06/11/2009 - 10:28h O setor de petróleo brasileiro, com a exploração e desenvolvimento da camada pré-sal, tem tudo para ser a maior alavanca da economia nos próximos anos

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Exploração do pré-sal impulsiona novos negócios

Simone Goldberg, para o Valor, do Rio

O setor de petróleo brasileiro, com a exploração e desenvolvimento da camada pré-sal, tem tudo para ser a maior alavanca da economia nos próximos anos, abrindo inúmeras perspectivas de negócios. A festa já começou. Entre 2009 e 2012, de acordo com dados da Organização Nacional do Petróleo (Onip), os investimentos no setor industrial somarão R$ 450 bilhões, 60% dos quais oriundos do segmento de petróleo e gás. “A programação de investimentos é bilionária: a Petrobras e as demais petroleiras vão aportar US$ 200 bilhões nos próximos cinco anos”, informa o diretor geral da Onip, Eloi Fernandez.

Desses US$ 200 bilhões, US$ 45 bilhões irão para o pré-sal, somando Petrobras – que contribuirá com 62% desse montante – e demais empresas. Num horizonte de prazo mais longo, esses valores dão saltos consideráveis: até 2020, a previsão é a Petrobras, sozinha, gastar US$ 111,4 bilhões no pré-sal. Petroleiras estrangeiras, ainda que estejam em compasso de espera, aguardando as definições sobre o marco regulatório da nova província exploratória em análise pelo Congresso Nacional, também já anunciaram planos bilionários de investimento no Brasil.

É o caso da petrolífera norueguesa StatoilHydro, que pretende fazer aportes de US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões no país em uma década e da americana Chevron, que revelou intenção de investir US$ 5 bilhões também nos próximos dez anos. A StatoilHydro, que tem expertise em águas profundas, vai gastar os recursos em campos onde já opera no Brasil. Mas, segundo o presidente no país, Kjetil Hove, há interesse também no pré-sal. “É um projeto que se encaixa bem nas ambições de longo prazo da empresa”, diz.

Já a Chevron vai tocar o desenvolvimento de cinco campos que opera em sociedade com outras petroleiras e em empreendimentos novos, que podem incluir o pré-sal, se a legislação referente a sua exploração não for restritiva. Além delas, outra grande ‘player’, a anglo-holandesa Shell, com grande experiência em pré-sal, que atua em regiões como o Golfo do México e o Oriente Médio, também está acompanhando as mudanças das regras do negócio.

Há quase cem anos no Brasil, a Shell já desembolsou mais de US$ 2,8 bilhões explorando e produzindo petróleo por aqui. A empresa participa de 15 blocos de exploração e só no ano passado investiu mais de meio bilhão de dólares no país. De acordo com seu gerente de relações externas de exploração e produção no Brasil, Flavio Rodrigues, o pré-sal exigirá muitos recursos e tecnologia para confirmar sua viabilidade e potencial. Ele espera que se estabeleça um ambiente de negócios transparente, com regras estáveis, e competitivo.

Muitas petroleiras estrangeiras são sócias da Petrobras em blocos já licitados do pré-sal, como a própria Shell, as portuguesas Partex e Galp, a espanhola Repsol, a britânica BG e as americanas Hess e Exxon. Algumas têm razões para dar sorrisos largos, pois já foram confirmados grandes volumes de óleo em suas áreas de exploração. É a sorte da Galp, que participa de cinco blocos no pré-sal. Ela pretende investir US$ 2,6 bilhões até 2013 para desenvolver essas descobertas, focando nos seus quatro blocos da Bacia de Santos. O outro fica na Bacia do Espírito Santo.

Os blocos já leiloados representam cerca de 28% da nova província exploratória e, segundo o projeto do marco regulatório que está no Congresso, vão se manter sob as regras atuais de concessão. Os demais, que ainda serão licitados, ficarão sob o regime de partilha, conforme propõe o governo.

Essa movimentação traz a reboque uma série de outros negócios, estimulando a grande cadeia produtiva de bens e serviços domésticos e abrindo apetites estrangeiros. A quinta edição da Brasil Offshore, feira da indústria petroleira, realizada em Macaé, em junho, serviu de termômetro para o negócio de óleo e gás daqui para frente. O número de expositores do exterior -138 – representou aumento de 100% em relação à feira anterior. Vieram fabricantes principalmente da China, França, Reino Unido, Holanda, EUA e Alemanha. Vários já se preparam para se instalar no país e ficar mais perto dos clientes.

Um exemplo é a francesa Ixsea, fabricante de sistemas de giroscópio com sensores de movimento usados para estabilizar embarcações. Outra francesa, a Imeca, avalia desembarcar no Brasil com sua fábrica de equipamentos que movimentam tubos em alto mar. A empresa já está presente no pré-sal brasileiro: fornece maquinário para a também francesa Technip, que trabalha para a Petrobras no Teste de Longa Duração do Campo de Tupi, na Bacia de Santos. A Technip é dona da Flexibras, fabricante de tubos flexíveis, no Espírito Santo.

