SÃO PAULO – As vendas de automóveis e comerciais leves em setembro até o dia 29, no último mês com desconto cheio do IPI de carros, cresceram 18,4 por cento ante igual intervalo de agosto, afirmou uma fonte do mercado nesta quarta-feira.
No acumulado do mês até a terça-feira, as vendas totalizaram 271.145 unidades, disse a fonte à Reuters. Na comparação com setembro de 2008, exceto o último dia daquele mês, o número representa avanço de 13,8 por cento.
O volume indica uma média diária de vendas de 13.557 veículos, que se for mantida nesta quarta-feira fará setembro ultrapassar julho como segundo maior mês em vendas da história do setor no país, quando o total das vendas ficou em 273.581 veículos e comerciais leves.
O recorde ocorreu em junho, com 289.780 unidades vendidas, quando consumidores anteciparam as compras de automóveis diante da expectativa de que a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) terminasse no fim daquele mês.
O governo acabou por prorrogar pela segunda vez o desconto do IPI sobre automóveis em junho, em uma medida que foi adotada inicialmente em dezembro para ajudar o setor combalido pela crise econômica global.
“A alta (das vendas em setembro) era esperada justamente pelo mesmo fenômeno de junho, quando ficou aquela dúvida nos consumidores se o governo iria ou não prorrogar a medida de incentivo do IPI”, afirmou analista de setor automotivo Mariana Oliveira, da Tendências Consultoria.
“Para os próximos três meses, estamos esperando um recuo das vendas para um patamar próximo de julho e agosto, em torno de uma média mensal de 260 mil unidades”, acrescentou a analista, considerando o movimento de setembro como “atípico”.
De janeiro a setembro, com base nos números até o dia 29 deste mês, as vendas de automóveis e comerciais leves somam cerca de 2,18 milhões de unidades, um crescimento ao redor de 4 por cento sobre igual período de 2008.
A Fenabrave, entidade que reúne as concessionárias, divulgará na quinta-feira as vendas de automóveis no país em setembro.
No próximo dia 7 é a vez da Anfavea, que representa as montadoras e também revelará os números referentes à produção.
PRODUÇÃO EM BAIXA
Apesar da alta nas vendas, a produção em setembro pode ter arrefecido devido às greves e paralisações neste mês que envolveram milhares de trabalhadores em fábricas de empresas como Volkswagen, General Motors, Renault e Ford durante negociações salariais.
Só na unidade da Volkswagen no Paraná, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, 14 mil veículos deixaram de ser produzidos em 17 dias de greve por reajuste salarial.
“A greve não foi tão extensa e nem tão intensa quanto se esperava, mas acho que deve ter afetado a produção na comparação com agosto”, afirmou professor de Economia Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios.
Os dados de setembro até o dia 29 apontam a Fiat na liderança, com vendas de 64.382 automóveis e comerciais leves no mês, informou a fonte. Em seguida aparece a Volkswagen, com 60.014 unidades.
Empresas do ABC procuram sindicato e se comprometem a atender às reivindicações; produção é retomada
Marcelo Rehder e Evandro Fadel – O Estado SP
No primeiro dia de greve por tempo indeterminado dos metalúrgicos da região do ABC paulista, 30 empresas, que empregam quase 21% dos grevistas, procuraram ontem o sindicato e se comprometeram, por escrito, a atender às reivindicações da categoria. Nessas fábricas, os metalúrgicos decidiram voltara ao trabalho. Nas demais empresas da região, a greve continua.
As empresas que aderiram à proposta do sindicato empregam 12,5 mil metalúrgicos. Os sindicalistas dizem que mais de 60 mil trabalhadores iniciaram o movimento. Entre as empresas que não aderiram ao acordo e seguem com a produção paralisada estão as fabricantes de autopeças Mahle Metal Leve e Sachs, ambas em São Bernardo do Campo, Detroit (Diadema) e Faparmas (Ribeirão Pires).
A categoria reivindica reajuste de 6,53%, dos quais 2% de aumento real , mais abono equivalente a um terço do salário médio, o que, segundo o sindicato, equivale a mais 2% de aumento real. Os índices são os mesmos obtidos pelo sindicato na negociação com o Sindicato Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotivos (Sinfavea), na semana passada, e aprovados pelos trabalhadores da Ford, Scania, Mercedes-Benz, Volkswagen e Toyota.
A estratégia de comprometer as empresas foi definida em assembleia, quinta-feira, como forma de levar as fábricas a pressionar as bancadas patronais a fecharem um acordo coletivo com a categoria. O sindicato não divulgou quantas empresas foram paralisadas ontem.
Já os metalúrgicos da General Motors (GM) de São José dos Campos e de São Caetano do Sul decidiram ontem entrar em greve por tempo indeterminado. A fábrica da GM em São Caetano do Sul emprega 10,5 mil trabalhadores e a de São José dos Campos, outros 8,5 mil. Em São Caetano, segundo o sindicato, que é ligado à Força Sindical, são produzidos os modelos Astra, Vectra e a família Cosa, a uma média diária de 852 veículos. Os trabalhadores querem 10% de reajuste salarial mais R$ 2 mil de abono.
Já os metalúrgicos de São José dos Campos, cujo sindicato é ligado à Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), pedem 14,65% de reajuste. A GM produz na região os modelos Corsa, Zafira, Blazer, picapes S10 e Montana, além de veículos desmontados para exportação (CKDs). A cada dia de paralisação deixam de ser produzidos cerca de mil veículos.
Em audiência de conciliação entre a GM e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) propôs ontem que a empresa conceda 8,3% de reajuste salarial mais abono de R$ 1.950. A GM se comprometeu a dar uma resposta ao sindicato até amanhã. Na segunda-feira, os trabalhadores realizarão nova assembleia para votar a proposta.
A Volkswagen-Audi pediu ontem que o TRT faça o julgamento da greve que paralisa a fábrica de São José dos Pinhais (PR) desde o dia 3. O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba terá cinco dias para expor os argumentos favoráveis às reivindicações da categoria. Depois, a Volkswagen tem o mesmo prazo para colocar seu ponto de vista. Posteriormente, o TRT marcará a data de julgamento e emite a sentença.
Mas Kassab disse que não negocia e que vai punir grevistas
DANIEL GONZALES, Jornal da Tarde
daniel.gonzales@grupoestado.com.br
Em greve desde terça-feira, os guardas-civis metropolitanos da capital obtiveram ontem decisão favorável na Justiça. Em julgamento sobre a legalidade da paralisação, o Tribunal de Justiça determinou que o movimento pode continuar. Porém, determinou que metade do efetivo volte às ruas hoje.
Até ontem, 30% dos guardas mantinham as operações básicas da GCM, como a segurança do patrimônio público. O Sindguarda, sindicato dos GCMs, afirma ter 100% da corporação na greve e se comprometeu ontem a cumprir a determinação.
A Secretaria Municipal de Segurança Urbana minimizou a decisão. Segundo a assessoria de imprensa da pasta, “não houve julgamento e o juiz apenas proferiu uma sentença que obriga metade da Guarda a trabalhar”.
