30/09/2008 - 11:12h “Popularidade de Lula não é capaz de eleger postes”, diz governador da Bahia

Ruy Baron/Valor – 9/12/2005

Jaques: governador baiano mantém discurso conciliador em relação ao ministro Geddel Vieira Lima

Raymundo Costa, VALOR

Na reta final da campanha, a eleição embolou em Salvador, Bahia. Talvez mais que em qualquer outra cidade, o clima entre os aliados é tenso.

Os três dos dois candidatos cotados para passar para o segundo turno são da base de apoio do governo Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Jacques Wagner: João Henrique, do PMDB, atual prefeito, e Walter Pinheiro, do PT. O terceiro é Antonio Carlos Magalhães Neto, ACM Neto, do DEM e herdeiro do carlismo.

Em poucos Estados a disputa pelo uso da imagem do presidente foi tão intensa, a ponto de levar o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), um dos fiadores da aliança PT-PMDB, ao ponto de ameaçar um rompimento com o governo. Jaques diz que não é de “esquentar” briga. Acredita na recomposição, apesar da “tensão” entre os aliados.

O governador da Bahia acha que não basta a popularidade para eleger “um poste”. É preciso haver sinergia com o eleitorado. “Há uma maximização da imagem do governador e do presidente da República, que eu acho que contam, mas não é uma coisa absoluta de o cara sair de zero para 60%!”, disse ao Valor, em conversa na sexta-feira. O petista também não vê o governador de Minas Aécio Neves como candidato pelo PMDB com o apoio de Lula. “Só se for na oposição”, diz.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: O apoio do presidente e do governador desequilibra a eleição?

Jaques Wagner: Quando alguém diz ‘eu sou Lula desde criancinha’, quando é Lula só a partir do ano passado, as pessoas se dão conta. Até porque eu acho que as pessoas lêem errado as pesquisas. Quando ela diz assim: 60% dos eleitores dizem que o apoio do presidente Lula é benéfico, o que eles estão dizendo é que, para 66% do eleitorado, saber que o candidato que ele escolheu é aliado do presidente Lula, aumenta a vantagem dele em 60%. Mas é o que eu digo aqui é que 60% de 1% é 0,6%. Então o cara sairá de 1% para 1,6%. É que as pessoas querem ler assim: se o presidente Lula botar a mão eu saio de zero para 60%. O que não é verdade.

Valor: Não é automático.

Wagner: Não existe isso. É óbvio que quando você cria uma sinergia, quando há uma consciência coletiva, as pessoas raciocinam assim: eu vou votar nesse cara que ele é amigo do governador, é amigo do presidente e não é um babaca, para falar um termo bem objetivo. Agora, se o cara for um babaca, diz assim ‘pô Lula, você vai me perdoar mas nesse aí eu não voto não’. Então não funciona aquela idéia de eu ‘elejo um poste’. Não existe isso.

Valor: No entanto, o senhor acha que o PT vai crescer mais que os outros.

Wagner: Com essa identificação do 13, eu acho que os candidatos do PT ganham mais que os outros. Não é em detrimento dos outros.

Valor: O fato é que há reclamação. Como é que a base vai chegar em Brasília para as votações?

Wagner: Óbvio que a volta é uma volta com pontos de tensão. Não tem como. Toda eleição, evidente que mais na eleição municipal, não é um mar de rosas. A lógica municipal é mais intensa que a estadual e que a nacional. O que está em jogo agora? Os deputados estaduais e federais lutam fortemente para a eleição do seu prefeito, e isso na contabilidade dele significará uma posição melhor para a eleição dele em 2010. É essa a briga. E o governador? O prefeito pesa X para deputado estadual e federal e pesa um pouco menos para governo do estado e presidente da República. Evidente. Isso porque ele consegue muito mais coordenar o voto para deputado estadual e federal.

Valor: Mas a eleição de prefeitos agora não dará uma base melhor para a eleição do presidente e de governador de 2010?

Wagner: A população está estabelecendo uma lin ha direta entre ela e os cargos majoritários, principalmente governador e presidente da República. Vou dar o meu exemplo: eu tinha 50 prefeitos em 417. E ganhei na faixa de 230 cidades. Significa que nem os prefeitos que trabalharam contra convenceram a população. Eu não estou menosprezando, evidentemente que ele é um elemento da política, e da base de apoio, mas ele pesará muito mais na eleição de deputado estadual e federal, eventualmente na de senador, do que na de governador e presidente da República.

