30/10/2009 - 15:23h Remédio para colesterol pode combater gripe, diz estudo

AE-AP – Agencia Estado

MILWAUKEE – Pode haver um novo tratamento para a gripe suína que já está nas prateleiras das farmácias: as estatinas, remédios vendidos comercialmente com nomes como Lipitor e Zocor, usadas para diminuir os níveis de colesterol. Pesquisadores divulgaram hoje um estudo mostrando que pessoas que usam esses medicamentos e foram hospitalizadas por causa da gripe sazonal tinham duas vezes mais chances de sobreviver do que as que não tomavam esse tipo de remédio.

Isso não prova que as estatinas são a cura para a gripe, já que mais estudos ainda são realizados para verificar se essas drogas podem ser um bom tratamento. O estudo sobre as estatinas, apresentado hoje durante um congresso médico, envolveu 2.800 pessoas pesquisadas entre 2007 e 2008.

“O estudo é muito promissor”, disse a coordenadora, Ann Thomas, da Divisão de Saúde Pública do Oregon. A estatinas são conhecidas também por reduzirem a maioria dos problemas causados pela gripe, independentemente se for a sazonal ou a causada pelo vírus A H1N1, são as inflamações, uma reação exagerada do sistema imunológico enquanto luta contra o vírus.

Estudos prévios também descobriram que as estatinas podem ajudar as pessoas a superar a pneumonia e sérias infecções bacterianas do sistema sanguíneo. A nova pesquisa, patrocinada pelos Centros de Prevenção e Controle de Doenças, é o maior já feito nos Estados Unidos que analisa o efeito das estatinas contra gripe.

O tratamento é uma questão muito importante para a gripe suína, já que a vacina está demorando para chegar ao público em geral. Remédios contra a gripe como o Tamiflu têm sido reservados apenas para os pacientes mais graves. As estatinas são baratas, relativamente seguras e estão entre os remédios mais utilizados em todo o mundo.

28/07/2009 - 15:54h De médicos e gripes

JANIO DE FREITAS – FOLHA SP

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Provavelmente é a 1ª vez que o país se vê ante situação crítica de saúde sem sucumbir à falta de medicamento

MÉDICOS ENVOLVIDOS no combate direto à gripe A, dita suína, começam a fazer críticas públicas ao jornalismo que se ocupa do problema. Além de reconhecer a razão dos médicos, é preciso admitir também que estão sendo vítimas de uma injustiça. As providências médicas e o trabalho psicológico-informativo feitos no Brasil a partir do Ministério da Saúde, desde os primeiros sinais externos de uma gripe incomum, têm sido sucessos na sua competência e, a despeito das más influências do contravapor sensacionalista, nos seus efeitos.
Ressalta logo, nesse quadro, ser provavelmente a primeira vez que o Brasil se vê ante uma situação crítica de saúde pública sem sucumbir, em pouco tempo, à falta de medicamento específico e à distribuição caótica do estoque insuficiente. É a máquina pública em ação, no entanto, a máquina dada como inútil e que, apenas recebe comando competente, comprova seu papel insubstituível e comprova-se capaz de exercê-lo.
Não fomos postos diante de um problema secundário, mas do risco de sermos invadidos por uma epidemia depressa elevada, por sua rapidez mundial, a pandemia. Risco agravado pela vizinhança com Uruguai, atual recordista relativo em número de vítimas, e Argentina, que ultrapassou o México e nem sabe ao certo, ou não diz, a quanto somam os seus vitimados; e ainda a proximidade com o Chile, outro país de números muito altos. Consideradas as ameaças geográficas de contaminação e a concentração demográfica dos Estados brasileiros mais expostos a ela, no Sul e no Sudeste, nem caberia dar nome de epidemia ao que ocorre no Brasil. Ainda mais se comparadas as mortes provocadas pela gripe comum em 2008 (Folha de sábado) e nos iguais meses deste ano, pela gripe A: só em julho, e só na cidade de São Paulo, 629 mortes em 2008, e, em todo o Brasil, 45 mortes provocadas até ontem pela gripe A.
Mas cinco mortes mais, ou cem doentes sob tratamento em UTI no Rio Grande do Sul, levam a um noticiário de espaço, de tempo e de termos alarmistas. A queixa médica é correta: não adianta que o ministro José Gomes Temporão fale aos meios de comunicação todos os dias, desde o primeiro momento do problema, dando informações claras e calmas contra o alarmismo, e sobre as condutas convenientes na população. E, como Temporão, à vista do alarmismo tantos outros médicos se ocupem com esclarecimentos e orientação acalmante. Não adianta: hospitais e demais centros de atendimento já são levados ao tumulto e à incapacidade de dar vazão à procura tão aflita quanto equivocada. Há um relato médico de que mais de metade dos atendidos nem a gripe comum tinham, quando muito passavam por um resfriado ou uma dor de garganta.
Na fase inicial da ação contra a gripe A, houve uma tentativa política de aproveitar o problema contra o ministro Temporão, que não ocupa o cargo como ponta de lança, ou “laranja”, de nenhum grupo político. Chegou a haver a publicação de que “o corpo técnico da saúde não gostou da recomendação do ministro José Temporão para que os brasileiros evitem viagens à Argentina, devido ao risco da gripe suína”. Os “técnicos” do Ministério da Saúde preocupados com as perdas do turismo na Argentina – a mediocridade de lobismo político não tem cura.
Não é demais repetir o dado do Ministério da Saúde: a gripe comum provocou 70.142 mortes registradas no Brasil em 2008. Ou 192 por dia. As mortes pela gripe A não são menos deploráveis, mas seu número é um atestado de êxito do que foi feito para enfrentá-la aqui.

