27/11/2008 - 10:12h Não dá para sorrir, meu bem…

Evasão e repetência crescem em toda SP

Estudo mostra que índices de não-aprovação aumentaram em todas as áreas das 31 subprefeituras, no ensino médio e no fundamental

Situação é mais grave no ensino médio, em que 11 regiões mais do que dobraram as taxas de não-aprovação; na Sé, piora foi 162%

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TALITA BEDINELLI COLABORAÇÃO PARA A FOLHA -EVANDRO SPINELLI DA REPORTAGEM LOCAL

Levando-se em conta a divisão administrativa de São Paulo, a reprovação e a evasão de alunos cresceram em todas as 31 áreas de subprefeituras, tanto no ensino fundamental como no médio. Os dados abrangem escolas públicas -inclusive federais- e privadas.

Estudo da Comissão Municipal de Direitos Humanos divulgado ontem, com base nos Censos Escolares de 2005 e 2006, mostra que, em algumas regiões de subprefeituras, o índice de não-aprovação (reprovações mais evasões) mais do que dobrou no período. No fundamental, a situação é mais grave na região de M’Boi Mirim, cuja piora foi de 131%; no médio, a campeã é a Sé, com 162%.

A situação é pior no ensino médio: 11 subprefeituras mais do que dobraram as taxas de não-aprovação. Na Sé, 33% dos alunos não foram aprovados em 2006, ante 12% em 2005.

Houve piora também em áreas nobres da cidade. A região da subprefeitura de Pinheiros, que engloba os distritos Alto de Pinheiros, Itaim Bibi, Jardim Paulista e Pinheiros, está entre os que mais pioraram a reprovação e a evasão no ensino médio: em 2005, 12% não foram aprovados; em 2006, a taxa aumentou para 26%.

A evasão escolar e a repetência foram os fatores que mais impediram a melhoria dos direitos humanos na cidade, segundo o estudo. Dos 32 indicadores analisados, foi o único que piorou em todas as regiões.

Os dados chamam a atenção por causa da adoção da progressão continuada na rede pública -reprovação apenas no final dos ensinos fundamental e médio. Para o professor da Faculdade de Educação da USP César Minto, a evasão pode estar contribuindo para a piora.

Para o presidente do Sieeesp (sindicato das escolas particulares de São Paulo), José Augusto Lourenço, as escolas públicas foram as responsáveis pela piora nas taxas. Segundo ele, na rede privada os índices permaneceram estáveis.

“Na escola particular há recuperação fora dos horários de aula. O problema da rede pública é que esse trabalho não é feito”, ressalta.

A Secretaria Estadual de Educação disse que não podia comentar os dados, porque eles não estavam separados por rede de ensino e somavam evasão e repetência. A Secretaria Municipal de Educação, procurada no início da tarde, não se manifestou sobre o assunto até a conclusão desta edição.

21/11/2008 - 12:35h Previdência registra redução de 17,6% no déficit em 2008

VALOR

O Regime Geral da Previdência Social (RGPS) apresentou em outubro, segundo dados divulgados pelo governo, o menor déficit dos últimos dois anos: R$ 1,909 bilhão. Esse resultado é decorrente de receitas de R$ 13,475 bilhões e despesas de R$ 15,384 bilhões. Considerando o período janeiro-outubro, o déficit nominal acumulado é de R$ 33,719 bilhões, com arrecadação de R$ 126,831 bilhões e pagamentos de R$ 160,551 bilhões.

Nos primeiros dez meses do ano, a arrecadação líquida da Previdência foi 9,4% maior que a do mesmo período em 2007. Por outro lado, as despesas com benefícios previdenciários elevaram-se 2,4% no mesmo período.

O secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer, manteve a previsão de que 2008 será encerrado com o menor déficit dos últimos anos: R$ 38 bilhões. Em 2007, a Previdência registrou resultado negativo de R$ 46 bilhões. Na avaliação do secretário, o bom desempenho do mercado de trabalho, com criação recorde de empregos formais (mais de 2,1 milhões no ano até outubro), vem elevando a arrecadação das contribuições previdenciárias.

O déficit da Previdência Social, entre janeiro e outubro, foi 17,6% menor que o verificado no mesmo período de 2007. “Podemos olhar com tranqüilidade o fechamento do ano, pois os indicadores que temos são de que a Previdência não terá dificuldades em 2008″, afirmou Schwarzer.

A arrecadação líquida da Previdência Social no mês de outubro foi de R$ 13,475 bilhões, a segunda maior da série histórica. Na comparação com outubro de 2007, o crescimento foi de 7,3%. Schwarzer procurou ressaltar o superávit de R$ 733 milhões registrado em outubro no setor urbano. Ele explicou que a queda do déficit e o registro de superávits nesse setor nos últimos anos é uma tendência que deve ser mantida.

Na análise de todos os benefícios previdenciários concedidos em outubro, o Regime Geral da Previdência Social mostrou aumento de 2,4% sobre o mesmo mês do ano passado. Na comparação com setembro, houve queda de 1,7%. Em outubro, foram concedidos 195,6 mil auxílios-doença, o que mostra aumento de 5,16% sobre a concessão desse tipo de benefício em igual período de 2007.

Em outubro, os benefícios previdenciários alcançaram a marca de 25,982 milhões no estoque, o que representa crescimento de 3,5% sobre o mesmo mês do ano passado. A quantidade de auxílios-doença acumulada até o mês passado chegou a 1,370 milhão de unidades. (AG)

19/09/2008 - 11:27h Pnad: Aumenta o acesso a bens de consumo

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Aumenta o acesso a bens de consumo

Itens como computador, telefone, televisão e geladeira estão mais presentes nos domicílios de baixa renda

Jacqueline Farid, O Estado SP

O número de domicílios com acesso a computador e internet deu um novo salto em 2007, ano em que os brasileiros, especialmente os de renda mais baixa, também aumentaram o suprimento doméstico de bens de consumo duráveis. Segundo a Pnad, no ano passado, 20,4% dos domicílios do País, ou 11,4 milhões, tinham acesso à internet - crescimento de 23% em relação ao ano anterior.

Em um número ainda maior de domicílios - 15 milhões, ou 27% do total - havia computador - aumento de 24% em comparação a 2006. Embora ainda seja pequena a parcela da população conectada à rede da informatização, levando-se em conta os últimos sete anos, os indicadores relativos aos serviços de informação na Pnad dispararam.

O porcentual de domicílios com acesso à internet passou de 8,6% em 2001 para 17,1% em 2006 e 20,4% em 2007, acompanhando um aumento forte no acesso ao computador: 12,6% em 2001; 22,4% em 2006, e 27% em 2007.

Os brasileiros também ampliaram ainda mais o acesso à telefonia no ano passado, continuando a expansão na aquisição de aparelhos celulares. O número de domicílios com telefone móvel foi 2,8 milhões a mais do que no ano anterior, quando 27,7% tinham apenas celular.

O porcentual de domicílios que tinham apenas telefone móvel alcançou 17,8 milhões, ou 31,6% do total das residências pesquisadas. No que diz respeito aos domicílios com algum aparelho de telefone, de qualquer tipo, houve acréscimo de 2,7 milhões de 2006 para 2007. Assim, os domicílios com telefone passaram de 74,5% do total para 77%, mas o principal avanço deveu-se, realmente, à ampliação da telefonia móvel.

