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	<title>Blog do Favre &#187; guerra</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Eleito por ex-guerrilha, salvadorenho acena aos EUA</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Mar 2009 12:14:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Mauricio Funes chega à Presidência do país centro-americano após décadas de governos conservadores e prega &#8220;reconciliação nacional&#8221;
DA REDAÇÃO FOLHA SP
O presidente eleito de El Salvador, Mauricio Funes, da ex-guerrilha de esquerda FMLN (Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional), prometeu ontem fazer um governo de reconciliação nacional e de estreitos laços com os EUA, um dia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/03/eleito-por-ex-guerrilha-salvadorenho-acena-aos-eua/10157/" rel="attachment wp-att-10157" title="mauricio_funes_lancamento_web.jpg"></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/03/mauricio_funes_lancamento_web.jpg" alt="mauricio_funes_lancamento_web.jpg" /></div>
<p></a></p>
<p><strong>Mauricio Funes chega à Presidência do país centro-americano após décadas de governos conservadores e prega &#8220;reconciliação nacional&#8221;</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">DA REDAÇÃO FOLHA SP</p>
<p>O presidente eleito de El Salvador, Mauricio Funes, da ex-guerrilha de esquerda FMLN (Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional), prometeu ontem fazer um governo de reconciliação nacional e de estreitos laços com os EUA, um dia após pôr fim nas urnas a duas décadas de gestão conservadora no país.<br />
&#8220;Desejo uma política exterior independente. Quero a integração centro-americana e o fortalecimento da relação com os EUA&#8221;, disse Funes a milhares de apoiadores no discurso de vitória, anteontem à noite.<br />
Pouco antes, a Arena (Aliança Republicana Nacionalista), no poder desde 1989, admitira a derrota -51,27% dos votos para Funes contra 48,73% do engenheiro e ex-chefe de polícia Rodrigo Ávila.<br />
Foi uma vitória histórica da ex-guerrilha FMLN, convertida em partido político em 1992, com o acordo de paz que encerrou 12 anos de guerra civil na qual lutou contra o governo, apoiado militarmente por Washington. Cerca de 75 mil pessoas morreram no conflito no país centro-americano.<br />
Funes citou o bispo da Teologia da Libertação Oscar Romero, ícone da resistência na guerra civil, morto a tiros por paramilitares em 1980 enquanto rezava uma missa. &#8220;Monsenhor Romero disse que a igreja tinha uma opção preferencial pelos pobres. Isso eu farei: favorecer os pobres e os excluídos.&#8221;<br />
Tanto no discurso quanto nas primeiras entrevistas como presidente eleito, o jornalista Funes, 49, seguiu a cartilha de pragmatismo da campanha. &#8220;Este não é um tempo de vingança. É de entendimento.&#8221;<br />
O Departamento de Estado parabenizou Funes pela vitória e reiterou que Barack Obama cooperará com o novo governo, que toma posse em 1º de junho. A campanha governista havia inflado temores de que seu triunfo atrapalharia as cruciais relações com a Casa Branca -em 2004, essa foi a mensagem da gestão Bush.<br />
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que conhece o salvadorenho há anos, também telefonou para felicitá-lo. Funes é próximo do PT e casado com a advogada paulistana Vanda Pignato. Sua campanha foi dirigida por João Santana, marqueteiro petista.</p>
<p><strong>Desafios</strong><br />
Funes assumirá um país com mais da metade da população abaixo da linha de pobreza e, como os vizinhos de América Central, profundamente dependente da economia americana, hoje em crise.<br />
Cerca de 18% do PIB do país vem de remessas enviadas pelos mais de 2 milhões de salvadorenhos que vivem nos EUA. Também enfrentará a maior taxa de homicídios do continente -63 para cada cem mil habitantes- e quadrilhas ligadas aos cartéis mexicanos.<br />
No front político, o presidente eleito também terá de fazer alianças. A FMLN elegeu a maior bancada da Assembleia Legislativa, em janeiro, duas cadeiras a mais que a direita. Para maioria qualificada, porém, terá de fazer acordos com partidos de centro, como o Democrata Cristão.</p>
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		<title>Política de impostos é a espinha do projeto</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Mar 2009 14:36:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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DO &#8220;NEW YORK TIMES&#8221;, EM WASHINGTON
A história da economia dos EUA nos últimos 70 anos pode ser dividida a grosso modo em dois períodos: as décadas imediatamente seguintes à Segunda Guerra, quando a desigualdade diminuiu muito, e as últimas três décadas, quando as forças econômicas globais e a política governamental a fizeram aumentar em ritmo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://blogs.fayobserver.com/faytoz/files/2008/02/obama-08.JPG" alt="http://blogs.fayobserver.com/faytoz/files/2008/02/obama-08.JPG" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">DO &#8220;NEW YORK TIMES&#8221;, EM WASHINGTON</p>
<p>A história da economia dos EUA nos últimos 70 anos pode ser dividida a grosso modo em dois períodos: as décadas imediatamente seguintes à Segunda Guerra, quando a desigualdade diminuiu muito, e as últimas três décadas, quando as forças econômicas globais e a política governamental a fizeram aumentar em ritmo vertiginoso. Barack Obama se prepara para iniciar um terceiro período, mais semelhante ao primeiro do que ao segundo.</p>
<p>A agenda começa com os impostos. Nas últimas três décadas, a renda pré-impostos das famílias ricas subiu muito mais que a das demais, enquanto as alíquotas dos setores que mais ganham foram as que mais caíram, segundo o Escritório Orçamentário do Congresso. Como resultado, a renda média pós-imposto do 1% das famílias mais ricas saltou aproximadamente US$ 1 milhão desde 1979 (contada a inflação), chegando a US$ 1,4 milhão. Já a renda média geral subiu apenas um pouco mais que a inflação. Antes de tornar-se o principal assessor econômico de Obama, Lawrence Summers dizia que, com o aumento na desigualdade, era como se cada família que integrava os 80% inferiores do bolo de renda na prática estivesse remetendo anualmente um cheque de US$ 10 mil ao 1% mais rico. O Orçamento de Obama reflete essa percepção. Os especialistas ainda estão estudando os detalhes, mas parece que os vários cortes e créditos tributários voltados à classe média e aos pobres vão aumentar a renda final da família média em cerca de US$ 800.</p>
