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	<title>Blog do Favre &#187; idosos</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>A velha guarda de Paris</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Aug 2009 18:01:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[COMPORTAMENTO]]></category>
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		<description><![CDATA[Blog de Noblat
cartas de paris
A velha guarda de Paris

Da primeira vez que reparei nela fiquei bem no meio do caminho entre o choque e a compaixão. Com passos lentos de octagenária, a senhora caminhava pela calçada perto da minha casa: cabeça branca, olhar firme, um leve batom rosa nos lábios – e nas narinas, tubos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h6><font size="4">Blog de Noblat</font></h6>
<p>cartas de paris</p>
<h4 class="tituloPost"><a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/08/06/a-velha-guarda-de-paris-211674.asp">A velha guarda de Paris</a></h4>
<p><img src="http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2009/02/129_2636-carolnogueira.jpg" align="left" /></p>
<p>Da primeira vez que reparei nela fiquei bem no meio do caminho entre o choque e a compaixão. Com passos lentos de octagenária, a senhora caminhava pela calçada perto da minha casa: cabeça branca, olhar firme, um leve batom rosa nos lábios – e nas narinas, tubos como esses que a gente vê nas UTIs, ligados a um aparelho médico portátil que ela carregava a tiracolo, como se carregaria uma bolsa comum.</p>
<p>Voltaria a encontrá-la do mesmo jeitinho em outras manhãs, e depois a outros velhinhos e velhinhas desfilando pela cidade igualmente munidos de seus respiradores artificiais. O que era um choque se tornou o início de um percurso de observação sobre como vivem os idosos em Paris.</p>
<p>Basta um passeio em qualquer feira livre, biblioteca ou parque para se encontrar com dezenas deles, surpreendentemente independentes. Mesmo que alguns já estejam mais lentos, com movimentos debilitados, são eles mesmos que fazem suas compras: escolhem, pagam e depois levam tudo para casa com seus carrinhos de compras ultra-modernos (rodas triplas para facilitar nas escadas).</p>
<p>Nos parques, não é raro encontrar uma cabeça branca pilotando uma bicicleta. Na cidade, preferem os ônibus ao metrô – natural, haja vista a profusão de degraus que se tem de encarar em cada estação. Tenho a impressão de que todos os velhinhos de Paris pegam a linha 62, que corta a rive gauche ao meio. Foi onde eu vi grande parte das cenas que me impressionaram.</p>
<p>Além dos respiradores, eu os vi com suas bengalas e sacolas. Com o chapeuzinho de abas curtas e a vista mais ainda, pedindo para o motorista tirar ele mesmo a quantia da passagem de dentro da carteira. Casaizinhos cúmplices se apoiando mutuamente, despertando a inevitável pergunta de quem será que toma conta de quem.</p>
<p>Todos os parques e jardins da cidade são pontos de encontro da velha guarda. Muitos chegam pontualmente às quatro da tarde, como quem tem hora marcada para um compromisso importante. Sentam-se no banco, abrem seus livros. Ou engatam um papo com o companheiro do banco do lado – às vezes, já chegam em duplas ou trios.</p>
<p>Uns ficam olhando as crianças brincarem, distribuindo aleatoriamente seus valiosos conselhos para jovens mamães pouco experientes. Outros ficam ali quietinhos, absortos naquele mundo de lembranças de quem tem muita história para contar.</p>
<p>Claro, nem todos estão em plena forma. Se a velhinha do respirador costuma passear sozinha, há muitos que precisam da ajuda de outras pessoas. É comum ver ao lado deles ajudantes que os apóiam nas escadas, facilitam as portas – e com quem conversam o tempo todo, amáveis ou ranzinzas.</p>
<p>Foi aí, quando reparei nesses ajudantes, que me dei conta da enorme diferença cultural. Poucos são os velhos franceses que vivem com seus filhos ou alguém da família. Enquanto podem, eles ficam mesmo sozinhos, em suas casas. Quando não é o caso, as maisons de retrait (algo como casas de aposentados) são o destino praticamente certo. O brasileiríssimo sistema da vovó-agregada não funciona por aqui.</p>
<p>Tem um lado ótimo: tendo que se virar sozinhos, eles permanecem ativos, vigorosos. Tem o lado triste: muitos são tão solitários que a prefeitura tem de manter um cadastro de idosos para contactá-los nesta época do ano, quando faz muito calor e eles ficam expostos aos riscos de desidratação.</p>
<p>De todo jeito, os velhinhos de Paris hoje não me dão pena, nem me assustam mais. Olho para eles com admiração – e com a esperança de manter a vitalidade deles quando chegar minha vez.</p>
<p><em><strong>Carolina Nogueira</strong> é jornalista e mora há dois anos em Paris, de onde mantém o blog Le Croissant (www.le-croissant.blogspot.com)</em></p>
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		<title>São Paulo está entre as piores cidades do Estado para idosos</title>
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		<pubDate>Fri, 29 May 2009 16:24:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
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		<description><![CDATA[
     Capital fica em 503º lugar entre 645 municípios; cidade de apenas 6.000 habitantes é a melhor para a terceira idade
Estudo do governo de SP e da Fundação Seade leva em conta mortalidade precoce, acesso à renda e atuação  em atividades diversas

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO  - FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL
Estudo do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="5"><strong><br />
</strong></font>     <img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/09/kassab_estadao.jpg" alt="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/09/kassab_estadao.jpg" align="left" /><strong>Capital fica em 503º lugar entre 645 municípios; cidade de apenas 6.000 habitantes é a melhor para a terceira idade</strong></p>
<p><strong>Estudo do governo de SP e da Fundação Seade leva em conta mortalidade precoce, acesso à renda e atuação  em atividades diversas</strong><br />
<br style="background-color: #ffff99" /></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO  </strong>- FOLHA SP</p>
<p><font size="-1">DA REPORTAGEM LOCAL</font></p>
<p>Estudo do governo de São  Paulo divulgado ontem mostra  que a capital é uma das piores  cidades do Estado em condições de vida para os idosos.<br />
Dos 645 municípios paulistas, a cidade de São Paulo está  na 503ª posição, com 38 pontos  numa escala de zero a cem.<br />
Para a dentista Helena Baitz,  66, o que São Paulo oferece para os idosos é &#8220;um horror&#8221;. &#8220;Eu  me reúno com grupos de amigos para cantar e nos divertir,  mas é um grupo. A maioria dos  idosos tem mais motivos de insatisfação que de alegria&#8221;, diz.<br />
O índice do estudo leva em  conta mortalidade precoce dos  idosos, acesso à renda e participação em atividades culturais e  esportivas, por exemplo.<br />
Entre as dez maiores cidades  do Estado, apenas uma -São  José dos Campos- tem índice  considerado alto pelo governo.<br />
As outras nove (veja quadro  nesta página) têm pontuação  em torno de 50 ou abaixo.<br />
&#8220;A proporção de idosos é  maior nas pequenas cidades. E  é mais fácil o poder público localizar essa faixa etária e dar  atenção a ela&#8221;, diz Felícia Madeira, diretora-executiva da  Fundação Seade, que fez o levantamento em conjunto com  a Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento.<br />
&#8220;Se as cidades não fizerem  nada, será uma bomba-relógio  em todas as áreas&#8221;, afirma o secretário, Rogério Amato.<br />
Para Wilson Jacob Filho,  professor titular de geriatria da  Faculdade de Medicina da USP,  as cidades menores são melhores em qualidade de vida para  os idosos. Segundo diz, em todo  o mundo os índices mais altos  de longevidade não estão em  megalópoles como São Paulo.<br />
&#8220;A cidade foi se transformando num ambiente hostil e não  acolhedor a um idoso que tem  algum grau de limitação&#8221;, afirma. &#8220;Nas cidades pequenas, as  coisas são mais próximas, o idoso transita com facilidade.  Além disso, na capital os familiares dos idosos são comprometidos com o trabalho. No interior sempre tem alguém mais  perto para cuidar do idoso.&#8221;</p>
<p><strong>Bailes e ginástica</strong><br />
A rotina de Donária de Lima Moreira, 85, é o retrato do dia a dia dos idosos de Santo Antônio da Alegria (a 331 km da capital), de 6.000 habitantes e cidade de SP com melhores condições para os idosos.<br />
Ontem, Donária acordou  uma hora mais tarde, às 4h,  porque na véspera ficara até a  meia-noite assistindo ao jogo  do São Paulo, seu time do coração. &#8220;É que às 7h já tinha de estar na aula de ginástica e, antes  disso, precisava fazer muita  coisa aqui em casa&#8221;, disse. Antes de se exercitar no Centro de  Convivência do Idoso, ela arrumou a casa, passou e lavou roupas e alimentou as galinhas.<br />
Mas é aos sábados, dia de baile no CCI, mantido pela prefeitura, que a vitalidade dela se  destaca. Donária é apontada  pelas colegas como uma das  mais animadas. &#8220;O que tocar eu  danço. Bolero, valsa, forró&#8221;, diz.<br />
O casal Orildes José Firmino,  77, e Marcília Naves, 68, redescobriu o prazer de namorar há  dez anos. Viúvos, resolveram  tentar um novo relacionamento. Hoje, elogiam a tranquilidade da cidade e frequentam as  aulas de ginástica e o forró.</p>
<hr size="1" noshade="noshade" /><font size="-1"> Colaborou <strong>GEORGE ARAVANIS</strong>, enviado especial a Santo Antônio da Alegria.</font></p>
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		<title>Kassab &#8220;limpa&#8221; o Centro&#8230; de moradores de rua</title>
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		<pubDate>Wed, 20 May 2009 14:19:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
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		<description><![CDATA[ Metade das vagas de albergues será desocupada, diz Alda
Prefeita em exercício afirma que 3.280 pessoas não precisam ficar em abrigos públicos
Diego Zanchetta &#8211; O Estado SP
Ao anunciar ontem a criação de um hotel para idosos carentes na Nova Luz, a prefeita em exercício, Alda Marco Antonio, afirmou que metade das 8 mil vagas nos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <font size="5"><strong>Metade das vagas de albergues será desocupada, diz Alda</strong></font></p>
