07/11/2008 - 10:19h Indústria tem expansão em todas as regiões em setembro

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Jacqueline Farid, RIO - O Estado SP

Os resultados regionais da indústria confirmaram o bom desempenho do setor em setembro, ainda distante dos efeitos da crise. Houve aumento na produção, em comparação a igual mês do ano passado, em todos os 14 locais pesquisados pelo IBGE. A indústria de São Paulo prosseguiu como principal impacto positivo, em todas as bases de comparação.

O economista da coordenação de indústria do IBGE André Macedo disse que as regiões que registraram as maiores altas na produção em setembro são também aquelas com maior destaque em segmentos que têm liderado a expansão industrial, como bens de capital e bens de consumo duráveis, sobretudo automóveis.

Em análise divulgada ontem, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), observa que os dados permitem antecipar que os principais centros industriais, como São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul, poderão enfrentar problemas sérios de crescimento nos próximos meses. “O dinamismo da produção está marcado pelo desempenho dos setores de bens de capital e bens duráveis, notadamente pelos segmentos de máquinas e equipamentos e veículos automotores”, diz o documento do Iedi.

Estes segmentos, prevêem os técnicos do instituto, devem sentir de forma mais intensa a desaceleração, “seja pelo problema do crédito ou pela queda dos investimentos decorrente das expectativas francamente negativas dos empresários”.

Os destaques de expansão em setembro, comparativamente a igual mês do ano passado, com resultados acima da média nacional (9,8%) foram o Espírito Santo (16,5%), Rio Grande do Sul (15,7%), Paraná (14,4%), Amazonas (13,7%) e Bahia (10,9%). A indústria paulista cresceu abaixo da média (8,1%) nesse confronto mas, segundo Macedo, há uma elevada base de comparação do ano passado na região e, além disso, pelo peso de São Paulo - cerca de 40% da produção nacional - o Estado permanece como principal impacto no resultado nacional.

SÃO PAULO

Em São Paulo, na comparação com setembro do ano passado, 16 dos 20 setores contribuíram positivamente na formação da taxa global. Os principais destaques foram: veículos automotores (18,5%), máquinas e equipamentos (16,8%), farmacêutica (21,5%) e outros equipamentos de transporte (50,8%). Em sentido contrário, as pressões negativas mais importantes vieram de outros produtos químicos (-10,2%) e alimentos (-4%).

Ainda em setembro, na comparação com agosto, a pesquisa mostrou que sete das 14 regiões registraram aumento na produção. Segundo Macedo, os locais que mostraram expansão são também aqueles com maior peso na produção nacional e, por isso, garantiram o crescimento de 1,7% na indústria nessa base de comparação, segundo divulgou o IBGE na terça-feira.

04/11/2008 - 15:59h O cinismo macabro da oposição

por Rui Falcão*

rui_falcao.jpgDesde que a crise financeira internacional se agravou, a partir de 15 de setembro, quando da falência do banco Lehmann Brothers, o governo brasileiro reagiu prontamente. Várias medidas foram adotadas com vistas a reduzir o seu impacto sobre a economia nacional, de que são exemplo as sucessivas disposições do Banco Central destinadas a melhorar a liquidez do sistema bancário. Na avaliação dos setores diretamente atingidos, as medidas foram consideradas como pertinentes e oportunas, e o governo brasileiro foi elogiado por toda parte - como se pode ler em jornais como Wall Street Journal e Financial Times e na revista The Economist –, pela presteza e determinação com que respondeu, pois, em se tratando de crise sistêmica, também o desempenho do Brasil, ainda que modesto, pode influir em algum grau para evitar que a recessão mundial se converta em depressão.

De fato, o BC do Brasil foi um dos primeiros bancos centrais a injetar dinheiro no mercado, no caso US$ 30 bilhões inicialmente, para desobstruir os canais da liquidez, prover crédito ao sistema bancário e irrigar a produção, a exemplo do que as autoridades monetárias e fiscais fizeram em outros países.

No geral, as medidas foram saudadas com entusiasmo pelo setor industrial.

A “Carta do Iedi” - como é conhecido o boletim semanal do Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial, entidade que reúne um grupo seleto de indústrias brasileiras – assim comentou as medidas: “Parecem ter sido adequadas e oportunas as sucessivas medidas do Banco Central para melhorar a liquidez…”. E ainda: “No crédito para a agricultura, o governo adotou medidas prontas e adequadas…”. É verdade também que a “Carta do Iedi” faz alguns reparos: “ Ter demorado a intervir no câmbio (o Banco Central só passou a agir após o dólar ter alcançado a cotação de quase R$ 2,50) redundou em pontos adversos…”, para as empresas exportadoras.

Assim como a indústria, o sistema bancário – que é a outra parte diretamente atingida pelas medidas do BC – também reagiu positivamente, como pôde observar-se pela declaração do presidente do Bradesco, Márcio Cipriani, em resposta a uma pergunta sobre a autorização do governo a bancos públicos para adquirirem bancos privados: “É um instrumento para o governo agir se necessário, mas não acredito que a medida vai ser implementada, pois o setor está bastante sólido”. Juntam-se ao coro de vozes anuentes os sindicatos de trabalhadores, que viram na firme decisão do governo de manter o nível de atividades a confirmação da tendência ao crescimento do emprego.

Toda essa longa introdução para dizer ao leitor o seguinte. Se pretende estar informado sobre a qualidade da conduta atual do governo no manejo dos instrumentos de política econômica, recomenda-se que, além de ir buscar diretamente nas fontes, vá ao Diário Oficial da União, pois a grande mídia se tem prestado unicamente a confundir a opinião pública com o propósito de desqualificar a ação das autoridades econômicas.

A estratégia de desmoralização consiste em fazer alusões ligeiras e claudicantes sobre as medidas, transcrever declarações oficiais fora de contexto, imputar às autoridades supostas afirmações, para, no dia seguinte, anunciar que essas mesmas autoridades voltaram atrás – tudo com o propósito de caracterizar a ação da autoridade como omissa, vacilante, incapaz, insegura, atabalhoada, leviana e contraditória. Intenta-se assim envolver a sociedade num clima artificial de desconfiança e incerteza, o que somente contribui para desestimular ainda mais consumidores e produtores e infirmar a capacidade política do Estado de intervir positivamente para prevenir o pior.

