14/01/2009 - 16:50h Uma em cada quatro adolescentes tem HPV

Uma em cada quatro adolescentes sexualmente ativas já possui HPV (Papilomavírus humano). Isso é o que revelou um estudo de cinco anos realizado pela ginecologista Denise Monteiro, que acompanhou 403 adolescentes enquanto elas estavam iniciando a atividade sexual. A constatação é muito preocupante, visto que o HPV pode provocar câncer de colo de útero. Esse é o segundo tipo de tumor mais comum em mulheres — foram registrados 510 mil casos no Brasil em 2008, segundo o Instituto Nacional do Câncer. Fonte Diário de São Paulo

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17/11/2008 - 13:41h Saúde: os números ocultam

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célula cancerosa vista ao microscópio eletrônico

AGNES MARIE SÁ FIGUEIREDO – O GLOBO

É inegável as conquistas obtidas em nosso país com relação a certas doenças infecciosas, principalmente aquelas cujas medidas de prevenção e/ou controle são mais conhecidas e efetivas, como a diarréia, a tuberculose, a malária e outras, conforme indicam as publicações recentes do Ministério da Saúde (Saúde Brasil 2007). Entretanto, o vasto universo das doenças causadas por microrganismos não se resume às doenças geralmente agrupadas como “infectocontagiosas” ou “infecciosas e parasitárias”.

Os microrganismos, sejam os protozoários, os fungos, as bactérias e, ainda, os vírus, estão envolvidos em diferentes tipos de afecções.

Por exemplo: há alguns anos, jamais poderíamos imaginar que certos tipos de cânceres estariam associados a tais seres microscópicos.

No entanto, um dos ganhadores do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina 2008, Dr. Harald zur Hausen, foi agraciado com essa honraria, justamente, por ter relacionado o câncer de colo de útero, o segundo mais freqüente em mulheres, com o papiloma vírus humano (HPV). Mas não pensem que a associação entre microrganismos e câncer se encerra aí.

Uma bactéria conhecida como Helicobacter pylori, a qual é encontrada no estômago de cerca de 2/3 da população mundial, é o principal fator de risco de úlcera péptica e duodenal, aumenta, segundo estudos, o risco de câncer gástrico, linfoma de tecido linfóide associado à mucosa, conhecido como linfoma de MALT, e, ainda, de câncer pancreático.

Portanto, parece-me fundamental que a sociedade seja alertada sobre o papel das doenças infecciosas em determinados tipos de cânceres e, conseqüentemente, sobre sua influência “silenciosa” nas taxas de óbtidos. Além disso, em certas circunstâncias, o câncer por si só pode predispor o paciente a severas e recorrentes infecções. Por outro lado, a neutropenia (que reflete um comprometimento do sistema imunológico) é reconhecida há décadas como importante fator de risco para o desenvolvimento de infecções em pacientes submetidos a certas quimioterapias.

Portanto, é fato amplamente conhecido, pela comunidade médica, que as doenças infecciosas são importantes causas de mortalidade entre pacientes com diversos tipos de neoplasias malignas.

Realmente, por muitos e muitos anos, a tuberculose foi a principal causa de morte entre as doenças respiratórias de adultos. Porém, apesar de os óbitos por essa doença ter diminuído, outras infecções respiratórias, as de natureza aguda, estavam em 2005 na 5ª ou 6ª posição entre as 10 principais causas de morte em nosso país, segundo dados do Saúde Brasil 2007. Cabe acrescentar que, através de um estudo recente do Unicef/OMS intitulado “Pneumonia: the forgoten killer of children, 2006”, ficou constatado que essa doença mata mais crianças do que qualquer outra, e estimase que seja responsável pela morte de cerca de 2.000.000 de crianças a cada ano, em todo o mundo, sendo as espécies bacterianas Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae as principais responsáveis. Porém, infelizmente, pouca atenção tem sido dada para essa doença. Nesse mesmo estudo foi estimado que 150.000.000 de episódios de pneumonia devam ocorrer a cada ano, sendo que o Brasil estaria em 5o lugar, junto com a Etiópia, com 4.000.000 de casos. É preciso salientar que não somente as crianças estão mais susceptíveis às pneumonias; os indivíduos idosos também estão entre a população susceptível e, portanto, com elevado risco para a doença e conseqüente mortalidade.

