10/08/2008 - 10:51h Virar à esquerda para crescer

*JOSEPH E. STIGLITZ - O Globo

A imagem “http://www.themorningsidepost.com/images/2007/09/27/stiglitz.jpg” contém erros e não pode ser exibida.Tanto a esquerda como a direita dizem defender o crescimento econômico. Então, para os eleitores, trata-se apenas de escolher entre equipes gerenciais alternativas? Quem dera fosse tão fácil. Parte do problema se refere ao papel da sorte. A economia americana, nos anos 90, foi abençoada por baixos preços da energia, alta taxa de inovação e uma China a oferecer cada vez mais produtos de boa qualidade a preços decrescentes, tudo combinando para resultar em inflação baixa e rápido crescimento.

O presidente Clinton e o então presidente do Fed (banco central), Alan Greenspan, merecem pouco crédito por isso — embora, a bem da verdade, tenham evitado políticas que pusessem tudo a perder. Em contraste, os problemas que enfrentamos hoje — altos preços de energia e alimentos e um sistema financeiro a desmoronar — foram, em grande parte, causados por políticas erradas.

Há grandes diferenças entre estratégias de crescimento, o que torna altamente prováveis resultados também diferentes. A primeira se refere à forma em que o crescimento é concebido.

Ele não é apenas a ampliação do Produto Interno Bruto. Precisa ser sustentável: crescimento com degradação ambiental, com consumo baseado em endividamento ou exploração de recursos naturais escassos, sem reinvestimento dos rendimentos, não é sustentável.

O crescimento deve ser inclusivo; pelo menos a maioria dos cidadãos deve ser beneficiada. Truques econômicos não funcionam: um aumento do PIB pode até piorar a situação da maioria dos cidadãos. O crescimento recente dos EUA não foi nem economicamente sustentável nem inclusivo. A maioria dos americanos está pior hoje do que há sete anos.

Mas não há um compromisso entre desigualdade e crescimento.

Os governos podem estimular o crescimento via aumento da inclusão.

O maior recurso de um país é seu povo.

É essencial assegurar que todos possam desenvolver seu potencial, o que requer oportunidades educacionais para todos.

Uma economia moderna requer também assumir riscos.

As pessoas ficam mais propensas a assumir riscos se houver uma boa rede de proteção. Se não houver, elas podem pedir proteção contra a competição estrangeira. Proteção social é mais eficiente que protecionismo.

Fracasso na promoção da solidariedade social pode ter outros custos, entre os quais os necessários para proteger a propriedade privada e manter encarcerados os criminosos.

Estima-se que, dentro de poucos anos, os EUA terão mais gente trabalhando em segurança do que em educação.

Um ano na prisão pode custar mais do que um ano em Harvard. O custo de manter encarcerados 2 milhões de americanos — uma das maiores taxas do mundo — deve ser subtraído do PIB, ao invés de adicionado.

Uma segunda grande diferença entre esquerda e direita diz respeito ao papel do Estado no desenvolvimento.

A esquerda entende ser vital que o Estado proveja infra-estrutura e educação, desenvolva tecnologia e até mesmo atue como empreendedor.

O governo assentou as bases da internet e da moderna revolução da biotecnologia. No século XIX, a pesquisa em universidades que recebiam apoio governamental possibilitou a revolução na agricultura.

O governo levou os avanços a milhões de fazendeiros americanos. Empréstimos para pequenos negócios foram cruciais na criação de novos negócios e também de novas indústrias.

A diferença final pode parecer estranha: a esquerda agora entende o mercado e o papel que ele pode e deve ter na economia. A direita, especialmente nos EUA, não. A nova direita, tipificada pela administração Bush-Cheney, é realmente o velho corporativismo em disfarce novo. Ela acredita num Estado forte, com poderes executivos robustos, usados em defesa de interesses estabelecidos e com pouca atenção aos princípios do mercado. A lista de exemplos é longa e inclui subsídios para grandes fazendeiros, tarifas para proteger a indústria siderúrgica e, mais recentemente, megaoperações de salvamento de Bear Sterns, Fannie Mae e Freddie Mac. Mas a inconsistência entre retórica e realidade vem de longe: o protecionismo cresceu nos anos Reagan, inclusive com a imposição da chamada restrição voluntária das exportações de carros japoneses.

Em contraste, a nova esquerda está tentando fazer o mercado funcionar.

Mercados livres não funcionam adequadamente por si mesmos — uma conclusão corroborada pela atual debacle financeira. Defensores do mercado algumas vezes admitem que eles falham, até desastrosamente, mas alegam que têm a propriedade de se autocorrigirem. Durante a Grande Depressão, argumentos similares foram ouvidos: o governo não tem de fazer coisa alguma porque o mercado restabeleceria o pleno emprego a longo prazo. Mas, como John Maynard Keynes disse, a longo prazo todos estaremos mortos.

O mercado não é autocorretivo num período de tempo relevante. Nenhum governo pode ficar sentado assistindo a um país cair na recessão ou na depressão, mesmo quando causadas por excesso de gula de banqueiros ou por avaliação equivocada do risco pelo mercado financeiro ou por agências de classificação. Mas, se são os governos que vão pagar a conta da economia no hospital, devem fazer de tudo para tornar menos provável a internação.

O mantra da direita sobre desregulamentação dos mercados estava errado, e agora pagamos o preço.

Que, em termos de perda de produção, será alto — talvez mais de US$ 1,5 trilhão apenas nos EUA.

A direita costuma alegar seu parentesco com Adam Smith, mas enquanto Smith reconhecia o poder do mercado, reconhecia também suas limitações.

Mesmo em sua época, empresários descobriram que podiam elevar mais facilmente os lucros conspirando para aumentar preços do que produzindo de forma mais eficiente mercadorias inovativas. Poderosas leis antitruste são necessárias.