17/07/2009 - 13:53h País está preparado para gripe. O novo vírus é menos mortal que o sarampo e semelhante à gripe tradicional

Ontem na CBN um especialista fazia notar que a nova gripe tinha um índice 10 vezes menor de mortandade que por exemplo o sarampo. Por enquanto ela não supera os índices anuais de falecimentos provocados pelas gripes que assolam o mundo à cada ano. No caso do Brasil os especialistas e médicos destacam o melhor preparo do país para enfrentar a epidemia, que deve ser tratada como uma gripe normal, com descanso, muita água e líquidos, analgésicos e cinco dias ela depois vai embora. Para lactantes, mulheres grávidas, pessoas com deficiências imunológicas ou pulmonares, ou idosas, o cuidado exige acompanhamento médico. Eles receberão, se o médico considerar necessário, o medicamento específico.

Esqueci, se seu marido passou o vírus para você, isso não significa necessariamente que ele seja um porco. O animal pode ser comido sem problema… estou falando do porco! LF (resumindo o que eu entendi do assunto)

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Sem preparo, quadro poderia ser muito pior

CELSO GRANATOESPECIAL PARA A FOLHA

O MUNDO TODO , incluindo nós, temos vivido um misto de temor e curiosidade a respeito da popularmente chamada gripe suína. A tão propalada epidemia, esperada há 40 anos, teria finalmente chegado? Teria as terríveis consequências da pandemia de 1918? Seria o final dos tempos?
Países do hemisfério Norte vivem periodicamente seu inferno invernal. Todo ano sofrem com a gripe sazonal e se preparam, com maior ou menor cuidado, para aquela que seria a pandemia recorrente que nos assola a cada 35 ou 40 anos.
Se a gripe sazonal traz mortalidade elevada, ou se o vírus é realmente novo, as atenções se voltam para o problema, disparam-se procedimentos para contenção, mobiliza-se pessoal da saúde, medicamentos e insumos diagnósticos. Se a mortalidade é a esperada, os cuidados habituais são mantidos e a vida segue.
Nós, brasileiros, vivendo abaixo do equador, por razões não muito claras nem justificadas estamos tomando atitudes como se, realmente, tivesse sido anunciado o final dos tempos. Ora, se a mortalidade dessa doença é inferior àquela observada na gripe sazonal, o fato do vírus se originar no porco (ainda que não se transmita pela ingestão da carne desse animal), na galinha ou do animal que seja, passa a ser mera curiosidade veterinária.
Frequento desde 1997 congressos sobre gripe, nos quais são apresentadas as medidas que cada país toma para se preparar para a “grande pandemia”. Ficávamos preocupados ao perceber que nossa preparação estava bastante distante daquela dos países desenvolvidos. Entretanto, o aparecimento da Síndrome Respiratória Aguda Grave e da gripe aviária fizeram com que nossas autoridade de saúde se movimentassem e, felizmente, estamos tendo um desempenho razoável nesta epidemia de 2009.
Poderíamos ter um preparo melhor? Certamente. Poderíamos ter hospitais mais equipados, laboratórios mais bem aparelhados, mais pessoal treinado, estoques de medicamentos maiores? Com certeza. Porém, embora tenhamos a lamentar até o momento 11 mortes, o quadro poderia ser muito pior se o preparo dos últimos anos não tivesse ocorrido.
O que esperar ainda para este ano? Particularmente nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, o frio deve continuar por mais algumas semanas. Dentro de duas a três semanas, as escolas reabrirão, as crianças voltarão a se reunir, os meios de transporte ficarão mais lotados e os vírus se transmitirão com maior facilidade. A epidemia local, que já é evidente, tende a se expandir, mas não há evidências de que, percentualmente, haverá maior letalidade. Que lições podemos tirar desse episódio?
Preparar-se para uma epidemia é trabalho do dia a dia, quando ninguém sabe ainda se vai ou não ocorrer um novo surto. É um investimento para salvar vidas no futuro, ainda que com um gasto importante hoje.
Será que chegará o dia em que nós passaremos a usar máscaras quando estivermos gripados para não contaminar as pessoas que viajem no metrô, nos ônibus ou nos trens ao nosso lado, como vemos nos filmes japoneses e coreanos? Tomara que fique pelo menos essa lição…

