15/08/2012 - 09:46h Escolas privadas estão abaixo da meta


No ensino médio, 15 Estados e o Distrito Federal não alcançaram a nota mínima; no fundamental, a situação é menos preocupante


São Paulo é um dos três Estados que ficaram abaixo da meta do governo para escolas privadas nos três níveis avaliados pelo Ideb

15 de agosto de 2012

BRUNO DEIRO – O Estado de S.Paulo

No ensino médio da rede particular do Brasil, 15 Estados e o Distrito Federal não atingiram a nota mínima esperada pelo governo no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Para piorar, dois terços dos 20 Estados avaliados em 2009 apresentaram queda ou mantiveram a mesma média no levantamento divulgado ontem.

No ensino fundamental, a situação é menos preocupante. No ciclo de 1.ª a 4.ª série, 33% não atingiram a meta e apenas dois Estados tiveram queda de rendimento. Já entre os alunos de 5.ª a 8.ª série, metade das escolas avaliadas melhorou sua média.

Para especialistas, os números do ensino médio são frustrantes pelo fato de não refletir as vantagens que os alunos da rede privada têm em relação aos que estudam em escolas públicas.

“Os alunos de escolas privadas têm muitas facilidades, pois a maioria aprende idiomas fora do colégio, tem aulas particulares e mais acesso a viagens e ao mundo letrado”, afirma a professora Silvia Colello, da Faculdade de Educação da USP. “Mesmo assim, a rede particular de ensino ainda está longe da sua meta. Paira a concepção de que a escola pública é ruim e a particular é ótima, mas isso é relativo.”

A educadora aponta que a falta de investimentos na atualização dos professores pode ajudar a explicar o mau desempenho. “As escolas particulares estão em um momento difícil, pois têm de assegurar a clientela e garantir a qualidade que demandam os pais. Cobram mensalidades altas, mas funcionam como empresa e não valorizam o professor”, afirma Silvia.

Para Neide Noffs, da Faculdade de Educação da PUC-SP, a rede particular também sente os efeitos da mudança no perfil das provas. Ela afirma que o desafio de ensinar os alunos a contextualizar e analisar questões atuais ainda não foi assimilado pela rede de ensino.

“Os instrumentos de avaliação utilizados hoje têm premissas diferentes. As escolas eram voltadas para memorização, e hoje as avaliações exigem dos alunos maior capacidade de compreensão e interpretação de texto”, explica Neide. “Várias escolas estão tentando fazer isso, e as particulares são mais ágeis nesse processo, mas leva tempo até conseguirem se adequar.”

A professora defende que os projetos de formação continuada dos professores são mais eficientes na rede privada por atenderem às necessidades específicas de cada profissional – no ensino público, esses programas são coordenados pelos governos.

Extremos. A situação mais grave no ensino médio das particulares é de Sergipe, que teve 4,8 e ficou longe da meta de 5,8. Desde a primeira medição, em 2005, o Estado apresenta queda de rendimento e está entre os piores, ao lado do Maranhão (4,8) e Alagoas (4,9). Minas, por outro lado, manteve-se com as melhores médias em todos os níveis – no ensino médio, obteve 6,1 e dividiu o posto com o Paraná.

Nos primeiros anos do ensino fundamental, entre a 1.ª e 4.ª séries, os Estados tiveram bom desempenho e 80% conseguiram melhores índices. Entre a 5.ª e 8.ª séries, os resultados foram menos expressivos: uma das exceções é o Amapá, que saltou de 4,7 em 2005 para 5,6 em 2011, superando em muito a meta de 5,1.

São Paulo é um dos três Estados que ficaram abaixo da meta do governo para escolas privadas nos três níveis avaliados pelo Ideb, ao lado do Distrito Federal e de Pernambuco. Os resultados paulistas do ano passado, no entanto, são menos alarmantes que os da última avaliação, em 2009. O Estado teve melhora significativa entre os alunos de 5.ª à 8.ª série do ensino fundamental e do ensino médio. Nos últimos dois anos, apenas o ciclo da 1.ª à 4.ª série apresentou leve declínio – caiu de 7,2 para 7, próximo à meta de 7,1.

15/08/2012 - 09:33h Ideb 2011: Brasil supera metas, mas ensino médio ainda preocupa


Desde 2005, avanço nos anos iniciais do ensino fundamental é três vezes maior do que no médio

O ministro de Educação, Aloizio Mercadante Foto: Givaldo Barbosa

O ministro de Educação, Aloizio Mercadante                             (Foto Givaldo Barbosa)

Leonardo Cazes, Carolina Benevides e Alessandra Duarte – O GLOBO

RIO – A educação no Brasil melhora mais rápido na base do que na ponta. É o que mostra o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2011, indicador bienal divulgado nesta terça-feira pelo Ministério da Educação (MEC). Nos anos iniciais do ensino fundamental, o país atingiu a nota 5, um crescimento de 0,4 em relação a 2009, e já superou a meta prevista para 2013, de 4,9. O avanço nos anos finais do fundamental foi mais lento: subiu de 4 para 4,1, mas bateu a meta estabelecida, de 3,9. Já o Ensino Médio continua sendo o calcanhar de aquiles do sistema educacional. Com uma melhora de 0,1, atingiu o objetivo, de 3,7, mas continua com resultados piores do que os outros segmentos.

Se forem analisados os avanços obtidos desde 2005, quando o índice foi calculado pela primeira vez, a nota dos anos iniciais evoluiu três vezes mais rápido do que a do ensino médio: de 3,8 para 5, enquanto o último segmento saiu de 3,4 para 3,7. Assim, os dados mostram que, na medida em que o aluno avança na sua vida escolar, seu rendimento piora. A lentidão na melhora também é observada nos anos finais do ensino fundamental. A cada biênio, a melhora tem sido menor.

Em entrevista coletiva para a imprensa, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, comemorou os resultados.

- É uma vitória dos professores do país. Ao mesmo tempo, nos diz que é preciso trabalhar intensamente porque há muito desafios ainda pela frente – disse.

O ministro lembrou que os avanços obtidos nas séries iniciais são fruto de investimentos do governo federal, mas também da ação de professores.

- Políticas públicas são importantes, mas o fundamental é o professor em sala de aula e o gesto da escola.

Mercadante manifestou preocupação, no entanto, com indicadores que mostram que, no Nordeste, 1/3 dos alunos chegam aos 8 anos sem ter sido alfabetizados. Para isso, prometeu um pacto nacional para garantir a alfabetização na idade certa. O governo federal vai lançar o programa ainda este mês incluindo estímulos financeiros para professores dedicados à alfabetização.

Para a diretora-executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz, deve-se comemorar os resultados dos anos iniciais. Para ela, o avanço ocorreu em virtude dos investimentos que vêm sendo feitos na alfabetização.

- Temos que comemorar os resultados nos anos iniciais do fundamental. Houve avanço porque os investimentos estão sendo feitos na alfabetização. O plano do MEC de alfabetizar na idade certa, provavelmente, fará com que os resultados melhorem. Agora, é necessário que haja um pacto entre municípios e estados para que não haja descontinuidade dos bons resultados conforme os alunos vão avançando na escola. E o Ideb também não deve ser encarado apenas como um ranking, mas como um processo, analisando o que dá certo e o que não funciona, para que a educação melhore – diz Priscila. – Infelizmente, com o passar dos anos, cai a porcentagem do que os alunos aprendem, as escolas perdem a capacidade de garantir que aprendam.

Já Naércio Menezes Filho, professor de Economia e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, em São Paulo, um dos motivos para o bom desempenho dos anos iniciais do ensino fundamental não continuar no ensino médio está no fato de que o aprendizado é cumulativo, então “os vícios e problemas de aprendizado que o aluno acumulou em anos anteriores aparecem com mais clareza lá no final”:

- Além disso, um colégio municipal fica mais anos com um aluno, tem mais tempo para trabalhar mudanças, enquanto a rede estadual, que cuida do ensino médio, fica apenas três anos com o estudante.A meta estabelecida no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) é de que o Brasil atinja a nota 6 nos anos iniciais em 2021. Esta é considerada a média dos países desenvolvidos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – explica o professor.

Na Prova Brasil, os estudantes fazem avaliações de português e matemática. Foram exatamente estas provas que puxaram o índice no primeiro segmento do ensino fundamental. A média nas duas disciplinas subiu de 5,22 em 2009 para 5,43 em 2011. Ao mesmo tempo, a aprovação diminuiu, o que puxou o número para baixo. O Índice de Rendimento (IR), que consolida as taxas de aprovação e reprovação, caiu de 0,91 para 0,89. Nos anos finais do fundamental, tanto o IR quanto a média das notas na Prova Brasil melhoraram: de 0,82 para 0,83 e de 4,88 para 4,97.

No caso do ensino médio, nada mudou em dois anos. A taxa que mede a eficiência do fluxo escolar permaneceu em 0,8, assim como o desempenho dos alunos, que ficou em 4,57.

Entenda o Ideb

O Ideb é um índice desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) que tem como objetivo mensurar a qualidade da educação brasileira. No seu cálculo são combinados dois fatores: o desempenho dos estudantes na Prova Brasil, aplicada a cada dois anos, e a taxa de aprovação das redes, usada para medir a eficiência do fluxo escolar. Por isso, uma rede pode ter um desempenho acadêmico melhor do que outra, mas um Ideb pior, devido a taxas de aprovação menores.

15/08/2012 - 09:30h Brasil atinge metas de desenvolvimento da educação em todas as etapas do ensino básico

Nos anos iniciais, índice superou meta proposta para 2013


Brasil atinge metas de desenvolvimento da educação em todas as etapas do ensino básico

Boletim da Secom

O Brasil atingiu as metas estabelecidas em todas as etapas do ensino básico – anos iniciais e finais do ensino fundamental e ensino médio, de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2011, divulgado pelo Ministério da Educação nessa terça-feira (14). Nos anos iniciais (segundo ao quinto), o Ideb nacional alcançou 5 e ultrapassou não só a meta para 2011 (de 4,6), como também a proposta para 2013, que era de 4,9. Nessa etapa do ensino, a oferta é prioritariamente das redes municipais, que concentram 11,13 milhões de matrículas, quase 80% do total.

O Ideb para os anos iniciais do ensino fundamental da rede municipal foi calculado em 5.222 municípios. A meta para 2011 foi alcançada por 4.060 deles (77,5%). Em 2005, quando o Ideb foi calculado pela primeira vez, 57,55% das crianças nos anos iniciais estavam matriculadas em escolas municipais de redes de ensino com avaliação abaixo de 3,8 – média nacional de então. Com a evolução consistente do indicador nos últimos anos, o percentual caiu para 17,09% em 2011.

Ainda em 2005, mais de 7,1 milhões de crianças estudavam nas escolas com o Ideb mais baixo (até 3,8). Esse número caiu para 1,9 milhão em 2011. Nos anos iniciais, consideradas as matrículas de redes municipais com Ideb acima da meta de 5, o registro era de 2,87% das crianças (cerca de 350 mil matrículas). No ano passado, o percentual saltou para 38,04%, com 4,2 milhões de estudantes acima da meta estabelecida.

Finais – Nos anos finais (sexto ao nono) do ensino fundamental, o Ideb nacional atingiu 4,1 em 2011 e ultrapassou a meta proposta, de 3,9. Considerada apenas a rede pública, o índice nacional chegou a 3,9 e também superou a meta, de 3,7.

Assim como nos anos iniciais, a evolução constante do Ideb nos anos finais do ensino fundamental garante o aumento da proporção de matrículas nas faixas de índice mais elevado. Em 2005, 56,20% dos estudantes da rede pública (7,5 milhões) concentravam-se em faixas de Ideb inferiores a 3,4. Em 2011, o percentual caiu para 26,59% (3,2 milhões de matrículas). Redes com Ideb acima de 4,5 atendiam pouco mais de 300 mil estudantes (2,44%). Agora, abrangem mais de 2 milhões (17,17% do total de matriculados).

De todos os municípios (cerca de 4,3 mil) submetidos à avaliação do Ideb para os anos finais do ensino fundamental, 62,5% atingiram as metas, que foram superadas também em todas as regiões do país.

Médio – Em termos nacionais, incluídos ensino público e particular, foi igualada em 2011 a meta para o ensino médio, de 3,7. O indicador é obtido pelas notas do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e pela taxa média de aprovação percentual.

