13/07/2009 - 09:11h País avança no investimento estrangeiro global

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Participação do Brasil saiu de 1,9% para 2,4% do total no 1.º trimestre, segundo a Unctad

Márcia De Chiara e Paulo Justus – O Estado SP

O Brasil ampliou sua participação no total de Investimento Estrangeiro Direto (IED) mundial. No primeiro trimestre, o País absorveu 2,4% do investimento externo, ante 1,9% em igual período de 2007, apontam os dados da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês).

A maior participação brasileira entre os destinos de investimentos está relacionada a uma nova ordem mundial, em que há menor disposição para investir nos Estados Unidos, o epicentro da crise financeira, observa o economista do Itaú-Unibanco Darwin Dib.

“Daqui para a frente, vamos viver um período em que os Estados Unidos vão ter de aumentar a sua poupança interna, porque haverá menor disponibilidade de recursos para serem aplicados no país”, observa.

Segundo o economista, isso provoca um rearranjo nos fluxos de capitais no mundo. O investimento, antes destinado para a economia americana, vai para países emergentes. Entre esses destinos, Dib diz que o Brasil se diferencia por ter mercado consumidor forte, política macroeconômica sustentável e ainda uma grande presença das commodities que, continuam bastante demandadas em nível mundial.

“A grande fatia do consumo, antes concentrada nos Estados Unidos, migra agora para os países emergentes”, afirma.

Um estudo da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) com base em dados da Unctad mostra que o Brasil se destaca na atração de investimentos estrangeiros pelo tamanho do mercado local e seu potencial de crescimento.

Nesses dois quesitos, sua pontuação está acima da média mundial. Em compensação, o País perde pontos nos quesitos alto custo de contratação da mão de obra e na falta de regulação para os investimentos. Além disso, os hábitos do consumo do brasileiro são ocidentais, o que dá mais segurança aos investidores dos países desenvolvidos para fazer grandes aportes de capital.

AQUISIÇÕES

Outro dado que reforça a tendência de avanço dos recursos externos no País é a sua presença nas aquisições de controle ou participação do capital da empresa presentes no País. Um levantamento feito pela PricewaterhouseCoopers, com base nas transações anunciadas, revela que a fatia do capital estrangeiro nos negócios aumentou neste ano. No primeiro semestre, o investimento estrangeiro teve participação de 39% dos negócios concluídos, ante 27% no fim do ano passado.

“No contexto de turbulência do fim do ano passado, a participação do capital estrangeiro diminuiu”, constata o sócio de Fusões e Aquisições da consultoria, Alexandre Pierantoni. Agora, com a perspectiva de recuperação da economia mundial e o fato de o Brasil ter se mostrado menos sensível à crise, os investimentos estrangeiros tendem a migrar para o País. Além disso, observa, há muitos setores que passam hoje por processo de consolidação.

13/07/2009 - 08:41h Investimento estrangeiro é o 2º maior da década

dinheirocorrendo.gifEnquanto o investimento geral da economia recua, aplicações de multinacionais no País já superam US$ 11 bi

Márcia De Chiara e Paulo Justus – O Estado SP

O grande potencial do mercado consumidor brasileiro virou alvo do Investimento Estrangeiro Direto (IED), enquanto o investimento total na economia do País encolhe. Entre janeiro e maio deste ano, os estrangeiros aplicaram aqui US$ 11,2 bilhões na ampliação da capacidade das fábricas, no comércio, na agricultura e nos serviços.

“É a segunda maior cifra de IED da década para o período”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luís Afonso Lima. Ele destaca que os recursos equivalem ao volume total que entrou no País nos cinco primeiros meses de 1999, um ano de privatizações que atraiu grandes quantias de capital externo.

A perspectiva para 2009 é de que o IED atinja US$ 25 bilhões, no levantamento com o mercado financeiro feito pelo Banco Central (BC). Essa cifra deve ficar abaixo do recorde de US$ 45 bilhões alcançado em 2008. No entanto, se a projeção para 2009 se confirmar, o investimento estrangeiro deste ano será o sexto maior desde 1947, quando o BC iniciou a coleta de dados, e o quarto mais robusto desta década, apesar da crise.

O que se vê no mês a mês é uma forte reação nos investimentos estrangeiros. Em janeiro, por exemplo, a entrada de IED estava 60% abaixo da registrada no mesmo mês de 2008. Essa diferença caiu para menos de 20% no acumulado até maio. “Se esse ritmo continuar, o IED poderá superar US$ 25 bilhões este ano”, prevê Lima.

No início do ano, houve uma “parada tática” no investimento estrangeiro porque as multinacionais remeteram dinheiro às matrizes, que estavam em situação difícil por causa da crise global. Passada a fase mais aguda da crise, agora essas companhias retomaram os investimentos no País em busca do potencial do mercado brasileiro. “As multinacionais estão olhando para o longo prazo, já que as margens de rentabilidade estão cada vez mais apertadas nos mercados desenvolvidos.”

Animada com o potencial do mercado brasileiro, a coreana LG, por exemplo, começou a investir na produção de notebooks no País em meados do ano passado na fábrica de Taubaté (SP). Inicialmente, a produção era de 3 mil unidades no mês de junho, volume que saltou para 15 mil em dezembro. “Nossa previsão é fechar este ano com 200 mil notebooks fabricados. Isso vai colocar o mercado brasileiro como o segundo maior para a companhia no mundo, atrás apenas da Coreia do Sul”, diz o gerente de produtos de notebooks da empresa, Fernando Fraga.

