12/11/2009 - 10:54h Setor de estaleiros estima expansão de 50% até 2011

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Vera Brandimarte e Francisco Góes, do Rio e São Paulo – VALOR

O Brasil poderá ampliar a capacidade de produção dos estaleiros nacionais em cerca de 50% nos próximos dois anos, prevê Ariovaldo Rocha, presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval). Rocha disse que é viável ter capacidade de 900 mil toneladas de processamento de aço nos estaleiros do país no fim de 2011 ante 600 mil toneladas hoje em 22 de pequeno e grande porte.

“Precisamos mais 300 mil toneladas de capacidade adicional. Isso quer dizer mais três novos estaleiros de 100 mil toneladas cada”, disse. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse ao Valor, em Londres, na semana passada, que há interesse do banco em financiar a construção de mais dois estaleiros.

Rocha, do Sinaval, citou projetos em estudo que poderiam contribuir para aumentar a capacidade. Um deles é o do Estaleiro da Bahia, envolvendo OAS e Setal. Outro é o empreendimento do Estaleiro Ilha S.A (Eisa), do grupo Synergy, de Germán Efromovich, previsto para Maceió (AL). Rocha citou ainda a possibilidade de instalação de um novo estaleiro pelos sócios do Estaleiro Atlântico Sul (EAS).

Carlos Reynaldo Camerato, conselheiro do EAS, disse que está em análise a criação de uma outra empresa focada na construção de “topsides” para plataformas. Essa unidade poderia ser instalada em Suape (PE), onde fica o EAS, ou em outro Estado.

Rocha também citou entre os novos projetos de estaleiros o da OSX, empresa do grupo EBX, de Eike Batista, em Biguaçu (SC). Mas ele lembrou que esse é um projeto que nasce para atender, preferencialmente, a demanda da empresa de produção de petróleo de Batista, a OGX. (FG e VB).

Leo Caldas / Valor
Foto Destaque
Bellelis, presidente do EAS, diz que Vale poderia financiar uma parte. “Quando compra da China não paga contra entrega”

Indústria naval: Estaleiro de Pernambuco negocia com mineradora construção de 4 navios de 400 mil toneladas


EAS projeta segundo dique para atender Vale


Vera Brandimarte e Francisco Góes, de São Paulo e do Rio – VALOR

O Estaleiro Atlântico Sul (EAS) poderá construir um segundo dique seco em Suape (PE) para atender a encomenda da Vale de navios dedicados ao transporte de minério de ferro. O projeto deve ser apresentado ao conselho de administração do EAS até o fim do ano. O valor do projeto não está definido, mas deve ser superior aos cerca de R$ 300 milhões gastos nas obras civis do primeiro dique, que estará concluído em dezembro e que consumiu outros R$ 100 milhões (US$ 60 milhões) na compra de dois grandes guindastes.

As discussões entre a Vale e o EAS estão aceleradas. Em 15 de dezembro vence o prazo dado pela mineradora para que estaleiros nacionais apresentem suas ofertas. O pacote envolve quatro navios de grande porte, mas os estaleiros avaliam que esse poderia ser o primeiro lote de uma série de embarcações. O EAS vem trabalhando em uma proposta técnica e comercial para os primeiros navios da mineradora. O tema ganhou importância no alto escalão das duas companhias e envolveu o governo federal.

Na semana passada, em Londres, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ao Valor que buscaria aproximar o presidente da Vale, Roger Agnelli, ao EAS. Na visão de Lula, o estaleiro teria, sim, condições de atender a Vale desde que tivesse uma programação de navios de longo prazo, de forma que fizesse sentido investir na ampliação da capacidade. Lula participou em Londres do seminário “Investimentos no Brasil”, promovido pelo Valor e “Financial Times”.

Nas discussões para se chegar a um acordo há, porém, temas sensíveis, sendo um dos principais deles a definição das fontes de financiamento. A Vale não está disposta a investir em estaleiros porque considera que seu negócio não é construir navios. Agnelli, que participou do evento em Londres, disse que a Vale estaria disposta a dar ao estaleiro que for investir uma garantia de compra que lhe permitiria tomar crédito no mercado.

Angelo Bellelis, presidente do EAS, considera que a construção dos navios da Vale pode ser viável com uma fórmula que combine financiamento do cliente, aporte dos acionistas do estaleiro e empréstimo do Fundo da Marinha Mercante (FMM). Na sua visão, a mineradora devia tentar uma solução combinada, financiando parte dos navios. “A Vale quando compra navio da China não paga contra entrega.” Outro ponto é que os primeiros navios encomendados pela Vale no Brasil teriam um custo maior do que navios semelhantes construídos na China ou Coreia. Esse custo tende a cair à medida que a indústria naval brasileira aumente a sua competitividade.

No momento, o EAS tem capacidade nominal para processar 160 mil toneladas de aço por ano e tem em carteira projetos que garantem 60% de ocupação. Apesar de o estaleiro ter 40% de capacidade de processamento de aço disponível, é preciso considerar a disponibilidade no dique atual. “Temos capacidade no dique mas com equipamentos compatíveis com os que temos hoje em linha de produção”, diz Carlos Reynaldo Camerato, diretor superintendente da unidade de negócio construção naval da Camargo Corrêa.

O grupo tem 49,5% do EAS, cuja carteira é formada por 22 navios petroleiros da Transpetro e um casco de plataforma da Petrobras. É por essa razão que o EAS precisa, como alternativa, de um segundo dique. Camerato, também conselheiro do estaleiro, disse que o EAS não tem como estratégia trabalhar com 100% de ocupação. “Sempre teremos espaço para novas encomendas.” O conselheiro confirmou que o estaleiro estuda plano de negócios para a construção do segundo dique que será apresentado ao conselho de administração até dezembro.

