07/02/2010 - 10:10h EMPULHAÇÃO TUCANA

Elio Gaspari – O Globo – Folha SP

São Paulo atravessou um dilúvio, redes de esgoto invadiram galerias pluviais, centenas de pessoas perderam o que tinham, e o governador José Serra descobriu que parte do problema está na imprensa:
“Outro dia inaugurei um piscinão com 500 metros cúbicos, o segundo maior piscinão do Brasil. A imprensa não deu a menor bola. Porque dá-se bola para o problema, mas para a solução, não”. Que solução? Em 2006, o tucanato paulista anunciou que reduzira de 50% para 1% o risco de enchente nas margens do rio Tietê. Os meios de comunicação, felizes, registraram a proeza e caíram na maldição atribuída ao general Orlando Geisel (1905-1979): “A imprensa desinforma, deseduca e ofende o vernáculo”.
Diante de um repique na taxa de homicídios no Estado (4.771 mortos em 2009 contra 4.426 em 2008), Serra atribuiu os números, “basicamente” à “crise econômica e ao desemprego”.
É a velha lenda: crise provoca crime. Se fosse assim, como explicar que a taxa de homicídios caiu 10,4% na Grande São Paulo? Mais: o epicentro do terremoto financeiro ficou em Nova York. Lá o desemprego chegou a 10,3%, o maior em 16 anos, mas os homicídios foram 466, com uma queda de 10% em relação ao ano anterior, o melhor resultado desde 1963.


Leia a integra da coluna de Elio Gaspari nos jornais O Globo e Folha SP

28/01/2010 - 08:55h Estado não fez limpeza em rios, dizem prefeitos e Serra ataca imprensa

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Atibaia alagada com transbordamento de represas foto AE


ANNA CAROLINA CARDOSO DA AGÊNCIA FOLHA

Os principais rios que escoam a água do sistema Cantareira estão com vazão reduzida à metade, segundo prefeitos dos municípios da região.
Quando o sistema foi implantado, em 1973, um dos rios, o Cachoeira, tinha uma vazão de 30m3/s. Hoje, afirma a Prefeitura de Piracaia (80 km de SP), por onde ele passa, a vazão é de 7m3/s.
Segundo as prefeituras, o trabalho de desassoreamento não é feito pelo Estado desde 2004.
O sistema é composto por seis represas e é responsável pelo abastecimento de 9 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo.
Com o aumento do volume de água liberado pelas represas para rios, em cidades como Atibaia e Bom Jesus dos Perdões, que ficam nos cursos dos rios Atibaia e Atibainha, respectivamente, mais de 300 famílias já tiveram que deixar suas casas.
Para a Sabesp, responsável pelo sistema, as represas ajudam a conter as cheias. Segundo a estatal, o volume de água liberado é menor que o volume de chuva dos últimos dias.
O DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), responsável pelas calhas dos rios, não quis falar sobre o tema. A Secretaria de Saneamento também não quis comentar o caso.

Para Serra, imprensa ignora ações de combate à enchente

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA SP

O governador de São Paulo José Serra (PSDB) criticou ontem a cobertura da mídia sobre as enchentes do Estado, que já provocaram 64 mortes desde o dia 1º de dezembro. Na visão de Serra, a imprensa destaca apenas os problemas enfrentados e despreza as ações de sua gestão que considera positivas.
A crítica do governador, que é pré-candidato à Presidência, foi feita após ele ser questionado por jornalistas sobre a construção de piscinões na capital como alternativa para combater as enchentes.
“Outro dia eu inaugurei um com 500 metros cúbicos, o segundo piscinão do Brasil. A imprensa não deu a menor bola. Porque dá-se bola para o problema, mas para a solução, não”, afirmou o tucano, durante a inauguração de uma escola técnica na zona leste da capital.
Pelo plano antienchente da bacia do Tamanduateí, feito em 1998, deveriam ser construídos na região do rio 37 piscinões.
Passados quase 12 anos, apenas 41% destes projetos, segundo o Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), estão em funcionamento.

Menos caos
Se todo o plano de macrodrenagem para São Paulo tivesse sido implementado, os transtornos provocado pelo transbordamento do rio Tietê, na semana passada, por exemplo, teriam sido menores, de acordo com os especialistas.
O Tamanduateí é o principal afluente do rio Tietê, que transbordou três vezes desde a inauguração da obra de rebaixamento de sua calha em 2006. Na época da inauguração, o governo do PSDB, então sob o comando de Geraldo Alckmin, dizia que as inundações no local iriam acabar.
(ROGÉRIO PAGNAN)

25/01/2010 - 00:05h Para quem não conhece o ‘Estado’

Renato Janine Ribeiro – O Estado SP

Tenho lido, nas cartas de leitores a O Estado de S. Paulo e sobretudo nos comentários de internautas em sua página na web, observações de pessoas sem muita noção do que é este jornal. Usam expressões preconceituosas, carregadas de ódio pela esquerda (que chegam de chamar de “subversiva”) e até de simpatia pela ditadura militar.

É preciso lembrar, a esses leitores e a todos os mais jovens, o papel do Estado durante a ditadura. Não é segredo que o jornal apoiou a deposição do presidente João Goulart. Não é segredo que, na sua oposição ao getulismo, projeto político que comandou a política brasileira de 1930 a 1964, o Estado acreditou na necessidade de um regime de exceção breve e eficaz.

Contudo, mesmo quem discorda dessa opção deve reconhecer que o Estado acreditava nela. Foi uma escolha de valores. Não foi uma adesão oportunista, como, por exemplo, a do governador de São Paulo em 1964. Por isso mesmo, tão logo o regime militar começou a adotar medidas das quais o jornal discordava, ele criticou-o. A história do Estado é a de um jornal que viveu na oposição mais tempo do que na situação.

Mais que isso. No fatídico 13 de dezembro de 1968 – quando já se esperava o anúncio da medida mais liberticida da História do Brasil, o Ato Institucional número 5 -, a edição do Estado foi apreendida por ordem do governo. Dela constava um editorial que ficaria célebre, Instituições em frangalhos, hoje disponível no site, que responsabilizava o marechal Costa e Silva, ditador da época, pela crise em que vivíamos. Tratava-o com respeito – “sua excelência” do começo ao fim -, mas não hesitava em chamar o regime de ditadura militar.

Esse confisco de uma edição não foi apenas simbólico. Nos anos que se seguiram, o Estado foi o diário brasileiro a amargar o mais longo período de censura prévia de nossa História. É digno de nota que se recusou a se autocensurar. Deixou bem separadas as posições do reprimido e do repressor. Nem café, diz a legenda, dava aos censores.

Também se recusou a substituir as matérias proibidas por outras, palatáveis. Como a censura não deixasse saírem em branco as colunas cortadas, publicou em seu lugar trechos de Os Lusíadas. Seu jornal irmão, o Jornal da Tarde, tratado com igual rudeza, colocava receitas de cozinha nas páginas censuradas. O engraçado, dizia-se, é que leitores distraídos do Jornal da Tarde teriam reclamado que as receitas não davam certo… Mas a grande maioria entendeu o que acontecia.

Com os ventos dos anos 70, o jornal mudou várias de suas opções antigas. Publicou uma histórica entrevista com Celso Furtado, o que talvez não fizesse 20 anos antes.

Tudo isso mostra uma honra que ninguém pode negar ao Estado: é um jornal que teve e tem convicções. Podemos discordar – ou não – de suas posições, mas ele jamais compactuou com a repressão, com a tortura, com a censura.

Hoje, se o jornal não apoia a Comissão da Verdade proposta no 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, terá suas razões para isso. Eu, pessoalmente, defendo a apuração da verdade, para que todos os brasileiros saibamos o que aconteceu e para que a (má) História não se repita – só para isso.

Mas de uma coisa tenho certeza: as razões do Estado nada têm em comum com as daqueles que aplaudem a tortura, que ainda usam a palavra “comunista” como insulto contra todos os de quem discordam, que gostariam até mesmo de expulsá-los do País que é de todos nós.

Aqui está o recorte entre a democracia e a não-democracia. Aprendemos com a ditadura. Sabemos que ela é uma caixa de Pandora: quando se solta o demônio do autoritarismo, ele devasta. Isso ensina que é essencial termos liberdade para divergir. Nos anos 50 e 60, muitos achavam que a democracia era mero meio para valores mais importantes – para uns, a sociedade ocidental e cristã, para outros, a sociedade sem classes. Creio que o longo período de trevas ensinou, a quem o viveu, que a democracia não pode ser rifada em função de outros valores. A democracia não é meio. Ela é um fim em si, um valor fundamental.

O curioso é que, em que pese a absurda censura judicial que afeta esse jornal há meio ano, hoje não há mais nenhuma instância estatal que possa punir a expressão de opiniões. Isso é muito bom – e por isso mesmo soa tão chocante a ilegalidade que é a censura ao Estado.

Mas, voltando ao fim da repressão política pelo Estado brasileiro, isso não quer dizer que nossa sociedade tenha reconhecido o direito à divergência. Um espírito maniqueísta, opondo bem e mal, domina muitos cidadãos que falam sobre política, costumes e o que seja em nosso país.

Por incrível que pareça, nesse ponto o Estado brasileiro e suas instituições parecem mais adiantados que a sociedade. Comecei este artigo criticando opiniões de leitores e internautas, justamente porque eles condenam seus desafetos com mais rapidez do que faria qualquer tribunal, hoje, em nosso país.

Em outras palavras, a democracia por vezes está mais forte nas leis e nas instituições do que no povo do qual – segundo o artigo 1º de nossa Constituição – ela emana. Ela ainda é um texto, mais que uma prática. Mas palavras, com a força da lei ou a da imprensa, não são pouca coisa. Pode demorar, mas elas acabam surtindo efeito.

Disse Stendhal em 1817, ao saber da Revolução de Pernambuco (no seu único texto em que menciona o Brasil), que a liberdade é contagiosa. É como a peste e o único meio de acabar com ela, ironiza ele, é “lançar os pestíferos ao mar”. Já sofremos essa tentativa de extermínio. Hoje, graças a quem se opôs à ditadura, vivemos a boa contaminação pela liberdade.

Renato Janine Ribeiro é professor titular de Ética e Filosofia Política da Universidade de São Paulo
E-mail: rjanine@usp.br

20/01/2010 - 12:10h O PAC e a “estratégia do medo” contra o PT

Fugindo da linha que procura esconder suas propostas e programa do debate político público, o PSDB tem manifestado claramente sua intenção de acabar com o PAC.

Tanto o presidente da sigla, em entrevista recente a revista VEJA, como hoje a sua vice em nota oficial, tem manifestado claramente que esta é sua intenção.

Neste assunto não tem diz que diz. O posicionamento tucano é claro e explicito. O PAC será extinto pois ele não existe.

Ponto final.

A ministra Dilma, em cerimônia de entrega de uma obra do PAC em Minas Gerais, relembro o posicionamento do PSDB sobre o PAC e afirmou que não vai deixar que isto possa acontecer.

Eis que alguns jornais, a Folha por exemplo, consideram que a resposta da Dilma é “estratégia do PT” e evoca o “medo” de Regina Duarte no comercial tucano de 2002. A Folha escreve que “os tucanos acusaram a ministra de ‘propagar mentiras’ “.

Trata-se de inibir o debate político para sustar do eleitor o entendimento claro do que está em jogo na próxima eleição e que o debate sobre o PAC ilustra pertinentemente.

O que disse o presidente do PSDB a revista VEJA?

“As estradas estão esburacadas, os aeroportos estão na iminência de outro apagão, a infraestrutura de transportes, como os portos, foi entregue a políticos e a grupos de pressão. Isso é o PAC na realidade, e nós vamos acabar com ele”.

Em nome do partido e em nota oficial a senadora Marisa Serrano reforçou a posição do presidente da sigla explicitada acima, afirmando: “Os brasileiros sabem que o PAC não é um programa de obras e sim um slogan publicitário.”

A imprensa quer proibir que esta postura do PSDB seja contestada? O PT estaria deformando alguma coisa quando diz que a intenção do PSDB é acabar com o PAC?

Este debate não teria importância?

Vejamos o tema a luz de um exemplo, no Estado de Alagoas, governado pelo próprio PSDB (o texto a seguir é do portal do governo estadual tucano):

Agência Alagoas - AL

Agência Alagoas – AL

27/09/2008 – Site do governo de Alagoas (PSDB)

Novas oportunidades

As obras do PAC no Estado incluem desde a reurbanização do Vale do Reginaldo e da Lagoa Mundaú até o Canal do Sertão. R$ 2,5 bilhões já estão garantidos.

Diego Barros

Valdir Rocha
Valdir Rocha

Canal do Sertão é a obra que vai recebe investimentos do PAC.

“Os números são grandiosos, assim como os objetivos que se quer alcançar com as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Alagoas, a maioria delas já em andamento. Ao todo, o PAC irá destinar ao Estado R$ 2,5 bilhões só para obras e deve gerar 3 mil empregos diretos mais 12 mil empregos indiretos, de acordo com estimativas da construção civil.

De todas as obras do PAC em Alagoas, a que vai consumir a maior quantidade de recursos e beneficiar diretamente o maior número de pessoas é o Canal do Sertão, que vai unir 33 municípios, ligando Delmiro Gouveia a Arapiraca, no Agreste. Até 2010 serão investidos nas obras do Canal R$ 593 milhões, o que será suficiente para a construção dos 100 quilômetros iniciais.

Hoje o Canal já tem 25 quilômetros concluídos e as obras estão no quilômetro de número 34. “Após a conclusão dos 100 quilômetros iniciais, cerca de 400 mil pessoas serão beneficiadas com abastecimento de água para consumo próprio, irrigação de lavouras, criação de peixes, entre outras atividades”, garante o secretário-adjunto da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra), Fernando Nunes.” (… ) ver aqui.

Pode se ver que, contrariamente às afirmações do PSDB, o próprio governo do PSDB de Alagoas reconhece a importancia do PAC para a população do Estado. Será que os eleitores de Alagoas estarão dispostos a votar por um candidato que declara com todas as letras que irá acabar com o PAC? Informar os cidadãos de Alagoas da postura do PSDB contra o PAC e até contra o próprio PSDB local, seria “estratégia do medo”?

Tudo indica, na verdade, que a mídia entende utilizar esta acusação, da suposta “estratégia do medo do PT”, para coibir o debate nos assuntos que possam afetar o candidato tucano e clarificar os eleitores sobre o que esta em jogo nas eleições presidenciais.

Como o objetivo tucano é deixar fora do debate eleitoral sua oposição a Lula e até pretendem que Serra continuaria sua obra, tentam impedir desmontar o embuste tucano. LF

19/01/2010 - 09:31h Defensoria pública contesta Estadão e rafirma ação judicial contra Kassab

http://www.estadao.com.br/fotos/JardimRomanoEnchente_ANdreLessa091213_tl.jpg


Fórum dos leitores – O Estado SP


CONTESTAÇÃO

O Núcleo de Habitação e Urbanismo da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, em respeito à opinião editorial desse importante meio de comunicação, veiculada em 16/1 (A3), em relação à nossa atuação institucional, gostaria de ressaltar que o controle de políticas públicas não constitui medida que viola, de forma absoluta, o princípio da independência dos Poderes. É algo excepcional, que deve ser encaminhado com cautela, mas também com coragem, já que se trata de preservar a supremacia da Constituição. É fato que as políticas públicas devem ser conduzidas pelo Poder Executivo, mas todos, sem exceção, estão sob o domínio da lei, e isso vale também para o poder público, daí se falar em Estado de Direito. E tanto é assim que, cotidianamente, o controle de políticas públicas é exercido pelo Poder Judiciário, especialmente em relação ao direito à saúde. Vale Lembrar, nesse sentido, que a ação da Defensoria Pública trata justamente de garantir o direito à saúde dos moradores das comunidades do Jardim Pantanal pela efetivação do direito ao saneamento básico. As comunidades vêm sofrendo com constantes alagamentos há mais de um mês, o que têm causado graves riscos à sua saúde, mesmo tendo o poder público, durante todo esse período, sido instado extrajudicialmente a tentar resolver essa situação de emergência sanitária. Embora estejam no local há muitos anos, boa parte das famílias terá de ser removida para preservar a função socioambiental das várzeas do Rio Tietê. Mas, ainda que bem-intencionado, o poder público não pode, sob a justificativa de tentar resolver rapidamente a situação, desprezar o direito das comunidades do Jardim Pantanal de participarem da construção do próprio destino, como princípio de respeito à dignidade humana e cidadania, escolhendo onde e como, razoavelmente, querem passar a morar e conviver na cidade. E é por essa razão que o Núcleo pediu a suspensão das remoções. Cabe, por fim, esclarecer que o pedido de suspensão das remoções não abrange as famílias que estão em situação de risco em razão da instabilidade do solo da margens do Tietê, e isso está expressamente no pedido da ação civil pública, disponível no portal da Defensoria (www.defensoria.sp.gov.br), na notícia sobre a atuação do Núcleo.

