21/11/2008 - 09:07h Cotas para alunos pobres

Câmara decide que reserva de vagas em universidades federais não obedecerá só a critérios raciais

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Isabel Braga e Demétrio Weber BRASÍLIA - O Globo

De afogadilho, a Câmara aprovou ontem projeto que cria reserva de vagas para alunos de escolas públicas em instituições federais de ensino superior e de educação técnica. Na última hora, os deputados fizeram uma mudança importante no projeto, que já fora aprovado pelo Senado: além das cotas raciais, haverá uma cota social, baseada na renda familiar, para beneficiar os estudantes mais pobres.

O texto estabelece a reserva de, no mínimo, 50% das vagas (por curso e turno) oferecidas pelas instituições a estudantes que tenham cursado, integralmente, os três anos do ensino médio em escolas públicas. Dentro desses 50%, agora há outros dois critérios a serem obedecidos: a renda familiar (metade dessas vagas será preenchida por estudantes com renda familiar de até um salário e meio per capita) e a questão racial.

Por causa da mudança — proposta pelo ex-ministro da Educação, deputado Paulo Renato Souza (PSDB-SP) —, o projeto voltará ao Senado.

Em cada estado, as vagas destinadas às cotas serão divididas de acordo com a proporção da variável étnica, tendo por base o último Censo do IBGE. Assim, se uma universidade oferece 200 vagas para Direito, cem serão reservadas para estudantes de escolas públicas que prestam o vestibular. Dessas, 50 serão ocupadas por estudantes de baixa renda, negros ou não. No caso do critério de raça, é preciso saber qual a porcentagem de negros, pardos e índios no estado.

Em 2004, o governo enviou ao Congresso proposta que previa a reserva de vagas para os estudantes do ensino público e a cota racial.

Desde 2006, o projeto estava pronto para ir a plenário, mas PSDB e o DEM resistiam à proposta.

Os tucanos queriam trocar o critério racial pelo de renda. Uma proposta da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), de mesmo teor, foi aprovada este ano no Senado e enviada à Câmara.

O projeto foi anexado aos que já tramitavam na Casa, mas ontem prevaleceu o substitutivo do deputado Carlos Abicalil (PT-MS).

Para viabilizar a votação ontem, líderes do PT e do PSDB tentaram encontrar um texto de consenso. Foram incluídas emendas, escritas à mão, como a da reserva de vagas para os estudantes de baixa renda, de Paulo Renato.

— Minha tese era de que, com o critério de renda, o problema racial estaria resolvido. Mas parte do governo reiterou o compromisso com os movimentos raciais. O que se vota hoje são dois critérios: o racial e o de renda. Não é o ideal, na minha opinião, mas, para garantir o acordo, concordamos — disse Paulo Renato.

Artigo polêmico sobre dispensa de vestibular

O projeto, no entanto, segue para o Senado com um artigo polêmico e considerado inconstitucional.

Ele acaba com a exigência de exame de seleção e diz que serão consideradas, para a ocupação das vagas, as notas dos estudantes nos três anos do ensino médio. Abicalil, que não estava ontem em Brasília, acreditava que este artigo tinha sido retirado do texto.

— Ninguém é dispensado do vestibular, esse critério fere a autonomia das universidades — disse Abicalil, sinalizando que o artigo deverá ser retirado no Senado.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, participou ativamente da negociação que permitiu a aprovação do projeto. De seu gabinete, por telefone, orientava o líder do governo, Henrique Fontana (PT-RS). O tom da conversa era tenso: num dos diálogos, Haddad quase gritava, a ponto de ser ouvido na sala ao lado, onde jornalistas o aguardavam para uma entrevista.

Ele interrompeu a entrevista três vezes para falar com Fontana.

— A discussão é sobre o corte de renda. O ingrediente novo é esse. Acho cabível — afirmou o ministro.

Haddad defendeu que o limite de renda familiar fosse o mesmo do programa Universidade para Todos (ProUni): um salário mínimo e meio por pessoa, no caso de quem ganha bolsa de 100% para estudar em instituições privadas.

Em relação à resistência de universidades federais contra a definição de uma regra nacional de cotas, já que diversas instituições adotam modelos distintos de reserva de vagas, o ministro lembrou que foi acertado um prazo de transição de quatro anos, o que garantiu o apoio da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

O coordenador nacional do Movimento dos Sem Universidade (MSU), Sérgio Custódio, comemorou a votação na Câmara: — O Brasil caminha para se equiparar ao resto do mundo, que vive um momento pósracista, após a eleição do presidente americano Barack Obama. Um mundo onde há espaço para a diferença — disse Custódio

15/11/2008 - 16:42h IBGE: PIB ainda mostra concentração

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Distrito Federal tem a maior renda per capita do país e Piauí, a menor

Liana Melo - O Globo

O Brasil começou a ensaiar os primeiros passos no sentido de reduzir sua concentração econômica, mas ainda assim 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos) continuaram a ser gerados, em 2006, por sete estados mais o Distrito Federal. Este grupo é composto por São Paulo, Rio, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Santa Catarina.

A capital do país manteve ainda a maior renda per capita nacional. No Distrito Federal, este valor foi de R$ 37.600 em 2006, o que significou três vezes o PIB per capita geral (de R$ 12.688).

São Paulo, a principal economia do país, perdeu representação no PIB nacional entre 2002 e 2006. A economia paulista, que tinha um peso de 34,6% em 2002, caiu para 33,9% quatro anos depois. Segundo Frederico Cunha, gerente de Contas Regionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por ser a locomotiva econômica do país, São Paulo tende a sofrer mais com os baixos resultados do nível de atividade industrial.

— Do mesmo modo que São Paulo sofre em anos de baixa atividade econômica, também se recupera rapidamente quando o país volta a crescer — explicou Cunha.

O Rio, por sua vez, aumentou sua participação no PIB, de 11,60%, em 2002, para 11,62%, em 2006. A ligeira queda de São Paulo foi compensada pelo pequeno aumento de participação do Rio, o que acabou conferindo à região Sudeste do país um aumento de 56,7% do PIB, em 2002, para 56,8% em 2006. Pelos dados do IBGE, o valor nominal do PIB de São Paulo e Rio de Janeiro eram, respectivamente, de R$ 802,5 bilhões e R$ 275,3 bilhões.

Apesar de não constar do clube das oito maiores economias do país, o Ceará foi o estado que mais cresceu em 2006: 8%, bem acima da média nacional, 4%. O desempenho da economia cearense foi seguida praticamente por toda a região Nordeste. A explicação, segundo Cunha, é que o comércio, setor da economia que tem peso importante na região, apresentou um bom desempenho em 2006. O impulso para estimular as vendas veio do aumento da massa salarial e dos recursos liberados pelos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família.

De 2002 a 2006, segundo o IBGE, o peso da região Nordeste no PIB nacional cresceu de 13% para 13,1%.

Enquanto o Distrito Federal manteve a liderança no ranking do PIB per capita anual, os estados do Maranhão e Piauí continuaram a ocupar as últimas posições no ranking do IBGE: R$ 4,6 mil e R$ 4,2 mil, respectivamente.

Já em São Paulo, dono do maior PIB nacional, a renda per capita foi de R$ 19.548 e no Rio, de R$ 17.695.

— Como para alguns estados, como o Distrito Federal, a a administração pública tem muita importância, movimentos de contenção de despesas podem ter força para afetar o resultado do PIB — afirmou Cunha, referindo-se a eventuais reduções de gastos devido à crise econômica.

