26/08/2008 - 10:32h A cidade de verdade faz mal aos tucanos

O artigo de Dora Kramer é muito lúcido. A analise está focada na política e na briga interna no PSDB. Mas não deixa de ser interessante a referência a apresentação que Alckmin faz da situação da cidade de São Paulo. Dora constata o conteúdo no plano político, não é o objeto do artigo julgar se a descrição é verdadeira ou não.

No mundo da fantasia, presente na publicidade eleitoral de Kassab e na cabeça dos jornalistas afins ao serrismo, trata-se de um exagero de Alckmin quase que provocada pela dor-de-cotovelo ou da sua vontade deliberada de atacar Kassab. Evidentemente que o cálculo político está presente no fato de Alckmin condenar a administração demo-tucana. Mas, ele travestiu a realidade? A constatação de Alckmin é mentira?

Não é estranho, por exemplo, que até hoje a Folha não tenha publicado a avaliação da administração Kassab por setor, da última pesquisa Datafolha, como costuma fazer? De quanto mudou a avaliação na saúde, que era considerada ruim e péssima por 55% da população? e a do trânsito que era ruim e péssimo para 76%? ou a do transporte público? LF

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Virado à paulista

Dora Kramer - O Estado de São Paulo

Nessa altura não interessa mais de quem é a culpa: se do governador José Serra, ao planejar a eleição de prefeito sem um candidato com a marca do partido, mas ao molde do roteiro de sua campanha presidencial, ou se do antecessor, Geraldo Alckmin, ao atropelar o projeto e se impor ao PSDB como candidato do partido à Prefeitura de São Paulo.

Importa apenas o fato: de posse das duas máquinas, estadual e municipal, das melhores alianças partidárias (incluindo a captura do PMDB da área de influência do PT) e de uma adversária com alto grau de rejeição e baixa densidade político-eleitoral em sua coalizão, o PSDB constrói uma derrota.

Mas não uma derrota qualquer, daquelas normais, cujas conseqüências nefastas têm prazo de validade e volta por cima no cenário do amanhã.

Dessas, o presidente Luiz Inácio da Silva só em eleições presidenciais sofreu três. O governador José Serra outras tantas e a então prefeita Marta Suplicy uma especialmente impactante: em 2004 perdeu a reeleição para Serra que dois anos antes fora derrotado por Lula, que não conseguiu convencer o paulistano a dar o bis a Marta, que foi ao fundo, emergiu e hoje é líder absoluta nas pesquisas.

A derrota em construção não se limita ao resultado eleitoral. Este pode até virar, não se sabe. Ninguém está livre de um milagre, nem Geraldo Alckmin nem Gilberto Kassab. Ou de um imprevisto, nem Marta Suplicy.

O estrago bordado com esmero em São Paulo - com a participação de artesãos de fora - é de natureza política.

Isso ocorre quando o fracasso independe do resultado. A situação já se desenhava assim desde o começo, quando Marta patinava na largada, Kassab reunia uma vistosa aliança e Alckmin exibia patrimônio eleitoral suficiente para inibir qualquer movimento mais brusco do grupo do governador Serra para matar sua candidatura na marra.

Com a mudança de ventos e o registro da queda de Alckmin em duas pesquisas consecutivas, o quadro deu uma piorada considerável. Candidato oficial do PSDB, o ex-governador desceu do altar do bom-mocismo e partiu para o ataque direto à atual administração de São Paulo.

No programa eleitoral diz que sobra dinheiro e falta competência. Aponta carências de toda sorte: de vagas nas creches, nas escolas, de transporte púbico decente, de moradias, de hospitais, de médicos, de iluminação nas ruas, enfim, a cidade mostrada por Geraldo Alckmin é um horror em matéria de desmazelo e abandono.

Com isso, não ataca Kassab, um ex-deputado do DEM, vice deixado na cadeira por Serra para representá-lo na prefeitura toda montada à base de tucanos. Desde que assumiu a vaga, o substituto não deu um passo nem um pio em desacordo com a concepção de Serra, política e administrativamente falando.

Quando diz ao eleitor de 2008 que a Prefeitura de São Paulo é mal gerida, está informando ao eleitorado de 2010 no Brasil todo que o principal candidato de seu partido à Presidência da República é um mau gestor.

Um caminho que nem o PT nacional, adversário oficial na sucessão de Lula, havia ousado trilhar.

É difícil, embora seja possível, acreditar que a campanha de Geraldo Alckmin não tenha pensado em todas as conseqüências - entre elas a perda do papel da vítima - e atue nessa direção apenas por aflição eleitoral.

Seja qual for o fator, não altera o produto: um candidato a prefeito que se apresenta à disputa para afirmar a marca do partido e depois tenta se credenciar subtraindo credenciais do candidato a presidente do próprio partido.

Algo nunca visto nem no PT das memoráveis guerras de extermínio interno.

Leia a integra da coluna de Dora Kramer no jornal O Estado de São Paulo

22/08/2008 - 23:41h No ar, o Dr. Alckmin

Eleição em São Paulo

Blog de Noblat

No capítulo eleitoral da tarde de hoje em São Paulo, o zen Geraldo Alckmin (PSDB) fez o que muita gente implorava que fizesse na campanha presidencial: assumiu o seu lado médico de ser. E ao finalmente sair de Pinda para retomar sua especialidade profissional, aproveitou para tentar aplicar anestesia-geral no medalha de bronze Gilberto Kassab (DEM).

Do alto do seu jaleco, após fazer um diagnóstico sombrio da saúde na cidade administrada por Kassab, o dr Alckmin deu solução para tudo - de integração dos serviços à construção de hospitais, policlínicas e o escambau. Tudo com sigla, tudo com número, tudo com fotografia. E tudo perto de casa, prometeu.

O golpe de Alckmin foi de tiro longo, para alcancar também, lá no outro lado do mundo em que se encontra desde a véspera da estréia da campanha na TV, o governador José Serra. Não precisa explicar mas não custa lembrar: Saúde é a grande marca de Serra desde o Ministério. Tanto é que um dos motivos da derrota da candidata Marta Suplicy (PT) para ele nas últimas eleições é atribuído ao fato dela ter agendado este tema na campanha. Com força na Educação por causa dos CEUs, ela focou na proposta de um CEU da Saúde. Entrou na seara do adversário e deu no que deu.

Agora é diferente. Alckmin abandonou a medicina pela política, mas não pode se dizer que não seja médico. Quanto a Kassab, não foi ministro nem médico, é engenheiro, portanto não tem credenciais para essa disputa. De outro lado, Kassab é o fiel depositário da marca do padrinho político e antecessor, especialmente de sua menina dos olhos, as AMAs.

É, o candidato do DEM vai ter que largar rapidinho a pilha de papéis e o paletó que carrega na mão nos seus comerciais na TV, pois vai precisar usar os dois braços, quem sabe até um pé, nessa briga em que se meteu com seu parceiro histórico, o PSDB.

A jornalista Cila Schulman é estrategista e coordenadora de comunicação de campanhas eleitorais desde 1988. Estudou na “Graduate School of Political Management” da “George Washington University” e é membro e palestrante de entidades internacionais como IAPC – Associação Internacional de Consultores Políticos -, EAPC – Associação Européia de Consultores Políticos e Alacop – Associação Latino Americana de Consultores Políticos.

16/08/2008 - 10:20h Marta promete cortar impostos

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Petista lança programa de governo de olho no voto da classe média

Clarissa Oliveira - O Estado de São Paulo

Empenhada em recuperar os votos da classe média perdidos em 2004, a candidata do PT à prefeitura paulistana, Marta Suplicy, apresentou ontem uma versão detalhada de seu programa de governo. A petista, que já havia lançado um texto preliminar há mais de um mês, detalhou propostas e trouxe novas idéias. Mas, mesmo após sua equipe se debruçar por 80 dias sobre o novo programa, o documento ainda ignora a previsão orçamentária para a grande maioria das propostas.

No evento de ontem, Marta introduziu duas principais novidades em relação às idéias que já vinha debatendo há algum tempo. Em mais um esforço para se desvencilhar do apelido ?Martaxa? que marcou sua tentativa frustrada de se reeleger em 2004, ela incluiu em sua promessa de reduzir a carga tributária uma desoneração específica para profissionais liberais. A medida prevê a redução do Imposto Sobre Serviços (ISS) cobrado de engenheiros, arquitetos, advogados, psicólogos e outros profissionais autônomos. “Vamos diminuir de forma contundente, quase próximo a zerar”, afirmou Marta.