Também a italiana Pirelli, fabricante de pneus, elegeu o Brasil como o principal destino de seus investimentos até 2011. A empresa vai aplicar US$ 200 milhões na ampliação da capacidade das três fábricas que tem no País e em pesquisa e desenvolvimento. “Até poucos anos atrás, as duas grandes economias da América Latina eram Brasil e México. Hoje é claro que o Brasil assumiu a liderança”, diz o presidente mundial da Pirelli Pneus, Francesco Gori.

Até mesmo entre as empresas mexicanas o Brasil virou um polo de atração de investimentos. Diante da forte ligação comercial com os EUA, o epicentro da crise, as companhias mexicanas estão direcionando investimentos para o País.

“Elas estão empolgadas porque os efeitos da crise no Brasil não se têm mostrado tão pesados quanto em outros países”, afirma Patricio Mendizábal, presidente da Associação Empresarial Mexicana no Brasil e da Mabe, fabricante mexicana de eletrodomésticos.

Neste mês, a Mabe comprou a operação brasileira da BSH Continental por US$ 35 milhões. Além desses recursos, a companhia vai investir aqui US$ 30 milhões em produtos e US$ 35 milhões nas fábricas.

25/06/2009 - 17:31h Investimento estrangeiro na produção cresce 89% em maio

Total de recursos de múltis destinados a subsidiárias chega a US$ 2,48 bi

Adriana Fernandes e Fernando Nakagawa – O Estado SP

Apesar da crise e da queda na lucratividade da economia, as empresas estrangeiras têm mantido elevado o volume de recursos destinados aos projetos das subsidiárias no País. Em maio, o ingresso de dólares para a ampliação de fábricas e construção de novas unidades, o chamado Investimento Estrangeiro Direto (IED), saltou 89% na comparação com o mesmo mês do ano passado e somou US$ 2,48 bilhões, o melhor resultado para maio desde o início da coleta dos dados, em 1947. Em abril, no entanto, o ingresso havia sido ainda maior: US$ 3,4 bilhões.

O aumento da entrada de investimentos produtivos em maio foi diretamente influenciada pelo setor químico, responsável pelo ingresso de US$ 811 milhões. Em seguida, o segmento de transportes trouxe US$ 192 milhões em novos recursos e as metalúrgicas, mais US$ 163 milhões.

Os dados de maio foram comemorados pelo chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes. De acordo com ele, o ingresso de IED ocorre porque há confiança das multinacionais nas perspectivas de crescimento do Brasil.

“Esse é o número mais bonito de todo o relatório apresentado pelo BC, é a melhor notícia. Mostra que as empresas continuam apostando no mercado interno e nas perspectivas de exportação de algumas áreas”, diz o analista da Tendências Consultoria, André Luiz Sacconato.

Apesar da boa notícia, o IED acumulado de janeiro a maio é 19,7% menor que o verificado em igual período de 2008.

Influenciado pela crise, o ingresso de recursos somou US$ 11,23 bilhões de janeiro a maio, em comparação com US$ 13,98 bilhões em igual período do ano passado.

Ao mesmo tempo em que multinacionais têm reforçado a operação no País, empresas brasileiras reduzem posições no exterior. O Investimento Brasileiro Direto (IBD) registrou o retorno de US$ 1,45 bilhão em maio.

Isso quer dizer que as multinacionais brasileiras trouxeram de volta parte dos investimentos feitos anteriormente em outros países.

A volta dos recursos contrasta com o forte movimento de internacionalização feito pelas companhias nacionais no ano passado. Em maio, os investimentos no exterior somavam US$ 1,43 bilhão. No acumulado de janeiro a maio de 2008, os projetos no exterior haviam recebido US$ 7,53 bilhões. Em igual período de 2009, a saída dos recursos diminuiu 87%, para US$ 944 milhões.

27/01/2009 - 11:29h Retrato da crise

Celso Ming – O Estado SP

celso_ming2.jpgAs contas externas, que registram todo o movimento da economia com os demais países ao longo de um período, são as primeiras a sofrerem o impacto de uma crise global. E isso já vai claramente apontado nos números finais de 2008 que ontem o Banco Central divulgou.

O rombo geral em Conta Corrente, onde não é computada a entrada líquida de capitais, foi de US$ 28,3 bilhões, o primeiro déficit em 6 anos.

A desaceleração das exportações junto com a aceleração das importações tiveram lá seu peso. Mas foi decisiva a disparada da remessa de lucros e dividendos para o exterior, que saltou de US$ 22,4 bilhões em 2007 para US$ 33,9 bilhões em 2008. Só nos três últimos meses de 2008 as remessas para fora foram de US$ 21 bilhões.

Não se trata de fuga de capitais, como acontecia a cada crise do passado no Brasil. Desta vez, a principal explicação para essa paulada foi o movimento imposto às filiais das empresas estrangeiras no País: no meio da crise, as matrizes ficaram sem caixa lá fora e obrigaram suas controladas a remeterem de volta suas disponibilidades.

Esse fenômeno é novo no Brasil e não deve se repetir em 2009. Por isso, é perfeitamente plausível contar com um déficit em Conta Corrente até mais baixo neste ano. De todo modo, as projeções sobre esse item são disparatadas. O Banco Central projeta US$ 52 bilhões, volume um pouco maior do que o do ano passado. Mas o mercado, cujos números são aferidos pelo Banco Central na pesquisa semanal Focus, trabalha com metade disso.

O dado mais impressionante é o vigor dos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) que, apenas em dezembro – portanto em plena crise -, injetaram US$ 8,1 bilhões no País, o que totalizou US$ 45,1 bilhões ao longo do ano, o correspondente a 1,78% do PIB, bem mais do que os US$ 30 bilhões projetados pelo Banco Central.