15/08/2012 - 09:20h Rede pública da cidade de São Paulo não alcança nota

15 de agosto de 2012 | 3h 09

O Estado de S.Paulo

A cidade de São Paulo, a mais rica do País, não conseguiu alcançar a meta para 2011 no Ideb nos primeiros anos do ensino fundamental, até a 4ª série. Na ciclo 2 da educação básica, de 5ª à 8ª série, a capital paulista teve um crescimento menor do que no primeiro caso, mas ficou com a nota dentro da meta.

A rede pública de São Paulo incluindo escolas estaduais e municipais tiveram nota de 4,2 enquanto a meta para a cidade era 4,4 no anos finais do ensino fundamental. A média nacional nesse ciclo foi de 5.

Se for levado em conta apenas a rede municipal de escolas a nota foi um pouco maior, de 4,3. A meta no entanto era de 4,6. As escolas estaduais da cidade de São Paulo, com alunos de 5ª à 8ª série, tiveram nota média de 4,1 – enquanto a média para essa rede na cidade era de 4,3.

Já nos anos iniciais, tanto as escolas vinculadas ao município quanto as ligadas ao Estado não alcançaram suas metas – não seguindo, inclusive, a tendência nacional de melhora. E rede municipal ficou com nota 4,8, a meta era 4,9. Já a estadual ficou com 5,3, enquanto a meta era de 5,4.

Geral. Contando todo o Estado de São Paulo, a rede ligada ao governo estadual ficou estagnada entre 2009 e 2011 nos anos inicias e finais do ensino fundamental. O ciclo 1 teve nota 5,4 e o final, 4,3. Apesar de não ter conseguido aumentar sua nota, o Estado se manteve dentro da meta para 2011.

No Estado, 371 anos finais do fundamental escolas não conseguiram alterar em nada a nota do Ideb em dois anos, entre 2009 e 2011 – o equivalente a 10%. Do total desse grupo, 38% das escolas da rede estadual de São Paulo tiveram queda na nota.

No ensino médio, uma das principais dificuldade no País, o Estado de São Paulo teve aumento, de 3,6 para 3,9 na rede estadual. O governo comemorou o resultado do ensino médio. “Em comparação com as redes estaduais do país, o Estado de São Paulo supera o indicador em todos os níveis de ensino”, cita nota do Estado. A Prefeitura de São Paulo informou que não recebeu os dados oficiais, mas ressaltou que as informações indicam que a rede municipal continua crescendo, mostrando o acerto de suas políticas.

04/08/2010 - 07:49h UPP e Escolas do Amanha uma combinação que dá certo, mas não resolve tudo

Policiais militares  ocupam o Morro do Borel, na Tijuca, na Zona Norte do Rio, dando início à implantação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na comunidade
Policiais militares ocupam o Morro do Borel, na Tijuca, na Zona Norte do Rio, dando início à implantação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na comunidade (Foto: Marcos de Paula/Agência Estado)


UPP ajuda mas não garante melhor desempenho escolar. Escolas do Amanhã atingem metas apesar da violência

Ediane Merola – O GLOBO

As Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) fazem a lição de casa corretamente ao levarem paz e segurança às comunidades.

Mas, quando o assunto é educação, um levantamento feito pela vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB) mostra que a presença de uma UPP não é fator determinante para o bom desempenho escolar. Andrea levou em conta o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2009, obtido pelos 150 colégios municipais participantes do projeto Escolas do Amanhã.

A secretária municipal de Educação, Claudia Costin, concorda com a avaliação, mas ressalta que o programa de segurança do estado teve impacto positivo na Cidade de Deus e contribuiu para o aumento da frequência em sala de aula.

Conforme Ancelmo Gois informou ontem em sua coluna no GLOBO, das 110 escolas municipais localizadas em áreas de risco e beneficiadas pelo projeto Escola do Amanhã, 45 bateram a meta do Ideb proposta pelo Ministério da Educação para as séries iniciais, do 1oao 5oano (nota 4,6). Outras 19 apenas melhoraram o desempenho e 12 não alcançaram a nota proposta.

Ao todo, sete Escolas do Amanhã ficam em áreas pacificadas: quatro superaram a meta nas séries iniciais, uma melhorou o desempenho mas não atingiu o objetivo e duas ficaram sem nota (não tinham turma de 5oano em 2009).

— Na verdade não há diferença entre escola em área pacificada ou não. Mesmo em ambiente desfavorável, quando há educação de qualidade, conseguimos bom rendimento — diz Andrea, que cita o exemplo de uma escola da Rocinha.

— Em 2007, o Paula Brito foi o primeiro colégio visitado pela secretária. Estava quase tudo quebrado. Hoje há professores, a escola foi pintada, tem banheiros reformados, pátio coberto, jardins. O Ideb pulou de 4,2 para 5,6. Não precisou de nenhuma revolução. É lógico que a UPP cria um entorno favorável, mas não é condição prévia para melhoria na qualidade da educação.

Claudia Costin concorda e dá como exemplo o trabalho feito em escolas do Complexo da Maré. Segundo ela, apesar de ser uma área conflagrada, a região tem uma presença forte de universitários e já recebeu projetos educacionais de ONGs, que influenciaram a cultura do ensino no local. Ela defende, no entanto, a parceria das UPPs no processo de recuperação das escolas: — No colégio Luiz Carlos Prestes, na Cidade de Deus, houve aumento de 90% na frequência.

O Ideb nas séries iniciais deu um salto de 2,8 para 4,1. O programa da UPP teve um grande impacto nesse desempenho.

As mães têm mais tranquilidade para mandar seus filhos para a escola.

A prefeitura premiará hoje as escolas que conquistaram as metas anuais de desempenho.

Das 290 que cumpriram, 52 são Escolas do Amanhã.

23/07/2010 - 08:05h A difícil nota 6 da educação brasileira

Analistas apontam atraso histórico do país e obstáculos como salário dos professores para se chegar à meta de 2021 no Ideb

Catarina Alencastro – O Globo

BRASÍLIA. Com uma nota atual de 4,6 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o Brasil tem como meta alcançar a nota 6 em 2021. Esse patamar de excelência na qualidade de ensino já foi alcançado pelos países-membros da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) há pelo menos sete anos. Para chegar lá, especialistas ouvidos pelo GLOBO destacam que o ensino brasileiro ainda tem que melhorar muito, mas reconhecem que a caminhada nessa direção já começou. A tarefa agora será de quem suceder ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Célio da Cunha, consultor da Unesco em educação, crê que o Brasil, por ter relegado a educação a segundo plano, dificilmente poderá cumprir a meta prevista daqui a 11 anos. Segundo ele, enquanto a maioria dos países investiu no ensino no século passado, o Brasil se omitiu: — O Brasil só recentemente tratou de corrigir um atraso histórico de não colocar a educação no centro. A preocupação da União com o ensino fundamental é muito recente. Enquanto isso, o povo permaneceu excluído.

É preciso que estados e municípios caminhem em uníssono em direção à meta.

Disparidade entre estados na área piora situação Cunha avalia que ainda não há uma política nacional eficiente, pois alguns estados e municípios estão muito piores do que o restante do país. A disparidade acaba puxando o resultado de todo o Brasil para baixo. Em Bertolina (PI), Pedra Branca do Amapá (AP) e Lagoa da Canoa (AL), por exemplo, o Ideb atingido foi inferior a 2,5 em 2009. Na outra ponta, Aperibé, no Estado do Rio, com pouco mais de 10 mil habitantes, conseguiu a média 6,1.

— É preciso haver uma orquestração entre estados, municípios e União. Tínhamos que dividir a responsabilidade. A lei áurea da educação seria a lei da responsabilidade da educação — sugere Cunha.

Para o professor Rubem Klein, consultor da Fundação Cesgranrio e membro da Comissão Técnica do Todos pela Educação, a mudança na qualidade da educação demanda um processo que leva tempo: — Isso não acontece do dia para a noite. Não é só botar mais dinheiro. Tem de melhorar a gestão da escola, identificar os alunos com problema, dar reforço a quem está atrasado. A direção da escola tem que ter liderança pedagógica. Muitos só se preocupam com a merenda.

Além da questão administrativa e burocrática, segundo ele, os diretores devem verificar se os professores estão atendendo às expectativas e ter autonomia para substituir quem estiver aquém. O salário do professor é outro ponto importante, diz. Ele defende a criação de uma nova carreira, com salários atraentes e plano profissional, para que haja promoção por mérito e os mestres passem a ganhar mais.

Naercio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), diz que indicadores de qualidade de ensino como o Ideb e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) são mecanismos importantes para que as famílias acompanhem os estudos de seus filhos e a sociedade cobre providências dos governantes. Assim como outros especialistas da área, ele acredita que o Brasil esteja pagando o preço do atraso: — A Coreia do Sul estava no mesmo patamar do Brasil na década de 1960. De lá para cá, investiu maciçamente em educação.

Hoje, tem uma das melhores notas do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) e é um dos líderes em PIB per capita. Enquanto isso, o Brasil ficou para trás.

O Ideb é medido a cada dois anos. Nas duas últimas edições, o Brasil cumpriu as metas estabelecidas.

Em 2007, superou a meta de 3,9 e atingiu a nota 4,2.

E, no ano passado, com o 4,6, ultrapassou em 0,4 pontos o objetivo previsto pelo governo.

23/07/2010 - 07:30h Falta muito, mas já melhorou

O ministro da Educação, Fernando Haddad, diz que o Brasil percorreu menos da metade do caminho rumo a uma educação de qualidade.

Segundo ele, será difícil alcançar a meta prevista para 2021, pois ainda falta fazer o dobro do esforço feito até agora.

Catarina Alencastro – O GLOBO


O GLOBO: Por que o Brasil demorará tanto tempo para alcançar os países da OCDE?

FERNANDO HADDAD: Porque esses países priorizaram a educação lá atrás. O Brasil começou a priorizar a educação agora. Em 1994, não faz tanto tempo assim, o Brasil aprovou emenda constitucional retirando recursos da educação. Dez anos (de prazo para alcançar a meta), você acha muito? São mais dois governos. Há estados que são governados pela mesma força política há 20 anos e estão exatamente na mesma situação de 20 anos atrás.

Dois governos é tempo razoável para mudarmos a situação da educação?

HADDAD: Para atingir o patamar de excelência dos Estados Unidos, da Itália, da Espanha, considero uma meta ousada. A Irlanda levou 40 anos para atingir o patamar.

É possível antecipar o cumprimento da meta?

HADDAD: Na verdade, se mantivermos o ritmo atual, essas metas serão antecipadas.

Mas duvido que isso seja possível.

Por quê?

HADDAD: O ritmo está bem forte. O Ideb subiu um ponto em quatro anos. Subir um ponto significa que os alunos do 5º ano do ensino fundamental em 2009 têm a proficiência que alunos do 7º ano tinham em 2005. É como se o brasileiro tivesse saltado dois anos em escolaridade.

Com a nota 4,6 nós ainda estamos reprovados?

HADDAD: Quando você fala de uma escala de 0 a 10, você passa a falsa impressão de que faltam 5,4 pontos para a gente ter uma educação de qualidade. Na verdade nós aumentamos 0,8 e falta 1,4. Então, nós cobrimos quase 40% do percurso em quatro anos.

Mas ainda não chegamos a ter uma educação de qualidade, concorda?

HADDAD: Falta cobrir 60% do percurso. Isso significa que nós vamos estar numa situação de países que têm duas ou três vezes a renda per capita do brasileiro.

É difícil reconhecer que o Brasil ainda não tem um ensino de alto nível?

HADDAD: Não é isso. Se a qualidade estivesse caindo, o sinal que você tinha que dar para o sistema era de alerta.

Nós, felizmente, tivemos uma inflexão dessa curva, que era decrescente. Desde 2005 é crescente. Então o sinal que você tem que passar é que temos um caminho pela frente.

Mas temos que sinalizar que estamos na direção certa.

06/07/2010 - 09:56h Escolas particulares de SP pioraram em quatro anos, diz avaliação do MEC

Luciana Alvarez, Mariana Mandelli – O Estado de S.Paulo

A rede privada de ensino do Estado de São Paulo teve piora nas médias do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para a 8.ª série do ensino fundamental e ensino médio na comparação entre 2005 e 2009. A nota da rede privada do País como um todo se manteve estagnada nessas mesmas etapas. Apenas no primeiro ciclo do ensino fundamental, da 1.ª à 4.ª série, foi registrado progresso tanto em São Paulo quanto no Brasil.