Outra novidade que chamou a atenção foi a idéia de começar a oferecer acesso à internet banda larga sem fio em vários pontos da cidade, sem cobrar nada pela utilização do serviço. Segundo o coordenador do programa de governo de Marta, Jorge Wilheim, a idéia é começar a oferta em locais como os pontos de cultura, os Centros Educacionais Unificados (CEUs) e outros prédios públicos. O plano é, no futuro, viabilizar o acesso gratuito em toda a cidade.

Nos dois casos, entretanto, Marta disse não saber quantificar os recursos necessários, sob o argumento de que sua equipe ainda está conduzindo os estudos necessários para tirar os projetos do papel. “Não vou adiantar, porque os estudos ainda não estão finalizados”, disse, ao ser questionada sobre a desoneração de autônomos. “Mas o que é importante registrar é que há uma vontade, uma determinação política.”

Sobre recursos para a oferta de acesso à internet banda larga, a petista completou: “É começar a fazer e aí vai aos poucos. Até porque nada disso você implanta em um ano ou dois, nem em quatro”.

EXCEÇÃO

A estimativa de custos só foi contemplada em uma única proposta do programa de governo de Marta, que trata da expansão da rede de metrô.

Nesse caso, a petista fez alguns ajustes em relação à proposta que já havia apresentado anteriormente. Ela prometia aplicar na cidade o plano de mobilidade urbana elaborado para a Copa de 2014 quando era ministra do Turismo, que previa até esta data a construção de 65 km de metrô na cidade.

A nova proposta especifica a construção de 47,4 km de metrô em São Paulo nos próximos quatro anos, número que será ampliado para 63,1 km até a Copa. Os investimentos previstos continuaram os mesmos: R$ 490 milhões da prefeitura ao ano, por um período de seis anos. A esse montante, se somariam outros R$ 490 milhões do governo federal e R$ 980 milhões do governo do Estado, segundo a proposta apresentada por Marta.

Questionada se o montante não impactaria no orçamento municipal, Marta garantiu que há dinheiro para a obra. “A prefeitura dispõe de R$ 10 bilhões a mais, já em valores atualizados, comparado ao que havia quando eu administrei a cidade.”

Ainda na área de transportes, que tem merecido atenção especial na campanha, Marta voltou a criticar o pedágio urbano e anunciou a intenção de modificar as regras do rodízio de caminhões criado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM). Ela adiantou que manterá a restrição, mas disse que vai estudar formas de minimizar impacto no preço de produtos. “Nós provavelmente vamos rever a forma como isso está sendo feito, que consideramos um pouco improvisada”, disse Marta.

Principais propostas

Ação Social: Retomar ações redistributivas, dar qualificação em CEUs e ampliar acesso à internet

Economia urbana: criar plano de desoneração tributária e incentivar o micro e pequeno negócio

Educação: Construir 20 CEUs e criar a Rede CEU, integrando escolas a esporte e cultura

Habitação: ampliar a regularização fundiária, retomar plantas online e subsidiar compra de imóvel

Segurança: Recriar a Secretaria de Segurança Urbana, valorizar a Guarda Metropolitana

Trânsito: Integrar CET e SPTrans, investir em metrô e corredores, melhorar o bilhete único

Saúde: Criar policlínicas, construir 3 hospitais, implantar o cartão SUS e integrar AMAs e UBSs

15/08/2008 - 17:53h Marta apresenta suas propostas para São Paulo

Integra do discurso de Marta na apresentação do Programa de Governo

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Minhas amigas, meus amigos…

Desde o primeiro dia desta campanha, temos anunciado com clareza o nosso propósito. E ele pode ser resumido nos seguintes termos:

Vamos reconquistar o poder municipal para – através de um governo de inovação, participação e inclusão – promover um grande avanço humano, social e urbano na cidade de São Paulo.

Em síntese, é isso. E devo sublinhar, aqui, que nenhuma dessas palavras é dita em vão. Nenhuma delas é pronunciada em termos meramente retóricos.

Para nós, cada uma dessas palavras não só possui um sentido preciso, como vem carregada de intensidade prática.

O que elas significam é que assumimos compromissos claros, temos diretrizes nítidas, apresentamos propostas concretas.

Isto está bastante claro no programa de governo que estamos divulgando, neste momento.

Não é por acaso que somos a primeira candidatura a divulgar um programa de governo com metas e propostas para todas as áreas.

Isso, queridas companheiras e queridos companheiros, é também uma nova atitude!

Pois nova atitude é saber que só pode governar bem quem tem coragem, criatividade, planejamento, competência e imaginação.

Quem antes de agir, saiba formular. E quem antes de formular tenha paciência de ouvir, debater e discutir novos caminhos para S. Paulo.

Minhas amigas e meus amigos,

Nesses anos de governo do presidente Lula, o Brasil superou a estagnação econômica e retomou, com uma vitalidade nunca antes vista, os caminhos do crescimento.

Com isso, São Paulo também cresceu. Mas o fato é que ficou aquém de onde poderia ter chegado. Porque a cidade não foi devidamente preparada para este crescimento.

Em conseqüência da falta de visão e da falta de planejamento municipais, São Paulo ficou anos sem intervenções urbanas estruturadoras. E o resultado é o que hoje se vê.

São Paulo não andou, como deveria, no campo social, na educação, na segurança, na saúde, na habitação. E menos ainda, é claro, no trânsito e no transporte.

Temos, agora, de recuperar o tempo perdido. Mas, sobretudo, temos de avançar.

Avançar fortalecendo individualmente cada morador desta cidade. Avançar fortalecendo coletivamente a comunidade geral dos moradores do município. Avançar fortalecendo nossa cidade.

Porque existem saídas para a situação em que nos encontramos. Saídas claras, concretas. Como está escrito na abertura de nosso programa de governo, São Paulo não é somente um conjunto de problemas. São Paulo é, acima de tudo, um conjunto de oportunidades.

Mas, para que as oportunidades cresçam mais do que os problemas, é necessário intensificar a ação social. Encarar a questão da segurança. Reduzir o déficit habitacional. Enfrentar, de forma sistêmica, a situação do trânsito e do transporte. Ter programas efetivos de economia urbana. Investir na saúde. Agir com critérios amplos e rigorosos de ecologia urbana. Promover um salto de qualidade na educação.

Mas não é preciso repetir, aqui, o que está exposto, de forma sintética e sistemática, em nosso programa. Quero, apenas, enfatizar algumas coisas, de uma perspectiva geral.

Estamos vendo agora que, de repente, muitos desandaram a falar da existência de uma nova classe média brasileira. De uma nova classe média paulistana. Mas não sabem o que fazer diante desse novo quadro social.

Não é o nosso caso. Não foi hoje de manhã que tomamos conhecimento do fenômeno. Há meses estamos acompanhando esse processo. E foi assim que chegamos à formulação de uma nova política de inclusão para São Paulo.

São Paulo vai voltar à vanguarda da ação social no Brasil, fazendo a passagem das políticas de transferência de renda para as políticas de emancipação e desenvolvimento.

Por um lado, vamos retomar e ampliar os programas redistributivos. De outro, vamos colocar em prática uma política pioneira de inclusão empresarial, estimulando a formação de negócios, incentivando o empreendedorismo emergente, potencializando as pequenas empresas.

Vamos encontrar formas de desoneração fiscal e de promover a transferência de tecnologia de ponta para os empreendimentos menores, para que eles possam produzir e empregar mais.

Do mesmo modo, vamos adotar uma medida fiscal para favorecer individualmente o cidadão, sem afetar em nada as finanças do município: a isenção de ISS para os profissionais liberais autônomos. Neste caso específico, diminuindo a forte carga tributária que incide sobre alguns profissionais, como advogados, arquitetos, engenheiros e outros profissionais liberais.

É toda uma nova ação no campo da economia urbana que pretendemos implantar e desenvolver.

Com planos específicos de desenvolvimento para as zonas norte, sul e leste da cidade, descentralizando incentivos e investimentos.