<p><strong>Prefeita em exercício afirma que 3.280 pessoas não precisam ficar em abrigos públicos</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">Diego Zanchetta &#8211; O Estado SP</p>
<p><img src="http://amaivos.uol.com.br/upload/amaivos/morador-de-rua-ponto-de-onibus.jpg" alt="http://amaivos.uol.com.br/upload/amaivos/morador-de-rua-ponto-de-onibus.jpg" align="left" />Ao anunciar ontem a criação de um hotel para idosos carentes na Nova Luz, a prefeita em exercício, Alda Marco Antonio, afirmou que metade das 8 mil vagas nos 40 albergues de São Paulo será desocupada. Com exceção das 720 pessoas com mais de 65 anos que serão realocadas em prédios municipais com assistência médica, outros 3.280 albergados já poderiam estar nas ruas, segundo Alda, que acumula os cargos de vice-prefeita e secretária da Assistência Social.</p>
<p>A prefeita disse ao Estado que as vagas desocupadas serão preenchidas &#8220;pela população de rua que realmente precisa&#8221; e de forma transitória. &#8220;Tem muita gente que ganha R$ 1 mil e continua morando nos albergues por comodismo. Ficam três, quatro anos&#8221;, criticou Alda, sem definir prazo para concluir as remoções. Uma &#8220;equipe multidisciplinar&#8221; faz o levantamento de quem pode sair dos albergues. A prefeita diz já ter retirado &#8220;cem inquilinos&#8221; do Albergue Boraceia, na Barra Funda. &#8220;Ganhei meio albergue novo só com a saída de quem não precisava mais.&#8221;</p>
<p>Há pouco mais de cinco meses como secretária, Alda contou também ter desclassificado 40 das cerca de 400 entidades que mantinham contratos com o governo. Dos R$ 615,78 milhões previstos neste ano no orçamento da Assistência Social, cerca de R$ 326,18 milhões serão usados na terceirização de unidades como os albergues e os centros de referência. &#8220;Para quem administra os albergues, esse cara que ganha R$ 1 mil não dá trabalho, é um bom hóspede. Difícil é cuidar de quem está em situação de pobreza extrema. Descobrimos entidades que não atendiam às nossas metas de serviços&#8221;, acrescentou.</p>
<p>Alda também disse que mais um albergue do centro será fechado em outubro, o Pedroso, com 250 vagas. Antes, cerca de mil vagas no centro já haviam sido extintas com o fim de dois albergues no Glicério e na Bela Vista. &#8220;Albergue em viaduto, sem condições sanitárias, não pode funcionar. E não estamos fechando as vagas, existe um remanejamento. E teremos uma central de atendimento no Parque D.Pedro II.&#8221;</p>
<p>As técnicas da Assistência Social que acompanhavam a prefeita informaram que a remoção dos albergues terá três frentes: a inclusão de moradores de rua em programas sociais dos governos federal e estadual, como meio de permitir a sua reinclusão na sociedade; a localização de familiares e a oferta de passagens para o retorno à cidade de origem; e a transferência dos idosos para hotéis, como o inaugurado ontem no centro, em um antigo edifício da Prefeitura reformado que receberá 100 pessoas até o dia 31.Apesar de a prefeita garantir que não serão fechadas vagas na região central, neste ano o governo municipal terá um número maior de novas vagas em albergues da zona sul (656) do que no centro (575). Ao todo, serão 1,5 mil novos leitos para a Operação Baixas Temperaturas, ante as mil disponibilizadas em 2008.</p>
<p>Entidades que atendem a população de rua do centro temem que as vagas desocupadas pela secretária sejam extintas. Organizações não-governamentais (ONGs) acusam a gestão da vice-prefeita na Assistência Social de ser &#8220;higienista&#8221; em relação à região central. &#8220;Está claro que a política é forçar a ida dos moradores de rua para a periferia. Temos pessoas que fazem bicos e ganham R$ 400 por mês nos albergues, isso é comum, mas o aluguel de qualquer quartinho em São Paulo custa R$ 200&#8243;, criticou Alderon Pereira da Costa, da Rede Rua.</p>
<p>Anderson Lopes Miranda, coordenador do Movimento Nacional de Assistência à População de Rua, acusou a secretária de fazer uma &#8220;faxina&#8221; no centro. &#8220;Alda está equivocada, ela não tem pesquisa ou embasamento para dizer que metade da população dos albergues deveria ser removida.&#8221; A reportagem também ouviu o Instituto Beleza e Cidadania, ONG que mantinha até março convênio para administrar o Centro de Referência do Mandaqui, na zona norte. &#8220;Optamos por terminar o convênio porque não era satisfatório para nós. É complicado trabalhar com políticas públicas de gestão&#8221;, disse Lara Dee, coordenadora da entidade.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A revisão do Plano Diretor de São Paulo e a mobilização cidadã</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/03/a-revisao-do-plano-diretor-de-sao-paulo-e-a-mobilizacao-cidada/</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 18:25:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
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		<description><![CDATA[Prezado,
Tenho acompanhado seu blog que disponibiliza importantes materiais sobre a politica urbana de São Paulo.
Encaminho essa mensagem com conteudos sobre a revisão do Plano Diretor, para se possivel, ser dada publicidade.
muito obrigada!
Cidade Viva




 LEGALIDADE DO PROJETO DE LEI DO KASSAB SERÁ VOTADA NA CÂMARA

(a mensagem segue com links no corpo do texto para acessar materiais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="gmail_quote">Prezado,</div>
<div class="gmail_quote">Tenho acompanhado seu blog que disponibiliza importantes materiais sobre a politica urbana de São Paulo.</div>
<div class="gmail_quote">Encaminho essa mensagem com conteudos sobre a revisão do Plano Diretor, para se possivel, ser dada publicidade.</div>
<p>muito obrigada!</p>
<h3 class="gD" style="color: #00681c"><span email="pelacidadeviva@gmail.com">Cidade Viva</span></h3>
<div class="gmail_quote">
<div class="gmail_quote">
<div class="gmail_quote">
<div style="text-align: center"></div>
<div style="text-align: center"> <strong><font size="4">LEGALIDADE DO PROJETO DE LEI DO KASSAB SERÁ <span style="color: #cc0000">VOTADA</span> NA CÂMARA<br />
</font></strong></p>
<div>(a mensagem segue com links no corpo do texto para acessar materiais na íntegra)</div>
</div>
<div><font size="4"><br />
A <strong style="color: #990000">Audiência Pública</strong> realizada no dia 13, última sexta-feira, debateu a <strong style="color: #000099">CONSTITUCIONALIDADE</strong> do </font><font size="4"><a href="http://www.camara.sp.gov.br/projintegrapre.asp?fProjetoLei=671%2F07&amp;sTipoPrj=PL" target="_blank">Projeto de Lei</a></font><font size="4"> (<a href="http://www3.prefeitura.sp.gov.br/cadlem/secretarias/negocios_juridicos/cadlem/integra.asp?alt=11102007PL006712007CAMARA" target="_blank">PL 671/07</a>) do Kassab, o qual <strong><span style="color: #cc0000">REVOGA</span></strong> o atual Plano Diretor Estratégico (<a href="http://www3.prefeitura.sp.gov.br/cadlem/secretarias/negocios_juridicos/cadlem/integra.asp?alt=14092002L%20134300000" target="_blank">Lei 13.430/02</a>) e o Plano Diretor Regional (<a href="http://www3.prefeitura.sp.gov.br/cadlem/secretarias/negocios_juridicos/cadlem/integra.asp?alt=06102004L%20138850000" target="_blank">Lei 13.885/04</a>) do Municipio de São Paulo.</font><font size="4">Nesta audiência, ficou bem clara a<font size="6"><u> </u></font><strong style="color: #cc0000"><font size="6"><u>ilegalidade</u></font> </strong>do Projeto, de acordo com as falas do Ministério Público (Cláudia Beré), de representantes das entidades e de alguns vereadores sensíveis ao fato. <strong style="color: #ff6600">Isto também foi possível graças a pressão exercida pela presença  de aproximadamente <span style="color: #ff0000">800</span> pessoas da sociedade civil.</strong></font><font size="4"> Porém, <strong><u>estas ações não são suficientes!! isso tudo corre o risco de ser revertido!!!</u></strong></font></p>
<p><font size="4"><strong style="font-family: comic sans ms,sans-serif">Só com a nossa presença poderemos evitar que esse projeto ilegal siga em frente, a presença da população na câmara é muito significativa e pressiona os vereadores a cumprirem o que prometeram na última audiência, se possível levem faixas e instrumentos para chamar a atenção antes da audiência.</strong></font></p>
<div style="text-align: center"><font size="4"><strong><font style="color: #003300" size="6">Haverá </font></strong></font><strong style="color: #003300"><font size="6">nova <a href="http://www.camara.sp.gov.br/audienciapublica.asp" target="_blank">AUDIÊNCIA PÚBLICA</a></font></strong><br />
<strong style="color: #003300"><font size="4"> onde a <font style="font-family: arial black,sans-serif" size="4">Comissão de Constituição e Justiça</font> </font></strong><br />
<strong style="color: #003300"><font size="4"> vai <font style="font-family: arial black,sans-serif; color: #003300" size="6">votar</font> e dar seu parecer sobre a LEGALIDADE deste Proj. de Lei.</font></strong><br />
<strong style="color: #003300"> <font size="4"><span style="font-weight: normal"></span></font><span style="font-family: Verdana; font-size: 13px; line-height: 16px"></p>
<div style="margin: 0px 0px 0.75em; line-height: 1.3em"></div>
<p></span></strong><br />
<strong style="color: #003300"> <span style="font-family: Verdana; font-size: 13px; line-height: 16px"></p>
<div style="margin: 0px 0px 0.75em; line-height: 1.3em; font-family: arial black,sans-serif"><font size="4">DIA 25.03 &#8211; quarta-feira, às 9hs</font></div>
<div style="margin: 0px 0px 0.75em; line-height: 1.3em">Local: Câmara Municipal &#8211; Viaduto Jacareí, 100 &#8211; salão nobre no 8 andar.</div>
<p></span></strong></div>
<p><font size="4"><span style="color: #990000">Neste dia será lido o relatório da Comissão sobre a última audiência e haverá votação pela continuidade ou não do projeto .<br />
Sabemos que devido a força econômica e ao <a href="http://1.bp.blogspot.com/_URdeP8rOOsg/SbiS2joY3jI/AAAAAAAAAB4/uCWaakEVkq8/s1600-h/Lista+do+Rabo+Preso.jpg" target="_blank">&#8220;rabo preso&#8221;</a> da maior parte dos vereadores desta comissão, a justiça só acontecerá se estivermos presentes e pressionarmos !<br />
