15/08/2009 - 20:27h Pesquisadores americanos desenvolvem camisinha feminina em gel

BBC – Agencia Estado

Primeira versão do produto, finalizada em 2006, enfrentou problemas em testes na África.

Pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, estão desenvolvendo uma “camisinha molecular” para mulheres em forma de gel para proteger contra a infecção pelo vírus HIV, causador da Aids.

Segundo os cientistas que participam do projeto, a camisinha em gel seria aplicada na vagina antes da relação sexual.

Ao entrar em contato com o esperma, o gel liberaria uma substância anti-viral que atacaria o HIV e formaria uma rede que impediria a passagem do vírus.

Em um estudo publicado na revista científica Advanced Functional Materials, os cientistas testaram o material em células vaginais humanas e comprovaram que ele bloqueia a passagem das partículas de HIV.

A equipe de pesquisadores vem trabalhando no desenvolvimento da camisinha feminina em gel há vários anos.

Segundo Patrick Kiser, que coordena a pesquisa, o gel seria particularmente útil para os países africanos, onde o uso de preservativos tradicionais é relativamente baixo.

Primeira versão

A equipe de pesquisadores havia desenvolvido em 2006 uma primeira versão do gel, que se transformava em uma capa gelatinosa ao entrar em contato com a pele e voltava ao estado líquido ao entrar em contato com o sêmen.

Porém o maior problema que encontraram para essa primeira versão era que na África, continente onde estão os países com os maiores índices de contaminação pelo HIV, as altas temperaturas impediam que o gel voltasse ao estado líquido.

Para corrigir isso, o que eles fizeram foi gerar um processo exatamente oposto: por meio de mudanças na composição química relacionadas ao PH (o índice de acidez ou alcalinidade) do esperma, o novo gel fica mais sólido em vez de mais líquido.

“Nossa pesquisa não põe ênfase no remédio, mas sim no veículo usado para transportá-lo”, afirma Kiser.

A equipe de cientistas estima que ainda serão necessários vários anos de testes para que o produto possa estar disponível para uso generalizado.

Tendência

O projeto da Universidade de Utah faz parte de uma tendência internacional de investigar e desenvolver sistemas de liberação de substâncias microbicidas como géis, anéis, esponjas e cremes para prevenir infecções pelo vírus da Aids ou por outras doenças sexualmente transmissíveis.

Esses sistemas são vistos como uma forma de que as mulheres tenham um maior poder de se proteger a si mesmas do HIV, particularmente em regiões onde o índice de contaminação seja alto, onde haja um grande número de estupros, onde os preservativos tradicionais sejam um tabu ou não estejam disponíveis ou onde os homens sejam reticentes a usá-los.

23/03/2009 - 20:32h Será possível perdoá-lo?

Declarações de Bento XVI sobre a ineficácia do preservativo chocam os ativistas antiaids em Angola

 

José Eduardo Agualusa* - O Estado de S.Paulo

 


- Como o papa Bento XVI fez questão de recordar, mal desembarcou em Luanda, na manhã de sexta-feira, 20 de março, Angola começou a ser cristianizada vai para 500 anos. O país alberga, pois, uma das mais antigas comunidades católicas da África ao sul do Sahara.

Após começo problemático, o papa chamou a atenção para a pobreza no país

Ao longo destes cinco séculos a presença da Igreja Católica em Angola teve bons e maus momentos. A Igreja apoiou a escravatura e o tráfico negreiro, e acendeu as fogueiras da Inquisição. O caso mais notável terá sido o de d. Beatriz Kimpa Vita, a qual depois de visitada em sonhos por Santo Antônio, criou seu próprio culto. Foi queimada em 1706. O escritor angolano Henrique Abranches publicou um interessante romance sobre a vida e a morte de d. Beatriz: Misericórdia para o Reino do Congo (D. Quixote, Lisboa). A queima de feiticeiras transformou-se numa tradição que, desgraçadamente, continua a ser praticada nos nossos dias. Um dos episódios mais brutais, mais estranhos, mais difíceis de explicar, da longa guerra civil que Angola viveu, foi o da queima, numa cerimônia pública, de um grupo de mulheres, e uma criança, acusadas de feitiçaria, cerimônia esta promovida e presidida pelo falecido dirigente das forças de guerrilha, Jonas Savimbi. Mais uma vez a literatura guardou testemunho do episódio num romance assinado por José Sousa Jamba, ele próprio um antigo guerrilheiro da Unita: Patriotas (Publicações Cotovia, Lisboa).

Já no século 20 a Igreja Católica distinguiu-se positivamente no apoio ao ensino e às populações mais carentes. Não por acaso a única estátua de uma personalidade portuguesa que não foi apeada nem vandalizada em Luanda, após a independência, é a que representa monsenhor Alves da Cunha, fundador do primeiro estabelecimento de ensino médio na capital angolana e inimigo acérrimo de todas as formas de escravatura que no início do século passado ainda sobreviviam no território.

Não surpreende que entre os fundadores do moderno movimento nacionalista angolano estivessem homens da Igreja. O primeiro levantamento armado contra o regime colonial, a 4 de Fevereiro de 1961 – operação quixotesca destinada a libertar um grupo de nacionalistas detidos em Luanda -, foi pensado e preparado por um angolano de pele clara, o cônego Manuel das Neves, personagem que o MPLA, partido no poder em Angola, ignorou durante todos os anos em que defendeu posições marxistas. Joaquim Pinto de Andrade, primeiro presidente do MPLA – preso após a independência por se opor à liderança de Agostinho Neto – também vestiu batina.

Durante os anos da guerra muitos intelectuais ligados a correntes pacifistas, e a grupos da oposição não belicista, acusaram a Igreja Católica, e os seus principais responsáveis em Angola, de não terem querido ou sabido utilizar todo seu poder – que era então imenso – para aproximar as partes desavindas. É difícil não concordar com eles. A Igreja Católica pecou por omissão, por covardia, não obstante a coragem com que muitos padres e freiras se esforçaram por socorrer as vítimas.

Nos últimos anos a Igreja Católica vem perdendo crentes para uma constelação de cultos evangélicos, alguns deles de matriz brasileira. Esta deserção em massa aflige a hierarquia da Igreja e explica, ao menos em parte, o fato de Angola ter sido um dos dois países africanos escolhidos por Bento XVI para sua primeira visita ao continente. Infelizmente, a visita não começou bem. As declarações do papa sobre a utilização da camisinha – segundo o Sumo Pontífice, não só não previne como contribui para a propagação da pandemia!- chocaram os responsáveis pelas campanhas de combate ao vírus da aids.

A prolongada guerra civil, ao dificultar a entrada de pessoas infectadas com o vírus da aids provenientes dos países vizinhos, explica o número relativamente baixo de angolanos atingidos pela doença. Sete anos após a morte de Jonas Savimbi e do final da guerra civil, porém, esse número vem crescendo de forma alarmante, em particular nas povoações de fronteira. Convém recordar que em países como Botsuana, ao sul de Angola, mais de metade da população está infectada. À luz desses números, as declarações de Bento XVI parecem ainda mais insensatas, senão mesmo criminosas. Acrescente-se que na maioria dos países africanos, incluindo Angola, existe uma grande resistência à utilização da camisinha. Nos meios rurais persiste a convicção de que a mulher tem o dever de partilhar o destino do seu marido – morrendo com ele.

Para os mais otimistas, as infelizes declarações do papa Bento XVI sobre a utilização da camisinha serviram ao menos para chamar a atenção do mundo no que diz respeito ao imenso drama que a África vive. Merece realce, por outro lado, o discurso de bento XVI no palácio presidencial, após uma audiência privada com José Eduardo dos Santos. O Sumo Pontífice atacou a corrupção e a extrema desigualdade social: “Não nos podemos esquecer que há tantos pobres em Angola que reclamam o respeito pelos seus direitos. Não nos podemos esquecer dos que vivem abaixo do limiar da pobreza. Não os desiludam. Angola deve partilhar as suas riquezas materiais e espirituais em benefício de todos”. Recorde-se que dois terços dos angolanos vivem com menos de US$ 2 por dia, num país com apenas 16 milhões de habitantes, e que é o maior produtor de petróleo da África negra, e o terceiro maior produtor de diamantes do mundo. Diante do papa, manifestando certo desconforto, perfilavam-se algumas das maiores fortunas do país.

*Escritor angolano autor de sete romances, entre os quais O Vendedor de Passados, Manual Prático de Levitação (Gryphus) e As Mulheres do meu Pai (Língua Geral)

19/03/2009 - 15:12h Integrismo

http://www.fundamig.org.br/2008/arquivos/image/aids.jpg papa_preservativos.jpg
 O Globo

18/03/2009 - 18:15h Comentários do papa sobre camisinha são ‘ameaça’, diz França

Na África, Bento 16 disse que uso de preservativos pode prejudicar no combate à Aids.

http://www.hns-info.net/local/cache-vignettes/L500xH335/aup-pape-capote-vie-montmartre-20080913-11565-fde6e.jpg
“A camisinha é a vida” cartaz na frente da igreja do Sacré-Cœur em Paris – França

BBC Brasil

– A França condenou nesta quarta-feira as declarações do papa Bento 16 rejeitando o uso de preservativos na luta contra a Aids, qualificando-as como “uma ameaça”.