Valor: Por quê?

Wagner: Eu me convenço cada vez mais que as pessoas não querem intermediário para escolher governador e presidente. Por que dá tensão? Dá uma tensão maior aqui e vai dar uma tensão menor em nível nacional. É uma coisa até curiosa: onde você vai e ganha, em geral o cara vai dizer que foi ele que ganhou. Onde você não vai e o cara perde, ele vai dizer que você é que foi o culpado pela derrota dele.

Valor: A base fica unida?

Wagner: Está todo mundo mais maduro e todo mundo dá importância a estar participando de um projeto, até agora, exitoso, que é o do presidente Lula, em nível nacional, e na Bahia. até agora, a gente está bem. Então eu não acho que vá haver alguma sangria desatada.; Agora é fato que haverá uma tensão pós eleitoral normal. Eu, por exemplo, estou tentando ser o mais equilibrado possível. Há uma maximização da imagem do governador e do presidente da República, que eu acho que contam, mas não é uma coisa absoluta de o cara sair de zero para 60%. Quando está pau a pau, digamos um está com 40% e outro está com 38%, aí eu concordo que pode fazer a diferença.

Valor: O senhor e o ministro Geddel saem como entraram nessa eleição?

Wagner: Temos um ponto de conflito que foi produzido por alguém que não era meu nem dele, que é o prefeito atual, que foi eleito pelo PDT, com vice do PSDB, e baixíssima participação do PMDB, que não tinha nem interesse em ficar no governo. Tinha lá uma secretaria marginal. De repente, quando o cidadão viu que estava com problemas de sobrevivência política, ele teve de sair de um partido pequeno e procurar um partido maior para se abrigar. Ele é muito midiático. Eu até gosto dele, não é um mau caráter, não é um larápio, mas é um cara confuso. Confuso na política e confuso na gestão. Ele precisava de tempo de televisão. Quis vir para o meu partido, coisa que eu recomendei.

Valor: Mas o PT não quis?

Wagner: O vício do cachimbo deixa a boca torta. A gente vai amadurecendo mas alguns vícios vez por outra aparecem. Então apesar de o governador dizer: ‘rapaz, põe o cara pra dentro. A gente já está no governo, põe logo o cara no PT’, o meu partido não acolheu a minha sugestão, o pedido de seu governador. E ele acabou indo para o PMDB. Ao ir para o PMDB gerou então um pólo de tensão. Não por culpa dele, por culpa da conjuntura. Geddel e o PMDB receberam esse presente – tinham pouquíssima coisa em Salvador e ganharam um prefeito e uma prefeitura, como máquina política para fazer a operação da política, no bom sentido. É óbvio que gostariam de ter todo mundo em torno deles. Então lutaram por isso. Eu defendi a tese da minha base de sustentação (um candidato só), pelo menos na capital. As pessoas não se convenceram. Até porque diziam que ele é ruim de compromisso. O pessoal de pesquisa dizia que ele tinha dificuldade de ir até para o segundo turno. O argumento é que era melhor não jogarmos com uma hipótese só e perdermos para o PFL. A outra hipótese era o Imbassahy, com quem eu tenho relação. Mas isso não animava muita gente exatamente porque era um alinhamento com o PSDB nacional e as pessoas aqui não tinham interesse óbvio nessa aproximação. Quando acabar a eleição tem um rescaldo a ser tratado. E eu tenho que ficar administrando esse conjunto todo.

Valor: A base se mantém até 2010?

Wagner: Político é um animal objetivo, que eu dividiria em dois tipos: uns um pouco mais programáticos e outros, vamos dizer assim, mais conjunturais. Quem é mais programático, tende a continuar, apesar de ter havido um estremecimento com o chamado bloquinho (a união congressual de PSB, PCdoB e PDT). Mas eu acho que diminuiu essa tensão. Já vinha diminuindo antes, com a solução de São Paulo (a indicação de Aldo Rebelo para vice de Marta Suplicy). A relação do Eduardo Campos (governador de Pernambuco e presidente do PSB) com o presidente é excepcional. O episódio de Minas, por mais que localmente tenha ha reflexos no PT – e há um rescaldo a ser cuidado internamente – , do ponto de vista externo da relação dos aliados o PT acabou marcando um tento positivo, porque bem ou mal apoiou um candidato do PSB com interligação do PSDB, o que mostra que, aos trancos e barrancos, o PT também consegue apoiar os outros.