Vale lembrar, aqui também, outros importantes “matadores” que ficaram esquecidos nesta estória, as doenças hoje conhecidas como “infecções associadas a serviços de saúde” (IASS), em que se incluem as infecções hospitalares. Essas doenças acometem pacientes, durante o curso de um tratamento que receberam para debelar outra doença, em um estabelecimento que presta serviço de saúde. Segundo os Centers for Diseases Control (CDC), nos Estados Unidos, as IASS estão entre as 10 principais causas de mortalidade.

Não devemos, em hipótese alguma, sob pena de estarmos causando um erro grave, subestimar o impacto de tais doenças em nosso meio.

Estudos têm demonstrado que os índices dessas infecções são maiores em países da América Latina e da África. Agrava-se a essa triste estatística o fato de que muitas dessas infecções, como as que ocorrem nos hospitais, são causadas por bactérias resistentes a múltiplos antibióticos. Tal fato dificulta, significativamente, a pronta prescrição pelos médicos de uma terapia antibiótica eficaz, contribuindo assim para o aumento do número de óbitos.

Aos profissionais da saúde cabem estar atentos para os fenômenos resultantes da evolução adaptativa dos microrganismos, os quais culminam, algumas vezes, no surgimento de novas doenças (conhecidas como emergentes) e, em outras vezes, no aumento da incidência de doenças antigas, porém com características epidemiológicas singulares, únicas, as quais, quando não reconhecidas, podem mascarar os índices dessas infecções e da mortalidade associada.

Aos nossos políticos cabe o ônus da necessidade de aplicarem mais recursos para o desenvolvimento de laboratórios e sistemas cada vez mais sofisticados, visando à coleta e posterior análise de dados, sobre tais doenças, de maneira que os números possam nos apontar, de forma mais reveladora, esse mundo micro, porém da maior importância para a saúde global.

AGNES MARIE SÁ FIGUEIREDO é diretora do Instituto

16/09/2008 - 17:03h Comportamento de alto risco


Pesquisa revela que Brasil têm alta taxa de doenças sexualmente transmissíveis

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Evandro Éboli – O Globo

Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde em seis capitais brasileiras revela que 42% das 3.303 gestantes examinadas, entre 2004 a 2007, eram portadoras de pelo menos uma doença sexualmente transmissível (DST). A contaminação por HPV, um tipo de lesão genital, foi a que teve maior registro. Segundo o Ministério da Saúde, esta doença não causa riscos para o bebê se a mulher não apresentar verrugas e lesão. Mas, do total de grávidas examinadas, 13,5% adquiriram doenças mais graves como gonorréia, clamídia e sífilis, que podem provocar morte do feto, má-formação óssea, cegueira e levar ao parto prematuro. Esses dados são os que mais preocupam autoridades do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids do governo.

— São dados que chamam a atenção porque são doenças que causam mais danos ao binômio mãe-bebê. São problemas que têm diagnóstico, tratamento e cura, mesmo adquiridos na gravidez — disse o coordenador da unidade de DST do Programa DST-Aids do Ministério da Saúde, Valdir Pinto.
Segundo o coordenador, são doenças cujo tratamento está disponível na rede pública de saúde e os medicamentos usados são de custo muito baixo, com preços que variam de R$ 0,39 a R$ 5.
Pinto destaca ainda que quase metade das grávidas pesquisadas (49,2%) nunca usa preservativo com parceiro fixo. Para o coordenador, a camisinha deve ser usada sempre, independentemente de se ter parceiro fixo ou eventual.

— Não se pode garantir que o parceiro fixo não transmite doença. É um tema delicado para ser abordado, mas o governo não pode impor. Os homens e mulheres é que devem decidir se vão adotar métodos seguros. É o livre-arbítrio.
A pesquisa também ouviu 2.814 homens trabalhadores de pequenas indústrias, grupo que apresentou o menor índice de ocorrência de doenças sexualmente transmissíveis: apenas 5,2%. Quase a totalidade desses entrevistados (95,5%) respondeu que faz sexo apenas com mulheres. Apenas 1,5% afirmou ter relações homossexuais.