Empresas brasileiras também já se preparam para morder um pedaço do bolo. O Estaleiro Atlântico Sul (EAS), instalado no Porto de Suape, Pernambuco, já tem uma carteira cheia de pedidos da Petrobras. O EAS está contratado para fazer 22 navios petroleiros, integrantes das fases um e dois do Programa de Modernização da Frota (Promef). Em setembro de 2008 foi iniciada a construção do primeiro, que deverá ser lançado ao mar, para acabamento e testes finais, no começo de 2010. Dos 22 navios, sete são da fase dois do Promef e tiveram seu contrato assinado em setembro. Eles serão usados no transporte de petróleo das novas áreas produtoras do pré-sal para os terminais da Petrobras.

O estaleiro também está fazendo o casco da plataforma P-55 para a estatal. Sua carteira de encomendas soma US$ 3,4 bilhões e o estaleiro avalia uma expansão para atender ao aumento de demanda que virá com o pré-sal. “O pré-sal traz aos fornecedores da cadeia do petróleo a oportunidade de viabilizar investimentos de médio e longo prazos. Especialmente no Nordeste, onde estamos instalados, contamos muito com o pré-sal”, afirma o presidente do EAS, Ângelo Bellelis.

O EAS é controlado pelos grupos Camargo Corrêa e Queiroz Galvão. Este último, por sinal, por meio da Queiroz Galvão Óleo e Gás (QGOG), tem projetos ambiciosos para prestar serviços no pré-sal. Entre eles está a compra, junto a estaleiros estrangeiros, de três plataformas capazes de operar em áreas ultraprofundas. A Queiroz Galvão Óleo e Gás acumula experiência como prestadora de serviços de perfuração em águas profundas desde agosto, quando teve sua plataforma Olinda Star contratada pela Petrobras para trabalhar nos campos de Barracuda e Caratinga, na Bacia de Campos. O investimento, incluindo a adaptação da Olinda Star para atuar em águas profundas, chega a US$ 1,65 bilhão.

27/10/2009 - 09:24h R$ 20 bilhões por ano sera investido na indústria relacionada ao pré-sal

Dilma garante que Pré-sal vai beneficiar o ABC

Leandro Amaral – Repórter Diário

Aline Bosio
A ministra Dilma Rousseff garantiu que a demanda da Petrobrás relacionada ao Pré-Sal será voltada à indústria brasileir

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), predileta do presidente Lula à sucessão do Planalto, garantiu nesta segunda feira (26/10), durante evento em São Bernardo, que a demanda da Petrobrás relacionada ao Pré-Sal será voltada à indústria brasileira. Segundo ela, a expectativa é de que R$ 20 bilhões sejam movimentados por ano, sendo uma fatia direcionada ao ABC.

“Pode esperar que as compras da Petrobras sejam feitas preferencialmente no Brasil. Isso inclui a refinaria do ABC (Capuava, em Mauá) e também as indústrias daqui. A oportunidade do Pré-Sal vai permitir que várias cadeias industriais se beneficiem ao fornecer produtos e serviços para Petrobras”, destacou ao participar do evento de inauguração da ADVEB ABC (Associação dos Dirigentes de Vendas e Empreendedores do Brasil).

O investimento será possível porque a estatal será a única operadora das reservas na camada do pré-sal. O escopo da empreitada visa resgatar a indústria naval que, de acordo com a ministra, tinha “morrido no país”. “Até 2003, nós sequer tínhamos utilizado nosso poder de compra para privilegiar as empresas estabelecidas no Brasil. Isso é característica de todos os países desenvolvidos no mundo. Nós temos que ter nossa política de compra. A Petrobras como operadora apresenta política de compra comprometida com os interesses do país. Não vamos aceitar o que acontecia no governo passado quando se pegava uma demanda de uma plataforma e contratava no exterior”, ressaltou Dilma, dizendo que a prioridade do atual governo no território nacional fez o Brasil gerar 11 milhões de empregos a partir de 2003.

Mais cedo, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, mostrou-se otimista quanto a apreciação dos projetos no Congresso Nacional referentes ao pré-sal. Durante o 1º Fórum Internacional de Relações Multilaterais Econômico-Comerciais, ocorrido também em São Bernardo, o articulador do Planalto afirmou que até o fim dessa semana os relatórios serão apresentados aos parlamentares. O objetivo do governo é manter o calendário de votação na Câmara previsto para o dia 10 de novembro.

“Tem parte dos relatórios que não existe nenhuma divergência. A capitalização da Petrobrás é a única divergência. O relator fez uma proposta de utilizar recursos do FGTS para aquisição das ações da estatal e o governo não é favorável”.