Os dados divulgados ontem pelo MEC e compilados pelo Estado mostram que, em 2005, as escolas particulares paulistas haviam obtido nota 5,8 no ensino médio. Quatro anos depois, o Ideb caiu para 5,3, ficando abaixo da meta estipulada pelo MEC, que era de 5,9. No mesmo período, a média dos colégios privados no Brasil se manteve em 5,6 e não chegou à meta para 2009.

A rede privada de São Paulo também caiu e não conseguiu cumprir a meta para a etapa de 5.ª a 8.ª série. Ficou com 6,0, quando a meta era 6,5. Quatro anos antes, as escolas haviam alcançado média 6,3. Desde 2005, a média nacional cresceu 0,1, passando a 5,9. O índice desejado pelo MEC era de 6,0.

Especialistas em educação consideram os dados extremamente preocupantes. “É grave porque a rede privada tem condições de promover um ensino melhor”, afirma Maria Helena Guimarães de Castro, ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e ex-secretária de Educação do Estado de São Paulo.

“Uma das vantagens dos colégios particulares é terem mais liberdade para adequar o projeto pedagógico ou demitir um professor que não se adapte, por exemplo”, afirma a professora. “Os dados mostram que as escolas precisam prestar mais atenção à qualidade de seu ensino.”

Para Maria Helena, porém, o desempenho fraco, mesmo na rede particular, não surpreende. Ela lembra que os resultados brasileiros no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) apontavam para isso. “As escolas privadas, que têm o melhor desempenho no Brasil, são inferiores às piores escolas dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).”

Concessões aos clientes. A professora Sílvia Colello, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), acredita que uma das razões para a falta de evolução no indicador é o fato de as escolas particulares terem de fazer muitas concessões para não perder os alunos. “É sempre difícil equilibrar a necessidade real para o aprendizado com as demandas dos alunos-clientes”, explica. “Para segurar o aluno, muitas vezes a escola acaba sendo omissa, hesita em punir, em cobrar.”

Rede heterogênea. Para alguns especialistas, uma das possíveis razões para a queda do Ideb entre as escolas privadas paulistas é a heterogeneidade da rede.

“Temos de desdobrar os dados para entendermos melhor o que está acontecendo, mas o fato é que a rede particular não é homogênea. Nesse sentido, ela é mais complexa que a pública”, afirma Oscar Hipólito, ex-diretor do Instituto de Física e Química da USP de São Carlos.

Ele minimiza a queda nas médias de 2009, em relação às de 2005. “Esperamos que elas melhorem como no fundamental I, que está muito bem.”

Romualdo Portela de Oliveira, professor da Faculdade de Educação da USP, concorda. “As médias podem encobrir realidades muito distantes. A rede é muito diferenciada”, explica. Ele também aponta outras possibilidades. “Escolas privadas de qualidade ruim podem ter tido um peso maior, puxando as notas para baixo.”

A assessoria do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), entidade que representa cerca de 10 mil escolas particulares, não conseguiu contato com o presidente José Augusto de Mattos Lourenço para uma declaração oficial sobre o Ideb.

Para entender

1.
O que é o Ideb?
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é calculado a cada dois anos, em escala de zero a dez. Ele mostra a evolução na qualidade da educação no ensino fundamental e no médio.

2.
Como o índice
é calculado?
O Ideb é formado pela aprovação e pelo desempenho. O índice usa o Censo Escolar para medir a aprovação e médias do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e da Prova Brasil para mensurar o desempenho.

3.
Por que não se sabe o ranking de escolas privadas?
Como os dados utilizam a nota do Saeb, que é feito por amostragem, os índices também são amostrais para o fundamental privado e médio de forma geral.


05/07/2010 - 10:50h Em bairro pobre, colégio tem sucesso ao envolver alunos e pais

Escola da zona leste estimula alunos a escrever textos sobre a história de sua comunidade

Carolina Stanisci – O Estado de S.Paulo

ESPECIAL PARA O ESTADO
“Professora, a senhora precisa passar o enigma”, alertam os alunos de Eliane do Carmo Evangelista de Oliveira às segundas-feiras, quando ela se esquece de sugerir jogos e adivinhações de matemática, para que resolvam no decorrer da semana.

A motivação dos estudantes e o envolvimento da comunidade foram algumas das razões que deram à escola estadual Professora Rita Pinto de Araújo a melhor nota do Ideb no ciclo de 1.ª à 4.ª série na capital paulista: 7,6.

“A gente faz um trabalho diferenciado. Com a minha classe, tenho projeto para matemática e leitura”, conta Eliane, orgulhosa, mas não surpresa, com a nota alta: “Já tínhamos ido bem no Saresp (prova aplicada pelo governo de São Paulo).” A professora é responsável por 1 das 12 turmas de 3.ª e 4.ª séries que assistem aulas pela manhã. Há outras 12 turmas, de 1.ª e 2.ª séries, que vêm à tarde. Ao todo, a escola tem 840 alunos.

Eliane, que adora matemática, conseguiu transmitir seu gosto pela disciplina aos estudantes. “Acho que os desafios têm melhorado bastante o desempenho deles. Tenho alunos que fizeram prova este mês e não erraram nenhuma vírgula.” A professora também credita o sucesso da escola ao envolvimento dos pais. Há reuniões mensais entre eles e os professores.

A vice-diretora, Rosemeire da Silva Avanzi, endossa a preocupação da escola com a comunidade. Localizada no bairro Jardim Adutora, na Zona Leste, a “Rita”, como é conhecida, fica distante do centro. Mas o fato de estar em área pobre não atrapalhou na hora de deixar para trás outras escolas paulistanas. “Acho que, pela própria dificuldade financeira dos pais, a gente acaba tendo muito contato com eles”, diz Rosemeire, que chorou de emoção ao saber que sua escola tinha sido “campeã” no Ideb. “Sinto que fui coroada por todos meus esforços.”

Outro diferencial ressaltado pela vice-diretora é o incentivo à produção de textos com temas transversais. Na aula de história, os alunos podem escrever sobre a história da comunidade, de sua família. Até receitas culinárias os estudantes já escreveram. “É uma coisa simples, mas ali ele (aluno) tem o contato com a leitura e com as quantidades.”

Acompanhamento. O segredo do sucesso da escola parece fácil de ser seguido, como explica a vice-diretora: “Digo aos pais que é importante olhar os cadernos do filho, ver se realmente ele está fazendo a lição. Se não estiver, nos procure. Eu atendo todos os pais que nos procuram.”

Seguindo à risca essa cartilha, a “Rita” é querida por alunos, funcionários e comunidade. Uma das funcionárias mais longevas é Aparecida Lopes da Silva, de 62 anos. Ela entrou há 25 anos como servente e hoje é zeladora, mora na escola. “É difícil alguém querer sair daqui. Uma escola dessas ninguém vai achar melhor”, conta ela, com conhecimento de causa. Andressa, sua filha de 10 anos, está na 4.ª série, e adora o lugar. “Já vi professor chorar por não conseguir ficar dando aula aqui.”

05/07/2010 - 10:20h Ideb: Melhores resultados no Sul e Sudeste

Piores posições do ranking são dos estados das regiões Norte e Nordeste

O GLOBO

BRASÍLIA. Minas Gerais foi o estado que teve maior avanço no Ideb: o índice mineiro referente aos anos iniciais do ensino fundamental saltou de 4,7 para 5,6 pontos, de 2007 para 2009. O acréscimo de 0,9 ponto foi mais do que o dobro da média nacional. Minas, ao lado do Distrito Federal, lidera o ranking estadual nas séries iniciais do ensino fundamental. O Rio aparece em 10º lugar, com 4,7.

O último é o Pará, com 3,6.

Estados do Sudeste e Sul obtiveram os melhores resultados nos demais níveis de ensino.

O Rio de Janeiro, porém, está fora desse grupo. Na ponta de baixo, Norte e Nordeste ocupam as piores posições.

Nos anos finais (do 6º ao 9º), São Paulo e Santa Catarina dividem a liderança, com 4,5 pontos, seguidos pelo DF, com 4,4. O Rio aparece em 14º ao lado do Piauí, com 3,8 pontos. Alagoas segura a lanterna, com 2,9.

No ensino médio, o maior Ideb pertence ao Paraná, com 4,2, seguido por Santa Catarina, com 4,1. O Rio está na 18º colocação empatado com Amazonas, Bahia e Pernambuco, todos com 3,3 pontos. O índice mais baixo é o do Piauí, com 3.

Duas cidades paulistas alcançaram os maiores Idebs nos rankings municipais. Cajuru obteve 8,6, numa escala que vai até 10, nas séries iniciais do fundamental.

Jeriquara, com 6,6 pontos, ocupa a primeira posição nos anos finais. A cidade fluminense em melhor situação é Cambuci, que com 5,9 aparece em sexto lugar na comparação dos resultados das séries finais. Nas séries iniciais, Cambuci atingiu índice de 5,8, atrás de mais de 500 cidades de outros estados.

Entre as capitais, Curitiba tem o maior Ideb nas séries iniciais do fundamental: 5,7 pontos. Logo atrás vem Belo Horizonte (5,6), e Brasília e Palmas (5,4).

Nas séries finais, Palmas ficou em primeiro, com 4,6, seguida de Campo Grande (4,4), e Rio Branco e Florianópolis (4,2).

O MEC dará prazo de 30 dias para que prefeituras e escolas contestem eventuais dados errados que tenham servido de base para o cálculo dos Idebs.

Após esse prazo, serão anunciados os resultados definitivos. O Ideb é divulgado a cada dois anos. Na edição anterior, houve erros nos dados do censo escolar usados para calcular o índice de aprovação, um dos componentes do índice. Os outros são os resultados da Prova Brasil e do Saeb — avaliações de língua portuguesa e matemática

17/02/2010 - 08:45h ”Promoção por mérito valoriza docente”

Fernando Haddad: ministro da Educação. Para o ministro, além da formação de professores, os desafios do setor são o ensino médio e os projetos voltados à 1.ª infância


Lisandra Paraguassú

QUALIDADE – Haddad destaca avanço, mas admite que é preciso mais


No último ano do governo Lula, o ministro da Educação, Fernando Haddad, reconhece que é preciso avançar em três questões na área educacional – ter um modelo de valorização do magistério, que inclua um debate sobre avaliação dos professores; melhorar a qualidade do ensino médio e integrar programas voltados à primeira infância, para atender crianças de até 3 anos. Em entrevista ao Estado, Haddad diz que esse último ponto foi tema de conversa com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para uma eventual agenda educacional pós-2010.

Um dos maiores gargalos da educação nos últimos anos é a qualidade. O que avançou?

Há dois indicadores que resumem a evolução da educação brasileira. Um deles é o atendimento (crianças matriculadas). Nós melhoramos. Do ponto de vista qualitativo, o indicador é o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Também houve evolução. É a primeira vez que acontece uma evolução quantitativa acompanhada da qualitativa. A expectativa é continuar evoluindo.

O que ainda é possível fazer no governo?

Da agenda anunciada em 2007, há uma promessa a cumprir, que é a prova nacional de admissão para professores. A formação de professores tem dois momentos delicados: o ingresso na licenciatura e na carreira. No que diz respeito às licenciaturas, o Brasil tomou uma decisão muito importante, que foi assumir a formação como política de Estado sem ônus para o professor. Ele não paga mais pela sua formação. No carreira, temos o piso nacional. Queremos estabelecer contrapartidas desse esforço: uma nota mínima no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para a entrada nos cursos de licenciatura. E, para a entrada na carreira pública do magistério, queremos que Estados e municípios adotem a prova nacional de admissão.

E para o professor que já dá aula?

No início da gestão do ex-ministro Cristovam Buarque (hoje senador), ele propôs uma bolsa para os professores que passassem em uma prova nacional. Isso não foi adiante. Os poucos Estados que tentaram alguma coisa parecida ainda enfrentam resistência. No MEC nunca mais se tocou no assunto. Nós trocamos por outra abordagem: o professor precisa ser avaliado, mas também precisamos dar condições a ele para que volte a estudar. Então criamos a Plataforma Freire para oferecer cursos de formação inicial continuada em universidades públicas.

O senhor é a favor de avaliar e cobrar o desempenho do professor?

