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	<title>Blog do Favre &#187; in memoriam</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Gênio do bom humor</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 17:02:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nelson Freire &#8211; Heitor Villa-Lobos &#8211; A lenda do caboclo
 
O MAIOR PIANISTA BRASILEIRO FALA DA INTERPRETAÇÃO DE SUAS OBRAS E DA REAÇÃO DO PÚBLICO
NELSON FREIRE ESPECIAL PARA A FOLHA
Quando eu era criança, o desafio das grandes obras universais do repertório pianístico ocupava o centro das preocupações de todos nós. Os compositores brasileiros eram em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em>Nelson Freire &#8211; Heitor Villa-Lobos &#8211; A lenda do caboclo</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em> </em></span><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="500" height="405" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/v6ofsPqvdp0&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b&amp;border=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="405" src="http://www.youtube.com/v/v6ofsPqvdp0&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b&amp;border=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><strong>O MAIOR PIANISTA BRASILEIRO FALA DA INTERPRETAÇÃO DE SUAS OBRAS E DA REAÇÃO DO PÚBLICO</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">NELSON FREIRE ESPECIAL PARA A FOLHA</span></h2>
<p>Quando eu era criança, o desafio das grandes obras universais do repertório pianístico ocupava o centro das preocupações de todos nós. Os compositores brasileiros eram em geral considerados de menor complexidade, e suas obras mereciam leituras muitas vezes apressadas e superficiais.<br />
Essa percepção mudou radicalmente para mim ainda na primeira juventude, depois de ouvir Guiomar Novaes tocar &#8220;A Prole do Bebê nº 1&#8243; [de Villa-Lobos] num recital inesquecível no Rio de Janeiro. Percebi então, de uma vez por todas, que sua música era universal como a de Bach, Beethoven, Brahms ou qualquer outro gênio da história da música. Essa noção só se aprofundou, ao longo dos anos.<br />
Admiro sua produção exuberante, a perfeição com que escreve para todos os instrumentos. Suas obras para piano são pianísticas a um grau máximo, para não falar das obras para violão, instrumentos de sopro e de arco -o seu gênio melódico, a complexidade polifônica da sua escrita, a vitalidade rítmica de tudo o que escreve, sua enorme fantasia.<br />
Sobretudo, tenho a ideia de que ele foi o primeiro a não se intimidar em expressar a grandeza física do país. Não admira: ele conhecia o Brasil inteiro como quase ninguém na época. Tenho tocado Villa-Lobos mundo afora, e a reação do público é sempre semelhante: sua música deixa os ouvintes de bom humor.<br />
É uma música benfazeja. Toquei inúmeras vezes o &#8220;Momo Precoce&#8221; (dedicado a Magdalena Tagliaferro, grande intérprete de Villa-Lobos, cuja versão de &#8220;Impressões Seresteiras&#8221; é a melhor que conheço). Lembro-me de uma vez, na Holanda, em que a percussão da orquestra que me acompanhava tocou a batucada tão maravilhosamente que me senti no meio de uma escola de samba carioca.</p>
<p><strong>&#8220;Bachianas&#8221; e &#8220;Choros&#8221;</strong><br />
Amo as &#8220;Bachianas&#8221;, os &#8220;Choros&#8221;, as &#8220;Cirandas&#8221;. Admiro profundamente a riqueza e a imaginação da sua orquestração, como, por exemplo, em &#8220;O Trenzinho do Caipira&#8221;, que não consigo ouvir sem me emocionar. E como ele trata a voz humana! Quer coisa mais inspirada que as &#8220;Bachianas nº 5&#8243; para soprano e violoncelos? E o que dizer de obras como &#8220;Floresta Amazônica&#8221; e o &#8220;Choro nº 10&#8243; (Rasga Coração), com a integração fantástica do coro com a orquestra?<br />
Considero notáveis as gravações do próprio Villa-Lobos interpretando &#8220;Alma Brasileira&#8221;, &#8220;A Lenda do Caboclo&#8221; e o &#8220;Polichinelo&#8221;. Arnaldo Estrella tem também gravações ótimas de obras do seu amigo. Homero de Magalhães tocava e gravou muito bem a série das &#8220;Cirandas&#8221;. Tenho uma estima profunda pelas duas séries da suíte &#8220;A Prole do Bebê&#8221; e me admiro sempre ao pensar que entre as de números um e dois transcorreram tão poucos anos, apesar de estilisticamente serem tão diferentes.<br />
<strong><br />
Amigo íntimo</strong><br />
Gravei em Berlim um LP dedicado a Villa-Lobos, que depois foi remasterizado e publicado em CD. Nele toco o &#8220;Rudepoema&#8221;, que Villa-Lobos dedicou ao seu amigo íntimo, Arthur Rubinstein, que tanto fez pela glória mundial de Heitor.<br />
Na dedicatória, Villa-Lobos afirma que &#8220;Rudepoema&#8221; é o retrato psicológico do pianista. Pode ser interpretado também como um autorretrato: Villa-Lobos insiste muito no caráter selvagem da sua personalidade. Tenho para mim que sua música não é selvagem; é profundamente culta, bem escrita, inspirada, visando a grandeza.<br />
Se peca por algo, nunca será por mesquinhez ou estreiteza de vistas. Uma vez, cheguei a Nova York para um concerto, e lá estava, estudando no mesmo &#8220;basement&#8221; da Steinway, a minha idolatrada Guiomar Novaes. Ela ia dar no dia seguinte um recital com um programa exigentíssimo, com sonatas de Beethoven, Chopin etc.<br />
Tinha desembarcado do Brasil naquela manhã mesmo e, ao iniciar sua longa sessão de estudo, o que escolheu para começar? &#8220;A Moreninha&#8221;, da &#8220;Prole do Bebê nº 1&#8243;. Estudada devagar, nota por nota.</p>
<p><strong>Autógrafo</strong><br />
Conheci Villa-Lobos durante o seu último ano de vida. Depois de um concerto sinfônico regido por ele no Teatro Municipal, fui ao camarim pedir-lhe um autógrafo no programa, que guardo comigo até hoje.<br />
Se ocorrer durante um recital, por algum motivo, de eu me sentir tenso ou pouco confortável, basta chegar às obras de Villa-Lobos que imediatamente me descontraio. É como se estivesse em casa. Por isso, ouso dizer que Villa-Lobos também gosta de mim.</p>
<p><strong>NELSON FREIRE é pianista brasileiro e um dos principais intérpretes de Villa-Lobos.</strong></p>
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		<title>MÚSICA DE VILLA-LOBOS IMAGINOU E CRIOU UMA OUTRA IDEIA DE NAÇÃO</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 16:24:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Heitor Villa-Lobos &#8211; Bachianas Brasileiras n° 1 &#8211; Prelúdio (Modinha) &#8211; Mischa Maisky





O ideólogo do folclore


LEOPOLDO WAIZBORT &#8211; ESPECIAL PARA A FOLHA
No ano em que se lembram os 50 anos da morte do maestro, a música de Villa-Lobos soa mais viva do que nunca.
