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	<title>Blog do Favre &#187; imigrantes</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Brazuca em Paris</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Apr 2009 17:09:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Severino Francisco &#8211; Correio Braziliense
Severinofrancisco.df@diariosassociados.com.br   
“Vou voltar, vamos comigo?”, perguntou a namorada francesa, de passagem pelo Brasil. E, sem pensar muito, meio na louca, o brasiliense Daniel Carrielo se mandou para Paris com Charlote, a namorada francesa. Certo dia, encontrou numa banca uma revista sobre cultura brasileira, intitulada Brazuca. Na edição seguinte, ele [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.brazucaonline.org/images/magimg/brazuca.jpg" alt="http://www.brazucaonline.org/images/magimg/brazuca.jpg" align="left" /></p>
<p style="background-color: #ffff99"><font style="background-color: #ffff99" class="assinatura">Severino Francisco</font> &#8211; Correio Braziliense</p>
<p><font class="complassinatura"><a href="mailto:Severinofrancisco.df@diariosassociados.com.br">Severinofrancisco.df@diariosassociados.com.br</a></font>   <!--  --></p>
<p><font class="texto">“Vou voltar, vamos comigo?”, perguntou a namorada francesa, de passagem pelo Brasil. E, sem pensar muito, meio na louca, o brasiliense Daniel Carrielo se mandou para Paris com Charlote, a namorada francesa. Certo dia, encontrou numa banca uma revista sobre cultura brasileira, intitulada Brazuca. Na edição seguinte, ele já era o cronista de Brazuca. E, três meses depois, tornou-se o editor. Sem desmerecer o Itamaraty, a revista faz um pouco o papel de embaixadora do Brasil na França.</font></p>
<p><font class="texto">Brazuca tem uma tiragem de 20 mil exemplares e é feita, principalmente, para belgas e franceses apaixonados pela cultura brasileira. Não é uma revista de comunidade, dirigida apenas aos brasileiros. O que a revista pretende passar é uma visão diferente do Brasil, longe dos estereótipos. Por isso, ela entrevistou o compositor Tom Zé, o jogador Nilton Santos, a atriz Brigitte Bardot e o diretor de cinema Fernando Meirelles. No ano passado, logo após um show do Gilberto Gil na França, Daniel levou a revista para que ele a conhecesse: “Ah, é a Brazuca? Já conheço, gosto dela”, comentou Gil.</font></p>
<p><font class="texto">No ano passado, Brazuca foi além do papel e lançou virtualmente duas coletâneas de música brasileira. A primeira foi do rock independente, em parceria com o site Senhor F. E a segunda foi com a produtora, selo e festa Criolina, com as novidades do groove brasileiro. Ambas tiveram um alto índice de downloads.</font></p>
<p><font class="texto">O Nélson Rodrigues escreveu uma crônica hilária sobre a passagem do filósofo francês Jean-Paul Sartre pelo Brasil. Segundo a ótica delirante do Nelson, Sartre olhava para todos os brasileiros com um franco desprezo, como se dissesse: “Vocês são todos uns cretinos”. Aí alguém trouxe um balde de jaboticabas e o Sartre passou a mirar as frutas com o mesmo asco: “Vocês também são umas cretinas”.</font></p>
<p><font class="texto">Embora achando graça na história, Daniel discorda inteiramente do Nelson, pois os franceses são fascinados pelo Brasil e pela cultura brasileira. O brasileiro tem uma ginga que o francês não tem, argumenta Daniel. Essa ginga pode ser representada por manifestações culturais como o samba, a capoeira, o funk. Pelo drible no futebol. Ou pela capacidade que o brasileiro tem de se adaptar rapidamente às situações imprevistas, o famoso jogo de cintura. Os franceses gostam de samba, de Cartola, de Beth Carvalho, de Bossa nova, de Cinema Novo, de Glauber Rocha. Mas, atualmente, o brasileiro que reina na França é o pernambucano Lenine.</font></p>
<p><font class="texto">Morar na França fez com que Daniel olhasse Brasília com novos olhos. No mês passado, ele estava dirigindo e, de repente, deu de cara com a Catedral. Foi um choque estético, pois precisou estar longe do Brasil para perceber o quanto a Catedral é bonita. Mas, por outro lado, ele também se deu conta do enorme equívoco de se conceder tanto espaço para os carros em Brasília. Em Paris, o transporte público é excelente, com 14 linhas de metrô e 20 mil bicicletas públicas. Alargar avenidas não resolve o problema. A solução é investir no transporte público como uma prioridade, sentencia o brazuca e brasiliense desgarrado em Paris.</font></p>
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		<title>EUA e Brasil em lua-de-mel, mas sem álcool</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Mar 2009 13:52:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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foto de capa do caderno especial do jornal Valor

clique na imagem para ampliar 

Patrick Brock, The Wall Street Journal, de Nova York &#8211; VALOR
Numa reunião na Câmara de Comércio de Nova York, em 2 de novembro de 1863, o pastor James Cooley Fletcher se desdobrou para convencer os empresários locais sobre a importância de estreitar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/03/eua-e-brasil-em-lua-de-mel-mas-sem-alcool/10166/" rel="attachment wp-att-10166" title="lula_seminario_wsjvalor.jpg"></a></p>
<div align="center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/03/eua-e-brasil-em-lua-de-mel-mas-sem-alcool/10166/" rel="attachment wp-att-10166" title="lula_seminario_wsjvalor.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/03/lula_seminario_wsjvalor.jpg" alt="lula_seminario_wsjvalor.jpg" /><font size="1"><em><br />
foto de capa do caderno especial do jornal Valor</em></font></a></div>
<div align="center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/03/brasil_usa.jpg" title="brasil_usa.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/03/brasil_usa.jpg" alt="brasil_usa.jpg" width="555" height="189" /></a></div>
<div align="center"><font size="1"><em>clique na imagem para ampliar </em></font></div>
<div align="center"></div>
<p style="background-color: #ffff99">Patrick Brock, The Wall Street Journal, de Nova York &#8211; VALOR</p>
<p>Numa reunião na Câmara de Comércio de Nova York, em 2 de novembro de 1863, o pastor James Cooley Fletcher se desdobrou para convencer os empresários locais sobre a importância de estreitar os laços com o Brasil, segundo registro de um jornal da época. Acompanhado dos diplomatas brasileiros Joaquim de Azambuja e Luis Fleury, que traziam uma elogiosa carta da Câmara de Comércio do Rio de Janeiro, Fletcher, um entusiasmado brasilianista, celebrava o início da primeira rota direta de vapores entre as duas principais cidades das jovens nações, Rio de Janeiro e Nova York.</p>
<p>Da pequena frota de vapores subsidiados pelos governos dos dois países, as relações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos evoluíram desde então para uma balança comercial de pouco mais US$ 53 bilhões em 2008, com saldo positivo de US$ 1,8 bilhão para o Brasil. O diálogo transnacional também passou para esferas muito mais altas e hoje o Brasil é considerado pelos EUA como um importante parceiro no desenvolvimento de relações multilaterais, dizem especialistas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi apenas o terceiro chefe de Estado a ser recebido pelo presidente americano Barack Obama, e o primeiro da América Latina, em um encontro sábado na Casa Branca.</p>
<p>Não há nenhum Fletcher hoje pressionando o governo americano a melhorar o relacionamento com o Brasil, mas o momento atual é favorável, segundo vários especialistas. Embora ainda ocorram embates sobre questões comerciais, há boas perspectivas de cooperação em áreas como combate ao tráfico de drogas, mudanças climáticas e relações multilaterais. O governo Obama também tem sinalizado um posicionamento mais flexível em relação a Cuba, o que provavelmente agradaria o governo Lula. Além disso, o Brasil é visto como um país que desfruta de boas relações na América Latina de maneira geral, o que pode ajudá-lo a servir de ponte para um novo diálogo entre os EUA e a região, dizem os especialistas. Após uma reunião com Lula sábado, Obama disse que pretende usar o relacionamento com o Brasil para reforçar os laços com a América Latina.</p>
<p>É claro que a grandiosidade da crise econômica nos EUA e no mundo, e os conflitos no Iraque e no Afeganistão podem dificultar que o governo de Obama dê prioridade à América Latina em sua agenda internacional num futuro próximo, diz o cientista político Riordan Roett, da Universidade Johns Hopkins. &#8220;A atitude atual é benigna, mas a escalada da violência no México, fruto da guerra contra o narcotráfico, o policiamento da fronteira com esse país e os efeitos da queda nas remessas de imigrantes devem ganhar mais destaque na agenda do governo Obama&#8221; em se tratando de relações com a América Latina, diz Roett, que recebeu em 2000 a medalha da Ordem de Rio Branco das mãos de Fernando Henrique Cardoso.</p>