Sou favorável à promoção por mérito. Elaborar uma carreira que leve em consideração o mérito e negociar com a categoria como aferir isso de maneira a considerar o esforço do professor é louvável. Acho que não há resistência da categoria.

Normalmente há resistência.

Não há desde que você sente à mesa e negocie os critérios. Às vezes a categoria reage a uma prova única. É preciso considerar a atuação em sala de aula, pois muitas vezes o professor pode até ser bem-sucedido em uma prova e eventualmente malsucedido na sala de aula. A promoção por mérito, que também ocorre na universidade, não desmerece, pelo contrário, valoriza o profissional.

Há perspectiva de cobrar avaliação do professor que já dá aula?

Estamos, com Estados e municípios, exigindo o cumprimento de um dos termos do compromisso Todos pela Educação, que é a questão do estágio probatório. Não há ainda no País uma cultura de após três ou quatro anos da admissão, antes da efetivação do professor na carreira, fazer um balanço do desempenho para que ele se efetive. É meramente formal o procedimento, é quase um carimbo. Estamos procurando cobrar que observem essa diretriz do Plano de Desenvolvimento da Educação.

Outra área em que os avanços ficaram aquém do planejado foi o ensino médio. Como está sendo tratada essa questão?

Estendemos todos os programas de apoio para o ensino médio, que não contava com alimentação, transporte, livro didático, Bolsa-Família. Começamos a estruturar um currículo muito mais adequado do que se tem hoje. Queremos um conteúdo mais enxuto. Temos a expansão do ensino médio federal, a reestruturação do ensino médio estadual integrado à educação profissional. Isso não é pouca coisa. Tínhamos um ensino médio completamente capenga. Houve avanços e novos podem ser obtidos.

Ainda assim, o ensino médio tem resultados insatisfatórios.

Quando você tem o sistema de ensino que atende hoje uma parcela significativa da população, a onda da qualidade nem tem como não iniciar pelos primeiros anos do ensino fundamental, nem tem como você corrigir distorções históricas do ensino médio sem cuidar das gerações que estão ingressando agora no ciclo de alfabetização. Mas, se mantivermos esse passo nos anos iniciais, ele vai chegar ao ensino médio com a naturalidade que chegou nos países desenvolvidos.

O senhor tem participado de discussões sobre o plano de educação em um possível novo governo com a ministra Dilma Rousseff?

Tive com ela duas conversas a respeito de um assunto que é da maior importância: a questão do 0 a 3 anos. Quando aprovamos a ampliação da obrigatoriedade do ensino ficou essa questão por resolver. Ainda estamos com um atendimento muito baixo nessa faixa etária. Devemos fechar o governo com alguma coisa entre 21% e 22% de atendimento, contra 11% de 2002. Mesmo tendo dobrado, ainda estaremos em um patamar aquém das necessidades. Precisamos conceber um plano de atenção abrangente para a primeira infância. Que inclua assistência, saúde e educação. Estamos dando esse atendimento, mas de maneira desconexa: a saúde faz o trabalho dela; o desenvolvimento, o dele. Mas temos a oportunidade de fazer da mesma maneira como fizemos com o Bolsa-Família, de integrar todos os programas e universalizar.

19/10/2008 - 09:01h Piora na educação fora do debate no 2º turno

Ideb caiu em sete cidades, inclusive em São Paulo, onde há campanha; nem oposição ao governo usa índice

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Demétrio Weber – O Globo

BRASÍLIA. A piora da qualidade do ensino público é um assunto que passa batido nas campanhas eleitorais de municípios que tiveram queda no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), do Ministério da Educação (MEC). O Ideb piorou em sete cidades onde os eleitores voltarão às urnas no próximo domingo, no segundo turno: São Paulo, Belo Horizonte, Contagem (MG), Juiz de Fora (MG), Montes Claros (MG), Canoas (RS) e Pelotas (RS). Mas a propaganda e até os programas de governo dos candidatos praticamente ignoram o problema.

— Para o eleitor médio, a discussão sobre a qualidade da educação é muito árida. Pelo menos 90% da população brasileira ainda não conhecem esse indicador — diz o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Caldas.

Em Pelotas, o petista Fernando Marroni disputa o segundo turno contra o atual prefeito, Adolfo Fetter Júnior (PP). O Ideb pelotense caiu de 3,2 para 2,9, na escala até 10, nas séries finais do ensino fundamental.

Está abaixo da média nacional da rede pública (3,5), mas o dado não é usado por Marroni na campanha: — Não uso porque a população não entende o que significa isso. O que o povo de Pelotas percebe, entende e vê é a falta de professor, a baixa qualidade da merenda escolar, e o descaso com a estrutura física das escolas.

Candidato confunde educação com saúde

Ao seguir falando sobre o tema, o petista confundiu-se e trocou “educação” por “saúde”.

Não foi o único.

Na chapa adversária, o chefe de gabinete de Fetter Júnior, José Júlio Caruccio, não inclui a qualidade do ensino entre as preocupações centrais dos brasileiros: — O eleitorado quer emprego, comida, transporte e saúde.

É imediatista. Não se dá conta que a saúde é o futuro.

Em Contagem, o candidato de oposição é o tucano Ademir Lucas. Ele enfrenta no segundo turno a atual prefeita Marília Campos (PT), mas não faz menção ao Ideb. Informado pelo GLOBO de que o índice caiu de 4,7 para 4,4 nas séries iniciais do ensino fundamental, ele demonstrou desconhecer o indicador. E também se confundiu: — Acredito, há um sucateamento da rede municipal — afirmou. — Há uma desmotivação do profissional da saúde — concluiu o tucano.

“Assunto ficou presente na cabeça dos candidatos”

O Ideb foi criado no ano passado para orientar o PAC da Educação. Ele considera conhecimentos de português e matemática, além das taxas de aprovação. O índice serve de base para as metas de melhoria do ensino até 2021, quando o MEC espera que o Brasil atinja o nível de países desenvolvidos.

Será calculado a cada dois anos.

O ministro Fernando Haddad admite que vai demorar para o novo indicador virar arma de campanha, mas entende que a questão da qualidade ganhou espaço nestas eleições.

— Não tínhamos a expectativa de que fosse ser usado tão rapidamente. Mas o assunto ficou presente na cabeça dos candidatos — disse Haddad, por meio de sua assessoria.


Márcio Lacerda, de BH, é o único a citar a avaliação

Programa de governo diz que é primordial melhorar resultado

BRASÍLIA. Das sete cidades que pioraram no Ideb e que terão segundo turno, Belo Horizonte teve a queda mais acentuada. Nas séries iniciais a nota passou de 4,6 para 4,4 e nas finais, de 3,7 para 3,4. O candidato Márcio Lacerda (PSB), apoiado pelo prefeito Fernando Pimentel (PT) e pelo governador Aécio Neves (PSDB), é o único a fazer menção direta ao problema em seu programa de governo na internet.

“É primordial melhorar o resultado dos alunos no Ideb”, diz o texto. Ex-favorito, Lacerda disputa o segundo turno com Leonardo Quintão (PMDB), que lidera as pesquisas.

Em São Paulo, o Ideb das séries finais caiu de 4,1 para 3,9.

Por meio de sua assessoria, o prefeito e candidato à reeleição Gilberto Kassab (DEM) evitou responder se a queda prejudica a campanha. Preferiu destacar que o índice subiu de 4,1 para 4,3 nas séries iniciais.

No programa de TV de quartafeira, Dia do Mestre, a ex-prefeita e candidata Marta Suplicy (PT) disse que educação é “a prioridade das prioridades”. Seu programa de governo prevê investimento na formação de professores, mas a propaganda destaca a construção de Centros Educacionais Unificados (CEUs).

— Em São Paulo, os dois candidatos fizeram esforço de mostrar realizações na área da educação: “Criei tantos CEUs, transformei escolas de lata em escolas de alvenaria” — diz o cientista politico Ricardo Caldas.

Em Canoas, o candidato Jairo Jorge (PT), secretário-executivo do MEC na gestão de Fernando Haddad, teve 46,51% dos votos no primeiro turno. Ele critica gestores públicos que desconhecem as avaliações oficiais.

— O eleitor tem apenas a percepção da questão da qualidade.

O Ideb é uma ferramenta para o gestor, e a população está se apropriando. Cabe ao gestor fazer essa divulgação — afirma.

Nas pesquisas que realizou em cidades de Norte a Sul, o Ibope constatou que educação não é preocupação número um dos eleitores. Saúde e segurança pública lideram. Educação costuma aparecer em terceiro lugar, ou quarto, atrás de transporte, esgoto ou desemprego.

04/09/2008 - 15:04h Lula lança hoje programa Saúde na Escola

 

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Presidente Lula durante o lançamento do programa Mais Saúde (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A partir de 2008, 26 milhões de crianças terão atendimento médico nas escolas em que estiverem matriculadas. Nos próximos quatro anos, serão investidos mais de R$ 844 milhões no atendimento médico e odontológico de estudantes da educação básica. Entre as medidas previstas estão o fornecimento de óculos e próteses auditivas a alunos da rede pública.

“Quando eu tinha dez anos de idade, tive atendimento médico e odontológico na escola pública. Ter essa atenção com nossas crianças é cuidar do povo brasileiro como ele precisa ser cuidado”, destacou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta quarta-feira, 5, no Palácio do Planalto, ele assinou o decreto que institui o Programa Saúde na Escola (PSE). Os ministros da Educação, Fernando Haddad, e da Saúde, José Gomes Temporão, participaram da solenidade de assinatura.

O programa também prevê a realização de consultas com otorrinolaringologistas e oftalmologistas e o diagnóstico precoce de hipertensão arterial nas salas de aula. O projeto será implantado por meio da adesão dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. No prazo máximo de 90 dias, os ministérios da Saúde e da Educação devem firmar acordos com as entidades federadas para promover as ações previstas no programa.

Prevenção — Hábitos saudáveis, como a prática de esportes, também serão incentivados. Pelo menos uma vez por ano, 3,5 mil municípios receberão a visita de equipes do programa Saúde da Família para promover a atividade física e incentivar a alimentação saudável nas escolas. Além disso, serão promovidas oficinas de prevenção ao uso de álcool, tabaco e drogas em 56.550 escolas de todo o Brasil.

Iniciativas como educação para a saúde sexual e orientações sobre a prevenção da gravidez precoce e de doenças sexualmente transmissíveis serão desenvolvidas em outras 74.890 escolas de ensino técnico, médio e fundamental. Para tanto, serão investidos cerca de R$ 3,3 milhões em realização de oficinas e distribuição de kits.

O Saúde na Escola faz parte do Plano de Aceleração do Crescimento da Saúde, o Mais Saúde. Com o plano, serão investidos R$ 89 bilhões em saúde pública ao longo dos próximos quatro anos. Mais informações na página eletrônica do Ministério da Saúde.


O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lança, nesta quinta-feira (4), em Recife, o Programa Saúde na Escola. Até 2011, cerca de 26 milhões de alunos brasileiros terão atenção integral à saúde por meio das Equipes Saúde da Família nas escolas da rede pública que estiverem matriculados.

Antes, em Petrolina (PE), inaugura do Hospital de Urgências e Traumas (HUT) de Petrolina, que será referência na região para serviços de serviços de alta complexidade em Neurocirurgia, Ortopedia, Terapia Intensiva e Tratamento de Queimados, além da abertura da primeira etapa do campus local da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), que conta com mais três campi e terá capacidade para atender um total de 4,1 mil alunos a partir de 2010.

Os dados do programa:

Alunos da rede pública terão atenção integral à saúde
Até 2011, cerca de 26 milhões de alunos da rede pública de 1.242 municípios com baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) terão atenção integral à saúde por meio das Equipes Saúde da Família. Trata-se do Programa Saúde na Escola (PSE), parceria entre os ministérios da Educação e da Saúde. A largada do Programa será dada nesta quinta-feira (4) pelo presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, em Pernambuco, em cerimônia de lançamento na Escola Estadual São Francisco de Assis.

Para a escolha dos municípios foi feito o cruzamento de cobertura de 100% da estratégia Saúde da Família (SF) nesses municípios, que resultou numa lista de 647 municípios (dados de abril/2008). Além desses municípios, serão contempladas as escolas localizadas nos municípios do Programa Mais Educação, aproximadamente 2.050, em 52 municípios – que são capitais e grandes cidades de regiões metropolitanas, onde será possível a adesão ao PSE, mediante o número de Equipes de Saúde da Família implantadas, na proporção de uma Equipe Saúde da Família para uma Escola Pública.