A grande mídia, açulada pela oposição, não se conforma em ver o Brasil do governo Lula preparado para enfrentar a crise, motivo por que seria impossível infligir-lhe, como gostaria, a pecha da imprevidência, do despreparo e da irresponsabilidade. Desde 15 de setembro, um jornal da capital paulista exige reiteradamente, em editorial, a destituição do ministro da Fazenda, por “incompetência”, o mesmo ministro que zela pela solidez dos fundamentos macroeconômicos, mais sólidos do que nunca; o mesmo ministro que lançou a idéia do fundo soberano, agora aclamado pelo setor produtivo e financeiro como de utilidade inestimável. Por isso, e para a infelicidade dos inconformados do “terceiro turno”, o projeto conduzido pelo governo Lula muito dificilmente irá naufragar, no que depender de sua responsabilidade.

Contrariam-se assim as expectativas da oposição, associada à grande mídia, que, incapaz de oferecer uma proposta alternativa de governo, há seis anos espera que Lula seja abatido por si próprio ou por uma eventual crise. Para ambas - que se dão as mãos na prática do oportunismo político -, parece não haver outra possibilidade de desqualificar o governo senão uma “vitória” caída do céu – uma crise de proporções alarmantes que se abatesse sobre o País e fizesse Lula e seu partido baterem em retirada, desmoralizados na sua suposta “incompetência e gastança”, nos termos de um editorial divulgado na semana passada.

Um tal oportunismo encontra-se estampado, por exemplo, em página de jornal onde, ao mesmo tempo em que se celebra a decisão do governo Serra de manter os investimentos previstos para o Estado de São Paulo, denuncia-se a “leviandade” do governo Lula em manter os investimentos federais no PAC. E assim por diante. Total desfaçatez e absoluta ausência de princípios.

Nessa empreitada, alucinada pela frustração e pela impotência, oposição e grande mídia não se dão conta do ridículo a que se expõem – e ao Brasil também - aos olhos do mundo todo, ao pleitearam para o País, com a sua falta retórica, a adoção de medidas contracionistas, rejeitadas liminarmente por todos os países desenvolvidos, sem exceção; por todos os países emergentes, sem exceção; e por todos os organismos multilaterais, sem exceção, quais sejam, medidas que venham a contribuir para lançar a economia mundial numa depressão. A retórica da mídia e da oposição brasileira, mundialmente isolada no extremo do espectro ultraliberal, torce pelo pior e exige do Brasil de Lula que dê um tiro no próprio pé, arrastando no torvelinho a economia de outros países, apenas para a complacência criminosa dos que sonham com desacreditar o governo. Isso lembra a apologia do cinismo, num episódio de Machado de Assis, no qual um bêbado tresloucado festeja a tragédia humana de um grande incêndio domiciliar, por lhe ter propiciado a oportunidade de colher uma brasa para acender o charuto.

Inspirados no mesmo cinismo macabro, os editoriais, em vitupérios, clamam ao governo para que contenha o gasto público, reduza os investimentos e segure a demanda, enquanto o mundo todo é exortado a tomar a direção oposta, para se evitar uma hecatombe. Assim, por exemplo, o presidente Myungbak Lee, da Coréia do Sul, na esteira do que propõem a totalidade dos países desenvolvidos, apoiado pela imprensa local anuncia o lançamento de um conjunto de medidas fiscais com vistas a conter a queda do nível de atividade e conclama os consumidores a que não deixem de comprar.

Na mesma linha, a chanceler Ângela Merkel, da Alemanha, propõe ao Banco Mundial que lance um programa internacional de investimentos, dirigido especialmente aos países emergentes, afim de reduzir os efeitos da crise financeira. “Temos de impulsionar os investimentos em escala internacional”, declarou Merkel.

Imbuído do mesmo propósito, o diretor-gerente do ultraconsevador FMI, Dominique Strauss-Kahn, escreve: “A crise financeira criou uma forte queda na demanda…Expansões fiscais são sempre arriscadas, já que aumentam a dívida (pública)…, mas dadas as circunstâncias em que nos encontramos, os benefícios dessa expansão excedem os custos em países com dívidas saudáveis”. Em outras, palavras, é hora de os governos gastarem, até mais do que poderiam, em investimentos e programas que estimulem o consumo, a geração de renda e a criação de empregos.

As mesmas recomendações, já adotas ou previstas pela administração Lula, ouvem-se por toda parte – e, dentre as mais abalizadas, estão as do economista Paul Krugman, recém-laureado com o Prêmio Nobel de Economia, que, em artigo intitulado “É hora de gastar”, publicado no New York Times, escreve: “´É recomendável agora fornecer à economia o apoio de que ela precisa. Não está na hora de nos preocuparmos com o déficit”. Mas importante agora é o governo agir na direção oposta à da lógica privada - que se retrai por cautela e insegurança -, e passe a estimular os investimentos. Ou, como afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Base, Paulo Godoy, juntamente com os dirigentes do Iedi, “é hora de o governo orientar o crédito para os grandes projetos de infra-estrutura, nas áreas de energia, estradas e ferrovias, além de petróleo e gás”.

Sobre a suposta “gastança”, sugere-se aos interessados em saber da realidade irem às fontes, às contas nacionais, ao Tesouro, ao Banco Central. Aí se poderá verificar que poucos países no mundo se encontram em posição tão sólida como Brasil, ainda que não imune aos efeitos de grandes borrascas. Quem se der ao trabalho irá verificar que, enquanto a União Européia estabelece, para tempos normais, um déficit nominal como proporção do PIB de 3%, o Brasil apresenta um déficit/PIB de 0,58%, ou cinco vezes menor.

