19/01/2009 - 14:20h No que tenha a ver com Gaza, deixem a II Guerra Mundial fora disso

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Exercito de Israel bombardeia Gaza

Fonte vi o mundo – blog de Azenha

  Robert Fisk, 17/1/2009, The Independent, UK

  http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/fisk/robert-fiskrsquos-world-when-it-comes-to-gaza-leave-the-second-world-war-out-of-it-1418270.html

Detesto exageros. Comecei a detestar há anos, nos anos 70s, quando o Provisional IRA (Provisional Irish Republican Army, grupo de ação armada ativo a partir de 1969, na Irlanda e na Inglaterra) declarou que a prisão de Long Kesh seria  “pior que Belsen[1]“. Não que houvesse algo de bom em Long Kesh – a prisão Maze, como depois foi rebatizada, polidamente. Simplesmente, não foi pior que Belsen. Agora, começou outra vez. Passando por Paris, essa semana, vi, numa manifestação pró-Palestina, cartazes em que se lia “Gaza é Guernica” e “Gaza-sur-Glane”.

Guernica, como se sabe, foi a cidade basca destruída pela Luftwaffe em 1937; Oradour-sur-Glane, a vila francesa cujos habitantes foram massacrados pela SS em 1944. A selvageria de Israel em Gaza também tem sido descrita como “genocídio” e – claro –, como um “holocausto”. A União Francesa das Organizações Islâmicas descreveu-a como “genocídio sem precedentes” –, o que vale uma medalha, quando até o Papa “ministro para paz e justiça entre os homens” comparou Gaza a um “grande campo de concentração”.

Antes de pôr-me a escrever o óbvio, gostaria, só, de que a União Francesa das Organizações Islâmicas chamasse o genocídio dos armênios de genocídio. Não chamam porque não têm coragem, de medo de ofender os turcos e, além disso, quero dizer… eh… o milhão e meio de armênios massacrados em 1915, eh… eram, quero dizer… cristãos.

Aliás, vejam só, o mesmo acontece com George Bush, porque também não pode ofender os generais turcos de cujas bases aéreas os EUA precisam muito para continuar em guerra no Iraque.  E nem Israel jamais chamou o genocídio dos armênios de genocídio, de medo de perder o único aliado muçulmano que ainda lhe resta no Oriente Médio. Não é estranho? Quando acontece um verdadeiro genocídio – o genocídio dos armênios – ninguém usa a palavra. Quando não há, imediatamente a palavra aparece em todas as bocas.

Sim, sim, sei o que tantos estão tentando fazer: construir uma conexão direta entre Israel e a Alemanha de Hitler. Muitas entrevistas por rádio, essa semana, ao mesmo tempo, já condenam tais comparações. Como sentem-se, sobreviventes do holocausto, ao ser chamados de nazistas? Ora. Como alguém tem coragem de comparar o exército de Israel à Wehrmacht? Fácil: porque a comparação é ato de anti-semitismo.

Já, várias vezes, estive sob fogo do exército de Israel. Nessa condição, não estou convencido de que o exército de Israel seja “exército nazista”. De fato, não entendo por que bombardear as estradas do norte da França em 1940 foi considerado crime de guerra… e bombardear as estradas do sul do Líbano não foi considerado crime de guerra.

O massacre de mais de 1.700 palestinenses nos campos de refugiados de Sabra e Chatila – perpetrado pela Falange Libanesa aliada de Israel, e assistido por soldados de Israel que nada fizeram – pode ser mais bem comparado à II Guerra Mundial. O número de mortos estimado por Israel – vergonhosos 460 – só perde por nove para o massacre nazista da cidade tcheca de Lidice, em 1942, quando quase 300 mulheres e crianças foram mandadas para Ravensbrück (esse, sim, verdadeiro campo de concentração). Lidice foi destruída por Reinhard Heydrich, para vingar a morte de agentes aliados.

Os palestinenses foram chacinados, em Sabra e Chatila, depois que Ariel Sharon disse ao mundo – de fato, mentiu ao mundo – que um palestinense havia assassinado o falangista libanês Bashir Gemayel.

E foi o valente Professor Yeshayahu Leibovitz, da Hebrew University (e editor da Encyclopaedia Hebraica) quem escreveu que o massacre de Sabra e Chatila “foi feito por nós. Os Falangistas são mercenários pagos por nós, exatamente como os ucranianos e os croatas e os eslovacos foram mercenários de Hitler, que os organizou em exército e como soldados, para trabalharem para ele.

