16/10/2009 - 17:51h Brasil é líder no combate à fome entre emergentes, diz ONG

Action Aid elogia esforços do governo do Brasil e critica Índia e EUA.

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BBC- Portal Estado

O Brasil é líder no combate à fome entre os países em desenvolvimento, de acordo com um ranking elaborado pela ONG antipobreza Action Aid e publicado nesta sexta-feira para marcar o Dia Mundial da Alimentação.

Segundo o documento, o país demonstra “o que pode ser atingido quando o Estado tem recursos e boa vontade para combater a fome”.

A lista foi elaborada a partir de pesquisas sobre as políticas sociais contra a fome em governos de 50 países. A partir da análise, a ONG preparou dois rankings – um com os países em desenvolvimento, onde o Brasil aparece em 1º lugar, e o outro com os países desenvolvidos, liderado por Luxemburgo.

Em último lugar na lista dos desenvolvidos está a Nova Zelândia, abaixo dos Estados Unidos. Entre os países em desenvolvimento, a República Democrática do Congo e Burundi aparecem nas últimas colocações.

Segundo a diretora de políticas da Action Aid, Anne Jellema, “é o papel do Estado e não o nível de riqueza que determina o progresso em relação à fome”.

Brasil

O documento elogia os esforços do governo brasileiro em adotar programas sociais para lidar com o problema da fome no país e destaca os programas Bolsa Família e Fome Zero.

“O Fome Zero lançou um pacote impressionante de políticas para lidar com a fome – incluindo transferências de dinheiro, bancos de alimentação e cozinhas comunitárias. O projeto atingiu mais de 44 milhões de brasileiros famintos”, diz o texto.

Segundo o relatório, o programa ainda ajudou a reduzir a subnutrição infantil em 73%.

A ONG afirma ainda que o Brasil é “exemplar” no exercício do direito ao alimento e cita a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan 2006) e o Ministério do Combate à Fome como medidas de que exemplificam que o direito à alimentação está sendo cada vez mais reconhecido como direito fundamental.

Apesar do aspecto positivo, a ONG afirma que o Brasil “ainda tem áreas em que pode melhorar” e cita o desafio de incluir os trabalhadores sem terra e pequenos agricultores nos programas sociais de alimentação.

“É imperativo que famílias em pequenas fazendas também estejam protegidas da expansão dos enormes programas industriais de biocombustíveis do Brasil”, afirma o relatório.

Índia

Em segundo lugar no ranking dos países em desenvolvimento aparece a China, seguida por Gana (3º) e Vietnã (4º).

A Action Aid destaca a redução no número de famintos na China – 58 milhões em dez anos – e elogia os esforços do governo em apoiar os pequenos agricultores.

Em contrapartida, o documento critica a Índia onde, segundo o relatório, 30 milhões de pessoas teriam entrado para a taxa dos famintos desde a metade dos anos 90.

Além disso, a ONG destaca que 46% das crianças estão abaixo do peso e subnutridas no país.

“A fome existe não porque não há alimento suficiente na Índia, mas porque as pessoas não conseguem chegar até ele. O governo indiano enfrenta um enorme desafio para proteger os direitos dos pobres”, diz o texto.

Ricos

Não só os esforços e as políticas dos governos de países em desenvolvimento e mais pobres são criticados no documento divulgado nesta sexta-feira.

No ranking dos países desenvolvidos, atrás de Luxemburgo está a Finlândia (2º) e a Irlanda (3º), com a Nova Zelândia(22º) e os Estados Unidos (21º) nas últimas colocações.

A ONG acusa o governo neozelandês de ordenar cortes acentuados no incentivo oficial à agricultura e classifica o incentivo do governo americano à agricultura como “mesquinho”.

“A contribuição (desses países) para expandir programas de segurança social permanece insignificante”, diz o documento, agregando Grécia, Portugal e Itália. BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

17/09/2009 - 11:39h Lula teve ‘visão correta’ ao falar que crise era ‘marolinha’, diz ‘Le Monde’

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Segundo jornal, governo foi ‘preciso em estratégia concentrada no apoio do mercado interno’.

- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma visão “bastante correta” ao dizer, no ano passado, que a crise no Brasil provocaria apenas uma “marolinha”, diz artigo publicado no jornal francês Le Monde nesta quinta-feira.

O diário argumenta que a recessão no Brasil durou apenas um semestre, citando o aumento de 1,9% do PIB no segundo trimestre de 2009, após queda nos dois trimestres imediatamente anteriores, além da recuperação da Bolsa de Valores de São Paulo e do real.

“A rápida recuperação do Brasil demonstra a precisão da estratégia adotada pelo governo e concentrada no apoio do mercado interno. As reduções de impostos a favor das indústrias de automóveis e de eletrodomésticos mantiveram as vendas nestes nestes dois setores cruciais”, afirma o jornal, lembrando ainda que a confiança do consumidor brasileiro jamais chegou a ser abalada.

No artigo, intitulado “A retomada do crescimento mundial se baseia nos Brics”, o Le Monde traça o panorama econômico dos países do grupo – Brasil, Rússia, Índia e China – um ano após a queda do banco Lehman Brothers, considerada o marco da atual crise financeira global.

Outros países

“É para os grandes países emergentes que se direciona hoje a esperança de que a fase de recuperação do nível de vida vai se acelerar. E que seus modelos de crescimento, até hoje essencialmente baseados nas exportações, vão progressivamente dar lugar a um novo modelo de desenvolvimento, garantindo mais importância à demanda interna”, diz o jornal.

Sobre a China, o Le Monde afirma que a previsão de crescimento de 8% para o PIB de 2009 deve ser atingida, mas ressalta que o modelo econômico do país favorece o investimento em detrimento do consumo.

O diário francês lembra que a Índia conseguiu manter um crescimento sustentado, principalmente nos setores de indústria e serviços.

Já a Rússia, tida como o país mais atingido dos Brics pela crise, também parece estar se recuperando, de acordo com o Le Monde, com um aumento do PIB nos últimos meses. BBC

 

 

 

Le rebond de la croissance mondiale repose sur les BRIC

16/09/2009 – LE MONDE

Le président de la Réserve fédérale américaine (Fed), Ben Bernanke, a célébré à sa manière le premier anniversaire de la faillite de la banque d’affaires Lehman Brothers en annonçant, mardi 15 septembre, que la récession économique était “très probablement terminée” aux Etats-Unis.

