação foi contextualizar todos os documentos, para melhor entendimento do leitor”, explica a autora que, na obra, reuniu mais de 253 imagens, muitas vindo à luz pela primeira vez. Segundo Lucia, cerca de 80% do que há nesse “angu” nunca foi publicado.
Há também o prefácio do sobrinho de Patrícia, o jornalista Clóvis Galvão, hoje em A Tribuna, e ainda um poema inédito de Rudá de Andrade, filho do primeiro casamento, com Oswald de Andrade. O poema se chama “Homenagem às loucuras de minha mãe”, e prova que o filho deixado aos cuidados do pai, Oswald, não guardou os mesmos ressentimentos que os detratores de Patrícia Galvão.
O trabalho da professora não se limita a guardar os documentos doados pela família de Pagu. No momento, o centro de pesquisas está empenhado em recuperar e digitalizar mais de 2.300 documentos recolhidos pela pesquisadora ao longo dos 20 anos de busca em todo o Brasil.
Ela afirma que ainda há muita coisa a ser dita sobre a obra de Pagu. Outro trabalho em andamento é o que está sendo realizado em conjunto com o norte-americano David K. Jackson, estudioso sobre a obra de Patrícia Galvão. “Dessa vez, será uma obra de peso, cinco volumes com muito material inédito”, avisa.

Exposição - A história mais uma vez se vinga e a cadeia que um dia aprisionou a comunista Patrícia Galvão e que agora foi transformada em um centro cultural que leva o seu nome, recebe, a partir do dia 24, a exposição Croquis de Pagu. A mostra reúne letras de poemas, músicas e 55 gravuras já publicadas em um livro homônimo de Lucia Maria Teixeira Furlani. Na abertura, dia 24, às 19h30, a professora fará a leitura dramática de um texto inédito de Patrícia Galvão.

Mostra no Tomie Ohtake destrincha relações diversas entre as duas culturas
Camila Molina – O Estado de São Paulo
‘Já foi o tempo que a cultura do Japão era diferente, hoje o Brasil é nipônico’, defende Paulo Herkenhoff, curador da exposição Laços do Olhar, que será inaugurada hoje para convidados e amanhã para o público no Instituto Tomie Ohtake. No ano em que se comemora o centenário da imigração japonesa no Brasil, não faltam exposições que exploram a relação entre os dois países, mas Laços do Olhar tem o fôlego de adentrar em campos ricos e variados do entrelaçamento das duas culturas. ‘Existe uma tendência na historiografia de depositar os laços entre o Japão e o Brasil apenas nos pintores japoneses. Acredito que gerações mais novas queiram trocar essa idéia’, diz Herkenhoff, que propõe com essa ampla exposição provar que as duas culturas se entrelaçam em produções artísticas de diversos gêneros, épocas (do século 19 à contemporaneidade) e os criadores de maneira muito mais profunda do que se imagina.
O japonismo do século 19, ‘resposta da Europa à abertura do Japão’, como contextualiza Herkenhoff, teve também na época seu reflexo no Brasil (mesmo antes de aqui aportarem os primeiros imigrantes a bordo do navio Kasato Maru, em 1908). O pintor Eliseu Visconti (1866-1944), por exemplo, realizou em 1893 (antes de viver em Paris) a tela Menina com Ventarola: Estudo de Nu, em que a figura feminina segura o objeto japonês. Mas não apenas isso. Visconti mesmo foi um colecionador de gravuras japonesas – há várias de sua ampla coleção na mostra – e estudou, como poucos, certos elementos da milenar cultura para transpor para suas obras – como os desenhos de movimentos de mãos das mulheres japonesas e de motivos florais (dialogando com obras de Massao Okinaka) e lanternas vermelhas.