Carlos Henrique A. Loureiro, defensor público, coordenador do Núcleo de Habitação e Urbanismo da Defensoria Pública do Estado de São Paulo

cloureiro@defensoria.sp.gov.br

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SÃO PAULO

N. da R. – O editorial apontou as atribuições formais dos defensores, limitando-se a criticar

as exigências excessivas e muitas vezes irrealistas feitas pelos defensores públicos de São Paulo à Prefeitura.

18/01/2010 - 12:58h O PNDH e seus temas

ColunistaFábio Wanderley Reis – VALOR

Por mais que vejamos com frequência a movimentação da imprensa e da chamada opinião pública em torno de um assunto que acaba se impondo à atenção de todos, raramente a teremos visto adquirir o caráter de fluidez e confusão que traz, no momento, o ruído em torno do Programa Nacional de Direitos Humanos. Parte disso se deve ao fato de o programa reunir num só pacote uma série de temas complicados que afetam diferentes interesses e grupos, e é patente que o governo Lula poderia ter sido mais prudente ou astuto no encaminhamento do assunto, quando nada em atenção ao seu possível impacto sobre o processo eleitoral de 2010. Mas é singular a maneira pela qual o foco do debate público se expandiu gradualmente. Deslocando-se do que parecia inicialmente uma “crise militar”, relacionada com a possível revisão da lei de anistia, para a mobilização de categorias diversas interessadas em outros itens do programa, transformou-se também de mera iniciativa supostamente inepta do governo Lula, a merecer crítica cerrada pela suposta intenção de aceno à esquerda, em algo de maior alcance e mérito – um episódio de longa discussão internacional sobre o tema importante dos direitos humanos em que o governo Lula basicamente dá continuidade a iniciativas anteriores do governo Fernando Henrique, aliás com a participação ainda agora de figuras a ele ligadas e mesmo de governos estaduais do PSDB. E observam-se não só as distorções política e eleitoralmente motivadas do assunto, com tucanos a tratarem de dissociar-se dele, como também – menos mal – o gradual despertar da imprensa para as complexidades do tema, com vacilações que levam mesmo a que colunistas cheguem a manifestar avaliações contrastantes em dias sucessivos.

Um aspecto geral a favorecer a confusão, que Paulo Sérgio Pinheiro destacou, é a tendência da ONU e dos foros internacionais a dar à ideia de direitos humanos grande alcance e abrangência, levando-a bem além dos direitos civis e políticos tradicionais (ir e vir, processo legal, votar e ser votado) para incluir também direitos sociais, econômicos etc. Ora, essa é a tendência que há muito observamos quanto à ideia de cidadania, que se amplia e enriquece com as conquistas socialdemocráticas. Colocada em xeque com a globalização e a onda da dinâmica econômica em que o neoliberalismo se afirmou recentemente, tal tendência nunca chegou a ser de fato revertida em seus alicerces solidaristas e socialdemocráticos nos países europeus. E até nos Estados Unidos o que vemos agora, na esteira desmoralizante da maior crise econômica de décadas e seus efeitos sociais, é a tentativa, promissora não obstante as muitas resistências, de incorporar os benefícios de uma ampliada ideia de direitos ao ânimo competitivo que se dispõe a assistir ao convívio da riqueza com a desigualdade.

Os diferentes temas do programa comportam avaliações de matizes variados, difíceis de considerar de forma sintética. Os dispositivos sugeridos quanto aos movimentos sociais, com relevância direta para as ações do MST e a violência a que tais ações recorrem ou que acarretam, são talvez o ponto a mais claramente merecer objeções. Ao invés de termos eventualmente a atuação da Justiça bloqueada por “comissões de negociação”, o que redundaria em suspender o direito de acesso à Justiça de uns em favor da afirmação cada vez mais inaceitavelmente violenta do suposto direito de outros, o desejável é que possamos dispor de uma Justiça capaz de agir prontamente para coibir a violência de parte a parte. Isso não exclui, por certo, a conveniência da ação no plano institucional e legal de que resultem, por parte da Justiça, a sensibilidade e a agilidade requeridas.

Temas como os relativos ao aborto e ao homossexualismo sofrem contaminação demasiado forte por perspectivas religiosas para que o debate político possa esperar esclarecê-los. Já com respeito à questão da imprensa, ou dos meios de comunicação de massa em geral, apesar de prestar-se a muitas manipulações, é certamente possível visualizar uma posição equilibrada, e não é à toa que diferentes versões do PNDH, tanto do governo FHC quanto do governo Lula, convergem em apontar a necessidade de algum tipo de controle nesse campo. A incontestável importância, para a democracia, de uma esfera pública de comunicação desimpedida, em que a imprensa cumpre papel decisivo, não é razão para que se deixe de reconhecer o que há de negativo, e mesmo o importante ingrediente de autoritarismo, na contínua moldagem unanimista e “politicamente correta” da “opinião pública” pela imprensa – e na frequente transformação do valor da liberdade de imprensa em arrogante ideologia profissional de uma categoria, em que as distorções se mascaram.

Resta o tema militares e anistia, origem da cacofonia atual. Creio que o problema central é o da possibilidade de separar o esforço de recuperar as informações e a memória dos eventos ligados à ditadura, de um lado, dos problemas éticos e jurídicos, de outro, relacionados à contraposição entre o objetivo de “fazer justiça” e a anistia como instrumento eminentemente político de pacificação, que Paulo Brossard recordou em artigo que tem circulado. Impossível aceitar que se pretenda vedar indefinidamente a todos nós o direito à memória, em particular diante dos muitos inocentes alcançados pela violência. Por outra parte, à ideia da anistia que renuncia a fazer justiça em nome da pacificação se soma uma ponderação que argumentos correntes esquecem: a de que a instituição militar como tal está inevitavelmente envolvida no assunto (foi ela que deu o golpe de 1964 e implantou a ditadura e sua dinâmica desregrada e violenta), e não há como pretender punir “o torturador” e confraternizar com seus chefes – a escolha é pacificação ou briga bem maior. O que não significa ver com gosto o governo espavorido a cada muxoxo de chefes militares.

Fábio Wanderley Reis é cientista político e professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais. Escreve às segundas-feiras

E-mail: fabiowr@uai.com.br

10/01/2010 - 11:13h A imprensa e o novo Brasil

EMÍLIO ODEBRECHT – FOLHA SP


NO FINAL do ano passado, a revista “The Economist” brindou-nos com uma matéria de capa cujo título era: “O Brasil decola”. A reportagem chama nosso país de maior história de sucesso da América Latina. Lembra que fomos os últimos a entrar na crise de 2008 e os primeiros a sair e especula que possamos nos tornar a quinta potência econômica do globo dentro de 15 anos.
Não é apenas a revista inglesa que vem falando dos avanços aqui obtidos nos campos institucional, social e econômico nas últimas décadas. Somos hoje referência no mundo e um exemplo para os países em desenvolvimento, vistos como uma boa-nova que surge abaixo da linha do Equador.
Diante disto, me pergunto se a imprensa brasileira está em sintonia com a mundial -que aponta nossos defeitos, mas reconhece nossos méritos.
Tal dúvida me surge porque há um Brasil que dá certo e que aparece pouco nos meios de comunicação. Aparentemente, o destaque é sempre dado ao escândalo do dia.
Isso deixa a sensação de que não estamos conseguindo explicar aos brasileiros o que a imprensa internacional tem explicado aos europeus, norte-americanos e asiáticos.
Tornar públicas as mazelas é obrigação da imprensa em um país livre. Mas falar somente do que há de ruim na vida nacional, dia após dia, alimenta e realimenta a visão negativa que o brasileiro ainda tem de si.
Se as coisas por aqui caminham para um futuro mais promissor, é porque, em vários âmbitos, estamos fazendo o que é o certo.
Para líderes políticos, empresariais e sociais dos países que precisam encontrar o caminho do progresso, conhecer nossas experiências bem sucedidas pode ser o que buscam para desatar os nós que ainda os prendem na pobreza e no subdesenvolvimento.
O fato é que, ficando nos estreitos limites do senso comum, a sensação é de que a imprensa, de uma forma geral, considera o que é bem feito uma obrigação -não merecedor, portanto, de ocupar espaços editoriais, porque o que está no plano da normalidade não atrairia os leitores.
Ocorre que o que acontece aqui, hoje, repercute onde antes não imaginávamos. Por outro lado, há uma mudança cultural em curso na sociedade brasileira e a imprensa tem um papel preponderante nesse processo.
O protagonismo internacional do Brasil e nossa capacidade de criar novos paradigmas impõem que a boa notícia seja tão realçada quanto são os fatos que apontam para a necessidade absoluta de uma depuração de costumes que ainda persistem em nossas instituições.


EMÍLIO ODEBRECHT escreve aos domingos nesta coluna.

15/12/2009 - 13:53h Discurso de Lula na Conferência Nacional de Comunicação

Ricardo Stuckert / PR


Presidente Lula discursa na abertura da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom)


Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de abertura da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom)
Brasília-DF, 14 de dezembro de 2009

Meu caro amigo presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer,
Meus caros companheiros ministros que estão aqui presentes, que eu não vou precisar ler a nominata, porque ninguém é candidato a vereador e a deputado,
Meus queridos companheiros senadores, deputados federais,
Meu caro Celso Schröder, coordenador-geral do Fórum Nacional para a Democratização das Comunicações,
Meu caro Marcelo Bechara, presidente da Comissão Organização [Organizadora] da 1º Confecom,
Meu caro Johnny Saad. E eu quero, aqui, fazer um agradecimento especial à participação dos empresários que não tiveram medo de vir nesta Conferência participar do processo de democratização.
Minha querida companheira Rosane Bertotti, secretária de Comunicação da CUT,
Companheiros da imprensa,
Amigos e amigas,