<p>Enquanto isso, o aumento dos impostos sobre o 1% mais rico provavelmente custará a eles US$ 100 mil por ano. &#8220;O código fiscal ficará mais progressista, com índices relativamente altos cobrados dos ricos e relativamente mais baixos da classe média e dos pobres&#8221;, disse Roberton Williams, membro sênior do Centro de Política Tributária, em Washington. &#8220;Isso é uma inversão da política de Bush.&#8221; E, assim como o aumento de taxação sobre os ricos imposto por Franklin Roosevelt se seguiu a um crash da Bolsa, que já tinha deprimido a renda deles, as propostas de Obama, se forem aprovadas, farão o mesmo.</p>
<p>Essa combinação tem o potencial de reverter uma parte importante da tendência de desigualdade das últimas décadas. Mas, para que o país repita o padrão pós-Segunda Guerra, será preciso que a renda da maioria das famílias também suba mais rápido do que tem subido desde a década de 70. Essa hipótese ainda é incerta. Economistas dizem ser pouco provável, nos próximos anos, que a economia americana cresça como nos anos 50 ou 60.</p>
<p><strong>Saúde e educação</strong></p>
<p>Obama pretende elevar a renda da classe média e dos pobres por dois canais principais. O primeiro é reformar a saúde para reduzir o valor gasto com seguro -hoje uma parcela grande a pesar nos salários. O outro canal é a educação. Nas últimas três décadas, os salários de profissionais com formação universitária subiram muito mais que os dos trabalhadores menos instruídos. Obama quer levar os trabalhadores para a primeira categoria, ampliando a assistência financeira federal e simplificando os programas de assistência.</p>
<p>E, nos últimos anos, os EUA perderam a posição como país em que mais adultos jovens se formam na universidade. &#8220;Os jovens de famílias de renda baixa e média frequentemente não aspiram a fazer faculdade&#8221;, disse o diretor do Escritório de Administração e Orçamento, Peter Orszag. &#8220;Eles ouvem falar das &#8220;taxas anuais de US$ 40 mil&#8221; e acham impossível.&#8221;</p>
<p><strong>Tradução de CLARA ALLAIN &#8211; FONTE FOLHA SP</strong></p>
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		<title>Novo Orçamento americano enterra a era conservadora</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Mar 2009 14:09:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Ideia central é reverter rápido crescimento da desigualdade iniciado nos anos 80 com Reagan
Com plano, Obama quer reescrever código tributário e tentar sanar parte das causas do desaquecimento da renda da classe média

DAVID LEONHARDT DO &#8220;NEW YORK TIMES&#8221;, EM WASHINGTON &#8211; FOLHA SP
O Orçamento que Barack Obama propôs na última quinta aos EUA não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>Ideia central é reverter rápido crescimento da desigualdade iniciado nos anos 80 com Reagan</strong></p>
<p><strong>Com plano, Obama quer reescrever código tributário e tentar sanar parte das causas do desaquecimento da renda da classe média</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www1.pictures.gi.zimbio.com/Barack+Obama+Campaigns+Mississippi+Ahead+State+6UBC3SH_P1Ul.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://www1.pictures.gi.zimbio.com/Barack+Obama+Campaigns+Mississippi+Ahead+State+6UBC3SH_P1Ul.jpg" width="553" height="365" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">DAVID LEONHARDT DO &#8220;NEW YORK TIMES&#8221;, EM WASHINGTON &#8211; FOLHA SP</p>
<p>O Orçamento que Barack Obama propôs na última quinta aos EUA não é nada menos que uma tentativa de pôr fim a três décadas de política econômica dominada pelas ideias de Ronald Reagan e seguidores.</p>
<p>A proposta de Obama -uma mudança radical em relação à história recente- prevê forte elevação dos impostos sobre os ricos, para além do patamar para o qual Bill Clinton os elevara. E reduz os impostos sobre o resto da população para menos do que estavam sob Clinton e George W. Bush. O Orçamento ainda deita as bases para mudanças amplas na saúde e na educação, entre outras áreas.</p>
<p>Mais que qualquer outra coisa, a ideia é reverter o crescimento rápido da desigualdade econômica verificado nos últimos 30 anos. Isso deve ser feito, primeiro ao reescrever o código tributário e, no longo prazo, ao tentar resolver algumas das causas do desaquecimento da renda da classe média, como os altos custos médicos e a queda nos ganhos educacionais.</p>
<p>Depois de Obama ter passado boa parte de suas primeiras cinco semanas na Presidência tratando da crise financeira, seu Orçamento traz de volta para a mesa as prioridades nas quais ele baseou sua campanha.</p>
<p>Seus esforços vão aumentar um déficit já inchado pelas políticas de Bush e a recessão, criando o maior déficit desde a Segunda Guerra. Eliminá-lo vai exigir escolhas difíceis -como cortes extras de gastos e aumentos nos impostos- que Obama evitou tratar por ora.</p>
<p>Apesar disso, ele fez escolhas. Buscou eliminar subsídios corporativos que os economistas criticam há muito tempo, pagos a seguradoras de saúde, bancos e empresas agrícolas. Propôs taxar a emissão de carbono, para desacelerar o aquecimento global, e depois refinanciar a maior parte da receita obtida com esse programa, por meio de cortes amplos nos impostos.</p>
<p>Pediu cerca de US$ 100 bilhões por ano em aumentos dos tributos sobre os ricos -em sua maioria adiados até 2011, quando se presume que a recessão terá terminado- e US$ 50 bilhões por ano em cortes líquidos para os não-ricos.</p>
<p>Há ainda muitas perguntas em aberto sobre a proposta, a começar pelas chances de o Congresso aprová-las. Os planos para saúde e educação também esbarram em resistência, e, se a economia continuar fraca até 2010, os republicanos no Congresso vão tentar atribuir a culpa por isso ao aumento dos impostos para os ricos.</p>
<p>Aconteça o que acontecer, porém, faz muito tempo que nenhum presidente tentava usar seu Orçamento para moldar o governo e a economia tanto quanto Obama tentou. Nesse ponto, ele e Ronald Reagan têm algo em comum.</p>
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		<title>Sobre os prémios World Press Photo 2008</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Feb 2009 22:35:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ 


 Yannis Kolesidis/Reuters, Grécia, 2º prémio People in the News
O crítico do Público Eduardo Cintra Torres é um espectador atento à criação fotográfica contemporânea e ao fotojornalismo em particular.
