12/06/2009 - 15:09h Contribuição para a paz dos casais no dia dos namorados (prometo ser ‘fonte sigilosa’)

Estou pensando aproveitar o feriado prolongado, pegar minha shunga e cair de supetão no sitio de Sergio Leo.

Fiquei fascinado pela confissão de Sergio sobre o pacto que tem com sua mulher Marta, também jornalista (ver nos comentários)

Pelo que entendi, a coisa funciona mais ou menos assim.

O cara chega em casa por volta das 3 da manhã e a mulher aguardando brava. Olhos cansados, gravata no bolso, cheiro de bebida (em Brasília a lei seca é o clima), mas o Sergio -pois dele se trata- tem a frase salvadora na ponta da língua ante qualquer cobrança: “nosso pacto é não comentar pauta em andamento, darling”.

Quero ser jornalista e casar com jornalista!

Agora dá para entender a reação de Sergio Leo ao blog da Petrobras. Imaginou?

O cara tenta se escudar no pacto e a mulher com as fotos na mão, publicadas no blog pela fonte que decidiu não respeitar o sigilo.

Vazou!

LF

12/06/2009 - 09:24h Ueba! Namora com o saci!

http://blogs.diariodonordeste.com.br/roberto/wp-content/uploads/2008/11/saci.jpg

JOSÉ SIMÃO – FOLHA SP

É o melhor namorado do mundo! Quando ele te der um pé na bunda, quem cai é ele!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
É hoje! Dia dos Namorados! Vai dar overbooking em motel! Por isso que eu recomendo o drive-thru do MacDonalds: entra, pede um hambúrguer, dá uma rapidinha e sai. MacRapidinha Feliz.
E lembre-se: amor começa em motel e termina em pensão. E você sabe como fazer para tua namorada continuar gritando depois da transa? Limpa o pingolim na cortina. Rarará! Feliz Dia dos Namorados!
E a namorada do ano foi a Suzana Vieira, que namora um mágico! Imagino a mágica que ele vai fazer no Dia dos Namorados: eles transam e aí ela some. Rarará! Transa Mágica! E Dia dos Namorados tem que ser cafona. E Fernando Pessoa já dizia: todas as cartas de amor são ridículas!
E a minha primeira namorada foi uma Mulher Gorila. Daquelas de circo. Que na Bahia chamam de Mulher GOLIRA! E uma amiga disse que o primeiro namorado dela foi um pastor. Um pastor alemão. Rarará! E uma outra quer passar o Dia dos Namorados em estado de coma. COMA-ME PELO AMOR DE DEUS. E uma outra ainda quer ter orgasmos múltiplos COM ECO. Pro prédio inteiro saber que ela tem namorado. Senão não tem graça!
E o melhor namorado do mundo é o saci. Porque quando ele te der um pé na bunda, quem cai é ele. Aliás, sabe o que o saci falou pra sacia? FICA DE TRÊS! Rarará!
E a recomendação de todo ano: se o teu namorado te trair não se atire pela janela! Você tem chifres e não asas! E você sabe quando o namoro tá indo pro brejo? Quando engole muito sapo e come pouca perereca! Rarará! É mole? É mole, mas sobe. Ou, como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que aqui em Sampa tem uma boate perfeita pro Dia dos Namorados chamada BAKANAL! Perfeito para um momento romântico a dois. Dois de cada lado. Dois por minuto. Rarará! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil.
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. Hoje não tem. Porque o Lula tá dando umas bitocas na galega. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis.
Nóis sofre, mas nóis goza.
Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.
simao@uol.com.br

19/04/2009 - 16:01h Bom humor

Revista do domingo do jornal O Globo

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05/04/2009 - 21:04h Kokigami: la décoration d’érection

Avez-vous entendu parler du Kokigami, l’art d’emballer son phallus dans un paquet-cadeau ? Créée de toutes pièces par deux Néo-zélandais, cette invention fumeuse a obtenu un succès tel que même les Japonais l’ont gobée.

Kokigami

En 1990, les Néo-Zélandais Burton Silver et Heather Busch publient un livre intitulé Kokigami, The intimate art of little paper costume, qui contient des modèles de décorations péniennes à découper et plier. Ils affirment que ces décorations péniennes relèvent d’un art ancestral, pratiqué au Japon sous le nom de kokigami. A les en croire, le kokigami est l’art de nouer des petits costumes sur son pénis et de l’habiller à l’aide de tissu, de papier, de rubans, de soie. But : faire de son érection une sorte de bouquet ornemental dissimulant en son cœur la fleur principale.

Les deux auteurs prétendent que cette tradition – soi-disant d’origine japonaise – remonte au Ve siècle. “Les origines du kokigami font toujours l’objet de débats académiques, affirment-ils. Certains proclament que cette tradition dérive en droite ligne de l’origami, art de plier le papier. D’autres considèrent qu’elle provient du kirigami, art de couper le papier. Dans les faits, le kokigami emprunte sa technique aux deux arts (plier et couper) mais la plupart des Universitaires s’accordent à dire que son origine remonte plus probablement à l’art du tsutsumi, ou art de l’emballage.” Bizarrement, il est impossible de retrouver la trace de ces écrits universitaires.