É com grande satisfação que estou aqui hoje, na abertura desta Conferência, para conversar com vocês sobre um tema essencial para a democracia e para o exercício da cidadania: a comunicação social.
Vejo reunidos neste plenário jornalistas, empresários da comunicação e das telecomunicações, trabalhadores, radialistas, professores, movimentos sociais, organizações não governamentais, gestores públicos dos diversos entes federativos, blogueiros, “bichos-grilo” da internet, gente de vários setores e de muitas tribos, cada qual com sua visão, cada qual com suas experiências e preocupações. Mas todos interessados em encontrar respostas para os enormes desafios e as imensas oportunidades que o Brasil tem pela frente na nova era da digitalização, da internet e da convergência de mídias.
O tema desta Conferência não poderia ser mais apropriado e atual: “Comunicação: meio para a construção de direitos e de cidadania na era digital”. Porque o desafio é esse mesmo: como usar e aproveitar as novas tecnologias para abrir caminhos que levem ao fortalecimento, à multiplicação e à democratização da comunicação social, da informação, do entretenimento, das manifestações artísticas e culturais e do debate público de ideias.
E para responder a esse desafio, a diversidade deste plenário é muito bem-vinda, porque a tarefa que temos pela frente é complexa demais para ser resolvida apenas pelo governo ou apenas por um segmento isolado da sociedade. Tampouco pode ser deixada nas mãos de alguns especialistas, ou de um ou de outro grupo de comunicação, dessa ou daquela categoria profissional. Não! Precisamos da contribuição de todos, em um debate franco e aberto, à luz do dia. Só assim encontraremos os melhores caminhos e as soluções mais interessantes para o nosso país.
Nesse sentido, esta Conferência é um marco. Aliás, isso já ficou claro na sua etapa regional. Nas 27 unidades da Federação, os encontros preparatórios, reunindo representantes da sociedade civil, empresários e gestores públicos transcorreram num clima de respeito, entusiasmo e liberdade. Milhares de pessoas participaram dos debates, defendendo com paixão o seu ponto de vista, e não houve qualquer incidente grave nas Conferências estaduais. Ao contrário, elas foram marcadas pelo diálogo, pela maturidade e pela boa convivência democrática.
Por isso mesmo, lamento que alguns atores da área da comunicação tenham preferido se ausentar desta Conferência, temendo sabe-se lá o quê. Perderam uma ótima oportunidade para conversar, defender suas ideias, lançar pontes e derrubar muros. Eu, que sou um homem de conversa e de diálogo, volto a dizer: lamento. Mas cada um é dono de suas decisões e sabe onde lhe aperta o calo. Bola pra frente, e vamos tocar nossa Conferência.
Minhas amigas e meus amigos,
Esta Conferência Nacional de Comunicação é uma Conferência indispensável. Nossa legislação na área é muito antiga e, evidentemente, não responde aos desafios da atualidade. Cito apenas um exemplo: o Código Brasileiro de Telecomunicações que até hoje ainda disciplina a radiodifusão – ou seja, o rádio e a televisão – é de 1962.
De lá para cá, passaram-se 47 anos, quase meio século, e o mundo e o Brasil passaram por grandes transformações. A transmissão por satélites revolucionou a comunicação, permitindo a formação das redes nacionais de televisão e as transmissões ao vivo para todo o País e todo o Planeta. A TV em preto e branco foi substituída pela TV a cores. Se no início da década de 60 havia poucos aparelhos de televisão no Brasil, hoje eles são presentes em 95% dos domicílios brasileiros.
O fato é que mudaram as tecnologias, mudou o País, mudou o mundo, e como não podia deixar de ser, mudou também a comunicação. Mas essas mudanças não foram acompanhadas pelos aperfeiçoamentos e atualizações necessárias na nossa legislação.
Tanto que a Constituição de 1988, ao estabelecer e consolidar os princípios e fundamentos da comunicação social, previu também a elaboração de leis especiais que regulamentariam vários de seus preceitos. Essa determinação, infelizmente, não foi observada em muitos casos, agravando o descasamento entre a acelerada mudança da realidade e o envelhecimento progressivo dos marcos legais.
Minhas amigas e meus amigos,
Esta Conferência realiza-se sob o signo da liberdade de imprensa. Tenho orgulho de dizer que a imprensa no Brasil é livre. Ela apura – e deixa de apurar – o que quer. Publica – e deixa de publicar – o que deseja. Opina – e deixa de opinar – sobre o que bem entende.
Meu compromisso com a liberdade de imprensa é sagrado. Ela é essencial para a democracia. O Estado democrático só existe, se consolida e se fortalece com uma imprensa livre.
Às vezes, há jornais ou noticiários de rádio ou televisão que se excedem, que desprezam os fatos e embarcam em campanhas, que divulgam inverdades ou mesmo que disseminam calúnias e infâmias. Aprendi a conviver tranquilamente com isso porque tenho a certeza de que, havendo liberdade de imprensa e democracia, mais cedo ou mais tarde a verdade termina prevalecendo.
E por uma razão muito simples: os leitores, os ouvintes, os telespectadores são perfeitamente capazes de separar o joio do trigo, a informação da desinformação, a notícia da campanha, a verdade da eventual manipulação. São críticos implacáveis e juízes muito severos. Quem não os trata com respeito, não mostra consideração pela sua inteligência, acaba perdendo credibilidade.
Por isso mesmo, estou entre aqueles que acham que não há nada melhor para os eventuais excessos cometidos pela imprensa do que a própria liberdade de imprensa.
Minhas amigas e meus amigos,
Esta Conferência realiza-se numa época marcada pela convergência de mídias. Até algum tempo atrás, vivíamos em um mundo em que os diferentes meios de comunicação eram claramente separados uns dos outros. Jornal, rádio e televisão não se confundiam.
Com a digitalização e a internet, as fronteiras entre os diferentes meios estão sendo dissolvidas. Hoje, texto, áudio e imagem não só são tratados com a mesma tecnologia digital, como podem ser disseminados pelas mesmas plataformas.
Um número crescente de leitores informa-se através da internet. Cada vez mais, as notícias estão disponíveis em tempo real, tanto em computadores pessoais como em aparelhos celulares ou em outros equipamentos portáteis.
E com a chegada da TV digital no Brasil e a implantação da banda larga, o processo de convergência de mídias tende a se acelerar ainda mais. Até algum tempo atrás, só era possível assistir à televisão nos aparelhos de televisão. Hoje, o sinal aberto da radiofusão pode ser recebido também em computadores e TVs portáteis que cabem na palma da mão. O usuário também pode ter acesso a vídeos, filmes, telenoticiários e todo tipo de programas nos telefones celulares, através da tecnologia 3G.
A tendência é de que, em muito pouco tempo, a maioria das pessoas possa receber no mesmo aparelho, seja ele fixo ou móvel, tanto o sinal gratuito e aberto da radiodifusão transmitido pelas ondas eletromagnéticas, como os arquivos de imagens e sons, gratuitos ou não, transmitidos pela banda larga ou por outras tecnologias. Ou seja, a fronteira entre a televisão, rádio e jornais, de um lado, e a internet, de outro, serão cada vez menos nítidas. O acesso aos diferentes meios será cada vez mais indistinto. A superposição e a fusão entre eles serão cada vez maiores.
Isso abre imensas possibilidades para o mundo da comunicação. Mas, ao mesmo tempo, lança enormes desafios para a sociedade: desafios legais, econômicos, sociais e políticos.
É evidente que nossa legislação, que já era anacrônica antes mesmo da revolução digital, é incapaz de dar conta dos complexos problemas, cruzamentos e superposições criados pelo vertiginoso processo de convergência de mídias. Ou encaramos frontalmente essa realidade, ou sofreremos suas consequências de forma desordenada e caótica.
É claro, também, que esse processo afetará de forma distinta os diferentes setores econômicos e produtivos do mundo da comunicação, ensejando novos arranjos e soluções. Devemos cuidar para que o resultado seja o melhor, não para esse ou para aquele segmento da sociedade, mas para toda a sociedade brasileira.
É importante ainda levar em conta os impactos políticos e sociais desse processo. A convergência de mídias deve ser um estímulo à multiplicação dos meios de comunicação social, nunca à sua monopolização ou à sua oligopolização. Deve favorecer a pluralidade e a diversidade, nunca a uniformidade. Isso é essencial para o exercício da cidadania e da democracia.
Devemos também garantir que a população siga tendo acesso gratuito à informação, ao entretenimento, às manifestações artísticas e culturais, proporcionados pela radiodifusão. Num país como o nosso, onde amplos setores ainda vivem em meio a grandes dificuldades econômicas, essa questão não pode ser subestimada e tratada de forma menor.
Por tudo isso, o País precisa travar um debate franco e aberto sobre a comunicação social. Não será enfiando a cabeça na areia, como avestruz, que enfrentaremos o problema. Não será tampouco fechando os olhos para o futuro ou pretendendo congelar o passado que lideraremos corretamente… que lidaremos corretamente com a nova situação.
Isso vale para todos nós: governo, empresas de comunicação e de telecomunicações, trabalhadores, movimentos sociais, leitores, ouvintes, telespectadores e internautas.
É chegada a hora de uma nova pactuação na área da comunicação social que resgate os acertos do passado, mas também corrija seus erros, e seja capaz de responder às enormes interrogações e às extraordinárias oportunidades que temos diante de nós.
Companheiras e companheiros, amigos e amigas,
Esta Conferência realiza-se também num momento de multiplicação dos meios de comunicação. A digitalização e a internet propiciam uma forte diminuição dos custos de produção da indústria da comunicação. Isso tende a criar um ambiente favorável a uma relativa desconcentração nos meios de comunicação, numa inflexão em relação ao impressionante processo de concentração ocorrido nos últimos quarenta anos ou cinquenta anos em todo o mundo, e também em todo o Brasil.
Tomemos o exemplo dos jornais. As despesas com a redação – o coração da atividade – respondem apenas por um terço do custo total. Ou seja, teoricamente, é possível editar um jornal eletrônico na internet, onde não há gastos com papel e distribuição, com um custo bem inferior ao atual.
Isso estimulará o surgimento de publicações eletrônicas mais leves e baratas, editadas por grupos menores. É possível também que grupos de jornalistas e profissionais competentes decidam criar jornais eletrônicos de boa qualidade, preferindo trilhar seu próprio caminho em vez de trabalhar para os outros.
Em alguma medida, a explosão da blogosfera já aponta nessa direção da multiplicação da oferta de informação, de opinião, de debate de ideias. Existem hoje na internet uma infinidade de blogs, com os mais variados interesses, os mais diversos estilos e as mais diferentes inclinações. Trata-se de um espaço em permanente ebulição, que atrai um número cada vez maior de pessoas e comunidades. Trata-se de um território de liberdade, que aproxima a comunicação do cidadão, dando voz e alcance a milhões que antes não tinham como se expressar na mídia.
Também no rádio e na televisão, a tecnologia digital pode promover a multiplicação dos meios e veículos de comunicação. Ao permitir uma ocupação mais intensiva do espectro eletromagnético, ela torna possível a ampliação do número de concessões de rádio e TV, oferecendo oportunidades a novos atores, a novos grupos, a novas comunidades, isso sem falar na multiprogramação, que elevará ainda mais a oferta de programas e serviços.
Mas, no Brasil, não são apenas as novas tecnologias que estão alimentando a multiplicação dos meios de informação. O vigoroso processo de inclusão social, bem como a redução das desigualdades regionais e a interiorização da economia, também vem impulsionando o surgimento e o fortalecimento de novos veículos, de novos grupos, de novas iniciativas, o que é muito positivo.
Os números das vendas de jornais comprovam esse fenômeno. A circulação dos jornais tradicionais no eixo Rio-São Paulo-Brasília, por exemplo, está estagnada há mais de cinco anos em torno de 900 mil exemplares diários. No mesmo período, os jornais das capitais dos demais estados cresceram 41%, ultrapassando a marca de 1 milhão e 700 mil exemplares. As vendas dos jornais do interior subiram mais ainda: 62%. No caso dos jornais populares, a alta é simplesmente espetacular, superando 120% e atingindo o patamar de 1 milhão e 200 mil exemplares.
Tudo isso tem a ver com distribuição de renda, mobilidade social, crescimento da classe média, interiorização da economia, fortalecimento das regiões Norte e Nordeste. Tudo isso tem a ver com fenômenos econômicos e sociais novos, que vieram para ficar e que, portanto, vão impulsionar mais ainda o processo de multiplicação dos meios de comunicação.
É bom lembrar que essa dinâmica será reforçada em breve com o lançamento do Plano Nacional de Banda Larga, que terá como objetivo levar a internet, em alta velocidade e a preços razoáveis, a todos os lares do Brasil. Vocês devem ter visto os números anunciados na semana passada pelo IBGE sobre o acesso à internet no País. Demos um salto espetacular: em três anos – de 2005 a 2008 –, o total de usuários cresceu 75%, passando de 32 milhões para 56 milhões de pessoas.
Isso é muito bom, mas não podemos nos dar por satisfeitos. No mundo atual, a internet não é um luxo, mas um serviço de primeira necessidade, essencial para a educação, o trabalho, a informação, o lazer, a comunicação e o exercício da cidadania.
Temos, portanto, que massificar ainda mais o acesso à rede, com alta velocidade e preços módicos, volto a dizer. A inclusão digital, da mesma forma que a inclusão social, deve ser encarada como uma prioridade nacional. E é evidente que quanto mais gente tiver acesso à rede, maior será a demanda de conteúdos e maior terá de ser a oferta de informação e entretenimento.
Meus caros companheiros e queridas companheiras,
Outra grande novidade é a mudança imposta pela internet no padrão de relações entre os produtores e os consumidores de informação e entretenimento.
A indústria da comunicação sempre trabalhou com um modelo vertical, que podia ser resumido da seguinte forma: alguns poucos escreviam, falavam ou exibiam para muitos, que apenas liam, ouviam ou assistiam. Ou seja, um modelo em que havia, de um lado, um núcleo ativo de produtores, e de outro, uma massa passiva de consumidores.
A internet, ao promover a formação de redes horizontais, está levando a importantes mudanças nesse cenário. O poder de interferência dos leitores, ouvintes e telespectadores, que era quase nulo no esquema tradicional, deu um salto espetacular com o surgimento e o fortalecimento da internet.
Os consumidores de informação, estimulados por blogs, por leitores mais ativos ou por grupos de pressão, passaram a formar redes horizontais, trocando opiniões, descobrindo pontos de contato, firmando convicções, tornando-se mais críticos e menos passivos. É um pouco o que vem acontecendo na blogosfera.
Em muitos casos, esse ativismo não se restringe apenas aos leitores. Alcança também as fontes primárias de informação – empresas, políticos, universidades, associações de classe, sindicatos, artistas, clubes desportivos, órgãos governamentais –, que descobrem que podem atuar na rede e ter voz na internet, relacionando-se diretamente com boa parte do público.
Não são pequenas as consequências desse processo, a um só tempo tumultuado e estimulante. Não creio que ele ameace o jornalismo, ao menos o bom jornalismo. Ao contrário, creio que o bom jornalismo sairá fortalecido dessa prova.
Minhas amigas e meus amigos,
Como se vê, os temas que vão ser debatidos nesta Conferência são muito complexos. Talvez, no momento, não seja possível encontrar respostas definitivas para muitos deles, mas espero que este encontro contribua para abrir e oxigenar um amplo processo de discussão em toda a sociedade. Um processo que estimule o Congresso a se debruçar sobre o tema da comunicação social com a importância que ele tem, com a visão abrangente que ele merece e com a urgência que ele requer. Um processo que convoque todos os candidatos, especialmente os que disputarão a Presidência da República, a se pronunciarem sobre o tema, a incluí-lo em seus programas e a exporem ao País suas convicções e ideias. Um processo que atraia a todos e esteja aberto à contribuição de todos. Um processo que não exclua ninguém e que não seja propriedade exclusiva de quem quer que seja.
Talvez seja a maior contribuição que esta Conferência possa dar: voltar a incluir a questão da comunicação social na agenda do País e tornar irreversível seu debate aberto, público e transparente.
Meus companheiros e companheiras,
Eu estou aqui falando, mas Deus, quando fez o ser humano, ele deu uma boca para a gente falar o tanto que eu falei, mas deu duas orelhas – e a minha ainda é meio caída para lá, que parece uma caixa de ressonância – para ouvir o que vocês estão gritando aí de trás: as rádios comunitárias. Esse é um desafio que eu penso que aqui, nesta Conferência, é importante a gente colocar o preto do lápis no branco do papel bem corretamente, para que a gente não permita que continuem acontecendo os equívocos que acontecem e, muitas vezes, o abuso de pessoas em vários lugares deste país, que requerem rádio comunitária em nome do movimento comunitário e, na verdade, muitas vezes, são políticos tradicionais conhecidos em muitas áreas deste país. É importante, e para isso é importante que o movimento comunitário… para isso é importante que o movimento comunitário se comporte com a maior seriedade do mundo, e que a gente não aceite, que por ser do movimento comunitário, a gente permita que alguém do nosso meio possa fazer também um processo inequívoco… equivocado e que não tem direito. A gente precisa agir corretamente para que as rádios comunitárias possam atender verdadeiramente os interesses comunitários.
E nós sabemos que todas essas coisas têm que passar pelo Congresso Nacional, nós sabemos que tudo isso tem que passar pelo Congresso Nacional, e eu acho extremamente importante. E aí, meu companheiro Franklin Martins, Hélio Costa e Dulci, que organizaram esta Conferência, eu queria terminar dizendo para vocês o seguinte: muitas vezes, muitas vezes quando nós chegamos em um ato como este, muitas vezes – e à primeira vista – as pessoas pensam: “Mas este ato aqui está muito dividido”. Eu queria lembrar à imprensa brasileira que este ato tem 40% de representação empresarial, este ato tem 40% de representação do movimento social e este ato tem 20% das mais diferentes representações do poder público brasileiro – prefeitura, governo estadual, governo municipal. Portanto, é um ato que o governo convoca e é um ato em que o governo se dispõe a estar presente como minoria, porque o papel do governo não é ser maioria. O papel do governo é tentar extrair daqui a essência daquilo que a sociedade brasileira tem acumulado ao longo de dezenas e dezenas de anos de sofrimento à espera de que a gente possa, uma vez na vida, democratizar os meios de comunicação neste país para atender aos interesses da sociedade brasileira.
E eu sem conhecer – porque amanhã de manhã estarei viajando para a Dinamarca para discutir a questão do clima –, sem conhecer o resultado, eu posso dizer, pelo que eu conheço da sabedoria de vocês: vocês irão tirar como documento para que a gente possa enviar ao Congresso e fazer a regulamentação… talvez não melhor que, individualmente, algum companheiro ou companheira queria, mas eu não tenho dúvida nenhuma de que vocês vão tirar daqui, extrair o melhor que a sociedade brasileira já foi capaz de fazer em nível de comunicação.
Mãos à obra, muito diálogo e bom trabalho a todos vocês. Um abraço, companheiros.

04/12/2009 - 12:52h Imprensa alemã diz que Lula é ’superstar’

“A inveja é uma merda”.


Silvio de Barros Pinheiro.
Santos.SP.

enviado ao blog por Silvio de barros Pinheiro

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Imprensa alemã diz que Lula é ’superstar’

Marcio Damasceno de Berlim para a BBC Brasil


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com Angela Merkel,  em entrevista à imprensa durante visita a Berlim, na Alemanha


Jornais alemães tratam Lula como estrela da política internacional

No primeiro dia de sua viagem à Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi tratado como estrela da política internacional em reportagens na imprensa local.

O prestigioso jornal Süddeutsche Zeitung se referiu a Lula como “superstar” em uma reportagem que afirma que o Brasil é festejado sob seu governo, como se só agora o país tivesse sido descoberto pelo resto do mundo.

O texto diz ainda que o presidente brasileiro tem um alto índice de aceitação não somente entre os próprios brasileiros, mas também por parte de políticos de outros países.

O jornal econômico Handelsblatt disse que Lula chega à Alemanha para conversar com a chanceler Angela Merkel “de igual para igual”.

No artigo intitulado Lula não vem como pedinte, o periódico afirma que o Brasil é um país desejado pelos investidores, e que a líder alemã corteja, por isso, o país em nome do setor econômico alemão.


‘Milagre econômico’

Já o conservador Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ) diz que Lula chega à Alemanha como representante de uma “nova terra do milagre econômico” que “ultrapassou os tremores da crise global com uma velocidade impressionante”.

Na reportagem intitulada Um visitante autoconfiante, o FAZ lembra que as empresas brasileiras estão, em muitos setores, na ponta do que há de melhor internacionalmente e que o “capital estrangeiro tem entrado no Brasil como nunca antes”, o que faz do real “uma das moedas mais fortes do mundo”.

O jornal diz ainda que o Brasil subirá em breve ao grupo das dez maiores economias do planeta.

“Daqui a dez ou 15 anos, deverá ultrapassar países como França e Grã-Bretanha, chegando no quinto lugar.”

02/12/2009 - 19:32h Não confundir Coelho e coalhada

Não é meu costume ficar alterado pelo debate de idéias, nem de esquecer o bom humor no confronto político, particularmente quando se avançam argumentos para confrontar posições e não diatribes para desconsiderar as pessoas.

Marcelo Coelho voltou a responder a minha resposta (ver as primeiras notas Minha opinião; sobre meias e cuecas; O chapéu que Marcelo quer por na minha cabeça não é meu), pelo qual me convida a uma réplica.

Não teria retomado o assunto, mas a leitura do jornal O Globo de hoje me fez duvidar se minha postura em relação aos jornais não era ingênua demais.

En todo caso ela me permite ilustrar melhor a discussão com Marcelo, com o qual tenho afinidades musicais que vão seguramente serem proveitosas para mim e que não dispensarei por conta de divergências políticas, que os xiitas me desculpem. Suponho que Marcelo agira do mesmo jeito, e seus patrões não consideraram nossa relação promíscua.

A capa do jornal leva como manchete em cinco colunas “Imagem de políticos recebendo propina ‘não fala por si’, diz Lula”

Virando a capa, a página 3, inteira, têm foto de Lula no centro e fotos do escândalo do DF a esquerda, com fotos mais antigas das acusações feitas em 2005 aos petistas, de lado direito.

Nas legendas das fotos a esquerda, sobre os atuais acontecimentos de corrupção em Brasília, nenhuma sigla partidária é mencionada. “Políticos”, “deputados”, “governador”, nomes próprios mas nenhuma sigla partidária.

Já nas legendas da direita, o PT aparece em várias delas.

O artigo principal, em fim, está dirigido atacar Lula e leva como manchete para toda a página ‘As imagens não falam por si’ ( a frase de Lula tirada do contexto e isolada).

Na opinião do jornal O Globo, é o que eu suponho, Lula é leniente com a corrupção.

O jornal tem o direito de ter essa opinião? Sem dúvida.

Mas essa edição não está de fato diminuindo a responsabilidade dos principais acusados, membros da oposição a Lula?

Se as fotos falam por si, porque O Globo não lança uma imediata campanha pela destituição de todos os implicados? porque não centra neles e nas suas ramificações, as baterias da indignação justa de todos.

Porque visar o Lula ao ponto de diminuir o papel central ocupado pelo único governador do DEM nesse escândalo?

As páginas principais do jornal, a capa e a 3, dedicadas a atacar uma frase de Lula. A 4 e a 8, a tratar dos acusados, de seus partidos e das implicações políticas do assunto.

No portal do jornal, os internautas são convidados a opinar sobre… a frase de Lula.