A aprovação dos quatro projetos estabelecerão o marco regulatório e criarão a possibilidade dos investimentos no Pré-sal.

Aniversário de Lula
Indagada sobre o pedido do presidente Lula que anseia ganhar no aniversário do próximo ano “a vitória da ministra nas eleições”, Dilma disse que não comenta candidatura e que o anseio do chefe da nação é “comovente”. A predileta do Planalto também afirmou que irá presentear Lula em seu aniversário nesta terça-feira (27/10), mas destacou que a “lembrança será surpresa”.

17/09/2009 - 11:19h Pré-sal terá regime tributário próprio

Governo prepara regras fiscais e financeiras para viabilizar no país produção de 2/3 dos equipamentos de exploração, diz Coutinho

Presidente do BNDES diz que cadeia produtiva precisa de investimentos de U$ 80 bi e que é possível criação de estatal de seguros para setor

Leonardo Wen/Folha Imagem
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O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que elabora política industrial para produção de equipamentos para exploração do pré-sal e prevê desoneração do setor

 

SÉRGIO MALBERGIER EDITOR DE DINHEIRO – FOLHA SP

VALDO CRUZ
ENVIADO ESPECIAL A SÃO PAULO

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, foi encarregado de montar uma política industrial para a exploração do petróleo do pré-sal. Seu objetivo é que, em três anos, dois terços dos equipamentos para explorar o pré-sal sejam produzidos no Brasil.
Para atingir esse objetivo, disse Coutinho à Folha, será preciso dar “condições de financiamento e tributação” similares às da Coreia do Sul, país líder na indústria naval.
Ou seja, adotar uma forte desoneração do setor, para que as empresas instaladas no Brasil possam competir com as estrangeiras. Segundo Coutinho, isso pode envolver até a criação de uma seguradora pública, como no modelo coreano.
Disse ainda que, pelos estudos do BNDES, será preciso investir, em dez anos, cerca de US$ 80 bilhões para desenvolver a cadeia produtiva do setor.
Isso sem contar os investimentos da Petrobras, de US$ 174 bilhões nos próximos cinco anos. Coutinho diz que não defende agigantamento do BNDES, mas ressalva que a maior participação do banco no mercado de crédito deve ser mantida nos próximos anos, principalmente na infraestrutura.

FOLHA – Como está a elaboração de política industrial do pré-sal?
LUCIANO COUTINHO -
Foi feito um estudo de mapeamento de famílias de empresas do setor, para identificar o que teremos de adicionar de capacidade produtiva ao longo dos próximos dez anos, a fim de assegurar que pelo menos dois terços sejam produzidos no país. Não estamos falando de refino, só de offshore [exploração de petróleo na costa brasileira], que inclui sondas, plataformas, equipamentos para desenvolver a exploração do pré-sal. O que ainda falta é que detectamos uma série de condições de financiamento e tributação, oferecidas por países concorrentes, como Coreia, que lhes dá vantagens competitivas.
Eles têm, além de prazos e taxas favoráveis, seguros e garantias, notadamente a Coreia. Ela tem uma grande seguradora pública, que dá cobertura de risco aos financiadores e empreendedores. A outra coisa é o tratamento tributário dado lá.
Como é produto para exportação, há um processo de desoneração bastante intenso, com uma cobertura da cadeia toda.
Esse é outro desafio. Então, na nossa avaliação, é preciso criar condições no Brasil similares para poder competir. Estão na frente na curva de aprendizado.
Nós estamos no começo para chegar lá. Temos de aprender a fazer, com eficiência.

FOLHA – O que será preciso fazer no Brasil para ter algo similar?
COUTINHO -
Um regime tributário e financeiro específico para a cadeia produtiva do petróleo.
Está em conversações entre BNDES e Fazenda. O financiamento será do BNDES. Aí nós temos outra questão que é o “funding” do banco. Não vai entrar dinheiro do Orçamento.
Temos de discutir com o Ministério da Fazenda. Recursos do próprio Fundo Social do petróleo poderão estar disponíveis, mas só depois que o petróleo do pré-sal for extraído, não antes de 2015. Temos um problema de curto prazo, temos de encontrar os recursos para chegar lá.