Exatamente do mesmo modo, nós, os israelenses, organizamos os assassinos libaneses para assassinar palestinenses”. Lição que foi saudada por Yosef Burg, então ministro do Interior e Assuntos Religiosos, com uma pergunta inolvidável: “Cristãos matam muçulmanos… E a culpa é dos judeus?!”

Há muito tempo enfureço-me contra quaisquer comparações que envolvam a II Guerra Mundial – seja na vertente Arafat-é-Hitler, já encenada por Menachem Begin, seja na vertente “os pacifistas-estão-pacificando-os-anos-30″, encenada recentemente por George Bush & Lord Blair de Kut al-Amara[2].

Os manifestantes pró-Palestina bem poderiam pensar duas vezes antes de pôr-se a falar sobre genocídio, porque o Grande Mufti de Jerusalém apertou a mão de Hitler e disse – em Berlin, dia 2/11/1943, exatamente – “Os alemães sabem como livrar-se de judeus. Definitivamente, conseguiram resolver o problema judeu.” O Grande Mufti, para quem não saiba, era palestinense. Repousa hoje, num túmulo escuro, aqui, a poucos quilômetros do meu apartamento em Beirute.

Mas, de fato, a razão mais importante pela qual o paralelo “Gaza-Genocídio” é perigoso é porque é um falso paralelo.

O 1,5 milhão de refugiados de Gaza são tratados com brutalidade terrível, mas não estão sendo mandados para câmaras de gás ou empurrados para marchas da morte.

Que o exército de Israel é uma horda, é, não há dúvida – e achei engraçado que, semana passada, um dos correspondentes regulares da revista Newsweek o tenha descrito como “esplêndido exército” –, mas isso não implica dizer que todos os soldados israelenses sejam criminosos de guerra.

E tudo faz crer que, sim, cometeram-se crimes de guerra em Gaza. Bombardear escolas da ONU é ato criminoso, que fere todos os protocolos da Cruz Vermelha Internacional. Não há atenuante possível para o assassinato de tantas mulheres e crianças.

Devo acrescentar que fui tomado por sincera emoção de simpatia pelo ministro do Exterior sírio o qual, essa semana, perguntou por que já se organizara em Haia um tribunal internacional inteiro para investigar a morte de um único homem (o ex-primeiro ministro do Líbano, Rafiq Hariri)… mas ainda não se organizara nenhum tribunal em Haia para julgar a morte de mais de 1.000 palestinenses.

Contudo, devo acrescentar que bem pode acontecer de algum tribunal de Haia apontar o dedo para a Síria… e será minha vez de perguntar por que não se organiza nenhum tribunal em Haia para julgar os sírios responsáveis pelo massacre de Hama, em 1982, quando milhares de civis foram mortos a tiro, por soldados das forças especiais de Rifaat al-Assad. O retro-referido Rifaat, sou obrigado a acrescentar, vive hoje em perfeita segurança, dentro da União Européia.

E que tal outro tribunal internacional em Haia, para julgar os soldados da artilharia de Israel que massacraram 106 civis – mais da metade dos quais crianças – na base da ONU em Qana, em 1996?

O xis da questão é a legislação internacional. O xis da questão é a punibilidade. O xis da questão é a administração da justiça – justiça sempre inalteravelmente mal distribuída e que os cidadãos palestinenses jamais receberam – e trata-se de levar bandidos a julgamento. Todos os bandidos, sejam os criminosos de guerra árabes sejam os criminosos de guerra israelenses, o bando todo.

E que ninguém diga que é impossível. É possível – o que ficou bem demonstrado no tribunal ioguslavo. Vários assassinos não foram condenados? Foram. A II Guerra Mundial nada tem a ver com nada disso.

[1] Campo de concentração de prisioneiros dos nazistas, na Baixa Saxônia. Sobre Belsen, ver http://pt.wikipedia.org/wiki/Bergen-Belsen.