Le même jour, confirmant ses propos, le département du commerce américain a fait savoir que les ventes de détail avaient progressé de 2,7 % au mois d’août, leur plus forte hausse depuis janvier 2006. Si c’est le signe que le consommateur américain retrouve un peu d’appétit, les économistes sont aussi d’accord pour dire que la ménagère du Texas ne pourra plus jouer le rôle de moteur de croissance de l’économie mondiale, comme elle l’était depuis deux décennies. Le temps du désendettement et de l’épargne est venu pour les Américains. Ce n’est guère non plus sur la vieille Europe, engluée dans ses problèmes structurels de dettes publiques, de prélèvements obligatoires record et de retard technologique, que l’économie mondiale peut compter pour retrouver son dynamisme passé.

C’est vers les grands pays émergents, les fameux BRIC (Brésil, Russie, Inde, Chine) que l’espoir se porte aujourd’hui – l’espoir que la phase de rattrapage de leur niveau de vie vis-à-vis des pays occidentaux va se poursuivre, voire s’accélérer. Et que leurs modèles de croissance, jusqu’à présent essentiellement basés sur les exportations, qu’il s’agisse de T-shirts ou de matières premières, va progressivement céder la place à un nouveau mode de développement, faisant la part belle à la demande intérieure. Etat des lieux dans les économies des BRIC, un an après le séisme.

Chine. Avec des ventes de voitures en hausse de près de 30 % sur les huit premiers mois de l’année, une reprise soutenue des importations de matières premières et une Bourse en surchauffe, la Chine ne donne pas vraiment l’impression de souffrir de la crise mondiale. Le taux de croissance annuel de 8 % du PIB, l’objectif initial du gouvernement pour 2009, devrait être atteint, a récemment déclaré le Bureau national des statistiques.

La robustesse de la croissance chinoise s’explique par le méga-plan de relance de 4 trillions de yuans (400 milliards d’euros) sur deux ans annoncé fin 2008, source d’une frénésie d’investissement en infrastructures sans pareil dans l’histoire économique mondiale. Dans l’urgence, le gouvernement chinois a ordonné aux banques d’ouvrir toutes grandes les vannes du crédit. Et après un fort ralentissement en juillet, les crédits sont repartis en août.

Cette stratégie de relance aux stéroïdes, qui a permis d’amortir le choc sur l’emploi et d’éviter que n’explose le chaudron social, est aussi porteuse de déséquilibres : une partie de l’argent des banques s’est visiblement dirigée vers la spéculation (bourse, immobilier et matières premières), tandis que de futures mauvaises créances s’accumulent. Le modèle économique chinois, ont dénoncé plusieurs économistes chinois réunis vendredi 12 et samedi 13 septembre, au Davos chinois, à Dalian, penche un peu plus du mauvais côté, celui de l’investissement au détriment de la consommation.

Inde. Malgré la crise mondiale survenue il y a un an, la croissance indienne s’est poursuivie à un rythme soutenu. Elle a atteint 6,7 % sur l’année fiscale qui se termine au 31 mars 2009, et devrait descendre aux alentours de 6 % lors de l’exercice suivant. La mauvaise mousson de cet été, avec la moitié du pays touchée par la sécheresse, explique ce léger fléchissement. Hormis l’agriculture, tous les secteurs sont épargnés par la crise. La production industrielle a connu en juin sa meilleure performance en un an et demi. Et le secteur des services a maintenu son rythme de croissance de 6,3 % au premier trimestre 2009. L’Inde doit sa bonne performance à la robustesse de sa demande intérieure et à la résistance de son système financier, “peu connecté au reste du monde”, comme le note Rajiv Kumar, directeur du Conseil indien pour la recherche sur les relations économiques internationales (Icrier).

Dans un pays où seuls 15 % de l’économie dépendent des exportations, la demande intérieure a été peu affectée par la récession mondiale, surtout dans les zones rurales, qui constituent la moitié du revenu national. Grâce aux programmes sociaux et à la hausse des investissements publics dans les infrastructures, les campagnes ont, au contraire, vu leurs revenus augmenter. L’Etat en paie le prix fort, avec un déficit budgétaire représentant 6,8 % du PNB. Et l’agence de notation Standard & Poor’s a ramené de “stable” à “négatif” sa notation souveraine sur l’Inde. Le pays reste toutefois une destination attirante pour les investisseurs du monde entier, car il est perçu comme un relais de croissance idéal aux marchés saturés, et touchés par la crise, des pays développés.

Brésil. En prédisant avec ironie il y a un an que “le tsunami” de la crise provoquerait dans son pays une simple “vaguelette”, le président brésilien, Luiz Inacio Lula da Silva, avait vu assez juste : la récession n’aura duré qu’un semestre.

Le produit intérieur brut a augmenté de 1,9 % au deuxième trimestre 2009, après avoir régressé pendant deux trimestres consécutifs : – 3,4 % (octobre-décembre 2008) et – 1 % (janvier-mars 2009).

Selon le ministre de l’économie, Guido Mantega, le géant sud-américain devrait, sur sa lancée, retrouver en 2010 sa vitesse de croisière d’avant la crise, autour de + 4,5 %.

Happé par la récession plus tard que la plupart des pays du monde, le Brésil en sort plus tôt, comme l’attestent deux autres indices : la bourse de Sao Paulo a retrouvé son très haut niveau d’il y a un an et la monnaie, le real, a reconquis toute sa vigueur face au dollar et à l’euro.

La rapide récupération du Brésil témoigne de la justesse de la stratégie adoptée par le gouvernement et axée sur le soutien du marché intérieur. Des réductions d’impôts en faveur de l’automobile et de l’électroménager ont maintenu les ventes dans ces deux secteurs industriels cruciaux.

La banque centrale a aidé les banques en difficulté, puisant dans ses grosses réserves – 200 milliards de dollars – pour irriguer le marché asséché. De grosses entreprises, comme le géant minier Vale, ont pris peur, en gelant leurs investissements, ce que le président Lula leur reproche aujourd’hui. Mais la confiance des consommateurs, elle, n’a guère été ébranlée : “L’économie a survécu grâce aux plus pauvres”, souligne Lula.

Russie. Bien plus touchée par la crise que les autres pays du BRIC (Brésil, Inde, Chine), la Russie connaît un semblant de reprise. Son PIB a augmenté, en glissement mensuel, de 0,4 % en juin et de 0,5 % en juillet.

Le ministre russe des finances, Alexeï Koudrine, se veut optimiste : le pays émergera “complètement” au troisième trimestre 2009. “Sur le long terme et pour de multiples raisons, la Russie restera dotée d’une solide croissance” qui lui permettra de se hisser “au sixième rang de l’économie mondiale”.