Desde o início do movimento grevista, há duas semanas, quando encaminhou à Câmara projeto de lei para conceder bonificação a policiais militares, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) não dialogou com os guardas. A proposta foi aprovada anteontem pelos vereadores por unanimidade. “Não existe diálogo, enquanto houver greve”, afirmou o prefeito ontem, após participar de evento no Palácio dos Bandeirantes.
Os agentes pedem melhores condições de trabalho, plano de carreira, reajuste de 17% no salário-base e aumento de 140% em gratificações. E dizem que não suspendem a greve enquanto não houver negociação.
“A manifestação da GCM é um equívoco. São demandas inadequadas para o momento”, disse o prefeito, que deixou claro também que os grevistas serão punidos. “Os funcionários da GCM têm obrigação de cumprir suas responsabilidades. Vamos exigir que cumpram e aplicar as sanções previstas em lei.”
Ao contrário, os agentes prometem engrossar o coro dos grevistas e fazer um panelaço na frente da Prefeitura hoje, a partir das 7 horas. “Faremos um panelaço e levaremos filhos, esposas, parentes e amigos, que apoiam o movimento”, prometeu Eudes Wesley Melo, secretário do Sindguarda. Na terça-feira, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) promove audiência de conciliação.
As atividades da GCM no fim de semana, com a greve, ficarão comprometidas, mas nenhuma secretaria montou esquema especial para suprir a falta de patrulhamento. As Secretarias do Verde e da Educação informaram que a vigilância particular vai suprir a segurança em parques e CEUs.
A GCM (Guarda Civil Metropolitana) da capital é a que paga o quarto pior salário base inicial dentre as 29 cidades da Grande SP que têm corporação que atua na área da segurança pública. A região metropolitana tem, ao todo, 38 cidades.
Segundo levantamento feito pelo Agora nas prefeituras, os R$ 534 pagos por mês de salário base aos guardas-civis da terceira classe da capital superam apenas os de Ribeirão Pires, no ABC, que pagam R$ 505, de Pirapora do Bom Jesus (R$ 500) e de São Caetano do Sul, que tem salário base de R$ 216, embora nenhum guarda da cidade receba –somando os benefícios– menos que R$ 1.250.
Os salários de algumas guardas da Grande SP servem de argumento para a paralisação da GCM da capital, que continua hoje. A corporação está em greve por melhores salários desde terça-feira.
Em Mauá, cidade do ABC com pouco mais de 400 mil habitantes, o salário base inicial dos guardas-civis é de R$ 1.632,09 –mais que o triplo do pago na capital. Com os benefícios, os policiais de Mauá chegam a receber R$ 2.500 –cerca de R$ 1.200 a mais que o salário bruto dos guardas da terceira classe paulistanos.
A Secretaria da Segurança informou que só o secretário Edsom Ortega pode comentar a questão dos salários. Ontem, ele estava em Brasília.
Greve
A Justiça de São Paulo recomendou ontem ao Sindguardas (sindicato dos guardas-civis de SP) que mantenha um efetivo de 50% em atividade durante a paralisação. A 12ª Vara da Fazenda Pública, não atendeu a uma solicitação da prefeitura para que 80% dos GCMs trabalhassem durante a greve. A prefeitura pediu ainda a cassação da greve –o que foi negado.
Gestão nega que motivo seja a greve, que continua hoje
DO “AGORA” – FOLHA SP
Sem admitir que a decisão tenha sido motivada pela greve iniciada à 0h de terça, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), mexeu na cúpula da Guarda Civil Metropolitana.
Foram 12 mudanças de cargo. Entre elas está a ida do inspetor Rubens Trapiá, tido como disciplinador, da chefia da zona sul para a Inspetoria do Centro, responsável pela fiscalização do comércio na região da rua 25 de Março. Outra mudança é a substituição de Hamilton Ananias por Dalmo Luiz Coelho Álamo no cargo de superintendente da GCM.
Para Eudes Wesley Melo, secretário-geral do sindicato dos guardas-civis, as mudanças aconteceram por causa da greve. A Secretaria da Segurança Urbana nega e diz que apenas houve um remanejamento.
Ontem, a Câmara aprovou em votação definitiva o projeto de lei que cria uma gratificação para policiais que trabalhem em convênios com a prefeitura. O texto prevê concessão de adicional de 75% a 100% do salário para policiais civis e militares que participem dos convênios -atualmente, existe apenas um, entre a prefeitura e a PM, para fiscalização e controle do trânsito. O sindicato dos guardas-civis queria incluir a GCM entre os beneficiários da gratificação, o que motivou a greve.
Acordo entre lideranças na Câmara incluiu promessa de votar um pacote de valorização da GCM antes do fim de novembro, mas a categoria decidiu pela continuidade da greve.
Os guardas-civis pedem reajuste de 80% sobre o Regime Especial do Trabalho Policial. Com isso, o salário inicial subiria de R$ 855 para R$ 1.300.
Ontem, pelo segundo dia, guardas-civis ocuparam a frente da prefeitura e houve um princípio de tumulto entre a categoria e a Polícia Militar.
Para amenizar os problemas causados pela greve, o comando da CGM remanejou parte do efetivo em atividade (30%) para reforçar as regiões mais vulneráveis, incluindo a ronda escolar e a fiscalização no centro. O sindicato afirma que esses guardas não trabalharão hoje.
A GCM da capital é a que paga o menor salário inicial aos guardas-civis em comparação com oito cidades vizinhas e Campinas. O levantamento foi feito ontem pelo JT nas prefeituras. Ao ingressar na corporação, o guarda da capital recebe R$ 534,71 por mês, mais gratificação de R$ 320,82.
A baixa remuneração é o principal motivo da paralisação deflagrada pela categoria na terça-feira. Os guardas reivindicam o aumento da gratificação de 60% para 140%. Se a proposta fosse aceita, eles passariam a ganhar R$ 1.281,70. Ainda assim, teriam um dos piores salários entre os municípios consultados pela reportagem (veja ao lado).
O prefeito Gilberto Kassab (DEM) considerou ontem a paralisação ilegítima. “Volto a fazer um apelo para que eles saiam da greve. Essa não é a forma adequada para fazer negociações.” Kassab disse esperar que a Justiça declare a ilegalidade do movimento. Questionado se considera o salários justos, disse que “a Guarda vem sendo valorizada”.
O SindiGuardas diz que 70% dos agentes aderiu à greve. Com apitos e faixas, cerca de 250 GCMs fizeram protesto em frente à Prefeitura. Eles prometem novo protesto a partir das 7 horas de hoje.
A Secretaria Municipal de Segurança Urbana informou que remanejou guardas para reforçar áreas mais vulneráveis, como ronda escolar e fiscalização no centro.
A greve da Guarda Civil Metropolitana acirrou os ânimos ontem no portal de microblog Twitter, frequentado por vários vereadores, secretários e autoridades municipais.
O secretário municipal de Subprefeituras, Andrea Matarazzo, um dos mais ativos no portal, bateu pesado. Pela manhã, postou que “guarda-civil não pode fazer greve, em hipótese alguma” e que as “condições de trabalho não são ruins”.