10/11/2008 - 10:55h Salário da indústria sobe 7,9% em 12 meses e emprego industrial cresce

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Emprego industrial cresce 0,1% em setembro, aponta IBGE

Folha de pagamento real da indústria registra resultados positivos em todas as bases de comparação no mês

Jacqueline Farid, da Agência Estado

RIO - O emprego industrial registrou alta de 0,1% em setembro ante agosto, na série com ajuste sazonal, segundo divulgou nesta segunda-feira, 10, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com setembro do ano passado, houve aumento de 2,2%. O índice de média móvel trimestral da ocupação na indústria, considerado o principal indicador de tendência, registrou alta de 1,1% no trimestre encerrado em setembro ante o terminado em agosto. No ano, o emprego industrial acumula alta de 2,7% e em 12 meses, de 2,9%.

A folha de pagamento real da indústria registrou resultados positivos em todas as bases de comparação em setembro. Houve alta de 2,7% ante agosto; de 7,9% ante setembro do ano passado e aumento acumulado de 6,8% no ano e de 6,7% em 12 meses. O índice de média móvel trimestral da folha de pagamento real registrou aumento de 1,3% no trimestre encerrado em agosto ante o terminado em setembro.

Entre os 18 setores pesquisados, o valor da folha de pagamento real aumentou em 13, com os impactos positivos mais importantes vindos de meios de transporte (16,0%), máquinas e equipamentos (12,4%), metalurgia básica (19,3%), produtos de minerais não-metálicos (20,7%) e produtos de metal (13,3%). Em sentido oposto, os principais recuos vieram de papel e gráfica (-2,3%) e têxtil (-2,7%).

O emprego industrial aumentou em 12 dos 14 locais investigados pelo IBGE em setembro, na comparação com igual mês do ano passado. Os Estados de São Paulo (2,6%), Minas Gerais (5,2%) e Rio Grande do Sul (3,3%) exerceram as pressões mais significativas no resultado geral. Por outro lado, Santa Catarina (-1,9%) e Paraná (-0,3%) foram as influências negativas na ocupação do setor.

Em nível nacional, as atividades que foram destaque no crescimento do emprego em setembro foram máquinas e equipamentos (10,2%), meios de transporte (8,2%), máquinas, aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (10,2%), produtos de minerais não-metálicos (8,1%) e alimentos e bebidas (1,9%). As principais quedas foram apuradas em vestuário (-7,1%), madeira (-11,3%) e têxtil (-6,5%).

07/11/2008 - 10:19h Indústria tem expansão em todas as regiões em setembro

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Jacqueline Farid, RIO - O Estado SP

Os resultados regionais da indústria confirmaram o bom desempenho do setor em setembro, ainda distante dos efeitos da crise. Houve aumento na produção, em comparação a igual mês do ano passado, em todos os 14 locais pesquisados pelo IBGE. A indústria de São Paulo prosseguiu como principal impacto positivo, em todas as bases de comparação.

O economista da coordenação de indústria do IBGE André Macedo disse que as regiões que registraram as maiores altas na produção em setembro são também aquelas com maior destaque em segmentos que têm liderado a expansão industrial, como bens de capital e bens de consumo duráveis, sobretudo automóveis.

Em análise divulgada ontem, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), observa que os dados permitem antecipar que os principais centros industriais, como São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul, poderão enfrentar problemas sérios de crescimento nos próximos meses. “O dinamismo da produção está marcado pelo desempenho dos setores de bens de capital e bens duráveis, notadamente pelos segmentos de máquinas e equipamentos e veículos automotores”, diz o documento do Iedi.

Estes segmentos, prevêem os técnicos do instituto, devem sentir de forma mais intensa a desaceleração, “seja pelo problema do crédito ou pela queda dos investimentos decorrente das expectativas francamente negativas dos empresários”.

Os destaques de expansão em setembro, comparativamente a igual mês do ano passado, com resultados acima da média nacional (9,8%) foram o Espírito Santo (16,5%), Rio Grande do Sul (15,7%), Paraná (14,4%), Amazonas (13,7%) e Bahia (10,9%). A indústria paulista cresceu abaixo da média (8,1%) nesse confronto mas, segundo Macedo, há uma elevada base de comparação do ano passado na região e, além disso, pelo peso de São Paulo - cerca de 40% da produção nacional - o Estado permanece como principal impacto no resultado nacional.

SÃO PAULO

Em São Paulo, na comparação com setembro do ano passado, 16 dos 20 setores contribuíram positivamente na formação da taxa global. Os principais destaques foram: veículos automotores (18,5%), máquinas e equipamentos (16,8%), farmacêutica (21,5%) e outros equipamentos de transporte (50,8%). Em sentido contrário, as pressões negativas mais importantes vieram de outros produtos químicos (-10,2%) e alimentos (-4%).

Ainda em setembro, na comparação com agosto, a pesquisa mostrou que sete das 14 regiões registraram aumento na produção. Segundo Macedo, os locais que mostraram expansão são também aqueles com maior peso na produção nacional e, por isso, garantiram o crescimento de 1,7% na indústria nessa base de comparação, segundo divulgou o IBGE na terça-feira.

11/10/2008 - 09:39h ”Eu não falo em morte se visito alguém no hospital”

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Presidente Lula explica seu otimismo e diz que seu papel é passar serenidade à sociedade brasileira

João Domingos - O Estado de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo vai ajudar as empresas brasileiras a obterem os empréstimos necessários para enfrentar a crise econômica mundial. “Nunca fiz tantas reuniões com o presidente do Banco Central (Henrique Meirelles) e o ministro da Fazenda (Guido Mantega), porque nós temos que acompanhar (tudo) com lupa, para não sermos pegos de surpresa”, disse o presidente em entrevista aos portais na internet, entre eles o limão.com.br, do Grupo Estado.

Lula disse que seu papel é o de passar serenidade para que a sociedade continue acreditando no País. Ele admitiu que a crise é “profundamente forte”, mas o Brasil está preparado. “Essa é a diferença básica, e por isso nós vamos continuar incentivando (as empresas)”. Ele afirmou ainda que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e os programas sociais estão mantidos.

Apesar do otimismo, Lula disse que, se a crise implicar diminuição dos investimentos, ou o governo for obrigado a diminuí-los, tomará as medidas necessárias. “Com a mesma serenidade que digo que o Brasil está em um momento bom, eu vou dizer: ?companheiros, a situação está se agravando e nós vamos ter que fazer isso, fazer aquilo?, e anunciar as medidas”, disse o presidente.

NATAL

“Eu continuo otimista que nós vamos ter um Natal extraordinário. Até porque, embora o Brasil participe da economia global, a crise não chega do mesmo tamanho em todos os países. No Brasil, nós ainda não temos nenhum grande projeto que tenha sofrido qualquer arranhão. A decisão do governo é manter todas as obras do PAC.

Portanto, eu acho que precisamos nos preparar para comprar tudo aquilo que a gente sonha comprar no Natal e torcer para que o Ano Novo seja infinitamente melhor.”

ATÉ ONDE A CRISE VAI

“Os dados do IBGE mostram que o emprego continua crescendo. Portanto, embora essa seja uma crise muito maior que todas as outras que aconteceram, seja a russa, a asiática ou a do México, o Brasil está mais preparado.

É como se tivéssemos tomado uma vacina contra uma doença. Então, ela está demorando para chegar ao Brasil. Talvez, se chegar, chegue em proporção muito menor do que nos Estados Unidos ou na Europa.”

O POVO E A CRISE

“O povo está vendo na televisão, e é preciso saber como essa crise é vendida todo santo dia. Eu me lembro de uma vez em que morreu uma galinha em Marília e colocaram na televisão que era gripe aviária. O que aconteceu? Diminuiu o consumo de frango no Brasil, e a gripe aviária não tinha nem chegado aqui. A questão da febre amarela, dos macacos aqui, foi vendida como uma coisa nacional, quando era uma coisa localizada. Então, é preciso que a gente dê às crises a dimensão que elas têm.”