Après un essor économique sans précédent ces dix dernières années, la Fédération russe a subi la crise de plein fouet. Son PIB a chuté de 9,8 % au premier trimestre sur un an, et de 10,9 % au deuxième trimestre.

Cet atterrissage brutal s’explique par le modèle russe de croissance, axé sur les exportations de matières premières et le recours massif aux crédits étrangers. La crise a révélé l’échec des autorités à mettre en place des réformes structurelles au moment où l’Etat engrangeait les recettes de la vente du pétrole. Conscientes de ces faiblesses, les autorités russes ont plaidé ces derniers mois en faveur d’une diversification et d’une modernisation des infrastructures.

Ces bonnes résolutions risquent d’être vite oubliées. Le frémissement actuel de l’économie a une seule cause, la remontée des prix du pétrole, passés de 33 dollars en décembre 2008 à 70 dollars ces derniers mois. Quant au recours aux emprunts à l’étranger, il s’est tari, ce qui signe la fin de la consommation effrénée et des projets de développement. “Vingt années de tumultueux changements dans notre pays n’ont pas changé son humiliante dépendance aux matières premières. (…) A de rares exceptions près, nos entreprises ne créent pas les biens et la technologie nécessaires à la population”, a récemment souligné le président, Dmitri Medvedev.

Jean-Pierre Langellier (à Rio), Marie Jégo (à Moscou), Julien Bouissou (à New Delhi), et Brice Pedroletti (à Shanghaï)

10/08/2009 - 11:31h Pesquisa põe Brasil na liderança de otimismo na indústria

da BBC Brasil – FOLHA Online

Mais de duas em cada três empresas da indústria no Brasil estão otimistas com as perspectivas para os negócios nos próximo 12 meses, segundo um levantamento divulgado nesta segunda-feira pela consultoria KPMG.

O nível de otimismo no Brasil foi o maior expressado por empresários nos quatro países emergentes do chamado grupo Bric –Brasil, Rússia, Índia e China– e superou os percentuais observados em outra pesquisa da consultoria com empresas europeias.

Segundo a KPMG, 67,8% das empresas no Brasil expressaram otimismo em relação aos próximos 12 meses, contra 28,3% que esperam um panorama igual ao atual e 2,9% que esperam um panorama pior.

“Com os níveis de atividade indicando um aumento, as indústrias brasileiras estão planejando elevar seus níveis de empregados”, disseram os autores do levantamento.

“As previsões para gastos de capital e pesquisa e desenvolvimento também estão mais altos que na pesquisa feita no início do ano, porque o crescimento sólido nos lucros suporta níveis mais altos de investimento.”

Bric

A pesquisa ouviu 1,8 mil empresas nos quatro países dos Bric. Na Rússia, a expectativa de melhora nos próximos 12 meses ficou em 55,7% contra 6% de piora.

Na China os números foram semelhantes: 55,3% e 8,7%, respectivamente.

Já na Índia os empresários se mostraram mais cautelosos que no resto dos emergentes. Do total, 38,5% têm boas expectativas para os próximos 12 meses, contra 16% que esperam uma piora.

O diretor do braço da KPMG para mercados em crescimento acelerado, Ian Gomes, disse que o crescimento “robusto” dos Bric se baseará na demanda doméstica, o sucesso de medidas de estímulo adotadas pelos governos e sinais de estabilização da economia mundial.

“O crescimento mais rápido deve ser acompanhado por um repique nas pressões inflacionárias, à medida que a demanda por matérias-primas se acentua e as indústrias recuperam alguma capacidade de ditar preços”, afirmou.

Para ele, tais pressões devem ser “moderadas” em relação aos níveis elevados de 2008.

Europa

Em uma pesquisa separada, mas com temática e metodologia idêntica à realizada para os Bric, a KPMG consultou 3,7 mil empresas européias sobre suas expectativas em relação aos próximos 12 meses.

No continente como um todo, o percentual de empresas otimistas superou o das otimistas em 28 pontos. O Reino Unido (diferença de 54 pontos percentuais) e a Itália (49 pontos) lideraram a lista e foram os únicos que superaram a média européia.

Alemanha (diferença de 24 pontos), Áustria (22 pontos) e França (18 pontos) dão seqüência à lista.

Apenas na República Tcheca e na Grécia os empresários pessimistas ainda superam os otimistas.

O diretor da KPMG, Alan Buckle, disse que há muitas razões para um “retorno à confiança no coração industrial da Europa”, mas ressaltou que há razões para cautela.

“Antes de nos deixar ser levados pelos sinais de recuperação, não esqueçamos que ainda estamos firmemente inculcados perto do fundo do ciclo econômico. Apenas o Reino Unido expressa otimismo em relação a mais empregos, e ainda há sinais de redução no investimento”, afirmou.

“O fato de o otimismo estar muito menos em evidência quanto aos prospectos de aumento na renda nos diz que ainda há muito caminho na estrada da recuperação.”

15/06/2009 - 11:01h Emergentes vivenciam novo boom. Será exuberância irracional ou sinais de crescimento forte?

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Ming Uong/The New York Times