É fácil dar uma festa. Por uns momentos, todo mundo pode sentir-se bem. Já promover o crescimento sustentável é muito mais difícil. Hoje, em contraste com a direita, a esquerda tem uma agenda coerente — que não oferece só mais crescimento, mas também justiça social. Para os eleitores, deveria ser uma fácil escolha.

*JOSEPH E. STIGLITZ é economista e foi Prêmio Nobel de Economia em 2001

20/07/2008 - 11:47h “O Brasil está no lado “ganhador” e esta havendo uma boa administração no geral”

“Estou certo de que já estamos em recessão”

Para economista americano, crise nos EUA pode se agravar. Mas Brasil está no lado ganhador das ‘commodities’

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ENTREVISTA Paul Krugman

Às vésperas de vir ao Brasil — onde dará palestras, no Rio e em São Paulo, quarta e quinta-feira — Paul Krugman vê a economia brasileira como “uma das partes vigorosas do mundo”. Em entrevista por telefone, Krugman não se mostra otimista com os EUA que, na sua opinião, já estão em recessão. Tampouco mostra ânimo com as eleições americanas — aprova o democrata Barack Obama, mas o considera moderado demais. Autor de diversos livros (o mais recente, “The Conscience of a Liberal”, ainda não lançado em português), professor de Princeton e colunista do “New York Times”, Krugman acredita que o mundo vive o terceiro choque do petróleo e alerta que não há muito o que fazer para conter a inflação global

Luciana Rodrigues - O GLOBO

O GLOBO: A crise financeira americana pode se agravar?

PAUL KRUGMAN
: Sim, pode piorar. Mas, agora, estou menos assustado do que estava no início deste ano. Tivemos uma crise que levou a um colapso completo da confiança no sistema. Agora, apesar de algumas falências (de bancos) e da crise na Fannie Mae e na Freddie Mac (grandes companhias hipotecárias dos EUA), os problemas estão ocorrendo numa parte da economia em que há mecanismos muito bem estabelecidos para lidar com isso. Pode haver uma corrida a bancos, mas os depósitos estão assegurados. As duas grandes financiadoras imobiliárias, Fannie e Freddie, são parcialmente patrocinadas pelo governo. Então, é ruim que a crise continue atingindo as instituições. Mas, de certa maneira, o quadro agora é mais controlável. Porém, a economia real continuará sofrendo, e estou certo de que já estamos numa recessão.

Uma recessão nos EUA afetará o mundo da mesma forma do que no passado?

KRUGMAN
: O contágio será menos intenso. Os EUA não são mais o motor da economia mundial. Podemos ter uma recessão nos EUA sem termos uma recessão no resto do mundo. Mas é preciso levar em conta que a economia européia está tendo sérios problemas também. Há uma crise similar na Europa, com bolha imobiliária. Uma crise que afeta as duas principais economias do mundo é um grande choque. Apesar disso, eu ficaria surpreso se houvesse uma recessão global.

Os grandes emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China, chamados de Brics, assumiram novo papel na economia global?

KRUGMAN
: A categoria Brics é estúpida. São todos grandes, todos são economias em desenvolvimento. Além disso, não têm mais nada em comum. Índia e China podem em algum sentido serem agrupadas. Rússia é um grande exportador de petróleo. O Brasil é grande exportador de commodities e de manufaturados. A questão principal é que o centro de gravidade do mundo migrou dos EUA e da Europa. Ambos continuam sendo grandes economias, continuam sendo os principais jogadores em campo, mas grande parte da economia mundial não está mais nos centros industriais tradicionais. A maior parte do crescimento econômico está vindo dos países emergentes.

O senhor vem ao Brasil na próxima semana. Quais são suas impressões sobre a economia brasileira?

KRUGMAN
: No próximo fim de semana (ontem e hoje), farei meu dever de casa pesquisando mais sobre o Brasil. Mas, claramente, é uma das partes vigorosas do mundo, tem ido melhor do que o resto (do mundo). Não tem tido um desempenho espetacular, mas está com um crescimento razoável. O Brasil está no lado “ganhador” da alta das commodities . E também está havendo uma boa administração no geral (na política econômica brasileira).

O governo do presidente George W. Bush pode ser responsabilizado pela crise financeira nos EUA?

KRUGMAN
: Provavelmente, teríamos uma bolha imobiliária de qualquer maneira, com ou sem o governo Bush. Mas eles (o governo Bush) sistematicamente flexibilizaram as regulamentações e mecanismos de precaução que deveriam limitar os bancos a tomarem riscos excessivos, no exato momento em que mais precisávamos dessa regulamentação. Então, o governo Bush não causou a crise, mas a tornou consideravelmente pior.

E a postura de Alan Greenspan à frente do Federal Reserve (Fed, banco central americano)?

KRUGMAN
: Greenspan pode levar grande parte da responsabilidade. Recentemente, o Fed editou novas regras para a concessão de crédito pelos bancos, para restringir financiamentos irresponsáveis. Isso poderia ter sido feito há cinco anos. E Greenspan foi avisado sobre os riscos dos empréstimos subprime (para clientes com histórico ruim), mas não fez nada. Argumentou que o mercado saberia tomar conta de si mesmo. E ainda deu garantias de que as coisas iriam bem. Disse publicamente que os preços de imóveis nunca caem, que as pessoas deveriam pegar empréstimos e fazer hipotecas. Greenspan é mais vilão do que o governo Bush.

Outra grande preocupação é o avanço da inflação mundial. O que explica a alta de preços?