Quanto ao superávit primário – que é a parte da receita governamental reservada para o pagamento dos juros da dívida -, observa-se que em 2008 atingiu 5,8%, tendo superado a meta fiscal de 4,24%; que, nos primeiros oito meses do ano, o governo reduziu as despesas correntes a 24,3% do PIB, em comparação com 25,3% em igual período do ano passado; que com pessoal e encargos, o governo gastou 4,37% do PIB de janeiro a agosto, menos do que os 4,45% despendidos no ano passado; que, em suma, o governo tem feito a sua parte de maneira operosa e adequada, ciente da necessidade de se estimular os investimentos públicos e privados, principalmente nesta hora.

Desde a Grande Depressão de 1929, essa é a única maneira conhecida de se fazer frente às crises de realização do capital – e o governo do presidente Lula ficará na história pela maneira lúcida e resoluta com que terá sabido debelar a atual. A mídia e a oposição que busquem outra.

Rui Falcão, 64 anos, advogado e jornalista, é deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores. Foi deputado federal, presidente do PT e secretário de governo na gestão no governo Marta Suplicy.

11/09/2008 - 10:06h Consumo das famílias tem expansão de 6,7% no 2º tri

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Aumento da massa salarial e do crédito alimenta crescimento pelo 19º trimestre

Analistas esperam desaceleração do consumo só a partir dos últimos três meses do ano, com efeito da alta dos juros pelo BC

FOLHA SP

O consumo das famílias se manteve aquecido e registrou alta de 6,7% no segundo trimestre em relação a igual período do ano passado. Esse é o 19º trimestre seguido de expansão nessa base de comparação. Segundo analistas, a perspectiva é que nos próximos trimestres o consumo já comece a dar sinais de desaceleração por conta da alta de juros promovida pelo Banco Central desde maio.

Em relação ao primeiro trimestre, a alta no consumo das famílias foi de 1%.

“O consumo tem se mantido em ritmo acelerado desde o ano passado. Ele está crescendo acima do PIB”, afirma Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE.

Para o instituto, a expansão do consumo foi motivada principalmente pelo aumento da massa salarial.

No segundo trimestre, a massa salarial dos brasileiros teve alta de 8,1%. Além disso, o crédito farto e os prazos longos de pagamento dos empréstimos contribuíram para a expansão.

Houve crescimento de 32,9% no saldo de operações de crédito com recursos livres para pessoas físicas.

No primeiro semestre, o consumo das famílias registrou alta de 6,7%. Na avaliação do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), os dados mostram que o consumo “conserva uma evolução que, sem ser explosiva, é alimentadora das decisões de investimento dos empresários”.

Para o instituto, ligado à indústria, o ritmo de crescimento do país é equilibrado e os resultados desmentem a tese de que a economia brasileira poderia estar em um processo perigoso de aceleração, que levaria a uma ameaça do controle da inflação e justificaria forte alta nos juros.

No fim do ano passado, o ritmo mais acelerado de crescimento do consumo das famílias levou o Banco Central a se preocupar com a possibilidade de um superaquecimento da economia. No quarto trimestre de 2007, o consumo teve alta de 8,6% em relação a igual período do ano passado. No primeiro trimestre, a alta foi de 6,6%. Desde maio, o BC tem promovido elevações na taxa básica de juros.

Desaceleração

Para Carlos Thadeu de Freitas, economista da CNC (Confederação Nacional do Comércio) e ex-diretor do BC, mesmo com a perspectiva de desaceleração no consumo no final do ano, a tendência é de um crescimento da economia de pouco mais de 5% neste ano.

“Não dá mais tempo de ter uma desaceleração significativa neste ano”, disse.

Para o próximo ano, com a continuidade da política de elevação dos juros do BC, Freitas prevê uma desaceleração para 3,5% a 4%. “O aumento dos juros que o BC está promovendo não surtiu efeito ainda, mas esse cenário não deverá continuar assim no próximo ano”, disse.

Segundo Freitas, existem sinais de desaceleração na ponta no comércio, além dos efeitos de um menor crescimento da economia mundial.

Segundo Braulio Borges, economista da LCA, as vendas de veículos já começam a dar sinais de arrefecimento em agosto. “No quarto trimestre, já começa a haver impacto da política de juros, que leva normalmente de seis a nove meses para começar a influenciar o nível de atividade. Deverá ser o pior momento para a economia neste ano”, disse.

Para Borges, ainda é difícil mensurar o impacto da desaceleração da economia mundial, mas os efeitos deverão ser percebidos primeiro nas exportações e depois no consumo.

03/09/2008 - 09:32h Indústria cresce 8,5% e IBGE diz que juro ainda não fez efeito


Expansão em relação a 2007 mostra que política monetária não conseguiu frear a demanda

Jacqueline Farid - O Estado de São Paulo

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A indústria iniciou o segundo semestre imune à alta dos juros e cresceu 1% em julho ante junho e 8,5% em relação a igual mês do ano passado. Para o coordenador de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Silvio Sales, os resultados confirmam que a demanda interna continua aquecida e o setor deixou para trás o quadro de estabilidade, elevando o ritmo de crescimento.

Os dados mostraram que as importações estão afetando negativamente a produção de bens de consumo duráveis (sobretudo eletrodomésticos), enquanto os investimentos prosseguem em expansão.

Segundo Sales, a alta dos juros iniciada em abril ainda não teve efeito sobre a produção industrial. “Os efeitos dos juros chegariam antes no varejo e isso não apareceu até o momento.” Ele observou que, na indústria, os juros afetariam primeiro as decisões de investimentos, e os robustos dados de bens de capital mostram que isso não ocorreu. De janeiro a julho, o aumento da produção industrial é de 6,6% e, nos 12 meses encerrados em julho, chegou a 6,8%.

A produção de bens de capital aumentou 1,2% ante junho e 22,3% na comparação com julho de 2007, mantendo o perfil de expansão acima da média industrial. De acordo com Sales, não há sinal de arrefecimento da demanda doméstica - um dos objetivos da política monetária - nos dados da indústria.