Além da Camargo, o EAS tem 49,5% de participação da Queiroz Galvão e 1% da PJMR. O estaleiro está em processo de reestruturação para abrigar a coreana Samsung Heavy Industries. Com a mudança, que depende de aprovações de BNDES e Transpetro, a Camargo passará a ter 40% do negócio, Queiroz Galvão (40%), PJMR (10%) e Samsung (10%).

Em Londres, Vitor Hallack, presidente do conselho de administração da Camargo Corrêa, disse que, com sua atual estrutura, o EAS está comprometido com entregas (para Transpetro e Petrobras) até 2013 e que a partir daí poderia fazer navios para a Vale.

Agnelli disse que a empresa tem programada a entrega de navios até 2013. A Vale contratou na China a construção de 12 grandes navios, cada um com capacidade de 400 mil toneladas, em uma encomenda de US$ 1,6 bilhão. O primeiro navio tem previsão de entrega no início de 2011 e os demais até o fim de 2012. Mas a Vale terá que continuar renovando sua frota.

A encomenda motivou protestos dos estaleiros nacionais e levou à abertura de negociações com a Vale. A Vale fixou 15 de outubro para entrega das propostas, mas adiou o prazo para 15 de dezembro a pedido dos estaleiros. O EAS não poderia atender a Vale no prazo que ela desejava, 2012, mas considera factível a entrega a partir do fim de 2013.

28/10/2009 - 09:44h Indústria naval prevê US$ 55 bi em investimentos

Valor inclui dois estaleiros e plataformas e navios encomendados pela Petrobrás, segundo o BNDES

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Kelly Lima, RIO – O Estado SP

Os investimentos projetados pela indústria naval brasileira já chegam a US$ 55 bilhões, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O volume inclui dois novos estaleiros e várias encomendas de plataformas de petróleo e navios pela Petrobrás.

Na opinião do gerente do Departamento de Transportes e Logística do BNDES, Antonio Carlos de Andrade Tovar, tal demanda é suficiente para justificar a construção de novos estaleiros no Brasil. Segundo Tovar, ao volume citado podem ser acrescidos outros US$ 15 bilhões projetados por petroleiras privadas que atuam no País – principalmente a OGX, do grupo empresarial de Eike Batista.

Outro investimento, que deve ser aprovado no ano que vem, são os US$ 4 bilhões de encomendas da Transpetro, subsidiária da Petrobrás, na segunda fase do seu plano de renovação de frota. As petroleiras Shell, Statoil e Exxon devem ser as próximas a anunciar encomendas, disse o executivo.

“Diante desse volume de investimentos, há uma demanda gigantesca por novos estaleiros, novas empresas fabricantes, enfim, novos investimentos na cadeia para atender a essas encomendas”, afirmou Tovar, em conferência sobre o setor naval, no Rio. Ele ressaltou que os 13 maiores estaleiros do País ocupam hoje área total de 3,5 milhões de metros quadrados, menor do que uma única unidade de gigantes mundiais como o Daewoo ou o Hyundai, respectivamente com 4,2 milhões de metros quadrados e 6 milhões de metros quadrados de área.

“O Hyundai é um estaleiro capaz de cortar 2 milhões de toneladas por ano, fabricar 70 navios por ano, o que perfaz a média de um navio pronto a cada quatro dias. Perto disso, o volume brasileiro, com capacidade total de 500 mil toneladas de chapas de aço por ano, fica risível”, disse o gerente do BNDES.

De fato, a percepção da demanda crescente já movimenta os investidores locais. O consórcio Estaleiro Atlântico Sul (EAS), formado por Camargo Correa e Queiroz Galvão, já analisa áreas para a instalação de um segundo canteiro no Brasil – o primeiro está em Pernambuco. “Já estudamos 17 áreas e estamos avaliando a possibilidade”, disse o diretor da companhia Fernando Tourinho, em entrevista após evento do setor naval, ontem no Rio.

Segundo fontes, a Bahia larga na frente na disputa pelo empreendimento, que terá como objetivo construir navios de grande porte e plataformas de exploração e produção de petróleo. Se confirmado, o investimento vem somar-se a vários outros projetos, todos orçados entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão, anunciados por OSX (também do grupo de Eike Batista, em Santa Catarina), Odebrecht (na Bahia), Jurong (no Espírito Santo) e outros dois ainda em negociação, no Ceará e em São Paulo.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio, Julio Bueno, os novos projetos podem ajudar a garantir competitividade da indústria nacional de navipeças, até mesmo em âmbito internacional.

Para Bueno, a concentração de um setor em um só Estado – como a indústria naval, que está praticamente 80% no Rio – é prejudicial ao País. “Temos de ter um olho no mercado interno, mas também precisamos nos voltar à descentralização.”

24/10/2009 - 09:17h SP vai ter estaleiro de grande porte

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O Estado SP

O Estado de São Paulo terá seu primeiro estaleiro de grande porte, voltado à construção e manutenção de plataformas de petróleo, disse ontem o ministro de Portos, Pedro Brito. Segundo ele, a negociação será anunciada em breve. O estaleiro receberá investimento de US$ 1 bilhão e será construído “junto ao Porto de Santos”. Além de Santos, ele disse que também estão sendo negociados investimentos em estaleiros de menor porte na Bahia, Ceará e Alagoas.

