29/08/2008 - 09:02h Autopeças abrem novas fábricas
Cleide Silva - O Estado de São Paulo

A fabricante de autopeças ZF vai investir R$ 715 milhões no Brasil na ampliação das quatro fábricas do grupo e na construção de uma quinta filial, em local a ser definido. A unidade da Argentina receberá R$ 38 milhões, totalizando R$ 753 milhões a serem aplicados na região até 2013. O valor é 40% superior ao previsto pela companhia no início do ano.
Puxadas pelas montadoras, que anunciaram ampliação de capacidade e novas unidades, empresas de autopeças também partem para um novo ciclo de investimentos que ampliará o número de fabricantes no País. Só a Hyundai, que estuda a construção de uma fábrica em Piracicaba (SP), deve atrair pelo menos 10 fornecedores coreanos que não atuam no Brasil.
Juntas, montadoras e autopeças planejam investir US$ 23 bilhões (cerca de R$ 37 bilhões) de 2008 a 2012, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Só neste ano, as fábricas de veículos vão gastar US$ 4,9 bilhões (R$ 8 bilhões), enquanto as de componentes calculam aportes de US$ 1,6 bilhão (R$ 2,6 bilhões).
A capacidade produtiva das montadoras saltará de 3,5 milhões de veículos este ano para cerca de 5 milhões nos próximos cinco anos. A Toyota anunciou para 2011 nova fábrica em Sorocaba (SP), para 150 mil carros, projeto que deve consumir cerca de US$ 700 milhões (R$ 1,1 bilhão). Embora ainda não tenha batido o martelo, a Hyundai deve ter uma fábrica própria em São Paulo para mais de 100 mil automóveis anuais, com investimentos próximos ao da concorrente japonesa.
“A América do Sul, principalmente o Brasil, tem sido cenário atraente para investimentos”, disse ontem o presidente mundial da ZF, Hans-Georg Härter. Segundo o executivo, a região e outros mercados, como os do chamado Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), devem compensar a queda de vendas em mercados maduros, como os Estados Unidos.
A ZF produz no Brasil sistemas de embreagens e de direção e peças como coxins e buchas em fábricas em Sorocaba, São Bernardo do Campo e Araraquara, em São Paulo, e Belo Horizonte. Na Argentina, produz amortecedores e suspensões. Juntas, as fábricas empregam mais de 4 mil pessoas.
O local da próxima fábrica de transmissões no País deve ser anunciado até novembro, e deve ficar com cerca de R$ 200 milhões do investimento previsto até 2013. Disputam o projeto os Estados de São Paulo (com Sorocaba), Santa Catarina (com Lages) e Minas Gerais.
“Vamos levar em conta principalmente custos com logística e mão-de-obra”, informou Wilson Bricio, presidente da ZF América do Sul. Além da nova unidade, o investimento ampliará a produção atual de sistemas de direção em 30% e dobrará a linha de embreagens (de 2 milhões para 4 milhões de peças/ano). A produção de transmissões passará de 40 mil para 200 mil unidades por ano.
Parte do aporte também irá para o desenvolvimento de novas tecnologias, como a de sistemas híbridos, uma combinação de motor elétrico com transmissão automatizada.
A filial brasileira, inaugurada há 50 anos, foi a primeira do grupo fora da Alemanha e responde por 4% da receita mundial, de 12,7 bilhões em 2007 (R$ 30 bilhões). “Este ano a participação deve aumentar para 5%, de um faturamento total de 13 bilhões”, disse o vice-presidente executivo do grupo, Wolfgang Vogel. A ZF está presente em 25 países, com 119 fábricas. As exportações da filial devem passar de R$ 302 milhões em 2007 para R$ 660 milhões em 2010. Entre os mercados que receberão produtos brasileiros estão a China e a Rússia.