Componentes – Quatro componentes integram o PSE: avaliação das condições de saúde; promoção da saúde e prevenção; educação permanente e capacitação dos profissionais e de jovens; monitoramento e avaliação da saúde dos estudantes.

O primeiro deles, a “avaliação das condições de saúde”, refere-se à atenção ao estudante por meio de avaliação clínica e psicossocial, da atualização do calendário vacinal, da detecção precoce da hipertensão arterial sistêmica, da avaliação oftalmológica, auditiva, nutricional e da saúde bucal. Para os quatro anos do Programa estão previstas cinco milhões de consultas oftalmológicas e o fornecimento de 460 mil óculos para esta população, bem como 800 mil avaliações auditivas e o fornecimento de 33 mil próteses auditivas. A “promoção da saúde e prevenção” incorpora o segundo tema e se efetivará por meio de ações: de segurança alimentar e promoção da alimentação saudável, buscando a melhora nutricional dos escolares; promoção das práticas corporais e atividade física nas escolas, estimulando-os a fazê-los como uma escolha, uma atitude frente à vida; educação para a saúde sexual, saúde reprodutiva e prevenção das DST/AIDS, ações de prevenção de gravidez na adolescência chegarão a 87 mil escolas em 3,5 mil municípios; prevenção ao uso de álcool, tabaco e outras drogas; e, promoção da Cultura de Paz e das violências.

“Educação permanente e capacitação dos profissionais e de jovens” faz parte do terceiro componente e prevê a realização de educação permanente de Jovens para Promoção da Saúde e Educação permanente e capacitação de profissionais da educação nos temas da saúde e constituição das equipes de saúde que atuarão nos territórios do PSE. O projeto de Formação Permanente tem sido elaborado a partir de três eixos: gestão da formação, operacionalização e organização dos diferentes formatos de formação.

O quarto tema é o “monitoramento e avaliação da saúde dos estudantes” e tem duas ações. A primeira é a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), que é amostral e tem como foco os jovens estudantes de 13 a 15 anos, que aborda: o perfil socioeconômico, alimentação, atividade física, cigarro, álcool e outras drogas, situações em casa e na escola, saúde sexual, segurança, saúde bucal, e imagem corporal.

Comissão – As ações previstas no PSE serão acompanhadas por uma comissão intersetorial de educação e de saúde, formada por pais, professores e representantes da saúde, que poderão ser os integrantes da equipe de conselheiros locais.

Os municípios terão de manifestar interesse em aderir ao Programa. Uma portaria do Ministério da Saúde definirá os critérios e recursos financeiros pela adesão e orientará também a elaboração dos projetos pelos municípios.

Além do incentivo, o Ministério da Saúde ficará responsável pela publicação de almanaques para distribuição aos alunos das escolas atendidas pelo PSE. A tiragem da publicação poderá chegar a 300 mil exemplares este ano. O Ministério fará ainda cadernos de atenção básica para as 5.500 Equipes de Saúde da Família que atuarão nas escolas.

Fonte Ana Guimarães – Portal do MEC; Diário do Pará e Boletim Em questão

22/08/2008 - 12:43h Ideb de SP sobe só 0,1 com revisão

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Alvo de polêmica, índice da qualidade do ensino básico foi a 4,5 na capital; 2% das escolas no País tiveram mudança

Lisandra Paraguassú, O Estado de São Paulo

 

O Ministério da Educação divulgou ontem a revisão dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Cerca de 2% das escolas (1.188) mudaram de conceito. Entre os municípios, 59 dos 5.553 que participaram da avaliação alteraram sua posição – desses, 17 ficaram com Ideb mais baixo do que antes.

link Veja a lista completa das escolas e cidades que tiveram notas revistas

Na rede municipal de São Paulo, centro da maior polêmica na apresentação do Ideb deste ano, a mudança foi insignificante. O resultado subiu apenas 0,1 ponto, saindo de 4,4 para 4,5 – ainda abaixo da média 6, que o País tem como meta. Na rede estadual, a revisão trouxe uma melhora de 0,2 ponto, o que elevou o Ideb para 3,9.

O índice é formado pela conjunção de dados da Prova Brasil – avaliação feita com todos os alunos das escolas públicas de 4ª e 8ª séries do ensino fundamental – e resultados de evasão escolar e aprovação. O conceito vai de 1 a 10, sendo que 6 – nota que os países desenvolvidos, em conjunto, já alcançam em exames internacionais – é a meta do governo para 2022.

Os dados das escolas e municípios foram divulgados em junho e criaram confusão com a Prefeitura de São Paulo. Na ocasião, o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, acusou o ministério de divulgar dados errados da cidade – apesar de sua secretaria ser a responsável por enviar ao governo federal os números usados para o cálculo do Ideb.

SOBE E DESCE

A crise levou à revisão, feita pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), de toda a tabela de pontuação, dos municípios e das escolas. As alterações terminaram por beneficiar outras cidades mais do que São Paulo.

A rede municipal de Itápolis (SP), por exemplo, com apenas uma escola de 4ª série com alunos participantes, subiu a nota de 5,2 para 8,2 e passou a ter um dos maiores Idebs do País. Já a rede de Marapoama (SP), que estava em 6,4 pontos (acima da meta do MEC), caiu para 5.

As cidades que ficaram com os piores índices na divulgação inicial continuam com o título. Ubatã (BA) tem o pior resultado para a 4ª série, com um Ideb de apenas 0,9 – a metade do resultado anterior, de 2005, que era de 1,8. Na 8ª série, Baraúna (RN) também manteve a posição, com seu Ideb de 1,5 ponto apenas, abaixo do 1,9 que havia obtido na avaliação anterior.

A escola com pior colocação na lista inicial do ministério, a escola de 4ª série Paranatinga Barata, de Belém (PA), que tinha um Ideb de 0,1, continua em uma situação ruim, mas não tanto quanto antes. Ficou, depois da revisão, com índice de 2,8.

Outra escola do Pará, no município de Santa Maria, apresentou a maior alteração na nota. A escola de ensino fundamental Nossa Senhora Auxiliadora passou de 0,4 para 4,6. Na 8ª série, a maior mudança foi em uma escola de São Paulo. A escola Professor João Frazolin Neto passou de 0,4 para 3,6.

MAIORES MUDANÇAS

Cidades com as maiores alterações para turmas de 4ª série:

Aurora do Pará (PA), na rede estadual; Guarujá (SP), na rede municipal; Mortugaba (BA), na rede municipal e em toda a rede pública; Artur Nogueira (SP), na rede municipal e em toda a rede pública; Itápolis (SP), na rede municipal

Cidades com as maiores alterações para turmas de 8ª série:

Bujaru (PA), na rede estadual e em toda a rede pública; Barcarena (PA), na rede estadual; Inhangapi (PA), na rede estadual e em toda a rede pública; Vigia, na rede estadual e em toda a rede pública

03/08/2008 - 18:33h Roxo de vergonha

alckmin_pensativo.jpg“Alckmin disse à Folha Online que, segundo dados do Ideb (Indicador de Desenvolvimento da Educação Básica), São Paulo está acima das metas para 2009 porque investiu em “capacitação de professores” e atacou a “evasão escolar”. Sobre a ex-prefeita, ele disse ela “reduziu o orçamento da educação de 30% para 25%.” (Folha Online 03/08/2008 – 14h23).

O orçamento da educação, por lei do município aprovada na gestão da Marta, e de 31% do orçamento. Os 31% são vinculados, ou seja são gastos obrigatórios com educação. Eles permitem financiar a construção dos CEU’s, os salários dos professores, a merenda escolar, o material escolar e os uniformes, o Vai e Volta para as crianças etc. Antes de Marta ser prefeita, foi lei proposta por um vereador do PT que levou os 25% de gastos obrigatórios com educação exigidos no plano federal, para 30% na cidade de São Paulo. Com Marta subiram para 31%.

Já no que diz respeito ao governo de Alckmin no Estado, basta reproduzir aqui o que escreveu o jornal Agora do grupo Folha:

“O aluno que vem com 4 no boletim tirou nota vermelha. Se a nota é 2, de tão vermelha ficou roxa.

Já quando uma rede inteira tira nota 1,4, todo mundo que tem responsabilidade na educação, a começar das autoridades, deveria fica roxo. De vergonha.

Essa foi a nota, dada pela Secretaria Estadual da Educação, ao desempenho da sua rede de ensino médio: 1,41, numa escala que vai até 10.

O índice foi obtido com base nas notas do Saresp -provas aplicadas nos estudantes da rede- e na taxa de aprovação dos alunos. Chama-se Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo).

O Idesp da 8ª série do ensino fundamental foi 2,54. O da 4ª série chegou a 3,23. Ou seja, a qualidade da educação é sofrível em todas as etapas, mas piora nas séries mais altas e fica próxima de zero no fim do ensino médio.(…)”

“ Mais da metade de todas as escolas estaduais paulistas tem indicadores abaixo das médias do Índice de Desenvolvimento de São Paulo (Idesp) no Estado. No ensino médio, a situação é mais alarmante, já que 57% das escolas não atingiram o Idesp 1,41, numa escala de 0 a 10. No ciclo de 1º a 4 ª séries, 55% não chegam a 3,23 e, entre estabelecimentos de 5ª a 8ª, 50% estão abaixo de 2,54.

Alckmin não fica roxo de vergonha e não considera ter qualquer responsabilidade neste verdadeiro genocídio da juventude do Estado mais rico do país. Talvez pense que repetindo inverdades poderá escapulir de uma discussão de fundo sobre o balanço de sua gestão. Ledo engano. LF

02/08/2008 - 12:52h Edição do debate destaca alguns dados e esconde outros

Capa Folha de S.Paulo - Edição São PauloA edição do debate feita hoje pela Folha mostra erros no uso de dados, no debate da Band, por parte de todos os candidatos. Por exemplo, em relação a educação, o artigo “corrige” Alckmin assim:

“Alckmin citou o indicador nacional, que é influenciado pelo sistema de progressão continuada (aprovação automática), além de a melhora ter se dado a partir de 2007, quando ele já estava fora do cargo. O tucano também não fez referência a indicador estadual, que traça quadro bem pior”.

Você, eu e provavelmente a maioria dos leitores da Folha não entenderam nada de toda essa frase.

Alckmin disse que São Paulo “está acima da média no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica)”. A Secretária Estadual de Educação avaliou as escolas estaduais a partir das notas do Saresp -provas aplicadas nos estudantes da rede- e na taxa de aprovação dos alunos. O índice de avaliação chama-se Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo). Pois bem, de 0 a 10, a média de TODAS as escolas do Estado de São Paulo foi de 1,41. O Idesp da 8ª série do ensino fundamental foi 2,54. O da 4ª série chegou a 3,23. Ou seja, a qualidade da educação é sofrível em todas as etapas, mas piora nas séries mais altas e fica próxima de zero no fim do ensino médio. (dados do jornal Agora, do grupo Folha). “ Mais da metade de todas as escolas estaduais paulistas tem indicadores abaixo das médias do Índice de Desenvolvimento de São Paulo (Idesp) no Estado. No ensino médio, a situação é mais alarmante, já que 57% das escolas não atingiram o Idesp 1,41, numa escala de 0 a 10. No ciclo de 1º a 4 ª séries, 55% não chegam a 3,23 e, entre estabelecimentos de 5ª a 8ª, 50% estão abaixo de 2,54.” (O Estado de São Paulo).

Em outro trecho da edição do debate feita pela Folha é abordada a questão da situação das finanças da prefeitura ao final da administração da Marta. O tema motivou um ataque violento de Alckmin afirmando que a petista tinha falido a cidade e deixado um rombo gigantesco.

Neste ponto a Folha questiona a resposta de Marta, cita o TCM e também o atual Secretário de Planejamento de Kassab.

A Folha poderia informar que as contas da Marta foram aprovadas pela Câmara Municipal com o voto favorável incluso dos vereadores do DEM. Ela poderia acrescentar que essas contas também foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Município (TCM). Mais importante ainda, a Folha poderia informar que este litígio foi objeto de um julgamento no Supremo Tribunal Federal que julgo as contas da Marta em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

A resolução do STF destaca dados fornecidos no julgamento feito pelo TCM na aprovação das contas da ex-prefeita. Diz o documento do STF:

5. O Tribunal de Contas do Município de São Paulo, por maioria, decidiu pela aprovação das contas de MARTA TERESA SUPLICY, entendendo que a conduta da ex-Prefeita no exercício de 2004 esteve de acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias.