Indo ainda adiante, há um momento importante na exposição, dedicado à questão da identidade. Na primeira sala do instituto o curador reúne um conjunto de telas de Anita Malfatti, artista do primeiro modernismo brasileiro. Seus quadros O Japonês (1915/16) e O Homem Amarelo (da mesma época) remetem à idéia ambígua do ocidental pintando, de amarelo, o homem oriental. Ao mesmo tempo, depois dessas obras, estão telas realizadas a partir dos anos 1920 por artistas japoneses que no Brasil aportaram. Neles se fazem presentes duas questões importantes: a presença do auto-retrato como busca de deixar registrado um nome e um rosto (destaque para o de Takaoka) e das paisagens, o que remete à idéia de reconhecimento do novo país em que os imigrantes vivem.
Mas o curador optou por não estabelecer ‘uma narrativa’ cronológica das relações artísticas entre os dois países e sim explorar núcleos em que ora os entrelaçamentos são mais nítidos, ora mais sutis – o que também permite certos encontros sob uma visão mais poética, como no segmento que representa a relação geográfica e cósmica entre os dois países (enquanto é dia no Japão, é noite no Brasil), com obras de Oscar Oiwa, Rego Monteiro e Naiah Mendonça,
De certa maneira, então, a obra O Helicóptero (1969), de Duke Lee (grande homenageado da mostra), raramente vista, transforma-se em ícone de Laços do Olhar: a instalação é formada por um painel contínuo em espiral em que estão colocadas imagens num ‘pot-pourri internacional’. ‘É como um vórtice, um movimento imaginário em que as coisas são levadas, transformadas, se encontram e se distanciam’, diz Herkenhoff.
Sincretismos e correspondências vão, enfim, acontecendo por meios diversos: na poesia (há os célebres haicais de Haroldo de Campos ilustrados por Tomie Ohtake e obras do poeta curitibano Paulo Leminski); na fotografia, na arquitetura, na cerâmica (belas peças do sumiê e esculturas de Kimi Nii), pintura, etc. Na mostra estão, por exemplo, fantasias de carnaval e desenhos do desfile da escola Porto da Pedra, que neste ano teve como enredo a imigração japonesa; desenhos animados japoneses; o erotismo por meio das gravuras Shunga e as fotografias contemporâneas de Nobuyoshi Araki; a referência à tatuagem (irezumis) nas obras de Adriana Varejão e Wakabayashi; o diálogo dos bichos de Lygia Clark com os origamis.. . Há até a Hello Kitty, simbolizando o pop e talvez o processo de despolitização pós-Guerra – a única obra política da mostra, segundo o curador, é o arquivo com a documentação da ação polêmica que Yuri Firmeza realizou em 2006 no Museu de Arte Contemporânea do Ceará, quando criou a figura de um artista japonês fictício, Souzousareta Geijutsuka.
Serviço
Laços do Olhar. Instituto Tomie Ohtake. Av. Faria Lima, 201 (entrada pela Rua Coropés), Pinheiros, 2245-1900. 3.ª a dom., 11 h às 20 h. Grátis. Até 10/8. Abertura hoje, 20 h,para convidados
Il est rare qu’une exposition soit interdite aux moins de dix-huit ans. Est-ce le contrecoup anglais de l’affaire du CAPC, est-ce un retour de flamme du puritanisme victorien, toujours est-il que celle-ci (Seduced, art & sex from antiquity to now) au Barbican à Londres jusqu’au 27 Janvier est bel et bien réservée aux visiteurs majeurs et consentants.
Le début est prometteur : cette feuille de vigne géante, commandée par la reine Victoria en 1857 pour masquer le sexe du David de Michel-Ange sur une copie qui lui fut offerte par le Grand-Duc de Toscane. Tout ici va parler de masque autant que de sexe, de répression autant que d’exhibition. Peu après, les antiquités romaines et grecques ne sont montrées que dans des cabinets secrets, des enfers (en attendant d’aller voir celui-ci, interdit au moins de 16 ans seulement) : deux sont évoqués ici, celui de Naples et le Secretum du British Museum. Les satyres y pourchassent les nymphes, Vénus pendule et un pénis ailé tintinabule.
Il est rare qu’une exposition soit interdite aux moins de dix-huit ans. Est-ce le contrecoup anglais de l’affaire du CAPC, est-ce un retour de flamme du puritanisme victorien, toujours est-il que celle-ci (Seduced, art & sex from antiquity to now) au Barbican à Londres jusqu’au 27 Janvier est bel et bien réservée aux visiteurs majeurs et consentants.