Novos estudos e gravações desafiam a compreensão da obra e liberam todo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="500" height="315" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/crL1H8INb8c&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b&amp;border=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="315" src="http://www.youtube.com/v/crL1H8INb8c&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b&amp;border=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em>Heitor Villa-Lobos &#8211; Bachianas Brasileiras n° 1 &#8211; Prelúdio (Modinha) &#8211; Mischa Maisky</em></span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: x-small;"><em><br />
</em></span></p>
<p><img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/images/mais%21.gif" alt="" hspace="10" /></p>
<p><span style="font-size: xx-large;"><strong>O ideólogo do folclore</strong></span></p>
<p><span style="font-size: xx-large;"><strong><br />
</strong></span></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">LEOPOLDO WAIZBORT &#8211; ESPECIAL PARA A FOLHA</span></h2>
<p>No ano em que se lembram os 50 anos da morte do maestro, a música de Villa-Lobos soa mais viva do que nunca.<br />
Novos estudos e gravações desafiam a compreensão da obra e liberam todo o seu ímpeto expressivo. No que ele consiste?<br />
Villa-Lobos vazou sua música em uma linguagem compartilhada, baseada em um material dado pelo sistema temperado e organizado como sistema tonal -o que já se denominou como &#8220;prática comum&#8221;.<br />
Mas também esteve preocupado com a dimensão identitária nacional e carecia de dimensão especificante, para além da plataforma do idioma compartilhado.<br />
&#8220;O folclore sou eu!&#8221;: esse o artifício por ele adotado para garantir a nacionalização musical, dado que o &#8220;folclore&#8221; fora entendido, desde o século 19, como um depositário privilegiado do &#8220;espírito do povo&#8221; e da nação que o congregaria.<br />
Contudo, a equalização do folclore ao nacional é um movimento ideológico, que ganhou validade na época da invenção dos nacionalismos.<br />
Por outras palavras, uma discussão do &#8220;nacional&#8221; em Villa-Lobos deve considerar que ele cria um nacional, ele o inventa musicalmente, lançando mão de elementos variados.</p>
<p>Uirapuru<br />
Reconheçamos que a obra musical sintetiza os momentos estrutural-sintático-formais, de um lado, e estético-ideológicos, de outro.<br />
Não se poderia hierarquizar de modo definitivo o peso de cada um desses momentos; a composição é precisamente uma solução histórico-musical dessa complexa síntese, e separá-los seria impróprio.<br />
Mas o reconhecimento dessa síntese não significa que não precisemos elaborar os seus momentos, antes o contrário.<br />
Interessam aqui menos os conteúdos intencionais inter-relacionados que pretendem reiterar e equacionar a &#8220;alma brasileira&#8221;, e mais os procedimentos elaborados na fatura composicional, derivando desta, por mecanismo de complexa constituição e conversão ideológica, os sedimentos mais obscuros e cifrados de um substrato &#8220;nacional&#8221;.<br />
Nesse sentido, pouco importa que em Villa-Lobos o canto do uirapuru não seja registrado e reproduzido com precisão ornitológica; importa sua eficácia simbólica como marcador identitário.</p>
<p><strong>O ato fundador</strong><br />
Está pressuposto que aquele som é o canto do uirapuru; está pressuposto que o canto do uirapuru é índice do Brasil; está pressuposto que o uirapuru não canta como os pássaros de lá; e está pressuposto também que os ouvintes sabem de algum modo reconhecer e legitimar tudo isso.<br />
Em que repousam tantos pressupostos, o que os garante?<br />
A afirmação, o ato fundador, a pura tese, o &#8220;assim é&#8221;. Não fosse contudo a força expressiva da música, tudo desmoronaria. A pura tese é em mesma medida forma musical, discurso sonoro consistente.<br />
Por isso pode-se afirmar que uma tal eficácia se fundamenta no material e no procedimento composicional. São eles, e somente eles, que garantem a expressividade, que por sua vez servirá de suporte para a dimensão simbólica. Conjugam experiência social e fatura artística, e esse é o segredo dessa forma. Assim, não é à nação brasileira que a música de Villa-Lobos dá corpo em forma de som, mas o contrário: sua música imaginou uma nação e a sonorizou -inclusive imaginando-a contraditória e complexa. Um movimento copernicano: não é o Brasil que modela e cria essa música, e sim ela que modela e cria um Brasil.<br />
Há uma dimensão ideológica e prática central na música de Villa-Lobos: um movimento complexo, pois o Estado-nação pede uma cultura homogênea que o figure culturalmente e, assim, retroalimente sua existência política -instância e mecanismo de legitimação (simbólica) do Estado-nação.<br />
E, por mais que a música de Villa-Lobos apresente tudo muito misturado, ela aparece como síntese de uma variedade, simbolizando musicalmente a unidade possível de uma nação multifacetada e desigual. Mas a pergunta continua sendo: como isso é possível musicalmente -ou seja, quais os recursos musicais foram mobilizados?</p>
<p><strong>&#8220;Magma sonoro&#8221;</strong><br />
É um compositor que soube explorar, no momento de dissolução do idioma comum, texturas e massas sonoras. Se o esgotamento da linguagem comum não reverteu exclusivamente em tentativas de criação de novos sistemas, mas também em experimentos no âmbito do sistema tonal, é nessa última vertente que Villa-Lobos mergulhou. Incorporando elementos da música popular urbana, tratou de explorar e testar os limites de novas formas expressivas, lançando mão de estruturas mais flexíveis, mais maleáveis, mais permeáveis, mais rapsódicas, mais fragmentárias, mais volúveis, mais imprevisíveis, mas não necessariamente mais inconsistentes.<br />
À diferença da tradição da forma sonata e da fuga, que privilegia o desenvolvimento, sua obra explora o simultâneo e rapsódico, massas sonoras, timbres, imprevistos e sobreposições. E é precisamente isso, um &#8220;magma sonoro&#8221; em ebulição constante (G. Mendes), que soa hoje de modo cada vez mais intenso e belo.</p>
<p><strong><br />
LEOPOLDO WAIZBORT é professor de sociologia na Universidade de São Paulo e autor de &#8220;A Passagem do Três ao Um&#8221; (ed. Cosac Naify).</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.jblog.com.br/media/103/20090301-villa-loboscompercussoesindigenas.jpg" alt="http://www.jblog.com.br/media/103/20090301-villa-loboscompercussoesindigenas.jpg" /></p>
<p><span style="font-size: xx-large;"><strong><span style="color: #000080; font-size: xx-large;">+ cronologia </span></strong></span><br />
<strong>Heitor Villa-Lobos</strong></p>
<p><strong>1887</strong><br />
Heitor Villa-Lobos nasce, em 5  de março, no Rio de Janeiro</p>
<p><strong>1905-12</strong><br />
Viaja pelo interior do Brasil, ouvindo e recolhendo temas e canções populares</p>
<p><strong>1913</strong><br />
Casa-se com a pianista Lucília  Guimarães</p>
<p><strong>1922</strong><br />
Participa da Semana de Arte Moderna, em São Paulo</p>
<p><strong>1923</strong><br />
Faz sua primeira viagem à Europa, retornando ao país em 1924</p>
<p><strong>1930</strong><br />
Após três anos vivendo em Paris  com a mulher, volta ao Brasil.  Inicia a composição do ciclo das  nove &#8220;Bachianas Brasileiras&#8221; e  projeto de educação musical em  São Paulo</p>
<p><strong>1932</strong><br />
Convidado pelo governo de Getúlio Vargas, assume a direção da  Superintendência de Educação  Musical e Artística e institui o  ensino obrigatório de música e  canto orfeônico nas escolas. Dá  início às apresentações, ao ar livre, de corais formados por milhares de estudantes</p>
<p><strong>1936</strong><br />