“Enquanto não cabe a nós julgar a doutrina da Igreja, consideramos que tais comentários são uma ameaça às políticas de saúde pública e a obrigação de proteger a vida humana”, disse o porta-voz do ministro das Relações Exteriores francês, Eric Chevalier.

O papa Bento 16 disse na terça-feira, em visita a Camarões, que o uso de preservativos pode agravar o problema da Aids.

Ele chamou a doença de “uma tragédia que não pode ser combatida apenas com dinheiro ou a distribuição de preservativos, os quais podem, inclusive, aumentar o problema.”

Leia mais na BBC Brasil: Papa rejeita preservativos como solução para a Aids na África

A solução, segundo Bento 16, se encontra “em um despertar espiritual e humano” e “amizade com os que sofrem”.

O pontífice defende a fidelidade e a abstinência como formas de combater a doença.

No entanto, as declarações causaram espanto em alguns ativistas que dizem que o uso de preservativos é um dos únicos métodos comprovadamente eficazes de combate à doença.

“A oposição dele aos preservativos indica que dogmas religiosos são mais importantes para ele do que as vidas dos africanos”, afirma Rebecca Hodes, da ONG sul-africana de combate à Aids Treatment Action Campaign.

Se calcula que cerca de 22 milhões de pessoas são infectadas com o vírus do HIV na África ao sul do Deserto do Saara, segundo dados da ONU de 2007.

O total representa dois terços de todos os infectados do mundo.

13/02/2009 - 19:01h “Bom de cama é quem usa camisinha”

Casos de Aids entre mulheres com mais de 50 anos triplicam.

Governo faz campanha no carnaval com o lema “bom de cama é quem usa camisinha”

Portal O Globo

aids.jpgRIO – Às vésperas do carnaval, o Ministério da Saúde lançou nesta sexta-feira uma nova campanha de combate à Aids que terá como foco as mulheres acima de 50 anos, que não costumam usar preservativos nem nas relações eventuais. A decisão de priorizar as mulheres nessa faixa etária se deve ao aumento da contaminação nesse grupo. Nos últimos dez anos, o número de mulheres com mais de 50 anos que contraiu a doença triplicou, de acordo com dados do governo. Além disso, segundo uma pesquisa do ministério, 72% das mulheres nesta faixa etária não usam camisinha nas relações com parceiros casuais.

Os jovens já cresceram com essa preocupação de prevenção contra a Aids, enquanto as mulheres mais velhas não estão acostumadas


- É quase uma questão cultural. Os jovens já cresceram com essa preocupação de prevenção contra a Aids, enquanto as mulheres mais velhas não estão acostumadas – disse a jornalistas o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, ao destacar que a maioria das mulheres infectadas tem relações matrimoniais estáveis.

Em 1996, havia 3,7 casos de Aids em cada grupo de 100 mil mulheres com mais de 50 anos, enquanto em 2006 a incidência subiu para 11,6 casos da doença.

Temporão afirmou ainda que a campanha também terá como foco secundário os homens brasileiros.

O machismo ainda é forte no Brasil, e é o homem quem dita as normas e impõe o padrão de comportamento


- O machismo ainda é forte no Brasil, e é o homem quem dita as normas e impõe o padrão de comportamento – afirmou.

- A ideia é colocar a mulher como um ator fundamental da relação sexual e não em um papel secundário. Queremos uma democratização da questão sexual – acrescentou.

A campanha será veiculada nas principais cadeias de rádio e TV do Brasil a partir desta sexta-feira, uma semana antes do início do carnaval, e a peça publicitária batizada de “Bloco da Mulher Madura” é protagonizada por mulheres com mais de 50 anos que alertam para a necessidade do uso da camisinha.

- É um erro achar que as mulheres com mais de 50 anos jogam peteca ou baralho. Elas continuam fazendo sexo – declarou o ministro.

O ministério também vai reforçar durante o Carnaval a distribuição de preservativos em todo país. Além dos 45 milhões de camisinhas distribuídos mensalmente, mais 10 milhões de preservativos serão disponibilizados durante a folia.

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 630 mil pessoas no Brasil teriam HIV, mas 255 mil delas desconhecem que são portadores do vírus da Aids.

Eles rezam e oram, e nós trabalhamos contra a doença


- A doença no Brasil está estabilizada e, nos últimos anos, o ganho na sobrevida e na qualidade de vida foi excepcional – avaliou Temporão, que não espera mais atritos com a Igreja Católica com a nova campanha anti-Aids.

- Eles rezam e oram, e nós trabalhamos contra a doença – ironizou o ministro, que no início de seu mandato já teve atritos com a Igreja.

Temporão rebate críticas sobre compra de gel lubrificante

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, rebateu as críticas sobre a compra de gel lubrificantepelo governo. Segundo ele, não houve aumento dos gastos destinados a essa iniciativa, implementada pelo governo federal desde 2001 e que faz parte da política de prevenção à aids.

É lamentável que setores retrógrados critiquem


- É lamentável que setores retrógrados critiquem isso. Ao contrário do que muita gente, disse o ministério não gastou R$ 40 milhões na compra de gel lubrificante e sim R$ 1 milhão em 2008. Este número mantém o padrão dos outros anos. Vamos continuar comprando – afirmou Temporão, durante lançamento de campanha de prevenção à aids no carnaval de 2009.

04/02/2009 - 15:38h Governo vai distribuir gel para uso íntimo

Ver imagem em tamanho grandehttp://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/foto/0,,11352542-EX,00.jpg

Governo gasta R$ 1,1 mi em gel para reduzir risco de contaminação da Aids por sexo anal

O Globo

RIO – O Ministério da Saúde adiquiriu no final do ano passado 15 milhões de sachês de gel lubrificante. O produto é indicado para ser usado nas relações anais por grupos mais vulneráveis à infecções de HIV, como homossexuais, travestis e profissionais do sexo. O lote foi comprado por R$ 1,160 milhão, segundo revela matéria de Evandro Éboli publicada na edição desta quarta-feira do jornal O Globo.

O gel começou a ser comprado pelo Programa Nacional de Aids em caráter experimental em 2001. No final do ano, passado o ministério decidiu ampliar a distribuição do produto, que torna mais seguro o uso da camisinha na relação anal e evita o rompimento do preservativo. Caso a camisinha fure, o gel ajuda a evitar contaminação.

O gel é distribuído nos postos de saúde também para mulheres que estão na menopausa, geralmente com idade superior a 45 anos. Nessa fase, elas perdem a lubrificação natural da vagina. O sachê é distribuído junto com preservativos masculinos e femininos. Segundo Brito, a demanda nacional é de 30 milhões de unidades, o dobro do lote que está sendo comprado neste momento.

- O gel lubrificante atua como um coajuvante facilitador da proteção nas relações anais. A aceitação foi muito positiva e a vantagem é que, ao longo dos anos, o preço da unidade caiu muito – conta Ivo Brito.

Leia a reportagem completa no Globo Digital (somente para assinantes)

13/01/2009 - 19:01h Confiança no parceiro é principal motivo para dispensar camisinha

Estudo mostra que razão é citada mesmo por quem tem parceiros eventuais

FLÁVIA MANTOVANI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL
A confiança no parceiro é a principal razão para deixar de usar camisinha mesmo quando se trata de sexo casual, revela estudo inédito da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

Foram ouvidas 79.075 pessoas que procuraram os Centros de Aconselhamento e Testagem para fazer o exame de HIV entre 2000 e 2007 e afirmaram não ter usado preservativo. Do total, 43,68% apontaram essa razão para deixar a camisinha de lado. Nesse grupo, 23,5% disseram ter tido relações com parceiros eventuais.

“Ainda é muito difícil conscientizar sobre o uso da camisinha. Há pessoas que deixam de usá-la porque confiam no parceiro, mas depois buscam um teste de HIV, o que mostra que podem ter refletido melhor”, diz Maria Clara Gianna, diretora do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids.

Ela diz que o que preocupa não é o fato de ter parceiros eventuais, mas de confiar neles a ponto de dispensar a prevenção. “Tanto em caso de parceria fixa quanto eventual, a confiança deve ser bastante avaliada.”

Se um casal estável decidir parar de usar o preservativo, o melhor é que faça o teste de HIV. “Fazer o exame é importante, mas não é suficiente, já que ele pode cair no período da janela imunológica”, pondera Gianna. Trata-se do intervalo entre a infecção pelo vírus e a detecção de anticorpos pelos exames. Esse tempo, no qual pode haver resultado falso-negativo, é de duas a oito semanas, mas pode se prolongar.

Para aumentar a segurança, a psicóloga Maria Cristina Antunes, pesquisadora do Nepaids (Núcleo de Estudo para a Prevenção da Aids), da USP (Universidade de São Paulo), recomenda refazer o exame três meses depois, mas diz que não se pode dispensar a chance de infidelidade. “De acordo com estudos, cerca de 45% da população brasileira já foi infiel. A camisinha é a melhor proteção”, afirma.