Ele destacou a inclusão dos bens intermediários na liderança da expansão da produção industrial. Esses bens respondem por 60% da estrutura industrial e vinham apresentado resultados modestos mas, houve um ganho de ritmo na categoria em julho, com expansão de 1,1% ante junho e de 7,5% ante o mesmo período de 2007.

Segundo o coordenador do IBGE, ainda que estejam muito vinculados às exportações, pois incluem commodities como minério de ferro, os intermediários estão sendo puxados pelo mercado interno, sobretudo pelos insumos para construção civil e agricultura.

A avaliação de desempenho vigoroso da indústria é compartilhada por analistas. Para o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, os dados indicam “expansão ainda vigorosa da produção neste começo de segundo semestre”. Segundo ele, “a expectativa de desaceleração que parecia se configurar no começo de 2008 diminuiu” e a indústria voltou a crescer.

O consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Sérgio Gomes de Almeida, destaca a “qualidade” do desempenho industrial. Ele ressalta o resultado de bens de capital, categoria que acumula alta de 18,1% em 2008. “Melhor composição para o crescimento da indústria, impossível, pois a dianteira de máquinas e equipamentos é o que, após um período de três a seis meses, irá gerar a capacidade de produção adicional que a economia precisará para acomodar sem inflação o crescimento da demanda.”

Claudia Oshiro, da Tendências Consultoria, diz que os dados mostram que “a composição do crescimento é positiva, uma vez que a expansão da produção e das importações de bens de capital representam aumento de investimento e, conseqüentemente, ampliam a capacidade produtiva”.

A produção de bens de consumo duráveis (automóveis, eletrodomésticos) teve significativo recuo em julho (-5,2% ante junho), mas nem isso é avaliado como tendência negativa por Silvio Sales. Segundo ele, o resultado “devolve” a expansão de 7% de junho ante maio e está muito mais relacionada ao aumento das importações do que à diminuição da demanda.

“No caso dos duráveis, é preciso olhar para o varejo, não há arrefecimento da demanda.” As importações de duráveis cresceram, em dólar, 78% em julho ante igual mês de 2007. Segundo Sales, não há tendência de queda na produção desses bens.

25/08/2008 - 11:19h O centro não é a nova estatal

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Ribamar Oliveira, O Estado de São Paulo

email: ribamar.oliveira@grupoestado.com.br

A partir de 2010, o Brasil se tornará exportador de petróleo - um feito inimaginável uma década atrás. É importante observar que o País alcançará o status de exportador de petróleo antes mesmo de explorar as enormes reservas da camada do pré-sal. Sem contar o pré-sal, a Petrobrás vai produzir cerca de 2,8 milhões de barris de óleo condensado por dia em 2015, segundo estimativa da empresa.

Como a demanda brasileira prevista para 2015 é de 2,3 milhões de barris de óleo ao dia, a estatal poderá vender ao exterior 500 mil barris por dia de petróleo, ou algo como 18% de sua produção total. Estimando que o preço do barril de petróleo de longo prazo fique em torno de US$ 100, o excedente exportável pela Petrobrás permitirá uma receita anual de cerca de US$ 18 bilhões, o que elevará o superávit comercial do País e ajudará a valorizar o real.

Essa realidade será potencializada com o início da exploração comercial da camada do pré-sal, onde os especialistas do mercado estimam existir algo entre 50 bilhões e 70 bilhões de barris de petróleo. Para se ter uma idéia do que isso significa, as reservas atuais do Brasil estão em torno de 14 bilhões de barris equivalentes (óleo e gás). Se as estimativas se confirmarem, o País passará a ocupar uma posição de destaque entre os 10 maiores produtores de petróleo do mundo.

Somente o campo de Tupi, onde a Petrobrás já dimensionou reservas de 5 bilhões a 8 bilhões de barris, produzirá cerca de um milhão de barris de óleo por dia, antes do final da próxima década. Em Tupi, a Petrobrás planeja instalar 11 plataformas com capacidade para produzir 100 mil barris diários cada uma. Por isso, a receita do Brasil com o petróleo poderá ser acrescida em US$ 50 bilhões ao ano ainda na próxima década.

Os economistas costumam falar da “maldição do petróleo” e de “doença holandesa” quando se referem aos efeitos negativos que as receitas dos recursos naturais podem ter sobre toda a economia de um país. Na década de 1970, o preço do gás natural apresentou substancial elevação. Como era um grande produtor de gás, a Holanda viu suas receitas aumentarem muito, o que provocou forte valorização da moeda local (na época, o florim). A valorização cambial afetou as outras exportações holandesas, pois os seus produtos perderam competitividade.

O petróleo também é chamado de “maldito” porque os grandes produtores mundiais nunca conseguiram desenvolver as suas indústrias, nem mesmo aquela relacionada à atividade. O risco que o Brasil corre, portanto, é de que as grandes receitas com o petróleo resultantes da exploração da camada do pré-sal valorizem o real e, com isso, as demais atividades industriais sejam desestimuladas. O medo é que ocorra uma desindustrialização do País.

Mas a “doença holandesa” não é uma fatalidade para os países ricos em recursos naturais. Ela pode ser evitada, como mostrou a Noruega. O governo brasileiro namora o modelo norueguês de exploração de petróleo, que usa uma empresa 100% estatal para administrar os recursos de suas reservas. Aquele país também tem uma empresa de economia mista (a Statoil), nos moldes da Petrobrás. O debate no Brasil passou a ser em torno da criação de uma empresa estatal, quando isso não é o mais importante.

Depois que descobriu as imensas reservas do mar do Norte, a Noruega conseguiu desenvolver sua indústria ligada ao petróleo, com base na proteção governamental aos setores industriais domésticos responsáveis pelo fornecimento de equipamentos, como mostrou a série de reportagens do jornalista Sérgio Gobetti, publicada pelo Estado.