KRUGMAN
: Bom, em primeiro lugar, temos o preço do petróleo, que tem subido basicamente por uma combinação de crescimento dos países emergentes com piores condições geológicas. Está mais difícil prospectar petróleo. E a China e outras economias emergentes estão consumindo muito mais petróleo. Então, temos uma combinação de demanda em expansão e oferta estagnada. No que diz respeito à alta dos alimentos, há várias razões simultâneas. A primeira é que a alta do petróleo tem muito efeito nos alimentos. Principalmente nos países em desenvolvimento, a agroindústria usa muita energia e também há o efeito dos fertilizantes (cujos preços são influenciados pelo petróleo). E há o aumento da demanda de países emergentes, principalmente da China, onde as pessoas estão ganhando mais dinheiro e, por isso, comendo mais carne. E em terceiro lugar, há questões ambientais. Tivemos eventos climáticos sem precedentes, como a seca na Austrália, que muito provavelmente já é efeito da mudança climática.
Estamos começando a ver os primeiros efeitos econômicos do aquecimento global. E, por último, há os biocombustíveis, que, na Europa e nos EUA, definitivamente, estão desviando recursos antes destinados aos alimentos.

O senhor conhece o programa brasileiro de etanol?

KRUGMAN
: Para os preços de alimentos, o etanol brasileiro é inocente. Não há um desvio na produção de alimentos nem de longe parecido com o etanol americano. E a cana-de-açúcar é uma fonte muito mais eficiente para etanol do que o milho (usado nos EUA). Então, em termos econômicos, o programa brasileiro tem muito mais sentido.
Mas as informações que recebi de especialistas em meio ambiente é que o problema com o etanol brasileiro é que ele é mais danoso em termos de emissão de gases poluentes do que parece à primeira vista. Mas eu não endosso essa afirmação, porque não fiz pesquisas independentes a respeito desse assunto.

No que diz respeito à alta do petróleo, podemos dizer que estamos no meio de um terceiro choque do petróleo?

KRUGMAN
: De certa forma sim. Não temos o mesmo impacto (dos choques anteriores).
Mas as cotações do petróleo, em termos reais, atingiram novos patamares.

Nos países pobres, alimentos caros são sinônimo de fome. A fome se tornou um efeito colateral da globalização?

KRUGMAN
: Não se pode atribuir isso à globalização. Eu sou um crítico da globalização por muitos motivos. Mas, nesse caso, havia muito mais famintos entre os anos 50 e 70 (do século passado) do que há hoje. A situação hoje está melhor em termos de segurança alimentar. Mas havia uma crença de que sempre teríamos abundância na oferta mundial de alimentos, e agora vivemos uma escassez para a qual não estávamos preparados.

O que pode ser feito para conter a inflação mundial?

KRUGMAN
: Na verdade, não há muito a ser feito. Poderíamos pensar numa política de juros mais altos para conter a demanda. Mas não está claro porque deveríamos fazer isso, se tudo que temos até agora é um choque de alimentos e de energia. A longo prazo, mais energia alternativa e mais conservação poderiam reduzir a demanda mundial por petróleo. Mas, por agora, acho que teremos que absorver esse choque.

Os americanos elegem um novo presidente este ano. Barack Obama (candidato democrata) ou John McCain (republicano) podem se sair melhor na economia do que George W. Bush?

KRUGMAN
: Bom, é difícil ser pior (do que Bush). McCain não está oferecendo qualquer mudança. E Obama está oferecendo mudanças sustentáveis, numa direção que eu aprovo, mas minhas críticas são que suas propostas não vão longe o suficiente. E, historicamente, na economia, os governos democratas sempre têm melhor desempenho. Então, temos todas as razões para acreditar que Obama oferece uma perspectiva melhor.

Historicamente, os democratas são mais protecionistas em comércio que os republicanos. Há esse risco com Obama?

KRUGMAN
: É pouco provável. É preciso fazer uma distinção entre o que os partidos falam e o que eles fazem. Se pensarmos em quais foram os governos mais protecionistas nos últimos 40 anos, foram Reagan (Ronald Reagan, de 1981 a 1989) e Bush (filho). Eles falavam sobre livre comércio, mas não o praticavam.
Enquanto isso, os democratas constantemente falam em proteger os EUA da economia mundial, mas não agem de forma protecionista. E uma das razões para isso é que os democratas, e especialmente a equipe de Obama, levam muito a sério as regras internacionais, respeitam as organizações e os tratados internacionais. Então, se tivermos um governo Obama, não voltaremos atrás em acordos comerciais já fechados. Mas, provavelmente, não haverá avanços em novos acordos. E isso é verdade para qualquer governo. Então, é muito difícil pensarmos em acordos na Organização Mundial do Comércio (OMC) ou na Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Não acredito que um governo Obama gastaria capital político com isso

09/05/2008 - 15:53h O pior da crise passou para quem?

VINICIUS TORRES FREIRE

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Lobby mundial de bancos quer ajuda do governo americano e Congresso dos EUA aprova um “ProCasa” e PIB desliza no zero