A força dos investimentos estrangeiros tem várias explicações. A primeira é a de que, apesar da crise, o comportamento da economia brasileira é razoável, o que contribui para atrair capitais de longo prazo. Mas começa a influenciar um fator circunstancial. O Brasil é o B de uma sigla que ficou em evidência. Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) foi uma invenção do economista Jim O?Neill, do Goldman Sachs, para caracterizar os quatro emergentes com maior probabilidade de se tornarem ricos em menos de 40 anos. Trata-se de uma sigla fortuita, que nem obedece à ordem alfabética, mas que pegou. O crescente protagonismo em eventos internacionais colaborou para o aumento da percepção de que está chegando a hora de o Brasil deixar de ser o país do futuro para ser o do presente.

Assim, estrategistas dos grandes negócios passaram a enxergar o Brasil como o país que não pode ficar fora de uma carteira de investimentos de longo prazo.

Para 2009, as projeções sobre o IED também são disparatadas, o que não deixa de ser normal, nas circunstâncias. O Banco Central, por exemplo, prevê um IED de US$ 30 bilhões. Mas as expectativas do mercado, medidas pelo Focus, apontam um total 23% menor, de US$ 23 bilhões.

Mas esta é uma crise de comportamento imprevisível. A esta altura, qualquer projeção para contas externas não passa de exercício de futurologia.

CONFIRA

Fim da arbitragem? – Há meses, ninguém mais se queixa de que os especuladores estão tomando empréstimos lá fora e mandando dólares para o Brasil de maneira a tirar proveito dos juros internos.

Os juros no Brasil continuam sendo os mais altos do mundo, os externos caíram para mais perto do zero e a alta do dólar garante, no câmbio, mais reais por dólar trazido para o Brasil.

No entanto, os investimentos em carteira fecharam o ano negativos: saída líquida de US$ 4,3 bilhões. No ano anterior, foram US$ 48,4 bilhões (positivos). Ou seja, na crise a a tal arbitragem sumiu.

27/01/2009 - 10:54h Investimento estrangeiro é recorde

Em 2008, apesar da crise global, IED no País somou US$ 45 bilhões, melhor resultado desde 1947, segundo o BC

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Sérgio Gobetti – O Estado SP

O Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil bateu o recorde em 2008, atingindo a surpreendente cifra de US$ 45 bilhões, apesar de todo o pessimismo decorrente da crise financeira internacional. Foi o melhor resultado desde 1947, segundo os registros do Banco Central (BC).

O IED reúne todas as transações financeiras de entrada de dólares para investimentos produtivos ou aquisição de empresas no Brasil. Com esse resultado, o valor do IED mais do que compensou o déficit em transações correntes do ano passado, que atingiu US$ 28,3 bilhões, o pior resultado desde 1998.

A conta de transações correntes registra o saldo das operações de comércio, serviços e rendas do País com o exterior. Em2007, ela havia registrado superávit de US$ 1,5 bilhão.

Em 2008, a conta corrente foi deficitária tanto porque o saldo da balança comercial diminuiu – de US$ 40 bilhões em 2007 para US$ 24,7 bilhões no ano passado – quanto porque o déficit da balança de serviços piorou, com o aumento das remessas de lucros e dividendos ao exterior.

REMESSAS

No ano passado, as empresas multinacionais instaladas no Brasil aproveitaram os altos lucros obtidos no País e transferiram US$ 33,8 bilhões para tentar melhorar as contas de suas matrizes no exterior.

Levaram mais vantagem as empresas que fizeram essas remessas antes da desvalorização do real, a partir de setembro, mas muitas ainda faziam transferências em dezembro por causa da necessidade de ajudar as matrizes no fechamento de balanço anual.

Os analistas esperavam que, a partir do agravamento da crise financeira internacional, o movimento do IED acompanhasse a saída de dólares decorrente de remessa de lucros e dividendos e do refluxo de investimentos em títulos públicos e ações.

Nos últimos quatro meses, o Brasil perdeu mais de US$ 10 bilhões de investimentos especulativos. O IED, ao contrário, se manteve em alta e chegou a somar, em dezembro, US$ 8,1 bilhões – o segundo maior valor mensal da série do Banco Central.

Até mesmo o Banco Central foi surpreendido por esses números. Até agosto, quando o IED acumulava um valor de US$ 24,6 bilhões, projetava-se um ingresso de total de US$ 35 bilhões no ano – ou seja, mais US$ 10 bilhões. Desde setembro, entretanto, o movimento se intensificou e houve um ingresso de mais US$ 20,5 bilhões, principalmente para participação no capital de empresas.

“A despeito da crise, o investidor estrangeiro continua acreditando nos fundamentos da economia brasileira e essa credibilidade é disseminada por vários setores econômicos”, disse o chefe do Departamento Econômico do Banco Central , Altamir Lopes.

AGRICULTURA

O maior crescimento de Investimento Estrangeiro Direto ocorreu no setor de agricultura, pecuária e extração mineral, que pulou de US$ 4,7 bilhões em 2007 para US$ 13 bilhões em 2008. O alto valor de investimento verificado em dezembro (US$ 8 bilhões), por exemplo, foi influenciado por uma operação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que vendeu 40% da subsidiária Namisa para uma companhia formada por acionistas japoneses.

A venda da Namisa somou US$ 3,08 bilhões, segundo comunicado da CSN enviado à Bolsa de Valores de São Paulo. Mesmo descontando essa operação, o valor dos Investimento Estrangeiro Direto em dezembro foi substancial.

Altamir observou que esses recursos ingressaram no País pelo negócio, mas saíram em seguida em um investimento da CSN no exterior. Isso fez com que o Investimento Brasileiro Direto (IBD) somasse US$ 3,148 bilhões em dezembro.