FOLHA – Quanto será necessário para desenvolver essa cadeia?
COUTINHO -
US$ 80 bilhões nos próximos dez anos para desenvolver a cadeia produtiva offshore, sem contar os investimentos da Petrobras. É o desenvolvimento de estaleiros, de novas indústrias, de ampliação de capacidade. Em cinco anos, equivalente a US$ 40 bilhões.
Nosso desejo é que tenha dois terços de fornecimento nacional. Temos de fazer o desenvolvimento das empresas que estão aqui, que podem se capacitar, e temos que atrair empresas para produzir aqui, diretamente ou em associação com empresas nacionais.
Em alguns casos, equipamentos mais simples, o Brasil conseguiu chegar a um nível de nacionalização em período relativamente curto. É uma tarefa a ser construída em dois, três anos, para conseguirmos chegar lá. Não fixamos uma meta, mas é um objetivo. Realisticamente, vamos ter de desenvolver a cadeia produtiva para fazer isso. Ninguém desenvolve isso da noite para o dia. Se eu dissesse em 12 meses, eu estaria forçando. Dois, três anos, teremos de desenvolver uma cadeia produtiva, absorver tecnologia, criar estaleiros de grande escala, talvez mais um ou dois.

FOLHA – Há contato com as estrangeiras para se instalarem aqui?
COUTINHO -
Sim, já há contatos. E temos estimulados empresários brasileiros a entrar em tratativas, algumas já avançadas, com empresas líderes de tecnologia. Não posso citar nomes.

FOLHA – Atualmente, em alguns segmentos, o conteúdo nacional na indústria do petróleo já supera 80%, 90%. Isso não é possível no pré-sal?
COUTINHO -
Por enquanto, não, porque se trata de uma nova tecnologia, já conhecida pela Petrobras, mas diferente para a indústria. São perfurações a 7.000 metros, em situações diferentes, mais longe da costa, com requisitos tecnológicos bem mais desafiadores.

FOLHA – No caso do seguro, a ideia é seguir o exemplo coreano e criar uma companhia pública aqui?
COUTINHO -
Essa crise financeira debilitou muito o setor de seguro. Mas ainda não sabemos, há diversas possibilidades. A dificuldade é que nessa área são projetos de grande escala, outros tipos de riscos, que ainda não temos total mensuração que possam permitir uma gestão de risco. Para esse tipo de seguro a tecnologia é diferente.
Aí, há um desafio. O mercado não vai prover esses seguros, pelo menos no curto prazo visível. E são seguros de uma natureza especial.

FOLHA – Desses US$ 80 bilhões, a grande parte viria do BNDES?
COUTINHO -
Esse número é a necessidade de financiamentos para a cadeia produtiva nesses dez anos. Acredito que o mercado virá e suprirá uma parcela dos requisitos de financiamentos. Além disso, uma parte do crédito poderá ser suprida a partir do desenvolvimento do mercado de crédito brasileiro.
E aqueles créditos de maior risco, de mais longo prazo, possivelmente o BNDES terá de oferecer, de preferência em parceria com o setor bancário.

FOLHA – E os fundos soberanos estrangeiros, podem prover recursos para o BNDES?
COUTINHO -
Estamos tendo contatos com fundos para investimentos em infraestrutura. Nessas negociações eles poderão operar diretamente ou ter o BNDES como parceiro. Temos contato com a China, Cingapura, Emirados Árabes.

FOLHA – Neste ano, o BNDES deve fechar com desembolsos de até R$ 130 bilhões. Onde o banco chegará?
COUTINHO -
Temos pedido para que nosso pessoal analise essa questão, tendo em conta que o mercado não irá suprir o financiamento de longo prazo. Em breve, vamos ter uma ideia.
Existe um problema que é o desenvolvimento do sistema financeiro privado. O sistema financeiro brasileiro ficou muito viciado, uma palavra imprecisa, mas ficou viciado em liquidez de curto prazo. E era importante um processo de migração e incentivo ao próprio investidor brasileiro para confiar no país, pensar em aplicações financeiras de perfil um pouco mais longo. É algo que só se constrói com segurança, confiança e alguns estímulos. Chegou o momento de a gente ter um sistema financeiro privado mais normal, o que permitirá que ele possa suprir de maneira adequada as necessidades de financiamento.

FOLHA – Como lidar com o avanço do BNDES no mercado de crédito causado pela crise, após a retração dos bancos privados?
COUTINHO -
Não existe nenhum desejo de agigantar o BNDES.
Mas o que temos de pensar é que a escala de investimento no Brasil subiu e precisa subir ainda mais. O Brasil precisa investir, estávamos indo para 19% ou 19,5% do PIB. A crise nos atingiu e vamos ter 17% de investimento. É muito pouco. Temos de voltar a investir mais de 20%, chegar a 24%, 25% do PIB, o que nos daria condição de crescer de forma sustentável e muito firme. Haverá espaço para os dois lados. O desafio é desenvolver o sistema financeiro privado e fazer essa mudança.

FOLHA – Vocês estão buscando uma nova fonte permanente de recursos?
COUTINHO -
Esse é um tema. O BNDES, se pensarmos o FAT, é um banco de R$ 60 bilhões, o que é insuficiente para a escala de investimento que o país precisa, mesmo contando com a participação privada. Nós tínhamos que investir muito mais. Para isso, precisamos ter mais recursos. Isso coloca um desafio para o futuro, de como suplementar o banco.