Há sinais de uma retomada econômica global, com pouca ajuda da Europa e dos EUA

Por VIKAS BAJAJ e KEITH BRADSHER   newyorktimes_folha2.gif

Mumbai, Índia
Investidores em Londres e Nova York têm testemunhado primeiros sinais de uma tênue retomada, mas seus colegas nos países em desenvolvimento dizem estar assistindo a uma recuperação plena.
Após uma queda esmagadora, os mercados de ações nos países emergentes navegam numa onda de otimismo de que a recuperação da economia global seja iminente e estaria sendo liderada pelo mundo em desenvolvimento, especialmente a China. Embora os mercados emergentes ainda estejam muito abaixo dos picos que alcançaram há mais de um ano, os investidores estão novamente vendo suas chances de crescimento como melhores que as de EUA ou Europa.
O resultado disso é que o índice acionário Nifty, da Índia, deu um salto de mais de 60% nos últimos três meses. O índice acionário chinês CSI 300, de Xangai e Shenzehen, e a brasileira Bovespa tiveram alta de cerca de 35% cada durante o mesmo período. Comparada com isso, a alta de cerca de 25% do índice Standard & Poor’s 500 parece modesta.
“Houve uma corrida para a porta de saída no quarto trimestre”, disse Gonzalo Pangaro, gerente de portfólio no Fundo de Ações de Mercados Emergentes T. Rowe Price. “O mercado está começando a perceber que, embora esses mercados enfrentem problemas, os problemas são administráveis.”
A produção industrial vem se recuperando na China, e o mesmo ocorre com as vendas de carros na Índia e o varejo no Brasil.
Pode tudo isso ser exuberância irracional? As avaliações atuais são extremamente fortes: os preços das ações no Nifty indiano e na Bovespa estão cerca de 20 vezes maiores que os rendimentos. No CSI 300, os preços estão 29 vezes maiores que os rendimentos (os analistas se guiam pelo axioma de que ações de uma empresa vendidas por cerca de 15 vezes os rendimentos são corretamente precificadas).
A visão otimista é que esses índices preço/rendimento altos refletem o retorno do interesse pelo risco nos mercados, algo que normalmente acompanha uma perspectiva mais positiva, e a crença de que esses países estariam preparados para retomar um crescimento econômico forte.
A visão cética diz que as economias teriam de saltar para índices de crescimento de dois algarismos para justificar essas avaliações e que isso só pode indicar a formação de uma bolha.
Os mercados emergentes normalmente apresentam oscilações maiores que os países desenvolvidos. Cada uma das grandes economias em desenvolvimento -os países Bric, ou seja, Brasil, Rússia, Índia e China- enfrenta fraquezas que podem prejudicar sua recuperação.
Os fluxos de exportações e investimento estrangeiro, cruciais para muitos países em desenvolvimento, continuam anêmicos. Os gastos governamentais vêm tomando parte do lugar deles, mas os déficits fiscais crescentes em países como a Índia podem limitar o que os governos podem fazer para estimular suas economias.
Por enquanto, fala-se pouco em cautela. Na Índia, o mercado acionário subiu ainda mais quando o governo saiu vitorioso das eleições nacionais, no mês passado.
Madhabi Puri-Buch, executiva-chefe da Icici Securities, em Mumbai, disse que a Índia tem condições melhores que outros países de superar a crise porque o consumo interno continua a crescer. As vendas da maior montadora de automóveis do país, por exemplo, a Maruti Suzuki, cresceram mais de 10% em maio. “Os conselhos de direção da maioria das empresas estão dizendo que precisamos traçar planos de crescimento futuro, e não tanto que deveríamos estar nos preparando para um inverno prolongado”, disse ela.
Outros analistas afirmam que os fundamentos da economia indiana não melhoraram suficientemente para justificar o grande crescimento.
Na China, a produção industrial começou a se recuperar, e as importações de commodities vêm aumentando. Mas a recuperação se concentra em setores domésticos que se beneficiam do programa de estímulo do governo. As exportações ainda sofrem dificuldades.
“Prevemos que a atividade manufatureira continue a se ampliar nos próximos meses, auxiliada pelos estímulos oferecidos pelo governo”, disse Jing Ulrich, diretor do JPMorgan Chase na China.
Mercados emergentes da Ásia oriental também dão sinais de recuperação. A economia de Taiwan, por exemplo, encolheu 10,2% no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado, mas a aproximação com a China continental elevou a confiança dos investidores.
Bancos centrais em toda a região têm mantido os juros baixos, e alguns, como o das Filipinas, têm reduzido os índices para contrabalançar as exportações fracas.
A Indonésia esteve protegida contra a recessão global por seu grande mercado doméstico e sua dependência limitada das exportações. E o país está se beneficiando do aumento da demanda internacional por seus recursos naturais.
No Brasil, prejudicado pela queda nos preços de commodities, a produção industrial tem crescido a cada mês desde janeiro, embora ainda esteja muito mais baixa que no período correspondente de 2008.
Apesar da recessão, o mercado acionário brasileiro vem subindo. “Quando houve pânico, os investidores fugiram para os EUA para comprar títulos do Tesouro”, comentou Alessandra Ribeiro, economista da consultoria Tendências. “Agora estão diversificando outra vez. O Brasil é claramente um dos escolhidos.”

Vikas Bajaj reportou desde Mumbai, e Keith Bradsher desde Dongguan, China. Colaborou Andrew Downie, em São Paulo

27/04/2009 - 11:18h Bric pressiona Fundo por mais poder de voto

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Bob Davis, The Wall Street Journal, de Washington – VALOR

A pressão do Brasil, Rússia, Índia e China para que o Fundo Monetário Internacional faça sua primeira emissão de títulos tornou-se parte de uma estratégia por parte dos países em desenvolvimento para ganhar mais poder de decisão no FMI.

Esses quatro países declararam-se dispostos a contribuir para quadruplicar os recursos do FMI, que chegariam a US$ 1 trilhão, sobretudo adquirindo títulos. Estes seriam denominados na quase-moeda do FMI, os chamados Direitos Especiais de Saque, com vencimento de cerca de um ano, e seriam vendidos apenas para os bancos centrais. Se os países do Bric conseguirem o que desejam, os títulos também poderão ser vendidos em mercados secundários, para ficarem mais líquidos.

A proposta de compra dos títulos se destina a enviar uma mensagem dupla, disse Eswar Prasad, ex-autoridade do FMI que continua em contato constante com os representantes chineses e indianos. Os países do Bric estão dispostos a contribuir com o FMI, mas “não querem se comprometer a contribuir com mais dinheiro antes de conseguir mais” poder de voto no Fundo, disse Prasad.

Os direitos de voto e a emissão de títulos do FMI são questões que estiveram no alto da pauta das reuniões do órgão, que também discutiu o estado da economia global e o apoio a ser oferecido a países de baixa renda.

Em declaração feita no sábado ao principal comitê consultor do FMI, o ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, disse que o FMI “ainda tem que tratar do seu pecado original: o seu déficit de democracia”. O ministro da Fazenda egípcio, Youssef Boutros-Ghali, presidente do conselho desse grupo consultivo, disse ao Wall Street Journal que deseja obter o envolvimento dos líderes nacionais para reformar o sistema de votação do FMI. A cota de cada país nas votações do FMI supostamente reflete, de modo geral, o poder econômico global do país mas, no momento, concede um peso muito maior àqueles que se tornaram poderosos depois da Segunda Guerra Mundial.

Em março de 2008 o FMI anunciou que a participação dos países emergentes aumentaria em apenas 5,4 pontos percentuais. Agora o FMI se comprometeu a reexaminar a questão em 2011; mas os países do Bric acreditam que a necessidade que o Fundo tem de maiores aportes lhes dá mais poder de fogo.

