03/10/2007 - 13:46h Um debate público e pessoal

do Blog dos Blogs por Helena Chagas

Uau!!! Até que essas minhas prolongadas despedidas estao ensejando um debate muito interessante com voces sobre TV Pública. Acho que a maioria entende que nao só há espaço como necessidade de tal iniciativa hoje. E uma coisa que me fascina nisso tudo é que a entrada da TV digital no ar, com todos os recursos de interatividade que ela vai trazer, ampliando as oportunidades de participaçao do público na programaçao, vai mudar a forma de se fazer TV e, sobretudo, mudar a relaçao do cidadao com o meio. Acho que há muito, muito espaço mesmo, a ser explorado nesse campo da interatividade, sobretudo no jornalismo. Acho que o telespectador do futuro terá possibilidades de escolha infinitamente maiores do que tem hoje. E acho que nós, jornalistas, vamos ter que investir mais na qualidade e na diversidade dos nossos noticiários.

Enfim, vamos continuar conversando até a minha saída final e dolorosa deste espaço. Que ainda nao chegou. Aliás, essa discussao com vcs sobre TV Pública está virando também uma discussao sobre a minha própria vida e opçoes pessoais. Agradeço mais uma vez aos muitos que estao me dando a maior força. Um beijo pra voces.

A outros, aqueles que vaticinam que serei demitida, agradeço a preocupaçao com o leite das crianças aqui de casa. Mas, olha, nao costumo pensar muito nessas coisas quando mudo de emprego nao, sobretudo quando estou animada com um novo projeto. Acho que, como a maioria dos jornalistas, estou acostumada a essa circunstancia da nossa vida, que é nao ter estabilidade e poder ser demitido a qualquer hora e a qualquer momento. É do jogo.

Com isso, acho que respondo aos que indagam se terei estabilidade no novo trabalho. Nao, claro que nao. Pelo que sei, se o Congresso mantiver as regras que estao sendo discutidas para a TV Pública, qualquer diretor poderá, inclusive, ser afastado por voto de desconfiança do conselho curador que será formado por integrantes da sociedade - um mecanismo bastante saudável e democrático, aliás. Entao, queridos, voltando ao campo pessoal, nao é atrás de estabilidade ou remuneraçao que estou atrás nao. É de desafio profissional mesmo.

Aliás, disse a voces que nunca tive um emprego em que nao pudesse ser demitida a qualquer momento. Tive sim, gente, por um curto período, quando trabalhei na TV Senado. Entrei lá como funcionária concursada, c-o-n-c-u-r-s-a-d-a, viu? Tinha estabilidade e podia estar lá até hoje e por muito anos mais como funcionária pública. Mas nao fiquei porque nao estava feliz com o trabalho. E, como a vida é curta e só se vive uma vez, fui à luta atrás de outra coisa que me satisfizesse: dezoito horas de trabalho por dia como coordenadora de política da Sucursal de Brasília de O globo, onde fui muito feliz. Entao, aos que questionam minha opçao, a velha resposta: cada um é cada um e todos sabem onde lhe aperta o calo, certo????

PS- ainda voltarei. Deixei meu umbigo enterrado aqui nesse blog e vou ficar até o último minuto. Perdoem a falta de acentos e de certas letrinhas. Derramei água de coco no teclado do meu laptop e deu curto-circuito….beijos a todos.

Helena Chagas

28/09/2007 - 13:27h Vou trabalhar com uma velha amiga: a notícia

por Helena Chagas

Os políticos vão e vêm, os fatos políticos acontecem e “desacontecem”, eleições se sucedem, o poder muda de mãos. Nós, jornalistas, mudamos de área, função, endereço, emprego, espaço, enfim, trabalho. Somos viajantes, vivemos entre partidas e chegadas. E o que fica de cada uma dessas etapas do trabalho árduo e às vezes pouco compreendido da cobertura política? Ficam os amigos, o respeito profissional, o aprendizado e a consciência de ter tentado, a cada minuto de cada dia, fazer o melhor – às vezes conseguindo, às vezes não, sempre tentando.