O governo da Noruega obrigou os operadores privados dos campos de petróleo a usar fornecedores noruegueses de equipamentos nas diversas fases de desenvolvimento e produção. Uma pequena ilha habitada por pescadores descendentes de vikings, chamada de Fosnavag, tornou-se um dos principais centros de construção de navios e embarcações usadas na extração de petróleo.

É essa questão que deve estar no centro do debate em torno das reservas de petróleo do pré-sal. O desafio brasileiro é desenvolver a sua indústria ligada ao petróleo. “O Brasil precisa fortalecer sua indústria naval e de equipamentos para a exploração do petróleo, ao mesmo tempo em que amplia a sua capacidade de refino”, sintetizou o economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e atual consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

A produção de embarcações, de sondas e demais equipamentos para a exploração e refino de petróleo vai dar um impulso considerável, lembrou Gomes de Almeida, à indústria siderúrgica brasileira e à indústria de bens de capital. Segundo ele, o Iedi vai apresentar sugestões ao governo. “É preciso reabrir a discussão sobre a política industrial, na perspectiva de exploração do pré-sal”, defendeu.

Para ele, o governo precisa oferecer apoio financeiro aos empreendimentos por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e conceder incentivos fiscais, que possam atrair os investidores estrangeiros. “A política para a indústria do petróleo precisa se antecipar a qualquer decisão sobre o pré-sal”, aconselhou.

12/08/2008 - 09:27h Produtividade sobe e contém impacto de custos na indústria

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Cibelle Bouças, VALOR

A produtividade do trabalho na indústria aumentou 4,11% no acumulado de 12 meses até junho, pouco abaixo do ganho apurado no intervalo de 12 meses até maio (de 4,27%), mas ainda próximo do ganho médio de 4,16% observado no ano de 2007. O ganho é resultado do incremento de 6,71% na produção e de 2,5% no total de horas trabalhadas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação entre semestres, no entanto, o crescimento foi um pouco menor, confirmando a tendência de acomodação da produtividade do trabalho na indústria. Entre janeiro o junho, a taxa de expansão foi de 3,51%, mesmo índice apurado em igual intervalo de 2007. No segundo semestre do ano passado, o aumento foi mais expressivo, de 5,78%. Para economistas, o ganho de eficiência pode ajudar a ‘amortecer’ o impacto do aumento nos custos industriais, contribuindo no processo de desaceleração da inflação no segundo semestre.

“O aumento da produtividade está menor, mas ainda é suficiente para incorporar ajustes de salário que devem ocorrer no segundo semestre em função das subidas de preço”, afirma o professor da Unicamp Edgard Pereira, da consultoria Edgard Pereira & Associados. Para o economista, os ganhos de produtividade devem apresentar alguma desaceleração no segundo semestre, por conta das estimativas de desaceleração na taxa de expansão da produção industrial. “É possível que o aumento da produtividade tenha alcançado o seu pico no primeiro semestre.”

Júlio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), tem previsão mais otimista. Ele observa que o crescimento de 3,5% no semestre ocorreu com um incremento significativo no número de horas pagas (de 2,67%, ante 1,3% no mesmo intervalo do ano passado). “O ritmo de crescimento do emprego e das horas trabalhadas foi especialmente alto e não deve se manter nesses patamares nos próximos meses”, diz. Para Almeida, mesmo com a previsão de expansão menor da produção industrial, o índice de produtividade deverá melhorar no segundo semestre, encerrando o ano numa faixa mais próxima de 4%. No primeiro semestre, a produção industrial cresceu 6,3% e a projeção do Banco Central para o ano é de um incremento de 5,5% sobre 2007.

O consultor do Iedi observa que o setor industrial tem conseguido manter o ganho médio de produtividade acima de 3% ao ano desde 2004, o que contribui para o crescimento sustentável do setor no longo prazo. Conforme Almeida, ganhos acima de três pontos percentuais por ano permitem que a indústria se proteja parcialmente contra a valorização cambial. “Os custos empresariais estão aumentando muito, tanto salários como matérias-primas. Esse ganho ajuda a dirimir a alta de custos e o repasse de preços ao restante da cadeia.”

Se for convertido em ganho de rentabilidade, o aumento da produtividade também poderia permitir fluxo de caixa para investimentos em capacidade industrial, observa Fernando Sarti, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ele ressalva que, nos últimos anos, as indústrias não capitalizaram todo o ganho de produtividade que tiveram. Boa parte foi repassada ao setor público, via tributos, ao setor financeiro via juros e ao setor externo, por conta da valorização cambial. “Seria ótimo se o ganho de eficiência não ficasse restrito à contenção de custos, mas gerasse recursos para investimentos”, afirma. Os possíveis efeitos do ganho de produtividade serão considerados pelo governo para mudanças ou manutenção da atual política monetária, observa. “De toda forma, o aumento da produtividade associado a um incremento no nível de emprego é extremamente positivo.”

No primeiro semestre, os setores que apresentaram maior ganho de produtividade com aumento do total de horas trabalhadas foram o de materiais de transporte (que registrou alta de 12,06% em horas pagas e de 7,64% em produtividade), borracha e plástico (com ganho de 2,98% em horas pagas e 5,81% em produtividade) e minerais não-metálicos, com altas de 2,15% e 5,53%, respectivamente. Outros segmentos seguiram ampliando a produtividade à custa da redução no total de horas pagas. É o caso das indústrias de fumo, têxtil, vestuário, calçados e couro, madeira, papel e gráfica. “Os setores mais afetados pelo real valorizado frente ao dólar e pela concorrência com importados mantêm a trajetória de redução do emprego”, observa Pereira.

No semestre, o indicador do emprego industrial registrou incremento de 2,8%. Dos 17 segmentos da indústria de transformação, 11 apresentaram crescimento, destacando-se máquinas e equipamentos (12,6%), meios de transporte (10,8%) e máquinas, aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (12,9%). O índice do valor de folha de pagamento real também cresceu no semestre, ficando em 6,5%.

07/08/2008 - 10:00h Governo Lula: indústria de SP cresce 10,3% e bate recorde em junho

Expansão mensal é a maior desde o início da pesquisa do IBGE, em 1991.