Não gostar da camisinha foi a segunda razão mais citada para deixá-la de lado. Uma dica para reduzir o desconforto é passar lubrificante por dentro e por fora do acessório, diz Antunes.

Falta de informação é o terceiro item no ranking de “desculpas”. “Mesmo com todas as campanhas existentes, ainda há esse problema. Precisamos continuar falando sempre a respeito”, diz Gianna.

12/01/2009 - 09:17h Programa de aids começa a estagnar

Na opinião de especialistas, epidemia tem novas características que exigem mudança, principalmente na prevenção

Lígia Formenti, BRASÍLIA – O Estado SP

Após sucessivos elogios recebidos no cenário internacional, o Programa Nacional de DST-Aids começa a dar sinais de estagnação. Indicadores importantes, como número de casos novos e taxa de mortalidade, praticamente não mudaram nos últimos cinco anos. Os índices de transmissão da mãe para o bebê durante a gravidez caíram, mas não como era esperado pelo próprio governo.

Além disso, com o aumento de casos no Norte e Nordeste entre homossexuais jovens e pessoas com mais de 50 anos, a epidemia adquiriu novas características, o que exige mudança na forma de atuação, principalmente na área de prevenção.

“O quadro é bastante preocupante, mas o que vemos é apenas comemoração”, afirma Mário Scheffer, da organização não-governamental Pela Vidda. Todos os dias , 97 pessoas se contaminam com o HIV, vírus da aids, e outras 30 morrem por causa da doença. “É como se um ônibus caísse do despenhadeiro diariamente e ninguém se importasse.”

Para Scheffer, os números estampam a necessidade de o programa fazer uma autocrítica, perceber o que não está dando certo e, nessas áreas, mudar a estratégia. “Mas o que vemos é o oposto. Há uma percepção coletiva de que tudo está maravilhoso, que temos o maior programa do mundo. Estamos vivendo de sofismas, não da realidade.”

O pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Alexandre Grangeiro diz que os dados divulgados no último boletim, em novembro, estampam uma lista de desafios que precisam ser enfrentados. Grangeiro, que já foi coordenador do programa nacional, observa que o País hoje apresenta não uma, mas várias epidemias de aids. Nas Regiões Sudeste, Sul e na faixa litorânea, há uma epidemia mais antiga e estabilizada, com queda do número de soropositivos usuários de drogas e um aumento dos casos entre gays jovens. No Norte e Nordeste, existe uma epidemia bem mais recente, formada principalmente por transmissão heterossexual. “Isso exige a adoção de estratégias diferenciadas na prevenção e na melhoria da qualidade do atendimento.”

O que preocupa nos Estados do Norte é a combinação de alguns fatores – menor tendência ao uso de preservativos, iniciação sexual precoce, menos interesse pelo teste para detectar o HIV. Todas características que dificultam a prevenção e o acesso mais rápido ao tratamento. Talvez por isso a Região Norte apresente uma tendência de aumento nos índices de mortalidade. “Com a interiorização da aids, o País enfrenta outro problema, que é a desigualdade na qualidade dos serviços, a dificuldade no acesso ao tratamento. Isso precisa ser solucionado”, avalia a coordenadora da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Cristina Pimenta.

Grangeiro aponta ainda outros dois pontos que precisam ser melhorados: quantidade de pessoas testadas para o HIV e o acesso a tratamento para gestantes contaminadas. “Muito se fala que a aids somente será controlada com a vacina. No caso das gestantes, o tratamento existente é uma forma de vacina, algo que previne a infecção do feto em quase 98% dos casos. Mesmo assim, o País continua registrando, todos os anos, uma triste marca de contaminações em bebês.”

O pesquisador da USP acredita que os maiores desafios estão em áreas que dependem de ações governamentais gerais. “Sem infraestrutura adequada nos serviços, não há como garantir diagnóstico precoce. Sem pré-natal de qualidade, não há como se certificar de que a gestante não é portadora do vírus, não há como ofertar tratamento adequado antiaids para o bebê. A qualidade das ações acaba esbarrando nos problemas gerais.”

PREVENÇÃO

A estimativa é de que 46% dos pacientes cheguem aos serviços em estágio adiantado da doença. Com isso, o efeito dos remédios antiaids será limitado. “Há muito o que melhorar nesta área”, diz Grangeiro. O infectologista Caio Rosenthal tem avaliação semelhante. “O programa melhorou muito, há avanços inegáveis. Mas em alguns pontos é possível avançar mais, como no diagnóstico precoce.” O infectologista Celso Ramos concorda: “É preciso mudar a cultura, tornar o teste mais disponível em toda a rede. “

17/06/2008 - 18:55h Acesso à vida

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access to life

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Access To Life/Russia

(© Alex Majoli/Magnum Photos)

O uso das drogas antiretrovirais, no início dos anos 90, marca um antes e um depois na luta contra a sida. Antes havia uma sentença de morte mais ou menos rápida. Depois houve uma forma de domar uma doença crónica. Mas este balão de oxigénio está longe, muito longe, de chegar a todos os que precisam dele. O preço dos comprimidos antiretrovirais e as dificuldades de os distribuir com eficácia nas zonas do globo mais complicadas fazem com que 95 por cento dos infectados com HIV fiquem de fora deste “cheque-oportunidade-de-vida-mais-alargada”.
Para tentar anular estas desigualdades foi criado, em 2002, o Global Fund to Fight AIDS, Tuberculosis and Malaria, que já tem programas em mais de 100 países. A iniciativa não está só a salvar vidas, mas a prevenir que a doença se espalhe ainda mais.

A partir do mote accesstolife, oito fotógrafos da Magnum (Paolo Pellegrin, Alex Majoli, Larry Towell, Jim Goldberg, Gilles Peress, Jonas Bendiksen, Steve McCurry, Eli Reed) foram convidados para registar casos de pessoas infectadas que passaram a ter acesso a antiretrovirais para controlar a doença. Em nove países, os fotógrafos da agência captaram o dia-a-dia do “antes” e o resultado do tratamento quatro meses depois. Em muitos casos, conseguiram recuperar-se as rotinas do trabalho, a convivência da família e, claro, a alegria de estar vivo. Noutros casos a ajuda chegou tarde demais.

Desde o início dos anos 80 já morreram perto de 30 milhões de pessoas por causa da sida.

Para ver os trabalhos dos oito fotógrafos da Magnum clique aqui.

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(© Jim Goldberg/Magnum Photos)

20/05/2008 - 13:11h Atos públicos marcam “Dia Internacional Contra a Homofobia” no Brasil

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Cartaz da campanha da ONU contra a homofobia

TINO MONETTI (interino) – Folha Online

Neste sábado (17), o mundo comemora o “Dia Internacional Contra a Homofobia”. A data (17 de maio) foi escolhida para lembrar quando, em 1990, a OMS (Organização Mundial de Saúde) retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças.

A homofobia é entendida como qualquer manifestação de ódio contra os gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, e pode inclusive se manifestar por meio de agressões psicológicas e físicas. A luta pela aprovação do Projeto de Lei da Câmara 122/2006, que criminaliza essa prática, é hoje a principal reivindicação do movimento GLBT em todo o Brasil.

Durante a semana, a ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais) divulgou uma série de eventos que acontecem hoje nos quatro cantos do Brasil para celebrar e marcar a data.

Enquanto a Praia de Boa Viagem, no Recife (PE), receberá 80 cruzes vermelhas como símbolo de protesto contra o assassinato de homossexuais no Estado, a praça 7 de Belo Horizonte servirá de palco para uma manifestação para denunciar a violência, as violações de direitos gays e os crimes homofóbicos.

No Estado do Rio, a cidade de Cabo Frio realiza na Praia do Forte, a partir 14h, a 2ª Caminhada Cabo Free Contra a AIDS, na qual serão distribuidos folders de prevenção e preservativos. Já em Búzios, no Espaço Cultural PEMBA, na Orla Bardot, ocorre a partir das 21h30 a estréia de “Os Assumidos”, espetáculo teatral baseado nos famosos seriados inglês e norte-americano “Queer as Folk”.

Conferências

Além disso, neste final de semana, sete Estados brasileiros (DF, MT, PB, PR, RJ, RS e SC) realizam Conferências Estaduais de Políticas Públicas para GLBT, convocadas pelos respectivos governadores.

A ABGLT informa que as demais unidades da federação já realizaram suas conferências, as quais antecedem a 1ª Conferência Nacional GLBT, convocada pelo presidente Lula, a ser realizada em Brasília de 5 a 7 de junho.

Homofobia

Na página da ABGLT, é possível encontrar diversas informações sobre a data de 17 de maio no mundo, o problema da homofobia nas escolas nacionais e o programa “Brasil sem Homofobia”, que pode ser baixado na íntegra em português, inglês e espanhol.

Programas

A sede da Organização Panamericana de Saúde (OPS) –braço regional da Organização Mundial de Saúde (OMS)– em Washington, elogiou nesta semana “os programas para melhorar a atenção na saúde para minorias sexuais, incluindo os homossexuais e transexuais”, informou um comunicado oficial da mesma.