Mas talvez o item mais importante da bagagem seja a tal da notícia, essa senhora meio estranha. Melhor falando, o amor pela notícia. Aquele gosto pelo novo que nos entusiasma a qualquer momento do dia ou da noite, faz correr a adrenalina faz esquecer o cansaço acumulado, as chateações, as frustrações, a hora de sair, a hora de chegar, a hora de comer, a família (desculpem, crianças!)…

O que é mesmo a notícia, hein? Em mais de 20 anos de profissão, até hoje não consegui encontrar uma definição satisfatória – nem acadêmica, nem técnica, nem nos domínios senso comum – para essa danada. Mas dá para reconhecer uma quando passa na frente. Não costumo me conter: quando vejo, já estou correndo atrás dela. Um problema sério essa fixação, da qual nem dez anos de análise freudiana conseguiram me livrar.

A notícia é tinhosa, teimosa, às vezes fugidia ou enganosa – em especial na política, essa área em que, na maior parte do tempo, estão todos querendo enganar a todos sobre tudo. A notícia às vezes é travesti: parece uma coisa, mas vai ver lá no íntimo e é outra. Em muitos casos – a maioria, infelizmente – é triste. Há quem chegue ao extremo de dizer que notícia boa não é notícia. Discordo. Mas concordo com os que dizem que a notícia, quando é só da gente, tem um sabor especial. Uma das maiores delícias da profissão é tascar um furo na concorrência. Vale qualquer sacrifício.

Bom, esse cerca-lourenço todo, que vocês devem estar estranhando, é porque ainda não tive coragem de contar. Mas lá vai: vou viajar de novo. E já estou morrendo de saudades.

O passado que não volta

Fazendo bem as contas, noves fora, esta foi a quarta vez em que trabalhei no Jornal de Brasília. Foi mais ou menos como voltar para casa. Entrei aqui como estagiária, aos 18 anos de idade, na editoria de Cidades, onde publiquei minha primeira matéria.Mas a promoção veio rápida demais. Uns dias depois, fui apresentada ao Congresso, onde precisavam de uma estagiária para percorrer plenário e comissões em busca de pautas e outras informações. Detestei. Ficava perdida nos corredores, confundia uma comissão com a outra, não via graça no que deputados e senadores falavam e faziam. Mas foi nos primeiros tempos de Congresso, ainda foca, que tive oportunidade de testemunhar momentos históricos. Por exemplo, a derrota da emenda Dante de Oliveira, que instituía as eleições diretas para presidente. Acompanhei essa votação lá de fora, junto com o povão que, naquela época, ainda ia esperançoso ao gramado em frente ao Congresso para pressionar os parlamentares. Também ali, protegida da chuva debaixo de uma imensa bandeira nacional trazida por manifestantes, que acompanhei a eleição de Tancredo Neves no colégio eleitoral. E, dois meses depois, a decepções do povo que dormira no gramado esperando uma posse e acordara sem o seu presidente.

O presente desafio

Na época em que comecei, as diretas para presidente eram um sonho, bem como a representação política para o Distrito Federal, que tinha um governador nomeado e não elegia representantes para o Legislativo. Ganhamos o direito de votar e achávamos que, com ele, tudo estaria resolvido. Pois é. Hoje a política anda triste, feia, cinzenta. A questão da corrupção vive um momento Tostines, aquele biscoito sobre o qual se tem uma dúvida crucial: vende mais porque é mais fresquinho ou é mais fresquinho porque vende mais? Temos mais corrupção no país e por isso ela está aparecendo tanto ou ela está aparecendo tanto porque estamos apurando muito mais do que antes? Não importa. A única certeza da política hoje é de que, com todas as idas e vindas, as decepções e a radicalização do ambiente, estamos andando para frente.