CELSO GRANATO, médico, é assessor para infectologia do Fleury Medicina e Saúde

17/07/2009 - 12:46h Gripe suína: sem motivo para pânico

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CLÉLIA ARANDA ESPECIAL PARA A FOLHA

A INFLUENZA A H1N1 , conhecida como gripe suína, é uma nova gripe com a diferença de ser causada por um vírus recombinado para o qual não há vacina disponível.
O sistema de monitoramento de doenças respiratórias que vigora hoje em todo o mundo rapidamente detectou este novo subtipo viral, o que é importante para as ações de vigilância epidemiológica e controle.
No Brasil e no Estado de São Paulo, a gripe suína causou óbitos, assim como a chamada gripe sazonal, que mata milhares de pessoas no mundo todos os anos. Mas as mortes em decorrência da infecção pelo novo vírus têm maior visibilidade apenas e tão somente por ser um problema de saúde recente, que gera dúvidas, preocupações e incertezas na população. Nada mais natural.
O anúncio de transmissão sustentada da nova gripe no país, em decorrência da morte de um paciente em Osasco, ocorrida em 30 de junho, e dos casos confirmados entre seus familiares, sem relato de viagens ao exterior nem de contato com pessoas que tiveram a doença, não deve ser, em nenhuma hipótese, motivo para pânico.
Esta nova situação já era esperada pelas autoridades sanitárias e há muito o Brasil e o Estado de São Paulo já adotaram as medidas de prevenção e controle. Na prática, a política de combate à doença já vinha sendo conduzida na perspectiva da circulação do vírus A H1N1 em território nacional, com uma rede de referência absolutamente capacitada para atender pacientes suspeitos, monitoramento laboratorial e vigilâncias em saúde atuando firmemente nas investigações de todos os casos confirmados.
A orientação para a população continua a mesma, especialmente nesta época de frio, quando a transmissão de doenças respiratórias é mais intensa. Havendo sintomas como febre, tosse, dor de garganta, coriza, dores no corpo ou desconforto respiratório, procure uma unidade de saúde. Se houver necessidade, a pessoa será encaminhada pelo médico para um hospital de referência ou orientada para permanecer em isolamento domiciliar por alguns dias. O medicamento Oseltamivir só será ministrado em pacientes graves ou com potencial para desenvolvimento de complicações, tais como crianças menores de dois anos de idade, idosos a partir de 60 anos, gestantes e pacientes imunodeprimidos.
Se você receber um diagnóstico de gripe, não importa se ela é suína ou não. O fundamental é adotar as medidas de higiene, como usar lenços para espirrar ou tossir e lavar as mãos, além de repousar, beber bastante líquido e manter uma alimentação saudável. Em sete dias o seu organismo irá se recuperar. A partir daí, vida normal.
CLÉLIA ARANDA , médica, é coordenadora de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo

24/05/2009 - 15:24h Se espirrar, saúde

Cientistas correm para desenvolver uma vacina universal contra a gripe, mas esbarram na “criatividade” do vírus

Kirill Sirotyuk – 13.mai.09/France Presse
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Funcionária de laboratório segura amostra de vírus de gripe suína para produção de vacina em São Petersburgo, Rússia