Ou seja, essa operação teve um efeito nulo sobre o resultado global da balança de pagamentos, que terminou o ano com um superávit de US$ 2,9 bilhões. O balanço de pagamentos é resultado de todas as transações correntes e financeiras realizadas pelo País com o resto do mundo.

No ano passado, o Investimento Estrangeiro Direto ajudou o Brasil a ter um superávit financeiro ligeiramente maior do que o déficit corrente.

ONDE ESTÁ O DINHEIRO

Investimento Estrangeiro Direto (IED) nos principais setores, segundo levantamento do Banco Central

Extração de Minerais Metálicos: US$ 10,645 bilhões

Serviços Financeiros: US$ 5,109 bilhões

Metalurgia: US$ 4,984 bilhões

Comércio (Exceto veículos): US$ 2,564 bilhões

Produtos Alimentícios: US$ 2,226 bilhões

Atividades Imobiliárias: US$ 1,721 bilhões

Coque, derivados de Petróleo e Biocombustíveis: US$ 1,568 bilhões

Construção de edifícios: US$ 1,386 bilhões

Extração de Petróleo e gás natural: US$ 1,339 bilhões

20/01/2009 - 13:12h Brasil bate recorde de captação, enquanto investimento global caiu 21% em 2008

 

Assis Moreira, de Genebra – VALOR

Brasil supera México e bate recorde de captação

O Brasil bateu o recorde de captação anual de investimentos estrangeiros diretos (IED) em 2008. O fluxo foi de US$ 41,7 bilhões, a maior cifra já registrada. A alta foi de 20,6% em comparação aos US$ 34,6 bilhões do ano precedente, de acordo com a Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

O resultado do Brasil vai em direção contrária à tendência mundial, cujo fluxo caiu 21%. Segundo a agência da ONU, parte foi resultado de fusões e aquisições, que cresceram 13,6% no país, totalizando US$ 9,7 bilhões em 2008 contra US$ 8,6 bilhões no ano precedente.

O fluxo de IED para o Brasil deve cair este ano, sem surpresa. O Banco Central trabalha com estimativa de US$ 30 bilhões. Em 2008, o fluxo de investimento estrangeiro ficou em torno dos US$ 37 bilhões – marca recorde.

A Unctad vê boas oportunidades nos mercados emergentes para atrair investidores mesmo em meio da crise. Mas alerta que as políticas de investimentos adotadas pelos governos tem um papel central para isso.

Investimento global cai 21% em 2008

O fluxo global de investimentos estrangeiro direto (IED) caiu 21% em 2008, ficando em US$ 1,4 trilhão, e deverá declinar ainda mais este ano, conforme estimativa preliminar da Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

Depois de fluxo recorde de US$ 1,8 trilhão em 2007, o ano de 2008 marcou o fim do ciclo de crescimento do IED, com a recessão, aperto de crédito, queda nos lucros e incertezas generalizadas no mercado levando mais companhias a rever planos, cortar produção e demitir funcionários.

Os países desenvolvidos foram os mais atingidos, com queda de 33% na entrada de investimentos estrangeiros diretos, mas a queda em 2009 será mais disseminada entre economias emergentes.

Em 2008, a queda nos ganhos de multinacionais de países desenvolvidos e menor acesso a empréstimos bancário freou o ritmo de aquisições e fusões, que caiu 33%.

Até agora, o fluxo de IED para países em desenvolvimento resistiu, e cresceu 4% no ano passado. Na América Latina e Caribe, o fluxo aumentou 13%, principalmente graças a resultados do Brasil. Para este ano, a expectativa é de forte declínio no fluxo de investimentos para países como Coréia do Sul, Indonésia, Paquistão, Cingapura e Turquia, por causa das conseqüências da crise financeira.

Entre as indústrias, foram mais afetados os fluxo de IED para os setores financeiro, automotivo, construção, bens intermediários e alguns produtos de consumo. Mas as conseqüências da crise estão se expandindo rapidamente para outras atividades.

A onda de desinvestimentos e reestruturação de operações está crescendo. No setor financeiro, continua a venda de subsidiárias no exterior. Mas também suspensão de negócio, com a Ping An Insurance, da China abandonando uma compra de parte da belga Fortis por 2,2 bilhões de euros. Centros financeiros também atraem menos capital. O fluxo de IED para a Holanda caiu mais de 70%.

No mineração, a Rio Tinto (da Austrália e Reino Unido) e Anglo-American (Reino Unido) vão rever planos de expansão. A British Petroleum anunciou corte de 5 mil empregos para este ano. A suíça Xstrata cancelou a compra da Lonmim (EUA) por US$ 4,10 bilhões.

Na indústria automotiva, os construtores americanos continuam sob ameaça de falência. O fechamento temporário de fábricas se expande pelas regiões. Na indústria aeronáutica, o cancelamento de encomendas aumentou.

A GlaxoSmithKline (Reino Unido), segundo maior laboratório mundial, está cortando operações nos EUA. O produtor francês de cosméticos L’Oreal fechará duas fábricas na Europa.

No setor siderúrgico, a ArcelorMittal (Luxemburgo) vai adiar projeto de US$ 20 bilhões na Índia. Produtores no Reino Unido, Rússia e Japão cortaram a produção.

As projeções são, porém, menos pessimistas para economias emergentes, que continuarão a crescer e que oferecem possibilidade de lucros. A Pepsi Cola investirá US$ 1 bilhão em expansão na China. A Fiat vai produzir mais carros na Rússia.

De qualquer forma, a Unctad aposta numa retomada a prazo do fluxo do IED, até porque a crise financeira oferece oportunidades para as companhias comprarem ativos a preços bem mais baratos e em novas áreas, como a ambiental.