A Pnad mostra também que a quantidade de domicílios com apenas telefone fixo convencional caiu 11,8% de 2006 para 2007, mas houve acréscimo nos domicílios com os dois tipos de telefone (3,7%).

ACESSO

A posse de bens duráveis, como fogão, televisão e geladeira, aumentou mais para os domicílios de baixa renda entre 2004 e 2007. O porcentual de residências com fogão no País aumentou de 97,5% para 98,1% no período, ou 0,6 ponto porcentual mas, para os domicílios com renda até três salários, a fatia passou de 95,6% para 97,0%, com acréscimo de 1,4 ponto.

No caso do acesso a geladeira, enquanto para todas as rendas o porcentual chegou a 90,8% dos domicílios em 2007 - avanço de 3,4 ponto em comparação a 2004 -, no caso dos domicílios com renda até três salários o porcentual com esse bem de consumo passou de 77,5% para 84,4%, alta de 7,2 ponto.

Situação similar ocorreu com os televisores: de 90,3% para 94,5% (4,2 ponto), no caso do total das rendas e de 83,2% para 90,9%, ou 7,7 ponto. O gerente da coordenação de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, comentou que o aumento do trabalho com carteira assinada e a alta no rendimento levaram a população de renda mais baixa a ter acesso a crédito farto, o que vem impulsionando a economia desde o ano passado. Desse modo, houve maior aquisição de bens de consumo duráveis.

Os dados da Pnad corroboram o aumento, já constatado nas pesquisas que acompanham o movimento do comércio, da demanda por esses bens. Esse segmento liderou um forte crescimento nas vendas varejistas, principalmente de móveis e eletrodomésticos, em 2007, que aumentaram 15,4% em relação ao ano anterior.

A pesquisa mostra que, no que diz respeito aos domicílios com renda acima de 10 salários mínimos, há uma quase universalização no acesso ao fogão (98,0%), televisão (99,7%) e geladeira (99,5%).

Ainda de acordo com os dados da Pnad, o consumo domiciliar aumentou significativamente nos últimos 15 anos. Em 1992, a pesquisa apontava que em 94,8% dos domicílios havia fogão; em 2007, já eram 98,2%. Houve aumento expressivo também nos domicílios com geladeira, de 71,5% em 1992 para 91,4% em 2007. No mesmo período, houve altas ainda na posse de máquina de lavar roupa (24,1% para 40,0%); rádio (84,9% para 88,4%) e televisão (74% para 94,8%). Por outro lado, caiu o porcentual de domicílios com filtro de água (57% em 1992 e 51,4% em 2007).

09/09/2008 - 12:18h Emprego industrial tem a maior alta mensal desde 2004. Renda do trabalhador sobe e uso da capacidade industrial é recorde

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Em julho, o emprego teve crescimento de 0,7% ante o mês anterior. Renda tem 3º mês de alta

Agencia Estado


O emprego industrial teve o maior crescimento mensal desde maio de 2004. Com o ajuste sazonal - que leva em consideração os efeitos temporais -, o crescimento foi de 0,7% em julho ante junho, segundo os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em maio de 2004, a alta havia sido de 1,0%. Ante julho de 2007, a ocupação na indústria cresceu 2,8% e acumula no ano alta também de 2,8% e em 12 meses, de 2,9%.

O IBGE informou ainda que, ante julho de 2007, o número de trabalhadores aumentou em 11 das 14 áreas investigadas, com destaque para São Paulo (4,3%), Minas Gerais (6,6%) e regiões Norte e Centro-Oeste (2,8%). Por outro lado, foram observadas reduções em Pernambuco (-4,4%), Santa Catarina (-1,1%) e região Nordeste (-0,3%).Em nível nacional, o pessoal ocupado aumentou, ante julho do ano passado, em 13 dos 18 setores, com máquinas e equipamentos (12,3%), meios de transporte (9,6%), máquinas, aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (11,6%) e produtos químicos (11,1%) respondendo pelos impactos positivos mais importantes. Na direção contrária, as contribuições negativas mais significativas vieram de calçados e artigos de couro (-9,8%), vestuário (-4,7%), têxtil (-6,2%) e madeira (-8,2%).

Renda

Já o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria aumentou 1,3% em julho ante junho, também na série com ajuste sazonal. Este é o terceiro mês consecutivo de aumento ante mês anterior. Nos confrontos com iguais períodos do ano anterior, os resultados continuaram positivos: 6,9% em julho; 6,6% no acumulado de janeiro a julho e 6,4% em 12 meses.

Com atividade aquecida, uso da capacidade industrial é recorde

Segundo dados da CNI, faturamento real do setor registra expansão de 13,2% no mês de julho e de 9% no ano

Fabio Graner, da Agência Estado


BRASÍLIA - O aquecimento da atividade industrial nos últimos meses tem se refletido na maior utilização da capacidade instalada do País. Em julho, esse índice atingiu 83,5%, o maior nível da série histórica, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em julho do ano passado, a utilização da capacidade instalada estava em 82,5%.

Já o faturamento real da indústria de transformação cresceu 13,2% em julho, ante o mesmo mês de 2007. Na comparação com junho, já com o ajuste sazonal, a alta foi de 0,2%. De janeiro a julho, o faturamento real teve expansão de 9%, em relação a igual período do ano passado.As horas trabalhadas na indústria tiveram alta de 0,5% em julho, ante junho, pelo critério dessazonalizado. Sem o ajuste sazonal, a alta foi de 2,7%. Na comparação com julho de 2007, as horas trabalhadas subiram 7,2%. No acumulado do ano, tiveram expansão de 6,1%.

O emprego na indústria, por sua vez, subiu 0,6% em julho, ante junho, com ajuste sazonal. Sem ajuste, a alta foi também de 0,6%. Na comparação com igual mês de 2007, o emprego subiu 4,4%, mesmo índice do acumulado do ano.

A massa salarial real subiu 3,5% em julho, ante junho. Esse indicador foi divulgado sem ajuste sazonal. Na comparação com julho de 2007, a alta da massa salarial foi de 5,7% e no acumulado do ano, 5,6%.

“A atividade industrial em julho segue em forte trajetória de expansão. O crescimento da atividade industrial em julho é especialmente relevante por ocorrer sobre uma base de comparação muito alta”, diz o relatório da CNI.

23/07/2008 - 19:26h Inflação não voltará, podem tirar o cavalo da chuva, diz Lula

BC surpreende e anuncia aumento maior dos juros, para 13% ao ano

EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) anunciou nesta quarta-feira um aumento de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros. Assim, em decisão unânime, a taxa Selic subiu de 12,25% para 13% ao ano.

A decisão surpreendeu a maioria dos analistas do mercado financeiro, que esperavam um aumento de 0,5 ponto. Parte dos economistas, no entanto, já previa que o BC poderia acelerar o ritmo de alta dos juros para evitar uma disparada da inflação.

Entenda como a taxa básica de juros influencia a economia

“Avaliando o cenário macroeconômico e com vistas a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 13% ao ano, sem viés”, informou o comitê em nota após a reunião.

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Trata-se do terceiro aumento da taxa em 2008. No início do ano, a Selic estava em 11,25% ao ano. Com a alta da inflação, o BC iniciou uma nova série de aumentos dos juros para tentar segurar a escalada de preços. Foram dois aumentos de 0,5 ponto percentual.