No documento, a OPS elogia iniciativas vindas de várias partes da América, como projetos da Argentina, Colômbia, Costa Rica, Brasil, Nicarágua, México e Peru lançados no último ano e que ajudam a erradicar a homofobia nestes países.

Segundo a organização, “muitas das iniciativas respondem a necessidade de ampliar a prevenção e atenção ao HIV”, como é o caso do Brasil, que em março de 2008 lançou o “Plano Nacional de Enfrentamento da Epidemia de Aids e outras DST entre gays, HSH [homem que faz sexo com homem] e travestis”.

Festas para meninas

A partir deste sábado, as meninas de São Paulo começam uma maratona de festas que durará até o domingo da Parada Gay em São Paulo.

A primeira delas é “Por Culpa de La Pussy”, nova edição da festa do Projeto Sapataria, que acontece neste sábado (17) em uma mansão na av. Lineu de Paula Machado. A festa –que tem preços variados entre R$ 15 e R$ 25– contará com as bandas Siete Armas e help i´m a bonsai kitten (que toca na Caminhada de Lésbicas e Bissexuais), além das DJs Paty Passos, Zuba e Jennie Santiago. Informações sobre a localização da casa e como incluir nomes na lista de descontos podem ser encontradas no site oficial da festa.

Na quinta-feira (22), Cida Araújo –responsável pelo bar-restaurante Farol Madalena,– faz mais uma edição de sua festa “Diva” na The Week. No line-up estão os DJs Marcos Paulo e Robson Mouse e, quem aparecer, ganha churrasco gratuitamente, das 16h às 21h. Os preços para a “Day Party Diva” variam entre R$ 25 (antecipado) e R$ 35 (no dia). Outras informações podem ser vistas na página do Farol Madalena.

Na sexta-feira (23), a queridíssima Barbie da Silva, uma das responsáveis pela “Chá com Bolachas”, a festa lésbica mais bacana de São Paulo, é convidada de Alexandre Herchcovitch e Johnny Luxo na festa “Alelux!”. O projeto acontece no clube Glória (rua 13 de Maio, 830, Bixiga) e deve reunir diversas meninas lindas, fãs e amigas de Barbie.

Para quem ainda tiver pique depois da Parada e da série de festas, ainda pode encerrar a semana na “Domingueira Bardagrá Especial”, que acontece no clube Studio Roxy (r. Augusta, 430, Centro). A festa –que é gratuita até às 23h59– terá música a cargo da DJ Cris Villela (residente) e suas duas, DJs Zuba e Nina Lopes.

Saias

São cada vez mais numerosos na França os homens que defendem “a libertação do guarda-roupa masculino”, exigindo o direito de livrar-se da “ditadura das calças” e adotar a saia como peça de vestuário.

“Por séculos os homens vestiram saias e vestidos, inclusive no Ocidente”, explicou Dominique Moreau, 39, fundador e presidente da associação Homens de Saia, que já conta com cerca de 30 membros, “somente a ponta do iceberg de centenas de homens que há anos manifestam na internet, em sites como www.c-tendance.com e www.jupeskirt.eu, sua vontade de abandonar as calças”, informou o jornal francês “Liberation”.

As saias são “mais confortáveis, mais amplas”, não “restringem as partes íntimas, e por isso são mais adequadas à fisionomia masculina”, observou Jerome Salomé, de 32 anos, que em 2005 fundou o site Homens de Saia (www.i-hej.com), nome adotado pela associação de Moreau em 2007.

Para Salomé, um dos maiores problemas é encontrar saias para homens em lojas de roupa. Exceto modelos caros das grifes francesas Agnès B e Jean Paul Gaultier e alguns sites na internet, “as grifes de moda em geral não ousam propor modelos de saias para homens, temem por sua imagem”.

“É uma pena, porque haveria mercado”, observou Moreau.

Com informações da agência Ansa

Sérgio Ripardo é editor de Ilustrada da Folha Online desde maio de 2005. Está na Folha desde janeiro de 2000. Foi repórter do extinto caderno Agrofolha e do FolhaNews, onde cobriu mercado financeiro. Escreve Destaques GLS às quartas.E-mail: sergio.ripardo@folha.com.br.

06/05/2008 - 13:39h Doença que não dá IBOPE faz vítimas, mas fica fora do radar da mídia

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AGNER, A MÃE NILCÉA E A IRMÃ LILIAN

por Conceição Lemes – Blog de Azenha

Há décadas 8 de maio é o Dia Mundial da Talassemia. A proposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que este 8 de maio, quinta-feira, seja o Dia Mundial das Hemoglobinopatias, englobando a anemia falciforme. São doenças decorrentes de alterações genéticas da hemoglobina, a proteína que, dentro dos glóbulos vermelhos do sangue, “carrega” o oxigênio para todo o organismo. Definitivamente, a OMS incluiu a anemia falciforme em suas prioridades.

Nos dias 9 e 10, o diretor do Programa de Genética Humana da OMS, Victor Bulygin, se reunirá, em Campinas, interior de São Paulo, com organizações governamentais e não-governamentais para discutir uma proposta de diretrizes para os próximos cinco anos. A grande preocupação é o acesso dos portadores de hemoglobinopatias à medicina de qualidade, para prevenir as complicações e o melhor controle dos distúrbios. A anemia falciforme é a doença hereditária mais prevalente no mundo, inclusive no Brasil. É um problema de saúde pública, ainda não tem cura e pode afetar quase todos os órgãos. Atinge principalmente afro-descendentes.

É o caso de Agner Eduardo Gomes da Silva. “Aos 2 anos de idade, percebi que não acompanhava a irmã nas brincadeiras. Vivia cansado, febril e olhos lacrimejantes. Certa vez, a mãozinha inchou. O médico achou que um bicho havia mordido e engessou o bracinho dele”, relembra a mãe Nilcéa Gomes da Silva, 54. “Na segunda vez, prescreveu pomada e antitérmico. Acabei indo num médico particular, que suspeitou de anemia falciforme. O teste confirmou.”

Até os 18 anos, Agner foi tratado no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo. De lá para cá, no Ambulatório de Hemoglobinopatias do Serviço da Hematologia e Hemoterapia da mesma instituição. “Nas aulas de educação física, sempre joguei bola menos tempo do que meus colegas. Aos 11, fiz cirurgia para retirar cálculo renal”, recorda-se. “Aos 18, comecei a ter crises de priapismo [ereção prolongada, dolorosa], que, agora, com medicação, cessaram. De vez em quando, sinto bastante cansaço, dores fortes de cabeça e nas costas.”

Agner tem 29 anos, cursa o último ano da faculdade de Direito e estagia em uma operadora de planos de saúde. Cristelene, sua noiva, já fez avaliação genética. O exame deu negativo. A realidade brasileira, porém, é outra.

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10/04/2008 - 05:39h Governo declara droga antiaids de interesse público para evitar patente

Tenofovir é um dos mais caros do coquetel; há 1 ano, decreto inédito permitiu compra de genérico do Efavirenz

Lígia Formenti e Fabiane Leite – O Estado de São Paulo

aids.jpgO Ministério da Saúde declarou de interesse público o anti-retroviral Tenofovir, um dos mais caros e importantes medicamentos usados pelo Programa Nacional de DST-Aids. Com a medida, o governo quer apressar a análise de processo de patente do remédio, que há anos se arrasta no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).

A expectativa é que o registro de patente seja negado por causa da decisão dos Estados Unidos – o que, na prática, abre espaço para o governo atuar em duas frentes: comprar genéricos de outros fabricantes e iniciar a produção nacional do medicamento. Produzido pela empresa Gilead, o Tenofovir hoje é usado por 30 mil pacientes no Brasil. O tratamento de cada um custa US$ 1.387 por ano. O remédio, sozinho, é responsável por 10% dos gastos com remédios do programa de aids.

No ano passado, também no mês de abril, o Brasil declarou de interesse público o Efavirenz, anti-retroviral fabricado pela Merck. Naquele caso, no entanto, a medida representava o passo inicial para a quebra de patente. Agora, o direito de propriedade não foi reconhecido formalmente e o processo é um pouco diferente. ‘Mas, na prática, a intenção é a mesma’, disse o diretor da Farmanguinhos, Eduardo Costa.

Embora a patente não tenha sido concedida, o Brasil age como tal. ‘É praxe. Quando é feito o depósito de patente, o País passa a respeitar essa expectativa de direito. É assim até o processo ser analisado’, afirmou o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães.

INOVAÇÃO EM DÚVIDA

Ao longo destes anos, no entanto, alguns problemas foram se acumulando. No meio científico, houve contestações sobre as inovações da molécula usada na fabricação do Tenofovir.

A Farmanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz, argumentou que o medicamento não reunia os requisitos necessários para concessão da patente. ‘A molécula já era conhecida, não houve inventividade. Portanto, não há condições necessárias para que a patente seja concedida’, garantiu Eduardo Costa. Além disso, ao longo destes anos a Gilead concedeu a licença voluntária para produção do remédio na África e na Índia. ‘Mas a empresa impôs uma cláusula, que impede esses fabricantes de vender o Tenofovir ao Brasil’, disse Guimarães.