Separa-se da mulher Lucília e  passa a viver com a ex-aluna Arminda Neves d&#8217;Almeida</p>
<p><strong>1937</strong><br />
Compõe, sob encomenda, a trilha  sonora de &#8220;Descobrimento do  Brasil&#8221;, de Humberto Mauro</p>
<p><strong>1945</strong><br />
Funda a Academia Brasileira de  Música</p>
<p><strong>1959</strong><br />
Morre no Rio, em 17/11</p>
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		<title>Pintor da paisagem musical brasileira</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 15:50:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Villa-Lobos
Gênio, modernista, ultrapassado: 50 anos depois da morte do compositor, seu talento se livra de rótulos e é compreendido em toda a sua multiplicidade
João Luiz Sampaio &#8211; O Estado SP
&#62;Há 50 anos, no dia 17 de novembro, morria no Rio de Janeiro, aos 72 anos, Heitor Villa-Lobos. Não foi pequena a comoção pelo desaparecimento do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a><img class="aligncenter" src="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091115/img/arteelazer.jpg" alt="" width="267" height="472" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<h3>Villa-Lobos</h3>
<p><strong>Gênio, modernista, ultrapassado: 50 anos depois da morte do compositor, seu talento se livra de rótulos e é compreendido em toda a sua multiplicidade</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">João Luiz Sampaio &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>&gt;Há 50 anos, no dia 17 de novembro, morria no Rio de Janeiro, aos 72 anos, Heitor Villa-Lobos. Não foi pequena a comoção pelo desaparecimento do nosso maior compositor. Para um grupo, desaparecia o criador de uma música essencialmente brasileira, o desbravador de sertões e florestas em busca do folclore que serviria de inspiração para suas obras; para outro, o grande vilão da criação moderna, símbolo de atraso e conservadorismo.</p>
<p>Quem estava certo? No palco da vida musical brasileira, Villa-Lobos desempenhou, desde sua morte, diversos papéis. E nos últimos anos não apenas a vanguarda reviu a posição crítica com relação à sua obra, como o folclore mostrou-se apenas parte de um todo bastante maior. Menos do que um símbolo, Villa hoje reaparece como figura incoerente, que cabe em todas as definições que se aplicaram a ele &#8211; mas não se limita a nenhuma delas. Está, enfim, livre para ser ele mesmo.</p>
<p><strong>CONJUNTO CAÓTICO<br />
</strong><br />
&#8220;Já é hora da obra de Villa-Lobos falar por si própria&#8221;, diz o maestro e compositor Gil Jardim, autor de O Estilo Antropofágico de Villa-Lobos. &#8220;Temos depurado nossa percepção de seu legado e a obra vem conquistando crescente autonomia pelo seu valor intrínseco&#8221;, continua. Villa-Lobos nasceu no Rio em março de 1887. Autodidata, foi influenciado pela música dos chorões cariocas, assim como demonstrou interesse desde o início por manifestações folclóricas. Viveu durante duas temporadas em Paris (nos anos 10 e 20), onde teve contato com a música de Claude Debussy e Igor Stravinski e, no fim da vida, morou nos EUA, onde compôs para cinema e para a Broadway. Escrevia muito, sem se preocupar em passar a limpo ou revisar as partituras. Entrar na sua obra é, portanto, conviver com um universo caótico de cerca de 1.200 peças das mais diferentes proporções, inspirações e técnicas, como os ciclos das Bachianas Brasileiras e dos Choros. &#8220;Ele conseguiu um amálgama de muitas correntes de sua época, como o nacionalismo, o neoclassicismo, o experimentalismo, o exotismo, até mesmo prediz o minimalismo&#8221;, diz a pianista Sonia Rubinsky, que gravou a integral de sua obra para piano (selo Naxos).</p>
<p>&#8220;Ezra Pound disse que um escritor se divide em três categorias: aquele que inventa e, portanto, muda a história; aquele que é um mestre e consegue captar com maestria as ideias de outros; e aquele que copia. Parece que Villa-Lobos foi tudo isso. Ele extrapola rubricas&#8221;, acredita a compositora Jocy de Oliveira. Para o maestro Julio Medaglia, até mesmo a relação dele com o folclore já passa por reavaliação. &#8220;Ele não foi um provinciano. Ele sabia o que de novo se fazia na Europa e armou uma guerra entre a matéria-prima nacional e o know-how da música do Ocidente&#8221;, diz. &#8220;O que resta, hoje, é sua obra extensa, polêmica, forte, carismática, com muita brasilidade, mas também universalidade&#8221;, completa o maestro Luis Gustavo Petri. &#8220;Sua obra, irregular, complexa, tem muitos aspectos ainda a serem avaliados&#8221;, afirma o violonista Edelton Gloeden. E o compositor Gilberto Mendes, um dos autores do Manifesto Música Nova, que orientou parte da vanguarda brasileira, acrescenta: &#8220;Admiro sua inventividade, a modernidade de sua linguagem. Não me interesso pelo seu brasileirismo e, sim, ao contrário, pelo seu ecletismo tropicalista pós-moderno avant la lettre&#8221;.</p>
<p><strong>GERAÇÕES<br />
</strong><br />
A revisão da imagem de Villa-Lobos de alguma forma parece relacionada à dissolução da dicotomia entre nacionalistas e vanguardistas que, meio século depois, já não pauta mais a produção de compositores brasileiros. &#8220;Estamos livres do domínio ideológico e político associado à imagem de Villa, e cada vez mais se interessando pelo compositor, seu métier e obras que ainda estão por ser melhor entendidas, e que têm muito a contribuir na formação de novas bases da composição, especialmente no âmbito da orquestração e da estruturação formal&#8221;, diz o compositor Leonardo Martinelli.</p>
<p>&#8220;Os músicos da geração seguinte a Villa-Lobos foram de algum modo intimidados por sua sombra. Já minha geração foi formada reagindo negativamente à escola nacionalista e, a princípio, o ignoramos. Mas em meados dos anos 80 começamos a descobrir que Villa-Lobos tinha também muitas facetas revolucionárias e pudemos recuperar aspectos da linguagem de suas obras atonais e continuar a desenvolvê-los sem que isso representasse um peso intimidador&#8221;, diz o compositor e professor da USP Rodolfo Coelho de Souza, apontando para uma realidade na qual a música brasileira parece livre da sombra onipotente do autor das Bachianas. Não chega a ser um paradoxo que tal realidade liberte o próprio Villa-Lobos de sua história. E o traga para o presente.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="500" height="405" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/7hnNsffwBXk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b&amp;border=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="405" src="http://www.youtube.com/v/7hnNsffwBXk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b&amp;border=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="500" height="405" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/T3YpYsbUpPE&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b&amp;border=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="405" src="http://www.youtube.com/v/T3YpYsbUpPE&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b&amp;border=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em>Heitor Villa-Lobos<br />
Choros nº 10 &#8211; Rasga o Coração</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em>Concerto de Final de Ano (31/12/2008)<br />
Sala São Paulo<br />
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo<br />
Regência/Conductor: John Neschling </em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em><br />
</em></span></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><strong><span style="font-size: xx-large;">Pintor da paisagem musical brasileira</span></strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">*John Neschling &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>Em seu trabalho, a inspiração poética e profética, inigualável e difícil de copiar, se manifesta mesmo em composições de tom mais convencional</p>