[2] Sobre Kut-al-Amara, ver http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&q=Kut+al-Amara&meta=

08/01/2009 - 09:51h A Hitler o que é de Hitler

 

por Marcos Guterman* – Blog O Estado de São Paulo

Guerras, por definição, sinalizam rupturas. Enquanto a diplomacia oferece portas de saída, o conflito armado só se justifica pela decisão de destruir o inimigo e aquilo que ele representa. E a destruição não pode ser apenas militar ou material; ela tem de se dar também, e sobretudo, no campo moral. O conflito que simboliza melhor esse conceito é a Segunda Guerra Mundial, que passou à história como a luta contra o mal absoluto, resumido no nazismo. Hitler e sua ideologia insana tornaram-se paradigmas daquilo que deve ser combatido sem trégua e sem quartel, em nome da humanidade. Por isso, mesmo passadas seis décadas do fim do conflito, o nazismo continua sendo a referência mais implacável que alguém pode usar quando pretende desqualificar completamente seu inimigo no campo de batalha da opinião pública e da justificativa moral. O caso da presente guerra entre Israel e Hamas mostra justamente os exageros dessa retórica.

Em artigo publicado no Wall Street Journal, o líder da oposição israelense Benjamin Netanyahu comparou os ataques do Hamas no sul de Israel à blitz aérea promovida pela Alemanha de Hitler contra Londres. Já do lado palestino, Mustafa Barghouti escreveu um texto no jornal egípcio Al-Ahram, a respeito da ofensiva israelense, cujo título é “A Guernica dos palestinos”, em referência ao dramático bombardeio nazista contra essa cidade espanhola em 1937.

Trata-se de um óbvio exagero, de ambos os lados, e é um exagero calculado. Ao igualar os palestinos aos nazistas, Netanyahu simplifica grosseiramente o quadro com o objetivo de invocar, no imaginário israelense, o pesadelo da “solução final”. Não é possível, em qualquer sentido, dar pesos semelhantes às forças nazistas e ao limitado poder de fogo do Hamas, ainda que este, a exemplo de Hitler, tenha como objetivo eliminar os judeus. Netanyahu, além disso, se esquece de informar que os palestinos vivem em situação de desespero – que gera grandes ressentimentos – em parte como resultado das ações brutais e dos erros de Israel ao longo de mais de 40 anos de ocupação, com laivos de apartheid.

Barghouti, por sua vez, recorre à velha fórmula anti-semita de comparar os israelenses aos nazistas. É uma fórmula de duplo objetivo, ambos perversos. Primeiro, iguala a vítima ao seu maior algoz, um algoz que reduziu a população judaica na Europa de 9,5 milhões para 3,5 milhões de seres humanos em menos de dez anos. Ele poderia ter comparado os israelenses aos americanos, por exemplo, mas isso não teria o efeito desejado, qual seja, o de ligar os judeus ao mal absoluto. O segundo objetivo da fórmula é diminuir a importância e a singularidade do Holocausto, para então adaptar a impactante imagem do extermínio em massa perpetrado pelos nazistas a qualquer outra circunstância conveniente – por exemplo, a morte de palestinos por israelenses.

A retórica que Netanyahu e Barghouti aplicaram, em lugar de explicar o conflito, obscurece ainda mais o já complicado quadro das tensões no Oriente Médio. Argumentos desse tipo podem até fazer um grande sucesso entre gente oportunista e panfletária – um bom exemplo foi a grosseira nota em que o PT acusou os israelenses de “prática típica do Exército nazista” –, mas eles definitivamente não ajudam a entender a crise nem muito menos a construir pontes para sua superação. Para o bem do debate, deixemos a Hitler o que é de Hitler.

Marcos Guterman é historiador e jornalista de O Estado de S.Paulo

09/11/2008 - 10:01h A noite dos cristais

Documentario preparado pela FIERJ

29/04/2008 - 19:51h Brasileiros vão registrar em livro e documentário marcha para lembrar Holocausto

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Auschwitz

Luisa Guedes, O Globo Online

RIO – A partir desta terça-feira, cerca de 10 mil pessoas vão repetir uma manifestação realizada há 20 anos para lembrar o Holocausto, cruzando a Polônia e seguindo para Israel na chamada Marcha da Vida. Dessa vez, a reconstituição da trilha de muitos judeus – na morte ou na terra prometida – será registrada em livro pelo publicitário Márcio Pitliuk e o fotógrafo Márcio Scavone, dois dos 400 brasileiros que embarcaram para a viagem por antigos campos de concentração e locais sagrados para o povo judeu. Parte do trabalho que será publicado no fim do ano poderá ser acompanhada no GLOBO ONLINE durante os oito dias de marcha.

O percurso da “morte à vida” também será registrado em documentário dirigido por Jéssica Sanders, indicada ao Oscar e vencedora do Sundance Festival. Idealizador do projeto, orçado em R$ 3 milhões, e único judeu na equipe de 20 pessoas que embarcou para a Polônia, Márcio Pitliuk, que será responsável pelos textos do livro, conta que ficou impressionado com a reação da equipe durante a preparação para o trabalho.