23/09/2009 - 09:41h Estaleiros da Ásia têm interesse no pré-sal, diz estatal

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DA SUCURSAL DO RIO – FOLHA SP

O gerente-executivo do pré-sal da Petrobras, José Formigli, afirmou que o Brasil é atualmente visto como destino de estaleiros coreanos, cingapurianos e chineses em busca de oportunidades de negócios, depois de enfrentarem a queda nas encomendas, com a crise.
“Esses camaradas que, na época do “boom”, diziam que não viriam ao Brasil porque estavam com excesso de encomenda, agora estão com ociosidade”, disse Formigli.
Segundo o executivo, diferentemente das demais petroleiras surpreendidas pela crise e a queda do preço do barril de petróleo, a Petrobras está aproveitando a baixa de até 10% nos custos de equipamentos para fazer encomendas.
Formigli afirmou ainda que muitos desses estaleiros demonstraram interesse em participar das licitações para a construção de 28 sondas, que a Petrobras anunciou há quase um mês. Na ocasião, a empresa deixou claro que quer fazer as encomendas no Brasil.
Segundo ele, entre as alternativas estudadas para transportar o petróleo do pré-sal, vencendo uma distância de 300 quilômetros, estão a construção de dutos até os poços e a criação de um plano de escoamento por navios.

22/07/2009 - 09:48h Com encomendas da Petrobrás, Brasil vira o 5.º maior mercado do mundo

País terá até 17 novos estaleiros

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Kelly Lima, RIO – O Estado SP

Plataformas, sondas, petroleiros e embarcações de apoio em encomendas bilionárias da Petrobrás podem fazer do Brasil a meca dos investimentos da indústria naval nos próximos anos. Os valores chegam a US$ 17 bilhões, numa primeira fase (entre 2009 e 2010), podendo ir a US$ 40 bilhões até 2012. O mercado brasileiro já detém a quinta maior carteira de encomendas do mundo, com estudos para a construção de até 17 estaleiros, segundo fontes do setor.

A maioria dos projetos, no entanto, aguarda ganhar uma licitação para efetivar os investimentos que, isoladamente, variam de US$ 100 milhões a US$ 1 bilhão. “Primeiro tivemos o boom do ressurgimento da indústria naval brasileira, após 20 anos sem encomendas. Com isso, vieram os estaleiros virtuais, hoje uma realidade, e investimentos na modernização e ampliação de outros, já existentes. Agora são novos investidores nacionais e internacionais, de olho nas oportunidades que o País oferece”, diz o presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

Além de 26 novos petroleiros – dos quais 18 estão sendo negociados e 8 serão licitados dentro de 60 dias – encomendados pela Transpetro, a Petrobrás recebe em 7 de agosto os envelopes com as propostas para a construção de oito cascos em série para navios-plataforma que vão operar em Tupi.

A estatal também lança no segundo semestre a encomenda do primeiro pacote de sete sondas de perfuração em águas ultraprofundas, de um total de 28 que serão construídas pela primeira vez no Brasil.

Por fim, colocou na praça o primeiro lote para contratação de 24 (de um total de 146) embarcações de apoio. O governo do Rio está intermediando duas negociações de grande porte.

ATRAÇÃO

Além de ter incentivado a construção de quatro estaleiros no Complexo Industrial de Barra do Furado, no Norte Fluminense, o governo quer atrair investidores para uma área em Itaguaí, no sul do Estado, área próxima ao porto. “Temos holandeses, brasileiros, franceses, vários interessados. Há uma fila de investidores”, diz o secretário de Desenvolvimento do Estado, Júlio Bueno. Ele também atua em negociação de compra ou aluguel pela Petrobrás da área que abrigou o estaleiro Ishibrás, o maior já instalado no Brasil.

Por causa de sua extensão às margens da Baía de Guanabara e seu calado, a área poderia sediar a construção simultânea de até dois navios-plataforma FPSO (de produção e estocagem de óleo), do tipo que está sendo encomendado para Tupi. O diretor da área de serviços da estatal, Renato Duque, confirma as negociações, mas não dá maiores detalhes.

A ideia é repetir no Rio o arrendamento de um dique seco construído no Rio Grande do Sul, que é ofertado nas licitações. A área no Estado do Rio pertence aos grupos Iesa e Banco Fator.

28/05/2009 - 10:25h CPI do PSDB pode paralizar indústria naval. É o que teme o presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Santana da Rocha

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Indústria naval teme ser paralisada por investigação

Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

A indústria da construção naval brasileira, setor que tem atravessado incólume a crise financeira, poderá sofrer prejuízos com o funcionamento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) prestes a ser instalada no Senado para investigar supostas irregularidades na Petrobras. A afirmação foi feita ontem pelo presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Santana da Rocha, em audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados.

Ao lado do diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Oliveira Estrella, que participava da mesma audiência, o representante da indústria da construção naval elogiou a “seriedade” da empresa, considerou “um absurdo” a criação da CPI e criticou os senadores pela iniciativa.

O receio, de acordo com Rocha, é que a CPI provoque a paralisação de uma série de processos de licitações em curso, para construção e venda de navios, sondas e plataformas para a Petrobras. O diretor de Exploração e Produção da empresa, no entanto, negou que haja risco de interrupção nos investimentos previstos, por causa da CPI, principalmente relacionados à exploração do petróleo em camadas profundas – o petróleo do pré-sal.

“São planos estabelecidos há muito tempo, de longo prazo, não são planos para amanhã, de modo que não haverá qualquer tipo de interrupção nos nossos trabalhos por causa da CPI”, afirmou Estrella. Segundo ele, os investimentos previstos para a exploração do petróleo do pré-sal estão garantidos no plano estratégico da Petrobras.