1.º semestre foi o melhor desde 2004.

Jacqueline Farid - O Estado de São Paulo

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Impulsionada pela indústria automobilística e pela produção de bens de capital, a indústria paulista atingiu recorde de produção em junho (10,3% em relação ao mesmo mês de 2007) e cresceu 9,8% no primeiro semestre, o maior aumento para o período desde 2004 (10,9%). O recorde mensal anterior em São Paulo, desde o início da série da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1991, havia sido atingido em abril de 2008.

A indústria paulista teve resultados acima da média nacional em junho, mês que mostrou resultados “amplamente positivos” na maior parte das 14 regiões pesquisadas, segundo a economista da Coordenação de Indústria do IBGE, Isabella Nunes. No primeiro semestre, todas as regiões aumentaram a produção.

Em junho, ante igual mês de 2007, nove locais tiveram crescimento. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) também considerou, em relatório, “o quadro bastante positivo”.

Segundo Isabella, o Estado de São Paulo, que responde por cerca de 40% da produção nacional, puxou os resultados do País “por causa do peso, mas também do desempenho da região”. Em junho, ante maio, houve aumento de 2,8% (acima da média nacional de 2,7%, segundo divulgou o IBGE na semana passada) e, em relação a junho do ano passado, de 10,3% (o total nacional foi de 6,6%).

“Em qualquer corte temporal a indústria paulista está acima da média (nacional), porque os segmentos que estão impulsionando o setor industrial no País são muito fortes em São Paulo”, disse a economista.

No primeiro semestre, os principais impactos positivos no resultado da indústria da região foram de veículos automotores (18,3%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (25,1%), máquinas e equipamentos (10,9%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (25,0%) e outros produtos químicos (13,3%). Dos 20 segmentos pesquisados em São Paulo, 17 cresceram no período.

Para o Iedi, a liderança paulista “não é algo negativo, na medida em que a produção desse Estado, dada sua diversidade, estimula as atividades industriais de diferentes setores nos outros locais do País”. Porém, o relatório alerta que “a preocupação surge quando São Paulo começa a aparecer sozinho como fonte de dinamismo da indústria brasileira. E é isso que os dados do IBGE começam a configurar”.

Isabella lembrou que os dados regionais mostram “um quadro predominantemente positivo” e, assim como na indústria paulista, os destaques nas demais regiões ficaram com os locais onde há maior peso dos segmentos que vêm puxando a indústria em geral, como automóveis, bens de capital e commodities exportadoras.

Exemplos dessas influências positivas estão no Espírito Santo (com expansão de 16,1% no semestre), impulsionado pelos segmentos de minério de ferro, metalurgia, petróleo e chocolates, e Minas Gerais (6,6%), com desempenho puxado por minério de ferro e veículos automotores.

NÚMEROS

6,6% foi o crescimento nacional da indústria em junho em relação ao mesmo mês de 2007

9,8% foi a expansão da indústria paulista no primeiro semestre, ante 6,3% da média nacional no mesmo período

40% é a participação da indústria de São Paulo na produção nacional

07/04/2008 - 04:06h Produtividade cresce sem corte de emprego e com aumento de salário

Ganho de eficiência da indústria brasileira foi de 4,2% em 2007, reduzindo o risco de aumento da inflação

Marcelo Rehder - O Estado de São Paulo

A produtividade do trabalho na indústria brasileira vive o que os economistas chamam de um ciclo virtuoso de crescimento. O ciclo começou em 2004 e está se acelerando. No ano passado, a produção por trabalhador nas fábricas cresceu 4,2%, quase o dobro da taxa alcançada em 2006 (2,5%). Esse desempenho reflete o aumento dos investimentos das empresas em máquinas e equipamentos para expandir a produção.

Impulsionada pela expansão de 6% na produção industrial, a evolução da eficiência nas fábricas é considerada virtuosa porque veio acompanhada de crescimento de 2,2% no emprego e de 1,8% nas horas pagas. Ou seja, a produtividade aumentou sem demissões em massa, como ocorria no passado.

A remuneração média da mão-de-obra apresentou aumento real, de 3,1%. O ganho foi menor que o proporcionado pelo avanço da produtividade, o que sinaliza que os aumentos salariais estão sendo concedidos pela indústria sem pressões sobre a inflação.

Os números constam de um levantamento feito pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Indústria (Iedi) com base em dados do IBGE. Eles montam um quadro bem diferente do observado entre meados dos anos 90 e 2003, quando o aumento de produtividade era conseguido a custa da redução do emprego.

“As empresas ficaram mais eficientes e estão repartindo os ganhos com o trabalhador, e isso é muito bom, porque o aumento da renda alimenta a expansão da demanda doméstica”, afirma o economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, assessor do Iedi.

Segundo ele, a maturação dos investimentos em máquinas e equipamentos tem ampliado a capacidade de produção de forma a atender à demanda sem pressões inflacionárias.

“É um crescimento sadio”, avalia Almeida. “A indústria está conseguindo ao mesmo tempo aumentar a capacidade produtiva do País, por meio da modernização e ampliação do parque de máquinas, equipamentos e instalações, e elevar o padrão de vida de milhões de trabalhadores.”

O levantamento do Iedi mostra que o número de setores com aumento simultâneo na produção, nas horas pagas e no emprego ampliou-se no ano passado. De um total de 18 setores pesquisados, oito apresentaram crescimento virtuoso da produtividade, enquanto em 2006 foram apenas cinco.

Nesse grupo está o setor de máquinas e equipamentos, que conseguiu o maior salto de produtividade, de 10,6%. A produção subiu 17,7%, enquanto o número de trabalhadores contratados cresceu 6,9% e as horas pagas aumentaram 6,5%. Um bom exemplo é a Romi, uma grande fabricantes de máquinas, cujo faturamento aumentou 16,1% no ano passado.