Eis o texto que escreveu para o Arte Photographica sobre os prémios World Press Photo 2008 ontem divulgados:
“Não há luz ao fundo da porta do fundo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 class="post-title entry-title"> <a href="http://artephotographica.blogspot.com/2009/02/ect-sobre-os-premios-wpp08.html"><strong><br />
</strong></a></h3>
<div class="post-body entry-content">
<div align="center"><a href="http://3.bp.blogspot.com/_ZRMrNHzFJQI/SZb6GbKhlXI/AAAAAAAADpQ/McRTGCb-fpw/s1600-h/maosangue.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_ZRMrNHzFJQI/SZb6GbKhlXI/AAAAAAAADpQ/McRTGCb-fpw/s400/maosangue.jpg" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5302700599553398130" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; height: 258px; text-align: center" border="0" /></a> <span style="font-size: 78%">Yannis Kolesidis/Reuters, Grécia, 2º prémio <em>People in the News</em></span></div>
<p>O crítico do <em>Público</em> <span style="color: #990000"><strong>Eduardo Cintra Torres</strong></span> é um espectador atento à criação fotográfica contemporânea e ao fotojornalismo em particular.<br />
Eis o texto que escreveu para o <em>Arte Photographica</em> sobre os prémios <strong>World Press Photo 2008</strong> ontem divulgados<strong><span style="font-size: 130%; color: #cc0000">:</span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: 180%; color: #ff6600">“</span></strong><em><strong>Não há luz ao fundo da porta do fundo das nossas casas</strong><br />
</em><br />
O Iraque e o Afeganistão desapareceram dos prémios <strong>World Press Photo</strong> relativos a 2008. Não há entre as fotografias premiadas nada da guerra no Iraque <strong>(</strong>mas ainda há guerra no Iraque? Esta semana, em Badgad, o movimento do <em>anti-american radical cleric</em> Al-Sadr, como lhe chama a imprensa americana, patrocinou uma boa exposição de pintura contemporânea iraquiana<strong>)</strong>. Do Afeganistão, nada também. E do Médio Oriente, onde ocorreram duros combates entre Israel e o Hamas, chega apenas uma fotografia, anterior ao conflito. É uma imagem de perturbadora beleza: quatro manifestantes palestinos procuram abrigar-se debaixo de uma oliveira isolada enquanto pelo chão se espalha uma nuvem de gás lacrimogéneo; a mancha branca do gás é bela, igual aos farrapos de nuvens verdadeiras no céu azul com que parece misturar-se, o nevoeiro lacrimoéneo quer esconder o mal que alberga; e a oliveira, tão bonita, símbolo de paz, no meio da pequena clareira onde o gás ainda não chegou, parece o antídoto contra o gás venenoso, mas, na sua velhice, enrosca-se em si mesma, dando um movimento adicional à imagem que nos diz como a paz é torta e difícil naquele lugar. A fotografia não ganhou o primeiro prémio, nem as fotografias do conflito mais ilustrado deste ano, o da guerra na Geórgia, que aos tanques e militares preferiram gente que chora mortos: o fotojornalismo, como a pintura desde pelo menos a Segunda Guerra Mundial, não quer saber de vitórias militares, apenas vê derrotas humanas.</p>
<p>É o caso das guerras tribais no Quénia, que motivaram imagens premiadas, fotografias extraordinárias que mostram que não há ali diferença entre vencidos e vencedores, os que matam e os que morrem são intermutáveis, é terrivelmente difícil sentir pena, apenas se sente horror pelo grau zero a que chega o valor da vida: aquela criança que à porta de casa agita as mãos quando chega o assassino de cacete na mão tem o horror da morte espelhado no gesto.</p>
<p>Há ainda outras guerras destacadas pelos prémios deste ano. São as guerras da natureza contra o homem, a que chamamos catástrofes naturais: um terramoto na China premiou um instantâneo com o primeiro lugar nessa categoria e originou um outro segundo prémio para uma fotografia que parece caótica por nos transmitir o caos da destruição em Beichuan; um ciclone em Myanmar arrancou o terceiro prémio de reportagem; um vulcão no Chile transmitiu toda a beleza da explosão ao primeiro prémio na categoria Natureza. Há também as guerras nas favelas, as guerras de gangues, o terrorismo em Bombaim. E sobra sangue: sangue no desporto <strong>(</strong>no judo, no boxe<strong>)</strong>, sangue nos chãos de zonas de conflito e sangue que escorre debaixo da manga dum manifestante em Atenas, numa fotografia de impressionante composição: em primeiro plano, à direita, a manga dum blaser, o sangue que escorre pela mão, a mão que segura um dossiê, mão de professor. À sua frente, os escudos da polícia de choque: o sangue é o índice da violência e da irredutibilidade das posições.</p>
<p>Todavia, dentre todas as imagens, o júri escolheu para fotografia do ano a imagem de um polícia dentro de uma casa desocupada. Ele está armado, aponta a arma para uma divisão da casa que não podemos ver. O chão da divisão em que nos encontramos com ele está caótico: caixotes espalhados, lixo, papéis, mobílias velhas. Na parede ao fundo, um aplique torto; na casa de banho pela porta aberta em frente, a mesma desarrumação. Só a legenda nos pode explicar esta imagem marcada por uma violência que já passou <strong>(</strong>a desarrumação<strong>)</strong> e por uma violência que poderá chegar <strong>(</strong>o polícia que se precavê de arma apontada<strong>)</strong>. Esta guerra é outra, diz a legenda: “Economia dos EUA em Crise: depois dum despejo, o detective Robert Kole tem de garantir que os moradores saíram da sua casa. Cleveland, Ohio, 26 de Março”.</p>
<p>Esta guerra chegou ao interior dos Estados Unidos. É mesmo uma guerra, vê-se os indícios dela. E é um drama, vê-se pela composição: a parede do fundo é como um pano de teatro paralelo aos espectadores <strong>(</strong>nós que vemos a fotografia<strong>)</strong>, há portas como no teatro, há um movimento subtil do polícia, como os dos actores no palco. Há suspense: que poderá acontecer na outra divisão da casa? Estará alguém lá? Imaginamos que a família saiu, de rastos pela miséria que sobre ela se abateu, e vingando-se, deixando o lixo para quem vier a seguir: mas será que a família desesperada se esconde ainda no quarto ao lado?</p>
<p>A composição como de um palco de teatro favorece a organização harmónica, fornecendo a compreensão estética que compensa o caos dos elementos soltos. E essa harmonia é reforçada por um elemento paradoxal: o polícia, que parece estar do lado direito da imagem, por já ter ultrapassado a porta do fundo, está afinal exactamente no centro geométrico da imagem: o <em>colt</em> que traz à cintura marca o ponto em que as diagonais se intersectam.</p>
<p>Lemos as imagens da esquerda para a direita, e aqui essa narrativa só nos promete incerteza e a hipótese de conflito e de medo. Como nos quadros, a luz vem da esquerda, do passado, dos tempos alegres em que a família viveu nesta casa; a escuridão está à frente do polícia e por isso à nossa frente, do lado direito, é o negro para lá da porta, o Adamastor da crise. É para lá que o polícia aponta a arma: para o futuro, para a crise, para uma guerra em potência dentro das nossas casas — aquele vazio negro é o túnel sem luz ao fundo que nos ameaça a todos. Esta fotografia é um ícone da crise que chegou, da crise que está, da guerra das famílias contra a crise, o Adamastor, o monstro negro. É o ícone do fim da era Bush e das suas guerras pelo mundo fora, é o ícone do início da era Obama, da guerra interior com que se vêem a braços milhares de milhões de famílias, empresas, polícias e policiados da América e de cada país do mundo. <strong><span style="font-size: 130%; color: #ff6600">”</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #990000">Eduardo Cintra Torres</span></strong></p>