Estrella ocupa o cargo supostamente cobiçado pelo PMDB durante a negociação em torno da criação da CPI da Petrobras, segundo revelações feitas por alguns pemedebistas na época da criação da CPI. Essas pressões foram negadas pela direção do partido e pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que preside o Conselho de Administração da Petrobras.

Na reunião de ontem, o diretor afirmou desconhecer a interferência política por sua substituição, mas disse que seria normal se o governo, que é o acionista controlador da empresa, resolvesse nomear outra pessoa para o cargo. Lembrou que exerce uma função de confiança e “faz parte da história da companhia” a mudança de diretores.

Segundo dados apresentados pelo diretor da Petrobras na audiência pública, a empresa planeja adquirir 44 navios de grande porte, 92 barcos de apoio e 15 plataformas de produção somente no período de 2009 a 2013. Dessa data até 2015, serão cinco navios de grande porte, barcos e oito plataformas. E, de 2016 a 2020, a empresa prevê adicionar à frota 53 barcos de apoio e 22 plataformas.

A audiência pública foi proposta pelo presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara para que os parlamentares pudessem discutir o plano estratégico de negócios da Petrobras com representantes do setor.

O diretor de Exploração e Produção da Petrobras apresentou o plano da estatal até 2013, que prevê aplicação de US$ 174,4 bilhões em investimentos. Desse total, US$ 104,6 bilhões serão destinados à exploração e produção de petróleo, dos quais US$ 92 bilhões no Brasil. Na exploração da camada pré-sal, a Petrobras deve investir US$ 17,7 bilhões de dólares. Afirmou que até 2013 a Petrobras deve ser responsável pela geração de 1,044 milhão de novos empregos no Brasil, dos quais 267 mil diretos e 777 mil indiretos.

24/05/2009 - 11:30h Petróleo reanima a indústria naval

Encomendas da Petrobrás puxam 2.ª onda de investimentos em modernização e construção de novos estaleiros

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Alberto Komatsu e Nicola Pamplona – O Estado SP

A indústria brasileira de construção naval deflagrou uma segunda onda de investimentos após o chamado “renascimento” do início da década, que culminou com a reabertura dos principais estaleiros nacionais. Agora, porém, o foco é a expansão da capacidade instalada, com tecnologias avançadas para atender à demanda do setor de petróleo. Há hoje pelo menos oito novos canteiros projetados para o País, com investimento total de R$ 8,4 bilhões.

Além do histórico volume de recursos em novas unidades, executivos do setor contam que, mesmo com a crise, também vão investir para ampliar e modernizar as estruturas já existentes. O apetite é motivado pela extensa carteira de encomendas da Petrobrás – 296 embarcações entre plataformas, navios e barcos de apoio – e pelo crescimento da atividade petrolífera privada no País.

“Nas décadas de 60, 70 e começo de 80, os estaleiros não eram obras com sustentabilidade. Era mais um programa que o governo tinha que incentivava as empresas a produzir navios no Brasil. Hoje é demanda firme, não é mais induzida”, diz o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha.

Essa segunda fase de investimentos teve início com a construção dos estaleiros Atlântico Sul, em Pernambuco, e Rio Grande, no Rio Grande do Sul, primeiros grandes canteiros do País desde a década de 60, que já nasceram lastreados por encomendas da Petrobrás. E pretende descentralizar a atividade, até agora muito concentrada no Rio.

Dos novos projetos em estudo, apenas um deve ser construído no litoral fluminense. O alto custo dos terrenos em frente ao mar e a dificuldade para obter licenças ambientais empurraram os empreendimentos para fora da região Sudeste. É o caso do grupo Sinergy, que já controla o Estaleiro Ilha S.A (Eisa) e o Mauá, ambos no Rio, mas tende a abrir sua terceira unidade em Maceió, com investimento de R$ 1 bilhão.

“O Brasil vive sua quarta chance histórica de se consolidar como polo construtor naval”, disse essa semana o diretor de planejamento do BNDES, João Carlos Ferraz. Na opinião dele, a demanda existente coloca o País em posição privilegiada nestes tempos de crise. “O desaquecimento do mercado dá poder de barganha para atrairmos investimentos.”

O Programa de Renovação e Expansão da Frota da Petrobrás (Promef), que já encomendou 26 navios e negocia contratos para outros 15, é um exemplo do que diz Ferraz: foi um contrato com a Transpetro que levou à abertura do estaleiro Atlântico Sul, por exemplo. A expectativa é de que haja ainda uma terceira fase, já que o cronograma atual ainda não considera a demanda por transporte de petróleo que será gerada pelo pré-sal.

Nesse sentido, o papel do Promef, agora, é semelhante ao que teve, no início da década, a reserva de mercado criada pelo governo Fernando Henrique Cardoso para barcos de apoio às plataformas, que gerou a demanda necessária para a reabertura de canteiros depois de duas décadas de ostracismo.

“A crise teve um reflexo direto no preço do barril de petróleo, mas não nos investimentos da construção naval”, comenta Gisela Mac Laren, presidente do estaleiro Mac Laren, que vai investir R$ 240 milhões em modernização no canteiro da empresa no Rio.

Desse total, R$ 140 milhões serão destinados a um dique seco, instalação que ainda não existe no Brasil e é necessária para a construção de grandes cascos de plataformas semissubmersíveis de petróleo. Outros dois diques desse tipo estão em obras atualmente no País, no Atlântico Sul e no Rio Grande. Os dois estão entre os maiores projetos da lista elaborada para o Estado pelo Sinaval, que inclui um empreendimento de R$ 300 milhões do grupo coreano STX, no norte do Rio, e três projetos na Bahia – o Estaleiro da Bahia S.A, parceria entre a OAS, Setal Engenharia e Piemonte Construções; um projeto da UTC ; e outro da Odebrecht.