Agora voltemos a coalhada que Marcelo nos proporciona. Contrariamente a sua afirmação, não vi nenhum petista dizer que Arruda é vítima da imprensa. O que é distinto de afirmar que todos os acusados, mesmo sendo adversários do PT, devem poder exercer o direito de defesa. O que eu tenho afirmado é que a justiça sumária não é justiça e constitui o alicerce dos demagogos e ditadores.

Marcelo, você é a favor desse direito para Arruda? sim ou não? Então porque evocar esse básico princípio democrático, significaria ser tolerante com os corruptos?

Caso contrário, porque limitar a condenação sumária a Arruda? Porque não incluir na lista Roberto Freire, mencionado numa das fitas como receptor do dinheiro desviado? Porque não acrescentar a cúpula do DEM, já que segundo informações veiculadas na imprensa ela foi irrigada com o dinheiro desviado?

Amalgamando uns aos outros, fazendo ilações, chegaríamos a um processo político e não ao estabelecimento da justiça.

Isto foi feito com o PT, sim. O reconhecimento da prática do caixa 2 foi considerado como sinônimo de desvio de dinheiro público por parte do partido, o que ainda resta a provar. Fomos todos coletivamente acusados de corruptos, era o “PT sob suspeita” (Folha SP). A agremiação foi julgada sem processo pelos opositores e pela mídia e condenada. Mandatos foram cassados sem provas e justificados como julgamentos políticos dispensando prova cabal de ilícitos. Foi o caso de José Dirceu até hoje tratado como chefe de quadrilha, sem uma única prova de qualquer papel no caixa 2 praticado por alguns membros da direção do partido quando ele era ministro do governo.

Na coalhada de Marcelo, o pouco espaço dado ao caso Azeredo ou Yeda, diferente de Arruda é que não envolviam ministros. Pueril! Que ministros estão envolvidos no caso Arruda?

O mesmo argumento servirá para explicar o pouco destaque dado pela Folha à menção do candidato de José Serra, Aloysio Nunes, no relatório da PF sobre a operação castelo de areia?

E bem, caro Marcelo, mesmo assim continuo pensando que a mídia reage por motivações diversas e não exclusivamente pela sua orientação ideológica geral. Continuo pensando que os jornalistas não podem ser assimilados aos seus patrões e que a maioria são profissionais a procura da informação e viceralmente ligados à digna profissão que exercem, garantias de nossas liberdades fundamentais.

Mas às vezes, me assiste uma tal dúvida…

…e fico me perguntando, será que os jornais me proporcionaram um “elisir d’amore”, porque sou tão ingênuo como Nemorino?

LF

PS Para não ficar uma discussão relegada a nós dois, me permiti reproduzir os comentários publicados no seu blog sobre o assunto.

Favre responde

… e é admirável a serenidade de sua resposta ao post que escrevi um pouco abaixo. Eis o link.

O post dele diz ”este chapéu não é meu”, e enfatiza o fato de que ele, Favre, não considera a totalidade da imprensa como sendo a favor da direita golpista. Aceitando que ele faz ressalvas, ou seja, de que “parte” da imprensa não merece a acusação, isso não muda muito.

Podemos dizer que nem todo petista é ladrão ou assassino, e que nem todo jornal é direitista ou demotucano.

A questão não é essa: é que os mesmos jornais que faziam estardalhaço com o mensalão petista agora fazem estardalhaço com o DEM do Distrito Federal. Foi menor o barulho com os casos Yeda Crusius e Azeredo, mas não envolviam ministros do governo federal. Houve um tremendo estardalhaço com a compra de votos para a reeleição do Fernando Henrique também.

Digo que esses escândalos todos interessam à Folha, e não que a Folha possa ser acusada de estar, a cada escândalo, servindo aos partidos que deles se beneficiam.

Outra questão, a mais curiosa, eu acho, é que depois de tanto se sentir injustiçados pelos principais jornais do país, haja disposição de petistas para considerar José Roberto Arruda uma possível vítima da imprensa.

E, sinceramente, por mais que haja risco de julgamento precipitado, se formos esperar provas jurídicas em vez de evidências primárias de corrupção, ninguém seria minimamente suspeito de nada. Estou esperando, por exemplo, algum grampo ou gravação de video mostrando relações promíscuas entre Serra e os jornais “serrristas”. Em matéria de acusação, difamação, estardalhaço, esta me parece bem menos embasada do que as que conhecemos contra os doleiros de cueca, ou entre Marcos Valério e o PT, por exemplo.

Escrito por Marcelo Coelho às 17h54

[rafael j] [rafael_pjs@hotmail.c]
Eu sempre pensei que um jornal fosse prova de sí mesmo. Me estranha constatar que para o jornalista (que respeito) seja necesário um vídeo amador provando a inclinação política de um jornal. A má vontade do jornal com o goveno Lula é evidente, o ultimo exemplo foi tirar de cotexto a fala do presidente em relação a vídeo,penúltma foi a publicação de um arigo nebuloso e mal fundamentado que atinge a hora de Lula e fere a peservação da imagem do nosso mandatário sem a necesária averiguação.

02/12/2009 15:19

[Wagner Nobrega Gimenez] [filosofo639@hotmail.com]
Sobre a FSP estar fazendo “estardalhaço” com o mensalão do DEM eu acho que isso é devido (se bem que acho que não é estardalhaço nenhum, é só para inglês ver)ao Serra. Tem o dedo dele nisso, eu aposto. Por quê digo isso? Porque quando o Serra sinalizou para a FSP acabar (não matar) com o Kassab (digo acabar e não matar porque ele é São Paulino)as matérias nos jornais da FSP passaram a queimar o Kassab. Será que só eu percebo isso nesse país?

02/12/2009 15:02

[diego lima ] [lima@recantodoslimas.com]
Ah, Marcelo ! Marcelo, Marcelo, Marcelo ! Exemplo da semana: o que o Lula e o Serra disseram sobre o caso Arruda foi, em síntese, igual. O que o UOL e a Folha e o Globo em manchete de capa (hoje) publicaram foi que “Lula diz que não há evidências nas imagens ….”. Porque a manchete não era: “Serra diz que Arruda tem direito de defesa” ??? Bom, isso eu acho que entendo – Frias, Marinho … O que eu não entendo é como alguém que lida com a área cultural pode ser tão …. how can I say … equivocado, pra ser elegante. Bom, Ezra Pound defendeu o nazismo, não é mesmo ? Acredite: seus filhos vão sofrer, no futuro, pelas posições políticas do pai.

02/12/2009 06:29

[antonio luchessi] [luchessiasdd@hotmail.com]
Desculpa Marcelo mas ninguém é suficientemente ingênuo em acreditar que a Folha da um tratamento igual ao PT e ao PSDB, em especial José Serra. Não é necessário vídeo quando o jornal reafirma uma postura diariamente nas suas linhas, não só linhas mas também entrelinhas e fotos muito bem selecionadas para remeter a esse ou aquele personagem da cena política.

01/12/2009 22:37

[Maurício]
Marcelo, de você não se pode esperar muito, não é mesmo? para quem defendeu o indefensável (no caso da ditabranda), não pode se esperar muito no episódio do DF. No caso do mensalão petista as manchetes ocuparam meses e meses o noticiário do jornal. Somente o escândalo da Alstom, do governo querido pelo jornal e tão bajulado por você, daria no mínimo uns 10 mensalões…e a cobertura, cobrança por parte dos jornalistas da FSP, não chegou a 1/10 no caso do mensalão petista. O pior é ler como você ratifica a sua ética seletiva: então se não há ministro do gov. federal envolvido, o seu jornal não faz uma cobertura crítica o suficiente? e se houver tucano, demo, Serra ou FHC no meio, muito menos? é inacreditável como vocês se esforçam para perder credibilidade. Ficha falsa da Dilma, Lula estuprador, e agora amenidades no caso do DEMensalão…ao menos você deveria reconhecer o quanto é ridículo…

01/12/2009 20:13

[thiago candido ] [candido.1984@gmail.com]
“Estou esperando, por exemplo, algum grampo ou gravação de video mostrando relações promíscuas entre Serra e os jornais “serrristas”‘ Péra. Isso tem. E foi feito com base em algo ‘legal’. Como justificar assinaturas em massa, contratadas sem licitação, da Folha, do Estadão e da revista da Abrl feitas pelo governo de São Paulo? A folha, que adora noticiar que as empresas (qual grande empresa no país não tem relação com o governo?) que patrocinam o filme sobre a vida do Lula receberam tanto e quanto do governo se calou completamente quando o Serra fez as tais assinaturas. http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/governo-paulista-faz-10-mil-assinaturas-sem-licitacao/ E sim, a Folha é Serrista. Isto não é crime, Marcelo. O que se questiona é a falta de caráter do jornal em assumir sua posição. Se não for por afinamento partidário, qual o motivo pro jornal ter publicado a excrescência de César Benjamin?

01/12/2009 18:54

01/12/2009 - 16:40h O chapéu que Marcelo quer por na minha cabeça não é meu

Marcelo Coelho tenta dar uma contribuição ao debate sobre o papel da imprensa, que alguns denominam PIG, tomando como ponto de partida minha opinião sobre o caso Arruda.

Segundo Marcelo, minha postura “É como se supostas “campanhas de difamação” fossem mais perigosas do que os supostos “difamados”; PT e agora o DEM são vítimas de campanhas. O problema é saber se dá para sustentar a tese, tão comum no petismo, de que a imprensa está a favor da direita golpista, dos tucanos etc.”. Esse chapéu não é meu.

Trata-se de uma interpretação, motivada talvez por falta de precisão de minha parte, mas Marcelo citando longamente meu texto, deixou fora o parágrafo que precede e introduz a parte citada.

“Durante um certo tempo alguns alimentaram a idéia que este assunto seria a chave para acabar com o PT, ou “com essa raça” como dizia Bornhausem, do DEM. Campanhas histéricas foram lançadas para “criminalizar” a prática de dinheiro não declarado à justiça eleitoral, com o único objetivo de tentar favorecer determinadas forças políticas em detrimento do PT. Um udenismo de fachada que impedia qualquer discussão de fundo sobre a legislação eleitoral.”

Onde eu escrevi “alguns”, Marcelo me atribui uma condenação da imprensa em geral. Onde falo de pratica de caixa 2, que distingo de corrupção e enriquecimento ilícito (como distingue também a própria lei) e de “udenismo de fachada”, Marcelo vê equiparação entre difamadores e difamados.

As “campanhas de difamação” não podem ser confundidas com acusações consistentes e embasadas em provas sobre corrupção ou caixa 2.

Eu não penso que informar sobre os fatos seja equivalente a campanhas politicamente dirigidas. Mas durante meses a fio uma parte dos jornais e alguns dos seus articulistas, utilizando o descobrimento de dinheiro não declarado à justiça eleitoral, por parte do PT, ou de caixa 2 no funcionamento petista, tentaram acoplar aos dirigentes e ao governo federal a marca de ladrões, corruptos e até de assassinos.

Os gritos das vestais demo-tucanas, verdadeiros fariseus, encontravam destaque em manchetes. A Folha, por exemplo, mantinha diariamente uma manchete “PT sob suspeita” para noticiar qualquer informação sobre suposta ilegalidade de algum petista, como sendo ilegalidade da própria sigla. O “mensalão petista” era o chamariz, distinto do “mensalão mineiro” e assim pela frente. A campanha difamatória era liderada pelo DEM, o PSDB e o PPS, uma parte da imprensa “repercutia”.

Quando Lula ousou dizer que a pratica de caixa 2 era comum nos partidos foi acusado de dar cobertura às quadrilhas de ladrões. FHC ganhava manchetes afirmando “Não somos como eles”. Exigiam e constituíam CPI para gerar espetáculos de desmoralização visando o PT.

Hoje não é assim. Arruda é Arruda. O DF é o DF. Já Kassab é Kassab e o DEM não é uma quadrilha organizada para roubar os cofres públicos. Ninguém insinua que Arruda possa ser assassinado por seus colegas de partido, “porque sabe muito”. Ninguém faz amálgama entre o preço da Cidade da Música, no Rio, com a Máfia da Merenda escolar em São Paulo e o dinheiro da meia, em Brasília, para concluir que o DEM deveria ser banido porque estaria composto de meliantes. Ninguém propõe uma CPI para convocar Arruda, Maia, Lerner, Jorge, Kassab e desvendar o que eles falaram o deixaram de dizer.

É bom que seja assim. A justiça sumária não é justiça. É paródia. O assassinato de reputações não é “efeito colateral” de uma “boa guerra”. É sujeira vil, de guerra suja.

Por isso reitero o que escrevi sobre as acusações contra José Arruda e também sobre o DEM, PPS e PSDB envolvidos no escandalo do DF.

“Mesmo com tantas evidências apresentadas nos médios de comunicação, me parece prudente aguardar a manifestação serena da justiça, evitando “linchamentos” mediaticos e condenações sumárias.

O acusado deve poder se defender e deve contar com a “presunção de inocência”, que deve ser respeitada por todos. Mas a comoção provocada pelas gravações e fitas, deveria aconselhá-lo a se afastar do cargo e assegurar sua defesa como indivíduo, preservando a instituição do DF.”

(…)
“Não se trata de ser tolerante com a corrupção e os indivíduos que a praticam. Mas de aprimorar o arcabouço institucional para eliminar a pratica de financiamento partidário irregular, permitindo o pleno funcionamento dos partidos.

Só assim poderemos separar os partidos políticos e seus membros, dos que almejam cargos com fins de enriquecimento criminoso. Preservando o funcionamento dos partidos e assegurando o seu financiamento público, estará a democracia brasileira mais armada para combater com rigor os desvios e a corrupção.

O DEM, como o PSDB, o PT e demais partidos que não são “legendas de aluguel”, são importantes para a democracia. Eles representam diferentes grupos sociais, visões programáticas e estilos específicos de fazer política.

A tentativa de levar ao extremo o acirramento político e a procura de “acabar” com o adversário, debilita todos e é ruim para o país.

O pluralismo partidário e essencial a democracia. O partido único é inerente as ditaduras.

Não fico feliz de ver o DEM, o PSDB e o PPS atingidos pelo sistema Arruda.Não é bom para o Brasil.”

Luis Favre

30/11/2009 - 17:46h Lixo em estado puro

LEITURAS DA FOLHA

Por Alberto Dines em 30/11/2009

Comentário para o programa radiofônico do OI

Vamos criar uma igreja e deixar de pagar impostos? A manchete da Folha de S.Paulo de domingo (29/11) foi a mais comentada dos últimos tempos. Nem parecia ser o mesmo jornal que dias antes, na sexta-feira, produziu um lixo jornalístico dos mais repugnantes e que desde então está ocupando a seção de cartas dos leitores quase inteira.

A propósito da estréia do filme Lula, o filho do Brasil, a Folha publicou um depoimento do seu colunista Cesar Benjamin, dissidente do PT, a propósito de um comentário cabeludo feito há 15 anos pelo então candidato à presidência Lula da Silva (FSP, 27/11, pág. A-8).

Como foi constatado no dia seguinte, o comentário foi efetivamente feito mas em tom de troça, conversa de fim de expediente. A Folha rasgou e tripudiou sobre todos os seus manuais de redação, pisoteou 20 anos de trabalho dos seus ouvidores ao aceitar como verdadeira uma fofoca estapafúrdia sem qualquer diligência sobre a sua veracidade.

Não foi desatenção, erro involuntário, tropeço de um redator apressado: a Folha reservou uma página inteira para que o colunista contasse a sua saga nos cárceres da ditadura iniciada quando contava apenas 17 anos. Seu relato é impressionante, mas de repente, para desqualificar os 30 dias em que Lula passou no xadrez, Cesar Benjamin conta a sua anedota em três enormes parágrafos e com ela fecha o artigo.

Imprensa marrom

À primeira vista, parece mais um golpe publicitário da família Barreto (que produziu o filme), em seguida percebe-se que a denúncia é a vera, fruto de um ressentimento pessoal que um jornal do porte da Folha, que se assume “a serviço do Brasil”, não tem o direito de perfilhar.

A direção da Folha simplesmente não avaliou o tamanho do desatino. No dia seguinte, tentou consertar: mancheteou uma de suas páginas com o justo desabafo de Lula classificando o texto como “loucura” (FSP, 28/11, pág. A-10). No domingo, certamente arrependida, a direção da Folha providenciou a evaporação do assunto. Ficou apenas a reprovação do seu ouvidor Carlos Eduardo Lins da Silva.

Tarde demais. Já no sábado (28/11) o Estado de S.Paulo repercutia o episódio com destaque e, no mesmo dia, a Veja já o incorporara à sua edição. O Globo manteve-se à distância desta porcaria.

Se o leitor não sabe o que significa “imprensa marrom”, tem agora a oportunidade de confrontar-se com este exemplo – em estado puro – do jornalismo de escândalos e achaques.