<p>Nem sei quantos Villa-Lobos existem na minha cabeça desde a infância. Na escola primária, o currículo incluía a matéria &#8220;Canto Orfeônico&#8221;, criação de Villa durante os anos de Getulio Vargas e que imagino tenha atormentado gerações de crianças e jovens nos anos 50 e 60, só sendo, infelizmente, retirado do ensino básico depois da reforma introduzida depois da revolução de 1964. Digo atormentado, mas não foi bem isso que aconteceu comigo. Eu folheava as páginas do livro Canto Orfeônico, redigido por José Siqueira, e me fixava nas fotografias e nomes que me acompanharam durante a minha formação, vindo à tona com toda a vitalidade quando puxei pela memória nos meus anos de Osesp.</p>
<p>Não sei se a famigerada &#8220;manosolfa&#8221; do método foi uma invenção de Villa, mas esse sistema era usado nuns ditados que nosso professor teatralmente nos fazia. Ao menos saí do primário informado de que havia uma tradição musical no nosso País. A prática do canto coral, indispensável na formação e na socialização da infância e juventude, foi colocada no centro da formação do jovem, e isso teve uma profunda influência na música brasileira da segunda metade do século 20.</p>
<p>Outro Villa-Lobos que reconheço é aquele postado heroicamente num pódio dentro do Estádio de São Januário, no Rio, regendo milhares de crianças, que cantavam a Invocação em Defesa da Pátria com um furor típico dos anos 40. Esse mesmo Villa povoava a minha fantasia na infância e creio, sem ter certeza de que isso realmente aconteceu, tê-lo visto nos seus últimos anos de vida nos corredores do Municipal do Rio, amparado por Mindinha e cercado por uma horda de admiradores e acólitos. Se não o vi em pessoa, Villa continuou presente nas conversas e aulas que tive até minha partida para a Europa em 1965. Sua presença era sentida fisicamente na vida musical carioca. A grande maioria de meus professores e amigos mais velhos tinha histórias e revelações a fazer acerca de sua convivência e suas relações pessoais com o compositor. Villa nunca foi um compositor do passado. Sempre fui seu contemporâneo, e isso muda a abordagem que tenho da sua música.</p>
<p>Um outro Villa, mais misterioso, encontrei durante todo o período em que estudei na Europa. Era um homem mítico e desconhecido, uma espécie de selvagem aculturado, um prodígio tropical, uma figura exótica de quem todos ouviram falar mas a quem poucos haviam assistido. Não ouvi uma única obra sua ao vivo nas centenas de concertos que ouvi em Viena ou na Europa durante os anos 60 e 70. Talvez um ou outro pianista, geralmente latino-americano tenha executado uma peça, ou um ou outro violonista tocado os Estudos ou Prelúdios do mestre. Eu me exibia como sendo conterrâneo de um gênio. Falar de Villa era como falar da Amazônia e do Carnaval, e por isso, com o tempo, ele, com sua produção imensa, foi deixando de ser um compositor brasileiro para se transformar na própria música brasileira. Ouvia-se, e mal, as gravações que ele tinha feito de suas obras durante seus anos franceses à frente de uma orquestra que, obviamente, não se tinha dado ao trabalho de ensaiá-las com o devido cuidado.</p>
<p>Aproximei-me de um novo Villa quando, já formado, passei a interessar-me por reger algumas de suas obras, a começar pelas Bachianas mais famosas para orquestra, a segunda, a quarta e a sétima. Sem uma visão mais abrangente de sua criação, notei a grande dificuldade de execução de suas partituras, especialmente para as cordas. Descobri a razão de sua música ser, quase sempre, tão mal executada. Villa nunca pensou nas possibilidades técnicas dos instrumentos, escreveu o que lhe dava na telha e necessita de excelentes orquestras, cordas virtuosísticas, para que sua música atinja o efeito que o mestre deseja ou imagina. E de tempo suficiente de ensaio para que as orquestras se habituem ao seu estilo e à sua escrita.</p>
<p>Certamente pela sua formação em grande parte autodidata, sua orquestração é pesada e necessita de interferências bastante estruturais do maestro. Este por sua vez, precisa conhecer muito mais da obra do mestre, para poder atrever-se a mexer em qualquer coisa que o gênio muitas vezes &#8220;inventou&#8221;. Se o compositor francês Olivier Messiaen afirmou que Villa era o maior orquestrador do século 20, isso se deve sem dúvida à criatividade sem limites do carioca, não ao refinamento de sua escrita. Suas novidades e seus achados sonoros são certamente revolucionários nas orquestrações modernas. Os berros e urros dos trombones, os mosquitos que zumbem nos harmônicos das cordas, os pássaros que gorjeiam incessantemente nos seus refrões nas madeiras, as serpentem que chacoalham nos reco-recos e maracas, o rio imenso que ruge nos contrabaixos e violoncelos, isso tudo faz de Villa-Lobos um &#8220;inventor&#8221; na orquestração moderna, talvez o primeiro artista a descrever sonoramente o íntimo do Brasil.</p>
<p>Mas há o Villa desleixado, que deixava o copista completar o que na sua cabeça já estava claro. Os erros crassos que pululam em seus originais e em suas edições são fruto exatamente dessa prolixidade na criação, que não lhe deixava tempo para revisões. Foi só nos últimos anos que alguns maestros e musicólogos se deram ao trabalho de revisar e reeditar meticulosamente as obras do nosso maior compositor, e com isso estamos, hoje em dia, mais capacitados a executar algumas de suas obras com eficiência e certidão. Lembro-me que quando, nos anos 80, fui à China e resolvi reger a segunda Bachiana, levando comigo o material cedido por Mindinha, viúva de Villa, tive momentos de pânico absoluto ao ver que a orquestra tocava tudo errado. Eu desconfiava de minha intérprete que traduzia tudo o que eu pedia em inglês para o chinês, sem que isso tivesse nenhuma influência nos erros dos músicos. Finalmente, ao descobrir que o material vinha eivado de erros de cópia, os músicos chineses corrigiram eles mesmo essa falhas a partir da partitura que eu trazia e a execução saiu impecável sem necessidade de intérprete. A música de Villa era a sua própria explicação.</p>
<p>O Villa meu herói é aquele que descobri ao enterrar-me na sua criação com mais afinco. Mesmo nas obras &#8211; e ainda há tantas que pretendo descobrir &#8211; que poderiam ser encaradas como &#8220;menos importantes&#8221; ou mais &#8220;descritivas&#8221;, ou que fazem uso de chavões mais ou menos usuais na sua criação, sempre há um momento específico em que sinto a presença incomparável do gênio original e incopiável. Encontro em determinados momentos a verdadeira &#8220;alma brasileira&#8221;, que Villa tanto amava, o coração da terra brasilis batendo como o metrônomo do mundo, como Villa o definiu de forma tão poética e profética.</p>
<p>Na música brasileira, especialmente na do século 20 há muitos grandes compositores, originais, artesanalmente preparadíssimos (talvez mais do que o próprio Villa), mas a definição de nossa paisagem musical foi perfeitamente definida por Tom Jobim. Para ele Villa-Lobos foi a montanha, os outros o vale. Ou, adaptando um dito da escritora Patrícia Melo, poder-se-ia dizer que se Deus deu aos compositores brasileiros do século 20 o talento, o diabo lhes colocou à frente Villa-Lobos.</p>
<p>John Neschling, ex-diretor da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, gravou com ela a integral dos Choros do compositor (selo BIS)</p>
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		<title>Anselmo Duarte</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 20:26:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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ANSELMO DUARTE &#8211; O PAGADOR DE PROMESSAS