Le début est prometteur : cette feuille de vigne géante, commandée par la reine Victoria en 1857 pour masquer le sexe du David de Michel-Ange sur une copie qui lui fut offerte par le Grand-Duc de Toscane. Tout ici va parler de masque autant que de sexe, de répression autant que d’exhibition. Peu après, les antiquités romaines et grecques ne sont montrées que dans des cabinets secrets, des enfers (en attendant d’aller voir celui-ci, interdit au moins de 16 ans seulement) : deux sont évoqués ici, celui de Naples et le Secretum du British Museum. Les satyres y pourchassent les nymphes, Vénus pendule et un pénis ailé tintinabule.
Voici (c’est un peu sombre, cliquez sur les photos) le dos d’un miroir romain en bronze, du 1er siècle de notre ère : deux amants sur un lit, dans une posture légèrement acrobatique de pénétration. Il est imberbe, elle a une lourde coiffure “à la Livie”, elle l’embrasse, une guirlande de fleurs enserre son corps; au sol, vases et coupes. Au mur, à côté d’une lampe suspendue, un tableautin dépeint une autre scène érotique; celle-ci est d’ordinaire dissimulée derrière des volets, qui, ici, ont été ouverts. C’est un écho plutôt qu’une mise en abyme : le lit est similaire, la posture différente. Le relief de cette vignette est moins marqué, comme estompé, les formes y sont moins pleines. N’oublions pas que de l’autre côté est un miroir : tout ici est rappel, évocation, représentation, stimulation. Un fil érotique court depuis l’homme ou la femme qui tient le miroir et en fait un accessoire de ses jeux amoureux, aux amants du revers et à ceux de la vignette.

Alors que les nombreuses scènes asiatiques, indiennes, chinoises ou japonaises, montrent des postures impossibles et des organes démesurés, mais des visages toujours impassibles, c’est au contraire l’expression des visages qui, dans l’art occidental, des Filles de Lot de Simon Vouet à la fellation (Scène érotique, la douleur) du jeune Picasso (en passant même, qui l’eut cru, par Turner!), détourne de la performance sexuelle pour traduire l’émotion, le désir ou le contentement. Voici face à face deux baisers (les baisers seuls, sans montrer le reste de l’action), l’un hétérosexuel et japonais (de Kitagawa Utamaro, 1803), l’autre sapphique et viennois (Egon Schiele, 1915).

Léda se pâme quand le cygne l’entreprend (ici attribué à Boucher, 1740), ses mains tremblent en relevant sa chemise, ses yeux chavirent, ses lèvres sont humides, pendant que la japonaise de Hokusai (1824), possédée par un poulpe géant jusque dans sa bouche, semble résignée et passive. Mais quelle superbe estampe, où la montagne forme un écrin aux amants monstrueux.
L’exposition Seduced au Barbican (jusqu’au 27 Janvier) présente aussi des oeuvres contemporaines, et en particulier vidéos et photos.
La photographie décuple l’image érotique, son nombre comme son pouvoir. A côté de toutes les photos coquines de la belle époque, la manie “catalogueuse” du fameux Docteur Kinsey est digne d’intérêt : chaque posture, chaque combinaison sont classifiées à l’intérieur de 44 catégories, visant à représenter de manière exhaustive, 18 siècles après le Kama Sutra, toutes les possibilités érotiques. Voici, par exemple C ♀ Supine VV ♂ Prone; vous remarquerez que
ni la voiture, ni la mine satisfaite de l’homme regardant l’objectif ne sont catalogués. Thomas Ruff aussi utilise une classification, plus hermétique : ses photos proviennent de sites pornos sur Internet; en les agrandissant, il les rend plus floues, il recompose les pixels et crée ainsi un voile, une frustration (nudes br16, 2004). Ni Kinsey, ni Ruff n’ont pris ces photos eux-mêmes; ils les ont choisies, nommées, montrées, et en ont fait un élément de leur discours, scientifique ou artistique.