Segundo José Carlos Romi, diretor de tecnologia da divisão de máquinas-ferramenta da Romi, o emprego cresceu19,9% (480 novas vagas) e houve aumento de 4,7% nas horas pagas. “Nosso ganho de produtividade foi de 10,9%.” Ele conta que a empresa implementou um programa de investimentos que aumentou em um terço a sua capacidade produtiva e incluiu desembolso de R$ 50,8 milhões só em 2006. Hoje, a Romi tem capacidade para produzir até 4 mil equipamentos por ano.

Puxada pela indústria automobilística, a produtividade na fabricação de meios de transporte aumentou 6,7%. O desempenho é fruto da combinação do aumento de 14,9% na produção física e de 7,7% no emprego.

A SKF, maior fabricante de rolamentos automotivos no País, investiu R$ 50 milhões para dobrar sua produção nos últimos cinco anos. Em 2007, a empresa faturou 30% mais que no ano anterior e ampliou o quadro de pessoal em 10%(70 novas vagas). “Até março, as vendas aumentaram 20% e contratamos mais 23 funcionários”, diz Donizete Santos, presidente da SKF do Brasil.

28/03/2008 - 06:35h Trabalho formal teve em fevereiro o melhor resultado desde 2002, diz IBGE

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Motivos foram avanço da economia, fiscalização e contratação de terceirizados

Mariana Schreiber - O Globo

A taxa de formalidade do mercado de trabalho nas seis principais regiões metropolitanas do país chegou a 54,6% em fevereiro, o melhor resultado desde 2002 (52%), quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) iniciou a nova série da Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Isso significa que, dos 21,1 milhões de trabalhadores brasileiros, 11,5 milhões têm carteira assinada, ou são funcionários públicos ou militares.

Com relação a fevereiro de 2007, o número de postos de trabalho no mês passado cresceu 3,6%, o que representa 732 mil vagas a mais. Dessas, apenas dez mil eram informais.

De acordo com o coordenador da PME, Cimar Azeredo, o avanço da formalização do mercado de trabalho deve-se ao crescimento da economia brasileira, ao aumento da fiscalização que coíbe o trabalho sem carteira assinada e ao aumento da contratação de terceirizados que prestam serviços às empresas.

— Esse aumento da formalidade movimenta ainda mais a economia e acaba gerando mais empregos, pois o trabalhador formal tem mais acesso ao crédito, o que eleva sua capacidade de consumo — disse Azeredo.

Em fevereiro, rendimento e desemprego tiveram alta Em fevereiro, os ocupados ganharam em média R$ 1.189, rendimento 1,1% maior que o de janeiro e 2,5% acima do mesmo mês do ano passado. Júlio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), destacou que a massa real de rendimentos — equivalente ao total de salários dos trabalhadores — subiu 6,6% no primeiro bimestre do ano, na comparação com o mesmo período de 2007, e atingiu R$ 25,2 bilhões.

— A recuperação do rendimento do brasileiro indica que o mercado consumidor interno, principal motor do desenvolvimento da economia em 2007, continuará forte este ano — afirmou.

Já o número de desempregados brasileiros aumentou no mês passado, quando a taxa de desocupação chegou a 8,7%, depois de ter ficado em 8% em janeiro. No entanto, o resultado é o melhor da série histórica para o mês de fevereiro, quando as empresas costumam dispensar trabalhadores temporários contratados no fim do ano anterior.

Para Azeredo, as perspectivas do mercado de trabalho para este ano são boas: — O aumento do desemprego é natural em fevereiro. O importante é que a desocupação começou 2008 em patamar mais baixo do que nos anos anteriores.

De acordo com o coordenador do IBGE, é comum que a taxa de desemprego continue crescendo até abril, quando deve cair, já que, até o momento, segundo ele, nada parece ameaçar a economia brasileira.

26/02/2008 - 08:04h 2007 enfraquece tese da desindustrialização

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Sergio Lamucci - VALOR

O desempenho robusto da indústria em 2007 coloca em xeque a tese de desindustrialização da economia brasileira. Mesmo com a forte valorização do câmbio, o setor cresceu 6% no ano passado - acima do esperado para o conjunto da economia - com destaque para a alta de 19,5% da produção de bens de capital, o que ajuda a explicar a alta projetada de mais de 13% do investimento na construção civil e em máquinas e equipamentos. As estimativas apontam ainda para a continuidade do forte crescimento da produção industrial em janeiro, e as estatísticas já divulgadas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram uma expressiva geração de empregos no segmento no mês passado.

Para alguns analistas, os números sepultam a idéia de que há um processo de desindustrialização em curso, mostrando a vitalidade das empresas do setor. Há quem diga, porém, que uma expansão significativa num ano não invalida a idéia de que a indústria perde importância na economia, com enfraquecimento dos elos produtivos, e que o segmento tende a se especializar em setores produtores de commodities. A forte queda do saldo comercial da indústria seria um sinal preocupante.

O ex-diretor do Banco Central (BC) Alexandre Schwartsman, economista-chefe para a América Latina do ABN Amro, diz que o desempenho de 2007 é sinal inequívoco de que não há processo de desindustrialização no país. “O resultado da produção industrial é clara nesse sentido”, afirma, destacando não apenas a magnitude da expansão como também setores que mostraram maior dinamismo.

Ele nota que, entre os cinco setores com maior expansão, nenhum é produtor de commodities (os segmentos que mais cresceram foram máquinas e equipamentos, veículos automotores, máquinas para escritório e equipamentos de informática, máquinas, aparelhos e materiais elétricos e outros equipamentos de transporte). Todos eles têm conteúdo tecnológico entre médio e alto, afirma ele. Mesmo com o dólar barato, tiveram um crescimento expressivo. As estimativas apontam para um avanço, em janeiro, de 1% a 1,5% da produção em relação a dezembro, na série livre de influências sazonais.

“Enquanto as lideranças empresariais fazem terrorismo, os empresários trabalham e empregam”, diz ele, destacando o avanço do emprego industrial em 2007. Os números do Caged mostram que em 2007 houve um saldo de 395 mil vagas no segmento, 60% a mais do que no anterior. Em janeiro deste ano o cenário continuou positivo: a indústria de transformação gerou 59 mil postos de trabalho, o grande destaque entre os 143 mil mil novos empregos.