07/04/2009 - 10:05h “Fico muito impressionado com Lula e sua equipe”

”Quanto maior a crise, mais creio nos Brics”

Economista-chefe do Goldman Sachs, que criou o termo Brics, diz que emergentes podem ser potências até 2027

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Luciana Xavier e Daniela Milanese – O Estado SP

 


Se alguém acreditava que o sonho dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) estava ameaçado pela atual crise global, a resposta dada pelo criador do termo, Jim O’Neill, economista-chefe do Goldman Sachs, é “não”. “Quanto mais a crise avança, mais confiante fico em relação aos Brics”, disse O’Neill, por telefone, de Londres, em entrevista exclusiva ao AE Broadcast Ao Vivo. O termo Bric foi criado em 2001 para designar as principais economias emergentes do mundo, que poderiam ser potências até 2050. Esse prazo já havia sido encurtado por ele para 2035. Agora, O’Neill crê que a virada pode chegar em 2027.

Os Brics foram afetados pela crise. Mas o sr. escreveu um artigo para a revista ‘Newsweek’ dizendo que o sonho dos Brics não acabou e que, com a crise, a virada pode vir mais cedo. Como?

Há duas razões para isso. Se você olhar como a economia dos Brics tem se comportado na corrida até esta crise, com exceção do Brasil, todos cresceram mais forte nos últimos sete anos e meio do que havíamos previsto. Foi muito mais do que nossas conservadoras suposições. A segunda razão é que a crise diz respeito ao fim da alavancagem do consumo americano e da necessidade de alguém ocupar esse lugar no mundo. Quanto mais a crise avança, mais confiante fico de que alguém vai despontar dos Brics, em particular a China. É só pensar nas respostas que a China tem dado à crise.Entre outras coisas, a China fala em dar um grande passo em direção à reforma de seguro social. Se o fizer, isso levará à aceleração maior do consumo.

A China poderá ser tão poderosa quanto os Estados Unidos?

A China poderá ultrapassar os EUA por volta de 2027. Claro que não dá para pensar que isso vai ocorrer muito mais cedo, pois no fim do dia a economia americana ainda é mais de três vezes maior do que a da China. A China responde por cerca de 7% do PIB mundial enquanto os EUA, 25%. Mas a China já é maior do que a Alemanha e provavelmente nos próximos dois anos deve ser maior do que o Japão. E acho que ao longo da próxima década, dados os progressos na Índia e no Brasil, acho que ambos estarão em posição de desafiar as pequenas, mas importantes, economias da Europa que fazem parte do G-7 como Itália, França e até Alemanha e Reino Unido.

O sr. acredita que o Brasil terá recessão este ano?

Como o 4º trimestre (de 2008) foi muito ruim, o Brasil vai, tecnicamente, mostrar recessão com PIB em zero ou levemente negativo no 1º trimestre. Mas depois deve ter desempenho melhor. Não acho que terminará o ano em recessão.

O que o sr. achou da iniciativa do Brasil de emprestar dinheiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI), como prometeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encontro do G-20?

Por que não? Acho que é algo muito bom. Mostra o comprometimento do Brasil com as reformas do Fundo. O Brasil parece ávido em mostrar esforço. Acho que é um gesto muito importante e toda vez que vejo o Brasil envolvido em ações desse tipo, fico muito impressionado com Lula e sua equipe. É algo muito inteligente a se fazer.

No ano passado, o sr. disse que os Brics guiariam o mundo para o fim da crise. O sr. ainda crê nisso?

Acho que, pelo fato de a crise ser muito severa, precisamos de uma combinação das duas coisas. A China precisa continuar a ter desempenho melhor que os demais Brics. Mas precisamos que a severidade da crise nos EUA tenha um fim.

13/02/2009 - 16:15h Índia está na moda

Empieza a estarlo, al menos, en el arte contemporáneo.

Ayer se inauguró ARCO, la ya tradicional feria de arte contemporáneo de Madrid, que tiene este año como país invitado precisamente a la India.

En el apartado llamado inconfundiblemente Panorama India un centenar de artistas de ese país exhibe por primera vez en Europa parte de su obra a través de 13 galerías curadas por Bose Krishnamashari.

Si hace unos años, fue tiempo de China, los comienzos de este nuevo siglo parecen conjugarse con las obras que proceden de Bombay y Nueva Delhi.

Así lo expresa Subodh Gupta (Khagaul, Bihar, 1964), artista estrella de ARCO 09, en una entrevista con la periodista española Fietta Jarke: “En los últimos cinco años ha aumentado la actividad del arte contemporáneo en la India, y en los últimos dos años parece haberse disparado hacia el exterior. Después del auge del arte chino, los ojos están ahora en India. Están pasando muchas cosas. Han surgido artistas muy interesantes, especialmente en Delhi y Bombay, también en Bangalore y Baroda, la llamada Escuela de Baroda. Es un país enorme, aunque no se ha empezado a cultivar el arte al estilo occidental hasta hace poco tiempo. En comparación con Europa y América, somos muy pocos, apenas un centenar. Y por eso nos conocemos casi todos. En ese sentido, India aún tiene que ir muy lejos (…) Suceden cosas muy extremas en la India y muchos de los artistas las reflejan en sus obras. En lo político también hay mucha tensión con lo que sucede en Pakistán, en el golfo Pérsico o en Oriente Próximo.

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Very hungry god (2006), Subodh Gupta

Yo no hago arte político, aunque subconscientemente tampoco puedo evitarlo. Se filtra en mi obra y en la de muchos otros artistas indios. Estamos conectados a las noticias y a Internet todo el tiempo. Toda la elección de Obama se vivió con tanta o más intensidad y entusiasmo en India y en otros países que en EE UU. Hasta mi hijo pequeño se alegró. ¿Qué está pasando? Así es que debo decir que existe mucho interés en el mundo por el momento presente en el mundo. Es una época para trabajar duro y no quedarse atrás”.

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Perspectivas de Booth B20, Instalación

Más sobre ARCO 09 aquí.

Cruzando de modalidad expresiva, otro síntoma de India y su apogeo en el arte contemporáneo es la película Slumdog Millionaire dirigida por Danny Boyle -el mismo director de Transpoiting- que narra la historia de un chico indú que creció en la calle y que a golpe de puro conocimiento empírico contesta las complicadas preguntas de un programa de tevé para convertirse en millonario y lo consigue cuando nunca nadie antes lo había conseguido.

La peli, nominada al Oscar como mejor película, es de realización independiente y generó gran revuelo en India. Artistas de aquél país se quejan porque consideran que Boyle pinta la pobreza con la frivolidad del color local de un extranjero; otros consideran que es una gran ayuda para desnudar que en India no sólo hay vacas sagradas, spas Oshas, playas exóticas tipo Goa y madres Teresas ayudando a los desvalidos.