LULA, O OTIMISTA

“Tem muita gente que fala ‘o presidente Lula está muito otimista, não está vendo a crise’. Ora, meu Deus do céu! Eu sou um tipo de ser humano que, quando vou visitar alguém no hospital, não fico contando para ele quantas pessoas já morreram daquela doença, eu fico contando das pessoas que se curaram. O meu papel é passar serenidade para a sociedade brasileira, a verdade absoluta para o povo brasileiro.”

BANCOS ESTÃO BEM

“Não há sinal de que os bancos estejam metidos no subprime. Se tiverem, vai aparecer em algum momento. Isso é como boletim de criança que tira nota baixa e quer esconder do pai. Não adianta, um dia aparece. Então, é melhor que as pessoas contem logo, para as pessoas tomarem posição.”

O PROER DE FHC E HOJE

“Alguns já estão agindo com mais sabedoria. Eu já vi pessoas mais conservadoras dizerem: ‘nós vamos disponibilizar recursos para os bancos, mas comprando ações dos bancos’. As pessoas já não querem mais dar, como nós demos o Proer.

As pessoas agora estão fazendo o seguinte: ‘Está precisando de dinheiro para garantir a conta corrente das pessoas’ Então, é o seguinte: vou pôr tanto, e isso significa que estou comprando ações desse banco?. Na hora em que a situação melhorar você pode vender, devolver as ações.”

MEDIDAS

“Tomamos medidas para garantir que o Banco Central pudesse fazer redesconto. Nós tomamos como primeira medida diminuir o compulsório para que os bancos grandes pudessem comprar as carteiras dos menores. O Banco do Brasil, por exemplo, comprou três carteiras.

Nós fomos informados depois de que havia uma pressão dos bancos grandes em cima dos pequenos, ou seja, é aquele negócio, não é? As pessoas querem levar vantagem em tudo. Não vamos permitir que os bancos pequenos fiquem reféns dos bancos grandes. Vai o próprio Banco Central fazer o redesconto.”

19/09/2008 - 11:27h Pnad: Aumenta o acesso a bens de consumo

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Aumenta o acesso a bens de consumo

Itens como computador, telefone, televisão e geladeira estão mais presentes nos domicílios de baixa renda

Jacqueline Farid, O Estado SP

O número de domicílios com acesso a computador e internet deu um novo salto em 2007, ano em que os brasileiros, especialmente os de renda mais baixa, também aumentaram o suprimento doméstico de bens de consumo duráveis. Segundo a Pnad, no ano passado, 20,4% dos domicílios do País, ou 11,4 milhões, tinham acesso à internet - crescimento de 23% em relação ao ano anterior.

Em um número ainda maior de domicílios - 15 milhões, ou 27% do total - havia computador - aumento de 24% em comparação a 2006. Embora ainda seja pequena a parcela da população conectada à rede da informatização, levando-se em conta os últimos sete anos, os indicadores relativos aos serviços de informação na Pnad dispararam.

O porcentual de domicílios com acesso à internet passou de 8,6% em 2001 para 17,1% em 2006 e 20,4% em 2007, acompanhando um aumento forte no acesso ao computador: 12,6% em 2001; 22,4% em 2006, e 27% em 2007.

Os brasileiros também ampliaram ainda mais o acesso à telefonia no ano passado, continuando a expansão na aquisição de aparelhos celulares. O número de domicílios com telefone móvel foi 2,8 milhões a mais do que no ano anterior, quando 27,7% tinham apenas celular.

O porcentual de domicílios que tinham apenas telefone móvel alcançou 17,8 milhões, ou 31,6% do total das residências pesquisadas. No que diz respeito aos domicílios com algum aparelho de telefone, de qualquer tipo, houve acréscimo de 2,7 milhões de 2006 para 2007. Assim, os domicílios com telefone passaram de 74,5% do total para 77%, mas o principal avanço deveu-se, realmente, à ampliação da telefonia móvel.

A Pnad mostra também que a quantidade de domicílios com apenas telefone fixo convencional caiu 11,8% de 2006 para 2007, mas houve acréscimo nos domicílios com os dois tipos de telefone (3,7%).

ACESSO

A posse de bens duráveis, como fogão, televisão e geladeira, aumentou mais para os domicílios de baixa renda entre 2004 e 2007. O porcentual de residências com fogão no País aumentou de 97,5% para 98,1% no período, ou 0,6 ponto porcentual mas, para os domicílios com renda até três salários, a fatia passou de 95,6% para 97,0%, com acréscimo de 1,4 ponto.

No caso do acesso a geladeira, enquanto para todas as rendas o porcentual chegou a 90,8% dos domicílios em 2007 - avanço de 3,4 ponto em comparação a 2004 -, no caso dos domicílios com renda até três salários o porcentual com esse bem de consumo passou de 77,5% para 84,4%, alta de 7,2 ponto.

Situação similar ocorreu com os televisores: de 90,3% para 94,5% (4,2 ponto), no caso do total das rendas e de 83,2% para 90,9%, ou 7,7 ponto. O gerente da coordenação de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, comentou que o aumento do trabalho com carteira assinada e a alta no rendimento levaram a população de renda mais baixa a ter acesso a crédito farto, o que vem impulsionando a economia desde o ano passado. Desse modo, houve maior aquisição de bens de consumo duráveis.

Os dados da Pnad corroboram o aumento, já constatado nas pesquisas que acompanham o movimento do comércio, da demanda por esses bens. Esse segmento liderou um forte crescimento nas vendas varejistas, principalmente de móveis e eletrodomésticos, em 2007, que aumentaram 15,4% em relação ao ano anterior.

A pesquisa mostra que, no que diz respeito aos domicílios com renda acima de 10 salários mínimos, há uma quase universalização no acesso ao fogão (98,0%), televisão (99,7%) e geladeira (99,5%).

Ainda de acordo com os dados da Pnad, o consumo domiciliar aumentou significativamente nos últimos 15 anos. Em 1992, a pesquisa apontava que em 94,8% dos domicílios havia fogão; em 2007, já eram 98,2%. Houve aumento expressivo também nos domicílios com geladeira, de 71,5% em 1992 para 91,4% em 2007. No mesmo período, houve altas ainda na posse de máquina de lavar roupa (24,1% para 40,0%); rádio (84,9% para 88,4%) e televisão (74% para 94,8%). Por outro lado, caiu o porcentual de domicílios com filtro de água (57% em 1992 e 51,4% em 2007).

19/09/2008 - 11:16h Pnad: Desigualdade cai, mas avanço social do País ainda é tímido

O melhor perfil do brasileiro

Divulgada anualmente, a Pnad é considerada o mais amplo levantamento sobre a realidade do País. Apura as características domiciliares em relação ao acesso a bens e serviços, abrangência da educação, panorama do mercado de trabalho e evolução da renda do trabalhador. Mostra também aspectos demográficos, como fluxo migratório e taxa de natalidade. A pesquisa é feita desde 1967 e desde 2004 passou a ter cobertura completa do território nacional. Os dados servem para o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB), Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e informações sobre cultura e projeções de população.

Diferença entre ricos e pobres tem queda recorde, mas indicadores sociais e econômicos evoluem lentamente, segundo o IBGE

Felipe Werneck e Jacqueline Farid,O Estado SP

 


Mesmo com a repetição de avanços na distribuição de renda e no emprego, a persistente desigualdade da sociedade brasileira prejudica a evolução dos indicadores sociais, como mostrou a nova edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o levantamento revela que ocorreu, no ano passado, a maior redução na diferença entre ricos e pobres no Brasil desde 1990, segundo o Índice de Gini, que caiu de 0,541 para 0,528.

A pesquisa também informa que havia 14,1 milhões de brasileiros analfabetos em 2007 - o que coloca o País em 15º lugar em proporção de alfabetizados na América Latina e no Caribe - e 4,8 milhões de crianças trabalhando. Em contraposição, a cobertura previdenciária e a rede de esgoto passaram de 50%, em melhorias concentradas no Sudeste e no Sul.