Como senhor vê a questão de Minas?

Wagner: Internamente ainda tem muita coisa a ser trabalhada. Ficou a tensão com o Fernando Pimentel, vem a eleição para governador e ele evidentemente é um nome. Há insatisfações que terão de ser aparadas. Eu não sou de Minas e não quero me meter, mas o problema parece sido mais de método mesmo.

Como encaixar esse grupo no plano da sucessão federal.?

Wagner: Eu acho que a administração que foi feita em Minas, é óbvio que ela sempre terá contornos nacionais, mas na minha opinião ela terá muita influência na questão estadual. Eu acho que o Fernando e o Eduardo não têm peso para influir na questão interna do PSDB. Portanto não têm peso para ajudar o Aécio a ser o candidato do PSDB. Também não vejo nenhuma hipótese de o Aécio ser candidato em composição, vamos dizer, como Eduardo Campos, o PSB. A relação do PSB com o presidente é excepcional. O Ciro Gomes, o Eduardo. Então, sinceramente, eu não consigo ver a tal história de o Aécio vir ao PMDB para virar candidato, só se for para ser candidato contra o candidato do presidente Lula.

A eleição de São Paulo prova que não há como ter dois candidatos da situação?

Wagner: Se o presidente Lula desembarca em 2010 extremamente bem avaliado, e coloca uma candidatura à sucessão que mostre fôlego, não acho que os aliados atuais queiram sair fora. Tendo uma candidatura boa,. a tendência é manter isso tudo junto.

Valor: O PT vai para o segundo turno em Salvador?

Wagner: De há muito esta é a primeira eleição de Salvado equilibrada. Está dando o que eu imaginava: Neto tem o público deles (carlismo, que está na casa entre 23% e 25%, não cai mas também não sobe, que foi o índice do último candidato deles (César Borges); Imbassahy perde fôlego…

Valor: E foi abandonado pelos tucanos?

Wagner: Pelos daqui não, pelo Serra (José, governador de São Paulo) não, mas pelos outros talvez sim, porque ele está numa posição meio autônoma em relação ao comando nacional. Pinheiro está crescendo, e aí vamos ver. Qualquer dois dos quatro pode ir.

Valor: Para o governador seria mais fácil administrar uma disputa Neto-Pinheiro, não é?

Wagner: Politicamente, se forem dois aliados para o segundo turno a mensagem política é positiva, e a administração é difícil.

27/09/2008 - 11:27h Três candidatos agora lideram em Salvador

ACM Neto, João Henrique e Walter Pinheiro estão tecnicamente empatados a menos de dez dias da eleição


ACM Neto,
  Imbassahy, João Henrique  e Walter Pinheiro

LUIZ FRANCISCO DA AGÊNCIA FOLHA,EM SALVADOR

O deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), o prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) e o deputado federal Walter Pinheiro (PT) dividem a liderança na disputa pela Prefeitura de Salvador, a menos de dez dias para o primeiro turno da eleição.

Pesquisa Datafolha realizada entre quinta-feira e ontem mostra que o candidato democrata tem25%das intenções de voto, contra 23% do peemedebista e 21% do petista.

Em relação ao último levantamento, ACM Neto oscilou dois pontos para baixo e o peemedebista e o petista oscilaram um ponto para cima cada um.

Antonio Imbassahy (PSDB) e Hilton Coelho (PSOL) também oscilaram um ponto para cima e passaram, respectivamente, para 15% e 4%.

Foram ouvidos 1.008 eleitores e a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. De acordo com a pesquisa, 6% dos eleitores pretendem votar em branco ou nulo e 5% estão indecisos.

Na intenção de voto espontânea, ACM Neto aparece com 17% (oscilou dois pontos para baixo), João Henrique tem16% (subiu quatro pontos em relação ao último levantamento) e Walter Pinheiro manteve os 14% da pesquisa anterior.

O Datafolha também simulou um eventual segundo turno entre os candidatos que aparecem à frente na pesquisa.

Entre João Henrique e ACM Neto, ocorre empate técnico: o peemedebista teria 44%, contra 42% do democrata. Caso o segundo turno aconteça entre Walter Pinheiro e ACM Neto, há um novo empate: o petista teria 46% dos votos, contra 43%. EntreACMNeto eImbassahy, mais umempate:42%para o candidato do DEM, contra 38%parao tucano.