Buscando, inclusive, reverter a lógica da concentração de empregos nas áreas centrais de São Paulo.

Vamos caminhar, enfim, para um novo patamar. Para o momento da ampliação sustentada de oportunidades. Numa cidade mais justa, mais solidária, mais saudável e mais segura.

Uma cidade que tenha de volta a sua Secretaria Municipal de Segurança Urbana. Uma cidade com uma política habitacional fundada no conceito de moradia digna. Uma cidade livre das pragas do preconceito e da discriminação, que reconheça na diversidade sua maior riqueza cultural e humana.

Para que tudo funcione, vamos recuperar a fluidez no trânsito e investir pesado no transporte de qualidade. Ampliar a estrutura viária. Ordenar o transporte de cargas. Construir terminais. Integrar a bicicleta ao sistema.

Menos lentidão no trânsito significa menos prejuízos econômicos. Significa mais saúde e menos poluição, temas fundamentais para nossas futuras ações de governo.

São Paulo vai ter novos hospitais e policlínicas. Vai ter um atendimento melhor na saúde, já a partir do compromisso de que todo cidadão ou cidadã que chegar a uma unidade da rede, será atendido nesse mesmo dia.

Não separamos saúde e meio ambiente. E é nosso objetivo fazer um governo à altura do alto grau de consciência ambiental, de sensibilidade ecológica, que hoje caracteriza nossa população. Um governo que amplie, defenda e cultive o patrimônio natural da cidade.

Vamos prosseguir com determinação e ousadia a revolução educacional que iniciamos com os CEUs. Vamos reintegrar educação, cultura, esporte e lazer. Projetando todas essas práticas no horizonte maior da inclusão social.

Vamos fazer um governo centrado em nosso presente urbano, social e econômico. Mas que saiba incorporar o passado ao presente. E, a este mesmo presente, incorpore, também, fragmentos de futuro.

Incorporar o passado ao presente com a retomada do programa de revitalização do centro. Com a recuperação e atualização do espaço inaugural da existência histórica paulistana, reafirmando sua força na dimensão simbólica de nossas vidas.

A revitalização e melhoria da qualidade de vida no centro passam, necessariamente, pela questão do trânsito e do transporte.

Nesse processo, vamos melhorar o trânsito no centro não com uma medida meramente paliativa e mesmo prejudicial, como o pedágio urbano, que cerceia o direito de ir e vir, onerando, principalmente, a classe média.

O que pretendemos é fazer uma articulação do sistema viário e dos corredores, evitando baldeações que transformam o centro em estação de transbordo.

É preciso criar alternativas que evitem que pessoas que se desloquem, por exemplo, da Zona Sul para Zona Norte tenham que passar, obrigatoriamente, pelo centro.

Dentro desta perspectiva de evitar sobrecargas de trafego em áreas estratégicas, é importante também construir uma avenida paralela à Marginal, na região de Santana, que evite que as pessoas que se deslocam da Zona Norte para Noroeste, tenham que passar pela Marginal.

Incorporar fragmentos de futuro, por sua vez, significa fazer de São Paulo, literalmente, uma cidade antenada. A primeira capital brasileira a socializar, para o conjunto da população, o acesso à internet banda larga. A começar pela instalação do equipamento necessário nas centenas de prédios municipais aqui existentes, entre CEUs e telecentros.

E, ainda, promovendo pesquisas de ponta que produzam conseqüências práticas, constituindo São Paulo em centro de excelência mundial no campo das tecnologias urbanas.

Para o êxito de todo esse projeto, para forjar uma nova realidade paulistana, será necessário repensar e reconfigurar o próprio governo. Aprofundar a intersetorialidade como concepção e método de gestão.

Pelo simples motivo de que a cidade e as questões urbanas não se apresentam segmentadas em setores, ou em secretarias, como a máquina municipal. Ninguém é cidadão da educação, cidadão da saúde ou cidadão da habitação – isoladamente.

A cidade requer ações feitas com energia – e em sinergia.

Além disso, vamos descentralizar o poder, devolvendo autonomia às subprefeituras. E criar mecanismos tanto informais quanto institucionais de participação, incorporando formas da democracia direta em nossa democracia representativa.

E tudo isso sem nunca deixar de pensar São Paulo em seu horizonte e contexto metropolitanos.

São Paulo como núcleo poderoso e luminoso de uma constelação de cidades que partilham problemas comuns. E que, também de comum acordo, devem construir soluções, desenhar perspectivas e abrir caminhos de futuro.

Para finalizar, lembro que cada uma dessas questões é contemplada no programa de governo que hoje trazemos à luz e oferecemos à apreciação de todos.

Programa que se configura como uma espécie de carta de navegação, explicitando o roteiro para a transformação social e urbana que nos dispomos a realizar em São Paulo, nos próximos quatro anos.

Este é o objetivo maior. Vamos engajar São Paulo na maré de mudanças que o presidente Lula está promovendo em todo o país.

São Paulo precisa entrar em campo, com toda a garra e o pioneirismo de nosso povo. Porque sua transformação é decisiva, fundamental, não apenas em si, mas também para aprofundar o processo de transformação nacional em curso.

Para que assim tenhamos dias melhores para o nosso país. Para a nossa cidade. E para a nossa gente.

Para que S. Paulo, tenha, enfim, uma Nova Atitude.

14/08/2008 - 10:21h Vergonha!

EDITORIAL JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO

As verbas do Samu

O Serviço de Atendimento Móvel de Emergência (Samu) da cidade de São Paulo deveria ter recebido investimentos de R$ 168,2 milhões desde 2005, mas, desse total, apenas R$ 16,7 milhões foram efetivamente utilizados. Há pouco mais de um ano, o Estado noticiou que pelo menos R$ 35 milhões das verbas destinadas pelo Ministério da Saúde para financiamento dos serviços de socorro urgente a doentes e vítimas de acidentes estavam aplicados no mercado financeiro, enquanto o atendimento de urgência de doentes e acidentados demorava três vezes mais do que o recomendado pelos organismos internacionais. Faltavam motoristas, médicos, enfermeiros e ambulâncias em bom estado de conservação, embora sobrasse dinheiro. A frota de ambulâncias era de 137 veículos, que atendiam, em média, a 800 casos por dia. O tempo de espera variava entre 30 e 40 minutos.

Há quatro meses, a Prefeitura anunciou redução de 50% no tempo de espera, apesar de o número de chamadas ter chegado a 1,4 milhão entre março de 2007 e março de 2008. Os atendimentos estariam sendo feitos em tempo médio de 18 minutos, graças, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, às melhorias na gestão interna do Samu (que teve cinco diretores em dois anos), à distribuição da frota de ambulâncias por 57 bases instaladas em diversas regiões do Município - no início de 2005, havia 34 bases na cidade - e à adoção de um modelo de manutenção preventiva, que reduzia a ocorrência de problemas mecânicos nos veículos.

Afirma o coordenador da Autarquia Hospitalar Municipal e do Samu, Paulo Kron, que o Samu “dobrou o número de médicos, de ambulâncias e de bases”. Não é o que se tem registrado na imprensa e nas notícias divulgadas no portal da própria Prefeitura. Há anos, o tamanho da frota do Samu é o mesmo e, segundo reportagem publicada no sábado pelo Estado, 1 em cada 5 veículos tem permanecido parado para manutenção. Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, pelo menos 30% das ambulâncias do serviço de atendimento de urgência estão sempre em manutenção.

Neste ano, o orçamento do Samu é praticamente três vezes maior do que nos anos anteriores. No entanto, dos R$ 92,9 milhões que deveriam ser investidos no serviço, apenas R$ 4 milhões foram gastos até o fim do primeiro semestre. Haveria, assim, dinheiro para substituir com veículos novos os que não têm condições de rodar - reduzindo-se, portanto, o tempo de atendimento.

Conforme a promotora Ana Trotta, responsável por uma investigação do serviço de atendimento de urgência aberta pelo Ministério Público Estadual, há ainda falta de médicos e problemas na triagem e classificação dos casos - e, com isso, deixa-se de dar prioridade aos casos de maior gravidade e de conduzir as pessoas atendidas às unidades de saúde mais próximas e que tenham vagas disponíveis.