Plus bizarrement encore, sur internet et dans les dictionnaires érotiques (celui de Brenda B Love, par exemple), les informations concernant le kokigami ne font que répéter celles du livre écrit par nos diaboliques Néo-zélandais. Ces informations sont d’ailleurs totalement fantaisistes : “S’il faut en croire les premiers textes de la littérature japonaise, les nobles emballaient leur sexe avant de rendre visite à une dame. Plusieurs passages du Kojiki (recueil de récits fondateurs du Japon, datant de 712) parlent d’hommes passant “beaucoup de temps avec des soies fines et des rubans”. Vérification faite : aucune trace de telles pratiques dans le Kojiki. Mais l’idée d’hommes enveloppant leur pénis de jolies décorations semble si attirante que des centaines de sites – y compris au Japon – répercutent l’intox.

Il faut dire que le kokigami a tout pour séduire. C’est un art d’aimer et de prolonger le plaisir. “Plus complexe était l’enveloppement, plus longs les préliminaires, suggèrent Burton Silver et Heather Busch. D’une main légère, l’heureuse élue “ouvrait” le cadeau… prétexte à d’excitants effleurements et de douces caresses prolongeant le plaisir d’un strip-tease génital  jusqu’au “dénouement” final. La cérémonie du tsutsumi a hélas disparu, mais il en reste l’idée : celle d’un plaisir aiguisé par l’attente et par la retenue. Quand le bouddhisme arrive au Japon vers le VIe siècle, il ne met pas fin au culte phallique de la religion shinto mais l’absorbe. Il semblerait ainsi qu’au VIIe siècle certaines techniques du kokigami aient été développées par les prêtres shinto influencés par le bouddhisme : ils cherchent les moyens de transcender le centre physique de leur être, en explorant ses possibilités. Ils essaient d’entrer en contact avec ce moi intime, un peu de la même manière que des acteurs qui essaient de s’approprier un rôle.

Les informations sont délirantes, mais il est tentant d’y croire. Poussant l’insolence à ses extrêmes limites, Burton Silver et Heather Busch affirment d’ailleurs qu’il existe une similitude entre le kokigami et le théâtre no : “le mot koki désigne en effet une petite pièce de vêtement nouée autour de la taille par les acteurs, prétendent-ils. Tous les acteurs de no sont des hommes. Ils utilisent le koki pour pouvoir changer de personnalité rapidement. Le koki peut servir de chapeau, de masque et même d’arme. Le koki est l’accessoire des métamorphoses théâtrales.” Vérification faite, cette pièce de tissu n’existe absolument pas dans le théâtre no. On imagine mal d’ailleurs comment des acteurs pourraient ôter une lingerie sur scène, alors qu’ils sont engoncés dans de luxueux et raides kimonos.

Bien que le mot koki ressemble fort au mot anglais cock (”queue”), personne sur internet ne relève le mauvais jeu de mot. Même les Japonais répètent l’information. Seuls quelques sites nippons s’interrogent timidement : “le kokigami a-t-il existé ?”. Et s’il a existé, comment se fait-il que les deux seules images qui montrent des kokigami ressemblent à de mauvaises imitations d’estampes japonaises ? Personne ne s’étonne vraiment. C’est tout le talent des Néo-zélandais : ils ont créé une pratique érotique et lui ont inventé un passé historique. Ils ont berné la planète entière et – comble d’audace – ils veulent faire de leur supercherie une nouvelle méthode de thérapie. Dans leur livre, Burton Silver et Heather Busch affirment en effet que certains psychothérapeutes américains encouragent leurs patients à décorer leur pénis, avec des résultats intéressants. Ben voyons.