09/09/2009 - 14:30h Petrobrás vai dosar a atuação nos campos para dar tempo à indústria nacional se adequar à demanda, diz executivo

Fornecedor dita ritmo de exploração do pré-sal

 

 

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Irany Tereza, Nicola Pamplona e Kelly Lima – O Estado SP

 

 

Operadora única de todas as áreas da região do pré-sal – caso seja aprovado sem restrições o projeto de lei enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso – a Petrobrás espera dosar a atuação nesses campos para dar tempo à indústria brasileira se adequar à nova demanda. “Não adianta mapear o pré-sal, ter dez oportunidades e querer desenvolver isso tudo ao mesmo tempo. Não. O País já é autossuficiente”, afirmou ontem o diretor de Exploração e Produção da estatal, Guilherme Estrella, em entrevista exclusiva ao Estado.

Em dez anos, prevê o executivo, a Bacia de Santos, que ele define como “a joia da coroa” do novo momento do setor no Brasil, terá suplantado a Bacia de Campos, onde hoje estão concentrados mais de 80% da produção nacional. “Há sete anos, nem se falava na Bacia de Santos”, comenta. Ele deixa claro que a formação de um conteúdo industrial nacional no setor foi um dos motivos que sustentaram a condição de operadora única da Petrobrás e admite que isso será também um peso para a companhia. “Claro que há um ônus. Mas nós, da Petrobrás, consideramos uma missão da companhia”, afirma.

Não ficou claro se é uma vantagem para a Petrobrás ser operadora única.

Antes de ser vantagem ou desvantagem, é uma responsabilidade para a companhia. Efetivamente a Petrobrás tem grande experiência operacional, de exploração, perfuração e produção de óleo em águas profundas e ultraprofundas. Se tivesse de ser escolhida a empresa mais experiente nesse tipo de operação, certamente seria a Petrobrás. Ao mesmo tempo, todos sabemos que a Petrobrás tem um compromisso com o desenvolvimento nacional. Há também um componente de interesse nacional de aproveitar isso do ponto de vista tecnológico. Para nós é uma responsabilidade gigantesca.

Mas a Petrobrás terá também o ônus, por exemplo, de acompanhar propostas em leilões que pode não ser tão atraentes.

Claro que há um ônus. Mas nós, da Petrobrás, não consideramos um ônus. Consideramos uma missão da companhia, como empresa controlada pelo governo, na participação do aproveitamento dessa grande riqueza. Além disso, a escala em qualquer indústria é muito importante. Se uma empresa tiver que colocar duas, três plataformas, é uma coisa. Se tiver de pôr 20, é outra. A escala para uma indústria petrolífera é muito importante até pelos custos gigantescos envolvidos. Sermos operadores de toda a área nos dá uma grande tranquilidade de aproveitarmos essa escala e, através disso, sermos um fator e uma ferramenta de desenvolvimento da indústria brasileira. São dezenas, às vezes centenas, de equipamentos que são hoje importados. Com essa dimensão e escala, pode-se tomar decisões de construir estratégias voltadas ao desenvolvimento da indústria nacional.

Quer dizer, manter a exploração em um ritmo que a indústria nacional possa acompanhar?

Isso é fundamental e está na lei. Não adianta mapear o pré-sal, ter dez oportunidades e querer desenvolver isso tudo ao mesmo tempo. Não, o País já é autossuficiente. Então, o CNPE e o governo podem fazer um planejamento de longo prazo para gerenciar efetivamente a matriz energética nacional. Essa proposta dá ao governo brasileiro, e não só a esse, a todos os governos, a possibilidade de fazer o planejamento estratégico energético nacional e trazer, através da companhia, empresas para fabricação no Brasil. Nós perdemos 30 anos de desenvolvimento e temos novamente uma oportunidade.

Então, as áreas vão ser colocadas por parte, uma, duas do pré-sal nos leilões?

O governo tem oportunidade de programar. É natural que, como tem sua empresa como operadora de petróleo, concilie as necessidades nacionais e este planejamento estratégico com a capacidade da Petrobrás de atacar os projetos paulatinamente. O que vai dar ao governo condições de fazer uma coisa casada. A partir do momento que somos autossuficientes em petróleo, isso dá ao governo condições de planejar no médio e longo prazo.

Os críticos afirmam que a indústria fornecedora não viria para o País por causa da dependência de um único comprador.