O cineasta e ator Anselmo Duarte, de 89 anos, morreu hoje, por volta da 1h30, no Hospital das Clínicas, em São Paulo. A causa da morte foi um acidente vascular cerebral hemorrágico, segundo a assessoria de imprensa do hospital, onde ele estava internado em estado grave desde 27 de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="position: relative; text-align: center;"><span><a title="ANSELMO DUARTE - O PAGADOR DE PROMESSAS - THE PLAYER OF PROMISES por Lumi Zúnica - Fotojornalismo" href="http://www.flickr.com/photos/lumi_zunica/4083615252/"><img class="aligncenter" src="http://farm3.static.flickr.com/2503/4083615252_9ba9f971fd.jpg" border="0" alt="ANSELMO DUARTE - O PAGADOR DE PROMESSAS - THE PLAYER OF PROMISES por Lumi Zúnica - Fotojornalismo" width="333" height="500" /></a></span></p>
<h4>ANSELMO DUARTE &#8211; O PAGADOR DE PROMESSAS</h4>
<p>O cineasta e ator Anselmo Duarte, de 89 anos, morreu hoje, por volta da 1h30, no Hospital das Clínicas, em São Paulo. A causa da morte foi um acidente vascular cerebral hemorrágico, segundo a assessoria de imprensa do hospital, onde ele estava internado em estado grave desde 27 de outubro.<br />
Anselmo Duarte foi o único brasileiro a ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1962<br />
com o filme &#8221; O Pagador de Promessas&#8221;. A foto foi tirada na sua residência em 21 de janeiro de 2008. Foto Lumi Zúnica. Fonte Lumi Zúnica</p>
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		<title>Brasil celebra antropólogo, mas esquece lição política</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 11:44:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
&#8220;Orgulho&#8221; por laços entre o intelectual e o país não incluiu seus &#8220;mestres&#8221; locais, os índios
Lévi-Strauss participou da criação da USP; experiência brasileira e mitos locais foram fundamentais para concepção de suas ideias
RAFAEL CARIELLO &#8211; FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL
Claude Lévi-Strauss é, entre os grandes intelectuais do século 20, talvez um dos nomes mais conhecidos no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://4.bp.blogspot.com/_amZL4uZeSWg/Sgs6Bc71UvI/AAAAAAAAAAs/9Mkk5vJJPA0/S762/logo+blog.jpg" alt="http://4.bp.blogspot.com/_amZL4uZeSWg/Sgs6Bc71UvI/AAAAAAAAAAs/9Mkk5vJJPA0/S762/logo+blog.jpg" width="555" height="275" /></p>
<p><strong>&#8220;Orgulho&#8221; por laços entre o intelectual e o país não incluiu seus &#8220;mestres&#8221; locais, os índios</strong></p>
<p><strong>Lévi-Strauss participou da criação da USP; experiência brasileira e mitos locais foram fundamentais para concepção de suas ideias</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">RAFAEL CARIELLO &#8211; FOLHA SP</span></h2>
<p>DA REPORTAGEM LOCAL</p>
<p>Claude Lévi-Strauss é, entre os grandes intelectuais do século 20, talvez um dos nomes mais conhecidos no Brasil, mesmo por pessoas que nunca chegaram a ler um parágrafo que tenha sido escrito pelo &#8220;pai do estruturalismo&#8221;.<br />
Além de nome familiar, quase todo brasileiro que tenha terminado algum curso universitário sabe que o antropólogo participou do grupo de professores franceses que ajudou a criar, nos anos 30, a Universidade de São Paulo, símbolo de certa modernidade brasileira e ainda hoje a melhor instituição de ensino e pesquisa no país.<br />
Não são essas as únicas razões que fizeram esse intelectual francês, nascido na Bélgica, se tornar, curiosamente, uma espécie de &#8220;orgulho nacional&#8221; brasileiro. Como se sabe, o contato de Lévi-Strauss com diferentes populações indígenas do país, em expedições ao então &#8220;remoto&#8221; oeste brasileiro na segunda metade da década de 1930, forneceram material rico, &#8220;bom para pensar&#8221;, que contribuiria decisivamente para sua obra futura.<br />
E são também narrativas míticas recolhidas por outros autores em grupos &#8220;brasileiros&#8221;, entre eles os bororos, que já haviam sido visitados pelo antropólogo em Mato Grosso, que dão o pontapé inicial e perpassam toda a sua obra maior, as &#8220;Mitológicas&#8221;, quatro volumes sobre a lógica do pensamento ameríndio, em particular, e sobre as próprias condições do pensar, de modo geral.<br />
<strong><br />
Cegueira</strong><br />
Como se vê, Lévi-Strauss aprendeu muito com o Brasil, e era razoável que isso terminasse sendo utilizado de forma provinciana, dirão alguns, ou como elemento de uma saudável autoestima, dirão outros. O interessante é que essa lógica narcisista, essa reiterada associação entre o antropólogo e o país depende de um constante esquecimento, uma cegueira mesmo, sobre o que ele de fato escreveu sobre nós, e sobre o que, exatamente, somos esse &#8220;nós&#8221; (os brasileiros).<br />
Esse &#8220;Brasil&#8221; com que tanto aprendeu Lévi-Strauss é constituído justamente pelos brasileiros que, ao longo de todo o século 20, o país teimou em esconjurar, em negar -o Brasil das dezenas de grupos indígenas que não desapareceram e que, pesquisas demográficas recentes demostram, voltou a crescer e está aí para ficar.<br />
Enquanto Lévi-Strauss utilizava as preciosas lições que aprendera com grupos indígenas do cerrado e da Amazônia brasileira (sobre outros modos de relacionar natureza e cultura, diferentes concepções metafísicas, lógicas de organização social) para criar um dos pensamentos mais influentes da segunda metade do século 20, a maioria dos brasileiros olhava para os &#8220;mestres&#8221; do antropólogo como um símbolo de atraso a ser superado ou esquecido, um motivo de vergonha fadado felizmente (eles acreditavam) a desaparecer.<br />
Ao mesmo tempo em que valorizava esse Brasil de que os próprios brasileiros se envergonhavam -Lévi-Strauss pode ser descrito como &#8220;carinhoso&#8221; ao falar de povos como os nambiquara e os bororo-, o antropólogo foi duro, em alguns momentos implacável, ao apresentar suas impressões sobre a sociedade brasileira urbana, envolta em sua permanente disputa por status.<br />
Para os estudantes da USP recém montada, escreve Lévi-Strauss em &#8220;Tristes Trópicos&#8221;, &#8220;ideias e doutrinas não ofereciam [...] um interesse intrínseco, consideravam-nas como instrumentos de prestígio cujas primícias deviam conseguir&#8221;. &#8220;Partilhar uma teoria conhecida com outros equivalia a usar um vestido já visto.&#8221;<br />
Se uma teoria europeia &#8220;antiga&#8221; já não valia nada nesse gosto vulgar pelo &#8220;moderno&#8221;, utilizado como signo de prestígio, que dizer dos povos indígenas e suas ideias?<br />
Se, em regra, as coisas não são muito diferentes hoje, é justo notar que foi exatamente no ramo da antropologia, fortemente influenciada por Lévi-Strauss mesmo quando esse autor estava &#8220;em baixa&#8221;, nas últimas décadas, que a academia brasileira conseguiu formar alguns dos seus principais pensadores -nomes como Manuela Carneiro da Cunha e Eduardo Viveiros de Castro-, reconhecidos hoje entre os principais cientistas sociais em atividade no mundo.</p>
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		<title>Claude Lévi-Strauss: Ideias em constante transformação</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 11:38:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em trecho de livro inédito sobre o antropólogo, Eduardo Viveiros de Castro analisa o autor de Mitológicas

Claude Lévi-Strauss analisado por Eduardo Viveiros de Castro, ce n&#8217;est pas tout
O título do livro que começo a escrever aqui diante de vocês é Isso Não é Tudo: Lévi-Strauss e a Mitologia Ameríndia. &#8220;Isso não é tudo&#8221;, &#8220;ce n&#8217;est [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Em trecho de livro inédito sobre o antropólogo, Eduardo Viveiros de Castro analisa o autor de Mitológicas</strong></p>