Fonte les 400 culs

16/02/2009 - 18:23h Cientistas tentam decifrar o complexo caminho das lágrimas

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Por BENEDICT CAREY

Elas são consideradas um alívio, um tônico psicológico e, para muitos, a visão de algo mais profundo: a linguagem gestual do coração, a transpiração emocional vinda do poço de uma humanidade comum.
As lágrimas lubrificam o amor e as canções de amor, os casamentos e os funerais, os rituais públicos e a dor privada, e talvez nenhum estudo científico possa algum dia capturar todos os seus muitos significados.
“Choro quando estou feliz, choro quando estou triste e talvez chore quando estou compartilhando algo que é de grande significado para mim”, disse Nancy Reiley, 62, que trabalha em um albergue feminino na Flórida. “E por alguma razão às vezes eu choro quando estou numa situação de falar em público. Não tem nada a ver com me sentir triste ou vulnerável. Não há motivo que eu possa imaginar pelo qual isso aconteça, mas acontece.”
Agora, alguns pesquisadores dizem que a sabedoria popular sobre o choro -que o associa a uma saudável catarse- é incompleta e enganadora. Um “bom choro” habitualmente permite que a pessoa recupere parte do equilíbrio mental após uma perda. Mas nem sempre, e não para todos, argumenta um artigo na atual edição da revista “Current Directions in Psychological Science”. Depositar tamanha expectativa sobre um ataque de pranto possivelmente predisporá algumas pessoas a uma confusão emocional posterior.
Esse apelo por uma visão mais nuançada do choro deriva em parte de uma crítica a estudos prévios. Ao longo dos anos, os psicólogos confirmaram muitas observações corriqueiras a respeito do choro. Ele é contagioso. As mulheres o liberam mais facilmente que os homens, por razões muito provavelmente bioquímicas e também culturais. E a experiência física reflete a psicológica: a frequência cardíaca e a respiração disparam durante a tempestade e se amenizam quando o céu se abre.
Questionadas sobre episódios de choro, a maioria das pessoas, previsivelmente, insiste que chorar é permitido para absorver um golpe, para se sentir melhor ou mesmo para pensar mais claramente sobre algo ou alguém que se perdeu.
Pelo menos é assim que as pessoas lembram -e aí está o problema, segundo Jonathan Rottenberg, psicólogo da Universidade do Sul da Flórida e coautor do estudo. “Muitos dados apoiando o saber convencional se baseiam na rememoração e se contaminam da crença das pessoas sobre o que o choro deveria fazer”, disse.
Em um estudo publicado na edição de dezembro da revista “The Journal of Social and Clinical Psychology”, Rottenberg e dois colegas, Lauren Bylsma (Universidade do Sul da Flórida) e Ad Vingerhoets (Universidade de Tilburg, Holanda), pediram a 5.096 pessoas de 35 países que detalhassem as circunstâncias do seu choro mais recente. Cerca de 70% disseram que as reações dos demais à crise foram positivas e reconfortantes. Mas cerca de 16% citaram reações ruins, que obviamente em geral lhes fizeram se sentir piores.
Como a função social mais óbvia do choro é atrair apoio e empatia, o impacto emocional das lágrimas depende parcialmente de quem está ao redor e do que essas pessoas fazem. O estudo descobriu que chorar com uma só outra pessoa presente tem mais chance de produzir um efeito catártico do que fazê-lo diante de um grupo. “Quase todas as emoções são, em algum nível, dirigidas para os outros, então a resposta deles será muito importante”, disse o psicólogo James Gross, da Universidade Stanford, na Califórnia.
A experiência de chorar também varia de pessoa para pessoa, e algumas são mais propensas à catarse. Em estudos de laboratório, psicólogos induziam ao choro mostrando aos participantes clipes com cenas de filmes muito tristes. Cerca 40% das mulheres choravam; pouquíssimos homens o faziam. Esse tipo de estudo, embora não passe de uma simulação, sugere que as pessoas com sintomas de depressão e ansiedade não se comovem tanto nem se recuperam tão rápido quanto a maioria. Nas pesquisas, elas se mostram menos propensas a relatar benefícios psicológicos do choro.
Em seu livro “Seeing Through Tears: Crying and Attachment” (”Vendo através das lágrimas: choro e ligação”), a terapeuta e professora Judith Kay Nelson argumenta que a experiência de chorar está arraigada na primeira infância e na relação da pessoa com seu cuidador, em geral mãe ou pai. Filhos de pais atentos, que apaziguavam o choro quando necessário, tendiam quando adultos a encontrarem mais consolo no choro.
“Chorar, para uma criança, é uma forma de chamar o cuidador, manter a proximidade e usar o cuidador para regular o humor ou a agitação negativa”, disse Nelson.
Quem cresce inseguro sobre se e quando esse consolo virá pode, quando adulto, ficar preso àquilo que ela chama de choro de protesto -o berro impotente da criança para que alguém conserte o problema ou desfaça a perda.
“Você não pode elaborar a dor se está preso ao choro de protesto, que diz respeito apenas a consertar, consertar a perda”, afirmou Nelson. “E na terapia -assim como nas relações íntimas- o choro de protesto é muito difícil de consolar, porque você não consegue fazer nada direito, não consegue desfazer a perda. Por outro lado, o choro triste, que é um apelo por um conforto de alguém que se ama, é um caminho para a proximidade e a cura.”

12/12/2008 - 19:33h Executivos respondem à recessão com adultério

http://www.maison-du-muscat.com/images/blog/fr%C3%A8res%20Rabus%202.jpg

Lucy Kellaway – Financial Times – VALOR

No último mês eu arrumei 247 homens. Um trabalho ligeiro em apenas quatro semanas, mas eu me esforcei bastante. Durante meu período sabático no “Financial Times”, eu mandei e-mails de forma obsessiva para estranhos em um site de adultério da internet, participando, assim, do que descobri ser a atividade recessiva mais quente da cidade.

Entre os meus novos namorados estão um ex-poderoso administrador de fundo de hedge, muitos banqueiros agora ociosos, alguns empresários, vários diretores de empresas, um músico conhecido, alguns advogados corporativos e um construtor bastante sexy.

http://www.investigacao-virtual.org/images/traicao_virtual.jpgDuvido que era isso que o “Financial Times” tinha em mente quando decidiu que seus jornalistas deveriam receber uma folga de quatro semanas a cada quatro anos trabalhados, para o auto-aperfeiçoamento. Também não era o que eu tinha em mente quando embarquei em meu período sabático: minha intenção era escrever um romance.

Então, quando entrei pela primeira vez no “Illicit Encounters” (”Encontros ilícitos”), o mais sofisticado dos sites extra-conjugais, foi para pesquisar o adultério na internet para o meu livro. Mas, meia hora após colocar meus detalhes no site (sob o pseudônimo de Sophie Scribe), consegui 20 namorados e, uma hora depois eu já estava fisgada. Quatro semanas mais tarde, saí de tudo aquilo me sentindo um pouco suja e mais que ligeiramente incomodada com a maneira como a vida real é muito mais excitante que o livro que estou escrevendo.

O “Illicit Encounters” é parecido com uma sauna em que 230.000 profissionais casados trocam olhares lascivos por entre uma névoa virtual em busca de alguém que possa ser o amante ideal.

Enquanto estive no site, percebi que os negócios pareciam particularmente velozes entre aqueles que afirmam trabalhar no setor financeiro. Várias e várias vezes fui abordada por homens usando nomes como “Alpha 123″, ou “Civilised”, ou “CityGent”, cada um contando a mesma história: sou um banqueiro bem sucedido, agora com tempo livre, em busca de emoções/amor/romance/sexo casual, etc.