O meu dia a dia aqui desmente isso. Tenho recebido indústrias estrangeiras dizendo: “Estrella, nós queremos participar do pré-sal. Vamos instalar nossas fábricas no Brasil”. Empresas de todos os segmentos: sondas, equipamentos sofisticados. Todo mundo quer fabricar no Brasil. Outra coisa: temos hoje toda a Costa Oeste africana com grandes investimentos em petróleo. Estamos aqui quase à vista, se botar um binóculo dá para ver a África (risos). Esses caras vão vir para cá também de olho no Oeste Africano. Temos mão de obra mais barata que a europeia e norte-americana. Isso é uma grande oportunidade. Agora, interesses que eventualmente venham a ser contrariados por causa da operação da Petrobrás… O petróleo no Brasil não é só a operação no pré-sal. Na minha visão como geólogo, a grande joia da coroa que veio à tona não foi o pré-sal, mas a Bacia de Santos. Há sete, oito anos, não se falava na Bacia de Santos. Hoje tem pré-sal, pós-sal, Mexilhão, Tambaú, é uma bacia gigantesca. Temos toda a costa leste, a costa equatorial. O pré-sal não é o petróleo brasileiro. O Brasil é muito mais do que isso. É uma grande oportunidade e as empresas estrangeiras continuarão a vir, não tenho dúvida nenhuma.

O governo espera ficar com entre 40% e 80% do petróleo dos novos contratos. Para a Petrobrás é factível?

Como operadora, todos os dispêndios da Petrobrás serão ressarcidos. A empresa não terá prejuízo. Mas os acionistas querem também o lucro. Com certeza, a empresa que fizer a oferta (nos leilões) levará isso em consideração. Existe um equilíbrio. Vamos atuar dentro dessa premissa fundamental. As empresas querem ser operadoras porque isso dá experiência. Isso é um benefício muito grande. Mas hoje, no sistema de concessão, em que somos operadores na maioria dos nossos blocos, a sinergia, a troca de experiência entre as empresas é absolutamente completa, independente de ser operadora ou não.

Empresas grandes topariam entrar nessa disputa sem serem operadoras?

O que está em jogo são reservas mundiais. Em 2030 mais da metade do óleo a ser consumido não foi descoberto ainda. As grandes petrolíferas mundiais, inclusive a Petrobrás, lidam com esse desafio de manter suas reservas. Quanto maior a produção, maior o desafio: se a empresa produz 2 milhões de barris por dia, no fim do ano precisa de mais de 700 milhões de barris para repor a produção. O simples fato da grande empresa ter acesso a uma reserva já é uma garantia. É um bem, um patrimônio estratégico importantíssimo. Francamente, não acredito que vejam a legislação como uma redução das oportunidades no Brasil. Essa oportunidade é única. Um país grande, num mercado excepcional, economicamente estável, numa democracia… E no Atlântico, onde se tem os grandes consumidores da Europa e dos EUA com acesso por navio.

O tom do governo para justificar o novo marco é proteger o País de uma eventual ameaça estrangeira.

Nenhuma informação que chegou até a mim foi levada em consideração, mas eu me reservo o direito como brasileiro de especular sobre isso. O petróleo é uma riqueza não como qualquer outra. Ninguém invade um país por causa de laranja ou tâmara. Eu trabalhei em Bagdá por alguns anos e ninguém chegou com um tanque americano para tomar uma tamareira. Isso é uma coisa. A outra é o gráfico da Agência Internacional de Energia, que mostra que mais da metade do petróleo a ser consumido ainda não foi descoberto. Então, o Ocidente, que é o grande consumidor de petróleo tem uma fome estratégica de reservas enorme. Combustíveis alternativos vão ocupar 20% ou 25% do consumo. Até que uma virada tecnológica ofereça à sociedade uma fonte energética que esteja à mão e facilmente reproduzível. Então, reserva (de petróleo) continua a ser a sustentação econômica e de segurança de todo o lado ocidental.

A sua opinião é que isso tem que ser visto como estratégico?

Como brasileiro, como cidadão, acho que isso tem que ficar sempre evidente. Tem que fazer parte da reflexão da sociedade brasileira. Da exploração e a propriedade desta riqueza dependerá o futuro dos nossos filhos e netos. Certamente as nações hegemônicas devem estar pensando: “Tem um cara grande aí no sul que tem água, tem sol, mal ou bem tem uma democracia, tem uma economia crescente, agora descobre a expectativa de uma baita reserva de petróleo. Este cara vai nos incomodar”. É evidente que eles estão pensando isso. Agora, como é que vamos lidar com isso? O cara lá pensa daqui 50, 100 anos. Com um país que tem a potencialidade que tem o Brasil, fontes energéticas… Então, recria a quarta frota… primeira coisa. O que é isso camarada? O Brasil está sendo mapeado. Ninguém vai querer largar esta boca de ser o país com nível avançado. É briga de cachorro grande, mesmo.

No anúncio de Tupi, foi dito que com o pré-sal o Brasil poderia chegar a mais de 100 bilhões de barris. A expectativa se mantém?