</span></font><font size="2">(visto o exemplo do último Proj. de Lei &#8211; PL 87/09 &#8211; sobre concessões urbanísticas, que apresenta sérias irregularidades e inconstitucionalidades, e foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça).</font><font size="4"><br />
</font><br />
<font size="4"><span style="color: #990000"></span><br />
<strong>Este Projeto de Lei altera </strong></font><font size="4"><strong>substancialmente o atual Plano Diretor Estratégico e o Plano Diretor Regional</strong>, <strong style="color: #ff6600">sem a participação da comunidade</strong>, e <span style="color: #ff0000">EXCLUI</span> <span style="color: #ff0000">INTEGRALMENTE</span> os capítulos sobre <a href="http://politicasbairrosvivos.blogspot.com/" style="color: #6600cc" target="_blank"><strong><font size="4"><u>Políticas de Turismo; Desenvolvimento Humano e Qualidade de Vida; Trabalho, Emprego e Renda; Educação; Saúde; Assistência Social; Cultura (ficando Patrimônio Histórico e Cultural); Esportes, Lazer e Recreação; Segurança Urbana; Abastecimento; Agricultura Urbana</u></font></strong></a> (do artigo 17 ao 53, clique no <a href="http://politicasbairrosvivos.blogspot.com/" target="_blank">link</a> para ter acesso aos artigos na íntegra) da lei do PDE vigente, sendo elas as ações estratégicas.</font></div>
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<div class="gmail_quote"><strong><span style="color: #333333; font-family: Verdana; font-size: 13px; line-height: 16px"></span></strong><br style="color: #330033" /></p>
<div>
<div><font><font size="4"><span style="color: #330033">Estão sendo excluidos artigos referente ao <strong>Bilhete Único,</strong> promoção do <strong>SUS</strong>, educação para <strong>pessoas portadoras de necessidades especiais</strong>, apoio à pessoas <strong>vítimas de violência</strong> e de situações emergenciais, de <strong>segurança pública</strong>, de <strong>segurança alimentar</strong>, instrumentos de <strong>participação da sociedade civil</strong> na administração pública, de <strong>acesso à moradia</strong> para pessoas de baixa renda, diminui a porcentagem de áreas de <strong>Zona Especial de Interesse Social</strong> (ZEIS)!!!</p>
<div>
<div>O <strong>Plano Diretor Estratégico</strong> é o instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão urbana, <strong>determinante para todos os agentes publicos e privados</strong> que atuam no Município, de acordo com a lei federal do</div>
</div>
<p></span><a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LEIS_2001/L10257.htm" style="color: #330033" target="_blank">Estatuto da Cidade</a><span style="color: #330033">. Com as alterações que o prefeito pretende, toda a legislação que garante direitos e acesso à serviços será suprimida. </span></font></font><font><font size="4"><span style="color: #330033">Exclui quase todo instrumento de caráter participativo da população sobre a gestão municipal.</span></font></font></p>
<div>
<div><font><font size="4"><span style="color: #330033"></span><br style="color: #330033" />                        <br style="color: #330033" /><span style="color: #330033">O caráter desse Projeto de Lei é de flexibilizar toda a legislação para o setor privado, principalmente o setor dos empreendimentos imobiliários,</span></font></font><font size="4"> <strong>maior financiador de campanha</strong> do nosso Prefeito e Vereadores  </font></div>
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<div><font size="4"><strong><br />
</strong></font></p>
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<div><font size="2"><font face="Arial"><br />
</font></font></p>
<div style="text-align: center"><font size="4"><strong><font face="Arial"><a href="http://www.grupos.com.br/blog/plano-diretor/permalink/28025.html" target="_blank">ABAIXO ASSINADO DAS ENTIDADES CONTRA O ATUAL PROJETO DE REVISÃO DO PLANO DIRETOR ESTRATÉGICO</a></font></strong></font></div>
<p><font size="2"><font face="Arial"><br />
</font></font><font size="4">Para saber mais acesse: <a href="http://bairrosvivos.blogspot.com/" target="_blank">bairrosvivos.blogspot.com</a> </font><br />
<font size="6"><font size="4"><br />
Para receber os informes sobre este processo envie um e-mail para: <a href="mailto:pelacidadeviva@gmail.com" target="_blank">pelacidadeviva@gmail.com</a> </font><br />
</font></p>
<div style="text-align: center">          <font size="6"><span style="color: #330033"><br />
REPASSEM!!!</span></font></p>
<div style="text-align: left"><font size="4"><strong>Em anexo, texto encaminhado ao Ministério Público pelas entidades, discorre sobre a inconstitucionalidade dessa revisão em diversos pontos.</strong></font><font style="color: #000066" size="4"><strong><br />
Abaixo, alguns tópicos que tornam este projeto inconstitucional:</strong></font></p>
<ul>
<li style="color: #000099; font-family: comic sans ms,sans-serif"><font size="3">a Prefeitura não cumpriu o processo de ampla participação popular  exigido pelo Estatuto da Cidade antes do envio do projeto aos vereadores. A ausência de participação popular na revisão do Plano Diretor pode acarretar inclusive as penalidades previstas pela Lei de Improbidade Administrativa, nos termos do que dispõe o art. 52 do Estatuto da Cidade. Nos processos de revisão dos Planos Diretores deve ser garantida a publicidade através de: (i) <strong>ampla comunicação em linguagem acessível nos meios de comunicação de massa </strong>(ii) <strong>ciência do cronograma, locais de reunião, apresentação de estudos e propostas com antecedência mínima de 15 dias</strong>; (iii) <strong>publicação e divulgação dos resultados dos debates e propostas  adotadas nas diversas etapas do processo</strong> (art. 4°, <a href="http://www.cidades.gov.br/conselho-das-cidades/resolucoes-concidades/resolucoes-no-01-a-34/ResolucaoN25De18DeMarcoDe2005.pdf" target="_blank">Resolução 25</a>, Conselho Nacional das Cidades).</font></li>
<li style="font-family: comic sans ms,sans-serif"><font size="3"><span style="color: #006600">O processo apenas prevê formalmente a realização de “plenárias descentralizadas”. No entanto estas reuniões não têm a adequada divulgação ou a disponibilização de informações que permitam embasar o posicionamento da sociedade civil. Neste contexto de deliberada desinformação e desorganização só pode prevalecer o caos ou o acobertamento interesses escusos não confessáveis em ambiente público. Estas plenárias cumprem apenas um papel burocrático, servindo apenas para referendar, sem possibilidade real de deliberação sobre o amplo conjunto de alterações propostas. </span><br />
</font></li>
<li style="color: #990000; font-family: comic sans ms,sans-serif"><font size="3"><strong>Dos cerca de 43 Instrumentos Normativos Previstos no PDE, apenas 6 foram implementados, sendo que permanecem cerca de 37 sem regulamentação. Sua não implementação demonstra o pouco interesse do executivo em implementar a legislação urbanística da cidade.</strong></font></li>
<li style="font-family: comic sans ms,sans-serif"><font size="3">Na proposta de Revisão apresentada por SEMPLA <strong>são suprimidos sem nenhuma explicação ou avaliação todos os artigos relativos à políticas públicas,</strong> em especial no TÍTULO II &#8211; DAS POLÍTICAS PÚBLICAS: OBJETIVOS, DIRETRIZES E AÇÕES ESTRATÉGICAS  &#8211; do artigo 15 em diante do CAPÍTULO I .<br />
Assim são suprimidas as Diretrizes, Objetivos e Ações Estratégicas das áreas  de do Desenvolvimento Econômico e Social, Turismo,   Desenvolvimento Humano e Qualidade de Vida, Trabalho, Emprego e Renda, da Educação, da Saúde, Assistência Social, Cultura, Esportes, Lazer e Recreação, Segurança Urbana, Abastecimento, Agricultura Urbana.<br />
<strong>A  supressão desses artigos afrontam a Lei Orgânica e a Lei do PDE</strong> pois retiram-se de roldão todas as “demais políticas públicas que excedem o âmbito da fixação da política de desenvolvimento urbano, no aspecto da ordenação físico-territorial e cumprimento das funções sociais da cidade, que regem-se pelas disposições da Lei Orgânica do Município” (Art. 19 da Minuta de Revisão do PDE).<br />
</font></li>
<li style="color: #330099; font-family: comic sans ms,sans-serif"><font size="3">o que se vê é a redução de áreas destinadas à habitação popular, a alteração de índices urbanísticos, coeficientes de aproveitamento, recuos, gabaritos de edificações sem debate público e controle social, chegando a infringir dispositivos do Estatuto da Cidade, tal como a obrigatoriedade de reassentar os moradores de baixa renda removidos de áreas de Operações urbanas em áreas desta mesma Operação, retirando componentes como o “direito à terra urbana” contido no conceito de direito á cidade sustentável definido no Estatuto da Cidade. Atém mesmo disposições do Estatuto dos Idosos, a proposta de revisão da Prefeitura retira, contida no plano vigente como  “previsão de reserva de parcela das unidades habitacionais para  atendimento dos idosos”, uma das ações estratégicas da Política Habitacional.</font></li>
<li style="color: #cc6600; font-family: comic sans ms,sans-serif"><font size="3">O processo de revisão possui,  claramente, dois objetivos (de acordo com o artigo 293 do PDE vigente):<br />
1. O de promover adequações, devendo esta ser entendida como correções e aprimoramentos da lei para atingir os objetivos definidos no capítulo II “Dos princípios e objetivos gerais do Plano Diretor Estratégico”, do Título I, que trata da  “Conceituação, finalidade, abrangência e objetivos gerais do plano diretor estratégico”.<br />
As adequações da revisão do Plano Diretor se restringem as “ações estratégicas” de acordo com o ‘caput’ do artigo 293. As ações estratégicas estão previstas no Título II do Plano Diretor estratégico em vigor, Lei Municipal  nº 13.430/2002, que trata “Das Políticas Públicas: Diretrizes e Ações Estratégicas”.<br />
Desta forma, as adequações possíveis na revisão em comento devem restringir-se ao aprimoramento e correções do Título II, que é integrado pelos seguintes capítulos:<br />
- Do Desenvolvimento Econômico Social (cap. I)<br />
- Do Desenvolvimento Humano e Qualidade de Vida (cap. II)<br />
−Do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Urbano (cap. III)<br />