<p>O convite de Obama para Lula visitar Washington também é um bom sinal, diz Roett, para quem a cooperação entre os dois países no contexto atual é muito mais abrangente do que as questões bilaterais, especialmente com o papel preponderante do Brasil na construção de mecanismos multilaterais. &#8220;Se Obama quiser ativar a Rodada Doha, vai precisar do Brasil.&#8221; Brasil e EUA se reúnem novamente no início de abril, na conferência do G-20 em Londres, e em 17 de abril para a V Cúpula das Américas, em Port of Spain, Trinidad e Tobago.</p>
<p>Segundo Luiz Alberto Moniz Bandeira, professor aposentado de política exterior do Brasil da Universidade de Brasília, os dois países &#8220;não podem deixar de se considerar, (pois) são as duas maiores massas geográficas, demográficas e econômicas do continente&#8221;. Moniz aponta também a diminuição na importância dos EUA para as exportações brasileiras, que passaram a ser dominadas pela União Europeia e países emergentes. &#8220;O Brasil quer se aproximar dos EUA apenas na medida em que os EUA queiram se aproximar do Brasil&#8221;, diz Moniz.</p>
<p>Em entrevista coletiva em 25 de fevereiro, logo após se reunir em Washington com Hillary Clinton, o chanceler Celso Amorim disse que uma prioridade para reativar as negociações multilaterais para o comércio mundial é a confirmação pelo Congresso do indicado para o cargo de representante comercial dos EUA, Ron Kirk. A nomeação ainda está pendente, enquanto pesam sobre Kirk questões relativas a sua declaração de renda.</p>
<p>&#8220;O diálogo entre os dois governos realmente evoluiu nos últimos anos e acredito que o governo Obama continuará desenvolvendo isso&#8221;, diz Julia E. Sweig, diretora de estudos latino-americanos do Council on Foreign Relations, um centro de pesquisas que tem sede em Nova York e se descreve como não-partidário e independente. A política comercial entre os dois países, contudo, ainda &#8220;não foi bem resolvida&#8221;. Embora haja muito interesse no Brasil, diz Sweig, especialmente em relação às recentes descobertas petrolíferas e à indústria do etanol, a falta de conhecimento aprofundado sobre o país pode ser um obstáculo para as relações entre os dois países. &#8220;O pessoal da política exterior (do governo Obama) está preocupado com México, Cuba e, em terceiro lugar, o Brasil. Mas ainda existe um grande déficit de conhecimento sobre o Brasil e como dialogar com o país em meio à classe política em Washington&#8221;, diz.</p>
<p>Questões comerciais também se interpõem entre os dois países. Um dos pontos de debate é a tarifa de US$ 0,14 por litro de álcool combustível importado do Brasil nos EUA. Ela foi mantida na legislação agrícola aprovada em 2008 e está em vigor até o fim de 2010. A demanda por álcool combustível nos EUA vem crescendo, mas o país tem sua própria produção, à base de milho, e os produtores locais têm bastante influência em Washington.</p>
<p>&#8220;Barack Obama quer expandir a produção de energia renovável na América Latina de uma maneira que promova a auto-suficiência e crie mais mercados para fabricantes e produtores americanos de biocombustíveis&#8221;, diz o plano para a América Latina divulgado ano passado pelo então candidato. Obama reafirmou sua posição ao dizer após a reunião com Lula que o etanol é um &#8220;tema tenso&#8221; entre os dois países, que não vai mudar de um dia para o outro.</p>
<p>Joel Velasco, representante-chefe para a América do Norte da União da Indústria de Cana-de-Açúcar do Brasil (Unica), tem esperança de que políticos contrários à tarifação apresentem novas emendas que modifiquem a legislação agrícola. Velasco diz que os senadores e deputados das regiões costeiras tendem a apoiar a redução da tarifa, já que não produzem etanol e geralmente são obrigados a pagar mais caro pelo produto. Ele cita como favoráveis à redução da tarifa os senadores republicanos Richard Lugar e Judd Gregg.</p>
<p>Representantes dos senadores confirmaram que eles apoiam a redução da tarifa, mas disseram que no momento não há planos de introduzir nova legislação. Gregg chegou a apresentar em junho do ano passado um projeto de lei para reduzir a tarifa para US$ 0,12 por litro, sob o argumento de que a medida baixaria o preço da gasolina &#8211; na época o barril de petróleo estava acima de US$ 140, enquanto agora flutua na casa dos US$ 40. O projeto acabou morrendo no Congresso.</p>
<p>Gregg tinha sido indicado para ocupar a Secretaria de Comércio, um cargo que vem rendendo dor de cabeça a Obama, mas acabou desistindo sob a alegação de que havia &#8220;diferenças irresolúveis&#8221; com a política do novo presidente. O cargo em questão ainda está vago e Obama indicou recentemente o ex-governador do Estado de Washington Gary Locke, que aguarda confirmação.</p>
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		<title>Crise afunda economia espanhola</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Feb 2009 14:34:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Após anos de crescimento alto, puxado por abundância de crédito, desemprego explode no país
Adoção do euro limita ação do governo; empresários querem reforma trabalhista e economistas preveem retomada lenta e dolorosa
VICTOR MALLET DO &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP
Quando um dos maiores clubes de futebol de um país tão fanático pelo esporte quanto é a Espanha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.reflejosocial.com/wp-content/uploads/2009/01/esp_laboral-desempleo.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://www.reflejosocial.com/wp-content/uploads/2009/01/esp_laboral-desempleo.jpg" /></div>
<p><strong>Após anos de crescimento alto, puxado por abundância de crédito, desemprego explode no país</strong></p>
<p><strong>Adoção do euro limita ação do governo; empresários querem reforma trabalhista e economistas preveem retomada lenta e dolorosa</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">VICTOR MALLET DO &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP</p>
<p>Quando um dos maiores clubes de futebol de um país tão fanático pelo esporte quanto é a Espanha deixa de pagar seus jogadores, é um aviso de que algo pode estar drasticamente errado em uma das economias mais bem sucedidas na Europa.<br />
David Villa é um dos jogadores do Valencia cujo último salário está atrasado por tempo indeterminado pelo clube, fortemente endividado. Villa é apenas mais um entre o número crescente de vítimas, ricas e pobres, de um mergulho na recessão que se encaminha para ser uma das piores da Europa.<br />
As tensões estão começando a se manifestar na sociedade espanhola, normalmente tranquila e tolerante. Vendedores de rua e africanos residentes no país fizeram duas manifestações neste mês em Lavapiés, em Madri, protestando contra o alegado racismo e as investidas policiais; subsequentemente, veio à tona que a polícia da capital recebeu cotas semanais de imigrantes ilegais que deve prender. Em Andaluzia, no sul, milhares de imigrantes sem comida ou abrigo invadiram cidades procurando em vão trabalhos na colheita de azeitonas já tomados por espanhóis.<br />
Guindastes estão parados em obras na costa espanhola e nas periferias. Muitas lojas pequenas no centro de Madri fecharam. Um dono de construtora arruinado é acusado de cinco assaltos a bancos.<br />
&#8220;Não vamos ter uma recessão. Vamos ter uma depressão, como nos anos 1930&#8243;, diz o economista Lorenzo Bernaldo de Quirós, presidente da Freemarket International Consulting. Quirós é um dos analistas mais pessimistas, mas se justifica apontando previsões quase consensuais: o desemprego atingindo 19% até o final do ano (contra mais de 14%, ou 3,3 milhões de pessoas, hoje); um déficit orçamentário de ao menos 6,5% do PIB; contração econômica de 3% ou mais em 2009, e, possivelmente, uma deflação. &#8220;Somado à crise financeira, este é o quadro perfeito para definir uma depressão&#8221;, conclui.<br />
Essa depressão pode atingir a economia espanhola -uma das dez maiores do planeta e a quarta da zona do euro- com tanta gravidade que pode fazê-la perder muitos dos ganhos conquistados na década passada desde a adoção do euro.<br />
Até a chegada da crise global, a Espanha tinha desempenho elogiável. Seu retorno à democracia e à prosperidade após uma guerra civil e a ditadura Franco é, afinal, uma das grandes histórias de sucesso da Europa do pós-guerra. Nos dez anos terminados em 2006, o crescimento real chegou à média anual de 3,7%, contra 2,1% na zona do euro. O PIB per capital subiu para mais de 90% da média dos 15 principais países ocidentais da União Europeia.<br />
