10/11/2009 - 15:13h Contagem regressiva para novo recorde

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Negócios & Cia – O Globo

Nem o mais otimista dos executivos ousou prever que a indústria automobilística brasileira terminaria 2009 com novo recorde histórico. A julgar pelo comportamento das vendas na 1a semana de novembro, o setor terá ultrapassado, antes do fim do mês, o recorde de 2.820.381 de veículos emplacados de 2008. Até domingo, o número estava em 2.492.824, 6% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Poucos segmentos da economia, incluindo o próprio PIB, crescerão num ritmo tão forte. A previsão é fechar dezembro com 3,1 milhões de unidades. O setor começou 2009 nocauteado pela escassez do crédito.

Reagiu após um empurrão do governo, que reduziu o IPI e levou consumidores de volta às concessionárias. O benefício começou a ser retirado em outubro, com a gradual elevação das alíquotas até dezembro.

Mês passado, foram emplacados 294.466 veículos; em setembro, 308.718.

Este mês, a estimativa é de 280 mil. É um ótimo número, levando-se em conta que um modelo 1.0 já está pagando 3% de IPI, contra 1,5% em outubro e zero no mês anterior. As montadoras, em geral, estão operando em dois turnos para dar conta da demanda, que só não está melhor em razão da queda nas exportações. Em 2008, até a crise explodir, operavam em três turnos. Por isso, o nível de emprego não retornou ao nível anterior. Infelizmente, vai demorar a chegar lá.

11/08/2009 - 10:58h Mercado interno atrai novos investimentos

Veículos: Na terceira onda, coreanos e chineses terão de enfrentar concorrentes tradicionais mais preparados

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Os novos lideres mundiais da indústria automotriz: China e Brasil 

Marli Olmos, de São Paulo – VALOR

Nos dois últimos anos, o mercado brasileiro de veículos saltou cinco posições no ranking mundial. Passou do décimo para o quinto maior volume anual de vendas. É esse o principal motivo que leva as montadoras a se interessarem tanto pelo Brasil e deverá, aliado à crise nos países desenvolvidos, ser o impulso para uma nova onda de ampliações industriais do setor no país. Os investimentos dos fabricantes de veículos para o período entre 2007 e 2012 deverá ficar perto de US$ 15 bilhões. Somente os planos das empresas que já atuam no país já somam quase US$ 12 bilhões.

Ao contrário do que aconteceu em outras épocas, desta vez os fabricantes de veículos não vêm no impulso de aproveitar incentivos fiscais. As vantagens oferecidas pelos governos marcaram as ondas de investimento do setor automotivo na década de 50 e uma vez mais em meados de 90, com o regime automotivo, que ofereceu redução de impostos em troca de fábricas e promessas de exportação.

Talvez também pela falta desses atrativos fiscais, as manifestações de interesse pelo país e os programas de investimentos já em curso não vieram em conjunto. Os anúncios tem sido feito pouco a pouco. Alguns silenciosamente. Surgem à medida em que as multinacionais percebem a persistência do ritmo das linhas de montagem no país. Desta vez não há como fazer promessas em favor do aumento de divisas para o país porque a exportação de carros deixou de ser um bom negócio. O que chama a atenção agora é o mercado doméstico.

Ainda que turbinadas recentemente com a redução do IPI, as vendas de carros no Brasil esbanjam em seu histórico potencial de crescimento. Por isso, embora algumas empresas estejam segurando planos de expansão à espera de como o mercado doméstico vai reagir ao final do incentivo fiscal, no fim do ano, nenhum projeto foi cancelado.

Os olhares que se voltam com mais intensidade para o mercado brasileiro vêm agora de novas partes do mundo. Coreanos da Hyundai e chineses da Chery prometem instalar no país fábricas de onde sairão veículos que o brasileiro ainda nem conhece.

Instaladas no país há décadas, as montadoras das marcas com as quais o brasileiro já está acostumado mostram que não vão entregar esse mercado facilmente. No mês passado, a General Motors anunciou investimento de US$ 1 bilhão em Gravataí (RS). Na semana passada, uma apresentação da VW para fornecedores revelou a intenção de elevar a produção para 1 milhão de carros em 2012, um salto de 39% em relação a 2009.

As pequenas iniciativas também contam. Praticamente todas as montadoras começaram a chamar trabalhadores que haviam sido dispensados no auge do aperto no crédito. Na quinta-feira, o grupo Renault anunciou a contratação de mais 600 e a abertura do segundo turno em uma das suas duas fábricas.

A indústria automobilística está sufocada nos países de origem. Dos 20 maiores mercados de veículos do planeta, apenas cinco apresentaram crescimento na primeira metade do ano. Nesse grupo, o Brasil está acompanhado de Turquia, Índia, China e surpreendentemente pela Alemanha – que desfrutou de uma demanda atraída pelos bônus do governo.