“Os indicadores sociais só não avançam mais porque a distribuição de renda não se dá numa velocidade maior do que a verificada nos últimos anos”, disse o presidente do IBGE, Eduardo Nunes. “De 2006 para 2007, já observamos uma redução acentuada (na concentração). Mantida essa velocidade, a partir de agora certamente os indicadores sociais poderão acompanhar mais de perto o crescimento da renda.”

A queda no Índice de Gini - que varia de zero a 1 e indica maior desigualdade quanto mais aumenta - foi a reafirmação de uma tendência já verificada em anos anteriores no Brasil. A PNAD mostrou que, em 2007, o Gini da distribuição de renda do trabalho (não incluindo outras rendas) passou de 0,540 em 2006 para 0,528 em 2007.

Apesar da redução forte, o Brasil ainda está muito atrás de outros países nesse indicador. O Gini da Rússia, por exemplo, é 0,399; o da China, 0,469; e o da Índia, 0,368. Todos têm distribuição de riqueza menos desigual que a brasileira.

“O Brasil não é um país pobre; é rico e se aproxima de países desenvolvidos em alguns indicadores, mas a distribuição de renda é como a de países que nem sabemos direito onde estão no mapa”, disse Nunes. A concentração de renda no País está mais próxima da de nações pobres da América Central, como El Salvador (0,524) e Panamá (0,561), ou africanas, como Zâmbia (0,505), África do Sul (0,578), Suazilândia (0,504) e Zimbábue (0,501).

Segundo a pesquisa, os aumentos no rendimento médio real dos trabalhadores nos últimos quatro anos não foram suficientes para recuperar as perdas ocorridas entre 1996 e 2003. Em 2007, a renda dos ocupados chegou a R$ 960, o maior valor dos últimos oito anos, mas ainda foi 6% inferior à de 1996 (R$ 1.023,00), ano de pico da renda na série da PNAD, iniciada em 1992. Depois, houve perdas até 2003, estabilidade em 2004 e recuperação em 2005, 2006 e 2007.

MELHORES NOTAS

No campo econômico, os indicadores de 2007 colhidos pela Pnad são repletos de boas notícias. O índice de formalização do emprego foi recorde no ano passado, com 35,7% de trabalhadores com carteira assinada. O índice é o maior na série histórica da pesquisa. Mas 8,1 milhões de pessoas ainda estavam desempregadas e a renda e a taxa de desemprego não retornaram ainda ao nível de 10 anos atrás.

O aquecimento da produção industrial fez o número de ocupados crescer 4,6% no período, em relação a 2006. Foi o primeiro aumento na ocupação na indústria apurado na Pnad desde 2004. A agricultura, contudo, continuou reduzindo o contingente de trabalhadores. A ocupação na atividade agrícola caiu 4% em 2007 ante 2006.

Em 2007, também houve redução no número de crianças de 5 a 17 anos que trabalhavam. Ainda assim, esse número chegou a 1,2 milhão na faixa de 5 a 13 anos, na qual o trabalho infantil é ilegal. O decréscimo foi de 171 mil em relação a 2006. Mais de 37% dos menores de 18 anos que trabalhavam no ano passado morava no Nordeste.

Na educação, o País registrou em 2007 um recuo de 0,5% no total de estudantes com mais de quatro anos de idade - indicativo da redução no número de jovens e da evasão de estudantes do ensino médio - e mais um recuo pequeno no índice de analfabetismo. Nesse indicador, com 10% de população de mais de 15 anos analfabeta, o Brasil ainda amarga índices piores do que os de países bem mais pobres da América Latina e do Caribe, como Peru, Paraguai, Suriname e Bolívia.

Pela primeira vez desde 2004, quando foi incluída na Pnad a área rural da Região Norte, a parcela da população que se declarou negra ou parda (49,7%) superou o porcentual de autodeclarados brancos (49,4%) no País em 2007.

A taxa de fecundidade caiu mais uma vez no País e, pela primeira vez, ficou abaixo do nível de reposição: 1,95 filho por mulher, em média. Segundo o presidente do IBGE, a mudança confirma a tendência de envelhecimento da população, que, na Europa, levou 100 anos para se completar, mas, no Brasil, durou só quatro décadas - começou no fim dos anos 60.

No ano passado também ocorreu aumento no número de domicílios com acesso a microcomputador e à internet. Segundo a Pnad, 20,4% dos domicílios do País, ou 11,4 milhões, tinham acesso à web, com crescimento de 23% ante o ano anterior. O País também passou de 48,5% para 51,3% de domicílios ligados à rede coletora de esgotos. A distribuição do benefício, contudo, é muito desigual: no rico Sudeste, era 79,4%; no Norte, 9,8%. WILSON TOSTA,

19/09/2008 - 11:10h Pnad: Emprego formal cresce para 35,7%

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Índice de trabalhadores com registro em carteira é o maior da série histórica da pesquisa, iniciada em 1992

Jacqueline Farid, O Estado SP

O recorde no índice de formalidade foi o destaque do mercado de trabalho no País em 2007 - ano em que se manteve a evolução positiva do emprego, com queda na taxa de desocupação e alta no rendimento dos trabalhadores. Segundo dados da Pnad, o porcentual de trabalhadores com carteira assinada no total de ocupados chegou a 35,7%, ante 34,3% em 2006. Esse é o maior nível da série histórica da pesquisa, iniciada em 1992. Apesar dos avanços, 8,1 milhões de pessoas ainda estavam desempregadas no País.

O gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, destacou que o aumento das ocupações formais já vinha sendo revelado nas principais regiões metropolitanas - a coleta de dados do instituto é feita em seis delas - e a Pnad mostra que o fenômeno é nacional. O levantamento divulgado ontem indica que, entre 2006 e 2007, o número de trabalhadores com carteira assinada cresceu 6,1% no País, com destaque para a Região Nordeste, onde a alta foi de 8,5%.

No que diz respeito aos empregados sem carteira, houve, no total do País, uma queda de 0,7% de 2006 para 2007. Os analistas da Pnad ressaltaram que o contingente de 20,6 milhões de trabalhadores sem registro “ainda é elevado”.

CAUSAS

O economista-chefe da consultoria MB Associados, Sérgio Vale, avalia que os principais fatores que têm elevado a formalidade são a segurança de um crescimento mais sólido da economia, o aumento da fiscalização e, sobretudo, a iniciativa de empresas de registrar em carteira a mão-de-obra para ter acesso a linhas de crédito para investimentos.

A gerente da Pnad, Maria Lúcia Vieira, afirmou que o aumento da formalização foi puxado especialmente pelo ganho de vagas na indústria, o segmento do mercado de trabalho que mais contrata com carteira assinada. A exemplo de Vale, ela citou o aumento da fiscalização do Ministério do Trabalho como um motivo para o crescimento.

Mas para Fabio Romão, da LCA Consultores, a fiscalização teve pouca influência no fenômeno. Segundo ele, o número de trabalhadores com carteira está crescendo acima da média dos ocupados porque há evolução sustentável da economia no País, aumento da confiança dos empresários e expansão do mercado interno e dos investimentos.

Assim como Vale, Romão cita o aumento da formalização na construção civil como um dos motivos para o acréscimo nas contratações com carteira. Ele lembrou que muitas empresas de construção abriram o capital em 2007 e, para isso, tiveram de garantir a formalidade da mão-de-obra.

A Pnad mostrou também aumento de 1,6% no número de pessoas ocupadas no País, que totalizaram 90,8 milhões de trabalhadores em 2007. Houve pequeno recuo no nível de ocupação (parcela de pessoas ocupadas no total da população acima de 10 anos), para 57%, ante 57,2% no ano anterior. Mas, segundo a gerente da Pnad, a queda ocorreu “onde tinha que acontecer”, ou seja, nas faixas etárias entre 10 e 14 anos e acima dos 50 anos. De acordo com Maria Lúcia, o nível de ocupação mostra tendência de elevação desde 1996 e essa perspectiva não foi revertida no ano passado.