De volta para o futuro

Bom, como ia dizendo, vou viajar de novo. Foram quatro meses divertidíssimos por aqui, descomplicando a política. Mas chegou a hora de complicar um pouquinho mais a vida. É aquela história do apelo da novidade, do desafio, daquela adrenalinazinha que, quando a gente vê, está lá correndo nas veias. Saio para participar de um projeto com uma velha amiga: a notícia. Vou trabalhar na TV pública, que ainda será criada e onde acho que será possível produzir um jornalismo voltado para o cidadão e para o interesse público, sem assuntos proibidos e, sobretudo, mostrando com equilíbrio todos os lados de todas as questões para que a sociedade tenha elementos para formar sua própria opinião. Enfim, o bom jornalismo. Até a volta.

Coluna Descomplicando a Política de hoje no Jornal de Brasília
enviada por Helena Chagas

17/09/2007 - 13:25h Lula, como bom sushi-man, vai cortar os tucanos em pedacinhos

Blog de Helena Chagas

Helena-san pisou na bola

Socorro!!! A comunidade japonesa está no meu encalço por causa do post abaixo. Gente, sinto muito se ofendi alguém. Usei a expressão é tudo japonês sem nenhuma intenção de ofender. Sabe como é, linguagem de blog é muito coloquial, a gente escreve como se estivesse conversando…e essa é uma expressão muito usada, uma metáfora para dizer que é tudo igual. Mas uma blogueira tem que reconhecer quando erra. Errei, desculpem. Estou quse cometendo hara-kiri de tão sem-graça…Arigatô.

Helena Chagas

16/09/2007 17:12

Pesquisa mostra que é tudo japonês na Esplanada e em 2010

A três anos da eleição, pesquisas eleitorais não querem dizer rigorosamente nada. Só servem para despertar apetites e reforçar ambições. É o caso do levantamento Estado/Ipsos publicado hoje sobre os pré-candidatos à presidência. Mostra que José Serra bateria hoje Aécio Neves, Ciro Gomes, Marta Suplicy e outros, com 34% das citações entre os eleitores? Não. Mostra que o governador de São Paulo é o mais conhecido dos postulantes à sucessão de Lula. E ponto. Aécio, com 10%, estaria bem atrás. Ou melhor, seria bem menios conhecido - o que indicaria que tem ainda para onde crescer. Beneficiado pelo mesmo recall que botou Serra,candidato em 2002, na liderança, Ciro Gomes tem hoje cerca de 12% das citações - patamar muito semelhante a seu desempenho nas eleições de 1998 e de 2002. Um pouco mais atrás vem Marta Suplicy, com 8% - o que não é tão pouco assim para quem, como Aécio, não tem recall de eleição presidencial anterior.

Qual a consequência do levantamento? Acirrar ainda mais os ânimos no PSDB e na base governista. Com essa larga vantagem, Serra tem todos os argumentos para insistir em seu nome para 2010, puxando o tape de Aécio. Só que as pesquisas ainda não estão refletindo intenção de voto, mas sobretudo conhecimento - e o candidato que o Planalto mais teme como opositor, justamente pelo potencial de crescimento, é o governador de Minas. Mas Serra, a bordo desses números, vai desistir para Aécio? Não. E Aécio vai desistir de ser candidato? Também não.

O levantamento Ipsos/Estado mostrou ainda que Ciro Gomes é o nome mais forte da base governista. Mas com Marta nos calcanhares, o que atiça também o PT a ter seu candidato. No campo do governo, o resto é tudo japonês.

Mas o principal dado talvez esteja na outra parte da pesquisa, a que não trata de sucessão presidencial. Ali fica claro,em respostas como a dos 67% que acham que Lula é o responsável pela estabilidade econômica - contra apenas 7% de Fernando Henrique, o pai do Real -, que o presidente da República tende a ser um eleitor decisivo em 2010.