Mulheres se protegem mais que os homens

O terceiro grupo abordado na pesquisa foi o de homens e mulheres atendidos em serviços de saúde especializados em DSTs. Dos 3.210 pesquisados, 51% apresentaram algum tipo de infecção. A mais comum foi o HPV, doença diagnosticada em 32,6%. O HPV é uma lesão conhecida como crista de galo e aparece em forma de uma verruga no colo do útero, e também no pênis e no ânus. A sua transmissão pode ocorrer também por sexo oral ou por contaminação por meio de toalha, roupa íntima, vaso sanitário ou banheira, por exemplo.
Em relação ao comportamento sexual dos brasileiros, as mulheres aparecem como mais cuidadosas: 47,3% delas responderam usar sempre camisinha com parceiros eventuais; 35% dos homens afirmaram usar preservativo.
Esse estudo é considerado o de maior porte realizado pelo governo federal nessa área da saúde. A pesquisa conclui ainda que a chance de desenvolver as doenças sexuais é maior em pessoas com menos de 20 anos.
Os jovens e adolescentes formam o grupo que menos se relaciona com parceiros fixos, uma das razões de estarem vulneráveis às DSTs. Outros fatores que contribuem para o aumento do risco são o não uso do preservativo, coito anal e as drogas injetáveis.
A pesquisa foi realizada em Manaus, Fortaleza, Goiânia, no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Valdir afirmou que as regiões escolhidas apresentam características socioeconômicas e demográficas diferentes.

— Mas os resultados demonstraram que não há diferença de percentuais das doenças.
O índice de grávidas infectadas por essa doença sexual em regiões como Norte e Nordeste é igual ao do Sudeste — disse o coordenador do programa.

29/04/2008 - 13:18h Vírus comuns ligados ao câncer de pulmão

Broncoscopia; el dibujo muestra un broncoscopio insertado a través de la boca, la tráquea y el bronquio, hasta el pulmón; los ganglios linfáticos a lo largo de la tráquea y los bronquios, y el cáncer en un pulmón. El recuadro muestra al paciente acostado sobre una camilla mientras se le realiza la broncoscopia.

HPV e sarampo facilitariam a evolução da doença

Pesquisadores encontraram evidências que dois tipos comuns de vírus podem estar por trás de alguns casos de câncer de pulmão: o papiloma vírus humano (HPV), já conhecido como a causa do câncer cervical, e o vírus do sarampo. Os resultados, apresentados na Conferência Européia de Câncer de Pulmão, em Genebra, são preliminares. Embora o fumo seja a principal causa do câncer de pulmão, a descoberta pode levar a novas formas de tratamento e prevenção da doença.

Alguns tumores teriam origem viral

O trabalho foi conduzido, em parte, pelo pesquisador Samuel Ariad, do Centro Médico de Soroka, em Beer Sheva, Israel. Samuel e sua equipe analisaram tumores em 65 pacientes.

Eles encontraram proteínas do vírus do sarampo em cerca de metade das amostras coletadas.

Trata-se da primeira evidência que sugere uma ligação entre esse vírus e o câncer de pulmão. O pesquisador israelense já havia publicado estudos ligando o vírus do sarampo com um tipo de câncer linfático.

Por sua vez, a equipe de Arash Rezazadeh, da Universidade de Louisville, no Kentucky, EUA, analisou 23 casos de câncer de pulmão. Em cinco amostras foram encontrado traços genéticos do vírus HPV.

Apesar de os vírus serem associados com câncer de pulmão em pelo menos 20% dos casos, ainda não há evidências diretas que eles sejam a causa da doença. Mas segundo especialistas, a idéia de que vírus possam contribuir para alguns tipos de câncer é bastante plausível.

Há casos conhecidos. Além da ligação entre o HPV e o câncer cervical, infecções crônicas pelos vírus da hepatite B e C contribuem para o câncer do fígado. Já a bactéria Helicobacter pylori tem sido associada com o câncer de estômago.

Recentemente, pesquisadores descobriram seqüências de vírus no genoma das células de um dos mais agressivos tipos de câncer de pele, o chamado carcinoma de Merkel, embora ainda não esteja claro como ou se ele contribui para o surgimento da doença.