ALAN GREENSPAN teria dito ontem que o pior da crise de crédito americana já passou, segundo a agência Reuters. Não se sabe bem por qual motivo, Greenspan queria manter sua palestra em segredo. Jornalistas que quisessem comparecer ao evento não deveriam noticiá-lo. Greenspan teria contado ainda outro segredo pé-de-chinelo, ou de polichinelo: que é muito improvável que o preço dos imóveis pare de cair nos EUA neste ano -a queda do valor das casas foi um dos detonadores da crise financeira.
Ainda ontem, o diretor-gerente da associação mundial de bancos e similares (o Institute of International Finance), Charles Dallara, dizia que é “prematuro” afirmar que o pior da crise de crédito passou, pois o mercado de imóveis nos EUA continua a piorar -os preços ainda caem. Hum. Se os preços caem, mais gente desiste de pagar a prestação da casa (a dívida fica maior que o valor do bem). Se menos gente paga, mais prejuízo para bancos e cia.
Os deputados americanos aprovaram ontem um “ProCasa”, pacote de US$ 300 bilhões para ajudar pessoas que devem perder suas casas, para auxiliar quem queira comprar uma e para dar algum tutu a cidades falidas pela crise. US$ 300 bilhões equivalem a mais de um quarto do PIB brasileiro. Se o pacote passar no Senado, George Bush diz que veta.
Dallara, aquele da associação mundial de bancos, defende que o governo americano intervenha de modo a impedir que mais americanos percam suas casas devido à falta de pagamento da prestação. Defende, pois, algo assim parecido com o pacote aprovado pelos deputados americanos, o que Bush quer vetar.
“Na minha opinião, até que [a crise imobiliária] se estabilize, seja por meio das próprias forças de mercado ou por meio de alguma intervenção do governo americano -e isto parece uma possibilidade-, não acho que possamos estar confiantes de que o pior já passou”, disse Dallara. O lobby da banca mundial defende, pois, a intervenção do governo americano num mercado falido.
Sim, apesar das coisas feias que as crises provocam, o mundo fica um lugar politicamente divertido quando há sururu econômico. As frases sobre o “o pior da crise já passou” têm mesmo muito de diversão -de motivo para escárnio e de manobra diversionista. O “pior da crise já passou” ou passaram o pior da crise para alguém?
Os EUA pararam de criar empregos. A economia, que dizem idioticamente estar “crescendo mais que o esperado”, cresceu menos de 0,3% no último semestre. Ou seja, “passaram” a crise adiante, para quem ficou sem casa e sem emprego. O presidente do Merrill Lynch, John Thain, por exemplo, dava ontem mais um exemplo do que significa esse coro da “crise já passou”.
Disse que bancos de investimento (como o dele) não anunciariam mais perdas brutais como as dos últimos nove meses. Mas os bancos que lidam com consumidores comuns vão sofrer, pois as pessoas vão deixar de pagar o cartão de crédito e coisas assim: “Acho que a combinação de preços de casas em queda, preços de comida e energia em alta e desemprego maior vai resultar numa retração do consumidor americano, o que vai atrapalhar a economia pelos próximos seis, doze meses”. Hum.

vinit@uol.com.br

24/03/2008 - 22:28h Taming the Beast

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By PAUL KRUGMAN - The New York Times

We’re now in the midst of an epic financial crisis, which ought to be at the center of the election debate. But it isn’t.

Now, I don’t expect presidential campaigns to have all the answers to our current crisis — even financial experts are scrambling to keep up with events. But I do think we’re entitled to more answers, and in particular a clearer commitment to financial reform, than we’re getting so far.

In truth, I don’t expect much from John McCain, who has both admitted not knowing much about economics and denied having ever said that. Anyway, lately he’s been busy demonstrating that he doesn’t know much about the Middle East, either.

Yet the McCain campaign’s silence on the financial crisis has disappointed even my low expectations.

And when Mr. McCain’s economic advisers do speak up about the economy’s problems, they don’t inspire confidence. For example, last week one McCain economic adviser — Kevin Hassett, the co-author of “Dow 36,000” — insisted that everything would have been fine if state and local governments hadn’t tried to limit urban sprawl. Honest.

On the Democratic side, it’s somewhat disappointing that Barack Obama, whose campaign has understandably made a point of contrasting his early opposition to the Iraq war with Hillary Clinton’s initial support, has tried to score a twofer by suggesting that the war, in addition to all its other costs, is responsible for our economic troubles.

The war is indeed a grotesque waste of resources, which will place huge long-run burdens on the American public. But it’s just wrong to blame the war for our current economic mess: in the short run, wartime spending actually stimulates the economy. Remember, the lowest unemployment rate America has experienced over the last half-century came at the height of the Vietnam War.

Hillary Clinton has not, as far as I can tell, made any comparably problematic economic claims. But she, like Mr. Obama, has been disappointingly quiet about the key issue: the need to reform our out-of-control financial system.

Let me explain.

America came out of the Great Depression with a pretty effective financial safety net, based on a fundamental quid pro quo: the government stood ready to rescue banks if they got in trouble, but only on the condition that those banks accept regulation of the risks they were allowed to take.

Over time, however, many of the roles traditionally filled by regulated banks were taken over by unregulated institutions — the “shadow banking system,” which relied on complex financial arrangements to bypass those safety regulations.

Now, the shadow banking system is facing the 21st-century equivalent of the wave of bank runs that swept America in the early 1930s. And the government is rushing in to help, with hundreds of billions from the Federal Reserve, and hundreds of billions more from government-sponsored institutions like Fannie Mae, Freddie Mac and the Federal Home Loan Banks.

Given the risks to the economy if the financial system melts down, this rescue mission is justified. But you don’t have to be an economic radical, or even a vocal reformer like Representative Barney Frank, the chairman of the House Financial Services Committee, to see that what’s happening now is the quid without the quo.

Last week Robert Rubin, the former Treasury secretary, declared that Mr. Frank is right about the need for expanded regulation. Mr. Rubin put it clearly: If Wall Street companies can count on being rescued like banks, then they need to be regulated like banks.

But will that logic prevail politically?

Not if Mr. McCain makes it to the White House. His chief economic adviser is former Senator Phil Gramm, a fervent advocate of financial deregulation. In fact, I’d argue that aside from Alan Greenspan, nobody did as much as Mr. Gramm to make this crisis possible.

Both Democrats, by contrast, are running more or less populist campaigns. But at least so far, neither Democrat has made a clear commitment to financial reform.

Is that simply an omission? Or is it an ominous omen? Recent history offers reason to worry.

In retrospect, it’s clear that the Clinton administration went along too easily with moves to deregulate the financial industry. And it’s hard to avoid the suspicion that big contributions from Wall Street helped grease the rails.

Last year, there was no question at all about the way Wall Street’s financial contributions to the new Democratic majority in Congress helped preserve, at least for now, the tax loophole that lets hedge fund managers pay a lower tax rate than their secretaries.

Now, the securities and investment industry is pouring money into both Mr. Obama’s and Mrs. Clinton’s coffers. And these donors surely believe that they’re buying something in return.

Let’s hope they’re wrong.

