15/02/2009 - 18:11h Beijo reduz o estresse e estimula fidelidade no homem

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Deborah Kerr e Burt Lancaster na famosa cena do casal se beijando na praia em “A Um Passo Da Eternidade”?

Beijar reduz a oxitocina, o hormônio do afeto, nas mulheres, mas aumenta a quantia nos homens

Associated Press – O Estado SP

CHICAGO, EUA – Bem a tempo para o dia e São Valentim, o Dia dos Namorados nos Estados Unidos, celebrado neste sábado, 14, um painel de cientistas examinou o mistério do que ocorre quando os lábios se encontram. Beijar, ao que parece, libera substâncias que reduzem os hormônios do estresse em ambos os sexos estimulam a formação de laços emocionais nos homens, mas nem tanto nas mulheres.

Substâncias da saliva podem ainda oferecer uma forma de avaliar a qualidade do parceiro, disse a neurocientista Wendy Hill, durante reunião da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS).

Em um experimento, explicou ela, pares de estudantes universitários heterossexuais beijaram-se por 15 minutos ouvindo música. Eles experimentaram mudanças significativas nos níveis da oxitocina, que afeta a formação de ligações afetivas, e de cortisol, que está associado ao estresse. Os níveis das substâncias na saliva foram auferidos antes e depois do beijo.

Ambos os sexos tiveram redução no cortisol, um sinal de queda no estresse. Os homens experimentaram ainda um aumento da oxitocina – sinal de elevação da disposição para formar laços – mas a substância caiu entre as mulheres. “Isso foi uma surpresa”, disse Wendy.

Ela falou numa sessão da AAAS sobre a Ciência do Beijo, ao lado de Helen Fisher, e de Donald Latenier.

Helen destacou que mais de 90% das sociedades humanas praticam o beijo que, para ela, tem três componentes: impulso sexual, amor romântico e apego.

O impulso sexual leva as pessoas a avaliar diversos parceiros, o amor romântico leva-as a focalizar em um indivíduo, e o apego permite que o casal se tolere o bastante para criar uma criança. Homens tendem a pensar no beijo como uma prévia da cópula, disse ela, destacando que o sexo masculino prefere os beijos “desleixados”, que permitem a transferência de substâncias, incluindo o hormônio sexual testosterona, para a mulher.

Lateiner, um estudante da Antiguidade clássica, observou que o beijo aparece pouco na arte grega e romana, embora fosse praticado nessas sociedades, mesmo com o risco de transmissão de doenças que acompanhava o gesto na época. Ele também disse que era possível cometer gafes ao beijar a pessoa errada, ou beijar na hora errada.

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O beijo, de Rodin

02/02/2009 - 15:59h Antídoto ao amor pode prevenir paixão cega

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John Tierney – The New York Times – FOLHA SP

Ensaio

Numa edição recente da revista “Nature”, o neurocientista Larry Young propõe uma grande teoria unificada do amor. Depois de analisar a química cerebral da formação de vínculos entre casais de mamíferos, Young prevê que em breve um pretendente inescrupuloso poderá colocar uma poção de amor farmacêutica no drinque da pessoa cortejada.

Mas também pode ser que surja um antídoto ao amor —uma vacina que impeça você de ficar cego de paixão e agir como idiota.

É o que os humanos procuram desde que Ulisses mandou os tripulantes de seu navio amarrarem-no ao mastro quando o barco passou pelas sereias da mitologia grega. Estava claro que o amor era uma doença perigosa.

Larry Young fez pesquisas com ratos-calunga na Universidade Emory, em Atlanta. Esses bichinhos semelhantes a camundongos fazem parte de uma pequena minoria dos mamíferos —menos de 5%— que compartilham a propensão humana pela monogamia. Quando o cérebro de uma rata-calunga recebe uma infusão artificial de oxitocina (hormônio que produz algumas das mesmas recompensas neurais que a nicotina e a cocaína), ela rapidamente forma vínculos com o primeiro macho que estiver por perto. Um hormônio relacionado, a vasopressina, quando injetado em ratos-calunga machos (ou quando ativado naturalmente pela atividade sexual), cria desejos de formação de vínculos e ninhos.

Depois de Young ter descoberto que os ratos-calunga machos com reação geneticamente limitada à vasopressina tinham menos probabilidade de encontrar parceiras, pesquisadores suecos relataram que homens dotados de tendência genética semelhante têm menos tendência a se casar. Young especula que o amor humano pode ser desencadeado por uma “cadeia de eventos bioquímicos” que evoluiu de vínculos entre mãe e filho, formação essa estimulada nos mamíferos pela liberação de oxitocina durante o trabalho de parto e a amamentação.

Young observou que as preliminares e as relações sexuais estimulam as mesmas regiões do corpo das mulheres que as envolvidas no dar à luz e na amamentação. Essa hipótese hormonal ajudaria a explicar algumas diferenças entre os humanos e os mamíferos menos monógamos: o desejo feminino de fazer sexo mesmo quando fora de seu período fértil e o fascínio erótico masculino com os seios. Sexo mais frequente e mais atenção aos seios, disse Young, ajudariam a construir vínculos de longo prazo.

Pesquisadores obtiveram resultados semelhantes borrifando oxitocina nas narinas de pessoas, que parece intensificar sentimentos de confiança e empatia. Young disse que pode haver drogas que aumentem o desejo das pessoas de se apaixonarem.

Mas uma vacina que possa impedir as pessoas de ficarem cegas de paixão parece mais simples. “Um bloqueador de oxitocina faz com que as ratas-calunga passem a agir como 95% dos mamíferos: não formam vínculos. Elas acasalam e, se outro macho aparece, a fila anda. Se o amor tem base bioquímica semelhante, então, teoricamente, devemos ser capazes de suprimi-lo de modo semelhante”, disse Young.

15/01/2009 - 16:31h Estudo liga infidelidade em mulheres a hormônio

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BBC – O Globo

http://mentedespenteada2.blogs.sapo.pt/arquivo/infidelidade.jpgMulheres com uma concentração mais elevada de um hormônio ligado à auto-estima que as faz se considerarem atraentes têm mais chances de ter casos extraconjugais e de trocar de parceiros com freqüência, segundo estudo realizado nos Estados Unidos.

A pesquisa da Universidade do Texas em Austin relaciona o nível de auto-estima com a quantidade do hormônio estradiol – as mulheres com mais desses hormônios tendem a se considerar mais bonitas e a serem consideradas mais atraentes por outras pessoas.