 

ANDREW POLLACK DO “NEW YORK TIMES” – FOLHA SP

Duas injeções de vacina contra sarampo durante a infância protegem uma pessoa pela vida toda. Quatro doses de vacina contra poliomielite também. Mas vacinas contra a gripe precisam ser tomadas todos os anos. E, mesmo assim, fornecem proteção incompleta.
A razão é que o vírus influenza sofre mutações muito mais rapidamente do que outros vírus. Uma pessoa que desenvolve imunidade a uma linhagem do vírus não está protegida de uma linhagem diferente.
Isso promete ser um dos principais problemas à medida que o mundo se prepara para uma possível pandemia de gripe suína no segundo semestre. É impossível saber quantas pessoas podem morrer antes de uma vacina adequada a essa linhagem ser manufaturada.
Mas cientistas e fabricantes de vacina estão trabalhando duro em uma vacina “universal” contra a gripe, que poderia proteger contra todas as linhagens da doença.
“A “universal” mudaria complemente a maneira com que a vacinação contra a gripe seria feita”, diz Sarah Gilbert, especialista em vacinas da Universidade de Oxford (Reino Unido). “Quanto mais cedo tivermos uma vacina universal, melhor, porque poderemos parar de nos preocupar sobre quando será a próxima pandemia.”
Uma vacina assim acabaria com os chutes que ocorrem hoje todo início de ano quando cientistas decidem quais linhagens devem ser incluídas na vacina sazonal para o inverno seguinte. Se o chute está errado, a vacina é menos eficaz.
E isso também tornaria a imunização viável em países que hoje não têm como bancar programas anuais. A gripe sazonal contribui para a morte 500 mil pessoas todos os anos.
Infelizmente, a vacina universal não estará pronta a tempo de combater a pandemia da nova gripe suína. As vacinas mais avançadas passaram apenas por pequenos testes.
Na verdade, as vacinas universais desenvolvidas até agora não previnem as infecções totalmente. Elas só limitam a gravidade e a dispersão da doença. Alguns especialistas dizem que isso basta, mas outros têm dúvidas.
“Isso não vai substituir a vacina sazonal de gripe”, disse Robert Belshe, do centro de desenvolvimento de vacinas da Universidade de Saint Louis.
Alguns pesquisadores dizem que reforço da vacina ainda seria necessário a cada dez anos. Também não está claro se ela seria capaz de proporcionar proteção contra todas as cepas, incluindo as de origem animal.
Quando alguém é vacinado ou infectado, o sistema imunológico cria anticorpos que atacam principalmente uma proteína na superfície do vírus chamada hemaglutinina. Mas essa proteína é a parte que muda mais rápido no vírus, então os anticorpos de uma cepa podem não reconhecer outra.
Uma vacina universal teria de estimular um ataque do sistema imunológico a uma parte do vírus influenza que não varia de cepa para cepa.

Escondidas

O problema é que a maioria das proteínas que não variam muito estão no interior do vírus, fora do alcance de anticorpos. Mas há uma proteína interna, chamada M2, que desponta um pouco. Esse pedaço externo não é um grande alvo para anticorpos, mas é o foco da pesquisa de vacina universal.
“O truque é que você precisa ter um sistema que produzirá uma resposta imunológica robusta contra esse nadinha de proteína”, disse Alan Shaw, presidente da VaxInnate, empresa que tenta desenvolver uma vacina universal que combine a parte externa da M2 com uma proteína bacteriana que estimule o sistema imune.
A VaxInnate, a Merck e a Acambis, de propriedade da Sanofi-Aventis, fizeram cada uma delas um pequeno teste das suas vacinas de M2 em voluntários saudáveis. As pessoas vacinadas produzem anticorpos contra a M2. Mas estes não evitam totalmente a infecção. Será preciso fazer testes muito mais amplos para ver se essas vacinas realmente amenizam a doença durante uma temporada de gripe real.
Outra questão é que a proteína M2 dos vírus animais pode ser um pouco diferente da dos vírus humanos. Isso levanta questões sobre o quão bem uma vacina de M2 funcionaria contra a nova gripe suína.
Neste ano, duas equipes de pesquisadores relataram ao mesmo tempo que poderia haver uma outra região não-variante do vírus. Ela está no “palito” da proteína hemaglutinina, que tem forma de pirulito.
Um dos grupos mostrou que anticorpos isolados a partir de sangue humano que se ligaram a essa parte da proteína protegiam camundongos contra muitas cepas de gripe, incluindo a gripe espanhola de 1918.
Mas especialistas dizem que será muito difícil isolar essa parte da proteína para fabricar uma vacina, ou fabricá-la por meio de engenharia genética.
Uma alternativa poderia ser a utilização dos próprios anticorpos como medicamento, apesar de anticorpos serem caros para fazer e consumirem muito tempo para serem administrados aos pacientes.
As nucleoproteínas do vírus podem ser um alvo potencial para futuras vacinas. Porém, anticorpos não podem chegar até essa proteína para evitar a infecção. Então, a ideia é estimular outros soldados do sistema imunológico, as células T, para que eles rapidamente matem as células infectadas antes que elas façam novos vírus.
Finalmente, os melhores resultados poderão surgir da combinação de técnicas. A Dynavax, empresa de biotecnologia da Califórnia, espera iniciar um teste em 2010 com uma vacina desenhada para estimular anticorpos contra M2 e células T contra nucleoproteínas.