2.    O de promover acréscimo de áreas passiveis de aplicação dos instrumentos previstos na Lei Federal nº 10.257/2001 &#8211; Estatuto da Cidade e previsto no Plano Diretor vigente, quais sejam:<br />
- os instrumentos de ordenação territorial (cap. II, Título III).<br />
- os Instrumentos de Gestão Urbana e Ambiental (cap. III, Título III).<br />
- os Instrumentos de Gestão democrática (Título IV).</font></li>
<li><font size="3"><strong style="color: #000066"><span style="font-family: comic sans ms,sans-serif">Não há qualquer obrigatoriedade de revisão dos Planos Regionais e Lei de Uso e Ocupação do Solo concomitantemente à revisão do Plano Diretor, pelo contrário, querer proceder a revisão deste conjunto de leis ao mesmo tempo, impossibilita a participação da sociedade civil em todos esses processos de discussão pública e definição do futuro da cidade.</span></strong></font></li>
</ul>
<p><strong style="font-family: arial black,sans-serif">Na manifestação do defensor Carlos Loureiro na ação civil pública foram enumerados uma série de argumentos que demonstram a necessidade de mais debate sobre o tema:</strong></p>
<p><strong><span style="color: #330033">1) O processo participativo foi coordenado pelo próprio governo, quando deveria ter sido por um órgão com representantes da sociedade civil;</span><br />
<br style="color: #330033" />           <span style="color: #330033">2) A convocação para as audiências públicas, embora realizada com 15 dias de antecedência, se deu apenas por jornais e em uma só oportunidade, o que não é suficiente para atingir toda a população da cidade;<br />
<br style="color: #330033" /></span><span style="color: #330033">3) Não houve publicação, nem divulgação dos resultados dos debates e das propostas que teriam sido acolhidas e/ou rejeitadas em cada uma das audiências públicas gerais e regionais;<br />
<br style="color: #330033" /></span><span style="color: #330033">4) A organização do processo participativo se deu apenas por divisão territorial, desprezando-se outros critérios como segmentos sociais (mulheres, indígenas, pessoas com necessidades especiais, entre outros) ou temas de política pública, como saúde, educação, transporte etc;<br />
<br style="color: #330033" /></span><span style="color: #330033">5) O processo participativo de revisão do plano diretor não foi articulado com o planejamento orçamentário da cidade, o que impede saber se haverá verbas suficientes para cumprimento das alterações realizadas;<br />
<br style="color: #330033" /></span><span style="color: #330033">6) Não houve nenhuma ação de sensibilização, mobilização e capacitação da população da cidade, que é necessária para que o cidadão possa compreender o planejamento urbano e participar</span></strong></div>
</div>
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</div>
<p>&#8211;<br />
Arquivos sobre o Plano Diretor Estratégico, PL 671/07, e Operação Urbana Vila Sônia, acesse:<br />
<a href="http://bairrosvivos.blogspot.com/" target="_blank">bairrosvivos.blogspot.com</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>de sonho, medo e felicidade</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Mar 2009 18:16:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Maioridade
Marisa Cauduro/Folha Imagem

O músico Jurandir Bueno, 62, com sua namorada, Sônia Arakaki, 62, bailarina
O velho-novo
Em um de seus poemas, Paulo Leminski fazia uma pergunta reveladora: &#8220;Que podia um velho fazer / nos idos de 1916,/ a não ser pegar pneumonia, / deixar tudo para os filhos / e virar fotografia?&#8221;.
No Brasil do ínicio do século [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="5"><strong><font color="green">Maior</font>idade</strong></font></p>
<div align="center"><em><font size="1">Marisa Cauduro/Folha Imagem</font></em><br />
<em><img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/es1503200901.jpg" border="0" /></em><br />
<em>O músico Jurandir Bueno, 62, com sua namorada, Sônia Arakaki, 62, bailarina</em></div>
<p><font size="5"><strong>O velho-novo</strong></font></p>
<p>Em um de seus poemas, Paulo Leminski fazia uma pergunta reveladora: &#8220;Que podia um velho fazer / nos idos de 1916,/ a não ser pegar pneumonia, / deixar tudo para os filhos / e virar fotografia?&#8221;.<br />
No Brasil do ínicio do século passado, os tais velhos eram muito mais moços; a expectativa de vida ao nascer era de 34 anos. Em 2007, último dado disponível no IBGE, havia saltado para 72,6 anos. Longevidade, anticoncepcional, liberação sexual, divórcio e avanços da medicina tornaram obsoleto aquele velho precoce. Mudou tudo, inclusive os termos. Em vez do sexagenário aposentado (alguém recolhido a seu aposento), expressões mais fiéis, como terceira e quarta idades, que indicam uma sequência natural e mais vida pela frente.<br />
Há um velho-novo nas ruas, e a <strong>Folha</strong> foi a campo, em pesquisa nacional inédita, para responder quem ele é, como vive e o que pensa.</p>
<p><strong><font size="+1" color="#000080">Sensibilidade</font></strong></p>
<p><font size="5"><strong><br />
</strong></font>  <strong>Saúde e casa própria são as aspirações mais citadas; violência é o grande medo; maioria se diz feliz, mas acha que os outros não são (nem os jovens)</strong></p>
<p align="center"><font size="1">Rafael Andrade/Folha Imagem</font><br />
<img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/es1503200904.jpg" border="0" /><br />
<font size="1"><em>Pescador desde 1955, Fernando Barros, o Maricá, completa 80 anos em abril, mas quer continuar pescando até os cem, &#8220;se Deus permitir&#8221;</em></font></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>MÁRIO MAGALHÃES &#8211; FOLHA SP</strong></p>
<p><font size="-1">EM SÃO PAULO E NO RIO</font></p>
<p>Até onde mergulha a memória de Fernando Barros, o mar já engolfou dois companheiros seus, da colônia de  pescadores do posto 6, no cantinho direito da praia de Copacabana.<br />
Por pouco ele não fez companhia a bagres e badejos embaixo d’água. &#8220;Durante um temporal, com muito vento, eu fui parar lá em Niterói&#8221;, recorda. &#8220;A canoa virou duas vezes, desvirou e veio embora.&#8221;<br />
De susto em susto, ele não se assusta mais. Nem no mar, nem na terra. &#8220;Não tenho medo de morrer, de ficar doente, de nada. Se ali é um perigo, eu digo: vou passar é ali.&#8221;<br />
Com uma dupla de colegas, ele embarca antes das 6h em uma canoa movida a motor e volta cinco horas depois. De domingo a domingo. Está nessa lida desde 1959. Sua função é puxar, no braço, as redes e linhas que outrora capturavam 150 kg, 200 kg de pescado e que hoje só emergem com pouco mais de uma dúzia de exemplares.<br />
Numa quinta-feira ensolarada de fevereiro, ele pescou a sorte grande: atracou na areia com seis peixes-enxada, seis tamboris, quatro linguados, três pargos brancos e uma arraia. No mês que vem, Barros, conhecido na praia como Maricá, completa 80 anos.<br />
De cada três brasileiros com 60 anos ou mais, dois (67%) se comportam como Maricá e dizem não temer a própria morte. Em contraste com os jovens, somente 11% identificam sua morte como o maior medo –são 23% entre os que têm de 16 a 25 anos, segundo outra pesquisa, entre jovens, realizada no ano passado.<br />
&#8220;Na hora em que a morte chega não há opção&#8221;, diz a dona-de-casa Maria Dulce dos Santos Silva, 62, moradora do bairro de Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo. &#8220;Da morte Eu tenho medo é da vida&#8221;, emenda o metalúrgico aposentado Paulo Pecoraro, 64, colega de Maria Dulce em aulas de violão oferecidas pelo governo do Estado.<br />
&#8220;Tenho medo de violência e de ficar doente, na dependência de outras pessoas, a coisa mais triste que existe&#8221;, conta Paulo. Temores associados à violência constituem o maior medo (25%) declarado pelos idosos do país. Seguem os medos com problemas de saúde (18%) e a morte -17%, incluindo a de parentes. Declaram não ter medo 22%.<br />
O comerciante aposentado Szaja Frank, 89, polonês radicado no Brasil desde 1948, foi vítima de assalto em sua loja poucos anos atrás. Seu medo maior &#8220;Ser assaltado.&#8221; Sua mulher, a dona-de-casa brasileira Brana Rubinsky Frank, 81, teme as enfermidades: &#8220;A gente vai dormir bem e tem medo de acordar com dor&#8221;.<br />
Em uma manifestação de longevidade do amor, são quase 60 anos de casamento, Brana passou a despertar de  madrugada para confirmar que o coração do marido batia -como pais costumam fazer com bebês. &#8220;Eu ficava  tocando nele para ver se ele se mexia.&#8221;<br />
Brana diz que a mania já passou, mas Frank revela que nem tanto. &#8220;Hoje eu fico deitado, e ela vem ver se eu estou dormindo.&#8221; Encontrando-os no passeio diário na praça Buenos Aires, em Higienópolis, reduto de classe média para cima, a preocupação soa exagerada. Soldado do exército soviético na guerra (1939-45), Frank ostenta boa forma.<br />
Em outra praça, a &#8220;do Forró&#8221;, no bairro proletário São Miguel Paulista (zona leste de São Paulo), o segurança aposentado João Raimundo da Silva, 69, constata: &#8220;Quando eu era jovem não tinha nada. Hoje também não tenho nada&#8221;.<br />
O tom de conformidade não lhe roubou os sonhos. Nenhum supera o de &#8220;ter uma casa&#8221;. Ele mora de favor com  uma família, ganha o mínimo, poupa R$ 200 por mês e ignora quanto custa uma casa.<br />
Sonhos associados à moradia são os principais dos brasileiros mais velhos (19%), ao lado de ter saúde ou recuperá-la (18%) e à frente dos anseios ligados à família (12%) -11% não cultivam sonhos. Conforme o Datafolha, a aspiração de possuir uma casa própria é a número um para 10% dos idosos e 10% dos jovens.<br />
Em outro banco da &#8220;praça do Forró&#8221;, o vaqueiro aposentado Jaime Benigno Ribeiro, 69, amaldiçoa o infarto que o apeou da vida mais saudável. Ainda assim, como 2% das pessoas da sua faixa etária, seu sonho supremo é arrumar trabalho. &#8220;O negócio era uma fazenda para eu tirar leite.&#8221;<br />
Sem saúde, com dinheiro escasso e viúvo duas vezes, Ribeiro desencantou-se: &#8220;Não tenho felicidade, não&#8221;. Ele forma a minoria: meros 2% dos velhos se dizem infelizes -20% afirmam-se mais ou menos felizes, e 78%, felizes.<br />
Indagados sobre a felicidade alheia, contudo, sustentam que apenas 32% dos idosos brasileiros são felizes. Isso é, infelizes são os outros.<br />