A Bacia de Santos é muito prolífica e não tem óleo e gás só no pré-sal. A Bacia Equatorial é uma área enorme, com um potencial enorme. Enfim, não é difícil. Francamente não é difícil. Contando toda área sedimentar brasileira. Se você me perguntar em volumes recuperáveis, acho que é possível sim passar de 14 bilhões de barris hoje de reservas para chegar a isso. Acho que teremos surpresas por aí.

E Santos vai suplantar o que é hoje a Bacia de Campos?

Certamente. Em dez anos isso acontece.

03/09/2009 - 10:50h Petrobras convoca indústria de máquinas

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Guilherme Manechini, de São Paulo – VALOR

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, reuniu-se ontem com representantes da indústria de bens de capital para apresentar a potencial demanda da empresa por equipamentos para a exploração dos campos do pré-sal. Segundo dirigentes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), durante o encontro ficou claro que a Petrobras não vai abrir mão de preço em benefício dos fabricantes brasileiros, mas que julga de grande importância o desenvolvimento da indústria local para atender suas necessidades.

“No que depender da Petrobras, o setor pode contar com ela. Mas não existe nenhuma obrigação de comprar os equipamentos aqui no país”, afirmou José Velloso, vice-presidente da Abimaq, ao destacar que quem tiver preço e tecnologia poderá fornecer para a estatal no Brasil e no exterior. O dirigente citou a descoberta de petróleo no México pela inglesa BP, em um campo que a Petrobras tem participação de 20%, como exemplo de mercado que a indústria poderá participar nos próximos anos.

Durante a reunião, segundo ele, tanto os representantes dos fabricantes de bens de capital, como a Petrobras concordaram que serão necessários investimentos estrangeiros para a formação de uma indústria competitiva no país. A estimativa da Petrobras dada aos fabricantes para o início das encomendas de equipamentos para a exploração do pré-sal é de dois a três anos, com previsão de entrega a partir de 2014. Ou seja, este seria o prazo ideal para os fabricantes brasileiros se prepararem para a demanda da estatal.

Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq, informou ainda que a entidade vai buscar uma linha especial de financiamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para fomentar este segmento da indústria de bens de capital. “Esses campos (pré-sal) vão durar mais de 30 anos. Por isso é preciso capacitar e capitalizar a indústria nacional para o curto, médio e longo prazo”, disse.

26/05/2009 - 12:50h A gestão da indústria petrolífera e a Petrobras são mostradas como exemplo pelo Financial Times

A reportagem afirma que até agora o Brasil tem gerido bem sua indústria, permitindo que a Petrobras se transforme em “uma das mais avançadas companhias internacionais de petróleo.”

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Brasil é o futuro do petróleo latino-americano, diz “Financial Times”

da BBC Brasil – Folha Online

O Brasil representa o futuro do petróleo latino-americano, em contraste com os problemas enfrentados pelos dois maiores e mais tradicionais produtores da região, Venezuela e México, segundo afirma reportagem publicada nesta terça-feira pelo diário britânico “Financial Times”.

“Nos últimos dois anos, a Petrobras, a sofisticada empresa brasileira estatal de capital aberto, descobriu reservas tão promissoras em águas profundas na costa sudeste que os executivos estão comparando esta nova fronteira com o mar do Norte, que salvou o mundo da crise energética criada pelo Oriente Médio nos anos 1970″, diz o jornal.

A reportagem afirma que até agora o Brasil tem gerido bem sua indústria, permitindo que a Petrobras se transforme em “uma das mais avançadas companhias internacionais de petróleo.”

O jornal adverte, porém, que a empresa ainda tem grandes desafios técnicos e financeiros para explorar as novas reservas de petróleo e comenta que os políticos do país ainda discutem uma nova legislação para regular o desenvolvimento dessas novas reservas.

“Enquanto as discussões em Brasília prosseguem, as histórias da Venezuela e do México deveriam servir como advertência”, afirma a reportagem.

Galinha dos ovos dourados

O texto comenta os efeitos negativos da má gestão das empresas públicas de petróleo nos dois países, comparando-as à fábula da galinha dos ovos dourados.

“A indústria venezuelana de petróleo pode não estar morta, como foi o destino da galinha na fábula, mas a última onda de nacionalizações no setor pode se mostrar um golpe quase fatal, advertem executivos do setor”, diz o texto.

O jornal afirma que, em seus dez anos no poder, o presidente Hugo Chávez “dizimou a PDVSA, a estatal venezuelana do petróleo, que nos anos 1990 aparecia como uma das mais bem gerenciadas do mundo.”

A produção venezuelana caiu de 3,4 milhões de barris em 1999, antes de Chávez chegar ao poder, a 2 milhões atualmente.

Cofrinho

Segundo o jornal, a Venezuela não está sozinha na “má gestão de seu mais precioso recurso”.