Cheia de curiosidade, entrei em contato com os donos do site para saber o que estava acontecendo. Eles me disseram que, desde setembro, o número de registros de homens londrinos trabalhadores do setor financeiro aumentou quase 300%. Ao que parece, quanto mais frio o mercado de trabalho, mais quente o mercado de adultério.

Se os números me surpreenderam, os próprios homens me surpreenderam ainda mais. Aqueles com quem conversei não eram devassos, e também não pareciam vulgares. Com freqüência, estavam sendo adúlteros pela primeira vez e eram do tipo “banqueiro careca da porta ao lado”, em vez de mais sedutores.

http://buenoecostanze.adv.br/images/stories/Estatutos/adulterio.jpg

Para aqueles leitores que nunca tiveram uma experiência do tipo, talvez eu deva explicar como o site funciona. Para manter o sigilo, todos usam nomes falsos e os membros revelam suas fotografias apenas para os membros em que sentem confiança. Isso foi um problema delicado para mim, dada a alta densidade de leitores do “Financial Times” que sempre estavam online.

À menor espiadela em minha foto, vários deles fugiram apavorados dizendo: “Meu Deus, você é Lucy Kellaway?”. Além de encontrar pessoas que lêem o “Financial Times”, me deparei até mesmo com uma que já escreveu para o jornal. Isso me levou para uma nova área da etiqueta no ambiente de trabalho: qual é a maneira correta de se comportar quando você tromba com alguém que conhece em um site de adultério? Atrevo-me a dizer que isso acontece mais e mais. De fato, um resultado da minha infiltração de quatro semanas nas vidas dos adúlteros é que agora eu suspeito que todo homem tem uma vida dupla no “Illicit Encounters”.

Na semana passada, almocei com John Quelch, professor de marketing da Harvard Business School, e perguntei a ele o que ele achava que isso significa. Por quê tantos executivos experientes estão respondendo à recessão com o adultério?

Ele disse que, numa recessão, as pessoas querem ser abraçadas. Isso me pareceu uma explicação bem fraquinha. Certamente há maneiras mais fáceis de ganhar abraços do que colocar o casamento em risco. Abraçar uma criança, ou- se a pessoa estiver desesperada- até mesmo a esposa parece ser mais fácil e seguro.

Ele disse que é exatamente este o ponto: a atração despertada pelo risco. Os banqueiros estão sofrendo com um déficit de risco: suas vidas profissionais foram compulsoriamente limadas de risco e isso pode ser uma maneira de compensação, acrescentar risco às suas vidas privadas.

Se for verdade, dá para imaginar qual será o resultado macro. Se houvesse uma grande mudança na tomada de riscos, dos mercados financeiros para o mercado doméstico, isso significaria uma instabilidade doméstica em massa com o aumento das taxas de divórcio e assim por diante?

Os criadores do site gostam de afirmar que, ao fornecerem um mercado bem comportado para o adultério, eles na verdade estão criando estabilidade doméstica. Setenta por cento dos clientes do “Illicit Encounters” afirmam ter atração pelo adultério como uma alternativa ao divórcio, e não como precursor dele. Pode não ser engraçado de todo, mas parece ser um pouco cedo para tirar qualquer conclusão de uma maneira ou de outra.

Entretanto, não é cedo demais para tirar três outras conclusões depois que passei um mês entrando no site. A primeira é que as pessoas que ainda estão no trabalho parecem ter muito tempo livre das 9h às 17h. A segunda é que todo mundo mente: eles diminuem a idade e aumentam sua atração, a freqüência com que vão à academia de ginástica, o bom humor e assim por diante.

A última lição é uma que já conhecemos: mais homens estão interessados em adultério do que mulheres. O site tenta corrigir isso com preços diferenciados, cobrando 119 libras dos homens por mês, enquanto as mulheres podem entrar de graça. Mesmo assim, o desequilíbrio persiste e agora sei que os meus 247 pretendentes podem não ter se rendido totalmente ao meu charme. Eu comentei sobre o site com uma amiga e ela se registrou. O número de namorados que ela conseguiu depois de apenas uma semana: 295.

Lucy Kellaway é colunista do “Financial Times”. Sua coluna é publicada quinzenalmente na editoria de Carreiras

20/11/2008 - 18:42h “Vicky Cristina Barcelona”

CONTARDO CALLIGARIS


O amor-paixão é uma tentação irresistível, é o protótipo da vida intensamente vivida

“VICKY Cristina Barcelona”, de Woody Allen, estreou no Brasil na semana passada. Com muita leveza e muito bom humor, o filme me levou a pensar nos percalços da vida amorosa.

A história do verão em Barcelona de Vicky e Cristina é um pequeno tratado do amor-paixão: os espectadores terão o prazer (ou desprazer) de se reconhecer em algum lugar do leque de experiências amorosas que o filme apresenta -é um leque pequeno, mas do qual escapamos pouco. Sem resumir, eis umas notas:

1) Os casais que se amam de paixão, cujos parceiros parecem ser feitos um para o outro, em regra, acabam tentando se matar -com faca, revólver ou qualquer outro instrumento (cf. Juan Antonio e Maria Emilia). É porque, se o outro me completa e vice-versa, o risco é que nenhum de nós sobreviva à nossa união -ao menos, não como ente separado e distinto. Mas, por mais que seja ameaçadora, a paixão amorosa é uma tentação irresistível (cf. Cristina, Vicky, Judy) por uma razão simples: nas narrativas de nossa cultura, ela é o protótipo ideal da experiência plena, da vida intensamente vivida.