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25/02/2008 - 13:42h Emprego vai aumentar para salário mais alto

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Fila para curso professionalisante no Nordeste

Cibelle Bouças - VALOR

O ano de 2008 se inicia com uma reversão no cenário de empregos no país. Em 2007, a expansão no saldo de postos de trabalho concentrou-se em profissões que pagam até dois salários mínimos por mês, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, compilados pela LCA Consultores.

Neste ano, aposta a consultoria, o mercado será mais generoso com profissionais de faixas salariais mais elevadas. Os dados do Caged de janeiro já sinalizaram o início da mudança. No mês, o saldo de novas vagas ficou em 142,9 mil, 0,49% acima do registrado no mesmo mês de 2007. O volume é o maior já registrado na série histórica do Caged para o mês. No acumulado de 12 meses, o incremento foi de 5,96%, com geração líquida de 1,65 milhões de postos de trabalho - outro recorde.

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26/08/2007 - 20:21h A Taxa de emprego dos BRICs cresce a um ritmo superior a dos países da OCDE

Estudo elaborado pela OCDE sobre emprego, publicado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), mostra que o crescimento do emprego nos quatro países chamados Brics (Brasil, China, India e Rússia) atinge taxas bem superiores a dos países mais desenvolvidos.

Carta IEDI nº 274 - O Mercado de Trabalho dos BRICs

As quatro maiores economias em desenvolvimento - Brasil, China, Índia e Rússia, conhecidas como BRICs - vêm ampliando sua importância na economia mundial desde a década de 1990. O peso desse grupo que já responde, atualmente, por mais de 25% do PIB mundial, medido em paridade do poder de compra, deve aumentar ainda mais nos próximos anos, em virtude da rápida e forte expansão, sobretudo, da China e Índia.

 

Como a manutenção de uma trajetória sustentada de crescimento dos BRICs tornou-se crucial para os países da OCDE, com o avanço da globalização e das transações comerciais e financeiras, o comportamento recente do mercado de trabalho nesse grupo de países foi examinado na última edição relatório OECD Employment Outlook.

 

Dada a relevância do funcionamento do mercado de trabalho e de seus avanços em termos da produtividade e qualidade da mão-de-obra para o crescimento econômico, o estudo compara os mercados de trabalho dos BRICs com os da OCDE, procurando indicar áreas que necessitam de aperfeiçoamento.

 

Ressaltando a difícil comparabilidade internacional dos dados de emprego, o estudo mostra que o rápido crescimento econômico dos BRICs no período recente (2000-2005) se traduziu na criação anual líquida de novos postos de trabalho da ordem de 22 milhões, considerando os quatro países. Essa expansão foi mais de cinco vezes superior a verificada em toda a área da OCDE ao longo do mesmo período. Em conseqüência, as taxas de emprego subiram no Brasil, Rússia e Índia e manteve-se alta na China, com reflexos positivos para a redução da pobreza. As taxas de emprego acima de 76% no Brasil e China (área urbana) superavam à média da OCDE em 2005 (72,3%).

 

O Brasil é o único país do grupo dos BRICs que apresenta elevada elasticidade do emprego em relação ao PIB (1,2 no período 2000-2004). Na China e na Índia, que possuem enorme contingente de população jovem, dadas as baixas elasticidades do emprego (respectivamente, 0,1 e 0,3), será preciso manter a trajetória de rápido e forte crescimento para absorver o número relativamente elevado de jovens que chegarão ao mercado de trabalho nos próximos anos.

 

A despeito da ampliação do emprego, as taxas de desemprego permanecem elevadas em todos os quatro países, embora relativamente sejam mais altas no Brasil (9%), Rússia (7,9%) e China (8,3% na área urbana) do que na Índia (6,0% na área urbana). È provável que essas taxas sejam na realidade ainda mais elevadas. Na China, estatísticas oficiais de desemprego urbano não consideram como desempregados os trabalhadores demitidos das empresas estatais. Em paralelo, no Brasil, Índia e Rússia, o subemprego permanece alto e atinge mais as mulheres nos dois primeiros países e os trabalhadores mais velhos no último.

 

Um outro importante desafio que, segundo a OCDE, três dos BRICs precisam enfrentar é o elevado índice de informalidade. O emprego no setor informal representa 45% do emprego total no Brasil, 53% na China e mais de 90% na Índia. A persistência de elevada informalidade no mercado de trabalho, não obstante, o rápido crescimento econômico, indicaria barreiras estruturais à transição para o mercado de emprego formal. Na Rússia, as estimativas disponíveis indicam que a informalidade é muito menor do que a observada nos demais países do grupo e situa-se em nível semelhante ao dos países da Europa Central e do Leste.

 

Contrariando os prognósticos da teoria convencional de comércio internacional, a maior integração dos BRICs na economia mundial não se traduziu na elevação dos salários dos trabalhadores menos qualificados. As desigualdades salariais se ampliaram na última década na China e na Índia, permanecendo altas no Brasil e na Rússia.

 

No médio prazo, um desafio que os BRICs terão de enfrentar reside na melhoria significativa da qualificação dos trabalhadores, uma vez que, à exceção da Rússia, esses países apresentam atualmente níveis educacionais inferiores ao da média da OCDE. Todavia, em todos esses três países, e em especial na China, o nível educacional está se elevando rapidamente.

 

Nas próximas duas décadas, a composição da força de trabalho deve se alterar de forma considerável, com ampliação do peso dos trabalhadores mais velhos. Essa tendência resulta tanto de taxas de fertilidade mais baixas como do aumento da longevidade. Como conseqüência, o taxa de crescimento da força de trabalho diminuirá pela metade no Brasil nos próximos quinze anos em comparação com quinze anos anteriores. Para a China, as previsões são de estagnação, enquanto para a Rússia as estimativas apontam para a contração da força de trabalho.

 

Maiores detalhes sobre o estudo são apresentados aqui