6. Entendeu-se que a ação do Poder Executivo no tocante à assunção de despesas, cancelamento de empenhos e inscrição em restos a pagar encontrou amparo no art. 30, II, da LDO, que conferiu interpretação autêntica ao art. 42, da Lei de Responsabilidade Fiscal.

7. Ponderou-se, ainda, ser necessária uma análise global da conduta de gestor durante o mandato, sobretudo por não haver norma de transição na Lei de Responsabilidade Fiscal. Assim, comparou-se a situação
encontrada no início do mandato com a deixada ao sucessor, concluindo-se:
´(…) pelo cumprimento ao artigo 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal, visto que a disponibilidade de caixa se revelou suficiente para cumprir as obrigações assumidas, restando, ainda, um saldo positivo de R$91.046.265,51 (noventa e um milhões, quarenta e seis mil, duzentos e sessenta e cinco reais e cinqüenta centavos)´ (fls. 146, do apenso 01).

8. Em suma, embora se tenham verificado algumas irregularidades de cunho formal, a Corte de Contas constatou a necessidade da execução das despesas realizadas e dos procedimentos adotados para a contínua atuação da Administração em satisfação ao interesse público. (a integra do julgamento do STF aqui).

A Folha escreve: “A campanha do PT lembra que o tribunal aprovou as contas”, frase que conclui o tema, precedido da afirmação do Secretario de Kassab que Marta “deixou uma dívida superior a R$ 3 bilhões. Parte registrada em balanço e parte oculta”. A Folha, neutra. Neutra?

Curiosamente um dos principais enfrentamentos entre Alckmin e Kassab, sobre a iluminação pública, não motivou nenhuma menção na edição do debate feita pela Folha. Porém neste ponto Kassab fez menção a vários dados, abordou a privatização da Eletropaulo feita por Alckmin.

Na edição feita pela Folha o tema sofreu um apagão. Esta questão da iluminação foi objeto de uma reportagem especial do SPTV da Globo e aqui no Blog, o vereador Antonio Donato forneceu dados que até agora não sofreram qualquer contestação e que explicam porque Kassab diz no debate que “na próxima gestão estaremos implementando o Reluz”, para ocultar que o Reluz retomado por Marta na sua gestão foi suspenso na gestão Kassab porque a prefeitura está inadimplente com a Receita Federal, deixando de receber por isso os repasses para o programa. (ver aqui os dados sobre o tema).

Como podemos ver a tentativa de mostrar os dados inflados pelos candidatos no debate, alguns deles são erros mesmo e outros exageros ou distorção, sofre do viés de uma edição superficial que longe de esclarecer dificulta a compreensão e não destaca o essencial. LF

01/08/2008 - 11:24h O blog e o debate

Fernando Donasci / Folhaimagem

Os diversos temas que foram abordados no debate ontem, na Band, tiveram tratamento aqui no blog.

Os leitores do blog podem assim confrontar os temas e argumentos dos candidatos com os dados fornecidos em vários post que relacionarei por tema aqui.

Coleta seletiva: Cidade limpa ; Um bom debate para no jogar o lixo embaixo do tapete; Os graves problemas do lixo no Brasil

Ponte Estaiada: Ponte da Marta: recordar é viver

Iluminação:Mais luz no apagão demo-tucano;   Seminário PT: Contribuição de Marta Suplicy ao debate sobre segurança ;   TV Globo põe luz sobre o apagão demo-tucano em São Paulo

Educação: Após 13 anos de governo tucano: De 0 a 10, ensino médio de SP tira 1,4; Cadê o gerentão? ; Educação SP: Serra denuncia herança maldita de Alckmin ;
Lucro do petróleo pode espalhar Ceus e Cieps por todo o país
; Com os demo-tucanos na prefeitura o CEU fica lá acima, mesmo! ; As variações da mentira

Transporte: Contribuição de Marta Suplicy para o seminário do PT sobre transporte e mobilidade urbana (integral) ; Tragédia do metrô deixou 7 mortos: Secretário de Serra disse que Metrô de Alckmin optou por fiscalizar menos ; Até que em fim. Grupo Folha põe Alstom e PSDB no seu lugar ;Cara de paisagem ; Governo prevê R$ 38,5 bilhões em investimento no transporte para Copa ; 14 anos de governo tucano com falta de planejamento e pouco investimento: Metrô de SP é mais lotado que o de Tóquio ; Quem o pariu, que o embale

Saúde: Contribuição de Marta Suplicy sobre saúde no seminário do PT ; Datafolha: 53% consideram os demo-tucanos “ruim e péssimo” na Saúde. Saiba porque? ; Desnutrição infantil cai 46% no pais e 74% no Nordeste ; JORNAL DA TARDE: Crise na saúde municipal de São Paulo

Finanças: Já que falam em impostos… ; Supremo Tribunal Federal desmente ataque de Kassab ; Estou anonadado ! ; Cai mais uma mentira contra Marta

31/07/2008 - 12:02h O gargalo da educação em São Paulo

http://www.infomambo.com.br/2006/imagens/desarmamentoALUNOS.jpg

“Em São Paulo, por não existir efetivamente escola em tempo integral na rede estadual, o efeito dessa política é tenebroso”

Luís Fernando de Lima Júnior * – O Estado de São Paulo

A aprovação automática completou 11 anos de vigência nas escolas públicas do Estado de São Paulo como um dos mais significativos entraves para o desenvolvimento da qualidade do ensino público. Formulada a partir de uma proposta planejada para solucionar os problemas de aprendizagem de uma realidade européia, a divisão da estrutura curricular em ciclos de quatro anos de estudo com regime de progressão continuada não trouxe bons frutos para o ensino paulista.

Na Espanha e na Inglaterra, onde essa proposta teve bons resultados, os ciclos de estudo têm uma duração de dois anos. Nesse período, os alunos estudam em tempo integral, em salas de aula com média inferior a 30 alunos por classe e na passagem de um ano para outro, dentro do mesmo ciclo, praticamente não existe mudança no quadro de educadores. Com um número menor de alunos por sala de aula, o professor, motivado e bem remunerado, pode disponibilizar a atenção necessária à aprendizagem de cada aluno.

No cotidiano escolar, a criança vai para a escola no período da manhã e tem contato com os conteúdos das disciplinas regulares, para no período da tarde participar de oficinas lúdicas, esportivas ou profissionalizantes. Enquanto os colegas desfrutam essas atividades, o aluno que apresenta dificuldades de aprendizagem é colocado em reforço intensivo e o aluno indisciplinado é estimulado a corrigir suas atitudes por não poder participar dessas atividades.

Como dentro do ciclo não se tem a noção de aprovação do primeiro para o segundo ano, pelo fato de as classes receberem nomenclaturas sem referência de série, os alunos entendem a passagem do ano como férias escolares, da mesma maneira que o recesso do meio do ano, pois reiniciam suas atividades no período letivo seguinte como continuidade do anterior. Não existe a noção de aprovação automática, pois o aluno só progride de ciclo se ao final dos dois anos apresentar evolução.

A partir do momento em que se aplica essa idéia sobre uma estrutura com uma concentração de alunos superior à capacidade física do espaço escolar, dentro de uma concepção que ainda faz a distinção de séries, não se pode esperar que ela funcione, até porque a concentração de estudantes reduz a capacidade do professor de disponibilizar atenção diferenciada aos alunos e a concepção de séries distorce a idéia de ciclo.

Em São Paulo, por não existir efetivamente escola em tempo integral na rede estadual, o efeito dessa política é tenebroso. Como o ensino ocorre em meia jornada e não existe um programa de recuperação intensiva fora do horário regular de estudo, os alunos com defasagem de aprendizagem não superam suas dificuldades e, sem conseguirem acompanhar a turma, eles se tornam indisciplinados. Nos quatro anos do ciclo essas defasagens se acumulam e a indisciplina se generaliza. Sem suporte para as escolas aplicarem sanções aos alunos indisciplinados, o sistema não permite a correção efetiva da indisciplina e reproduz a certeza da impunidade.

Com mais de 40 alunos por sala de aula e sem nenhum respaldo contra a indisciplina e a violência na escola, o professor – que muitas vezes trabalha manhã, tarde e noite para garantir a sobrevivência de sua família com um valor tão baixo por cada aula ministrada – esgota todos os seus argumentos para tentar convencer os alunos da importância de estudar, mas o sofrimento de uma pessoa que estudou bastante e não recebe a valorização do Estado e da sociedade serve como argumento contrário. Muitos se cansam e por essa razão passam a freqüentar os consultórios médicos.

Nesse ambiente, que tipo de estímulo recebem os alunos? Amontoados em salas de aula depredadas, cujo espaço físico não comporta a quantidade de alunos presente, esses estudantes têm a nítida impressão de que, como as carteiras quebradas depositadas no fundo da classe, não servem mais à sociedade.

De acordo com pesquisa realizada como análise quantitativa e qualitativa sobre a quantidade de matrículas e o desempenho dos alunos das escolas públicas da cidade de São José dos Campos, nos períodos de 1993 a 1996 e 2001 a 2004, antes e depois da implantação estrutura de ciclos de quatro anos com progressão continuada, a situação é aterradora. Tanto nas escolas de periferia, que recebem alunos oriundos de camadas sociais menos favorecidas, quanto nas escolas centrais, que recebem estudantes oriundos de realidades sociais menos desestruturadas, os resultados foram semelhantes.

Antes da progressão continuada, 12% dos estudantes apresentavam desempenho escolar com notas acima de 8 e apenas 7% terminavam o ano com notas abaixo de 5. As escolas tinham uma média de 36 alunos por classe e o índice de evasão escolar era de 6%.

Depois da progressão apenas 8% dos estudantes apresentaram desempenho escolar com notas acima de 8 e 27% foram aprovados ao final do ano com notas inferiores a 5. A média de alunos por classe subiu para 40 e o índice de evasão escolar atingiu 22%.

Como essa pesquisa analisou recortes distintos, sem transição de uma estrutura para outra, em escolas com realidades que representam bem a desigualdade de nossa sociedade, é possível afirmar que seus resultados servem de modelo para todo o Estado de São Paulo.

Com base nesses resultados, fica evidente a perda da qualidade, num curto espaço de tempo, de um ensino que não era dos melhores. Isso somado ao sucateamento e à depredação das escolas explica os resultados obtidos pelo Estado de São Paulo no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

A melhoria da qualidade do ensino está diretamente relacionada à valorização do professor, no seu suporte salarial e na sua autonomia pedagógica, para que possa viver com dignidade e se dedicar a um número menor de alunos. Qualquer coisa fora disso não passa de propaganda e maquiagem.

*Luís Fernando de Lima Júnior é professor de História em São José dos Campos

31/07/2008 - 10:19h Ana Paula e a história que Brizola contaria no rádio

http://portal.mec.gov.br/img/2007/escolaliderideb1_g.jpg
Aula no Ciep 297 Professora Guiomar Gonçalves Neves. Em 2005 o melhor resultado Ideb do Brasil 

Paulo Totti, do Rio e São Paulo – VALOR

Ana Paula Varanda tinha 11 anos quando, vinda de outra escola pública, entrou na 5ª série do Ciep Ministro Gustavo Capanema, na Favela da Maré, que acabava de ser inaugurado em 1985. Estudou ali, em tempo integral, até a 8ª série, quando passou no “vestibulinho” que a Fundação Instituto Osvaldo Cruz promove anualmente entre mil candidatos para preencher as 30 vagas de sua escola politécnica. Depois de quatro anos na politécnica, Ana Paula fez dois vestibulares, para medicina e geografia, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Foi aprovada em ambos. Freqüentou medicina por seis meses e a abandonou ao descobrir que sua vocação era mesmo a geografia. Formada, hoje dá aulas nos cursos noturnos para jovens e adultos da prefeitura de Niterói e é pesquisadora da ONG Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase).