23/03/2008 - 08:34h ‘Contágio é uma questão de grau’

jose_julio_senna.jpgENTREVISTA: JOSÉ JÚLIO SENNA; Ex-diretor do Banco Central, autor de Os Parceiros do Rei, sobre o desenvolvimento econômico brasileiro. A crise americana mostrou sua cara feia nos últimos dias. Ela ainda não aterroriza o Brasil, mas o bicho pode pegar num mundo de economias interligadas

Laura Greenhalgh - O Estado de São Paulo

Não faz muito tempo, falar em desmoronamento do mundo financeiro era conversa para apocalípticos. Mentes integradas preferiam reagir com reserva às oscilações do mercado de capitais, mantendo distância da idéia de que já estaria instalada uma recessão americana. Isso até os gráficos resolverem despencar ladeira abaixo, num movimento orquestrado e assustador, no início da semana passada. Viu-se o quinto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, o Bear Stearns, ser comprado “na bacia das almas”, como se diz no Brasil, pelo JP Morgan, numa operação de socorro que envolveu o Fed, banco central americano. Contabilizaram-se perdas acumuladas da ordem de US$ 2 trilhões no mercado americano de hipotecas imobiliárias - o que rende a incômoda sensação de como patrimônios podem ser torrados em poucas primaveras. Fora isso, as commodities perderam preço e as bolsas, indomáveis, não deram sossego aos investidores.

Quem não falou, pensou: o mundo está derretendo? Do ponto de vista ambiental, certamente. Do ponto de vista econômico, há um diagnóstico mais complexo a fazer. Não há dúvida de que a crise de crédito americana ficou mais explícita nos últimos dias e não deve ser passageira. E o Brasil com isso?, perguntamo-nos. José Júlio Senna, engenheiro de formação, PhD em economia pela Johns Hopkins University, ex-diretor do Banco Central em 1985, não oferece respostas prontas, mas distribui dados e evidências que fazem pensar: “Num mundo de economias interligadas, o contágio da crise vem. Torna-se apenas uma questão de grau”. Portanto, mesmo que a sensação de derretimento do mundo volte a nos perturbar na próxima semana, a entrevista de Senna ao caderno Aliás nos informa sobre crises anteriores nos EUA, as características da crise atual, os limites de atuação dos bancos centrais e a maneira como os países deverão atravessar um tempo que o próprio Ben Bernanke, presidente do Fed, chamou, anos atrás, de “a era da grande moderação”. OK, mas sujeita a fortes emoções, pelo que estamos presenciando.

Os eventos que sacudiram as bolsas dão voz a intelectuais como Emanuel Wallerstein, que imaginaram o fim da hegemonia americana, a partir do fracasso econômico.

É prematuro tirar conclusões nessa linha. Nem estou seguro de que a economia americana seja, de fato, tão hegemônica. Ela representa 20% do PIB mundial. Certamente é a economia de maior peso, mas daí concluir que é hegemônica, vai uma distância. Com o desenvolvimento humano alcançando outras esquinas do planeta, outras economias se desenvolveram, e está aí a expansão da China, da Índia, de outros países asiáticos. O que se pode afirmar é que as economias, movendo-se em ciclos, às vezes crescem rapidamente, às vezes de modo mais lento, há retrações, expansões, etc. Hoje vemos um movimento descendente da economia americana, abrindo uma crise que deve contagiar outras partes.

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17/03/2008 - 16:04h O impensável esta virando o inevitável

The B Word

By PAUL KRUGMAN - The New York Times

Published: March 17, 2008

criseusa.jpgO.K., here it comes: The unthinkable is about to become the inevitable.

Last week, Robert Rubin, the former Treasury secretary, and John Lipsky, a top official at the International Monetary Fund, both suggested that public funds might be needed to rescue the U.S. financial system. Mr. Lipsky insisted that he wasn’t talking about a bailout. But he was.

It’s true that Henry Paulson, the current Treasury secretary, still says that any proposal to use taxpayers’ money to help resolve the crisis is a “non-starter.” But that’s about as credible as all of his previous pronouncements on the financial situation.

So here’s the question we really should be asking: When the feds do bail out the financial system, what will they do to ensure that they aren’t also bailing out the people who got us into this mess?

Let’s talk about why a bailout is inevitable.

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27/01/2008 - 10:56h Crise USA: FMI dormiu ao volante,diz Nobel de Economia



Joseph Stiglitz, economista

Como o sr. vê a atuação dos organismos financeiros multilaterais na atual crise financeira?

Houve uma discussão nos últimos anos sobre os desequilíbrios do mundo, mas o FMI não fez nada em relação a isso. O fundamento dos desequilíbrios mundiais era o excesso de gastos dos americanos, de US$ 800 bilhões (o déficit em conta corrente). Os americanos tentaram culpar a China e outros países, mas o problema fundamental era seu próprio excesso de consumo. Se o FMI tivesse feito o seu trabalho, teria visto a linha de conexão entre esses problemas e percebido também que uma das suas principais funções é a estabilidade dos mercados. Estabilidade dos mercados financeiros significa não exportar hipotecas tóxicas, como fizeram os Estados Unidos. O FMI dormiu ao volante. Eles nem ao menos tiveram uma grande discussão sobre regulação para garantir que não houvesse negociações com essas hipotecas tóxicas.

O sr. tem alguma explicação para essa falha?

Não foi uma surpresa para mim, levando em consideração que esses são problemas com origem nos EUA, o único país que tem poder de veto no FMI. Os EUA não ficarão muito felizes com o FMI dizendo que fizeram uma lambança. Agora, uma coisa é os EUA fazerem uma lambança e machucarem a si mesmos. Na globalização, muitas outras pessoas fora do país sofrem. Então, isso deveria ser um assunto do FMI. Mas eles não podem fazer o trabalho enquanto continuar esse sistema falho que dá aos EUA o poder de veto.

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22/12/2007 - 10:30h Cegamente dentro da bolha


Paul Krugman

The New York Times - O Estado de São Paulo

Ao anunciar a rendição do Japão, em 1945, o imperador Hirohito explicou sua decisão da seguinte forma: “A situação da guerra se desenvolveu não necessariamente em favor do Japão.”