De volta da pescaria, Maricá relaciona sua felicidade à saúde. &#8220;Comigo é o contrário: se ficar parado uma semana, sinto o corpo todo dolorido.&#8221; Descarta pendurar os anzóis: &#8220;Se Deus permitir, sigo até os cem anos pescando. É tempo brabo, é temporal, é mar brabo, e a gente vai embora&#8221;.</p>
<p>o sonho da casa própria é bem maior entre elas <strong>12%</strong></p>
<p>entre os homens, não passa de <strong>7%</strong></p>
<p>quando a pergunta é sobre bens materiais, a situação se inverte: <strong>12%</strong> eles x <strong>5%</strong> elas</p>
<p><strong>28%</strong>  é o índice dos que sonham com saúde na faixa acima dos 75</p>
<p><strong>34%</strong> das mulheres têm medo da morte, contra <strong>30%</strong> dos homens</p>
<p><strong>67%</strong> dos separados se dizem felizes, abaixo da média geral, de <strong>78%</strong></p>
<p><strong><font size="+1" color="#000080">Intimidade</font></strong></p>
<p><font size="5"><strong>sexygenários</strong></font></p>
<p><strong>47% fazem sexo regularmente e, destes, 91% dizem nunca ter usado remédio para disfunção erétil</strong></p>
<p><strong>PAULO SAMPAIO</strong><br />
<font size="-1">DA REPORTAGEM LOCAL</font></p>
<p>Do bolso do microempresário Nélson Oliveira, 66, não sai um tostão para comprar Viagra. E ele garante que, desde que se casou, há 48 anos, transa diariamente com a mulher. Ao lado, Néia, 65, só confirma. &#8220;É sim, é sim.&#8221;<br />
Quando o assunto é desempenho sexual, com frequência se apela a uma testemunha –ainda mais quando quem  fala é alguém do sexo masculino e de terceira idade.<br />
Feitas as contas, Oliveira teve com a mulher 17.540 relações nesses quase 50 anos, pontual como um relógio cuco e sem ajuda química.<br />
Esse índice de &#8220;abstenção zero&#8221; pode gerar polêmica, mas, a julgar pelo Datafolha, a vida sexual após os 60 é mais movimentada do que prega a maledicência popular, que costuma enxergar na terceira idade o fim do erotismo.<br />
Quase metade dos idosos ouvidos na pesquisa declara ter relações sexuais –um quarto deles, uma vez ou mais por semana. Mesmo na faixa dos maiores de 75, 24% se revelaram sexualmente ativos.<br />
Os mais afoitos podem dizer que, com o advento das drogas para disfunção erétil, agora é fácil. Só que 88% dos homens entrevistados dizem nunca ter usado remédio, embora até admitam alguma mudança no desempenho.<br />
Exemplo: o músico Jurandir Bueno, 62, retratado na capa deste caderno com a namorada, a bailarina Sônia Arakaki, 62, jura que nunca tomou nada e que vai transar até o fim da vida; confia no próprio corpo, diz. Só faz uma ressalva: &#8220;O processo é demorado&#8221;. &#8220;Gosto de conhecer bem a pessoa, preciso estar envolvido. Não sou uma máquina!&#8221;<br />
Jurandir &#8220;pesquisou&#8221; a bailarina durante quatro meses, até irem para a cama. &#8220;Eu também não estava com  pressa. Com a idade, as coisas ficam mais tranquilas&#8221;, conta Sônia, que foi casada durante 20 anos e tem três filhos.</p>
<p><strong>Reféns do machismo</strong><br />
Em qualquer faixa etária, é previsível uma dose de exagero ou, digamos, de inverdades sobre o desempenho  sexual, afirma o geriatra Wilson Jacob Filho, colunista da <strong>Folha</strong>. Ainda mais quando mexe com alguns tabus da masculinidade. &#8220;O que se espera deles é que se mantenham viris, e os que não são suficientemente esclarecidos associam a dificuldade sexual à incompetência, e não a doenças como diabetes, hipertensão, depressão ou problemas na próstata.&#8221;<br />
Jacob dá um exemplo de como a imagem é fundamental. &#8220;Quando o HC tinha o Laboratório da Impotência, atendia dez pessoas. Mudaram o nome para Laboratório da Disfunção Erétil, e o número de pacientes foi para uns 10 mil&#8221;, conta, rindo.<br />
Na pesquisa Datafolha, a diferença de visão do sexo entre homens e mulheres revela um dado paradoxal: 74% dos homens afirmam ter vida sexual ativa, enquanto 76% das mulheres dizem exatamente o contrário. Considerando que o índice de casados de terceira idade é 47%, com quem eles transam?<br />
Existem várias possibilidades, dizem os especialistas: sozinho (masturbação), com companhias eventuais ou usando outras formas de atingir o orgasmo, sem penetração peniana.<br />
E as esposas &#8220;Muitas mulheres consideram sua missão sexual cumprida depois da procriação e acabam  consentindo tacitamente que o marido se mantenha ativo&#8221;, diz Dorli Kamkhagi, da USP.<br />
Embora faça questão de sexo, a cabeleireira Sônia Maria Gonçalves, 63, casada três vezes, três filhos, conta que, com a menopausa, dispensou temporariamente os &#8220;serviços&#8221; do segundo marido.<br />
&#8220;Acabou a euforia. Ele foi o homem que mais me ensinou coisas, mas mesmo assim eu não queria saber de sexo. Até disse: ‘Pode procurar outra, que comigo não rola’.&#8221;<br />
Há seis meses, Sônia descobriu um câncer de mama e retirou o seio direito, mas diz que isso não atrapalhou em nada o relacionamento entre ela e o atual marido, que tem 54 anos. &#8220;No começo fiquei constrangida, mas ele disse que isso era bobagem e pediu para ver o curativo.&#8221;<br />
A palavra-chave é compreensão, define o empresário Wanderlei Marques, 62, casado há 32 anos. &#8220;Quando você é recém-casado, toda hora é hora. É aquela loucura. Mas, como a gente faz muitas vezes, a qualidade fica pra depois.&#8221;<br />
Ele conta que, em todos esses anos, o período sexual mais difícil foi quando nasceu o primeiro filho. &#8220;A mãe, ali, é só da criança. Se você estiver com vontade, vai continuar.&#8221;<br />
Wanderlei não se incomoda em dizer que usa remédio. &#8220;Não adianta dizer que a disposição sexual não cai com a idade. Por sorte, a medicina está a nosso favor.&#8221;<br />
E manda seu último recado: &#8220;Não existe Viagra pra mulher. Então, se você toma o comprimido, mas ela está fria, não adianta nada&#8221;.</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/es1503200909.gif" /></div>
<p><strong>Leia a integra da pesquisa no caderno especial da Folha de São Paulo </strong></p>
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		<title>Por um breve momento de perfeição</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jan 2009 15:56:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Complexo e delicado, O Curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher, convida a viajar na magia de estranha história de amor
Luiz Carlos Merten &#8211; O Estado SP
Por um breve momento, quando eles têm 43 anos cada um, as trajetórias dos personagens de Brad Pitt e Cate Blanchett se encaixam e eles se olham [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>Complexo e delicado, O Curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher, convida a viajar na magia de estranha história de amor</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">Luiz Carlos Merten &#8211; O Estado SP</p>
<p>Por um breve momento, quando eles têm 43 anos cada um, as trajetórias dos personagens de Brad Pitt e Cate Blanchett se encaixam e eles se olham num espelho em O Curioso Caso de Benjamin Button. O que veem &#8211; e o espectador compartilha &#8211; é este instante em que maturidade e beleza se completam e contemplam. Mas é só isso mesmo &#8211; um instante na eternidade. No restante do tempo, ou nos 166 minutos que compõem a narrativa do novo filme de David Fincher -, Pitt e Cate vivem vidas paralelas e até inversas. Ela começa o filme como uma velha, num hospital de New Orleans sitiado pelo vento. Daqui a pouco, anunciam as autoridades, vai começar o furacão Katrina, que destruiu a cidade em 2005. Cate está morrendo, acompanhada pela filha (Julia Ormond). Enquanto esperam pelo inevitável, ela dá à filha um diário e pede que o leia em voz alta. O diário relata, na primeira pessoa, o curioso caso de Benjamin Button.</p>
<p>O filme que estreia amanhã teve cinco indicações para o Globo de Ouro &#8211; drama, diretor, ator, roteiro adaptado (de um conto de Scott Fitzgerald) e música. Não levou nenhuma das estatuetas da Associação dos Correspondentes Estrangeiros de Hollywood, mas já é &#8211; em janeiro! -, antecipadamente, um dos grandes filmes a que você poderá assistir em 2009. David Fincher já fez filmes como Alien 3, Seven &#8211; Os Sete Crimes Capitais, Clube da Luta e Zodíaco. É um autor que gosta de viajar nas mentes atormentadas e cujos filmes tratam, invariavelmente, de violência. Fincher nunca contou uma história de amor como a de Benjamin Button e Daisy, interpretados por Brad Pitt e Cate Blanchett. Ele nasce como um freak, uma monstruosidade. Um bebê velho que vai remoçando à medida que se desenrola o fio de sua vida. Idoso, Benjamin conhece esta garota, Daisy. Vivem vidas invertidas e só por um breve momento, diante daquele espelho, atingem a perfeição do seu relacionamento.</p>
<p>O Curioso Caso de Benjamin Button talvez seja o mais estranho filme a surgir de Hollywood em anos. É tão delicado, frágil, tão perfeito &#8211; por mais risco que essa palavra envolva, como definição &#8211; que quase não tem competidor, e certamente não o tem na própria obra de Fincher, por mais importantes (e influentes) que sejam alguns, ou vários, de seus filmes. Benjamin Button, dependendo da sensibilidade do espectador, poderá lhe produzir uma epifania. Se for ao dicionário, você verá que a palavra designa a manifestação do próprio Cristo aos gentios, na pessoa dos Reis Magos, quando chegaram para adorá-lo. Uma manifestação do divino, portanto. Metaforicamente, um êxtase que certas obras de arte logram produzir. Dizem os especialistas que Bach produzia sua música para que os homens pudessem se comunicar com Deus e Van Gogh, numa carta ao irmão Theo, diz que o objetivo final de sua pintura é levar um pouco de consolo aos homens. Pode parecer exagerado que Fincher tenha logrado algo parecido, e num filme produzido por Hollywood. Vai depender, claro, de sua abertura para o filme, ou da sua não resistência.</p>