Na disputa pelos futuros investimentos, o Brasil terá de brigar com países como Índia e China. Até aqui, a engenharia brasileira levava vantagem no desenvolvimento dos carros. Mas, com o avanço do desenvolvimento da indústria na China – que logo ultrapassará EUA em numero de vendas – esse triunfo está praticamente anulado. Para alguns, haverá espaço para o crescimento de Brasil e China, sem confrontos. Cada um está num lado do planeta e deverá servir de base de abastecimento dos países vizinhos.

Para o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, o Brasil é a nova vitrine mundial. Mas, diz ele, o país tem de fazer ajustes internos em questões como logística e simplificação da tributação se quiser pleitear lugar de destaque no novo mapa de produção de veículos.

11/08/2009 - 10:33h Todo mundo está de olho no Brasil, diz Schneider

Marisa Cauduro/Valor Foto Destaque
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Para o presidente da Anfavea, mercado interno é atraente para novos investimentos, mas setor também quer exportar

De São Paulo – VALOR

Há mais de duas décadas, a associação que representa os fabricantes de veículos, a Anfavea, convoca a imprensa todos os meses para divulgar os números do setor. Ontem, o gaúcho Jackson Schneider, um executivo da Mercedes-Benz que ocupa a presidência da entidade desde 2007, cumpriu o ritual mais uma vez. As principais notícias não foram muito diferentes das dos últimos encontros: o mercado interno mantém-se aquecido, com resultados que sucessivamente têm superado expectativas. Já a exportação continua indo mal.

Este será o sexto ano de crescimento consecutivo do mercado brasileiro. Já a produção, que vinha vinha num ritmo crescente há nove anos, fechará este exercício com a primeira queda desde 1999.

A força do mercado interno faz com que o Brasil continue a atrair investimentos do setor. “Este é um mercado que todo o mundo vai olhar”, diz Schneider. “Não há condições de a indústria automobilística projetar investimentos e nem estratégias sem considerar o Brasil, acrescenta ele. A Anfavea tem recebido visitas de representantes de empresas da China e também da Índia interessadas em iniciar atividade no país.

Schneider diz que “o mercado interno é apetitoso o suficiente para atrair novos investimentos”. No entanto, afirma, o setor quer também se preparar para voltar a vender para outros países quando a crise passar. “O reforço da competitividade de produto feito aqui ajuda na exportação”, diz.

Para ele, o Brasil depende de ajustes internos para ganhar competitividade no mercado externo. Ele aponta o processo de arrecadação fiscal, logística e acesso a pesquisa como áreas em que o país precisa avançar.

Com um mercado hoje de 3 milhões de veículos por ano, o Brasil centraliza a produção e o comando de todo o mercado do Mercosul, que chega a 3,5 milhões. No disputa de competitividade, o Brasil terá de enfrentar o Leste europeu e a China. Schneider lembra que o Leste europeu apresenta boas condições de produção. Mas no desenvolvimento de produto, os mais avançados são Brasil e China.

Comparações com outros países justificam o interesse das empresas. Numa recente palestra dirigida a fornecedores, o diretor de vendas da General Motors, Marcos Munhoz, mostrou o que aconteceu na relação habitantes/automóveis no mundo nos dois últimos anos.

No Japão, o número de vendas de veículos para cada mil habitantes passou de 42,1 em 2007 para 38,7 este ano. No Canadá, verificou-se queda de 16%, passando de 51,8 para 34,9. Já nos Estados Unidos, a retração foi ainda maior: saiu de 54,4 para 29,5. Por sua vez, no Brasil, no mesmo período, a relação subiu de 12,9 para 14 e na China, de 6,5 para 8.

“Todo o mundo está convencido de que o mercado da Europa não vai crescer de maneira significativa nos próximos dez ou 20 anos. Por isso, o importante é conseguir avançar nas regiões onde prevemos um crescimento importante”, diz o presidente do grupo PSA Peugeot Citroën no Mercosul, Vincent Rambaud. Para ele, quando se fala em Brasil não se pode separar mercado e produção. “O lugar mais interessante para se produzir carros é onde se pode vendê-los”.

“O mercado do Brasil está em crescimento não apenas porque recebeu incentivos do governo, mas porque tem potencial”, diz o presidente mundial do grupo Renault/Nissan, Carlos Ghosn. “Na relação número de habitantes por veículo o país ainda está muito longe de onde pode chegar”.

O Brasil abriga hoje 16 montadoras de automóveis, ônibus e caminhões, com 26 fábricas espalhadas em oito Estados. Ao ritmo de 3 milhões de unidades por ano, esse parque industrial funciona com ociosidade média de 25%. Os programas de investimentos anunciados nos últimos meses levarão a uma capacidade de 4 milhões em breve. (MO)