Definitivamente, houve um toque de Hirohito na explicação que Ben Bernanke, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), deu esta semana para a decisão “porta arrombada, tranca de ferro” de reforçar modestamente a regulamentação da indústria de hipotecas: “Em alguns casos, a disciplina do mercado foi quebrada, e, às vezes, os incentivos para seguir procedimentos para empréstimos prudentes foram corroídos.”

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26/10/2007 - 10:54h A Catastrophe Foretold

“Increased subprime lending has been associated with higher levels of delinquency, foreclosure and, in some cases, abusive lending practices.” So declared Edward M. Gramlich, a Federal Reserve official.


Paul Krugman.


These days a lot of people are saying things like that about subprime loans — mortgages issued to buyers who don’t meet the normal financial criteria for a home loan. But here’s the thing: Mr. Gramlich said those words in May 2004.

And it wasn’t his first warning. In his last book, Mr. Gramlich, who recently died of cancer, revealed that he tried to get Alan Greenspan to increase oversight of subprime lending as early as 2000, but got nowhere.

So why was nothing done to avert the subprime fiasco?

Before I try to answer that question, there are a few things you should know.

First, the situation for both borrowers and investors looks increasingly dire.

A new report from Congress’s Joint Economic Committee predicts that there will be two million foreclosures on subprime mortgages by the end of next year. That’s two million American families facing the humiliation and financial pain of losing their homes.

At the same time, investors who bought assets backed by subprime loans are continuing to suffer severe losses. Everything suggests that there will be many more stories like that of Merrill Lynch, which has just announced an $8.4 billion write-down because of bad loans — $3 billion more than it had announced just a few weeks earlier.

Second, much if not most of the subprime lending that is now going so catastrophically bad took place after it was clear to many of us that there was a serious housing bubble, and after people like Mr. Gramlich had issued public warnings about the subprime situation. As late as 2003, subprime loans accounted for only 8.5 percent of the value of mortgages issued in this country. In 2005 and 2006, the peak years of the housing bubble, subprime was 20 percent of the total — and the delinquency rates on recent subprime loans are much higher than those on older loans.

So, once again, why was nothing done to head off this disaster? The answer is ideology.

In a paper presented just before his death, Mr. Gramlich wrote that “the subprime market was the Wild West. Over half the mortgage loans were made by independent lenders without any federal supervision.” What he didn’t mention was that this was the way the laissez-faire ideologues ruling Washington — a group that very much included Mr. Greenspan — wanted it. They were and are men who believe that government is always the problem, never the solution, that regulation is always a bad thing.

Unfortunately, assertions that unregulated financial markets would take care of themselves have proved as wrong as claims that deregulation would reduce electricity prices.

As Barney Frank, the chairman of the House Financial Services Committee, put it in a recent op-ed article in The Boston Globe, the surge of subprime lending was a sort of “natural experiment” testing the theories of those who favor radical deregulation of financial markets. And the lessons, as Mr. Frank said, are clear: “To the extent that the system did work, it is because of prudential regulation and oversight. Where it was absent, the result was tragedy.”

In fact, both borrowers and investors got scammed.

I’ve written before about the way investors in securities backed by subprime loans were assured that they were buying AAA assets, only to suddenly find that what they really owned were junk bonds. This shock has produced a crisis of confidence in financial markets, which poses a serious threat to the economy.

But the greater tragedy is the one facing borrowers who were offered what they were told were good deals, only to find themselves in a debt trap.

In his final paper, Mr. Gramlich stressed the extent to which unregulated lending is prone to the “abusive lending practices” he mentioned in his 2004 warning. The fact is that many borrowers are ill-equipped to make judgments about “exotic” loans, like subprime loans that offer a low initial “teaser” rate that suddenly jumps after two years, and that include prepayment penalties preventing the borrowers from undoing their mistakes.

Yet such loans were primarily offered to those least able to evaluate them. “Why are the most risky loan products sold to the least sophisticated borrowers?” Mr. Gramlich asked. “The question answers itself — the least sophisticated borrowers are probably duped into taking these products.” And “the predictable result was carnage.”

Mr. Frank is now trying to push through legislation that extends moderate regulation to the subprime market. Despite the scale of the disaster, he’s facing an uphill fight: money still talks in Washington, and the mortgage industry is a huge source of campaign finance. But maybe the subprime catastrophe will be enough to remind us why financial regulation was introduced in the first place.

19/09/2007 - 16:46h A queda nos juros americanos

Coluna Econômica - Luis Nassif

A redução dos juros americanos em meio ponto pelo FED – para 4,75% - é a comprovação cabal que, desta vez, a crise veio para valer.

Até o início do governo Bush, a administração de Alan Greenspan à frente do FED (o Banco Central americano) sempre privilegiou o mercado financeiro. Essa mesma postura era adotada pelo FMI.
Quando alguma bolha ameaçava explodir, Greenspan reduzia os juros. A redução dos juros provoca, automaticamente, a valorização dos ativos. E esses movimentos ajudavam a criar um colchão para reduzir o impacto da queda dos preços dos ativos provocado pelo furo da “bolha”.

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Externamente, cada vez que um país entrava em crise, o FMI aportava empréstimos que permitiam aos especuladores sair sem perdas maiores. Foi assim com o acordo fechado com o Brasil, em fins de 1998.
Essas duas facilidades aumentaram extraordinariamente a imprudência dos fundos “hedge”(fundos que visam ativos de alto risco). Valiam-se das altas taxas proporcionadas por países em crise, ou por ativos mal avaliados. Depois, na hora de pagar a conta, o FMI e o FED vinham em seu socorro.

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O primeiro a pular fora foi o FMI, depois de uma forte declaração do primeiro Secretário do Tesouro do governo Bush, de que o país não iria mais amparar especuladores.