A Secretaria Municipal de Saúde faz cálculos diferentes e assegura que já investiu R$ 32 milhões no serviço. Mas essa quantia considera as verbas empenhadas, ou seja, aquelas que se pretende gastar no futuro. O fato é que há uma distância muito grande entre o orçado e o executado e não há uma explicação plausível para que se faça uma “poupança” com os recursos do Samu, que se destinam especificamente a um serviço que salva vidas.

O Samu é o principal instrumento da Política Nacional de Atenção às Urgências e foi planejado com o objetivo de reduzir o número de mortes, as seqüelas decorrentes da falta de socorro e o tempo de internação nos hospitais. Em 2003, o governo federal anunciou investimentos de R$ 193 milhões nos serviços de atendimento móvel e São Paulo foi uma das 283 cidades beneficiadas.

De lá para cá, os recursos para o Samu só aumentaram, mas durante toda a administração Serra/Kassab o uso efetivo das verbas nunca chegou a um terço do que foi repassado pelo Ministério da Saúde. É injustificável deixar de aplicar as verbas disponíveis num serviço essencial para São Paulo, onde as centrais 192 (Samu) e 193 (Corpo de Bombeiros) recebem 10,5 mil pedidos de socorro por dia.

Aqui no Blog 

09/08/2008 - 13:54h

DEM-PSDB: durante 4 anos o dinheiro do SAMU quase não foi usado e ficou no banco ou na publicidade

09/08/2008 - 10:32h

Uma em cada cinco ambulâncias do Samu em São Paulo está parada

09/08/2008 - 10:24h

Ano após ano, com Kassab a mesma história

07/07/2008 - 16:01h

Datafolha: 53% consideram os demo-tucanos “ruim e péssimo” na Saúde. Saiba porque?

20/06/2008 - 11:33h

Prefeitura SP mostra descaso com a saúde e joga dinheiro fora

26/05/2008 - 10:22h

A saúde em São Paulo continua doente

29/03/2008 - 05:20h

‘Bandeira’ de Kassab, AMAs se multiplicam reduzindo espaço de postos já existentes

10/08/2008 - 13:31h Saúde da Família reduz internação

Pesquisa aponta queda maior de atendimentos hospitalares em cidades cobertas pelo programa

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Lígia Formenti - O Estado de São Paulo

Dados preliminares de uma pesquisa feita pela Universidade Federal da Bahia em parceria com a Universidade Federal de Minas indicam uma estreita relação entre o Programa de Saúde da Família (PSF) e a redução de internações de doenças como pneumonia, asma e diarréia.

Foram comparados dados hospitalares de todos os Estados, entre 1999 e 2006, com o atendimento do PSF. “O estudo indica um padrão: quanto mais bem estruturado for o programa, maior a redução das internações por essas doenças”, contou a diretora do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde, Claunara Mendonça.

No período analisado, a taxa anual de internação por insuficiência cardíaca de pessoas com mais de 40 anos, por exemplo, sofreu uma redução de 5,42% em municípios com 70% de cobertura do PSF. Em cidades onde a cobertura é menor que 20%, a redução também foi registrada, mas num porcentual menor: 1,95%.

Na região Centro-Oeste, onde a cobertura do PSF passou de 2% em 2001 para 45% em 2006, a proporção de internações por asma também caiu. Em 1998, de cada 100 mil habitantes, 140 eram internados anualmente por crises provocadas pela doença. Em 2006, a taxa foi de 60 a cada 100 mil.

A pesquisa, que deverá ser concluída nos próximos meses, é citada por Claunara como exemplo do impacto positivo do PSF, que completa 15 anos e conta atualmente com 28.452 equipes.

“Cerca de 85% dos problemas mais comuns de saúde podem ser resolvidos com atenção básica”, garante. Claunara admite, porém, que há ainda pontos a serem melhorados. “Uma das maiores preocupações é com a qualidade dos profissionais de nível superior que integram as equipes”, afirma. “Boa parte dos médicos foram formados para curar doenças, não preveni-las, que é o objetivo principal do programa.”

VALORIZAÇÃO

Para tentar reduzir essa carência, os Ministérios da Saúde e da Educação preparam um edital para bolsas de graduação, previsto no Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde. Pela proposta, alunos passariam um período no PSF, sob orientação de seus professores. Os médicos do PSF seriam considerados instrutores e também seriam remunerados pela orientação.

Além da mudança na formação, avalia Claunara, é preciso valorizar mais profissionais que trabalham com saúde coletiva e preventiva. “Enquanto essa área não for valorizada, dificilmente um aluno escolherá fazer especialização em saúde coletiva, preventiva.”

O ministério estuda, também, mecanismos para incentivar os municípios a formar suas equipes do PSF com “padrão-ouro”, como são chamados os grupos integrados por profissionais especialistas em saúde coletiva.

09/08/2008 - 10:32h Uma em cada cinco ambulâncias do Samu em São Paulo está parada

Motoristas dizem que outros carros também precisariam de reparos; MPE investiga os problemas no sistema

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Vitor Sorano - O Estado de São Paulo

Enquanto São Paulo tenta reduzir o tempo médio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de 16 para 10 minutos na cidade, como recomendado pelas organizações internacionais, uma em cada cinco ambulâncias do órgão fica parada em uma oficina na Rua do Glicério, no centro da capital paulista. E desde 2005 as verbas destinadas ao serviço vêm sobrando no orçamento.

Na tarde de segunda-feira, uma ambulância demorou aproximadamente 7 minutos apenas para sair da base Jova Rural, no Jaçanã (zona norte), para atender a uma ocorrência de queda em escola com suspeita de fratura. Além do trânsito complicado e das grandes distâncias a serem percorridas, a falta de ambulâncias pode ser um dos fatores para a demora. A frota paulistana está dentro do recomendado pelo Ministério da Saúde, mas a Secretaria Municipal de Saúde informou no início da semana que trabalha com uma margem de ao menos 10% da frota em uma possível manutenção - ontem, mudou essa margem para 30%.

Só na oficina do Glicério a reportagem contou ao menos 27 ambulâncias - o Município tem oficialmente 137. Mas, segundo funcionários do Samu, mesmo as ambulâncias que estão em circulação apresentam problemas. “Se fosse pensar bem, essas três teriam de ir para a manutenção”, disse um motorista, sobre os veículos que atendem em uma base da zona norte.

A promotora Ana Trotta, responsável por uma investigação aberta pelo Ministério Público Estadual (MPE), aponta outras deficiências na área. “Há defasagem de médicos e problemas na triagem para deter as informações das vagas nos hospitais.” Um inquérito do MPE acompanha os serviços do Samu desde a fundação. No dia 19, o Comitê Municipal de Atenção às Urgências também apresentará um relatório da situação do sistema à promotoria.

A tradutora Cristiane Zagallo conta que desistiu de esperar a ambulância quando seu marido teve um mal súbito, em maio. “Como não enviaram o carro fui ao hospital de táxi”, diz. A Secretaria de Saúde afirma que o Samu ligou de volta para confirmar, mas Cristiane nega ter existido o contato.

Seis minutos de diferença para atendimento de urgência podem valer a garantia de que um acidentado não terá seqüelas graves ou mesmo que não morra, segundo a Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado (Sbait), que recomenda espera de no máximo dez minutos para o socorro em casos de acidentes. “Não são aceitáveis períodos maiores”, diz Antonio Onimaru, do Samu de Osasco.

SP só investe 4% do que orçou para o Samu

Dados oficiais mostram que Prefeitura destinou mais verba a publicidade do que ao serviço; secretaria nega

VITOR SORIANO

O orçamento municipal do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) previsto para 2008 é de R$ 92,9 milhões. Mas até junho apenas R$ 4 milhões (4%) haviam sido comprometidos com o pagamento de serviços ou compras efetuadas. Em equipamentos e material permanente, nada dos R$ 950 mil orçados inicialmente havia sido liquidado. O valor foi reduzido para R$ 800 mil em maio. Na gestão Serra-Kassab, a liquidação das verbas do Samu nunca chegou a um terço do que foi disponibilizado em cada ano. Em 3,5 anos da gestão, foram liquidados R$ 16,7 milhões das verbas destinadas diretamente ao Samu. A título de comparação, a publicidade oficial consumiu R$ 25,8 milhões só neste ano, conforme dados da Secretaria Municipal do Planejamento.