PRECEDENTE NOS EUA

Há cerca de um mês, uma decisão nos Estados Unidos derrubando a patente do medicamento – por ele não apresentar inovações – acabou reforçando os argumentos para apressar, no Brasil, a análise da patente. ‘O INPI afirmou que somente poderia analisar o processo em caráter de urgência se o interesse público fosse decretado. Passada esta etapa, estou convicto de que em breve teremos uma decisão sobre o assunto’, disse Guimarães. O secretário descartou a possibilidade de o INPI reconhecer os direitos da Gilead sobre o Tenofovir. ‘Se o escritório tão rigoroso como o dos Estados Unidos reconheceu a falta de inventividade do produto, não vai ficar bem o INPI decidir o contrário.’

Guimarães disse que, com a recusa da patente para o Tenofovir, o Brasil ficará desobrigado de cumprir até o fim o contrato firmado com a empresa, que prevê entrega do remédio até maio de 2009. De acordo com ele, versões genéricas custam bem menos do que o produzido pela Gilead. O tratamento indiano custa US$ 170 por paciente ao ano.

O laboratório Gillead, que no Brasil tem como representante a United Medical, informou que só deverá se manifestar hoje sobre a decisão. No entanto, destacou em comunicado da matriz norte-americana que a decisão sobre as patentes nos EUA não foi definitiva e que a empresa está recorrendo. O laboratório destacou ainda já ter encaminhado provas de que o Tenofovir representou uma inovação. A Interfarma, entidade que representa a indústria farmacêutica de pesquisa no País, declarou que a medida do governo ‘é um movimento legal’ para acelerar análise de patente pelo INPI. A entidade, apesar de não ter a Gillead entre as associadas no Brasil, já tinha conseguido acesso ao decreto ministerial ontem por ser de interesse de todo o setor. ‘Não tem nada a ver com licença compulsória’, enfatizou Gabriel Tannus, presidente da Interfarma. Ele prevê que, como a patente não foi reconhecida nos EUA, também não deverá ser aqui. ‘Fatalmente o medicamento deixará de ter patente.’

ONGs que lutam pelos direitos das pessoas que vivem com o HIV e o laboratório público Farmanguinhos, ligado à Fundação Oswaldo Cruz, lutam desde 2006 para que o País não conceda patente ao Tenofovir. Até ontem, no entanto, elas não tinham sido informadas sobre a decisão. ‘Se for isto, é algo muito animador’, disse Gabriela Chaves, do Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual da Rede Brasileira pela Integração dos Povos. Chaves diz que a legislação dá prioridade na avaliação, pelo INPI, de pedidos de patentes de produtos que, por ato do Executivo, sejam declarados de interesse público. Anteontem o INPI deu 90 dias à Gillead para apresentar explicação sobre o pedido de patente.

02/04/2008 - 09:56h Camarades

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Les camarades sortent trop rarement “couverts”

Camarade (同志, tóngzhì) C’est comme cela que l’on dit homosexuel en Chine. Le détournement de cette expression révolutionnaire ferait-il de cette minorité les derniers vrais rebelles d’une société où le conformisme est érigé en vertu? Rien n‘est moins sûr.

Toujours est-il que pour la première fois les autorités s’intéressent aux « camarades » autrement que sur un mode répressif. Le ministère de la santé annonçait il y a quelques semaines une campagne de prévention du sida ciblant les homosexuels . Il est grand temps. Une étude récente faisait apparaître que seuls 10 à 20% des « camarades » utilisent des préservatifs et ce alors que le nombre de contaminations au virus HIV est en progression exponentielle (+45% en 2007 ). L’indigence des campagnes institutionnelles ne fait rien pour limiter la casse. Mais voilà : comment faire de la prévention sans parler sexe ? Les réseaux associatifs de la société civile, par leur proximité avec les « groupes à risque » (usagers de drogue, prostitué(e)s, migrants, minorités sexuelles), ont démontré leur efficacité dans ce domaine. Malheureusement les autorités entravent presque systématiquement leurs actions : interdiction de réunions et conférences, assignations à résidence, arrestations, sites internet bloqués. Une méfiance naturelle : toute émanation de la société civile est une menace pour l’hégémonie du Parti.

Alors cette nouvelle campagne, un tournant ? Peu importe. C’est en mettant un terme à la répression des acteurs de la société civile que la Chine pourra plus efficacement lutter contre les maux qui l’affectent. Et pas seulement le sida.

Fonte Blog Un oeil sur la Chine 

 

28/03/2008 - 06:21h Governo federal lança plano inédito de combate a aids

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O Ministério da Saúde lançou nesta terça-feira (25) plano inédito de ações para conter a incidência da aids e de outras doenças sexualmente transmissíveis entre gays, homens que fazem sexo com homens (HSH) e travestis. No documento, são priorizados temas como a redução das vulnerabilidades associadas à orientação sexual, a garantia do acesso à prevenção da aids, a ampliação de informações sobre essa população e a garantia de ações nas três esferas de governo. Estudos do Ministério da Saúde indicam que gays e HSH têm 11 vezes mais chances de serem infectados pelo HIV do que homens heterossexuais. “É fundamental reconhecer a magnitude da aids entre essa população e priorizar ações efetivas nessa área”, reforçou o ministro José Gomes Temporão.

O plano prevê ação educativa por meio da distribuição de 100 mil cartazes adesivos e 500 mil folhetos com informações sobre DST, aids e o uso correto do preservativo. O material gráfico enfoca a linguagem e a identidade da população definida como público-alvo. Cartazes e folhetos serão distribuídos em bares, boates, festas e espaços de freqüência gay, além de organizações da sociedade civil que trabalham com o público.

Entre os fatores de vulnerabilidade abordados no plano estão o desrespeito aos direitos humanos, à orientação e à identidade sexual; as dinâmicas dos espaços sociais típicos desse grupo e a prevenção entre parceiros. Até o final do ano, serão realizadas oficinas nas cinco regiões do país para discutir e definir agendas locais para implementar o plano, que prevê ações até 2011.

Keila Simpson, representante da Associação Nacional de Travestis (ANTRA) e uma das colaboradoras do Plano, explicou que as travestis precisam de apoio para reduzir o preconceito e a discriminação que as envolve. “É muito bom poder discutir abertamente este tema com um governo que nos ouve”.

O presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais (ABGLT), Toni Reis, também elogiou o plano e lembrou a realização da I Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transgêneros (GLBT), que será em maio, em Brasília. “O Ministério da Saúde tem se mostrado extremante sensível à nossa causa e isso é um avanço. Estamos saindo do armário. Este é o caminho para atingirmos a cidadania plena”.

Segundo o Boletim Epidemiológico, houve um crescimento do percentual de casos de aids entre homossexuais e bissexuais de 13 a 24 anos de idade, variando de cerca de 24%, em 1996, para aproximadamente 41%, em 2006. Na faixa etária de 25 a 29 anos, a variação foi um pouco menor, mas também indicou crescimento: de 26% (1996) para 37% (2006). Já entre indivíduos de 30 a 39 anos, os índices apontam para uma pequena tendência de queda: de 30%(1996) para 28% (2006).

A Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas Sexuais (PCAP), de 2004, estima que a população gay e HSH brasileira de 15 a 49 anos em 3,2 % da população ou cerca de 1,5 milhão de pessoas. A partir dessa base populacional, a PCAP calculou a taxa de incidência da aids desse segmento em 226,5 casos por grupo de 100 mil habitantes, cerca de onze vezes maior que a taxa da população geral, que é de 19,5 casos por 100 mil.

Histórico – Fruto de uma parceria entre Ministério da Saúde, Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (CONASS), Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (CONASEMS) e organizações da sociedade civil, o plano esteve sob consulta pública em junho de 2007. A versão final foi elaborada a partir das diretrizes estabelecidas no Programa Brasil sem Homofobia, lançado em 2004. O plano está disponível no site www.aids.gov.br, em “Documentos e Publicações”. Fonte boletim em questão.

13/03/2008 - 19:06h Alerta HIV

A revista The Economist desta semana chama a atenção para a evolução da epidemia de HIV no Brasil. Mesmo constatando que no combate a este flagelo o país se sai relativamente bem e que as percentagens de doentes é baixo em relação ao número de habitantes (0,6%) a reportagem constata que novas dificuldades surgem com a expansão em todo o território da doença e a fraqueza do controle da administração aos pacientes das regiões mais recuadas, da terapia anti-HIV. A revista destaca que Brasil tem o mais êxitoso programa de combate a AIDS, com a distribuição gratuita dos medicamentos, mas constatá que isto pode ser insuficiente perante os novos problemas.

AIDS in Brazil
A portrait in red

Mar 13th 2008 | SÃO PAULO From The Economist print edition


One of the world’s most successful AIDS programmes faces new problems

L'image “http://media.economist.com/images/20080315/CAM920.gif” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.BRAZIL’S government is accustomed to being lampooned for being wasteful, ineffectual and corrupt. Occasionally, though, it does something really well. Keeping HIV/AIDS under control in a country where sex rivals football as the national sport is an impressive achievement, and over the past 20 years the government has done just that. Now, however, the disease has spread across Brazil (see maps). Although the total number of cases remains low at 620,000, representing 0.6% of those aged 15-49, the change in the profile of sufferers is taking the fight to places where it will be much harder to win.