Agora, os juros voltaram ao mesmo patamar de janeiro de 2007. O maior nível da taxa Selic no governo Lula foi alcançado no início do governo, em fevereiro de 2003 (26,5% ao ano).

Novos aumentos

Esse não deve ser o último aumento de juros neste ano. Os economistas ouvidos pelo próprio BC esperam que a taxa básica termine 2008 em 14,25% ao ano.

O mercado espera uma nova alta para 13,25% na reunião do Copom no início de setembro; outra para 13,75% em outubro; e para 14,25% em dezembro –o Copom se reúne a cada 45 dias, aproximadamente.

Em janeiro de 2009, os juros chegariam a 14,75% e só voltariam a cair, na previsão do mercado, no segundo semestre, para terminar o ano em 13,75% a.a..

Inflação acima da meta

A alta dos juros é uma tentativa do BC de evitar que a inflação estoure o teto da meta para 2008. A meta definida pelo governo para o IPCA (indicador oficial de inflação medido pelo IBGE) é de 4,5% (centro da meta), com tolerância de dois pontos, podendo chegar a 6,5% (teto da meta).

O próprio BC prevê uma inflação de 6% para este ano e de 4,7% para 2009, ambas acima do centro da meta.

A instituição também já admite que há 25% de chances de a inflação estourar o teto da meta para este ano. Para os economistas ouvidos pelo BC, o IPCA vai terminar 2008 em 6,53%.

Apesar do discurso de parte do governo de que a inflação estaria restrita aos preços dos alimentos, o BC já admite que ela tem contaminado outros setores da economia.

Parte desse efeito será sentido nas tarifas e aluguéis reajustados pelos IGPs (Índice Geral de Preços), por exemplo, que devem fechar o ano acima de 12%, na previsão de mercado financeiro.

Enquanto for necessário

O próprio presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou que, mesmo tirando os alimentos da inflação, o IPCA acumulado em 12 meses já supera os 6%.

Na avaliação de Meirelles, os preços no Brasil estão sendo influenciados não só pelo aumento internacional dos alimentos, mas também pelo forte consumo interno e pelo aumento do crédito.

O volume de crédito país bateu novo recorde no mês passado, apesar do aumento dos juros. Mesmo assim, já se verifica uma desaceleração nos empréstimos das pessoas físicas.

Por isso, os diretores do BC vêm afirmando que para segurar a inflação, continuarão aumentando os juros “enquanto for necessário”.

05/06/2008 - 11:32h Aumentam homicídios de jovens do sexo masculino e mortes no trânsito

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Dados do IBGE mostram também que condições de vida e de moradia melhoraram

DA SUCURSAL DO RIO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, NO RIO

De todas as questões sociais implicadas no desenvolvimento sustentável, apenas duas tiveram um retrocesso: aumentaram o número de homicídios especialmente de jovens do sexo masculino e as mortes no trânsito. Ainda que lentamente, as condições de vida e de moradia melhoraram, segundo os “Indicadores de Desenvolvimento Sustentável” do IBGE.
Segundo o instituto, as mortes por causas violentas, que afetam a qualidade de vida da população, subiram em 7,7 ocorrências por 100 mil habitantes entre 1992 e 2004.
O problema é ainda mais grave na região Sudeste, que, em 2004, apresentou a maior taxa de mortes por homicídios, 32,3 por 100 mil habitantes, mais elevada que a média do país (26,9 por 100 mil).
O fenômeno atinge quase que exclusivamente os homens, principalmente os mais jovens. A taxa entre pessoas do sexo masculino era de 35,6 por 100 mil. No caso das mulheres, se situava em 3,2 por 100 mil. Esses percentuais saltaram para 50,5 e 4,2, respectivamente.
Em 2004, as maiores taxas eram as de Rio de Janeiro (50,8), Pernambuco (50,1) e Espírito Santo (48,3).
Os acidentes de trânsito são outro problema que cresce mundialmente e afeta mais os pobres -os homens também eram as principais vítimas. A taxa masculina estava em 32,6 mortes por 100 mil habitantes, contra 7,2 de mulheres.
Esses dados destoam da tendência de melhora dos demais indicadores sociais. Segundo o IBGE, 54% dos domicílios brasileiros tinham condições adequadas em 2006 -ou seja, ligação às redes de água e esgoto, lixo coletado e até dois moradores por domicílio.
Pelos dados coletados pelo instituto, escolaridades, saneamento, abastecimento de água, mortalidade infantil, esperança de vida e indicadores de saúde evoluíram favoravelmente nos últimos anos, embora ainda exista muito a ser feito.

Pobreza e reciclagem
O que seria um bom sinal esconde uma mazela social: o país é recordista em reciclagem somente porque recruta um exército de catadores na pobreza que atinge especialmente os grandes centros urbanos -e não porque há uma avanço na coleta seletiva de lixo.
O Brasil recicla 94,4% das latas de alumínio e 45% a 50% dos demais materiais (latas aço, papelão, PET, entre outros).
Segundo Judicael Clevelário Júnior, do IBGE, reciclar é positivo, mas desde que venha acompanhado de um aumento da coleta seletiva do lixo. Isso não ocorre no país, onde há “um exército de catadores”.
Segundo o IBGE, o esforço do governo para promover o desenvolvimento sustentável é incipiente. O valor gasto com pesquisa e desenvolvimento não chega a 1% do PIB.
“O Brasil precisa pensar mais seriamente em iniciar o caminho na direção do desenvolvimento sustentável o mais rápido possível. Entre outras coisas, precisa entender que o PIB não serve para medir o desenvolvimento sustentável, pois ele não mede a diminuição dos recursos naturais do país nem a degradação ambiental que se está fazendo para atingir aquele número”, disse Haroldo Mattos de Lemos, diretor do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente no Brasil).
(PS e MT)

12/05/2008 - 19:01h Lucro da Petrobras cresce bem acima do esperado no 1º tri: 68%

No 1º trimestre, resultado subiu para R$ 6,925 bi, um crescimento de 68%. Analistas esperavam R$ 5,524 bi

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Da Redação Agencia estado

RIO - O lucro líquido da Petrobras veio bem acima do esperado no primeiro trimestre deste ano. O resultado subiu para R$ 6,925 bilhões, um crescimento de 68% em relação ao mesmo período do ano passado. Analistas projetavam lucro de R$ 5,524 bilhões. Ou seja, um crescimento de 33,7%, quase a metade do que o que foi de fato alcançado.

Veja também neste Blog:

Petróleo e gás terão investimentos de ao menos US$ 72 bi

Brasil é superpotência, agora com petróleo, diz “Economist”

Eldorado negro

O Ebitda da empresa somou R$ 13,876 bilhões, alta de 26% na mesma base de comparação. O Ebitda representa a geração operacional de caixa da companhia. O quanto a empresa gera de recursos apenas em sua atividade, sem levar em consideração os efeitos financeiros e de impostos. É um importante indicador para avaliar a qualidade operacional empresa.

Já a receita líquida da estatal somou R$ 46,892 bilhões nos primeiros três meses deste ano, mostrando um avanço de 20,56% ante igual intervalo de 2007. Os dados são consolidados.

Os investimentos realizados pelo Sistema Petrobras no primeiro trimestre de 2008 atingiram R$ 10,197 bilhões, uma alta de 23% sobre o mesmo período do ano passado, de acordo com o balanço da companhia. Mas registraram queda de 31% em relação ao 4º trimestre de 2007, que foram de R$ 14,679 bilhões.