“Por mais de 50 anos, o México rivalizou com a Venezuela como o mais importante produtor de petróleo da América Latina. Mas o país também usou demais sua empresa estatal de petróleo como cofrinho para tirar dinheiro”, diz o texto.

A reportagem comenta que decisões políticas deixaram a estatal Pemex endividada e com dificuldades para investir na produção e no desenvolvimento das reservas de petróleo do país.

Além disso, as leis mexicanas dificultam a participação de empresas estrangeiras, que poderiam ocupar o espaço deixado pela Pemex em relação aos investimentos.

“Apesar de recentes reformas políticas, o México agora enfrenta a assombrosa perspectiva de se tornar importador líquido de petróleo em uma década”, afirma o jornal.

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Charge contra a privatização da Pemex (Petroleo México). Fonte New one

Latin America: Revolution that killed the fabled golden goose

By Carola Hoyos – Financial Times

Published: May 26 2009 05:25 | Last updated: May 26 2009 05:25

As Venezuelan troops this month seized the assets of oil service contractors, the fable of the goose that laid the golden eggs again made the rounds of conversations among oil executives.

Venezuela’s oil industry may not be dead, as was the fate of the goose in the fable, but the latest round of nationalisations could prove a near-fatal blow, oil executives warn.

Analysts believe the move could reduce the country’s production to lows not seen for 20 years and prompt a significant shift in power that will redefine the relative importance of Latin America’s oil producers.

In fact, the oil service contractors were not the first to suffer under the drive of Hugo Chavez, Venezuela’s populist president, to use the country’s oil wealth for social programmes and to increase his influence among neighbouring countries.

During his decade in power, Mr Chavez has decimated PDVSA, Venezuela’s national oil company, which in the 1990s ranked as one of the world’s best-run. And as oil prices rose from about $20 to $147 a barrel in the past decade, he wrested control of Venezuela’s oil fields back from international oil companies before turning his sights to the oil service sector.

All this has had a profound effect on the country’s ability to produce oil. Output has dropped from 3.4m just before Mr Chavez came to power in 1999 to barely more than 2m barrels a day today.

Until the second half of last year, the drop in production had been masked by the extra income from rising oil prices. But prices have collapsed since hitting their peak last July, falling to as low as $32 before recovering to trade at about $60 today.

This has meant PDVSA, burdened by financing Mr Chavez’s social programmes, has had to slash costs and Venezuela has run up billions of dollars in debt to oil service contractors it can no longer afford to pay. Nationalising them has only dug Caracas into a deeper hole, analysts warn.

“It is clear that, even though in 2009 PDVSA will probably see an important decline in oil income and expenditures will keep increasing, it will still have the capacity to pay its [debt] obligations,” analysts at Barclays wrote in a note to institutional investors.

Observers say this means Mr Chavez’s reign is far from over and his actions, though disastrous for Venezuela’s oil industry and the country’s long-term prosperity, have not yet caused enough trouble to destabilise his government.

But Venezuela is not alone in having mismanaged its most precious resource. For more than 50 years Mexico has rivalled Venezuela as Latin America’s most important oil producer. But it too has relied too heavily on its national oil company as a piggy bank.

For decades Mexico’s congress has dipped into the coffers of Pemex, the national oil company, plunging it deep into debt and forcing it to borrow money to keep investing in producing and developing the country’s oil fields.

Meanwhile, Mexican politicians have denied Pemex the opportunity to use foreign oil companies to fill the resulting gap in investment by maintaining strict laws that make investing in the country unattractive.

All this has had severe consequences. Pemex has been unable to halt the steep natural decline of Cantarell, the giant, ageing field that at its peak produced more than 2m barrels of oil a day, but now no longer manages even half that.

Nor has Pemex succeeded in compensating for Cantarell’s losses by finding and developing new fields.

Despite recent political reforms, Mexico now faces the daunting prospect of becoming a net oil importer within a decade.

The fates of Mexico and Venezuela stand in stark contrast to that of Brazil, the country that represents the future of Latin American oil.

In the past two years, Petrobras, Brazil’s sophisticated, partially traded national oil company, has discovered such promising reserves in the deep waters off the south-west coast, that executives are comparing this new frontier with the North Sea, which saved the world from the energy crises created in the Middle East in the 1970s.

So far, Brazil has managed its industry well, allowing Petrobras to grow into one of the world’s most advanced oil companies, using foreign investment and expertise to its advantage.

It is an enviable position, but Petrobras has huge technical and financial hurdles to overcome. It took a dozen big oil and gas companies more than a decade to tap the North Sea.

Far fewer are active in Brazil and the country’s politicians have yet to thrash out a new energy law that will govern the development of the potentially huge reserves that are still to be discovered.

As discussions in Brasilia continue, the story of Venezuela and Mexico should serve as a cautionary tale similar to the one about the goose and the golden eggs.