14/05/2009 - 11:29h Porca miséria

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Após a doutorice de José Serra, explicado que a gripe H1N1 “é transmitida dos porquinhos para as pessoas só quando eles espirram”, e que “Portanto, a providência elementar é não ficar perto de porquinho algum, mesmo não tendo a gripe suína no Brasil.” O governador vai enfrentar na justiça os defensores da culinária porcina.

“ESPÍRITO DE PORCO: ASSOCIAÇÃO FAZ CAMPANHA PARA RESPONDER A DECLARAÇÕES DE SERRA
A Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo lançou campanha nos jornais contra declaração de José Serra (PSDB), que na semana passada disse que “alguns espíritos de porco” recorreriam à Justiça contra a lei antifumo. “A postura do governador desmerece o Poder Judiciário” e “é típica dos governantes autoritários”, diz a entidade.”
Folha SP 14/5/2009

09/05/2009 - 15:46h “Vírus da gripe suína não é mais grave que o de gripe comum”, diz especialista

http://radiopico.pt/site/imagens/Image/Gripe.jpg

FERNANDA BASSETTE da Folha de S.Paulo

Dois dias depois de o Brasil ter confirmado casos de gripe suína, Caio Rosenthal, infectologista do hospital Emílio Ribas diz que não há razão para pânico. “O quadro clínico provocado por esse vírus é um quadro nem mais nem menos severo do que qualquer outra gripe.”

FOLHA – Por que a gripe suína causou tanto pânico no mundo?

CAIO ROSENTHAL – É um vírus novo que “pegou” e como todo agente novo ele causa um certo pânico por causa do desconhecimento do que ocorrer. Como é um vírus que ninguém tem imunidade, então pode atingir uma boa parte da população mundial. O quadro clínico provocado por esse vírus é um quadro nem mais nem menos severo do que qualquer outra gripe que acomete a população nos meses mais frios.

FOLHA – O total de casos confirmados até hoje no mundo é o esperado? Poderia ser muito maior?

ROSENTHAL – A gente não pode fazer uma dedução. Mas tudo indica que uma grande porcentagem da população ainda será atingida. E isso está ocorrendo com uma certa velocidade porque o vírus surgiu faz menos de 20 dias e já temos vários continentes com casos. Então, tudo indica que o poder de transmissão do A (H1N1) é muito alto.

FOLHA – É possível saber o grau de morbidade do vírus?

ROSENTHAL – Não. O que sabemos é que o vírus tem características que nos possibilitam prever que ele não terá uma severidade tão grande quanto o da gripe aviária.

FOLHA – A pessoa que contraiu o vírus e se curou fica imunizada?

ROSENTHAL – Teoricamente, sim. O problema é que o vírus é muito mutante.

FOLHA – A Anvisa autorizou a fabricação da vacina contra o vírus no Brasil. Ela será instrumento fundamental para evitar a gripe?

ROSENTHAL – Sim, mas não a curto prazo. A vacina requer um tempo muito grande de produção, pois é feita através de ovos embrionários de galinha. Para cada dose, é necessário um ovo. Para o país produzir milhares de doses é preciso ter uma tecnologia muito grande.

FOLHA – É preciso usar máscaras na rua?