Os valores orçados são o que a Prefeitura e a Câmara acordam em destinar para um determinado setor da administração. Quando um serviço é executado, ou uma compra é feita, o dinheiro é liquidado. Ou seja, está comprometido com um pagamento. De 2005 até junho deste ano, só estão nessa condição R$ 16,7 milhões.

Em 2005, o orçamento do Samu era de R$ 24,7 milhões. O então prefeito Serra liquidou 6,7% disso, ou R$ 1,7 milhão. Além disso, R$ 9,7 milhões foram remanejados para outras áreas da administração. Foi o ano em que, proporcionalmente, o Samu teve a menor parcela de suas verbas aplicadas.

RESPOSTAS

A Secretaria Municipal da Saúde, porém, faz um cálculo diferente e diz ter investido R$ 32 milhões, por considerar verbas empenhadas (destinadas para o setor, conforme publicação oficial). A Prefeitura afirma ainda que investiu tudo o que destinou para essa área - sem contar verbas federais, que são para custeio. “O nosso Samu também dobrou o número de ambulâncias, dobrou o número de médicos, dobrou o número de bases”, defendeu o coordenador da Autarquia Hospitalar Municipal e do Samu, Paulo Kron. Segundo ele, todas as verbas destinadas ao Samu em 2008 serão usadas.

09/08/2008 - 08:09h Anvisa dá alerta sobre bactéria hospitalar

Para a agência, país vive epidemia de infecção por micobactéria; médicos sugerem adiar intervenção que não seja urgente

Desde 2003, foram registrados 2.102 casos em 14 Estados; doença afeta cicatrização de feridas e causa perda de tecidos

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CLÁUDIA COLLUCCI - Folha de São Paulo

DA REPORTAGEM LOCAL

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) disse ontem que o país vive uma “emergência epidemiológica” causada por uma bactéria presente em equipamentos de cirurgia -chamada micobactéria. Há ao menos duas hipóteses para explicar os surtos dessas infecções: sujeira dos aparelhos e resistência da bactéria aos produtos de esterilização.

Nos últimos cinco anos, a micobactéria, uma “prima” da tuberculose, fez 2.102 vítimas em 14 Estados brasileiros, a maioria em hospitais privados. Em São Paulo, foram notificados 43 casos -os últimos em 2004. Neste ano, houve 76 novas ocorrências no Distrito Federal, em Goiás e no Rio Grande do Sul. Duas mortes estão sob investigação no Paraná.

Em razão dessas infecções, que causam perdas de tecidos, nódulos e feridas que não cicatrizam, o governo do Espírito Santo decidiu na última terça suspender as lipoaspirações.

Os infectologistas classificam a situação como “grave” e orientam que as pessoas adiem cirurgias eletivas (que podem esperar), como lipoaspiração e implantes de silicone, até que a situação esteja sob controle.

“A nota da Anvisa é positiva porque alerta as pessoas que vão fazer uma cirurgia que não tenha emergência e que possa ser postergada para que aguardem um tempo até a normalização da situação”, diz a infectologista do hospital Sírio Libanês Beatriz Souza Dias.

O infectologista David Uip também avalia que as pessoas devam adiar cirurgias que não tenham urgência. Ele reforça que os órgãos de vigilância precisam explicar as razões que levaram o país a registrar esse alto número de infecções que, na sua avaliação, seriam evitáveis se houvesse um mecanismo de controle eficaz. “Esse é um processo complicado, que envolve perdas e é prolongado.”

Segundo a Anvisa, as infecções estão “fortemente relacionadas às falhas nos processos de limpeza, desinfecção e esterilização de produtos médicos”.

Na maioria dos serviços de saúde investigados pela agência, os instrumentos cirúrgicos foram submetidos somente ao processo de desinfecção, e não à esterilização, como é preconizado na legislação para a eliminação da bactéria.

Ontem, a Anvisa sugeriu, como medida cautelar, que os hospitais deixem de usar um dos produtos mais empregados na esterilização de equipamentos, o Glutaraldeído a 2%.

Resultados preliminares de um estudo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) mostraram que uma das cepas da bactéria -M. massiliense- envolvida nos surtos apresentou resistência ao produto mesmo após dez horas de exposição. O produto foi eficaz para combater outras duas cepas.

A orientação da Anvisa é que a esterilização seja feita com outros produtos. Para a agência, as infecções pela micobactéria são uma “doença emergente”, que “não tem registro aqui e nem em outros países”.

Outra medida estudada pela Anvisa é limitar o número de videocirurgias (que usam cânulas e câmeras que adentram o corpo do paciente por meio de buracos na pele) feitas por dia em hospitais e clínicas. A medida seria para garantir que haja tempo suficiente para que os equipamentos cirúrgicos sejam adequadamente esterilizados.

EFEITOS

VÍTIMAS TÊM DE FAZER NOVAS CIRURGIAS PARA CORRIGIR CICATRIZES

Muitas vítimas da micobactéria estão tendo de fazer novas cirurgias para retirar tecidos atingidos ou para corrigir cicatrizes, segundo associações de pacientes. Elas também sofrem com os efeitos colaterais do coquetel de antibióticos. Há casos em que a terapia fracassou e outros em que as vítimas correm risco de amputação de membros, especialmente as que tiveram infecções ósseas. Os sintomas da infecção podem surgir até dois anos após a cirurgia. O Ministério da Saúde fornece os remédios usados contra a infecção.

08/08/2008 - 13:50h Na classe média, grande é a demanda

VALOR

A eleição de outubro é a primeira da história brasileira em que a classe média é maioria. A constatação da Fundação Getúlio Vargas traz mais motivos de preocupação do que de regozijo para os candidatos à prefeitura das grandes cidades.

Ascender à classe média, que, na definição da FGV, equivale a um padrão de consumo familiar entre R$ 1 e R$ 4,5 mil, também significa demandar por mais serviços públicos que, em grande parte, são prestados pelas prefeituras. O acesso a bens de consumo antes intangíveis, como celular e computador, pode ajudar a explicar a popularidade do presidente da República, mas não elege prefeito algum.

Um dos melhores profissionais de pesquisa de opinião do país, no ramo há 40 anos, tem aplicado dois tipos de questionários Brasil afora sobre intenção de voto. Num, lista os candidatos e pergunta em quem o eleitor vai votar. Noutro, além da lista, acrescenta que o candidato tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A explicitação do apoio não acrescenta mais do que dois pontos percentuais aos candidatos lulistas.

O termômetro para o humor do eleitor funciona melhor nos pontos de ônibus e nas plataformas de trens. A pesquisa é clara. Essa migração para a classe média decorre de emprego formalizado. As políticas de transferência de renda continuam com forte impacto sobre a redução da miséria mas os recordes sucessivos na geração de renda do trabalho já rivalizam há anos como fator de migração social.

Mais gente trabalhando também significa mais demanda por transporte público. Tome-se, por exemplo, Belo Horizonte, cidade em que a FGV traz como aquela que, proporcionalmente, teve maior redução de miséria e o maior ingresso de pessoas na classe média. Entre maio e junho deste ano, o metrô de BH registrou três recordes consecutivos de embarque de passageiros. Em toda parte, o nível de satisfação dos usuários de transporte público compreensivelmente cai quando aumenta a lotação.

Aumenta pressão sobre candidatos

No latifúndio de tempo de TV de que disporá (40% do total), o candidato do PSB, Márcio Lacerda, precisará convencer o eleitor de que tem planos exeqüíveis para adequar o transporte público da capital mineira a este afluxo de novos usuários, para não fazer a trinca mais poderosa de apoio que alguém possa desejar - Lula, o governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito Fernando Pimentel (PT) - passar vexame.

O emprego de carteira assinada também expande o ideário de ascensão social que, sem educação de melhor qualidade, não tem como se realizar. O aumento da classe média também tem sido acompanhado pela expansão das matrículas na rede oficial. E é um fenômeno anterior à adoção de cotas nas universidades para alunos egressos de escolas públicas.

No Rio de Janeiro, por exemplo, entre 1994 e 2005, as escolas públicas de ensino médio triplicaram o número de matrículas enquanto que as particulares perderam 7% de seus estudantes. Com a universalização da matrícula, o foco agora é a qualidade de ensino.

Uma das muitas tragédias do domínio das milícias na campanha eleitoral carioca é que temas como a evasão escolar, a progressão continuada (passar o aluno de ano automaticamente), o salário dos professores, ficam em segundo plano. O que não significa que quem quiser enrolar o leitor se dará bem.

Em São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) já demonstrou no primeiro debate de TV que está atento para a necessidade de sair da arapuca em que está metido por não ter conseguido atingir nenhuma das metas a que se propôs para a educação quando esteve no Palácio dos Bandeirantes.

Os governadores devem mesmo conspirar em silêncio contra o piso nacional dos professores (R$ 950) aprovado pelo Congresso Nacional se não quiserem jogar areia na campanha de seus candidatos.

O impacto menos claro dessa maioria eleitoral de classe média sobre a discussão das políticas públicas é na saúde. A clientela da nova classe média é a que tem garantido a proliferação de planos de saúde de baixo custo. As rarefeitas garantias que costumam estar associadas a esses planos mantêm sob pressão a rede pública de hospitais e inflacionam as insatisfações do eleitorado com os serviços que lhe são de direito.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

mcristina.fernandes@valor.com.br

15/07/2008 - 22:47h Contribuição de Marta Suplicy sobre saúde no seminário do PT

O Seminário do PT contou com a participação (de esq. a direita) de Gonzalo Vecina e Cláudio Lottemberg, Secretários Municipais de Saúde de Marta Suplicy e José Serra, respectivamente, com Marta Suplicy. Na foto junto com o vereador José Américo e o coordenador do programa de Marta, Jorge Wilhem

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Minhas amigas, meus amigos…

Quero agradecer a presença de Cláudio Lottemberg, presidente do Hospital Albert Einstein, e de Gonzalo Vecina, que foi meu secretário da Saúde e hoje é superintendente do Hospital Sírio-Libanês.
Quero agradecer, também, a presença de todos vocês – deputados, vereadores, profissionais da saúde, lideranças comunitárias, militantes do PT.
Vamos dar início, hoje, ao debate de mais um tema do seminário “São Paulo: Novos Caminhos”. Vamos falar de saúde.

(more…)

04/07/2008 - 10:30h Doenças atingem crianças mais pobres

No Norte e no Nordeste, diarréia é causa comum de internações e mortes

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BRASÍLIA. A Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) mostra como a saúde das crianças continua a ser um alvo preferencial da pobreza.

De acordo com o estudo, os menores de 5 anos que moram nas regiões mais pobres do país sofrem mais de diarréia, um sintoma típico de má alimentação, falta de saneamento e consumo de água contaminada. Nos casos mais graves, a diarréia pode levar à morte por desidratação. No Norte, 27,7% das crianças tiveram a doença nos três meses anteriores à visita dos pesquisadores.

No Sudeste, o percentual cai para 18,7%.

Entre as crianças que foram internadas em hospitais no mesmo período, a diarréia foi responsável por 36,4% dos casos no Norte, contra apenas 7,4% no Sudeste. “Sabese que a diarréia ainda é considerada um importante problema de saúde pública e, em algumas regiões e segmentos populacionais, permanece como causa comum de internação e mortes infantis”, diz o capítulo do estudo dedicado à saúde das crianças, escrito pelas pesquisadoras Estela Pinto da Cunha e Raquel Eichman Jakob.

No Nordeste, 94,9% buscam atendimento na rede pública A pesquisa também mostra que as mães das regiões mais pobres dependem mais do atendimento na rede pública de saúde. No Nordeste, 94,9% das mulheres que buscaram atendimento para crianças com diarréia bateram na porta de hospitais ou postos médicos do Sistema Único de Saúde (SUS), e só 3,7% buscaram a rede privada. No Sul, a taxa de atendimento em consultórios e hospitais privados foi dez vezes maior: 37,4%, contra 62,6% na rede do SUS.

Ao examinar os números da mortalidade infantil, as pesquisadoras concluíram que a escolaridade das mães está diretamente ligada à possibilidade de morte das crianças.

Segundo o estudo, no caso das mães que não completaram quatro anos de estudo, o risco de morte de seus filhos é 46% superior ao daquelas que superaram os oito anos de instrução, e 40% mais elevado entre aquelas com 4 a 7 anos de estudo (ensino fundamental incompleto). “Fica evidente a importância deste fator social como condicionante decisivo do fenômeno”, diz o relatório.

De acordo com o estudo, as crianças filhas de mães negras ainda estão mais sujeitas à morte antes de completar 12 meses de vida. “As crianças menores de 1 ano cujas mães declararam ser negras apresentam uma situação de desvantagem em relação às brancas, com um nível de mortalidade infantil 25% mais elevado”, afirmam as pesquisadoras.

29/06/2008 - 10:28h “Todos os brasileiros estão numa situação melhor, especialmente os mais pobres”

Novamente em campanha para uma disputa acirrada
 

Daniel Bramatti e Clarissa Oliveira do jornal O Estado de São Paulo fizeram uma excelente entrevista de Marta Suplicy.

A sra. concorda com a avaliação de que o trânsito será questão central da campanha? Como enfrentar o problema?

Acho que esse governo executou muito pouco em relação à saúde e à educação. Mas o trânsito deve provocar um debate mais acirrado, porque é disso que as pessoas estão reclamando. Fizemos 100 quilômetros de corredores e deixamos 200 quilômetros programados. Foram feitos só 7,5. A curto prazo, é preciso recuperar a capacidade de gestão da CET, que está sucateada. O segundo ponto são os corredores. Isso demora um ano e meio para fazer. E a longo prazo é investir em metrô, pois hoje há recurso para fazer.

Por que só agora?

Em 2003, quando poderíamos ter investido na linha 4, não tinha projeto. Nós governamos com poucos recursos. Quando entrei, eram R$ 9 bilhões (Orçamento municipal). Em 2005, eram R$ 15 bilhões, e hoje são R$ 21 bilhões. Os tucanos estão no poder há 16 anos, não podem dizer que o metrô não anda por causa da prefeitura.

Como o presidente Lula participará da campanha?

O presidente só não é unanimidade hoje porque isso não existe em política. Ele desfruta de um prestígio enorme graças à gestão econômica. Todos os brasileiros estão numa situação melhor, principalmente os mais pobres. A presença dele será muito positiva.

Seu mapa de votação em 2004 mostra um apoio maior na periferia e uma resistência muito forte nas áreas mais nobres. Por que essa rejeição ao PT ou ao seu nome na classe média?

Houve muitas campanhas amedrontadoras em relação ao PT que depois se mostraram absolutamente infundadas. O presidente Lula cumpriu todos os contratos, ao contrário do que fez Serra na prefeitura. Um preconceito de classe ainda existe contra o PT. O governo que eu fiz adicionou algo a isso. Fiz um governo de inclusão social. Vários setores, principalmente a classe média que vive de um salário mais contado, perceberam que tinham de fazer um esforço gigantesco para colocar seu filho num colégio particular que não chegava aos pés de um CEU, que era feito para os mais pobres. Para muitas pessoas foi visto como se (a prefeitura) estivesse tirando delas. Pensavam: “Eu me mato para pagar o balé para a minha filha, ou a aula de violino para o meu filho, e meu imposto está indo para essas pessoas que provavelmente nem pagam nada e estão tendo acesso a bens e a luxos de que não precisam.” Muitos se engajaram nessa campanha. O próprio PSDB, que, depois, devido à pressão da população beneficiada, teve de voltar atrás e continuar o projeto dos CEUs. Eles poderiam ter inaugurado os novos CEUs com um ano e meio de governo, porque as obras estavam contratadas.

Houve resistências?

Houve, eles não queriam fazer. Mas o importante é recuperar o conceito de CEU. O conceito de que uma criança pobre não tem de ter acesso só a aulas de matemática e português. Ela precisa de uma janela para algo que na sua vivência familiar é impossível, teatro, instrumento musical, filme, clube. A idéia é que todas as crianças possam ter isso.

Qual a sua avaliação do projeto Cidade Limpa?

Acho um bom projeto e nós vamos continuar, talvez ouvindo mais os pequenos comerciantes, que se sentiram prejudicados, vendo como podemos ajudá-los a recuperar as fachadas que ficaram deterioradas com a retirada de painéis.