Essa expansão ajudou a gerar mais de 5 milhões de empregos e a atrair mais imigrantes, como proporção relativa à população, que qualquer outro país da Europa. A construção civil, financiada pelo crédito fácil, foi o motor principal da economia durante uma década -e aí está a origem das dificuldades. Como nos EUA e no Reino Unido, a bolha imobiliária se rompeu, com grande força.<br />
Estimados 1 milhão de casas e apartamentos recém-construídos estão desocupados. A construção residencial -que respondeu diretamente por 7,5% do PIB em 2006- está quase parando. O lobby que representa 14 grandes construtoras anunciou que não iniciou a construção de uma única casa nova em dezembro e só 135 em todo o quarto trimestre de 2008. &#8220;Durante 15 anos, o padrão de crescimento da economia espanhola foi baseada em mercados financeiros com alto grau de liquidez &#8211; e liquidez barata&#8221;, diz Rafael Doménech, economista-chefe para a Europa do banco espanhol BBVA. &#8220;Foi ótimo para a economia espanhola que as famílias e as empresas usassem essa liquidez para aumentar sua dívida.&#8221;<br />
E foi o que elas fizeram. A dívida do setor privado dobrou em uma década, chegando a 120% do PIB. Com boa parte do crédito vindo de aposentados alemães e outros poupadores, através de títulos de crédito espanhóis avalizados por hipotecas, o déficit de conta corrente chegou a mais de 10% do PIB. Com o novo ambiente dos mercados financeiros, diz Doménech, &#8220;não podemos esperar usar o mesmo modelo de crescimento dos últimos dez anos&#8221;.<br />
Teoricamente, a Espanha poderia substituir a atividade da construção com o aumento da produção em outros setores. O país é uma das economias mais abertas do mundo, e suas empresas nos setores de moda, energia renovável, infraestrutura e bancos têm sido investidores externos e exportadores ativos. Mas outras economias não estão em condições de assumir o lugar da construção. A indústria automotiva espanhola, responsável por um quinto das exportações do país e 6% de seu PIB, está lutando para fazer frente à queda na demanda doméstica e externa. O turismo, que movimenta 50 bilhões, caiu 3% no ano passado -a primeira queda anual desde 97.<br />
O premiê socialista José Luis Rodríguez Zapatero seguiu o mesmo caminho que outros líderes na crise, anunciando uma enxurrada de planos de gastos governamentais, numa tentativa de combater o aumento do desemprego e evitar uma depressão prolongada. Miguel Sebastián, seu ministro da Indústria, vem flertando com o protecionismo -embora negue a acusação-, lançando uma campanha de &#8220;compre produtos espanhóis&#8221;.<br />
Mas não há certeza alguma de que as medidas de gastos -algumas anunciadas apesar das objeções do ministro das Finanças e ex-responsável pela restrição fiscal, Pedro Solbes- terão os efeitos desejados. O que é certo é que a margem fiscal de manobra do governo, com o déficit orçamentário projetado já sendo mais que o dobro do teto de 3% do PIB permitido pela UE, é fortemente limitada. Embora a dívida pública acumulada ainda seja relativamente modesta, a deterioração das finanças públicas levou a agência de classificação Standard &amp; Poor&#8217;s, no mês passado, a tirar da Espanha sua classificação AAA.<br />
Em crises anteriores, a Espanha simplesmente desvalorizou a peseta para aumentar a competitividade das exportações e atrair investimentos -o caminho seguido agora pelo Reino Unido-, mas uma desvalorização unilateral deixou de ser uma opção possível para um membro da zona do euro.<br />
Quase todos os executivos, economistas ortodoxos e políticos da oposição de direita concluem que a única maneira de a Espanha emergir da crise mais forte -ou sobreviver a ela dentro dos limites da zona do euro- é aumentar sua produtividade e competitividade, adotando reformas estruturais. O que querem dizer é que empregados possam ser contratados e demitidos mais facilmente, a um custo menor, e que os salários sejam definidos por empresas, não por setores.<br />
Na semana passada, o presidente do Banco Central, Miguel Angel Fernández Ordóñez, irritou o governo ao descrever a reforma trabalhista como a medida &#8220;mais importante&#8221; contra o desemprego.<br />
Enquanto isso, o fim da alta performance econômica deixa a dúvida: será que o país poderá retomá-la ao final da crise global? Para os economistas, a construção foi uma parte tão importante que a recuperação inevitavelmente será lenta. &#8220;A economia espanhola levará cerca de sete anos para crescer a 3% ao ano novamente&#8221;, diz Bernardo Quirós. &#8220;Os espanhóis perderão metade de sua riqueza. É horrível.&#8221;</p>
<p><strong>Tradução de CLARA ALLAIN</strong></p>
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		<title>&#8220;Os Irmãos Karamabloch&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Nov 2008 19:52:05 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[CARLOS HEITOR CONY




 Escreveu mais do que a história de sua família. Fez a primeira parte de sua autobiografia



FAMÍLIA DE 17 PESSOAS chegou ao Rio de Janeiro em 1922, na terceira classe do &#8220;Re d&#8217;Italia&#8221;. Eram ucranianos, genericamente russos, mas, sobretudo, judeus. O patriarca, Joseph Bloch, tivera uma gráfica em Kiev, chegara a imprimir o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><font size="+1" color="#000080">CARLOS HEITOR CONY</font></strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.companhiadasletras.com.br/Html/Images/Livros/11473.jpg" style="border-color: black" border="0" /></div>
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<tr>
<td>
<hr size="2" noshade="noshade" /> <font size="4"><strong><em>Escreveu mais do que a história de sua família. Fez a primeira parte de sua autobiografia</em></strong></font><br />
<hr size="2" noshade="noshade" /></td>
</tr>
</table>
<p>FAMÍLIA DE 17 PESSOAS chegou ao Rio de Janeiro em 1922, na terceira classe do &#8220;Re d&#8217;Italia&#8221;. Eram ucranianos, genericamente russos, mas, sobretudo, judeus. O patriarca, Joseph Bloch, tivera uma gráfica em Kiev, chegara a imprimir o dinheiro do efêmero governo de Kerenski. Decidira tentar inicialmente os Estados Unidos, mas a cota de imigrantes para aquele país estava fechada, a alternativa foi vir para o Brasil.<br />
Este não foi o início dos Blochs.<br />
Antes da viagem, já se podia falar numa &#8220;saga&#8221;, com lances que um dos  descendentes do clã acaba de lançar:  &#8220;Os Irmãos Karamabloch&#8221; (Companhia das Letras, 344 págs., R$ 48).<br />
Para levantar a sua história, Arnaldo pesquisou durante sete anos,  foi a Jitomir e Kiev, entrevistou  muita gente e foi testemunha da etapa final de um império da comunicação que teve ascensão e queda  -como, de resto, todos os outros  impérios tiveram e terão.<br />
O assunto era bom e vasto. Muitos  o tentaram, mas desanimaram por  um motivo ou outro. Uma biografia  tradicional, com princípio, meio e  fim, na linguagem correta e oficial  para este gênero de livro, com obediência da ordem cronológica e sem  assumir deliberadamente a lenda e a  história, não daria o resultado que  Arnaldo Bloch conseguiu. Antes de  mais nada, ele usou a linguagem e a  técnica do romance -gênero no  qual estreou, com &#8220;Amanhã a Loucura&#8221;, e continuou com &#8220;Talkshow&#8221;.<br />
O charme do livro é que o narrador funciona como personagem da  trama, recurso que Proust e outros  memorialistas também usaram.<br />
Evidente que o foco principal é dedicado aos três Blochs que Otto Lara  Resende, frasista famoso, que também é personagem do livro, chamou  de &#8220;Irmãos Karamabloch&#8221;.<br />
Ou seja, os filhos do patriarca: Boris, Arnaldo e Adolpho. As filhas de  Joseph funcionam, na narrativa, como o coro das tragédias gregas: comentam a ação, sugerem e sofrem,  de certa forma, as conseqüências.<br />
Uma noite dos anos 80, Leonardo  e Iná, pais de Arnaldo, trouxeram o  rebento para jantar em minha casa,  trazendo também o Rodian, um setter que era parente da minha Mila.<br />
Naquela época, Arnaldo estava numa encruzilhada vocacional: por  gosto e influência de sua geração,  queria se dedicar à música -e era  bem dotado para isso. Sentia apelos  pela literatura e pelo jornalismo,  mas, se dependesse dele, naquela  ocasião, seria um músico, intérprete  ou compositor.<br />
O pai não era contra, mas preferia  que Arnaldo fosse escritor. Daí que  me pediu para conversar com o filho. Conversa vai, conversa vem, Arnaldo saiu lá de casa levando alguns  livros que lhe indiquei, inclusive um  de Balzac, &#8220;Grandeza e decadência  de César Biroteau&#8221;. Levou também  Kafka, Goethe e outros.<br />
Mais tarde, após ocupar diversos  cargos na empresa da família, foi para &#8220;O Globo&#8221;, onde, hoje, assina uma  crônica semanal e faz reportagens  especiais. Um dia, me procurou com  os originais de seu primeiro romance, que seria publicado pela Nova  Fronteira e que hoje tem uma edição de bolso. Depois veio o segundo,  já na Companhia das Letras, que  apostou em Arnaldo e patrocinou  sua ida a Kiev.<br />