06/05/2008 - 12:35h Expansão da indústria é a maior em 5 anos, diz CNI


Faturamento cresceu 7,6% no 1º trimestre em relação ao mesmo período de 2007

Uso da capacidade instalada tem pouca variação, o que indica, segundo a entidade, maturação do investimento realizado pelas empresas

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LUCIANA OTONI - Folha de São Paulo

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Favorecido pelo consumo aquecido e pela necessidade de repor estoques, o setor industrial registrou o maior ritmo de crescimento dos últimos cinco anos no primeiro trimestre de 2008 na comparação com o quarto trimestre do ano anterior, segundo pesquisa divulgada ontem pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Na análise com o primeiro trimestre de 2007, os resultados de janeiro a março deste ano também são positivos, com os indicadores apresentando elevadas taxas de expansão.

Essa boa performance, porém, pode não se repetir no segundo trimestre. Segundo a CNI, a tendência é de leve acomodação da produção entre abril e junho. “A retomada de alta dos juros, o câmbio valorizado e a concorrência do produto nacional com o estrangeiro apontam para uma pequena redução do ritmo de expansão”, avaliou o gerente-executivo da CNI, Flávio Castelo Branco.

De acordo com a CNI, na comparação do primeiro trimestre com o quarto trimestre do ano passado, as indústrias registram aumento médio de 1,8% do faturamento, de 2,1% nas horas trabalhadas na produção e de 1,1% no pessoal empregado. Considerando essa base de comparação, foram as maiores variações desde 2003.

Em relação aos três primeiros meses de 2007, as variações dos indicadores no primeiro trimestre de 2008 são ainda mais expressivas. As altas foram de 7,6% para faturamento, de 6% para horas trabalhadas e de 4,9% para pessoal empregado na produção.

Os segmentos com os melhores desempenhos são montadoras de veículos, fábricas de máquinas e equipamentos, indústria de alimentos, de bebidas e metalúrgicas.

Num contexto de expansão, o setor registrou estabilidade no uso da capacidade instalada, com o indicador de 83,1% mantendo-se praticamente no mesmo nível nos últimos seis meses. Segundo a CNI, a ampliação da produção, combinada com estabilidade no uso do parque fabril, indica maturação de investimentos.

Para alguns analistas, a ampliação da capacidade de produção é um dado positivo que, porém, não deve demover o Banco Central do propósito de continuar a elevar os juros como forma de evitar a disparada de preços. “Não vai ser a estabilidade ou ligeira queda no nível de uso da capacidade instalada que fará o Banco Central ficar menos preocupado. Hoje, a maior preocupação da autoridade monetária são as surpresas inflacionárias”, comentou Zeina Latif, economista do Banco Real.


Comportamento

Na Tendências Consultoria, a avaliação é que outros indicadores, como o que o IBGE divulga nesta terça, irão auxiliar o BC na análise do comportamento da produção industrial. A economista Cláudia Oshiro disse que o resultado do primeiro trimestre indica que as indústrias poderão ampliar a atividade sem elevar a capacidade de produção.

No Ipea, o diretor de Estudos Macroeconômicos, Marcelo Nonnenberg, informou que o dinamismo levará o instituto a elevar a previsão de expansão do setor neste ano. Inicialmente, o Ipea estimou aumento de 4,8% para a indústria, percentual que deve passar para 5%. A despeito disso, ele avaliou que a atividade industrial deve desacelerar no segundo trimestre porque as comparações começarão a ser feitas com bases mais elevadas de 2007 e porque a subida dos juros deve exercer efeito sobre as expectativas de consumo e produção.

De forma isolada, as variações de março sinalizam amortecimento. Em relação a fevereiro, que foi um mês de resultado forte, o faturamento e as horas trabalhadas recuaram 0,5% e 0,3%, respectivamente.

30/04/2008 - 19:14h Estadão reconhece: “nunca antes neste País…”

Como o presidente sempre diz, ‘nunca antes neste País…’

Emprego, renda, consumo, entre outros, vêm batendo recordes consecutivos e explicam popularidade de Lula

Da Redação do portal O Estado de São Paulo

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SÃO PAULO - O governo Lula atingiu nos três primeiros meses de 2008 a melhor avaliação positiva desde o início do primeiro mandato, em 2003. O motivo, segundo analistas, seria a seqüência de indicadores socioeconômicos positivos divulgados nos últimos meses. De fato, índices como emprego, renda, consumo, entre outros, vêm batendo recordes consecutivos, numa série de “nunca antes na história desse País” que não parece ter data para terminar. Confira alguns desses recordes:

EMPREGO

A economia brasileira abriu 204,9 mil novos empregos com carteira assinada em fevereiro, um resultado 38,5% superior ao saldo de fevereiro de 2007. Segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. O resultado do mês passado é o novo recorde da série histórica, iniciada em 1992, para os meses de fevereiro.

No primeiro bimestre do ano, estão acumuladas 347,9 mil novas vagas, um saldo 37% maior que o verificado no mesmo período do ano passado. As melhores marcas de geração de empregos formais, tanto em fevereiro quanto no bimestre, eram de 2006. Com as novas vagas abertas em fevereiro, o estoque de empregos formais da economia cresceu 0,7%, para 29,3 milhões de postos.

O Caged é um registro feito pelo Ministério do Trabalho com base nas informações mensais sobre contratações e demissões repassadas por todas as empresas que seguem as regras da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Todos os setores da economia tiveram resultados positivos em fevereiro, com destaque para os serviços, que criaram 74,4 mil vagas. A indústria, que abriu 46,8 mil, ficou em segundo lugar, seguida da construção civil, com 27,5 mil empregos. Entre os serviços, o segmento ligado ao ensino. O reinício do período letivo permitiu a criação de 31,5 mil empregos. São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul apresentaram os melhores desempenhos.

RENDA

Em 2007, 96% das 715 negociações salariais acompanhadas pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) asseguraram, no mínimo, a incorporação das perdas desde a data-base anterior. É o quarto ano consecutivo em que em mais de 70% das negociações analisadas houve reposição segundo a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Entre 2006 e 2007, a inflação média acumulada foi inferior de 3,9%. Das 715 negociações, apenas em 29 não houve reposição da inflação.

COMÉRCIO

Janeiro de 2008 foi o melhor para o comércio varejista em sete anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As vendas do varejo aumentaram 1,8% ante dezembro e 11,8% ante igual mês do ano passado, a maior variação para o primeiro mês do ano desde o início da série da pesquisa, em 2001. Todas as atividades pesquisadas mostraram crescimento nas vendas ante igual mês de 2007.

O maior impacto no resultado total foi dado por hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. O grupo tem forte peso na pesquisa e teve expansão de 8,4% nessa base de comparação. A segunda principal influência veio de móveis e eletrodomésticos, que prosseguem mostrando fôlego surpreendente, com crescimento de 16%, uma forte aceleração sobre a alta de 12% de dezembro ante igual mês de 2007. Essas duas atividades responderam por 6,7 ponto porcentual, ou 57% do aumento total de 11,8% do varejo.

CONSUMIDOR

Impulsionado pelo bom momento da economia e aumento na intenção de compras para os próximos meses, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) disparou em março, com alta de 3,5% ante fevereiro. Em janeiro, havia caído 0,4%. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pelo estudo, a confiança do consumidor em março foi a maior da série histórica, iniciada em setembro de 2005.