Depois, em resposta a um internauta, escreveu que a greve “seria justa se eles (os guardas) fizessem um trabalho compatível com o que a população espera”. Já o vereador Antonio Donato (PT) apoiou a paralisação em seu Twitter. “Não é possível aprovar bônus para a PM e aumentos estratosféricos para os secretários e subprefeitos sem valorização salarial da GCM”, escreveu. Daniel Gonzales
Almeida Rocha/Folha Imagem Guardas fizeram protesto ontem na porta da prefeitura
Categoria promete acampar hoje na porta da prefeitura
Léo Arcoverde do Agora
Insatisfeitos com a postura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) diante da greve, os guardas-civis decidiram acampar a partir das 7h de hoje em frente à prefeitura. Segundo o Sindguardas (sindicato da categoria), serão oferecidas barracas para os grevistas. A estimativa é que, no mínimo, 1.700 GCMs participem do ato.
“Vamos ficar de vigília por 24 horas. Não arredaremos o pé de lá enquanto algo de concreto sobre o reajuste não for apresentado pela prefeitura”, diz o diretor do sindicato, Ronaldo Gonçalves.
Durante todo o dia de ontem, manifestantes fizeram um protesto no local, pedindo uma audiência com o secretário de Gestão, Rodrigo Garcia. “Já que o secretário da Segurança Urbana [Edsom Ortega] já mostrou que não tem competência para negociar um aumento, vamos falar com quem resolve”, disse o presidente do sindicato, Carlos Augusto Souza.
Segundo ele, a principal reivindicação da categoria é que a prefeitura aumente a Retp (regime especial do trabalho policial) de 60% para 140% do salário. “Com isso, o salário inicial de um guarda-civil de terceira classe vai subir de R$ 855 para R$ 1.281. Não é um bom salário, porém, já é um avanço”, disse.
“Quando eu me aposentar, meu salário vai ser de R$ 534. Como vou sustentar a minha família assim?”, questionou um dos grevistas, que pediu para não ser identificado temendo represálias.
Sobre a adesão à paralisação, Silva rebateu a declaração do prefeito Gilberto Kassab (DEM), que afirmou que os grevistas nem sequer correspondem a 10% do efetivo da GCM. “Cerca de 70% da categoria está parada. Se a adesão é tão pouca, para que chamar a PM para assumir nosso lugar?”, questionou. Silva também afirmou que a greve é legal. “Diferentemente dos PMs, que não podem parar, somos servidores municipais, civis e sindicalizados.”
Greve da GCM para ronda escolar e fiscalização
Léo Arcoverde e Flávia Martins y Miguel do Agora
O primeiro dia da greve da GCM (Guarda Civil Metropolitana) foi marcado ontem pela ausência absoluta de guardas-civis em escolas da rede municipal, parques e praças da capital, além da diminuição de cerca de dois terços do efetivo que fiscaliza a ação de camelôs na região da rua 25 de Março (região central).
Na Escola Municipal de Educação Infantil Arnaldo Arruda Pereira, na praça da República (região central), os dois guardas-civis que fazem a segurança diária não apareceram em nenhum dos dois turnos de aula. As mães dos alunos, que aguardavam a saída dos filhos, reclamaram da falta de policiamento. “É uma vergonha. Aqui é perigoso, cheio de drogas e de pessoas mal-intencionadas. Agora não podemos contar com ninguém”, disse Maria Bezerra Faria, 51 anos, mãe de um aluno.
No parque da Luz, também na região central, segundo um vigilante, nenhum guarda-civil foi trabalhar ontem. Já na região da rua 25 de Março, de acordo com um inspetor da GCM, o efetivo ficou abaixo do normal. Com isso, camelôs tomaram conta das calçadas dos dois lados da via, seguros de que não perderiam a mercadoria em uma apreensão.
Protesto
Entre as 6h e as 17h de ontem, centenas de guardas-civis ocuparam a frente da prefeitura. O Sindguardas (sindicato da categoria) estima que 1.200 manifestantes passaram pelo local ao longo do dia. Já a PM diz que em nenhum momento a aglomeração ultrapassou a marca de 400 pessoas. A prefeitura não aceitou conversar com a categoria, que reivindica aumento de salário e melhores condições de trabalho. A greve não tem data para acabar.
A faixa da direita da esquina do viaduto do Chá com a rua Líbero Badaró teve de ser interditada para que a população, impedida de usar a calçada, pudesse passar. De acordo com a SPTrans (empresa que gerencia o transporte municipal), cinco linhas de ônibus que passam pelo local tiveram o itinerário alterado por conta da manifestação.
A Guarda Civil Metropolitana de São Paulo (GCM) está em greve. Desde a zero hora de hoje, apenas 30% do efetivo de 6.520 guardas permanece nos postos de trabalho para cumprir a lei de paralisação. A categoria reivindica reajuste salarial desde a aprovação na Câmara de um projeto do prefeito Gilberto Kassab (DEM) que prevê gratificação de até R$ 1.800 a policiais militares que participam de atividades conveniadas com o Município. .
A decisão de cruzar os braços, tomada em assembleia na última quarta-feira, foi ratificada na noite de ontem em encontro da categoria que reuniu cerca de 700 guardas. “A gratificação dos policiais militares foi a gota d’água. Há mais de dez anos a guarda não tem aumento real”, afirmou o presidente do Sindicato dos Guardas Civis (Sindguardas), Carlos Augusto de Sousa e Silva. O salário base é de R$ 855. A GCM quer elevar para R$ 1.281,60. Esta é a primeira vez que a guarda entra em greve, desde a criação, em 1986.
Sousa e Silva disse que durante reunião, ontem, com o secretário de Segurança Urbana, Edson Ortega, ele afirmou não ter planos de aumento salarial até o fim do ano. “O secretário disse até que não é ele quem decide se pode ter aumento ou não.” Segundo a secretaria, no encontro foram apresentadas “as medidas que o governo já tomou e o andamento de outras para modernizar a GCM e valorizar seus integrantes”. A Prefeitura ressaltou que a greve não é “um instrumento que favorece o ambiente para entendimentos”.
Segundo o presidente do Sindguardas, às 19h30 o comandante da GCM, Joel Malta de Sá, teria ligado para pedir o cancelamento da greve em troca de uma reunião com o secretário de Modernização, Gestão e Desburocratização, Rodrigo Garcia. “Prefiro ser taxado de radical do que de vendido”, teria respondido Sousa e Silva.
New Fabris entrou em recuperação judicial e não indenizou empregados
AGÊNCIAS INTERNACIONAIS – O Estado SP
Trabalhadores da fabricante de autopeças New Fabris, que recebeu em abril ordem de liquidação judicial, ameaçaram explodir a fábrica localizada do município de Châtellerault, na região central da França, caso os principais clientes da empresa, Renault e PSA Peugeot Citröen, não indenizem cada um dos 366 funcionários com 30 mil. A fábrica foi ocupada pelos operários que atearam fogo a destroços no pátio da empresa.
O sindicalista da Confederação Geral do Trabalho Guy Eyermann disse ontem à emissora France Info que foram colocados botijões de gás na fábrica capazes de levar tudo pelos ares. Ele afirmou que cumprirá a ameaça caso até o dia 31 os trabalhadores não cheguem a um acordo com as montadoras. “Os botijões de gás estão na fábrica. Tudo está preparado para que exploda.” À noite, oficiais franceses informaram que os botijões estavam vazios.
