17/07/2009 - 13:53h País está preparado para gripe. O novo vírus é menos mortal que o sarampo e semelhante à gripe tradicional

Ontem na CBN um especialista fazia notar que a nova gripe tinha um índice 10 vezes menor de mortandade que por exemplo o sarampo. Por enquanto ela não supera os índices anuais de falecimentos provocados pelas gripes que assolam o mundo à cada ano. No caso do Brasil os especialistas e médicos destacam o melhor preparo do país para enfrentar a epidemia, que deve ser tratada como uma gripe normal, com descanso, muita água e líquidos, analgésicos e cinco dias ela depois vai embora. Para lactantes, mulheres grávidas, pessoas com deficiências imunológicas ou pulmonares, ou idosas, o cuidado exige acompanhamento médico. Eles receberão, se o médico considerar necessário, o medicamento específico.

Esqueci, se seu marido passou o vírus para você, isso não significa necessariamente que ele seja um porco. O animal pode ser comido sem problema… estou falando do porco! LF (resumindo o que eu entendi do assunto)

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Sem preparo, quadro poderia ser muito pior

CELSO GRANATOESPECIAL PARA A FOLHA

O MUNDO TODO , incluindo nós, temos vivido um misto de temor e curiosidade a respeito da popularmente chamada gripe suína. A tão propalada epidemia, esperada há 40 anos, teria finalmente chegado? Teria as terríveis consequências da pandemia de 1918? Seria o final dos tempos?
Países do hemisfério Norte vivem periodicamente seu inferno invernal. Todo ano sofrem com a gripe sazonal e se preparam, com maior ou menor cuidado, para aquela que seria a pandemia recorrente que nos assola a cada 35 ou 40 anos.
Se a gripe sazonal traz mortalidade elevada, ou se o vírus é realmente novo, as atenções se voltam para o problema, disparam-se procedimentos para contenção, mobiliza-se pessoal da saúde, medicamentos e insumos diagnósticos. Se a mortalidade é a esperada, os cuidados habituais são mantidos e a vida segue.
Nós, brasileiros, vivendo abaixo do equador, por razões não muito claras nem justificadas estamos tomando atitudes como se, realmente, tivesse sido anunciado o final dos tempos. Ora, se a mortalidade dessa doença é inferior àquela observada na gripe sazonal, o fato do vírus se originar no porco (ainda que não se transmita pela ingestão da carne desse animal), na galinha ou do animal que seja, passa a ser mera curiosidade veterinária.
Frequento desde 1997 congressos sobre gripe, nos quais são apresentadas as medidas que cada país toma para se preparar para a “grande pandemia”. Ficávamos preocupados ao perceber que nossa preparação estava bastante distante daquela dos países desenvolvidos. Entretanto, o aparecimento da Síndrome Respiratória Aguda Grave e da gripe aviária fizeram com que nossas autoridade de saúde se movimentassem e, felizmente, estamos tendo um desempenho razoável nesta epidemia de 2009.
Poderíamos ter um preparo melhor? Certamente. Poderíamos ter hospitais mais equipados, laboratórios mais bem aparelhados, mais pessoal treinado, estoques de medicamentos maiores? Com certeza. Porém, embora tenhamos a lamentar até o momento 11 mortes, o quadro poderia ser muito pior se o preparo dos últimos anos não tivesse ocorrido.
O que esperar ainda para este ano? Particularmente nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, o frio deve continuar por mais algumas semanas. Dentro de duas a três semanas, as escolas reabrirão, as crianças voltarão a se reunir, os meios de transporte ficarão mais lotados e os vírus se transmitirão com maior facilidade. A epidemia local, que já é evidente, tende a se expandir, mas não há evidências de que, percentualmente, haverá maior letalidade. Que lições podemos tirar desse episódio?
Preparar-se para uma epidemia é trabalho do dia a dia, quando ninguém sabe ainda se vai ou não ocorrer um novo surto. É um investimento para salvar vidas no futuro, ainda que com um gasto importante hoje.
Será que chegará o dia em que nós passaremos a usar máscaras quando estivermos gripados para não contaminar as pessoas que viajem no metrô, nos ônibus ou nos trens ao nosso lado, como vemos nos filmes japoneses e coreanos? Tomara que fique pelo menos essa lição…

CELSO GRANATO, médico, é assessor para infectologia do Fleury Medicina e Saúde

17/07/2009 - 12:46h Gripe suína: sem motivo para pânico

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CLÉLIA ARANDA ESPECIAL PARA A FOLHA

A INFLUENZA A H1N1 , conhecida como gripe suína, é uma nova gripe com a diferença de ser causada por um vírus recombinado para o qual não há vacina disponível.
O sistema de monitoramento de doenças respiratórias que vigora hoje em todo o mundo rapidamente detectou este novo subtipo viral, o que é importante para as ações de vigilância epidemiológica e controle.
No Brasil e no Estado de São Paulo, a gripe suína causou óbitos, assim como a chamada gripe sazonal, que mata milhares de pessoas no mundo todos os anos. Mas as mortes em decorrência da infecção pelo novo vírus têm maior visibilidade apenas e tão somente por ser um problema de saúde recente, que gera dúvidas, preocupações e incertezas na população. Nada mais natural.
O anúncio de transmissão sustentada da nova gripe no país, em decorrência da morte de um paciente em Osasco, ocorrida em 30 de junho, e dos casos confirmados entre seus familiares, sem relato de viagens ao exterior nem de contato com pessoas que tiveram a doença, não deve ser, em nenhuma hipótese, motivo para pânico.
Esta nova situação já era esperada pelas autoridades sanitárias e há muito o Brasil e o Estado de São Paulo já adotaram as medidas de prevenção e controle. Na prática, a política de combate à doença já vinha sendo conduzida na perspectiva da circulação do vírus A H1N1 em território nacional, com uma rede de referência absolutamente capacitada para atender pacientes suspeitos, monitoramento laboratorial e vigilâncias em saúde atuando firmemente nas investigações de todos os casos confirmados.
A orientação para a população continua a mesma, especialmente nesta época de frio, quando a transmissão de doenças respiratórias é mais intensa. Havendo sintomas como febre, tosse, dor de garganta, coriza, dores no corpo ou desconforto respiratório, procure uma unidade de saúde. Se houver necessidade, a pessoa será encaminhada pelo médico para um hospital de referência ou orientada para permanecer em isolamento domiciliar por alguns dias. O medicamento Oseltamivir só será ministrado em pacientes graves ou com potencial para desenvolvimento de complicações, tais como crianças menores de dois anos de idade, idosos a partir de 60 anos, gestantes e pacientes imunodeprimidos.
Se você receber um diagnóstico de gripe, não importa se ela é suína ou não. O fundamental é adotar as medidas de higiene, como usar lenços para espirrar ou tossir e lavar as mãos, além de repousar, beber bastante líquido e manter uma alimentação saudável. Em sete dias o seu organismo irá se recuperar. A partir daí, vida normal.
CLÉLIA ARANDA , médica, é coordenadora de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo