02/10/2009 - 09:33h Kassab, as mulheres do Campo Limpo precisam ser tratadas com mais respeito.

Editorial do jornal AGORA

Descaso no Campo Limpo

A mamografia é o exame que detecta o câncer de mama, o tumor que mais mata as brasileiras. Recomenda-se que as mulheres entre 50 e 69 anos façam a mamografia a cada dois anos. Daí se vê como é um procedimento importantíssimo para a saúde da população.

É alarmante, portanto, que o Hospital Municipal do Campo Limpo, o maior da zona sul de São Paulo, esteja há três meses com o mamógrafo quebrado. De acordo com funcionários e pacientes, o aparelho deixou de funcionar no começo de julho e não há previsão para o conserto. Já a Secretaria Municipal de Saúde diz que o novo mamógrafo deve ser instalado até o fim do ano.

Mas o descaso com a saúde no Campo Limpo não para por aí. As mulheres que procuram o hospital para a mamografia são encaminhadas para a UBS (Unidade Básica de Saúde) Vila das Belezas. É só dor de cabeça: na UBS, depois de agendado o exame, a demora para o atendimento chega a três horas.

O hospital é gerido pela secretaria, mas os exames estão sob responsabilidade da OSS (Organização Social de Saúde) Fidi. Não dá para entender por que o aparelho ainda não foi trocado. O diagnóstico precoce do câncer de mama facilita a sua cura. As mulheres do Campo Limpo precisam ser tratadas com mais respeito.

30/09/2009 - 11:03h A saúde de Kassab: Hospital não faz mamografia há 3 meses em SP.

Rubens Cavallari/Folha Imagem
Hospital_campolimpo
Hospital manda as pacientes para casa sem o exame


Mulher só conseguiu exame após escândalo em UBS


Aline Mazzo do Agora

A cabeleireira Edileuza Firmino Dantas, 52 anos, demorou quatro meses para conseguir fazer uma mamografia. Ela tentou marcar o exame no Hospital do Campo Limpo em junho, mas não havia vagas. Quando retornou, em julho, o aparelho estava quebrado.

“Eu fui mais de quatro vezes ao hospital e ligava todos os dias, mas as atendentes sempre diziam que não havia data para consertar o aparelho”, contou. A ginecologista solicitou o exame para Edileuza porque, durante uma consulta, detectou um cisto em um dos seus seios. “Se eu estiver com alguma coisa ruim, já passou o tempo de tratar”, queixou-se a cabeleireira.

Cansada, Edileuza foi à UBS Jardim Coimbra (zona sul de SP) e disse que só sairia dali com o exame marcado. “Briguei com todo mundo, fiz um escândalo, aí acabaram agendando [em outra UBS --algumas fazem o exame]“. A mamografia foi realizada na semana passada –o resultado demora cerca de 15 dias.

A dona de casa Silvana Ferreira Dias, 44 anos, também tentou agendar o mesmo exame no hospital, sem sucesso. Ela está com um nódulo em um dos seios e precisa do exame com urgência para que a ginecologista identifique se é um tumor ou um problema de menor gravidade. “Como ninguém diz aonde devo ir para fazer o exame, terei de voltar à UBS e ver se consigo marcar em outro lugar. Tomara que não demore.”


Hospital não faz mamografia há 3 meses em SP

Aline Mazzo do Agora

O Hospital Municipal do Campo Limpo, na zona sul da capital, está há três meses com o mamógrafo quebrado. As mulheres que procuram a unidade para fazer o exame, voltam para casa sem o diagnóstico. A unidade não as encaminha para outro centro de saúde e tampouco orienta em que lugar a mamografia –exame para detectar tumores nos seios– pode ser feita.

Apesar de o hospital ser gerido pela Secretaria Municipal da Saúde, os exames são de responsabilidade da OSS (Organização Social de Saúde) FIDI (Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem). Segundo o portal da prefeitura “De Olho nas Contas”, foram realizados apenas 49 das 1.396 (3,5%) mamografias previstas para serem feitas em pacientes que vivem na região sul da cidade no mês de julho. Procurada, a pasta não informou quantos desse exames seriam feitos no Hospital Campo Limpo.

O relatório da região sul vai na contramão do restante da cidade. Nas demais regiões, o número de exames realizados é sempre maior que a previsão, índice que mostra a alta demanda pelo exame.

Segundo funcionários e pacientes, o aparelho quebrou no começo de julho e não há previsão para o conserto. Ontem, a reportagem viu que as duas salas de mamografia do hospital estavam fechadas.

O exame de mamografia é a principal ferramenta para os médicos detectarem precocemente o câncer de mama, o tipo que mais mata mulheres. A partir dos 40 anos, a recomendação é que o exame seja feito anualmente.

“A mamografia ainda é o principal meio de rastrear o câncer de mama”, explica o chefe da disciplina de oncologia ginecológica da Unifesp, Sérgio Mancini Nicolau. O médico disse que um diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso no tratamento.

Além do mamógrafo, o aparelho que faz o teste ergométrico está quebrado há quatro meses, segundo os funcionários da unidade. O exame registra como o coração se comporta quando submetido ao esforço físico. Assim como o outro aparelho, não há prazo para seu conserto.