Aquí el trailer:

Civilización & Barbarie

28/11/2008 - 07:48h Our retail therapy is in China, India and Germany

http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/foto/0,,12100483,00.jpg

By Jim O’Neill – Financial Times

Published: November 27 2008 18:59 | Last updated: November 27 2008 18:59

For much of the past three years, as it became evident that the US housing bubble was bursting, I believed that the old adage “the US catches a cold, the world catches pneumonia” would be laid to rest, helped by the emergence of the so-called Brics – Brazil, Russia, India, China.

Until September and the collapse of Lehman Brothers, the US investment bank, this was still a reasonable model for the evolving world. However, since mid-September maybe the real question has – unfortunately – become: “What happens if the US itself has caught pneumonia?”

At the heart of this is the dramatic tightening of US financial conditions that took place from mid-September until recently. For the over-levered US consumer, coming on top of declining housing values, the era of buoyancy is almost definitely over.

At its 2007 peak, US domestic consumption reached as much as 72 per cent of the country’s overall gross domestic product, which is more than 20 per cent of global GDP. Not bad for a population of some 300m people, out of more than 6bn globally. By the end of 2008, consumption will be back below 70 per cent and will probably be on its way down to something around 65 per cent or less in a few years. How can the world cope?

The answer is that unless Chinese, German and Indian shoppers start spending more freely, it will not.

Aggressive infrastructure-based fiscal expansion in the US from the incoming administration will help the country recover and rebuild but, as with the UK, there has to be a chance that any direct stimulus for the indebted US consumer will be saved, not spent. Indeed, it is no bad thing that domestic private savings will be rebuilt. Among other things it means the US will not need to keep gobbling up the world’s savings.

To avoid global pneumonia, what we need is shopping in Berlin, Frankfurt, Beijing, Shanghai, Delhi and Mumbai. Here is how to do it.

China looks like it does not need too much guidance judging by the media focus on its $586bn (€453bn, £380bn) “stimulus” package. China has to regard export strength, especially low-valued exports, as a thing of the past. This will involve some redeployment of people, which in some regions could be quite challenging. But boosting domestic spending, especially for consumption and investment, is vital.

Such spending should feed through to renewed import growth, so China can help offset the end of import growth in the US. Of course, annual retail sales growth as measured by October’s numbers was a strong 22 per cent but, until consumption represents a bigger share of GDP, the government should seek to increase this further. Noises about the potential development of a proper nationwide social security system are encouraging; this is vital to reduce China’s huge savings rate.

As for India, its demographic dividend makes it arguably the most interesting of the Brics in the next decade. According to the United Nations, by 2020, India’s population could grow by as much as the current size of the US. If Indian policymakers can boost infrastructure spending, the escalating urbanisation that will accompany this could unleash massive consumption. Indian policymakers should stop worrying about the May 2009 election and introduce steps now to allow more foreign capital to help the financial sector fulfil these exciting prospects. Among other things it would diminish fears about India’s external financing challenges also.

It is not just India and China that could help. Germany and its policymakers should take a long, hard look in the mirror. At 85m, Germany’s population is equivalent to more than a quarter of that of the US. It needs to make a contribution to world consumption in a similar ratio, relative to that of the US consumer.

Next year is the 20th anniversary of the fall of the Berlin Wall. German consumption has barely budged since then. Why not celebrate by giving its people a surge in consumer spending? Raise real wages and cut value added tax: Germany owes it to itself and the world after such a long period of adjustment to both unification and European monetary union. It certainly needs to, as the export machine is set to struggle.

Who knows, if Germany “gets it” maybe even Japan might then consider change. Then we would know the world really was being turned upside down.

The writer is chief economist at Goldman Sachs

27/11/2008 - 08:54h Queda do consumo de aço na China provoca calafrios globais

http://www.bloomberg.com/apps/data?pid=avimage&iid=iuy3Za0hzJd4

Andrew Batson, The Wall Street Journal – VALOR

A indústria chinesa do aço, que na fase de alta dos últimos anos se tornou a maior do mundo, enfrenta agora um longo e tenebroso inverno.

A demanda está caindo tanto no mercado doméstico quanto no externo. As exportações de aço do país, que vinham aumentando a um ritmo extraordinário de 60% ao ano, estão em queda. O declínio das exportações chinesas de aparelhos domésticos e maquinário reduziu a demanda pelo aço. O esfriamento no mercado imobiliário levou a uma forte queda na construção, deprimindo ainda mais a demanda de aço.

A atual baixa na siderurgia chinesa é a mais acentuada e mais profunda em pelo menos uma década, com uma queda de 17% na produção em outubro. Alguns executivos acreditam que os bons tempos do setor nunca mais vai voltar.

“Acreditamos que a época de altos lucros para as produtoras de aço já chegou ao fim”, disse Yang Siming, presidente do conselho da Nanjing Iron & Steel Group, uma siderúrgica de tamanho médio.

Com o rápido crescimento da indústria do aço no país nos últimos anos – hoje ela é cinco vezes maior do que na última contração do mercado e produz mais de um terço do aço consumido no mundo – a atual queda está causando impacto no país e no mundo.

A tendência ainda pode se inverter, claro, se a economia chinesa recuperar o recente furor. O governo está tomando medidas nesse sentido. Além de um enorme pacote de estímulo anunciado este mês, ontem o banco central chinês cortou juros, em mais uma tentativa de estimular a economia.

Mas o fim do túnel ainda parece longe, para desespero de grandes mineradoras como a Companhia Vale do Rio Doce, a BHP Billiton Plc. e a Rio Tinto Plc. Elas foram prejudicadas pelo colapso na demanda chinesa por minério de ferro e outros minerais utilizados na fabricação do aço. Produtores de carvão, que é consumido em grandes quantidades na indústria siderúrgica, também perderam um grande mercado com o esfriamento chinês. Com o declínio nos preços e fraqueza na demanda, a BHP está se concentrando agora em preservar suas finanças. Na terça-feira, a empresa abandonou sua proposta de comprar a Rio Tinto.

A queda na demanda também obrigou os fabricantes de aço de outros países asiáticos a cortar a produção e baixar os preços.

A japonesa Nippon Steel Corp., maior produtora mundial de aço depois da ArcelorMittal e dona de 24% da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais SA (Usiminas), informou que aumentará os cortes na produção de 1 milhão para mais de 2 milhões de toneladas no segundo semestre fiscal que termina em março e não exclui a possibilidade de mais cortes no futuro.