27/11/2009 - 18:48h Blog de Nassif: A diferença entre Bradlee e Frias Filho

do Blog de Nassif

Por Ronaldo Bicalho

Confesso que, como tantos outros cidadãos brasileiros, eu fiquei chocado com o artigo publicado na Folha de São Paulo sobre a suposta tentativa de estupro impetrada pelo atual ocupante do cargo mais importante do país, ao tempo em que esteve preso em 1980.

A acusação é extremamente grave, considerando a importância do cargo ocupado pelo acusado, a natureza do crime a ele imputado e o fato da Folha de São Paulo ser o maior jornal do país.

A prova apresentada pelo artigo são as reminiscências de uma conversa entre o acusado e o autor do artigo, ocorrida há quinze anos, presenciada por outras pessoas, algumas identificadas e outras não.

Das testemunhas identificadas, uma delas, Paulo de Tarso, já desmentiu o autor do artigo.

Em “todos os homens do presidente”, sobre o caso Watergate, há uma cena em que o velho editor do Washington Post, Ben Bradlee, pergunta aos seus jovens repórteres se eles têm noção sobre a gravidade das acusações que eles estão fazendo, e os manda buscar mais provas antes de fazê-lo.

Sempre achei que “Todos os homens do presidente” não é apenas um filme sobre a coragem e a determinação de dois repórteres, Woodward and Bernstein, mas sobre o compromisso com as instituições representado por Bradlee. Que ao final apóia os seus jornalistas quando identifica uma ameaça às instituições por parte da quadrilha reunida em torno de Nixon.

Na verdade, é o velho editor que dá um sentido ético à ação dos dois jornalistas e, ao final, e ele que banca a continuação das investigações, a partir de provas concretas que os jornalistas vão levantando.

Enfim, ao que parece vivemos tempos estranhos nos quais abundam os pretensos Woodwards e Bersteins e escasseiam dramaticamente os Bradlees.

Abaixo seguem dois vídeos com cenas do velho Jason Robards no papel de Bem Bradlee, que lhe deu o Oscar de melhor ator coadjuvante de 1976. É impressionante a dignidade que o ator empresta ao seu personagem. Personagem este que simboliza um tipo de jornalismo que, ao que parece, está chegando ao final; substituído por uma prática que não tem o menor compromisso com as instituições, e no qual a leviandade substituiu qualquer responsabilidade com a ética; qualquer que seja ela.

http://www.youtube.com/watch?v=HEjk7ufsG2c&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=PZfKKz2GbV0&feature=related

    14 comentários para “A diferença entre Bradlee e Frias Filho”

    1. A outra testemunha de Benjamin seria um americano que não entenderia português e para o qual ele (Benjamim) não traduziu o que Lula relataria naquele momento.
      Quer dizer, Benjamim deve ter fumado maconha estragada.
      Quanto a Folha, só entendo isso como trabalho de um jornal que faz oposição num país em que a oposição fracassou.

    2. Fumou maconha estragada e ligou para a Folha.
      Benjamim: oi, é da Folha? Quero relatar uma bomba contra Lula.
      Frias: o que
      Benjamin: bla bla bla bla bla

      Mais um dia de oposição, quer dizer, da oposição brasileira contra Lula,,,,

      Vejam só onde o ódio de classe pode chegar. Além do mais, em jogo muita grana do pré-sal, olimpiadas, um bom nome do Brasil no exterior,,etc etc

      Custe o que custar, a Folha tem que eleger Serra presidente. E como isso não será conseguido através desta oposição vencida, nada mal como a imprensa assumir este vácuo, mesmo que exalando este fedor

    3. Marco Aurelio disse:

      A velha mídia desce,célere,pelo ralo do esgoto onde se meteu…

    4. Widmark Recife disse:

      Só podemos dizer que tudo isso é desespero, falta de vergonha, de respeito com o Presidente da República e com o povo brasileiro. Com esta atitude o menudo da folha atingiu o ápice da canalhice. Posso dizer que ele não viu a “cena em que o velho editor do Washington Post, Ben Bradlee, pergunta aos seus jovens repórteres se eles têm noção sobre a gravidade das acusações que eles estão fazendo, e os manda buscar mais provas antes de fazê-lo”. Chega de assassinato de reputação, vamos dar um basta a esta política de difamação, amanhã apenas com um pequeno erramos, fica o dito pelo não dito.

      a falta de respeito, a apelação e desespero de um grupelholeva a

      • Vera disse:

        Vamos:

        - encerrar as assinaturas
        - comentar em todos os espaços possíveis de todas as editorias e blogs do Uol etc.
        - comentar no site da editora do sujeito
        - e de todos os blogs que supostamente queiram repercutir esta bobagem

        Falta de respeito tem limite em nossa imeeeeensa capacidade de resiliência!

    5. luzete disse:

      parabéns, parabéns ronaldo. palavras necessárias.

    6. Douglas Otaviani Tôrres disse:

      Retificando ,a Folha já foi o maior jornal do país. como disse o Eduardo Guimarães isto é so o começo ,quando FHC reconheceu o filho apos 18 anos estava se preparando o ataque , e a coisa só vai piorar . A oposição e a midia principalmente (esta é a oposição de fato) ,não tem propostas ,contraponto , não tem ideias , estas são suas armas ,o jogo sujo de esgoto ,sem parametros éticos ou morais , vai se enterrando na vala sem fundo cheia da sua própria e fétida moral. 2 pontos , a eleição da Dilma , e a Confecom serão os marcos para derrocada deste tipo de jornalismo ,que como voçe mesmo já denunciou aqui Nassif esta com sua capacidade de produzir escandalos esgotada , espero que sim .

    7. Lee santos disse:

      Creio que o objetivo de tudo isso é apenas macular a imagem e o prestígio do Lula, provocar uma aura de dúvida nas pessoas, nem que nada seja provado.Se para isso for preciso descer o mais baixo possível, o ódio, inveja e desconforto “, aparentemente incontroláveis “daselites” , eles o farão sem pestanejar..
      Mas, como já disse o Edu Guimarães no seu blog; não se impressionem, se nos próximos dias aparecer algum cinquentão nas manchetes, dizendo ter sofrido tentativa de estupro nos anos de chumbo, por ninguém menos que o atual ocupante da Presidência da República.

    8. Jaime Balbino disse:

      Eu também sempre me lembro dessas cenas do filme “Watergate” quando vejo editores de jornais, revistas publicando material falso ou de impossível confirmação (o mesmo que mentiroso, já que nada factual o sustenta a não ser uma pessoa ou documento apócrifo).
      O Benjamin será a Lina Vieira do Lula

    9. Pedro Cavalcante disse:

      FSP
      não faz jornalismo

      faz bandidagem

    10. C. Brayton disse:

      Estupro QUÊ? Eu deixo o escritorio passear uma hora e de repente brotam mais filhos naturais e falhas humanas do que Fernando Lugo. Vou conferir.

    11. valter disse:

      Nada justifica uma baixaria dessas. Tenho minhas restrições ao governo do petista, não compartilho do mesmo entusiasmo da maioria dos comentaristas aqui do portal até mesmo do dono do blog que democraticamente permite que todos coloquemos nossas opiniões. Mas uma canalhice como essa publicada na Folha é de amargar. Nenhum homem público merece uma safadeza dessas. Em campanhas eleitorais todos sabemos que usam tudo o que tiver ao alcance e muito mais, porém há que se respeitar a dignidade das pessoas.
      Pode ser só um ataque baixo, inferior de um desqualificado. Porém com a anuência de um veículo de comunicação como o jornal em questão, a coisa muda de figura. Merecia um processo definitivo, cabal.
      É lamentável ter que conviver com coisas do tipo. Mais e mais ficamos sem opção. Eu, pelo ao menos me encontro assim.

    12. Castro disse:

      Vamos ver a lista de adjetivos que a nossa edificante imprensa atribuiu ao Lula:

      - Analfabeto;
      - Grosseiro;
      - Cafona;
      - Estuprador;
      - Pederasta;

      Agora só falta para coroar; Pedófilo

      Realmente a nossa oposição tem o dom de usar inteligentes argumentos e propostas (devem ser os anos de MBA’s).

      Alguém poderia imaginar o que seria o (improvável) governo Serra?

    27/11/2009 - 18:34h Cretinos!

    Um ex-militante, escreve uma barbaridade imunda e nauseabunda sobre o presidente da República e um jornal a reproduz.

    O autor, pode ter razões inconfessáveis; mas uma barbaridade dessa ser reproduzida por um jornal que não deveria ser considerada uma folha marrom; como se justifica?

    A liberdade de imprensa não é autorização para reproduzir qualquer coisa. Os jornais sabem disso, por isso controlam o que nas suas páginas reproduzem.

    O conteúdo nauseabundo toma uma dimensão diferente quando é reproduzido como tal por um jornal respeitado, diferente se for uma folha inescrupulosa, uma folha provocadora e de rabo preso com a pior escória.

    Esse tipo de m. não é digna de figurar nas páginas de um jornal sério, o cheiro acaba impregnando o autor e os que propagam o dejeto.

    LF

    25/11/2009 - 14:28h “Pai dos Pobres” provocou milagre econômico no Brasil

    UOLDer Spiegel

    Jens Glüsing

    O Brasil é visto como uma história de sucesso econômico e sua população reverencia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um astro. Ele está na missão de transformar o país em uma das cinco maiores economias do mundo por meio de reformas, projetos gigantes de infraestrutura e explorando vastas reservas de petróleo. Mas ele enfrenta obstáculos.

    Elizete Piauí aguarda pacientemente por horas à sombra de uma mangueira. Ela calça sandálias de plástico e veste um short largo sobre suas pernas finas. A 40ºC, o ar tremula neste dia incomumente quente na Barra, uma pequena cidade no sertão, o coração do Nordeste brasileiro. Mas Elizete não se queixa, porque hoje é seu grande dia, o dia em que se encontrará com o presidente, que está trabalhando para fornecer água encanada para sua casa.

    • lulasertania
      Em Sertania (Pernambuco), Lula vistoria as obras da transposição das águas do rio São Francisco

    O barulho de um helicóptero sinaliza sua chegada. A aeronave branca sobrevoa a multidão antes de pousar. Uma escolta de batedores acompanha o presidente até a cerimônia.

    Lula sai da limusine vestindo uma camisa branca de linho e um chapéu militar verde. Ignorando os dignitários locais em seus ternos pretos, Lula segue direto para a multidão atrás de uma barreira de segurança. “Lula, Papai!”, chama Elizete. Ele a puxa até seu peito e aperta a mão de outros na multidão, permitindo que as pessoas o toquem, façam carinho e o abracem. Gotas de suor correm pelo seu rosto corado enquanto pessoas o puxam pela camisa, mas Lula se deixa embeber na atenção. Ele se sente em casa aqui, em uma das regiões mais pobres do Brasil.

    O presidente passa três dias viajando pelo sertão. Ele conhece a rota. Ele veio à região pela primeira vez há 15 anos, em campanha, viajando de ônibus e ficando hospedado em locais baratos. Ele fazia paradas em todas as praças, sete ou oito vezes por dia, geralmente realizando seus discursos na traseira de um caminhão. Sua voz geralmente ficava rouca e fraca à noite e ele tinha que trocar sua camisa suada até 10 vezes por dia.

    ‘Ele ainda é um de nós’
    Agora ele viaja de helicóptero e carros blindados, com os carros da polícia, com suas luzes piscando, abrindo o caminho ao longo das estradas. Voluntários montam aparelhos de ar condicionado e bufês nos aposentos de Lula, às vezes até mesmo estendem um tapete vermelho. A imprensa critica as despesas, mas isso não incomoda a maioria dos brasileiros, porque eles têm orgulho de seu presidente. Ele chegou ao topo, eles argumentam, então por que não desfrutar de seu sucesso? “Ele ainda é um de nós”, diz Elizete, “porque ele é o pai dos pobres”.

    Lula está familiarizado com o destino dos nordestinos pobres do Brasil. Ele nasceu no sertão, mas sua mãe colocou seus filhos na traseira de um caminhão e os levou para São Paulo, 2 mil quilômetros ao sul. A posterior ascensão de Lula ao poder começou nos subúrbios industriais de São Paulo. Sua mãe foi uma das centenas de milhares de pessoas carentes que deixaram o sertão atormentado pela seca, com seus campos ressecados e animais morrendo de sede, e migraram para o sul mais rico, para trabalhar como porteiros, garçons, operários de construção ou empregados domésticos.

    Em um plano para tornar verde esta região árida, Lula está explorando as águas dos 2.700 quilômetros do Rio São Francisco, um rio vital para grandes partes do Brasil. O rio fornece água para cinco Estados, mas ele passa em torno do Sertão. Segundo o plano de Lula, dois canais desviarão água do rio por 600 quilômetros até as áreas atingidas pela seca. “É o mínimo que posso fazer por vocês”, Lula diz às pessoas na Barra.

    Projeto controverso
    O megaprojeto, que exige a superação de uma diferença de altitude de 200 metros, tem um custo estimado de R$ 6,6 bilhões. Lula posicionou soldados na região para escavar os canais. Oito mil trabalhadores labutam nos canteiros de obras enquanto tratores e escavadeiras movem a terra pela estepe. Se tudo correr bem, 12 milhões de brasileiros se beneficiarão com o projeto de transposição de águas, que deverá ser concluído em 2025. É o maior e mais caro projeto de Lula, assim como provavelmente seu mais controverso.

    Aqueles que o apoiam comparam Lula ao presidente americano Franklin D. Roosevelt, que represou o Rio Tennessee nos anos 30, para fornecer eletricidade à região, e que lançou o New Deal, um imenso programa de investimento para superar a Grande Depressão. Mas os críticos veem a obra como um imenso desperdício de dinheiro. O projeto também atraiu a ira dos ambientalistas e até mesmo o bispo da Barra já fez duas greves de fome contra ele. Ele teme que o projeto de transposição das águas secará ainda mais o rio, alegando que a irrigação beneficiaria principalmente o setor agrícola.

    O bispo não está presente. Dizem que ele está participando de reuniões fora da cidade. Na verdade, o religioso está mantendo discrição. As críticas ao presidente são desaprovadas por sua congregação. Lula fala a linguagem das pessoas comuns, contando histórias de sua juventude aos seus simpatizantes, histórias dos tempos em que sua mãe o enviava para buscar água e ele voltava para casa equilibrando um balde pesado sobre sua cabeça. Ele tinha cinco anos na época.

    lula_gabrielli2
    O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (à frente), com o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, exibe mãos sujas de petróleo na plataforma P-34, em Vitória, Espírito Santo

    O Brasil já foi chamado de “Belíndia”, um termo cunhado por um empresário que via o vasto país como uma mistura entre a Bélgica e a Índia, um lugar com riqueza europeia e pobreza asiática, onde o abismo entre ricos e pobres parecia intransponível. Lula foi o primeiro a construir uma ponte entre os dois Brasis.

    Agora ele é tanto o queridinho dos banqueiros quanto ídolo dos pobres. Com o chamado presidente operário no comando, o Brasil está atraindo investidores de todas as partes do mundo. Jim O’Neill, o economista chefe do Goldman Sachs, inventou a sigla Bric para as economias emergentes do Brasil, Rússia, Índia e China, prevendo um futuro brilhante para o gigante sul-americano. Mas seus colegas zombaram dele. A China e a Índia certamente tinham perspectivas, mas o Brasil? Por décadas o país era visto como um gigante acorrentado, atormentado por crises infindáveis e inflação.

    Potência econômica ascendente
    Mas hoje o “B” é a estrela entre os países Bric, com os especialistas prevendo um crescimento de até 5% para a economia brasileira em 2010. O Brasil está atualmente crescendo mais rápido do que a Rússia e, diferente da Índia, não sofre de conflitos étnicos ou disputas de fronteira. O país de 192 milhões de habitantes possui um mercado doméstico estável, com as exportações – carros e aeronaves, soja e minério de ferro, petróleo e celulose, açúcar, café e carne bovina – correspondendo a apenas 13% do produto interno bruto.

    E como a China substituiu os Estados Unidos como maior parceira comercial do Brasil no início deste ano, o país não foi severamente afetado pela recessão no mercado americano como poderia ter sido. Os bancos do Brasil são fortes, estáveis e não encontraram grandes dificuldades durante a crise. Mais importante, entretanto, é o fato do Brasil ser uma democracia estável, ao estilo ocidental.

    O país pagou sua dívida externa e até mesmo passou a emprestar ao Fundo Monetário Internacional (FMI). O governo acumulou mais de US$ 200 bilhões em reservas e o real é considerado uma das moedas mais fortes do mundo. Especialistas internacionais preveem uma década de prosperidade e crescimento para o país. Lula prevê que o Brasil será uma das cinco maiores economias do planeta em 2016, o ano em que o Rio de Janeiro será sede dos Jogos Olímpicos. O país será sede da Copa do Mundo de 2014.