Ana Paula ainda morava na Maré quando, há quatro anos, concluiu o mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ali pretende cursar o doutorado em planejamento urbano. Aos 31 anos, Ana Paula vive agora em Niterói. O Valor desistiu de levá-la para uma foto em frente ao seu antigo Ciep, o Gustavo Capanema. Para chegar até lá teriam de ser mantidas negociações com três facções criminosas – o Comando Vermelho (CV), a Amigos dos Amigos (Ada) e a milícia pára-militar -, que se alternam no domínio do complexo de 150 mil habitantes de que fazem parte as favelas da Maré, Manguinhos, Vila do João e Vila Pinheiro. A foto foi transferida para o mais tranqüilo bairro do Catete, centro do Rio, no pátio do Ciep Tancredo Neves. Quando os alunos da quarta série do Ciep descobriram que não se tratava de uma atriz de novela, mas de ex-colega, interromperam o recreio para convidá-la a brincar com eles.

A história de Ana Paula é daquelas que Brizola gostaria de contar no rádio. Ela não chegou a conhecer o pai. A mãe morreu quando a garota tinha cinco anos. A avó, servente no escritório de uma metalúrgica, cuidou da menina e de seus três irmãos. Semi-alfabetizada, era exigente com o estudo dos netos. Todos chegaram ao superior, em escolas públicas. Dos seus colegas no Ciep da Maré, vizinhos de barracos sobre palafitas, ela cita um que se formou em contabilidade e morreu assassinado há dois meses, como gerente do tráfico. Outro formou-se em administração de empresa e prospera no mercado financeiro em São Paulo.

“Uma boa escola” – é o seu depoimento – “prepara para a vida, mas não resolve tudo sozinha. Hoje a situação urbana é muito mais complexa. A escola depende de uma organização territorial que não existe nas áreas de risco do Rio. Um garoto de dez, doze anos, vai à escola e aparece um PM de fuzil para revistar sua mochila. Aquela imagem idílica de um grupo de garotos e garotas indo felizes para a escola desapareceu ou nunca existiu nas favelas do Rio. Antes dos Cieps não havia escolas, hoje existem, mas as crianças chegam até elas depois de cruzar com traficantes armados, policiais armados e, a qualquer momento, tropeçam na esquina, como eles dizem, com um presunto com a boca cheia de formiga (cadáver abandonado). Traficantes, às vezes, avisam que vai ter tiroteio. Mas a polícia age sempre de surpresa. Assim, é difícil uma escola ter alto nível de avaliação.”

Os resultados do Ideb dão razão a Ana Paula. A Região Administrativa de Copacabana tem o melhor Ideb do Rio. O Morro do Chapéu Mangueira ou a Ladeira dos Tabajaras não são locais exatamente pacíficos, mas sua criminalidade se dilui entre as razoáveis estatísticas do bairro de classe média e média-alta em que estão encravados. Os piores índices estão nos espaços em que a favela predomina: Rocinha, Complexo da Maré, Cidade de Deus, Jacarezinho. O Ciep onde Ana Paula estudou na Maré alcançou no Ideb nota 3,8 em 2005 e 4 em 2007.

A 220 quilômetros ao norte da Maré, no alto da serra fluminense, entre Nova Friburgo e Santa Maria Madalena, terra de Dercy Gonçalves, há um Ciep da rede estadual que já obteve a maior nota do país em português e a segunda em matemática (287 e 286, respectivamente, numa escala de zero a 300) da prova Brasil. Associadas aos índices de freqüência e aprovação, essas notas resultaram num Ideb de 8,5, também o primeiro do Brasil. Foi em 2005, no Ciep 297 Professora Guiomar Gonçalves Neves da pacata cidade de Trajano de Morais, de 10 mil habitantes. Seu diretor, Elielton Moreira Riguetti, atribui o bom desempenho ao tempo integral (mantido até hoje) e à perfeita integração escola/comunidade: “Até casamentos comunitários se realizam no Ciep”, diz ele. Em 2007, o Ideb caiu para 5,2, mas, segundo Riguetti, “já estamos num processo de autocrítica e o próximo Ideb certamente vai mostrar recuperação”.

Ao pé da rampa que une andares do prédio, lê-se a reprodução do adágio atribuído ao chinês Chang Tzu: “Se quiser colher a curto prazo, plante cereais. Se quiser colher a longo prazo, plante árvores frutíferas. Mas se quiser colher para sempre, eduque crianças.” (PT)

21/06/2008 - 10:58h Mesmo alertado, MEC dá nota errada a SP

Leia também aqui no Blog

A Folha desinforma

Escolas municipais ficaram com nota mais baixa que a real no Ideb; ministério admite que dados de outras cidades podem estar errados Problema ocorre em ano de eleição; Marta Suplicy (PT) é pré-candidata e uma das principais adversárias do prefeito Kassab (DEM)

RICARDO WESTIN – FOLHA DE SÃO PAULO
DA REPORTAGEM LOCAL

Mesmo tendo sido alertado com antecedência do problema, o MEC (Ministério da Educação) divulgou ontem números errados sobre a rede escolar da Prefeitura de São Paulo. As escolas municipais acabaram ficando com uma nota mais baixa que a real no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). O MEC admite que outras cidades podem ser prejudicadas pela mesma razão.
O problema ocorre em pleno ano de eleição municipal. Ontem, o ministro da Educação, Fernando Haddad, esteve em São Paulo e se reuniu com a pré-candidata do PT à prefeitura, Marta Suplicy. Um dos principais adversários da petista é o atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), que tem planos de reeleição.
Não é a primeira vez que esse tipo de problema, em ano eleitoral, envolve a maior cidade do país.
Os números equivocados se referem aos índices de aprovação dos alunos da rede municipal. Equivocadamente, o Inep (instituto de pesquisas e avaliações do MEC) computou como reprovados os que foram transferidos de escola, os que abandonaram os estudos e até os que morreram no ano letivo.
O Ideb é um índice que aponta o desempenho de todos os colégios públicos. Considera as notas dos alunos em provas oficiais e o índice de aprovação dos estudantes. O objetivo é oferecer um detalhado raio-X da educação nacional.
Pelo dados divulgados ontem -errados-, São Paulo ficou no 12º e no 8º lugar, no ranking das redes municipais das capitais, nas séries iniciais (da primeira à quarta série) e nas séries finais (da quinta à oitava). Pelos cálculos da prefeitura, com os índices corretos de aprovação, a cidade subirá para o 9º e para o 6º lugar, respectivamente.
Questionado pela Folha sobre a razão de os dados terem sido divulgados mesmo com o conhecimento de que estavam errados, o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, disse que não poderia alterar a data de divulgação dos números. “Os dados já estavam prontos. Só se eu atrasasse tudo. Não posso tratar São Paulo diferente dos outros municípios”, disse ele.
O erro foi informado ao MEC pelo próprio secretário municipal de Educação de São Paulo, Alexandre Schneider, que informalmente já havia obtido os números contabilizados. O ministério encontrou o erro na terça-feira. Ainda assim, decidiu que não faria alterações.
O problema veio a público ontem. Por causa disso, o presidente do Inep viajou a São Paulo para explicar pessoalmente ao secretário o ocorrido. “Não tenho motivo para desconfiar de qualquer tipo de manipulação dos dados pelo Inep. Mas divulgar dados errados é muito ruim para a imagem de São Paulo”, afirma Schneider.
Fernandes afirmou que o dado errado não tem relação com a eleição municipal. “Meu trabalho é despolitizar os números”, disse o dirigente do Inep. Schneider e Fernandes cogitaram a hipótese de conceder uma entrevista coletiva juntos ontem para explicar o problema, mas desistiram. Nenhum dos dois se dispôs a assumir a culpa pelos dados errados.
“Não tenho nenhuma informação de que os dados divulgados contenham incorreção por parte do meu instituto”, afirmou o ministro Haddad.
O MEC informou que, assim que chegar aos números corretos de São Paulo e de outras cidades que também possam ter sido prejudicadas, divulgará uma errata. Ainda não há data.
O deputado Paulo Renato Souza (PSDB-SP), ministro da Educação do governo Fernando Henrique, criticou o Inep.
“É uma vergonha, uma irresponsabilidade. Se os dados estão errados, suspenda a divulgação, corrija os dados e os divulgue depois. Não se pode, por causa da programação de divulgação, atropelar a seriedade e o caráter científico do Ideb.”


Colaboraram ROGÉRIO PAGNAN, da Reportagem Local, ANTONIO GOIS, da Sucursal do Rio, e RANIER BRAGON, em São Paulo

21/06/2008 - 10:28h Com médias revisadas, São Paulo fica apenas em 1.903º em ranking

http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/foto/0,,11462535-EX,00.jpg

Inep vai analisar dados, contestados por secretaria de Educação da cidade

Fábio Mazzitelli* – O Globo

SÃO PAULO. Após contestação da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, os números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) das escolas da capital paulista serão revisados pelo Inep, instituto de pesquisas ligado ao Ministério da Educação e responsável pela coordenação dos dados. As médias já revisadas mostram que a rede municipal de São Paulo está longe de alcançar os números almejados pela prefeitura. Pelo menos na 4ª série.

Nesse estágio, o Ideb 2007 revisado da capital salta de 4,1 para 4,7 e sai da 1.999ª posição no Brasil para o 1.903º lugar.
No estado, a mudança transferiu a rede municipal da 570apara a 540acolocação.
Nos dados fornecidos pelo Inep, estão listadas 5.475 cidades brasileiras na 4ª série, sendo 642 paulistas.
A diferença ocorreu nos dados das taxas de aprovação da rede de ensino da prefeitura. O Inep entendeu como reprovados alunos que deixaram a escola, por transferência ou abandono.
Esses estudantes não fazem parte do cálculo para a taxa de aprovação, utilizada na fórmula do Ideb junto com as notas médias dos alunos na Prova Brasil. Aplicada por uma equipe externa, a Prova Brasil foi realizada em novembro de 2007, dias depois de os estudantes da rede municipal serem submetidos à primeira edição da Prova São Paulo, aplicada por professores da rede.
As médias revisadas na 8ª série não foram divulgadas pela Secretaria municipal de Educação.

Sem revisão, a situação é pior que no 4º ano: a rede municipal fica na posição 2.354 no ranking do Brasil. Em São Paulo, que tem a escola com pior Ideb no estado, fica na 597ª posição.
Em nota, a secretaria diz que só terá posição oficial após o envio dos dados, em até 20 dias.

Os dados revisados de 4ª série foram informados ontem, em conversa do secretário municipal Alexandre Schneider com o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, que lamentou um suposto uso político dos dados.

— Acho triste politizar em cima de dados educacionais. É ruim para a educação que qualquer partido politize esses dados.
Mas tive uma reunião com o secretário (municipal) e estamos tratando como um problema normal — disse Fernandes.
Alexandre Schneider não retornou ontem a três ligações para seu celular.

* Do Diário de S. Paulo

Haddad responsabiliza prefeituras por falhas
Ministro diz que país está no caminho correto, mas longe do ’sonho de pertencer ao grupo de nações desenvolvidas’

João Carlos Moreira* – O Globo

SÃO PAULO. O ministro da Educação, Fernando Haddad, responsabilizou ontem, em São Paulo, prefeituras e escolas por eventuais erros no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Ele afirmou desconhecer possíveis falhas que possam ter sido cometidas pelo ministério.
A prefeitura de São Paulo contestou os índices.

— Não tenho nenhuma informação, sobre os dados divulgados, de qualquer incorreção por parte do instituto — disse, sobre o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), subordinado ao MEC.
Haddad, que foi a São Paulo participar da campanha da précandidata a prefeita da cidade, Marta Suplicy, disse que as falhas se devem a informações erradas passadas por escolas e municípios ao MEC, mas garantiu que os dados divulgados podem ser corrigidos: — Quando o censo escolar é preenchido corretamente, não há nenhuma dificuldade. Os dados trabalhados pelo Inep são transmitidos pelos gestores locais.
Eles (gestores) podem cometer equívoco? É evidente que sim. Cometeram no passado, podem cometer e cometerão no futuro.
O papel do Inep é divulgar os dados como foram transmitidos e, em caso de dúvida, o município pode retransmitir o dado correto. O papel do Inep, neste caso específico, se detectado o erro da primeira transmissão, é divulgar o novo dado.
Segundo ele, a correção pode ser feita antes mesmo do uso eleitoral dos dados: — Podemos corrigir num prazo de 30 dias. Depende da agilidade do gestor local.
Ele comentou o resultado: — O MEC conseguiu cumprir as metas de 2009. Isso anima o sistema educacional brasileiro, embora tenhamos que reconhecer que estamos distantes do sonho de pertencer ao grupo de nações desenvolvidas educacionalmente.
Mas agora, finalmente, estamos no caminho correto.