ELEVADOR SOCIAL

Pesquisa O Observador Brasil 2008, feita pela financeira francesa Cetelem com o instituto de pesquisas Ipsos Public Affairs, revela que a classe C já é a maioria da população. No ano passado, 46% dos brasileiros pertenciam a essa camada social, ante 36% e 34% em 2006 e 2005, respectivamente. Ela também foi a única que aumentou de tamanho no último ano. De 2006 para 2007, quase 20 milhões de pessoas ingressaram nesse estrato social, um número cinco vezes maior que no período anterior. A classe C reúne hoje 86,2 milhões de brasileiros com renda média familiar de R$ 1.062.

A maior parte do contingente que engordou a classe C vem da base da pirâmide populacional, as classes D e E, perto de 12 milhões de pessoas. Outros 4,7 milhões vieram das camadas A/B, que perderam poder aquisitivo. O restante é proveniente do crescimento vegetativo da população.

Outro dado positivo da pesquisa foi o aumento da renda disponível das classes C e D/E nos dois últimos anos. Em 2005, faltavam R$ 17 para o consumidor da classe D/E pagar as contas no fim do mês. No ano passado, sobraram R$ 22.

Na classe C também houve ganho de renda. Em 2007, sobraram R$ 147, ante uma folga de R$ 122 em 2005. Já para a classe A/B a fôlego diminuiu de R$ 632 em 2005 para R$ 506 em 2007. A renda disponível é a que sobra após os gastos obrigatórios. A enquete mostra que o ritmo acelerado de consumo deve continuar este ano. Celular, computador, itens de decoração e a casa própria tiveram os maiores acréscimos na intenção de compra.

CRÉDITO

A despeito da preocupação do governo, o crédito continua em expansão. Em fevereiro, aumentou 1,1% ante janeiro e atingiu R$ 957,5 bilhões, equivalente a 34,9% do Produto Interno Bruto (PIB), maior marca desde maio de 1995. O Banco Central (BC) estima que chegue a 40% do PIB até o fim do ano.

INADIMPLÊNCIA

Outro motivo para a avaliação positiva é que a inadimplência continua baixa. Em fevereiro, 4,3% dos empréstimos apresentavam atraso superior a 90 dias. O porcentual é ligeiramente menor que o de janeiro, de 4,4%. No caso das pessoas físicas, a taxa de fevereiro manteve-se nos mesmos 7,1% de janeiro e ficou abaixo dos 7,3% de fevereiro de 2007.

DÓLAR BAIXO, BRASILEIROS VIAJAM MAIS

Os brasileiros gastaram como nunca em viagens internacionais nos últimos 12 meses. As despesas com viagens internacionais somaram US$ 8,925 bilhões, enquanto os gastos de estrangeiros no País foram de US$ 5,245 bilhões. Os dados se referem ao período entre março de 2007 e fevereiro de 2008 e são os maiores registrados para um período de 12 meses desde o início da série do Banco Central (BC), em 1947. Nem na época do “populismo cambial”, quando o dólar custava menos de R$ 1, a gastança internacional foi tão elevada. Dois fatores impulsionam as viagens ao exterior: o dólar barato e o aumento da renda do brasileiro.

PAÍS AGORA É CREDOR INTERNACIONAL

O Brasil fortaleceu sua condição de credor internacional, mesmo com a piora no quadro econômico internacional. Segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC), o volume de reservas cambiais e outros ativos superava o da dívida externa em US$ 18,807 bilhões em fevereiro. Na prática, é como se o Brasil fosse credor do mundo nesse valor. Em janeiro, a posição credora era de US$ 6,983 bilhões. Os números de janeiro e fevereiro são preliminares. Em dezembro de 2007, o último dado fechado, a posição credora líquida estava em US$ 10,846 bilhões.

INDÚSTRIA

O faturamento da indústria de transformação - que reflete as vendas reais - cresceu 10,5% em janeiro ante o mesmo mês de 2007. É a maior taxa de expansão na comparação com o mesmo período mensal do ano anterior desde agosto de 2004. O conjunto dos indicadores industriais de janeiro, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), também é o melhor para meses de janeiro nos últimos três anos.

As montadoras vão investir US$ 4,9 bilhões no Brasil este ano, o maior montante já gasto pelo setor em um único ano. A maior parte será aplicada no aumento da capacidade produtiva, que passará dos atuais 3,5 milhões de veículos para 3,85 milhões. Em 2009, a capacidade anual chegará a 4 milhões de unidades, um acréscimo de 500 mil veículos em dois anos.

Juntando empresas de autopeças, o investimento chegará a US$ 20 bilhões até 2010. O triênio anterior que teve maior aporte dos dois segmentos foi de 1996 a 1998, quando foram inauguradas 13 novas fábricas, entre marcas que passaram a produzir localmente e filiais das empresas já instaladas no País. Naquele período, foram investidos US$ 11,7 bilhões.

O anúncio da soma dos investimentos e da nova capacidade produtiva ocorre num momento em que o setor registra sucessivos recordes de vendas e há filas de espera de até três meses para alguns automóveis e de nove meses para caminhões.

08/04/2008 - 03:59h 65 destinos turísticos olhados com lupa

Ministra do Turismo divulga diagnóstico sobre 65 destinos turísticos

Ministra do Turismo divulga diagnóstico sobre 65 destinos turísticos Rio de Janeiro (07/04/2008) – A ministra do Turismo, Marta Suplicy, divulgou hoje o Estudo de Competitividade dos 65 Destinos Indutores do Desenvolvimento − Relatório Brasil, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O trabalho, inédito, objetiva orientar políticas e ações, no intuito de racionalizar esforços e recursos dos governos federal (MTur), estaduais (secretarias de Turismo) e municipais (prefeituras) no desenvolvimento do turismo regionalizado.O diagnóstico da FGV, encomendado pelo Ministério do Turismo, identificou que no Brasil, as capitais e as não-capitais avaliadas estão em nível 3 de desenvolvimento, numa escala de 1 a 5. Os temas avaliados referem-se a Infra-estrutura, Turismo, Políticas Públicas, Economia e Sustentabilidade. As capitais lideram com 58,7 pontos. Na média nacional, o Brasil ficou com 52,7 pontos. As cidades que não são capitais ficaram com menor índice: 48,3. O estudo revelou que monitoramento e marketing foram os indicadores com menores notas. “É por aí que os destinos têm que começar a trabalhar”, disse a ministra Marta Suplicy.

Para ajudar na superação das dificuldades diagnosticadas, a ministra anunciou que o Ministério do Turismo entregará para os estados material produzido pelo Departamento de Promoção e Marketing Nacional, a fim de orientar cada um deles a preparar seu material promocional. Adiantou ainda que a partir do mês que vem (maio), a Fundação Getúlio Vargas, em parceria com o Sebrae, devolverá os resultados do estudo aos municípios pesquisados. Serão dois dias de seminário, com a participação do Ministério do Turismo.

A ministra ressaltou que o estudo não tem a intenção de criar uma competição entre os destinos . “Cada um deve competir consigo mesmo. Deve avaliar a sua realidade e buscar melhorar, sem se preocupar em competir com os outros”, disse a ministra, ao sugerir que cada “município volte o olhar para si mesmo, sem rivalizar com outras cidades”.

De acordo com Marta Suplicy, o Estudo de Competitividade contribuirá para uma atuação mais eficiente nos destinos turísticos brasileiros. “Os 65 destinos serão priorizados pelos programas e projetos do MTur, estados, municípios e parceiros institucionais. Mas, para criarmos mecanismos que elevem a qualidade desses destinos, precisávamos conhecer as dificuldades da cada um deles. E é isso que o estudo proporciona: informações para a elaboração de planos de ação mais objetivos”, disse.

O Estudo é uma ferramenta de gestão pública e possibilitará, além de um diagnóstico dos destinos, o monitoramento do desenvolvimento deles e o planejamento de ações. “Com ele, pela primeira vez no Brasil, o setor passará a ter um histórico da evolução desses municípios, do ponto de vista turístico”, acrescentou a ministra.

De 2003 a 2007, o Ministério do Turismo investiu, diretamente nos municípios dos 65 destinos, recursos da ordem de R$ 332,4 milhões. Só em 2007, esse valor foi de R$ 148,9 milhões. Além dos investimentos realizados, a ministra destacou que, ano passado, o Ministério do Turismo executou 99% do orçamento, aplicou R$ 1,7 bilhão, contemplando todos os estados. “Neste ano, o orçamento aprovado é de R$ 2,66 bilhões. Vejam que é um crescimento extraordinário de 47% em relação a 2007, resultado da compreensão que deputados e senadores têm hoje sobre a importância da atividade turística para a economia do País, para a redução das desigualdades regionais, para a inclusão social e para o fortalecimento das economias locais”.

A ministra lembrou também que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) beneficiará diretamente o turismo, ao prever, até 2010, a aplicação de R$ 6 bilhões para modernizar os 20 maiores aeroportos do país e quatro terminais de carga, além de projetos que apoiará na melhoria da infra-estrutura em transportes, telecomunicações e energia.

O presidente da Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados, Albano Franco, elogiou a ministra Marta Suplicy, que conseguiu uma linha de crédito de US$ 1 bilhão junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para um novo modelo de Prodetur Nacional. De acordo com o deputado, o diagnóstico apresentado hoje torna viáveis ações para que o turismo atenda às exigências do mercado. “O estudo vai colaborar para que possamos atingir a meta do Plano Nacional de Turismo de se ter, até 2010, 7 milhões de turistas. Com a participação dos governos estadual e municipal, vamos dinamizar o turismo e colocar o Brasil em situação privilegiada no turismo mundial. Para isso, é muito importante ter parcerias com a Confederação Nacional do Comércio, Sebrae e Fundação Getúlio Vargas”.

O secretário Nacional de Políticas do Turismo do MTur, Airton Pereira, acredita que agora, com os resultados do estudo, os recursos direcionados aos 65 destinos beneficiarão os setores do turismo que precisam de investimentos urgentes. “A meta é tornar esses destinos referência em competitividade no mercado. Isso significa criar mecanismos para que os destinos tenham capacidade crescente de gerar negócios, proporcionando ao turismo uma experiência positiva”.

Sobre a coleta de dados – A metodologia utilizada pelo Estudo considerou cinco “macro-dimensões”: Infra-estrutura, Turismo, Políticas Públicas, Economia e Sustentabilidade. Esses itens correspondem aos ambientes em que a atividade turística se desenvolve e estão subdivididas em 13 dimensões, e estas em 61 variáveis. As perguntas feitas nos destinos estavam associadas e essas variáveis. Especialistas do setor opinaram sobre o peso que cada uma dessas variáveis deveria ter, considerando a importância para o desenvolvimento da atividade turística e a característica de cada um dos destinos.

A dimensão Acesso, por exemplo, foi detalhada a partir das condições identificadas para transporte aéreo, proximidade de grandes centros emissivos de turistas, acesso rodoviário e sistema de transporte no destino. Outra dimensão que pode ser exemplificada é Monitoramento, cujos resultados consideraram as menções atribuídas à capacidade de pesquisa de demanda, pesquisa de oferta, sistema de estatística do turismo, medição de impactos da atividade turística e estudos de pesquisas no destino.

O Estudo de Competitividade deixou claro que as dimensões que mais contribuíram para que a média nacional alcançasse 52,7 pontos foram: Infra-Estrutura Geral (61,8 pontos), Acesso (61,6 pontos), Aspectos Ambientais (59,0 pontos), Aspectos Sociais (57,2 pontos), Economia Local e Atrativos Turísticos (empatados com 56,9 pontos). A média de 58,7 pontos, alcançada pelas capitais, foi influenciada pela pontuação média das seguintes dimensões: Infra-Estrutura Geral (71,2), Capacidade Empresarial (70,3), Acesso (69,0) e Aspectos Ambientais (63,2).

Já a média de 48,3 pontos das não-capitais foi definida pelas pontuações das dimensões: Atrativos Turísticos (58,6), Acesso (56,3), Aspectos Ambientais (56,1) e Infra-Estrutura Geral (55,1). As dimensões que fizeram com que as não-capitais tivessem pontuação menor que as médias do Brasil e das Capitais foram: Monitoramento (30,0 pontos), Marketing (31,7 pontos), Serviços e Equipamentos Turísticos (33,8) e Capacidade Empresarial (36,7). Ou seja, esses são segmentos que mais precisam de incentivo técnico e de recursos.

Escolha dos destinos – A seleção dos 65 destinos considerou informações encaminhadas pelas Unidades da Federação. A partir daí, o MTur definiu os destinos que deveriam ser priorizados para receber investimentos técnicos e financeiros. Até 2010, esses destinos deverão estar organizados de acordo com as diretrizes do Programa de Regionalização do Turismo – Roteiros do Brasil. A principal característica dos 65 destinos selecionados é que eles possuem capacidade de atrair e distribuir um significativo número de turistas para seu entorno e dinamizar a economia da região na qual estão inseridos. Outra característica considerada pelo MTur na seleção foram os atrativos qualificados e a infra-estrutura básica e turística. Todos os estados brasileiros e suas capitais foram contemplados.

Fonte Ministério de Turismo

15/03/2008 - 10:21h O fantasma de 1929 assombra os Estados-Unidos

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Apostando o banco

*Paul Krugman - NYT - O ESTADO DE SÃO PAULO

criseusa.jpgQuatro anos atrás, um economista acadêmico chamado Ben Bernanke foi co-autor de um estudo técnico que poderia se intitular “Coisas que o Federal Reserve deve tentar se ficar desesperado” - embora isso possa não ficar evidente em seu título verdadeiro, “Monetary Policy Alternatives at the Zero Bound: An Empirical Investigation” (Alternativas de política monetária no limite zero: uma investigação empírica).

Hoje o Fed (banco central americano) está de fato desesperado, e Bernanke, na condição de seu presidente, está pondo em prática algumas sugestões do estudo. Infelizmente, porém, as ações do Fed de Bernanke - apesar de seu objetivo sem precedente - provavelmente não serão suficientes para conter a espiral descendente da economia.

E, se eu estiver certo sobre isso, há uma implicação adicional: a temível economia da crise financeira logo criará também algumas políticas temíveis.

Para compreender o que está acontecendo, é preciso saber um pouco como a política monetária normalmente opera.