O PMDB diz que não fez aliança com o PT porque o partido teria sido incapaz de oferecer garantias para um acordo. Mesmo a aliança com tradicionais aliados demorou para ser fechada. Houve erros?

Não creio. Estamos com os aliados que deveríamos ter. São os partidos de esquerda, que têm uma proposta programática mais afim. E a conversa com Aldo Rebelo (candidato a vice-prefeito) foi extremamente positiva. É uma pessoa que acrescenta em termos de competência, experiência, por sua bagagem e sua origem, ele é do Nordeste. Está bom demais do jeito que acabou saindo.

Dentro do próprio PT há pessoas que dizem que a sra. poderia sair da prefeitura em 2010 para se candidatar a governadora. Há possibilidade de isso acontecer?

Não cogito nada nessa direção. Resolvi ser candidata para consolidar políticas públicas. Recebemos 12 hospitais sem aparelhos. A saúde era um deserto, uma coisa muito difícil recuperar. Nós começamos a reconstruir e deixamos tudo pronto para o passo seguinte. Íamos fazer os centros de especialidades, o que esse governo não aproveitou. O gargalo que nós deixamos é exatamente o que hoje continua: a pessoa demora dois anos para marcar um exame, oito meses para marcar outro… Se tivesse havido continuidade no transporte, teríamos 200 quilômetros de corredores. Na educação teríamos feito os CEUs em um ano e meio. É muito duro ter um governo de quatro anos. Quando decidi ser candidata, pensei: vou ser por quatro anos e vou tentar ficar oito. Porque aí eu consolido, deixo na cidade uma marca que fica.

Dois flancos que seus adversários tendem a explorar: aumento de impostos e a declaração do “relaxa e goza”, da qual a sra. já se desculpou. Existe o temor de que isso seja usado na campanha?

Tudo pode ser usado. Pode ser usado contra o Alckmin que caiu o metrô que ele construiu, que o Kassab chamou de vagabundo (um manifestante contra o projeto Cidade Limpa). Mas não sei o que isso acrescenta para a avaliação do eleitor. Não espero que eles usem, nem pretendo usar. Em relação a impostos, reconheço que a mão pesou quando se quis fazer muita coisa ao mesmo tempo. Houve reavaliação da planta genérica, IPTU progressivo e as taxas. Muitos foram isentos do IPTU, mas para outros pesou. Hoje eu não faria do mesmo jeito.

Há espaço para cortar impostos?

Acho que sim, já pedi para estudar. Isso seria importante.

Qual a sua posição em relação a aborto, pena de morte e casamento gay?

Ninguém pode ser a favor do aborto como método, mas não se pode ignorar o grave problema de saúde pública dos abortos clandestinos. Sou a favor da aplicação da lei que já garante assistência às mulheres e à ampliação em alguns casos, como, por exemplo, de anencefalia. Sou contra a pena de morte e a favor da parceria civil de homossexuais, como já tem sido reconhecida em sentenças judiciais.

20/06/2008 - 11:33h Prefeitura SP mostra descaso com a saúde e joga dinheiro fora

TCM vê falhas em contrato de R$ 108 mi feito pela prefeitura

Tribunal de Contas do Município aponta irregularidades em contrato de serviço de ressonância magnética que não funciona

Serviço foi contratado há dois anos e três meses na gestão Serra, mas até agora Kassab não construiu setor para o equipamento funcionar

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CONRADO CORSALETTE - FOLHA DE SÃO PAULO

DA REPORTAGEM LOCAL

A Prefeitura de São Paulo assinou em março de 2006 contrato para a instalação de um aparelho de ressonância magnética, o primeiro da rede municipal, no hospital de Campo Limpo, na zona sul. Pelo acordo, isso deveria ocorrer até o início de 2007. O aparelho, porém, ainda está num depósito: a gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) não fez as obras necessárias para instalá-lo.

O caso serviu de base para que o TCM (Tribunal de Contas do Município) considerasse irregular o contrato da prefeitura com a empresa, a Amplus.

O contrato prevê o pagamento de cerca de R$ 108 milhões por serviços de diagnóstico por imagem (ressonância, tomografia, raio-X, ultra-som, entre outros) em hospitais e postos de saúde da rede municipal, por 36 meses. Além dos equipamentos, a contratada precisa fornecer funcionários.

Dois anos e três meses após o início do contrato, assinado na época em que José Serra (PSDB) era prefeito, a Secretaria Municipal da Saúde trabalha com um novo prazo para que o aparelho funcione em Campo Limpo: 30 de setembro. As obras para adequar o hospital, que devem custar cerca de R$ 500 mil, não começaram.

O exame de ressonância magnética é um dos mais eficazes no diagnóstico de doenças, principalmente as do sistema nervoso. Por mês, cerca de 6.500 pacientes atendidos na rede municipal precisam realizá-lo. Como nenhum hospital da prefeitura tem o equipamento, eles são encaminhados para a rede estadual ou para outras unidades conveniadas ao Sistema Único de Saúde.
A secretaria afirma que a Amplus também realiza tais exames em seus laboratórios para atender à demanda -cerca de 850 dos 6.500 mensais.

A pasta sustenta que não há prejuízos à população pela não-instalação. A empresa, que comprou o equipamento por cerca de US$ 130 mil (cerca de R$ 208 mil), diz que ele está guardado de forma adequada.


Outras irregularidades

O TCM apontou outras irregularidades. A primeira delas é a forma pela qual a empresa foi escolhida. Por maioria, os conselheiros consideraram que o pregão, em que os empresários dão lances para ver quem cobra menos, não deveria ter sido usado num contrato de valor tão grande, superior a R$ 100 milhões. Em casos assim, avaliaram, é necessário uma concorrência pública, processo mais complexo de licitação.

Em auditorias feitas de janeiro a fevereiro do ano passado, os técnicos do tribunal constataram que não havia distinção entre os serviços prestados por funcionários da prefeitura e pelos contratados da empresa para atuar nos hospitais e nos postos de saúde. O manual de procedimentos, previsto em contrato, não existia.

A informatização do sistema, que permitiria a um médico de um hospital consultar, por exemplo, o resultado de uma tomografia feita por um paciente em outra unidade, estava apenas parcialmente em funcionamento na época.

O tribunal ainda considerou brandas demais as penalidades previstas em contrato, sugerindo que a empresa poderia estar sendo beneficiada no acordo.
Depois da sessão do dia 11 deste mês, em que as irregularidades foram apontadas, o tribunal decidiu realizar novas auditorias no contrato. A decisão final do órgão deve ser divulgada nas próximas semanas.

27/05/2008 - 15:50h Machismo faz mal a saúde… do homem

SAÚDE
Contra o machismo


Governo federal prepara política específica para doenças masculinas. Especialistas apontam preconceito e falta de tempo como os principais fatores alegados para que os homens não adotem medidas de prevenção

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Hércules Barros - Correio Braziliense

Os últimos meses não têm sido fáceis para o taxista Hélio da Silva Barbosa (na arte ao lado), 40 anos. Complicações por conta de uma pedra na vesícula no final do ano obrigaram o morador da Estrutural a ir ao hospital com uma freqüência nunca praticada. A dolorosa experiência resultou em duas cirurgias, três meses de internação e uma lição: “Mais vale a pena perder um dia de serviço para cuidar da saúde do que deixar para procurar o médico só quando a situação piora”, avaliou Hélio.

Ao ser questionado sobre a última vez em que conferiu os níveis de colesterol e glicose, respondeu com naturalidade. “Não faz tanto tempo assim. Foi aos 21 anos, quando eu estava no Exército”, disse. O primeiro e último exame de toque de próstata foi há 17 anos e por acaso, quando procurou um urologista porque estava com hemorróidas. O histórico de falta de prevenção se repete com o irmão do taxista, Lélio Barbosa, 41 anos, e o pai, Luís Fernandes Barbosa, 68, que nunca consultaram um especialista.

No Brasil, 38 milhões de homens entre 25 e 59 anos são como os familiares de Hélio: deixam para procurar o médico somente quando já não agüentam mais. Essa população corresponde ao grosso da faixa etária produtiva do país e representa toda a população da Argentina. Para tentar reverter o quadro, o Ministério da Saúde ouve representantes das áreas de urologia, cardiologia, psiquiatria, gastrologia e pneumologia — especialidades que concentram 72% das doenças mais comuns na população masculina.