Segundo o Datafolha, ACM Neto (40%) e João Henrique (37%) continuamsendo os candidatos mais rejeitados, ao lado de Hilton Coelho (36%), do PSOL. Em seguida aparecem Antonio Imbassahy, que passou de 27% para 30%, e Walter Pinheiro, que também teve o seuíndice derejeição aumentado – passou de 18% para 22%.

“O cenário é imprevisível. Não dá para afirmar quem vai disputar o segundo turno”, disse Mauro Paulino, diretor do Datafolha. O instituto perguntou também se os eleitores de Salvador estãodecididos emrelação ao seu voto – 78% responderam que não mudam de candidato, enquanto 20% afirmaram que podem alterá-lo.

Avaliação do prefeito Para 46% dos entrevistados, o desempenho de João Henrique à frente da prefeitura é regular, o que representaumaoscilação de três pontos para cima.

Outros 22% avaliam a sua administração como ótima ou boa (queda de quatro pontos) e 30% acham péssimo o governo do peemedebista (aumento de dois pontos).Amédia atribuída a seu desempenho é de 5,1.

19/09/2008 - 09:49h Petista sobe e disputa 2º lugar em Salvador; ACM Neto segue em 1º

ACM Neto,  Imbassahy, João Henrique  e Walter Pinheiro

LUIZ FRANCISCO – FOLHA SP

DA AGÊNCIA FOLHA, EM SALVADOR

Pesquisa Datafolha realizada anteontem e ontem mostra que a disputa pela Prefeitura de Salvador ficou mais acirrada. O deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM) lidera com 27% das intenções de voto, mas oscilou um ponto percentual para baixo em relação ao levantamento anterior.

Em segundo lugar vêm o prefeito João Henrique Carneiro (PMDB), com 22% (oscilou um ponto para cima), e o deputado federal Walter Pinheiro (PT), com 20% -o petista subiu quatro pontos em relação à pesquisa anterior (a margem de erro é de três pontos percentuais).

Em relação à última pesquisa, o ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB) perdeu quatro pontos e caiu para 14%, enquanto Hilton Coelho (PSOL) permanece com 3%. Segundo a pesquisa, os eleitores que pretendem votar em branco ou anular somam 9%, enquanto os indecisos somam 5%. O Datafolha ouviu 830 eleitores.

ACM Neto tem a maior rejeição, com 36%, seguido de João Henrique, com 33%. Imbassahy tem 27% e Pinheiro, 18%.

O Datafolha também simulou um eventual segundo turno entre os candidatos mais bem colocados e constatou um empate em todas as disputas.
Caso o segundo turno seja disputado entre ACM Neto e João Henrique, o democrata teria 43% das intenções de voto, ante 42% do peemedebista. No confronto entre ACM Neto e Walter Pinheiro, cada um teria 43%. Já uma eventual disputa entre ACM Neto e Imbassahy daria 42% ao democrata contra 40% do ex-prefeito.

“Dos três candidatos mais bem avaliados, ACM Neto é o que tem mais chances de disputar o segundo turno porque mantém estabilidade desde o começo das pesquisas”, disse Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha. Paulino lembrou, porém, que o índice de rejeição do deputado é o maior.
Para 44% dos eleitores entrevistados pelo Datafolha, ACM Neto vencerá as próximas eleições. Outros 16% acreditam na reeleição de João Henrique Carneiro, enquanto 14% confiam em Walter Pinheiro e 13%, em Imbassahy.

ACM Neto tem melhor desempenho entre eleitores entre 25 e 34 anos (34% da preferência). João Henrique vai melhor entre os que têm renda familiar de até dois salários mínimos (25%) e os mais jovens (25%). Pinheiro tem a sua melhor avaliação entre as pessoas entre 35 e 44 anos (24%) e com ensino superior (27%). Já Imbassahy obtém bom desempenho entre eleitores com mais de 60 anos (21%) e entre os que apresentam as maiores rendas (27%).

28/08/2008 - 11:15h Sobra PT e falta PSDB na TV em Salvador

Alan Marques/Folha Imagem – 30/7/2008
Serra: governador de São Paulo gravou imagens para as campanhas de Curitiba, Porto Alegre e Teresina

Raquel Salgado – VALOR

Depois de usar a imagem do governador Jaques Wagner (PT) apoiando sua candidatura na convenção do PSDB e de frisar que tem a simpatia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato tucano à Prefeitura de Salvador, Antonio Imbassahy, duas vezes prefeito, dificultou uma possível participação do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), no horário eleitoral. Por ora, a coordenação da campanha não pensa em usar sua imagem.