O valor das peças produzidas e armazenadas na fábrica é estimado em 2 milhões. E uma máquina nova da Renault, que está lá dentro, é avaliada em outros 2 milhões.
As montadoras declararam que não são responsáveis pelo pagamento de eventuais indenizações aos funcionários da New Fabris e que cabe aos acionistas da empresa e ao poder judicial decidir sobre isso.
O montante da indenização, segundo os sindicatos, foi calculado com base no valor recebido por 200 trabalhadores demitidos do grupo Rencast – de fundição e alumínio. Mas o diretor da fábrica, Pierre Réau, disse que os funcionários com mais de 20 anos de trabalho devem receber entre 10 mil e 15 mil. Aqueles com menos, 3 mil.
A empresa pediu recuperação judicial em 16 de junho, depois de cerca de seis meses em mãos do grupo italiano Zen.
Os trabalhadores programaram um encontro dia 20 com o ministro da Indústria, Christian Estrosi.
A Caixa Econômica Federal recebeu 405 propostas de empreendimentos para o programa “Minha Casa, Minha Vida”, totalizando 73.901 unidades habitacionais e envolvendo R$ 4,7 bilhões, até a sexta-feira passada. Desses, porém, apenas 39 empreendimentos (menos de 10% do total de propostas), com 2.825 habitações, já estavam contratados até aquela data. Outros 37 empreendimentos tinham previsão de contratação para os próximos dias.
As construtoras estão animadas com o programa habitacional. Preparam-se para encaminhar à Caixa projetos com milhares de unidades residenciais, de acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
A Câmara aposta no programa, que já passou pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, mas não está satisfeita com a diferença entre o número de projetos apresentados e os já contratados pelo governo.
“Há uma greve das áreas de engenharia, arquitetura e direito da Caixa desde o início do programa, em abril, que já começa a incomodar”, disse à Agência Estado o presidente da CBIC, Paulo Safady. “Isso está prejudicando também obras do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento)”, afirmou.
A Caixa confirma que há um movimento trabalhista de funcionários de nível superior, mas segundo sua assessoria de imprensa, “nada está parado”. A instituição lembra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deu prazo para o “Minha Casa, Minha Vida” cumprir a meta de um milhão de unidades residenciais. Apesar disso, a Caixa trabalha “com a hipótese de cumprir 25% da meta” este ano.
O desejo da CBIC é que se possa adiantar o número de contratos envolvendo o governo este ano para compensar possíveis dificuldades em 2010. “No ano que vem tem eleição. Depois de julho e agosto, a conversa é outra. Para tudo. Fica uma enorme burocracia”, afirmou Safady.
A Caixa vê sinais positivos tanto de procura quanto de oferta para o programa. O simulador da instituição, ferramenta pela qual o interessado pode verificar prestações dos financiamentos, apurou recordes quase diariamente com o interesse do potenciais mutuários pelo “Minha Casa, Minha Vida”, segundo e-mail da assessoria de imprensa.
O texto também diz que as empresas registraram “relevante aumento” das visitas em seus estandes e que as construtoras “responderam positivamente, mantendo o ritmo de lançamentos e, principalmente, ajustando a oferta de produtos de acordo com a principal demanda, ou seja, para famílias de baixa renda”.
Os projetos para as faixas de menor renda são mais numerosos até agora. Das 73.901 unidades habitacionais que constam dos projetos do “Minha Casa, Minha Vida”, uma parte de 28.918 unidades são referentes à faixa de renda de zero a três salários mínimos, contemplada com mais subsídios no programa.
Outra parte, de 23.696 unidades, é para a faixa acima de três a seis salários mínimos. Há ainda projetos de 21.287 unidades para famílias com renda de seis a dez salários mínimos.
A greve de ontem na França superou todos os prognósticos de mobilização feitos pelos sindicatos. Às manifestações reuniram mais de 1 milhão de pessoas nas ruas das principais cidades do país. A greve foi contra o governo, contra o desemprego, contra a generosidade com os bancos e a lentidão para com as consequências da crise para a população. Um profundo descontentamento que não é só dos assalariados, como mostram as pesquisas com quase 80% de apoio ao movimento grevista.
Um dos elementos da irritação com a política de Sarkozy é o chamado escudo fiscal (bouclier fiscal). Um limite estabelecido ao percentual impositivo das maiores fortunas do país. Como resultado desse dispositivo legal estabelecido pela direita que governa França, os 834 contribuintes mais ricos (com um patrimônio de mais de 15,5 milhões de euros, equivalente a R$46 milhões de reais) receberam cada um, graças ao escudo fiscal, um cheque de de 368 261 euros (mais de R$1 milhão) da Receita Fiscal, «o equivalente a trinta anos de salário minimo francês», como denunciou um deputado socialista.
Coincidentemente, este debate intervem as vésperas da greve e com a notícia da decisão tomada pelos parlamentares dos Estados-Unidos de taxar em 90% a remuneração das gratificações que a asseguradora AIG, em pleno marasmo, generosamente outorgou a seus executivos. A atitude de Obama de impor limites é contrastante com a de Sarkozy que saiu em defesa da proteção dos mais ricos.
Não é por acaso que a percepção que os franceses tem do seu presidente, difere tão radicalmente da que os americanos tem do seu. LF
ANA CAROLINA MORAES da BBC Brasil, em Paris – FOLHA ONLINE
Os principais líderes sindicais que se reuniram com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, nesta quarta-feira consideraram insuficientes as propostas feitas pelo governo e decidiram manter a greve geral convocada para o próximo dia 19 de março.
Após reunião com representantes dos principais sindicatos patronais e de empregados da França, Nicolas Sarkozy anunciou uma série de medidas sociais, destinadas principalmente aos jovens e à classe média, para conter os efeitos da crise econômica no país e atenuar o crescente descontentamento da população.
O pacote deve totalizar 2,6 bilhões de euros, será financiado, em parte, pelos juros dos empréstimos concedidos pelo governo aos bancos em dificuldades.
Entre as medidas que devem ser adotadas imediatamente estão a criação de um fundo social de investimentos para estimular o emprego e a formação de trabalhadores, além da exoneração provisória de dois terços do valor total do imposto de renda que incide sobre os salários mais baixos. Essa medida deve beneficiar, segundo o governo, 4 milhões de famílias.
As medidas
O pacote também prevê novos benefícios sociais para famílias mais pobres além de medidas para estimular o emprego de jovens.
Ao anunciar as medidas à população, em pronunciamento televisivo na noite desta quarta-feira, Sarkozy defendeu sua política de investimentos para criar empregos e descartou um aumento imediato do salário mínimo –uma reivindicação comum dos sindicatos– que, segundo ele, “complicaria ainda mais a situação das pequenas e médias empresas”.
O presidente francês também defendeu um capitalismo “mais justo” e pediu aos dirigentes de empresas que recorrerem a planos de re-estruturação que renunciem a seus bônus em 2009.
Em meio a um contexto de crescente tensão social e crise econômica, o presidente francês aposta nesse pacote para atenuar o descontentamento da população e recuperar sua popularidade, em queda nos últimos meses.