Foi longa a escritura do livro, mais  romance do que biografia, embora  seja as duas coisas. Basta citar o  princípio e o fim da ação: o pai de Arnaldo no salão escuro do apartamento, olhando em silêncio a praia  de Copacabana. Cena que se repete  ao final, fazendo da ação principal  um enorme flashback, em que misérias e grandezas compõem um movimentado gran guignol que lembra  Dostoiévski em alguns momentos,  em outros o Máximo Gorki de &#8220;Os  Pequenos Burgueses&#8221;.<br />
A figura de Abrascha, que se tornaria Adolpho e que na opinião do  tio Jorge &#8220;nem era para ter nascido&#8221;,  ocupa grande parte do primeiro plano da narrativa. Com suas contradições, a compulsão pelos grandes  gestos e a submissão aos momentos  de cólera, nem sempre justa, fazem  dele um dos personagens mais polêmicos, que encantou e provocou  ódios de duas gerações de jornalistas  e banqueiros.<br />
Por isso mesmo, o livro do seu sobrinho-neto só podia ser escrito como Arnaldo o fez. Sem elogio e sem  censura. Não funcionou como o biógrafo preocupado com o rigor histórico e a opinião da crítica. Escreveu  mais do que a história de sua família.  Fez a primeira parte de sua possível  autobiografia.</p>
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		<title>Sorria, meu bem, sorria</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Nov 2008 17:18:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Lentidão recorde após restrições à carga: 230 km



Renato Machado &#8211; O Estado SP
O trânsito na capital parou de novo ontem. Às 18h55, a lentidão chegou a 230 quilômetros &#8211; 27,5% das vias monitoradas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Foi o maior índice após a implementação do pacote que teve como principal medida as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="4"><strong><br />
Lentidão recorde após restrições à carga: 230 km</strong></font></p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/sorria-meu-bem-sorria/8521/" rel="attachment wp-att-8521" title="congestionamento2.jpg"></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/11/congestionamento2.jpg" alt="congestionamento2.jpg" /></div>
<p></a></p>
<p style="background-color: #ffff99">Renato Machado &#8211; O Estado SP</p>
<p>O trânsito na capital parou de novo ontem. Às 18h55, a lentidão chegou a 230 quilômetros &#8211; 27,5% das vias monitoradas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Foi o maior índice após a implementação do pacote que teve como principal medida as restrições para caminhões. O recorde histórico é de 9 de maio, quando a lentidão chegou a 266 km, causada, principalmente, por um acidente envolvendo uma carreta.</p>
<p>Conforme a CET, as principais causas foram excesso de veículos, véspera de feriado e dois acidentes na Marginal do Pinheiros. O primeiro foi às 15h43, quando um caminhão que seguia no sentido Ayrton Senna bateu em um poste, atropelou uma pessoa e bloqueou duas faixas. O outro foi a queda de um motociclista no sentido Castelo Branco. As vias mais afetadas foram a Marginal do Tietê, sentido Ayrton Senna; o corredor norte-sul; e a Avenida dos Bandeirantes, sentido Imigrantes.</p>
<p>Em 30 de junho foi criada a Zona de Máxima Restrição à Circulação de Caminhões (ZMRC), área de 100 km² no centro expandido, onde veículos de carga ficaram proibidos de circular entre 5 e 21 horas. Um mês depois, estabeleceu-se rodízio para caminhões nas Marginais e o de placas pares e ímpares para os Veículos Urbanos de Carga (VUCs). A Secretaria Municipal dos Transportes mudou recentemente regras de estacionamento nos Jardins.</p>
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		<title>FMI alerta para efeito &#8220;boomerang&#8221; na crise</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Nov 2008 13:13:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Crédito requer incentivo , diz Banco Mundial
Sergio Leo, VALOR
Grande número de países em desenvolvimento está entrando numa nova zona de turbulência provocada pela crise financeira mundial, e, para evitar conseqüências severas, a paralisação nos mercados de crédito tem de ser atacada rapidamente pelas principais economias do planeta, que se reúnem neste fim de semana em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.lawrei.eu/MRA_Alliance/wp-content/uploads/2007/10/boomerang1.jpg" alt="http://www.lawrei.eu/MRA_Alliance/wp-content/uploads/2007/10/boomerang1.jpg" /></div>
<p><strong>Crédito requer incentivo , diz Banco Mundial</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Sergio Leo, VALOR</strong></p>
<p>Grande número de países em desenvolvimento está entrando numa nova zona de turbulência provocada pela crise financeira mundial, e, para evitar conseqüências severas, a paralisação nos mercados de crédito tem de ser atacada rapidamente pelas principais economias do planeta, que se reúnem neste fim de semana em Washington, alertam analistas do Banco Mundial convocados para assessorar o grupo das maiores economias mundiais, o G-20. As condições de crédito tendem a piorar em 2009, e exigem resposta rápida, concordam técnicos do Fundo Monetário Internacional.</p>
<p>Deve ser revisto, para incluir hipóteses mais pessimistas, o cenário de arrocho no crédito traçado pelo relatório sobre estabilidade financeira global, divulgado pelo FMI em outubro. O relatório, já austero, previa que a oferta de crédito não teria nenhum crescimento, e que seriam necessários US$ 675 bilhões para financiamento nos próximos dois anos. A ação dos bancos centrais que injetaram dinheiro nos bancos privados é suficiente para suprir essas necessidades de crédito, avalia o Fundo; mas o problema é que o agravamento da crise deve provocar perdas muito maiores que as esperadas.</p>
<p>O risco do efeito bumerangue, com o reflexos, nos bancos dos países ricos, da crise sobre os emergentes, deve servir de alerta aos governos do G-20, acreditam os técnicos. Uma das principais preocupações dos economistas dos bancos multilaterais é a rapidez com que a crise se espalhou para a Europa e países em desenvolvimento, e se deterioraram as condições de financiamento nos países emergentes, especialmente para o setor privado.</p>
<p>O ajuste nos sistemas financeiros dos países desenvolvidos deve reduzir a disponibilidade de crédito pelos próximos anos, o que torna ainda mais desafiador o cenário para os países emergentes necessitados de financiamento. É grande o número desses países, até hoje beneficiados por fluxos de investimentos diretos que vinham sendo estimulados pelo crescimento nas economias centrais.</p>
<p>Na estimativa do FMI, as necessidades de financiamento nesses países praticamente dobrarão entre este ano e o ano que vem, o que exigirá uma emissão recorde de títulos da dívida. O setor privado deve aumentar suas necessidades de quase US$ 250 bilhões para pouco mais de US$ 470 bilhões; o setor público, de quase US$ 100 bilhões para cerca de US$ 200 bilhões. Isso em uma situação de aumento nos custos dos papéis, e na qual, desde setembro nenhuma empresa de país emergente encontrou condições de emitir títulos no mercado externo, sequer para rolar dívidas existentes.</p>
<p>O &#8220;efeito bumerangue&#8221; identificado pelo FMI tem duas vias: por um lado a deterioração dos preços dos ativos mantidos por bancos estrangeiros nos mercados emergentes pode levar a fortes perdas nesses bancos, com grande exposição a créditos na Ásia, América Latina e Leste Europeu; por outro, a piora na situação dos bancos europeus pode levá-los a aumentar taxas de risco e reduzir a oferta de crédito, dificultando ainda mais a situação dos países em dificuldades.</p>
<p>Esses são só alguns dos problemas que terão de ser tratados pelos governantes reunidos em Washington, sob um clima de desânimo pela falta de um importante convidado, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama. O encontro já foi apelidado de Bretton Woods II, em comparação com a conferência de Bretton Woods, que criou instituições como o Banco Mundial e o FMI, para lidar com os desafios econômicos após a Segunda Guerra Mundial.</p>
<p>As chamadas instituições de Bretton Woods, habitualmente mais inclinadas a políticas de contenção de demanda em situações de crise, agora defendem que a política fiscal tenha um papel central no esforço para reduzir os riscos de deflação e sustentar o consumo e os investimentos. Cortes nas taxas de juros como os que vêm sendo anunciados pelos países ricos são importantes, mas apenas paliativos para a severa contração de crédito, que deve aumentar em 2009. Isso é especialmente verdadeiro nos EUA, onde já não há mais espaço para novos cortes na taxas de juros, na avaliação dos técnicos.</p>