    E ainda há os recursos naturais aparentemente ilimitados do Brasil, vastas reservas de água doce e petróleo. O Brasil exporta mais carne do que os Estados Unidos. E a China estaria em dificuldades sem a soja brasileira. Nos hangares da fabricante de aviões, a Embraer, perto de São Paulo, engenheiros brasileiros constroem aviões para companhias aéreas de todo o mundo, incluindo aviões para trajetos menores para a Lufthansa.

    Um patriarca extremamente popular
    Em outras palavras, o presidente Lula tem bons motivos para estar repleto de autoconfiança. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, o estão cortejando, enquanto Wall Street praticamente o venera. Ele é até mesmo tema de um novo filme, “Lula, o Filho do Brasil”, que descreve a saga de sua ascensão de engraxate a presidente.

    • lulafilme
      Carisma
      Patriarca extremamente popular, o líder brasileiro é até mesmo tema de um novo filme, “Lula, o Filho do Brasil”, que descreve a saga de sua ascensão de engraxate a presidente do país

    Todo o Brasil desfruta da fama de seu presidente que, há menos de sete anos no poder, atualmente conta com um índice de aprovação acima de 80%. A oposição praticamente desapareceu e o Congresso se tornou submisso. Lula dirige o país como um patriarca, tanto que seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, o está acusando de “autoritarismo” e alertando que o Brasil está no caminho de um capitalismo estatal.

    Há um quê de verdade nas alegações de Fernando Henrique. Lula nunca teve confiança na capacidade do mercado de curar a si mesmo e considera que o Estado deve moldar uma nova ordem social. Ele adora projetos impressionantes e gestos nacionalistas. Ele é pragmático, mas despreza especuladores. “Brancos com olhos azuis” levaram o mundo à beira da ruína financeira, ele disse recentemente. Ele falava dos banqueiros.

    A crise financeira apenas confirmou o ceticismo de Lula em relação ao capitalismo. Lula acredita que o Brasil lidou melhor com a crise do que outros países porque o governo adotou medidas corretivas desde cedo. Segundo Lula, o combate à pobreza e a distribuição justa de renda não podem ficar aos cuidados do mercado.

    Classe média crescente
    Sob sua liderança, milhões de brasileiros ingressaram na classe média. A evidência dessa transformação social está por toda a parte: nos shopping centers do Rio e São Paulo, lotados de famílias barulhentas da periferia, ou nos aeroportos, onde mães jovens ficam na fila do balcão de check-in, aguardando para embarcar em um avião pela primeira vez em suas vidas. “A desigualdade entre ricos e pobres está começando a diminuir”, diz o economista e especialista em estudos sobre a pobreza, Ricardo Paes de Barros.

    A chave para aquela que provavelmente é a maior redistribuição de riqueza na história brasileira é o programa social Bolsa Família, sob o qual uma mãe carente que possa comprovar que seus filhos estão frequentando a escola recebe até R$ 200 por mês do governo. A primeira vista pode não parecer muito, mas este subsídio do governo ajuda milhões de pessoas a sobreviverem no Nordeste brasileiro.

    Especialistas inicialmente criticaram o programa como sendo apenas uma esmola, mas agora ele é visto como um modelo mundial. Mais de 12 milhões de lares recebem os subsídios, com grande parte do dinheiro indo para o Nordeste. Graças ao programa Bolsa Família, a região antes atingida pela pobreza começou a prosperar. Muitos nordestinos abriram pequenas empresas ou lojas e a indústria descobriu o Nordeste como mercado. “Agora a região está crescendo por conta própria”, diz Paes de Barros.

    Lula foi abençoado pela sorte. Seu antecessor, Fernando Henrique, já tinha estabilizado a economia, que sofria com a hiperinflação, quando foi ministro da Fazenda em 1994. Ele impôs uma reforma da moeda ao país e implantou leis que forçaram o governo a adotar políticas com responsabilidade fiscal. Lula não mudou nada disso.

    Não havia necessidade de Lula reinventar a política econômica e social do Brasil. O país tem uma tradição de controle total da economia pelo governo que remonta aos anos 30.

    O plano Marshall próprio do Brasil
    Os centros nervosos da política econômica do país ficam abrigados em dois imponentes arranha-céus no centro do Rio. O Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), que conta com seus escritórios em uma torre de aço e vidro, foi criado com a ajuda americana e usando o KFW Banking Group da Alemanha como modelo. Ele financiou uma versão brasileira do Plano Marshall.

    Nos anos 90, o BNDES administrou com sucesso a privatização de muitas estatais brasileiras. Hoje, ele fornece assistência a fusões e aquisições corporativas, ajuda empresas em dificuldades e financia os investimentos estratégicos do governo.

    O BNDES é altamente respeitado. Acredita-se que seja em grande parte livre de corrupção e ele paga os mais altos salários do país. “Há um ano, os bancos estrangeiros batiam à minha porta perguntando se o Brasil estava preparado para a crise financeira”, diz Ernani Teixeira, um dos diretores financeiros do banco. Teixeira conseguiu tranquilizá-los, notando que o BNDES tinha separado R$ 100 bilhões em reservas adicionais. No ano passado, o banco emitiu mais empréstimos e garantias de empréstimos do que o Banco Mundial – e até apresentou um lucro respeitável.

    O segundo pilar do milagre econômico brasileiro fica diagonalmente no outro lado da rua: um bloco de concreto, iluminado à noite com as cores nacionais, verde e amarelo, é a sede do grupo de energia semiestatal Petrobras. A empresa planeja investir US$ 174 bilhões nos próximos quatro anos em plataformas de perfuração, navios e outros equipamentos para explorar as grandes reservas de petróleo além da costa do Brasil.

    Há um ano e meio, a Petrobras descobriu novas reservas de petróleo sob o leito do oceano. Mas o petróleo será difícil de extrair, por estar situado abaixo de uma camada de sal em profundidades de pelo menos 6 mil metros. A expectativa é de que os poços comecem a produzir daqui pelo menos seis anos. A receita desse petróleo será depositada em um fundo que o governo usará principalmente para financiar novas escolas e universidades.

    Lula apresentou recentemente uma legislação que regulamentaria a exploração das reservas de petróleo submarinas, fortalecendo assim o monopólio da Petrobras. Especialistas temem que Lula esteja criando um monstro corporativo poderoso e corruptível.

    Obstáculos burocráticos
    O imenso apagão que ocorreu simultaneamente em grandes partes do país, há duas semanas, teria sido um sinal de alerta de que o governo está indo além de sua capacidade? A modernização da infraestrutura decrépita do Brasil está avançando, mas lentamente. Bilhões de dólares em investimentos em portos, construção de estradas e no setor de energia existem apenas no papel, com a implantação atrapalhada por uma burocracia kafkaniana e um Judiciário moroso. Além disso, o país também não teve muito sucesso no combate à criminalidade.

    • apagao
      O apagão em 18 Estados brasileiros levanta dúvidas sobre a real capacidade do Brasil decolar

    Lula tem mais um ano no poder, após ter resistido à tentação de manipular a Constituição para garantir sua reeleição para um terceiro mandato. Ávido em preservar seu legado, ele tem buscado a indicação de sua ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como sua sucessora, apesar da resistência dentro do próprio Partido dos Trabalhadores.

    Rousseff, que foi integrante dos grupos guerrilheiros de esquerda após o golpe militar de 1964 e que posteriormente passou anos presa, tem uma reputação de tecnocrata competente, mas é vista como inacessível e autoritária. Ela está acompanhando o presidente em suas viagens pelo país, inaugurando novas estradas e usinas elétricas. Lula a apoia de modo tão determinado que até parece estar fazendo campanha para si mesmo.

    Ela também está com ele em seu giro pelo Nordeste, apesar dos médicos terem removido um tumor de sua axila há poucos meses. Acredita-se que ela esteja curada e ela atualmente usa uma peruca após a quimioterapia. Seu rosto é pálido e seu sorriso parece congelado. O presidente a puxa para o seu lado quando ele caminha até o microfone, e ele menciona o nome dela repetidas vezes.

    Elizete Piauí, ainda completamente embriagada pelo seu encontro com Lula, a viu pela televisão. Ela sabe que Dilma é a candidata de Lula e ela fará campanha pela ministra, apesar de que preferiria que Lula permanecesse no poder. “Eu votarei em qualquer pessoa que ele indicar”, ela diz.

    Lula também prometeu retornar. Antes do fim de sua presidência, ele planeja fazer outra viagem ao Nordeste para ver o quanto progrediram as obras no Rio São Francisco. Talvez, espera Elizete, ele terá atendido seu maior desejo até lá e ela poderá servir a ele um copo de água – de sua própria torneira, em sua própria casa.

    Tradução: George El Khouri Andolfato

    05/11/2009 - 10:59h Brasil, gran potencia latina

    POTÊNCIA LATINA
    O espanhol “El País” publicou o artigo “Brasil, grande potência latina”. Abre dizendo que “parece que o Brasil se cansou de ser o país do futuro e se prepara para interpretar o papel de grande potência”. Convoca para um evento político-institucional sobre o país, em fundação de Madri. Fonte Toda Mídia, coluna de Nelson de Sá na Folha SP.

    Brasil_olho

    FEDERICO YSART 04/11/2009 – EL PAÍS

    Parece que Brasil se cansó de seguir siendo el país del futuro y se apresta a jugar el papel de gran potencia. Sociedad y Gobiernos llevan años reduciendo desequilibrios sociales y regionales, vulnerabilidades económicas, problemas de gobernabilidad, y generando políticas públicas por encima de la contienda partidista.

    El Observatorio de Análisis de Tendencias de la Fundación M. Botín reúne en Madrid un foro de expertos en torno a cuestiones clave sobre la gran potencia emergente del mundo latino:

    ¿Qué proyectos de Brasil existen? ¿Qué papel juegan las ideologías, lo público y lo privado? ¿Hay capacidades institucionales y políticas para arbitrar conflictos? ¿Qué cuellos de botella pueden estrangular su desarrollo social, económico y político-institucional?

    Y la gran cuestión: ¿están dispuestos sociedad y Gobierno a jugar el papel de gran potencia?

    El régimen militar, 1968-1985, dejó a la democracia brasileña una bomba de relojería: caída del producto interior bruto (PIB), moratoria de la deuda externa, inflación de tres dígitos, fuga de capitales y, naturalmente, degradación de las condiciones de vida de la población.

    El Plan Real, con sus luces y sombras y más allá de las metas estabilizadoras, fue clave para redimensionar el papel del Estado, hacer viables reformas político-institucionales, consolidar el “presidencialismo de coalición” para impulsar las reformas y pasar de un modelo de “nacional-mercantilismo” autárquico a otro de capitalismo abierto y globalizado.

    Se abrieron las puertas a la empresa privada y a las inversiones extranjeras, y Brasil alcanzó credibilidad y prestigio internacional.

    Este eje de la política del Gobierno Cardoso, mantenido y potenciado por el actual, han hecho de Brasil un país confiable. El pragmatismo del presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, en su Carta al pueblo brasileño, 2002, donde se renunció a rupturas e incumplimientos de contratos y obligaciones con las instituciones financieras internacionales, fue una auténtica palanca de desarrollo.

    Como también lo han sido la responsabilidad fiscal en los niveles de Gobierno municipal, regional y federal, y la existencia de una clase empresarial integrada en los circuitos mercantiles y financieros internacionales, atenta a la innovación tecnológica y a las oportunidades de negocio.

    La experiencia brasileña demuestra las virtudes del mantenimiento de políticas de Estado más allá de los cambios de acento de cada Gobierno. Los frutos recogidos en el campo político-social tienen su correlato en la arena internacional. El discurso oficial habla de una política exterior de no intervención / no indiferencia, “activa” y “altiva”. ¿Asumirán el Gobierno y la sociedad brasileña los costes de esta ambición?

    Brasil puede ejercer una influencia constructiva en la resolución de conflictos regionales y frenar el deterioro de las libertades y las injerencias del eje bolivariano en terceros países. Es pieza clave en el futuro de Mercosur, con el ingreso de Venezuela pendiente, y de Unasur, la región hablando con una sola voz. ¿Y todo ello sin abandonar su soft power?

    Una agenda internacional de esta naturaleza hace pensar que la frase del presidente Lula “nos cansamos de ser una potencia emergente” quizá vaya más allá de la retórica. La dirección que tome Brasil podría determinar el futuro de América del Sur.

    Federico Ysart es director del Observatorio de Análisis de Tendencias de la Fundación Marcelino Botín.

    05/11/2009 - 09:18h “FHC diz que governo Lula estimula bloco de poder burocrático-corporativo; embora exagerada, sua crítica faz sentido”. É o que afirma a Folha de São Paulo em editorial

    http://quemtemmedodolula.files.wordpress.com/2009/06/serra_fhc.jpg

    Editoriais – Folha SP

    editoriais@uol.com.br

    Capitalismo tutelado

    FHC diz que governo Lula estimula bloco de poder burocrático-corporativo; embora exagerada, sua crítica faz sentido

    O EX-PRESIDENTE Fernando Henrique Cardoso provocou um debate relevante acerca do novo “bloco de poder” que estaria sendo alimentado sob o patrocínio do governo Lula, com traços autoritários e consequências nefastas para o país. Em longo artigo publicado no domingo pelos jornais “O Estado de S. Paulo” e “O Globo”, o tucano começa por chamar a atenção para as “transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes” por parte do seu sucessor ou do governo petista.
    FHC faz um inventário de atitudes e exemplos condenáveis de Lula e nelas detecta um DNA que “pode levar o país, devagarzinho, sem que se perceba, a amoldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm a ver com nosso ideais democráticos”.
    O cerne da crítica de Fernando Henrique se volta para o que chama de “poder burocrático-corporativo” estimulado por este governo: aliança entre Estado, sindicatos, movimentos sociais, fundos de pensão e grandes empresas, “cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro”.
    “Com ajudinha do BNDES, então”, ironiza o tucano, “tudo fica perfeito”. Diante de partidos desmoralizados e da satisfação popular com a economia, que favorecem a liderança autoritária e personalista, estariam lançadas as bases do que FHC chama de “subperonismo” -alusão a Juan Domingo Perón (1893-1974), o caudilho que governou a Argentina em três ocasiões.
    O ex-presidente carrega nas tintas, como seria de esperar de um líder oposicionista, e peca por exagero ao descrever a configuração do atual governo. Sua análise, contudo, ilumina os piores aspectos do lulismo.
    Vale ressaltar que a participação do BNDES nas privatizações e a ingerência política nos fundos de pensão estatais tiveram início no governo FHC. Mas a verdade é que o problema mudou de escala.
    Este é um governo que vem estimulando de modo sistemático, como se fosse uma diretriz, a aliança entre algumas das maiores empresas privadas e grupos de interesse aninhados no Estado e no partido. O assédio recente do Planalto sobre os investimentos e rumos da Vale é um exemplo disso. A viabilização da compra da Brasil Telecom pela Oi/Telemar, que demandou mudanças legais e dinheiro do Banco do Brasil e do BNDES, é outro.
    A participação do Estado na economia brasileira ainda é excessiva. Na relação divulgada recentemente das cem maiores empresas do país, dois terços são de capital nacional ou misto -e, entre essas, metade são estatais ou tem o governo como acionista de peso, via BNDES. Um governo menos tentacular e corporativo e mais orientado para as necessidades reais da população é o que se deveria buscar. Não é para isso que aponta o lulismo.

    04/11/2009 - 11:54h O ”autoritarismo popular” de Lula

    Editorial O Estado SP

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    O venezuelano Hugo Chávez é um tipo rudimentar. O brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva não é. Chávez, que impôs ao seu país a reeleição ilimitada, diz não entender por que um presidente “que governa bem e tem 80% de aprovação” não pode disputar um terceiro mandato consecutivo, como se as regras da ordem democrática devessem variar conforme o desempenho dos governantes e os seus índices de popularidade. Lula, que, em parte por convicção, em parte por um cálculo do custo-benefício da aventura reeleitoral, recusou a possibilidade, acredita que pode chegar aonde quer por outros meios, mais sofisticados do que é capaz de conceber a mentalidade tosca do coronel de Caracas. Trata-se da criação de um novo e presumivelmente duradouro bloco de controle da máquina estatal, da manipulação desabrida de um sistema político desvitalizado e da exploração incessante do culto à personalidade do líder, para que a adulação da massa legitime os seus desmandos e intimide a oposição.

    É a construção do que o ex-presidente Fernando Henrique denomina “autoritarismo popular” – um acúmulo de transgressões e desvios que “vai minando o espírito da democracia constitucional”, como adverte no artigo Para onde vamos?, publicado domingo neste jornal. Esse processo de erosão das instituições e procedimentos é tão mais temível quanto menos ostensivo e menos expresso em atos de violência política crassa, à maneira do que Chávez faz na Venezuela para quebrar a espinha da democracia no seu país. A lógica dos objetivos não difere – “a do poder sem limites”, aponta Fernando Henrique -, mas o método, no Brasil do lulismo, é insidioso. Por isso mesmo, “pode levar o País, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm que ver com nossos ideais democráticos”.