19/01/2009 - 15:22h Investimento externo cresce no Brasil em ano de queda global

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da BBC Brasil – Folha Online

O fluxo de investimentos externos diretos cresceu 20,6% no Brasil no ano passado, segundo dados de um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Unctad (órgão da ONU para Comércio e Desenvolvimento).

O resultado positivo no Brasil contraria a tendência observada na maior parte dos outros países. Globalmente, o fluxo de investimentos externos diretos (IED) caiu 21% no ano passado em relação ao ano anterior.

Após um montante recorde de investimentos em 2007 (US$ 1,8 trilhão), o fluxo internacional de IEDs se contraiu para US$ 1,4 trilhão no ano passado, como conseqüência da crise econômica global.

Segundo a Unctad, “uma nova queda nos fluxos de IEDs deve ser esperada para 2009, conforme todas as conseqüências da crise sobre os gastos de investimento das corporações transnacionais continuarem a aparecer”.

O aumento no fluxo de investimentos externos para o Brasil no ano passado ficou acima da média verificada nos países em desenvolvimento (3% de aumento) e também da média dos países da América Latina e do Caribe (12,7%).

Ricos atingidos

O relatório da Unctad observa que, ao contrário da última grande crise financeira internacional, em 1997, as economias desenvolvidas são as que mais estão sofrendo na atual conjuntura.

“Os países desenvolvidos já foram atingidos, enquanto os efeitos da crise sobre as economias em desenvolvimento têm sido até agora indiretos na maioria dos casos, com graus variados de severidade”, diz o documento.

Segundo a Unctad, “nas economias em desenvolvimento e em transição, as estimativas preliminares sugerem que os fluxos de IEDs têm sido mais constantes, apesar de que o pior impacto da crise econômica global ainda não tinha sido, até o fim do ano, totalmente transmitido para esses países”.

Os Estados Unidos, principal epicentro da atual crise mundial, sofreram uma redução de 5,5% nos investimentos externos no ano passado.

Na Grã-Bretanha, outro país que tem sido bastante atingido pela crise, o fluxo de IEDs caiu 51,1% no ano passado, acima da queda média verificada nos países europeus (32,7%).

Políticas públicas

Segundo a Unctad, as políticas públicas terão um papel importante no estabelecimento de condições mais favoráveis para os fluxos de IEDs.

“Reformas estruturais com o objetivo de garantir mais estabilidade no sistema financeiro mundial, estímulos econômicos rápidos e efetivos de governos nacionais, um compromisso renovado em favor de uma atitude aberta em relação a IEDs, a implementação de políticas visando favorecer o investimento e a inovação –especialmente nos campos de meio ambiente, novas fontes de energia e pequenas e médias empresas– são questões-chave”, afirma o órgão.

Para a Unctad, a atual crise pode assim se tornar uma oportunidade para o incentivo aos IEDs, mas o órgão adverte que isso somente ocorrerá se os governos resistirem às pressões por mais protecionismo e por outras medidas que restrinjam os investimentos externos.

05/01/2009 - 10:49h Os cenários para 2009

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Ribamar Oliveira, O Estado SP

email: ribamar.oliveira@grupoestado.com.br

As previsões dos economistas são tão díspares que as pessoas não conseguem formar uma opinião clara sobre o que vai acontecer com as economias mundial e brasileira este ano. Isto significa apenas que o grau de incerteza sobre as principais variáveis econômicas também é muito grande até mesmo para eles. Além disso, é difícil avaliar qual será o efeito final das ações dos diversos governos sobre a atividade econômica e se elas serão suficientes para amenizar a recessão dos países desenvolvidos.

Para se ter uma ideia das divergências, o último relatório de inflação do Banco Central (BC), divulgado em meados do mês passado, estima que os investimentos estrangeiros diretos (IED) no Brasil em 2009 ficarão em torno de US$ 30 bilhões. As previsões das principais instituições financeiras do País, captadas pelo último boletim Focus, divulgado pelo próprio BC, calculam que estes investimentos ficarão em torno de US$ 21,5 bilhões. A diferença entre as previsões é expressiva, de US$ 8,5 bilhões.

O valor do IED é uma variável importante porque o País precisa saber como irá financiar o seu déficit em conta corrente este ano. Essa conta registra todas as operações comerciais e de serviços do Brasil com o exterior e ela está sendo deficitária nos últimos anos. A previsão tanto do BC quanto das instituições financeiras é que a conta corrente registrará um déficit em torno de US$ 25 bilhões em 2009.

Se o IED for menor do que estima o BC, o País terá que procurar outra forma de financiar o seu déficit em conta corrente. Como os bancos internacionais retraíram os seus créditos e a aversão ao risco dos investidores aumentou, a necessidade de recursos externos do Brasil pressionará a taxa de câmbio, com o dólar subindo mais ainda, o que poderá ser um limitador importante do crescimento brasileiro e um complicador ao controle da inflação.

Qualquer análise sobre as perspectivas brasileiras este ano, no entanto, precisa partir da constatação de que o Brasil não tem problemas estruturais graves. Ou seja, as impressões digitais do País não estão na atual crise internacional. Os bancos brasileiros não apresentaram problemas de solvência e o consumo das famílias cresceu muito até o terceiro trimestre de 2008. Em outras palavras, ao contrário dos Estados Unidos, do Japão e da Europa, a questão que se coloca no Brasil não é de falta de demanda.

É preciso ter clareza que os problemas que o Brasil enfrentará este ano decorrerão, basicamente, da redução da demanda mundial por commodities agrícolas e minerais e da retração da oferta de crédito por parte dos bancos internacionais. O mundo vai crescer menos, demandar menos produtos brasileiros e ter menor liquidez financeira. Por causa desse cenário, o País terá que sustentar o seu crescimento na demanda interna.