<p>Os economistas do Fundo concordam com a ênfase de Obama para a necessidade de medidas destinadas a deter a queda no preço dos imóveis e inadimplência nas hipotecas nos EUA. Discordam porem da idéia de criar descontos nos impostos para isso; o mais eficiente, acreditam, será apoio financeiro direto ao setor imobiliário, transferências para governos estaduais para programas nos setor e aumento de gastos com obras públicas.</p>
<p>Na Europa, onde a política monetária ainda é vista como apertada pelo FMI e as pressões inflacionárias decrescem com a queda nos preços de commodities, novos cortes nas taxas de juros podem ser recomendáveis, aliados a medidas coordenadas de expansão dos gastos públicos.</p>
<p>A recuperação dos mercados desenvolvidos é fundamental para lidar com fatores responsáveis pela contaminação da crise nos países emergentes. Além das necessidades de financiamento das dívidas, um grande número de países emergentes registra crescimento em seus déficits de contas correntes, o balanço das transações comerciais, de serviços e de transferências dessas nações com o exterior. Um dos sérios problemas é a queda nas remessas feitas por imigrantes aos países de origem, segundo nota o banco Mundial: em 28 países, essas remessas, que devem chegar a US$ 295 milhões neste ano, são maiores que as receitas de exportação da commodity mais relevantes; em 36 nações são maiores que a entrada de capitais privados ou do setor público. Devem cair rapidamente em 2009, de, em média, 2% do PIB para 1,7% do PIB dos países de destino do dinheiro.</p>
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		<title>Duas visões da vitória de Obama</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Nov 2008 21:01:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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por Luiz Weis &#8211; Verbo Solto
Deu nos jornais. Há poucas semanas, a deputada republicana Michele Bachmann, de Minnesota, disse na televisão que estava “muito preocupada” com a possibilidade de Obama ter “idéias anti-americanas”. No dia seguinte à eleição, ela se declarou “extremamente grata por termos um presidente afro-americano”. A vitória de Obama, exultou, “foi um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/duas-visoes-da-vitoria-de-obama/8414/" rel="attachment wp-att-8414" title="obama_bandeira.jpg"></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/11/obama_bandeira.jpg" alt="obama_bandeira.jpg" /></div>
<p></a></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>por Luiz Weis &#8211; <a href="http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/blogs.asp?id_blog=3">Verbo Solto</a></strong></p>
<p>Deu nos jornais. Há poucas semanas, a deputada republicana Michele Bachmann, de Minnesota, disse na televisão que estava “muito preocupada” com a possibilidade de Obama ter “idéias anti-americanas”. No dia seguinte à eleição, ela se declarou “extremamente grata por termos um presidente afro-americano”. A vitória de Obama, exultou, “foi um tremendo sinal que nós mandamos.”</p>
<p>Se fosse mais uma das incontáveis cenas explícitas de adesismo que os políticos se permitem o tempo todo em toda parte (Mangabeira Unger e Eduardo Paes em relação a Lula, por exemplo, guardadas as devidas), o episódio não serviria de gancho para espetar nele um comentário – ou uma provocação – sobre o que parece a este blogueiro um dos aspectos mais interessantes da eleição americana de que a imprensa mundial se ocupou, com pencas de fatos e argumentos, mas, salvo engano, sem parar para discuti-los.</p>
<p>A deputada, a rigor, não aderiu a Obama. O que ela queria, segundo uma interpretação, era “não ficar no lado errado da história”. Isso deve ser verdade também para aqueles americanos que, a julgar por suas manifestações dos últimos dias, sonhavam desde criancinha com a eleição de um negro para a Casa Branca – e com os quais não se devem confundir os milhões de pessoas, dentro e fora dos Estados Unidos, que torciam ardentemente por ele e acham que o mundo ficou melhor depois da maior das terças-feiras da história da América.</p>
<p>Mas não é nem disso que se trata exatamente. O ponto – que remete aos tais fatos e argumentos que inundaram a mídia, sem que ela os tivesse posto em debate – está no fecho da fala da senhora Bachmann.</p>
<p>Repetindo: “Foi um tremendo sinal que nós enviamos”.</p>
<p>Então lá vai: “Nós” quem, cara-pálida?</p>
<p>”Nós”, evidentemente, seriam os Estados Unidos da América – os seus valores de berço com os quais o país, sem distinções, se reencontrou elegendo Obama. Não foi ele próprio quem disse, no discurso de vitória, que a América “é o lugar onde tudo é possível”?</p>
<p>Ou, no título do editorial da edição do último domingo do Observer, de Londres: “A América restaurou a fé mundial nos seus ideais”.</p>
<p>Aceitar esses enunciados pelo seu valor de face implica, primeiro, passar batido pelo fato de que esses ideais – “democracia, liberdade, oportunidade e inabalável esperança”, Obama, no mesmo discurso – conviveram durante 76 anos (de 1787, quando foi promulgada a Consitutição de Filadélfia, a 1863, quando acabou a Guerra Civil) com a escravidão legal e, depois, durante mais de um século com a segregação racial, aberta ou disfarçada, em muitas partes da América.</p>
<p>É fato histórico que, entre abolir a escravidão e garantir a unidade das 13 colônias que viriam a formar os Estados Unidos, os “pais fundadores” escolheram a unidade.</p>
<p>É fato histórico ainda que eles adotaram um sistema político – o do voto majoritário, ou distrital, para a eleição do Congresso, combinado com a escolha em última análise indireta do presidente da República – concebido para barrar a ascensão ao poder das minorias, quaisquer que fossem. E adotaram um sistema eleitoral feito para desestimular os mais pobres a votar [“O voto americano visto do Brasil”, neste blog].</p>
<p>Mas é fato histórico também que, em matéria de liberdades individuais, a começar da mais essencial delas, a de expressão, nenhum país iguala os Estados Unidos.</p>
<p>O país, escreveu na semana passada o historiador holandês Ian Buruma, “representa o que o combalido mundo ocidental tem de melhor e de pior”. Pura verdade.</p>
<p>Em segundo lugar e mais prosaicamente, aceitar o enunciado de que “a América” elegeu Obama faria sentido se ele devesse a sua vitória a uma maioria homogênea, ou quase isso, de eleitores. Não foi assim: quem deu a Obama 65,4 milhões de votos (ante 57,4 milhões para McCain) foi uma determinada América – a coalisão de negros, jovens, mulheres e hispânicos das grandes cidades.</p>
<p>As pesquisas de boca-de-urna (depois da votação) revelaram que votaram em Obama 95% dos negros, 70% dos moradores das metrópoles, 66% dos jovens de 18 a 29 anos – o grande exército mobilizador de recursos e eleitores, via internet –, 66% também dos hispânicos e 56% das mulheres.</p>
<p>A propósito, dos eleitores de primeira viagem, 7 em 10 votaram em Obama.</p>
<p>Se dependesse apenas do voto masculino, não se sabe no que daria a eleição. Foram 49% para Obama, 48% para McCain. Se dependesse apenas do voto branco, daria McCain por 55% a 43%. Embora, proporcionalmente, mais homens brancos votaram em Obama do que em qualquer outro candidato democrata desde Jimmy Carter (1974), Bill Clinton incluído.</p>
<p>Além disso, Obama ganhou no Nordeste, no Meio-Oeste e no Oeste. Perdeu no Sul (Arkansas, Oklahoma, Louisiana, Tennessee, Missisippi, Alabama, Georgia e Carolina do Sul), embora tivesse obtido uma vitória histórica – com perdão pelo adjetivo – na Carolina do Norte.</p>
<p>A coalisão pró-Obama foi também uma coalisão de motivações – o que a ênfase no “voto da América” que percorre a mídia torna mais difícil discernir.</p>
<p>Os negros votaram em Obama, antes de tudo, porque era o primeiro deles escolhido candidato por um dos dois grandes partidos nacionais, portanto o primeiro a ter chances reais de chegar lá.</p>
<p>O mestiço Obama, no Brasil, seria mulato. Nos Estados Unidos de duas cores, negro. E, como tal, os negros o encamparam. Perguntado, depois da vitória, se preferia se referir a Obama como meio-branco e meio-negro, ou simplesmente negro, um barman de Washington respondeu: “Negro. Porque significa mais.”</p>
<p>Não menos revelador – e neste caso também por relativizar a teoria de que “a América” elegeu Obama – foi um comentário recolhido pelo correspondente do Globo em Washington, José Meirelles Passos, em Birmingham, Alabama.</p>
<p>“Sempre houve, no fundo, a sensação de que os negros não podiam ser parte do povo americano, e muito menos do sonho americano”, disse-lhe Jacqueline Wood, diretora-assistente do Programa de Estudos Afro-Americanos da Universidade do Alabama. “Nós estávamos sentados na cozinha. Agora passamos para a sala de visitas.”</p>
<p>Os jovens votaram em Obama principalmente por se identificar com o mais inspirador (“Yes, we can”) dos políticos americanos desde John Kennedy e decerto o mais singular deles: pelas origens, trajetória, personalidade, estampa – e coolness.</p>