    No interior do governo, Lula aninha uma burocracia sindical que se apropria sistematicamente do mando dos gigantescos fundos de pensão das estatais, os quais, por sua vez, têm assento nos conselhos das mais poderosas empresas brasileiras. Forma-se assim uma intrincada trama de interesses que se respaldam reciprocamente, não raro em parceria com empresários que conhecem o caminho das pedras – “nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas”, diz Fernando Henrique -, fundindo-se “nos altos-fornos do Tesouro”. Isso dá ao presidente um poder formidável sobre o Estado nacional que extrapola de longe as suas atribuições constitucionais. É uma espécie de volta, em trajes civis, ao regime dos generais. No trato com o Congresso, Lula faz os pactos que lhe convierem com tantos Judas quantos estiverem dispostos a servi-lo para se servirem dos despojos da administração federal, enquanto a oposição balbucia objeções que dão a medida de sua irrelevância.

    “Parece mais confortável”, acusa o ex-presidente, “fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes.” Mais confortável porque mais seguro. São raros os políticos oposicionistas que não se deixam acoelhar pelas pesquisas de opinião que mantêm Lula nas nuvens e que o aparato de comunicação do Planalto, sob a sua batuta, não cessa de exacerbar – daí a pertinência do termo “culto à personalidade”. Desde a derrota de 2006, o PSDB de Fernando Henrique praticamente desistiu de expor as responsabilidades pessoais do adversário vitorioso pela autocracia em marcha no País. Os pré-candidatos tucanos José Serra e Aécio Neves, por exemplo, medem as palavras quando falam de Lula, decerto receando que ele possa fazê-las se voltarem contra eles mesmos junto ao eleitorado que o venera. Mesmo na condenação à campanha antecipada da ministra Dilma Rousseff, a oposição parece comportar-se como se estivesse “cumprindo tabela”.

    Lula não precisa tomar emprestada a borduna de Hugo Chávez para ditar os modos e os caminhos da evolução da política nacional. “Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados”, descreve Fernando Henrique, “eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições.”

    02/11/2009 - 11:45h Copo meio cheio

    LÚCIA GUIMARÃES – NOVA YORK – O Estado SP

    A última semana começou com um número que preocupou muitos jornalistas americanos. A rede CNN despencou para o quarto lugar de audiência do jornalismo na TV a cabo. E a Fox, comemorando sua condição de “perseguida” pelo governo Obama, disparou para um folgado primeiro lugar.

    A CNN inventou o jornalismo de 24 horas e o fundador da Fox, Roger Aisles, inventou o comício eletrônico travestido de jornalismo.

    Desde que uma assessora de Barack Obama fez o calculado primeiro disparo, no dia 12 de outubro, afirmando que a Fox não passa de uma ala do Partido Republicano, comentaristas de variada coloração ideológica discutem a sensatez da tática.

    A venerada Primeira Emenda da constituição americana, que garante a liberdade de expressão, imprensa e religião, é invocada frequentemente pelos que não acreditam nela.

    No ciclo viral de notícias, a estupidez se propaga com a velocidade da luz. Exemplo: Barack Obama foi comparado a Richard Nixon, o garoto-pôster da perseguição à imprensa. Desde quando um presidente que se indispõe com a imprensa ou setores dela é uma anomalia? E qual é a semelhança entre Nixon, notoriamente paranoico e conspirador, que grampeava e ameaçava jornalistas, e o atual presidente americano?

    Um excelente artigo editorial no Wall Street Journal assinado por Thomas Frank, cujo espaço é um oásis de sensatez entre as tropas de choque de Rupert Murdoch, lembrou que a perseguição nas mãos das “elites” é um dos motes da rede Fox.

    O levante conservador americano a partir da década de 90 alimentou-se desta falácia narrativa – entre Nova York e Los Angeles, a middle-America é explorada e desprezada pelas hordas de privilegiados que comem rúcula e dirigem carros híbridos.

    Frank oxigenou o debate com dois argumentos: Obama está certo, a Fox News é um contínuo talk-show conservador. Ela foi criada pelo homem que salvou a carreira de Nixon na década de 60, reinventando o futuro presidente para a TV. Roger Ailes perde seu sono com a Primeira Emenda tanto quanto eu perco o meu com golfe.

    Obama está errado na forma desajeitada como colocou a rede na berlinda. Frank diz que a Casa Branca “jogou gasolina numa fogueira” ao alimentar as teorias conspiratórias da rede adversária quando podia ter apelado para o humor, a ironia e o sarcasmo.

    Um bom cursinho preparatório para enfrentar jornalista crasso é assistir a gravações não editadas das coletivas de John Kennedy, que reagia com um humor relaxado de quem está diante de um Martini e não de um microfone.

    E assim voltamos a uma fundação que tem aparecido com frequência na imprensa americana. O Pew Research Center for the People & the Press toma o pulso do público americano em sua reação à mídia. O centro se tornou uma fonte preciosa de informação neste momento de confluência de duas angústias coletivas: a crise econômica na mídia tradicional e a epidemia de jornalismo ideológico.

    A última pesquisa do Pew Center confirma o que sabemos: o papel da ideologia no consumo de notícias é cada vez maior. E a Fox é vista como a mais ideológica das redes de cabo. Explica-se o quarto e último lugar da CNN, atrás até de sua parente, o canal HLN, um híbrido de notícias curtas e talk-shows. A rede, apesar de vista pela maioria como “liberal” (à esquerda do espectro político americano) e de abrigar figuras como Lou Dobbs, o profeta do apocalipse causado por imigrantes, não se posiciona como pró ou contra Obama. A ópera-bufa da esquerda e da direita no cabo é protagonizada pela MSNBC e a Fox.

    Enquanto o musculoso e peripatético Anderson Cooper enxuga as lágrimas com a queda de mais de 70% da audiência de seu programa em horário nobre na CNN, vale a pena notar um número mais interessante para quem acredita que o jornalismo tem um papel em qualquer democracia.

    O site cnn.com de notícias está muito à frente das rivais. O publisher do New York Times, Arthur “Pinch” Sulzberger, fez analogias com o Titanic, ao ser consultado, num evento público, sobre o futuro dos jornais mas não destacou outro dado: o seu notável site teve sólidos 21 milhões e 500 mil visitantes únicos em setembro.

    Vou argumentar que o declínio do jornal impresso convive com o apetite por noticiário objetivo. Já a falta de apetite pelas aventuras de Anderson Cooper pode mostrar o que acontece quando o jornalismo fica com o ouvido no chão, tentando detectar o tropel dos cavalos.

    A revista Time perguntou aos leitores, logo após a morte do lendário Walter Cronkite, em julho, qual o âncora em que os americanos mais confiam. Jon Stewart, o comediante com vasta audiência jovem e apresentador do falso telejornal The Daily Show, ganhou disparado, com 44% de votos. Um sinal de triunfo da ironia como embalagem da notícia?

    Em 2008, metade dos espectadores da Fox tinha mais de 63 anos e a maioria dos espectadores dos programas mais agressivamente ideológicos da rede era formada por homens. Os números foram citados por Louis Menand, na New Yorker, que comparou a cólera da Fox a um Viagra político.

    Estou enganada ou há uma luz demográfica no fim deste túnel?

    01/10/2009 - 16:09h 59% consideram a internet de grande importância nas eleições, diz pesquisa

    da Agência Senado – FOLHA ONLINE

    A televisão e a internet são os meios de comunicação mais usados pela população para obter informações sobre política, segundo pesquisa do DataSenado.

    De acordo com o levantamento, dois em cada três (59%) entrevistados consideram que a web terá grande impacto nas eleições de 2010, sendo que entre os cidadãos que usam regularmente sites de notícias e participam de redes sociais (Orkut e Twitter, por exemplo), esse percentual sobe para 64%.

    A pesquisa avaliou ainda a importância dos meios de comunicação no esforço do cidadão para informar-se sobre questões políticas. A TV foi o veículo mais usado (67%), seguida pela internet, com 19%.

    Jornais e revistas surgiram em terceiro, com 11%. O rádio é preferido por apenas 4% dos entrevistados.

    Quase metade dos eleitores ouvidos (46%) acredita que a principal vantagem da internet nas eleições será a troca de informações e ideias entre os eleitores. A possibilidade de facilitar a comunicação entre candidatos e eleitores aparece em segundo lugar, com 28%, o mesmo percentual dos que responderam “divulgar as propostas dos candidatos”.

    Os entrevistados que disseram usar a internet diariamente somaram 58%; 78% acessam sites de notícias e 53% participam de alguma rede social, como Orkut ou Twitter.

    A pesquisa ouviu, por telefone, 1.088 eleitores no país.

    29/09/2009 - 15:32h A situação de Zelaya na embaixada depende muito dos pressupostos políticos de quem a considere

    O alerta de Janio de Freitas sobre os pressupostos políticos dos que condenam a presença do presidente de Honduras na embaixada do Brasil, joga uma luz nas motivações de articulistas e jornais brasileiros. Com raras exceções, eles tem focado seus ataques no presidente de Honduras e não nos facciosos golpistas.

    No lugar do apego a democracia como valor universal, mostram-se tolerantes com os déspotas motivados pelos anteparos ideológicos oposicionistas.

    Parecem considerar as equaciones políticas, incluso internacionais, pelo prisma da oposição ao Lula e pouco importa para estes sicofantas que todos os organismos internacionais e todos os governo democráticos considerem Zelaya o presidente legitimo e os golpistas passíveis de julgamento.

    Chegam até procurar na constituição justificação para o golpe, pretendendo atribuir aos “erros” de Zelaya a culpa pela situação e não aos autores do golpe de Estado.

    Uma postura conivente com a implantação de ditadura no continente, para justificar o clima de “guerra fria” que alimentam a diário contra o governo Lula. LF

    JANIO DE FREITAS – FOLHA SP

    Os erros, ou nem tanto


    A situação de Manuel Zelaya na embaixada depende muito dos pressupostos políticos de quem a considere


    OS GOLPISTAS DE Honduras cometeram seus dois primeiros erros táticos. Um, ao empurrar os diplomatas acomodados na Organização dos Estados Americanos, como representantes dos nossos países, para a possível admissão de alguma atitude em defesa da entidade.
    Considerados os seus fins, os golpistas vinham agindo com bastante habilidade tática, e por isso mantendo os países adversários do golpe entre acuados e omissos. Mas barrar a entrada de funcionários da OEA, que preparariam a visita de uma comissão de diplomatas assim impedida também, soa como um despertador na organização caída em letargia desde o fim da Guerra Fria.
    Um erro seguido de outro é, em geral, tomado como indício de perda de controle. Mas tanto pode ser isso quanto o oposto: a atitude mal pensada por excesso de confiança.
    As duas interpretações cabem, a gosto do freguês, no segundo erro dos golpistas hondurenhos, simultâneo ao outro. É o ultimato dado ao governo Lula para definir em dez dias (agora oito), nos termos das convenções internacionais, a situação em que o derrubado Manuel Zelaya se abriga na embaixada brasileira. Ultimato acompanhado da ameaça de cassação das imunidades e outros direitos da embaixada, o que implica ameaças piores.
    Em termos políticos, Lula está posto sob pressão ainda maior do que a OEA. É o seu prestígio internacional, joia maior das suas atuais vaidades, que está posto em xeque pelos hondurenhos do golpe.
    O risco de uma situação ainda mais complicada é real, caso a OEA se mantenha em reuniões, consultas, sondagens, emissários inúteis e outras habituais protelações. E o Conselho de Segurança da ONU, já enrolado com o Irã e a Coreia do Norte, ainda ache que o impasse entre Brasil e Honduras vale apenas uma nota. Posição do conselho (e, nele, em especial dos Estados Unidos) que sugere uma subjacente represália à insistência do Brasil em integrá-lo, e em ver esse poder mundial reformado e compartilhado por mais países.
    A situação de Zelaya na embaixada depende muito dos pressupostos políticos de quem a considere. Os opositores ao governo Lula, os de visão mais convencional e conservadora, são incessantes na opinião de que Zelaya fazer política de dentro da embaixada “é um absurdo”, “transformou a embaixada na casa da mãe joana”, e por aí. Mas se Zelaya é o presidente legítimo de Honduras e está na embaixada apenas na condição de hóspede, como considera o governo Lula, então o absurdo estaria em tolher-lhe a palavra e o direito de usá-la em defesa da causa democrática.
    Censura que, de sua parte, o governo golpista aprofundou agora, cassando por oposição ao golpe a Rádio Globo, claro que a de lá, e um canal de TV. Seria o suficiente para avolumar-se uma campanha contra os novos inimigos declarados da liberdade de informação e opinião. Mas o antigolpismo é seletivo, como ensinou a imorredoura doutrina da Guerra Fria. Então, o que podia ser o terceiro erro tático é, na prática, só mais uma atitude lógica, do ponto de vista do poder golpista.

    23/09/2009 - 17:57h Durante quase sete anos, ele fez um trabalho espetacular como presidente do Brasil

    President of Brazil, Luiz Inacio Lula da Silva

    Eraldo Peres / AP
    Luiz Inácio Lula da Silva is Brazil’s unlikely hero.

    ‘The Most Popular Politician on Earth’

    For nearly seven years, he’s done a spectacular job as Brazil’s president. But can Lula resist the temptation to throw it away?

    By Mac Margolis | Newsweek Web Exclusive
    Sep 22, 2009

    He grew up so poor, he didn’t find out what bread was until he was 7. That was Lula’s age when he climbed onto a flatbed truck with his Brazilian dirt-farmer family and all their possessions and made the 1,900-mile journey from the country’s northeastern dustbowl for a life in the slums of São Paulo. He dropped out of school in the fifth grade, shined shoes on the street, and went to work in a factory at 14, losing a finger to a lathe in an accident on the graveyard shift at an auto-parts plant. Eventually he rose through the rank and file to become an internationally respected union leader. A military junta ruled Brazil back then, and strikes were illegal, but he defied the generals and the bosses and practically shut down the continent’s industrial powerhouse in the name of the steelworkers.

    He’s in New York this week to kick off the 64th session of the United Nations General Assembly. The cameras may focus on the embodiment of American cool, Barack Obama, or on flamboyant autocrats and chest thumpers like Iran’s Mahmoud Ahmadinejad and Venezuela’s Hugo Chávez, but the biggest star on hand will be the blunt, bearded onetime lathe operator: Brazil’s president, Luiz Inácio Lula da Silva. After nearly seven tumultuous years in office, the man everyone calls Lula continues to enjoy an approval rating above 70 percent. That would be a remarkable feat anywhere, never mind in a continent where presidents are a disposable commodity. “That’s my man right there,” Obama greeted him at the G20 summit in London in April. “The most popular politician on earth.”

    How da Silva earned such acclaim says plenty about how wealth and power are shifting in this postcrash age. With his leadership, Brazil has withstood the global crisis better than almost any other nation: not a single bank went under, inflation is low, and the economy is growing again. “People doubted it when I said we would be the last to fall into recession and the first out,” Lula told NEWSWEEK in an exclusive interview. “But just wait and see, this December. We are going to create a million jobs this year.” That’s not as good as it may sound: a million jobs would only just about replace the jobs his country has lost since October 2008. But Brazil is looking pretty good compared with most places; it’s outpacing Russia and joining India and China—the other big emerging powers tagged collectively BRICs—to lead the way back to global economic growth. Gone are the days when, as Goldman Sachs chief economist Jim O’Neill jokingly recalls, “people told me I put the B in BRICs to make the acronym sound better.”

    Brazil’s man of the moment says he couldn’t give a fig for the polls. “If you have flawed policies and try to sell them with false publicity, your ratings won’t last,” he says. But the question now is whether he can continue to parlay his own star power into gains for Brazil—and, more pointedly, whether he is about to throw away much of what he has accomplished as president. He has just 15 months to go in office, and his favored successor, chief of staff Dilma Rousseff, has little national name recognition and none of her boss’s charm. Despite his overwhelming popularity, recent polls say she’s running a distant second and losing ground to the opposition’s choice, São Paulo Gov. José Serra. “Lula’s aura is not transferable,” remarks Donna Hrinak, a former U.S. ambassador to Brazil. To compensate, the former labor firebrand has begun doing just what his critics feared when he first took office in 2003: tightening government control of the economy, looking the other way when key allies are caught with their hands in the public till, and spraying money about with abandon.