<p>Seria tão mais fácil, quando se critica a dominação de Hollywood, se não existissem diretores como Fincher e Christopher Nolan. Se o cinemão, de vez em quando, não nos ofertasse filmes como Benjamin Button e Batman &#8211; O Cavaleiro das Trevas, que poderão estar entre os indicados para o Oscar, no anúncio que será feito no dia 22. O filme de Fincher perdeu, no Globo de Ouro, para Slumdog Millionaire, de Danny Boyle, que não é um diretor tão rico quanto Fincher &#8211; embora tenha seu interesse -, e o que isso significa? Que se pode esperar ainda mais de Slumdog Millionaire? Que o cinemão ainda é capaz de nos surpreender? Em face do mistério deste caso &#8211; deste filme &#8211; tão curioso, o espectador que não se satisfizer simplesmente com as interpretações, com a fotografia, com a música, aquele que realmente viajar na magia dessa história tão particular, muito provavelmente vai se perguntar, no fim, sobre o que é mesmo que David Fincher está tratando?</p>
<p>Benjamin Button fala de amor, de tempo e vento. Mas lá pelas tantas ocorre outra coisa curiosa, embora talvez não tanto quanto um bebê nascer velho e ir regredindo até&#8230; Até quando? Pois essa é uma das questões que podem atordoar o público. Como vai terminar essa história? O que vai ocorrer com Benjamin? Numa cena, algo vai acontecer com Daisy e aí é a narrativa que se inverte. Em seus filmes anteriores, Fincher já levou sua câmera a insólitas viagens pelo interior do corpo humano, ou da mente. Aqui, a viagem ?interna? é no próprio relato. Algo vai acontecer, mas o narrador se pergunta &#8211; se uma série de situações não tivessem se encadeado, se uma pessoa não tivesse se atrasado aqui, se outra não tivesse chamado um táxi ali e assim por diante, algo talvez não ocorresse e esse ?algo? talvez seja a essência de Benjamin. A fragilidade. Mais do que um conto sobre a diferença, é sobre a fragilidade humana, sobre a fragilidade de contar histórias.</p>
<p>Daqui a pouco, em uma ou duas semanas, você vai poder ver Austrália, de Baz Luhrmann, com Nicole Kidman e Hugh Jackman, e aquele é outro filme que também possui uma dimensão fantástica e no qual o ato de narrar também é decisivo. Na cultura aborígine australiana, você não pode mais dizer o nome de uma pessoa quando ela morre e todo o esforço do garoto, o narrador de Austrália, é para nomear a ?senhorita patroa?, interpretada por Nicole Kidman. Em Benjamin Button, as pessoas se nomeiam, têm nomes, mas o esforço é o mesmo, realçado agora pela inversão. Se o velho retrocede até virar um bebê, sua trajetória inversa significa que, num determinado momento, ele vai se esquecer de tudo e todos e fazer sua viagem para o ventre materno, ou para a morte, não importa. O filme existe para iluminar essa trajetória, para eternizar esse momento. Talvez, dependendo do espectador, seja tão emocionante quanto recuar, no imaginário, a um grande Ingmar Bergman do começo dos anos 70. Em Gritos e Sussurros, o grande diretor mostrou duas irmãs e uma ama que acompanham a agonia de uma terceira irmã, que está morrendo. Todo mundo sofre &#8211; a dor e a miséria humanas -, mas Bergman termina seu filme com as quatro mulheres de branco, num jardim, como se quisesse nos dizer que a vida vale a pena nem que seja por esse momento raro de harmonia. Mal comparando, é como a imagem de Benjamin e Daisy, de Brad Pitt e Cate Blanchett diante do espelho. Magnífico.</p>
<p align="center"><font size="2"><em>Trailer legendado</em></font></p>
<div style="text-align: center"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" width="553" height="342"><param name="height" value="342" /><param name="width" value="553" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/xg5sLEzvvBM&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b" /><embed type="application/x-shockwave-flash" height="342" width="553" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" src="http://www.youtube.com/v/xg5sLEzvvBM&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b"></embed></object></div>
<p><strong>Serviço</strong></p>
<p><strong>O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, EUA/2008, 159 min.) &#8211; Drama. Dir. David Fincher. 12 anos. Cotação: Ótimo </strong></p>
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		<title>Absolutismo infantil</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jan 2009 19:46:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Lúcia Guimarães &#8211; O Estado SP
A cena correu mundo. O rosto da adorável Sasha Obama estava colado na janela do carro blindado que a levou para o primeiro dia de aula na exclusiva escola Sidwell Friends. Em poucas horas, os noticiários de TV perderam qualquer senso de ridículo e exibiram imagens do menu do refeitório [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://tudo1pouco.zip.net/images/GIGANTE07.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://tudo1pouco.zip.net/images/GIGANTE07.jpg" width="481" height="385" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Lúcia Guimarães &#8211; O Estado SP</p>
<p>A cena correu mundo. O rosto da adorável Sasha Obama estava colado na janela do carro blindado que a levou para o primeiro dia de aula na exclusiva escola Sidwell Friends. Em poucas horas, os noticiários de TV perderam qualquer senso de ridículo e exibiram imagens do menu do refeitório da escola, uma dieta de alimentos orgânicos. A atenção devotada ao começo do ano letivo das duas primeiras filhas, Sasha e Malia, não é resultado de exibicionismo de seus pais. É um sintoma da infância como espetáculo.</p>
<p>Desde que o índice de natalidade entre americanas de mais de 35 anos disparou, na década de 80, assistimos a esta exacerbação do papel da criança no mundo adulto. A maternidade adiada aumentou de maneira expressiva entre baby boomers e continuou na geração seguinte.</p>
<p>O governo americano acaba de divulgar as últimas estatísticas de nascimentos, de 2006. Em destaque, o novo aumento da gravidez adolescente, depois de anos de queda, e o aumento da gravidez entre mulheres de 40 a 44 anos, o maior índice de natalidade nesse grupo desde 1968.</p>
<p>Meu bairro, em Manhattan, é anedoticamente apontado como o epicentro desse fenômeno. Meu olhômetro confirma a estatística informal. É comum esbarrar em nova-iorquinas grisalhas empurrando carrinhos com bebês asiáticos; ou em apressadas executivas quarentonas empurrando carrinhos com gêmeos e trigêmeos, cortesia dos tratamentos de fertilidade.</p>
<p>O efeito da nova dinâmica familiar já foi tema de vários livros. Pais mais velhos têm maior estabilidade financeira e maturidade psicológica. Mas as crianças têm menos chance de crescer com avós e podem ter de cuidar de pais idosos doentes num momento da vida em que ainda estão se estabelecendo profissionalmente. Era inevitável que o aumento da expectativa de vida fosse estender a idade da primeira gravidez ou da paternidade. Mas, como me lembrou a escritora Camille Paglia numa entrevista, a natureza nos pregou uma peça cruel. O custo da maternidade adiada é muito mais alto para as mulheres.</p>
<p>Por ter sido mãe ainda bem jovem, já enfrentei o choque inicial de observar o quarto vazio, o voo do ninho para a independência. Mas logo as mulheres de meia-idade começaram a ter filhos à minha volta. E a infância que reapareceu é bastante diferente da minha ou da infância que, aos trancos e sem consultar manuais, proporcionei à minha filha.</p>
<p>Nova York, capital cultural americana da neurose e da competitividade, tornou-se uma vitrine dessa hiperinfância. Ela é resultado em parte do narcisismo materno e paterno &#8211; uma pessoa de 40 anos tende a ser mais bem-sucedida do que a de menos de 25 e, portanto, mais zelosa de sua identidade social. E é fruto também da insegurança com a erosão da estabilidade no emprego e do acesso à educação. Meu pai, a certa altura, tinha três empregos, mas nunca lhe passou pela cabeça que seus cinco filhos seriam privados de boa educação e de boas chances profissionais.</p>
<p>Vamos concordar com o argumento de que a maternidade adiada ou a adoção na meia-idade são um fator potencial para crianças desfrutarem mães e pais mais amorosos, articulados, tolerantes e seguros.</p>
<p>Agora vamos, por um momento, discordar. O exército de ditadores mirins, que passei a observar, me convenceu de que esses pais iluminados estão transferindo um ônus aos filhos. O fardo de serem tão importantes.</p>
<p>Quem já não se viu numa festa de adultos, interrompido pelo clamor de pais de primeira viagem sobre os atributos &#8220;únicos&#8221; de uma criança? Por que a criança está acordada, ouvindo conversas maduras que não consegue entender? E, pior, solitária na responsabilidade pelo orgulho adulto &#8211; &#8220;canta aquela música que você aprendeu na escola&#8221;, &#8220;dança pra nós&#8221;, enquanto os presentes esperam voltar a discutir economia ou política, como gente grande. É melancólico.</p>
<p>Imagine observar o assustador e vasto mundo adulto, aos 3 anos, e ser investido de autoridade pelo que vai ser servido no jantar, pelo programa de domingo, por tantas decisões que os pais deviam tomar sem o populismo democrático que contaminou as relações de família.</p>
<p>Lembro de ter comentado com escárnio a insensibilidade britânica de ditados como &#8220;as crianças devem ser vistas e não ouvidas&#8221;. Pois os excessos contemporâneos me fazem clamar por crianças mais vistas do que ouvidas, protegidas desta precocidade politicamente correta estimulada pelos pais.</p>
<p>A imaginação infantil não é apenas refúgio, é um estágio fundamental do desenvolvimento psicológico, cultural e social. Ela se desenvolve na privacidade da criança livre de um papel tão proeminente na vida dos adultos.</p>
<p>Durante uma festa no fim de ano, uma amiga de 85 anos, com quatro filhos e seis netos, balançou a cabeça ao ver duas mães de meia-idade incapazes de impedir que suas duas crianças interrompessem a refeição e a conversa dos adultos. Elas confundiram o amor que sentem com a importância social dos filhos.</p>
<p>É exaustivo. A curto prazo, para os adultos. A longo prazo, é doloroso para os filhos que vão enfrentar sozinhos a transição de monarcas para plebeus.</p>
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		<title>Saúde: os números ocultam</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Nov 2008 15:41:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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célula cancerosa vista ao microscópio eletrônico
AGNES MARIE SÁ FIGUEIREDO &#8211; O GLOBO