Críticas
Além dos sindicatos, o Partido Socialista (PS) também criticou o plano. O porta-voz do partido, Benoît Hamon, afirmou que “as medidas não mudarão em nada a situação do país”. O presidente do PS na Assembléia, Jean-Marc Ayrault, disse que o montante total do pacote do presidente Sarkozy “corresponde somente a 10% das medidas adotadas em favor das empresas “.
Eleito com o compromisso de que iria melhorar o poder aquisitivo da população, Nicolas Sarkozy é criticado por não ter cumprido suas promessas.
A insatisfação social aumentou ainda mais com a crise econômica. Segundo pesquisa publicada nesta quarta-feira, 60% dos franceses consideram ruins e insuficientes as medidas adotadas pelo governo para conter os efeitos da crise.
A sondagem também indica que a maioria da população estima que as medidas beneficiam, principalmente, os bancos e instituições financeiras. O pacote anticrise francês prevê 360 bilhões de euros em empréstimos aos bancos e 26 bilhões para reaquecer a economia.
Face à crescente tensão social no país e com a popularidade em queda, Nicolas Sarkozy quer evitar, com as medidas que anunciadas hoje, que a crise economica que se anuncia para 2009 se transforme em avalanche social.
Na semana passada, a ministra francêsa da Economia, Christine Lagarde, confirmou que o PIB francês, este ano, vai registrar crescimento negativo e não deve ultrapassar – 1%. No ano passado, o desemprego aumentou 11,4% na França, totalizando 2 milhões de pessoas.
Le pouvoir politique redoute un grand mouvement social
Le Monde
Que faire, face à l’augmentation inéluctable du chômage et à la désespérance qu’elle porte en germe ? Comment éviter que la détérioration du climat social ne se transforme, à l’occasion d’un dérapage ou d’un conflit local dur, en une de ces explosions dont la France a le secret ? Dans un pays qui s’enfonce dans la récession, ces questions taraudent les responsables politiques au plus haut niveau de l’Etat, dans la majorité comme dans l’opposition.
La journée unitaire d’action du jeudi 29 janvier, qui s’annonce très suivie, bénéficie selon deux sondages publiés dimanche 25 (CSA/Le Parisien/Aujourd’hui en France et IFOP/Sud-Ouest) du soutien de près des trois quarts des Français. A quelques jours de son organisation, les débrayages à l’usine Renault de Sandouville à l’annonce de la prolongation du chômage partiel, les mots d’ordre de grève dans les universités, les tensions qui subsistent dans certains lycées, dans l’administration et dans le monde hospitalier ont relancé les craintes d’une possible conjonction des mécontentements. “Je sens une violence en train de naître. Dans les écoles, par exemple, la mobilisation est très forte”, relève Philippe Cochet, député UMP du Rhône.
Début janvier, des élus de la majorité avaient alerté Nicolas Sarkozy sur les risques d’“un grand mouvement social” et du décalage avec l’opinion publique sur le plan de relance. “Les gens ont l’impression que l’argent public est distribué aux banquiers et que rien n’est fait pour eux. Ils approuvent ceux qui descendent dans la rue”, avaient-ils indiqué.
La récession a beau frapper inégalement territoires et entreprises, les remontées du terrain ne sont guère rassurantes. La baisse de l’intérim, la hausse du chômage partiel, la multiplication des plans de départ volontaire ont certes permis, jusqu’à maintenant, d’“étaler les effets dévastateurs de la crise”, analyse Martin Richer, directeur général de la société Secafi (Groupe Alpha), spécialisée dans le conseil auprès des comités d’entreprise. “Mais si la situation dans l’automobile devait préfigurer ce qui se passera dans cinq ou six autres secteurs, la crise prendrait une autre dimension”, dit-il.
Dans les régions industrielles, les syndicalistes décrivent l’anxiété de salariés “K.-O. debout”. “Fin 2008, 134 entreprises avaient fait une demande de chômage partiel et 15 000 salariés ont dû s’arrêter trois semaines pendant les fêtes. On n’avait jamais vu cela”, dit Alain Gatti de l’Union régionale interprofessionnelle CFDT de Lorraine.
Son homologue des Pays de la Loire, Laurent Berger, constate la multiplication des plans sociaux : “En novembre et décembre, les entreprises de la région ont remercié 8 000 intérimaires, mis fin aux contrats à durée déterminée, demandé à leurs salariés de prendre des jours de réduction du temps de travail ou de chômage partiel. Mais, depuis janvier, on tape dans le dur.” Et d’égrener la liste des emplois supprimés en une semaine : 120 dans deux entreprises d’ameublement employant au total 300 personnes, 200 emplois sur 1 200 dans un groupe suédois, et plusieurs dizaines de milliers de salariés désoeuvrés pour cause de chômage technique.
La crise se généralise : automobile, transports, navigation de plaisance, chantiers navals, services informatiques, secteur du nettoyage. “La situation, anxiogène, crée du fatalisme et de la colère chez des salariés qui ont le sentiment de payer les erreurs du capitalisme financier”, note le syndicaliste.
Dans les entreprises en difficulté, la crainte du chômage tétanise. Dans celles qui se portent mieux, les négociations salariales s’annoncent tendues. “Le mécontentement est plus fort dans les groupes qui ne vont pas trop mal, là où les politiques salariales sont jugées insuffisantes”, assure le secrétaire général de la métallurgie CFDT, Dominique Gilliez.
A situation sociale complexe, pronostics nuancés. “Il y a beaucoup de colère rentrée, mais cela ne se traduit pas toujours par de la lutte”, relève Nadine Prigent, secrétaire générale de la CGT santé. “La crise amplifie l’incertitude, exacerbe le ras-le-bol”, ajoute Marcel Grignard, secrétaire national de la CFDT, qui perçoit chez certains l’envie d’en découdre. Directeur d’études d’Entreprise et personnel, une association de DRH, Jean-Pierre Basilien croit plus à la possibilité de conflits locaux durs, là où l’emploi est détruit, qu’à celle d’un mouvement plus général. “Le gouvernement semble très attentif à désamorcer tous les sujets possibles de tensions avec la jeunesse, qui pourraient conduire à des mobilisations plus larges”, analyse-t-il.
La durée et l’ampleur de la récession constituent des inconnues qui vont peser sur le climat social. Raymond Soubie, conseiller de Nicolas Sarkozy pour les questions sociales, ne constate pas, pour l’heure, “de montée de fièvre forte”. Mais, ajoute-t-il prudent, la météo sociale est une science inexacte”.
A economia global pode cair em uma crise prolongada, espalhando tensões sociais, se os governos não expandirem e implementarem os pacotes de estímulo prometidos, afirmou o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn ontem. O crescimento está desacelerando na China, à medida que a economia global sofre uma queda sem precedentes de produção e ruma para uma recessão, elevando os riscos de mais distúrbios civis como os vistos na Grécia, acrescentou.
Sem urgência por parte dos governos, o início da recuperação econômica global no fim de 2009 e início de 2010 pode ser adiada. “Muito ainda precisa ser feito e, se esse trabalho não funcionar, será difícil evitar uma longa crise.”
Ele prevê protestos violentos se espalhando se o sistema financeiro não for reorganizado para beneficiar a todos e não apenas a elite. Strauss-Kahn pede que 2% do PIB mundial sejam usados em pacotes para relançar a economia do planeta, cerca de US$ 1,2 trilhão. “2009 será um ano muito difícil e os dados que iremos divulgar em janeiro serão provavelmente piores que os atuais”, disse. “A possibilidade de uma recessão global está mesmo diante de nós.”