Il ya bien sûr Araki, et Jeff Koons, qui déclare que sa série Made in Heaven, où il se représente faisant l’amour avec la Cicciolina, est basée sur son expérience devant cette fresque de Masaccio. Il y a tous les “usual suspects”, tous ceux qu’on s’attend à trouver là : Masson, Bellmer et Francis Bacon, Marlene Dumas et Nan Goldin, Mapplethorpe et Louise Bourgeois; Tracey Emin aussi, étonnamment sobre (”Is Anal Sex Legal ? Is Legal Sex Anal ?”).
Voici des photogrammes de deux vidéos qui se répondent, et qui diffèrent, un homme et une femme, jouissant de la même manière. Le film de Warhol, Blowjob, de 1963, est silencieux; il ne montre que le visage de ce jeune homme. Les images en noir et blanc, filmées à 24/seconde, défilent plus lentement à 16/seconde; c’est lent, le film dure 41 minutes, la forte tension des premières minutes se dissipe, on s’ennuie un peu. L’orgasme est banal, le jeune homme allume nonchalamment une cigarette,
rien de plus ordinaire que le sexe. L’artiste anglaise k r buxey se met en scène elle-même dans Requiem, un film en couleur de 39 minutes réalisé en 2002. Plutôt qu’à l’acte, le titre se réfère à la musique, le Requiem de Fauré, qui accompagne son orgasme. C’est une riposte féministe à Warhol, une affirmation différente du plaisir, la réponse de Sainte Thérèse ou Sainte Catherine à Saint Sébastien. A la fin, l’artiste remercie son amant, invisible, à genoux devant elle : aux antipodes de la pornographie.
Enfin, la présence en filigrane ou presque de Marcel Duchamp apparaît ici et là. Le catalogue lui consacre plusieurs pages, Richard Hamilton reproduit le Grand Verre avec les notes de Duchamp, on se prend parfois à rêver à “Etant donnés”. Quatre des dessins érotiques que Duchamp fit à la veille de sa mort sont exposés ici, ainsi que deux de ses objets érotiques : “Coin de chasteté /Wedge” et Dart Object (1951/1962 : dard, objet d’art).
Pour prolonger l’exposition, vous pouvez aussi aller sur Facebook ou MySpace, ou voir comment de jeunes artistes ont été inspirés par l’exposition. Lisez aussi ici la chronique d’une visiteuse très sensible à l’ambiance de l’exposition lors de sa visite.
Photos provenant du catalogue. Ruff, Warhol et Duchamp copyright ADAGP : les photos de leurs oeuvres seront retirées du blog à la fin de l’exposition. Suivez alors les liens ci-dessus pour retrouver les images.
Trinta e dois artistas brasileiros de primeiro time expõem em Nova York, incluídos na programação da 17ª Feira Anual de Gravadores e da 2ª Semana Cultural Latino-Americana. A exposição começa no dia 22, segunda-feira que vem, e vai até o dia 29. Local: Pratt Institute, 200 Willoughby Avenue. O organizador da mostra é Eduardo Besen, da galeria paulistana Gravura Brasileira.

La muestra ‘Alberto Durero: Grabados de la Colección del Städel Museum’ podrá ser visitada desde mañana hasta el 9 de septiembre.
El Museo Guggenheim ha otorgado al maestro alemán y europeo del grabado durante el Renacimiento, y uno de los principales artistas germanos de la antigüedad, Alberto Durero, el protagonismo de la exposición central del periodo estival de la pinacoteca bilbaína de arte moderno y contemporáneo. La muestra, titulada Alberto Durero: Grabados de la Colección del Städel Museum, exhibe al público, por primera vez desde 1971, una cuidada selección de 165 de las más importantes estampas hechas en talla de madera y cobre que realizó el grabador alemán a lo largo de toda su producción artística, que alberga el citado museo de la ciudad alemana de Frankfurt am Main. La exposición permanecerá abierta desde mañana martes hasta el 9 de septiembre, fecha en la que viajará a Frankfurt para ser exhibida hasta diciembre de 2007. Lea más…
