05/10/2009 - 10:04h Valorização excessiva do real precisa ser evitada

VALOR, de Istambul

As autoridades brasileiras precisarão administrar com cuidado os fluxos de capital estrangeiro que voltaram a entrar no país com a recuperação dos mercados internacionais para evitar uma valorização excessiva do real e outros efeitos indesejáveis, alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI). “O Brasil vai atiçar o apetite dos mercados de capitais por causa da solidez da sua economia”, disse ontem o diretor do departamento do Fundo que monitora a América Latina, Nicolas Eyzaguirre. “O problema do Brasil é como administrar a abundância.”

Foto DestaqueProjeções divulgadas no fim de semana pelo Instituto de Finanças Internacionais (IIF), associação que representa os maiores bancos do mundo, indicam que os fluxos de capital externo privado para países emergentes aumentarão bastante no próximo ano, embora ainda estejam longe de alcançar os níveis observados antes da crise.

Segundo o IIF, o Brasil deverá receber US$ 64 bilhões em investimentos no ano que vem, dos quais US$ 30 bilhões para ações e outros títulos no mercado de capitais. O fluxo para países emergentes deverá atingir US$ 672 bilhões, quase o dobro do total previsto para este ano.

O FMI recomendou que o Brasil comece a desativar as medidas de estímulo fiscal que pôs em prática no auge da crise se a recuperação da economia mundial ganhar consistência nos próximos meses. “Se a demanda privada voltar, o país poderia começar a pensar em ser um pouco menos ativo em termos de política fiscal”, disse Eyzaguirre.

Grandes bancos internacionais que sofreram enormes prejuízos com a crise devem continuar mantendo distância dos mercados emergentes. As projeções do IIF indicam que o volume de empréstimos de bancos estrangeiros para os países emergentes no próximo ano será equivalente a um décimo do volume observado em 2007, quando a crise começou.(RB)

04/10/2009 - 12:25h Capital externo no País vai crescer 21%

dinheirocorrendoEstimativa é da entidade mundial de banqueiros que prevê ainda queda de 24% desse fluxo nos outros países da AL

Patrícia Campos Mello – O Estado SP

Brasil terá aumento de 21% nos fluxos de capital estrangeiro neste ano, um desempenho muito melhor do que os outros países da América Latina, que terão queda de 24% nos investimentos, segundo o Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), espécie de Febraban mundial que reúne 375 bancos do mundo.

Em 2009, o País vai receber US$ 42,7 bilhões em fluxos de capital estrangeiro privado, diante de US$ 34,7 bilhões em 2008. O Brasil havia sofrido queda de 63% nos fluxos de 2007 para 2008. Em 2010, o desempenho será ainda melhor, com fluxo de US$ 63,798 bilhões. “É simples: o Brasil está ajudando a tirar a região da crise”, disse ao Estado Phil Suttle, economista-chefe do instituto. “A maioria dos países só tem aumento nos fluxos de capital em 2010, e o Brasil já tem crescimento em 2009.”

O desempenho brasileiro é bem melhor do que o registrado nos emergentes como um todo. Nos países emergentes em geral, os fluxos serão de US$ 349 bilhões em 2009, uma queda de 46,3% em relação a 2008, e US$ 672 bilhões em 2010. Para a América Latina, os fluxos de capital vão cair de US$ 132,4 bilhões em 2008 para US$ 99,8 bilhões em 2009, e depois sobem para US$ 150,9 bilhões em em 2010. A principal razão para o bom desempenho do Brasil são os investimentos em carteira (ações e títulos), que passaram de US$ 8,89 bilhões em 2008 para US$ 29 bilhões líquidos em 2009. Serão de US$ 30 bilhões em 2010.

“O Brasil está em uma posição privilegiada”, disse Bill Rhodes, vice-diretor do conselho do Citibank e do IIF. “Eu nunca vi o setor bancário brasileiro em tão boa forma, muito líquido e capitalizado, e olha que eu acompanho o Brasil há décadas.”

O México, na América Latina, foi considerado um dos “atrasados” para sair da crise. E Argentina, Venezuela e Equador sofreram por causa de suas políticas “pouco amigáveis a investidores”, segundo o IIF.

CAPITAL ESPECULATIVO

Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco e vice-presidente do conselho do IIF, afirmou que a economia do Brasil está em um “excelente momento”. “O Brasil é uma das economias que cresce mais rapidamente no mundo ocidental”, disse Setubal.

Mas o relatório de fluxos do IIF alerta para a possibilidade de fluxos especulativos para países emergentes. “A perspectiva de maior crescimento e maiores taxas de juros em países emergentes deve atrair fluxos significativos de capital especulativo para muitas (mas não todas) economias, apresentado desafios para os formuladores de políticas”, adverte o IIF. Setubal não acredita que o Brasil esteja sujeito a fluxos de capital especulativo e sobrevalorização do capital. “Este não é um problema para o Brasil, temos muito investimento direto.”

Segundo Charles Dallara, diretor-gerente do IIF, o Brasil tem demonstrado “resiliência notável” na recessão e se disse confortável “com a taxa de câmbio flutuante” para lidar com os fluxos de capital.

O IIF diz que o provável aumento na regulamentação bancárias pode levar os bancos a se afastarem de países emergentes, dificultando acesso a crédito, principalmente para os países mais enfraquecidos.

Os banqueiros apontam para o aumento de fluxos de capital entre economias emergentes, diante do enfraquecimento dos países ricos. “Esses países estão se tornando cada vez mais exportadores de capital”, diz o Instituto. “E para aqueles que já têm uma exposição significativa em economias maduras como os EUA, investir em outros emergentes, tanto com empréstimos como em ações, é cada vez mais atraente. A China deve se tornar grande investidor em outros emergentes.”