<div align="center"> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" id="soundslider" width="425" height="316"><param name="id" value="soundslider" /><param name="width" value="425" /><param name="height" value="316" /><param name="bgcolor" value="000000" /><param name="_cx" value="11245" /><param name="_cy" value="8361" /><param name="src" value="http://static.publico.clix.pt/blogs/artephotographica/wpp08blogue/soundslider.swf?size=2&amp;format=xml&amp;embed_width=425&amp;embed_height=316&amp;autoload=false" /><param name="wmode" value="Window" /><param name="play" value="-1" /><param name="loop" value="-1" /><param name="quality" value="High" /><param name="salign" value="LT" /><param name="menu" value="0" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="scale" value="NoScale" /><param name="devicefont" value="0" /><param name="embedmovie" value="0" /><param name="seamlesstabbing" value="1" /><param name="profile" value="0" /><param name="profileport" value="0" /><param name="allownetworking" value="all" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" id="soundslider" width="425" height="316" bgcolor="000000" _cx="11245" _cy="8361" src="http://static.publico.clix.pt/blogs/artephotographica/wpp08blogue/soundslider.swf?size=2&amp;format=xml&amp;embed_width=425&amp;embed_height=316&amp;autoload=false" wmode="Window" play="-1" loop="-1" quality="High" salign="LT" menu="0" allowscriptaccess="always" scale="NoScale" devicefont="0" embedmovie="0" seamlesstabbing="1" profile="0" profileport="0" allownetworking="all" allowfullscreen="true"></embed></object></div>
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<p><span class="post-author vcard"> <strong>Post de <span class="fn">Sérgio B. Gomes</span></strong></span></p>
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		<title>Cartier-Bresson: o olhar do século 20</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Feb 2009 20:57:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ O jornalista Pierre Assouline escreveu a biografia, agora lançada no Brasil pela editora L&#38;PM, sobre o fotógrafo francês



 
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Luiz Zanin Oricchio &#8211; O Estado SP
Você com certeza já deve ter visto algumas dessas imagens: Sartre na Pont des Arts, Gandhi, um casal se beijando em Paris, um garoto sorridente carregando duas garrafas de vinho na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>O jornalista Pierre Assouline escreveu a biografia, agora lançada no Brasil pela editora L&amp;PM, sobre o fotógrafo francês</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://coeurdejade.canalblog.com/albums/cartier_bresson/m-vin.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://coeurdejade.canalblog.com/albums/cartier_bresson/m-vin.jpg" /></div>
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<p align="center"> <img src="http://anodafrancanobrasil.cultura.gov.br/wp-content/uploads/2008/12/henri-cartier-bresson131.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://anodafrancanobrasil.cultura.gov.br/wp-content/uploads/2008/12/henri-cartier-bresson131.jpg" /></p>
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<p align="center"> <img src="http://iamiam.ca/musing/wp-content/uploads/cartier-bresson-henri-jean-paul-sartre-and-jean-pouillon.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://iamiam.ca/musing/wp-content/uploads/cartier-bresson-henri-jean-paul-sartre-and-jean-pouillon.jpg" /></p>
<p style="background-color: #ffff99">Luiz Zanin Oricchio &#8211; O Estado SP</p>
<p>Você com certeza já deve ter visto algumas dessas imagens: Sartre na Pont des Arts, Gandhi, um casal se beijando em Paris, um garoto sorridente carregando duas garrafas de vinho na Rue Mouffetard, o rosto trágico de Edith Piaf. São de Henri Cartier-Bresson (1908-2004), sinônimo de fotografia no século 20. Contra sua vontade, ele fundou uma escola e um estilo. A teoria do &#8220;instante decisivo&#8221;, a opção pelo preto-e-branco, a Leica, a recusa ao uso do flash &#8211; tudo isso constituiu uma mitologia em torno do homem que elevou a fotografia à condição de arte (teve exposições em Nova York e no Louvre num tempo em que a fotografia era considerada apenas registro técnico). Ao mesmo tempo, com Robert Capa, fundou o fotojornalismo. Virou ícone e mito mas fez questão de manter sua vida pessoal numa zona de sombra. Seu biógrafo Pierre Assouline tenta levantar o véu de mistério que cerca esse personagem em Cartier-Bresson &#8211; O Olhar do Século, que sai agora pela L&amp;PM (tradução de Julia da Rosa Simões, 352 págs., R$ 56).</p>
<p>Assouline não se contenta em fazer uma biografia convencional. Além de reconstruir a vida de Cartier-Bresson (designado, na França, pela sigla HCB), procura compreender seu processo de trabalho, entender o que faz de uma foto dele algo único, singular, inimitável. Assouline tem prática na coisa. Entre outros, já biografou personalidades como Georges Simenon, Gaston Gallimard e Hergé, o criador de Tintin. É jornalista cultural do Le Monde e mantém no ar o blog literário de maior sucesso em seu país (http://passouline.blog.lemonde.fr/), com milhares de acessos e centenas de comentários por dia. Certo, é na França, mas mesmo assim, invejável.</p>
<p>Compreensão implica entendimento do contexto. HCB vem de família rica. Essa contingência, independente da vontade do sujeito pois ninguém escolhe o berço em que nasce, pode conduzir à soberba, à indiferença ou a nada disso. Já a riqueza do jovem Henri fazia-o sentir culpa em relação às classes desfavorecidas. Menino, recortou do jornal L?Echo de Paris o artigo intitulado De Onde Vem o Dinheiro? e o pregou em cima do espelho, para vê-lo todas as manhãs. A culpa é elemento importante na motivação, ensinou Freud (&#8221;Não é a fé, é a culpa que remove montanhas&#8221;, dizia).</p>
<p>Isso pode em parte explicar a escolha de temas, mas de onde vem a &#8220;estética&#8221; das fotos de HCB, sua incomparável noção de volume, os retratos famosos, instantâneos que parecem resumir toda uma vida dos fotografados? Nesse caso é preciso lembrar que a primeira vocação de Cartier-Bresson foi a pintura &#8211; ele ama Cézanne, em particular. Mas também a literatura, tendo Proust como guia de toda a vida. &#8220;São suas verdadeiras referências culturais&#8221;, escreve Assouline. &#8220;São seus ?fotógrafos? de cabeceira.&#8221; O jovem Henri cuida também da parte &#8220;técnica&#8221; e se matricula na escola de André Lothe, onde trabalha a pintura e, em especial, o desenho. Vai com regularidade ao Louvre e copia obras dos mestres. De Lothe apanha o &#8220;vírus&#8221; da geometria. Adota como seu o lema da Academia de Platão: &#8220;Quem não for geômetra, não entre.&#8221;</p>