Mas a era Greenspan prosseguiu por mais algum tempo, amenizando o estouro da grande bolha da Nasdaq (as ações de tecnologia), mas preparando o terreno para novas bolhas que só agora começaram a explodir.
O sucessor de Greenspan, Ben Bernanke, de sólida formação acadêmica, assumiu com o discurso de que tinha acabado a era do apoio indiscriminado aos mercados. O FED só reduziria os juros quando crises financeiras pudessem abalar a economia real.

Os últimos indicadores apontaram para um desaquecimento da economia americana em ritmo mais pesado do que as previsões iniciais, logo após a crise do “subprime”.

Hoje, o Departamento do Trabalho anunciou que o PPI (índice de preços por atacado) registrou deflação de 1,4% em agosto. Na semana passada, foi anunciado o fechamento de 4 mil postos de trabalho – o menor índice desde 2003. Finalmente, as vendas no varejo, segundo o Departamento de Comércio, teriam caído 0,4%, se se descontasse a venda de automóveis. Os primeiros balanços pós-crise indicaram uma queda acentuada nos resultados das companhias abertas.

Tudo isso pesou para que Bernanke aceitasse reduzir os juros, e em nível mais forte do que o mercado vinha prevendo.

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Há um conjunto de conseqüências:

1. Confirma-se que a crise é mais séria do que as previsões iniciais. Esse gesto, se de um lado alivia o mercado de capitais, de outro deverá manter o mercado de crédito travado por mais algum tempo.

2. Antes do sinal do FED, os bancos de investimento tinham voltado a recomendar o Brasil para seus investidores, devido às altas taxas de juros locais e às contas externas em ordem. Com a redução dos juros, esse fluxo deverá aumentar, a não ser que o Banco Central volte a acelerar a queda da taxa Selic.

3. Com a redução dos juros, haverá tendência de desvalorização ainda maior do dólar, chamando a atenção para os fundos soberanos (reservas de países emergentes aplicadas em mercados desenvolvidos)

18/09/2007 - 14:56h O triste lamento de Alan

Paul Krugman *

O Estado de São Paulo

(ver também aqui no Blog Greenspan acusa a Bush en sus memorias de invadir Irak para controlar el petróleo)

Quando o presidente George W. Bush iniciou o primeiro mandato, parecia improvável que ele conseguisse impor seus planejados cortes de impostos. A natureza questionável de sua chegada à Casa Branca parecia tê-lo deixado numa posição política fraca, enquanto o Senado se equilibrava entre os dois partidos. Era difícil imaginar como um enorme e controvertido corte de impostos, que beneficiaria principalmente a elite rica, poderia ser aprovado no Congresso.

Então, Alan Greenspan, na época presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), testemunhou perante a Comissão de Orçamento do Senado.

Até então, Greenspan se apresentara como a voz da responsabilidade fiscal, alertando o governo Clinton para que não arriscasse seus superávits orçamentários conquistados a duras penas. Mas agora os republicanos controlavam a Casa Branca e o Greenspan que comparecia à Comissão de Orçamento era um homem bem diferente.

De repente, sua maior preocupação - a ‘política fiscal fundamental necessária’, disse ele ao Congresso - era evitar a ameaça de que o governo federal realmente pagasse todas as suas dívidas. A fim de evitar esse desfecho terrível, ele defendeu cortes de impostos. E as comportas foram abertas.

Hoje sabemos que os temores de Greenspan de que o governo federal liquidasse rapidamente as dívidas eram exagerados. E Greenspan acaba de publicar um livro no qual critica o governo Bush por sua irresponsabilidade fiscal.

Lamento, mas esse ataque chega com atraso de seis anos e US$ 1 trilhão. Greenspan agora diz que sua intenção não era dar luz verde aos cortes de impostos de Bush e que ficou surpreso com a reação política a seus comentários. Na verdade, circulavam rumores - que Greenspan hoje confirma - de que o presidente do Fed estava insatisfeito com a resposta a sua declaração inicial.

Mas o fato é que, se Greenspan não pretendia dar apoio decisivo aos cortes de impostos de Bush, teve oportunidades de sobra para desfazer o mal-entendido e mudar o rumo dos acontecimentos. Sua primeira grande chance de ser mais claro surgiu algumas semanas após aquele primeiro testemunho, quando ele se apresentou à Comissão de Assuntos Bancários, Habitacionais e Urbanos do Senado.

Eis o que escrevi depois daquela aparição: ‘O desempenho de Greenspan ontem, em seu primeiro testemunho oficial depois de ter feito o estrago, foi uma aula de covardia. Em vários momentos teve a oportunidade de dizer algo que ajudasse a deter os cortes de impostos descontrolados; em cada ocasião driblou a pergunta, muitas vezes respondendo com trechos de seu testemunho anterior. Ele declarou mais uma vez que só exprimia posições particulares, garantindo assim liberdade para se pronunciar em assuntos bem distantes de seu papel como presidente do Fed. No entanto, pressionado a responder se os cortes de impostos que agora pareciam inevitáveis eram grandes demais, ele disse que não era adequado comentar propostas específicas.

Em resumo, Greenspan definiu as regras do jogo a fim de poder intervir como quiser no debate político, escondendo-se atrás de seu cargo sempre que alguém tenta responsabilizá-lo pelos resultados dessas intervenções.’

Depois de publicar esse artigo, recebi um telefonema indignado de Greenspan, exigindo saber o que dissera de errado. Em seu livro, ele alega que Robert Rubin, ex-secretário do Tesouro, ficou chocado com essa pergunta. É difícil acreditar, pois eu certamente não fiquei: o argumento de Greenspan a favor dos cortes de impostos era distorcido e contraditório - para não mencionar que ele se baseava em projeções orçamentárias excessivamente otimistas.

Se alguém tinha dúvidas da determinação de Greenspan de não incomodar a Casa Branca de Bush, elas desapareceram dois anos depois, quando o governo propôs outra rodada de cortes de impostos, embora o orçamento já sofresse um profundo déficit. E adivinhem: o antigo sacerdote da responsabilidade fiscal não fez objeção.