2) Por sorte ou não, o amor-paixão é raro. A maioria de nós vive relações menos “interessantes” e menos fatais -relações em que a gente se preocupa em criar os filhos, decorar a casa, ganhar um dinheiro ou jogar golfe (cf. Vicky e Doug, Judy e Mark). Não seria tão mal, salvo pelo detalhe seguinte: em geral, nesses casais “normais”, ao menos um dos parceiros vive com a sensação de que sua escolha amorosa é resignada, fruto de um comodismo medroso: “O outro não é bem o que eu queria; culpa minha, que não tive a coragem de me arriscar a amar…”
Detalhe: como o amor-paixão é um ideal cultural, não é preciso ter atravessado a experiência da paixão para idealizá-la (as más línguas diriam, aliás, que é mais fácil idealizá-la sem tê-la vivido em momento algum).

3) Os que parecem não idealizar o amor-paixão passam o tempo se protegendo contra ele. Deve ser por isto que a “normalidade” amorosa pode ser insuportavelmente chata: porque ela exige a construção esforçada de defesas contra a paixão -argumentos morais e sociais, sempre mais “razoáveis” do que racionais (cf. Mark, Doug). Num casal, quem critica a doidice da paixão não parece sábio aos olhos de sua parceira ou de seu parceiro; ao contrário, ele parece, quase sempre, pequeno e um pouco covarde (cf. Vicky e Doug, Judy e Mark).

4) A paixão não é uma coisa que a gente possa encontrar saindo pelo mundo como um turista da vida (cf. Cristina). Pois não basta esbarrar na paixão; ainda é preciso encará-la quando ela se apresenta.

Pode ser que, um dia, se ela conseguir matar Juan Antonio com um tiro certeiro, Maria Emilia seja internada ou presa. Pode ser que Juan Antonio seja um sujeito amoral e, por isso, perigoso. Pode ser que Vicky seja desesperadamente normal, trocando a chance de amar por uma casa num subúrbio norte-americano (estou sendo injusto com Vicky: na verdade ela tenta…).

Mas, para mim, a mais “patológica” de todas as personagens do filme é Cristina. Sua aparente abertura para a vida (”Ela não sabia o que queria, mas sabia o que não queria”, narra a voz em off) é apenas uma versão “bonita” e literária de sua “insatisfação crônica” (diagnosticada por Maria Emília, com razão). Nisso, Cristina é muito próxima da gente: ela quer e consegue brincar com a paixão, mas sem perder a ilusão da liberdade ou o sonho do que ela poderia encontrar na próxima esquina. Por isso, sua voracidade é a do turista: tira muitas fotos pelo mundo afora, mas será que ela se deixa tocar pela vida?

5) Disse que “Vicky Cristina Barcelona” trata dos percalços da vida amorosa com leveza e bom humor; de fato, saí do cinema sorrindo, e não era o único. Mas a amiga que me acompanhava comentou: “Adorei, mas é um filme triste”. “Como assim?”, estranhei. Ela respondeu, com razão: “É um filme triste porque os personagens se apaixonam, vivem sentimentos fortes, mas, no fim, tudo isso não transforma ninguém. Vicky e Cristina vão embora iguais ao que elas eram no começo, sobretudo Cristina…”.

Minha amiga tinha razão. O amor e a paixão não nos fazem necessariamente felizes, mas são uma festa e uma alegria porque deles podemos esperar ao menos isto: que eles nos tornem um pouco outros, que eles nos mudem. Agora, nem sempre funciona…

ccalligari@uol.com.br

13/07/2008 - 18:09h A cura pelo sexo

Estudos mostram ganhos para longevidade, defesas naturais e forma física

Dan Roberts Do Independent – O Globo

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Melhorar a auto-estima é uma das mais citadas razões pelas quais as pessoas fazem sexo, segundo um estudo da Universidade do Texas publicado na “Archives of Sexual Behavior”. O resultado não surpreendeu Julia Cole, autora de “How to have great sex for the rest of your life” (Como ter sexo bom pelo resto da vida). Ela está convencida de que uma vida sexual saudável com a pessoa amada faz maravilhas pelo amor próprio.

— Depois de uma sessão de sexo, o corpo libera endorfinas, conhecidas como “as drogas da felicidade” porque melhoram nosso humor — afirmou. — Do ponto de vista físico, a sensação é similar à que sentimos depois de uma boa sessão de ginástica ou natação.

Mas se você faz sexo com alguém que ama, se sente mais acolhido e isso promove a auto-estima.

Quando o sexo é bom, cientistas dizem que ele promove uma melhora na percepção da própria imagem corporal, bem como uma redução da ansiedade e da incidência de problemas psiquiátricos, depressão e suicídio.

Indicado para dores do corpo e da alma

Um estudo com homens de quatro diferentes culturas revelou que a satisfação sexual está relacionada ao aumento da freqüência dos encontros e inversamente ligada à depressão. Durante o orgasmo, o corpo produz oxitocina, um hormônio ligado a diversos efeitos positivos tanto físicos quanto psicológicos.

Um dos maiores é o impacto benéfico no sono.

— Não há dúvida que sexo é relaxante e ajuda a combater a insônia — afirmou David Delvin, especialista em medicina sexual. — Muitas pessoas usam o sexo como um auxílio para adormecer. E isso está ligado à liberação da oxitocina, que é um sedativo natural.

Um dos principais benefícios do sexo à saúde é o impacto positivo na forma de lidar com estresse.

Num estudo publicado na “Biological Psychology”, 24 mulheres e 22 homens mantiveram registros diários de sua atividade sexual. Os pesquisadores os submeteram a situações de estresse, como falar em público ou fazer contas em voz alta.