É inegável as conquistas obtidas em nosso país com relação a certas doenças infecciosas, principalmente aquelas cujas medidas de prevenção e/ou controle são mais conhecidas e efetivas, como a diarréia, a tuberculose, a malária e outras, conforme indicam as publicações recentes do Ministério da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/saude-os-numeros-ocultam/8552/" rel="attachment wp-att-8552" title="celula_cancer_peito.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/11/celula_cancer_peito.jpg" alt="celula_cancer_peito.jpg" /></a><font size="1"><em><br />
célula cancerosa vista ao microscópio eletrônico</em></font></p>
<p>AGNES MARIE SÁ FIGUEIREDO &#8211; O GLOBO</p>
<p>É inegável as conquistas obtidas em nosso país com relação a certas doenças infecciosas, principalmente aquelas cujas medidas de prevenção e/ou controle são mais conhecidas e efetivas, como a diarréia, a tuberculose, a malária e outras, conforme indicam as publicações recentes do Ministério da Saúde (Saúde Brasil 2007). Entretanto, o vasto universo das doenças causadas por microrganismos não se resume às doenças geralmente agrupadas como “infectocontagiosas” ou “infecciosas e parasitárias”.</p>
<p>Os microrganismos, sejam os protozoários, os fungos, as bactérias e, ainda, os vírus, estão envolvidos em diferentes tipos de afecções.</p>
<p>Por exemplo: há alguns anos, jamais poderíamos imaginar que certos tipos de cânceres estariam associados a tais seres microscópicos.</p>
<p>No entanto, um dos ganhadores do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina 2008, Dr. Harald zur Hausen, foi agraciado com essa honraria, justamente, por ter relacionado o câncer de colo de útero, o segundo mais freqüente em mulheres, com o papiloma vírus humano (HPV). Mas não pensem que a associação entre microrganismos e câncer se encerra aí.</p>
<p>Uma bactéria conhecida como Helicobacter pylori, a qual é encontrada no estômago de cerca de 2/3 da população mundial, é o principal fator de risco de úlcera péptica e duodenal, aumenta, segundo estudos, o risco de câncer gástrico, linfoma de tecido linfóide associado à mucosa, conhecido como linfoma de MALT, e, ainda, de câncer pancreático.</p>
<p>Portanto, parece-me fundamental que a sociedade seja alertada sobre o papel das doenças infecciosas em determinados tipos de cânceres e, conseqüentemente, sobre sua influência “silenciosa” nas taxas de óbtidos. Além disso, em certas circunstâncias, o câncer por si só pode predispor o paciente a severas e recorrentes infecções. Por outro lado, a neutropenia (que reflete um comprometimento do sistema imunológico) é reconhecida há décadas como importante fator de risco para o desenvolvimento de infecções em pacientes submetidos a certas quimioterapias.</p>
<p>Portanto, é fato amplamente conhecido, pela comunidade médica, que as doenças infecciosas são importantes causas de mortalidade entre pacientes com diversos tipos de neoplasias malignas.</p>
<p>Realmente, por muitos e muitos anos, a tuberculose foi a principal causa de morte entre as doenças respiratórias de adultos. Porém, apesar de os óbitos por essa doença ter diminuído, outras infecções respiratórias, as de natureza aguda, estavam em 2005 na 5ª ou 6ª posição entre as 10 principais causas de morte em nosso país, segundo dados do Saúde Brasil 2007. Cabe acrescentar que, através de um estudo recente do Unicef/OMS intitulado “Pneumonia: the forgoten killer of children, 2006”, ficou constatado que essa doença mata mais crianças do que qualquer outra, e estimase que seja responsável pela morte de cerca de 2.000.000 de crianças a cada ano, em todo o mundo, sendo as espécies bacterianas Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae as principais responsáveis. Porém, infelizmente, pouca atenção tem sido dada para essa doença. Nesse mesmo estudo foi estimado que 150.000.000 de episódios de pneumonia devam ocorrer a cada ano, sendo que o Brasil estaria em 5o lugar, junto com a Etiópia, com 4.000.000 de casos. É preciso salientar que não somente as crianças estão mais susceptíveis às pneumonias; os indivíduos idosos também estão entre a população susceptível e, portanto, com elevado risco para a doença e conseqüente mortalidade.</p>
<p>Vale lembrar, aqui também, outros importantes “matadores” que ficaram esquecidos nesta estória, as doenças hoje conhecidas como “infecções associadas a serviços de saúde” (IASS), em que se incluem as infecções hospitalares. Essas doenças acometem pacientes, durante o curso de um tratamento que receberam para debelar outra doença, em um estabelecimento que presta serviço de saúde. Segundo os Centers for Diseases Control (CDC), nos Estados Unidos, as IASS estão entre as 10 principais causas de mortalidade.</p>
<p>Não devemos, em hipótese alguma, sob pena de estarmos causando um erro grave, subestimar o impacto de tais doenças em nosso meio.</p>
<p>Estudos têm demonstrado que os índices dessas infecções são maiores em países da América Latina e da África. Agrava-se a essa triste estatística o fato de que muitas dessas infecções, como as que ocorrem nos hospitais, são causadas por bactérias resistentes a múltiplos antibióticos. Tal fato dificulta, significativamente, a pronta prescrição pelos médicos de uma terapia antibiótica eficaz, contribuindo assim para o aumento do número de óbitos.</p>
<p>Aos profissionais da saúde cabem estar atentos para os fenômenos resultantes da evolução adaptativa dos microrganismos, os quais culminam, algumas vezes, no surgimento de novas doenças (conhecidas como emergentes) e, em outras vezes, no aumento da incidência de doenças antigas, porém com características epidemiológicas singulares, únicas, as quais, quando não reconhecidas, podem mascarar os índices dessas infecções e da mortalidade associada.</p>
<p>Aos nossos políticos cabe o ônus da necessidade de aplicarem mais recursos para o desenvolvimento de laboratórios e sistemas cada vez mais sofisticados, visando à coleta e posterior análise de dados, sobre tais doenças, de maneira que os números possam nos apontar, de forma mais reveladora, esse mundo micro, porém da maior importância para a saúde global.</p>
<p>AGNES MARIE SÁ FIGUEIREDO é diretora do Instituto</p>
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		<title>EUA: Aposentados ficam mais pobres</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Nov 2008 12:45:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Clifford Krauss * &#8211; O Estado SP
Depois que o mercado acionário começou a cair, amigos têm procurado Barbara Goldsmith para falar sobre sua depressão, perda de apetite e insônia. &#8220;As pessoas estão sofrendo&#8221;, disse Goldsmith, uma terapeuta semi-aposentada que aconselha colegas residentes no Gleneagles Country Club, um condomínio fechado daqui. &#8220;Houve uma morte. O dinheiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99">Clifford Krauss * &#8211; O Estado SP</p>
<p>Depois que o mercado acionário começou a cair, amigos têm procurado Barbara Goldsmith para falar sobre sua depressão, perda de apetite e insônia. &#8220;As pessoas estão sofrendo&#8221;, disse Goldsmith, uma terapeuta semi-aposentada que aconselha colegas residentes no Gleneagles Country Club, um condomínio fechado daqui. &#8220;Houve uma morte. O dinheiro deles morreu.&#8221; Em comunidades como Gleneagles e nas casas de aposentados, estes são dias de medo e incerteza.</p>
<p>Em teoria, os aposentados não deveriam investir muito no mercado acionário; na realidade, muitos milhões o fazem. Com a economia em queda livre e as ações registrando perdas de 40% neste ano, legiões de pessoas das classes média e média alta estão subitamente preocupadas sobre se terão o suficiente para continuar vivendo.</p>
<p>Evidentemente, não estão se formando filas para o pão em lugares como Gleneagles. Os aposentados jogam golfe, tênis e cartas. Mas sustentar essa vida confortável por mais duas ou três décadas, como muitos aposentados esperam fazer, requer dinheiro. Pessoas com investimentos que valiam US$ 1 milhão ou US$ 2 milhões, alguns meses atrás, estão subitamente cancelando cruzeiros, recortando cupons de supermercados, comendo em casa e não em restaurantes e reduzindo contribuições para a formação universitária dos netos.</p>
<p>Como os aposentados de toda parte, os moradores daqui jogaram deliberadamente com o que viam com riscos competitivos. Eles todos ouviram o conselho padrão para retirarem seus ativos de ações para investimentos mais seguros quando se aproximavam da aposentadoria. Mas, com as taxas de juros muito baixas, os retornos sobre investimentos seguros como os títulos do governo eram magros, e muitos deles viam um risco em não manter algum dinheiro em ações. Para financiar uma longa aposentadoria, eles acharam que precisariam dos ganhos do mercado acionário.</p>
<p>Manter o dinheiro em ações os deixou expostos ao risco de um derretimento do mercado que ocorre uma vez na vida. Agora, esse dia está próximo. &#8220;Cada monitor de TV da sala de jogos e do vestiário está sintonizado na CNBC para ficarmos apreensivos o dia todo&#8221;, disse Jerry Rivkin, de 75 anos, dono de loja de eletrodomésticos aposentado. &#8220;Nós ficamos jogando por moedas e centavos enquanto nos assistimos perdendo dezenas de milhares.&#8221;</p>
<p>Para enfrentar a situação, algumas pessoas estão vendendo suas casas no Norte, para garantirem sua permanência aqui. Um punhado de condôminos em Gleneagles teve sua hipoteca executada. Durante anos, consultores de aposentadoria disseram que os idosos deviam investir pouco em ações, colocando a maioria de seus ativos em bônus, certificados de depósito e outros investimentos conservadores. Mas mesmo alguns dos especialistas reconhecem que essa estratégia nem sempre funciona para pessoas aposentadas com boa saúde que podem viver até os 90 anos ou mais.</p>
<p>&#8220;Com as expectativas de vida do jeito que estão, e a medicina melhorando a cada ano&#8221;, disse Joseph La Scala, um consultor financeiro sênior da GunnAllen Financial, &#8220;alguém que esteja entrando na aposentadoria agora precisa ser um investidor de longo prazo, e isso significa que precisa haver mais alocação de investimentos em ativos de crescimento como ações.&#8221;</p>