<p>Também junto às mulheres funcionaram as suas “armas de atração em massa”. Com uma particularidade que, de novo salvo engano, só foi destacada na imprensa graças a um artigo no New York Times da sexta-feira, 7, pelo sociólogo jamaicano Orlando Patterson, da Universidade Harvard.</p>
<p>”Essa campanha, de maneira notável, foi uma reencenação da inteira e entrelaçada luta de negros e mulheres pela inclusão política”, observou. “A primeira vez que rejeitaram o seu confinamento ao papel de virtuosa maternidade na esfera privada no início da República foi ao liderar o combate muito público pela abolição da escravatura.”</p>
<p>As conquistas negras sempre pressagiaram os avanços femininos, lembra Patterson, “embora não sempre pelos motivos mais nobres”. Ou seja, o movimento pela emancipação das mulheres se nutria da seguinte rationale: afinal, se os negros podem votar, podem encontrar na lei proteção contra a discriminação e disputar cargos eletivos, por que não nós, mulheres?</p>
<p>A partir dos anos 1980, pela primeira vez desde que passaram a ter direito ao voto, as mulheres passaram a votar proporcionalmente mais do que os homens e em candidatos comparativamente mais progressistas.</p>
<p>”Em termos demográficos crus, o mais importante fator da vitória de Obama foi a margem de 13 pontos a seu favor no eleitorado feminino”, assinala o sociólogo.</p>
<p>De fato, a vantagem de Obama foi relativamente maior entre os mais jovens. Mas estes são apenas 18% do eleitorado. Vale para os hispânicos: como os jovens, 2 em cada 3 deles votaram em Obama; mas representam somente 8% do eleitorado. Já as mulheres (56% pró-Obama) pesaram mais porque são 53% do eleitorado.</p>
<p>E os trabalhadores brancos, aqueles a quem, nas prévias do Partido Democrata, e no seu pior momento, Hillary Clinton pediu o voto com uma mensagem que se curvava ao seu preconceito (”Hard-working Americans; White hard-working Americans…”)? O que levou sabe-se lá quantos deles a votar em Obama?</p>
<p>A resposta, numa palavra, parece ter sido a crise. Como se tivessem posto num dos pratos da balança o medo de ter um presidente negro, no outro o medo de ter um presidente branco incapaz de salvá-los do naufrágio econômico.</p>
<p>O New York Times ouviu um deles, no subúrbio de Levittown, Pensilvânia (Estado em que McCain investiu pesadamente, em vão, na reta final da campanha). O técnico em ar-condicionado Joe Sinitski disse ao repórter Michael Sokolove:</p>
<p>”Durante muito tempo eu não podia ignorar o fato de que Obama é negro, se é que me entende. Não me orgulho disso, mas fui criado a pensar que não há negros bons. Eu podia ver que ele é muito inteligente, e isso conta para mim, mas meu instinto ainda era o de fechar com o branco. Mas, quando ele escolheu [a governadora do Alasca] Sandra Palin para vice, com todos os problemas que a gente tem, isso não mostrou inteligência da parte de McCain. Não dizia coisa boa dele em geral.”</p>
<p>O interesse próprio prevaleceu sobre o racismo, em suma.</p>
<p>O que vai acontecer com o racismo americano não se pode prever. O lugar-comum que se encontra numa página dos jornais e na outra também é que o próprio triunfo de Obama – e a sua repercussão mundial sem paralelo – funciona por si só como um breve contra o preconceito.</p>
<p>Tomara. Afinal, o homem tem uma capacidade única de fazer com que as pessoas ponham para fora o que têm de melhor. A euforia dos europeus, por exemplo, é o reverso da medalha da hostilidade européia aos imigrantes, principalmente de pele escura.</p>
<p>Mas, nos Estados Unidos, há apenas quatro meses uma pesquisa nacional mostrou que apenas 30% dos eleitores brancos diziam ter uma opinião favorável de Obama. E mais: cerca de 60% dos entrevistados negros – e não mais de 34% dos brancos – achavam que as relações raciais no país são em geral ruins.</p>
<p>A pesquisa revelou que muitos padrões raciais na sociedade americana permanecem intocados nos anos recentes. Muito pouco mudou no componente racial da vida cotidiana no país desde 2000, quando o New York Times publicou uma série de reportagens intitulada “Como a raça é vivida na América”.</p>
<p>Exemplo: mais de 40% por cento dos negros americanos acham que foram parados pela polícia por causa da cor de sua pele, a mesmo índice de respostas da pesquisa de oito anos atrás.</p>
<p>”Devagar com o andor pós-racial”, escreveu na Folha o correspondente Sérgio Dávila. “Os Estados Unidos mudaram, os novos eleitores e os eleitores novos ajudaram a eleger Barack Obama – mas foi preciso uma crise econômica sem precedentes e o equivalente ao gênio negro na política concorrendo para que isso acontecesse.”</p>
<p>Toda eleição, obviamente, tem a sua circunstância. A desta, nos Estados Unidos, se chamou George W. Bush, atolando americanos em duas guerras, nos maiores índices de pobreza e desigualdade desde os impropriamente chamados Anos Dourados (a década de 1920), e, enfim, no colapso financeiro e na recessão.</p>
<p>Foi o que decidiu a parada em favor de Obama. Antes do derretimento de Wall Street, não custa lembrar, ele e McCain estavam cabeça a cabeça nas pesquisas.</p>
<p>Então, uma coisa é dizer que Obama encarna o que a América tem de melhor ou que a América ficou melhor com a sua vitória. Outra coisa é dizer que o resultado eleitoral comprova a excepcionalidade dos Estados Unidos, o poderio incomparável de seus valores.</p>
<p>A imprensa ficou devendo um debate sobre essas duas visões – um debate, em suma, sobre a democracia na América.</p>
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		<title>NAÇÃO FURTA-COR</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Nov 2008 15:33:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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 VITÓRIA DEMOCRATA REVELA PESO DA COMUNIDADE LATINA NOS EUA E MOSTRA COMO O BRASIL PERDEU O BONDE DA HISTÓRIA NA QUESTÃO RACIAL 



 


Anja Niedringhaus &#8211; 4.nov.08/Associated Press






Correligionários do então candidato do Partido Democrata fazem campanha do Hariem, em Nova York
        LUIZ FELIPE DE ALENCASTRO
  COLUNISTA [...]]]></description>
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<tr>
<td>
<hr size="2" noshade="noshade" /> <font size="4"><strong><em>VITÓRIA DEMOCRATA REVELA PESO DA COMUNIDADE LATINA NOS EUA E MOSTRA COMO O BRASIL PERDEU O BONDE DA HISTÓRIA NA QUESTÃO RACIAL </em></strong></font></p>
<hr size="2" noshade="noshade" /></td>
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<p><!--Fotografia/Auto/Inicio--> <!--FOTO--></p>
<table width="350">
<tr>
<td><font size="-2">Anja Niedringhaus &#8211; 4.nov.08/Associated Press</font><br />
<a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/nacao-furta-cor/8382/" rel="attachment wp-att-8382" title="obama_letras.jpg"></a></p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/nacao-furta-cor/8382/" rel="attachment wp-att-8382" title="obama_letras.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/11/obama_letras.jpg" alt="obama_letras.jpg" /></a></div>
</td>
<td valign="bottom"></td>
</tr>
</table>
<p><font size="-1"><em>Correligionários do então candidato do Partido Democrata fazem campanha do Hariem, em Nova York</em></font></p>
<p><!--/FOTO--> <!--Fotografia/Auto/Final-->     <strong>  LUIZ FELIPE DE ALENCASTRO</strong><br />
<font size="-1">  COLUNISTA DA FOLHA </font></p>
<p>No jogo barra-pesada da política em  Chicago, onde  Obama se elegeu  para o Senado Federal, Kirk Dillard, velha raposa do Partido Republicano, já  havia topado com o perigo  ameaçando seus correligionários: &#8220;Sempre tivemos medo de  ver Barack tornar-se um &#8220;rock  star&#8221; da política americana&#8221;.<br />
A frase não foi dita na semana passada. Ela apareceu em  maio de 2004, no artigo de William Finnegan na revista  &#8220;New Yorker&#8221; que, pela primeira vez na grande imprensa,  apontava a garra política de Barack Obama.<br />
Dois meses depois, Obama  atraiu a atenção do país com o  seu notável discurso &#8220;supra-racial&#8221; na convenção democrata  de Boston. Em novembro do  mesmo ano, foi eleito para o  Senado Federal.<br />
O resto é a história que  transcorre agora sob os olhos e  as expectativas dos norte-americanos e do mundo inteiro.<br />
Quais as implicações da eleição altamente simbólica de  Obama na política do Brasil,  país que contém a maior população afrodescendente das  Américas?  Culturalmente globalizado,  Obama conhece a Europa, a  Ásia e a África. Mas nunca pôs  os pés na América Latina.<br />
Persiste ainda nos EUA o  embaciamento que cobriu a  América Latina depois da reorganização da agenda internacional americana na seqüência  do 11 de Setembro.<br />
Isto posto, a revista londrina  &#8220;The Economist&#8221; extraiu dos  votos no Senado e dos discursos de campanha elementos  que configuram a política de  Obama com relação à América  Latina. No tocante aos tópicos  que podem impactar o Brasil,  há dois pontos principais.</p>