” As voluntárias com maior nível de estradiol tinham mais histórias de paqueras e de casos com outros homens além de seu parceiro fixo “

Os cientistas afirmam que essas mulheres têm a tendência a se sentir menos satisfeitas com seus parceiros e menos comprometidas com eles, em um comportamento que os autores do estudo chamam de “monogamia oportunista em série”.

Segundo eles, isso se deve a um “instinto” de buscar parceiros com mais qualidades.
Bons parceiros

“Na natureza, é difícil conseguir um parceiro que seja ao mesmo tempo um bom provedor de estabilidade para a família e que tenha bons genes para procriar. Por isso, muitas mulheres alternam um relacionamento mais duradouro com aventuras com homens mais atraentes”, explica a psicóloga Kristina Durante, a principal autora da pesquisa, publicada na revista Biology Letters, da Royal Society.

“Já as mulheres mais bonitas demandam mais os dois tipos de recursos por parte do parceiro e procuram um padrão de qualidade que às vezes é difícil de conseguir.”

Segundo Durante, é por isso que muitas mulheres não se sentem obrigadas a se comprometer com um parceiro se outro com possíveis melhores qualidades se torna disponível.

O hormônio estradiol está ligado à fertilidade e à saúde reprodutiva da mulher.

Estudos realizados no passado mostram que o estradiol alimenta o desejo de poder em mulheres solteiras. Segundo essas pesquisas, aquelas mulheres que não tomam pílulas anticoncepcionais estão ainda mais vulneráveis ao hormônio.
Duradouro

Para o estudo da Universidade do Texas, os pesquisadores analisaram os hormônios presentes na saliva de 52 universitárias com idades entre 17 e 30 anos, em dois estágios de seu ciclo menstrual.

” Essas mulheres parecem adotar uma estratégia de ‘monogamia serial’, em que buscariam sempre um parceiro melhor para a reprodução “

As voluntárias também falaram sobre sua história sexual e avaliaram sua própria aparência. A seguir elas receberam notas no mesmo quesito de outros jovens estudantes de ambos os sexos.

“As voluntárias com maior nível de estradiol tinham mais histórias de paqueras e de casos com outros homens além de seu parceiro fixo”, disse Kristina Durante.

Mas elas também se mostraram mais envolvidas em relacionamentos duradouros do que em romances passageiros ou “ficadas”.

“Essas mulheres parecem adotar uma estratégia de ‘monogamia serial’, em que buscariam sempre um parceiro melhor para a reprodução”, explica a psicóloga. “Não é o sexo casual que as interessa.”

14/09/2008 - 10:26h Musculação fortalece o cérebro

Estudos mostram que exercícios físicos melhoram o funcionamento dos neurônios

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Antônio Marinho – O Globo

Ter um corpo com músculos definidos é sinal de inteligência. Pesquisas americanas indicam que os exercícios de força associados a treinamento aeróbio ativam os neurônios e retardam o envelhecimento do cérebro. Um dos motivos é que a atividade física estimula genes que regulam o órgão. Os dados foram apresentados este fim de semana no III Congresso Brasileiro de Nutrição Esportiva Funcional e IV Congresso Internacional de Nutrição Clínica Funcional, na sede da Fecomércio, em São Paulo. Especialistas discutiram ainda como usar os alimentos para prevenir e controlar desequilíbrios do organismo.

De acordo com estudos, a prática de exercícios aumenta a oxigenação no cérebro. Este é apenas um dos benefícios da malhação.

Segundo o pesquisador Michael Colgan, do American College of Sports Medicine e da British Society for Nutritional Medicine, o esforço produz novas mitocôndrias, organela responsável pela produção de energia.

Para fabricar mais mitocôndrias, o cérebro acaba estimulando a formação de neurônios, a neurogênese.

— Antes se dizia que isso era impossível, que as pessoas nasciam com certo número de neurônios e eles morreriam com os anos. Hoje sabemos que o cérebro cria novas células o tempo todo — diz Colgan, autor de livros sobre o tema, como “Save your brain” (Salve o seu cérebro), ainda não lançado no Brasil.

É por essa razão que o foco da pesquisa em atividade física tem sido quais genes ela regula e como eles afetam a expressão de DNA, a síntese de RNA, entre outras reações.

— Não se trata apenas de oxigenar o cérebro, mas como os exercícios afetam a base de nosso código genético e a sua expressão — afirma Colgan.

Malhação, portanto, é um dos melhores combustíveis para os neurônios. Se a pessoa tem pouca massa muscular tem dificuldade em oxidar as gorduras.

— Quando se perde músculos, há aumento de peso e maior risco de doenças, como diabetes, síndrome metabólica, problemas cardiovasculares, mal de Alzheimer e outros males crônicos. Os músculos são os principais órgãos capazes de oxidar a gordura.

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Má nutrição afeta a libido e causa impotência

Colgan recomenda o equilíbrio nas séries para obter mais vantagens. Os músculos têm duas fibras básicas: a de contração rápida, que oxida carboidratos, e a lenta, que oxida gorduras. Exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida, ciclismo e natação, aumentam o número de fibras de contração lenta.

Já exercícios de força aumentam a massa muscular e o número de fibras de contração rápida, de explosão. Estas ajudam a queimar os açúcares (carboidratos). Se a pessoa pratica muito exercício de força, perde fibras lentas. Ao exagerar no treino aeróbico, perde massa muscular.

Outros estudos confirmam a teoria de que exercício físico é bom para o cérebro. Pesquisa realizada com 138 voluntários na Universidade de Melbourne, na Austrália, e publicada no “Journal of the American Medical Association”, indicou que a atividade física melhora a função cognitiva de pessoas acima de 50 anos e com leve falha de memória.

Porém, só malhar é pouco. Colgan e especialistas reunidos no congresso recomendam a nutrição funcional, que visa a recuperar o equilíbrio bioquímico nas células. A partir de uma boa história clínica, de exames laboratoriais, mapeamento genético e polimorfismo enzimático — quando necessários — é possível traçar o perfil nutricional de cada um. Os exames são feitos no exterior, principalmente nos Estados Unidos, por meio de laboratórios conveniados no Brasil (cobram a partir de R$ 800). Há testes que avaliam a hipersensibilidade a nutrientes, numa lista de 94 a 270 alimentos.

