28/03/2009 - 09:17h Serra quer na educação de São Paulo “vendedor de peixe”
Caiu a secretária de Educação de Serra, Maria Helena Guimarães de Castro, substituída pelo ex-ministro de FHC, Paulo Renato. A secretária caiu porque não soube “vender o peixe” como Serra queria. Segundo a Folha SP, Serra não queria que o Estado participasse do Pisa (prova internacional que será realizada em maio) por “temor de uso político dos dados na campanha de 2010″. Ou seja, Serra queria ocultar o péssimo balanço de seu governo na área da educação, mas a secretária manteve a participação do Estado.
O mesmo aconteceu, sob outra forma, na questão do Idesp, onde Serra queria vender a ideia de um grande avanço e a secretária não conseguiu transformar o chumbo em ouro. É bom lembrar que os resultados do Idesp foram anunciados, sem fornecer os dados por elemento da avaliação, para evitar de constatar que em matéria de aprendizado a situação continua calamitosa. Como o Idesp relaciona as notas em português e matemáticas, com repetência e frequentação, o todo servindo para determinar bonificação para as escolas; escolas menos rigorosas no registro da presença do aluno podem ter uma pontuação no Idesp melhorada.
A nomeação de Paulo Renato vem confirmar as reais motivações do governador Serra. Como diz o presidente do Conselho Estadual de Educação, Arthur Fonseca Filho, citado pela Folha: “O importante é que não haverá quebra na política educacional (…) para a mudança, pesou o fato de o Paulo Renato, como deputado, ter pretensões políticas e necessidade de projeção…”. Dito de outra maneira, a mediocridade da política educacional continuará a mesma, mas o disfarce e a manipulação para apresentá-la como exitosa, para não prejudicar o tucano nas eleições de 2010, será mais habilidosa.
Reproduzo a seguir matéria do Jornal da Tarde (JT) de hoje. O retrato da educação está estampado nos resultados obtidos em português e matemática, que o JT conseguiu tabulando os resultados do Saresp (base para o idesp) na 4ta. série das escolas públicas estaduais da capital. O porque de ter escolhido está série está fundamentado no artigo e o exemplo poderia ser estendido as outras séries, com resultados seguramente semelhantes. Pois bem, em português, os resultados em 2008 são piores que em 2007 (ver quadro do JT). Em matemáticas, onde teve algum progresso, 40% dos alunos estão abaixo do básico. Isto nas escolas da capital, a cidade mais rica do país.
Esqueci de dizer, faz 14 anos que os tucanos comandam o Estado de São Paulo e durante esses 14 anos, em 8, tiveram o comando ao mesmo tempo do governo federal. Ao cabo de 14 anos os resultados são desastrosos.
É o que José Serra quer ocultar, agora com a ajuda de Paulo Renato.
Luis Favre
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Português é pior que em 2007
Na capital, índice dos que não aprenderam o que deveriam para a série sobe de 62% para 69%
Do primeiro para o segundo ano da gestão do governador José Serra (PSDB), caiu o desempenho em língua portuguesa dos alunos da rede estadual na capital ao final do primeiro ciclo do ensino fundamental. Segundo os números de 2008 do Saresp, exame de avaliação das escolas do Estado, são cerca de 63 mil estudantes de 4ª série sem os conhecimentos adequados para essa etapa, ou 69% do total. Em 2007, eram 62% os que não tinham aprendido o esperado para esse nível de ensino.
Esses alunos estão situados nos níveis “abaixo do básico”, que não aprenderam o conteúdo da matéria, e “básico”, que aprenderam só de forma parcial. Houve queda nos dois degraus da escala: em 2008, 28% ficaram abaixo do básico e 41% no básico; no ano anterior, os índices eram de 22% e 40%, respectivamente.
Os dados do ano passado das escolas estaduais da capital foram tabulados pelo JT com base em informações da Secretaria de Estado da Educação. Já os de 2007 fazem parte de um estudo do professor Ocimar Munhoz Alavarse, do Departamento de Administração Escolar e Economia da Educação, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).
A queda em português ocorre justamente na etapa que o governo elegeu como uma das prioridades da educação. Entre os projetos implantados pela atual administração na primeira etapa do ensino fundamental estão o Ler e Escrever, que pôs um estagiário nas classes de 1ª série da capital, e o Programa Intensivo no Ciclo (PIC), com salas de recuperação exclusivas para estudantes não completamente alfabetizados.
“O número de alunos com problemas aumentou em língua portuguesa. Em outros termos, diminuiu o número dos que aprenderam o que é desejável, e isto impõe como tarefa urgentíssima uma política para esses alunos, que estão em uma situação de risco pedagógico”, afirma Alavarse.
Exemplo de escola
Se língua portuguesa piorou de 2007 para 2008, em matemática houve melhora nos indicadores da capital: os porcentuais somados dos dois níveis mais baixos de aprendizagem foram reduzidos de 84% para 78% no período.