ROSENTHAL – Não, isso é fanfarronice. Totalmente desnecessário, o vírus não está circulando. Tanto os casos suspeitos como os casos que estão com a doença estão sendo isolados. Além disso, depois de duas horas a máscara não protege mais.

FOLHA – O que as pessoas devem fazer para se proteger?

ROSENTHAL – Ela precisa procurar um posto médico quando tiver sintomas e sinais compatíveis com uma gripe e, principalmente, se tiver os dados epidemiológicos que fecham a definição de casos suspeitos (pessoas que tiveram em países com foco da doença e que apresentam os sintomas). E lavar as mãos com frequência, pois 25% dos pacientes diagnosticados até agora apresentaram quadros de vômito, diarreia e náusea –o que difere um pouco da gripe sazonal e nos faz pensar que pode haver transmissão oral-fecal.

09/05/2009 - 11:28h Gripe afeta turismo mundial

Mercado Aberto

GUILHERME BARROS – FOLHA SP

guilherme.barros@grupofolha.com.br

Gripe suína é tema principal de congresso sobre turismo

“Más notícias nunca vêm sozinhas.” A frase é de Jean-Claude Baumgarten, presidente do WTTC (World Travel & Tourism Council), ao se referir aos impactos da crise financeira mundial que já abalou os números do turismo global e agora ganha força da gripe A (H1N1) para atrapalhar ainda mais o setor.
Baumgarten vem ao Brasil para participar, nos próximos dias 15 e 16, em Florianópolis, da Conferência Global sobre Viagens e Turismo, organizada pelo WTTC, que reúne as cem principais lideranças do setor no mundo.
Durante o evento, será apresentado um estudo sobre os estragos que a pandemia pode provocar no setor. Estará presente um representante da Organização Mundial de Saúde do México, país cujo turismo tem sofrido os piores reflexos.
Nas últimas semanas, desde que começaram a ser divulgados os casos de vítimas da doença, o fluxo global de turismo já caiu. Países como México e Estados Unidos já estão sendo afetados, obviamente, segundo Baumgarten, mas não serão os únicos.
“Reino Unido, França, China e muitos outros sofrerão”, diz o presidente do WTTC.
O PIB do turismo mundial vinha se aquecendo nos últimos anos, com crescimento médio de 3,6% ao ano entre 2004 e 2007. Com o aprofundamento da crise financeira, em 2008, o crescimento foi de apenas 1%. Para 2009, a expectativa é de redução de 3,5%.
“Em 2010, esperamos estabilização, com crescimento entre 0,25% e 1%”, afirma Baumgarten. Só a partir de 2011 esses números saltariam para o patamar dos 4,3% ao ano.
“É preciso atentar agora para o fato de que vai chegar um momento em que a economia vai se reerguer. E nesta hora os países precisam estar preparados com infraestrutura e investimentos, principalmente por meio de parcerias público-privadas. Os governos devem estar prontos para o potencial de crescimento do turismo, que é muito forte em economias como Brasil, Índia, China e tantas outras.”
Neste ano, a indústria do turismo deve gerar US$ 5,4 trilhões, considerando os diversos setores em que influencia. Sozinho, o PIB do setor deve ficar em US$ 1,8 trilhão, segundo pesquisa do WTTC realizada pela Oxford Economics.

Leia a integra da coluna na Folha SP

04/05/2009 - 14:15h Porque ri hoje, quando assiti ao vídeo sugerido por Rafael sobre o “melhor Ministro da Saúde do mundo”

Entenda a gripe suína

29/04/2009 - 11:14h Porcos no espaço, gente lunática

 

VINICIUS TORRES FREIRE – FOLHA SP

“Gripes” novas no mundo têm matado menos gente que a dengue no Brasil, mas pessoas correm às farmácias