Essa hipersensibilidade muitas vezes é responsável por doenças crônicas, alergias, fibromialgia, obesidade, hiperatividade e até depressão e demência. A idéia da nutrição funcional é regular os desequilíbrios orgânicos de acordo com a individualidade bioquímica e controlar o estresse oxidativo.

Nem sempre é necessário se submeter a exames caros para descobrir isso. O mineralograma, por exemplo, muito usado em medicina ortomolecular não é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina e só mostra a contaminação por metais tóxicos.

— Não há exame específico que aponte a necessidade exata de nutrientes em cada organismo.

O acompanhamento clínico permite observar a reação do organismo a determinados alimentos. Isto leva tempo e requer adesão do paciente. Até o aspecto das unhas revela deficiência ou excesso de nutrientes.

Há pessoas com testes laboratoriais normais que se sentem mal, o que pode ser causado por nutrição inadequada — diz Valéria Paschoal, diretora da VP Consultoria Nutricional e organizadora do Congresso de Nutrição Clínica Funcional.

Má nutrição afeta até a vida sexual. Valéria explica que a disfunção erétil e a frigidez ou falta de desejo sexual podem piorar ou serem desencadeadas por falta de nutrientes que produzem óxido nítrico, como alimentos ricos em arginina (soja e oleaginosas, por exemplo) que melhoram o fluxo de sangue.

Fontes de resveratrol, como chocolate amargo, suco de uva e vinho (sem excessos) e magnésio, encontrado em vegetais de folhas escuras, frutos do mar e peixes, são outros bons alimentos para produzir o óxido nítrico.

A frigidez na mulher pode estar associada à deficiência de zinco, que atua em hormônios. Mas a nutricionista lembra que um alimento bom para uma pessoa, pode fazer mal a outra.

— As dietas que focam apenas na contagem de calorias e açúcares não fazem mais sentido. É preciso escolher os alimentos de acordo com as características individuais. Até as queixas menos graves, como cansaço e falta de ânimo, são resultado de um estresse oxidativo por do desequilíbrio nutricional — diz Valéria.

Receitas para vida saudável

Nos dois congressos de nutrição especialistas discutiram ainda o uso de nutrientes no controle do estresse, no bem-estar físico e mental, na prevenção do envelhecimento precoce e em tratamentos de beleza

CORPO EM FORMA: Para o organismo funcionar bem é preciso consumir 54 nutrientes variados todos os dias, e muita gente não segue esta recomendação, segundo o pesquisador Michael Colgan.

Uma parcela grande da população ingere pouca quantidade necessária de todas as vitaminas e minerais. Por isso, a Academia Nacional de Ciências dos EUA e o Instituto de Medicina recomendam que a maioria dos americanos tome suplementos vitamínicos diariamente. Esses suplementos também devem ser usados pelas crianças e por mulheres durante a gravidez.

http://cache02.stormap.sapo.pt/fotostore01/fotos//90/50/6e/1723151_PU0pl.jpegMENOS ESTRESSE: O estresse físico e emocional causa desequilíbrio hormonal e gera um processo chamado fadiga adrenal, no qual as glândulas supra-renais funcionam mal. Hábitos alimentares e dieta inadequada pioram a situação, segundo a nutricionista Patrícia Davidson. Ela recomenda evitar produtos industrializados e com agrotóxicos, consumo exagerado de adoçantes (têm alta carga tóxica e não auxiliam a supra-renal a produzir hormônios), baixo consumo de alimentos ricos em vitamina C e de gorduras (deve-se evitar as saturadas) — os hormônios da suprarenal são obtidos a partir de colesterol —; pouco consumo de vitaminas do complexo B (principalmente B5 que ajuda na produção de hormônios e está presente em cereais integrais e leguminosas) e de alimentos ricos em magnésio (encontrado em maior quantidade em cereais integrais, leguminosas, folhas verdes escuras), importante para produzir os hormônios adrenais. Deve-se evitar abuso de carboidratos de alto índice glicêmico (pão francês, biscoito, massas, açúcar, arroz branco, batata, mel e doces) que elevam rapidamente a glicose e causam perda de energia. O álcool reduz a capacidade de o fígado lidar com as toxinas, fazendo com que elas permaneçam no sistema e levem ao acúmulo de gordura no coração e ao enfraquecimento do sistema imunológico. Para aliviar o estresse, Patrícia recomenda alimentos como aipo, gengibre e grãos integrais, que auxiliam na absorção de nutrientes, reduzem a liberação de hormônios estressantes e melhoram a concentração.

http://eyoga.uol.com.br/imagens/materia/semente-de-linhaca.jpgPLANTAS ANTIOXIDANTES: Uma maneira de neutralizar o dano oxidativo é fazer dieta rica em fitoquímicos com propriedades antioxidantes, encontrados em vegetais. A nutricionista e bioquímica Lucyanna Kalluf explica que o alho, por exemplo, previne o envelhecimento cerebral e a demência por ser rico em fitoquímicos antioxidantes. O chá verde tem potencial antiinflamatório e anticâncer graças ao componente EGCG. Ela destaca ainda a linhaça, que tem alto teor de lignanas que agem no equilíbrio dos receptores hormonais e diminuem a agregação de placas.

CÉREBRO SAUDÁVEL: O cientista Colgan diz que existem cerca de 20 nutrientes essenciais na prevenção do mal de Alzheimer. Os mais importantes são o ácido glicólico, o aminoácido L-carnitina, o ácido retinóico e a acetilcisteína. Deve-se consultar nutricionista ou médico para saber como consumir essas substâncias de forma saudável.

http://www.cienciapt.info/pt/images/stories/noticias/Saude/not9806.jpgREJUVENESCIMENTO: A nutrição influencia diretamente a saúde da pele, ao modular a síntese do colágeno e de hormônios. Segundo a nutricionista Eliane Tagliari, a recomendação diária deve ser de acordo com individualidade bioquímica de cada um, mas há nutrientes com um papel mais importante, como silício, selênio, coenzima Q10, ácido alfalipóico, quercetina, resveratrol, silimarina, magnésio, cálcio e complexo B. Mesmo os idosos podem se beneficiar, quando melhoram a absorção desses nutrientes através da recuperação da flora intestinal e da produção de enzimas digestivas. Uma boa hidratação é fundamental.