<p>O curioso é que, na composição da personalidade de HCB, o espírito de geometria tenha de se afinar com o que parece ser seu oposto &#8211; a convivência com Breton e Aragon, e portanto com o surrealismo, seu flerte com o inconsciente, o acaso e o desejo. Dessas exigências contrárias ele tira a síntese que seria a grande lição de Lothe: não existe liberdade sem disciplina. Na verdade, o que acontece nesses anos de formação é menos a aquisição de uma técnica ou o aprendizado de um ofício do que a formação de um olhar. Olhar que, por sua vez, encontra na flexibilidade de um aparelho fotográfico alemão o seu veículo perfeito. Esse é um dos casamentos do século: HCB e a sua Leica.</p>
<p>União que poderia ser menos fértil caso HCB fosse um artista de gabinete. Pelo contrário, ele se mostrou viajante incansável, tendo morado em vários países. Além disso, buscou sempre fazer-se presente onde as coisas aconteciam, ou poderiam acontecer. Esteve na guerra civil na Espanha, foi feito prisioneiro durante a 2ª Guerra Mundial, escapou e assistiu à Liberação de Paris. Registrou, com terror, a caça aos colaboracionistas. Estava na Índia quando Gandhi foi assassinado e foi dos últimos a vê-lo com vida. Em contato com o inesperado da experiência, era insuperável na escolha daquele momento único no qual o obturador deve ser disparado para captar uma imensidão de vida em uma fração dela. Toda a arte da fotografia está na escolha desse momento, que HCB definiu como o &#8220;instante decisivo&#8221;. Por isso, um dos seus personagens, Sartre, pôde defini-lo como &#8220;o homem que fotografou a eternidade&#8221;.</p>
<p>Em tempo: o próprio Henri Cartier-Bresson odiava ser fotografado. Só deixou sua imagem ser captada em raras e especiais ocasiões.</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_mmP80g0QO-U/SK8RCH6u2VI/AAAAAAAADYU/rJ09fCN-gKY/s400/HenriCartierBresson.jpg" alt="http://4.bp.blogspot.com/_mmP80g0QO-U/SK8RCH6u2VI/AAAAAAAADYU/rJ09fCN-gKY/s400/HenriCartierBresson.jpg" /></div>
<div id="c">
<h3>&#8221;Tive toda a liberdade, esse era nosso pacto&#8221;</h3>
<p>Assouline fala sobre seu biografado, de quem foi amigo</p></div>
<div class="grupoC2">
<p class="fonte">Luiz Zanin Oricchio</p>
<p class="tmTexto" id="ctrl_texto"><span style="color: #155e91" id="tm04" onclick="sizeFonts(14),selectedFonts('tm04'); return false"><br />
</span></p>
<p><script>Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")</script></div>
<div id="corpoNoticia">
<div class="ImagemMateria"></div>
<p><strong>Você é biógrafo e era amigo de Cartier-Bresson. Essas duas condições não se contradizem? </strong></p>
<p>Não há contradição, mas complementariedade. Eu tinha toda a liberdade e jamais refreei meu espírito crítico. Caso contrário eu não poderia escrever e teria renunciado ao projeto. Era nosso pacto.</p>
<p><strong>No fim do volume você escreve que o livro é produto de cinco anos de conversas, correspondência, pesquisas, etc. Como organizou o material?</strong></p>
<p>Exatamente da mesma maneira que as outras nove biografias que escrevi. Recolhi material durante alguns anos e, em seguida, coloquei tudo no chão, olhei as peças do quebra-cabeça, ajeitei-as e escrevi.</p>
<p><strong>Duas reaparições constantes na vida de HCB, que fazem pensar no &#8220;rosebud&#8221;, de Welles: a frase &#8220;de onde vem o dinheiro&#8221; e sua faca de estimação Opinel.</strong></p>
<p>A frase é seu rosebud escrito, Opinel, seu rosebud objeto. Isso guiou sua vida. A frase o influenciou porque ele era complexado pelo fato de ser filho de família rica.</p>
<p><strong>A trajetória de HCB parece surpreendente &#8211; da pintura à foto e da foto de volta à pintura. Como compreendê-la ?</strong></p>
<p>Nem tão surpreendente assim, porque se trata menos da pintura do que do desenho. Ele formou seu olhar de fotógrafo no Louvre e na Academia Lothe. O importante não é nem o material e nem a técnica. É o olhar.</p>
<p><strong>Em todo caso, essa formação parece bastante paradoxal: da pintura (da educação com Lothe, vem o senso de geometria e a admiração por Piero della Francesca); da convivência com os surrealistas, o trabalho com o inconsciente, o amor pelo acaso, etc. Como conciliar tudo isso?</strong></p>
<p>O surrealismo é a sua juventude. A geometria é seu ser profundo. É o ying e o yang, o surrealismo e a geometria. Ele é produto dos dois. Da loucura na razão, a emoção que corrige a regra, é isso a irrupção permanente do surrealismo em seu espírito de geometria. Pode-se mesmo dizer, em alusão a Pascal, que HCB é o encontro entre o espírito de fineza e o espírito de geometria.</p>
<p><strong>HCB era um viajante, cobriu guerras, esteve em vários países em momentos importantes como o assassinato de Gandhi, por exemplo. Você o imagina fora do contexto de um século tão violento e cheio de contradições como o século 20?</strong></p>
<p>Não imagino. Eu o tomo como ele é e no tempo em que ele viveu. Imaginar um outro HCB seria da ordem da ficção científica.</p>
<p><strong>Alguns aspectos técnicos são interessantes em sua carreira. Por que o preto-e-branco e não as cores? Por que a Leica e não outra câmera?</strong></p>
<p>Abaixo a técnica! O preto-e-branco correspondia à sua sensibilidade. Quanto à Leica, era o aparelho que melhor correspondia, por sua leveza, sua manejabilidade, sua discrição, ao seu desejo de ser repórter.</p>
<p><strong>A teoria do instante decisivo, o preto-e-branco, etc. &#8211; para HCB tudo isso diz respeito a uma estética ou a uma ética da imagem.</strong></p>
<p>Uma somada à outra.</p>
<p><strong>Entre as viagens de HCB notei a ausência de América Latina, com exceção de Cuba. Por quê?</strong></p>
<p>Uma vida não é suficiente para esgotar o mundo. Ele era europeu antes da guerra. Com uma longa permanência no México. Em seguida, voltou-se para a Ásia.</p>
<p><strong>As relações de HCB com o cinema são muito interessantes, em especial sua colaboração com Jean Renoir. Por que ele não seguiu esse caminho?</strong></p>
<p>Porque ele compreendeu que seria melhor fotógrafo que cineasta. A foto é o individualismo, a solidão, a liberdade. O cinema é o coletivo, o grupo, o peso.</p>
<p><strong>Muitas vezes os biógrafos tentam esgotar o assunto. Notei que você preserva um lado &#8220;misterioso&#8221; de HCB&#8230;</strong></p>
<p>Concordo plenamente. Guardemo-nos da tentação de tudo explicar.</p>
<p><strong>Por que as biografias e como explica o sucesso de seu blog sobre literatura?</strong></p>
<p>Em relação ao blog é a fidelidade dos leitores a um blog que, por sua vez, lhes é fiel porque temos um encontro marcado em torno de um novo artigo a cada dia. E depois há a questão da credibilidade. Quanto ao porquê da biografia, eu precisaria escrever um tratado para lhe responder. Tenho uma nova biografia em preparação, sobre um personagem em relação ao qual ninguém pensa e com uma forma que pretende revolucionar o gênero&#8230;</p></div>
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		<title>Obama revê o embargo que proíbe a divulgação de imagens dos caixões de soldados mortos no Iraque e no Afeganistão</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Feb 2009 22:03:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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© Fotos de Todd Heisler. Caixões de soldados norte-americanos mortos no Iraque são enviados de volta para os EUA.