Os que tinham feito sexo se saíram melhor nas situações estressantes do que os demais.

Segundo Julia Cole, isso pode ser explicado pelo efeito tranqüilizador dos carinhos do parceiro.

— Muitas pesquisas já mostraram que o toque tem um efeito calmante natural nos seres humanos, seja relacionado ao sexo ou não. E, claro, se o carinho for feito por alguém de quem se gosta, o efeito calmante será dobrado.

Além da óbvia sensação prazerosa de ser tocado ou acarinhado, há um efeito bioquímico de redução do efeito do cortisol, o hormônio secretado quando estamos sob estresse.

Fazer sexo uma ou duas vezes por semana está relacionado também a maiores níveis de um anticorpo chamado imunoglobulina A, ou IgA, capaz de proteger contra resfriados e outras infecções.

Cientistas da Universidade de Wilkes testaram os níveis de IgA em 112 estudantes que registraram a freqüência de sua atividade sexual.

O grupo que fazia sexo com mais freqüência apresentava maiores índices de IgA do que os que não tinham relações ou faziam sexo menos de uma vez por semana.

A terapeuta sexual Paula Hall acredita que o impacto positivo do sexo no bem-estar ajuda a aprimorar o sistema imunológico.

— Todos os benefícios psicológicos têm um impacto em sua saúde física. O sistema imunológico é um exemplo — afirmou. — Quanto mais saudáveis estivermos psicológica e emocionalmente, mais saudáveis estaremos fisicamente.

Ejaculações freqüentes podem reduzir o risco de homens desenvolverem câncer de próstata em idade avançada, de acordo com um estudo publicado na revista “British Journal of Urology International”.

Ao rastrear a vida de homens com câncer e compará-los a outros da mesma idade sem a doença, os cientistas constataram que aqueles que ejaculavam pelo menos cinco vezes por semana na juventude tiveram o risco de desenvolver o tumor reduzido em um terço.

— Há fortes indícios de que homens que se masturbam regularmente têm menos chances de ter câncer de próstata — afirmou Delvin.

A freqüência do número de relações sexuais também está relacionada à menor incidência de problemas de ereção. Médicos finlandeses estudaram quase mil homens com idades entre 55 e 75 anos e descobriram que os que faziam sexo com mais freqüência eram os que corriam menos risco de desenvolver problemas de ereção.

Os resultados estão na edição deste mês da revista médica “The American Journal of Medicine”.

Após avaliar a saúde sexual de 989 homens, os pesquisadores viram que, entre os que diziam fazer sexo menos de uma vez por semana, a incidência de disfunção era dobrada.

A conclusão foi obtida após levar em conta outros fatores ligados ao problema, como idade, doenças crônicas, obesidade e fumo.

Fazer sexo e ter orgasmos com freqüência é uma das principais formas de aumentar a intimidade entre um casal e garantir uma relação saudável a longo prazo — o que já foi relacionado em muitos estudos a uma maior expectativa de vida. E o responsável por isso é, novamente, a oxitocina.

— Ele é liberado por pessoas que estão em relações seguras ou longas, bem como durante o contato sexual — afirma Julia Cole. — Esse efeito de ligação é uma das razões pelas quais as pessoas continuam a fazer sexo mesmo quando já não são mais férteis.

A atividade sexual, como qualquer outro exercício, queima calorias e gordura. Trinta minutos de sexo intenso queima pelo menos 85 calorias. Pode não parecer muito, mas é cumulativo — 42 sessões de meia hora queimam 3.570 calorias, o que é suficiente para perder cerca de meio quilo.

— Sexo queima calorias, é comparável a um exercício moderado — garante Delvin.

E é muito mais divertido.

15/06/2008 - 10:40h Abc da pátria

+ Livros – FOLHA DE SÃO PAULO

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ENTRE O IÍDICHE E O INGLÊS, O NOBEL DE LITERATURA ISAAC SINGER REAVALIA SEU PASSADO NAS CRÔNICAS DE “NO TRIBUNAL DE MEU PAI”

CRISTOVÃO TEZZA
ESPECIAL PARA A FOLHA

Um traço marcante da obra de Isaac Bashevis Singer (1904-1991), escritor judeu nascido na Polônia, e que em 1935 emigraria para os EUA, é o fato de escrever em iídiche -uma língua da família germânica grafada com caracteres hebraicos que, durante séculos, foi o idioma das comunidades judaicas ashkenazis da Europa Central.
Com o Holocausto, o iídiche praticamente desapareceu. Isaac Singer, entretanto, jamais abandonou a língua materna nos mais de 50 anos em que viveu nos EUA, o que cria a singularidade de um autor com “dois originais” -as traduções de Singer, Prêmio Nobel de Literatura de 1978, são feitas a partir do inglês, que por sua vez estabelece o texto “oficial” de sua literatura.
Esse detalhe ilustra um dos aspectos centrais da história do romance -sua linguagem é a confluência e tradução de muitas línguas que são a um tempo códigos e concepções específicas de mundo.