22/08/2008 - 13:05h Novo “antibiótico” trata doença sem matar bactéria

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Brasileira nos EUA é co-autora de descoberta

 

 

IGOR ZOLNERKEVIC – COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Uma equipe de 15 pesquisadores publica hoje na revista “Science” a descoberta do que promete ser um tipo revolucionário de “antibiótico”. Entre aspas, porque, a rigor, a substância é um antiinfectivo.

“O nosso “antibiótico” não é tóxico para a bactéria”, explica uma das autoras do estudo, a brasileira Vanessa Sperandio, da Universidade do Texas (EUA). Em vez de envenenar bactérias, como todo antibiótico faz, as moléculas do estudo grudam na superfície delas, evitando que percebam que estão dentro de um organismo e que está na hora de atacá-lo.

Algumas bactérias são como cães; atacam quando “farejam o medo”. Elas percebem que estão dentro do corpo de um hospedeiro quando sentem a presença dos hormônios responsáveis pelo estresse, a adrenalina e a noradrenalina, que também controlam a imunidade.

“Já ouviu falar que quando estamos estressados é mais fácil ficarmos doentes? Quanto mais adrenalina e noradrenalina no corpo, mais rápido a bactéria produz suas toxinas ou penetra as células”, diz Sperandio. “Se a bactéria não sente os hormônios, o sistema imunológico consegue se livrar dela tranqüilamente.”

Esse “farejador de hormônios” existe em pelo menos 25 bactérias que atacam humanos. “São todas as bactérias que causam diarréias sanguinolentas”, explica Sperandio.

Ela investiga o mecanismo do “olfato” dessas bactérias desde 1997. Em 2003, Sperandio e seus colaboradores notaram que era possível “entupir o nariz” dos microrganismos com uma molécula apropriada.

Depois de três anos analisando 150 mil moléculas, uma por uma, encontraram a molécula chamada de LED209 -que “enganou” três espécies em laboratório. “Também conseguimos tratar animais -coelhos e camundongos- infectados com pelo menos duas das bactérias que estudamos”, diz.

O fato da LED209 impedir as bactérias de provocarem doenças sem eliminá-las é “um marco importantíssimo”, comenta a microbióloga Roxane Piazza, do Instituto Butantan.

Resistência

Segundo Sperandio, as bactérias resistem hoje a quase todos os antibióticos que existem. Isso por causa da maneira como agem esses remédios. “Suponha que um antibiótico mate 10 bilhões de bactérias do seu corpo, mas dez delas sobrevivam. Essas bactérias resistentes serão a maioria na próxima geração”, explica Sperandio.

“Passamos 40 anos sem fazer progresso em pesquisa de antibióticos, até concluirmos que precisamos usar mecanismos de ação diferentes.”

O LED209 também anima os pesquisadores porque não é tóxico às células de mamíferos. “É promissora para se usar em humanos”, diz Piazza. Ainda falta muito o que fazer, porém, para chegar a um novo remédio. Espera-se obter uma droga segura para testes clínicos em cinco anos. “Aí tem de vir uma indústria farmacêutica grande para tomar o projeto e levar para frente”, diz a brasileira.

17/08/2008 - 14:30h Café: de vilão da saúde a herói do bem-estar

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Análise internacional dos estudos já publicados absolve completamente a cafeína das acusações de fazer mal

Antônio Marinho – O Globo

O café é uma das bebidas mais consumidas no mundo. Consumidores, entretanto, se mostram preocupados com os efeitos da bebida sobre a saúde, especialmente porque estudos contraditórios sobre benefícios e riscos da substância são publicados a cada mês. Agora, o Centro para Ciências de Interesse Público dos EUA fez uma extensa revisão dos mais importantes estudos divulgados. A cafeína foi absolvida, de acordo com uma reportagem publicada pelo jornal “New York Times”. Abaixo, os principais pontos da análise:

HIDRATAÇÃO: Bebidas com cafeína sempre foram apontadas como diuréticas. Mas estudos recentes sustentam que o consumo de até 550 miligramas de cafeína não produz mais urina do que o consumo equivalente de outra bebida.
Somente acima desse valor, a substância é diurética.

PROBLEMAS CARDÍACOS: Pacientes cardíacos, sobretudo os que apresentam pressão alta, são normalmente orientados a evitar o café, um conhecido estimulante.
Mas uma análise feita a partir de dez estudos, reunindo, ao todo, 400 mil pessoas, não constatou aumento de problemas cardíacos entre os que tomavam café diariamente — com ou sem cafeína.

HIPERTENSÃO: O café provoca um leve e temporário aumento da pressão sangüínea.
Mas estudos feitos com 155 mil pessoas que tomavam café diariamente ao longo de dez anos não revelaram uma maior propensão ao desenvolvimento de hipertensão.

CÂNCER: Uma revisão internacional, reunindo 66 estudos sobre a relação entre câncer e consumo de café, foi feita no ano passado. Os cientistas concluíram que o consumo de café tinha pouco ou nenhum efeito sobre o risco de desenvolver câncer de pâncreas ou rins. Outro estudo, com 59 mil mulheres, não encontrou relação alguma entre o consumo de cafeína e o câncer de mama.

PERDA ÓSSEA: Embora alguns estudos tenham relacionado o consumo de cafeína com perda óssea e fraturas, análises fisiológicas revelaram uma redução muito leve na absorção de cálcio. Os efeitos observados poderiam estar relacionados ao baixo consumo de leite e derivados. A análise revela que a redução na absorção do cálcio seria compensada com duas colheres de leite.

PERDA DE PESO: Apesar de a cafeína acelerar o metabolismo — 100 miligramas queimariam de 75 a 100 calorias extras por dia — nenhum outro efeito de controle de peso a longo prazo foi comprovado.
Estudo com 58 mil pessoas acompanhadas por 12 anos mostrou que elas, na verdade ganharam peso, embora os médicos não saibam explicar a aparente contradição.

BENEFÍCIOS À SAÚDE: Provavelmente, o mais importante efeito da cafeína é sua capacidade de melhorar o humor e a performance física e mental. O consumo de 200 miligramas (o volume contido em cerca de 30 mililitros de café comum) acentua a sensação de bem-estar e deixa a pessoa mais alerta e sociável, segundo relatos de consumidores. Volumes muito altos podem gerar ansiedade.
Estudos recentes mostraram ainda uma redução de 30% no risco de desenvolver Parkinson e de 28% para diabetes do tipo 2.