No dia 6 de novembro, o FMI previu que os países ricos sofreriam uma queda de 0,3% em seu PIB em 2009, a primeira contração simultânea de todas as economias desenvolvidas desde 1945. Já o mundial cresceria apenas 2,2%. Para o Brasil, a taxa de crescimento de 3% prevista para 2009 deve ser revista.
Ele antecipou projeções globais que devem ser anunciadas em janeiro sobre a China, país deve crescer apenas 5% em 2009. Pelos cálculos do Banco Mundial, só para gerar postos de trabalho para o número crescente de pessoas que deixam o campo para trabalhar nas cidades, a China precisa crescer 5%.
No relatório atual do FMI, a China teria uma alta de 8,5% de seu PIB em 2009, já abaixo da média da última década. Em 2008, o país irá crescer 9,7%.
ESTÍMULO
Para o FMI, embora incertezas limitem a eficácia de algumas medidas de política fiscal, os pacotes que governos em todo o mundo estão adotando podem ter impacto positivo, mas precisam ser mantidos por alguns meses. “Precisamos de apoio e mecanismos de estímulo que sejam grandes e diversificados e que possam ser utilizados por um ou dois trimestres”, pediu Strauss-Kahn.
AFP/ANDREAS SOLARO Manifestation d’étudiants de l’université de La Sapienza à Rome, le 23 octobre 2008.
ROME CORRESPONDANT
Jusqu’à présent, il a fait ce qu’il voulait ou presque. Depuis son élection à la présidence du conseil italien, Silvio Berlusconi a imposé le rythme et les thèmes de la vie politique italienne sans avoir à craindre que quiconque ne le fasse choir du piédestal où il trône, fort d’une cote de popularité à 60 %. La rue ? Muette au point que le cinéaste Nanni Moretti a parlé de “disparition de l’opinion publique”. La crise ? Traversée sans dommages pour son image, donnant des conseils boursiers aux petits actionnaires (”Ne vendez pas”) et des assurances aux banques (”L’Etat garantira l’épargne”). La gauche ? Trop faible, trop divisée pour compter.
Aujourd’hui, la rue se réveille. Depuis plusieurs jours, des dizaines de milliers de professeurs, d’étudiants, de lycéens battent quotidiennement les pavés des grandes villes contre la réforme conduite par la ministre de l’instruction, Mariastella Gelmini. Elle prévoit des coupes budgétaires de plusieurs milliards d’euros et la suppression d’environ 140 000 postes dans les prochaines années. Les manifestations ont pris un tour plus violent, illustré par des heurts avec la police, notamment à Milan.
Le “Cavaliere” a menacé de faire intervenir la police pour évacuer les contestataires qui bloquent les lycées et universités. Mais ces déclarations martiales n’ont pas convaincu les étudiants de renoncer à leur action. Au contraire : “Non seulement la mobilisation continue, mais elle augmente. C’est désormais la société dans son ensemble qui se rend compte que le gouvernement met en danger le développement économique du pays”, affirme un communiqué de l’Union des étudiants italiens (UDU). Deux grèves sont annoncées : le 30 octobre dans les écoles et les lycées ; le 14 novembre dans les universités. Jeudi 23 octobre, M. Berlusconi a démenti tout projet de recours à la force, et Mme Gelmini s’est dite prête à recevoir les syndicats et les parents d’élèves. Une première tentative de dialogue ?
A cours d’argument et craignant que cette contestation ne finisse par agir comme un acide sur ses bons sondages, M. Berlusconi s’en est pris à ses cibles habituelles : médias et centre-gauche. Aux premiers, il reproche de “diffuser l’angoisse” et des fausses nouvelles ; au second, de chercher dans la rue une revanche à son échec dans les urnes lors des élections générales d’avril.
C’est une première. Après avoir moqué son principal adversaire, le président du conseil semble lui reconnaître un rôle d’opposant qu’il refusait jusqu’alors de lui accorder. Rendu inaudible et humilié par sa défaite au scrutin d’avril, le centre paraît retrouver une visibilité et une crédibilité que les sondages ne traduisent pas encore. Walter Veltroni, secrétaire général du Parti démocrate, après nombre tâtonnements, semble avoir trouvé la voie d’une opposition résolue qui n’hypothèque pas la possibilité d’un dialogue. Ayant retrouvé son rang de premier opposant au président du conseil, M. Veltroni doit en apporter la preuve chiffrée, en rassemblant un million de personnes – objectif ambitieux qu’il s’est lui même fixé -, samedi 25 octobre, à Rome, contre la politique de M. Berlusconi. Un chiffre que les capacités de mobilisation de l’appareil et un comptage généreux devraient lui permettre d’atteindre.
UNE PREMIÈRE
Pour en arriver là, M. Veltroni a dû faire violence à sa réputation d’homme indécis. Après avoir supporté sans trop broncher les critiques de son principal allié, Antonio Di Pietro, leader du parti de l’Italie des valeurs (IDV), qui lui contestait le leadership de l’opposition au nom d’une vision plus intransigeante de l’antiberlusconisme, l’ancien maire de Rome a rompu son alliance. Une manière de clarifier la ligne du parti et de l’ancrer résolument au centre gauche. “Collaborateur”, lui a lancé M. Di Pietro.
Le succès de ce rassemblement ne signifie pas forcément la fin des contestations pour M. Veltroni. Décrit dans les médias proches du pouvoir comme un homme hésitant et peu charismatique, le secrétaire général du PD doit compter sur une opposition interne active. Certains dans le parti, dont l’autre poids lourd Massimo D’Alema, n’hésitent pas à parier sur une cuisante défaite du PD aux élections européennes, entraînant du même coup le départ de son actuel secrétaire général.
M. Berlusconi, qui connaît les ressorts humains et les arcanes de la politique italienne, le sait mieux que quiconque. La coalition des contestations – une première depuis son élection – peut encore se rompre sous la pression des divisions internes de ses opposants.
Philippe Ridet
Ce titre des Rolling Stones n’est certainement pas un appel à la révolution, d’ailleurs le groupe s’est toujours gardé de toute forme de militantisme. Cela dit, les Stones se font ici l’écho de l’agitation de la jeunesse du monde entier. En effet, “le temps est venu de se battre” dans de nombreuses régions du monde et si les Stones regrettent l’apathie de Londres qu’il faudrait réveiller, il s’agit plutôt d’une anomalie en Europe.
C’est l’occasion de dresser un tour d’horizon rapide de la contestation tout au long de cette année 1968. (mais…)
En cette année terrible, délirante, de feu et de sang, je venais d’avoir 21 ans et, comme tout le monde, j’avais la rage. Cinq cent mille soldats américains s’enlisaient au Vietnam, Martin Luther King venait d’être assassiné, l’Amérique s’embrasait comme une traînée de poudre, le monde entier semblait à la veille de l’apocalypse. La rage était pour moi la seule réaction saine face au sort qui, en 1968, attendait ma génération. A peine sorti de l’université, j’allais être enrôlé dans un conflit qui me faisait horreur et auquel je refusais de prendre part. Mes seules perspectives d’avenir : la prison ou l’exil.