    In the name of helping poor and working-class Brazilians—but with a close eye on next year’s election—da Silva has repeatedly pumped up the minimum wage (up 67 percent since 2003, nearly 40 percent over the pace of inflation) and is boosting government pay and pensions, a move that can only add to the next administration’s troubles. “We have to give a little more to those who earn less,” Lula says. Yet that’s the sort of populist talk that gives many the chills. “The risk is the legacy of fixed expenditures and budget commitments that Lula will leave for the future,” warns former finance minister Mailson da Nóbrega. The public payroll is growing at more than 10 times the rate of public investment in roads, bridges, and ports. Meanwhile, da Silva has done nothing to ease the country’s total tax burden, the highest in the emerging markets at 36 percent of GDP. And when Senate leader and former president José Sarney, who controls a key block of votes in the allied Brazilian Democratic Movement Party, came under fire for handing out jobs to cronies and kin, Lula rushed to his defense, saying Sarney “could not be treated like an ordinary person”—an odd choice of words, coming from a man of the people.

    Still, if there’s one constant truth about Lula, it is that things are subject to change. “I am a walking metamorphosis,” he likes to say, quoting the 1970s Brazilian cult singer Raul Seixas. On the surface, he bears no more than a faint resemblance to the roughcut union man of 30 years ago, or even to the politician he became in the ’80s and ’90s, stumping for the poor and forgotten till he went hoarse. The once black curls and unkempt beard are neatly trimmed now and shot through with gray. In place of his old stained workshirt and denim bell-bottoms, he dresses in smart suits tailored to flatter his barrel of a body. His lifelong lisp has lessened, and long hours of practice have refined his shop-floor grammar and vocabulary. The man who took office saying he would be content to improve the lot of the Brazilian poor is now convinced of Brazil’s mission to transform the world. “Brazil is a country with solid, democratic institutions,” he says. “We have shown nations some lessons about how to confront the economic crisis.”
    And yet in deeper ways he’s the same as ever. He still speaks in the sandpaper basso profundo that electrified his fellow metalworkers. And for all his polished manners and fine clothes, nothing vexes Lula more than being trapped in his office. “He gets nervous when he spends too much time at his desk,” says his cabinet chief, Gilberto Carvalho. “He says, ‘I need to get out and travel, and meet people.’ His connection is with the little guy.” The president likes nothing more than to ditch protocol, go off script, and (to the despair of his security detail) wade into an adoring crowd. Nevertheless, to his credit, he has resisted his followers’ urgings to amend the Constitution so he can seek a third term and warns against the false high of celebrity. “Popularity is like blood pressure,” he says. “Sometimes it’s high and sometimes it’s low. What you need is to keep it under control.”

    That’s a skill he acquired the hard way. Starting in 1989, he ran for president three times, surging in early polls only to hit a wall on voting day. By the late ’90s he was on the verge of quitting politics. Instead, he did something bolder: he remade himself. He stopped his fist-waving harangues, climbed into a suit, and hired a speech coach and a marketing wizard. More important, he tempered his leftist politics. The turning point was June 2002. He was ahead in the polls, but Brazil’s economy was tanking—largely, it seemed, because investors were spooked by the prospect of President Lula. He responded with a “Letter to the Brazilian People,” pledging to honor contracts, pay down the country’s debts, abide by the International Monetary Fund’s requirements, and generally play by the rules of the market. It was the gamble of his career, the political equivalent of tacking into a hurricane. Hardliners from his Workers Party (PT) accused him of betraying and caving in to bankers and capitalist carpetbaggers. Business executives were also wary: could the “new” Lula be trusted? Investors sat on their hands.

    He won by a landslide, but the hard work had only begun. The pre-election financial turmoil had gutted economic growth and forced a steep devaluation of Brazil’s currency. “It wasn’t easy,” recalls Lula. “We had no foreign credit. Our [hard currency] reserves were extremely low. Inflation was showing strong signs of resurgence. The economy was gridlocked.” But an even bigger challenge was to live down the hard-left image he and the ruling PT had acquired over the years. “We took office amid a huge crisis of mistrust,” says Carvalho, his cabinet chief and a longtime friend. “We were a minority in Congress. The press was skeptical.” After all, Carvalho allows, “Until then everything we’d stood for was not paying the foreign debt, raising salaries. It would have been a disaster.”

    To convince lenders Brazil was serious, Lula increased the “primary budget surplus”—the money the government puts aside every year to pay debt and interest—and boosted lending rates to a scorching 26 percent a year, throttling growth in order to kill inflation. He also kept government wages and pensions under control. “The unions and many people in the party hated it,” says Ricardo Kotscho, a friend and former press aide.

    International money men still weren’t sure. “We knew he’d been a union leader and the president of a political party. What I really wondered was if he had the guns to be president,” says former World Bank president James Wolfensohn. So Wolfensohn sent out a feeler, offering to dispatch a team of experts to brief Lula’s government on the key issues facing the international economy and Latin America. He didn’t know how the new president would respond. “A lot of leaders throw the presidential seal at you,” says Wolfensohn. “But Lula lapped it up. He was like a piece of blotting paper. He realized he had a major job to do and that running an election was different from running a country. For me, it characterized the man.”

    Da Silva has operated that way ever since, putting pragmatism ahead of ideology and, for the most part, fiscal restraint over the quick fix. “No one in their wildest dreams would have thought Lula would behave the way he has,” emerging-market investment guru Mark Mobius, of Templeton Asset Management, told me a year ago. Now Templeton has $5 billion in Brazil, more than it does in China. For sure, Lula had plenty to work with. With a web of hydroelectric stations and half its fleet of cars running on clean-burning sugar-cane ethanol, the country has long been the benchmark in renewable energy. Clever agronomists have turned the harsh tropical backlands into a breadbasket, exporting more beef, soybeans, and frozen chickens than any other nation. But Lula also added value by stumping for Brazilian brands abroad. “We had to make it clear that Brazil is not a minor country,” he says. “Brazil has the Amazon [rainforest], but also makes airplanes and cell phones.” And just as his labor rallies once galvanized the hardhats in São Paulo, his aggressive diplomacy has rallied poorer nations to demand free trade and a new deal in the international economy.

    His real genius, however, has been his ability to sell unpalatable reforms to a largely poor population that looked to him as something of a savior. “Lula’s popularity helped him make risky decisions that often required sacrifices,” says José Dirceu, a former Workers’ Party commander who fell to a corruption scandal. More important, unlike the supremos and populist demagogues who abound in Latin America, he did it playing by the rules. “Lula’s respect for democracy and elections is a big plus,” says former Treasury chief Joaquim Levy. “Very often he has been able to translate key values of democracy in ways that make them more concrete to people.” The president still has his work cut out for him, and not much time left to accomplish it. “This is a country that has suffered from low self-esteem,” he says. “Brazil needs to recover its pride. And I think things are happening. I hope those who come after me can work to transform Brazil into a great economy.”

    The economic crash put Lula’s skills as a persuader to the test. “It was frightening,” da Silva recalls. “We had no credit, no money in September, October, November, December, January, February, and March.” But instead of lurching to the left, his instincts took him to the center, steeling him against populist pressures. He gave the central bank a free hand to control inflation, even at the price of curbing growth. “We knew there were no miracles,” he says.

    Still, the crisis inflamed Lula’s old rancor over “savage capitalism” and the folly of the free market. He blamed the subprime market mess on “white-skinned, blue-eyed” bankers and ridiculed the champions of deregulation and the “minimal” state. “In the ’80s and ’90s it was fashionable to deride the state,” he says. “But in the blink of the eye, the [free] market nearly bankrupted the world. And who did they go to for a bailout? The state.” This is not as fierce as it sounds. While Lula roundly denounces his predecessor’s sell-off of state-owned industries, he made a point not to reverse the process after taking office. “I think privatization was a mistake, but I had to work to do,” he says. “I couldn’t afford to spend my mandate fighting with the old government.” Clout, not dogma, is what fuels Lula.

    Clearly part of this is realpolitik as Lula works to cement Brazil’s preeminence. “As the dominant economy in the region, Brazil has to be comprehending of its neighbors,” he says. “It’s like the relations of father to son.” He even defends the ham-fisted rule of Venezuelan strongman Hugo Chávez. “Give me one example of how Venezuela is not a democracy!” he demands. But Lula’s larger ambition is to assert Brazil’s place on the world stage. He makes no secret of his own national pride. Back in 2003, the G7 nations finally opened up their annual gathering to some of the less-wealthy countries, and Lula was among those invited. He stood before the meeting in France and marveled at how unlikely it was that he, a peasant’s son, was now addressing some of the most powerful people on the planet. Then he turned the tables: why not hold the next G7 meeting in Brazil, he challenged. “After all, in 20 years maybe only three of you will still be around.” Not everyone was amused. But no one missed the point.

    Correction: The original version of this story said Obama’s “That’s my man” comment was made at the Summit of the Americas; it was actually made at the G20 meeting in London.

    21/09/2009 - 12:20h Desconfiança coletiva

    Lúcia Guimarães, NOVA YORK – O Estado SP

    Uma nova pesquisa revelou que quase dois terços dos americanos desconfiam das notícias divulgadas por jornalistas. É o índice de credibilidade mais baixo desde que o Pew Research Center começou a fazer a pesquisa, em 1985.

    O resultado é assustador ao fim de um ano cheio de acontecimentos marcantes – o crash de setembro, a pior crise econômica desde a Grande Depressão, a eleição de Barack Obama. Foi um período histórico que poderia restaurar parte do prestígio da mídia jornalística. Mas os números da pesquisa mostram que a suspeita de desinformação só aumenta.

    Entre as estatísticas sombrias: 74% das 1.506 pessoas ouvidas durante a pesquisa, em julho passado, acreditam que a mídia noticia fatos de cunho social ou político sob o prisma do preconceito ideológico. O racha partidário também cresceu, com republicanos habitualmente mais confiantes na cobertura da Fox de Rupert Murdoch e democratas mais dispostos a acreditar na CNN e na MSNBC, esta francamente pró-Obama.

    Posso continuar a desfiar o rosário de más notícias sobre o meu ofício, mas faço uma pausa para uma ausência notável na pesquisa. Não houve distinção entre mídias. E, como sabemos, “mídia” engloba conglomerados de tentáculos planetários como também um neonazista com educação primária blogando de cuecas nos cafundós do Estado de Montana.

    Convenhamos que há uma diferença expressiva, mesmo considerando que Rupert Murdoch, o planetário, emprega gente como Rush Limbaugh e Glenn Beck, apresentadores de talk shows que desafiam qualquer parâmetro de ética. E por falar no energúmeno Beck, sua cara ocupa, esta semana, um território cobiçado, um dos centímetros quadrados mais valorizados da mídia tradicional. A capa da edição americana da revista Time.

    Talvez a Time tenha fornecido involuntariamente uma explicação parcial para os resultados abismais da pesquisa do Pew Center. A capa é bombástica, como se espera, mas a foto escolhida, Beck com a língua de fora, revela mais sobre o dilema da mídia tradicional do que sobre o retratado. O título é Homem Louco: Glenn Beck Faz Mal à América?.

    A pergunta é retórica, não respondo pelos outros, mas vou levar para o terreno pessoal: o que me faz mal é não poder mais contar com a maturidade de uma revista de circulação nacional, fundada há 86 anos.

    Ao humanizar Beck com uma foto brincalhona, a Time já embarca emasculada na tarefa de conferir o efeito nefasto do circo de extrema direita. Ao definir Beck, notório por acusar Obama de racista, como um “talentoso empresário da angústia no mercado quente dos brancos”, a revista não detecta apenas o óbvio: que Beck fatura o temor branco num país onde as minorias raciais serão maioria em 2042 – ou antes, se as projeções do próximo censo voltarem a antecipar a transformação demográfica.

    A reportagem fala de um protesto recente em Washington citando fontes liberais (nos Estados Unidos, liberal é à esquerda) e fontes conservadoras e, assim, dá o tiro no próprio pé. O fato requer a muleta do prisma ideológico para ser noticiado. A intenção da revista, imagino, é parecer equilibrada. Mas o resultado sugere o desespero de uma indústria ameaçada, tentando ser tudo para todos. A polarização política da mídia produziu o que o saudoso Nelson Rodrigues poderia ter batizado de o idiota da subjetividade.

    Se vamos em frente com esta forma de editorializar o mundo, logo será sensato citar a Teoria da Evolução como uma conspiração liberal.

    O crescente ateísmo do público em relação à atividade que já foi definida como o Quarto Poder parece coincidir com o esforço para sobreviver à transformação econômica. Na continuação da curva descendente, a receita de publicidade dos jornais americanos caiu 29% na primeira metade do ano.

    A crise de identidade do jornalismo era inevitável diante do choque provocado pela internet. Mas concordo com quem acha que a internet atingiu uma indústria já enfraquecida por outra erosão: a perda da convicção na própria singularidade, da noção de que reportagem e fabricação de sapatos são atividades com retornos econômicos e propósitos distintos.

    Além de inviabilizar as formas tradicionais de sustento da indústria, a internet mudou a hierarquia de consumo da notícia. Um sintoma evidente foi a percepção do blog caseiro como um bolchevismo, uma vanguarda para fazer justiça ao tzarismo corporativo do jornalista profissional. Sabemos onde o bolchevismo foi desaguar. Ainda atravessamos a incerteza da descentralização da notícia.

    Quem pode ser contra a democratização do acesso à informação? Mas a perda da confiança do público na mídia jornalística é cria da possibilidade de todos falarem ao mesmo tempo.

    Na Grécia Antiga, os mensageiros tinham proteção para ser portadores de notícias, mesmo as que desagradavam aos poderosos.

    Ao se comportar como um mensageiro intimidado pela ira do destinatário, a mídia contribui para a desconfiança ilustrada pela pesquisa do Pew Center.

    18/09/2009 - 15:08h “Uma nação em marcha”

    Toda Mídia

    NELSON DE SÁ – nelson.sa@grupofolha.com.br

    Folha SP

    O francês “Le Monde” publicou, com eco nos portais brasileiros, que Lula estava certo ao “prever com ironia” que no Brasil o tsunami da crise não passaria de marolinha, “vaguelette”.
    O espanhol “El País” cravou o título “Brasil derrota a crise” e observou que “nem o proverbial otimismo de Lula foi capaz de prever recuperação tão rápida”.
    E o site MarketWatch, do “Wall Street Journal”, postou uma longa análise sobre o avanço da JBS, da Petrobras, da Embraer, também da Bolsa e do PIB, citou até a Copa de 2014, para alertar que “os brasileiros estão chegando e eles estão comprando”. No título, “uma nação em marcha”.

    (…)

    E VEM INVESTIMENTO
    Ontem no “WSJ”, “Investimento externo global deve crescer em 2010″, segundo a Unctad, órgão de comércio e desenvolvimento da ONU. “Países em desenvolvimento estarão entre os mais beneficiados. Brasil, Rússia, Índia e China vão atrair parcela cada vez maior.
    Segundo o Valor Online, já no levantamento de 2008, também divulgado ontem pela Unctad, “Brasil sobe quatro posições”, passando Alemanha e Japão.

    BOLSA TAMBÉM QUER
    No mesmo “WSJ”, ontem, a breve reportagem “Bolsa do Brasil busca abrir as portas da região”, em acordos com congêneres nos países andinos Colômbia inclusive, mas não a Venezuela. Diz um diretor que o projeto é criar “um sistema de comércio com a Bovespa no centro”.

    “THE PARTY’S BACK”
    A Bloomberg deu no fim do dia que um banco de investimento avalia, como a Unctad, que o Brasil “verá mais entradas” de investimento. Comenta diretor: “Investidores têm memória curta, todos pensam que a festa voltou”. Ontem, a Bovespa caiu, em “realização de lucros”.


    “BÉLGICA, SAIA DA FRENTE”
    Em editorial e reportagem, a “Economist” elogia fartamente a atual gestão do FMI, que “Voltou dos mortos”, mas “ainda não está pronto para o futuro”.
    Saúda as contribuições financeiras de “potências em alta como China, Índia e Brasil”, mas sublinha, sob o enunciado “Move over, Belgium”, que persiste o desequilíbrio. “Países ricos, sobretudo da Europa, têm poder desproporcional” em relação aos mesmos emergentes. “A Bélgica tem mais votos que o Brasil”, alerta, cobrando a mudança no encontro do G20, nos EUA.(…)

    16/09/2009 - 13:49h Petrobras defende o marco regulatorio proposto pelo governo

    Pressa e desinformação: carta a Folha de S.Paulo

    Com relação às notas  Pressa 1 e Pressa 2, publicadas na coluna Painel da Folha de S.Paulo em 15/9, a Petrobras esclarece que não tem qualquer intenção de mudar as regras do modelo regulatório proposto pelo Governo Federal. Também não está apoiando iniciativa de apresentação de emendas à proposta. Portanto, não é verdadeira a informação de que a Companhia fez um ”alerta” ao relator do projeto que estabelece o regime de partilha. A Petrobras reitera que cumprirá todas as normas do modelo aprovado pelo Congresso Nacional.

    Blog da Petrobras