CNI/Ibope: Otimismo pode levar a oposição a rever estratégia
Popularidade sobe no passo da economia
Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR
A expectativa da oposição de centrar o discurso eleitoral de 2010 na economia precisará ser revista. A população está mais otimista em relação ao impacto da crise mundial no país, mais confiante nas medidas adotadas pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva para combatê-la e com menos receio do desemprego e da inflação do que estava há três meses. Essa melhora no humor, registrada na pesquisa do Ibope para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), reflete na elevação de quatro pontos percentuais da avaliação positiva do governo (68%) desde março.
Com esse índice, a avaliação positiva retoma curva ascendente, que chegou a 73% em dezembro e caiu para 64% em março. “Estamos diante de um cenário de expansão da avaliação positiva. A expectativa otimista em relação ao cenário econômico interrompeu curva descendente da avaliação do governo”, diz Marco Antonio Guarita, diretor de Relações Institucionais da CNI.
Segundo ele, alguns resultados mostram que o otimismo em relação à economia tem relação com medidas concretas que estão sendo tomadas pelo governo. Por exemplo: a maioria considerou que o governo acertou ao financiar a compra de bens como fogão, geladeira e móveis (72%), carros (62%) e casa própria (69%). A aprovação às medidas do governo no enfrentamento da crise subiu dez pontos percentuais.
Outro exemplo de que essa percepção é baseada em fatos concretos seria, segundo Guarita, o fato de o Plano Nacional de Habitação Popular ter merecido a segunda maior quantidade de menções dos entrevistados, quando instados a citar as notícias mais lembradas sobre o governo Lula. Em primeiro lugar, com 15% de citações, apareceu a crise.
A forma como Lula administra o país é aprovada por 80% dos entrevistados. Para Amauri Teixeira, analista da MCI, empresa que analisa os resultados da pesquisa, a melhora na expectativa em relação a todas as questões econômicas tem impacto na avaliação positiva do governo. “A pesquisa mostra a percepção de recuperação da economia. Não sei se essa recuperação está acontecendo, mas a percepção de que está é clara.”
O percentual de pessoas que consideram a economia brasileira “muito prejudicada” pela crise caiu de 40% para 30% nos últimos três meses, de acordo com pesquisa. Caiu de 28% para 22% o índice de brasileiros “com muito medo de ser afetado pela crise”. E se, em março, 39% achavam que o Brasil “está mais preparado” para a crise, hoje são 48%.
A redução da preocupação com o desemprego mostra o aumento do otimismo da população. Em março, 68% achavam que o desemprego aumentaria nos próximos seis meses. Agora, esse percentual caiu para 53%. Percepção parecida ocorre em relação à inflação. Há três meses, 63% dos entrevistados diziam que os preços iriam aumentar nos próximos seis meses. Agora, são 51%.
Pela primeira vez, a CNI-Ibope incluiu intenção de voto sobre a sucessão. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), lidera, com 38%. A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata do PT, vem em segundo, com 18%. Em seguida, estão o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), com 12%, e a vereadora de Maceió Heloísa Helena (P-SOL), com 7%. Em branco, nulos e “não sabe” somam 25%.
Quando o governador Aécio Neves (MG) é o candidato do PSDB, Ciro e Dilma aparecem tecnicamente empatados em primeiro, com 22% e 21%, respectivamente. Aécio e Heloísa Helena empatam em segundo, com 12% e 11%. Em branco, nulo e “não sabe” somam 30%.
O único índice de rejeição considerado relevante por Guarita foi o de Serra, que, conhecido por 76%, é rejeitado por 25%. Dilma e Aécio, conhecidos por 49%, têm, respectivamente, 34% e 39% de rejeição. Ciro, conhecido por 39%, é rejeitado por 38%. Ciro e Serra lideram, com o mesmo percentual (38%), a probabilidade de voto.
Serra: PIB reflete “política equivocada”
Foto: Divulgação

Serra: O Banco Central continua com a taxa de juros mais altas do mundo, embora não haja risco algum no retorno da inflação.
Por: O Globo Soraya Aggege
SÃO PAULO – O governador de São Paulo, José Serra (PSDB) disse, há pouco, em São Paulo, que a queda do PIB no primeiro trimestre é “uma questão significativa”, pois leva em consideração também o crescimento demográfico, o que em termos per capita é “mais negativo ainda”. Para o governador tucano, que lidera a corrida das pesquisas para a eleição presidencial do ano que vem, a queda na atividade econômica é também reflexo da política econômica “equivocada”.
- O Banco Central continua com a taxa de juros mais altas do mundo, embora não haja risco algum no retorno da inflação. É uma política equivocada, que não ajuda a combater a inflação – disse Serra, durante a inauguração de um centro para atendimento ambulatorial exclusivo de gays e transsexuais.
Sobre a pesquisa Ibope, que o coloca na liderança da corrida eleitoral para o ano que vem, Serra disse que “é sempre bom” ter o reconhecimento nacional, mas isso ainda é precipitado falar em campanha eleitoral.
- Sempre é bom ter o reconhecimento no aspecto nacional. É gratificante, mas achar que já é fruto da corrida eleitoral é precipitado – disse Serra.
Sobre os protestos de estudantes e professores contra a presença de Policiais Militares no Campus da USP, Serra disse que o governo só está cumprindo determinação judicial.
- O governo está cumprindo ordem judicial. A reitora da USP pediu segurança na Justiça e o governo não outra alternativa que não a de cumprir a ordem judicial – disse Serra.
Durante o evento na Vila Mariana, um grupo de seis estudantes da USP tentaram mostrar faixas com dizeres contra a presença de tropas da PM na USP, mas seguranças do evento e PMs que faziam parte da equipe de segurança do governador retiraram as faixas e não permitiram que Serra as visse.