Além de São Paulo, Serra só apareceu, até agora, no programa do deputado Fernando Gabeira, candidato da coligação PV-PSDB-PPS à Prefeitura do Rio. Serra, assim como o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), já gravaram para a campanha à reeleição do prefeito Beto Richa, em Curitiba, assim como para a campanha de Nelson Marchezan Júnior, candidato do PSDB em Porto Alegre. Serra também gravou para a campanha tucana em Teresina.

Sua situação poderá se complicar. “Além de não ter hoje um mandato como os outros candidatos, não pode contar com um apoio muito militante do PSDB”, diz Paulo Fábio Dantas Neto, diretor do Centro de Recursos Humanos da Universidade Federal da Bahia (UFBA) que estuda há anos a política baiana. No segundo turno, contudo, Imbassahy se fortalece, pois é pouco rejeitado pela população e se apresenta ao eleitorado como uma boa segunda opção.

Na avaliação de Dantas Neto, não é apenas a aproximação de Imbassahy com Wagner e Lula que impede a participação de Serra no pleito soteropolitano. Mesmo sendo muito próximo de um tucano de destaque na política local e nacional, o deputado federal Jutahy Magalhães Junior, Serra precisa ser pragmático e pensar em um palanque competitivo na Bahia em 2010. “A solução mais provável é que o PSDB marche com o Democratas, o que limita os movimentos de Serra neste ano”, diz. Há ainda a aproximação de ACM Neto com Serra e Aécio, que o vêem como um aliado promissor.

Serra, por sua vez, não é grande angariador de votos em Salvador. Na eleição presidencial de 2002 obteve apenas 4,6% dos votos válidos no º turno e 10,6% na segunda etapa.

Depois de evitar maiores comparações com seu falecido avô, o deputado federal e candidato do Democratas, Antonio Carlos Magalhães Neto, resolveu resgatar não só a imagem do senador ACM, mas também reforçar sua campanha com a presença de outros carlistas: a do hoje senador, César Borges, e a do ex-governador da Bahia, Paulo Souto.

“Veja o que o Democratas e o PR já fizeram por Salvador”, diz o narrador do programa de ACM Neto. Uma seqüência de imagens de ruas, avenidas, parques, além de uma maternidade e de jornais anunciando a vinda da Ford para o Estado são apresentadas seguidas por frases que lembram muito uma antiga campanha de Paulo Maluf. A cada obra, um coro diz: “Foi ACM que fez”, “Foi Paulo Souto que fez”, “Foi César Borges que fez”.

Imbassahy e ACM Neto disputam faixas parecidas do eleitorado. O tucano já foi um dos quadros do antigo PFL e foi graças ao apoio carlista que chegou à prefeitura da capital em 1992. Apesar de seguir bem colocado nas pesquisas, Imbassahy caiu de 27% para 18% na última pesquisa Ibope por encomenda da Rede Bahia, da família Magalhães.

O candidato do PT, o deputado federal Walter Pinheiro, após ter arrancado no Ibope, chegando a 13% das intenções de voto (antes tinha 6%), vai ter, já no 1º turno, uma grande ajuda de Wagner. Depois de afirmar que permaneceria eqüidistante no º turno, pois três dos cinco candidatos são da base aliada de seu governo, Wagner decidiu gravar participações no programa de Pinheiro.

O atual prefeito, João Henrique Carneiro (PMDB) tem usado a parceria com Lula e com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Com a desvantagem de ter sua administração atacada por todos os candidatos, o peemedebista partiu para o confronto. O alvo preferido é Imbassahy que, segundo ele, teve oito anos de mandato e não fez nem metade do que João fez em menos de quatro. O prefeito, que tem 15% das intenções de votos, preocupa-se também com a evolução de Pinheiro. Ambos se apresentam como próximos a Lula e Wagner e opositores ao modo carlista de se fazer política. (Colaboraram Ana Paula Grabois, do Rio; Marli Lima, de Curitiba; Sérgio Bueno, do Rio Grande do Sul, e Cesar Felício, de São Paulo)

01/08/2008 - 10:08h Debate temático domina 1 encontro de candidatos

Debate ontem que reuniu os candidatos a prefeito de São Paulo, promovido pela Rede Bandeirantes de TV: discussão temática dominou primeira metade
Fernando Donasci / Folhaimagem
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VALOR – Cesar Felício e Danilo Jorge, Sérgio Bueno, Marli Lima e Raquel Salgado, de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Salvador

O primeiro debate promovido pela TV Bandeirantes em seis capitais (São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Manaus), entre candidatos a prefeito, foi dominado por discussões temáticas, com farpas mais acaloradas no da capital baiana.