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			<content:encoded><![CDATA[<h3 class="post-title entry-title"> <a href="http://imagesvisions.blogspot.com/2009/02/obama-reve-o-embargo-que-proibe.html">Blog Images&amp;Visions</a></h3>
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© Fotos de Todd Heisler. Caixões de soldados norte-americanos mortos no Iraque são enviados de volta para os EUA.</em></font></span></div>
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<p>Na última terça-feira, dia 10/02, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, anunciou que o governo de Barack Obama vai rever o embargo imposto pelo ex-presidente George W. Bush que proibia a divulgação de imagens dos caixões de soldados mortos no Iraque e no Afeganistão pelos veículos de comunicação nos EUA. Segundo o jornal Washington Post, o atual governo decidiu analisar quais seriam as conseqüências do fim do embargo. Bush defendia que a divulgação das imagens invadiria a privacidade e aumentaria os custos das famílias das vítimas, pois atrairiam mais pessoas aos velórios, além de atrasar o regresso dos corpos dos soldados. Para alguns, o embargo serviria para esconder os custos humanos das guerras dos Estados Unidos. Segundo John Ellsworth, presidente da Millitary Families United (associação de famílias de soldados mortos), a decisão de permitir imagens dos caixões cabe aos familiares.</p>
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		<title>É hora de romper o círculo vicioso</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Feb 2009 16:24:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Amos Oz, International Herald Tribune* &#8211; O Estado SP
Ehud Olmert, premiê israelense, declarou que Israel dará uma resposta &#8220;desproporcional&#8221; a qualquer novo ataque do Hamas contra seus civis. Acho que uma resposta desproporcional é uma resposta imoral. Uma punição desproporcional é uma punição imoral.
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			<content:encoded><![CDATA[<p> <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/e-hora-de-romper-o-circulo-vicioso/9585/" rel="attachment wp-att-9585" title="israel_palestina.jpg"></a></p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/e-hora-de-romper-o-circulo-vicioso/9585/" rel="attachment wp-att-9585" title="israel_palestina.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/02/israel_palestina.jpg" alt="israel_palestina.jpg" width="552" height="369" /></a></div>
<p style="background-color: #ffff99"><font size="4"><strong>Amos Oz, International Herald Tribune* &#8211; O Estado SP</strong></font></p>
<p>Ehud Olmert, premiê israelense, declarou que Israel dará uma resposta &#8220;desproporcional&#8221; a qualquer novo ataque do Hamas contra seus civis. Acho que uma resposta desproporcional é uma resposta imoral. Uma punição desproporcional é uma punição imoral.</p>
<p>Essa desproporcionalidade fortaleceria os candidatos extremistas nas eleições israelenses e atenderia aos objetivos dos fanáticos na Faixa de Gaza e no mundo árabe.</p>
<p>Operações militares desproporcionais nada mais são do que vingança. E vingança nada mais é do que a satisfação de instintos primitivos básicos.</p>
<p>Vejo o Hamas como um bando de criminosos que, há muito tempo, direciona sua ação contra civis israelenses. Nos últimos anos, nada menos do que 10.000 foguetes foram lançados pelo grupo contra cidades e povoados dentro de Israel.</p>
<p>O Hamas também é um bando de criminosos porque usa civis palestinos como escudos humanos e porque, cinicamente, esconde-se atrás de mulheres e crianças.</p>
<p>Mas matar mais civis palestinos não vai levar a nada, já que os radicais islâmicos não se importam absolutamente com essas mortes.</p>
<p>Como o líder do grupo na Síria, Khaled Meshal, disse recentemente, &#8220;a atual geração de palestinos pode ser sacrificada&#8221;.</p>
<p>A única resposta eficaz é um ataque bem calculado, proporcional, contra os criminosos do Hamas, que tente ao máximo poupar a vida de palestinos inocentes. O Egito está intermediando um cessar-fogo e Israel tem de dar uma chance a essa mediação.</p>
<p>Não devemos nos esquecer que o maior revés para o Hamas seria um eventual acordo de paz entre o governo de Israel e a Autoridade Palestina do presidente Mahmud Abbas. Um acerto desse tipo entre palestinos e israelenses é possível &#8211; e talvez até mesmo iminente.</p>
<p><strong>* Amos Oz é escritor israelense</strong></p>
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		<title>Israel: eleição é o epílogo da guerra em Gaza</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Feb 2009 11:35:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Gilles Lapouge* &#8211; O Estado SP
Na terça-feira teremos eleições em Israel. Será o epílogo da guerra contra Gaza e o Hamas, que matou um grande número de civis palestinos. Não devemos esquecer que o conflito foi arquitetado pelos trabalhistas (Ehud Barak é ministro da Defesa) e pelo Kadima (Tzipi Livni é chanceler) para tentar derrotar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://warisboring.com/wp-content/uploads/2008/03/gaza.jpg" alt="http://warisboring.com/wp-content/uploads/2008/03/gaza.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Gilles Lapouge* &#8211; O Estado SP</p>
<p>Na terça-feira teremos eleições em Israel. Será o epílogo da guerra contra Gaza e o Hamas, que matou um grande número de civis palestinos. Não devemos esquecer que o conflito foi arquitetado pelos trabalhistas (Ehud Barak é ministro da Defesa) e pelo Kadima (Tzipi Livni é chanceler) para tentar derrotar o Likud de Benjamin Netanyahu e seus aliados da direita religiosa e secular.</p>
<p>A operação contra Gaza alcançou o objetivo? Os trabalhistas e centristas conseguirão derrotar Netanyahu? No início, acreditou-se que sim, pois a operação foi um sucesso. Agora, porém, os israelenses se perguntam se o triunfo militar não foi um fracasso político.</p>
<p>O Hamas continua de pé. Os túneis por onde recebiam foguetes e armas foram destruídos, mas já estão sendo reconstruídos. No plano internacional, a violência foi desaprovada. Até Yagil Levy, um israelense especialista militar, se disse chocado com o número de palestinos mortos.</p>
<p>A proporção, que durante a Intifada foi de seis palestinos para cada israelense, desta vez foi de 60 para um. Levy acredita que alguns militares do alto escalão devem ser levados a tribunais internacionais. Aqueles que lançaram o bombardeio (trabalhistas e Kadima) não melhoraram sua posição. Netanyahu está tão certo da vitória que, no início, nem se preocupou em fazer campanha. Há alguns dias, contudo, resolveu sair de sua &#8220;torre de marfim&#8221; e participou do debate eleitoral.</p>
<p>Por que? Porque sua liderança diminuiu, mas apenas ligeiramente. O Kadima, partido fundado por Ariel Sharon, uma figura carismática, cresceu. Além disso, surgiu em cena um personagem inesperado: Avigdor Lieberman. De origem russa, ele lidera o partido ultranacionalista Israel Beiteinu.</p>
<p>Orador eloquente, ele aproveitou-se do mal-estar em Israel para ampliar seu eleitorado. Segundo pesquisas, seu partido está na frente dos trabalhistas. Portanto, ele será fundamental na formação do próximo governo. Likud e Kadima estão de olho nele. Netanyahu já lhe prometeu um cargo importante. Além disso, temendo ver mais um a sua direita, endureceu seu discurso e afirmou que o Likud manterá Jerusalém unida sob a soberania de Israel.</p>
<p>Livni não ficou para trás. Sabe que há uma rivalidade entre os dois líderes da direita &#8211; Netanyahu e Lieberman &#8211; e tenta atrair o Israel Beiteinu. Ela não está desesperada para chegar lá, mas alguns observadores acham que ela está se iludindo.</p>
<p><strong>*Gilles Lapouge é correspondente em Paris </strong></p>
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		<title>&#8221;Solução de dois Estados só depende de Israel&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Feb 2009 14:28:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Jimmy Carter: ex-presidente americano; segundo Carter, medida não foi adotada até agora porque israelenses rejeitam se retirar da Cisjordânia

&#160;
Reza Aslan, Global Viewpoint &#8211; O Estado SP
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O ex-presidente dos EUA Jimmy Carter debate as perspectivas para uma solução de dois Estados para a crise palestino-israelense, bem como a política externa americana diante do Irã.
