06/10/2009 - 09:25h Impeachment de governadora tucana de Rio Grande do Sul é apoiado por 62%

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Mesmo tendo assinado documento de apoio a Yeda, o candidato José Serra quer distancia


No RS, 74% desaprovam Yeda e 62% querem saída

Segundo Ibope, 43% dos gaúchos consideram seu governo péssimo

Elder Ogliari, PORTO ALEGRE – O Estado SP

Uma pesquisa feita pelo Ibope para o Grupo RBS mostra que a maioria dos gaúchos desaprova o desempenho da governadora Yeda Crusius (PSDB) e é favorável ao seu afastamento do cargo no momento em que ela enfrenta a maior crise política de sua conturbada gestão.

O resultado foi divulgado ontem pelo jornal Zero Hora. Os números indicam que 43% da população avalia o governo estadual como péssimo, 21% como ruim, 24% como regular, 9% como bom e 2% como ótimo.

Entre os entrevistados, 74% desaprovam o desempenho da governadora e 19% aprovam. Uma maioria de 84% diz ter conhecimento do processo de impeachment que tramita na Assembleia Legislativa. O índice de consultados favoráveis ao afastamento da Yeda é de 62%, enquanto o dos contrários é de 22% e o de indiferentes, de 8%.

Para 29%, as denúncias de envolvimento da governadora com a fraude do Detran gaúcho são verdadeiras, enquanto para 39% são mais verdadeiras do que falsas, para 12% são mais falsas que verdadeiras e para 3% são falsas.

Outra parte da mesma pesquisa foi divulgada no domingo, indicando a atual intenção de voto dos gaúchos um ano antes da eleição. O candidato do PT, Tarso Genro, lidera todas as projeções estimuladas para o primeiro turno, com índices de 37% a 40% e é seguido por José Fogaça (PMDB), com 28% em dois cenários, ou Germano Rigotto (PMDB), com 26% e 27%.

Yeda aparece em quarto lugar em dois cenários, com 5% e 4%. Em quatro das projeções para o segundo turno, a governadora fica com índices de 8% a 11%, contra adversários como Rigotto, com 48%, Beto Albuquerque (PSB), com 54%, Fogaça, com 61%, e Tarso, com 65%.

A pesquisa ouviu 812 pessoas de 52 municípios do Estado entre os dias 25 e 29 de setembro. A margem de erro é de 3 pontos porcentuais para mais ou para menos.

PROBLEMAS

No início de agosto a governadora se viu na condição de ré, com outras oito pessoas, de uma ação de improbidade administrativa na Justiça Federal. Enfrenta uma Comissão Parlamentar de Inquérito que tenta encontrar vínculos de agentes públicos com a fraude que desviou R$ 44 milhões do Detran entre 2003 e 2007. Além disso, espera que uma comissão especial de deputados negue a admissibilidade de um processo de impeachment proposto pelo Fórum de Servidores Públicos Estaduais (FSPE). Yeda nega participação em qualquer irregularidade.

Um de seus principais aliados, o deputado federal Cláudio Diaz (PSDB), admitiu que o partido avalia com preocupação os índices apurados pelo Ibope. Mas acredita que o quadro vai mudar porque a Assembleia deve rejeitar a tramitação do processo de impeachment, ainda nesta semana. Para ele, tanto a CPI como a Justiça não encontraram provas contra a governadora. Diaz afirmou que a crise política e o mau momento de Yeda nas pesquisas são resultado do esforço “denuncista e antidemocrático” que a oposição faz para “desacreditar um governo de realizações”.

O deputado Henrique Fontana (PT) refuta as acusações de Diaz. “É quase inacreditável que o PSDB pense que o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Justiça Federal estejam envolvidos num complô contra o partido.”

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Aécio, Alckmin, Yeda e Serra. Agora todos querem abandonar a governadora a sua própria sorte


RIO G. DO SUL

Impeachment de governadora é apoiado por 62%

DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE

Pesquisa do Ibope divulgada ontem revela que 62% dos eleitores do Rio Grande do Sul são favoráveis ao impeachment da governadora Yeda Crusius (PSDB) por causa das acusações de corrupção.
A permanência dela é defendida por 22%. A pesquisa, publicada ontem no jornal “Zero Hora”, ouviu 812 pessoas de 25 a 29 de setembro. A margem de erro é de três pontos.
Yeda é acusada pelo Ministério Público de ter recebido propina de operadores da fraude que desviou R$ 44 milhões do Detran-RS de 2003 a 2007.
As acusações geraram CPI e processo de impeachment na Assembleia, além de ação de improbidade na Justiça Federal. Yeda nega as denúncias. Ontem, no “Roda Viva”, ela disse que os números apontam que “a população quer a investigação [das denúncias] como eu quero”. Ela atribuiu a má avaliação do governo ao “mercado de escândalo que tem no RS”.