No primeiro dos cinco blocos do debate paulistano, a primeira pergunta apresentada pelo mediador Boris Casoy foi sobre as propostas dos candidatos para combater a poluição na cidade. Os líderes em pesquisa, Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) demonstraram mais segurança na abertura do debate. A candidata do PT, Marta Suplicy, atacou a atual gestão por ter abandonado a coletiva coletiva de lixo, o que teria agravado a poluição, além da política de expansão dos corredores de ônibus. Geraldo Alckmin disse que as doenças do aparelho respiratório já são a quarta causa de morte na cidade. Falou da redução do ICMS sobre o carro flex, que aprovou como governador.

O candidato do PP, Paulo Maluf, apresentou a principal proposta de sua plataforma, a “freeway”, seis pistas sobre os rios Tietê e Pinheiros. Foi o único momento em que o assessor de Marta, João Santana, riu, da platéia. “Carros em movimento poluem menos que aqueles em ponto morto”. A candidata do PPS, Soninha Francine, criticou a política de popularização de crédito que permite compra de carro em até 90 meses. E ainda observou que a proposta de Maluf, de asfaltar os rios da cidade, aumentaria a poluição.

No segundo bloco, Soninha, perguntou a Marta se ela se arrependia do túnel da Rebouças e da ponte estaiada, que não tem ciclovia nem passagem para pedestre . Marta disse que não se arrependia de nada e, de olho no eleitorado da candidata, elogiou sua iniciativa de ter chegado de bicicleta. “Foi coerente”. Disse que construiria mais 200 quilômetros de corredores de ônibus e citou o compromisso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de liberar recursos para as iniciativas em transporte público.

Perguntado por Ivan Valente (PSOL) sobre quem financiaria sua campanha, que tem teto de R$ 25 milhões, Alckmin disse que a previsão é modesta e não respondeu. Preferiu defender o financiamento público de campanha. O candidato do PSOL o acusou de faltar com a transparência e disse que o financiamento privado era a principal origem da corrupção no Brasil. Relacionou a atuação de seus financiadores com o acidente no metrô . Alckmin rebateu que a associação era de mau gosto.

Alckmin perguntou a Kassab qual seria sua proposta para a iluminação pública em São Paulo. Kassab acusou a privatização das empresas públicas de energica, feita por Alckmin, de não ter condicionado as empresas a investir em iluminação pública. Alckmin não acusou o golpe e disse que a iluminação teria que ser melhorada para ajudar a segurança.

Nos bastidores, o ex-governador Orestes Quércia (PMDB), que apóia Kassab, disse que seu candidato precisava mudar a postura. “Precisa demonstrar coragem, do homem que enfrenta caminhoneiros e está enfrentando o trânsito”. Os senadores Álvaro Dias (PSDB) e Sérgio Guerra (PSDB) prestigiaram Alckmin. Com Marta, chegaram seu vice, o deputado federal Aldo Rabelo (PCdoB), e os senadores petistas Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy. Soninha Francine, chegou de bicicleta. Ivan Valente foi o único a apostar em militância, com torcida uniformizada. Ele tem 1% nas pesquisas.

Em Belo Horizonte, oito dos nove candidatos participaram. Um dos mais esperados para o evento, devido às incertezas em relação à sua participação, o empresário Márcio Lacerda (PSB) disse que a decisão só foi tomada no início da noite, poucas horas antes do programa. “A questão principal era saber se participar de um debate com oito candidatos era produtivo ou não”, disse.

O candidato disse que a decisão foi tomada após avaliação feita pelos estrategistas da campanha e pelos membros do conselho político. Ele afirmou que a posição do governador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), os dois principais fiadores da candidatura de Lacerda, era favorável à participação.

No início do debate, o candidato do PMDB, deputado federal, Leonardo Quintão ressaltou que a sua candidatura fazia parte da base partidária que apóia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e, no Estado, o governador Aécio Neves.