A matéria, por outro lado, ainda segue com mais estudantes que não assimilam o conteúdo necessário em comparação com português: 40% estão abaixo do básico e 38% no básico em matemática.
Levando-se em contas as duas disciplinas que norteiam o ensino básico e os níveis de qualidade de escolas privadas brasileiras da região Sudeste, só dois colégios estaduais da capital se enquadram como exemplos a serem seguidos na rede estadual: a Escola de Aplicação, localizada na Cidade Universitária, zona oeste, e ligada à Faculdade de Educação da USP, e a Escola Professora Estadual Blanca Zwicker Simões, no Jardim Anália Franco, na zona leste.“80% de nossos professores são efetivos. Você não precisa a cada ano começar todo o trabalho de novo”, diz a coordenadora pedagógica da Blanca, Marta Regina Rezende, ao ser questionada sobre os docentes. A escola adota um sistema de sondagens mensais em português e matemática, para identificar alunos com dificuldade.
Nesses casos, o docente faz um trabalho de recuperação durante as atividades normais de aula. Os pais são notificados quando algum estudante não vai bem – e não só em casos de indisciplina.
Fabio Mazzitelli e Vitor Sorano (JT)
28% dos alunos não entendem o que leem
Apesar da melhora no índice de qualidade da educação estadual, 25,4 mil dos 92 mil estudantes da 4ª série concluíram ciclo de
ensino em 2008 sem saber o básico de língua portuguesa
Fábio Mazzitelli e Vitor Sorano – JT
Um em cada quatro alunos de 4ª série das escolas estaduais da capital pode até conseguir ler este texto, mas não entenderá o conteúdo dele nem o gráfico desta página. Cerca de 25,4 mil dos 92 mil alunos, ou 28%, avaliados no Saresp – prova anual da rede estadual de ensino – chegaram ao final do primeiro ciclo do ensino fundamental sem atingir o nível básico de aprendizagem em língua portuguesa. Em matemática, são 37 mil nessa situação, ou 40%.
Ontem, foi anunciada a troca de comando da Secretaria Estadual da Educação. O ex-ministro Paulo Renato Souza (PSDB) substituirá Maria Helena Guimarães de Castro.
O Jornal da Tarde tabulou os boletins do Saresp de 2008 das escolas estaduais da capital que oferecem a 4ª série. Foram computados os dados de 575 unidades. Oito foram desconsideradas porque o número dos alunos avaliados não foi informado. Esse nível de ensino foi escolhido porque é a etapa de alfabetização dos estudantes, que terão mais sete anos para completar o ensino básico.
O exame possui quatro conceitos: abaixo do básico, básico, adequado e avançado. Só nos dois últimos o aluno aprendeu o que deveria para série.
Dos estudantes de 4ª série da capital, segundo o Saresp de 2008, estão nos níveis desejados de conhecimento (adequado e avançado) só 31% em língua portuguesa, um recuo em comparação a 2007, e 22% em matemática, um avanço em relação ao ano anterior.
Em todas as 13 diretorias de ensino da cidade, a maioria ficou entre abaixo do básico e básico nas duas matérias. Ou seja, menos da metade aprendeu o conteúdo essencial ao final da 4ª série. Os piores desempenhos são de alunos do extremo leste da cidade.
“O ideal é que ninguém fique abaixo do básico, que é um nível que representa que o aluno não aprendeu”, afirma Naercio Aquino Menezes, professor do Ibmec de São Paulo e um dos que ajudou a criar o novo modelo do Saresp – criado nos anos 1990, o exame estadual passou por vários formatos até ser reformulado em 2007.
No abaixo do básico em português, significa que o aluno não entende os efeitos da pontuação em um texto nem reconhece o tema de um boletim informativo simples. O mesmo nível de matemática indica que o estudante não sabe ver horas em um relógio nem diz o que é direita ou esquerda em relação ao próprio corpo.
Para Francisco Soares, pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais que também ajudou a formatar o Saresp, o ideal é que as escolas atingissem uma distribuição mais próxima ao modelo dos colégios de ensino básico dos Estados Unidos, nos quais há apenas 5% no último nível de desempenho na escala. Para os pesquisadores, outra referência possível é o estágio atual das escolas privadas do Sudeste do Brasil, em que há 9% abaixo do básico.
A Secretaria Estadual da Educação não contestou os dados, mas diz que o ensino está melhorando. A pasta promete divulgar o resultado total do Saresp em abril. Fizeram a prova alunos de 2ª, 4ª, 6ª e 8ª séries do fundamental e 3º ano do ensino médio da rede estadual, nas disciplinas de português, matemática e ciências.







A edição do debate feita hoje pela Folha mostra erros no uso de dados, no debate da Band, por parte de todos os candidatos. Por exemplo, em relação a educação, o artigo “corrige” Alckmin assim:



