25/11/2008 - 09:18h Investimento externo bate recorde histórico

Apesar da crise, recursos para o setor produtivo têm saldo de US$ 3,9 bi em outubro e sobem para US$ 34,7 bi no ano

 

 

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Patrícia Duarte e Eliane Oliveira - O Globo

 

 

BRASÍLIA. A crise internacional não afetou as contas externas do Brasil quando se olha para os investimentos estrangeiros diretos (IED), ligados ao setor produtivo, e que bateram recorde histórico em outubro. Mas o baque ficou evidente no mercado de ações e títulos e nos indicadores de rolagem de dívidas.
Segundo dados do Banco Central (BC), o IED fechou o mês passado com saldo positivo de US$ 3,913 bilhões, acumulando em 2008 US$ 34,747 bilhões, acima de todos os resultados de anos fechados. O recorde anterior era de 2007, com US$ 34,585 bilhões, e alguns analistas do mercado já acreditam que deve ficar próximo dos US$ 40 bilhões no fim deste ano.

— São recursos (investimentos diretos) que vêm para longo prazo, com planejamento de seis meses. É a crença nos fundamentos da economia brasileira — disse o chefe do departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
Por enquanto, a autoridade monetária mantém a projeção de que o IED encerre o ano a US$ 35 bilhões, mas Lopes já admite que vai revisá-la para cima. Em novembro, até ontem, as entradas líquidas desses investimentos chegavam a US$ 2,35 bilhões, e devem fechar o mês em US$ 2,8 bilhões.
Os investimentos estão pulverizados por diversos setores, com destaque para o de serviços.
Já os investimentos financeiros fizeram o caminho inverso em outubro, mas começam a dar sinais de acomodação em novembro. Com ações, por exemplo, as saídas líquidas ficaram em US$ 6,065 bilhões em outubro, e com títulos de renda fixa, em US$ 1,810 bilhão. Os investidores saíram do mercado brasileiro para cobrir prejuízos em outros mercados ou para buscar aplicações de menor risco.
Em novembro, até ontem, as saídas mostravam menos força: com ações, eram de US$ 890 milhões e com renda fixa, de US$ 604 milhões, de acordo com os dados do BC.

Mercado consegue renovar dívidas

O cenário menos nebuloso, no entanto, não se repete nas rolagens de dívidas. Em outubro, o mercado conseguia girar 126% dos débitos. Ou seja, além de rolar toda a sua divida, ainda conseguia emitir novas. Mas, em novembro até ontem, essa taxa havia despencado para apenas 18%. Segundo Lopes, houve uma grande concentração de vencimentos neste período e, por causa da crise internacional, os investidores tiveram muito mais dificuldade para se refinanciar, como custos elevados.
A conta financeira integra o balanço de pagamentos. A outra rubrica deste indicador são as transações correntes — operações de comércio e serviços do país feitas com o exterior. Elas fecharam com saldo negativo menor em outubro, de US$ 1,507 bilhão. A causa principal foi a redução do ritmo das remessas de lucros e dividendos, que somaram US$ 1,813 bilhão, 47,24% menos do que em setembro.
Esse recuo continua e a conta deve fechar novembro com saldo negativo de US$ 500 milhões nas transações correntes.
Já a balança comercial teve déficit de US$ 318 milhões na semana passada, como resultado de US$ 3,355 bilhões em exportações e US$ 3,673 bilhões em importações. Foi o pior saldo semanal do ano, só perdendo para a quarta semana de agosto (US$ 840 milhões). Em cinco dias, a média exportada foi de US$ 671 milhões, um dos níveis mais baixos da história.

24/09/2008 - 09:10h Pigs e Brics: confronto de siglas no debate da crise

http://ruvr.ru/files/Image/portuguese_service/Jonas/ONU_ORGANIZACOES/bric-big.jpghttp://bkmarcus.com/blog/images/stories/3pigs/BigBadWolfHead.jpgPaíses da Europa mais ameaçados de recessão (Portugal, Itália, Grécia e Espanha) são o contraponto aos maiores emergentes em evento londrino

Daniela Milanese, O Estado de São Paulo - LONDRES

Um novo confronto de siglas caracteriza o atual ambiente global, transformado pela crise que atingiu as maiores economias do mundo. Enquanto os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) continuam a ser apontados como os condutores do crescimento mundial, agora na Europa a expressão Pigs (porcos, em inglês) vem cunhar a posição menos favorecida de Portugal, Itália, Grécia e Espanha.

“Brics soa bem, mas Pigs, não”, disse o vice-presidente sênior do The Economist Group, Daniel Thorniley, durante o evento “Emerging Markets Summit 2008″, realizado ontem em Londres.

A referência aos principais emergentes do mundo, criada pelo executivo do Goldman Sachs Jim O’Neill em 2001, faz alusão a “brick” - tijolo em inglês. Já a sigla Pigs começou a ser usada pela mídia internacional para caracterizar os países europeus próximos da recessão.

Ao aparecer na coluna “Lex” do Financial Times no início do mês, o termo chegou a irritar o ministro de Economia português, Manuel Pinho. Polêmica à parte, a percepção de executivos e especialistas é de que agora a busca por oportunidades mais lucrativas de crescimento a longo prazo ganhará mais intensidade. Nesse contexto, a adoção de estratégias adequadas aos mercados emergentes recebe importância renovada.

“As empresas alemãs não estão investindo na Alemanha porque não há confiança”, disse Thorniley, ressaltando que a inflação afetou o poder de compra da população. Por isso, ele acredita que os emergentes, onde há mercado consumidor, são mais atraentes.

“Os executivos estrangeiros reconhecem que, se quiserem elevar seus lucros, não será em seus mercados domésticos”, disse o diretor Danny Lopez, da UK Trade & Investment (UKTI), órgão do governo britânico.

Para os especialistas, será difícil ver todos os países em desenvolvimento passarem pela crise externa sem arranhão. O crédito mais apertado deve limitar a capacidade de investimentos das empresas e o dinheiro não vai fluir como antes.

Porém, a avaliação positiva dos emergentes ainda prevalece - tanto que o evento em Londres reuniu mais de 200 participantes, que ouviram executivos de primeira linha contarem as estratégias de vendas e recursos humanos mundo afora, com poucas menções à palavra “crise”. “O Lehman Brothers e a AIG não terão impacto sobre São Paulo”, disse Lopez.

Para Jim O’Neill - que como “pai” dos Brics continua entusiasta -, o crescimento econômico global virá cada vez mais desses países. “Entre eles, acho que o Brasil é hoje o mais interessante, pois está conseguindo passar por anos de estabilidade depois de anos de caos.”

Os Brics vão continuar dominando o fluxo de investimentos nos mercados emergentes. Além disso, os empresários começam a buscar outras regiões desses países para expandir os negócios, conforme aponta pesquisa realizada pela UKTI e pela Economist Intelligence Unit (EIU). “Os executivos querem não só continuar investindo nos Brics como aprofundar esses aportes”, disse Danny Lopez ao Estado.

Realizado em agosto, o levantamento consultou 561 companhias de 19 setores pelo mundo. Perto de dois terços, ou 63%, acreditam que a força econômica dos emergentes vai contrabalançar o impacto da desaceleração da Europa e América do Norte. Dessa forma, a receita produzida nos países em desenvolvimento deve passar de 29% para 38% em três anos. Além disso, 34% afirmaram que sua empresa entrará em três ou mais novos emergentes no período de cinco anos.

Apesar de a pesquisa ter sido feita antes do agravamento da crise, com o colapso do Lehman Brothers e a venda do Merrill Lynch ao Bank of America, Lopez avalia que a confiança nos emergentes não mudou. Ao contrário, a turbulência aumenta a necessidade de buscar investimentos mais lucrativos.

No levantamento, 29% disseram que o Brasil é um mercado prioritário para expansão. O porcentual é mais elevado para os outros Brics: a China é considerada prioridade para 49% dos entrevistados, seguida pela Índia (42%) e Rússia (33%).

A EIU estima que o investimento externo direto (IED) na China vai somar US$ 87 bilhões nos próximos cinco anos, em média. Para o Brasil, a previsão é de US$ 31 bilhões, nível similar ao atual. A Rússia deve sofrer com o aumento do risco e pode ver o investimento cair de US$ 52 bilhões neste ano para US$ 44 bilhões no próximo. Já a Índia deve responder pelo maior crescimento anual de IED, passando de US$ 23 bilhões em 2007 para US$ 60 bilhões em 2012.

29/12/2007 - 11:19h Decolou


Celso Ming, celso.ming@grupoestado.com.br

O presidente Lula talvez tenha exagerado quando disse que 2007 foi o melhor ano econômico da história econômica do Brasil. Mas não dá para negar, há o que comemorar.

Esta é apenas uma lista limitada de fatos que poderão ser tomados como linhas divisórias entre antes e depois.
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