Para a candidata do PC do B, deputada federal Jô Moraes, que lidera até agora as primeiras pesquisas eleitorais já divulgadas, o debate serviria para revelar ao eleitor, “quem efetivamente conhece a cidade e quem pode estar a serviço dela”.

No início do debate de ontem à noite em Porto Alegre, os candidatos à prefeitura trataram de apresentar – e reapresentar – promessas de governo enquanto o prefeito José Fogaça (PMDB), que concorre à reeleição, preferiu relacionar as iniciativas da própria administração. Segundo ele, que lidera as pesquisas de intenção de voto, nos últimos quatro anos o município investiu em segurança comunitária, no combate às pichações de locais públicos e na qualificação da Guarda Municipal. Ele lembrou ainda a contratação de médicos, a ampliação do programa da saúde da família e a reforma de parte dos postos de saúde pública.

A candidata do PT, Maria do Rosário, segunda colocada nas pesquisas, comprometeu-se a levar adiante o programa de despoluição do lago Guaíba, iniciado ainda na última gestão do partido (2001-2004). Ela prometeu ainda estender a coleta seletiva de lixo para toda a cidade e construir uma usina de geração de energia a partir de resíduos orgânicos. Manuela D’Ávila (PCdoB), que vem em terceiro nas pesquisas, voltou a afirmar que se empenhará na construção de um metrô na cidade e disse que pretende estabelecer restrições ao trânsito de caminhões no centro em horários determinados.

Os oitos candidatos à prefeitura de Curitiba participaram ontem do debate da Band. Havia a expectativa de que seriam sete contra o prefeito Beto Richa (PSDB), que busca a reeleição e conta com vitória no primeiro turno. O primeiro embate foi entre o tucano e o candidato do PMDB, Carlos Augusto Moreira Júnior, que questionou os gastos de R$ 30 milhões para propaganda da atual gestão em 2008. Richa disse que ele estava ‘mal informado’ e o acusou de usar a estatal TV Educativa para propaganda pessoal.

Na pergunta feita pela emissora a todos os candidatos, a questão envolvia um poste de energia colocado no meio de uma ciclovia e a necessidade de ter de conversar com empresas do governo para resolver problemas. Gleisi Hoffmann, do PT, aproveitou para elogiar a gestão de Lula logo na primeira oportunidade. Numa cutucada ao tucano, Moreira disse que tem bom relacionamento com o governo do Estado, ou seja, com o governador Roberto Requião, que o indicou à disputa. Assuntos como mobilidade urbana e transporte público, falta de creches, necessidade de mais investimentos em saúde e falta de segurança foram outros assuntos em pauta.

Os candidatos à prefeitura de Salvador resolveram colar não só na imagem de Lula, mas também na do governador da Bahia, Jaques Wagner. O primeiro a lançar mão disso foi justamente o candidato tucano, o ex-prefeito Antonio Imbassahy. Logo na abertura, aproveitou para exaltar conhecimento da cidade ressaltar que tem um “relacionamento fundamental com o governador”.

Wagner tem frisado que três candidatos, Imbassahy, Walter Pinheiro (PT) e João Henrique Carneiro (PMDB) “o tem” e fez questão de participar da convenção não só do PT, mas também das demais dos partidos de sua base: PMDB e PSDB.

Mesmo tendo falado primeiro do que Imbassahy, Walter Pinheiro, candidato pelo PT, não se lembrou de citar sua parceria com Wagner, deixando isso para o segundo bloco do debate. O deputado federal enumerou problemas de Salvador, como gestão, trânsito e exclusão dos negros, e disse que sua prioridade é humanizar a cidade.

O candidato do Democratas, Antonio Carlos Magalhães Neto, também falou sobre os pontos críticos de Salvador e, como tem feito em sua campanha, se colocou como o novo. Em busca de uma imagem de preparado, tinha, na ponta da língua, o número de policlínicas, postos e médicos da família que pretende implantar na capita baiana. Não deixou de atacar o atual prefeito, João Henrique Carneiro (PMDB).

João, por sua vez, acusou ACM Neto de ser mais do mesmo e de vir de um partido que governou o Estado por 16 anos e Salvador por oito. Foi o primeiro a citar a aliança com o presidente Lula, o que fez por três vezes durante os dois minutos em que respondeu sobre a saúde em Salvador.