Todas as ações que o governo Lula adotou até agora são no sentido de normalizar a liquidez do mercado financeiro, manter o crédito e sustentar a demanda interna. Para melhorar a liquidez, o governo já tinha reduzido em R$ 98 bilhões, até o dia 15 de dezembro, os depósitos que os bancos são obrigados a recolher ao BC. Com o objetivo de dar liquidez em moeda estrangeira, o BC tinha injetado US$ 53,4 bilhões no mercado interno.

O governo supriu com linhas de financiamento alguns setores chaves da economia como o automobilístico, o agrícola e a construção civil e garantiu crédito de capital de giro às empresas por meio dos bancos estatais. Por último, o governo promoveu desonerações tributárias, como a redução do Imposto sobre Produtos Industriais (IPI) na aquisição de veículos novos, a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no crédito ao consumidor e a diminuição do Imposto de Renda para a classe média.

Em fevereiro, nova medida de estímulo ao consumo entrará em vigor com o aumento do salário mínimo. Pelo acordo fechado com as centrais sindicais, o governo Lula concederá um aumento real de 5,7% ao piso salarial (além da correção da inflação do período pelo INPC). Isto representará uma injeção de cerca de R$ 5,5 bilhões no mercado ao longo do ano, em termos reais, apenas por conta do pagamento de benefícios previdenciários e assistenciais a 17,2 milhões de pessoas que recebem o salário mínimo.

O aumento beneficiará também cerca de 7,2 milhões de trabalhadores ativos que ganham o piso salarial. Além disso, as despesas do governo serão elevadas em mais R$ 20 bilhões por conta dos aumentos e reestruturações de carreiras concedidas ao funcionalismo público ao longo de 2008. O governo Lula pretende ainda aumentar os seus gastos com investimentos, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e do Fundo Soberano do Brasil (FSB), que dispõe de R$ 14,2 bilhões.

Os estímulos fiscais e creditícios que o governo está concedendo amenizarão os efeitos da crise internacional sobre o Brasil. O limitador do crescimento será o déficit em conta corrente e a incapacidade de financiá-lo no mercado, o que poderá ter efeito negativo sobre o câmbio e a inflação. Há outro dado preocupante que a ação do governo não reverterá. A previsão do BC é de aumento dos investimentos totais na economia de apenas 4,4% este ano, o que coloca em xeque a capacidade do Brasil continuar crescendo a taxas elevadas e sem inflação nos próximos anos.

11/12/2008 - 08:35h PIB de 6,8% nos prepara para o que virá

http://www.fundcahomes.com/images/Subprime-Mortgage-Crisis-And-Funds.jpg

Alberto Tamer* – O Estado SP

O excelente crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, surpreendentes 6,8%,mostra que o Brasil armazenou força para enfrentar a crise que só ganhou proporções inesperadas a partir de outubro. Ele nós dá mais espaço para nos prepararmos diante de tudo que ainda está por vir.

Pode parecer contraditório, mas esse mesmo resultado nos deve levar a ficar mais alerta, mesmo porque não incorpora os assustadores acontecimentos dos últimos dois meses, que levaram a economia mundial à recessão.

Se há razão para comemorar, há mais ainda para preocupar. Estranho, mas é assim. Tudo piorou lá fora, faltam recursos para nos financiar e mercado. Nada de projeções fáceis, pois há ainda uma enorme carga negativa a carregar e é no mínimo ingênuo acreditar que a economia mundial vai recuperar-se nos próximos meses.

GOVERNO REALISTA

Nesse sentido, a reação da equipe econômica do governo foi realista. Não houve festas, além dos discursos populares do presidente que, na verdade, significam pouco. A economia crescerá 5%, neste ano, mas essa taxa não se repetirá no último trimestre do ano e muito menos em 2009.

Bem mais importante, o governo prepara-se para aprovar e anunciar, a qualquer momento, um pacote de medidas de redução de impostos para estimular a produção industrial, o comércio e a demanda. Essa redução abrangeria o Imposto de Renda das classes média e menos favorecidas, porque são as que ainda podem consumir mais, e de impostos sobre produtos industrializados, reduzindo seus preços.

ARRECADAÇÃO MENOR? NÃO.

Isso mostra que a equipe econômica decidiu antecipar-se ao que virá e a aprovar as medidas que tardavam. Sei que haverá sempre o argumento de que corte de imposto significa menor arrecadação – e o governo vai precisar de mais dinheiro para investir. Mas não é bem assim; seguramente essa queda da arrecadação será bem maior se a economia afundar na recessão. O certo é perder agora um pouco para não ter que perder muito mais depois. Aí, sim, a recessão seria inevitável.

Sem esse realismo, sem a concretização antecipada de medidas que visem criar produção, emprego e demanda, decididamente,não poderemos evitar que a onda recessiva que invade o mundo no derrube. Tudo o que incentive a produção, a criação de emprego, a renda e a demanda é urgente hoje.

6,8% AJUDAM INVESTIMENTOS

Esse crescimento do PIB tem um significado externo ainda pouco ressaltado; ele pode atrair mais investimentos num mundo em que todas as economias recuam. Neste cenário desolador, o Brasil surge, pelo menos por enquanto, como uma oportunidade para as empresas estrangeiras que vêem aqui um mercado interno em expansão. Isso explica a entrada constante de investimento externo que escasseia em outros países. É verdade que isso provavelmente não se repetirá em 2009, pois muitas das empresas visavam também a exportar para um mercado que desacelera e se contrai em 2,5%, de acordo com previsão do Banco Mundial. Ao mesmo tempo, não poderemos manter em 2009 o mesmo ritmo de expansão do mercado interno.