Consciência plurilíngue
E, do ponto de vista biográfico, a vida de Singer, com a infância mergulhada no tenso encontro de línguas, culturas e religiões, pode ser lida como ilustração cristalina do que o teórico russo Mikhail Bakhtin (1895-1975) chamava de “consciência plurilíngue do mundo”. Os textos de “No Tribunal de Meu Pai” são exemplares nesse sentido. Trata-se de um conjunto de crônicas autobiográficas em que a formação do autor é retomada em episódios apresentados mais ou menos em ordem cronológica e que se encerra nos seus 12 anos (quando conhece “uma garota morena com olhos escuros como carvão e um sorriso indescritível”).
O tribunal a que o título faz referência é a instituição judaica do “Bet Din”, o tribunal rabínico. Filho de um rabino de Varsóvia, o futuro escritor passou a infância impregnado de um senso de justiça religiosa em que se atravessam a pobreza, a onipresença da palavra escrita como fonte de referência da “verdade”, a disputa das várias correntes conflitantes que marcam o judaísmo, a consciência de quem está, do ponto de vista político, em lugar nenhum -e, sobretudo, o peso da idéia de lar se confundindo com a idéia de tribunal.
Se nas mãos de Kafka esse último ingrediente daria a síntese aterrorizante que conhecemos em obras como “O Processo” e “O Castelo”, em Isaac Singer -um escritor de raiz substancialmente popular, imerso na oralidade e no humor vivaz, comunitário, do mundo da aldeia- o resultado é outro.
A diferença central talvez seja esta: no mundo das memórias infantis de Isaac Singer, as coisas ainda não estão estratificadas na forma de Estado, não são regulamentos inalterados por mãos humanas.

Sinais escritos
O juiz é um homem de substância simples que tem de resolver questões miúdas do cotidiano, casos de divórcio ou dúvidas sobre a pureza de gansos abatidos. O senso de justiça é uma insegura escolha humana, a partir de alguns poucos sinais escritos, aos quais devemos dar um sentido.
O sentimento de mudança permanente, muito forte -mudança física e mental, política, social e econômica, ao deus-dará entre poloneses, russos, alemães, austríacos naquele sombrio limiar da Primeira Grande Guerra-, vai marcando cada passo da criança atenta, que pouco a pouco percebe o anacronismo da ortodoxia paterna e absorve a perspectiva transformadora de seu irmão mais velho, depois o poder da literatura, num tempo de utopias.
A força documental das crônicas, ao descreverem o mundo desaparecido, é temperada pela perspectiva literária -a história de Isaac Singer é a percepção de um escritor, não o documento frio de um historiador.
Em nenhum momento se perde a perspectiva da criança e a sensação de um mundo a descobrir e inventar; e, em cada crônica, está presente a afirmação absoluta do valor do indivíduo, princípio e fim de todas as dúvidas: “Como era vasto o mundo, e como abundavam nele todo tipo de pessoas e acontecimentos estranhos! (…) E onde estava Deus, de quem tanto se falava em nossa casa? Eu estava maravilhado, encantado, extasiado. Sentia que precisava solucionar esse enigma, sozinho, com meu próprio discernimento”.


CRISTOVÃO TEZZA é autor do romance “O Filho Eterno” (Record) e de “Entre a Prosa e a Poesia – Bakhtin e o Formalismo Russo” (Rocco).NO TRIBUNAL DE MEU PAI
Autor: Isaac Bashevis Singer
Tradução: Alexandre Hubner
Editora: Companhia das Letras (tel. 0/ xx/11/ 3707-3500)
Quanto: R$ 49 (360 págs.)

15/04/2008 - 12:19h Crise nas bolsas: falta ou sobra testosterona?

Hormônios influenciam ganho na bolsa de valores

Estudo com operadores de Londres relaciona alto nível de testosterona a lucro

Cortisol, hormônio ligado ao controle do estresse, subiu com a variação do resultado do operador e em resposta à volatilidade do mercado

RICARDO BONALUME NETO

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA DE S.P.

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Hormônios não afetam apenas humores; aumentam a chance de fazer fortuna ou cometer bobagens em uma bolsa de valores. Uma pesquisa mostrou que operadores do mercado financeiro que começam a trabalhar com altos níveis de testosterona no sangue tiveram lucros acima da média.

A pesquisa, feita com operadores em Londres, mostrou ainda que o hormônio cortisol, ligado ao controle do estresse, aumenta de acordo tanto com a variação dos resultados do operador quanto em resposta à volatilidade do mercado.”Eu costumava trabalhar em Wall Street e observava alguns operadores tomarem atitudes não-racionais, e a pesquisa foi uma tentativa de explicar isso”, disse à Folha por telefone o líder do estudo, John Coates, professor do Departamento de Fisiologia, Desenvolvimento e Neurociência da Universidade de Cambridge, Reino Unido, e também da sua escola de administração de empresas.

Coates e o colega Joe Herbert, do departamento de fisiologia da mesma universidade, fizeram medidas de hormônios no local de trabalho de 17 operadores -homens de 18 a 38 anos com rendas anuais que variavam de 12 mil a mais de 5 milhões de libras.

As medidas eram feitas a partir de amostras de saliva às 11h e às 16h. Nenhum dos operadores tomou medicação ou comeu algo que pudesse interferir no sistema endócrino, nem recebeu notícia de caráter pessoal que pudesse afetar o humor (e os hormônios).

A testosterona é produzida em parte nos testículos, em parte no córtex adrenal (a região mais externa das glândulas supra-renais). Ela medeia o comportamento sexual e comportamentos competitivos.”O papel da testosterona já foi notado antes em atletas”, diz Coates. Ela aumenta em esportistas se preparando para uma competição, ainda mais se eles ganham, além de diminuir nos que perdem. O efeito aumenta a confiança e a propensão a correr riscos e eleva as chances de ganhar de novo.”