E em 2004 ele apoiou a idéia de tornar permanentes os cortes de impostos de Bush - lembrem-se, esses são os cortes que ele agora diz não ter endossado - e argumentou que o orçamento deveria ser equilibrado com cortes de gastos em benefícios sociais, incluindo a previdência. Em 2001, é claro, ele garantiu ao Congresso especificamente que o corte de impostos não ameaçaria a previdência.

Em retrospectiva, o colapso moral de Greenspan em 2001 foi um presságio. Mostrou como muita gente na comunidade da política externa suspenderia suas faculdades críticas e apoiaria a invasão do Iraque, apesar das provas abundantes de que era realmente uma má idéia.

E como os defensores da invasão que começam a se apresentar como críticos da guerra agora que a aventura no Iraque deu errado, Greenspan começa a se retratar como um crítico da irresponsabilidade fiscal do governo agora que o presidente Bush se tornou profundamente impopular e os democratas controlam o Congresso.

*Paul Krugman escreve para The New York Times

17/09/2007 - 21:55h Greenspan acusa a Bush en sus memorias de invadir Irak para controlar el petróleo

Alan Greenspan, George Bush y Ben Bernanke- AP

El ex presidente de la Reserva Federal califica de irresponsable la política fiscal del Gobierno

SANDRO POZZI - Nueva York para El País

Alan Greenspan no puede ser más oportuno. El ex presidente de la Reserva Federal -el Banco Central de EE UU- publica hoy sus memorias The age of turbulence: adventures in a New World (La era de las turbulencias: aventuras en un nuevo mundo), en las que acusa al presidente de EE UU, George W. Bush, de invadir Irak para controlar el petróleo. Y como ya hiciera cuando estaba al frente de la Fed, no duda en criticar también a la Casa Blanca y al Partido Republicano por llevar a cabo una política fiscal irresponsable, que causó un aumento alarmante del gasto público.

El libro de Greenspan sale a la venta un día antes de que se celebre una reunión decisiva en la Reserva Federal, donde su sucesor, Ben Bernanke, intentará lidiar con una crisis hipotecaria que amenaza con lastrar la economía a la recesión. El ex presidente de la Fed -cargo considerado como el más influyente tras el de presidente- tiene 81 años. Fue designado por Ronald Reagan en 1987. Estuvo más de 18 años en su puesto y siempre calibró sus palabras.

A los pocos meses de ponerse al frente de la Fed le tocó lidiar con la gran crisis financiera mundial de finales de los ochenta. Más tarde, los ataques del 11-S, el estallido de la burbuja de las empresas de Internet y escándalos como el de Enron pusieron a prueba su liderazgo. En la biografía utiliza su propia voz para dar detalles de su relación con Richard Nixon, Ronald Reagan, Bill Clinton y los Bush, padre e hijo.

Greenspan, que dejó su cargo en febrero de 2006, se define como un “republicano libertario”. Pero el hecho de que sea conservador no le impide opinar sobre la política de Bush. Se atreve a poner el dedo donde más le duele al inquilino de la Casa Blanca: la guerra de Irak. El gurú es escueto aunque directo en su conclusión sobre la invasión del país árabe: “La guerra de Irak es sobre todo por el petróleo”, remacha.

De Bush dice que es un presidente que pone la ideología por delante de sus promesas electorales, y lamenta la incapacidad de la Casa Blanca para aplicar las mejores políticas económicas. Es más, dice que los anteriores secretarios del Tesoro, Paul O’Neill y John Snow, carecían de poder frente al Gabinete presidencial. No oculta su perplejidad por el cambio que sufrieron dos de sus viejos amigos: el vicepresidente, Dick Cheney, y el ex secretario de Defensa Donald Rumsfeld, con los que trabajó en el equipo de Gerald Ford.

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17/09/2007 - 15:15h Banks remain under fire in London

By Michael Hunter and Robert Orr

Financial Times

The FTSE 100 fell sharply on Monday as the fall-out from the rescue of Northern Rock continued to hit the markets.

Other lenders also suffered from the growing crisis of confidence, fuelled by comments from Alan Greenspan, former chairman of the Federal Reserve, that US house prices were likely to fall “significantly”.

Mr Greenspan’s thoughts, made in an interview with the Financial Times, raised the prospect of further contagion from bad debt within the US housing sector spreading around the globe via complex investment instruments based on American mortgage debt.

In London, Northern Rock lost a further 40 per cent of its value as savers scrambled to withdraw deposits from the bank, with an estimated £2bn withdrawn in just three days.

The Newcastle-based lender’s shares fell by a similar amount on Friday following the shock news that it needed to be bailed out by the Bank of England due to a drying up of liquidity in the capital markets.

Alistair Darling, chancellor of the exchequer, said he stood by the Bank of England’s decision to bail out Northern Rock. In an interview on BBC Radio Four’s Today programme he said the troubled lender could draw from the central bank ”as needed”.

Despite the continuation of talks over a rescue takeover, Northern Rock slumped 40 per cent to a new low of 267p. The shares were worth more than £12 only a few months ago.

With the rest of the banking sector also down sharply, the FTSE 100 fell 101.4 points, or 1.6 per cent, to 6,189.5.

Alliance & Leicester slumped 18.3 per cent to 713p, Bradford & Bingley fell 11.8 per cent to 291p and HBOS, the UK’s biggest mortgage lender, dropped 4.2 per cent to 821½p.

The prospect of more stringent mortgage lending also hampered the house building sector. Barratt Developments fell 7.2 per cent to 769½p, Persimmon lost 5.9 per cent to 956p and Taylor Wimpey was 2.8 per cent weaker at 304.3p.

Pub operator Mitchells & Butler fell 4.7 per cent to 590p after it said hedging costs ahead of an abortive attempt to create a property holding joint venture, mothballed due to the turbulence on world credit markets, would appear as a £140m special item on its annual accounts.

Of the risers, Sage, the information technology company, gained 2.7 per cent to 249¾p after a push from Deutsche Bank.