Segundo os argumentos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="c">
<h3>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.chinadaily.com.cn/world/2007-05/21/xin_18050421084960260554.jpg" alt="http://www.chinadaily.com.cn/world/2007-05/21/xin_18050421084960260554.jpg" width="200" height="226" /><img src="http://arrastao.org/ficheiros/800px-israel_and_palestine_peace.png" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://arrastao.org/ficheiros/800px-israel_and_palestine_peace.png" width="313" height="181" /></div>
</h3>
<p><strong>Jimmy Carter: ex-presidente americano; segundo Carter, medida não foi adotada até agora porque israelenses rejeitam se retirar da Cisjordânia</strong></div>
<div class="grupoC2">
<p class="fonte">&nbsp;</p>
<p style="background-color: #ffff99" class="fonte">Reza Aslan, Global Viewpoint &#8211; O Estado SP</p>
<p class="fonte">&nbsp;</p>
<p class="tmTexto" id="ctrl_texto"><span style="color: #155e91" id="tm04" onclick="sizeFonts(14),selectedFonts('tm04'); return false"><br />
</span></p>
<p><script>Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")</script></div>
<div id="corpoNoticia">
<div class="ImagemMateria"></div>
<p>O ex-presidente dos EUA Jimmy Carter debate as perspectivas para uma solução de dois Estados para a crise palestino-israelense, bem como a política externa americana diante do Irã.</p>
<p>Segundo os argumentos do seu novo livro, &#8220;Podemos chegar à paz na Terra Santa: Um plano que vai funcionar&#8221;, a imensa maioria dos israelenses e palestinos já aceita os parâmetros de uma solução de dois Estados. Então por que a solução de dois Estados ainda parece tão longe de se tornar realidade?</p>
<p>Até o momento isso se deveu ao fato de os israelenses não estarem dispostos a dar um passo fundamental, que é a retirada da Cisjordânia. Isso é central para a solução do conflito, e Israel não apenas continuou a aumentar o número de assentamentos no território como também construiu uma muralha na área palestina da Cisjordânia. Se os israelenses aceitarem a solução, terão de se retirar da Cisjordânia e eles ainda não demonstraram disposição em fazê-lo.</p>
<p><strong>Parece que durante cerca de 40 anos o status quo beneficiou Israel. Mas agora parece que ocorreu uma virada, em termos demográficos. Não falta muito tempo para que haja mais árabes do que judeus entre o Mediterrâneo e o Rio Jordão. Esta não é a verdadeira ameaça à existência de Israel? </strong></p>
<p>Exato. Logo haverá uma maioria árabe naquele território de um único Estado, o que significa que Israel terá apenas três opções completamente inaceitáveis. Uma delas é o que se pode chamar de limpeza étnica, coisa que ninguém deseja, e isto significa obrigar os palestinos a deixar o território. A segunda opção seria ter um país dentro do qual houvesse duas classes de cidadãos: uma delas seria composta pelos judeus, que teriam direito ao voto; a outra seria formada pelos árabes sem direito ao voto. E isso seria equivalente ao apartheid sul-africano.</p>
<p>A terceira e última opção é deixar que os árabes detenham a maioria dos votos, e com alguma divisão entre os judeus, e os árabes votando em bloco, eles controlariam todo o governo e não haveria mais um Estado judaico. Estas são as opções, excluída a solução de dois Estados.</p>
<p><strong>Parece que a opinião pública e a mídia americanas estão mais dispostas a criticar Israel após a guerra em Gaza.</strong></p>
<p>As pesquisas mostram que isso é verdade. Acho que veremos grandes mudanças, e a demonstração mais concreta é a eleição de Barack Obama. Desde sua primeira semana na presidência, ficou claro que a paz no Oriente Médio será uma de suas prioridades. E o enviado especial escolhido por ele, George Mitchell, é muito mais qualificado do que muitos de seus predecessores.</p>
<p>A maioria dos israelenses está disposta a abrir mão da Cisjordânia em troca da paz, e os palestinos desejam a mesma coisa. A poderosa voz do presidente dos EUA terá um imenso impacto sobre a opinião pública, não somente no seu país, mas também nos territórios palestinos e em Israel.</p>
<p><strong>Qual seria a principal lição que o presidente deveria aprender a partir da sua experiência nas tentativas de encerrar o conflito no Oriente Médio? </strong></p>
<p>Os EUA precisam desempenhar um papel forte desde os primeiros momentos de seu governo, sendo enfáticos nos esforços para conduzir as negociações até a sua conclusão. É necessário agir logo, demonstrar comprometimento profundo e ser persistente.</p>
<p><strong>Este processo começa com o reconhecimento do papel desempenhado pelo Hamas nas negociações?</strong></p>
<p>Ainda é cedo para isto. O Hamas se comprometeu a aceitar qualquer acordo negociado com Israel, desde que seja submetido ao povo palestino em um plebiscito, ou se for eleito um governo de unidade e os representantes do governo aprovarem o acordo. Este é um importante passo a ser dado quando chegar o momento nas negociações com o Hamas.</p>
<p><strong>Talvez agora tenhamos a oportunidade de reconsiderar os últimos 30 anos de política externa americana em relação ao Irã. Que conselho daria a Obama a respeito do melhor modo de tentar uma aproximação com o Irã?</strong></p>
<p>Ele já prometeu, antes e depois de ser eleito presidente, que abrirá todas as formas de comunicação com o Irã. Se você descartar o presidente Mahmud Ahmadinejad e se aproximar de membros mais responsáveis do governo do Irã, penso que, quando Obama enviar alguém para explorar as possibilidades de negociação, acho que essa pessoa será bem recebida. Meu conselho para Obama é simplesmente fazer o que prometeu que faria: abrir um canal de comunicações com o Irã.</p>
<p><strong>O senhor é otimista com relação à situação no Irã e no Oriente Médio daqui a oito anos?</strong></p>
<p>Sim, comparando com as circunstâncias atuais, de onde partimos. O melhor meio de restringir os movimentos potenciais do Irã para aumentar sua capacidade nuclear é conseguir a paz entre israelenses e palestinos, acabar com a guerra oficial entre Israel e Síria, Israel e Líbano. Acho que isso eliminaria, e muito, a ameaça da qual os iranianos sentem que precisam se defender. E de uma maneira mais geral, debilitaria a influência de Teerã e seu prestígio, que cresceu por causa da guerra do Iraque. Assim, o fim da guerra no Iraque e a paz no Oriente Médio seriam duas coisas que colocariam o Irã de volta a uma posição em que sua influência negativa em prol do terrorismo diminuiria, e o país sentiria menos necessidade de ter armas nucleares para se defender.</p></div>