O ministério espera receber sugestões de quem está na ponta. “Eles é que vão dizer quais são as necessidades para que a gente possa fazer uma política nacional de atenção à saúde do homem”, ressalta o médico e antropólogo Ricardo Cavalcanti, coordenador do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas da Área Técnica da Saúde do Homem. A medida está prevista para ser lançada em agosto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Se ele não tem tempo de ir ao médico, a gente tem que procurar agir por meio do serviço médico da empresa, nos sindicatos, nas Forças Armadas”, observa.


A distância do preconceito

De acordo com Cavalcanti, falta de tempo e machismo são apontados pelos especialistas como os principais motivos que distanciam a população masculina dos médicos. “Se você disser que vai ser um centro de referência para a saúde do homem, nenhum deles vai. Mas se você fizer a mesma coisa chamando isso de centro para check-up, a palavra vai ter um efeito bem diferente”, ensina. Cavalcanti adiantou que a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) fez uma solicitação para montar o primeiro pólo de atendimento que sirva de modelo para o país. “Eles vão dar o cardiologista, urologista, eletrocardiograma e esteira”, adiantou.

Com a colaboração das universidades, o ministério acredita ser provável que instituições sindicais e até hospitais das Forças Armadas, que já têm atendimento nessas áreas, invistam na especialização. “Qual é o presidente de sindicato que não vai abraçar uma coisa dessas?”, diz.

O encontro com a área de gastroenterologia está marcado para os dias 30 e 31 (sexta-feira e sábado) e com a pneumologia no primeiro fim de semana de junho, mas algumas ações que devem fazer parte da nova política já estão definidas. Segundo Cavalcanti, investir em profissionais do sexo masculino no atendimento aos homens é uma delas. “Qual é o homem que quer deixar o médico fazer um exame de próstata na frente de uma atendente?”, exemplifica. Cavalcanti também adiantou que a pneumologia e a urologia já se prontificaram a dar cursos para os profissionais do Programa Saúde da Família.

Sem recursos

Representante do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) nas discussões, o médico Antônio Carlos de Oliveira acredita que, mesmo com o treinamento, vai demorar para as equipes da Saúde da Família colocarem em prática uma política de atenção à saúde do homem. “Envolve um montante de recursos que os municípios não dispõem”, observa Oliveira, ao lembrar que a Saúde não conta mais com os cerca de R$ 40 bilhões da CPMF. “Se nós otimizarmos as medidas preventivas, a gente diminui as internações e também os gastos gerados por um paciente internado”, rebate Cavalcanti.

No encontro com os cardiologistas, realizado na semana passada, os especialistas pontuaram a necessidade de investimentos em prevenção contra colesterol alto, obesidade e hipertensão. “AVC (acidente vascular cerebral) e infarto do miocárdio são as duas principais causas de mortes de homens nas cidades de médio porte. Tudo por conta de hipertensão não controlada”, destaca o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Antônio Palandri Chagas.

Ele acredita que a troca de informações entre as áreas e o ministério vai ser fundamental para que a política de atenção ao homem supere a perda da CPMF. “Demora-se muito tempo para criar posicionamentos que influenciem a sociedade. Sem ações estruturadas nas causas das doenças, como tabagismo e alcoolismo, não atingiremos os objetivos da política da saúde do homem”, acrescenta.


“Se você disser que vai ser um centro de referência para a saúde do homem, nenhum deles vai. Mas se você fizer a mesma coisa chamando isso de centro para check-up, a palavra vai ter um efeito bem diferente”. Ricardo Cavalcanti, coordenador do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas da Área Técnica da Saúde do Homem


Preocupações recorrentes

Os dois primeiros encontros para discutir a saúde do homem foram realizados há duas semanas, tratando das áreas de urologia e de psiquiatria. As doenças mais freqüentes ligadas à psiquiatria estão relacionadas a causas externas — conseqüências de acidentes de trânsito e agressões decorrentes de violência, geralmente provocadas por alcoolismo e uso de drogas. “Aqui não há que se combater bactérias nem doença infecciosa. Isso é campo que exige interface com o Ministério da Justiça e o Detran (Departamento de Trânsito)”, afirmou Ricardo Cavalcanti, coordenador do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas da Área Técnica da Saúde do Homem do Ministério da Saúde.

No caso da urologia, a preocupação maior é o câncer de próstata, mas os urologistas destacaram casos como o do Maranhão, onde é muito mais freqüente o câncer de pênis. “É quase uma média de 5 casos (de pênis) para 1 (de próstata)”, ressaltou Cavalcanti. Para o coordenador, a surpresa maior no encontro com os urologistas foi saber que um médico dá o diagnóstico de câncer de próstata e o paciente fica sem ser internado porque os hospitais fixam um teto de internação para as diferentes especialidades como forma de driblar a superlotação. “Isso é um absurdo. A gente não pode deixar uma pessoa com câncer de próstata esperando um ano. Câncer é emergência médica em qualquer parte do mundo”, esbravejou.

Cavalcanti afirmou que o Sistema Único de Saúde gasta, “desnecessariamente”, mais de R$ 5 milhões com vasectomias realizadas em regime hospitalar, pois na maioria dos casos a cirurgia demora 30 minutos e não exige internação. “Se fossem feitas como procedimentos ambulatoriais, a gente economizaria R$ 5 milhões para outras coisas. Em raros casos você pode precisar internar o paciente”, salientou.

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) aproveitou o encontro com o ministério para reclamar do sucateamento da Saúde no país. De acordo com o urologista Pedro Cortado, diretor da SBU, falta material de endoscopia e endourologia — equipamento que serve para a retirada de cálculo do ureter sem a necessidade de fazer cirurgia aberta. “Muitas vezes é preciso fazer uma cirurgia aberta pois não há material para o procedimento minimamente invasivo, o que permitiria a recuperação muito mais rápida do paciente”, esclareceu. Muitas vezes o tratamento urológico é feito pelo clínico-geral ou cirurgião-geral por falta de especialistas.(HB)

26/05/2008 - 10:22h A saúde em São Paulo continua doente

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Kassab terá de devolver R$ 2 milhões ao Ministério da Saúde

A Prefeitura de São Paulo terá de devolver R$ 2 milhões ao Ministério da Saúde por ter recebido, em 2007, recursos que não foram utilizados. Esse valor se refere ao saldo de repasses e aos juros, denunciou o vereador Carlos Neder em pronunciamento na sessão de terça-feira (20) da Câmara Municipal.
Paralelamente à exigência de devolução dos recursos, o mesmo documento do Ministério da Saúde citado por Neder faz duras críticas às AMAs, pois reafirma que elas não priorizam o vínculo com a família do paciente. Além disso, a gestão municipal da saúde utiliza as AMAs para colocar em segundo plano a expansão do Programa de Saúde da Família, uma das principais políticas públicas promovidas pelo ministério em nível nacional.
Neder ressaltou que o Ministério da Saúde é conduzido por José Gomes Temporão, um ministro do PMDB, partido que integra a coligação do prefeito Gilberto Kassab à reeleição. Sendo assim, não cabe à prefeitura alegar que a crítica à gestão municipal de saúde tem motivação partidária.

(Do Blog + Saúde)


Queixas de serviços de saúde na capital paulista crescem 74%

Apesar das sucessivas inaugurações de AMAs (Assistências Médicas Ambulatoriais) e hospitais este ano, a Prefeitura de São Paulo continua recebendo, por meio da Ouvidoria Geral, uma série de reclamações relativas à área da saúde. No primeiro trimestre de 2008, na comparação com o mesmo período do ano passado, as queixas na Ouvidoria subiram de 290 para 505, um aumento de 74%.
No ano passado, o item saúde, uma das principais bandeiras de campanha da administração Gilberto Kassab, era o quinto colocado no ranking dos setores reclamados. Este ano, passou para o terceiro.
Dados da Ouvidoria Geral mostram ainda que as reclamações referentes à educação quadruplicaram no mesmo período, subindo de 53 em 2007 para 221 em 2008.

(As informações são do Globo Online)