<p><img src="http://www.lesquotidiennes.com/files/imagecache/480x240/articles/claudelevistrauss.jpg" alt="http://www.lesquotidiennes.com/files/imagecache/480x240/articles/claudelevistrauss.jpg" width="296" height="148" /><img src="http://www.estadao.com.br/fotos/eduardoviveiros_fabio_motta292.jpg" alt="http://www.estadao.com.br/fotos/eduardoviveiros_fabio_motta292.jpg" width="158" height="149" /><br />
<span style="font-size: x-small;">Claude Lévi-Strauss analisado por Eduardo Viveiros de Castro, <em>ce n&#8217;est pas tout</em></span></p>
<p>O título do livro que começo a escrever aqui diante de vocês é Isso Não é Tudo: Lévi-Strauss e a Mitologia Ameríndia. &#8220;Isso não é tudo&#8221;, &#8220;ce n&#8217;est pas tout&#8221; é uma fórmula frequentemente empregada por Lévi-Strauss, a ponto de poder ser considerada um pequeno maneirismo do autor, para introduzir um desdobramento ou uma guinada na análise, ou encerrar uma demonstração com uma sequência inesperada de acordes. Ela aparece, eventualmente nas variantes &#8220;não é só isso&#8221; e &#8220;há mais&#8221;, um pouco em toda parte na obra lévi-straussiana, mas (provavelmente) aumentando sua frequência nas Mitológicas.</p>
<p>A &#8220;petite phrase de Lévi-Strauss&#8221; marca um passo estilístico típico: o surgimento quase prestidigitatório (se a palavra existe) de sempre mais um eixo, sempre &#8220;um outro eixo&#8221; de transformação, disposto de través, em diagonal aos vários eixos que vinham até ali guiando a comparação; a produção em finta ou pirueta de uma torção suplementar completamente imprevista, que abre subitamente uma progressão que tudo encaminhava para o fechamento; a revelação de vínculo extra, implicado, obscuro, compactado no texto sob análise que subitamente se explica e esclarece, e ao mesmo tempo se multiplica e difrata em perspectivas que, literalmente, perdem-se de vista no horizonte. Teremos ocasião de registrar vários momentos da demonstração ao mesmo tempo sinuosa e reticular, barroca e rizomática abertos pelo &#8220;Isso não é tudo&#8221; nas Mitológicas. Na verdade, o movimento assinalado pela pequena frase ocorre muito mais frequentemente que ela; ela é opcional, mas o movimento, ao contrário, parece-nos necessário, intrínseco ao procedimento lévi-straussiano. A petite phrase, eis a nossa tese, cumpre na verdade uma função conceitual fundamental dentro da economia teórica do estruturalismo.</p>
<p>Descobri recentemente que F. Keck fala em um &#8220;méthode du &#8220;Ce n&#8221;est pas tout&#8221; &#8211; não fui, assim, o único a notar o maneirismo metódico. Mas Keck não tira deste método grandes lições, quando ao contrário penso que ele é muito importante. Ele aponta para o inacabamento da análise estrutural, e sugere as razões desse inacabamento: a fractalidade e rizomaticidade de todo objeto determinado pelo método estrutural, na medida em que esse objeto em geral é concebido sempre como um estado particular de um sistema de transformações cujos limites são contingentes. A &#8221;interminabilidade&#8221;, no duplo sentido (sem fim ou término, e sem possibilidade de determinação unívoca do que é um termo e uma relação, do que é literal e figurativo) da análise mítica é um princípio absolutamente fundamental das Mitológicas. Veremos que Lévi-Strauss insiste no caráter aberto, intensivo, iterativo, em nebulosa, poroso, &#8220;conexionista&#8221; dos sistemas míticos que reconstrói. &#8220;Isso não é tudo&#8221;, então, porque nada é tudo, em nenhum momento se alcança uma totalização. &#8220;Isto não é tudo&#8221; supõe um conceito de estrutura e de análise que não privilegia uma vontade de fechamento, compacidade, a determinação de uma combinatória exaustivamente definida a priori. Com o &#8220;isso não é tudo&#8221;, começamos a divisar a possibilidade de pensar Lévi-Strauss como um pós-estruturalista. (&#8230;)</p>
<p>Naturalmente, isso não é tudo? Lévi-Strauss irá insistir repetidas vezes nas Mitológicas sobre o fechamento do sistema que analisa, a redondez da terra da mitologia (mas também sua porosidade?), a completude do círculo que o leva das savanas do Brasil Central às costas brumosas do estado de Washington e da Columbia Britânica,e, localmente, sobre os vários fechamentos de grupos míticos menores. Será preciso então insistirmos sobre uma tensão interna ao pensamento do autor relativo à mitologia americana, a saber, sobre uma dialética da abertura e do fechamento analítico (e mítico) que caberá explorar, em suas aparentes contradições inclusive? Isso realmente não é tudo. A pequena frase pode ser usada para fechar a análise por um lado que parecia aberto. A ênfase no fechamento dos grupos, na coerência e homogeneidade do conjunto é sublinhada repetidas vezes no correr do texto, e atinge uma espécie de apoteose enfática no capítulo O Mito Único, do Homem Nu. Por isso, eu preciso sublinhar, já que estou fazendo uma leitura parcial, apostando na tensão que ora enfatiza a &#8221;vasta máquina combinatória que é todo sistema mítico&#8221; e o caráter grupal, fechado e coerente do seu &#8221;mito único&#8221;, ora fala em dinamismo, desequilíbrio, devir perpétuo, assimetria que sempre abre o mito por um outro lado &#8211; essa tensão deve estruturar minha exposição.</p>
<p>Lévi-Strauss, fundador do pós-estruturalismo&#8230; Ele certamente não é o último pré-estruturalista, mas é o primeiro pós-estruturalista. Ao dizer isso, em certo sentido, estaríamos antecipando a conclusão deste livro, que tem como uma de suas principais intenções a de mostrar a atualidade do pensamento lévi-straussiano: pensamento da assimetria, da complementaridade, da torção e da abertura. Poderíamos ir para casa agora e dedicar o tempo a ocupações mais amenas. Mas felizmente, ou infelizmente, isto não é tudo? Além de que será preciso demonstrar minimamente o bem-fundado de minha tese, o livro tem uma outra intenção maior, que não se comprime tão facilmente em um ou dois parágrafos, a saber, a intenção de expor a originalidade radical do pensamento indígena, tal como transparece nos discursos míticos analisados nas Mitológicas.</p>
<p><strong><br />
INÉDITO</strong></p>
<p>Estes são trechos da versão preliminar da Introdução Generalíssima do manuscrito inédito do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, Isso Não é Tudo: Lévi-Strauss e a Mitologia Ameríndia, a ser lançado pela Cosac Naify em agosto de 2010, junto à primeira edição brasileira de O Homem Nu, quarto volume das Mitológicas de Claude Lévi-Strauss. Trata-se da primeira grande análise das Mitológicas, e uma visão contemporânea da obra lévistraussiana e do estruturalismo de modo geral. Viveiros de Castro trabalhou com Lévi-Strauss e foi, segundo ele, responsável pela criação de uma &#8220;nova escola na antropologia&#8221;</p>
<p><strong><em>Fonte O Estado SP</em></strong></p>
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		<title>Obras fundamentais de Claude Lévi-Strauss</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 11:29:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Tristes Trópicos &#8211; Clássico da
etnologia, reúne informações
recolhidas na viagem pelo Brasil (Companhia das Letras)
Antropologia Estrutural &#8211; De 1958, traz os elementos para a renovação do método antropológico
(Cosac Naify)
O Suplício do Papai Noel -
Discute o significado de festas de fim de ano e a comercialização
dessas datas (Cosac Naify)
Mitológicas &#8211; Série de quatro livros em que analisa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="cursor: -moz-zoom-out;" src="http://clec.uaicf.asso.fr/recherches_patrimoniales/images/Claude_Levi_Strauss.gif" alt="http://clec.uaicf.asso.fr/recherches_patrimoniales/images/Claude_Levi_Strauss.gif" /></p>