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13/03/2008 - 11:55h Mesmo em níveis ’seguros’, poluição de São Paulo causa doença cardíaca

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Incor detecta alta de casos de arritmia em dias nos quais a qualidade do ar é considerada boa pelo Conama

Fernanda Aranda - O Estado de São Paulo

Mesmo quando a qualidade do ar é classificada como boa em São Paulo, os paulistanos respiram poluição suficiente para provocar um colapso no coração. O alarme foi dado após divulgação da pesquisa do Instituto do Coração (Incor), do Hospital das Clínicas. Ficou comprovado que ainda que a concentração de gases tóxicos não ‘incomodem’ as estações de medição, a ocorrência de ataques cardíacos já aumenta entre 7% e 12% por causa dos níveis de poluentes.

O estudo avaliou 3.300 pessoas, que recorreram, nos últimos 20 meses, ao Pronto-Socorro do Incor com diagnóstico de arritmia (aceleração exacerbada dos batimentos cardíacos). Os pesquisadores atestaram que os dias mais movimentados de pacientes com ‘pane no coração’ eram também os mais poluídos. Para promover um aumento de 12% dos casos de descompasso na freqüência cardíaca, bastou a concentração média de monóxido de carbono, principal poluente emitido pelos veículos, chegar a 1,5 ppm (parte por milhão). Na escala oficial, só quando a concentração atinge nível superior a 9 ppm o ar é classificado como ruim pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).

As partículas inaláveis - outro poluente comum na atmosfera de São Paulo - também fizeram crescer em 7% a ocorrência de arritmia no Pronto-Socorro do Incor. Da mesma forma, a concentração necessária para culminar em problemas foi de 22 mg por metro cúbico, bem menor do que a faixa de 50 mg/m3 considerada imprópria. ‘Ficou evidente que valores de poluentes muito inferiores do que o tolerável são suficientes para provocar danos severos à saúde’, afirma o coordenador da pesquisa, Ubiratan Santos.

Os padrões para considerar o ar bom ou ruim, explica o Conama, foram estipulados em 1990 e até agora não passaram por atualização. No ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) sugeriu que o Brasil reduzisse pela metade esses indicadores. ‘Somos favoráveis à redução. Mas isso exigiria uma mudança brusca na indústria e na economia’, afirma o assessor da Secretaria de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Carlos Alberto Santos.

Para Paulo Saldiva, diretor do Laboratório de Poluição da Universidade de São Paulo, os gases tóxicos voltaram a ser os principais vilões dos paulistanos justamente porque as questões econômicas se sobrepõem às de saúde . ‘Na Região Metropolitana, a poluição é responsável por oito mortes diárias. Entre 1996 e 2005, conseguimos reduzir a mortalidade, mas voltamos a uma escala crescente’, lamenta. Para se ter uma idéia, as mortes causadas por poluentes superam as vidas perdidas nos acidentes de trânsito (4 por dia) e homicídios (6,5 diários) na capital.

Segundo relatório da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb), em 2007 a poluição voltou a crescer, depois de uma década contínua de queda. Todos os poluentes registram alta de 2%. Combinado às condições climáticas - tempo quente e dias secos - o repique ampliou em 54% os dias considerados impróprios.

O principal responsável pelo problema é o crescimento explosivo da frota automotiva, que chegou aos 6 milhões de veículos na capital. ‘Ainda é prematuro afirmar que a poluição voltou a crescer. O que se sabe é que há uma estagnação nas melhoras. Os benefícios trazidos pela renovação dos veículos e melhora dos equipamentos estão sendo suprimidos pelo aumento contínuo da frota de carros e motos’, afirma a diretora de qualidade do ar da Cetesb, Maria Helena Martins.

‘Como prejuízo, a população costuma citar os congestionamentos. Ainda não há a percepção de que a saúde é a principal comprometida’, complementa o professor de pediatria ambiental da Universidade Santo Amaro, Alfésio Braga. ‘São 200 doenças relacionadas à poluição, principalmente cardiovasculares e respiratórias, que fazem vítimas fatais diariamente.’

ALERTAS

O motorista que fica 20% de tempo a mais que o habitual nos congestionamentos dobra as chances de ter um enfarte

A poluição provoca efeitos parecidos com os do cigarro também para quem não fuma. Em SP, os gases tóxicos matam mais do que acidentes e homicídios

O movimento em hospitais aumenta até 30% em dias de alta concentração de poluentes

12/03/2008 - 14:10h A riqueza produzida pelo Brasil em 2007 aumentou 5,4%, o segundo maior crescimento desde 1995

Crescimento


PIB do Brasil cresceu 5,4% em 2007, devido à alta do consumo e dos investimentos

Publicada em 12/03/2008 às 12h14m O Globo Online

” É importante salientar a qualidade desse PIB, não só o seu crescimento. Ele cresce com investimento ampliando-se em 13,4%, um dos maiores dos últimos tempos “

RIO - O Produto Interno Bruto (PIB), indicador que representa a soma de todas as riquezas produzidas no país, mostra que a economia do Brasil cresceu 5,4% a R$ 2,6 trilhões em 2007, de acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). O PIB per capita cresceu 4,0% em termos reais, em relação a 2006, atingindo R$ 13.515,00. No quarto trimestre do ano passado, o indicador cresceu 1,6% em relação ao trimestre imediatamente anterior e 6,2% frente ao mesmo período de 2006.

O aumento do PIB em 2007 foi o segundo maior da série histórica, iniciada em 1995, superior ao de 3,8% registrado em 2006, e atrás apenas dos 5,7% de 2004. No último Relatório de Inflação do Banco Central (BC), de dezembro do ano passado, a previsão era de que o PIB teria expansão de 5,2% em 2007.

O forte crescimento do Brasil em 2007, dentro da expectativa do governo e dos analistas, foi puxado pelo aumento de 6,5% do consumo das famílias e dos investimentos, que avançaram 13,4%, de acordo com a formação bruta de capital fixo, maior expansão desde 1996.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comemorou o resultado, destacando que o aumento do PIB com elevação da oferta significa crescimento econômico com inflação sob controle , o que, segundo ele, é novidade no país.

” O presidente Lula até brincou comigo: temos que passar a impressão de uma euforia comedida “

- É importante salientar a qualidade desse PIB, não só o seu crescimento. Ele cresce com investimento ampliando-se em 13,4%, um dos maiores dos últimos tempos. É crescimento robusto com aumento de oferta. A capacidade produtiva está aumentando. Significa crescimento com menos inflação. Estamos acelerando o crescimento com inflação sob controle e isso é novidade no Brasil - afirmou o ministro.

O ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, também disse que o governo está muito satisfeito com os números.

- O presidente Lula até brincou comigo: temos que passar a impressão de uma euforia comedida.

O ministro ressaltou que a pressão inflacionária já está diminuindo, mas admitiu que no ano passado houve uma aceleração da inflação, com o aumento do consumo.

- Tivemos um pouco de aceleração inflacionária, mas já estamos prevendo que vá diminuir - disse

Crescimento das exportações foi inferior ao das importações pelo segundo anoDe acordo com os dados do IBGE, a indústria cresceu 4,9% em 2007, o setor agropecuário avançou 5,3% e o setor de serviços teve expansão de 4,7%. No setor externo, as exportações apresentaram alta de 6,6%, e as importações tiveram elevação de 20,7%. Desde 2006, o crescimento das exportações é inferior ao das importações.

” A capacidade produtiva está aumentando. Significa crescimento com menos inflação. Estamos acelerando o crescimento com inflação sob controle e isso é novidade no Brasil “

O saldo de operações de crédito do sistema financeiro com recursos livres para as pessoas físicas, teve acréscimo nominal de 28,8%. A despesa do consumo da administração pública cresceu 3,1%.