” Auschwitz é uma fábrica da morte. É um pesadelo que não tem tamanho. Achei que não ia conseguir voltar lá, mas vou ter que encarar agora “

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- Quando eu levei (à Polônia) o pessoal da equipe que não é judeu e não tem tanta vivência com o Holocausto, vi o choque deles ao descobrir o tamanho da coisa. A gente fala em três milhões de pessoas, mas parece um número qualquer. Quando chega num campo como o de Treblinka, onde 800 mil pessoas foram mortas em 10 meses, a pessoa se dá conta de que 800 mil pessoas é uma cidade grande – contou Pitliuk, ainda em São Paulo, onde vive, antes de enfrentar de novo o terror dos campos de concentração. – Auschwitz é uma fábrica da morte. É um pesadelo que não tem tamanho. Achei que não ia conseguir voltar lá, mas vou ter que encarar agora – acrescentou.

A excursão ao passado começa em Cracóvia, onde será realizada uma cerimônia que relembra o fim do Holocausto. Em seguida, os participantes refazem a caminhada de três quilômetros entre o campo de concentração de Auschwitz e Birkenau, campo de extermínio. A marcha passará ainda pelos campos de Treblinka e de Majdanek e pelo Gueto de Varsóvia. Da Polônia, o grupo segue para Israel.

A manifestação foi criada em 1988 por Abraham Hirshson, um sobrevivente do Holocausto. Seu objetivo era, principalmente, fazer com que jovens estudantes pudessem conhecer os locais do “shoah”, como é chamado em hebraico o assassinato de milhões de judeus pelo regime nazista. A marcha, que acontece todos os anos desde a primeira edição, é aberta a todos. Agora, a organização fica a cargo da ONG internacional March of the Living .

Estima-se que 20% dos participantes não sejam judeus. Entre os brasileiros, 200 são estudantes de escolas judaicas que receberam subsídios para a viagem. Os outros 200 são adultos que arcaram com os custos por conta própria.

05/04/2008 - 14:32h Emperador Karajan

El director más influyente en el imperio de la música clásica, que hoy cumpliría 100 años, aprendió de Goebbels el arte del enfrentamiento y ejerció un poder tiránico en Berlín, Viena, Salzburgo, y en las discográficas, según explica el crítico británico Norman Lebrecht, autor de El mito del maestro

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NORMAN LEBRECHT – EL PAÍS

Me despierto por la mañana con Herbert von Karajan en la radio y tengo que frotarme los ojos y comprobar el calendario para asegurarme de que el generalísimo Franco no está vivo ni la Unión Soviética es una potencia mundial. Hubo una época, definida por las dictaduras, en la que Karajan suministró el telón de fondo musical. En el tercer cuarto del siglo XX, su sonido era ubicuo y su poder absoluto.

Como director musical y explotador comercial, gobernó los imperios de la Filarmónica de Berlín y el Festival de Salzburgo y ejerció un control similar sobre las casas discográficas de música clásica Deutsche Grammophon y EMI, con las que hizo casi novecientas grabaciones. Las cajas registradoras vibraban con el sonido de Karajan, de la misma forma que las ondas radiofónicas de todo el mundo.

Era un sonido inconfundible. Todo lo que dirigía Karajan parecía de una suavidad extrema, como unas camisetas de algodón tras pasar por suavizante. Ya fuera Bach o Bruckner, Rigoletto o las Rapsodias españolas, la música se caracterizaba por una línea perfecta de belleza artificial que no era tanto creación del compositor como resultado del empeño del director en ofrecer un producto reconocible.

Y no hay duda de que era inconfundible. En una ocasión entré en una tienda de libros de arte en Manhattan, de altos techos y paneles de madera, y tuve que pedir al dependiente que sustituyera el concierto de Chaikovski que salía de los altavoces por una grabación más auténtica. “¿Cómo sabía que era Karajan el que dirigía?”, exclamó. “Porque tiene una forma de dirigir obvia”, fue mi respuesta.

Un álbum de homenaje en Deutsche Grammophon realizado por su viuda, Eliette, pone de relieve lo mejor y lo peor del director. El primer disco empieza con una Pastoral de Beethoven doblemente pasteurizada, sintética en extremo, seguida de unos Debussy y Ravel homogeneizados y un Adagietto de Mahler en el que se ha anestesiado todo dolor, una parodia de Mahler. El segundo disco contiene extractos de oratorios y óperas, algunos de una emotividad trascendental -un resplandeciente ‘Erbarme mich’ de La Pasión según San Mateo, un emocionante ‘Dies Irae’ del Réquiem de Verdi y fragmentos de las Valquirias de Wagner. Cuanto más grandes eran las fuerzas, mejor era su interpretación.