* Do Diário de S.Paulo

21/06/2008 - 10:22h A Folha desinforma

“Com médias revisadas, São Paulo fica apenas em 1.903° em ranking” Esta é a manchete do jornal O Globo que trata dos resultados do IDEB (Índice de desenvolvimento da Educação Básica). A revisão em questão concerne a correção de dados errados FORNECIDOS PELA PREFEITURA ao MEC. Mesmo corrigidos segundo calculo da própria prefeitura, o resultado é o da manchete do jornal O Globo: 1.903° dentre 5 mil municípios de todo o Brasil. Tentem achar essa informação na Folha.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo “São Paulo fica no fim da lista de um total de 645 município paulistas”, tentem achar esse dado na Folha de São Paulo.

Os artigos aqui citados serão reproduzidos no blog para você julgar.

O jornal O Globo também abordou a polêmica lançada pela Folha sobre os erros contidos nos dados de São Paulo publicados pelo MEC. A Folha insinua que esses erros guardam relação com a campanha eleitoral municipal. Segundo declaração do Ministro da Educação, Fernando Haddad, citado pelo Globo, O Estado de São Paulo e o Diário de São Paulo “Quando o censo escolar é preeenchido corretamente, não há nenhuma dificuldade. Os dados trabalhados pelo Inep são transmitidos pelos gestores locais. Eles (gestores) podem cometer equívoco? É evidente que sim. Cometeram no passado, podem cometer e cometerão no futuro.
O papel do Inep é divulgar os dados como foram transmitidos e, em caso de dúvida, o município pode retransmitir o dado correto. O papel do Inep, neste caso específico, se detectado o erro da primeira transmissão, é divulgar o novo dado.

Segundo ele, a correção pode ser feita antes mesmo do uso eleitoral dos dados: — Podemos corrigir num prazo de 30 dias. Depende da agilidade do gestor local.”

Tentem encontrar isto claramente explicado na Folha de São Paulo. Ou a Folha prova que os dados fornecidos pela prefeitura de São Paulo e pelos gestores locais no Estado de São Paulo estavam corretos e foram incluídos erradamente pelo Inep, responsável pelos resultados anunciados e neste caso o ministro Haddad está errado, ou os dados fornecidos estavam errados é a responsabilidade incumbe a própria prefeitura e Estado de São Paulo.

Neste caso a Folha poderá investigar se esses dados foram fornecidos errados propositalmente ou por engano. Poderá também questionar porque os representantes da prefeitura e do governo estadual só descobriram os erros dois dias antes dos resultados serem publicados. Talvez a Folha chegue a conclusão que foi usada ou conivente com uma operação política visando a ocultar os resultados pifios da educação em São Paulo.

Os artigos aqui citados serão reproduzidos no blog para os leitores julgarem. O ombudsman não terá talvez tempo de tratar o tema na Folha de amanhã, mas é um caso de distorção explicita do que realmente interessa: avaliar a educação no pais, no Estado e na cidade de São Paulo.

Luis Favre

11/06/2008 - 19:04h Alunos do Nordeste puxam para cima nota do ensino básico

http://www2.fase.org.br/artigo6/blog/imagens/AlunosEscola.jpg

Ideb 2007
Notas para o ensino: educação básica registrou crescimento no Ideb 2007

Marta Reis – O Globo Online e Demétrio Weber – O Globo

RIO – O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica 2007 (Ideb), indicador de qualidade do Ministério da Educação (MEC), registrou crescimento em todos as etapas de ensino entre 2005 e 2007, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo ministro Fernando Haddad. De acordo com o MEC, a Região Nordeste foi uma das que mais contribuíram para o crescimento das notas, já que ela ultrapassou as metas para 2007 e para 2009 nos três níveis.

As séries iniciais do ensino fundamental (1ª a 4ª série) foram as que apresentaram o maior crescimento – a nota passou de 3,8 para 4,2. Pelas metas do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), elas devem atingir média 6 em 2021, o equivalente ao desempenho dos países desenvolvidos numa avaliação internacional em 2003.

As demais séries do ensino fundamental (4ª a 8ª) e o ensino médio também tiverem aumento no Ideb, porém menores – de 3,5 para 3,8, e de 3,4 para 3,5, respectivamete. O Ideb é calculado levando em consideração a nota dos alunos da rede pública na Prova Brasil e a evasão escolar. (Veja o desempenho de cada estado do Ideb 2007)

Para o professor Francisco Soares, especialista em sistemas de avaliação e indicadores de Educação da Universidade Federal de Minas (UGMG), os dados são positivos pois mostram que, pela primeira vez, o foco do sistema educacional é o aprendizado dos alunos.

- Com as metas, o MEC sinaliza para as escolas o quanto e em quanto tempo elas devem melhorar. Esta é a primeira vez que o Brasil fez isso e conseguimos melhorar. Já é um primeiro passo. Claro que as próximas metas serão muito mais ambiciosas do que as de 2007 ou 2009, mas é preciso começar devagar. Pelo menos não pioramos – esclarece Soares.

O professor atribui o bom resultado ao comprometimento do governo com o Plano Nacional de Educação (PNE), criado em 2007.

- A primeira meta do PNE é melhorar os índices educacionais no Brasil, e os resultados mostram que demos o primeiro passo – completou ele
Nota do ensino médio piorou no Rio e melhorou em São Paulo

De acordo com a planilha divulgada pelo MEC, o Ideb piorou no ensino médio e melhorou no ensino fundamental no estado do Rio de Janeiro, entre 2005 e 2007. Os resultados mostram que a nota da rede pública fluminense de ensino médio, majoritariamente estadual, caiu de 3,3 para 3,2, na escala até 10. Nas séries iniciais do ensino fundamental, o índice subiu de 4,3 para 4,4 e, nas séries finais, de 3,6 para 3,8.

A meta do Rio para 2007, no ensino médio, era 3,3, mesma de 2005. Assim, bastaria repetir o desempenho. Mas as escolas fluminenses tiveram um resultado pior, caindo na escala. A queda ocorreu no chamado fluxo escolar, que reflete o aumento da repetência e da evasão. Na Prova Brasil, a nota subiu. (Confira o Ideb 2007 por estado)

A secretária estadual de Educação do Rio de Janeiro, Tereza Porto, considerou “bastante fraco” o desempenho do estado no Ideb :

- Tivemos um resultado bastante fraco.Tem que melhorar muitíssimo a qualidade do ensino aqui e no Brasil. Se formos olhar os resultados, a situação de todos não é satisfatória. O Brasil inteiro tem que evoluir. O Rio está fazendo o possível.

Para melhorar o desempenho dos alunos, a secretaria de Educação informou que está tomando uma série de medidas nos âmbitos pedagógico e de infra-estrutura, tais como a criação do Programa de Gestão Escolar, desenvolvido para capacitar 5.330 profissionais de educação, entre diretores, adjuntos e coordenadores pedagógicos.

Já em São Paulo, as notas subiram nos três ciclos escolares, entre 2005 e 2007. No ensino fundamental, ela passou de 4,7 para 4,9, nas séries iniciais e de 4,2 para 4,3 nas finais. No ensino médio, a variação foi de 3.6 no mesmo período.

O Ideb é calculado com base no desempenho dos alunos da rede pública na Prova Brasil, teste de leitura e matemática aplicado a cada dois anos nas turmas de 4 e 8 série do ensino fundamental (5 e 9 ano, onde o ensino fundamental já dura nove anos) e do 3 ano do ensino médio, e nas taxas de aprovação de todas as séries.

15/05/2008 - 09:48h Após 13 anos de governo tucano: De 0 a 10, ensino médio de SP tira 1,4

Só 2 colégios públicos do Estado têm índice 5 no Idesp, indicador que considera nota e adequação do aluno à série

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Renata Cafardo – O Estado de São Paulo

O primeiro Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo (Idesp) mostra que as escolas estaduais paulistas estão longe de chegar ao nível de ensino de países desenvolvidos. O indicador foi feito a partir de uma fórmula que leva em conta as notas dos alunos no Saresp, uma avaliação feita pela Secretaria da Educação, e a taxa de crianças na série adequada para a idade.

A situação pior está no ensino médio, em que o índice é de 1,41 atualmente, numa escala de 0 a 10. O objetivo traçado pelo governo é chegar a 5 em 2030. No ensino fundamental, as metas são mais altas. Hoje, as escolas de 1ª a 4ª série têm Idesp de 3,23 e a meta é 7. Nas de 5ª a 8ª, o índice é 2,54 e a meta, 6, perto do que teriam países como Reino Unido, Finlândia e Coréia. A comparação com outras nações é possível porque o Ministério da Educação (MEC) já havia feito essa simulação quando lançou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em 2007.

Esse índice nacional leva em conta a Prova Brasil e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Assim como o Ideb, o Idesp traça metas a serem atingidas a cada ano por todas as escolas. Elas devem melhorar o desempenho até 2030, ‘quando São Paulo poderá ter escolas como as finlandesas’, diz a secretária estadual de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro.

Atualmente, apenas duas escolas de ensino médio do Estado já têm índice 5. E cinco escolas de 5ª a 8ª série já chegaram a 6. Nenhuma de 1ª a 4ª chegou ainda à meta 7. Os indicadores de cada uma das cerca de 5 mil escolas do Estado serão divulgados hoje pelo governo estadual.

Segundo Maria Helena, além de ajudar as escolas a identificar e melhorar os problemas dos aluno, um dos objetivos do Idesp é ter um sistema transparente de bonificação. ‘O Idesp representará pelo menos 50% do bônus’, diz a secretária. Ela explica que o governo ainda elabora um projeto de lei com os critérios que levarão à premiação das melhores escolas. Além do Idesp, a assiduidade dos professores deve ser levada em conta.

Os resultados do Idesp não surpreendem porque refletem o desempenho dos alunos no Saresp 2007, que tem questões de português e matemática. Os índices das crianças de 1ª a 4ª são melhores porque esse nível de ensino vem mostrando uma evolução nos últimos anos, além de registrar menos de 10% dos alunos com a idade errada para a série.

O Saresp deste ano mostrou, no entanto, que apenas 24% dos alunos de 8ª série conseguem identificar a intenção de um autor ao publicar uma carta na editoria de opinião de um jornal. E que 71% dos estudantes concluíram o 3º ano do ensino médio sem saber operações matemáticas básicas.

Segundo Maria Helena, uma das diferenças do índice nacional e do estadual é que o Ideb considera a nota média de todos os alunos da escola na Prova Brasil e no Saeb. Já o Idesp considera a quantidade de estudantes em cada nível de aprendizagem (avançado, adequado, básico e abaixo do básico). Os piores níveis recebem pesos maiores e acabam influenciando mais no Idesp.

‘Diferentemente do Ideb, assim, podemos trabalhar a qualidade e a eqüidade’, diz a secretária. O índice do Estado foi elaborado pelo economista do Universidade de São Paulo (USP) Naércio Menezes e pelo matemático da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Francisco Soares.

PROVAS E INDICADORES

Idesp - leva em conta as notas no Saresp e a taxa de crianças na série adequada para a idade

Ideb - indicador de qualidade, combina as notas da Prova Brasil e Saeb com o rendimento escolar

Saeb - avalia conhecimentos em português e matemática, por amostra, para 4.ª e 8.ª séries do fundamental e 3.º ano do médio. A Prova Brasil foi criada para complementar esse indicador, com dados por município e escola

Saresp - avaliação semelhante ao Saeb, mas restrita ao Estado de São Paulo

08/05/2008 - 17:29h Saiba mais sobre o Viaja Mais Jovem

 

Brasília (07/05) – O Viaja Mais Jovem foi lançado na manhã desta quarta-feira (7) no auditório do Ministério do Turismo, em Brasília. O programa é um projeto piloto que será realizado no Acre. Veja abaixo a apresentação feita pelo secretário de Turismo do Acre, Cássio Marques.

Os secretários Airton Pereira (secretário Nacional de Políticas de Turismo) e Cassiano Marques (secretário de Turismo do Acre), explicam objetivos e detalhes do Viaja Mais Jovem. Contam como foi estruturado o programa, seus alcances e metas em relação ao Turismo no País e no Acre, onde começa a ação em projeto piloto.
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