<p><strong>Ambivalência</strong><br />
O primeiro é ambivalente.<br />
Obama é favorável aos acordos  sobre biocombustíveis, mas  prega a inclusão de cláusulas  sobre o ambiente e as condições de trabalho envolvendo  produtos exportados para os  EUA. O segundo ponto se refere à imigração.<br />
Obama propõe uma legislação mais liberal, dando aos imigrantes ilegais a oportunidade  de se tornarem cidadãos norte-americanos.<br />
Calcula-se que cerca de 900  mil brasileiros vivam legal e ilegalmente nos EUA. Apesar da  crise econômica americana, a  imigração clandestina brasileira continua ativa.<br />
De modo mais geral, o voto  dos latinos -incluindo o voto  dos milhares de brasileiros com  cidadania americana- constituiu um dos pilares da vitória  de Obama.<br />
Ao lado dos jovens (66% dos eleitores entre 18 e 29 anos votaram em Obama), dos negros, tradicionais eleitores democratas (97% em Obama), dos americano-asiáticos (62% em Obama), dos judeus (78% em Obama), dos habitantes das grandes cidades (70% em Obama), os latinos (67% em Obama) renovaram o eleitorado democrata no país.<br />
Nesse contexto, os latinos tiveram um peso decisivo, pois  compuseram boa parte dos novos eleitores e porque abandonaram os candidatos republicanos. Sobretudo por causa da  crise dos subprimes e da política imigratória do governo de  George W. Bush.<br />
O feitio multicultural da vitória democrata, garantia de uma  dominação partidária duradoura, responde ao objetivo  perseguido com determinação  por Barack Obama: posicionar  sua candidatura acima das clivagens raciais.<br />
Aqui se situa um outro ponto  de impacto na política brasileira. Em que medida a eleição de  um negro à Presidência dos  EUA influencia o atual debate  sobre a discriminação racial e  as cotas no Brasil?<br />
De saída, é preciso salientar  as semelhanças e as diferenças  entre os EUA e o Brasil.<br />
Os dois países tiveram um escravismo arraigado na sociedade e consubstancial à formação  nacional. As elites das independências americana e brasileira  nacionalizaram e modernizaram o escravismo de origem colonial. Daí o racismo que perpetuou-se -de maneira distinta-  tanto nos EUA como no Brasil.<br />
Apoiando as medidas de  &#8220;ação afirmativa&#8221; contra as discriminações raciais, o futuro  presidente americano é, no entanto, desfavorável ao sistema  de cotas. Obviamente, Obama  se beneficiou das políticas que  favoreciam a promoção dos jovens afro-americanos.</p>
<p><strong>Contraste gritante</strong><br />
Ora, os negros e mulatos  americanos formam uma das  minorias demográficas do país,  representando 12% da população. Menos, portanto, que os  15% de latinos (descendentes  de latino-americanos brancos,  negros ou de origem indígena),  cuja taxa de natalidade é duas  vezes maior que a da restante  da população americana.<br />
No Brasil, os afrodescendentes são, desde este ano, mais  numerosos que os brancos e, a  partir de 2010, formarão a  maioria absoluta da população  brasileira. O fato de que ainda  constituam uma minoria política faz ainda mais cortante o  contraste com a situação americana.<br />
Há 50 anos, o estatuto dos  negros americanos nos Estados  racistas do Sul era, em muitos  aspectos, pior que a dos negros  brasileiros. O quadro mudou,  na seqüência das decisões da  Corte Suprema, das campanhas pelos direitos civis e pelas  políticas afirmativas, fixando  dispositivos legais em favor da  minoria negra.<br />
No Brasil, permaneceu tudo  igual, e multiplicam-se as estatísticas desenhando o quadro  aberrante da desigualdade racial. Hoje, guardadas as devidas  proporções, a situação dos negros brasileiros é pior que a dos  negros americanos.<br />
Em algumas décadas, a sociedade americana transformou-se, e Barack Obama será o 44º  presidente dos EUA.  Quantos presidentes haverá  ainda no Brasil antes que um  negro vista a faixa presidencial  no Palácio do Planalto?</p>
<p><font size="-1"><strong>LUIZ FELIPE DE ALENCASTRO</strong> é historiador,  professor na Universidade de Paris 4. É autor de  &#8220;O Trato dos Viventes&#8221; (Cia. das Letras) e escreve regularmente na seção &#8220;Autores&#8221;, do <strong>Mais!</strong>.</font></p>
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		<title>O triunfo de uma nação</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Nov 2008 17:35:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Dorrit Harazim &#8211; O Globo
Na noite em que Franklin D. Roosevelt obteve colossal vitória sobre o adversário republicano Herbert Hoover, em meio à Grande Depressão que engolia os Estados Unidos em 1932, o 32º presidente eleito fez uma confidência rara ao mais velho de seus 6 filhos: — Ao longo da minha vida, eu tive [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.huffingtonpost.com/huff-wires/20081008/obama/images/49da8fa4-8ee2-467f-b24e-1075616b153d.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://www.huffingtonpost.com/huff-wires/20081008/obama/images/49da8fa4-8ee2-467f-b24e-1075616b153d.jpg" width="256" height="385" /></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Dorrit Harazim &#8211; O Globo</strong></p>
<p>Na noite em que Franklin D. Roosevelt obteve colossal vitória sobre o adversário republicano Herbert Hoover, em meio à Grande Depressão que engolia os Estados Unidos em 1932, o 32º presidente eleito fez uma confidência rara ao mais velho de seus 6 filhos: — Ao longo da minha vida, eu tive medo de apenas uma coisa, Jimmy: de incêndio.</p>
<p>(Roosevelt tinha os membros inferiores paralisados e vivia numa cadeira de rodas). Mas hoje acho que sinto medo de algo mais.</p>
<p>— De quê, pai? — Medo de talvez não ter a força necessária para dar conta da tarefa.</p>
<p>Como se sabe, Roosevelt deu conta, e o país se reencontrou como nação para encarar a Segunda Guerra mundial.</p>
<p>Na madrugada de anteontem, perante uma América de todas as raças que se sentia dona de sua própria História, o 44º presidente eleito Barack Hussein Obama festejou: — Esta vitória em si não basta para trazer a mudança que buscamos — ela é apenas o meio&#8230; Talvez leve um ano, talvez mais do que um só mandato&#8230;.</p>
<p>Mas nunca me senti mais esperançoso do que esta noite de que chegaremos lá.</p>
<p>Surpreendentemente, seu tom não era exultante. Era sóbrio e comedido.</p>
<p>Já para a multidão que acompanhava o discurso no Grant Park de Chicago com expressão de alumbramento, tudo, por um instante, pareceu possível — inclusive Obama sair dali caminhando sobre as águas.</p>
<p>Nessa jornada dos Estados Unidos ao encontro de sua História, o país escolheu ser conduzido por um homem cujo sobrenome (Obama), como já foi apontado, lembra o de um terrorista do Oriente Médio; e o nome do meio (Hussein) evoca o do ditador derrubado; e cujo prenome (Barack) rima com Iraque. Difícil inventar algo mais esdrúxulo para o paladar americano.</p>
<p>Mas é esse filho de mãe sulista branca e pai negro queniano, criado no Havaí por avó materna e deslocado para a Indonésia islâmica na juventude — tudo isso antes de procurar sua negritude na periferia de Chicago e se formar em Direito por Harvard — que acaba de receber do rapper Jay-Z a saudação definitiva: — Rosa Parks tomou assento para que Martin Luther King pudesse marchar. Martin Luther King marchou para que Obama pudesse correr. E Obama correu para que pudéssemos voar. O novo presidente é um brother.</p>
<p>A eleição de Obama vem tão carregada de simbolismos que cada um pendura nela o que quiser. Ela tem um efeito cascata que ultrapassa o universo do negro e sua “liberdade de voar”. Também o menino hispânico, a imigrante asiática, ou qualquer cidadão que não nasceu anglo-saxão mas tem na América o chão em que pisa todos os dias haverá de lembrar-se do dia em que Barack Obama foi eleito.</p>
<p>Obama expandiu a noção de pátria</p>
<p>A força por trás da vitória do candidato democrata pouco tem a ver com suas propostas políticas, posições ideológicas ou qualificação específica para o cargo de comandante-emchefe da nação mais poderosa do mundo. O que ele tem a oferecer, por enquanto, é o poder da imagem, o impacto de sua figura como retrato oficial dos Estados Unidos da América.</p>
<p>Para os povos que viveram as últimas décadas com motivos para demonizar o colosso americano, a troca do olhar furtivo de George W. Bush pelos traços mais universais de Barack Obama é tudo, menos cosmética. Ao contrário de seus antecessores, cujo lugar na História dependeu dos rumos que imprimiram a seus mandatos, Obama já garantiu sua cadeira cativa antes mesmo de ser empossado: pelo simples fato de ter sido eleito, ele já redefiniu o que é ser americano. Expandiu a noção de pertencimento, de cidadania, de pátria e de nação. Ou melhor, foram os eleitores que viram nele a possibilidade de redesenhar essas fronteiras.</p>