Je n’étais pas un violent. Je me revois plutôt comme un jeune homme discret et studieux, s’appliquant à devenir écrivain, tout entier absorbé par les cours de littérature et de philosophie à Columbia (université à New York). J’avais bien manifesté quelquefois contre la guerre, mais sans adhérer à aucun groupe politique. Je n’avais pour autant jamais assisté à aucune réunion ni distribué le moindre tract. Je m’en tenais à lire mes livres, à écrire mes poèmes, et à traîner avec mes amis au West End Bar.
Il y a tout juste quarante ans, sur le campus de Columbia, se tint un grand rassemblement, qui n’avait cependant rien à voir avec la guerre : il s’agissait de s’opposer à la construction d’un gymnase universitaire à Morningside Park. Comme ce parc était un espace public, il était prévu d’y ménager une entrée séparée pour les riverains (principalement des Noirs). Or ce projet était considéré comme injuste et raciste. Tel était aussi mon sentiment, mais ce n’est pour ça que je suis allé à la manifestation.
J’y suis allé parce que j’avais la rage, parce que j’étais empoisonné par le Vietnam. Et les centaines d’étudiants sur le campus ce jour-là, eux non plus, n’étaient pas vraiment venus protester contre la construction du gymnase : ils voulaient exprimer leur rage, s’en prendre à quelque chose, à n’importe quoi. Nous étions étudiants à Columbia : autant jeter nos pavés contre cette université qui, en menant des projets lucratifs de recherche pour le compte des industries militaires, contribuait à l’effort de guerre au Vietnam.
Après une série de discours enflammés, applaudis par la foule en délire, un mot d’ordre improvisé se propage : tous sur le chantier, on va abattre la palissade ! Dans l’enthousiasme, une masse d’étudiants enragés et vociférants s’élance au pas de charge. Et moi aussi, j’en suis ! Où était donc le gentil garçon qui rêvait de passer le restant de ses jours sagement assis à son bureau, à écrire des livres ? Le voilà parti à l’assaut d’une barricade, emporté par une horde déchaînée, démolissant, arrachant, piétinant – et je dois avouer qu’il a pris un immense plaisir à cet acte de destruction rageuse.
Après ce premier assaut, les bâtiments du campus ont été occupés une semaine entière. Pour ma part, je me suis retrouvé à squatter le pavillon des mathématiques. Les étudiants de Columbia s’étaient mis en grève et, pendant que nous tenions posément nos assemblées dans les locaux, le campus retentissait de clameurs sauvages qui ponctuaient les bagarres sans merci entre partisans et opposants du blocage. Le 30 avril au soir, l’administration mit le holà et fit intervenir la police. Au cours des émeutes qui suivirent, au milieu de plus de 700 personnes, je finis par être interpellé, c’est-à-dire tabassé et traîné par les cheveux jusque dans un fourgon. Je ne regrette rien. J’étais fier d’avoir accompli ce que je croyais être mon devoir. J’étais fier, et j’avais la rage.
Tout ça pour quoi ? Le projet de gymnase fut abandonné, certes, mais le vrai enjeu était la guerre du Vietnam ; or la guerre allait encore durer sept terribles années. On ne change pas la politique d’un gouvernement en s’en prenant à une institution privée. En France, où les universités étaient publiques et dépendaient du ministère de l’éducation nationale, les étudiants se sont confrontés directement à l’Etat : leur révolte de Mai 68 a ainsi provoqué des changements réels dans la société française. Nous, à Columbia, étions impuissants, notre petite révolution restait symbolique. Mais les gestes symboliques ne sont quand même pas vains et, dans les circonstances qui étaient les nôtres, nous avons fait tout ce que nous pouvions. J’hésite à dresser des parallèles avec la situation présente, et je ne conclurai donc pas ces quelques souvenirs en évoquant l’Irak. J’ai aujourd’hui 61 ans, mais je n’ai pas tellement changé depuis cette année de feu et de sang : assis à mon bureau, la plume à la main, je sais que la rage, je l’ai toujours. Peut-être plus encore que jamais.
“Cette fois, l’état de grâce a bel et bien pris fin”: ce commentaire sur la cote de confiance de Nicolas Sarkozy ne provient pas d’un dangereux opposant, mais …du Figaro! Dans le baromètre Sofres/Figaro Magazine de décembre, le président de la République passe en effet pour la première fois sous la barre des 50% dans la confiance des Français, rejoignant le premier ministre François Fillon qui se trouvait déjà sous cette barre symbolique.
Moins de sept mois après son élection, et après avoir engrangé une popularité supérieure à son score électoral pendant plusieurs mois, Nicolas Sarkozy décroche: -4 points, à 49% de confiance. Un résultat paradoxal au lendemain de la grève des transports, alors que de nombreux commentateurs avaient conclu à une victoire aux points de Nicolas Sarkozy face à un mouvement social “impopulaire”. Ainsi, dans Les Echos de jeudi, un article sur la stratégie de communication du Président pendant la grève conclue que le choix du silence “lui a permis de gagner”. L’article décrit ainsi le publicitaire Jacques Séguéla, “enthousiaste”, qui prend un ton mitterrandien pour exliquer que Sarkozy a laissé “du temps au temps” là où tout le monde l’attendait “excité”.
De fait, à regarder de plus près le sondage du Figaro, le chef de l’Etat semble conserver le soutien de l’électorat de droite, en particulier celui de l’UMP, alors que son soutien au sein de l’électorat de gauche est tombé à 16%. Oubliée la magie de l’”ouverture”, et le trouble qu’elle a suscité à gauche. Cet électorat a donc retiré sa confiance au leader de l’UMP, alors même que la gauche reste inaudible dans son opposition au gouvernement.
Ce “score” n’empêchera sans doute pas Nicolas Sarkozy de dormir. Il devrait toutefois commencer à s’inquiéter car c’est de confiance qu’il s’agit. En six mois d’hyperactivité et de réformes lancées dans toutes les directions, il n’a visiblement pas réussi à convaincre au-delà de son “camp”. En intervenant jeudi soir sur la question du pouvoir d’achat, sujet de préoccupation numéro un des Français, il sait qu’il doit désormais faire face au scepticisme d’une bonne partie de l’électorat. Comme dit justement Le Figaro, l’état de grâce est terminé, les Français jugent sur pièces.
► Sondage TNS Sofrès, effectué les 21 et 22 novembre auprès d’un échantillon national de 1000 personnes représentatif de l’ensemble de la population âgée de 18 ans et plus, interrogées en face-à-face à leur domicile.
Economista diz que razões de Sarkozy são políticas, não econômicas
O GLOBO ENTREVISTA Jean-Marie Pernot
PARIS. O Estado francês não vai ganhar um centavo com a reforma dos regimes especiais de aposentadoria, diz Jean-Marie Pernot, economista do Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais (IRES), em Paris.
É esta reforma que mobiliza milhares de trabalhadores do setor de transportes na greve que afeta a França há uma semana. Para o especialista, Nicolas Sarkozy vai fundo na reforma por um único motivo: tentar fazer em cinco meses o que seu antecessor não fez em 12 anos.