HÁ GENTE à procura de pacotes de remédios para gripe em São Paulo. Ainda não começou a temporada de gripe paulista, coisa muito comum nos invernos desta cidade de ar sujo, de gente estressada, estafada e espremida em ônibus e metrôs hiperlotados.
Mas basta um passeio por 14 farmácias da zona oeste e do centro da cidade para ouvir relatos de atendentes e farmacêuticos sobre o aumento maluco do número de pessoas a pedir antivirais, gel para limpar mãos, sabonetes antissépticos, remédios para sintomas de gripe e máscaras para proteger o rosto. Isso em lugares como a avenida Paulista, no Pacaembu e em Higienópolis (onde mora gente rica e, supunha-se, mais informada), em Santa Cecília, Campos Elíseos e no Centro Velho. Numa farmácia da avenida Angélica, no centro de Higienópolis, um homem de máscara comprou três caixas de antiviral, gastando o equivalente a um salário mínimo. Tomar antiviral sem estrita recomendação médica é um estrita idiotice. As pessoas estão doidas.
O México, epicentro da doença, rebaixou ontem de 22 para 7 o número de pessoas que, segundo exames, foram mortas pelo vírus dito “suíno”, que por ora parece ser “agressivo” apenas no México, se tanto. Nos EUA, mais da metade dos casos ocorreu entre colegiais que viajaram pelo México.
Em 2008, 585.769 pessoas tiveram dengue no Brasil. Nesse ano, apenas a dengue hemorrágica matou 223 pessoas no país. Quase tantas quanto as mortas por outra sensação gripal que não decolou, a aviária (desde 2003, no mundo inteiro).
A cidade de São Paulo não é das mais afetadas pela dengue. Nuns anos têm 500 casos, noutros 800. Noutros anos, uma dúzia. Mas já houve microssurtos até no rico Pacaembu e na região da rua Oscar Freire, onde uma bolsa pode custar o preço de um carro e as pessoas andam em carros que custam um apartamento. Porém não houve comandos de erradicação de potinhos de água parada nem um surto de vendas de raquetes elétricas para matar mosquitos. Lembram-se das raquetes elétricas? Viraram moda no verão de 2008, quando o Rio teve uma epidemia violenta, os hospitais desceram a um nível ainda pior de colapso e as Forças Armadas armaram barracas na rua para atender doentes.
Parece, pois, que estamos dispostos a morrer de doenças conhecidas e razoavelmente evitáveis, desde que enraizadas nas nossas miséria e ignorância. Dengue, malária, disenterias que matam milhares devido a condições sanitárias indecentes, atropelamento, facada, tiro -morrer disso, tudo bem. É coisa nossa. Mas um vírus por ora apenas midiático leva multidões às farmácias.
Será mais um caso de doença como metáfora? O mundo quer se distrair dos perigos mais evidentes e imediatos que produziu, como crises financeiras e fome?
Cientistas dizem que, a cada 30 ou 40 anos, há um surto global de gripe. Os últimos ocorreram nos anos 50 e 60. Segundo essa teoria, digamos, do ciclo gripal, estaríamos perto de ter uma irrupção da doença. Mas, segundo os cientistas da área, ainda não sabemos nada sobre a letalidade do vírus, sua origem, velocidade de espraiamento do mal etc. O vírus é por ora apenas “informacional”.

vinit@uol.com.br

28/04/2009 - 09:59h Governo e Ministério da Saúde já estão de prontidão para enfrentar eventual surto de gripe no Brasil

Plano prevê 50 hospitais de referência

Além de mobilizar as unidades em todo o País, governo implantou telefone tira-dúvidas

Fernanda Aranda e Felipe Oda – Jornal da Tarde (JT)

O Brasil colocou em prática ontem um pacote de ação para evitar que o vírus da gripe suína se espalhe em território nacional. Em São Paulo também foi criado um plano de emergência para conter os casos, já que o Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, é apontado como um dos locais de risco de entrada da infecção no País.

Todas as secretarias de Estado da Saúde foram acionadas e 50 hospitais públicos do País estão escalados para serem referência de atendimento em caso de suspeita de contágio. O governo federal vai comprar 100 mil máscaras para seus agentes, além de distribuir 1 milhão de folhetos explicativos sobre o vírus. O Ministério da Saúde também colocou em funcionamento um serviço telefônico para tirar dúvidas da população (0800-61 1997).

Em São Paulo, a Secretaria de Saúde acionou 8 unidades, que ficarão de prontidão, três delas na capital: Hospital das Clínicas, Instituto Emílio Ribas e Hospital São Paulo. No total, são150 leitos de isolamento, dos quais 60 possuem pressão negativa para evitar risco de disseminação. O Centro de Vigilância Epidemiológica de SP encaminhou instrução aos 645 municípios sobre como identificar e tratar casos suspeitos.