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		<title>Os dois povos devem viver juntos</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jan 2009 22:27:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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     Muamar Kadafi*, The New York Times &#8211; O Estado de São Paulo




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A chocante intensidade da última onda de violência entre israelenses e palestinos nos impele a considerar a extrema urgência de uma solução final para a crise do Oriente Médio. É vital não apenas romper este ciclo de destruição e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://jlhuss.blog.lemonde.fr/files/2008/05/kadafi1.1211574634.jpg" alt="http://jlhuss.blog.lemonde.fr/files/2008/05/kadafi1.1211574634.jpg" width="426" height="319" /></div>
<div id="c">
<h3 style="background-color: #ffff99">     <strong>Muamar Kadafi*, The New York Times &#8211; O Estado de São Paulo</strong></h3>
</div>
<div class="grupoC2">
<p class="tmTexto" id="ctrl_texto"><span style="color: #155e91" id="tm04" onclick="sizeFonts(14),selectedFonts('tm04'); return false"><br />
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<div class="ImagemMateria"></div>
<p>A chocante intensidade da última onda de violência entre israelenses e palestinos nos impele a considerar a extrema urgência de uma solução final para a crise do Oriente Médio. É vital não apenas romper este ciclo de destruição e injustiça, mas também negar aos radicais religiosos que se alimentam do conflito uma desculpa para promover suas próprias causas.</p>
<p>Mas para onde quer que olhemos, entre os discursos e as iniciativas da diplomacia, não há um caminho concreto para um avanço. Uma paz justa e duradoura entre Israel e palestinos é possível, mas deve ser procurada na história do povo dessa terra em constante conflito, e não na desgastada retórica das soluções que apontam para a criação de dois Estados.</p>
<p>Embora seja difícil de perceber, depois dos horrores que acabamos de testemunhar, entre judeus e palestinos nem sempre existiu um estado de guerra. Na realidade, muitas das rupturas ocorridas entre os dois povos são recentes. O próprio nome &#8220;Palestina&#8221; era usado comumente para definir toda a região, até mesmo pelos judeus que viviam ali, até 1948, quando começou a ser usado o nome &#8220;Israel&#8221;.</p>
<p>Judeus e muçulmanos são primos e descendem de Abraão. Ao longo dos séculos, ambos sofreram cruéis perseguições e, muitas vezes, se ajudaram mutuamente. Os árabes ofereceram guarida aos judeus e os protegeram quando estes sofriam sob o governo de Roma e quando foram expulsos da Espanha, na Idade Média.</p>
<p>A história da região é marcada por governos transmitidos entre tribos, nações e grupos étnicos, que resistiram a muitas guerras e a ondas migratórias de povos vindos de todas as direções. É por isso que a questão se torna tão complicada quando uma das partes reivindica o direito de ser dona dessa terra.</p>
<p>O cerne do moderno Estado de Israel é a inegável perseguição ao povo judeu, que foi escravizado, massacrado, perseguido por egípcios, romanos, ingleses, babilônios, cananeus e, mais recentemente, pelos nazistas. O povo judeu merece uma pátria, mas os palestinos também têm uma história de perseguições e consideram as cidades de Haifa, Acra, Jafa como a terra de seus ancestrais, transmitida de geração em geração, até pouco tempo atrás.</p>
<p>Portanto, os palestinos acreditam que o que agora se chama Israel é parte de sua nação, mesmo que fiquem com Cisjordânia e Gaza. E os judeus acreditam que a Cisjordânia é a Samaria e a Judeia, parte da sua pátria, mesmo que ali venha a estabelecer-se um Estado palestino.</p>
<p>Com o cessar-fogo em Gaza ressurgiram os apelos para uma solução de dois Estados, que nunca funcionará. Essa solução criará uma ameaça para a segurança de Israel. Um Estado árabe armado na Cisjordânia daria a Israel menos de 16 quilômetros de profundidade estratégica em seu ponto mais estreito. Além disso, um Estado palestino na Cisjordânia e em Gaza não solucionaria o problema dos refugiados. Qualquer situação que mantenha a maioria dos palestinos em campos de refugiados e não ofereça uma solução dentro de suas fronteiras históricas não é uma solução.</p>
<p>Pelas mesmas razões, a divisão da Cisjordânia em áreas judaicas e árabes, com zonas-tampão entre elas, não funcionará. As áreas palestinas não teriam condições de abrigar todos os refugiados e as zonas-tampão simbolizariam a exclusão e alimentariam tensões.</p>
<p>Em termos absolutos, os dois movimentos terão de permanecer em um perpétuo conflito ou chegar a um compromisso: o da criação de um Estado único para todos, uma &#8220;Isratina&#8221;, que permita que as pessoas de cada lado sintam que podem viver em toda a região.</p>
<p>Um requisito fundamental da paz é o direito dos palestinos refugiados de regressarem para as casas que suas famílias deixaram, em 1948. É uma injustiça que os judeus que não viviam originalmente na Palestina, nem seus antepassados, venham do exterior para se estabelecer ali, enquanto essa permissão é negada aos palestinos que foram obrigados a fugir dali há relativamente pouco tempo.</p>
<p>É um fato incontestável que, até recentemente, os palestinos viviam nessa terra, eram donos de fazendas e casas, mas tiveram de sair com medo da violência dos judeus após 1948. Por isso, somente o território total da Isratina poderá abrigar todos os refugiados e favorecer a justiça, que é o elemento fundamental da paz.</p>
<p>A assimilação é um fato concreto da vida em Israel. Mais de 1 milhão de árabes muçulmanos vivem no país. Eles têm nacionalidade israelense, participam da vida política e constituem partidos. Por outro lado, há assentamentos israelenses na Cisjordânia. As fábricas israelenses dependem da mão-de-obra palestina e há intercâmbio de produtos e serviços. Essa assimilação, por seu sucesso, pode ser um modelo para Isratina.</p>
<p>Se a atual interdependência e o fato histórico da coexistência de judeus e palestinos servirem de orientação a seus líderes, e se, na busca de uma solução de longo prazo, eles olharem além da violência recente e da sede de vingança, perceberão que a coexistência debaixo de um único teto é a única opção para uma paz duradoura.</p>
<p><strong>*Muamar Kadafi é presidente da Líbia </strong></p>
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