Na semana passada, um novo projeto veio à tona: o estaleiro BEX, do grupo controlado pelo empresário Eike Batista, a EBX. Orçado em US$ 600 milhões (ou cerca de R$ 1,2 bilhão), o empreendimento será construído em Biguaçu (SC). O objetivo inicial é atender à demanda do braço petrolífero do grupo, a OGX , construindo as embarcações necessárias para extrair as reservas da companhia. Na outra ponta, Batista usou o estaleiro para garantir demanda para uma siderúrgica projetada para o porto do Açu.

Segundo estimativas do Sinaval e da EBX, os novos projetos vão garantir uma geração de vagas superior a 20 mil empregados diretos. Atualmente, cerca de 42 mil pessoas trabalham no setor, número equivalente ao atingido no auge da indústria naval brasileira, na década de 70.

Parte dos equipamentos terá de ser importada

Tecnologia e capacitação de pessoal ainda são gargalos para a produção nacional de peças

Embora os números sobre investimentos em novos estaleiros sejam animadores, há ainda preocupações do governo com relação ao crescimento da indústria naval brasileira. O principal refere-se à indústria de navipeças, fornecedora de equipamentos para a construção de navios, segmento que pode ganhar uma linha específica de financiamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

BNDES e Transpetro se uniram em fevereiro para estudar um programa conjunto de apoio à indústria de navipeças. A estatal estima que o programa de construção de navios no Brasil represente encomendas de US$ 5 bilhões em peças e equipamentos e procura “uma estratégia para superar gargalos e construir uma cadeia competitiva”, segundo nota distribuída na época.

“Tem coisas que não tem como fugir: só dá para comprar lá fora. Mas mesmo o que se produz aqui precisa de garantias de qualidade”, diz o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (Abeam), Ronaldo Lima. A Petrobrás prevê a contratação de 195 embarcações desse tipo até 2020, mas equipamentos de maior tecnologia, como motores e componentes eletrônicos, ainda são importados.

A capacitação tecnológica e de pessoal é apontada pelo diretor de planejamento do BNDES, João Carlos Ferraz, como um dos desafios a serem enfrentados. Ele acompanhou comitiva da Petrobrás em viagem à Coreia do Sul, em busca de investimentos, e viu grandes diferenças na organização da indústria naval dos dois países.

Além da alta qualificação dos empregados coreanos, Ferraz citou a proximidade entre estaleiros e produtores de equipamentos como modelo que a ser copiado. “O ideal seria a formação de clusters de produção, com fabricantes de hélices, equipamentos, todos próximos aos estaleiros”, comentou, lembrando que a indústria naval brasileira está se espalhando por diversos Estados.

A comitiva voltou da viagem, que passou ainda por Cingapura e Japão, com promessas de novas fábricas no País, como uma unidade de produção de motores da coreana STX. “Com uma fábrica aqui já dá para exigir (nas licitações) que o motor seja construído em território nacional. Outras fábricas virão certamente”, comentou o diretor de serviços da Petrobrás, Renato Duque, afirmando que a exigência de que certos equipamentos sejam construídos no Brasil passará a ser política da estatal.

“A ideia é que os preços caiam gradativamente na construção em série desses equipamentos. Ou seja, o primeiro pode ser um pouco mais caro para amortizar os custos de investimento em uma nova unidade no país, mas, na proposta, as empresas deverão prever que até o último equipamento encomendado, o custo seja reduzido e o conteúdo nacional ampliado”, explicou Duque.

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Estaleiro leva vida nova a 2,2 mil pessoas

Até a inauguração, o Atlântico Sul deverá ter 4 mil empregados

Angela Lacerda – O Estado SP

“O que eu acho mais lindo é a hora da largada, aquela multidão de pessoas felizes, a maioria era tudo desempregada.” A observação é do montador do Estaleiro Atlântico Sul Gildo José de Lira, de 41 anos, casado, três filhos, salário de R$ 640,00, ele mesmo um ex-desempregado, ex-trabalhador rural, ex-pedreiro amador que vivia de bicos. Ele se refere ao momento em que os atuais 2,2 mil funcionários do estaleiro encerram o trabalho diário e voltam para o lar. A maioria deles, como Gildo, é de Ipojuca, onde se localiza o empreendimento, ou dos municípios do entorno do Complexo Industrial e Portuário de Suape, no litoral sul pernambucano.

Ainda em construção, com 70% da obra concluída, o estaleiro, que ocupa uma área de 154 hectares, tem inauguração prevista para dezembro, quando deverá contar com aproximadamente 4 mil empregados. Desde o ano passado, “a multidão de pessoas felizes” a que se referiu Gildo constrói um navio petroleiro para a Transpetro e o casco da plataforma semissubmersível P-55 da Petrobrás, cuja entrega deverá ocorrer em abril e junho de 2010, respectivamente.

“Estaleiro de quarta geração, moderno, com padrões internacionais, em nada comparável ao que possuía o Brasil”, diz o presidente da empresa, Angelo Bellelis. O Atlântico Sul já tem contratos para a fabricação de 15 navios petroleiros – dez do tipo Suezmax e cinco do tipo Aframax -, além do casco da plataforma.

Trabalhadores rurais, pescadores, desempregados e também gente que trocou empregos até com melhor salário, mas sem perspectiva de futuro, integram a maioria dos funcionários do Atlântico Sul. Eles destacam a estabilidade, o direito a plano de saúde, férias, transporte e refeição e, especialmente, o estímulo à especialização e ao aprendizado e a possibilidade concreta de galgar degraus – e aumentos salariais dentro da empresa.