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Fruto é rico em minerais e antioxidantes
Crianças que tomam café têm melhor rendimento em sala

Antônio Marinho – O Globo
O café, puro ou misturado ao leite, é um dos melhores alimentos para se manter saudável, segundo o cientista brasileiro Darcy Roberto Lima, um dos maiores pesquisadores do assunto. Ele diz que além de cafeína, um estimulante natural, a infusão do fruto tem pelo menos cinco compostos altamente benéficos ao organismo humano.

Segundo o médico, o café é rico em vitamina B3 (a niacina, que participa na síntese de hormônios e é essencial para o crescimento) e ácido clorogênico, importante antioxidante ainda mais potente que o reverastrol, encontrado nas uvas. O fruto ou a bebida oferece também boa quantidade de potássio, ferro e zinco.

— Recomendo até quatro xícaras de café ao dia. A bebida contém mais minerais que produtos isotônicos artificiais e águas minerais. Além disso, o aroma do café — um dos mais fortes — tem importante função na melhora do humor e na sensação de bem-estar — diz o professor de neurologia na UFRJ, autor de seis livros sobre o fruto e coordenador científico do site “Café e Saúde”: http://www.cafeesaude.com.br.

Estudo quer recuperar aroma natural Seja qual for a forma de preparo do café, quente ou gelado, ele é benéfico para a saúde, segundo Darcy, que faz parte do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, coordenado pela Embrapa Café: — Estamos fazendo estudos com o acréscimo de café com leite na merenda escolar de alunos. Há evidências de que esta bebida ajuda a melhorar o rendimento e atenção em sala de aula.

Pesquisas epidemiológicas indicam que o consumo regular de três a quatro xícaras ao dia, teria efeito profilático na depressão (e até no suicídio) e no consumo de álcool, de acordo com cientistas.

— Há pesquisas em instituições como os Alcoólicos Anônimos mostrando que dependentes químicos que tomam café apresentam menos recaídas — conta Darcy, lembrando que o consumo em excesso é prejudicial, assim como o de qualquer outro produto, especialmente por pessoas com com arritmias, hipertensão arterial, úlcera, síndrome do pânico, entre outros distúrbios.

A Embrapa Agroindústria de Alimentos, em parceria com a Coppe (UFRJ) e o Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, está desenvolvendo estudo para recuperar a essência natural do aroma de café, que se perde no processo produtivo. Ela é livre de solventes e aditivos, e poderá ser usada na indústria de alimentos, na melhora da qualidade do café solúvel, e na produção de cosméticos.

13/07/2008 - 18:09h A cura pelo sexo

Estudos mostram ganhos para longevidade, defesas naturais e forma física

Dan Roberts Do Independent – O Globo

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Melhorar a auto-estima é uma das mais citadas razões pelas quais as pessoas fazem sexo, segundo um estudo da Universidade do Texas publicado na “Archives of Sexual Behavior”. O resultado não surpreendeu Julia Cole, autora de “How to have great sex for the rest of your life” (Como ter sexo bom pelo resto da vida). Ela está convencida de que uma vida sexual saudável com a pessoa amada faz maravilhas pelo amor próprio.

— Depois de uma sessão de sexo, o corpo libera endorfinas, conhecidas como “as drogas da felicidade” porque melhoram nosso humor — afirmou. — Do ponto de vista físico, a sensação é similar à que sentimos depois de uma boa sessão de ginástica ou natação.

Mas se você faz sexo com alguém que ama, se sente mais acolhido e isso promove a auto-estima.

Quando o sexo é bom, cientistas dizem que ele promove uma melhora na percepção da própria imagem corporal, bem como uma redução da ansiedade e da incidência de problemas psiquiátricos, depressão e suicídio.

Indicado para dores do corpo e da alma

Um estudo com homens de quatro diferentes culturas revelou que a satisfação sexual está relacionada ao aumento da freqüência dos encontros e inversamente ligada à depressão. Durante o orgasmo, o corpo produz oxitocina, um hormônio ligado a diversos efeitos positivos tanto físicos quanto psicológicos.

Um dos maiores é o impacto benéfico no sono.

— Não há dúvida que sexo é relaxante e ajuda a combater a insônia — afirmou David Delvin, especialista em medicina sexual. — Muitas pessoas usam o sexo como um auxílio para adormecer. E isso está ligado à liberação da oxitocina, que é um sedativo natural.

Um dos principais benefícios do sexo à saúde é o impacto positivo na forma de lidar com estresse.

Num estudo publicado na “Biological Psychology”, 24 mulheres e 22 homens mantiveram registros diários de sua atividade sexual. Os pesquisadores os submeteram a situações de estresse, como falar em público ou fazer contas em voz alta.

Os que tinham feito sexo se saíram melhor nas situações estressantes do que os demais.

Segundo Julia Cole, isso pode ser explicado pelo efeito tranqüilizador dos carinhos do parceiro.

— Muitas pesquisas já mostraram que o toque tem um efeito calmante natural nos seres humanos, seja relacionado ao sexo ou não. E, claro, se o carinho for feito por alguém de quem se gosta, o efeito calmante será dobrado.

Além da óbvia sensação prazerosa de ser tocado ou acarinhado, há um efeito bioquímico de redução do efeito do cortisol, o hormônio secretado quando estamos sob estresse.

Fazer sexo uma ou duas vezes por semana está relacionado também a maiores níveis de um anticorpo chamado imunoglobulina A, ou IgA, capaz de proteger contra resfriados e outras infecções.

Cientistas da Universidade de Wilkes testaram os níveis de IgA em 112 estudantes que registraram a freqüência de sua atividade sexual.

O grupo que fazia sexo com mais freqüência apresentava maiores índices de IgA do que os que não tinham relações ou faziam sexo menos de uma vez por semana.

A terapeuta sexual Paula Hall acredita que o impacto positivo do sexo no bem-estar ajuda a aprimorar o sistema imunológico.

— Todos os benefícios psicológicos têm um impacto em sua saúde física. O sistema imunológico é um exemplo — afirmou. — Quanto mais saudáveis estivermos psicológica e emocionalmente, mais saudáveis estaremos fisicamente.

Ejaculações freqüentes podem reduzir o risco de homens desenvolverem câncer de próstata em idade avançada, de acordo com um estudo publicado na revista “British Journal of Urology International”.