“Estamos mobilizando os cerca de 100 mil médicos do Estado, das redes pública e particular, para que notifiquem imediatamente qualquer caso de pacientes com problemas respiratórios agudos, que cheguem principalmente do México e dos EUA”, afirmou o secretário estadual da Saúde de São Paulo, Luiz Roberto Barradas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Infraero anunciaram o reinício do Plano de Contingência à Influenza em 10 aeroportos brasileiros, o mesmo utilizado em 2006 durante a epidemia da gripe aviária. Segundo o governo, 7 mil pessoas desembarcam diariamente nos aeroportos do País vindos de voos procedentes dos Estados Unidos e do México. Ontem, em Cumbica e no Galeão, no Rio de Janeiro, avisos sonoros davam informações aos passageiros.

Entre as orientações está a de que as tripulações dos voos vindos das áreas de contágio deverão avisar a torre de controle dos aeroportos sobre a eventual existência de passageiros com sintomas da doença. Em caso de suspeita, ambulâncias encaminham o paciente para um dos hospitais referência. Além da pessoa com sinais da gripe, todos os demais tripulantes e passageiros deverão ser monitorados, por telefone, por dez dias. A Anvisa se reúne hoje com o sindicato e as companhias aéreas para acertar detalhes da ação.

No domingo, a principal reclamação de quem chegava aos aeroportos do País era a falta de informação e mobilização dos agentes brasileiros. A falha foi reconhecida pela Anvisa, que justificou o atraso devido aos problemas na impressão de folhetos informativos.

AS AÇÕES

O governo distribuirá 1 milhão de panfletos informativos

Compra de 100 mil máscaras cirúrgicas descartáveis para agentes de saúde e população

50 hospitais de referência no País receberão os casos de suspeita de contaminação do vírus

Na capital, esses hospitais são: Hospital das Clínicas, Emílio Ribas e Hospital São Paulo

Envio de mensagens sonoras às companhias aéreas e aeroportos para que elas sejam reproduzidas nos voos e nos saguões

Monitoramento por telefone, por até 10 dias, de passageiros que estiveram em um voo com algum suspeito de contágio

Utilizar as informações da Declaração de Bagagem Acompanhada (DBA) para eventual busca de contatos em caso de suspeita

Estabelecer um acordo de colaboração com as companhias aéreas, que deverão informar sobre passageiros com sintomas

As tripulações deverão orientar os passageiros sobre a doença e solicitar que as pessoas com sintomas se identifiquem

Dúvidas sobre a gripe suína poderão ser esclarecidas pelo telefone 0800-61 1997

Informações também estão disponíveis no site: www.anvisa.gov.br/hotsite/influenza/index.htm


HISTÓRIA

SEM ALARDE

Autor de uma série de estudos sobre saúde pública e as epidemias do século 20, o sociólogo e historiador Claudio Bertolli Filho, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), combate o estado de pânico e lembra dos avanços da medicina nos últimos cem anos. “Sempre que se fala em gripe fica a ideia de que uma tragédia vai acontecer, milhões serão contaminados e milhares morrerão. Esse é um discurso muito comum e que de tempos em tempos reaparece. O que se desconsidera nesse discurso é a evolução da saúde”, diz
o especialista

GRIPE ESPANHOLA

Segundo ele, existe a hipótese de que a gripe espanhola (que arruinou o mundo em 1918) tenha surgido em um quartel no Texas, antes da 1º Guerra Mundial, que ficava ao lado de uma criação de porcos

MUTAÇÃO

Bertolli Filho diz ainda que o vírus gripal é um dos que mais muda com o decorrer do tempo. Especula-se que, em média, a cada 80 ou 90 anos, uma mutação cause a elevação do grau de letalidade dos vírus. Quando isso ocorre, corresponde a cerca de 1% a 1,5% de mortes do universo de contaminados

28/04/2009 - 09:39h Espirito de porco

Panico sobre gripe serve à especulação na bolsa, venda de remédios, xenofobia contra imigrantes e queda no consumo de carne de porco. Aqui no Brasil seguramente para atacar o presidente Lula, como já aparece em algumas cartas de leitores nos jornais. É o que se chama espirito de porco.
Leia a seguir a interessante entrevista publicada hoje no jornal O Estado de São Paulo com um historiador que reposiciona no seu contexto histórico o alarmismo midiático atual. LF

Clique na imagem da entrevista do jornal O Estado SP para ampliar e ler

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28/04/2009 - 08:39h Entenda a gripe suína

Gripe surgiu em criações de porcos e reúne genes de vírus que podem atingir suínos, aves e humanos. Saiba o que ela é e como se prevenir

Fonte O Estado SP