Acredita-se também que um vírus semelhante ao que causa câncer de mama em camundongos possa estar ligado ao surgimento do mesmo tipo de câncer em humanos.

— Temos razões suficientes para acreditar que existem alguns tumores com origem viral — salienta Denise Galloway, do Centro de Pesquisas para o Câncer Fred Hutchinson, em Seattle.

Os dois estudos, porém, deixam várias questões em aberto. O grupo de Ariad especula que o vírus do sarampo pode não estar na raiz do surgimento do câncer de pulmão, mas, de alguma forma, facilitaria a evolução da doença.

— O problema é que só temos especulações.

Não podemos injetar o vírus nas pessoas para um teste — diz Dusty Miller, do Centro de Pesquisas para o Câncer Fred Hutchinson.

— Por isso, estabelecer uma real ligação entre vírus e o câncer de pulmão pode levar anos.

Fonte O Globo

22/06/2007 - 11:18h HPV: respostas de Temporão

Ontem chamamos a atenção do ministro José Gomes Temporão para o exorbitante preço da vacina contra o HPV, que a rede pública não oferece ainda gratuitamente, como propõe, por exemplo, a senadora Patrícia Saboya (PSB-CE). O ministro e seu secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Oliveira Penna, esclareceram a questão.

— O HPV e o câncer de útero são prioridades do ministério, mas a solução ainda não passa pela distribuição da vacina — diz o ministro, explicando por quê.

A vacina existente só funciona se aplicada nas jovens antes de qualquer contato com o vírus. Logo, antes do início da atividade sexual. Os estudos indicam que esta imunização duraria apenas cinco anos, e ainda cobriria apenas seis dos 18 tipos de vírus. O custo da vacinação anual de todas as meninas na faixa de 9 a 12 anos seria de R$ 1,8 bilhão.

Com todas as outras vacinas, o ministério gasta cerca de R$ 750 milhões.

De fato, a vacina do HPV representaria um gasto imenso e de baixíssimo benefício. Se ela imuniza por apenas cinco anos, até estimularia o sexo inseguro, pois as mulheres se achariam protegidas quando já não o fossem mais.

— Nossa meta é ampliar ao máximo a oferta do exame de papanicolau, que permite a descoberta deste tipo de câncer ainda na fase inicial — diz o ministro.

Mas ele concorda: as campanhas educativas põem muito mais foco na necessidade de evitar HIV do que HPV. Se o parceiro não é de grupo de risco para HIV, as pessoas se descuidam. leia a integra da coluna de Tereza Cruvinel no jornal O Globo (para assinantes)

21/06/2007 - 11:03h Alô, ministro Temporão!

Coluna de Tereza Cruvinel

Um vírus sexualmente transmissível, o HPV, afeta hoje cerca de 15% das mulheres e possivelmente o mesmo número de homens (por serem os homens quase sempre assintomáticos, a quantificação é mais complicada).

Causador do câncer de útero, o vírus aparece na história de 90% a 100% das portadoras da doença, o terceiro tipo de tumor que mais atinge as mulheres no Brasil (depois do de pele e do de mama). Silenciosamente, o HPV vem se alastrando. Só muito recentemente passou a ser objeto de campanhas de esclarecimento. No ano passado, foi lançada a vacina contra o HPV. A rede pública ainda não a oferece gratuitamente. O laboratório fabricante de uma delas (Gardasil, patente da Merck Sharp & Dohme) foi autorizado a vendê-la por R$ 364,16. Como são necessárias três doses para se ter a imunização, o combate ao HPV custa perto de R$ 1.100.

Já é caro, mas há farmácias e clínicas de vacinas tentando cobrar mais. A Radiobrás recolheu denúncias nesse sentido em sua coluna do consumidor.

Postos de Saúde de Brasília também registram queixas contra o custo exorbitante da vacina. Poucos medicamentos são tão estratégicos neste momento como a vacina anti-HPV. Gastando com ela hoje, o Ministério da Saúde economizaria milhões, contendo o câncer e salvando vidas. leia a integra da coluna de Tereza Cruvinel no Globo (para assinantes)