Si Karajan tenía algún talento, era para la organización y la oportunidad. Creció en Salzburgo después de la Primera Guerra Mundial, cuando una diminuta ciudad de montaña se convirtió en la segunda ciudad de un Estado austriaco en declive, y allí aprendió los peligros de la falta de poder. Con la ascensión de Hitler, en 1933, se unió al Partido Nazi, no una sino dos veces, y fue recompensado con un puesto de director de música en Aquisgrán, el más joven del Reich. La prensa controlada por Goebbels empezó pronto a aclamarlo como “Das Wunder Karajan (el Milagro Karajan)”, en contraste con Wilhelm Furtwängler, que era poco de fiar políticamente. Karajan aprendió de Goebbels el arte siniestro de enfrentar a una potencia artística contra otra.

Después de la guerra, a Karajan le impidieron subirse al podio mientras duró la desnazificación, pero un ejecutivo de EMI, Walter Legge, le llevó a Londres a grabar con la Philharmonia Orchestra, compuesta por combatientes británicos recién desmovilizados. La relación, que duró 10 años, otorgó a Karajan una experiencia fundamental en la política de la controversia y una genuina afición a los conflictos. Tras la muerte de Furtwängler, en 1954, fue nombrado director vitalicio en Berlín, y la deshecha capital del Reich le sirvió de cabeza de puente para la expansión imperial. Si hubo una lección que Karajan aprendió de los nazis, fue la necesidad de dominar el mundo.

Ningún músico en la historia ha buscado el poder que alcanzó Karajan, el poder de dictar el repertorio y los músicos en las salas de conciertos y los salones del mundo. Reaccionario por naturaleza, excluyó la música contemporánea atonal y diversos estilos de interpretación. Christoph von Dohnanyi ha llegado a acusarle de destruir la tradición alemana de dirección musical al imponer sus gustos y su estilo propios de forma tan imperativa. Nikolaus Harnoncourt, que tocó el violonchelo en la orquesta de Karajan, vio prohibida su entrada en Salzburgo y Berlín cuando empezó a dirigir conjuntos de instrumentos de época. Cada vez que Karajan grababa un ciclo de Beethoven -y lo hizo en cinco ocasiones-, era una oportunidad menos de interpretación alternativa.

Su hegemonía fue autocrática y no dio resquicio a las contradicciones. Cuando los músicos de Berlín, en 1983, se negaron a aceptar a la clarinetista que había seleccionado, Sabine Meyer, él incrementó sus actividades con la orquesta rival, la Filarmónica de Viena. Trabajó con y contra dos compañías discográficas; a su muerte, en julio de 1989, estaba preparándose para abandonar Deutsche Grammophon y pasarse a sus amigos japoneses de Sony. No conocía la lealtad, excepto hacia sí mismo. Su amor a la música se limitaba a su forma de hacer música.

El pasado nazi de Karajan no es secundario, aunque no fue de los que cometieron holocaustos. No hay ninguna sospecha de que cometiera crímenes raciales, y su carrera en el Reich sufrió a partir de 1942 cuando se casó con una rica heredera de ascendencia parcialmente judía. Lo que adquirió de los nazis fue un sistema de valores que aplicó a la inocente e ineficaz industria de la música a partir de 1945 de forma despiadada e implacable. Demostró que la música era, sobre todo, cuestión de poder. Muchos se sintieron, y permanecen, impresionados. A algunos, como a mí, su actitud nos pareció antimusical. Yo la analicé en El mito del maestro (1991) y en The life and death of classical music (2007). Todavía me cuesta escucharle en la radio con ecuanimidad.

“Celebrar” ahora su vida, con ocasión de su centenario, representa un último esfuerzo a la desesperada, por parte de una industria discográfica moribunda, para sacar provecho de un león muerto desde hace mucho tiempo. Algunas conmemoraciones del festival están subvencionadas con subsidios ocultos de los reverentes y obscenamente ricos herederos del director, que tenía un patrimonio de más de trescientos millones de euros en el momento de morir.