INVESTIMENTOS VITAIS

E é aqui que deveria entrar o governo com um novo plano, um novo pacote de projetos para atrair esses investimentos que tendem a escassear à medida que a recessão se aprofunda e o mercado financeiro luta para sobreviver.

O governo sabe que o Brasil está precisando urgentemente desses investimentos não só para animar a economia, mas para atrair dólares. São dólares simplesmente vitais neste momento em que nossas reservas cambiais começam a ser pressionadas para socorrer a economia e enfrentar a falta de liquidez externa.

SEM PIB, SEM INVESTIMENTO

Este é um desdobramento importante do PIB de 6,8%. Luis Afonso Fernandes Lima, presidente da Sobeet, entidade que congrega as transacionais no Brasil – na verdade as grandes investidoras externas -, afirma à coluna que “o crescimento é fator-chave na atração de investimentos diretos”.

“Não foi por acaso que só até outubro os investimentos estrangeiros diretos (IED) chegam a US$ 34,7 bilhões. Trata-se do maior valor nos primeiros três trimestres do ano em toda a série histórica do Banco Central, iniciada em 1947. Até o mês de outubro, já ultrapassamos o recorde do ano inteiro de 2007, de US$ 34,6 bilhões.” Mas não é só. “No ano todo de 2008 o investimento direto poderá atingir US$ 40 bilhões.” Um resultado que só se explica por esse crescimento de 6,8% do PIB.

“O que mais surpreende nesse resultado excelente é que ocorre em meio ao aumento da aversão global ao risco e à intensificação do ajuste global de liquidez, uma forte contração dos fluxos globais de capitais.”

De acordo com a OCDE, de países que respondem por 86% do IED no mundo, os investimentos diretos mundiais devem retrair-se em 37% neste ano,em relação a 2007. O Brasil está hoje apenas atrás da China, Hong Kong e Rússia entre os países emergentes que receberam esses investimentos em 2007.

Luis Afonso Lima prevê que a situação pode se reverter,com a queda dos preços das commodities e a desaceleração econômica mundial.

Daí a importância de o governo associar, em 2009, os incentivos à demanda interna à execução de projetos que mantenham vivo esse interesse excepcional dos investidores externos pelo Brasil.

O Brasil não estará imune. E justamente em um momento de deterioração do seu saldo em transações correntes. Hoje, 57% desses investimentos se voltam para o mercado externo, para “bens exportáveis”.

*E mail: at@attglobal.net

25/11/2008 - 09:18h Investimento externo bate recorde histórico

Apesar da crise, recursos para o setor produtivo têm saldo de US$ 3,9 bi em outubro e sobem para US$ 34,7 bi no ano

 

 

http://oglobo.globo.com/fotos/2007/03/09/09_MHG_ECO_DOLAR.jpg

Patrícia Duarte e Eliane Oliveira – O Globo

 

 

BRASÍLIA. A crise internacional não afetou as contas externas do Brasil quando se olha para os investimentos estrangeiros diretos (IED), ligados ao setor produtivo, e que bateram recorde histórico em outubro. Mas o baque ficou evidente no mercado de ações e títulos e nos indicadores de rolagem de dívidas.
Segundo dados do Banco Central (BC), o IED fechou o mês passado com saldo positivo de US$ 3,913 bilhões, acumulando em 2008 US$ 34,747 bilhões, acima de todos os resultados de anos fechados. O recorde anterior era de 2007, com US$ 34,585 bilhões, e alguns analistas do mercado já acreditam que deve ficar próximo dos US$ 40 bilhões no fim deste ano.

— São recursos (investimentos diretos) que vêm para longo prazo, com planejamento de seis meses. É a crença nos fundamentos da economia brasileira — disse o chefe do departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
Por enquanto, a autoridade monetária mantém a projeção de que o IED encerre o ano a US$ 35 bilhões, mas Lopes já admite que vai revisá-la para cima. Em novembro, até ontem, as entradas líquidas desses investimentos chegavam a US$ 2,35 bilhões, e devem fechar o mês em US$ 2,8 bilhões.
Os investimentos estão pulverizados por diversos setores, com destaque para o de serviços.
Já os investimentos financeiros fizeram o caminho inverso em outubro, mas começam a dar sinais de acomodação em novembro. Com ações, por exemplo, as saídas líquidas ficaram em US$ 6,065 bilhões em outubro, e com títulos de renda fixa, em US$ 1,810 bilhão. Os investidores saíram do mercado brasileiro para cobrir prejuízos em outros mercados ou para buscar aplicações de menor risco.
Em novembro, até ontem, as saídas mostravam menos força: com ações, eram de US$ 890 milhões e com renda fixa, de US$ 604 milhões, de acordo com os dados do BC.

Mercado consegue renovar dívidas

O cenário menos nebuloso, no entanto, não se repete nas rolagens de dívidas. Em outubro, o mercado conseguia girar 126% dos débitos. Ou seja, além de rolar toda a sua divida, ainda conseguia emitir novas. Mas, em novembro até ontem, essa taxa havia despencado para apenas 18%. Segundo Lopes, houve uma grande concentração de vencimentos neste período e, por causa da crise internacional, os investidores tiveram muito mais dificuldade para se refinanciar, como custos elevados.
A conta financeira integra o balanço de pagamentos. A outra rubrica deste indicador são as transações correntes — operações de comércio e serviços do país feitas com o exterior. Elas fecharam com saldo negativo menor em outubro, de US$ 1,507 bilhão. A causa principal foi a redução do ritmo das remessas de lucros e dividendos, que somaram US$ 1,813 bilhão, 47,24% menos do que em setembro.
Esse recuo continua e a conta deve fechar novembro com saldo negativo de US$ 500 milhões nas transações correntes.
Já a balança comercial teve déficit de US$ 318 milhões na semana passada, como resultado de US$ 3,355 bilhões em exportações e US$ 3,673 bilhões em importações. Foi o pior saldo semanal do ano, só perdendo para a quarta semana de agosto (US$ 840 milhões). Em cinco dias, a média exportada foi de US$ 671 milhões, um dos níveis mais baixos da história.