“The epidemic has now taken the contours of the general population,” says Mariângela Simão, who runs the federal government’s AIDS programme in Brasília, the capital. “It has become a portrait of Brazil.”

Brazil’s epidemic began life among gay men in the south-east of the country, probably after travelling south from the United States rather than west from Africa. Had the virus not affected some white men living in the country’s most prosperous region, the response might have been less energetic, some suggest under their breath. Thankfully, it was energetic, and it has taken three forms.

First, there has always been an insistence on the need to wear condoms, particularly at carnival time (when the usual supply of free prophylactics increases by 40%). The World Bank recently helped the government to buy a billion condoms (for 190m inhabitants)—around a tenth of the world’s total supply. It took a year to find factories with sufficient capacity and the right quality controls to fill the order.

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03/01/2008 - 20:34h Censurada en Francia una campaña contra el Sida por mostrar a dos hombres desnudos


La campaña se ha considerado “demasiado explícita”

23/12/2007 - 09:23h Ressuscitação e salvação




+ Marcelo Gleiser

A ciência esteve perto de realizar o mito de Frankenstein


C om a chegada do Natal, achei apropriado escrever sobre as recentes descobertas científicas na área da genética que prometem revolucionar o futuro. Não, o assunto não é células-tronco. Em 2003, quando o genoma humano foi finalizado, cientistas descobriram algo surpreendente: nossos corpos possuem restos de tipos de vírus chamados retrovírus, fósseis de batalhas imunológicas travadas há bilhões de anos.
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01/12/2007 - 18:23h Dia mundial contra AIDS

Um clip de 2002 com os jogadores de futebol da França. Sempre atual. SOLIDARITÉ

Tous unis contre le sida

Aujourd’hui, c’est la journée mondiale de lutte contre le sida. L’occasion de revoir ce clip de 2002, avec les footballeurs de l’équipe de France, qui interprêtent “Live for love united”.

Campanha

ONU pede menos complacência em Dia Mundial da Aids

Publicada em 01/12/2007 às 12h42m

BBC

Turistas participaram dos eventos no Dia Mundial da Aids em Kuta, Bali (Indonésia) / Reuters

NOVA YORK – O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, alertou para a crescente complacência na luta contra a Aids, no dia mundial do combate à doença, neste sábado.

Segundo o secretário-geral, o número de pessoas infectadas ainda é muito alto, apesar dos progressos no tratamento e prevenção da doença.

Ban Ki-Moon, que participou de uma cerimônia religiosa em Nova York à meia-noite de sexta-feira (hora local) para marcar o dia, afirmou que é necessária uma forte liderança se o mundo quiser vencer a batalha contra a Aids e o vírus HIV. (Opine: Você incentiva seu filho ou filha a usar preservativo? )

“A Aids é uma doença como nenhuma outra. A Aids é uma questão social, uma questão de direitos humanos, uma questão econômica. Ela atinge jovens adultos no momento em que eles deveriam estar contribuindo para o desenvolvimento econômico, crescendo intelectualmente ou cuidando de seus filhos.”

 

A Aids é uma questão social, uma questão de direitos humanos, uma questão econômica (B. Ki-Moon, ONU)


O secretário-geral pediu ainda que sejam renovados os esforços, especialmente na ajuda às mulheres, que hoje correspondem à metade dos soropositivos.

Vários países organizaram eventos para marcar o 20º Dia Mundial da Aids, neste sábado. ( Veja fotos)

Nos Estados Unidos, o presidente George W. Bush pediu ao Congresso que autorize o governo a dobrar a ajuda financeira para combater a Aids para US$ 30 bilhões (cerca de R$ 53 bi) nos próximos cinco anos.

“Vamos virar a maré contra o HIV e a Aids de uma vez por todas”, disse Bush, acrescentando que faria uma visita ao continente africano no ano que vem.

Na África do Sul, mais de cinco milhões são soropostivios

Na África do Sul, foi organizado um concerto especial para marcar a data, com o apoio do ex-presidente Nelson Mandela, um proeminente ativista contra a doença no país.

Mais de cinco milhões de sul-africanos são soropositivos, mas dados recentes indicam que, como na maior parte dos países da região, a infecção entre os adultos está se estabilizando ou começou a diminuir.

Depois de vários anos em que o governo foi acusado de “negar a Aids”, o país hoje tem o maior programa do mundo de tratamento com remédios anti-retrovirais.

Mas os ativistas contra a Aids afirmam que é preciso ser feito mais, principalmente na prevenção das transmissões de mãe para filhos.

Quase três quartos das mortes relacionadas à Aids em 2006 foram registradas na África sub-saariana. Dois terços dos soropositivos do mundo moram na região.

O número de pessoas vivendo com o vírus cresceu em todo o mundo, com os casos mais sérios no leste e centro asiático e no leste europeu.

Recentemente, a ONU reduziu as estimativas de pessoas vivendo com Aids/HIV no mundo de quase 40 milhões para 33 milhões, depois de reavaliar seus métodos de coleta de dados.

14/11/2007 - 08:52h Estudo da Harvard disse que programa brasileiro de combate a AIDS é exemplo

Little is known about the long-term drug costs associated with treating AIDS in developing countries.Brazil’s AIDS treatment program has been cited widely as the developing world’s largest and most successful AIDS treatment program. The program guarantees free access to highly active antiretroviral therapy (HAART) for all people living with HIV/AIDS in need of treatment.

Brazil produces non-patented generic antiretroviral drugs (ARVs), procures many patented ARVs with negotiated price reductions, and recently issued a compulsory license to import one patented ARV. In this study, we investigate the drivers of recent ARV cost trends in Brazil through analysis of drug-specific prices and expenditures between 2001 and 2005.

Methods and Findings

We compared Brazil’s ARV prices to those in other low- and middle-income countries. We analyzed trends in drug expenditures for HAART in Brazil from 2001 to 2005 on the basis of cost data disaggregated by each ARV purchased by the Brazilian program. We decomposed the overall changes in expenditures to compare the relative impacts of changes in drug prices and drug purchase quantities. We also estimated the excess costs attributable to the difference between prices for generics in Brazil and the lowest global prices for these drugs.

Finally, we estimated the savings attributable to Brazil’s reduced prices for patented drugs. Negotiated drug prices in Brazil are lowest for patented ARVs for which generic competition is
emerging. In recent years, the prices for efavirenz and lopinavir–ritonavir (lopinavir/r) have been lower in Brazil than in other middle-income countries. In contrast, the price of tenofovir is US$200 higher per patient per year than that reported in other middle-income countries.

Despite precipitous price declines for four patented ARVs, total Brazilian drug expenditures doubled, to reach US$414 million in 2005. We find that the major driver of cost increases was increased purchase quantities of six specific drugs: patented lopinavir/r, efavirenz, tenofovir, atazanavir, enfuvirtide, and a locally produced generic, fixeddose combination of zidovudine and lamivudine (AZT/3TC).

Because prices declined for many of the patented drugs that constitute the largest share of drug costs, nearly the entire increase in overall drug expenditures between 2001 and 2005 is attributable to increases in drug quantities. Had all drug quantities been held constant from 2001 until 2005 (or for those drugs entering treatment guidelines after 2001, held constant between the year of introduction and 2005), total costs would have increased by only
an estimated US$7 million.

We estimate that in the absence of price declines for patented drugs, Brazil would have spent a cumulative total of US$2 billion on drugs for HAART between 2001 and 2005, implying a savings of US$1.2 billion from price declines. Finally, in comparing Brazilian prices for locally produced generic ARVs to the lowest international prices meeting global pharmaceutical quality standards, we find that current prices for Brazil’s locally produced generics are generally much higher than corresponding global prices, and note that these prices have risen in Brazil while declining globally.

We estimate the excess costs of Brazil’s locally produced generics totaled US$110 million from 2001 to 2005.

Conclusions

Despite Brazil’s more costly generic ARVs, the net result of ARV price changes has been a cost savings of approximately US$1 billion since 2001. HAART costs have nevertheless risen steeply as Brazil has scaled up treatment. These trends may foreshadow future AIDS treatment cost trends in other developing countries as more people start treatment, AIDS patients live longer and move from first-line to second and third-line treatment, AIDS treatment becomes more complex, generic competition emerges, and newer patented
drugs become available.

The specific application of the Brazilian model to other countries will depend, however, on the strength of their health systems, intellectual property regulations, epidemiological profiles, AIDS treatment guidelines, and differing capacities to produce drugs locally.

05/11/2007 - 10:41h Instituto sueco diz estar perto de vacina contra a Aids

da BBC Brasil

Cientistas do Instituto Karolinska da Suécia, uma das mais respeitadas instituições de pesquisa do mundo, anunciaram na TV sueca que esperam obter uma vacina eficaz contra o vírus da Aids dentro de dois a três anos.

Os testes clínicos da vacina –fruto de um estudo iniciado há sete anos– mostraram que 97% dos 40 voluntários inoculados desenvolveram resposta imunológica contra o vírus HIV.