Ao rastrear a vida de homens com câncer e compará-los a outros da mesma idade sem a doença, os cientistas constataram que aqueles que ejaculavam pelo menos cinco vezes por semana na juventude tiveram o risco de desenvolver o tumor reduzido em um terço.

— Há fortes indícios de que homens que se masturbam regularmente têm menos chances de ter câncer de próstata — afirmou Delvin.

A freqüência do número de relações sexuais também está relacionada à menor incidência de problemas de ereção. Médicos finlandeses estudaram quase mil homens com idades entre 55 e 75 anos e descobriram que os que faziam sexo com mais freqüência eram os que corriam menos risco de desenvolver problemas de ereção.

Os resultados estão na edição deste mês da revista médica “The American Journal of Medicine”.

Após avaliar a saúde sexual de 989 homens, os pesquisadores viram que, entre os que diziam fazer sexo menos de uma vez por semana, a incidência de disfunção era dobrada.

A conclusão foi obtida após levar em conta outros fatores ligados ao problema, como idade, doenças crônicas, obesidade e fumo.

Fazer sexo e ter orgasmos com freqüência é uma das principais formas de aumentar a intimidade entre um casal e garantir uma relação saudável a longo prazo — o que já foi relacionado em muitos estudos a uma maior expectativa de vida. E o responsável por isso é, novamente, a oxitocina.

— Ele é liberado por pessoas que estão em relações seguras ou longas, bem como durante o contato sexual — afirma Julia Cole. — Esse efeito de ligação é uma das razões pelas quais as pessoas continuam a fazer sexo mesmo quando já não são mais férteis.

A atividade sexual, como qualquer outro exercício, queima calorias e gordura. Trinta minutos de sexo intenso queima pelo menos 85 calorias. Pode não parecer muito, mas é cumulativo — 42 sessões de meia hora queimam 3.570 calorias, o que é suficiente para perder cerca de meio quilo.

— Sexo queima calorias, é comparável a um exercício moderado — garante Delvin.

E é muito mais divertido.

19/06/2008 - 13:30h Chimpanzés fêmeas copulam em silêncio para evitar competição e só emitem sons durante sexo quando há machos ao redor

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macaconao.gif Chimpanzés fêmeas copulam em silêncio para evitar competição

Estudo diz que fêmeas só emitem sons durante sexo quando há machos ao redor.

BBC Brasil – O Estado de São Paulo

Uma pesquisa conduzida por cientistas escoceses sugere que chimpanzés fêmeas deixam de emitir sons durante a cópula caso outras fêmeas estejam ao redor para evitar competição.

Os chimpanzés são conhecidos por terem um comportamento sexual promíscuo e, segundo os pesquisadores, as fêmeas estão mais preocupadas em manter relações com diversos parceiros do que encontrar o macho mais forte.

Os cientistas da Universidade de St. Andrews, na Escócia, observaram um grupo de chimpanzés que vive na Floresta Budongo, em Uganda, na África, e publicaram os resultados da análise na edição desta semana da revista científica Public Library of Science (PLoS).

De acordo com a pesquisa, as fêmeas emitem mais sons de cópula – barulhos emitido durante as relações sexuais – quando vários machos estão ao redor. No entanto, elas permanecem quietas durante a relação quando há fêmeas ao redor para evitar a competição pelos machos da região.

“A competição entre as fêmeas pode ser muito perigosa nos chimpanzés selvagens. Nossa descoberta ressalta o fato de que as fêmeas usam os sons de cópula como uma tática para reduzir os riscos relacionados a esta competição”, disse Simon Townsend, que liderou o estudo.

Paternidade

A função dos sons de cópula nos primatas vem sendo discutida por vários anos.

Uma das principais teorias é que as fêmeas emitiriam sons durante a relação sexual para anunciar a receptividade para os machos. Dessa forma, ela geraria competição entre os machos e poderia escolher o parceiro mais forte para garantir a qualidade de seu filhote.

No entanto, os pesquisadores não encontraram nenhuma prova para apoiar a hipótese de que o som estimularia a competição entre os machos. Além disso, análises dos hormônios das fêmeas indicaram que sua disponibilidade para manter relações não estaria relacionada com seu período fértil, e, portanto, as fêmeas não estariam chamando a atenção dos machos para conceber um filhote.

“As fêmeas observadas na pesquisa parecem muito mais preocupadas em manter relações com vários parceiros diferentes, sem que as outras fêmeas descubram, do que em fazer com que os machos briguem por ela”, afirmou Townsend.

De acordo com os cientistas, as fêmeas emitem os sons durante a cópula para atrair o maior número de parceiros possível e, dessa forma, confundir os machos sobre a paternidade de seu filhote. Isso garantiria à fêmea proteção dos machos e reduziria o risco de infanticídio – comum entre os chimpanzés machos, já que eles criaram uma relação com a fêmea e não saberiam com certeza se são ou não pais do filhote.

Segundo os pesquisadores, chimpanzés fêmeas são expostas a forte pressão social entre outros membros do grupo, principalmente quando os recursos são escassos.

“Nesse contexto, confundir os machos com relação à paternidade, principalmente entre os machos mais importantes, tem duas vantagens. Primeiro, reduz a probabilidade de que os machos irão atacar os filhotes, potencialmente seus. Segundo, pode ajudar a melhorar a disponibilidade dos machos em apoiar a fêmea, até mesmo em brigas com outras fêmas”, diz o estudo.

De acordo com os cientistas, as descobertas são “mais um indício das sofisticadas capacidades mentais e inteligência social dos parentes vivos mais próximos da espécie humana”. BBC Brasil

08/06/2008 - 15:46h Para lembrar, é importante esquecer

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4c/IvanIzquierdo.jpg/100px-IvanIzquierdo.jpgUm dos maiores especialistas em cérebro fala da importância de deixar memórias de lado

ENTREVISTA Iván Izquierdo

Há várias formas de memória. Algumas duram segundos. Outras ficam por toda a vida. Para formar novas ou armazenar informações mais importantes é preciso apagar antigas, até porque os mecanismos de memória se cansam. Portanto, esquecer ou evitar evocar memórias faz bem. Esta é uma das áreas de pesquisa do cientista Iván Izquierdo, do Centro de Memória do Instituto de Pesquisas Biomédicas da PUC-RS e especialista em compreensão da base celular do armazenamento e evocação da memória. Nascido na Argentina, autor de centenas de artigos científicos e 17 livros, ele estuda a persistência da memória e recebeu recentemente o prêmio Fundação Conrado Wessel pelo seu trabalho na ciência.