Josenildo Francisco da Silva, 28 anos, solteiro, aos sete anos já acompanhava o pai no trabalho na zona canavieira. Começou a estudar aos 13 e trabalhava numa usina de cana-de-açúcar quando surgiu o estaleiro. “Tive que ir para o dicionário, nunca tinha ouvido falar em estaleiro nem em indústria naval”, conta, com um grande sorriso. Agora soldador, ele divide com Gildo Lira a boa sensação de fazer parte de “uma nova história do Nordeste, sem discriminação”.

A grande expectativa, hoje, dos trabalhadores do Estaleiro Atlântico Sul, que tem como acionistas os Grupos Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, a sul-coreana Samsung e a PJMR, é ver sair para o mar o primeiro navio construído.

“Será como um primeiro filho, um pedaço de cada um de nós”, resume Gildo, apoiado por Jonathan Calixto Ribeiro Júnior, 43 anos, que já se sobressai na área de pintura naval da indústria e, estimulado, pretende ampliar seus conhecimentos, com um curso de computação gráfica. “Ainda tenho muito a aprender”, disse.

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Mulheres têm 13% das vagas

Trabalhar no Atlântico Sul já virou símbolo de status

As mulheres conseguiram uma parte, 13%, das vagas da área industrial do Estaleiro Atlântico Sul. “Arrisquei, larguei a loja onde trabalhava como vendedora, sem carteira assinada, e me inscrevi”, conta Tatiane Maria da Silva Santos, 21 anos, pintora de petroleiro em fase de treinamento.

“Não quis perder a oportunidade de crescer”, acrescenta ela, que, como todos os funcionários, passou primeiro por um reforço escolar, depois por um curso no Senai e, finalmente, pelo Centro de Treinamento do estaleiro, para, enfim, assumir a função. O trabalho, de segunda a sexta-feira, vai das 7h30 às 17h30, com 1h15 de almoço.

Tatiane já tinha curso médio e aproveita a noite para fazer um curso técnico de operações logística. Em seguida, vai tentar a faculdade de administração. “É cansativo, mas quero me qualificar para tirar o máximo proveito do que a empresa pode oferecer”, diz.

Joádia Kele Xavier de França, 26 anos, está em fase de qualificação como soldadora. Identificada com a profissão, ela diz sentir orgulho em trabalhar no Atlântico Sul. “Nunca teve um indústria tão grande que tenha empregado tanta gente da terra”, comenta.

Trabalhar no estaleiro já dá status, segundo ela. Entre os amigos é comum a brincadeira baseada num humorístico televisivo. “Trabalha no estaleiro? Então, poooode.

16/09/2008 - 10:30h Petrobrás contrata 10 plataformas para pré-sal

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Equipamentos chegarão ao País entre 2013 e 2014 para testes

Kelly Lima, Gustavo Porto, Mônica Ciarelli, Nicola Pamplona – O Estado de São Paulo

A Petrobrás anunciou ontem a contratação de dez novas plataformas para a área do pré-sal da Bacia de Santos, conforme antecipou o Estado na quinta-feira. As duas primeiras, que serão afretadas, chegam ao Brasil entre 2013 e 2014 para testes de produção, provavelmente nas áreas de Guará e Iara. Segundo o presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, o Brasil enfrentará “enormes desafios” após as descobertas no pré-sal.

“As descobertas são gigantescas e os desafios, idem”, disse. Ele citou o potencial de 8 bilhões a 12 bilhões de barris de petróleo recuperáveis nos blocos de Tupi e de Iara. “Para cada sistema produtivo (plataforma e equipamentos de apoio) serão necessários investimentos de US$ 7 bilhões; e são muitos sistemas, não sabemos ainda quantos, podem chegar a 60.”

O diretor-financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, informou que o governo estuda um programa de isenção de impostos para incentivar a produção nacional dos equipamentos. Em maio, no lançamento da nova política industrial, o governo reduziu os impostos sobre a construção de navios e plataformas de exploração de petróleo.

Barbassa lembra que, na época, quando o governo lançou o incentivo fiscal, não havia produção de sondas no Brasil. “Agora existe uma demanda muito grande; serão 28 sondas construídas até 2017″, afirmou.

Após a abertura, ontem, da feira Rio Oil & Gas, Gabrielli comentou que a próxima área a ter a estimativa de volume anunciada será Júpiter, que tem potencial de gás natural. Até agora, a companhia divulgou projeções apenas para Tupi e Iara. Somados, os dois campos têm volume quase equivalente aos 16 bilhões de barris descobertos até hoje no pré-sal da porção americana do Golfo do México, segundo informações do vice-presidente da Chevron, Stephen Thurston.

O bloco de Tupi começa a ser testado no ano que vem e receberá um projeto piloto em 2010, com capacidade para 100 mil barris por dia. Os dois novos sistemas-piloto anunciados ontem, com capacidade semelhante, só começam a produzir em meados da próxima década. “Com esses projetos, vamos definir os melhores sistemas de produção para a região”, disse o gerente-executivo de Exploração e Produção da companhia, Francisco Nepomuceno.

Segundo ele, o modelo será diferente do adotado na Bacia de Campos. No pacote anunciado ontem, há oito navios-plataforma com capacidade para produzir 120 mil barris por dia. Mas, segundo Nepomuceno, uma das idéias em estudo prevê a substituição de plataformas convencionais por depósitos de petróleo e gás em cavernas na camada de sal. “A plataforma serve para armazenar petróleo, mas tem 2 mil metros de sal lá que podem desempenhar essa função.”