A vacina agora está sendo testada em 60 voluntários na Tanzânia, e os primeiros testes indicam a possibilidade de obter resultados semelhantes aos alcançados na Suécia.

“Os resultados das fases 1 e 2 dos testes têm sido extremamente promissores”, disse em entrevista à BBC Brasil a cientista Britta Wahren, responsável pelo projeto da vacina no Instituto Karolinska.

Durante os últimos 20 anos, cerca de 200 vacinas foram desenvolvidas em diferentes países, mas nenhuma conseguiu, até agora, obter resultados eficazes nos testes com humanos em larga escala.

Em setembro passado, foram suspensos os testes de uma vacina experimental que era considerada uma das mais avançadas, após falhas registradas nos resultados preliminares.

O estudo, conduzido pelo laboratório Merck em nove países, incluindo o Brasil, mostrou depois de 13 meses de testes que a vacina não conseguiu impedir a contaminação de voluntários com o vírus HIV.

Em princípio, diz Britta Wahren, os estudos para o desenvolvimento de vacinas contra o vírus HIV são semelhantes, mas a cientista aponta duas particularidades no projeto sueco: “O vírus da Aids é um vírus cruel, que possui vários subtipos. Por isto, decidimos criar uma vacina contra vários tipos do vírus HIV”.

“Nossa vacina foi desenvolvida de forma a proteger as pessoas contra as variantes mais comuns do vírus em circulação na África e no Ocidente como um todo”, explicou Wahren à BBC Brasil.

“Outro diferencial é que a vacina é complementada por um segundo tipo de vacina, que aumenta a resposta imunológica do paciente. Este princípio foi demonstrado em diversos estudos pré-clínicos “, acrescentou.

A vacina desenvolvida pelo Instituto Karolinska, em cooperação com o Instituto Sueco para Controle de Doenças Infecciosas (SMI), combina, portanto, dois tipos de vacinação.

Primeiro, o paciente recebe várias doses de uma vacina elaborada a partir de genes de diversas variantes do vírus HIV em circulação no mundo. Em seguida, é aplicada uma segunda vacina, destinada a ampliar a resposta imunológica.

Esta segunda vacina contém um vírus vaccinia – usado para erradicar a varíola – modificado e outros genes do vírus HIV. A segunda vacina foi produzida pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, e doada para utilização no estudo sueco.

No próximo ano, o estudo sueco entrará na chamada Fase 2-B, com os testes clínicos em larga escala.

Será uma fase crucial, com duração prevista de dois anos. A etapa final será a Fase 3, que vai determinar o grau de proteção da vacina.

Para Eva Maria Fenyö, do Departamento de Microbiologia e Virologia da conceituada Universidade de Lund, no Sul da Suécia, a vacina representa uma nova esperança para conter a propagação da Aids.

“O estudo do Instituto Karolinska combina todo o conhecimento atual e tenta diferentes vias de administração da vacina”, disse a pesquisadora à BBC Brasil.

As diferenças em relação à vacina desenvolvida pelo laboratório Merck são muitas, observa Fenyö.

“Por exemplo, na vacina da Merck um vírus diferente (adenovirus) carregava os genes do HIV-1, e uma ou duas doses eram aplicadas. O estudo do Karolinska aplica três doses iniciais com diversos subtipos de vírus HIV-1, seguidas por uma segunda vacina destinada a reforçar a resposta imunológica”, ressaltou a pesquisadora.

Contactado pela BBC Brasil, o Diretor Médico do laboratório Merck na Suécia, Roger Juhlin, não quis comentar o projeto sueco.

“Todos nós temos esperanças de que uma vacina eficaz seja descoberta. Mas em nossa empresa, adotamos a prática de não comentar outros projetos desenvolvidos nesta área”, disse Juhlin.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a Aids já provocou mais de 20 milhões de mortes, e hoje cerca de 40 milhões de pessoas são portadoras do vírus HIV no mundo – 70% delas no continente africano.

No Brasil, uma estimativa da Organização Mundial da Saúde feita em 2006 diz que cerca de 620 mil pessoas vivem com o HIV.

25/09/2007 - 15:33h Un enfoque islámico sobre VIH/SIDA

Días atrás te presentamos la posición de distintas religiones en relación a temáticas vinculadas con el VIH/SIDA. Por eso Espacio Positivo decidió entrevistar a tres representantes del Catolicismo, el Judaísmo y el Islam para que conozcas cuáles son sus discursos y sus opiniones en relación a la problemática. Hoy le damos la palabra al Islamismo. Y también a vos, para que nos digas tu opinión. El Islam es una actitud ante el mundo y el Creador; es el camino de la salud, la paz y la salvación. Y por todos estos sentidos no es sólo una religión, sino más bien un modo de vida sustentado en una doctrina, una cosmovisión que abarca todos los temas e intereses humanos. El término Islam incluye las ideas de paz, salud y salvación, y significa sumisión a la voluntad de Alah –Dios- y obediencia a su ley. Así por lo menos lo define la Organización Islámica Argentina.

Todas las enfermedades tienen un mismo enfoque para el Islam. Las diferencias radican en su ámbito de gravedad y en las posibilidades de cura. Por eso no existe para el VIH/SIDA un enfoque religioso particular. Entonces, aunque hay diferentes perspectivas en relación al virus, prima aquella que permite sostener y alargar la vida del hombre. Omar Abboud, secretario general del Centro Islámico de la República Argentina y ministro de Derechos Humanos y Sociales del Gobierno de la Ciudad de Buenos Aires opina que el primer tipo de responsabilidad que existe es “la individual”. Pero agrega que el Islam transmite una idea central en términos de equilibrio, que si bien está basado en multiplicidades de puntos, cuatro son los centrales: la relación de la persona con lo sagrado, con el resto de la creación, con otros hombres, y con sí mismo. “En la creencia de un día de juicio final, la persona también deberá hacer referencia a la administración de su salud, y por ello recibirá interrogantes, siempre en términos de la vida postrera”, dice Abboud.

Mucho se ha dicho sobre el lugar de la mujer en el Islam. Existen diversos estereotipos en torno a la imagen de la mujer musulmana, que incluyen ideas de discriminación y opresión frente al hombre. Sin embargo, el secretario general del Centro Islámico aclara: “No existen diferencias de sexo en relación al cuidado de la salud y el cuerpo. Cuando Dios se refiere en el Corán a esa multiplicidad de aspectos, siempre le habla a las y los creyentes”. “Las recomendaciones básicas, que tienen que ver con la higiene, atañen a ambos”, agrega. Por su parte, sostiene que el uso de preservativos “no está vedado en aquellos casos donde se prioriza la vida”, siempre entendiendo que son métodos con una doble función: el control de natalidad y los riesgos en la salud. “La especificidad de cómo lo uses, tiene que ver con tu intención”, asegura Abboud.

No existe una normativa religiosa que obligue a una persona con VIH a declarar su estado. El secretario general del Centro Islámico dice que es un compromiso ético interno “mantener la preservación del otro”, pero eso no significa que el Islam lo considere como una acción lícita. De hecho, dos ejemplos considerados ilícitos por la religión son: el consumo de drogas y el no informar un estado de positividad durante una relación sexual, ya que se puede transmitir el virus sin consentimiento de la persona.

“Fuimos creados a partir de un hombre y una mujer, y nos hemos dividido en pueblos y civilizaciones para que nos reconozcais”, manifiesta una de las oraciones del Corán, haciendo referencia a la diversidad sexual. Porque como todas las religiones, ésta también pone límites. “El fenómeno comprehensivo es que uno las acepte o no”, finaliza Abboud.

22/09/2007 - 20:58h Plus de recherche sur le vaccin contre le sida

 

Le laboratoire Merck stoppe son programme international. 21 des participants ont contracté le virus.

Le laboratoire pharmaceutique américain Merck a annoncé hier avoir mis fin à ses essais d’un vaccin contre le sida après qu’une étude eut montré qu’il n’était pas efficace. Virus du sida|© MedicalRF.com/Corbis

Virus du sida

© MedicalRF.com/Corbis

Cette décision porte un coup à la lutte contre le sida dans le monde car le vaccin, le V520, avait été décrit comme prometteur.

“Le Groupe de surveillance indépendant a recommandé qu’il soit mis fin aux essais du vaccin car ces essais n’ont pas démontré son efficacité”, a indiqué Merck dans un communiqué.

La société a précisé qu’une étude avait été effectuée sur près de 1.500 volontaires et avait montré que le vaccin n’empêchait pas la contamination.

 

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Par AFP , le 22/09/2007

22/09/2007 - 20:53h El resultado del amor

 

DESCRIPCION_IMAGEN Mabel vivió en una villa, fue violada y tuvo que prostituirse para sobrevivir, al mismo tiempo que animaba fiestas infantiles. Mabel conoció a Martín, un abogado de buena familia que decidió escapar a un destino pleno de comodidades para vivir en una casa rodante. Mabel y Martín se enamoraron, y días después, ella descubrió que tenía VIH y tuberculosis. Todo eso sucede en “El resultado del Amor”, el último film escrito y dirigido por Eliseo Subiela, protagonizado por Sofía Gala Castiglione y Guillermo Pfening.En el cine argentino existen pocos antecedentes que traten la problemática del VIH/SIDA. Subiela opina que se debe a una cuestión comercial. “En una sociedad hipócrita y suicida como la argentina, cerramos los ojos con la infantil pretensión de que lo que no vemos no existe”, afirma el director. Por eso le pareció que los infortunios que le ocurrían a Mabel eran una buena oportunidad para hablar del tema. Además, explica que siempre le interesó porque en los comienzos de la epidemia perdió a su mejor amigo y a muchos seres queridos.