<p>De resto, a persona política do senador do Illinois continua engenhosamente indecifrável, e, portanto, sem arestas definidas, como lhe convém.</p>
<p>Para a geração que se perdeu entre a Guerra do Vietnã e o colapso de Wall Street essa indefinição vem a calhar, pois permite comparar o fenômeno eleitoral Barack Obama ao rastilho de voluntariado nacional desencadeado por John F. Kennedy em 1960.</p>
<p>Semelhanças com Kennedy</p>
<p>À primeira vista, nada a ver, pois o jovem senador de Massachusetts (40 anos incompletos, quando disputou a Casa Branca) já nascera milionário, caucasiano, era filho de patriarca em cujas veias corria poder. Mas ambos não passavam de calouros na política e disputaram a indicação partidária com senadores escaldados — Lyndon Johnson e Hubert Humphrey, no caso de Kennedy; Hillary Clinton no caso de Obama. Ambos, formados por Harvard, irromperam no cenário nacional de forma inesperada, tomando a palavra numa convenção partidária.</p>
<p>E Kennedy nascera católico, o que, para a América de 50 anos atrás, parecia impedimento político semelhante, senão maior, do que ser negro na América de hoje (à época, a hipótese de algum dia vir a existir um candidato negro sequer era aventada).</p>
<p>Nenhum dos dois se notabilizou por oferecer ao eleitor um plano de governo detalhado nem posições claras sobre questões pontuais de época.</p>
<p>Mas ambos perseguiram com teimosia uma visão de esperança na vida e confiança na capacidade de julgamento do eleitor. Ted Sorensen, conselheiro e braço-direito de JFK por 11 anos, conta que Lyndon Johnson ficou tão desconcertado com as adesões que Kennedy arrebanhava por onde passava que instruiu um assessor a espionar a campanha do adversário: “Descubra qual é o segredo dele, sua estratégia, suas fraquezas”.</p>
<p>Não adiantou. Só Kennedy tinha intuído que a nação americana aspirava por mudança.</p>
<p>Era um desejo vago, difícil de ser computado, uma vez que o presidente em exercício , Dwight Eisenhower, era um dos mais populares desde Franklin D. Roosevelt. Mas a intuição era certa.</p>
<p>Na eleição de 2008, a aspiração de mudança esteve escancarada o tempo todo, ao alcance de qualquer candidato.</p>
<p>Apenas um, Barack Hussein Obama, teve a audácia de convidar a nação a derrubar a sua fronteira mais enraizada. Pode ser uma jornada rumo ao desconhecido.</p>
<p>Mas ela não tem volta. A isso pode se chamar fazer História.</p>
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		<title>Após 145 anos, finalmente acabou a Guerra Civil</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Nov 2008 12:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Obama terá dificuldades, mas poderá ser um dos grandes presidentes da história americana
Thomas L. Friedman, The New York Times * &#8211; O Estado SP

Aconteceu que, em 4 de novembro de 2008, pouco após as 22 horas (horário da costa leste dos EUA), a Guerra Civil americana acabou quando um negro &#8211; Barack Hussein Obama [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>Obama terá dificuldades, mas poderá ser um dos grandes presidentes da história americana</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Thomas L. Friedman, The New York Times * &#8211; O Estado SP</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.express.co.uk/img/dynamic/1/x190/69527_5.jpg" alt="http://www.express.co.uk/img/dynamic/1/x190/69527_5.jpg" /></div>
<p>Aconteceu que, em 4 de novembro de 2008, pouco após as 22 horas (horário da costa leste dos EUA), a Guerra Civil americana acabou quando um negro &#8211; Barack Hussein Obama &#8211; recebeu uma votação suficiente para se tornar presidente.</p>
<p>A Guerra Civil que, até certo ponto, foi decidida pela Batalha de Gettysburg, Pensilvânia, em 1863, terminou 145 anos mais tarde pelas urnas nesse mesmo Estado. Pois Obama conquistou a Pensilvânia, crucial para as eleições, garantindo sua vitória.</p>
<p>Em seu Discurso de Gettysburg, o presidente Lincoln instou cada americano a retomar &#8220;o trabalho inacabado que os que aqui lutaram promoveram até agora tão nobremente&#8221;. Entretanto, essa obra ficou inacabada por um século e meio. Pois, apesar de décadas de ativismo social, de intervenções judiciais, de leis em defesa dos direitos civis &#8211; do caso Brown contra a segregação nas escolas, da cruzada de Martin Luther King (&#8221;Eu tenho um sonho&#8221;) e da Lei dos Direitos Civis de 1964 -, não se podia dizer que a Guerra Civil tivesse acabado enquanto a maioria branca dos EUA não elegesse um presidente negro.</p>
<p>Foi o que aconteceu na noite de anteontem, e os americanos acordaram em um país diferente. A luta pela igualdade nunca acaba. Mas agora podemos recomeçar de um novo ponto de partida. Que toda criança, todo cidadão e todo imigrante saiba que deste dia em diante &#8220;tudo é realmente possível nos EUA&#8221;.</p>
<p>Como Obama conseguiu? Provavelmente, foi necessária a crise econômica para que houvesse votos brancos suficientes para eleger um negro. E o jeito calmo de Obama, sua oratória comedida e branda, sua mensagem de &#8220;mudança&#8221; desprovida de ameaças foram elementos que ele soube usar muito bem.</p>
<p>Mas houve também o &#8220;efeito Buffett&#8221;, que derrotou o &#8220;efeito Bradley&#8221; &#8211; pelo qual os eleitores brancos diriam a pesquisadores que votariam em Obama mas votariam no candidato branco. O efeito Buffett foi o contrário: foram os republicanos brancos que afirmaram aos colegas no restaurante masculino do Country Club que votariam em McCain e depois votaram em Obama, mesmo sabendo que isso implicaria aumento de impostos.</p>
<p>Por quê? Alguns fizeram isso porque perceberam que seus filhos concentraram suas esperanças em Obama e não só não quiseram frustrar essas esperanças como secretamente decidiram compartilhá-las. Outros abraçaram intuitivamente as convicções de Buffett segundo as quais, se você é bem-sucedido, é porque teve a sorte de ter nascido nos EUA. Portanto, precisamos mais uma vez arrumar nosso país &#8211; precisamos de um presidente que possa nos unir. Intimamente, também sabiam que, após a atuação desastrosa da equipe de Bush, haveria conseqüências gravíssimas para o Partido Republicano. Eleger McCain agora significaria premiar a incompetência, zombar da confiança no governo e desencadearia uma onda de cinismo nos EUA.</p>
<p>Obama será sempre nosso primeiro presidente negro. Mas conseguirá ser um dos nossos grandes presidentes? Ele terá sua chance, pois nossos maiores presidentes são os que assumiram o cargo nos momentos mais sombrios. &#8220;Assumir em um momento de crise não garante a grandeza, mas pode ser uma oportunidade para alcançá-la&#8221;, disse o especialista em filosofia política Michael Sandel, da Universidade Harvard. &#8220;Foi o que aconteceu com Lincoln, Franklin Delano Roosevelt (FDR) e Truman.&#8221; Entretanto, parte da grandeza de FDR &#8220;foi o fato de ele ter criado uma nova filosofia política aplicada ao governo &#8211; o New Deal &#8211; a partir dos destroços e da desordem política da depressão econômica herdados do antecessor&#8221;. Obama precisará proceder do mesmo modo, mas isso leva tempo.</p>
<p>&#8220;FDR não disputou em 1932 tendo como plataforma o New Deal&#8221;, disse Sandel. &#8220;Seu programa baseava-se no equilíbrio do orçamento. Assim como Obama, ele não assumiu a presidência com uma filosofia de governo claramente elaborada.&#8221;</p>
<p>Bush &amp; Co. não acreditaram que o governo pudesse ser um instrumento do bem comum. Castraram os secretários de gabinete e nomearam incompetentes para cargos importantes. Para eles, a busca do bem comum não passou da busca do interesse próprio. Os eleitores rebelaram-se. Mas houve também uma rebelião contra uma versão democrata tradicional do bem comum &#8211; que é a soma de todos os grupos de interesse que reivindicam sua fatia do bolo.</p>
<p>&#8220;Nesta eleição, o público americano rejeitou esses conceitos mesquinhos de bem comum&#8221;, afirmou Sandel. Mas uma nova política do bem comum não pode dizer respeito apenas ao governo e aos mercados. &#8220;Também terá de dizer respeito a um novo patriotismo &#8211; do que significa ser cidadão&#8221;, disse. O que arrancou os maiores aplausos em seu discurso de agradecimento foi a afirmação de que todo americano terá a possibilidade de freqüentar a universidade desde que preste um período de serviço à nação &#8211; no Exército, nos Peace Corps ou na comunidade. &#8220;A campanha de Obama despertou um idealismo civil, a fome de servir a uma causa maior do que eles próprios.&#8221;</p>
<p>Nada disso será fácil. Mas, de todas as mudanças que a presidência de Obama inaugurará, a ruptura com nosso passado racista será talvez a menor. Há muito trabalho a fazer. A Guerra Civil acabou. É hora de reconstruir.</p>
<p><strong>*Thomas Friedman é colunista </strong></p>
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