O gerente-executivo de Pré-Sal da Petrobrás, José Formigli Filho, disse que a Petrobrás vai lançar em outubro a licitação para dez navios-plataforma para a área do pré-sal na Bacia de Santos. Segundo ele, oito delas serão construídas no estaleiro Rio Grande, no Sul do País.

Considerando a encomenda dos oito sistemas de produção com capacidade para 120 mil barris, a Petrobrás gastaria em torno de US$ 50 bilhões nessa primeira fase de produção. Essas unidades serão instaladas entre 2015 e 2016.

Também no evento, o diretor-financeiro da Shell, Peter Voser, informou que o Brasil é “peça-chave no portfólio” da companhia e a empresa vai perfurar dez poços exploratórios no País nos próximos dois anos, alguns deles abaixo da camada de sal. A companhia produz no pré-sal desde o fim da década de 50 na Holanda.

O executivo disse que a companhia vem trabalhando em um modelo de liquefação de gás em plataformas, esquema que vem sendo estudado pela estatal para os campos da Bacia de Santos mais distantes do continente. “Esperamos ter, até o fim do ano, um desenho mais detalhado do projeto.”

26/05/2008 - 21:43h Plano para revitalizar indústria naval prevê investimento de US$ 5 bilhões

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da Folha Online

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou hoje em Niterói, no Rio, o Programa de Modernização e Expansão da Frota e de Embarcações de Apoio da Petrobras. O pacote prevê a encomenda no Brasil de 146 novas unidades de apoio às atividades de exploração e produção marítima de petróleo da companhia, ao custo estimado de US$ 5 bilhões.

A Petrobras confirmou ainda a intenção de contratar navios-sonda, plataformas de perfuração semi-submersíveis e navios de grande porte. A informação foi antecipada pelo blog do Josias.

Alinhado ao Prominp (Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural), a iniciativa, que integra a nova política industrial, tem como objetivo garantir um grande volume de encomendas a ser entregue ao longo dos próximos seis anos e, assim, contribuir para a revitalização da indústria naval brasileira.

A previsão é que a construção de cada uma das 146 embarcações gere cerca de 500 postos de trabalho. Quando a frota estiver em plena operação, serão abertas vagas para aproximadamente 3.800 tripulantes.

De acordo com os contratos de afretamento a serem firmados, apenas brasileiros poderão tripular as embarcações. Além disso, o conteúdo nacional da nova frota deverá alcançar, por contrato, entre 70% e 80%, dependendo do tipo de embarcação.

Durante a apresentação do programa, Lula defendeu a prioridade dada para a indústria naval brasileira no programa.

“Pensando no curto prazo, era mais fácil comprar [as embarcações] lá fora. (…) Só que não pode pensar no curto prazo. A Petrobras não é só a sexta maior companhia do mundo e a terceira maior das Américas. É uma alavanca para o desenvolvimento do país”, disse. “Ninguém vê que, construindo aqui, temos um novo trabalhador que tem renda e consome, e o comércio contrata mais. Com mais demanda, a indústria também emprega mais.”

Ao longo dos seis anos do programa, serão realizadas sete licitações. A primeira, em andamento, prevê a contratação de 24 embarcações. As demais serão feitas até 2014, com prazos contratuais de oito anos. Todas os barcos, uma vez construídos, serão afretados à Petrobras pelas empresas licitantes.

Das 146 embarcações programadas, 54 serão destinadas ao manuseio de âncoras de grande porte, dez às atividades de reboque e 64 em atividades de suprimento. Além dessas, serão contratadas 18 embarcações voltadas para operações de recolhimento de óleo exigidas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

A Petrobras pretende ainda contratar 40 navios-sonda e plataformas de perfuração semi-submersíveis para operar em águas profundas e ultra-profundas. O plano prevê a construção e o recebimento das novas unidades até 2017, com prioridade de construção no Brasil.

As demandas de logística de movimentação de cargas da Petrobras fazem com que a companhia planeje a contratação de mais 19 navios, mediante contratos de afretamento de longo prazo junto a empresas brasileiras de navegação, sempre considerando como contrapartida que esses navios sejam construídos no Brasil.

“Acredito que os empresários navais vão responder positivamente [a esta demanda]“, disse o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, durante a cerimônia.

Petroleiros

A Transpetro, subsidiária da Petrobras, apresentou durante o lançamento desta segunda-feira a segunda etapa do Promef (Programa de Modernização da Frota de Petroleiros). Em 2005 houve a licitação de 26 petroleiros junto a estaleiros nacionais; agora, um novo lote de mais 23 navios de médio e grande porte será licitado.

13/05/2008 - 09:32h “República da Petrobras”: Lucro sobre 68% e Petrobras vai encomendar 146 embarcações

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Setor naval ganha isenções tributárias e fundo garantidor de R$ 400 milhões na nova política industrial

República da Petrobras: Lula brinca com porte da empresa

Lucro da petrolífera sobe 68%, para R$ 6,9 bi

Os números bilionários anunciados pela Petrobras na apresentação da nova política industrial foram motivo de piada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse que daqui a pouco o povo brasileiro votará para presidente da Petrobras, e este indicará o presidente da República: — Quero dizer para vocês do constrangimento que tem um presidente da República ao anunciar um programa de desenvolvimento e dar a palavra à Petrobras. A dimensão dos bilhões da Petrobras é de tal envergadura maior que tudo que o Guido (Mantega, da Fazenda), o Miguel Jorge (Desenvolvimento) e o Luciano Coutinho (BNDES) falaram aqui que eu penso que vai ter algum momento na História do Brasil, se a Petrobras continuar assim, que vai ter que ter eleição direta para presidente da Petrobras e ele indicará o presidente da República.