24/09/2008 - 09:10h Pigs e Brics: confronto de siglas no debate da crise

http://ruvr.ru/files/Image/portuguese_service/Jonas/ONU_ORGANIZACOES/bric-big.jpghttp://bkmarcus.com/blog/images/stories/3pigs/BigBadWolfHead.jpgPaíses da Europa mais ameaçados de recessão (Portugal, Itália, Grécia e Espanha) são o contraponto aos maiores emergentes em evento londrino

Daniela Milanese, O Estado de São Paulo – LONDRES

Um novo confronto de siglas caracteriza o atual ambiente global, transformado pela crise que atingiu as maiores economias do mundo. Enquanto os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) continuam a ser apontados como os condutores do crescimento mundial, agora na Europa a expressão Pigs (porcos, em inglês) vem cunhar a posição menos favorecida de Portugal, Itália, Grécia e Espanha.

“Brics soa bem, mas Pigs, não”, disse o vice-presidente sênior do The Economist Group, Daniel Thorniley, durante o evento “Emerging Markets Summit 2008″, realizado ontem em Londres.

A referência aos principais emergentes do mundo, criada pelo executivo do Goldman Sachs Jim O’Neill em 2001, faz alusão a “brick” – tijolo em inglês. Já a sigla Pigs começou a ser usada pela mídia internacional para caracterizar os países europeus próximos da recessão.

Ao aparecer na coluna “Lex” do Financial Times no início do mês, o termo chegou a irritar o ministro de Economia português, Manuel Pinho. Polêmica à parte, a percepção de executivos e especialistas é de que agora a busca por oportunidades mais lucrativas de crescimento a longo prazo ganhará mais intensidade. Nesse contexto, a adoção de estratégias adequadas aos mercados emergentes recebe importância renovada.

“As empresas alemãs não estão investindo na Alemanha porque não há confiança”, disse Thorniley, ressaltando que a inflação afetou o poder de compra da população. Por isso, ele acredita que os emergentes, onde há mercado consumidor, são mais atraentes.

“Os executivos estrangeiros reconhecem que, se quiserem elevar seus lucros, não será em seus mercados domésticos”, disse o diretor Danny Lopez, da UK Trade & Investment (UKTI), órgão do governo britânico.

Para os especialistas, será difícil ver todos os países em desenvolvimento passarem pela crise externa sem arranhão. O crédito mais apertado deve limitar a capacidade de investimentos das empresas e o dinheiro não vai fluir como antes.

Porém, a avaliação positiva dos emergentes ainda prevalece – tanto que o evento em Londres reuniu mais de 200 participantes, que ouviram executivos de primeira linha contarem as estratégias de vendas e recursos humanos mundo afora, com poucas menções à palavra “crise”. “O Lehman Brothers e a AIG não terão impacto sobre São Paulo”, disse Lopez.

Para Jim O’Neill – que como “pai” dos Brics continua entusiasta -, o crescimento econômico global virá cada vez mais desses países. “Entre eles, acho que o Brasil é hoje o mais interessante, pois está conseguindo passar por anos de estabilidade depois de anos de caos.”

Os Brics vão continuar dominando o fluxo de investimentos nos mercados emergentes. Além disso, os empresários começam a buscar outras regiões desses países para expandir os negócios, conforme aponta pesquisa realizada pela UKTI e pela Economist Intelligence Unit (EIU). “Os executivos querem não só continuar investindo nos Brics como aprofundar esses aportes”, disse Danny Lopez ao Estado.

Realizado em agosto, o levantamento consultou 561 companhias de 19 setores pelo mundo. Perto de dois terços, ou 63%, acreditam que a força econômica dos emergentes vai contrabalançar o impacto da desaceleração da Europa e América do Norte. Dessa forma, a receita produzida nos países em desenvolvimento deve passar de 29% para 38% em três anos. Além disso, 34% afirmaram que sua empresa entrará em três ou mais novos emergentes no período de cinco anos.

Apesar de a pesquisa ter sido feita antes do agravamento da crise, com o colapso do Lehman Brothers e a venda do Merrill Lynch ao Bank of America, Lopez avalia que a confiança nos emergentes não mudou. Ao contrário, a turbulência aumenta a necessidade de buscar investimentos mais lucrativos.

No levantamento, 29% disseram que o Brasil é um mercado prioritário para expansão. O porcentual é mais elevado para os outros Brics: a China é considerada prioridade para 49% dos entrevistados, seguida pela Índia (42%) e Rússia (33%).

A EIU estima que o investimento externo direto (IED) na China vai somar US$ 87 bilhões nos próximos cinco anos, em média. Para o Brasil, a previsão é de US$ 31 bilhões, nível similar ao atual. A Rússia deve sofrer com o aumento do risco e pode ver o investimento cair de US$ 52 bilhões neste ano para US$ 44 bilhões no próximo. Já a Índia deve responder pelo maior crescimento anual de IED, passando de US$ 23 bilhões em 2007 para US$ 60 bilhões em 2012.

29/12/2007 - 11:19h Decolou


Celso Ming, celso.ming@grupoestado.com.br

O presidente Lula talvez tenha exagerado quando disse que 2007 foi o melhor ano econômico da história econômica do Brasil. Mas não dá para negar, há o que comemorar.

Esta é apenas uma lista limitada de fatos que poderão ser tomados como linhas divisórias entre antes e depois.
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