Para el papel de Mabel, el director trabajó con una voluntaria del Hospital Fernández de la Ciudad de Buenos Aires que tiene VIH. Dice que de ella tomó su fuerza para seguir adelante y para pelear cada batalla, y la ausencia de rencor, porque de esa manera “se puede dejarle más espacio al amor, que es una energía imprescindible para la supervivencia”. Sofía Gala Castiglione, la actriz que protagonizó la película, cuenta que no suele tomar a nadie como referente cuando crea sus personajes y que, en esta oportunidad, trató de convertir al VIH en un problema más. Ambos coinciden en que el cine es una buena forma para que la gente comprenda sobre la incidencia del virus, ya que es un medio muy amplio y con mucha llegada.

DESCRIPCION_IMAGENSubiela piensa que en la actualidad SIDA no es sinónimo de muerte y cree que la mejor forma de prevenirlo es con educación e información. Sofía también comparte su idea. “Existen muchos mitos alrededor del SIDA y hay poca información. Los pibes no usan forros y no tienen posibilidades de enterarse sobre lo que pasa”, agrega. El director de la película dice que en “una sociedad mayoritaria y oficialmente católica como la argentina, debería debatirse desde el mismo catolicismo la actitud de una Iglesia que se opone al uso del profiláctico y propone la abstinencia sexual como defensa frente al VIH”. Por eso afirma que no hay que escaparle al sexo y al amor.

La mayor esperanza de Eliseo es que la enfermedad sea definitivamente vencida a través de la ciencia y la medicina. Él quiso que su film desdramatizara la problemática y que fuera esperanzadora. Porque, para Subiela, el resultado del amor es “la derrota de la muerte”. Y para vos, ¿Cuál es el resultado del amor?

18/09/2007 - 18:21h Argentina: Religiosos falam sobre AIDS

 

 

Judaísmo: Un punto de vista sobre VIH/SIDA

Días atrás te presentamos la posición de distintas religiones en relación a temáticas vinculadas con el VIH/SIDA. Para eso, Espacio Positivo decidió entrevistar a un representante del Catolicismo, del Judaísmo y del Islam para que conozcas sus discursos y sus opiniones en relación a la problemática. Hoy le damos la palabra al Judaísmo. Y también a vos, para que nos digas tu opinión.

Daniel Goldman es rabino de la Comunidad Bet El. Dice que el judaísmo mantiene un enfoque positivo hacia todo lo que sea saludable, que pueda tener un sentido de ayuda y misericordia. Dice que toda forma que colabore a la libertad sexual de manera sana, es bien visto. Y dice que, como todas las grandes religiones, para comenzar a hablar de VIH/SIDA es necesario partir de una base primordial que es el amor a la vida.

“Estoy de acuerdo con las campañas de prevención del VIH/SIDA, pero sería aún más incisivo”, asegura el rabino, quien piensa que si bien hubo avances importantes en la pandemia, todavía no hay una actitud masiva. Por eso repite: “Hay que tender a la realización de campañas permanentes y no sólo para fechas determinadas”.

Goldman apoya aquellas acciones que tienen que ver con un sentido de responsabilidad, más allá de la fidelidad. Piensa que uno tiene que “ser fiel a la vida”. “Hay que acompañar el deber ser con el ser, es decir los ideales con la realidad que nos toca vivir”, agrega. Por lo tanto, cree que un acto de suma responsabilidad es saber que “hay que usar preservativos en las relaciones sexuales” para evitar enfermedades de transmisión sexual como el VIH/SIDA. Y asegura que son las instituciones religiosas quienes deberían marcar camino.

“La enseñanza es una acción permanente y constante. La educación comienza desde del nacimiento y traspasa el ámbito escolar, para sumarse a la familia, los clubes, las iglesias y los medios de comunicación”, afirma Goldman, quien forma parte de la comisión asesora para la elaboración de la ley de educación sexual. “Aún faltan consensuar algunos aspectos que implican la diferencia de géneros y la sexualidad y todavía falta un léxico común. Pero estoy convencido –agrega el rabino- que los logros no se van a ver en corto tiempo, ya que toda acción educativa lleva un tiempo de metabolización”.

En el mundo en que vivimos, no es tarea sencilla vivir con VIH, y mucho menos declararlo. Daniel Goldman siente que, lamentablemente, no ha llegado la etapa en la que se pueda expresarlo vivamente. “Creo que es algo que se va a ir dando en la medida en que se naturalice el vínculo con quien esté pasando por la situación”, agrega. Si bien desde el judaísmo existen varias visiones en relación al VIH, el Rabino de la Comunidad Bet El cree que la Argentina se merece una discusión mucho más profunda en relación a los prejuicios que existen alrededor de temas como el sexo, el género, el VIH/SIDA y otras infecciones. Entonces te preguntamos, ¿qué es lo que realmente deberíamos discutir en relación al VIH/SIDA? ¿Cómo deberíamos hacerlo? ¿Qué grado de incidencia tienen las religiones en relación a la problemática?

18/09/2007 - 15:34h Argentina: Religiosos falam sobre AIDS

La Iglesia Católica habla de VIH/SIDA

Días atrás te presentamos la posición de tres distintas religiones en relación a las temáticas vinculadas con el VIH/SIDA. Para eso, Espacio Positivo decidió entrevistar a representantes del Catolicismo, el Judaísmo y el Islam para que conozcas cuáles son sus discursos y opiniones en relación a la problemática. Hoy le damos la palabra a la Iglesia Católica. Y también a vos, para que nos digas tu opinión.

Cuando en la década del 80 comenzaban a aparecer los primeros casos de VIH/SIDA, el Consejo Episcopal Latinoamericano (CELAM) decidió buscar respuestas para esta nueva enfermedad que afectaba a miles de personas en América Latina y el Caribe. Según un documento que fue elaborado en el año 2004 durante un Encuentro Pastoral de Salud sobre VIH/SIDA –realizado por el CELAM en Colombia- el enfoque priorizado por la Iglesia para enfrentar la situación fue la prevención, la salud y la educación. Se propuso entonces tratar al VIH no como un hecho aislado, sino integrado a otros contextos como las adicciones, la violencia familiar, el maltrato y el abuso a los niños, niñas y adolescentes.

Para la Iglesia Católica, el VIH/SIDA daña a la persona en todas sus dimensiones: en su cuerpo, en su vida afectiva, en sus relaciones interpersonales, en su trabajo, en su vida social y en sus valores existenciales. El Padre Alberto Bochatey, Director del Instituto de Bioética de la Universidad Católica Argentina (UCA), acentúa la importancia de reforzar las relaciones humanas para evitar la propagación del virus. Por eso desde el catolicismo creen necesaria una interacción con organismos e instituciones públicas y privadas que prestan servicios de salud y formar profesionales con una visión más humanizada.

Las condiciones de vida que existen hoy en el continente -agregan en el documento- ayudan a que la pandemia continúe propagándose: pobreza, conflictos, desastres naturales, aumento en el uso de drogas, violencia física y sexual, falta de acceso a los servicios de salud, a la información y a la educación; actividad sexual con múltiples parejas e inequidades de género. Y agregan que la diseminación del VIH en la región incluye comportamientos como el de hombres teniendo sexo con hombres y conductas bisexuales que trasmiten el virus a sus parejas en las relaciones heterosexuales; y el uso de jeringas contaminadas para el consumo de drogas.

Ante estos hechos, la Iglesia siente el deber de denunciar y combatir las causas primarias de la pandemia, enfatizando valores como la monogamia, la fidelidad y el compromiso conyugal. El Padre Alberto Bochatey cree que las estrategias de prevención que estimulan el uso de preservativos “deberían promover además métodos naturales para desarrollar el sentido de responsabilidad, apoyo y fidelidad”. Y agrega que un reto de quienes viven con VIH es asumirse como responsables de sus propias vidas. Sin embargo, en el caso en donde uno de los miembros de la pareja es seropositivo, el documento elaborado durante el Encuentro Pastoral manifiesta que ambos son responsables de prevenir la infección al otro, para que su unión no sea destruida a causa del SIDA.

Si bien la religión católica recibió diversas críticas en relación a su postura frente al virus -y aún muchos se quejan de que promueven medidas de protección que no van en sintonía con el mundo actual-, Bochatey señala que ”no existen personas con VIH que se hayan infectado siguiendo los consejos de la Iglesia”, y remarca que el catolicismo no obliga a nadie a seguir sus recomendaciones. Mientras tanto, están de acuerdo con la implementación de una enseñanza sobre educación sexual en las escuelas, donde se brinde una información veraz y actualizada del comportamiento del VIH y sus vías de transmisión para poder, así, fortalecer las medidas de prevención.