Eliane Oliveira e Luciana Rodrigues – O Globo

A Petrobras vai encomendar 146 novas embarcações de apoio à atividade de petróleo em alto mar, anunciou ontem o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, durante a cerimônia de lançamento da Política de Desenvolvimento Produtivo.

O setor naval foi um dos contemplados pela nova política do governo. A principal medida para a área foi a criação, pelo Ministério da Fazenda, de um fundo garantidor de performance, no valor de R$ 400 milhões. Esse fundo, um pleito antigo do setor, é uma espécie de garantia de pagamento, para compradores e financiadores dos estaleiros.

— Temos um horizonte fantástico para indústria naval brasileira, um setor que é intensivo em mão-de-obra e tecnologia — disse Gabrielli.

A primeira licitação da Petrobras, já em andamento, prevê a contratação de 24 embarcações.

Os demais barcos de apoio serão comprados até 2014. O conteúdo nacional dessa nova frota deverá alcançar, por contrato, entre 70% e 80%. A empresa já havia anunciado, em março, que estimularia a construção de ao menos cem barcos de apoio no Brasil, sem detalhar os números. A estimativa do mercado é que cada embarcação deste tipo custe de US$ 30 milhões a US$ 40 milhões.

Todas as embarcações, depois de construídas, serão afretadas à Petrobras. A empresa estima que, durante as obras, cada barco de apoio gerará cerca de 500 postos de trabalho.

Isenção para peças usadas por estaleiros nacionais A nova política industrial do governo, além de criar o fundo garantidor de performance para a indústria naval, suspendeu a cobrança de IPI, PIS e Cofins incidentes sobre peças e materiais destinados à construção de navios por estaleiros nacionais.

Ainda no setor de navegação, o governo equiparou a venda de combustível para cabotagem (navegação pela costa nacional) à da navegação de longo curso (para exportação), para efeitos de suspensão de PIS e Cofins.

E, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o fundo de R$ 400 milhões poderá ter alavancagem: ou seja, significará a liberação de recursos num valor até cinco vezes superior.

Lucro da petrolífera sobe 68%, para R$ 6,9 bi

Preço internacional do petróleo e redução de gastos contribuíram para resultado do 1º tri

Ramona Ordoñez e Juliana Rangel – O Globo

Depois de enfrentar, no ano passado, crescimentos menores que o esperado nos resultados financeiros, a Petrobras fechou o primeiro trimestre de 2008 com um lucro líquido de R$ 6,92 bilhões, 69% acima dos R$ 4,1 bilhões de igual período de 2007. Foi o maior resultado para o período na história da empresa. Também superou previsões do mercado financeiro, que esperavam ganhos de até R$ 5,8 bilhões.

O lucro ainda foi 37% maior que o do quarto trimestre de 2007, de R$ 5 bilhões.

O diretor Financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, destacou que o resultado se deveu ao aumento de 2% na produção interna, aliado ao avanço dos preços do petróleo — que favoreceu as exportações — e à redução de 11% dos custos operacionais e de 57% nos financeiros.

No ano passado, o resultado do primeiro trimestre teve um impacto negativo de R$ 1 bilhão, por causa de uma repactuação da dívida com o fundo de pensão, a Petros.

Analista: não-repasse gerou perda em abastecimento Enquanto isso, a apreciação média de 1% do real frente ao dólar teve um reflexo positivo de R$ 1 bilhão no primeiro trimestre deste ano.

— Todo o petróleo exportado, assim como os derivados como nafta, óleo combustível e querosene de aviação, acompanharam o preço internacional e beneficiaram os resultados — destacou Barbassa.

No entanto, o analista Lucas Brendler, da corretora Geração Futuro, observou que a demora da estatal em repassar para os preços internos da gasolina e do diesel a alta do petróleo no mercado internacional causou um prejuízo de R$ 566 milhões nas atividades de abastecimento, no primeiro trimestre deste ano. No mesmo período de 2007, o segmento lucrou R$ 2,126 bilhões.

Em compensação, a área de exploração e produção (E&P) teve aumento de lucro de 86%, para R$ 9,43 bilhões.

— A área de E&P repassava a alta do petróleo para a área de abastecimento, que estava engessada, não conseguia fazer o reajuste para o consumidor. As margens foram ficando cada vez mais encurtadas, até que resultaram em prejuízo — disse o analista. — Com o reajuste feito no dia 1º , a empresa corrigirá esse desequilíbrio no segundo trimestre.

Neste ano, a Petrobras prevê investir R$ 54 bilhões — R$ 10,1 bilhões foram no primeiro trimestre —, 20% acima dos R$ 45 bilhões no ano passado.

Barbassa afirmou que, até o fim do ano, a companhia pretende captar no mercado financeiro cerca de US$ 5 bilhões, dos quais aproximadamente US$ 2 bilhões no mercado de capitais.

No primeiro trimestre, a receita operacional líquida da Petrobras foi de R$ 46,8 bilhões, com alta de 21% em comparação ao resultado em igual período do ano passado.

A produção só de petróleo no país foi de 1,81 milhão de barris diários, um crescimento de apenas 1% em relação ao 1,8 milhão de barris do mesmo trimestre de 2007. Já a produção de gás natural aumentou 11%, de 274 mil barris equivalentes por dia para 304 mil.

Para o analista Luiz Otávio Broad, da Ágora Corretora, o resultado foi muito bom. Ele esperava um lucro líquido de R$ 5,7 bilhões.

— A gente destaca a redução nas despesas com operações em relação ao mesmo período de 2007. Isso, aliado ao aumento do lucro bruto (que foi de R$ 2,051 bilhões), permitiu a expansão de 26% no Ebitda (ganhos antes do pagamento de juros, impostos, depreciação e amortização).