<p><strong>Tristes Trópicos</strong> &#8211; Clássico da<br />
etnologia, reúne informações<br />
recolhidas na viagem pelo Brasil (Companhia das Letras)</p>
<p><strong>Antropologia Estrutural</strong> &#8211; De 1958, traz os elementos para a renovação do método antropológico<br />
(Cosac Naify)</p>
<p><strong>O Suplício do Papai Noel</strong> -<br />
Discute o significado de festas de fim de ano e a comercialização<br />
dessas datas (Cosac Naify)</p>
<p><strong>Mitológicas</strong> &#8211; Série de quatro livros em que analisa mais de oitocentos mitos indígenas americanos<br />
(Cosac Naify)</p>
<p><strong>De Perto e de Longe </strong>- Longa<br />
entrevista concedida por<br />
Lévi-Strauss em 1988 ao filósofo Didier Eribon (Cosac Naify)</p>
<p><strong>História de Lince</strong> &#8211; Última<br />
incursão do antropólogo pela<br />
mitologia americana<br />
(Companhia das Letras, esgotado)</p>
<p><strong>Saudades do Brasil</strong> &#8211; Coletânea<br />
de fotos feitas por ele do País,<br />
seguida de Saudades de São<br />
Paulo (Companhia das Letras)</p>
<p><strong>Olhar, Escutar, Ler</strong> &#8211; Reunião de ensaios sobre arte, em tom de<br />
conversa com o autor<br />
(Companhia das Letras, esgotado)</p>
<p><strong>O Pensamento Selvagem</strong> &#8211; Análise do que Lévi-Strauss chama de<br />
&#8220;traço universal do espírito<br />
humano&#8221; (Editora Papirus)</p>
<p><strong>As Estruturas Elementares do<br />
Parentesco</strong> &#8211; O primeiro livro<br />
do autor, fruto de sua tese de<br />
mestrado (Editora Vozes)</p>
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		<title>Claude Lévi-Strauss: Um século dedicado ao homem</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 11:24:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Linha do tempo





// 

 
1908
Claude Lévi-Strauss nasce em Bruxelas, Bélgica, no dia 28 de novembro. Seus pais são Raymond Lévi-Strauss, pintor, e Emma Lévy. No ano seguinte, a família retorna a Paris
1914
Seu pai é convocado para lutar na 1.ª Guerra e a família muda-se para casa de parentes em Versalhes, subúrbio de Paris, voltando à [...]]]></description>
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<h3>Linha do tempo</h3>
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<div>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://fabiaolima.files.wordpress.com/2009/02/claude-levi-strauss_machado1209828628.jpg" alt="http://fabiaolima.files.wordpress.com/2009/02/claude-levi-strauss_machado1209828628.jpg" /></p>
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<div id="corpoNoticia"><strong> </strong></p>
<p>1908<br />
Claude Lévi-Strauss nasce em Bruxelas, Bélgica, no dia 28 de novembro. Seus pais são Raymond Lévi-Strauss, pintor, e Emma Lévy. No ano seguinte, a família retorna a Paris</p>
<p>1914<br />
Seu pai é convocado para lutar na 1.ª Guerra e a família muda-se para casa de parentes em Versalhes, subúrbio de Paris, voltando à capital apenas em 1918</p>
<p>1926<br />
Estuda direito e filosofia em Paris, ao lado de Maurice Merleau-Ponty e Simone de Beauvoir</p>
<p>1935<br />
Desembarca no Brasil e assume o cargo de professor de sociologia na USP. Sobre a São Paulo da época, disse ao &#8220;Estado&#8221;, no início dos anos 90: &#8220;Era um local de grande curiosidade, um pouco desordenada, dirigida para todos os sentidos.&#8221; No final do ano, realiza uma expedição a Mato Grosso e à Amazônia. Para o Le Monde, em 2005, declara: &#8220;A viagem ao Brasil foi a experiência mais importante da minha vida, seja pelo distanciamento e contraste, seja porque foi determinante na minha carreira. Tenho com este país uma dívida muito profunda&#8221;</p>
<p>1936<br />
Depois de uma curta expedição ao Pantanal, volta à França, onde exibe material coletado no Brasil. Dois anos mais tarde, volta para nova expedição ao Mato Grosso. Em 1939, retorna à França</p>
<p>1940<br />
É convocado pelo Exército francês. Oferece seus serviços como professor, em Montpellier, e deixa as Forças Armadas</p>
<p>1941<br />
Resolve deixar a França e segue para os EUA. Durante uma parada do navio em Porto Rico é considerado suspeito pelas autoridades americanas. Só é liberado após visitar Jacques Soustelle, que estava na ilha a serviço do general Charles de Gaulle</p>
<p>1942<br />
Já nos EUA, dá aulas de etnologia na Escola Livre de Estudos Superiores, em Nova York. Dois anos mais tarde, é chamado pelo Departamento das Relações<br />
Culturais, retorna à França, onde passa a ocupar cargo de diretor da entidade.</p>
<p>1949<br />
Publica seu primeiro livro, Estruturas Elementares do Parentesco, fruto de tese defendida um ano antes na Sorbonne</p>
<p>1950<br />
Nomeado diretor da Escola Prática de Altos Estudos, faz<br />
viagens à Índia e ao Paquistão, com apoio da Unesco.</p>
<p>1955<br />
Publica Tristes Trópicos, em que narra as expedições pelo Brasil e o contato com os índios cadiuéus, bororos, nhambiquaras e tupi-cavaíbas. &#8220;Foi um livro escrito num momento complexo: fracasso na carreira e minha vida pessoal abalada pela separação de minha mulher. Vi-me, então, livre de tudo, sem estar preso a nenhuma amarra universitária e quis fazer um livro dissociado de consequências&#8221;, disse depois.</p>
<p>1958<br />
É escolhido para ocupar a cadeira de antropologia social no tradicional Collège de France, em Paris.<br />
Publica o livro Antropologia<br />
Estrutural</p>
<p>1960<br />
Cria o Laboratório de Antropologia Social no Collège de France, em Paris. No ano seguinte, funda a revista de antropologia L&#8221;Homme: Revue Française d&#8221;Anthropologie e publica as obras O Tomemismo Hoje e O Pensamento Selvagem</p>
<p>1964<br />
Publica o primeiro volume das Mitológicas &#8211; O Cru e o Cozido. Os demais são Do Mel às Cinzas, de 1967, A Origem dos Modos à Mesa, de 1968, e O Homem Nu, publicado em 1971</p>
<p>1985<br />
Volta ao Brasil por alguns dias, integrando uma comitiva do então presidente francês François Mitterrand. &#8220;Ainda que muito curta, essa viagem produziu em mim uma verdadeira revolução mental: o Brasil tinha se transformado completamente, totalmente. Havia se tornado um outro país. Aquela cidade, São Paulo, que eu havia conhecido no momento em que chegava a 1 milhão de habitantes, já tinha 10 milhões de pessoas. Os traços e vestígios da época colonial haviam desaparecido e São Paulo se transformara em uma cidade muito assustadora, com quilômetros de torres. A urbanização da cidade fez desaparecer a natureza. O rio Tietê, fundamental na conquista do interior do Brasil, estava moribundo. De tal forma que cabe perguntar: afinal, essa quebra dos liames entre o homem e a natureza é ou não é uma característica do nosso tempo?&#8221;, declarou em entrevista ao Le Monde, em 2005</p>
<p>1994<br />
Lança Saudades do Brasil, coletânea de fotos feitas por ele no País nos anos 30. Dois anos depois, lança Saudades de São Paulo, livro de fotografias com o mesmo conceito</p>
<p>2005<br />
Recebe o 17º Prêmio Catalunha, na Espanha</p>
<p>2008<br />
Homenagens marcam, em todo o mundo, o centenário de seu<br />
Nascimento</p>
<p>2009<br />
Morre no dia 1.º de novembro, em Paris</p></div>
<div></div>
<div><em>Fonte O Estado SP</em></div>
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		<title>Le Monde e o falecimento de Lévi-Strauss</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 18:48:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Claude Lévi-Strauss]]></category>
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// 

     
 L&#8217;ethnologue Claude Lévi-Strauss est mort





Archéologue des totems et des mythes, musicien de l&#8217;esprit, l&#8217;anthropologue, père du structuralisme, est mort dans la nuit de samedi à dimanche à l&#8217;âge de 100 ans.