<p>Segundo estatísticas do governo, um terço dos aposentados quase não tem exposição em ações. Mas estes são principalmente pessoas pobres ou de baixa classe média cuja renda depende da Previdência Social. Outras estão blindadas por benefícios de pensões, embora estes estejam encolhendo nos últimos anos, especialmente para aposentados mais jovens.</p>
<p>Especialistas em aposentadoria dizem que uma maioria das pessoas das classes média e média alta tem portfólios bem mais carregados de ações e correm mais risco do que o normalmente recomendado. Segundo estudo da Universidade de Michigan patrocinado pelo National Institute of Ageing, dos 40% mais ricos da população com 75 anos ou mais, mais da metade tinha pelo menos um terço de suas poupanças em ações.</p>
<p>&#8220;As pessoas idosas de classe média fizeram planos baseados num conjunto de suposições de como o mundo funciona, e o mundo endoidou&#8221;, disse Alicia H. Munnell, diretora do Centro de Pesquisas sobre Aposentadoria do Boston College. Essas suposições já incluíram as noções de que contas bancárias e bônus corporativos eram seguros, e as ações de primeira linha eram os melhores investimentos de longo prazo.</p>
<p>&#8220;Se ligar para minha mãe&#8221;, disse Jason J. Fichtner, vice-comissário em exercício do departamento de Previdência Social, &#8220;sua meta era US$ 1 milhão em ações para se aposentar. Ela teve isso por um fim de semana, e agora seu valor caiu para US$ 600 mil.&#8221;</p>
<p>Em Gleneagles, as pessoas ainda jogam cartas, golfe e tomam aulas de pintura. Mas a apreensão da comunidade é palpável e crescente. &#8220;Eu me sinto horrível&#8221;, disse Harry Pure, 80 anos, diretor de atletismo aposentado da Universidade de Filadélfia, que perdeu 25% de suas poupanças. Num intervalo de sua aula de pintura, ele disse: &#8220;Era ótimo colocar a cabeça no travesseiro de noite e saber que estava seguro. Agora eu coloco a cabeça no travesseiro e as células cinzentas não conseguem dormir. Todos os diferentes cenários ficam ocupando minha mente agora: O que fazer?&#8221;.</p>
<p>&#8220;Isso ameaça nosso estilo de vida&#8221;, disse Sid Freedman, 74 anos, um antigo dono de uma empresa têxtil. Com mais de US$ 2 milhões em ativos, ele achava que ele e a esposa estavam preparados para uma aposentadoria longa e segura.</p>
<p><strong><br />
* Escreve para The New York Times, de Delray Beach, Flórida</strong></p>
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		<title>Ônibus: Secretário diz que subvenção é &#8220;justiça social&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Nov 2008 11:36:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O subsídio ao transporte público é sim justiça social é deve ser mantido. Alexandre de Moraes, Secretário de Transporte da prefeitura está certo. Como também está certo quando afirma que os atrasos em obras não se devem a falta de verbas. É incompetência mesmo, ao que podemos acrescentar falta de planos, de planejamento e de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>O subsídio ao transporte público é sim justiça social é deve ser mantido. Alexandre de Moraes, Secretário de Transporte da prefeitura está certo. Como também está certo quando afirma que os atrasos em obras não se devem a falta de verbas. É incompetência mesmo, ao que podemos acrescentar falta de planos, de planejamento e de foco. Leia a entrevista publicada pela Folha. LF</em></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://oglobo.globo.com/fotos/2007/12/16/16_MHG_sp_onibus3.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://oglobo.globo.com/fotos/2007/12/16/16_MHG_sp_onibus3.jpg" width="550" height="351" /></div>
<p><strong>Alexandre de Moraes da pasta dos Transportes, diz que política de subsídios a ônibus adotada pela prefeitura vai continuar</strong></p>
<p><strong>Segundo Moraes, atrasos em obras não se devem à falta de verbas; ele diz que tarifa de ônibus provavelmente será reajustada em 2010</strong></p>
<p>DA REPORTAGEM LOCAL</p>
<p>O secretário dos Transportes, Alexandre de Moraes, defende a opção da gestão Gilberto Kassab (DEM) de elevar os subsídios sob a justificativa de garantir &#8220;justiça social&#8221; e evitar o reajuste da tarifa de ônibus. Alega que &#8220;alguém tem que pagar&#8221; pela expansão de benefícios, como as integrações do bilhete único. Apesar das críticas à falta de investimentos em corredores de ônibus, nega que os atrasos em obras tenham ligação com a alta dos subsídios.<br />
O secretário diz que &#8220;em 2010 provavelmente haverá aumento&#8221; da tarifa de ônibus -que Kassab prometeu manter em R$ 2,30 em 2009-, mas que a &#8220;mentalidade&#8221; de subsidiar a passagem vai continuar. Leia abaixo trechos da entrevista de Moraes, que confirma sua permanência no próximo mandato de Kassab acumulando a presidência da SPTrans e da CET. (AI e RS)</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Por que a gestão Kassab  decidiu elevar tanto os subsídios?<br />
ALEXANDRE DE MORAES</strong></em> &#8211; São quatro fatores. Primeiro: aumento  de passageiros. Segundo: aumento de integrações, inclusive  com metrô e CPTM. A população ganha, mas alguém tem que  pagar, tem que subsidiar. Outro  ponto são as gratuidades: estudantes [que têm desconto de  50%], idosos. Dentro da compensação tarifária também está  a renovação da frota. Aumentou a entrada de ônibus novos,  aumenta [a remuneração do  operador]. O contrato é assim.  O poder público paga ou sobe  a passagem. A primeira opção é  distribuir as gratuidades entre  os pagantes. A segunda opção,  que é a nossa, para não aumentar a tarifa, para garantir justiça  social, é subsidiar.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O sr. não vê distorções nas  gratuidades? Os subsídios também  beneficiam alunos das classes média e alta que pagam meia tarifa.<br />
MORAES</strong></em> &#8211; Não é opção da prefeitura escolher as gratuidades.  Elas existem por lei. O legislador decidiu dar esse benefício  ao estudante como incentivo ao  estudo, não por classe social.  Mas os dados mostram: mais de  90% são das classes C, D e E.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Havia críticas aos subsídios  sob a justificativa de que beneficiam  as empresas de ônibus.<br />
MORAES</strong></em> &#8211; Só por desinformação ou má-fé alguém pode falar  que a elevação dos subsídios é  dar dinheiro para empresas de  ônibus. Esse dinheiro, seja da  compensação tarifária seja do  aumento da tarifa, vai para as  viações e para as cooperativas  da mesma forma. A remuneração é contratual pelo número  de passageiros na catraca.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O sr. não acredita que os  investimentos em infra-estrutura ficam comprometidos? No Orçamento de 2009 há mais dinheiro para  subsídios do que para obras.<br />
MORAES</strong></em> &#8211; No ano que vem temos temos R$ 250 milhões em  metrô, R$ 75 milhões em Rodoanel, fora R$ 606 milhões do  fundo de multas para usar no  trânsito e no transporte. Por  que não colocar mais dinheiro  no corredor Celso Garcia? Não  dá para gastar mais dinheiro no  ano que vem. É licitação, começo de obras. Para 2010 vai ter  mais dinheiro para corredor.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Os corredores Celso Garcia  e Berrini eram prometidos para  2008. Por que não saíram do papel?<br />
MORAES</strong></em> &#8211; Pode ter havido alguma confusão, mas não seria  possível, em um ano, fazer projeto, licitar obra e construir. O  Berrini é curtinho, 3 km. O Celso Garcia, 30 km. Vamos acabar  no ano que vem a licitação.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Houve material de divulgação da própria prefeitura prometendo a obra para este ano.<br />
MORAES</strong></em> &#8211; Algum erro de comunicação. O Celso Garcia é uma  obra para quatro anos, no final  da gestão estará pronto. O Berrini, para dois anos. Na zona  sul, vamos fazer outro corredor  em dois anos, quase até Itapecerica [da Serra] para desafogar  a M&#8217;Boi Mirim. Na zona noroeste terá na Vila Brasilândia.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O sr. não acha que a gestão  Kassab investiu muito pouco em  corredores de ônibus?<br />
MORAES</strong></em> &#8211; A atual gestão verificou aquilo que precisava fazer  para corrigir erros dos corredores feitos [antes], como recape,  que estava estourado. Foi uma  opção de corrigir e planejar  grandes corredores com faixa  de ultrapassagem.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Por que as reformas pontuais em corredores prometidas para começar neste mês atrasaram?<br />
MORAES</strong></em> &#8211; Pode até ter sido erro  meu, mas começar, para mim, é  começar os procedimentos. Foi  feito projeto básico, a licitação  deve ser aberta agora para os  projetos executivos e começar  a obra. No caso mais importante, da Rebouças, a idéia é que  esteja pronta até junho.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; E a promessa de concluir os  32 km do Fura-Fila em 2008?<br />
MORAES</strong></em> &#8211; No trecho 3, atrasou  devido ao desbalanceamento  [acidente na obra], mas vamos  inaugurar no fim do ano. O restante [trechos 4 e 5], por questões burocráticas ou projeto.  Houve atraso, vamos fazer as  adaptações e terminar na próxima gestão, nos quatro anos.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Por que Kassab vai investir  só R$ 250 milhões no metrô em  2009, contra R$ 1 bilhão em 2008?<br />
MORAES</strong></em> &#8211; Na verdade não é redução. R$ 1 bilhão em uma gestão e R$ 1 bilhão em outra. Até  colocar a casa em ordem, deu  para reservar R$ 1 bilhão só no  último ano. Agora vai dar para  espalhar aos poucos.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Na disputa entre subsídios  e investimentos em transporte, qual  será a tendência em 2010?<br />
MORAES</strong></em> &#8211; Para nós não existe  essa disputa, são coisas paralelas e complementares. Vamos  completar a obra do Expresso  Tiradentes, Celso Garcia, corredor da zona sul e continuar  subsidiando a passagem. Até 31  de dezembro de 2009 não vai  ter aumento de tarifa.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; E em 2010?<br />
MORAES</strong></em> &#8211; Em 2010 provavelmente haverá aumento. Mas  vai ser com a mentalidade de  que é função do poder público  subsidiar gratuidades e não  onerar usuários.</p>
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