DESEMPREGO

Os dados do desemprego na Pnad também mostraram leve melhora em 2007. A taxa de desocupação recuou para 8,2%, ante 8,5% no ano anterior. O número total de 8,1 milhões de pessoas que estavam sem emprego e em busca de trabalho apurado pela Pnad representa uma queda de 1,8% ante o ano anterior.

O desemprego apresenta recuos sucessivos desde 2004, mas ainda está em patamar superior a 1997, quando a taxa era de 7,8%. No início da série da pesquisa, em 1992, a taxa de desemprego era ainda menor, de 6,5%.

Para Romão, da LCA, o desemprego não caiu mais porque pessoas que tinham desistido de procurar trabalho voltaram ao mercado, entusiasmadas com o aquecimento da economia. Ele afirmou que as maiores quedas na taxa estão ocorrendo em 2008 e serão captadas pela próxima Pnad.

11/09/2008 - 10:18h O Brasil continua bombando

PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.



É possível cuidar da inflação e das contas externas sem paralisar o desenvolvimento econômico do país

O IBGE divulgou ontem o PIB do segundo trimestre. Mais uma vez, os resultados foram animadores. Com o passar do tempo, vai ficando mais claro que o Brasil está finalmente conseguindo deixar para trás o quadro de estagnação ou crescimento medíocre que marcou a maior parte das décadas de 1980 e 1990 e o início da atual.
No primeiro semestre, o PIB aumentou 6% em relação ao primeiro semestre de 2007. Desde o ano passado, vem ocorrendo uma aceleração gradual da economia. Todos os macrossetores estão crescendo de forma respeitável. A indústria cresceu 6,3% em relação ao primeiro semestre de 2007; a agropecuária, 5,2%; o setor de serviços, 5,3%. Brasileiro desconfia de boa notícia.
E com razão. Ficamos todos mais ou menos traumatizados pelos choques e frustrações que o país experimentou durante quase 25 anos.
Muitos podem estar se perguntando: será que estamos crescendo demais? A economia brasileira corre o risco de bater em algum teto?
A preocupação é pertinente. Se a expansão da demanda ultrapassa a capacidade produtiva, pode haver pressão inflacionária e/ou aumento exagerado das importações e desequilíbrio nas contas externas.
Os dados mostram, contudo, que o investimento produtivo vem apresentando desempenho excepcional.
A formação bruta de capital fixo está aumentando há oito trimestres consecutivos. No segundo trimestre deste ano, o investimento fixo foi nada menos que 16,2% mais alto do que em igual período de 2007.
Ora, a formação bruta de capital é o componente da demanda agregada que, deduzida a depreciação do estoque de capital existente, cria capacidade produtiva adicional na economia. O comportamento vigoroso do investimento talvez explique o fato de que não se tenha notado, no passado recente, uma elevação expressiva do grau de utilização da capacidade no setor industrial. As séries dessazonalizadas, baseadas em levantamentos da Fiesp e da CNI, indicam estabilização do nível de aproveitamento da capacidade industrial instalada. De outubro de 2007 a junho de 2008, o grau de utilização vem variando entre 83% e 84%. Segundo a FGV, o grau de utilização do potencial de produção da indústria chegou a 86,1% em julho, contra 85,2% em julho de 2007.
Em outras palavras, estima-se uma ociosidade média da ordem de 14% a 17% no setor industrial. Podem existir, é claro, pontos de estrangulamento em alguns subsetores, com efeitos sobre preços e/ou a balança comercial. Por outro lado é bem provável que os dados de capacidade instalada subestimem o potencial da indústria. Muitas firmas podem aumentar os níveis de produção de modo relativamente rápido por meio de investimentos de pequeno porte, aumento no número de turnos de trabalho e outras adaptações nos processos industriais.
Não se deve perder de vista, além disso, que também existe capacidade ociosa no mercado de trabalho.
As taxas de desemprego vêm caindo, mas ainda há muitos trabalhadores à procura de emprego ou subempregados em ocupações precárias. A taxa de desemprego aberto nas seis principais regiões metropolitanas ainda se situava em 8,1% em julho.
As taxas de desemprego total (desemprego aberto, desemprego por trabalho precário e desemprego por desalento) variavam entre 9,6% em Belo Horizonte e 21,6% em Recife.
Temos condições, portanto, de continuar crescendo. Não podemos descuidar da inflação e das contas externas. Mas parece possível equacionar esses problemas sem paralisar o desenvolvimento do país.


PAULO NOGUEIRA BATISTA JR., 53, escreve às quintas-feiras nesta coluna da FOLHA DE SÃO PAULO. Diretor-executivo no FMI, representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago). pnbjr@attglobal.net

PIB a 3,5% não é tragédia, afirma Belluzzo

Na opinião do economista, a crise global levará o Brasil a diminuir o ritmo e pode requerer um forte corte de juros

A exploração dos campos do pré-sal ajudará o Brasil a absorver melhor o impacto da desaceleração mundial, afirma conselheiro de Lula

Joel Silva - 13.jun.08/Folha Imagem
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O economista Luiz Gonzaga Belluzzo, professor da Unicamp

DENYSE GODOY - Folha SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O desempenho da economia brasileira no segundo trimestre foi animador, mas, agora, já se notam sinais de desaquecimento, diz o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, 65, professor da Unicamp e conselheiro informal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, não se deve fazer drama com a diminuição do ritmo do país, pois os futuros avanços partirão de um nível de atividade elevado.

FOLHA - O PIB brasileiro cresceu 6,1% no segundo trimestre porque os juros ainda não começaram a fazer efeito. Como fica o cenário para o Brasil em 2009, considerando também a crise global?
LUIZ GONZAGA BELLUZZO - Minha impressão é que já há sinais de desaceleração. Acho que teremos, sim, uma taxa de crescimento mais baixa. Mas precisamos ter claro que uma queda de 6% para 4% ou 3,5% [ao ano] não é nenhuma tragédia. A partir de um nível já alto, vai ter um crescimento menor. E não há como evitar essa desaceleração, pelo menos nos próximos anos, enquanto durar a desaceleração global.

FOLHA - O senhor disse anos?
BELLUZZO - O Brasil terá que atravessar um período de ajustamento, no tempo que durar a recessão global. Mas, depois, tem a exploração do pré-sal, que começa a dar resultados.
Será necessário então cuidar do financiamento à exploração. A descoberta do pré-sal pode reduzir um pouco as trombadas do ajustamento brasileiro.

FOLHA - A economia dos EUA cresceu 3,3% no segundo trimestre. Isso significa que o alastramento dos problemas bancários pela economia ainda não se deu?
BELLUZZO - Na verdade, o setor externo deu uma contribuição importante para que o PIB americano não recuasse. Porque todos os componentes da demanda agregada caíram: o emprego caiu, a produção caiu, o desemprego aumentou. O efeito positivo do setor externo vai depender [daqui para a frente] da reação das outras economias à recessão dos EUA.
Os países que precisam do empuxo da economia americana estão começando a entrar em recessão, como a Europa e a Ásia. A China certamente vai se desacelerar, e não temos certeza -pois trata-se de um momento inédito- de qual será a sua reação. O seu peso não é suficiente para compensar uma desaceleração dos EUA e da Europa. Não digo que não possa, mas tenho minhas dúvidas.

FOLHA - Analistas afirmam que o Brasil não mostra estar sofrendo muito com a crise justamente porque a China segue crescendo bastante. Quais seriam as conseqüências para o país se ela diminuir consistentemente o ritmo?
BELLUZZO - A queda de preços das commodities que estamos vendo é resultado da desmontagem de posições no mercado futuro mas também das expectativas de demanda no mundo real. Temos que esperar para ver o que acontece. O BC brasileiro está em uma situação muito difícil, precisando tomar decisões complexas. Seria conveniente que tivesse mais tempo para pensar, mas isso não é possível.

FOLHA - O senhor acha que o BC errou ao diagnosticar que a inflação tinha um componente forte de demanda interna?
BELLUZZO - Esse é um juízo muito complicado, não dá para ter uma posição radical em relação a isso. Sempre que você toma posição radical, você corre o risco de errar. Como disse [Antônio] Delfim [Neto], se você não tem certeza do que está fazendo, faça devagar…

FOLHA - No aumento da Selic, o BC está indo bem rápido…
BELLUZZO - Ali atrás, o julgamento do BC era que havia um choque de commodities junto com a aceleração do crédito e da demanda interna, um processo que poderia levar à disseminação do choque de preços. Agora, estamos em um momento diferente, mudaram as perspectivas. Diria que é um azar o BC ter que decidir agora, ele pode se equivocar.

FOLHA - Continuar elevando os juros é um equívoco?
BELLUZZO - Corre-se o risco de se cometer um exagero.

FOLHA - É possível combinar controle da inflação com crescimento da economia?
BELLUZZO - Acho que o Brasil vem tendo um comportamento mais do que razoável. Desde 2004, o país está crescendo a taxas compatíveis com uma inflação baixa. Porém, dependendo da velocidade [da desaceleração global], a política econômica [do país] é outra.

FOLHA - Como seria, nesse caso?
BELLUZZO - Tem que desmontar rapidamente esse diferencial de juros, senão você vai aprofundar a sua recessão, como os alemães fizeram em 1930. Eles acharam que o choque de 1929 era transitório, mantiveram uma política de juros altos para atrair de volta os capitais e conseguiram na realidade agravar a sua deflação interna, o que levou a um desastre. Não digo que a nossa situação é a mesma; porém, se a desaceleração for muita e a aversão ao risco continuar e começar um movimento de capitais daqui para fora, podemos ter uma situação difícil a enfrentar.

11/09/2008 - 10:06h Consumo das famílias tem expansão de 6,7% no 2º tri

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Aumento da massa salarial e do crédito alimenta crescimento pelo 19º trimestre

Analistas esperam desaceleração do consumo só a partir dos últimos três meses do ano, com efeito da alta dos juros pelo BC

FOLHA SP

O consumo das famílias se manteve aquecido e registrou alta de 6,7% no segundo trimestre em relação a igual período do ano passado. Esse é o 19º trimestre seguido de expansão nessa base de comparação. Segundo analistas, a perspectiva é que nos próximos trimestres o consumo já comece a dar sinais de desaceleração por conta da alta de juros promovida pelo Banco Central desde maio.

Em relação ao primeiro trimestre, a alta no consumo das famílias foi de 1%.

“O consumo tem se mantido em ritmo acelerado desde o ano passado. Ele está crescendo acima do PIB”, afirma Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE.

Para o instituto, a expansão do consumo foi motivada principalmente pelo aumento da massa salarial.

No segundo trimestre, a massa salarial dos brasileiros teve alta de 8,1%. Além disso, o crédito farto e os prazos longos de pagamento dos empréstimos contribuíram para a expansão.

Houve crescimento de 32,9% no saldo de operações de crédito com recursos livres para pessoas físicas.

No primeiro semestre, o consumo das famílias registrou alta de 6,7%. Na avaliação do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), os dados mostram que o consumo “conserva uma evolução que, sem ser explosiva, é alimentadora das decisões de investimento dos empresários”.

Para o instituto, ligado à indústria, o ritmo de crescimento do país é equilibrado e os resultados desmentem a tese de que a economia brasileira poderia estar em um processo perigoso de aceleração, que levaria a uma ameaça do controle da inflação e justificaria forte alta nos juros.

No fim do ano passado, o ritmo mais acelerado de crescimento do consumo das famílias levou o Banco Central a se preocupar com a possibilidade de um superaquecimento da economia. No quarto trimestre de 2007, o consumo teve alta de 8,6% em relação a igual período do ano passado. No primeiro trimestre, a alta foi de 6,6%. Desde maio, o BC tem promovido elevações na taxa básica de juros.

Desaceleração

Para Carlos Thadeu de Freitas, economista da CNC (Confederação Nacional do Comércio) e ex-diretor do BC, mesmo com a perspectiva de desaceleração no consumo no final do ano, a tendência é de um crescimento da economia de pouco mais de 5% neste ano.

“Não dá mais tempo de ter uma desaceleração significativa neste ano”, disse.

Para o próximo ano, com a continuidade da política de elevação dos juros do BC, Freitas prevê uma desaceleração para 3,5% a 4%. “O aumento dos juros que o BC está promovendo não surtiu efeito ainda, mas esse cenário não deverá continuar assim no próximo ano”, disse.

Segundo Freitas, existem sinais de desaceleração na ponta no comércio, além dos efeitos de um menor crescimento da economia mundial.

Segundo Braulio Borges, economista da LCA, as vendas de veículos já começam a dar sinais de arrefecimento em agosto. “No quarto trimestre, já começa a haver impacto da política de juros, que leva normalmente de seis a nove meses para começar a influenciar o nível de atividade. Deverá ser o pior momento para a economia neste ano”, disse.

Para Borges, ainda é difícil mensurar o impacto da desaceleração da economia mundial, mas os efeitos deverão ser percebidos primeiro nas exportações e depois no consumo.

11/09/2008 - 09:28h Demanda interna no país já cresce em ritmo chinês

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Investimento e consumo dão ritmo chinês ao PIB

Ana Paula Grabois - VALOR

Apoiada nos investimentos recordes das empresas e do governo em máquinas, equipamentos e construção, a economia brasileira cresceu acima das estimativas no segundo trimestre e fechou o semestre em alta de 6%. Na comparação com o segundo trimestre de 2007, a taxa chegou a 6,1%. Em relação ao primeiro trimestre, o PIB apresentou expansão de 1,6%. “O PIB vem crescendo ao ritmo de 6% há um ano”, disse a gerente das Contas Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis. Ela ressalta que o efeito do novo ciclo de alta dos juros iniciado em abril pelo Banco Central não foi sentido no segundo trimestre.

Sem considerar o efeito negativo do setor externo (importações e exportações de bens e serviços) sobre o PIB, de 2,5 pontos percentuais, o ritmo da expansão doméstica é comparável ao chinês. Segundo cálculos do economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, a demanda interna cresceu 8,5% no primeiro semestre. “É o investimento que está segurando o crescimento do PIB. Sem investimento, o PIB estaria em 4% ao ano”, disse Borges.

Os investimentos registraram alta de 16,2% no segundo trimestre, a 18ª alta consecutiva na comparação com igual período do ano anterior e recorde da série histórica do IBGE, iniciada em 1996. A taxa de investimento sobre o PIB, de 18,7%, foi a maior já registrada para um segundo trimestre desde 2000, quando foi iniciada a série do indicador. No semestre, o nível da alta do investimento também foi recorde e chegou a 15,7%. Segundo cálculos da LCA, em termos dessazonalizados, a taxa de investimento ficou em 19%, a maior desde o primeiro trimestre de 1998 na comparação com todos os trimestres do período analisado.

Dentro dos investimentos, o destaque foram os gastos na construção civil, cuja alta de 9,9% foi favorecida pelas obras públicas e pela alta de 26,7% no crédito habitacional. Para a gerente do IBGE, o período eleitoral contribuiu para esse resultado. “Em anos eleitorais, historicamente, há mais obras públicas”, afirmou.

Os investimentos subiram também sob efeito da expansão de 41,3% do crédito para empresas e do fim da greve na Receita Federal no segundo trimestre. Muitos equipamentos e máquinas importadas que chegaram no início do ano só foram registrados no trimestre seguinte. A greve também foi responsável pela reversão da queda de 2,1% das exportações de bens e serviços apurada no primeiro trimestre. No segundo trimestre, as exportações cresceram 5,1%.

“As empresas estão investindo para atender à demanda interna, que cresce há vários trimestres. O câmbio também ajuda a importar bens de capital e ainda houve aumento das empresas no mercado de capitais, onde elas conseguiram mais recursos para investir”, destacou Giovanna Rocca, economista do Unibanco .

Ela ressalta que o bom resultado dos investimentos aponta para o aumento do PIB potencial, uma vez que o crescimento do consumo das famílias está em desaceleração, ainda que em patamar elevado, indicando que o país pode ter mais oferta disponível para atender à demanda de consumo da população.

Bráulio Borges, da LCA, lembra que, apesar do forte ritmo de investimento registrado desde o fim de 2006, o nível de utilização da capacidade instalada não cede porque a maior parte dos investimentos tem sido dirigida a ampliações de capacidade, o que exige maior prazo de maturação em comparação a investimentos de modernização. Além disso, as diversas obras em andamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal são da área de infra-estrutura, cujos prazos também são mais longos. “Temos um cenário apertado por demanda, mas olhando para frente, o horizonte é favorável. Nunca se investiu tanto em ampliação”, diz.

Outro destaque do PIB foi o gasto elevado da administração pública no período devido às eleições municipais. Como a lei eleitoral proíbe gastos e contratações três meses antes das eleições, o IBGE apurou a antecipação desses gastos, especialmente nas contratações feitas por Estados e municípios. O consumo do governo cresceu 5,3% no segundo trimestre, com alta de 5,6% no semestre. Segundo a LCA, os governos (municípios, Estados e União) responderam por 1,1 ponto percentual dos 6% de alta do PIB no primeiro semestre, o que reflete o próprio crescimento econômico do país. “O governo está arrecadando mais e está fazendo mais superávit primário”, diz Borges.

O consumo das famílias, com peso de cerca de 60% do PIB, continuou em patamar elevado, mas desacelerou ligeiramente e passou de 6,9% para 6,7% do primeiro para o segundo trimestre na comparação com igual período do ano anterior. “A evolução do consumo das famílias continuou em patamar alto, mas não assusta mais como a alta de 8,6% registrada no quarto trimestre de 2007″, disse Bráulio Borges.

Para o IBGE, a expansão do consumo foi motivada principalmente pelo aumento da massa salarial. No segundo trimestre, a massa salarial dos brasileiros teve alta de 8,1%. Além disso, o crédito farto e os prazos longos de pagamento dos empréstimos contribuíram para a expansão. Houve crescimento de 32,9% no saldo de operações de crédito com recursos livres para pessoas físicas. Na avaliação do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, os dados mostram que o consumo “conserva uma evolução que, sem ser explosiva, é alimentadora das decisões de investimento dos empresários”.

Giovanna lembra que o ritmo de crescimento visto ao longo de 2007 já perdeu força em 2008. A taxa de crescimento do consumo das famílias em termos dessazonalizados ficou em 2,1% no segundo semestre de 2007 e desacelerou para 0,7% até junho de 2008.

Pela ótica da produção, o PIB teve como destaque a agropecuária, cuja expansão foi de 4,8% em relação ao segundo trimestre de 2007 em razão das boas safras de café e milho e ainda a ganhos de produtividade que passaram a ser contabilizados pelo IBGE a partir de 2008. A indústria também ficou em patamar elevado, de 5,7%, puxada pela construção civil. (Com Folhapress)

11/09/2008 - 09:24h Investimento puxa alta de 6,1% no PIB

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PIB supera expectativa e cresce 6,1%

Fernando Dantas - O Estado de São Paulo

A força da economia brasileira surpreendeu no segundo trimestre e o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) veio no topo da expectativa dos analistas, e bem acima da maioria dos prognósticos. O PIB cresceu 6,1% em relação ao mesmo período de 2007 e 1,6% - ou 6,6% em termos anualizados - ante o trimestre anterior, na série expurgada de variações sazonais (dessazonalizada).

Em quatro trimestres, ou no ano terminado em junho, o avanço foi de 6%, idêntico à expansão no primeiro semestre de 2008. Foi o maior crescimento registrado pelo PIB em 12 meses desde o início da série, em 1996, e a maior expansão no primeiro semestre desde 2004.

O desempenho do PIB no segundo trimestre foi puxado pelo setor agropecuário e pelos investimentos, que cresceram 16,2% na comparação com o mesmo trimestre de 2007 - foi o 18º aumento trimestral consecutivo. Nos 12 meses até junho, os investimentos registraram expansão de 15,5%. Em ambos os casos, também são as maiores altas desde 1996.

“É um período bastante grande de crescimentos elevados, só equivalente a 2004”, disse Roberto Olinto, coordenador de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O PIB trimestral foi divulgado ontem, no Rio.

Outro fator positivo para o PIB, destacado pelo IBGE,foi o impulso dado pelas contratações e pelas obras do setor público em ano eleitoral (concentradas no primeiro semestre, por causa das restrições no segundo).

A agropecuária cresceu 3,8% de abril a junho, ante o trimestre anterior, na série dessazonalizada. Na comparação com o mesmo trimestre de 2007, o crescimento foi de 7,1%. Em ambas as medidas, foi o setor que mais cresceu. A agropecuária foi puxada pelo café em grão e pelo trigo, que têm safra no segundo trimestre, e com estimativa de crescimento de respectivamente 27,7% e de 12,8% no ano. “São produtos com crescimento da produção e ganhos de produtividade”, explicou a gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis.

Na indústria, o crescimento foi de 0,9% na comparação dessazonalizada com o primeiro trimestre, e de 5,7% ante o primeiro trimestre de 2007. O grande destaque foi a construção civil, que cresceu 9,9% ante igual período de 2007, acumulando uma alta de 9,4% no semestre. A construção civil no segundo trimestre foi puxada pelo aumento de 26,7% no crédito habitacional. Também houve uma alta de 5% na população ocupada na construção.

A indústria de transformação cresceu 4,8% no segundo trimestre, a extrativa mineral, 5,3%, e o setor de utilidades públicas (eletricidade, gás e água), 4,5%. Os serviços cresceram 5,5%, com destaque para a atividade financeira, com expansão de 14%, na esteira da forte expansão do crédito. O PIB do segundo trimestre atingiu R$ 716,9 bilhões.

09/09/2008 - 12:18h Emprego industrial tem a maior alta mensal desde 2004. Renda do trabalhador sobe e uso da capacidade industrial é recorde

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Em julho, o emprego teve crescimento de 0,7% ante o mês anterior. Renda tem 3º mês de alta

Agencia Estado


O emprego industrial teve o maior crescimento mensal desde maio de 2004. Com o ajuste sazonal - que leva em consideração os efeitos temporais -, o crescimento foi de 0,7% em julho ante junho, segundo os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em maio de 2004, a alta havia sido de 1,0%. Ante julho de 2007, a ocupação na indústria cresceu 2,8% e acumula no ano alta também de 2,8% e em 12 meses, de 2,9%.

O IBGE informou ainda que, ante julho de 2007, o número de trabalhadores aumentou em 11 das 14 áreas investigadas, com destaque para São Paulo (4,3%), Minas Gerais (6,6%) e regiões Norte e Centro-Oeste (2,8%). Por outro lado, foram observadas reduções em Pernambuco (-4,4%), Santa Catarina (-1,1%) e região Nordeste (-0,3%).Em nível nacional, o pessoal ocupado aumentou, ante julho do ano passado, em 13 dos 18 setores, com máquinas e equipamentos (12,3%), meios de transporte (9,6%), máquinas, aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (11,6%) e produtos químicos (11,1%) respondendo pelos impactos positivos mais importantes. Na direção contrária, as contribuições negativas mais significativas vieram de calçados e artigos de couro (-9,8%), vestuário (-4,7%), têxtil (-6,2%) e madeira (-8,2%).