Dos R$ 2,558 trilhões do valor do PIB a preços de mercado alcançado em 2007, R$ 2,190 trilhões são referentes ao valor adicionado e R$ 367,9 bilhões, aos impostos sobre produtos, que tiveram elevação de 4,8% e 9,1%, respectivamente.

Foram revisadas ainda para cima as taxas de crescimento da economia brasileira no terceiro e no segundo trimestres do ano passado, em relação aos períodos imediatamente anteriores. O avanço do terceiro trimestre passou de 1,7% para 1,8% e o do segundo trimestre foi de 1,3% para 1,5%. Já para o primeiro trimestre do ano passado frente ao último trimestre de 2006 houve revisão para baixo. O crescimento passou de 1,1% para 1,0%.

12/03/2008 - 13:11h Tesouro faz coro com BC e destaca vulnerabilidade externa menor

O jornal VALOR publica artigo sobre documento do Tesouro Nacional sobre dívida e vulnerabilidade externa do Brasil. Acrescentei ao artigo do VALOR os dois quadros iniciais que constam do documento do Tesouro. O Tesouro, apoiado em consistentes dados da economia do país, mostra o que escrevemos neste blog sobre o significado do fim da dívida externa anunciado pelo Banco Central.

Arnaldo Galvão, de Brasília - VALOR

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Seguindo os passos do Banco Central (BC), o Tesouro divulgou documento que ressalta a redução da vulnerabilidade externa do país. Os principais avanços, de acordo com essa análise, são a relação entre dívida externa e Produto Interno Bruto (PIB), que chegou a 14,9% em janeiro, o fluxo de investimentos estrangeiros que alcançou patamar recorde e o fato de o mercado de capitais do Brasil ser o maior entre os dos países emergentes se for considerado o valor em mercado. Em 21 de fevereiro, o BC já tinha divulgado relatório exaltando que, pela primeira vez, o Brasil é credor externo líquido porque seus ativos em moeda estrangeira são maiores que os respectivos passivos.

O gerente adjunto de Relacionamento Institucional da Dívida Pública do Tesouro, André Proite, informou que o documento divulgado ontem já estava concluído desde a semana passada, mas aguardava a aprovação do secretário Arno Augustin. Portanto, segundo suas explicações, a divulgação não teve relação com as notícias, também publicadas ontem, sobre as preocupações do governo quanto à valorização do real. O Valor publicou que estão sendo preparadas medidas nesse sentido. “Foi uma infeliz coincidência, mera casualidade”, garantiu.

Na visão de Proite, o documento do Tesouro procurou aproveitar o momento para ressaltar a importância de alguns indicadores relevantes para as agências de classificação de risco que não tinham sido devidamente abordados pelo BC. De acordo com essa interpretação, é muito otimista a comparação dos indicadores do Brasil com os de países que já têm o grau de investimento.

 

 

A redução da vulnerabilidade, segundo o Tesouro, veio com a redução da dívida externa pública e privada, com o dinamismo do setor exportador que permitiu expressivos superávits comerciais, o que colaborou para a entrada de divisas, e com o acúmulo de reservas internacionais que reduziu a volatilidade cambial. Apesar desses progressos, o peso do câmbio valorizado sobre as exportações e as projeções de maiores déficits em transações correntes assustam o governo. Tanto que está sendo preparado um pacote cambial.

A dívida externa total passou de US$ 214,9 bilhões, em 2003, para US$ 196,2 bilhões, em janeiro de 2008. A dívida de longo e médio prazos teve redução maior, passando de US$ 194,7 bilhões (2003) para US$ 158,1 bilhões (2008). O crescimento do PIB e a forte valorização cambial também fizeram com que a relação entre dívida externa e PIB tivesse queda de 41,8% (dezembro de 2002) para 14,9% (janeiro de 2008).

A “robustez” do setor exportador, para o Tesouro, é clara. A conta de juros da dívida externa brasileira alcançou, em 2007, 9,5% da receita das exportações. Em 2001, eram 28%. E a proporção da dívida externa em relação às exportações tem caído desde 1999. Naquele ano, a dívida era quase cinco vezes maior que as receitas de exportações, mas foi de 1,2 vezes em dezembro do ano passado.

Mesmo tendo que carregar uma moeda valorizada, o dinamismo do setor exportador pode ser comprovado, segundo o Tesouro, pela diversificação dos produtos embarcados e pela maior variação dos destinos. O destaque, para o governo, foi a redução relativa das exportações aos EUA, principal de destino dos produtos, quando comparado com os outros parceiros. Por outro lado, o país não é “estritamente dependente” do comércio de commodities, cujas cotações internacionais subiram e também contribuíram fortemente para a entrada de divisas.

Além do “excelente” desempenho exportador, o Tesouro ressalta o recente aumento das outras fontes de recursos da conta corrente, como serviços, rendas e transferências unilaterais. A soma dessas fontes é chamada receitas de conta corrente ou CAR (current account receipts) que é, segundo o documento, indicador mais amplo de solvência externa.

Considerando apenas o setor público, o Brasil passou a ter posição credora desde janeiro de 2007, quando a dívida externa dessa esfera era de US$ 88,7 bilhões com reservas de US$ 91,1 bilhões. Entre 2002 e janeiro de 2008, as reservas internacionais aumentaram 574%, indo de R$ 27,8 bilhões para R$ 180,3 bilhões. De acordo com o documento, o acúmulo de reservas também é relevante para analisar o valor mensal das importações. No Brasil, as reservas cobriam, em 2001, seis meses de importação. Mas em 2007, elas eram equivalentes a 18 meses de importação. Isso considerando também uma entrada de bens muito superior - US$ 120,6 bilhões em 2007 - contra US$ 55,6 bilhões em 2001.

O informe do Tesouro também destaca o aumento da participação de não residentes na dívida interna, mas o governo estuda acabar com a isenção do Imposto de Renda sobre esses ganhos de capital para barrar parte da entrada de dólares.

O documento ainda procura demonstrar que o país está muito próximo de ter investimentos recomendados pelas agências de risco. A dívida externa líquida brasileira era, em 2004, próxima a 117% das receitas de conta corrente (CAR), nível muito acima da mediana dos países com nota BBB (21%). Como o Brasil tornou-se credor externo líquido, a previsão para este ano é a de relação negativa (6,5%) entre dívida externa líquida e CAR. Esse patamar é melhor que a mediana dos países BBB (12%).

09/02/2008 - 04:12h Produção começa o ano acelerada

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Crescimento de 8% no último trimestre de 2007 faz economistas preverem expansão entre 5% e 6% neste ano

Jacqueline Farid - O Estado de São Paulo

A comemoração dos bons resultados de 2007 não desviou a atenção dos economistas para as perspectivas da indústria em 2008. Silvio Sales, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), disse que os resultados do último trimestre do ano passado e os indicadores já conhecidos para o início deste ano “sugerem que a indústria está entrando em 2008 num quadro favorável”.

Otimista, o consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Sérgio Gomes de Almeida, acredita que o setor apresentará crescimento de “pelo menos” 6% em 2008. Essa expectativa só será frustrada, segundo ele, caso ocorra aumento nos juros (taxa Selic) ou um agravamento da crise mundial.
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