El hecho de que Karajan fuera un hombre malo o bueno no viene al caso. Fue un director inteligente, con talento para hacer que una orquesta se adaptara a su sonido personal, una capacidad que explotó con fines inmorales. Impuso su ego en el mundo de la música clásica de tal forma que aplastó la independencia y la creatividad. Su legado es regresivo, y su centenario es el momento perfecto para dejar caer el telón de una vez sobre una vida poco meritoria que no produjo ninguna idea original ni defendió ningún valor humano que mereciera la pena. Karajan está muerto. La música está mucho mejor sin él.

© Norman Lebrecht. Marzo, 2008 http://www.normanlebrecht.com/ Traducción de María Luisa Rodríguez Tapia. El crítico británico Norman Lebrecht (London Evening Standard y BBC, Radio 3) es autor, entre otros libros, de El mito del maestro (Acento Editorial, 1997) y de The secret life and shameful death of the classical record industry (Hardcover).

31/01/2008 - 08:50h Hitler e as lições de ontem, há 75 anos

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 Mauro Santayana – JB

No dia 30 de janeiro de 1933, há 75 anos, depois de constitucionalmente aprovado pelo Parlamento alemão (o Reichstag), Adolf Hitler foi nomeado primeiro-ministro pelo presidente Hindenburg. Seu partido, ainda que poderoso, não possuía maioria no Reichstag. O sistema parlamentarista de Weimar ajudou: um ano antes, Hitler fora derrotado na disputa pela Presidência da República. Os ricos conservadores e a velha nobreza o queriam. Ele era o homem ideal para estabelecer a ordem no país, que cambaleava sob a Constituição de Weimar e se confrontava com a crise econômica interna – agravada com a Depressão mundial iniciada em 1929. A esquerda, dividida entre os socialistas e os comunistas, não conseguia unir-se.

O melhor estudo sobre o nazismo continua sendo o de Joachim Fest: Hitler, Eine Studie über die Angst (Um estudo sobre o medo). É um erro reduzir o ditador aos seus problemas pessoais, à frustração juvenil e sonhos fantasiosos. Eles teriam sido inócuos, se à Depressão mundial não se somassem a ascensão dos movimentos operários na Europa, que incomodava a burguesia, o sentimento de humilhação de grande parte dos alemães com a derrota de 1918 e as pesadas reparações de guerra.

A primeira advertência daquele período é a de que o medo é o pior inimigo dos homens, porque corrói a razão, e os poucos que a conservam são contidos ou massacrados. O pavor cria falsos inimigos e salvadores perversos. Os tiranos, como Hitler, são, ao mesmo tempo, agentes e pacientes de igual angústia.

A segunda lição do nazismo é a de que qualquer um pode transformar-se em déspota, se combinar a capacidade pessoal de sedução com a indomável vontade de mando. A desqualificação de Hitler pelos seus inimigos é descuido que nos pode desarmar diante dos perigos de sempre. Hitler acreditava na Alemanha, mas acreditava em si mesmo. Foi assim que empolgou grande parte dos intelectuais alemães, começando por Martin Heidegger. A lucidez do autor de O ser e o tempo foi infectada pelos bacilos do nazismo. Integrando o partido logo depois da tomada do poder em 1933 – inscrição 312589, conforme fontes oficiais – Heidegger foi intransigente defensor da Neuordnung até o fim. Depois ele se justificaria, dizendo ter agido por oportunismo, a fim de manter a Universidade de Freiburg fora do controle direto dos nazistas. Mas os textos de seus pronunciamentos são firmes e claros. Ao tomar posse como reitor de Freiburg, em maio de 1933, o filósofo adere à teoria veterinária da História, quando afirma que o nazismo deve impor-se aos sentimentos humanistas dos cristãos, para a defesa da raça e do Estado. Em outro pronunciamento, invoca “o poder de preservar, da forma mais profunda, as forças do povo, que se enraízam na terra e no sangue”. Para ele, os estudos universitários deveriam constituir um risco, não “refúgio para a covardia”.

Os comunistas alemães se iludiam ao imaginar que a Aufklärung alemã não admitiria regime semelhante ao da Itália. E se enganam hoje os que acreditam que só na Alemanha poderia ter havido o totalitarismo quase perfeito. Onde haja tanto medo como na Alemanha (e no mundo) daqueles anos, combinado com o desemprego, a corrupção das elites e o nacionalismo exacerbado, a tirania totalitária é sempre uma eventualidade. A única forma de impedi-la é a aceitação da fragilidade dos homens.