‘Outras unidades fazem’

A Secretaria Municipal da Saúde informou, por meio de nota, que os exames estão sendo encaminhados para outras unidades.

As mamografias são feitas na UBS Vila das Belezas, e o teste ergométrico, nas AMAs Jardim São Luiz e Capão Redondo, ambas na zona sul da capital. A secretaria disse que, assim, nenhum paciente deixa de realizar os exames.

Com relação ao baixo índice (3,5%) de realização das mamografias previstas para a região sul, a secretaria informou que não foi possível apurar a informação em tempo hábil após ser procurada pela reportagem ontem à tarde.

Segundo a pasta, será ainda instalado no hospital um novo aparelho de ressonância magnética mais moderno e com maior capacidade para realização de exames. A reforma da área física está concluída, mas ainda falta a instalação de um dispositivo de segurança. A expectativa é que o aparelho seja instalado até o fim do ano.

08/05/2009 - 18:18h Hospital segue com macas de crianças no corredor

 

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Gabriela Gasparin do Agora

Um dia após o Agora presenciar filas, crianças em macas nos corredores, pacientes em coma fora da UTI e equipamentos quebrados no Hospital Municipal do Campo Limpo (zona sul de SP), a reportagem retornou ao local ontem e constatou que os problemas prosseguem.

À tarde, crianças continuavam em macas nos corredores na ala da pediatria. No raio-X e na tomografia, pacientes aguardavam atendimento por até quatro horas, cenário parecido na clínica médica. A mãe da enfermeira Maria Damaceno, 38 anos, chegou ao hospital às 11h de ambulância após se queixar de fortes dores no estômago. Ela só passou pela consulta médica às 15h30.

Anteontem, a prefeitura atribuiu a lotação na pediatria à demanda de pacientes vindos do HU (Hospital Universitário), da Universidade de São Paulo, no Butantã (zona oeste de SP), que estaria com problemas devido ao rompimento de uma adutora. O hospital da USP negou e disse apenas que um cano quebrou no último dia 30, sendo que o conserto aconteceu no mesmo dia. Procurada de novo, a prefeitura disse que o HU a procurou nesta semana sobre a impossibilidade de atender pacientes de pediatria.

Ontem à noite, o Agora não conseguiu fazer novo contato com o HU. A prefeitura também afirmou que, no outono, cresce o atendimento a crianças.

07/05/2009 - 13:05h Hospital de Kassab vive cenário de caos

Capa do AGORA

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Gabriela Gasparin do Agora

Crianças virando a noite em macas nos corredores, UTI (Unidade de Terapia Intensiva) improvisada na sala de emergência por falta de leitos, idosos, crianças e gestantes em pé por horas à espera de um raio-X, equipamentos parados, quebrados há um ano.

As cenas são do Hospital Municipal do Campo Limpo (zona sul de SP), referência na região por ser o único centro médico municipal hospitalar com atendimento direto 24 horas para uma população de pelo menos 1 milhão de pessoas –principalmente dos distritos de Capão Redondo, Campo Limpo, Jardim Ângela e Jardim São Luiz.

O hospital, que também é o único com atendimento emergencial psiquiátrico na região e que é referência em traumas, atende pacientes de outras regiões da capital e de outros municípios.

A Comissão da Saúde da Câmara Municipal esteve no local ontem, em vistoria que o Agora acompanhou. É o segundo hospital que apresenta problemas nas vistorias. O primeiro foi o do Tatuapé (zona leste de SP), fiscalizado pelos vereadores no mês passado.

Ambos são administrados pelo governo de Gilberto Kassab (DEM) –que, em sua campanha à reeleição, disse ter melhorado a saúde municipal e usou a inauguração de unidades de saúde como trunfo para bater Marta Suplicy (PT).

Mães dizem ter passado a noite com os filhos em macas no corredor do hospital do Campo Limpo porque não havia leitos na pediatria. “Cheguei às 7h30 de ontem [anteontem]. Meu filho caiu na creche”, disse Jamile dos Santos Silva, 19 anos.

Pacientes em estado grave, com quadro para estarem na UTI, permaneciam na sala de emergências. Um deles é Euclides Sebastião de Brito, 67 anos. Até a tarde de ontem, o aposentado estava havia dois dias entubado e em coma na sala, como disse o filho Marcos Sebastião de Brito, 32 anos.

No pronto-socorro, pacientes reclamavam da falta de ortopedistas de plantão –até porque a unidade é referência em traumas (fraturas por acidentes). Na AMA (Assistência Médica Ambulatorial), pacientes que tinham chegado às 8h30 começavam a ser chamados para triagem às 10h30.

Equipamentos

Com valor estimado hoje em US$ 700 mil, o único equipamento de ressonância magnética da rede municipal, que está disponível para o hospital há três anos, não foi entregue porque as obras da sala que abrigariam o equipamento estão em andamento desde aquela época. Segundo a comissão, o contrato com a empresa que forneceria a máquina venceu sem que a sala ficasse pronta. Os pacientes do hospital também não podem usufruir de um dos dois equipamentos de tomografia existentes no hospital, uma vez que a máquina está quebrada há um ano.