O GLOBO: A greve nos transportes dura uma semana. O governo diz que não recua na reforma. Qual o risco para Sarkozy se a greve se prolongar?
JEAN-MARIE PERNOT: É provável que a greve não termine amanhã (hoje). Dois ou três dias a mais não pesarão. Se a negociação for mal, e os sindicatos relançam o movimento, há risco de crise.
É preciso esperar até a semana que vem para saber?
PERNOT: Um elemento é certo: o sindicato SUD Rail se recusa a entrar numa lógica de troca. Mas os outros sindicatos aceitam, inclusive a CGT. Para haver o acordo com a CGT será preciso colocar elementos (na mesa).
PERNOT: O que busca Sarkozy? Ele quer mostrar que acabou com os regimes especiais de aposentadoria. O grande risco é que os funcionários partam com uma pequena aposentadoria. Se a base do cálculo das aposentadorias se faz sobre salários mais altos, isso permite amortizar o choque.
Aumento de salário resolve?
PERNOT: Sim. Hoje, a SNCF estabeleceu o seguinte contrato com seus funcionários: você não é bem pago, está disponível 24 horas todos os dias do ano, mas se aposenta mais cedo. A aposentadoria não é alta. Se eles agora não vão se aposentar mais cedo, essa equação precisa ser modificada. Será preciso renegociar o tempo de trabalho nos fins de semana, à noite, nos feriados. Terão que ser remunerados em tempo (de repouso) ou dinheiro.
A greve não é popular. Sarkozy está em posição de força?
PERNOT: A opinião pública não entende aposentadoria depois de 37,5 anos de contribuição (a maioria se aposenta após 40 anos). Mas ao mesmo tempo, não pede para reprimir os grevistas. Se Sarkozy quiser tentar diminuir o peso dos sindicatos, terá a opinião pública contra ele.
Mas se não fizer a reforma, estará em posição delicada, não?
PERNOT: Claro, e é por isso que ele vai até o fim. Ele quer dizer: eu fiz em cinco meses o que Jacques Chirac (ex-presidente) não fez em 12 anos. Ele não se importa com o resto, quanto isso custará à SNCF.
Se ele não se importa com quanto vai custar a reforma, então…
PERNOT: Não há um centavo a ganhar com esta reforma. Há 160 mil funcionários na SNCF, mas há 300 mil aposentados, porque há 20 anos a empresa reduz pessoal. Este desequilíbrio demográfico é compensado pelo Estado, que vai continuar fazendo isso depois da reforma.
É uma reforma política, então?
PERNOT: Sim.
A perda do poder de compra da qual se queixam os funcionários públicos é grande? PERNOT: Sim. Há 20 anos, o salário mínimo do funcionalismo público era 20 vezes maior do que o salário mínimo hoje. Hoje ele vale menos.
Eles têm razão para se queixar?
PERNOT: Há cinco milhões de funcionários públicos na França, entre 22 milhões de assalariados. Todo mundo tem um funcionário público na família. Portanto, o pessoal do setor privado também acha que melhorar o salário de funcionário público o beneficia.
O governo pode dar aumento?
PERNOT: Há um desequilíbrio orçamentário na França. O governo vai alegar que não há dinheiro. Mas os funcionários dizem: Sarkozy achou dinheiro para aumentar seu salário, para dar incentivos fiscais para os mais ricos e para pescadores. Há risco de um diálogo de surdos. A situação orçamentária da França não comporta um aumento de salário dos funcionários públicos. (Deborah Berlinck)
Après les rames de métro, les embouteillages ou les pavés, les pro et anti-grève ont trouvé un nouveau terrain d’affrontement: la Toile. Sur Internet, la guerre du buzz est déclarée, à coups d’intox ou d’humour bon enfant.
Premier round, avant même le début du mouvement social, un communiqué sous forme de PDF est diffusé à grande vitesse sur les messageries électroniques, titré “Restez calme en lisant ce qui suit”. Les internautes y découvrent une longue liste d’avantages et de privilèges dont bénéficieraient les agents de la SNCF, salaires, congés et primes à gogo.
L’objectif, résumé en fin de page, est clair : “Faites suivre ce message à un maximum de gens autour de vous qui empruntent la SNCF régulièrement pour ne plus jamais entendre à chaque grève un usager dire ‘Ils ont sûrement raison de faire grève’… ”
Info ou intox ? Le site Hoaxbuster.com (”les chasseurs de canulars”) s’est procuré le rapport d’activité 2006 de la SNCF pour confronter les données avancées. Résultat, un grand nombre de chiffres sont erronés. Les salaires sont gonflés, les horaires revus à la baisse, certaines primes, comme la prime au charbon, n’existent plus depuis trente ans.
Pour contrer ce document, qui ressurgit sur le Net à chaque grève depuis deux ans, la SNCF publie même sur son site un démenti: “Halte aux idées reçues, pour en finir avec les contre-vérités”.
Mais le combat ne s’arrête pas là. Sur Facebook, les “pour”, “contre la grève” ou “contre ceux qui sont contre la grève”, s’affrontent à coups de commentaires, parfois très virulents. En réponse au groupe “pour le remplacement des connards de la SNCF et de la RATP par des machines” s’est créé le groupe “pour le remplacement des connards d’automates par des grévistes”. Sont venus en renfort les groupes “Les trous du cul sont-ils tous anti-grévistes”, “Perplexe devant la nouvelle mode qui veut que l’on tue les gens faisant grève” ou encore “Y-a-t-il une loi qui autorise le lancer de tomates contre les grévistes”…
Dans un registre beaucoup plus léger, le duo réjouissant de la Chanson du dimanche clame “Petit cheminot, we need you! “.
Les tickets de métro manifestent aussi. Parce qu’il ne supporte plus de “composter plus pour gagner plus”, Tick nous fait part de ses états d’âme.
Un tuyau pour rester zen: chanter et danser sur le quai! Inspirez-vous de cette publicité pour le métro de Montréal réalisée en 1976 , où “il fait beau” (tout comme dans l’autobus).
Rappellez-vous, dans les années 80, la RATP misait sur son ticket chic et choc. Les usagers du métro d’aujourd’hui s’en réjouiront!
Commentaires : (1)
Le lundi 19 novembre 2007 à 21:19
La réforme des régimes spéciaux permettra une économie de 200 millions d’euros par an et le coût de la grève. d’après le ministère de l’Economie, s’élève à près de 350 millions d’euros par jour, ce qui veut dire qu’une grève de 7 jours coutera près de 2 milliards d’euros. Alors je me permets de poser une question idiote: quel est l’intérêt de dépenser 2 milliards d’euros pour économiser 200 millions?
Luis Favre or Luiz Favre is the nom-de-guerre of Felipe Belisario Wermus (born 1949 Buenos Aires, Argentina). He was, as a young man, an Argentine union militant and member of Politica Obrera. Later he moved to France and became a leading member of the Internationalist Communist Organisation (OCI), a Trotskyist party in France, working especially in its international department. He moved to live in Brazil and is now a member of the PT.He is known to a broader public as the second husband of Marta Suplicy, ex-mayor of São Paulo and now a PT minister. Leia mais em Wikipedia.org http://en.wikipedia.org/wiki/Luis_Favre