Não há tempo e sociedade sem crises. As instituições políticas, desde a sua origem, são infiltradas de larápios e incapazes. Por outro lado, há a difusa e primitiva aversão aos diferentes, que constrói o racismo e a xenofobia – hoje de volta à Europa. Só a pluralidade de idéias e a liberdade política, com a aceitação do outro, criando as leis, podem tornar suportável o convívio dos homens.

Há muitas formas de totalitarismo, todas sangrentas. A brutalidade pode revelar-se em campos de extermínio, como os do nazismo, ou em prisões como as de Abu Ghraib e Guantánamo. Ela se mostra no massacre de povos desarmados, como o promovido por Suharto na Indonésia, e de algumas etnias africanas, e pelos bombardeios norte-americanos no Iraque, mas nenhum regime dos tempos modernos foi tão brutal quanto o de Hitler. Na repressão contra os conspiradores de julho de 1944, chefiados por von Schauffenberg, os nazistas criaram a figura da cumplicidade de sangue: além dos diretamente envolvidos no atentado frustrado contra o Führer, todos os seus parentes foram friamente assassinados – até mesmo uma criança de três anos. Isso com o apoio da hierarquia católica alemã e sob os olhos distraídos do papa Pio XII.

A humanidade não pode esquecer o tempo sombrio que começou em janeiro de 1933. Já há alguns anos, as circunstâncias perversas daquela época estão de volta e aguardam sua oportunidade – e seus tiranos.

19/09/2007 - 16:11h Faut-il autoriser «Mijn Kamp»?

Par Grégoire LeménagerBibliobs

En néerlandais, le livre s’appelle «Mijn Kamp». Faut-il l’autoriser à la vente? C’est le débat qui, pendant plusieurs jours, vient d’agiter les Pays-Bas, nous informe Jean-Pierre Stroobants dans l’édition du journal «Le Monde» datée d’aujourd’hui (mercredi 19 septembre). Vaste question, en effet: «Mijn Kamp», en allemand, c’est «Mein Kampf».

Celui qui a mis le feu aux poudres est un ministre: Ronald Plasterk, ministre travailliste de l’enseignement, de la culture et des sciences.

Notez bien, cependant, avant de crier haro sur ce monsieur, que ça partait certainement d’une bonne intention. Il s’agissait de contrer Geert Wilders sur son propre terrain; lequel, en bon député populiste qui ne cache pas son jeu, demandait début août la prohibition du Coran (un «livre fasciste», selon lui). Mouvant, le terrain.

Observez également que le ministre néerlandais pouvait arguer, à juste titre, de la disponibilité sur internet du livre d’Adolf Hitler, de sa présence dans certaines bibliothèques, et, surtout, dénoncer une législation peu efficace dans son pays. En Hollande, vous avez le droit de posséder «Mein Kampf», mais pas de l’acheter: sa vente est interdite «depuis l’après-guerre» (comme en Allemagne, par exemple). Elle est même, explique le journaliste du «Monde», «pénalement punissable depuis 1987». Seulement, les contrevenants ne seraient guère écrasés, paraît-il, sous les condamnations.

Enfin, depuis sa première sortie en 1925, «Mein Kampf» est régulièrement publié à travers le monde. Y compris en Israël (le livre est traduit en hébreu depuis février 1995), ainsi que dans la plupart des états occidentaux, et dans de nombreux pays musulmans (où il est hélas un best-seller). Les droits vont au Land de Bavière, qui les détient jusqu’en 2015 (date à laquelle le texte tombera dans le domaine public).

Et en France? Une fois n’est pas coutume, la voilà plus libérale que la Hollande. Depuis un arrêt de la Cour d’appel de Paris daté du 11 juillet 1979, la plus sinistre des autobiographies est autorisée à la vente – pour son intérêt documentaire et historique. Avec des conditions très strictes cependant: le texte doit impérativement être précédé d’une longue mise en garde, où sont rappelées les dispositions légales qui l’entourent, et les ravages historiques causés par son auteur.

Cela dit, personne ne vous oblige à l’acheter.

10/09/2007 - 19:01h Apresentadora alemã é demitida por defender política de Hitler

Eva Herman disse que durante o regime nazista se dava mais valor à família.

Marcelo Crescenti – BBC

De Frankfurt – A apresentadora do noticiário mais popular da televisão alemã foi demitida sumariamente depois de elogiar a política de Hitler quanto às famílias.

Eva Herman disse em uma entrevista coletiva que “nem tudo foi ruim no Terceiro Reich”, e que durante o regime nazista se dava mais valor à família e aos pais.