A China Steel Corp., de Taiwan, informou que no primeiro trimestre de 2009 vai cortar os preços dos produtos de aço numa média de 22,56% para o mercado doméstico, que consome 75% de sua produção. Trata-se do primeiro corte em quase três anos. Essa medida se segue a onze trimestres consecutivos de alta de preços.

A China Steel também informa que sua produção em 2008 deve ficar cerca de 10% abaixo do patamar do ano passado, de 10,2 toneladas. A empresa também comunicou que no primeiro trimestre planeja fechar uma de suas fornalhas para manutenção, o que significa outro corte de 25% na produção.

Na Índia, os preços do aço baixaram em cerca de um terço desde julho, e caíram pela metade desde o início do ano.

As fábricas de aço indianas, incluindo a estatal Steel Authority of India, cortaram os preços entre 15% e 20% este mês, e muitos analistas acreditam que haverá outros cortes em breve.

Enquanto isso, as importações de aço em outubro diminuíram em um terço em relação ao mês anterior, segundo dados do governo indiano. Analistas dizem que o aço importado ainda é 5% a 10 % mais barato, em vista da queda nos preços do aço chinês.

A atual baixa também significa menos negócios para os portos, ferrovias e empresas marítimas que transportam commodities como carvão e minério de ferro. O Índice Báltico de Cargas Secas, ou Baltic Dry, que mede o preço do transporte marítimo de produtos a granel, já caiu mais de 90% em relação a junho deste ano, em grande parte devido à expectativa de menor demanda na China.

Uma retração na indústria do aço poderia ajudar a mudar o perfil da economia chinesa, que nos últimos anos tem se concentrado em indústrias pesadas, grandes consumidoras de energia. A expansão da produção de aço foi a base para a transformação da China em um gigante industrial, mas também contribuiu muito para o explosivo aumento no consumo de carvão e petróleo no país e suas emissões de poluentes e gases de efeito estufa. Uma indústria do aço de menor envergadura poderia significar uma China mais limpa, mais eficiente e que exerça menos pressão sobre os recursos mundiais.

“Se o crescimento da produção do aço se reduzir, conforme a tendências recente, para menos de 10%, e houver uma saudável consolidação do setor, até 2012 a China terá economizado mais de um bilhão de toneladas de carvão, fazendo um corte do tamanho da França no seu total anual de emissões de dióxido de carbono”, disse Trevor Houser, analista de energia do Rhodium Group.

(Colaboraram Yuzo Yamaguchi, Alex Pevzner, Arpan Mukherjee e Miho Inada)

24/01/2008 - 09:50h China já sente o baque do aperto americano


Xangai

Joe McDonald VALOR

A Oyimay Sofa Co. já está sentindo o drama do desaquecimento econômico americano. Os pedidos recebidos de nervosos varejistas americanos, que adquirem quase 66% da produção da Oyimay, registram queda de 10%, neste mês, em comparação com o mesmo período no ano anterior, disse Zhou Feng, gerente geral da companhia. Ele disse que a Oyimay, que opera com mil funcionários, faz de tudo a seu alcance para recuperar-se, passando a produzir novos modelos mais atraentes e lucrativos, mas acredita que contabilizará quedas em seus lucros neste ano. “Já sentimos os reflexos do aperto na economia americana”, disse Zhou.
(mais…)

24/09/2007 - 12:29h Clinton Global iniciative: Huge effort urged on global warming


By Chrystia Freeland and Edward Luce in New York

The US needs to unleash “the greatest concentration of economic activity since we mobilised for World War II” by embracing new energy technology and regulatory incentives to tackle global warming, according to former US president Bill Clinton.

Speaking to the Financial Times on the eve of the Clinton Global Initiative – the annual New York conference of the ex-president’s global business philanthropy group – Mr Clinton strongly disputed the view that tackling climate change would reduce economic growth.

He contradicted a recent United Nations report that said tackling global warming would involve a sacrifice in economic growth. Mr Clinton also sided with China and India, which he said could not fairly be expected to cut their carbon emissions un-less wealthy countries such as the US first took the lead.

Later this week, George W. Bush is to host a Washington summit on global warming, which will include the leaders of India and China. The CGI is also focusing on climate change in addition to global health, education and poverty alleviation. Mr Clinton will host his first Asian CGI – in Hong Kong – next year.

“There’s way more economic opportunity than cost here, and I think unless we take the lead in the United States, we’ll never get the Indians and the Chinese to do it,” said Mr Clinton.

“But we will never be able to persuade them of that until we put our money where our mouth is . . . There’s money in this. This is economically smart.”

Citing a recent CGI initiative in which Mr Clinton persuaded five banks to stump up $5bn (€3.5bn, £2.5bn) to refit urban buildings that would be paid back by utility savings over time, Mr Clinton said the US should move rapidly to upgrade its regulatory targets to improve energy efficiency.

He cited the UK and Denmark as having created new jobs through new technology investments that had enabled them to avoid the stagnation in median wages that had affected America’s middle classes since 2000.

“In this decade, the UK has had rising median incomes and no increase in inequality because they’ve found a source of new jobs.”

He said Europe’s better focus on energy efficiency explained why it had created 13m new jobs between 2000 and 2005 compared with 8m in the US. More in Financial Times

21/06/2007 - 16:07h OMC : le Brésil et l’Inde rompent les négociations avec les Etats-Unis et l’UE

AP/BULLIT MARQUEZ

Le ministre du commerce indien Kamal Nath (à gauche) et le ministre des affaires étrangères brésilien Celso Amorim, le 14 décembre 2005.

Les délégations du Brésil et de l’Inde ont décidé, jeudi 21 juin, de se retirer des négociations sur la libéralisation du commerce, organisées dans le cadre de l’Organisation mondiale du commerce (OMC) avec les Etats-Unis et l’Union européenne à Potsdam, en Allemagne, jugeant “inutile” de poursuivre les discussions. Cette réunion, qui avait commencé mardi, aurait dû se poursuivre jusqu’à samedi. Elle avait pour principal but de parvenir à un accord de principe sur plusieurs questions épineuses, qui pourrait ensuite être étendu à l’ensemble des 150 pays membres de l’OMC.

Celso Amorim, ministre des affaires étrangères brésilien, et Kamal Nath, ministre du commerce indien, ont décidé de rompre prématurément les négociations “compte tenu de ce qui est sur la table”, selon M. Amorim. Il a précisé que l’agriculture, principal désaccord du cycle de négociations de Doha lancées en 2001, avait été à l’origine de l’échec de cette rencontre, qui réunissait le commissaire européen au commerce, Peter Mandelson, et la représentante américaine pour le commerce, Susan Schwab. Suite…

06/06/2007 - 15:04h Brasil vê etanol como rota rápida para virar potência

A avaliação é de reportagem do jornal americano The Christian Science Monitor

 

LONDRES – O Brasil espera que o etanol ajude a acelerar sua lenta ascensão como potência econômica, diz reportagem na edição desta quarta-feira, 6, do jornal americano The Christian Science Monitor.