Renda

Já o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria aumentou 1,3% em julho ante junho, também na série com ajuste sazonal. Este é o terceiro mês consecutivo de aumento ante mês anterior. Nos confrontos com iguais períodos do ano anterior, os resultados continuaram positivos: 6,9% em julho; 6,6% no acumulado de janeiro a julho e 6,4% em 12 meses.

Com atividade aquecida, uso da capacidade industrial é recorde

Segundo dados da CNI, faturamento real do setor registra expansão de 13,2% no mês de julho e de 9% no ano

Fabio Graner, da Agência Estado


BRASÍLIA - O aquecimento da atividade industrial nos últimos meses tem se refletido na maior utilização da capacidade instalada do País. Em julho, esse índice atingiu 83,5%, o maior nível da série histórica, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em julho do ano passado, a utilização da capacidade instalada estava em 82,5%.

Já o faturamento real da indústria de transformação cresceu 13,2% em julho, ante o mesmo mês de 2007. Na comparação com junho, já com o ajuste sazonal, a alta foi de 0,2%. De janeiro a julho, o faturamento real teve expansão de 9%, em relação a igual período do ano passado.As horas trabalhadas na indústria tiveram alta de 0,5% em julho, ante junho, pelo critério dessazonalizado. Sem o ajuste sazonal, a alta foi de 2,7%. Na comparação com julho de 2007, as horas trabalhadas subiram 7,2%. No acumulado do ano, tiveram expansão de 6,1%.

O emprego na indústria, por sua vez, subiu 0,6% em julho, ante junho, com ajuste sazonal. Sem ajuste, a alta foi também de 0,6%. Na comparação com igual mês de 2007, o emprego subiu 4,4%, mesmo índice do acumulado do ano.

A massa salarial real subiu 3,5% em julho, ante junho. Esse indicador foi divulgado sem ajuste sazonal. Na comparação com julho de 2007, a alta da massa salarial foi de 5,7% e no acumulado do ano, 5,6%.

“A atividade industrial em julho segue em forte trajetória de expansão. O crescimento da atividade industrial em julho é especialmente relevante por ocorrer sobre uma base de comparação muito alta”, diz o relatório da CNI.

03/09/2008 - 09:32h Indústria cresce 8,5% e IBGE diz que juro ainda não fez efeito


Expansão em relação a 2007 mostra que política monetária não conseguiu frear a demanda

Jacqueline Farid - O Estado de São Paulo

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A indústria iniciou o segundo semestre imune à alta dos juros e cresceu 1% em julho ante junho e 8,5% em relação a igual mês do ano passado. Para o coordenador de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Silvio Sales, os resultados confirmam que a demanda interna continua aquecida e o setor deixou para trás o quadro de estabilidade, elevando o ritmo de crescimento.

Os dados mostraram que as importações estão afetando negativamente a produção de bens de consumo duráveis (sobretudo eletrodomésticos), enquanto os investimentos prosseguem em expansão.

Segundo Sales, a alta dos juros iniciada em abril ainda não teve efeito sobre a produção industrial. “Os efeitos dos juros chegariam antes no varejo e isso não apareceu até o momento.” Ele observou que, na indústria, os juros afetariam primeiro as decisões de investimentos, e os robustos dados de bens de capital mostram que isso não ocorreu. De janeiro a julho, o aumento da produção industrial é de 6,6% e, nos 12 meses encerrados em julho, chegou a 6,8%.

A produção de bens de capital aumentou 1,2% ante junho e 22,3% na comparação com julho de 2007, mantendo o perfil de expansão acima da média industrial. De acordo com Sales, não há sinal de arrefecimento da demanda doméstica - um dos objetivos da política monetária - nos dados da indústria.

Ele destacou a inclusão dos bens intermediários na liderança da expansão da produção industrial. Esses bens respondem por 60% da estrutura industrial e vinham apresentado resultados modestos mas, houve um ganho de ritmo na categoria em julho, com expansão de 1,1% ante junho e de 7,5% ante o mesmo período de 2007.

Segundo o coordenador do IBGE, ainda que estejam muito vinculados às exportações, pois incluem commodities como minério de ferro, os intermediários estão sendo puxados pelo mercado interno, sobretudo pelos insumos para construção civil e agricultura.

A avaliação de desempenho vigoroso da indústria é compartilhada por analistas. Para o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, os dados indicam “expansão ainda vigorosa da produção neste começo de segundo semestre”. Segundo ele, “a expectativa de desaceleração que parecia se configurar no começo de 2008 diminuiu” e a indústria voltou a crescer.

O consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Sérgio Gomes de Almeida, destaca a “qualidade” do desempenho industrial. Ele ressalta o resultado de bens de capital, categoria que acumula alta de 18,1% em 2008. “Melhor composição para o crescimento da indústria, impossível, pois a dianteira de máquinas e equipamentos é o que, após um período de três a seis meses, irá gerar a capacidade de produção adicional que a economia precisará para acomodar sem inflação o crescimento da demanda.”

Claudia Oshiro, da Tendências Consultoria, diz que os dados mostram que “a composição do crescimento é positiva, uma vez que a expansão da produção e das importações de bens de capital representam aumento de investimento e, conseqüentemente, ampliam a capacidade produtiva”.

A produção de bens de consumo duráveis (automóveis, eletrodomésticos) teve significativo recuo em julho (-5,2% ante junho), mas nem isso é avaliado como tendência negativa por Silvio Sales. Segundo ele, o resultado “devolve” a expansão de 7% de junho ante maio e está muito mais relacionada ao aumento das importações do que à diminuição da demanda.

“No caso dos duráveis, é preciso olhar para o varejo, não há arrefecimento da demanda.” As importações de duráveis cresceram, em dólar, 78% em julho ante igual mês de 2007. Segundo Sales, não há tendência de queda na produção desses bens.

29/08/2008 - 09:10h Indústria cresce 7,6%, diz o Ipea

Estimativa é para julho, ante o mesmo mês de 2007

Jacqueline Farid, RIO - O Estado de São Paulo

O Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) projeta uma expansão de 7,6% na produção industrial em julho, ante o mesmo mês do ano passado. Na comparação com junho, na série com ajuste sazonal, o instituto espera alta de 0,3%.

As projeções foram divulgadas ontem no Indicador Ipea de Produção Industrial, coordenado pelo economista Leonardo Mello de Carvalho, do Grupo de Análise e Previsões da Diretoria de Estudos Macroeconômicos. Os resultados da produção industrial de julho serão apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira, dia 2.

O documento do Ipea destaca que, em julho, todos os indicadores setoriais utilizados no modelo de previsão da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) apresentaram crescimento na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Na margem, o resultado (0,3%) “indicou uma pequena acomodação”.

Mello de Carvalho destaca ainda, no documento, que entre os indicadores setoriais “mais uma vez a indústria automotiva aparece como principal motor do crescimento”, com aumento de quase 20% na produção em julho ante igual período do ano passado, segundo dados já divulgados pelo setor.

Outro indicador antecedente citado pelo economista é a produção de papelão, que, após encerrar o primeiro semestre estagnada, apresentou pequena recuperação em julho, com crescimento na margem de 0,5% em relação a junho.

O coordenador do Ipea também comenta os resultados da produção industrial de janeiro a junho. Segundo ele, “a produção industrial encerrou o primeiro semestre de 2008 mantendo um ritmo de crescimento ainda bastante elevado”.

O economista destaca, ainda, que a evolução da indústria vem sendo caracterizada pela forte expansão dos setores de bens de capital e de bens de consumo duráveis. Em relação aos bens de capital, ele ressalta “o alto grau de difusão desse crescimento”. E cita dados da pesquisa industrial do IBGE de junho, que mostra que 74% dos subsetores da indústria de bens de capital apresentaram variação positiva no mês.