Herman era uma das apresentadoras do telejornal Tagesschau do canal ARD, o mais importante da Alemanha, e de vários talk shows.

Depois de elogiar a política de Hitler quanto às famílias ela disse que “é claro que essa foi uma época cruel, e que Hitler era um tirano que levou o povo alemão ao abismo.”

Eva Herman fez sua declaração polêmica durante a apresentação de um novo livro em que trata da imagem atual da família.

Ela foi demitida sumariamente pelos canais NDR e ARD, para os quais trabalhava, e foi duramente criticada pela imprensa alemã.

A apresentadora se defendeu dizendo que foi mal-entendida e que “quem me conhece sabe que eu não apoio movimentos extremistas nem de direita nem de esquerda.”

Herman já tinha causado polêmica ao apresentar seu primeiro livro no ano passado, Das Eva-Prinzip (”O príncipio Eva”, em tradução livre), com teses antifeministas.

A apresentadora defende o retorno da mulher à posição de mãe e dona-de-casa para “estabilizar a família”.

No entanto, a própria Herman fez carreira na TV e como autora de livros e se casou quatro vezes. Ela tem um filho. BBC Brasil

22/06/2007 - 17:40h FIERJ denuncía a BBC por anti-semita

Too British or Not Too British essa é a questão!

José Roitberg*

Para quem está acompanhando o desenvolvimento da “Questão Britânica”, com boicote de acadêmicos e universidades contra Israel, boicote de jornalistas contra notícias favoráveis à Israel e provável remoção do ensino do Holocausto por parte de professores agindo individualmente em escolas inglesas, ontem tivemos um novo round.

A BBC, não esqueça do boicote dos jornalistas ingleses, publicou ontem (21/jun/2007), para o mundo inteiro, uma notícia especificamente anti-semita. A maioria da mídia séria optou por deixar isso de lado, mas a mídia baseada em copiar-e-colar, principalmente a que tem contratos fortes com a BBC e BBC-Brasil, publicaram a matéria na íntegra. Outras mídias, vendo o assunto, também usaram seu caráter sensacionalista e mantiveram uma nota no ar durante todo o dia 21, como foi o caso da Band News TV.Na matéria da BBC, e apenas dela, um trabalho de um obscuro dr Bassem Habeeb, que tabalha no hospital Hollins Park Hospital, da pequena cidade de Warrington, no Norte da Inglaterra, nem foi apresentado, mas apenas circulou no encontro mundial do Royal College of Psychiatrists, ou seja, de médicos da esfera britânica.

Segundo o panfleto de propaganda de negação do Holocausto do dr. Bassem Habeeb, Hitler perseguiu os judeus e decidiu exterminá-los porque contraiu sífilis na relação com uma prostituta judia em 1908! Não há outra razão. Hitler teria 19 anos na ocasião e evidentemente não há registro das atividades sexuais dele…

Este Bassem, baseia sua teoria, apresentada como fato em algumas mídias brasileiras e na Band News TV, em observações de textos de outros autores sobre o comportamento, não só de Hitler como de outros líders múndiais, como Woodrow Wilson, e Statlin que também tiveram seus governos e decisões comandados por doenças, segundo Bassem.

Esse revisionista, não só tira a responsabilidade de Hitler e dos nazistas, como é mais um que culpa os judeus pela sua própria perseguição. Neste caso, apenas uma mulher seria a responsvál total… Mais abominável que isso é a mídia brasileira acolher essa asneira e divulgá-la de forma isenta como notícia verdadeira e válida!

A BBC e qualquer jornalista sabem que os títulos e sub-títulos são os mais lidos numa matéria e que muita gente não lê os textos, mas apenas o que está em evidência. Os títulos utilizados pela BBC, são: “Hitler pode ter lançado holocausto ‘por ter pegado sífilis de uma prostituta judia’” (com o erro no “pegado” mesmo) e o subtítulo extremamente racista e anti-semita “Doença de judeu” no parágrafo que começa a falar sobre a sífilis propriamente dita.

 

Essa não é a trigésima vez que a BBC-Brasil se porta de forma anti-semita aberta em seus títulos e notícias do serviço em português para o Brasil e a cada vez, devemos protestar! (…)

O artigo de José Roitberg na integra no Informes da FIERJ

 

 

Matéria completa no site da BBC – clique aqui

 

* José Roitberg é jornalista e diretor de Comunidade na TV