“Ao sobrevoar o coração do Brasil, uma vasta savana, conhecida aqui como cerrado, pode-se confundir o cenário com Iowa, Kansas, ou praticamente qualquer lugar no cinturão agrícola dos Estados Unidos”, diz a repórter Sara Miller Llana.

Segundo ela, “até fazendeiros americanos chegaram para se unir ao boom que, nos últimos anos, posicionou o Brasil para superar os Estados Unidos como a superpotência agrícola do mundo”.

“No ano passado, o Brasil suplantou os Estados Unidos como maior exportador de soja. A isso se seguiu ter chegado ao primeiro lugar na exportação de carne bovina em 2004. E agora que o alto preço do petróleo e preocupação com mudanças climáticas despertaram uma demanda global por combustíveis alternativos, o Brasil tem o objetivo de dobrar sua produção de cana-de-açúcar para etanol na próxima década”, afirma.

A reportagem diz que a importância do Brasil foi demonstrada esta semana durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia, “onde os dois países anunciaram planos de quadruplicar o comércio (bilateral) para US$ 10 bilhões até 2010 e estimular o uso de biocombustíveis pela Índia”.

“As duas potências econômicas em emergência também têm o objetivo de fortalecer a cooperação como vozes vigorosas do mundo em desenvolvimento antes de iniciarem as conversações do G-8 na Alemanha nesta semana”, acrescenta. Leia mais aqui, no Portal do jornal O Estado de São Paulo

06/06/2007 - 14:54h Participação no G8 é grande aposta de Lula

Lula cumprimenta o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh

KENNEDY ALENCAR

Colunista da Folha Online, em Nova Déli

As viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia e à Alemanha são das mais importantes desde que o petista chegou ao poder. Ambas simbolizam momentos cruciais e finais de uma grande aposta de Lula na política externa: articular países em desenvolvimento que pouco se falavam para que tivessem voz unida perante as nações mais industrializadas, defendendo uma agenda que foge ao tradicional figurino de pobres que pedem favor aos ricos.

Lula construiu uma sólida parceria política com a Índia com o objetivo de defender três temas na reunião do G-8 (grupo dos sete países mais ricos e a Rússia) nesta semana, na Alemanha.

São eles: criação de um mercado mundial de etanol, queda de subsídios agrícolas na rodada Doha e instituição de um mecanismo que compense os países em desenvolvimento e mais pobres que reduzam o desmatamento e, portanto, combatam o efeito estufa.

“Nessa viagem, vou falar de etanol o tempo inteiro”, dizia Lula ainda no Brasil. É o que tem feito. Hoje não existe um mercado mundial de etanol, com transporte planetário regular e estoques que garantam suprimento em escala global. Ou seja, não é uma “commodity”, um produto que possa ser negociado facilmente no mundo todo. Exemplos de “commodities”: café, barril de petróleo, minério de ferro. Leia mais…

03/06/2007 - 16:10h Lula articula aliança com a Índia para pressionar o G8

Brasil prega criação de mercado mundial de álcool e queda de subsídios agrícolas

Terceiro ponto é compensar países pobres por desmatar menos; petista quer que discurso agrade opinião pública dos países ricos

KENNEDY ALENCAR
ENVIADO ESPECIAL A NOVA DÉLI (ÍNDIA)

O principal objetivo da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia é articular uma aliança para defesa de três temas na reunião do G8 (grupo dos sete países mais ricos mais a Rússia), que será realizada de quarta a sexta na Alemanha.

Os três pontos são: criação de um mercado mundial de álcool, queda de subsídios agrícolas na Rodada Doha e criação de um mecanismo que compense os países em desenvolvimento e mais pobres que reduzam o desmatamento.

Lula chega hoje a Nova Déli, capital indiana. À noite, terá jantar com o premiê indiano, Manmohan Singh. O brasileiro tentará fechar a aliança; o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) preparou acertos bilaterais em abril.

Em conversa reservada, na semana passada, Lula teria dito que “nessa viagem, vou falar de etanol o tempo inteiro”. Hoje não existe um mercado mundial de álcool, com transporte planetário regular e estoques que garantam suprimento em escala global. Leia mais aqui na Folha de São Paulo (para assinantes)

17/05/2007 - 11:35h L’éducation sexuelle doit être une priorité du gouvernement indien

La condition féminine dans le monde

Femmes d’ailleurs por Anne Collet de Courrier International

Le débat sur l’éducation sexuelle surtout celle des filles fait rage en Inde. D’un côté le gouvernement central et certains éducateurs qui aimeraient faire baisser les chiffres du sida et de l’autre, les nombreux conservateurs qui estiment que cela corrompt les jeunes esprits. Pour rappel, l’Inde a le plus grand nombre de cas de sida au monde. 5,7 millions de personnes en sont atteintes. Selon certains experts, au rythme actuel, ce chiffre pourrait atteindre 20 millions en 2010.

“C’est la raison pour laquelle le gouvernement doit prendre des mesures de façon urgente”, souligne le quotidien national Hindustan Times. Et l’une de ces mesures passent par l’éducation sexuelle de jeunes. Certains Etats, parmi lesquels le Gujarat et le Madhya Pradesh l’ont interdit dans leurs écoles publiques. Et si les écoles privées continuent à dispenser des cours c’est en édulcorant les propos afin d’éviter toute controverse. Au Kérala et au Kanataka deux des Etats les plus évolués où le taux d’illéttrisme est le plus bas d’Inde, les gouvernements sont en train de réfléchir à une interdiction.

L’ignorance au pays du Kama Sutra où certains temples sont ornés de sculptures érotiques explicites, est très répandue, les mères ne parlent pas à leurs filles et la reproduction dans les cours de biologie n’est jamais abordée. Mais pour les parents qui élèvent des enfants dans cette Inde qui se modernise à grands pas, l’éducation sexuelle est peut être une question de vie ou de mort. Selon un sondage récent publié par le quotidien, une Indienne sur quatre âgée de 18 à 30 ans, a eu des relations sexuelles avant le mariage. Pour les conservateurs ce chiffre est la preuve que la société indienne est menacée par la décadence occidentale.