A parte mais curiosa do levantamento Ipsos, porém, é a que mostra qual seria o melhor ministro de Lula. O “melhor”, segundo as resposta, É Gilberto Gil, com míseros 4%. Não sabem ou não responderam 82% dos entrevistados. Ou seja, temos também uma Esplanada de japoneses, um governo centralizador cuja imagem e credibilidade repousa numa única pessoa, o presidente da República. Só por aí já se calcula o papel que Lula terá em sua própria sucessão.

Helena Chagas

03/09/2007 - 17:58h PT fragilizado cai no colo de Lula

Blog dos Blogs

Helena Chagas

Quem te viu, quem te vê… O PT saiu manso como um cordeirinho de seu congresso nacional. Não criticou a política econômica, não pediu a cabeça do presidente do Banco Central e fez, sobretudo, o que Lula queria: desistiu da resolução em que diria que não abre mão da candidatura própria em 2010 em troca de um texto bastante mais ameno, na linha da composição com os partidos da coalizão governista. Está, pois, explicado o discurso de Lula deste sábado e, sobretudo, seus efeitos no partido: fragilizado após o julgamento da denúncia do mensalão no STF, o PT descobre que, fora dos braços protetores de Lula, não há solução.

O presidente da República percebeu muito bem isso e falou para o público interno, defendendo os seus como aquele pai que até admite surrar o filho que errou, mas não permite que ninguém mais bata nele. Lula falou ao coração peista, tocou o lado emocional da militância e acabou conseguindo o que queria: manter o partido bem quietinho lá no seu canto, sem melindrar os aliados - sobretudo o bloquinho de esquerda que apóia Ciro Gomes - e, portanto, sem prejudicar seu governo.

Ao falar ao público interno, porém, Lula passou um pouco do tom aos olhos do público externo. Foi além do que diz sempre - que não há ainda culpados nem inocentes, que os acusados ainda serão julgados e que quem errou vai pagar pelos erros - para pedir aos petistas que não tenham vergonha de defender seus acusados. Ora, e se forem culpados??? Mais uma vez também o presidente optou pela estratégia de dividir o mundo entre os que estão com ele e os que estão contra ele. Pode até funcionar num congresso do PT que ele precisa unir, domar e controlar - e para isso nada melhor do que um inimigo, ou um tsunami, para enfrentarmos todos juntos. Mas a estratégia da radicalização permanente pode também afastar e excluir forças que estão no meio do caminho e ainda poderiam ser conquistadas.

Ao fim e ao cabo, porém, o que se tem depois do STF e do Congresso do PT é um Lula mais forte em seu partido. As forças que até pouco tempo atrás pareciam preparadas para botar a faca no pescoço presidencial - por exemplo, deixando claro desde já que o partido não abre mão da candidatura própria em 2010 -, que coincidem com o grupo do ex-ministro José Dirceu e outros acusados, saem visivelmente enfraquecidas do episódio. E o PT, mais do que nunca, precisa do colo de Lula. O próximo passo será o presidente eleger uma direção do partido à sua imagem e semelhança nas eleições diretas antecipadas para dezembro.

enviada por Helena Chagas

16/06/2007 - 17:03h Querem a caveira de Marta

Comentário de hoje da Helena ao edição manhã do Jornal do SBT, apresentado pelo Hermano Henning:

Bom dia, Hermano.// A ministra Marta Suplicy foi
extremamente inábil, e até desrespeitosa, com os
passageiros que têm sofrido nos aeroportos com a crise
aérea.// Foi muito mal jeito.// Mas ela pediu
desculpas.// E essa também não foi nem a primeira e nem
a última gafe de um ministro no governo.// Mas a
confusão aqui em Brasília em torno do assunto foi
grande, muito grande.// Convocação em CPI, discursos no
Congresso, gente pedindo a demissão da ministra.// Sabe
por quê?// É que Marta não é só a ministra do Turismo
não.// É a candidata preferida do PT de São Paulo à
sucessão de Lula.// E aqui em Brasília, ó, está assim de
candidato a candidato.// E a desgraça de um é sempre a
alegria de outro, não é?// É com você, Hermano.

enviada por Helena Chagas