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Antônio Marinho

O GLOBO: O que é memória?

IVÁN IZQUIERDO: A memória biológica, humana ou animal, é a aquisição, o armazenamento e a evocação de informações.
Existem várias formas de memória. A de trabalho dura poucos segundos ou minutos.
Por exemplo, a terceira palavra da minha frase anterior permaneceu apenas o suficiente para você entender o que veio antes e depois. Há ainda a memória de poucas horas ou curta duração. É um processo que ocorre no hipocampo e numa parte do córtex, independentemente da memória de longa duração que, ao mesmo tempo, está sendo formada. Ela dura no máximo seis horas, é armazenada provisoriamente e será guardada ou não para sempre.

O fato de essas memórias não continuarem é algo fisiológico e não significa esquecimento.
Já a memória de longa duração dura poucos dias ou anos.
E talvez exista mais de um tipo.
Ela é armazenada no córtex cerebral e se evoca daí. As memórias de forte conteúdo emocional são gravadas com atuação de vias nervosas que controlam as emoções.

Quais são os principais fatores que prejudicam o funcionamento da memória?

IZQUIERDO: Os fatores, já comprovados por diversos pesquisadores, são atenção no momento da aquisição, a ansiedade e o estresse. A consolidação também depende fatores hormonais e neuro-hormonais.
Por exemplo, o estresse em excesso é sempre ruim.
Ele estimula as glândulas suprarenais a produzirem hormônios corticóides que atingem o núcleo da amígdala cerebral.
Uma das funções desta estrutura é a evocação da memória.
Quando ela é afetada, podem ocorrer falhas de memória, como o famoso branco dos estudantes numa prova ou de um ator no palco. A ansiedade até certo ponto é necessária.
Já a pouca atenção prejudica a formação de memórias.
O uso de drogas, como maconha, e o álcool também prejudica a capacidade de formar memórias.

A capacidade de memória é ilimitada?

IZQUIERDO: Em unidade de tempo, não. Por exemplo, num intervalo curto não é possível reter um número indefinido de memórias. Por isso existem intervalos em escolas, eventos e congressos para as pessoas respirarem um pouco, se distraírem e deixarem o cérebro livre para adquirir mais informações.
Com relação à memória feita durante toda uma vida, o número talvez seja mais ou menos indefinido. Ninguém sabe ao certo.

http://imagem.bondfaro.com.br/capas/livros/641/782/190x190_8588782146.jpgQuais são os melhores exercícios para memória?

IZQUIERDO: O melhor é a prática de leitura. Ao ler apenas a primeira letra numa frase o cérebro processa em milissegundos inúmeras palavras associadas àquela letra. Isto faz o cérebro ativar a memória. É um ótimo exercício.

Como se explicam os casos de pessoas conhecidas por sua habilidade para decorar nomes, listas, fatos etc?

IZQUIERDO: São fatos isolados.
Há pessoas, pelo que se sabe, normais, mas com memória excepcional. Existem ainda indivíduos que sofrem de alguma forma de autismo e têm uma memória excepcional.
Há várias formas de autismo. Um bom exemplo é o filme “Rain man”, com Dustin Hoffman e Tom Cruise.
Por que isso acontece ninguém sabe.

Suplementos minerais e vitaminas melhoram a capacidade de memória?

IZQUIERDO: Em geral, nada disso é verdade. Se a alimentação for boa o suficiente em hidrato de carbono, lipídios, proteínas, vitaminas e minerais, a memória funcionará tão bem quanto o resto das funções nervosas. Por exemplo, quando há falta de algum nutriente como proteínas na fase fetal ou na infância, o desenvolvimento do cérebro é prejudicado e, logo, a memória.

Qual é a relação entre inteligência e memória?

IZQUIERDO: A inteligência é difícil de compreender. Pelo menos para mim foi. A memória é só um componente, mas não o principal. A atenção é outro. Inteligência abrange em parte memória e capacidades perceptivas.
Um indivíduo muito inteligente percebe as coisas, é observador.

Como prevenir ou retardar a perda de memória na terceira idade?

IZQUIERDO: Uma das maneiras é consultar o neurologista para saber até que ponto as falhas de memória que estão ocorrendo são importantes.
Além do hábito de leitura, o uso constante da memória e o convívio social ajudam porque permitem o intercâmbio de idéias e de eventos, especialmente com pessoas da mesma faixa etária e mútuo interesse. Quando a função de memória é praticada ela não enfraquece. Há muitas pesquisas sobre mecanismos moleculares na aquisição, na consolidação e expressão de memórias. Uma de nossas áreas de estudo é a persistência da memória. Esquecemos a maioria das informações que adquirimos. Um dos motivos é que os mecanismos de memória se saturam. Isso é necessário. A nossa capacidade de formar novas memórias está ligada diretamente à sua perda. As memórias que permanecem pouco e não são repetidas ou revividas desaparecem por falta de uso.

Existe tratamento eficaz para prevenir a perda de memória causada por demências?

IZQUIERDO: Atualmente só existe tratamento paliativo para atenuar os sintomas de perda de memória, e por um período curto. No mal de Alzheimer há perdas de neurônios com o avanço da doença e o medicamento não tem mais como agir. É como ordenar a um grupo de soldados para atacar uma tropa maior.

08/06/2008 - 14:44h Dormir pouco afeta crescimento infantil

minnie_durmindo.gif Horas corretas de sono durante a noite são importantes para a criança porque afetam liberação do hormônio do crescimento

Especialistas dizem que crianças pequenas devem dormir entre as 19h30 e as 20h30; horas de sono variam conforme a idade