Colaborou a Reportagem Local

11/09/2009 - 13:20h Assembleia abre processo de impeachment contra Yeda. PSDB teme prejuízo na eleição presidencial

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Comissão com 36 dos 55 deputados terá dez dias para decidir sobre continuidade de ação

Pedido foi feito em julho por fórum que reúne sindicatos ligados à CUT e que fazem oposição a ela; governadora tem 33 deputados na base

GRACILIANO ROCHA – FOLHA SP

DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE

O presidente da Assembleia Legislativa gaúcha, Ivar Pavan (PT), anunciou ontem a abertura de processo de impeachment contra a governadora Yeda Crusius (PSDB).
A base do processo de impeachment, o primeiro aberto contra um governador do Estado, é um conjunto de indícios segundo os quais a governadora sabia e teria se beneficiado do desvio de R$ 44 milhões no Detran-RS (Departamento Estadual de Trânsito do RS).
As evidências foram colhidas pela Polícia Federal, que desmontou a fraude do Detran em 2007, e pelo Ministério Público Federal, que denunciou Yeda e outras oito pessoas em ação de improbidade administrativa por ligações com a fraude do órgão em agosto deste ano. A tucana nega as acusações.
O pedido de impedimento de Yeda foi apresentado em julho pelo Fórum dos Servidores Públicos Estaduais, que reúne sindicatos ligados à CUT (Central Única dos Trabalhadores), opositores do governo da tucana.
Ao anunciar que o pedido de impeachment tramitaria na Assembleia, Pavan disse que realizou uma análise de documentos liberados pela Justiça Federal de Santa Maria (RS).
“Não há dúvida de que um grande esquema criminoso se organizou no Rio Grande do Sul para desviar recursos públicos. Diante do pedido de impeachment, da minha parte cabe analisar unicamente se há indícios da relação entre a governadora e este esquema criminoso”, disse o petista.
Entre grampos telefônicos de acusados da fraude, depoimentos e conclusões de investigações feitas pela Procuradoria e pela Polícia Federal, segundo o presidente da Assembleia, “há 26 situações que revelam fortes indícios da relação da governadora com o esquema”.

Tramitação
Com a decisão de Pavan, uma comissão especial será formada por 36 dos 55 deputados que integram a Assembleia, conforme a composição das bancadas. A governadora tucana tem maioria na Casa -sua base é composta de 33 deputados.
Dez dias depois da constituição da comissão, o relator deverá apresentar parecer sobre a “admissibilidade” do processo, isto é, se há elementos suficientes para a tramitação do pedido de impeachment. O relatório será votado pelo plenário.
Se o processo for rejeitado, o pedido é arquivado. Se for aceito, só então a comissão começará a analisar o mérito das acusações, e Yeda será notificada para apresentar sua defesa.
Acusações de corrupção contra a governadora já são objeto de CPI na Assembleia. Com maioria governista, a comissão ainda não aprovou nenhum requerimento para depoimentos. Como não consegue aprovar convocações, a oposição pretende convidar para depor espontaneamente o empresário Lair Ferst, réu em ação penal.
Ferst, ex-tucano que coordenou a campanha de Yeda em 2006, disse ao MPF que a tucana sabia e se beneficiava da corrupção no Detran. Ela nega.

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PSDB teme prejuízo na eleição presidencial

Estratégia da cúpula tucana é evitar que problemas no RS ganhem dimensão nacional

Julia Duailibi – O Estado SP

Apreensiva com o desgaste que a crise política no Rio Grande do Sul pode causar nos planos do partido na eleição presidencial de 2010, a cúpula do PSDB fará a defesa “pro forma” da governadora gaúcha, Yeda Crusius. O objetivo é evitar que os problemas no Estado ganhem dimensão nacional e atinjam o núcleo partidário tucano. O discurso oficial se prenderá à tese de que o processo de impeachment é resultado exclusivo de disputa política com o PT local.

Líderes tucanos culpam a governadora, acusada de ter uma personalidade bastante “difícil”, por ter se lançado prematuramente à reeleição, sem buscar uma costura política sólida com partidos aliados. Também dizem que, dada a situação de Yeda no Estado, o ideal seria fazer uma aliança com o PMDB gaúcho, a fim de criar um palanque sólido para o candidato tucano que disputará a Presidência em 2010. Entusiastas da candidatura do governador de São Paulo, José Serra, possível nome do PSDB para a eleição presidencial, defendem lançar para o governo gaúcho o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB).

Na próxima quinta-feira, a cúpula do PSDB do Rio Grande do Sul se reunirá no Palácio dos Bandeirantes com Serra para expor a situação política no Estado. Vão apresentar argumentos contra a aliança com o PMDB gaúcho e pedir o apoio do partido em torno do projeto de reeleição de Yeda.

Na última semana de agosto, a governadora foi até Brasília se encontrar com parlamentares e integrantes da Executiva Nacional do PSDB para tratar de sua situação no partido. Disse que sua candidatura à reeleição é um fato consumado. Ouviu uma mensagem dura da cúpula: o projeto eleitoral do Rio Grande do Sul deve ser submetido ao projeto nacional. E o partido vai agir de acordo com o que avaliar ser o melhor caminho para a candidatura presidencial. E hoje, dizem os líderes partidários tucanos, o melhor caminho passa pela aliança com o PMDB gaúcho.

Um dos maiores defensores da governadora na cúpula nacional, o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), relaciona a crise política no Estado ao “sinistro da Justiça”, numa referência ao ministro Tarso Genro, que já se lançou candidato ao governo do Rio Grande do Sul pelo PT.

“Querem demonizar a Yeda, quando ela diz ser candidata à reeleição. Mas temos defendido a governadora. Toda semana um parlamentar vai ao Estado prestar apoio”, disse Aníbal.

Enquanto líderes nacionais fazem vista grossa ao processo de resgate político de Yeda, tucanos do Rio Grande do Sul acreditam que a governadora, por ter maioria na Assembleia, passará pela crise. “O PSDB está fechado em torno da candidatura da governadora. Há apenas vozes isoladas contra. Houve um desgaste, mas há muito tempo para ela se recuperar”, disse o deputado Ruy Pauletti. Os tucanos gaúchos apostam na aliança com o PP no Estado.

Yeda avisou a cúpula do partido que pretende mudar sua estratégia de comunicação, dando maior divulgação aos atos positivos de sua gestão. Também afirmou que pretende circular mais pelo Estado, visitando cidades do interior, como forma de preparar sua candidatura.