Claude Lévi-Strauss, théoricien bigarré
Les 100 ans de Lévi-Strauss
&#8220;Lévi-Strauss nous a anticipés&#8221;
 L&#8217;hommage du quai Branly






  
&#8220;Ce que [...]]]></description>
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<div id="leftColumn"><!--ctrl:Lemonde_Www_Controller_Une,tpl:une/tpl-une_zone.html.php--> <!--ctrl:Lemonde_Www_Controller_Element_Zone_ZoneEdito,tpl:contenu/element/zone/edito/evenement/tpl-contenu_zone_edito_elargie.html.php--><span style="font-size: xx-large;"><a onclick="javascript:xt_med('C','1','Home_Actu_Titres_1','N');" href="http://www.lemonde.fr/carnet/article/2009/11/03/l-ethnologue-claude-levi-strauss-est-mort_1262351_3382.html#ens_id=1262333">L&#8217;ethnologue Claude Lévi-Strauss est mort</a></span></p>
<div id="zoneActu">
<div>
<div><!--ctrl:Lemonde_Www_Controller_Element_Commun,tpl:contenu/element/zone/edito/evenement/tpl-bloc_zone_edito_1_leader_ensemble.html.php--></p>
<p style="text-align: center;"><a onclick="javascript:xt_med('C','1','Home_Actu_Titres_1','N');" href="http://www.lemonde.fr/carnet/article/2009/11/03/l-ethnologue-claude-levi-strauss-est-mort_1262351_3382.html#ens_id=1262333"><img title="L'ethnologue Claude Lévi-Strauss en 1973 lors de son intronisation à à l'Académie française. | AFP" src="http://medias.lemonde.fr/mmpub/edt/ill/2009/11/03/h_14_ill_1262376_5002_000_par2003060502972.jpg" border="0" alt="L'ethnologue Claude Lévi-Strauss en 1973 lors de son intronisation à à l'Académie française." /></a></p>
<div style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">Archéologue des totems et des mythes, musicien de l&#8217;esprit, l&#8217;anthropologue, père du structuralisme, est mort dans la nuit de samedi à dimanche à l&#8217;âge de 100 ans.</p>
<h2><a href="http://www.lemonde.fr/livres/article/2008/05/08/claude-levi-strauss-theoricien-bigarre_1042344_3260.html#ens_id=1262333">Claude Lévi-Strauss, théoricien bigarré</a></h2>
<h2><a href="http://www.lemonde.fr/culture/article/2008/11/29/folle-journee-pour-levi-strauss_1124955_3246.html#ens_id=1262333">Les 100 ans de Lévi-Strauss</a></h2>
<h2><a href="http://www.lemonde.fr/planete/article/2008/11/25/ce-qu-ils-ont-appris-de-levi-strauss-pascal-maniglier_1122719_3244.html#ens_id=1262333">&#8220;Lévi-Strauss nous a anticipés&#8221;</a></h2>
<h2><span title="portfolio"> </span><a href="http://www.lemonde.fr/a-la-une/portfolio/2008/11/25/les-objets-de-claude-levi-strauss-au-musee-du-quai-branly_1122790_3208.html#ens_id=1262333">L&#8217;hommage du quai Branly</a></h2>
</div>
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<p style="text-align: center;">
<div style="text-align: center;">
<div><a onclick="javascript:xt_med('C','1','Home_Actu_Titres_2','N');" href="http://www.lemonde.fr/planete/article/2008/11/25/ce-qu-ils-ont-appris-de-levi-strauss-stephane-breton_1122717_3244.html"> <img title="Diadème vertical tournant Bororo, Mato Grosso. Plumes d'ara et de hocco (mutum), duvet de canard, nervures de palmier babaçu, fils de coton, fibre de palmier tucum. Taille : 74 x 86 x 6 cm.  | Cid Collection, São Paulo" src="http://medias.lemonde.fr/mmpub/edt/ill/2005/03/24/h_2_ill_631281_diademe_mato_grosso127.jpg" border="0" alt="Diadème vertical tournant Bororo, Mato Grosso. Plumes d'ara et de hocco (mutum), duvet de canard, nervures de palmier babaçu, fils de coton, fibre de palmier tucum. Taille : 74 x 86 x 6 cm." width="151" height="108" /> </a></div>
<div><a onclick="javascript:xt_med('C','1','Home_Actu_Titres_2','N');" href="http://www.lemonde.fr/planete/article/2008/11/25/ce-qu-ils-ont-appris-de-levi-strauss-stephane-breton_1122717_3244.html">&#8220;Ce que j&#8217;ai appris de Lévi-Strauss&#8221;</a></div>
</div>
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<div style="text-align: center;">
<div><a onclick="javascript:xt_med('C','1','Home_Actu_Titres_3','N');" href="http://www.lemonde.fr/planete/article/2008/11/25/ce-qu-ils-ont-appris-de-levi-strauss-manuela-carneiro-da-cunha_1122721_3244.html"> <img title="L'Etat du Mato Grosso, au Brésil. Avec quelque 25 % des espèces recensées dans le monde, le Brésil possède la plus grande biodiversité de la planète. | REUTERS" src="http://medias.lemonde.fr/mmpub/edt/ill/2007/04/02/h_2_ill_890575_rtrbzcq_comp.jpg" border="0" alt="L'Etat du Mato Grosso, au Brésil. Avec quelque 25 % des espèces recensées dans le monde, le Brésil possède la plus grande biodiversité de la planète." width="151" height="108" /> </a></div>
<div><a onclick="javascript:xt_med('C','1','Home_Actu_Titres_3','N');" href="http://www.lemonde.fr/planete/article/2008/11/25/ce-qu-ils-ont-appris-de-levi-strauss-manuela-carneiro-da-cunha_1122721_3244.html">&#8220;Les nuages du Mato Grosso l&#8217;ont ému&#8221;</a></div>
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<div><a onclick="javascript:xt_med('C','1','Home_Actu_Titres_4','N');" href="http://www.lemonde.fr/carnet/panorama/2009/11/03/claude-levi-strauss-uvre-et-pensee_1262356_3382.html">Lévi-Strauss par Lévi-Strauss</a></div>
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<div style="text-align: center;"><a onclick="javascript:xt_med('C','1','Home_Actu_Titres_5','N');" href="http://www.lemonde.fr/carnet/video/2009/11/03/quand-claude-levi-strauss-racontait-sa-vocation-d-ethnologue_1262344_3382.html"> <img title="Photo du livre &quot;Tristes tropiques&quot; de Lévi-Strauss exposé dans une librairie à Caen. | AFP/MYCHELE DANIAU" src="http://medias.lemonde.fr/mmpub/edt/ill/2009/11/03/h_2_ill_1262362_51e0_tristes_tropiques.jpg" border="0" alt="Photo du livre &quot;Tristes tropiques&quot; de Lévi-Strauss exposé dans une librairie à Caen." width="151" height="108" /></a><a onclick="javascript:xt_med('C','1','Home_Actu_Titres_5','N');" href="http://www.lemonde.fr/carnet/video/2009/11/03/quand-claude-levi-strauss-racontait-sa-vocation-d-ethnologue_1262344_3382.html"> </a></div>
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		<title>Morre aos 100 anos o antropólogo Claude Lévi-Strauss</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 18:42:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[antropólogo]]></category>
		<category><![CDATA[Claude Lévi-Strauss]]></category>
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		<category><![CDATA[in memoriam]]></category>

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		<description><![CDATA[RETRATO DE UM HOMEM INVISÍVEL

da Efe, em Paris e da Folha Online
O antropólogo Claude Lévi-Strauss, um dos intelectuais mais importantes do século 20, morreu no sábado passado aos 100 anos, informou hoje a editora Plon.
Lévi-Strauss influenciou de maneira decisiva a filosofia, a sociologia, a história e a teoria da literatura.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><a title="Permanent Link: RETRATO DE UM HOMEM INVISÍVEL" rel="bookmark" href="../2008/11/retrato-de-um-homem-invisivel/">RETRATO DE UM HOMEM INVISÍVEL</a></h2>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://2.bp.blogspot.com/_zTW7YIHZb1o/R06xDfPUcZI/AAAAAAAAAUo/2R2Wjv2-G78/s1600/levi-strauss.jpg" border="0" alt="[levi-strauss.jpg]" /></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">da Efe, em Paris e da Folha Online</span></h2>
<p>O antropólogo Claude Lévi-Strauss, um dos intelectuais mais importantes do século 20, morreu no sábado passado aos 100 anos, informou hoje a editora Plon.</p>
<p>Lévi-Strauss influenciou de maneira decisiva a filosofia, a sociologia, a história e a teoria da literatura.</p>
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