DA REPORTAGEM LOCAL – Folha de São Paulo

Crianças que seguem os horários dos adultos e dormem pouco correm o risco de ter sérios problemas de desenvolvimento, dizem especialistas. Isso ocorre porque o hormônio do crescimento é liberado nas fases mais profundas do sono.
“Quem tem sono ruim, na quantidade ou na qualidade, tende a ter déficit de crescimento”, diz o pneumologista Maurício da Cunha Bagnato, responsável pelo departamento de medicina do sono do hospital Sírio-Libanês. “Depois que se opera uma criança que dorme mal por causa das amígdalas, ela cresce muito rápido. É impressionante.”
As horas de sono necessárias variam conforme a idade. Um recém-nascido, que está com o sistema nervoso em amadurecimento, precisa dormir até 20 horas diárias. Uma criança de três anos deve dormir 10 ou 11 horas durante a noite e tirar uma soneca no dia.
E não basta dormir o número de horas indicado. Também é preciso ir para a cama na hora certa. O ideal, segundo o neurologista Israel Roitman, do hospital Albert Einstein, é que as crianças pequenas se deitem entre as 19h30 e as 20h30.
Roitman explica que certos hormônios só são liberados adequadamente no organismo quando se está acordado durante o dia e se dorme durante a noite. “Há crianças que ficam acordadas até a meia-noite. Isso é um absurdo”, diz ele.
Evidências científicas ligam a falta de sono, ao menos em adultos, a um maior risco de obesidade, diabete, doenças cardiovasculares e infecções.
A maneira mais fácil de perceber se a criança está dormindo pouco é observar como ela acorda. Cansada, ela reluta a sair da cama. “Na primeira oportunidade que tem, ela encosta e dorme. Isso ocorre muito no trajeto da casa à escola, dentro do carro”, explica o médico Ricardo Halpern, da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Essas crianças podem ficar hiperativas e ter dificuldade de concentração. Também costumam ficar irritadiças e até agressivas. E, ao contrário do que ocorre com os adultos, tomar uma xícara de café não resolve o problema do sono.
“Dormir tarde cria outro problema para os pais, o da indisciplina. As crianças não gostam de dormir, porque é o fim da brincadeira. À noite, o problema de indisciplina é maior”, diz Paulo Afonso Ronca, doutor em psicologia educacional.
Além dos benefícios para a saúde, colocar o filho para dormir sempre na mesma hora é importante para o desenvolvimento psicológico da criança.
“É importante que a criança saiba que num momento ela vai tomar banho, por exemplo, depois pôr o pijama, depois jantar, depois brincar, depois escovar os dentes e depois dormir. Quando sabe o que vai acontecer depois, ela ganha segurança”, explica a coordenadora pedagógica do colégio Santo Américo, Liamara Montagner. “É por isso que muitas crianças assistem ao mesmo desenho 20 vezes.”
O desejo de ficar mais tempo com os filhos é legítimo e necessário. “A primeira relação das crianças é com os pais. É dessa relação que vêm as identificações, o carinho, os limites”, diz Júnia de Vilhena, psicanalista e professora da PUC-Rio. “Os pais já delegam demais [para babás, avós, professores], não podem delegar tudo.”

No shopping
Na quinta passada, a Folha percorreu um shopping de São Paulo entre as 21h e as 22h30. As crianças menores de 10 anos estavam por todos os lados.
Na praça de alimentação, um casal compra sorvete para o filho de sete anos e a filha de cinco. “Não faço questão que durmam cedo. É bom o contato com eles”, diz a administradora Flávia Marques, 37. “Eu, quando era criança, dormia às 20h30. Mas era no interior de Minas, outra época”, diz o arquiteto Adriano Marques, 48.
Ele diz que o toque de recolher da casa é às 23h. Atentos, Rafael e Júlia corrigem em coro: “A gente dorme à meia-noite, pai!”. (RICARDO WESTIN)

15/04/2008 - 12:19h Crise nas bolsas: falta ou sobra testosterona?

Hormônios influenciam ganho na bolsa de valores

Estudo com operadores de Londres relaciona alto nível de testosterona a lucro

Cortisol, hormônio ligado ao controle do estresse, subiu com a variação do resultado do operador e em resposta à volatilidade do mercado

RICARDO BONALUME NETO

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA DE S.P.

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Hormônios não afetam apenas humores; aumentam a chance de fazer fortuna ou cometer bobagens em uma bolsa de valores. Uma pesquisa mostrou que operadores do mercado financeiro que começam a trabalhar com altos níveis de testosterona no sangue tiveram lucros acima da média.

A pesquisa, feita com operadores em Londres, mostrou ainda que o hormônio cortisol, ligado ao controle do estresse, aumenta de acordo tanto com a variação dos resultados do operador quanto em resposta à volatilidade do mercado.”Eu costumava trabalhar em Wall Street e observava alguns operadores tomarem atitudes não-racionais, e a pesquisa foi uma tentativa de explicar isso”, disse à Folha por telefone o líder do estudo, John Coates, professor do Departamento de Fisiologia, Desenvolvimento e Neurociência da Universidade de Cambridge, Reino Unido, e também da sua escola de administração de empresas.

Coates e o colega Joe Herbert, do departamento de fisiologia da mesma universidade, fizeram medidas de hormônios no local de trabalho de 17 operadores -homens de 18 a 38 anos com rendas anuais que variavam de 12 mil a mais de 5 milhões de libras.

As medidas eram feitas a partir de amostras de saliva às 11h e às 16h. Nenhum dos operadores tomou medicação ou comeu algo que pudesse interferir no sistema endócrino, nem recebeu notícia de caráter pessoal que pudesse afetar o humor (e os hormônios).

A testosterona é produzida em parte nos testículos, em parte no córtex adrenal (a região mais externa das glândulas supra-renais). Ela medeia o comportamento sexual e comportamentos competitivos.”O papel da testosterona já foi notado antes em atletas”, diz Coates. Ela aumenta em esportistas se preparando para uma competição, ainda mais se eles ganham, além de diminuir nos que perdem. O efeito aumenta a confiança e a propensão a correr riscos e eleva as chances de ganhar de novo.”

Como a testosterona provou estar associada a ganhar e perder, e o cortisol tem um papel na resposta ao estresse e à incerteza, desenvolvemos a hipótese de que esses esteróides responderiam à tomada de risco financeiro”, escreveram os dois autores em artigo na edição de hoje da revista “PNAS” (www.pnas.org), da Academia de Ciências dos EUA.

Eles previram que a testosterona aumentaria em dias lucrativos e o cortisol aumentaria pelo estresse das perdas acima da média. Os resultados confirmaram a primeira previsão, mas sugerem que o cortisol está mais vinculado à incerteza do que à perda de dinheiro.

Eles alertam, porém, que testosterona em excesso pode ser algo negativo: o operador fica muito ousado e assume riscos perigosos. Segundo Herbert, isso pode influenciar outras pessoas que trabalham sobre grande pressão e têm de tomar decisões rápidas -como controladores de tráfego aéreo-, podendo alterar seu desempenho.