Como a testosterona provou estar associada a ganhar e perder, e o cortisol tem um papel na resposta ao estresse e à incerteza, desenvolvemos a hipótese de que esses esteróides responderiam à tomada de risco financeiro”, escreveram os dois autores em artigo na edição de hoje da revista “PNAS” (www.pnas.org), da Academia de Ciências dos EUA.

Eles previram que a testosterona aumentaria em dias lucrativos e o cortisol aumentaria pelo estresse das perdas acima da média. Os resultados confirmaram a primeira previsão, mas sugerem que o cortisol está mais vinculado à incerteza do que à perda de dinheiro.

Eles alertam, porém, que testosterona em excesso pode ser algo negativo: o operador fica muito ousado e assume riscos perigosos. Segundo Herbert, isso pode influenciar outras pessoas que trabalham sobre grande pressão e têm de tomar decisões rápidas -como controladores de tráfego aéreo-, podendo alterar seu desempenho.

02/04/2008 - 16:56h Candidato do DEM gaúcho tem um baita senso de humor

RSVP

Com lugar reservado no avião da comitiva, a deputada federal Maria do Rosário (PT) acompanhará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na visita à Capital amanhã. Além dela, outros dois pré-candidatos à prefeitura de Porto Alegre estarão ao lado do presidente: o prefeito José Fogaça e a deputada federal Manuela D’Ávila (PC do B).

– Considero muito natural que, ao lado do presidente, esteja o prefeito José Fogaça. Mas acho natural que eu também esteja, como deputada federal e pré-candidata. Acredito que o deputado Onyx Lorenzoni (pré-candidato do DEM) também deveria estar – disse Rosário.

Quando soube que o blog falaria com o deputado, a petista brincou:

– Diz pra ele que eu estou convidando.

Resposta de Onyx:

– O convite da deputada, como sempre, foi muito gentil. Se eu não tivesse um compromisso no Rio, estaria em Porto Alegre sem problemas. Mas, enquanto ela vai estar aí acompanhando Lula, eu vou aprender com o prefeito Cesar Maia (DEM-RJ) como se administra bem uma cidade. Discutiremos ações em gestão que vão me ajudar a enfrentá-la melhor nas eleições.

*****
Onyx participará às 14h, no Rio de Janeiro, de um seminário sobre gestão municipal para os pré-candidatos do DEM nas eleições municipais.

Postado por Larissa Magrisso

21/03/2008 - 01:45h Eu rio sim… estou vivendo…

Com Era da inocência, o diretor Denis Arcand mantém o mesmo nível cômico dos seus filmes anteriores, O declínio do Império Americano e Invasões Bárbaras. É uma comédia brilhante, com um timig teatral da melhor qualidade, que conta a história de X, um funcionário público em crise de meia idade e suas fantasias absurdas.

Na Poética de Aristóteles, há algumas boas pistas sobre a estrutura da comédia. Segundo o pragmático filósofo, ela é “a imitação dos homens inferiores” e busca “aquela parte do torpe que é ridículo”, enquanto a “a epopéia e a tragédia concordam somente em serem, ambas, imitações de homens superiores.”

Fazer comédia, portanto, é escarnecer: mostrar o quanto somos risíveis, patéticos, ridículos. “Eu não sou besta pra tirar onda de herói”, já cantava o saudoso roqueiro baiano. E rimos. Rimos de nós mesmos, da nossa própria condição transitória, dos nossos dilemas banais.

Rir é um hábito extremamente saudável, como praticar esportes, fazer sexo ou ver o seu time ser campeão. Milan Kundera, em seu Livro do Riso e do Esquecimento, chega a dizer que riso é o último bastião do oprimido contra o opressor. Você pode me subjugar e cercear os meus direitos, mas eu posso rir da sua cara! Hahaha!

Há quem diga que existem seis ou sete piadas arquetípicas, das quais infinitas outras seriam simples variações. Tais piadas fariam parte do inconsciente coletivo, da gosma mental sobre a qual escreveram Freud, Jung e outros. Desde os tempos dos deuses, heróis e bestas mitológicas, já havia um gaiato que podia até perder a eternidade, mas não perdia uma brincadeira.

O bom humorista não segue regras e postulados e, como um músico experimental, tira do improviso as suas maiores intuições. Mas em um filme como a Era da Inocência podem-se catalogar algumas técnicas sobejamente utilizadas pelos piadistas de todos os continentes, como:

O exagero: técnica mais utilizada por aí, que tende a tornar tudo maior, mais escroto, mais grotesco e mais surreal. É também da pedra fundamental do desenho cômico, a caricatura.

A ironia: esta é mais sofisticada. Quando você diz uma coisa, na verdade está dizendo outra coisa. Sacou? Ou quer que eu desenhe?

O choque de realidades: você fantasia que é o ban-ban-ban, o magnata do petróleo, o intelectual do século, cercado de beldades, sendo devidamente bajulado e idolatrado. A realidade vem e te mostra o zé-ruela feio e burro que você é.

O exercício deliberado do anacronismo: inserir num contexto algo totalmente diverso, como o Papa dançando na boquinha da garrafa ou a Carla Perez lendo Heidegger em alemão.

O pastelão: alguém levando um estabaco ou tomando uma lapada no pé orelha. A mais antiga e bem sucedida forma de fazer rir.

Aquele que não ri é usualmente chamado de enfezado. Ou seja, cheio de fezes. O mau-humor, portanto, seria um fenômeno psicossomático que ocorre em virtude da prisão de ventre. Nessas horas, vale o provérbio aplicado aos futebolistas relapsos: pede pra cagar e sai.

posted by MakNamara